A cura de Enéias (At 9.32-35)

Introdução

A narrativa de Lucas, neste ponto, retorna à história da expansão do Evangelho, através da Judeia, pelo ministério de Pedro. Pedro foi mencionado pela última vez em Atos 8.25, quando, na companhia de João, voltou de Samaria a Jerusalém. Quando se desencadeou a “grande perseguição contra a igreja em Jerusalém” todos foram dispersos, exceto os apóstolos que permaneceram em Jerusalém. Agora, porém, somos informados que Pedro envolveu-se em um ministério itinerante através da Judéia, território que com tanto êxito fora evangelizado pelo diácono Filipe (At 8.40).

A cura de Enéias (At 9.32-35)

32   Passando Pedro por toda parte, desceu também aos santos que habitavam em Lida.

Não temos dúvida de que o ministério itinerante de Pedro incluía a confirmação e fortalecimento dos novos cristãos, uns oriundos de Jerusalém, que haviam sido dispersos por causa da perseguição, outros que receberam o Evangelho ali mesmo nas suas cidades. Lida, para onde Pedro se dirigiu, era uma cidade na Judeia, situada na estrada entre Jerusalém e Jope, esta última no litoral do Mar Mediterrâneo.

Pedro desceu intencionalmente até esta cidade com o fim de se encontrar com os “santos” que ali habitavam. “Santos” é um termo comum nos escritos de Paulo, em referência aos crentes. Paulo dirigiu certo número de epístolas aos “santos” em Cristo, fazendo alusão aos crentes coletivamente (Rm 1.7; 15.25; 1Co 1.2; 6.1, 2; 2Co 1.1; Ef 1.1 e Fl 1.1). No Livro de Atos, esse vocábulo é usado exclusivamente neste nono capítulo, nos versículos 13, 32 e 41, como também na passagem paralela de Atos 26.10. Os crentes ligados ao Santo e Justo (At 3.14), separados para Deus e batizados em um só Espírito, são santos (1Pe 2.9).  

33  Encontrou ali certo homem, chamado Enéias, que havia oito anos jazia de cama, pois era paralítico.

Nada sabemos com respeito a esse homem, Enéias, exceto aquilo que é dito aqui: um paralítico, há oito anos atrelado a uma cama.

34  Disse-lhe Pedro: Enéias, Jesus Cristo te cura! Levanta-te e arruma o teu leito. Ele, imediatamente, se levantou.

Pode-se comparar essa narrativa a um episódio similar, da cura de um paralítico, pelas mãos do Senhor Jesus, conforme Lucas 5.18-26. Apesar da instrumentalidade de Pedro, o poder do Senhor Jesus transparece por detrás dessa cura “Jesus Cristo te cura”. Assim se manifestava a realidade da vida ressurreta de Jesus, bem como a continuação de seu poder entre os homens, por intermédio do seu Espírito.

Durante oito anos, Enéias, o paralítico, tivera de depender da ajuda prestada por outras pessoas, a fim de arrumar o seu leito e fazer outras coisas corriqueiras, próprias da vida diária, que até mesmo uma criança poderia fazer sozinha. Mas agora, uma vez libertado de sua enfermidade, podia cuidar de si mesmo. Quão belo é contemplar alguém, que até bem pouco estava aprisionado por alguma algema física, que tanto o maltratava, inteiramente liberto e curado.

Os milagres efetuados pelo Senhor Jesus eram numerosos e sempre humanitários. Embora o Senhor também houvesse feito curas para dar certas lições objetivas, sem dúvida alguma também curou simplesmente porque desejava ver as pessoas livres de suas enfermidades, simplesmente porque sentia compaixão por elas. Ora, sendo Cristo o Salvador do mundo, desejava curar-nos de toda a enfermidade, sobretudo da enfermidade da alma, que se traduz numa palavra – o pecado – a fim de que nossas almas possam ser libertadas de suas corrupções e enfermidades, sendo totalmente restauradas a Deus. Em todos os sentidos, pois, Cristo foi o Grande Médico, e o mundo inteiro estava e continua necessitando de seus serviços.

35  Viram-no todos os habitantes de Lida e Sarona, os quais se converteram ao Senhor.

Nada pode substituir a fé, mesmo porque as verdades bíblicas devem ser aceitas pela fé. É o que Pedro diz em 1Pedro 1.8 “a quem, não havendo visto, amais; no qual, não vendo agora, mas crendo, exultais com alegria indizível e cheia de glória,”. Jesus confirma o valor da fé quando diz a Tomé: “Disse-lhe Jesus: Porque me viste, creste? Bem-aventurados os que não viram e creram.” (Jo 20.29). Entretanto, as evidências do poder de Deus não são para substituir a fé, pelo contrário, servem como sinal para os incrédulos, e de conforto para os salvos. No Livro de Atos, o binômio “sinais x pregação” serviam de testemunho convincente para a conversão de muitas almas. Foi o que aconteceu ali em Lida e se estendeu a Sarona (ou Sarom). Sarona era uma planície que se estendia por cerca de 80 km ao longo da costa marítima, de Jope a Cesaréia e 14 a 16 km de largura. O próprio nome, Sarona, significa “planície”, em aramaico e hebraico. Trata-se de uma das maiores e mais férteis planícies da Palestina (Is 33.9 e 65.10)

Autor: Paulo Raposo Correia

Um servo de Deus empenhado em fazer a sua vontade.

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