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Liderança Populista e Liderança Cristã

Não são muitas as pessoas que têm sensibilidade suficiente para perceber a existência de um estilo de liderança populista. Porém, certamente todos sofrerão as consequências desastrosas de tal estilo, mesmo que não entendam a causa. Naturalmente que a questão não se limita apenas a “estilos”, mas às implicações ou consequências da prática de um ou outro tipo de estilo. A referência e desafio que se coloca aqui é que os líderes exerçam uma liderança cristã, e não populista. Nos referimos a líderes cristãos, de um modo geral, mas, principalmente, a pastores, missionários e oficiais de igreja (presbíteros e diáconos). Quando alguns desses líderes concorrem em eleições democráticas a cargos e ofícios, a questão se torna mais séria. Isto porque muitos serão tentados a adotarem um estilo populista para obterem votos suficientes para serem eleitos ou reeleitos. Certamente, quem sairá perdendo é a instituição, particularmente aqui, a igreja.

Este artigo tem o propósito de despertar a atenção e o interesse dos cristãos sobre o assunto, de modo a não permitirem prosperar, no meio da igreja de Cristo, esse tipo reprovável de liderança populista. A igreja deve caminhar firme, centrada em Cristo, e não em líderes populistas. Toda a honra e glória sejam dadas a Deus e não a homens ou mulheres que estejam na liderança.

Na tabela abaixo é apresentado um quadro comparativo entre os dois estilos de liderança, acrescentando-se alguma referência bíblica. Não há aqui a pretensão de se apresentar uma obra robusta e acabada sobre o assunto. Preferimos considerar este artigo como uma espécie de ensaio, onde os 30 itens mencionados podem ser reunidos em 4 grupos ou aspectos:
CT – Caráter/Temperamento;
CH – Comportamento/Hábito;
HC – Habilidade/Competência; e,
GP – Gestão de Pessoas.

ITEM

LÍDER POPULISTA

LÍDER CRISTÃO

REFERÊNCIA BÍBLICA
01 CT

Relativiza a moral e a ética.

Pratica e defende os princípios e valores cristãos.

“apegado à palavra fiel, que é segundo a doutrina, de modo que tenha poder tanto para exortar pelo reto ensino como para convencer os que o contradizem.” (Tt 1.9)
02 CT

Omite verdades e deturpa os fatos para favorecer seu ponto de vista.

Tem compromisso com toda a verdade dos fatos.

“Por isso, deixando a mentira, fale cada um a verdade com o seu próximo, porque somos membros uns dos outros.” (Ef 4.25)
03 CT

Vive dando desculpas para se livrar do trabalho.

Vive sobrecarregado de tarefas.

“Portanto, meus amados irmãos, sede firmes, inabaláveis e sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que, no Senhor, o vosso trabalho não é vão.” (1Co 15.58)
04 CT

O importante é “ser” e “ter”, ou, “aparentar ser” e “aparentar ter”.

O importante é ser a imagem de Cristo e se contentar com o que tem, sem se acomodar.

“De fato, grande fonte de lucro é a piedade com o contentamento. Porque nada temos trazido para o mundo, nem coisa alguma podemos levar dele. Tendo sustento e com que nos vestir, estejamos contentes.” (1Tm 6.6-8)
05 CT

É melhor receber, do que dar.

É melhor dar, do que receber.

“Tenho-vos mostrado em tudo que, trabalhando assim, é mister socorrer os necessitados e recordar as palavras do próprio Senhor Jesus: Mais bem-aventurado é dar que receber.” (At 20.35)
06 CT

Julga-se melhor do que os outros.

Pensa de si com moderação, reconhecendo que o seu crescimento é mais resultado da ação de Deus do que mérito pessoal.

“Porque, pela graça que me foi dada, digo a cada um dentre vós que não pense de si mesmo além do que convém; antes, pense com moderação, segundo a medida da fé que Deus repartiu a cada um.” (Rm 12.3)
07 CT

Julga saber mais do que os outros.

Tem consciência de que o que tem aprendido é fruto da sua intimidade com Deus e com a sua Palavra.

“Se alguém julga saber alguma coisa, com efeito, não aprendeu ainda como convém saber.” (1Co 8.2)
08 CH

Gosta de ser o centro das atenções.

Não se importa em fazer trabalho anônimo.

“não servindo à vista, como para agradar a homens, mas como servos de Cristo, fazendo, de coração, a vontade de Deus;” (Ef 6.6)
09 CH

Gosta de ser paparicado e de paparicar pessoas de seu interesse.

Gosta de ver o bom resultado do seu trabalho ou do trabalho dos outros.

“Pois todo o que se exalta será humilhado; e o que se humilha será exaltado.” (Lc 14.11)
“A verdade é que nunca usamos de linguagem de bajulação, como sabeis, nem de intuitos gananciosos. Deus disto é testemunha.” (1Ts 2.5)
10 CH

Gosta de aproximar-se de quem está no poder.

Gosta de estar onde pode ser útil.

“Ora, havia em Damasco um discípulo chamado Ananias. Disse-lhe o Senhor numa visão: Ananias! Ao que respondeu: Eis-me aqui, Senhor!” (At 9.10)
11 CH

Investe para ocupar posições de destaque na instituição. Considera mais importante ocupar cargos do que trabalhar.

Coloca-se à disposição de Deus para servi-lo onde Deus o colocar. Considera mais importante trabalhar do que ocupar cargos.

“Mas Deus dispôs os membros, colocando cada um deles no corpo, como lhe aprouve.” (1Co 12.18)
“Porque não é aprovado quem a si mesmo se louva, e sim aquele a quem o Senhor louva.” (2Co 10.18)
12 CH

Acima de tudo, procura agradar as pessoas.

Acima de tudo, procura agradar a Deus.

“Porventura, procuro eu, agora, o favor dos homens ou o de Deus? Ou procuro agradar a homens? Se agradasse ainda a homens, não seria servo de Cristo.” (Gl 1.10)
13 CH

Gosta de passar a imagem de bonzinho, concedendo benécias com os recursos da instituição.

Faz o que é possível com os recursos da instituição e, quando necessário, acrescenta até os seus próprios recursos.

“Eu de boa vontade me gastarei e ainda me deixarei gastar em prol da vossa alma. Se mais vos amo, serei menos amado?” (2Co 12.15)
14 CH

Sente-se confortável do lado da maioria.

Sente-se em paz defendendo a verdade e a justiça, mesmo, quando necessário, contrariando a maioria.

“Porque Deus não nos tem dado espírito de covardia, mas de poder, de amor e de moderação.” (2Tm 1.7)
15 CH

Fala muito, faz pouco e critica quem faz.

Faz muito, fala o suficiente e incentiva quem faz.

“Tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como para o Senhor e não para homens, cientes de que recebereis do Senhor a recompensa da herança. A Cristo, o Senhor, é que estais servindo;” Cl 3.23)
16 HC

É superficial e raso no conhecimento bíblico.

É fundamentado na Palavra de Deus.

“Respondeu-lhes Jesus: Errais, não conhecendo as Escrituras nem o poder de Deus.” (Mt 22.29)
17 HC

Fundamenta-se na sabedoria humana.

Fundamenta-se na sabedoria de Deus, sem desprezar a sabedoria humana.

“A minha palavra e a minha pregação não consistiram em linguagem persuasiva de sabedoria, mas em demonstração do Espírito e de poder, para que a vossa fé não se apoiasse em sabedoria humana, e sim no poder de Deus.” (1Co 2.4-5)
18 HC

É extremamente relacional e politicamente articulado.

É mais focado em ajudar as pessoas e a melhorar as coisas.

“Porque Deus não é injusto para ficar esquecido do vosso trabalho e do amor que evidenciastes para com o seu nome, pois servistes e ainda servis aos santos.” (Hb 6.10)
19 GP

É liberal: em princípio pode tudo.

É sensato: pode o que é biblicamente certo e convém.

“Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas convêm.” (1Co 6.12a)
20 GP

Seus planos e objetivos são mais importantes do que os de Deus.

O que importa é buscar e viver a vontade de Deus.

“porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade.” (Fp 2.13)
21 GP

Defende os seus próprios interesses.

Defende os interesses da comunidade.

“assim como também eu procuro, em tudo, ser agradável a todos, não buscando o meu próprio interesse, mas o de muitos, para que sejam salvos.” (1Co 10.33)
22 GP

As normas engessam a instituição. Na verdade quer ficar livre para impor sua vontade, conforme as circunstâncias.

As normas são instrumentos balizadores e necessários para a boa ordem.

“Tudo, porém, seja feito com decência e ordem.” (1Co 14.40)
“porque estais inteirados de quantas instruções vos demos da parte do Senhor Jesus.” (1Ts 4.2)
23 GP

Despreza e combate qualquer forma de controle, pois quer ficar mais à vontade.

Investe no controle, até mesmo como uma forma de preservar a integridade da instituição.

“Por esta causa, te deixei em Creta, para que pusesses em ordem as coisas restantes, bem como, em cada cidade, constituísses presbíteros, conforme te prescrevi:” (Tt 1.5)
24 GP

Valoriza apenas as áreas em que atua.

Valoriza todas as áreas, para o bem comum.

“A manifestação do Espírito é concedida a cada um visando a um fim proveitoso.” (1Co 12.7)
25 GP

Gosta de mostrar muitas realizações. Faz muita despesa e obriga a instituição a se virar para pagar. Na sua boca, governança austera é só discurso vazio.

Está interessado em realizar o que é necessário. Planeja as despesas de acordo com as verbas que lhe são destinadas pela instituição.

“Pois qual de vós, pretendendo construir uma torre, não se assenta primeiro para calcular a despesa e verificar se tem os meios para a concluir?” (Lc 14.28)
26 GP

Convive bem com o erro (seu e dos outros).

Procura corrigir o que está errado. Não ignora a má conduta, promovendo ações corretivas com o propósito pedagógico.

“Mas Paulo não achava justo levarem aquele que se afastara desde a Panfília, não os acompanhando no trabalho.” (At 15.38)
27 GP

Disciplinar é demonstrar falta de amor.

Disciplinar e corrigir é demonstrar amor.

“porque o Senhor corrige a quem ama e açoita a todo filho a quem recebe.” (Hb 12.6)
“Toda disciplina, com efeito, no momento não parece ser motivo de alegria, mas de tristeza; ao depois, entretanto, produz fruto pacífico aos que têm sido por ela exercitados, fruto de justiça.” (Hb 12.11)
28 GP

Esquiva-se de tomar ou apoiar medidas impopulares.

Tem coragem de tomar medidas amargas, se forem necessárias e para a preservação da instituição.

“prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e doutrina.” (2Tm 4.2)
29 GP

Gosta de tirar de quem tem para dar a quem não tem. É assistencialista.

Gosta de viabilizar formas de geração de meios e recursos para que cada um possa prover o seu sustento dignamente.

“Ora, aquele que dá semente ao que semeia e pão para alimento também suprirá e aumentará a vossa sementeira e multiplicará os frutos da vossa justiça, enriquecendo-vos, em tudo, para toda generosidade, a qual faz que, por nosso intermédio, sejam tributadas graças a Deus.” (2Co 9.10-11)
30 GP

O importante é a quantidade dos liderados ou seguidores.

O importante é a quantidade e a qualidade dos liderados ou seguidores.

“À vista disso, muitos dos seus discípulos o abandonaram e já não andavam com ele.” (Jo 6.66)

Que Deus nos ajude a prestigiar e apoiar um estilo de liderança cristã!

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Como ser íntegro hoje em dia

(O caso Daniel)

Introdução          

“Agora, pois, temei ao SENHOR e servi-o com integridade e com fidelidade;” (Josué 24.14a)
“Então, os presidentes e os sátrapas procuravam ocasião para acusar a Daniel a respeito do reino; mas não puderam achá-la, nem culpa alguma; porque ele era fiel, e não se achava nele nenhum erro nem culpa.” (Daniel 6.4)

Integridade é o estado ou característica de alguém ou algo que está inteiro, que não sofreu qualquer diminuição; aderência firme a um código de valores; plenitude, inteireza, completude, unidade, totalidade. A integridade, ou a falta desta, é relevante, pelas consequências, em qualquer área da nossa existência.

Nos indivíduos, temos, por exemplo, integridade física ou corporal, mental, moral, espiritual, sentimental, profissional etc. Na Tecnologia da Informação (TI) fala-se em integridade dos sistemas, dos processamentos, da segurança da informação (disponibilidade – o tempo máximo que a informação está disponível; autenticidade – quando mais próxima do texto ou situação original mais autêntica se torna a informação prestada; e, confidencialidade – a garantia de que somente pessoas autorizadas terão acesso a determinada informação. No jornalismo responsável, é preciso zelar pela integridade da fonte da informação; do informante e da própria informação. Nas redes sociais, a avalanche de “fake news” (notícias falsas) é um fenômeno preocupante nessa era da hipermodernidade em que vivemos, capaz de influenciar o ambiente social e político de forma a ameaçar o sistema democrático. Não é sem razão que muita energia tem sido dispendida pelos governos no sentido de buscar uma forma adequada de criminalizar os que se utilizam desse ilegítimo expediente.

Integridade é uma questão que nunca sai da pauta divina e nem da pauta humana. Em certas épocas e determinadas sociedades foi mais ou menos levada a sério, tanto no ambiente secular, como no religioso.

Neste artigo procuraremos estudar “o caso Daniel”, extraindo dele conceitos e ensinamentos para o nosso cotidiano, porque precisamos aplicá-los e fazermos a diferença, pois somos sal da terra e luz do mundo.

A pergunta que precisamos responder aqui é: como ser íntegro hoje, ou em qualquer tempo; e em qualquer lugar (sozinhos, na família, na igreja e na sociedade)?

1. Integridade não é uma questão de opção!

Há um bom tempo atrás assisti uma pequena animação produzida para reflexão em cursos de formação gerencial, “The Divided Man” (O Homem Dividido). O homenzinho seguia sozinho, caminhando estrada afora; nas retas, nas curvas e nas muitas subidas e descidas. Depois de muito caminhar, a estrada à sua frente apresentava uma bifurcação. Ele para, fica confuso e indeciso. Ameaça seguir pela esquerda e retorna. Ameaça seguir pela direita e retorna. Então, acontece o imprevisível: ele se divide verticalmente ao meio e cada parte segue por um dos lados do caminho. Mais adiante aparece a metade que seguiu pela direita, caminhando solitária pela estrada, até que se depara com uma nova bifurcação. Ameaça seguir, novamente, pela direita, porém recua. Aí, vem à sua mente a lembrança e saudade da outra metade que havia seguido pela esquerda. Então, resolve seguir pela esquerda. A caminhada solitária continua até que as duas estradas desembocam numa só e, as duas partes se reencontram. Se entreolham, surpresas com o reencontro, e se aproximam rapidamente na tentativa de se fundirem. Qual não foi a surpresa quando descobriram que não mais se encaixavam, pois uma das partes havia crescido muito mais do que a outra. Mesmo assim, resolvem se fundir e prosseguir, caminhando com dificuldade, como uma criatura híbrida. Quantas lições podem ser extraídas desta singela animação? Algumas, mas, talvez, a principal é que quando você “se divide” nas “bifurcações da vida” sofrerá, mais à frente, consequências sérias e danosas. Podemos destacar, pelo menos duas razões básicas para sermos íntegros, diante de Deus e dos homens:

1ª) Integridade é uma questão de demanda divina

Integridade, retidão e perfeição é o que Deus espera e exige do seu povo. A Abrão, disse: “Eu sou o Deus Todo-Poderoso; anda na minha presença e sê perfeito.” (Gn 17.1b) e a Israel “Perfeito serás para com o SENHOR, teu Deus.” (Dt 18.13). E, Jesus, ratifica: “Portanto, sede vós perfeitos como perfeito é o vosso Pai celeste.” (Mt 5.48); “Não podeis servir a Deus e às riquezas.” (Mt 6.24b). Pode se dizer, também, que é uma imposição da fé cristã que professamos, pois foi para isso que Jesus veio ao mundo e deu a sua vida. Para gerar novas criaturas livres da condenação e do poder (domínio) do pecado. É certo que haverá muita luta interior, da carne contra o espírito e vice-versa (Gl 5.17; Rm 7.15-25; Hb 12.4). Porém, somos mais que vencedores, em Cristo.

Vale lembrar o destaque dado, no registro bíblico, a pessoas consideradas íntegras: Noé (Gn 6.9), Jó (Jó 1.1) e Daniel (Ez 14.20). E, ainda, que o Senhor observa e recompensa o íntegro (Sl 18.25).

2ª) Integridade é uma questão de preservação

Jesus ensinou que um reino, uma cidade, uma casa, divididos contra si mesmos não subsistirão (Mt 12.25; Mc 3.24). Por extensão, uma igreja ou uma pessoa, divididos contra si mesmos não subsistirão (1Co 1.13). Não há emprego que resista quando se está dividido entre as tarefas submetidas pelo empregador e as ocupações extra emprego, no horário de expediente. Não há casamento que resista quando se está dividido entre o seu cônjuge e outra pessoa fora da relação. Não há fé que resista quando se está dividido entre o seguir a Cristo e ceder aos prazeres e paixões ilícitos do mundo (1Jo 2.15-17). O cristão não tem opção ou licença para tomar a decisão do tipo: “– Hoje, ou neste caso, vou abrir uma exceção; amanhã eu volto a ser íntegro.”

2. Marcas de uma vida íntegra

Ao passar os olhos no livro de Daniel, algumas marcas de sua integridade saltam aos olhos:

2.1 Não se contamina (Dn 1.5-8)

Na história de vida de Daniel fica patente a inconfundível verdade de que, mais importante do que o lugar onde você precisa estar (no caso de Daniel, na corte babilônica, por imposição do exílio; no nosso caso, na escola, no trabalho etc, por uma condição de vida na sociedade) é a sua conduta ali. Uma determinação do rei fora imposta sobre ele, mas ele resolveu não se contaminar. Percebam que ele não reagiu à aprendizagem da cultura e língua dos caldeus, mas à alimentação imposta. Em vez de abordar aqui a sua motivação, no que tange à alimentos proibidos na lei mosaica ou a sua solidariedade aos demais cativos judeus vivendo em condições precárias, aproveitemos para considerar a questão da adesão de um cristão a usos e costumes de uma sociedade pagã. Há uns 50 anos atrás, muitos crentes defendiam uma diferenciação dos descrentes a partir do estereótipo (uso de roupas, pintura de cabelo e unhas etc). Por outro lado, hoje em dia, chega-se ao outro extremo. O estereótipo, o exterior é o de menos. O mais grave mesmo é o comportamento mundano de muitos “chamados crentes”; vivem completamente dominados por um estilo mundano de vida. Gente bebendo socialmente, promovendo festas de casamento com danceteria de arrepiar e repertório de escandalizar, vivendo fornicação e adultério, com linguajar corrompido, expondo as questões internas da igreja nas redes sociais, proferindo mentiras e calúnias. Gente que não assume sua fé e se lhe perguntar, desconversa. Bem-aventurados aqueles que, como Daniel, tomam a firme decisão de se manterem puros e íntegros no meio de uma geração corrompida e corruptora!

2.2 Desfruta de íntima comunhão com Deus

Ele ora e incentiva outros a orar (Dn 2.17-18; 6.10; 9.3-23; 10.2, 12). Nessa intimidade, o Senhor lhe revela mistérios em visão à noite (Dn 2.19). Ele glorifica o Senhor reconhecendo seus atributos inigualáveis, seu domínio sobre tudo e sobre todos; como aquele que capacita os seus para toda boa obra (Dn 2.20-23).

2.3 Permanente busca da glória de Deus

Longe de querer chamar a atenção para si próprio, se vangloriando e usurpando a glória de Deus, ele faz questão de atribuir todos os créditos a quem de direito, ao Deus eterno, imortal; invisível, mas real (Dn 2.28). Ele faz isso tão naturalmente e de modo tão convincente que até os incrédulos conseguem reconhecer a majestade de Deus: “Disse o rei a Daniel: Certamente, o vosso Deus é o Deus dos deuses, e o Senhor dos reis, e o revelador de mistérios, pois pudeste revelar este mistério.” (Dn 2.47).

2.4 Presta serviço à comunidade

Quando nos afastamos do pecado, podemos buscar e desfrutar de íntima comunhão com o Altíssimo. Quando estamos em íntima comunhão com Deus ele se revela a nós e nos capacita para a realização da sua obra e para servir à comunidade. Daniel tinha plena consciência de todo o mal que os caldeus fizeram ao seu povo. Simplesmente poderia recusar-se a colaborar com os seus algozes. Entretanto, quando constituído pelo rei, como governador e chefe de toda a província de Babilônia (Dn 2.48-49), viu nessa investidura uma imperdível oportunidade de ser útil ao próximo, de servir com eficiência e justiça, inclusive sendo bênção para os cativos do seu povo. Afinal, ele sabia que o cativeiro duraria 70 anos; então, era melhor ser agente do bem do que vítima do mal. E, na hora que ele é honrado, não se esquece daqueles que o ajudaram.

2.5 Testemunha com coragem e intrepidez

Manter-se íntegro, diante de Deus e dos homens, implica em assumir riscos e passar por provações. Tanto os amigos de Daniel (Dn 3.8-12), quanto o próprio Daniel (Dn 6.4-9; 11-13) foram vítimas de inimigos invejosos que tentaram tirar-lhes a vida, promovendo o confronto entre sua posição e sua fé e integridade para com Deus. Entretanto, eles não se deixaram intimidar pelas terríveis ameaças, testemunhando com coragem e intrepidez sua fé inabalável num Deus que tudo pode; livrar da morte ou deixar perecer (Dn 3.16-18; Dn 6.10). Ser íntegro é estar disposto a tudo perder por amor a Cristo: “Porém em nada considero a vida preciosa para mim mesmo, contanto que complete a minha carreira e o ministério que recebi do Senhor Jesus para testemunhar o evangelho da graça de Deus.” (At 20.24).

2.6 Tem confiança em Deus, em qualquer situação

Não somos capazes de compreender a extensão e os desdobramentos, nos céus e na terra, quando verdadeiramente decidimos confiar em Deus, entregando nossa vida aos seus cuidados, em toda e qualquer situação. Os céus se enchem de júbilo e a terra recebe o impacto da intervenção divina: “Falou Nabucodonosor e disse: Bendito seja o Deus de Sadraque, Mesaque e Abede-Nego, que enviou o seu anjo e livrou os seus servos, que confiaram nele, pois não quiseram cumprir a palavra do rei, preferindo entregar o seu corpo, a servirem e adorarem a qualquer outro deus, senão ao seu Deus.” (Dn 3.28, ver ainda o impacto sobre Dario – Dn 6.25-27).

2.7 É muito amado por Deus

É gratificante saber que a integridade de Daniel não foi em vão; não passou despercebida diante de Deus. Jesus, o servo modelo, mesmo antes de começar seu ministério terreno, ouviu dos céus: “…: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo.” (Mt 3.17). E, Daniel, também teve o privilégio de ser fortalecido, no crepúsculo do seu ministério, com a sublime declaração angelical: “…: Daniel, homem muito amado,…” (Dn 10.11, 19).

Conclusão:

Dietrich Bonhoeffer (1906-1945)(teólogo e pastor) assim se refere à “graça barata” no seu livro Discipulado: “A graça barata é a pregação do perdão sem arrependimento do pecador, é o batismo sem disciplina eclesiástica, é a comunhão sem confissão de pecados, é a absolvição sem confissão pessoal. A graça barata é a graça sem discipulado, é a graça sem cruz, é a graça sem Jesus Cristo vivo e encarnado.” A fé que nada custa, nada vale. Integridade tem seu preço. Não é uma opção e tem marcas próprias. Somos desafiados a seguir o exemplo de Daniel e de tantos outros heróis da fé, mantendo-nos íntegros em todo o tempo e o tempo todo: “Tu, porém, segue o teu caminho até ao fim; pois descansarás e, ao fim dos dias, te levantarás para receber a tua herança.” (Dn 12.13)

Prioridades na Liderança

O Exemplo de Timóteo

Introdução          

A temática deste estudo é LIDERANÇA. Mas, a quem interessa ou diz respeito este assunto? A todos nós, pois, no mínimo, somos líderes de nós mesmos, da nossa missão, das nossas tarefas. Augusto Cury publicou um livro intitulado “Seja líder de si mesmo”. Está aí uma primeira dica para quem desejar se aprofundar no assunto. Mas, também, podemos ser líderes em nossa casa, no trabalho, em alguma área na igreja etc. Um líder, ainda que famoso, é gente como a gente. Líderes cristãos mundialmente conhecidos não surgem num estalar de dedos. Eles são forjados, pelo ferreiro divino, no calor do atrito das limitações humanas com os desafios da vida. Antes de analisar o “caso Timóteo”, vejamos como foi forjado um grande líder cristão do nosso tempo. Na sua autobiografia[1], que relata os acontecimentos da sua juventude, ele diz que alguém o descreve, e ele mesmo se vê, assim: “Um rapaz do campo, alto e magro, dotado de muita energia, com nível acadêmico medíocre e um enorme zelo para servir ao Senhor que excedia meus conhecimentos e habilidades.” (pg. 46). Como foi sua infância e juventude?

Resumindo:

– Muito trabalho, ordenhando vacas e limpando as baias, na fazenda do pai, em Charlotte – Carolina do Norte – USA.

– Trabalhou como vendedor de escovas, nas férias, para ajudar a custear seus estudos.

– Teve forte influência da mãe que o incentivava a ler livros, principalmente o Catecismo de Westminster e a Bíblia.

– Teve forte influência dos metodistas (por parte de pai) e dos presbiterianos (por parte de mãe).

– Teve forte influência de Evangelistas de Cruzadas. Eram montadas grandes tendas (algumas para 5000 pessoas sentadas) e eles pregavam diariamente, o Evangelho, por semanas.

– Teve forte influência de Evangelistas, Pregadores e Professores no Instituto Bíblico da Flórida.

Foi batizado na infância, na igreja presbiteriana (pg.53). Frequentava a igreja regularmente com a família, mas, somente aos 16 anos teve um encontro com Cristo, nascendo de novo, após a pregação de um daqueles evangelistas de tendas, um pastor batista (Dr. Mordecai Fowler Ham). Quando estava no Instituto, na Flórida, pediu para o deão batizá-lo por imersão, discretamente.

Seu chamado para pregar se deu no Instituto Bíblico da Flórida, aos 19 anos de idade. Durante os 18 meses anteriores, no Instituto, quando convidado a pregar, tinha uma atuação pífia; ficava inseguro, inibido, batia os joelhos, usava sermões emprestados. Numa dessas ocasiões, pregou em uma pequena igreja, 4 sermões em 8 minutos. Treinava suas pregações no quarto e no campo aberto. Um pouco antes do seu chamado, começou a pregar em um estacionamento de trailers para um público que variava de 200 a 1000 pessoas. Sentia uma enorme satisfação em transmitir para as pessoas as boas-novas da Salvação. No final de 1938, com 20 anos, aceitou ser batizado pela terceira vez, desta feita, por imersão e com algumas testemunhas, para evitar problemas nas igrejas batistas onde pregava. Afinal, ele era um jovem presbiteriano que aderira à igreja batista. No início de 1939, com vinte anos, foi ordenado pastor batista, na Igreja Batista de Peniel, antes de completar o curso no Instituto.

Estamos nos referindo a William Franklin Graham Jr (Billy[2] Graham)(07/11/1918 – 21/02/2018). Seu pai era de origem metodista e sua mãe de origem presbiteriana. Foi casado, por 64 anos, com Ruth Graham (1943–2007) e teve 5 filhos, 19 netos e 28 bisnetos. Seu sogro era um missionário e cirurgião presbiteriano que exerceu forte influência sobre ele. A partir de 1948, com cerca de 30 anos, começou suas Cruzadas Evangelísticas, alcançando 185 países e 210 milhões de pessoas. No Brasil: Rio de Janeiro -1960 e 1974; Recife-2000; São Paulo-2008 e Belo Horizonte-2010. Terminou seus 99 anos de vida com várias doenças: Parkinson, quadril quebrado, pélvis quebrada e câncer de próstata. (Fonte: Wikipédia)

Timóteo é um líder particularmente interessante no contexto da Igreja Primitiva. No NT, muito se diz “a” Timóteo ou “de” Timóteo, entretanto, ele mesmo nada diz. Ele não aparece na dianteira da história, mas realiza uma espécie de ministério âncora na equipe do apóstolo Paulo.

Que informações encontramos do jovem Timóteo no NT?

a) Primeiras referências:

i) Um discípulo com bom testemunho nas igrejas de Listra e Icônio (At 16.1-2).

ii) Filho de uma judia crente, mas de pai grego; por isso, foi circuncidado para poder acompanhar o apóstolo Paulo (At 16.1-3). Sua fé era sem fingimento, tal qual a da sua avó Lóide e da sua mãe Eunice (2Tm 1.5). Foi ensinado na Palavra desde a sua infância (2Tm 3.14-15).

iii) Passou a ter um contato direto com o apóstolo Paulo, a partir da sua Segunda Viagem Missionária (50-54 dC), acompanhando-o no seu ministério (At 16.3). É interessante ressaltar que, na introdução e saudação, de várias cartas do apóstolo, ele é citado, ora como servo de Cristo, ora como irmão em Cristo: “… e o irmão Timóteo“ (2Co 1.1; Fp 1.1; Cl 1.1; 1Ts 1.1; 2Ts 1.1).

b) Na Segunda Viagem Missionária:

Quando Paulo partiu para Atenas, Timóteo ficou em Beréia, na companhia de Silas (At 17.14-15).

Silas e Timóteo se encontraram com Paulo em Corinto, liberando Paulo para a pregação (At 18.5).

c) Na Terceira Viagem Missionária:

Timóteo, juntamente com Erasto, ministravam na equipe de Paulo e foram enviados à Macedônia (At 19.22).

Timóteo, juntamente com outros, acompanharam Paulo até a Ásia (At 20.4).

d) Outras referências:

Escrevendo aos crentes de Roma, Paulo menciona Timóteo como seu cooperador (Rm 16.21). Alguém que trabalhava na obra do Senhor, como também Paulo (1Co 16.10).

Timóteo foi enviado por Paulo à igreja de Corinto, para lembrá-los e confirmar os ensinos a eles pregados (1Co 4.17; comp. 2Co 1.19). O testemunho de Paulo a seu respeito é “meu filho amado e fiel no Senhor”. O cuidado que o apóstolo tinha para com Timóteo, recomendando-o às igrejas e zelando pelo seu bom acolhimento, fica evidente em vários textos bíblicos (1Co 16.10-11).

Timóteo também foi enviado à igreja de Tessalônica, como ministro (doulos – servo) de Deus no evangelho de Cristo (1Ts 3.1-8). Ao ser enviado, fazia parte, também, da sua missão, trazer notícias daquela igreja a Paulo (Fp 2.19; 1Ts 3.6). O prestígio de Timóteo, da parte de Paulo, para essa missão era imenso; não havia outro que se equiparasse a ele (Fp 2.20-21).

1. A IMPORTÂNCIA DA LIDERANÇA

Está mais do que provada e comprovada a realidade da influência dos líderes sobre as pessoas, principalmente em formação (crianças, adolescentes e jovens). E, essa influência da liderança, positiva e proativa, precisa começar em casa e continuar na igreja. No âmbito secular e social, é preciso ter muito cuidado com a escolha daquelas instituições (creche, escola etc.) onde nossos filhos serão matriculados. Pessoas em formação precisam estar em contato com lideranças diferenciadas, como os jovens Timóteo e Billy Graham. Desta forma, elas estarão sendo forjadas e motivadas para viver uma vida que faça a diferença em seu tempo e estarão preparadas para resistir aos descaminhos propostos em ambientes sociais anticristãos.

2. PRIORIDADES NA LIDERANÇA

A partir das orientações do apóstolo Paulo a Timóteo, nas duas epístolas pastorais a ele dirigidas, podemos identificar algumas prioridades a serem observadas:

2.1 Prioridades no âmbito pessoal e familiar

“– No caso de despressurização de uma aeronave, coloque primeiro sua máscara de oxigênio antes de ajudar os outros a colocarem as suas.” O líder não deve desconsiderar esta recomendação, mesmo não estando viajando de avião. Assim sendo, é preciso:

a) Cuidar do corpo

Esse cuidado inclui uma alimentação equilibrada e saudável. O que Deus criou é muito bem-vindo (1Tm 4.4-5), mas há que se tomar cuidado com aquilo que o ser humano cria. Também é preciso tratar das enfermidades, ingerindo ou aplicando o que é recomendável (1Tm 5.23). Nas palavras de Paulo, “o exercício físico para pouco é proveitoso” (1Tm 4.8), quando comparado à piedade, pois ele tem efeito limitado a esta vida terrena, enquanto aquela, tem desdobramentos para a eternidade. Entretanto, todos sabemos que o exercício físico é importante para uma vida saudável.

b) Cuidar da vida espiritual

Essa vida espiritual não é algo etéreo, abstrato, intangível e intocável. Antes, porém, tem tudo a ver com relacionamento conosco mesmo (consciência pura), com Deus e com o próximo. O apóstolo fala a Timóteo do dever de combater o bom combate, mantendo fé e boa consciência (1Tm 1.18-20; ver tb 1Tm 1.5; 3.9). A comunhão com Deus se estreita através das orações (1Tm 2.1-2) e do alimento espiritual, a Palavra de Deus: “…alimentado com as palavras da fé e da boa doutrina que tens seguido.” (1Tm 4.6; ver tb 4.13, 15-16). E, essa vida espiritual, só tem significado se for gasta no serviço a Deus e ao nosso próximo.

c) Cuidar da família

Não se tem notícia de que Timóteo fosse casado e tivesse uma família para cuidar. Talvez, por conta disso, o Apóstolo Paulo não lhe tenha dirigido uma palavra específica sobre o assunto. Entretanto, isso é tão relevante para o apóstolo que, nas qualificações dos líderes e oficiais da igreja (1Tm 3), ele menciona alguns aspectos sobre família:

i) esposo de uma só mulher;
ii) e que governe bem a própria casa, criando os filhos sob disciplina, com todo o respeito (pois, se alguém não sabe governar a própria casa, como cuidará da igreja de Deus?);

2.2 Prioridades no âmbito ministerial

Para o bom exercício do ministério eclesiástico, algumas prioridades podem ser identificadas nas orientações do apóstolo Paulo a Timóteo.

a) O testemunho pessoal (1Tm 1.12-17)

Reconhecendo o chamado de Deus para o ministério, o líder humildemente percebe sua fragilidade, demérito e inutilidade. Entretanto, está convicto de que, pela graça e misericórdia divinas, foi transformado em nova criatura, em Cristo Jesus. Assim, na força do Espírito Santo, se lança ao ministério, tendo como prioridade inadiável apresentar um bom testemunho, aos de dentro e aos de fora da igreja, sendo “modelo a quantos hão de crer” (1Tm 1.12-17) e “padrão dos fiéis”, na palavra, no procedimento, no amor, na fé e na pureza (1Tm 4.12; 2Tm 1.13-14). Um obreiro aprovado (2Tm 2.15)

b) Estimular a prática de orações (1Tm 2.1-8)

c) Zelar pela adequada participação da mulher na igreja (1Tm 2.9-15)

d) Zelar pela qualificação de oficiais na igreja (presbíteros e diáconos) (1Tm 3.1-16)

e) Combater os falsos mestres e seus falsos ensinos (1Tm 1.3-11; 4.1-5, 7, 16)

f) Lidar adequadamente com vários tipos de pessoas e situações:

  • Idosos e Jovens (1Tm 5.1-2)
  • Viúvas (1Tm 5.3-16)
  • Presbíteros (1Tm 5.17-22)
  • Senhores e Escravos (1Tm 6.1-2)
  • Falsos Mestres (1Tm 6.3-5)
  • Riquezas e Ricos (1Tm 6.6-19)
  • Discussões inúteis (1Tm 6.20-21; 2Tm 2.14-19)

g) Manter caráter e conduta irrepreensíveis

  • Fortalecendo-se e testemunhando de Cristo (2Tm 2.1-2)
  • Sofrendo, por amor a Cristo, e participando do sofrimento dos irmãos (2Tm 2.3)
  • Não perdendo o foco da missão (2Tm 2.4)
  • Sendo disciplinado e ético (2Tm 2.5-10)
  • Sendo fiel a Deus e perseverante (2Tm 2.11-13)
  • Fugindo das paixões infames (2Tm 2.20-23)
  • Sendo brando e manso (2Tm 2.24-26)

h) Resistir nos tempos difíceis (2Tm 3.1-17)

i) Perseverar firme na missão, até o fim (2Tm 4.1-8)

j) Nunca abandonar os companheiros de missão (2Tm 4.9-22)

Conclusão:

Igrejas precisam de líderes chamados e vocacionados por Deus, competentes e dedicados, que cuidem de si e das suas respectivas famílias, que além de fazer a obra, influenciem positivamente todos os que os cercam.


[1] Fonte: Billy Graham – Uma autobiografia – Ed. United Press – 1998
[2] Billy é o apelido ou abreviação de William

A Liderança e a Glória de Deus

“Se alguém fala, fale de acordo com os oráculos de Deus; se alguém serve, faça-o na força que Deus supre, para que, em todas as coisas, seja Deus glorificado, por meio de Jesus Cristo, a quem pertence a glória e o domínio pelos séculos dos séculos. Amém!” (1Pe 4.11)

Introdução:

No ano de 2007 foi pedido a um grupo de estudantes que elegessem as 7 novas maravilhas do mundo. Foi aí que um deles deu uma resposta destoante dos demais, a saber: Ver, Ouvir, Tocar, Provar, Sentir, Rir e Amar. Num tempo de superproduções humanas, em todas as áreas; num tempo de avalanche de produtos tecnológicos, onde o mundo cabe dentro de uma tela, pequena como de um celular ou grande como de um televisor de 103 polegadas ou mais, que atenção estamos dando ao nosso Deus criador e aos seus feitos? Será que as realizações humanas estão ofuscando a glória de Deus, tal qual o céu de uma grande metrópole à noite é tão insignificante quando comparado ao céu estrelado de uma localidade no interior?

O Catecismo de Westminster inicia com uma significativa pergunta: “Qual é o fim supremo e principal do homem?” Ele mesmo responde, sabiamente: “O fim supremo e principal do homem é glorificar a Deus e gozá-lo para sempre.” E isso não é projeto pós-morte. Deve começar aqui e agora e continuar lá e então, na eternidade. Como é bom louvar a Deus assim…

Quão formoso és, Rei do Universo.
Tua glória enche a terra e enche os céus.
Tua glória enche a terra. (Sl 19.1)
Tua glória enche os céus.
Tua glória enche a minha vida Senhor.

Maravilhoso é estar em tua presença.
Maravilhoso é poder te adorar.
Maravilhoso é tocar as tuas vestes.
Maravilhoso é te contemplar Senhor.

três palavras que marcaram três momentos importantes na vida do povo de Israel. São três palavras que sintetizam o sucesso ou insucesso de três líderes na nobre e difícil tarefa de promover a glória de Deus no meio do povo. Estas palavras podem ser usadas para designar épocas ou tempos que se alternam e permeiam a história da humanidade. Essas épocas ou tempos trazem uma mensagem muito significativa para pastores, pais, professores, líderes e liderados na igreja.

1) Tempos de SHEKINAH

“A glória de Deus entre nós”

Esse termo – Shekinah – que não aparece na bíblia, diz respeito à manifestação visível da glória de Deus, isto é, Deus habitando no meio do seu povo. Creio que a humanidade foi presenteada pelo Deus Soberano com dois “Tempos de Shekinah inigualáveis”. Tempos para marcar indelevelmente a história humana.

Primeiro Tempo de Shekinah:

No livro de Gênesis há registro de que Deus se comunicou verbalmente, por sonhos e por anjos (Teofania[1]), com algumas pessoas. Entretanto, é a partir do livro de Êxodo, no período da liderança de Moisés, por cerca de 40 anos, que a Shekinah atinge o seu clímax no AT. A sarça que ardia e não se consumia era apenas o prenúncio do que viria pela frente. Após a partida do povo de Israel do Egito, sob a liderança de Moisés, a presença de Deus se manifestou de forma visível, através de uma coluna de nuvem (durante o dia) e de uma coluna de fogo (durante a noite). “O SENHOR ia adiante deles, durante o dia, numa coluna de nuvem, para os guiar pelo caminho; durante a noite, numa coluna de fogo, para os alumiar, a fim de que caminhassem de dia e de noite. Nunca se apartou do povo a coluna de nuvem durante o dia, nem a coluna de fogo durante a noite. (Êx 13.21-22). É impressionante a manifestação e movimentação da Shekinah, nessa forma (nuvem e fogo), até a morte de Moisés, para:

  • Proteção e Orientação do povo durante a viagem (Êx 13.21; 14.20);
  • Provisão de alimentos para o povo (Êx 16.10);
  • Atestar a liderança de Moisés diante do povo (Êx 19.9);
  • Atestar a Lei de Deus (Êx 19.16);
  • Falar com Moisés, na Tenda da Congregação (provisória) (Êx 33.9-11);
  • Habitação no Tabernáculo concluído (Ex 40.34-38; comp. Lv 16.2; Nm 9.16-22);
  • Unção dos 70 anciãos e superintendentes do povo (Nm 11.25);
  • Defesa da liderança de Moisés diante da crítica de Miriã (Nm 12.5);
  • Defesa da liderança de Moisés diante da rebelião de Coré, Datã e Abirão (Nm 16.42);
  • Falar pela última vez a Moisés, antes da sua morte (Dt 31.5).

Segundo Tempo de Shekinah:

O NT começa com um anjo aparecendo, pessoalmente, a Zacarias e a Maria; e a José, em sonho. Mas, finalmente nasce o Emanuel, Deus conosco (Mt 1.23). João assim se expressa: “E o Verbo se fez carne e habitou (tabernaculou) entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai.” (Jo 1.14). E, em Hebreus lemos: “Quando, porém, veio Cristo como sumo sacerdote dos bens já realizados, mediante o maior e mais perfeito tabernáculo, não feito por mãos, quer dizer, não desta criação,” (Hb 9.11).

A Shekinah encheu o Tabernáculo de Moisés (Êx 40.34), encheu o Templo de Salomão (2Cr 5.13b-14), encheu o Santuário do Tabernáculo Celestial (Ap 15.5, 8) e, quer encher a nossa vida: “…. Porque nós somos santuário do Deus vivente, como ele próprio disse: Habitarei e andarei entre eles; serei o seu Deus, e eles serão o meu povo.” (2Co 6.16). Também, cobriu o monte da transfiguração (Mt 17.5) e Jesus, na sua ascensão (At 1.9).

Qual a razão desses dois tempos especiais de Shekinah e o que eles têm em comum? Sem dúvida foram janelas de luz, clarões (Lei e Graça).

Aprouve a Deus realizar dois projetos especiais, envolvendo dois povos escolhidos, Israel e a Igreja, envolvendo propósitos soberanos de Deus de libertar e conduzir esses grupos do Egito (figura do mundo) para Canaã (figura do Céu). Na segunda Shekinah, somos chamados para fora do mundo (ou mundanismo) e para tirar o mundanismo de dentro de nós e, em seguida, somos enviados ao mundo, para pregar o Evangelho. Sem dúvida esses dois tempos de Shekinah se constituem em providências divinas para dar fundamento à nossa fé. Como foi o desempenho de cada líder?

Moisés não era um líder perfeito; mas, era especial para Deus: (Nm 12.6-9; Dt 14.10-12). Ele não admitia dar um só passo, sem a presença do Senhor com ele (Êx 33.15). Não se contentava apenas em falar com Deus face a face; ele queria vê-lo face a face (Êx 3318-23).

Jesus era e é o Filho de Deus, perfeito em todos os seus caminhos, que cumpriu cabalmente o seu ministério terreno. Em Apocalipse temos as 3 fases do seu ministério: “e da parte de Jesus Cristo, a Fiel Testemunha (SOFREDOR), o Primogênito dos mortos (GLORIFICADO) e o Soberano dos reis da terra (REI). Àquele que nos ama, e, pelo seu sangue, nos libertou dos nossos pecados, e nos constituiu reino, sacerdotes para o seu Deus e Pai, a ele a glória e o domínio pelos séculos dos séculos. Amém!” (Ap 1.5-6)

Há ainda um Terceiro Tempo de Shekinah profetizado:

Eis que vem com as nuvens, e todo olho o verá, até quantos o traspassaram. E todas as tribos da terra se lamentarão sobre ele. Certamente. Amém!” (Ap 1.7). É a Segunda Vinda do Senhor Jesus Cristo!

Esse tempo é poeticamente descrito no cântico dos Vencedores por Cristo:

Quando a glória do Senhor for vista,
por toda vista, em todo lugar,
quando a glória se perder de vista
como as águas cobrem todo o mar,
então de vida se encherá a terra,
de alegria e paz pra nunca mais faltar.
Cessado o pranto, a morte, a dor e a guerra,
o Rei, que é Cristo, sempre vai reinar.

 

2) Tempos de ICABÔ ou ICABODE

“Foi-se a glória de Deus”
“Mas chamou ao menino Icabô, dizendo: Foi-se a glória de Israel, porquanto a arca de Deus foi levada presa e por causa de seu sogro e de seu marido. E disse mais: De Israel a glória é levada presa, pois é tomada a arca de Deus.” (1Sm 4.21-22)

Depois de um período de glória, Tempo de Shekinah, que durou cerca de 40 anos, sob a liderança de Moisés, Israel permaneceu iluminado e fiel ao Senhor por algumas décadas, sob a liderança de Josué e dos anciãos superintendentes (Jz 2.6-9). Com a morte desses últimos, se levantaram gerações que não viveram aquele Tempo de Shekinah,  gerações más e idólatras, que desprezaram a aliança do Senhor. Durante o período dos juízes, de cerca de 325 anos, Israel viveu dias caóticos. Nesse período, o povo experimentou os sucessivos ciclos do fracasso humano e da graça divina: Pecado – Opressão/Servidão – Clamor/Arrependimento – Libertação – Paz temporária – Pecado ….. Essa repetição continuada se caracteriza por um verdadeiro apagão espiritual, no tempo do juiz e sacerdote Eli – sintetizado no nome Icabô ou Icabode dado ao menino que nascera, neto de Eli.

Vejamos alguns aspectos desse apagão espiritual: (serve de alerta a pais e líderes)

a) Abandono da lei de Deus, da Palavra de Deus, da Aliança com Deus;
b) Associação com pessoas de povos que não temiam a Deus; assimilação e prática dos seus maus costumes;
c) Liderança (Eli) que não conseguia distinguir fervor espiritual, de embriaguez etílica (1Sm 1.12-16);
d) Sacerdotes (filhos de Eli) que não se importavam com o Senhor e se apropriavam das ofertas dos sacrifícios trazidos pelo povo além do que a lei determinava (1Sm 2.12-17);
e) Sacerdotes (filhos de Eli) que se deitavam com as mulheres que serviam à porta da tenda da congregação (1Sm 2.22); (promiscuidade)
f) Liderança (Eli) que honrava os filhos mais do que a Deus e junto com eles se regalava com as melhores ofertas trazidas pelo povo (1Sm 2.29);
g) Liderança (Eli) que havia perdido o controle sobre seus filhos. Não estabeleceu limites na época certa. Seus filhos se tornaram execráveis e ele não os repreendeu (1Sm 3.13). Há pais com tamanho sentimento de culpa pela ausência na vida dos filhos, que quando presentes preferem deixar o barco correr, mesmo percebendo a necessidade e oportunidade de corrigir algum mau comportamento;
h) Tempo em que a palavra e as visões do Senhor eram raras (1Sm 3.1);
i)Povo que, quando em desvantagem na batalha contra os filisteus, achava que podia alcançar a vitória tão somente introduzindo no meio deles a Arca do Senhor (1Sm 4.3-4).

Os tempos de Icabô se caracterizam por completa falta de temor a Deus e banalização do sagrado. Culminou na derrota dos exércitos de Israel, morte dos execráveis sacerdotes Hofni e Finéias, filhos de Eli, perda da Arca e morte de Eli.

Apagão Espiritual => Apagão Ético e Moral => Corrupção em toda a parte => Destruição de um grupo, de uma organização, de uma sociedade, de uma nação. O exemplo maior ocorreu no dilúvio. Outros exemplos vêm acontecendo na história dos povos e sociedades (Sodoma e Gomorra / etc).

 

3) Tempos de EBENÉZER (Reavivamento)

“Até aqui nos ajudou o Senhor” (1Sm 7.12)
“A glória do Senhor outra vez entre nós”

Se os Tempos de Shekinah foram magníficos, não foram suficientes para evitar os Tempos de Icabô ou Icabode que vêm pontilhando a história do chamado povo de Deus. Tornou-se necessário contrabalançar esses tempos SEM GLÓRIA e SEM GRAÇA com os Tempos de Ebenézer.

Num tempo de apagão espiritual um homem temente a Deus, Elcana, conduzia continuamente sua família para o lugar de adoração ao Senhor em Silo, onde ficava o Tabernáculo (Js 18.1). Nesse mesmo tempo, Ana, sua mulher estéril, faz um voto a Deus de consagrar ao Senhor o fruto do seu ventre. E, assim, nasce Samuel, o 15º e último juíz (1Sm 7.6; At 13.20), o primeiro de uma ordem regular de profetas (1Sm 3.20; At 3.24; 13.20) e o elo entre a Teocracia e a Monarquia. Começa, então, mais um Tempo de Ebenézer, ou Tempo de Reavivamento (Santificação e Busca), ou Tempo de trazer de volta a glória do Senhor, ou Tempo de alcançar vitória sobre os inimigos, ou Tempo de fazer resplandecer a luz, sobre as trevas.

Desta forma, Deus tem usado os Tempos de Ebenézer para contrabalançar os Tempos de Icabô ou Icabode!

Período (aC) Duração (anos) Obs
1375 – 1050 325 15 juízes, de Otoniel à Samuel
1050 – 930 120 Reino Unido – 3 reis: Saul (M) / Davi (B) / Salomão (B=>M)
930 – 722 208 Reino do Norte – 19 Reis Maus
930 – 586 344 Reino do Sul – 20 Reis (12 Maus e 8 Bons)
605 – 430 175 Exílio e Retorno, até Malaquias, último profeta
430 – 6 aC 424 Período Interbíblico ou Intertestamentário (Silêncio profético)

Final do Império Persa, Império Grego, Independência Judaica e Início do Império Romano

No contexto da Reforma[2], quando a igreja oficial também ameaçava destruir o verdadeiro culto a Deus, aparecem em cena homens como: João Wyclif (1324-1384), Martinho Lutero (1483-1546), João Calvino (1509-1564) e João Knox (1515-1572).

Nos séculos 18 e 19, marcados por grandes avivamentos e expansão missionária, destacam-se: Jônatas Edwards (1703-1758), João Wesley (1703-1791), Guilherme Carey (1761-1834), Carlos Finney (1792-1875), Jorge Müller (1805-98), Davi Livingstone (1813-73), Hudson Taylor (1832-1905); Carlos Spurgeon (1834-92) e Dwight L. Moody (1837-1899).

 

Conclusão:

Finalmente, mais conscientes da importância da liderança e da sua influência sobre os liderados, no sucesso ou insucesso da promoção da glória de Deus, precisamos todos, líderes e liderados, seguir os sete conselhos do apóstolo Pedro em 1Pedro 4.7-11:

1º) Ter consciência de que o fim de todas as coisas está próximo;
2º) Ser criteriosos e sóbrios;
3º) Ter amor intenso uns para com os outros;
4º) Ser, mutuamente, hospitaleiro;
5º) Servir uns aos outros conforme o dom que recebeu;
6º) Falar de acordo com os oráculos de Deus;
7º) Servir na força e poder de Deus, procedendo, em todo o tempo, “para que em todas as coisas seja Deus glorificado, por meio de Jesus Cristo, a quem pertence a glória e o domínio pelos séculos dos séculos. Amém!”

Soli Deo Gloria!
……………………………..

[1] Teofania: Manifestação visível de Deus: a)com mensagem direta {Êx 19.9-25};  b)em SONHO com mensagem {Gn 28.12-17};  c)em visão com mensagem {Is 6.1-13}; d)com mensagem por um anjo {Êx 3.2-4.17}. O “ANJO do Senhor” é uma teofania que se enquadra nas características da segunda pessoa da Trindade {Gn 16.7-13; Êx 3.2-6; Jz 6}.

[2] Reforma: Lutero afixou as 95 teses na porta da igreja castelo em Wittenberg, Alemanha, em 31 de Outubro de 1517.


Catedral Presbiteriana do Rio
12/08/2007 – Culto Matutino (10h 15min) – Dia do Pastor e Dia dos Pais
Esboço da Mensagem pregada pelo Presbítero Paulo Raposo Correia

A liderança em 4 movimentos

“Então, disse Moisés ao SENHOR: O SENHOR, autor e conservador de toda vida, ponha um homem sobre esta congregação que saia adiante deles, e que entre adiante deles, e que os faça sair, e que os faça entrar, para que a congregação do SENHOR não seja como ovelhas que não têm pastor.” (Nm 27.15-17)

 

Você já ouviu aquela velha frase sobre manutenção? “Quando tudo vai bem, ninguém se lembra que ela existe. Quando vai mal, todos reclamam.” Tenho a impressão de que o mesmo se aplica às lideranças.

Na igreja, quando as lideranças são muito mais destacadas do que a coletividade, é bem provável que Deus esteja sendo usurpado da sua glória. Considerando a relevância do tema, vale a pena, pelo menos de vez em quando, resgatar a importância das lideranças nas relações e nas organizações humanas.

Liderança é, sem sombra de dúvida, um assunto relevante, interessante e inesgotável. Há uma quantidade enorme de livros e artigos no mundo sobre o tema. Na internet, há cerca de 2.500.000 (em 2006; em 2017 já são 25.700.000) ocorrências no Google, só em português, para esse verbete. Por que é relevante? Porque ela precisa estar presente em todos os agrupamentos humanos, desde a família menor, até a maior das organizações humanas globalizadas (ONU etc), passando por todas as instituições que aí estão postas neste mundo. Em algumas épocas e lugares ela foi e tem sido substituída pela dominação, que é o poder pela força das armas. Certamente esse nunca foi o projeto de Deus para os seres humanos. Homens e Mulheres foram criados por Deus para dominar sobre animais e coisas (Gn 1.28) e liderar pessoas, sendo que desde a queda coube ao homem liderar sua mulher (Gn 3.16).

O que vem a ser liderança? Uma conceituação interessante diz que:

Liderança é a arte ou habilidade, de influenciar um indivíduo[1] ou grupo, a fazer algo, entusiasticamente ou de boa vontade, em prol do bem comum.

O que é um grupo?

Um conjunto de pessoas sob a mesma liderança e com os mesmos ideais.

É interessante observar nesta definição que, liderança comum e ideais comuns são elementos indispensáveis na caracterização do grupo.

Quais são as funções básicas de um grupo?

A realização de objetivos específicos do grupo; a manutenção ou fortalecimento do próprio grupo.

A igreja[2] é um grupo com liderança e objetivos bem definidos!

Seu líder e cabeça, seu fundador e fundamento, é Jesus Cristo (Mt 16.18; Ef 2.19-22).

Seus membros, os regenerados desde o Pentecostes até o arrebatamento. No sentido local, os crentes professos e batizados em nome de Jesus Cristo.

Seus ideais comuns: Adoração, Comunhão, Evangelização, Educação Cristã e Ação Social.

O conceito de liderança segundo Moisés apresentado no texto, parece tão rudimentar quanto restrito a um comando militar. Ainda que não tenha sido explicitamente citado e aplicado à igreja pelos escritores do NT, sua essência pode ser percebida nas lideranças neotestamentárias, a começar por Jesus.

A fala de Moisés revela sua capacidade de síntese de algo extremamente complexo, como liderar um povo naquelas circunstâncias. Vejam o contexto:

O povo Israel havia passado por todas as fases porque passa um ser humano, da concepção até alcançar a idade adulta (Nm 11.12): FECUNDAÇÃO, GESTAÇÃO, TRABALHO DE PARTO, NASCIMENTO, CORTE DO CORDÃO UMBILICAL, FESTEJO, CHORO/AMAMENTAÇÃO, INSTRUÇÃO, DISCIPLINA ETC.

1º) Depois de 40 anos conduzindo o povo de Israel, do Egito para a terra de Canaã, Moisés os faz acampar do lado oriental do rio Jordão.

2º) Dos 603.550 homens com mais de 20 anos, segundo o censo de Números 1.46, apenas Josué e Calebe foram preservados. Os demais morreram no deserto como castigo pela incredulidade quando os 12 espias foram enviados para observar a terra (Nm 14.26-35; 26.64-65).

3º) Um novo censo é feito e contados agora 601.730 homens com mais de 20 anos, segundo registro de Números 26.51, o que equivale a um total entre 2 e 3 milhões de pessoas.

4º) Moisés, já com seus 120 anos (Dt 34.7), à entrada da terra de Canaã, sem seus irmãos Arão e Miriã, mortos durante a caminhada, recebe palavras duras da parte do Senhor, de que sua carreira se encerraria ali mesmo. Isto significava que outro tomaria o seu lugar a partir daquele ponto.

Consciente da importância de um líder e dos tremendos desafios que esse novo líder teria que enfrentar, a começar pela travessia do Jordão, depois derrotar todos os povos que ocupavam aquela terra, distribuir a terra conquistada e governar a nação; volta-se para o Senhor e descreve em linhas gerais o perfil desse novo líder.

Nessa conceituação de liderança em quatro movimentos formulada por Moisés, pode-se identificar as quatro principais bases de poder e autoridade que sustentam a liderança na igreja de nosso Senhor Jesus Cristo. Vejamos esses 4 movimentos:

 

1. PODER LEGÍTIMO (autêntico, genuíno, legal etc)

“que saia adiante deles”

Então, Moisés está dizendo que um líder é alguém que sai do meio do povo de Deus e se posiciona a frente desse povo? É quase isso. Precisamos apenas consertar o final da frase: ele não se posiciona, ele é posicionado por Deus. Se assim não for é quebrada a primeira base de sustentação da liderança. O movimento do banco da igreja para o púlpito não é tão simples assim! Não se dá porque eu quero, mas porque Deus quer! Não se dá apenas porque eu fiz um curso de teologia e fui ordenado. Não se dá por sucessão hereditária, vínculo de parentesco ou vínculo conjugal. Também não se dá porque o mercado de trabalho está difícil ou porque aquele ofício pode me levar a uma posição de destaque, de visibilidade etc.

Esse primeiro movimento tem a ver com indicação, chamada e vocação divinas, conforme expresso na resposta de Deus em Números 27.18-20, referindo-se a Josué:

“Toma Josué, filho de Num” – separação, identificação e reconhecimento (alguém específico);

“homem em que há o Espírito” – alguém habitado e dirigido pelo Espírito Santo;

“e impõe-lhe as mãos” – ato simbólico de consagrar alguém para um serviço especial;

“apresenta-o perante Eleazar, o sacerdote, e perante toda a congregação” – satisfação à lei (estrutura de governo espiritual) e ao povo;

“e dá-lhe, à vista deles, as tuas ordens” – transferência de responsabilidade;

“Põe sobre ele da tua autoridade…” – transferência de poder.

 

2. PODER DE ESPECIALISTA (de conhecimento)

“e que entre adiante deles”

Levantemo-nos e vão” é uma frase interessante que diz respeito a alguém que tem boa oratória, porém que não está disposto(a) a tomar a dianteira.

Carro estacionado não precisa de motorista”. Partindo dessa premissa será que é correto dizer que o Líder só tem razão de existir se há um movimento a ser feito e este a partir dele? Será que no mundo atual alguma organização ou organismo sobrevive se não se mover? Dizem por aí que “jacaré parado vira bolsa”.

Ir para onde? É simplesmente ir de uma situação atual para uma situação melhor. A resposta é óbvia, ainda que não seja facilmente assimilada, pois as pessoas tendem a se acomodar e não querer correr o risco de deixar a zona de conforto em que se encontram.

Para realizar esse movimento de entrar adiante é necessário ter algumas características que estavam presentes em Josué, tais como:

  • Sabedoria (divina e humana – juntas e misturadas ao ponto de não se saber quando acaba uma e começa a outra) (Dt 34.9 – “cheio do espírito de sabedoria”)
  • Conhecimento da lei (vontade) divina, para a cumprir (Js 1.7-8; 2Tm 2.15; 1Tm 3.6)
  • Percepção da situação atual e Visão do alvo a ser alcançado (Js 1.1-6 – por Deus)

Fé: “é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não vêem.” (Hb 11.1)

  • Experiência prática (adquirida como servidor de Moisés: Ex 17.9,10,14; Nm 33.11)

 

3. PODER DE MOBILIZAÇÃO (rompimento com a inércia)

“e que os faça sair”

Muitas são as vozes que emanam de dentro do grupo e do ambiente externo ao grupo, na tentativa de nos fazer mover do lugar onde estamos, ou para induzir-nos a fazer o que propõem. Está se desenvolvendo na sociedade globalizada em que vivemos, em proporções jamais vistas em qualquer outra época da história humana, uma batalha implacável pela conquista da minha e da sua mente, do meu e do seu bolso (dinheiro). Entre tantas vozes e apelos, Jesus, o Verbo que se fez carne, precisa ter proeminência em nossas vidas; a voz profética e bíblica dos líderes do seu rebanho precisa sobressair, com firmeza e serenidade, a todas as outras. Mais do que ouvir a voz de um líder é indispensável conferir na Bíblia o que está sendo dito, como os de Beréia faziam e, por isso foram considerados ouvintes mais nobres do que os de Tessalônica. (At 17.11). No mundo em que vivemos não há mais espaço para crente ingênuo (superficial e distraído), levado por qualquer vento de doutrina, do tipo que decidiu terceirizar o conhecimento bíblico e os serviços cristãos, com o seu pastor, seu professor de EBD etc. Não é isso que Jesus quis dizer com “ser simples como as pombas e prudentes como as serpentes”.

Há outras características em Josué que ajudam a fazer acontecer esse movimento:

  • Exemplo pessoal (Js 24.15). “As palavras convencem, os exemplos arrastam.” Nada mais triste do que pregar aquilo que não se crê e não se vive.
  • Coragem e Determinação / Amor e Sacrifício (Js 14.6-9): são dois binômios inerentes e inseparáveis do currículo de um verdadeiro líder (Josué: comandante militar, um diferencial entre os espias etc.

Walt, homem que cursara apenas até a sexta série, membro de uma pequena igreja num bairro hostil ao evangelho, na Filadélfia (USA), querendo se tornar professor da EBD e não encontrando espaço, foi “desafiado” a arranjar alunos para formar sua classe. Ele conseguiu reunir 13 garotos das ruas do bairro, sendo 9 deles filhos de pais separados. Passado algum tempo eles se tornaram adultos, sendo que 11 (85%) se engajaram no serviço cristão em tempo integral. “Para ser sincero, não seria capaz de citar muita coisa do que ele nos disse, mas dele próprio posso dizer muita coisa porque aquele homem me amou por amor a Cristo. Amou-me mais do que meus pais.” (Relato de HOWARD HENDRICKS, um desses garotos, que se tornou professor de Seminário e escritor evangélico, no livro: Ensinando para transformar vidas – Editora Betânia).

  • Confiabilidade e Honestidade. Quem realmente está disposto a seguir um líder em quem não confia?

 

4. PODER DE REALIZAÇÃO (satisfação, coesão)

“e que os faça entrar”

Há muitas lideranças aventureiras espalhadas por aí. Pretensos líderes especializados em fazer as pessoas saírem de onde estão para não chegarem a lugar algum. É gente que só sabe fazer fumaça. Eles se aproveitam da avidez das pessoas pela mudança, para experimentar o novo, na esperança de dar algum sentido à sua triste existência.

Josué deu provas de ser um líder realizador, porque:

1º) Agia de forma organizada, com ordem e disciplina (Js 3.1-6);

2º) Atuava como um habilidoso maestro (Js 6.7-21);

3º) Zelava pela união das 12 tribos e foi respeitado todos os seus dias (Js 4.14);

4º) Alcançava vitórias sobre os adversários (Js 12.7, 24 [31 reis derrotados]; Moisés [2 reis derrotados] – é interessante a alternância de estilo na liderança: Moisés, um legislador; Josué, um desbravador);

5º) Cumpriu sua missão: conduziu o povo a conquistar a terra da promessa e promoveu a distribuição do território e despojos conquistados. (Js 12.7, 24). Duas palavrinhas importantíssimas: CONQUISTAR e DISTRIBUIR!

Fazer as coisas acontecerem é marca registrada de um verdadeiro líder. Um reparador de brechas e restaurador de veredas (Is 58.12). Ele não existe para realizar tudo sozinho; o verdadeiro líder é aquele que FAZ FAZER. Dizem que PASTOR faz PASTOR e, OVELHA, faz OVELHA. Dá gosto ver as sociedades internas de uma igreja trabalhando, com todo empenho e criatividade, afinadas com a liderança da igreja e cooperando umas com as outras, para o bem da obra. Um grupo que realiza, reforça o sentimento de PERTENCIMENTO, nos seus participantes.

 

Conclusão:

Finalmente,

Esses quatro movimentos estavam muito presentes na vida de Jesus, nosso supremo pastor e líder. Só alguns flashes, uma pequeníssima amostra:

  1. Poder legítimo: “que saia adiante deles”

“A seguir, veio uma nuvem que os envolveu; e dela uma voz dizia: Este é o meu Filho amado; a ele ouvi.”( Mc 9.7; comp. At 2.22) 

  1. Poder de especialista: “e que entre adiante deles”

“Quando Jesus acabou de proferir estas palavras, estavam as multidões maravilhadas da sua doutrina;  porque ele as ensinava como quem tem autoridade e não como os escribas.” (Mt 7.28-29)

  1. Poder de mobilização: “e que os faça sair”

“Tendo Jesus convocado os doze, deu-lhes poder e autoridade sobre todos os demônios, e para efetuarem curas. Também os enviou a pregar o reino de Deus e a curar os enfermos.” (Mt 9.1-2)

  1. Poder de realização: “e que os faça entrar”

“Então, regressaram os setenta, possuídos de alegria, dizendo: Senhor, os próprios demônios se nos submetem pelo teu nome!” (Lc 10.17)

 

Como igreja, necessitamos de uma liderança sinérgica, que potencialize e canalize os recursos e talentos do grupo e os direcione para a edificação do grupo e para a glória de Deus.

“Mas, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo, de quem todo o corpo, bem ajustado e consolidado pelo auxílio de toda junta, segundo a justa cooperação de cada parte, efetua o seu próprio aumento para a edificação de si mesmo em amor.” (Ef 4.15-16)

Que assim Deus nos ajude!

Sola Scriptura, Sola Gratia, Sola Fide, Solus Christus, Soli Deo Gloria

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[1] Seja Líder de Si Mesmo – O Maior Desafio do Ser Humano (Augusto Cury [psiquiatra] – Sextante)

[2] Igreja: Visível ou Invisível; Militante ou Gloriosa; Local ou Universal


Catedral Presbiteriana do Rio
17/12/2006 – Culto Matutino (10h 15min) – Dia do Pastor
Esboço da Mensagem pregada pelo Presbítero Paulo Raposo Correia

Pastores e Estrelas

Pastores e Estrelas

Os seres humanos têm alguns comportamentos interessantes. Um deles é o exibicionismo, aquela necessidade de se mostrar para os outros. Acho que todos têm um pouco disso, uns mais, outros menos. Isso se manifesta das formas mais variadas possíveis e você sabe muito bem como é, ou como isso acontece. Pode ser aquele sobrenome diferenciado, imponente, ou o bairro nobre onde mora. Pode ser aquela faculdade de renome, os títulos que possui ou os idiomas que fala. Pode ser aquele parente importante que tem, ou aquele vestuário de grife. Podem ser aquelas viagens internacionais ou aquele carrão, no qual desfila. Pode ser o luxo da festa de 15 anos da filha ou do casamento ou das bodas e, até mesmo, o cemitério e jazigo onde a família sepulta seus mortos. Enfim, pode ser tanta coisa… E, onde isso acontece? Antigamente era no mundo real, mas hoje, com a tecnologia disponível, até virtualmente, nas redes sociais e aplicativos. Aliás, antes de postar alguma coisa no facebook deveríamos nos fazer as seguintes perguntas: 1) Isso vai glorificar a Deus? 2) Isso é útil e vai abençoar as pessoas? 3) Estou apenas expressando aqui o meu contentamento ou estou querendo me exibir? “Desvia os meus olhos, para que não vejam a vaidade, e vivifica-me no teu caminho.” (Sl 119.37)

Alguém já te fez aquelas solenes perguntas: De que igreja você é? Quem é o teu pastor? Pois é, para se sair bem nessas horas, tem gente que faz questão de fazer parte de uma igreja com templo majestoso, com pastor famoso. Tudo isso tem a mesma origem: a necessidade de ser visto pelo outro como alguém muito importante, especial.

Não há nenhum mal em buscar o melhor para as nossas vidas, porém não podemos perder de vista aquilo que realmente tem valor, agora e eternamente. Não devemos nos encantar apenas com aquelas coisas que impactam a visão, mas, principalmente, com as que trazem significado profundo à existência.

Como Jesus reagiu ao que era o motivo de orgulho dos judeus, o Templo de Jerusalém? “Tendo Jesus saído do templo, ia-se retirando, quando se aproximaram dele os seus discípulos para lhe mostrar as construções do templo. Ele, porém, lhes disse: Não vedes tudo isto? Em verdade vos digo que não ficará aqui pedra sobre pedra que não seja derribada.” (Mt 24.1-2). Certamente não foi com o mesmo entusiasmo dos discípulos. Muitos, ainda hoje, não entenderam o que o Filho e o Pai pensam sobre templos bonitos: “Entretanto, não habita o Altíssimo em casas feitas por mãos humanas; como diz o profeta: O céu é o meu trono, e a terra, o estrado dos meus pés; que casa me edificareis, diz o Senhor, ou qual é o lugar do meu repouso? Não foi, porventura, a minha mão que fez todas estas coisas?” (At 7.48-50). Os discípulos estavam diante do Deus encarnado que “tabernaculou” (habitou) entre eles (Jo 1.14), varão aprovado por Deus diante deles com milagres, prodígios e sinais (At 2.22) e estavam tão impressionados com construções humanas. Poucos entendem que nesse tempo da Graça, nós é que somos templo de Deus (Jo 14.23), morada do Espírito Santo (Jo 14.17), ou conforme disse o apóstolo Paulo: “logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim;” (Gl 2.20a).

E, o que dizer de Pastores e Estrelas?

 1. Os pastores de Belém e a Estrela

Quando você leu o título, talvez tenha vindo, imediatamente, à sua mente a história do nascimento de Jesus. A narrativa bíblica fala de uma estrela diferente que brilhou no céu e de pastores no campo. O curioso disso é que, segundo essas narrativas, os pastores de Belém nada têm a ver com essa estrela! Se você prestar bastante atenção verá que: a) Essa estrela diferente é citada apenas por Mateus (quatro vezes), servindo de guia para conduzir os magos do oriente até Jesus (Mt 2.1-12). Esses magos eram estudiosos dos astros. b) Já os pastores de Belém foram citados apenas por Lucas (Lc 2.8-20). Em parte alguma da narrativa bíblica é mencionado que esses pastores viram ou foram guiados ao menino nascido, por essa estrela. Os anjos lhes anunciaram o nascimento de Jesus e lhes deram todas as dicas de como encontrá-lo. c) Ambos os grupos, magos e pastores, foram até Jesus (a verdadeira Estrela) e o encontraram.

Vamos refletir um pouco sobre Estrela.

a) Por definição, estrela é um astro que tem luz própria. O apóstolo Paulo, escrevendo sobre o corpo ressurreto, ilustra a diferença de esplendor, assim: “Uma é a glória do sol, outra, a glória da lua, e outra, a das estrelas; porque até entre estrela e estrela há diferenças de esplendor.” (1Co 15.41). É claro que a lua não é uma estrela, pois reflete a luz do sol.

b) Estrelas e astros não devem ser adorados, como muitos povos faziam, pois não são deuses, mas criação do único Deus vivo e verdadeiro: “Guarda-te não levantes os olhos para os céus e, vendo o sol, a lua e as estrelas, a saber, todo o exército dos céus, sejas seduzido a inclinar-te perante eles e dês culto àqueles, coisas que o SENHOR, teu Deus, repartiu a todos os povos debaixo de todos os céus.” (Dt 4.19)

c) Na simbologia bíblica, estrela pode ser interpretada como:

  • Sinal ou aviso, como a estrela vista pelos magos (Mt 2.1-12).
  • As doze tribos de Israel (Ap 12.1).
  • Pessoas importantes, como os onze irmãos, no sonho de José (Gn 37.9).
  • Pessoas sábias, iluminadas: “Os que forem sábios, pois, resplandecerão como o fulgor do firmamento; e os que a muitos conduzirem à justiça, como as estrelas, sempre e eternamente.” (Dn 12.3).
  • Uma referência aos anjos caídos na rebelião de Lúcifer (Ap 12.4, 9). Por extensão, os falsos líderes que agem na mesma linha (Jd 13).
  • Uma referência a Jesus Cristo, o Messias prometido: “Vê-lo-ei, mas não agora; contemplá-lo-ei, mas não de perto; uma estrela procederá de Jacó, de Israel subirá um cetro que ferirá as têmporas de Moabe e destruirá todos os filhos de Sete.” (Nm 24.17)

d) Estrela da alva ou da manhã:

  • Uma referência a Vênus, o segundo planeta do Sistema Solar, a partir do Sol. Depois da Lua, é o objeto mais brilhante do céu noturno. Como Vênus se encontra mais próximo do Sol do que a Terra, ele pode ser visto aproximadamente na mesma direção do Sol. Vênus atinge seu brilho máximo algumas horas antes da alvorada ou depois do ocaso, sendo por isso conhecido como a estrela da manhã (Estrela d’Alva) ou estrela da tarde (Vésper) (Wikipédia).
  • Uma referência a Satanás, o “luminoso”: “Como caíste do céu, ó estrela da manhã, filho da alva! Como foste lançado por terra, tu que debilitavas as nações! Tu dizias no teu coração: Eu subirei ao céu; acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono e no monte da congregação me assentarei, nas extremidades do Norte; subirei acima das mais altas nuvens e serei semelhante ao Altíssimo.” (Is 14.12-14). Endossada por Cristo: “Mas ele lhes disse: Eu via Satanás caindo do céu como um relâmpago.” (Lc 10.18; ver tb Ap 20.3 e 1Tm 3.6). E, como diz Paulo: “E não é de admirar, porque o próprio Satanás se transforma em anjo de luz.” (2Co 11.14).
  • Uma referência a Jesus, a brilhante Estrela, com “E” maiúsculo: “Eu, Jesus, enviei o meu anjo para vos testificar estas coisas às igrejas. Eu sou a Raiz e a Geração de Davi, a brilhante Estrela da manhã.” (Ap 22.16).
  • Uma dádiva de Jesus “ao vencedor”, referindo-se, talvez, a poder real ou autoridade: “assim como também eu recebi de meu Pai, dar-lhe-ei ainda a estrela da manhã.” (Ap 2.28).
  • Uma referência aos vários estágios de luz da revelação divina: “Temos, assim, tanto mais confirmada a palavra profética, e fazeis bem em atendê-la, como a uma candeia que brilha em lugar tenebroso, até que o dia clareie e a estrela da alva nasça em vosso coração,” (2Pe 1.19). As profecias do Antigo Testamento simbolizando a candeia; o cumprimento da profecias na primeira vinda de Cristo, simbolizando a estrela da alva; por fim, a segunda vinda de Cristo, nosso Sol da Justiça (Ml 4.2), trazendo toda a claridade.

Retornando aos pastores de Belém (Lc 2.8-20), temos de admitir que algumas coisas nos impressionam na narrativa:

1ª) O fato de Deus ter se importado com aqueles humildes e simples pastores, homens do campo, enviando-lhes o seu anjo (acompanhado de uma multidão da milícia celestial) para anunciar o nascimento do Deus-homem, do Salvador, do Bom Pastor (Jo 10.11), do Supremo Pastor (1Pe 5.4), do descendente de Davi (Mt 1.1) o pastor de ovelhas que se tornou o pastor de Israel; na cidade de Davi.

2ª) O fato desses pastores terem ido, apressadamente a Belém, para terem um encontro com aquele que é o Pastor dos pastores.

3ª) O fato desses pastores, depois do encontro com Jesus, proclamarem a todos a revelação que receberam a respeito de Jesus.

4ª) O fato desses pastores glorificarem e louvarem a Deus pelo que ouviram e viram de Jesus.

Que belo exemplo para todos aqueles líderes de igreja, pastores e presbíteros, seguirem!!! Centralidade total em Jesus! Satisfação completa em Jesus!

2. Estrelas na mão direita de Jesus

 7 estrelas

“Tinha na mão direita sete estrelas, e da boca saía-lhe uma afiada espada de dois gumes. O seu rosto brilhava como o sol na sua força.” (Ap 1.16)

“Quanto ao mistério das sete estrelas que viste na minha mão direita e aos sete candeeiros de ouro, as sete estrelas são os anjos das sete igrejas, e os sete candeeiros são as sete igrejas.” (Ap 1.20)

A primeira grande revelação do Apocalipse refere-se à visão que João teve do Senhor, ressurreto, no meio dos sete candeeiros de ouro, isto é, as sete igrejas da Ásia Menor, interpretação essa declarada no próprio texto. A igreja sofredora carecia de uma nova visão do Senhor, uma esplendorosa visão do Jesus Glorificado, para seu alento. Na visão tudo tem significado. Os elementos vistos e a posição de Jesus transmitem a mensagem de um Jesus presente, soberano, governante e protetor da sua igreja. A descrição do “Filho do Homem” e suas vestes, entretecem uma imagem de inigualável resplendor e majestade que deveria causar nos leitores uma sensação de confiança e segurança, restaurando-lhes a esperança e encorajando-os na luta pela causa da fé.

Entre as interpretações sugeridas pelos comentaristas bíblicos para essas “sete estrelas” ou “sete anjos” na mão direita de Jesus, citamos duas:

1ª) É uma referência a anjos literais. A palavra grega (aggeloi), traduzida por anjos, ocorre, pelo menos, 23 vezes no Novo Testamento. Em todas as outras 22 ocorrências fica claro tratar-se de referências literais a seres angelicais, por que aqui seria diferente? Assim como na Bíblia há a ideia de anjos guardando crianças (Mt 18.10) e outras pessoas (Sl 91.11; At 12.15); anjos e arcanjos guardando nações (Dn 12.1); não seria um absurdo considerar anjos guardiões de igrejas locais, aqui figuradamente citados.

2ª) É uma referência a pastores, líderes das referidas igrejas locais. Afinal, não faria sentido o apóstolo João ser orientado a escrever cartas para anjos literais.

Vale ressaltar que naquela ocasião, ainda não existia a figura de pastor de igreja, como temos hoje. Cada igreja local era liderada por presbíteros. Temos que tomar cuidado com teologia reversa. Mas, admitamos, por hipótese, que a referência seja a pastores de igreja. Então, consideremos esses pastores, não como estrelas, astros que têm luz própria, mas autoridades constituídas para pastorearem igrejas locais. Assim, podemos identificar através da visão que, na perspectiva divina, o lugar de um pastor é na mão direita de Jesus. Certamente, isso fala de um lugar de honra, mas também de dependência e submissão ao Senhorio de Cristo. Ele não está livre e solto para fazer o que quer!

 

3. Pastores-estrela

Concluindo esta abordagem, sem perder de vista as colocações iniciais sobre exibicionismo, na minha singela opinião, considero que nenhuma igreja local deveria se encantar com Pastores-estrela. Pastores-estrela são aqueles líderes de igreja famosos que querem brilhar mais do que Jesus, que querem ter luz própria. Apresento, a seguir, pelo menos sete razões para isso:

1ª) Eles apascentam a si mesmos e não as ovelhas do Senhor.

2ª) Eles estão mais interessados nos seus projetos pessoais, do que nos projetos de Deus para a igreja.

3ª) Eles custam muito caro para a igreja, quer pelas elevadas côngruas ou remunerações que recebem, quer pelos recursos que demandam e drenam da organização (humanos, materiais e financeiros).

4ª) Eles não têm tempo para pastorear o rebanho, para estar junto com as ovelhas, pois sua agenda de compromissos externos à igreja é imensa.

5ª) O foco deles não é pastorear ovelhas, cuidar delas, mas se apresentar em público.

6ª) Eles não têm cheiro de ovelha, mas podem até ter cheiro de enxofre, quando intentam subtrair a Glória que somente a Deus é devida.

7ª) Eles podem até manter a igreja cheia de gente e de religiosidade, mas zelar pela santidade dos membros não é o forte deles.

Finalmente, vale ressaltar:

– Jesus é o nosso Verdadeiro e Supremo Pastor. Não perca Jesus na caminhada! Somente ele é “O” Cabeça (relação hierárquica) e “A” Cabeça (relação de dependência) da Igreja!

– Não se anule, idolatrando líderes eclesiásticos. Idolatria é pecado! O Espírito Santo foi derramado sobre toda a igreja, distribuindo dons aos remidos do Senhor. Líderes e liderados, todos somos membros e parte do Corpo de Cristo – a Igreja.

– Além de ser parte do Corpo de Cristo, a igreja local também é uma instituição, com CNPJ, Estatutos etc. Como tal, requer de todos nós respeito e obediência às autoridades ali legalmente instituídas.

– Precisamos sim, de pastores de almas, vocacionados, chamados e capacitados por Deus para tão nobre missão: apascentar as ovelhas do Senhor Jesus Cristo.

“Lembrai-vos dos vossos guias, os quais vos pregaram a palavra de Deus; e, considerando atentamente o fim da sua vida, imitai a fé que tiveram. Obedecei aos vossos guias e sede submissos para com eles; pois velam por vossa alma, como quem deve prestar contas, para que façam isto com alegria e não gemendo; porque isto não aproveita a vós outros.” (Hb 13.7, 17)

Balaão e o Jogo dos 7 Erros

Balaão (7 erros)

A história de Balaão, filho de Beor, o adivinho (Js 24.22), que prestava serviços espirituais ou era alugado para isso (Dt 23.4) pelo “preço dos encantamentos” (Nm 22.7), está registrada em Números 22 a 24. Sua morte é mencionada em Números 31.8 e Josué 13.22. Sua estratégia maligna contra o povo de Israel, para fazê-lo pecar e perder a proteção divina e, assim, ser derrotado, se encontra em Números 31.16. Tal feito tão inaudito mereceu várias citações no Antigo testamento (Dt 23.4-5; Js 24.9-10; Ne 13.2; Mq 6.5) e, também, no Novo Testamento (2Pe 2.15; Jd 11; Ap 2.4). Alguém poderia justificar tamanha publicidade pelo acontecimento mais inaudito ainda, que foi sua jumenta falar (Nm 22.28). Ledo engano, não foi essa a razão de tanta publicidade. No tempo da igreja primitiva, tal estratégia maligna ainda foi mencionada por Judas e pelos apóstolos Pedro e João, para servir de alerta contra os falsos mestres ou líderes que seguiam pelo “caminho de Balaão” (2Pe 2.15) ou se precipitaram no “erro de Balaão” (Jd 11) ou sustentavam a “doutrina de Balaão” (Ap 2.14).

Quem nunca ouviu falar no jogo dos 7 erros? Nele há duas figuras, uma original e outra a cópia. A cópia parece ser igual a original, mas não é, pois contém sete diferenças introduzidas de propósito. O objetivo do jogo é encontrar esses sete “erros” da cópia. Assim acontece também com Balaão, parece que é um profeta de Deus, mas não é! Encontre, no texto bíblico, esses sete erros:

1º erro: Parece ser profeta de Deus (Nm 22.6; 24-15-25)

Balaão era uma figura enigmática, misteriosa. Não era hebreu e vivia na Mesopotâmia, em Petor, junto ao Rio Eufrates (Nm 22.5). Porque ele também consultava a Deus e Deus vinha a ele (Nm 22.8-12); porque ele profetizou acontecimentos futuros (Nm 24.14-24); então, os mais apressados, deduzem logo tratar-se de um homem “convertido”, temente a Deus, profeta de Deus. Cuidado, nem tudo que reluz é ouro. Que fique bem claro que Deus é soberano e fala com quem ele quiser e da forma que achar melhor. Se ele falou através da jumenta de Balaão, o que lhe impediria de falar com o próprio ou através dele? O que a Bíblia diz efetivamente de Balaão ou o que se pode depreender da sua leitura é que ele era um adivinho (Js 13.22), um vidente (“homem de olhos abertos” – Nm 24.15), alguém que vivia uma fé mesclada, um sincretismo espiritual, que incluía encantamentos e agouros (Nm 22.7; 24.1). Pode ser considerado um “profeta pagão” que desfrutava de grande reputação e prestígio, ao ponto de ser lembrado pelo rei dos moabitas, Balaque, para uma missão salvadora. Apavorado com a performance devastadora dos exércitos de Israel, Balaque enxerga como única saída para a sobrevivência do seu povo, uma ação efetiva no mundo espiritual. Para tanto, ele resolve lançar mão do poder irrefutável de Balaão, de abençoar ou de amaldiçoar (Nm 22.6).

2º erro: Parece ter comunhão com Deus (Nm 22.8-11)

Crente imaturo na fé e que não estuda a Bíblia, tem vocação para ser enganado e todos sabemos quem é o pai da mentira, o mestre dos enganadores. Em algumas igrejas, principalmente pentecostais ou neopentecostais, basta chegar alguém “falando em línguas” ou testemunhando ter sido poderosa e milagrosamente usado(a) por Deus, para ser reverenciado(a). Se Balaão vivesse em nossos dias, certamente seria um desses líderes denominacionais que arrasta multidões e ocupa uma vasta grade na mídia televisiva. É inegável que ele tinha contato com o Senhor, mas comunhão com o Senhor é outra coisa. Ele chega a impressionar os incautos, aparentando uma total dependência do Senhor: “Balaão lhes disse: Ficai aqui esta noite, e vos trarei a resposta, como o SENHOR me falar;” (Nm 22.8). Ele falava com Deus, apresentando-lhe a verdade dos fatos: “Eis que o povo que saiu do Egito cobre a face da terra; vem, agora, amaldiçoa-mo; talvez eu possa combatê-lo e lançá-lo fora.” (Nm 22.11). De igual forma, Deus falava com ele, fazendo-o conhecer a sua vontade: “Então, disse Deus a Balaão: Não irás com eles, nem amaldiçoarás o povo; porque é povo abençoado.” (Nm 22.12). Que coisa linda e impressionante, mas era apenas contato. Outros detalhes do relato bíblico nos ajudarão a entender quem realmente era esse Balaão. Talvez, algum dia, possamos compreender a razão de Deus usar determinados tipos de pessoas, como Balaão.

3º erro: Parece querer fazer a vontade de Deus (Nm 22.13, 38)

Quando recebeu a primeira comitiva enviada por Balaque, Balaão fez questão de dizer-lhes que iria consultar o Senhor. Passou para eles a impressão de que vivia numa total e mística dependência do Senhor e de sua vontade. Ele consultou e Deus lhe deu resposta clara e objetiva: “…Não irás com eles, nem amaldiçoarás o povo; porque é povo abençoado.” (Nm 22.12). E, o que ele repassou para a comitiva? A resposta do Senhor? Não, mas a resposta que ele achou conveniente passar: “…Tornai à vossa terra, porque o SENHOR recusa deixar-me ir convosco.” (Nm 22.13b). Era uma resposta esvaziada da verdade divina. Era uma resposta que não fechava completamente as portas; a explicitação da dificuldade poderia induzir a uma maior generosidade por parte do contratante dos seus serviços. Era uma resposta que manifestava o verdadeiro caráter desse homem. Não há dúvida de que ele estava excitado com a proposta recebida e suas compensações. Seu foco não estava na realização da vontade do Senhor. Sua resposta para a comitiva, expressa de outra forma, ficaria assim: “Por mim, eu iria com vocês, mas o Senhor está me impedindo de fazer isso”. Um verdadeiro homem ou mulher de Deus, quando toma conhecimento da vontade do Senhor, não somente a transmite aos outros de forma integral e fiel, mas a assume, como expressão da sua própria vontade.

Mais adiante, após receber a segunda comitiva do rei, de passar um aperto com a sua jumenta e de ser advertido e pressionado pelo Anjo do Senhor, que lhe disse: “….Vai-te com estes homens; mas somente aquilo que eu te disser, isso falarás.” (Nm 22.35), ele chegou à presença do rei Balaque e disse-lhe: “Respondeu Balaão a Balaque: Eis-me perante ti; acaso, poderei eu, agora, falar alguma coisa? A palavra que Deus puser na minha boca, essa falarei.” (Nm 22.38). A situação ficou apertada para ele, pois foi forçado por Deus a agir segundo a sua vontade, que era de abençoar e não de amaldiçoar o povo de Israel. Após ter abençoado Israel, pela primeira vez, e, sendo questionado por Balaque, ele responde: “Mas ele respondeu: Porventura, não terei cuidado de falar o que o SENHOR pôs na minha boca?” (Nm 23.12). Portanto, ele não era alguém que voluntária e espontaneamente procurava fazer a vontade do Senhor.

4º erro: Parece não priorizar recompensas financeiras (Nm 22.18; 2Pe 2.15; Jd 11)

A atitude do rei Balaque, enviando a comitiva que levava consigo “o preço dos encantamentos” (Nm 22.7), nos leva a crer que Balaão era remunerado pelos “serviços espirituais” prestados. Será que ele dava valor a essas recompensas financeiras? Após a primeira recusa de Balaão, Balaque resolve investir pesado para convencê-lo a amaldiçoar seu inimigo. A resposta de Balaão passa a mensagem de que sua fidelidade a Deus não pode ser comprada, pois não está à venda: “Respondeu Balaão aos oficiais de Balaque: Ainda que Balaque me desse a sua casa cheia de prata e de ouro, eu não poderia traspassar o mandado do SENHOR, meu Deus, para fazer coisa pequena ou grande;” (Nm 22.18). Linda e comovente essa declaração, não? Seria verdadeira? Parece que não. O versículo seguinte (v.19) desmascara o vidente: “para que eu saiba o que mais o SENHOR me dirá”. O Senhor já havia lhe dito tudo, não havia razão para nova consulta. Mas a sua cobiça não lhe permitia recusar, de imediato, a segunda investida de Balaque. E tem mais. O apóstolo Pedro se refere aos falsos mestres de seu tempo como aqueles que seguiam pelo caminho de Balaão, “que amou o prêmio da injustiça” (2Pe 2.15). Nesta mesma linha, Judas se refere aos que desconstruíam a fé cristã, como pessoas movidas de ganância que se precipitaram no erro de Balaão (Jd 11). As ofertas eram significativas, incluindo riquezas, honra e poder (Nm 22.7, 17; 24.11). Sem dúvida ele ficou fascinado, foi seduzido.

5º erro: Relativiza a palavra de Deus (Nm 22.19-22)

Por que Balaão é daqueles que relativiza a palavra de Deus; não a considera como absoluta e definitiva? Porque ele é do tipo que já conhece o que Deus disse, entretanto, não leva isso muito a sério, principalmente quando esta palavra não é muito favorável aos seus interesses. Então, lhe é muito conveniente, buscar novas revelações, revelações mais fresquinhas: “agora, pois, rogo-vos que também aqui fiqueis esta noite, para que eu saiba o que mais o SENHOR me dirá.” (Nm 22.19). Já que ele tornou a consultar o Senhor, o Senhor lhe deu novas instruções: “Veio, pois, o SENHOR a Balaão, de noite, e disse-lhe: Se aqueles homens vieram chamar-te, levanta-te, vai com eles; todavia, farás somente o que eu te disser. Então, Balaão levantou-se pela manhã, albardou a sua jumenta e partiu com os príncipes de Moabe.” (Nm 22.20-21). Quando Deus lhe deu uma resposta um pouco diferente, seu coração ficou em festa. Não é que Deus tenha mudado de ideia. Porém, como Balaão estava tão interessado em ir, Deus aproveitou para abençoar seu povo através dele. Na verdade ele não cuidou de observar os detalhes da palavra do Senhor: “Se aqueles homens vieram chamar-te,”. É o tipo de gente que ouve primeiro a voz da sua própria vontade, ou distorce a palavra de Deus a favor de seus interesses. Ele foi sem ser chamado e provocou a ira de Deus.

6º erro: Tem más intenções no coração (Nm 22.32)

Balaão estava mesmo determinado a se encontrar com Balaque. Deus conhecia muito bem os propósitos do seu coração que não eram bons: “Então, o Anjo do SENHOR lhe disse: Por que já três vezes espancaste a jumenta? Eis que eu saí como teu adversário, porque o teu caminho é perverso diante de mim;” (Nm 22.32). Observe que não estamos de má vontade com Balaão; não se trata de antipatia gratuita. O próprio Anjo do Senhor é quem revela as intenções do coração dele e, por pouco não o matou, poupando a jumenta (Nm 22.33). Vejam que, ainda que alguém da estirpe de Balaão seja seduzido a agir contra os remidos do Senhor, Deus está no controle e nos protege: “Pois contra Jacó não vale encantamento, nem adivinhação contra Israel; agora, se poderá dizer de Jacó e de Israel: Que coisas tem feito Deus!” (Nm 24.23).

7º erro: Faz tropeçar o povo de Deus (Nm 25.1-5, 9; 31.16; Ap 2.4)

Parece que Balaque e Balaão não chegaram a um acordo sobre amaldiçoar o povo de Israel. O final do capítulo 24 de Números registra que cada um tomou o seu caminho e foi para a sua terra. Aparentemente o povo de Israel tinha sido poupado da maldição de Balaão. Entretanto, o pior ainda estava por vir. O capítulo 25 de Números traz o triste registro da armadilha maligna na qual o povo caiu. Balaão sabia que não tinha licença ou autorização divina para amaldiçoar Israel, mas sabia muito bem como retirar dele a blindagem da proteção divina. Aparentemente, antes de partir para sua terra, ele fez o trabalho sujo junto às mulheres moabitas: “Eis que estas, por conselho de Balaão, fizeram prevaricar os filhos de Israel contra o SENHOR, no caso de Peor, pelo que houve a praga entre a congregação do SENHOR.” (Nm 31.16). Os falsos líderes denunciados por Pedro e Judas sabem muito bem como “transformarem em libertinagem a graça de Deus”. “Tenho, todavia, contra ti algumas coisas, pois que tens aí os que sustentam a doutrina de Balaão, o qual ensinava a Balaque a armar ciladas diante dos filhos de Israel para comerem coisas sacrificadas aos ídolos e praticarem a prostituição.” (Ap 2.4). Aqui temos o ápice da sua malignidade: fazer tropeçar o povo de Deus. Todos os seus erros ou deformidades, citados anteriormente, desaguam nessa perversa e maligna estratégia de desconstruir a fé cristã.


Este é o segundo artigo baseado no versículo abaixo:

“Ai deles! Porque prosseguiram pelo caminho de Caim, e, movidos de ganância, se precipitaram no erro de Balaão, e pereceram na revolta de Coré. (Judas 11)

Veja, também, os seguintes artigos:

  • O caminho de Caim
  • A revolta de Coré
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