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A liderança em 4 movimentos

“Então, disse Moisés ao SENHOR: O SENHOR, autor e conservador de toda vida, ponha um homem sobre esta congregação que saia adiante deles, e que entre adiante deles, e que os faça sair, e que os faça entrar, para que a congregação do SENHOR não seja como ovelhas que não têm pastor.” (Nm 27.15-17)

 

Você já ouviu aquela velha frase sobre manutenção? “Quando tudo vai bem, ninguém se lembra que ela existe. Quando vai mal, todos reclamam.” Tenho a impressão de que o mesmo se aplica às lideranças.

Na igreja, quando as lideranças são muito mais destacadas do que a coletividade, é bem provável que Deus esteja sendo usurpado da sua glória. Considerando a relevância do tema, vale a pena, pelo menos de vez em quando, resgatar a importância das lideranças nas relações e nas organizações humanas.

Liderança é, sem sombra de dúvida, um assunto relevante, interessante e inesgotável. Há uma quantidade enorme de livros e artigos no mundo sobre o tema. Na internet, há cerca de 2.500.000 (em 2006; em 2017 já são 25.700.000) ocorrências no Google, só em português, para esse verbete. Por que é relevante? Porque ela precisa estar presente em todos os agrupamentos humanos, desde a família menor, até a maior das organizações humanas globalizadas (ONU etc), passando por todas as instituições que aí estão postas neste mundo. Em algumas épocas e lugares ela foi e tem sido substituída pela dominação, que é o poder pela força das armas. Certamente esse nunca foi o projeto de Deus para os seres humanos. Homens e Mulheres foram criados por Deus para dominar sobre animais e coisas (Gn 1.28) e liderar pessoas, sendo que desde a queda coube ao homem liderar sua mulher (Gn 3.16).

O que vem a ser liderança? Uma conceituação interessante diz que:

Liderança é a arte ou habilidade, de influenciar um indivíduo[1] ou grupo, a fazer algo, entusiasticamente ou de boa vontade, em prol do bem comum.

O que é um grupo?

Um conjunto de pessoas sob a mesma liderança e com os mesmos ideais.

É interessante observar nesta definição que, liderança comum e ideais comuns são elementos indispensáveis na caracterização do grupo.

Quais são as funções básicas de um grupo?

A realização de objetivos específicos do grupo; a manutenção ou fortalecimento do próprio grupo.

A igreja[2] é um grupo com liderança e objetivos bem definidos!

Seu líder e cabeça, seu fundador e fundamento, é Jesus Cristo (Mt 16.18; Ef 2.19-22).

Seus membros, os regenerados desde o Pentecostes até o arrebatamento. No sentido local, os crentes professos e batizados em nome de Jesus Cristo.

Seus ideais comuns: Adoração, Comunhão, Evangelização, Educação Cristã e Ação Social.

O conceito de liderança segundo Moisés apresentado no texto, parece tão rudimentar quanto restrito a um comando militar. Ainda que não tenha sido explicitamente citado e aplicado à igreja pelos escritores do NT, sua essência pode ser percebida nas lideranças neotestamentárias, a começar por Jesus.

A fala de Moisés revela sua capacidade de síntese de algo extremamente complexo, como liderar um povo naquelas circunstâncias. Vejam o contexto:

O povo Israel havia passado por todas as fases porque passa um ser humano, da concepção até alcançar a idade adulta (Nm 11.12): FECUNDAÇÃO, GESTAÇÃO, TRABALHO DE PARTO, NASCIMENTO, CORTE DO CORDÃO UMBILICAL, FESTEJO, CHORO/AMAMENTAÇÃO, INSTRUÇÃO, DISCIPLINA ETC.

1º) Depois de 40 anos conduzindo o povo de Israel, do Egito para a terra de Canaã, Moisés os faz acampar do lado oriental do rio Jordão.

2º) Dos 603.550 homens com mais de 20 anos, segundo o censo de Números 1.46, apenas Josué e Calebe foram preservados. Os demais morreram no deserto como castigo pela incredulidade quando os 12 espias foram enviados para observar a terra (Nm 14.26-35; 26.64-65).

3º) Um novo censo é feito e contados agora 601.730 homens com mais de 20 anos, segundo registro de Números 26.51, o que equivale a um total entre 2 e 3 milhões de pessoas.

4º) Moisés, já com seus 120 anos (Dt 34.7), à entrada da terra de Canaã, sem seus irmãos Arão e Miriã, mortos durante a caminhada, recebe palavras duras da parte do Senhor, de que sua carreira se encerraria ali mesmo. Isto significava que outro tomaria o seu lugar a partir daquele ponto.

Consciente da importância de um líder e dos tremendos desafios que esse novo líder teria que enfrentar, a começar pela travessia do Jordão, depois derrotar todos os povos que ocupavam aquela terra, distribuir a terra conquistada e governar a nação; volta-se para o Senhor e descreve em linhas gerais o perfil desse novo líder.

Nessa conceituação de liderança em quatro movimentos formulada por Moisés, pode-se identificar as quatro principais bases de poder e autoridade que sustentam a liderança na igreja de nosso Senhor Jesus Cristo. Vejamos esses 4 movimentos:

 

1. PODER LEGÍTIMO (autêntico, genuíno, legal etc)

“que saia adiante deles”

Então, Moisés está dizendo que um líder é alguém que sai do meio do povo de Deus e se posiciona a frente desse povo? É quase isso. Precisamos apenas consertar o final da frase: ele não se posiciona, ele é posicionado por Deus. Se assim não for é quebrada a primeira base de sustentação da liderança. O movimento do banco da igreja para o púlpito não é tão simples assim! Não se dá porque eu quero, mas porque Deus quer! Não se dá apenas porque eu fiz um curso de teologia e fui ordenado. Não se dá por sucessão hereditária, vínculo de parentesco ou vínculo conjugal. Também não se dá porque o mercado de trabalho está difícil ou porque aquele ofício pode me levar a uma posição de destaque, de visibilidade etc.

Esse primeiro movimento tem a ver com indicação, chamada e vocação divinas, conforme expresso na resposta de Deus em Números 27.18-20, referindo-se a Josué:

“Toma Josué, filho de Num” – separação, identificação e reconhecimento (alguém específico);

“homem em que há o Espírito” – alguém habitado e dirigido pelo Espírito Santo;

“e impõe-lhe as mãos” – ato simbólico de consagrar alguém para um serviço especial;

“apresenta-o perante Eleazar, o sacerdote, e perante toda a congregação” – satisfação à lei (estrutura de governo espiritual) e ao povo;

“e dá-lhe, à vista deles, as tuas ordens” – transferência de responsabilidade;

“Põe sobre ele da tua autoridade…” – transferência de poder.

 

2. PODER DE ESPECIALISTA (de conhecimento)

“e que entre adiante deles”

Levantemo-nos e vão” é uma frase interessante que diz respeito a alguém que tem boa oratória, porém que não está disposto(a) a tomar a dianteira.

Carro estacionado não precisa de motorista”. Partindo dessa premissa será que é correto dizer que o Líder só tem razão de existir se há um movimento a ser feito e este a partir dele? Será que no mundo atual alguma organização ou organismo sobrevive se não se mover? Dizem por aí que “jacaré parado vira bolsa”.

Ir para onde? É simplesmente ir de uma situação atual para uma situação melhor. A resposta é óbvia, ainda que não seja facilmente assimilada, pois as pessoas tendem a se acomodar e não querer correr o risco de deixar a zona de conforto em que se encontram.

Para realizar esse movimento de entrar adiante é necessário ter algumas características que estavam presentes em Josué, tais como:

  • Sabedoria (divina e humana – juntas e misturadas ao ponto de não se saber quando acaba uma e começa a outra) (Dt 34.9 – “cheio do espírito de sabedoria”)
  • Conhecimento da lei (vontade) divina, para a cumprir (Js 1.7-8; 2Tm 2.15; 1Tm 3.6)
  • Percepção da situação atual e Visão do alvo a ser alcançado (Js 1.1-6 – por Deus)

Fé: “é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não vêem.” (Hb 11.1)

  • Experiência prática (adquirida como servidor de Moisés: Ex 17.9,10,14; Nm 33.11)

 

3. PODER DE MOBILIZAÇÃO (rompimento com a inércia)

“e que os faça sair”

Muitas são as vozes que emanam de dentro do grupo e do ambiente externo ao grupo, na tentativa de nos fazer mover do lugar onde estamos, ou para induzir-nos a fazer o que propõem. Está se desenvolvendo na sociedade globalizada em que vivemos, em proporções jamais vistas em qualquer outra época da história humana, uma batalha implacável pela conquista da minha e da sua mente, do meu e do seu bolso (dinheiro). Entre tantas vozes e apelos, Jesus, o Verbo que se fez carne, precisa ter proeminência em nossas vidas; a voz profética e bíblica dos líderes do seu rebanho precisa sobressair, com firmeza e serenidade, a todas as outras. Mais do que ouvir a voz de um líder é indispensável conferir na Bíblia o que está sendo dito, como os de Beréia faziam e, por isso foram considerados ouvintes mais nobres do que os de Tessalônica. (At 17.11). No mundo em que vivemos não há mais espaço para crente ingênuo (superficial e distraído), levado por qualquer vento de doutrina, do tipo que decidiu terceirizar o conhecimento bíblico e os serviços cristãos, com o seu pastor, seu professor de EBD etc. Não é isso que Jesus quis dizer com “ser simples como as pombas e prudentes como as serpentes”.

Há outras características em Josué que ajudam a fazer acontecer esse movimento:

  • Exemplo pessoal (Js 24.15). “As palavras convencem, os exemplos arrastam.” Nada mais triste do que pregar aquilo que não se crê e não se vive.
  • Coragem e Determinação / Amor e Sacrifício (Js 14.6-9): são dois binômios inerentes e inseparáveis do currículo de um verdadeiro líder (Josué: comandante militar, um diferencial entre os espias etc.

Walt, homem que cursara apenas até a sexta série, membro de uma pequena igreja num bairro hostil ao evangelho, na Filadélfia (USA), querendo se tornar professor da EBD e não encontrando espaço, foi “desafiado” a arranjar alunos para formar sua classe. Ele conseguiu reunir 13 garotos das ruas do bairro, sendo 9 deles filhos de pais separados. Passado algum tempo eles se tornaram adultos, sendo que 11 (85%) se engajaram no serviço cristão em tempo integral. “Para ser sincero, não seria capaz de citar muita coisa do que ele nos disse, mas dele próprio posso dizer muita coisa porque aquele homem me amou por amor a Cristo. Amou-me mais do que meus pais.” (Relato de HOWARD HENDRICKS, um desses garotos, que se tornou professor de Seminário e escritor evangélico, no livro: Ensinando para transformar vidas – Editora Betânia).

  • Confiabilidade e Honestidade. Quem realmente está disposto a seguir um líder em quem não confia?

 

4. PODER DE REALIZAÇÃO (satisfação, coesão)

“e que os faça entrar”

Há muitas lideranças aventureiras espalhadas por aí. Pretensos líderes especializados em fazer as pessoas saírem de onde estão para não chegarem a lugar algum. É gente que só sabe fazer fumaça. Eles se aproveitam da avidez das pessoas pela mudança, para experimentar o novo, na esperança de dar algum sentido à sua triste existência.

Josué deu provas de ser um líder realizador, porque:

1º) Agia de forma organizada, com ordem e disciplina (Js 3.1-6);

2º) Atuava como um habilidoso maestro (Js 6.7-21);

3º) Zelava pela união das 12 tribos e foi respeitado todos os seus dias (Js 4.14);

4º) Alcançava vitórias sobre os adversários (Js 12.7, 24 [31 reis derrotados]; Moisés [2 reis derrotados] – é interessante a alternância de estilo na liderança: Moisés, um legislador; Josué, um desbravador);

5º) Cumpriu sua missão: conduziu o povo a conquistar a terra da promessa e promoveu a distribuição do território e despojos conquistados. (Js 12.7, 24). Duas palavrinhas importantíssimas: CONQUISTAR e DISTRIBUIR!

Fazer as coisas acontecerem é marca registrada de um verdadeiro líder. Um reparador de brechas e restaurador de veredas (Is 58.12). Ele não existe para realizar tudo sozinho; o verdadeiro líder é aquele que FAZ FAZER. Dizem que PASTOR faz PASTOR e, OVELHA, faz OVELHA. Dá gosto ver as sociedades internas de uma igreja trabalhando, com todo empenho e criatividade, afinadas com a liderança da igreja e cooperando umas com as outras, para o bem da obra. Um grupo que realiza, reforça o sentimento de PERTENCIMENTO, nos seus participantes.

 

Conclusão:

Finalmente,

Esses quatro movimentos estavam muito presentes na vida de Jesus, nosso supremo pastor e líder. Só alguns flashes, uma pequeníssima amostra:

  1. Poder legítimo: “que saia adiante deles”

“A seguir, veio uma nuvem que os envolveu; e dela uma voz dizia: Este é o meu Filho amado; a ele ouvi.”( Mc 9.7; comp. At 2.22) 

  1. Poder de especialista: “e que entre adiante deles”

“Quando Jesus acabou de proferir estas palavras, estavam as multidões maravilhadas da sua doutrina;  porque ele as ensinava como quem tem autoridade e não como os escribas.” (Mt 7.28-29)

  1. Poder de mobilização: “e que os faça sair”

“Tendo Jesus convocado os doze, deu-lhes poder e autoridade sobre todos os demônios, e para efetuarem curas. Também os enviou a pregar o reino de Deus e a curar os enfermos.” (Mt 9.1-2)

  1. Poder de realização: “e que os faça entrar”

“Então, regressaram os setenta, possuídos de alegria, dizendo: Senhor, os próprios demônios se nos submetem pelo teu nome!” (Lc 10.17)

 

Como igreja, necessitamos de uma liderança sinérgica, que potencialize e canalize os recursos e talentos do grupo e os direcione para a edificação do grupo e para a glória de Deus.

“Mas, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo, de quem todo o corpo, bem ajustado e consolidado pelo auxílio de toda junta, segundo a justa cooperação de cada parte, efetua o seu próprio aumento para a edificação de si mesmo em amor.” (Ef 4.15-16)

Que assim Deus nos ajude!

Sola Scriptura, Sola Gratia, Sola Fide, Solus Christus, Soli Deo Gloria

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[1] Seja Líder de Si Mesmo – O Maior Desafio do Ser Humano (Augusto Cury [psiquiatra] – Sextante)

[2] Igreja: Visível ou Invisível; Militante ou Gloriosa; Local ou Universal


Catedral Presbiteriana do Rio
17/12/2006 – Culto Matutino (10h 15min) – Dia do Pastor
Esboço da Mensagem pregada pelo Presbítero Paulo Raposo Correia

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Pastores e Estrelas

Pastores e Estrelas

Os seres humanos têm alguns comportamentos interessantes. Um deles é o exibicionismo, aquela necessidade de se mostrar para os outros. Acho que todos têm um pouco disso, uns mais, outros menos. Isso se manifesta das formas mais variadas possíveis e você sabe muito bem como é, ou como isso acontece. Pode ser aquele sobrenome diferenciado, imponente, ou o bairro nobre onde mora. Pode ser aquela faculdade de renome, os títulos que possui ou os idiomas que fala. Pode ser aquele parente importante que tem, ou aquele vestuário de grife. Podem ser aquelas viagens internacionais ou aquele carrão, no qual desfila. Pode ser o luxo da festa de 15 anos da filha ou do casamento ou das bodas e, até mesmo, o cemitério e jazigo onde a família sepulta seus mortos. Enfim, pode ser tanta coisa… E, onde isso acontece? Antigamente era no mundo real, mas hoje, com a tecnologia disponível, até virtualmente, nas redes sociais e aplicativos. Aliás, antes de postar alguma coisa no facebook deveríamos nos fazer as seguintes perguntas: 1) Isso vai glorificar a Deus? 2) Isso é útil e vai abençoar as pessoas? 3) Estou apenas expressando aqui o meu contentamento ou estou querendo me exibir? “Desvia os meus olhos, para que não vejam a vaidade, e vivifica-me no teu caminho.” (Sl 119.37)

Alguém já te fez aquelas solenes perguntas: De que igreja você é? Quem é o teu pastor? Pois é, para se sair bem nessas horas, tem gente que faz questão de fazer parte de uma igreja com templo majestoso, com pastor famoso. Tudo isso tem a mesma origem: a necessidade de ser visto pelo outro como alguém muito importante, especial.

Não há nenhum mal em buscar o melhor para as nossas vidas, porém não podemos perder de vista aquilo que realmente tem valor, agora e eternamente. Não devemos nos encantar apenas com aquelas coisas que impactam a visão, mas, principalmente, com as que trazem significado profundo à existência.

Como Jesus reagiu ao que era o motivo de orgulho dos judeus, o Templo de Jerusalém? “Tendo Jesus saído do templo, ia-se retirando, quando se aproximaram dele os seus discípulos para lhe mostrar as construções do templo. Ele, porém, lhes disse: Não vedes tudo isto? Em verdade vos digo que não ficará aqui pedra sobre pedra que não seja derribada.” (Mt 24.1-2). Certamente não foi com o mesmo entusiasmo dos discípulos. Muitos, ainda hoje, não entenderam o que o Filho e o Pai pensam sobre templos bonitos: “Entretanto, não habita o Altíssimo em casas feitas por mãos humanas; como diz o profeta: O céu é o meu trono, e a terra, o estrado dos meus pés; que casa me edificareis, diz o Senhor, ou qual é o lugar do meu repouso? Não foi, porventura, a minha mão que fez todas estas coisas?” (At 7.48-50). Os discípulos estavam diante do Deus encarnado que “tabernaculou” (habitou) entre eles (Jo 1.14), varão aprovado por Deus diante deles com milagres, prodígios e sinais (At 2.22) e estavam tão impressionados com construções humanas. Poucos entendem que nesse tempo da Graça, nós é que somos templo de Deus (Jo 14.23), morada do Espírito Santo (Jo 14.17), ou conforme disse o apóstolo Paulo: “logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim;” (Gl 2.20a).

E, o que dizer de Pastores e Estrelas?

 1. Os pastores de Belém e a Estrela

Quando você leu o título, talvez tenha vindo, imediatamente, à sua mente a história do nascimento de Jesus. A narrativa bíblica fala de uma estrela diferente que brilhou no céu e de pastores no campo. O curioso disso é que, segundo essas narrativas, os pastores de Belém nada têm a ver com essa estrela! Se você prestar bastante atenção verá que: a) Essa estrela diferente é citada apenas por Mateus (quatro vezes), servindo de guia para conduzir os magos do oriente até Jesus (Mt 2.1-12). Esses magos eram estudiosos dos astros. b) Já os pastores de Belém foram citados apenas por Lucas (Lc 2.8-20). Em parte alguma da narrativa bíblica é mencionado que esses pastores viram ou foram guiados ao menino nascido, por essa estrela. Os anjos lhes anunciaram o nascimento de Jesus e lhes deram todas as dicas de como encontrá-lo. c) Ambos os grupos, magos e pastores, foram até Jesus (a verdadeira Estrela) e o encontraram.

Vamos refletir um pouco sobre Estrela.

a) Por definição, estrela é um astro que tem luz própria. O apóstolo Paulo, escrevendo sobre o corpo ressurreto, ilustra a diferença de esplendor, assim: “Uma é a glória do sol, outra, a glória da lua, e outra, a das estrelas; porque até entre estrela e estrela há diferenças de esplendor.” (1Co 15.41). É claro que a lua não é uma estrela, pois reflete a luz do sol.

b) Estrelas e astros não devem ser adorados, como muitos povos faziam, pois não são deuses, mas criação do único Deus vivo e verdadeiro: “Guarda-te não levantes os olhos para os céus e, vendo o sol, a lua e as estrelas, a saber, todo o exército dos céus, sejas seduzido a inclinar-te perante eles e dês culto àqueles, coisas que o SENHOR, teu Deus, repartiu a todos os povos debaixo de todos os céus.” (Dt 4.19)

c) Na simbologia bíblica, estrela pode ser interpretada como:

  • Sinal ou aviso, como a estrela vista pelos magos (Mt 2.1-12).
  • As doze tribos de Israel (Ap 12.1).
  • Pessoas importantes, como os onze irmãos, no sonho de José (Gn 37.9).
  • Pessoas sábias, iluminadas: “Os que forem sábios, pois, resplandecerão como o fulgor do firmamento; e os que a muitos conduzirem à justiça, como as estrelas, sempre e eternamente.” (Dn 12.3).
  • Uma referência aos anjos caídos na rebelião de Lúcifer (Ap 12.4, 9). Por extensão, os falsos líderes que agem na mesma linha (Jd 13).
  • Uma referência a Jesus Cristo, o Messias prometido: “Vê-lo-ei, mas não agora; contemplá-lo-ei, mas não de perto; uma estrela procederá de Jacó, de Israel subirá um cetro que ferirá as têmporas de Moabe e destruirá todos os filhos de Sete.” (Nm 24.17)

d) Estrela da alva ou da manhã:

  • Uma referência a Vênus, o segundo planeta do Sistema Solar, a partir do Sol. Depois da Lua, é o objeto mais brilhante do céu noturno. Como Vênus se encontra mais próximo do Sol do que a Terra, ele pode ser visto aproximadamente na mesma direção do Sol. Vênus atinge seu brilho máximo algumas horas antes da alvorada ou depois do ocaso, sendo por isso conhecido como a estrela da manhã (Estrela d’Alva) ou estrela da tarde (Vésper) (Wikipédia).
  • Uma referência a Satanás, o “luminoso”: “Como caíste do céu, ó estrela da manhã, filho da alva! Como foste lançado por terra, tu que debilitavas as nações! Tu dizias no teu coração: Eu subirei ao céu; acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono e no monte da congregação me assentarei, nas extremidades do Norte; subirei acima das mais altas nuvens e serei semelhante ao Altíssimo.” (Is 14.12-14). Endossada por Cristo: “Mas ele lhes disse: Eu via Satanás caindo do céu como um relâmpago.” (Lc 10.18; ver tb Ap 20.3 e 1Tm 3.6). E, como diz Paulo: “E não é de admirar, porque o próprio Satanás se transforma em anjo de luz.” (2Co 11.14).
  • Uma referência a Jesus, a brilhante Estrela, com “E” maiúsculo: “Eu, Jesus, enviei o meu anjo para vos testificar estas coisas às igrejas. Eu sou a Raiz e a Geração de Davi, a brilhante Estrela da manhã.” (Ap 22.16).
  • Uma dádiva de Jesus “ao vencedor”, referindo-se, talvez, a poder real ou autoridade: “assim como também eu recebi de meu Pai, dar-lhe-ei ainda a estrela da manhã.” (Ap 2.28).
  • Uma referência aos vários estágios de luz da revelação divina: “Temos, assim, tanto mais confirmada a palavra profética, e fazeis bem em atendê-la, como a uma candeia que brilha em lugar tenebroso, até que o dia clareie e a estrela da alva nasça em vosso coração,” (2Pe 1.19). As profecias do Antigo Testamento simbolizando a candeia; o cumprimento da profecias na primeira vinda de Cristo, simbolizando a estrela da alva; por fim, a segunda vinda de Cristo, nosso Sol da Justiça (Ml 4.2), trazendo toda a claridade.

Retornando aos pastores de Belém (Lc 2.8-20), temos de admitir que algumas coisas nos impressionam na narrativa:

1ª) O fato de Deus ter se importado com aqueles humildes e simples pastores, homens do campo, enviando-lhes o seu anjo (acompanhado de uma multidão da milícia celestial) para anunciar o nascimento do Deus-homem, do Salvador, do Bom Pastor (Jo 10.11), do Supremo Pastor (1Pe 5.4), do descendente de Davi (Mt 1.1) o pastor de ovelhas que se tornou o pastor de Israel; na cidade de Davi.

2ª) O fato desses pastores terem ido, apressadamente a Belém, para terem um encontro com aquele que é o Pastor dos pastores.

3ª) O fato desses pastores, depois do encontro com Jesus, proclamarem a todos a revelação que receberam a respeito de Jesus.

4ª) O fato desses pastores glorificarem e louvarem a Deus pelo que ouviram e viram de Jesus.

Que belo exemplo para todos aqueles líderes de igreja, pastores e presbíteros, seguirem!!! Centralidade total em Jesus! Satisfação completa em Jesus!

2. Estrelas na mão direita de Jesus

 7 estrelas

“Tinha na mão direita sete estrelas, e da boca saía-lhe uma afiada espada de dois gumes. O seu rosto brilhava como o sol na sua força.” (Ap 1.16)

“Quanto ao mistério das sete estrelas que viste na minha mão direita e aos sete candeeiros de ouro, as sete estrelas são os anjos das sete igrejas, e os sete candeeiros são as sete igrejas.” (Ap 1.20)

A primeira grande revelação do Apocalipse refere-se à visão que João teve do Senhor, ressurreto, no meio dos sete candeeiros de ouro, isto é, as sete igrejas da Ásia Menor, interpretação essa declarada no próprio texto. A igreja sofredora carecia de uma nova visão do Senhor, uma esplendorosa visão do Jesus Glorificado, para seu alento. Na visão tudo tem significado. Os elementos vistos e a posição de Jesus transmitem a mensagem de um Jesus presente, soberano, governante e protetor da sua igreja. A descrição do “Filho do Homem” e suas vestes, entretecem uma imagem de inigualável resplendor e majestade que deveria causar nos leitores uma sensação de confiança e segurança, restaurando-lhes a esperança e encorajando-os na luta pela causa da fé.

Entre as interpretações sugeridas pelos comentaristas bíblicos para essas “sete estrelas” ou “sete anjos” na mão direita de Jesus, citamos duas:

1ª) É uma referência a anjos literais. A palavra grega (aggeloi), traduzida por anjos, ocorre, pelo menos, 23 vezes no Novo Testamento. Em todas as outras 22 ocorrências fica claro tratar-se de referências literais a seres angelicais, por que aqui seria diferente? Assim como na Bíblia há a ideia de anjos guardando crianças (Mt 18.10) e outras pessoas (Sl 91.11; At 12.15); anjos e arcanjos guardando nações (Dn 12.1); não seria um absurdo considerar anjos guardiões de igrejas locais, aqui figuradamente citados.

2ª) É uma referência a pastores, líderes das referidas igrejas locais. Afinal, não faria sentido o apóstolo João ser orientado a escrever cartas para anjos literais.

Vale ressaltar que naquela ocasião, ainda não existia a figura de pastor de igreja, como temos hoje. Cada igreja local era liderada por presbíteros. Temos que tomar cuidado com teologia reversa. Mas, admitamos, por hipótese, que a referência seja a pastores de igreja. Então, consideremos esses pastores, não como estrelas, astros que têm luz própria, mas autoridades constituídas para pastorearem igrejas locais. Assim, podemos identificar através da visão que, na perspectiva divina, o lugar de um pastor é na mão direita de Jesus. Certamente, isso fala de um lugar de honra, mas também de dependência e submissão ao Senhorio de Cristo. Ele não está livre e solto para fazer o que quer!

 

3. Pastores-estrela

Concluindo esta abordagem, sem perder de vista as colocações iniciais sobre exibicionismo, na minha singela opinião, considero que nenhuma igreja local deveria se encantar com Pastores-estrela. Pastores-estrela são aqueles líderes de igreja famosos que querem brilhar mais do que Jesus, que querem ter luz própria. Apresento, a seguir, pelo menos sete razões para isso:

1ª) Eles apascentam a si mesmos e não as ovelhas do Senhor.

2ª) Eles estão mais interessados nos seus projetos pessoais, do que nos projetos de Deus para a igreja.

3ª) Eles custam muito caro para a igreja, quer pelas elevadas côngruas ou remunerações que recebem, quer pelos recursos que demandam e drenam da organização (humanos, materiais e financeiros).

4ª) Eles não têm tempo para pastorear o rebanho, para estar junto com as ovelhas, pois sua agenda de compromissos externos à igreja é imensa.

5ª) O foco deles não é pastorear ovelhas, cuidar delas, mas se apresentar em público.

6ª) Eles não têm cheiro de ovelha, mas podem até ter cheiro de enxofre, quando intentam subtrair a Glória que somente a Deus é devida.

7ª) Eles podem até manter a igreja cheia de gente e de religiosidade, mas zelar pela santidade dos membros não é o forte deles.

Finalmente, vale ressaltar:

– Jesus é o nosso Verdadeiro e Supremo Pastor. Não perca Jesus na caminhada! Somente ele é “O” Cabeça (relação hierárquica) e “A” Cabeça (relação de dependência) da Igreja!

– Não se anule, idolatrando líderes eclesiásticos. Idolatria é pecado! O Espírito Santo foi derramado sobre toda a igreja, distribuindo dons aos remidos do Senhor. Líderes e liderados, todos somos membros e parte do Corpo de Cristo – a Igreja.

– Além de ser parte do Corpo de Cristo, a igreja local também é uma instituição, com CNPJ, Estatutos etc. Como tal, requer de todos nós respeito e obediência às autoridades ali legalmente instituídas.

– Precisamos sim, de pastores de almas, vocacionados, chamados e capacitados por Deus para tão nobre missão: apascentar as ovelhas do Senhor Jesus Cristo.

“Lembrai-vos dos vossos guias, os quais vos pregaram a palavra de Deus; e, considerando atentamente o fim da sua vida, imitai a fé que tiveram. Obedecei aos vossos guias e sede submissos para com eles; pois velam por vossa alma, como quem deve prestar contas, para que façam isto com alegria e não gemendo; porque isto não aproveita a vós outros.” (Hb 13.7, 17)

Balaão e o Jogo dos 7 Erros

Balaão (7 erros)

A história de Balaão, filho de Beor, o adivinho (Js 24.22), que prestava serviços espirituais ou era alugado para isso (Dt 23.4) pelo “preço dos encantamentos” (Nm 22.7), está registrada em Números 22 a 24. Sua morte é mencionada em Números 31.8 e Josué 13.22. Sua estratégia maligna contra o povo de Israel, para fazê-lo pecar e perder a proteção divina e, assim, ser derrotado, se encontra em Números 31.16. Tal feito tão inaudito mereceu várias citações no Antigo testamento (Dt 23.4-5; Js 24.9-10; Ne 13.2; Mq 6.5) e, também, no Novo Testamento (2Pe 2.15; Jd 11; Ap 2.4). Alguém poderia justificar tamanha publicidade pelo acontecimento mais inaudito ainda, que foi sua jumenta falar (Nm 22.28). Ledo engano, não foi essa a razão de tanta publicidade. No tempo da igreja primitiva, tal estratégia maligna ainda foi mencionada por Judas e pelos apóstolos Pedro e João, para servir de alerta contra os falsos mestres ou líderes que seguiam pelo “caminho de Balaão” (2Pe 2.15) ou se precipitaram no “erro de Balaão” (Jd 11) ou sustentavam a “doutrina de Balaão” (Ap 2.14).

Quem nunca ouviu falar no jogo dos 7 erros? Nele há duas figuras, uma original e outra a cópia. A cópia parece ser igual a original, mas não é, pois contém sete diferenças introduzidas de propósito. O objetivo do jogo é encontrar esses sete “erros” da cópia. Assim acontece também com Balaão, parece que é um profeta de Deus, mas não é! Encontre, no texto bíblico, esses sete erros:

1º erro: Parece ser profeta de Deus (Nm 22.6; 24-15-25)

Balaão era uma figura enigmática, misteriosa. Não era hebreu e vivia na Mesopotâmia, em Petor, junto ao Rio Eufrates (Nm 22.5). Porque ele também consultava a Deus e Deus vinha a ele (Nm 22.8-12); porque ele profetizou acontecimentos futuros (Nm 24.14-24); então, os mais apressados, deduzem logo tratar-se de um homem “convertido”, temente a Deus, profeta de Deus. Cuidado, nem tudo que reluz é ouro. Que fique bem claro que Deus é soberano e fala com quem ele quiser e da forma que achar melhor. Se ele falou através da jumenta de Balaão, o que lhe impediria de falar com o próprio ou através dele? O que a Bíblia diz efetivamente de Balaão ou o que se pode depreender da sua leitura é que ele era um adivinho (Js 13.22), um vidente (“homem de olhos abertos” – Nm 24.15), alguém que vivia uma fé mesclada, um sincretismo espiritual, que incluía encantamentos e agouros (Nm 22.7; 24.1). Pode ser considerado um “profeta pagão” que desfrutava de grande reputação e prestígio, ao ponto de ser lembrado pelo rei dos moabitas, Balaque, para uma missão salvadora. Apavorado com a performance devastadora dos exércitos de Israel, Balaque enxerga como única saída para a sobrevivência do seu povo, uma ação efetiva no mundo espiritual. Para tanto, ele resolve lançar mão do poder irrefutável de Balaão, de abençoar ou de amaldiçoar (Nm 22.6).

2º erro: Parece ter comunhão com Deus (Nm 22.8-11)

Crente imaturo na fé e que não estuda a Bíblia, tem vocação para ser enganado e todos sabemos quem é o pai da mentira, o mestre dos enganadores. Em algumas igrejas, principalmente pentecostais ou neopentecostais, basta chegar alguém “falando em línguas” ou testemunhando ter sido poderosa e milagrosamente usado(a) por Deus, para ser reverenciado(a). Se Balaão vivesse em nossos dias, certamente seria um desses líderes denominacionais que arrasta multidões e ocupa uma vasta grade na mídia televisiva. É inegável que ele tinha contato com o Senhor, mas comunhão com o Senhor é outra coisa. Ele chega a impressionar os incautos, aparentando uma total dependência do Senhor: “Balaão lhes disse: Ficai aqui esta noite, e vos trarei a resposta, como o SENHOR me falar;” (Nm 22.8). Ele falava com Deus, apresentando-lhe a verdade dos fatos: “Eis que o povo que saiu do Egito cobre a face da terra; vem, agora, amaldiçoa-mo; talvez eu possa combatê-lo e lançá-lo fora.” (Nm 22.11). De igual forma, Deus falava com ele, fazendo-o conhecer a sua vontade: “Então, disse Deus a Balaão: Não irás com eles, nem amaldiçoarás o povo; porque é povo abençoado.” (Nm 22.12). Que coisa linda e impressionante, mas era apenas contato. Outros detalhes do relato bíblico nos ajudarão a entender quem realmente era esse Balaão. Talvez, algum dia, possamos compreender a razão de Deus usar determinados tipos de pessoas, como Balaão.

3º erro: Parece querer fazer a vontade de Deus (Nm 22.13, 38)

Quando recebeu a primeira comitiva enviada por Balaque, Balaão fez questão de dizer-lhes que iria consultar o Senhor. Passou para eles a impressão de que vivia numa total e mística dependência do Senhor e de sua vontade. Ele consultou e Deus lhe deu resposta clara e objetiva: “…Não irás com eles, nem amaldiçoarás o povo; porque é povo abençoado.” (Nm 22.12). E, o que ele repassou para a comitiva? A resposta do Senhor? Não, mas a resposta que ele achou conveniente passar: “…Tornai à vossa terra, porque o SENHOR recusa deixar-me ir convosco.” (Nm 22.13b). Era uma resposta esvaziada da verdade divina. Era uma resposta que não fechava completamente as portas; a explicitação da dificuldade poderia induzir a uma maior generosidade por parte do contratante dos seus serviços. Era uma resposta que manifestava o verdadeiro caráter desse homem. Não há dúvida de que ele estava excitado com a proposta recebida e suas compensações. Seu foco não estava na realização da vontade do Senhor. Sua resposta para a comitiva, expressa de outra forma, ficaria assim: “Por mim, eu iria com vocês, mas o Senhor está me impedindo de fazer isso”. Um verdadeiro homem ou mulher de Deus, quando toma conhecimento da vontade do Senhor, não somente a transmite aos outros de forma integral e fiel, mas a assume, como expressão da sua própria vontade.

Mais adiante, após receber a segunda comitiva do rei, de passar um aperto com a sua jumenta e de ser advertido e pressionado pelo Anjo do Senhor, que lhe disse: “….Vai-te com estes homens; mas somente aquilo que eu te disser, isso falarás.” (Nm 22.35), ele chegou à presença do rei Balaque e disse-lhe: “Respondeu Balaão a Balaque: Eis-me perante ti; acaso, poderei eu, agora, falar alguma coisa? A palavra que Deus puser na minha boca, essa falarei.” (Nm 22.38). A situação ficou apertada para ele, pois foi forçado por Deus a agir segundo a sua vontade, que era de abençoar e não de amaldiçoar o povo de Israel. Após ter abençoado Israel, pela primeira vez, e, sendo questionado por Balaque, ele responde: “Mas ele respondeu: Porventura, não terei cuidado de falar o que o SENHOR pôs na minha boca?” (Nm 23.12). Portanto, ele não era alguém que voluntária e espontaneamente procurava fazer a vontade do Senhor.

4º erro: Parece não priorizar recompensas financeiras (Nm 22.18; 2Pe 2.15; Jd 11)

A atitude do rei Balaque, enviando a comitiva que levava consigo “o preço dos encantamentos” (Nm 22.7), nos leva a crer que Balaão era remunerado pelos “serviços espirituais” prestados. Será que ele dava valor a essas recompensas financeiras? Após a primeira recusa de Balaão, Balaque resolve investir pesado para convencê-lo a amaldiçoar seu inimigo. A resposta de Balaão passa a mensagem de que sua fidelidade a Deus não pode ser comprada, pois não está à venda: “Respondeu Balaão aos oficiais de Balaque: Ainda que Balaque me desse a sua casa cheia de prata e de ouro, eu não poderia traspassar o mandado do SENHOR, meu Deus, para fazer coisa pequena ou grande;” (Nm 22.18). Linda e comovente essa declaração, não? Seria verdadeira? Parece que não. O versículo seguinte (v.19) desmascara o vidente: “para que eu saiba o que mais o SENHOR me dirá”. O Senhor já havia lhe dito tudo, não havia razão para nova consulta. Mas a sua cobiça não lhe permitia recusar, de imediato, a segunda investida de Balaque. E tem mais. O apóstolo Pedro se refere aos falsos mestres de seu tempo como aqueles que seguiam pelo caminho de Balaão, “que amou o prêmio da injustiça” (2Pe 2.15). Nesta mesma linha, Judas se refere aos que desconstruíam a fé cristã, como pessoas movidas de ganância que se precipitaram no erro de Balaão (Jd 11). As ofertas eram significativas, incluindo riquezas, honra e poder (Nm 22.7, 17; 24.11). Sem dúvida ele ficou fascinado, foi seduzido.

5º erro: Relativiza a palavra de Deus (Nm 22.19-22)

Por que Balaão é daqueles que relativiza a palavra de Deus; não a considera como absoluta e definitiva? Porque ele é do tipo que já conhece o que Deus disse, entretanto, não leva isso muito a sério, principalmente quando esta palavra não é muito favorável aos seus interesses. Então, lhe é muito conveniente, buscar novas revelações, revelações mais fresquinhas: “agora, pois, rogo-vos que também aqui fiqueis esta noite, para que eu saiba o que mais o SENHOR me dirá.” (Nm 22.19). Já que ele tornou a consultar o Senhor, o Senhor lhe deu novas instruções: “Veio, pois, o SENHOR a Balaão, de noite, e disse-lhe: Se aqueles homens vieram chamar-te, levanta-te, vai com eles; todavia, farás somente o que eu te disser. Então, Balaão levantou-se pela manhã, albardou a sua jumenta e partiu com os príncipes de Moabe.” (Nm 22.20-21). Quando Deus lhe deu uma resposta um pouco diferente, seu coração ficou em festa. Não é que Deus tenha mudado de ideia. Porém, como Balaão estava tão interessado em ir, Deus aproveitou para abençoar seu povo através dele. Na verdade ele não cuidou de observar os detalhes da palavra do Senhor: “Se aqueles homens vieram chamar-te,”. É o tipo de gente que ouve primeiro a voz da sua própria vontade, ou distorce a palavra de Deus a favor de seus interesses. Ele foi sem ser chamado e provocou a ira de Deus.

6º erro: Tem más intenções no coração (Nm 22.32)

Balaão estava mesmo determinado a se encontrar com Balaque. Deus conhecia muito bem os propósitos do seu coração que não eram bons: “Então, o Anjo do SENHOR lhe disse: Por que já três vezes espancaste a jumenta? Eis que eu saí como teu adversário, porque o teu caminho é perverso diante de mim;” (Nm 22.32). Observe que não estamos de má vontade com Balaão; não se trata de antipatia gratuita. O próprio Anjo do Senhor é quem revela as intenções do coração dele e, por pouco não o matou, poupando a jumenta (Nm 22.33). Vejam que, ainda que alguém da estirpe de Balaão seja seduzido a agir contra os remidos do Senhor, Deus está no controle e nos protege: “Pois contra Jacó não vale encantamento, nem adivinhação contra Israel; agora, se poderá dizer de Jacó e de Israel: Que coisas tem feito Deus!” (Nm 24.23).

7º erro: Faz tropeçar o povo de Deus (Nm 25.1-5, 9; 31.16; Ap 2.4)

Parece que Balaque e Balaão não chegaram a um acordo sobre amaldiçoar o povo de Israel. O final do capítulo 24 de Números registra que cada um tomou o seu caminho e foi para a sua terra. Aparentemente o povo de Israel tinha sido poupado da maldição de Balaão. Entretanto, o pior ainda estava por vir. O capítulo 25 de Números traz o triste registro da armadilha maligna na qual o povo caiu. Balaão sabia que não tinha licença ou autorização divina para amaldiçoar Israel, mas sabia muito bem como retirar dele a blindagem da proteção divina. Aparentemente, antes de partir para sua terra, ele fez o trabalho sujo junto às mulheres moabitas: “Eis que estas, por conselho de Balaão, fizeram prevaricar os filhos de Israel contra o SENHOR, no caso de Peor, pelo que houve a praga entre a congregação do SENHOR.” (Nm 31.16). Os falsos líderes denunciados por Pedro e Judas sabem muito bem como “transformarem em libertinagem a graça de Deus”. “Tenho, todavia, contra ti algumas coisas, pois que tens aí os que sustentam a doutrina de Balaão, o qual ensinava a Balaque a armar ciladas diante dos filhos de Israel para comerem coisas sacrificadas aos ídolos e praticarem a prostituição.” (Ap 2.4). Aqui temos o ápice da sua malignidade: fazer tropeçar o povo de Deus. Todos os seus erros ou deformidades, citados anteriormente, desaguam nessa perversa e maligna estratégia de desconstruir a fé cristã.


Este é o segundo artigo baseado no versículo abaixo:

“Ai deles! Porque prosseguiram pelo caminho de Caim, e, movidos de ganância, se precipitaram no erro de Balaão, e pereceram na revolta de Coré. (Judas 11)

Veja, também, os seguintes artigos:

  • O caminho de Caim
  • A revolta de Coré

Procura-se um pastor diferenciado

Pastor diferenciado

É fundamental que um pastor de almas seja um servo vocacionado e chamado pelo Senhor para o ministério. Precisa ser um homem de Deus, que viva em estreita comunhão com o Senhor e alicerçado na sua Palavra, nela meditando dia e noite. Não basta conhece-la, precisa ser um fervoroso praticante. Precisa ser alguém íntegro em seu caráter e ter uma família bem estruturada. Precisa ter domínio próprio e equilíbrio em suas atitudes. Precisa ser amoroso e ter cheiro de ovelha. É desejável que também tenha uma boa cultura geral, mas, acima de tudo precisa atender às qualificações necessárias aos presbíteros encontradas em 1 Timóteo 3.1-7 e Tito 1.5-9.

Considerando que os aspectos basilares citados resumidamente acima são os minimamente necessários a um pastor, que outros aspectos contribuem para fazer a diferença entre os pastores proeminentes e os demais pastores? Na minha humilde opinião o perfil que caracteriza um grande pastor de almas e que estabelece um diferencial entre um “pastor de ponta ou um pastor proeminente” e os pastores comuns está diretamente relacionado ao seu desempenho, nas seguintes áreas e com os respectivos graus de importância citados. Considerando uma escala de zero a 10, temos:

1º) DESEMPENHO NO PÚLPITO (50% ou peso 5)

Entenda-se púlpito como sua habilidade de comunicação, conhecimento teórico e prático do assunto e unção espiritual na exposição da mensagem: no culto, nas reuniões das sociedades internas, nas aulas da EBD, nas reuniões de Estudos Bíblicos, nos eventos especiais da igreja, nas celebrações de casamentos etc.

2º) RELACIONAMENTO INTERPESSOAL (25% ou peso 2,5)

Entenda-se aqui sua habilidade em se relacionar com a igreja e visitantes: atendimento em gabinete, visitação, aconselhamento, acolhimento de visitantes, gestão de pessoas etc.

3º) GESTÃO ADMINISTRATIVA E OPERACIONAL (15% ou peso 1,5)

Entenda-se aqui sua habilidade de agregar e extrair o melhor das lideranças internas especializadas, estabelecendo estruturas organizacionais eficazes, definindo, implementando e mantendo as melhores práticas e procedimentos na igreja etc. Um bom gestor não é aquele que faz tudo, mas o que faz fazer. Jesus não se envolvia pessoalmente com certas questões administrativas e operacionais, por exemplo: “Jesus, pois, enviou Pedro e João, dizendo: Ide preparar-nos a Páscoa para que a comamos.” (Lc 22.8)

4º) OUTROS (10% ou peso 1)

Enquadra-se aqui sua habilidade para atender a todas as demais demandas do seu ofício.

Destaques:

Percebe-se, portanto, que as duas primeiras áreas são de fundamental relevância para o pastor e para a igreja: Desempenho no “Púlpito” e Relacionamento Interpessoal!

Um desempenho no púlpito acima da média, requer a presença dos seguintes pontos fortes: boa dicção; emoção, empolgação e alegria na exposição; equilíbrio; consistência bíblica com criatividade; pregar a Palavra e não teologia; tratar o auditório com proximidade e de forma amorosa (por exemplo, usar a expressão “amados” e “irmãos” o que inclusive é recorrente no NT); cativar a atenção; não ficar muito preso e dependente da leitura de suas anotações; usar boas ilustrações etc etc.

Um desempenho no Relacionamento Interpessoal acima da média requer que o pastor tenha vocação para lidar com pessoas. Na análise de perfis gerenciais no mundo corporativo, por exemplo, é de domínio público que há líderes mais voltados para a relação interpessoal (ex.: psicólogos) e outros mais voltados para a execução de tarefas (ex.: engenheiros). Uns têm mais habilidade para lidar com pessoas e outros com coisas. Os líderes top e não muito abundantes no mercado são aqueles que conseguem ser igualmente hábeis, tanto na execução de tarefas, como no relacionamento interpessoal. Os três tipos de pessoas são muito importantes para a sociedade, principalmente se estiverem atuando nas áreas certas. Os pastores cuidam de gente e, assim, precisam ter vocação e bom desenvolvimento na área do relacionamento interpessoal.

Finalmente, precisamos nos lembrar do seguinte:

Membros de igrejas que tem a forma de governo presbiteriano precisam:

a) Se dar conta da importância de sua escolha, expressa no seu voto, para o futuro da sua igreja.

b) Avaliar com atenção os aspectos acima mencionados, para votar com a consciência tranquila diante de Deus e dos homens.

c) Orar em todo o tempo, se possível, com jejuns, para que o Senhor ilumine sua mente e coração, bem como toda a igreja.

Na vida fazemos muitas escolhas. Escolhemos com quem namorar ou casar, onde morar, onde estudar, que profissão seguir, onde trabalhar, para onde viajar etc etc. Através do nosso voto escolhemos nossos representantes no legislativo municipal, estadual e federal; bem como nossos governantes no executivo municipal, estadual e federal. Na igreja presbiteriana escolhemos nossos diáconos, presbíteros e pastores. Para cada escolha dessas há determinados aspectos a considerar. Quando escolhemos o pastor de uma igreja temos que tomar muito cuidado com os aspectos que estamos levando em conta. Jamais podemos nos deixar levar por aspectos como: raça, cor, parentesco, amizade, a facilidade de obtenção de um cargo futuro etc etc. Portanto, é de extrema importância levar em conta apenas o que for melhor para o todo, para a igreja toda; para a expansão e solidez da igreja.

“Pois pareceu bem ao Espírito Santo e a nós…” (At 15.28). Que assim continue sendo, afinal, o Deus é o mesmo, o Espírito Santo nos foi concedido, a igreja é do Senhor Jesus e a sua voz se fará ouvir através das nossas próprias vozes e escolhas!

Que Deus tenha misericórdia de nós e nos ilumine em cada decisão que precisarmos tomar!

O pastoreio da igreja na atualidade

pastoreio atual

Nos últimos três artigos e no atual, estamos tratando da seguinte temática e tópicos:

Pastoreando o Rebanho de Deus (1Pe 5.1-4).

Parte 1: A paridade entre apóstolos e presbíteros (1Pe 5.1)

Parte 2: O jeito errado e o certo de pastorear (1Pe 5.2-3)

Parte 3: A recompensa do bom pastoreio (1Pe 5.4)

Parte 4: O pastoreio da igreja na atualidade

Nos três primeiros artigos trouxemos a visão da igreja primitiva ou neotestamentária sobre o assunto, tomando por base a Primeira Epístola de Pedro, conforme o texto mencionado. Neste quarto artigo, faremos uma ponte daquele tempo inicial para o tempo atual. Abra a sua mente e coração para refletir mais profundamente sobre a visão bíblica quanto ao pastoreio do rebanho de Deus, a sua igreja militante.

Parte 4: O pastoreio da igreja na atualidade

Os termos usados

Ao fazermos a ponte entre os primeiros tempos da igreja e a época atual, vamos começar apresentando os nomes dados a esses líderes da igreja que sucederam os apóstolos. Todos os nomes se aplicam ao mesmo tipo de oficial e líder da igreja, sendo que cada um destaca e ressalta um aspecto peculiar da pessoa ou do ofício.

i. PRESBÍTERO ou ANCIÃO (At 11.30 – 1ª vez)

Termo de Dignidade: sugere Maturidade e Experiência
Homem maduro, experimentado, criterioso e respeitado que dá sábios conselhos para orientação dos membros da igreja.

ii. BISPO (“episkopos”, grego) (At 20.28; Fp 1.1)

Termo de Superintendência: sugere Direção
Homem diligente que preside os trabalhos, as reuniões, organiza e supervisiona tudo

iii. PASTOR

Termo de Ternura: sugere Cuidado
Homem zeloso que apascenta o rebanho de Deus, preparando-lhe pastagens verdejantes (mensagens espirituais e práticas vitais) e guiando-o às águas tranquilas, isto é, proporcionando-lhe um ambiente espiritual, agradável e alegre.

Tais termos frequentemente aparecem no plural, fazendo referência à liderança plural de cada igreja local.

Ofício e Dom

Em segundo lugar é importante reafirmar que este ofício de Presbítero ou Ancião ou Bispo ou Pastor (1Pe 5.2) é diferente do Dom de Pastor (Ef 4.11).

O significado de ofício é o mesmo de profissão, ou seja, “Profissão é um trabalho ou atividade especializada dentro da sociedade, geralmente exercida por um profissional. Algumas atividades requerem estudos extensivos e a masterização de um dado conhecimento, tais como advocacia, biomedicina ou engenharia, por exemplo. Outras dependem de habilidades práticas e requerem apenas formação básica (ensino fundamental ou médio), como as profissões de faxineiro, ajudante, jardineiro. No sentido mais amplo da palavra, o conceito de profissão tem a ver com ocupação, ou seja, que atividade produtiva o indivíduo desempenha perante a sociedade onde está inserido.” (Wikipédia)

Já o significado de dom pode ser expresso na sociedade como aquela capacitação ou talento natural; e, na igreja, como aquela capacitação ou habilidade especial concedida pelo Espírito Santo, “… com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo,” (Ef 4.12). O que o apóstolo Paulo menciona em Efésios são os cinco dons ministeriais, dons que concedem capacitação sobrenatural para o exercício dos ministérios: Apóstolo / Profeta / Evangelista / Pastor / Mestre.

As etapas do planejamento divino

O que Deus planejou para a liderança e governo da sua igreja?

Tudo começou com o “Seminário de Jesus” treinando e preparando os apóstolos para a era da igreja. Se considerarmos 10h/dia, 365 dias/ano e 3 anos teremos uma carga horária de 10.950h/aula. Se considerarmos um curso de teologia de 4h/dia, 20 dias/mês, 9 meses/ano e 5 anos teremos 3.600h/aula. Portanto, o “Seminário de Jesus” teve a carga horária mais do que o triplo de um curso de teologia convencional. Os apóstolos foram treinados pelo Mestre dos mestres, com aulas teóricas e práticas insuperáveis.

Na segunda fase do planejamento divino, tudo isso foi potencializado no Pentecostes, com a unção e capacitação dos apóstolos e dos primeiros discípulos pelo Espírito Santo. Também o apóstolo Paulo foi chamado e designado por Deus para fortalecer o grupo.

Na terceira fase, a liderança da igreja foi assumida apenas por presbíteros, eleitos em cada igreja local, sempre no plural (At 14.23). Os primeiros foram instruídos, pessoalmente, pelos apóstolos, e pelas cartas doutrinárias ou epístolas que percorriam as igrejas, pois as Escrituras do NT ainda estavam sendo escritas.

As características das igrejas locais do primeiro século

A simples leitura do NT nos mostra que tais igrejas locais:

i. Se reuniam com simplicidade nos espaços e locais onde pudessem ser acomodados, até mesmo nas casas (Rm 16.5; 1Co 16.19; Cl 4.15; Fm 1.2).

ii. Naturalmente começaram com poucos membros e foram crescendo dia após dia.

iii. Tinham governo próprio e independente, porém com o compromisso de manter a doutrina: “E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações.” (At 2.42)

iv. Também estavam comprometidas com evangelismo, missões e ação social.

Os desafios das igrejas locais de ontem, de hoje e de sempre

Enquanto o número de membros é pequeno, a organização e governo da igreja local é mais simples. Na medida em que o grupo local cresce, dois caminhos podem ser trilhados. O primeiro é o de dividir o grupo, formando novas igrejas locais, o que possibilitará manter a simplicidade de organização e governo. O desafio desse caminho é encontrar um novo espaço e convencer parte do grupo a migrar para a nova igreja local. O segundo caminho é manter todo o grupo junto e partir para um novo espaço, capaz de acomodar o grupo atual e com folga suficiente para acomodar muitos outros membros, no caso do espaço atual não poder ser ampliado. O desafio desse segundo caminho passa a ser organização, administração e governo de uma igreja tão numerosa. Para dar conta de tudo isso, é preciso criar uma estrutura de pessoal para cuidar das questões administrativas e atividades meio da igreja. Por outro lado, é preciso estabelecer uma estrutura de pessoal para orientar e liderar a atividade fim da igreja.

Na história da igreja, ambos os caminhos ou modelos têm sido trilhados ou adotados. Isso tem gerado dois grandes e permanentes desafios para a Igreja de Cristo, a saber:

  1. Manter as igrejas locais no trilho da sã doutrina bíblica, considerando a multiplicidade de igrejas locais e de líderes.
  2. Manter uma estrutura de pessoal e liderança que dê conta de todas as demandas “materiais” e “espirituais” de uma igreja local mais numerosa.

O que parecia tão simples: um só Deus e Pai; um só Mediador e Salvador, Jesus Cristo; um só Espírito Santo, unindo, ungindo e capacitando todos os remidos; uma única igreja, a de Cristo; com um só livro, a Bíblia, Única Regra Infalível de fé e prática; sim, o que parecia tão simples tem se tornado um grande desafio de unidade.

Entendo que, por conta disso e com a vontade permissiva de Deus, surgiram as denominações, tentando, cada uma, estabelecer sua solução para esses dois grandes desafios. Cada uma, então, apresenta a sua própria visão doutrinária da Bíblia e sua forma de governo (episcopal, presbiteriano ou congregacional).

As pequenas igrejas não teriam dificuldade para manter o modelo de liderança da igreja primitiva, através de presbíteros. Aliás, no mundo inteiro, ainda hoje existem muitas igrejas locais que seguem esse modelo, isto é, são lideradas por presbíteros e não têm a figura de um pastor como oficial líder. Certamente esses líderes deveriam ter o preparo necessário para o exercício do ofício, ou seja, atender as qualificações neotestamentárias estabelecidas. Entretanto, parece que já no segundo século da igreja surgiu a necessidade de líderes de igrejas locais que dedicassem mais tempo ao ministério eclesiástico. Afinal, os presbíteros tinham suas famílias e suas obrigações de trabalho secular para sustenta-las. É, assim, que surgem os pastores das igrejas locais para assumirem maior responsabilidade de liderança, compartilhando o governo da igreja com os presbíteros, dependendo da forma de governo adotada. É interessante verificar a defesa de Paulo a favor do sustento dos que vivem para o evangelho (1Co 9.1-14).

Finalmente, concluímos estes quatro artigos dizendo que Pastorear o Rebanho de Deus” é simples assim! É preciso ter muito cuidado com a perigosa TEOLOGIA REVERSA; aquela que parte do HOJE para a BÍBLIA, isto é, estabelece hoje algumas linhas de pensamento, conceitos, estruturas e doutrinas, muitas vezes copiando e acompanhando a sociedade secular, o mundo, e, então, tentam construir algum respaldo bíblico para isso, normalmente bizarro e fora do contexto. Os defensores da TEOLOGIA LIBERAL se encaixam nesta mesma linha de ação. Por outro lado, o que apresentamos aqui e o que defendemos é a TEOLOGIA DIRETA, onde procuramos partir da Bíblia para estabelecer o que fazer e como fazer HOJE. Se, por conta disso, os liberais quiserem nos taxar de fundamentalistas, fiquem à vontade. O que mais nos importa é viver e “defender” as Sagradas Escrituras!

 

A recompensa do bom pastoreio (1Pe 5.4)

4 coroas

Nos últimos dois artigos, no atual e no próximo, estamos tratando da seguinte temática e tópicos:

Pastoreando o Rebanho de Deus (1Pe 5.1-4).

Parte 1: A paridade entre apóstolos e presbíteros (1Pe 5.1)

Parte 2: O jeito errado e o certo de pastorear (1Pe 5.2-3)

Parte 3: A recompensa do bom pastoreio (1Pe 5.4)

Parte 4: O pastoreio da igreja na atualidade

Nos três primeiros artigos traremos a visão da igreja primitiva ou neotestamentária sobre o assunto, tomando por base a Primeira Epístola de Pedro, conforme o texto mencionado. No quarto artigo, faremos uma ponte daquele tempo inicial para o tempo atual. Abra a sua mente e coração para refletir mais profundamente sobre a visão bíblica quanto ao pastoreio do rebanho de Deus, a sua igreja militante. Vejamos, agora, o terceiro artigo.

 

Parte 3: A recompensa do bom pastoreio (1Pe 5.4)

4 Ora, logo que o Supremo Pastor se manifestar, recebereis a imarcescível coroa da glória.

Se há presbíteros que devem pastorear o rebanho, há um pastor acima deles. O Senhor Jesus é mencionado na Bíblia como pastor em quatro momentos ou tempos:

 

a) O Pastor (Prometido)(Mt 26.31; Zc 13.7)

O Messias prometido desde os tempos antigos, aquele pastor que viria para ser ferido de morte em prol do seu rebanho que ficaria momentaneamente disperso.

 

b) O Bom Pastor (Encarnado)(Jo 10.11)

Aquele pastor que veio e é capaz de dar a sua vida pelas ovelhas, diferentemente do mercenário que as abandona na hora do perigo.

 

c) O Grande Pastor (Ressuscitado)(Hb 13.20-21).

Aquele pastor que se foi, depois de dar a sua vida pelas ovelhas e de ser ressuscitado pelo Pai, estabelecendo por meio do seu sangue uma Eterna Aliança.

 

d) O Supremo Pastor (Glorificado)(1Pe 5.4).

Aquele pastor que há de voltar para reunir o seu rebanho e galardoar os que o serviram e realizaram a boa obra que lhes foi confiada.

 

Então, a forma que Pedro usa para motivar os presbíteros a desempenharem com dedicação e excelência o pastoreio é implantando em seus corações a viva esperança de que o Pastor dos pastores, o Supremo Pastor Jesus há de se manifestar outra vez entre os homens e irá recompensá-los com um coroa “imarcescível”, que não desaparece, que não se degrada com o tempo, que não perde o seu valor, em contraste com tudo que aqui é transitório e passageiro.

Já nos detivemos um pouco no sujeito da ação de recompensar, o Senhor Jesus Cristo e suas várias e interessantes referências como pastor. Pensemos, agora, naquilo que é o objeto da recompensa, a “coroa da glória”. Muitos não assimilam muito bem a ideia do galardão e muito menos das coroas.

Outra verdade bíblica irrefutável é a promessa de galardão. Aparece pela primeira vez em Gênesis 15.1 como promessa de Deus a Abrão e, pela última vez, em Apocalipse 22.12 – “E eis que venho sem demora, e comigo está o galardão que tenho para retribuir a cada um segundo as suas obras”. Não tem sentido algum imaginar os galardões como objetos materiais dentro de um mundo espiritual. Os galardões não estão ligados às coisas que “obteremos”, mas sim ao que “seremos”, aquilo em que nos “tornaremos”.

Um dos aspectos básicos e primordiais da fé Cristã é que, no mundo porvir, há duas recompensas prometidas: a recompensa devido a Graça – Vida Eterna – e a recompensa devido ao Serviço – Galardão.

 

1ª) A VIDA ETERNA é em si a grande recompensa dos filhos de Deus (Mc 10.30; Mt 19.29 e Lc 18.30). Essa é a recompensa geral e igual de todos os remidos por Cristo: “…para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” (Jo 3.16)

2ª) GALARDÃO (recompensa, premio) é o segundo tipo de recompensa reservada aos servos de Deus. Vários são os textos bíblicos que mencionam os galardões:

O galardão é grande: Mt 5.12; Lc 6.23.

O galardão é condicional: Mt 6.1.

O galardão é diferenciado: Mt 10.41-42.

O galardão é recompensa por atitudes tomadas: Lc 6.35.

O galardão é segundo as obras praticadas: 1Co 3.8, 14; Ap 22.12.

Outros textos: Hb 11.26; Ap 11.18.

 

Em síntese, podemos afirmar que:

Graça é dádiva, de Deus. Galardão é recompensa, prêmio pelas obras dos homens.

A graça é imerecida; é dom gratuito de Deus, recebida pela fé, sem dinheiro e sem preço (Rm 6.23). O Galardão é merecido; é o salário pelo serviço prestado, recebido pelas obras através do labor e sacrifício.

A salvação é recebida de graça por meio do ESPÍRITO e as coroas são ganhas com esforço, por meio do CORPO: “Porque importa que todos nós compareçamos perante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o bem ou o mal que tiver feito por meio do corpo.” (2Co 5.10)

 

É interessante que Jesus recebeu uma coroa de espinhos dos seus algozes (Mt 27.29; Mc 15.17; Jo 19.2, 5), porém tem reservado para os seus servos outros tipos de coroas. As quatro coroas prometidas aos servos de Deus são:

 

1ª) Coroa da Vida (Ap 2.10; Tg 1.12)

“Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida.” (Ap 2.10)

“Bem-aventurado o homem que suporta, com perseverança, a provação; porque, depois de ter sido aprovado, receberá a coroa da vida, a qual o Senhor prometeu aos que o amam.” (Tg 1.12)

 

“Para os mártires

No amor pela pessoa de Cristo

Alcançada perante os inimigos

No testemunho em presença da morte” (*)

 

2ª) Coroa Incorruptível (1Co 9.25)

“Todo atleta em tudo se domina; aqueles, para alcançar uma coroa corruptível; nós, porém, a incorruptível.”

 

“Para os vencedores

No amor pelas almas sem Cristo

Alcançada perante os descrentes

Na pregação do Evangelho.” (*)

Como? Sacrificando a vida (1Co 9.19-23), com eficácia (1Co 9.24-26) e mantendo o bom testemunho (1Co 9.27)

 

3ª) Coroa da Glória (1Pe 5.4)

Ora, logo que o Supremo Pastor se manifestar, recebereis a imarcescível coroa da glória.

 

“Para os servos fiéis

No amor pelas ovelhas de Cristo

Alcançada perante a Igreja

No apascentar do rebanho” (*)

 

4ª) Coroa da Justiça (2Tm 4.7-8)

“Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé. Já agora a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, reto juiz, me dará naquele Dia; e não somente a mim, mas também a todos quantos amam a sua vinda.”

 

“Para os vigilantes

No amor pela vinda de Cristo

Alcançada perante ele mesmo

No anseio pela sua vinda” (*)

 

Deixamos aqui duas palavras, uma de esclarecimento e a outra de advertência.

A primeira, de esclarecimento e motivação é a seguinte. Como pode ser observado na exposição acima das coroas, qualquer cristão poderá ser recompensado com uma dessas coroas, pois os requisitos são variados, elas não estão restritas apenas aos líderes. Podemos inferir que até mesmo esta coroa de glória poderá ser recebida por um servo ou uma serva de Deus que não exerceu uma função ou papel formal de liderança na igreja, pois essas não estão atreladas a títulos, mas aos serviços realizados.

A palavra de advertência tem por base o texto: “Venho sem demora. Conserva o que tens, para que ninguém tome a tua coroa.” (Ap 3.11). É preciso ficar atento ao que se realiza ou deixa-se de realizar por meio do corpo. O apóstolo Paulo acrescenta: “Contudo, se o que alguém edifica sobre o fundamento é ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno, palha, manifesta se tornará a obra de cada um; pois o Dia a demonstrará, porque está sendo revelada pelo fogo; e qual seja a obra de cada um o próprio fogo o provará. Se permanecer a obra de alguém que sobre o fundamento edificou, esse receberá galardão; se a obra de alguém se queimar, sofrerá ele dano; mas esse mesmo será salvo, todavia, como que através do fogo.” (1Co 3.12-15). No Tribunal de Cristo não estará na pauta o julgamento para salvação ou condenação. Entretanto, serão julgadas as obras dos crentes, com vistas a galardão ou destruição pelo fogo da avaliação divina. Aquilo que realizarmos por meio do corpo que teve a aprovação de Deus será recompensado; enquanto que as coisas inúteis e irrelevantes, segundo o juízo divino, serão destruídas, ainda que possam ter grande valor para quem as realizou. Portanto, é importante avaliar a cada momento se o resultado do nosso esforço é para recompensa ou destruição. Porque se a Graça depende totalmente de Cristo, o Galardão depende “totalmente” do crente, que precisa estar em sintonia com o Pai: “porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade.” (Fp 2.13).

 

(*) Pinto, José Boechat. As coroas dos crentes (Edições Cristãs)

 

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Leia nos artigos anteriores:

Parte 1: A paridade entre apóstolos e presbíteros (1Pe 5.1)

Parte 2: O jeito errado e o certo de pastorear (1Pe 5.2-3)

 

Leia no próximo artigo:

Parte 4: O pastoreio da igreja na atualidade

 

O jeito errado e o certo de pastorear (1Pe 5.2-3)

Jeito errado-certo

No último artigo, no atual e nos próximos dois, estamos tratando da seguinte temática e tópicos:

Pastoreando o Rebanho de Deus (1Pe 5.1-4).

Parte 1: A paridade entre apóstolos e presbíteros (1Pe 5.1)

Parte 2: O jeito errado e o certo de pastorear (1Pe 5.2-3)

Parte 3: A recompensa do bom pastoreio (1Pe 5.4)

Parte 4: O pastoreio da igreja na atualidade

Nos três primeiros artigos traremos a visão da igreja primitiva ou neotestamentária sobre o assunto, tomando por base a Primeira Epístola de Pedro, conforme o texto mencionado. No quarto artigo, faremos uma ponte daquele tempo inicial para o tempo atual. Abra a sua mente e coração para refletir mais profundamente sobre a visão bíblica quanto ao pastoreio do rebanho de Deus, a sua igreja militante. Vejamos, agora, o segundo artigo.

 

Parte 2: O jeito errado e o certo de pastorear (1Pe 5.2-3)

 2 pastoreai o rebanho de Deus que há entre vós, não por constrangimento, mas espontaneamente, como Deus quer; nem por sórdida ganância, mas de boa vontade;

3 nem como dominadores dos que vos foram confiados, antes, tornando-vos modelos do rebanho.

 

O texto não só expressa o anseio e apelo de Pedro, mas também alguns ensinamentos importantes:

1º) Era tarefa e função dos presbíteros de cada igreja pastorear, ou seja, guiar, alimentar e cuidar do rebanho.

2º) Nunca se pode perder de vista que o rebanho é de Deus e não de algum líder. O recado velado é simples, preventivo e oportuno.

3º) O rebanho de Deus está espalhado por toda a parte, mas não está disperso, nem perdido. Está distribuído por aí em pequenos rebanhos que precisam ser pastoreados por seus respectivos presbíteros.

A tarefa de pastorear traz a reboque alguns requisitos e desafios. Três deles são aqui mencionados:

 

1. “não por constrangimento, mas espontaneamente, como Deus quer”

A palavra “constrangimento” traz em si mesma uma carga negativa; não combina com o ser humano e nem com o verbo fazer. Fazer algo por constrangimento é ser forçado a fazer, quando não se queria fazer; é fazer por obrigação. Isso nunca é bom para quem faz e produtivo para a missão ou tarefa ou obra a ser realizada. A tarefa de pastorear é verdadeiramente preciosa aos olhos de Deus e nobre diante dos olhos humanos; mas não é para qualquer pessoa. O apóstolo Paulo afirma: “Fiel é a palavra: se alguém aspira ao episcopado, excelente obra almeja” (1Tm 3.1). A obra é excelente, mas nem todos são vocacionados para realiza-la. Daí a probabilidade real de alguém ser constrangido ou “forçado” a realiza-la. Muitas são as razões ou circunstâncias que podem levar alguém a esse pastorear por constrangimento. Podemos citar aqui algumas delas, para exemplificar:

a) – Não tem ninguém melhor para fazer, então assuma você (necessidade);

b) – Isso pode me colocar numa posição de destaque e visibilidade, então vou assumir, mesmo não gostando (vaidade);

c) – Isso é uma tradição de família, então você tem que assumir (tradição);

d) etc etc

O pastorear não pode ser determinado pela imposição das circunstâncias, nem pela vontade dos outros, nem pela ambição humana, nem pelos caprichos do tradicionalismo. Antes, porém, precisa ser exercido espontaneamente, em atendimento ao nítido e inconfundível chamado de Deus. O padrão não é humano e nem negociável; tem que ser exatamente como Deus quer!

2. “nem por sórdida ganância, mas de boa vontade”

 Outra forma errada de pastorear é fazê-lo de forma gananciosa; aquele jeito sujo, nojento de se obter alguma vantagem financeira do rebanho de Deus se aproveitando do ofício. Imaginem o acerto de Pedro, inspirado pelo Espírito Santo, é claro, prescrevendo algo que na história da igreja tem sido uma lamentável realidade, principalmente neste século 21. Quantos falsos pastores, verdadeiros mercenários, estelionatários da fé, mercadejadores da Palavra de Deus, têm enriquecido manipulando e despojando aquelas ovelhas ingênuas do Senhor. Paulo insere este aspecto na qualificação de presbíteros, “… não cobiçoso de torpe ganância,…”(1Tm 3.3; Tt 1.7) e, também, na qualificação dos diáconos: “…, não cobiçosos de sórdida ganância,…” (1Tm 3.8). Na ocasião já havia indícios de que isso seria problema para a igreja (Tt 1. 10-12).

Ao contrário disso, o apelo do apóstolo é que o pastoreio seja exercido de boa vontade, sem exigir nada em troca. Pedro conhecia bem o exemplo do Mestre, que deu muito e pediu muito pouco. Deu pães e peixes com fartura e pediu apenas cinco pães e dois peixes (Mc 6.35-44). Nem para pagar o imposto de meio estáter (duas dracmas) pediu, antes, porém, enviou Pedro a pescar um estáter que estaria na boca do primeiro peixe fisgado (Mt 17.24-27). E, também disse: “Mais bem-aventurada coisa é dar do que receber” (At 20.35).

 

3. “nem como dominadores dos que vos foram confiados, antes, tornando-vos modelos do rebanho”

A figura que salta aos olhos neste terceiro caso é a de um mordomo. Aquele que pastoreia se assemelha ao mordomo a quem o dono da casa confia a administração dos seus bens e dos seus servos. O grande risco e equívoco de ambos, é pensar e agir como se fossem donos e não servos. Aquele que pastoreia não é dono do rebanho e o rebanho não é de animais, mas de gente. Gente salva por Cristo, com todo o direito de pensar com sua própria cabeça. Gente que não precisa ser dominada, nem mentalmente manipulada, mas que precisa ser orientada. Gente que, se não seguir a orientação de seus líderes, segundo a Palavra de Deus, colherá as consequências na sua vida e família. Gente que um dia terá que prestar contas dos seus atos diretamente a Deus. Aliás, também os presbíteros hão de prestar contas a Deus do seu ministério: “Obedecei aos vossos guias e sede submissos para com eles; pois velam por vossa alma, como quem deve prestar contas, para que façam isto com alegria e não gemendo; porque isto não aproveita a vós outros.” (Hb 13.17)

Em vez de dominar, o que se recomenda aos presbíteros é agir de tal forma que mais do que as palavras, suas vidas sirvam de modelo e exemplo a ser seguido pelos irmãos.

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Leia no artigo anterior:

Parte 1: A paridade entre apóstolos e presbíteros (1Pe 5.1)

 

Leia nos próximos artigos:

Parte 3: A recompensa do bom pastoreio (1Pe 5.4)

Parte 4: O pastoreio da igreja na atualidade

 

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