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Igreja e Política – Pronunciar-se ou Silenciar-se?

O assunto CRISTÃO ou IGREJA e POLÍTICA é muito amplo e requer abordagens sérias e elucidativas. A relação do Cristão com o Estado é diferente da relação da Igreja com o Estado. Sendo o Estado laico não há que se pensar em interferência direta da instituição Igreja na Instituição Estado. O inverso também não é aceito. Sendo o Cristão um cidadão da pátria deve praticar uma cidadania responsável, exercendo os seus direitos constitucionais e legais, expressando-se de forma respeitosa, dentro dos limites da lei, com base em fatos e dados verdadeiros, participando diretamente (ou não) das instituições públicas e da política, também cuidando de cumprir os seus deveres; mas sempre fazendo a diferença, dando um bom testemunho da sua ética cristã.

E a instituição Igreja? Qual deveria ser o seu papel na política, em relação a atuação do Estado? Deve pronunciar-se ou silenciar-se? Deve cuidar apenas do que diz respeito à ortodoxia e à ortopraxia, nos limites da sua membresia ou no campo da religião, ou avançar na direção do ambiente sócio-político? Como deve ser a relação entre Igreja e Estado, Fé e Política?

1. O que é política?

Antes de tudo torna-se necessário purgar e desmistificar o termo “política”. A estreita associação deste termo a vários políticos desqualificados ou a certos partidos políticos abjetos, contaminou-o de tal forma que passou a ser visto por muitos com algo repulsivo e repugnante.

O termo política pode ter vários significados diferentes, mas tem um significado principal. “O termo política é derivado do grego antigo πολιτεία (politeía), que indicava todos os procedimentos relativos à Pólis, ou cidade-Estado grega. Por extensão, poderia significar tanto cidade-Estado quanto sociedade, comunidade, coletividade e outras definições referentes à vida urbana.”[1] Está intimamente ligado ao ato de governar, de tomar decisões em nível federal, estadual e municipal, para o bem comum de todos os cidadãos. O termo também pode ser estendido ao governo ou gestão de qualquer instituição ou organização ou empresa pública ou privada, que também devem visar o bem comum. Portanto, governantes e gestores precisam sempre ter em vista o atendimento dos interesses legítimos dos cidadãos, dos servidores, dos empregados. O termo também pode ser aplicado aos relacionamentos entre as pessoas, quando buscam um consenso ou objetivo em comum, atendendo assim os interesses das partes. Política é a arte do possível! A política se faz presente em todo o tempo e em todas as fases da nossa vida. Quando argumentamos, quando defendemos uma ideia, quando tentamos convencer alguém, estamos fazendo política. Vejam que o foco da política são as ações ou tomada de decisões para o bem comum. Neste sentido, até a investida num pedido de namoro ou de casamento podem ser considerados no conceito de política.

Retornando à questão do governo das cidades, se está em foco o bem comum dos cidadãos, torna-se necessário e é natural que este cidadão se faça representar no governo, o que ocorre num regime democrático através do voto do cidadão civilmente capaz.

“Política Eclesiástica” é uma expressão que as vezes pode ter um sentido pejorativo. Certamente será considerada de forma positiva quando buscar o convencimento, o senso comum, na tomada de decisões para o bem comum e que estejam totalmente alinhadas e alicerçadas na palavra de Deus, nossa regra infalível de fé e prática. Por outro lado, poderá ser um desastre na vida da igreja quando envolver interesses e caprichos pessoais e escusos, negociação de cargos em troca de benefícios, projeção humana em detrimento da glória de Deus, o bem de algum grupo de afinidade e não o bem comum,  a violação de princípios e valores bíblico-cristãos.

2. A trajetória do poder político na história.

A luta pelo poder político, os meios para se chegar ao poder e impor sua vontade e dominar comunidades tem sido uma prática constante desde o início da história. Várias são as formas que têm sido empregadas para se fazer política. A história humana começou com uma família. Então, ali prevalecia o poder político patriarcal familiar. As famílias se multiplicaram e constituíram tribos. Em cada tribo o poder político era exercido pelo líder e/ou o conselho tribal. Com o crescimento populacional, os povos primitivos, as sociedades humanas, as civilizadas, as bárbaras e as selvagens, foram se organizando, cada qual com seu poder político estabelecido ainda que rudimentar. Desde então, várias formas de governo têm sido praticadas no mundo.

Vale lembrar que o objetivo desse poder político é manter a ordem por meio de leis e regras, garantir a unidade e integridade combatendo levantes internos e a defesa contra invasões externas, e promover o desenvolvimento e bem-estar da sociedade.

Esse poder político tem sido exercido ao longo da história por líderes-ditadores (reis, imperadores etc.), às vezes assessorados por conselheiros próximos. Nesses casos o entendimento do tal “bem comum” é definido unilateralmente pelos tais governantes, sem a participação popular.  O povo de Israel inicialmente estava sob a liderança de um governo teocrático. Deus estabelecia o líder visível e governava através deste, orientando-o diretamente. Permaneceu assim até que o povo clamou por um rei e Deus o atendeu, estabelecendo a monarquia, sendo Saul o primeiro rei.

Os historiadores nos dão conta de que por volta do século V ou VI a.C. surgiu em Atenas, na Grécia Antiga, o regime de governo denominado de “democracia” ou “governo do povo” (demos=povo + kracia=poder). “Democracia é um regime político em que todos os cidadãos elegíveis participam igualmente — diretamente ou através de representantes eleitos — na proposta, no desenvolvimento e na criação de leis, exercendo o poder da governação através do sufrágio universal. Ela abrange as condições sociais, econômicas e culturais que permitem o exercício livre e igual da autodeterminação política.”[2]. Ainda que outras formas de governo coexistam no mundo, a sociedade moderna parece convergir no sentido de admitir que a democracia não é um sistema de governo perfeito, mas é o menos ruim. “O sistema democrático contrasta com outras formas de governo em que o poder é detido por uma pessoa — como em uma monarquia absoluta — ou em que o poder é mantido por um pequeno número de indivíduos — como em uma oligarquia. No entanto, essas oposições, herdadas da filosofia grega, são agora ambíguas porque os governos contemporâneos têm misturado elementos democráticos, oligárquicos e monárquicos em seus sistemas políticos. Karl Popper definiu a democracia em contraste com ditadura ou tirania, privilegiando, assim, oportunidades para as pessoas de controlar seus líderes e de tirá-los do cargo sem a necessidade de uma revolução.”[3]

Tudo o que tem sido exposto até aqui é apenas um verniz histórico e conceitual que cobre esse complexo tema do poder político para enfatizar as forças que atuam e exercem influência na sociedade e sobre os cidadãos, dentre eles os cristãos. Precisamos conhecer essas forças, bem como o regime ao qual os cidadãos e a igreja estão sujeitos, bem como nossos limites para ação ou manifestação cidadã ou institucional.

3. O papel da igreja frente ao Estado.

O poder político não é a única forma de poder e de autoridade existente na sociedade. Há, também, autoridade religiosa, familiar, econômica, dentre outras. Diversas são as associações que os cidadãos firmam, porém queremos destacar aqui, além da instituição Estado, a instituição Família e a instituição Igreja (ou religiosa). O Estado exerce o poder político sobre todas as áreas, instituições e pessoas, através dos poderes constituídos – Executivo, Legislativo e Judiciário. Entretanto, deve haver limites na interferência do Estado sobre a Família e a Igreja. A recíproca também é verdadeira.

A grande questão que se coloca e que tem sido motivo de muita polêmica é o potencial de influência efetiva de cada uma dessas três instituições basilares sobre o cidadão! Estados totalitários, como os comunistas, farão de tudo para anular o poder de influência da família e da igreja sobre os cidadãos. Ideologias autodenominadas como “progressistas” farão de tudo para desconstruir as instituições família e igreja e, assim, anularem essas possibilidades de influência. Eles querem dominar as mentes dos cidadãos e sabem muito bem do obstáculo que igreja e família representam. Quando um governo se levanta com uma bandeira em prol da defesa da igreja e da família, de valores judaico-cristãos, sem dúvida provocará a reação de todas as forças alinhadas com as trevas e o inferno.

É fato inquestionável que desde o início dos tempos, no Éden, encontramos o propósito de Deus de inculcar na mente humana a sua “política existencial”, para o bem comum. Por outro lado, desde então encontramos, também, Satanás propagando a sua “política existencial” nefasta e destruidora, visando o afastamento da criatura do seu Criador. As formas e os meios utilizados para esses dois propósitos opostos variarão, mas prevalecerão até o final dos tempos.

Outro aspecto extremamente relevante nesses tempos de pós-modernidade é o “poder político” exercido pelos blocos econômicos e pelos veículos de comunicação de massa. Estes poderes são capazes de ultrapassar qualquer limite territorial, cultural, ético, moral, linguístico etc., e financiar ou propagar ideias, ideologias, usos e costumes que atendam seus interesses e moldem a mente dos cidadãos de qualquer nação. Daí a importância de um  Estado independente e honesto que atue eficazmente na regulação da ação das instituições, inibindo investidas que atentem contra os valores basilares da sociedade, preservando o bem comum.

Portanto, diante de tantos desafios e ameaças ao propósito divino para a humanidade, entendemos que a igreja, como instituição, deveria considerar seriamente os seguintes aspectos, dentre outros contemplados no documento do Supremo Concílio da IPB e transcrito no artigo “Igreja e Política – Mídia Tendenciosa” publicado neste blog em 11/02/2020:

a) Não se alienar dos acontecimentos e fatos que afetam a sociedade e os cidadãos, fechando-se e limitando-se aos aspectos teológicos e religiosos.

b) Sendo o Brasil um Estado laico, manter-se independente e distante do Estado e dos Partidos Políticos, jamais buscando aproximação que lhe renda benécias e vantagens, principalmente as financeiras ilícitas ou não convenientes.

c) Manifestar seu apoio àquelas iniciativas governamentais – propostas, pautas, bandeiras ou agendas – que estejam claramente definidas e alinhadas como os ensinos da bíblia e nossa herança judaico-cristã-reformada.

d) Pronunciar-se nos púlpitos e publicamente como voz profética, de forma lúcida, coerente e respeitosa, em tempo oportuno, quanto àquelas grandes questões que violem nossa herança judaico-cristã-reformada, contrariando princípios e valores de ética, da moral, da justiça, da liberdade, da igualdade, da dignidade humana e da fraternidade.  

Que assim Deus no ajude, iluminando nossas lideranças eclesiásticas a não se omitirem naquilo que precisa ser dito, e nem a extrapolarem se pronunciando em assuntos e áreas que não são de sua competência. Afinal, fomos chamados pelo nosso Mestre para sermos Sal da Terra e Luz do Mundo!


[1] Wikipédia
[2] Wikipédia
[3] Wikipédia

…………………………………………….

Veja também:
Igreja e Política – Mídia Tendenciosa

Outros temas a serem desenvolvidos:
Cristão e Política – Pronunciar-se ou silenciar-se?
Cristão e Política – Participação ou distanciamento?
Cristão e Comunismo – Como conciliar?

Família e Igreja


Relação entre a família humana e a família da fé

“Portanto, vós orareis assim: Pai nosso, que estás nos céus,….” (Mt 6.9)

“Assim, já não sois estrangeiros e peregrinos, mas concidadãos dos santos, e sois da família de Deus,” (Ef 2.19)

“Por isso, enquanto tivermos oportunidade, façamos o bem a todos, mas principalmente aos da família da fé.” (Gl 6.10)

Introdução          

Família é algo tão singular que se manifesta originalmente, de forma misteriosa, na Trindade; se reproduz na esfera dos seres humanos; e, também se expressa, de forma mística, na instituição Igreja: “Por esta causa, me ponho de joelhos diante do Pai, de quem toma o nome toda família, tanto no céu como sobre a terra,” (Ef 3.14-15).

No sentido humano, não é qualquer agrupamento de pessoas que caracteriza uma família tradicional ou consanguínea, nos moldes instituídos por Deus. Ela começa com uma união (casamento, aliança) heterossexual, pois sem o concurso de um homem e de uma mulher, como se daria a reprodução e consequente preservação da espécie humana?

A própria Constituição Federal, no seu Artigo 226, estabelece a família como base da sociedade:

“§3º Para efeito da proteção do Estado, é reconhecida a união estável entre o homem e a mulher como entidade familiar, devendo a lei facilitar sua conversão em casamento. §4º Entende-se, também, como entidade familiar a comunidade formada por qualquer dos pais e seus descendentes.”

A confissão de Fé de Westminster estabelece (Cap. XXIV):

“I. O casamento deve ser entre um homem e uma mulher; ao homem não é licito ter mais de uma mulher nem à mulher mais de um marido, ao mesmo tempo. (Ref. Gen. 2:24; Mat. 19:4-6; Rom. 7:3).  II. O matrimônio foi ordenado para o mútuo auxílio de marido e mulher, para a propagação da raça humana por uma sucessão legítima e da Igreja por uma semente santa, e para impedir a impureza. (Ref. Gen. 2:18, e 9:1; Mal.2:15; I Cor. 7:2,9).”

É no convívio familiar do lar que se realiza a primeira socialização do ser humano. Além da família desfrutar do abrigo físico da casa, é no exercício dos seus papéis que os pais providenciam o suprimento das necessidades de todos os seus membros, provendo, ainda, para os filhos, proteção e educação para a vida, por meio da transmissão de valores éticos, morais e espirituais: “Ponde, pois, estas minhas palavras no vosso coração e na vossa alma; atai-as por sinal na vossa mão, para que estejam por frontal entre os olhos. Ensinai-as a vossos filhos, falando delas assentados em vossa casa, e andando pelo caminho, e deitando-vos, e levantando-vos.” (Dt 11.18-19). Essa é a tarefa primeira e indelegável dos pais ou responsáveis. É certo que a igreja pode e deve contribuir na formação espiritual dos membros da família, bem como as instituições escolares na sua formação geral e profissional para a carreira.

A Trindade Santa nos provê o modelo e referência de pessoas relacionadas, não isoladas, que mantém comunhão e harmonia. Na oração do “Pai Nosso” Jesus estende o conceito de família, ampliando os seus limites, quando nos ensina que há um Pai Celestial comum e todos somos irmãos (Mt 6.9; 23.8). Em outra ocasião ele acrescenta: “Porque qualquer que fizer a vontade de meu Pai celeste, esse é meu irmão, irmã e mãe.” (Mt 12.50). Nesta mesma linha, o apóstolo Paulo denomina a igreja como a “família da fé” (Gl 6.10) ou “família de Deus” (Ef 2.19).

Desenvolvimento              

Neste estudo, desenvolveremos o tema proposto, identificando e explicitando o que há de comum, ou a relação entre família humana e família da fé – a igreja. Vejamos, então, alguns desses elementos comuns:

1. Constituição (Formação)

Em se tratando de constituição ou formação, família e igreja tem muitos elementos comuns, sendo que mencionaremos apenas alguns:

1.1 Origem divina

A família origina-se na vontade soberana de Deus que percebeu que não era bom para o homem viver só (Gn 2.18; Mt 19.4). A igreja, também, origina-se na vontade soberana de Deus que se dispõe a entrar em aliança com o homem (2Co 5.19).

1.2 Separação efetiva

Tanto para a família quanto para a igreja se requer separação e renúncia. No caso da família é preciso cortar o “cordão umbilical” que nos liga à “placenta familiar”, para permitir a formação de uma nova “placenta familiar”. “Por isso, deixa o homem pai e mãe e se une à sua mulher, tornando-se os dois uma só carne.” (Gn 2.24). Igreja é ECCLESIA (lat.) ou EKKLESIA (gr.). “EK”, que significa “movimento para fora” e “KLESIA”, do verbo KALEO (gr.), chamar. Logo, “ekklesia” é a assembleia dos “chamados para fora” do sistema mundano que aí está, para viverem como filhos de Deus, na casa do Pai Celeste (Mt 10.37; 16.24).

1.3 União com exclusividade

A nova família se consuma na união do casal, pelo casamento: “Por isso, deixa o homem pai e mãe e se une à sua mulher, tornando-se os dois uma só carne.” (Gn 2.24); “De modo que já não são mais dois, porém uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem.” (Mt 19.6). Tendo Cristo por cabeça, a igreja constitui-se um só corpo: “Há somente um corpo e um Espírito, como também fostes chamados numa só esperança da vossa vocação; há um só Senhor, uma só fé, um só batismo; um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, age por meio de todos e está em todos.” (Ef 4.4-6). A amizade do mundo constitui-se uma quebra dessa união com exclusividade e, consequentemente, provoca a inimizade de Deus (Tg 4.4).

1.4 Declarações e Promessas

Uma nova família se inicia com declarações e promessas feitas entre os cônjuges. Na cerimônia de casamento são feitas declarações de amor e promessas de companheirismo, apoio e cuidado: “– Prometes amá-la(lo), honrá-la(lo), consolá-la(lo) e cuidar dela(e), tanto na saúde como na enfermidade, na prosperidade e na escassez, e te conservares exclusivamente para ela(e)?”; “– SIM PROMETO!” Isso demanda fé e confiança de que a outra parte honrará as promessas feitas.

Em se tratando da igreja, há expressas manifestações de amor e promessas preciosas da parte de Deus que abrangem o tempo presente e o porvir. “Tornou Jesus: Em verdade vos digo que ninguém há que tenha deixado casa, ou irmãos, ou irmãs, ou mãe, ou pai, ou filhos, ou campos por amor de mim e por amor do evangelho, que não receba, já no presente, o cêntuplo de casas, irmãos, irmãs, mães, filhos e campos, com perseguições; e, no mundo por vir, a vida eterna.” (Mc 10.29-30); “..Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que o amam.”  (1Co 2.9). Ainda que possamos falhar, ele permanecerá fiel ao que prometeu e disposto a nos restaurar, se arrependidos, confessarmos os nossos pecados: “se somos infiéis, ele permanece fiel, pois de maneira nenhuma pode negar-se a si mesmo.” (2Tm 2.13).

1.5 Mudança de vida

Com o casamento e a formação de uma nova família muita coisa tem que mudar na vida dos cônjuges:

a) Nova identidade: além da mudança do estado civil dos cônjuges, normalmente, a nova família passa a ser identificada por um sobrenome comum.

b) Nova agenda: os cônjuges deixam de lado a “vida de solteiro” para dedicarem-se prioritariamente, um ao outro e à família. A declaração de Rute à sua sogra exemplifica bem o tipo de compromisso que deve haver entre marido e esposa no casamento (Rt 1.16-17).

c) Novo compromisso: o compromisso de caminhar juntos, em plena comunhão, sem segredos entre si, provendo o sustento e bem-estar um do outro, dedicando-se totalmente a fazer o outro feliz.

d) Novo sinal externo: o anel (aliança) no dedo anelar esquerdo torna visível, para memória dos pactuantes e para a sociedade, o compromisso assumido: “– Com este anel eu selo a minha aliança contigo, unindo a ti meu coração e minha vida, e te faço participante de todos os meus bens.”

Ao nos tornarmos seguidores de Cristo e membros da sua igreja, muita coisa tem que mudar em nosso estilo de vida:

a) Nova identidade: passamos a ser identificados com um nome comum, derivado do nome daquele a quem seguimos: cristão (At 11.26)

b) Nova agenda: que consiste em buscar, em primeiro lugar, o reino de Deus e a sua justiça (Mt 6.33), deixando para trás a “vida antiga” (2Co 5.17), para nos dedicarmos, prioritariamente, a Deus, à família sanguínea e à igreja, na sua missão.

c) Novo compromisso: o compromisso de caminharmos juntos, em plena comunhão com os irmãos na fé, provendo o sustento da igreja, dedicando-nos totalmente a fazer a vontade de Deus.

d) Novo sinal externo: A pública profissão de fé e o batismo são sinais externos iniciais de uma fé interna. Entretanto, o sinal externo permanente e relevante é o testemunho cristão, para os de dentro e os de fora da igreja. O exemplo de Jesus: “contudo, assim procedo para que o mundo saiba que eu amo o Pai e que faço como o Pai me ordenou.” (Jo 14.31a)

1.6 Celebração da Comunhão

Não há momento mais íntimo do que aquele da família reunida à mesa para a sua refeição cotidiana, trocando olhares e compartilhando suas vivências. No início da igreja os cristãos se reuniam para celebrar a comunhão com a festa do amor (ágape), juntamente com a Ceia do Senhor. Esse segundo rito observado pela igreja – A Ceia do Senhor – será sempre um momento de celebração da Nova Aliança, em memória do Senhor e da sua redenção no Calvário, até que ele volte, e de celebração da comunhão da família da fé.

1.7 Duração

Todo pacto ou aliança estabelece não só os benefícios decorrentes de seu cumprimento, como também as consequências negativas para a parte que não se mantiver fiel. O casamento que dá origem à família é para toda a vida – “Até que a morte os separe”: “Ora, aos casados, ordeno, não eu, mas o Senhor, que a mulher não se separe do marido (se, porém, ela vier a separar-se, que não se case ou que se reconcilie com seu marido); e que o marido não se aparte de sua mulher.” (1Co 7.10-11). Os membros da família e a sociedade têm colhido frutos amargos devido à quebra da aliança conjugal e consequente desestruturação familiar. A igreja está inserida num pacto ou aliança de Deus com seus remidos de duração eterna: “Ora, o Deus da paz, que tornou a trazer dentre os mortos a Jesus, nosso Senhor, o grande Pastor das ovelhas, pelo sangue da eterna aliança, vos aperfeiçoe em todo o bem, para cumprirdes a sua vontade, operando em vós o que é agradável diante dele, por Jesus Cristo, a quem seja a glória para todo o sempre. Amém!” (Hb 13.20-21).

Vale lembrar que a família consanguínea está limitada e restrita a este mundo terreno e transitório: “Porque, na ressurreição, nem casam, nem se dão em casamento; são, porém, como os anjos no céu.” (Mt 22.30). Já a família da fé, a igreja militante, transpõe essa dimensão terrena e se transforma na igreja triunfante, no outro lado da eternidade.

2. Reprodução (Crescimento)

“E Deus os abençoou e lhes disse: Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todo animal que rasteja pela terra.” (Gn 1.28)

Sem reprodução a família humana se extingue na face da terra. Então, pode-se afirmar que esta é a missão primeira e básica da família. É fato que, por uma questão biológica de infertilidade e de esterilidade, nem todo casal consegue cumprir essa missão familiar. Obviamente, há outras razões e motivações que levam um casal a não gerar filhos; não cabe aqui apresentá-las ou discuti-las.

“Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo;” (Mt 28.19)

Sem reprodução espiritual, sem novos discípulos, a igreja se extingue na face da terra. Então, por analogia, pode-se afirmar que esta é a missão primeira e básica da igreja. É o que se denomina de Evangelismo e Missões. É fato que, por razões diversas, tais como – apostasia, conformismo com o mundo, pecado encoberto, falta de compromisso e empenho com sua missão – uma igreja não cresce ou não cresce, quantitativamente, como deveria.

3. Organização (Funcionamento)

Para uma família funcionar bem, há que ter governança e seus membros precisam desempenhar seus respectivos papéis. A bíblia não se omite e fornece muitos ensinamentos sobre o assunto. O Pr. Ariovaldo Ramos desdobra esses papéis pelos três princípios ou elementos basilares da família: Paternidade, Maternidade e “Filidade”, a saber:

PATERNIDADE (Pai): Provisão, Proteção e Direção.
MATERNIDADE (Mãe): Inspiração, Acolhimento, Consolo e Nutrição.
FILIDADE (Filho): Alinhamento, Obediência e Continuidade.

A sociedade secular pode até ter outra visão sobre o papel do homem e da mulher na liderança da família, o que não é de se estranhar porque ela não está alinhada com os padrões divinos expressos na bíblia: “porque o marido é o cabeça da mulher, como também Cristo é o cabeça da igreja, sendo este mesmo o salvador do corpo.” (Ef 5.23). Não importa que pensem que esse princípio bíblico seja machista, retrógrado e ultrapassado.

A paternidade na Família Igreja emerge, espiritualmente, de Deus-Pai; e flui, efetivamente, através dos seus líderes. Essa liderança visível da Igreja foi instituída por Deus para exercer as funções de provisão, proteção e direção; através de homens segundo o coração de Deus que, naturalmente, precisam contar com o auxílio indispensável das mulheres.

A maternidade na Família Igreja emerge, espiritualmente, de Deus-Espírito Santo; e flui, efetivamente, através do mesmo Espírito, derramado sobre todos os remidos do Senhor, pertencentes à Nova Aliança. Portanto, o Espírito Santo e a Palavra de Deus, além da regeneração e crescimento, produzem inspiração, acolhimento, consolo e nutrição.

A “filidade” na Família Igreja emerge, espiritualmente, através de Deus-Filho; e flui, efetivamente, pelos filhos de Deus, membros do corpo de Cristo. Jesus é o nosso exemplo e modelo de “filidade”, isto é, de alinhamento com o propósito e a vontade do Pai, obediência aos valores do Pai e continuidade da missão (1Pe 2.21).

4. Preservação (Sobrevivência)

Por último, vale lembrar que é tarefa dos pais cuidar e zelar, por eles mesmos e pelos filhos, no que diz respeito ao sustento e desenvolvimento intelectual, social e espiritual. Nesse estilo de vida pós-moderno, homem e mulher, precisam ser mais do que pais provedores. Quer pela necessidade de buscar recursos financeiros, quer pelo glamour de uma carreira tentadora, eles podem sonegar o precioso tempo e dedicação, tão necessários ao investimento na família, de modo a preservá-la. Esse estar junto, cuidando e zelando, inclui também o estabelecer limites e exercer a disciplina preventiva e corretiva.

“ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século.” (Mt 28.20)

Assim como na família dinheiro não é tudo e não há a figura de cliente ou expectador, na igreja, o que se espera é o compromisso e participação de todos. O sacerdócio universal dos crentes não pode ser apenas retórica, um discurso vazio e utópico. A liderança da igreja jamais dará conta sozinha de tudo o que precisa ser feito e não pode descuidar da disciplina preventiva e corretiva (1Co 11.32). Somos um organismo vivo, constituído por muitos membros, sendo cada um chamado a desempenhar a sua função. É o Espírito Santo quem capacita a cada um, mas cabe à liderança espiritual da igreja ser instrumento facilitador para que toda essa engrenagem funcione bem (Ef 4.15-16). E, assim, cada um desempenhando o seu papel, como crente-servo e não como crente-cliente, estaremos contribuindo para a preservação e crescimento da igreja, sustentados, sobretudo, pelo Senhor da Igreja, “até à consumação do século”.

Conclusão:

Que Deus nos ajude a compreender essas semelhanças entre família e igreja, duas instituições que nasceram no coração de Deus. Que, entendendo o papel de cada parte, possamos ser bênção e receber as bênçãos, ao participar de ambas.

 

As três faces de um Ministério Espiritual

“Partiu, pois, Elias dali e achou a Eliseu, filho de Safate, que andava lavrando com doze juntas de bois adiante dele; ele estava com a duodécima. Elias passou por ele e lançou o seu manto sobre ele. Então, deixou este os bois, correu após Elias e disse: Deixa-me beijar a meu pai e a minha mãe e, então, te seguirei. Elias respondeu-lhe: Vai e volta; pois já sabes o que fiz contigo. Voltou Eliseu de seguir a Elias, tomou a junta de bois, e os imolou, e, com os aparelhos dos bois, cozeu as carnes, e as deu ao povo, e comeram. Então, se dispôs, e seguiu a Elias, e o servia.” (1Rs 19.19-21)

 

Introdução

Deus é o Senhor da História e ele a escreve usando pessoas. Quando homens e mulheres estão a serviço de Deus, estão participando de um ministério espiritual que é uma ocupação “sobremodo excelente”. Há pelo menos três faces em um MINISTÉRIO ESPIRITUAL:

 

1. MINISTÉRIO e CHAMADO (v.19)

Analisando a narrativa bíblica contida tanto no Antigo como no Novo Testamentos, chega-se à conclusão que há basicamente três categorias de chamado de Deus aos indivíduos da raça humana. É claro que se trata de uma visão simplista da relação entre o Criador e a criatura humana. Sendo derivada de uma lógica humana não passa de uma tentativa de limitar o ilimitável – o “modus operandi” de Deus – com o fim didático de entender o que é divino, portanto insondável.

Seja qual for a categoria de chamado é evidente que há um propósito específico da parte de Deus em cada um deles. Além disso, constatamos que é desta forma que Deus administra a história, reconduzindo-a vez por outra aos trilhos da sua vontade.

1°) Chamado geral (testemunho)

Nesta categoria o chamado de Deus é dirigido a todos os crentes em Cristo tendo em vista, por exemplo, a evangelização de todos os povos, tribos, línguas e nações (Ide…- Mt 28.19). Se você não sabe expor o plano de salvação, pelo menos use o evangelismo “à la Filipe”: “vem e vê” (Jo 1.45-46).

2°) Chamado individual (dons e serviços)

Neste segundo caso, o chamado de Deus é dirigido a uma pessoa específica, visando a realização de pequenos objetivos, embora necessários e importantes. Ao chamar, Deus mesmo capacita através do seu Espírito.

Num passado mais distante ele chamou pessoas para desempenharem o papel de sacerdote, juiz, rei, etc.  Até mesmo alguns artífices foram chamados e capacitados para atuarem na construção do Tabernáculo, como Bezalel e Aoliabe (Ex 31.1-11).

O Apóstolo Paulo referindo-se aos dons espirituais e seu uso na igreja (1Co 12-14) diz que Deus estabeleceu na igreja apóstolos, profetas, mestres, operadores de milagres etc. Esclarece que os dons são diversos, há diversidade de serviços e há diversidade nas realizações (1Co 12.4-6); “mas um só e o mesmo Espírito realiza todas estas coisas, distribuindo-as, como lhe apraz, a cada um, individualmente (1Co 12.11).

Isso significa que cada cristão, como membro do corpo de Cristo, é capacitado espiritualmente para realizar um serviço específico, de acordo com a livre e soberana vontade de Deus e, “visando a um fim proveitoso” (1Co 12.7).

Portanto, é nessa categoria que se enquadram os chamados para os ofícios de presbítero e diácono.

3°) Chamado especial (missão)

É semelhante ao anterior porquanto também é um chamado individual. Entretanto, pela magnitude e alcance dos seus propósitos, fica-lhe melhor a classificação de “especial”. Destaca-se pela intensidade da intervenção divina na história humana através de pessoas especialmente escolhidas.

No contexto da história bíblica podem ser facilmente identificados três períodos de grande intervenção divina. Cada um destes períodos durou menos de um século e foi marcado por milagres, que são acontecimentos que não têm uma explicação natural. São eles:

– Quando da formação da nação de Israel, sob Moisés e Josué;

– Quando o culto a Baal ameaçava destruir toda a adoração a Deus, sob Elias e Eliseu;

– Quando do estabelecimento da igreja, sob Cristo e os apóstolos (predominantemente).

Considerando os principais milagres registrados na Bíblia chegamos à seguinte estatística:

PESSOAS MILAGRES REGISTRADOS Século Percentual
Moisés e Josué 31 XV a.C.
Elias e Eliseu (9+12)      21 IX  a.C.
Jesus Cristo

Apóstolos/outros

37

27

   I d.C. 90%
Diversas 13      – 10%
TOTAL 129      – 100%

S. Boyer – Pequena Enciclopédia Bíblica

No contexto da Reforma, quando a igreja oficial também ameaçava destruir o verdadeiro culto a Deus, aparecem em cena homens como: João Wyclif (1324-1384), Martinho Lutero (1483-1546), João Calvino (1509-1564) e João Knox (1515-1572).

Nos século 18 e 19, marcados por grandes avivamentos e expansão missionária destacam-se: Jônatas Edwards (1703-1758), João Wesley (1703-1791), Guilherme Carey (1761-1834), Carlos Finney (1792-1875), Jorge Müller (1805-1898), Davi Livingstone (1813-1873), Hudson Taylor (1832-1905); Carlos Spurgeon (1834-1892) e Dwight L. Moody (1837-1899).

Nas entrelinhas do versículo 19 há três aspectos relevantes sobre o chamado que devem ser considerados:

a) O chamado é um ato soberano de Deus

“..e achou a Eliseu, filho de Safate..”

Ou Deus chama diretamente a pessoa escolhida (Moisés – Ex 3.2) ou ele manda chamar, como neste caso (1Rs 19.16).

A Bíblia menciona o fato de pessoas serem separadas por Deus, para algum ministério especial, antes mesmo de nascerem (Sansão – Jz 13.5; Jeremias – Jr 1.5; João Batista – Lc 1.13-17; Paulo – Gl 1.15 ; etc).

Se a Deus pertence a escolha não cabe a nós questionar os seus critérios. Elias poderia ter argumentado: “Senhor, não há tantos discípulos na Escola de Profetas em Ramá (1Sm 19.20); ou na de Betel (2Rs 2.3); ou na de Jericó (2Rs 2.5); ou quem sabe na de Gilgal (2Rs 4.38)?  Por que escolhestes um lavrador?”.

Quem dentre nós, no lugar de Jesus, chamaria homens “iletrados e incultos” para serem seus discípulos e continuadores do Cristianismo?  Deus sabe o que faz. Pedro e João falaram com tanta intrepidez diante do Sinédrio em Jerusalém que aqueles inquiridores não só se admiraram como reconheceram terem eles estado com Jesus (At 4.13).

Em vez disso Elias entendeu que a nós basta obedecer a Deus, “achar”, reconhecer os escolhidos por Deus e encaminhá-los ao ministério (At 13.2).

b) O chamado é uma proposta de troca

“..andava lavrando com doze juntas de bois adiante dele; ele estava com a duodécima..”

Você já deve ter ouvido falar alguma vez que Deus não chama desocupados, ociosos ou preguiçosos. Eis aqui mais um caso que confirma esta regra. Deus chama gente ocupada e propõe que estes troquem suas atividades, parcial ou totalmente, por atividades “mais nobres” ou mais necessárias dentro da sua ótica. Aos irmãos pescadores – Pedro e André – Jesus propôs: “Vinde após mim, e eu vos farei Pescadores de homens” (Mt 4.19).

c) O chamado é confirmado pela outorga de Autoridade e Poder

“Elias passou por ele, e lançou o seu manto sobre ele”

O ato de “lançar o manto sobre” tinha o simbolismo de transferência de autoridade e poder, de um profeta que estava terminando a sua missão, para outro que já estava sendo escolhido para dar prosseguimento ao ministério profético.

Tal qual a vara de Arão (Ex 14.16; 17.5-6), o manto de Elias foi usado para a realização de tarefas humanamente impossíveis (Elias – 2Rs 2.8; Eliseu – 2Rs 2.14). De igual modo, os ungidos e equipados pelo Espírito Santo podem servir de canais através dos quais Deus realiza a sua vontade.

 

2. MINISTÉRIO E FAMÍLIA (v.20)

Seja qual for a categoria de chamado que você recebeu, esteja certo de que:

a) A família requer uma atenção adequada

“Deixa-me beijar a meu pai e a minha mãe, e então te seguirei”

A atitude de pedir permissão para despedir-se de sua família  demonstra submissão ao profeta de Deus e, ao mesmo tempo, responsabilidade e atenção para com os seus pais. Eliseu não desculpou-se como aquele “quase discípulo de Jesus” que primeiro queira “sepultar o seu pai” (Lc 9.59-60).

Tudo indica que Eliseu era um homem solteiro. Não acredito que a sua calvície tivesse algo a ver com isso (2Rs 2.23). O fato dele ser solteiro simplificava em muito a situação. Paulo diz que os não casados estão mais livres para cuidar “das coisas do Senhor” enquanto os casados estão divididos entre a família e o serviço cristão (1Co 7.32-33).

Como, sendo casado(a), conciliar família e ministério? Como distribuir adequadamente a energia e atenção com os diferentes papéis que você desempenha na sociedade, o que inclui a família?  Há uma tendência natural de aplicarmos mais energia naqueles papéis com maior retorno financeiro ou satisfação das necessidades de autoestima, ou ainda de autorrealização.

Seja qual for a importância que você, ou outros, dão ao seu ministério espiritual, este não anula a sua responsabilidade para com a família. Em contrapartida a família não tem o direito de absorver egoisticamente aquele(a) que foi chamado por Deus para abençoar muitas vidas.

É recomendável adotar-se a seguinte hierarquia de prioridades:

DEUS  =>  FAMÍLIA  =>  MINISTÉRIO

“Elias respondeu-lhe: Vai, e volta; pois já sabes o que fiz contigo”

É preciso dosar bem o ir e vir entre o ministério e a família!

 

3. MINISTÉRIO e MISSÃO (v.21)

Há profundas e significativas verdades nas atitudes de Eliseu após o seu chamado:

 a) O ministério requer comprometimento total

“Voltou Eliseu de seguir a Elias, tomou a junta de bois, e os imolou…”

Consciente de que havia recebido um chamado especial, de “tempo integral”, pela fé ele se entrega, se compromete, a ponto de desmontar a sua estrutura de trabalho anterior. Como lavrador, ele sabia muito bem o quanto é desastroso colocar as mãos no arado e olhar para trás (Lc 9.62).

O diaconato não é um ministério de tempo integral. Entretanto, como qualquer outro ministério requer um comprometimento total. Não basta participar, é preciso se comprometer!

b) O ministério requer visão do povo

“… e com os aparelhos dos bois cozeu as carnes, e as deu ao povo, e comeram”

Ele poderia ter feito um bom negócio com a sua junta de bois; em benefício próprio ou de sua família. Afinal, não era dele? Não é esta a regra mais antiga do mundo: Primeiro EU, minha FAMÍLIA, meus AMIGOS e depois os OUTROS?

Uma forma infalível de avaliação da sua maturidade cristã, ou seja, do quanto você já se aproximou da “Natureza de Cristo”, é medindo a sua liberalidade, a sua capacidade de dar e de doar-se a si mesmo. Ministério, antes de tudo, é doação de vida. Deus nos deu Jesus, o seu Filho Unigênito, que nos deu a salvação eterna e vida abundante, que deve fluir em todas as direções, sem discriminações.

Há duas palavras muito interessantes no grego, língua em que foi escrito o Novo Testamento: “doulos” e “diákonos”.

Doulos(gr), escravo, é a forma mais baixa de servidão. O escravo não tem vontade própria. Vive para cumprir a vontade do seu despótes (gr) (dono).

 Diákonos (gr), servo, implica serviço, de todas as formas. Diakonia (gr) diz respeito a distribuição de alimentos, socorro, enfim, assistência social. O nome, sem perder esta ideia, se tornou título de um dos oficiais das igrejas.

Essas duas posições, escravo e servo, nunca deram muito “ibope”. Se fossem incluídas no nosso vestibular unificado, dificilmente atrairiam algum candidato. Todos preferem as posições de Kúrios (Senhor), despótes (Dono), didáskalos (Mestre) etc.

Sabedor dessa preferência humana, Jesus, ao estabelecer o seu reino neste mundo, tratou de reformular o conceito de servir:

1°) Ele não pregou a eliminação de todas as posições hierárquicas estabelecidas pela sociedade (Jo 13.16).

2°) Ele estabeleceu um sistema de compensação entre líderes e liderados introduzindo um revolucionário conceito de grandeza: “..quem quiser tornar-se grande entre vós será esse o que vos sirva” (Jo 20.26). Ele quebra os paradigmas existentes onde os governantes dos povos os dominavam e exploravam (Jo 20.25) e estabelece as bases da verdadeira democracia.

Jesus não apenas ensinou mas vivenciou o papel de “doulos” (Fp 2.7) e “diákonos” (Mt 20.28) e, acrescentou: “Porque eu vos dei o exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também” (Jo 13.15).

O apóstolo dos gentios, Paulo, assimilou bem estes dois conceitos e usa-os a respeito de si, seu ministério e serviço cristão: “doulos” (de Jesus – Rm 1.1; dos irmãos – 2Co 4.5); e, “diákonos” (servo – 1Co 3.5; ministro – 2Co 3.6; 6.4; 11.23; Ef 3.7).

Os ministérios de Elias e Eliseu visaram prioritariamente o sofrido povo de Israel do Reino do Norte, “os domésticos da fé”, mas transpuseram barreiras raciais e abençoaram pessoas de outras nações, podendo ser considerados como precursores do ministério cristão (Lc 4.25-27).

  c) O ministério requer humildade e perseverança

“Então se dispôs e seguiu a Elias, e o servia”

Os serviços mais simples, repetitivos, raramente são percebidos quando funcionam bem. A dona de casa que o diga. Isso sempre foi assim e sempre o será. Quem serve na casa de Deus deve fazê-lo com satisfação e dedicação, não esperando qualquer tipo de reconhecimento. Deve-se ter o cuidado de fazer as coisas “como para o Senhor e não para os homens” (Cl 3.23).

Eliseu não via qualquer problema em ser um auxiliar de Elias, em executar tarefas tão simples como “deitar água sobre as mãos de Elias” (2Rs 3.11). Eliseu foi fiel no “pouco”, e depois da morte de Elias, foi colocado sobre o “muito”, pois Deus o usou de uma forma tremenda.

Já repararam que entre os oficiais diáconos há muitos que desempenham papel relevante no mundo dos negócios? Há funcionários graduados, gerentes, empresários etc. Entretanto, sem qualquer constrangimento, se empenham o máximo para servir bem aos irmãos e visitantes. Particularmente defendo aquela opinião de que na igreja de Cristo não deve haver distinção de pessoas por causa de títulos ou sobrenomes. Todos devem ser recebidos e tratados como membros de um mesmo corpo (1Co 12.27), ramos de uma mesma videira (Jo 15) e pedras de um mesmo edifício espiritual (1Co 3.9) – a igreja de Cristo.

A humildade e perseverança no servir são virtudes essenciais à eficácia de um ministério espiritual.

 

Conclusão

1. O chamado é:

– Um ato soberano de Deus.

– Uma proposta de troca.

– Confirmado pela outorga de Autoridade e Poder.

2. A família requer uma atenção adequada.

3. O ministério requer:

– Comprometimento total.

– Visão do povo.

– Humildade e Perseverança.

Que Deus nos ajude a entender e praticar esses princípios básicos.


Catedral Presbiteriana do Rio
16/07/1995 – Culto Vespertino (19h)
Aniversário da Junta Diaconal
Esboço da Mensagem pregada pelo então Diácono Paulo Raposo Correia

Os desafios do pastoreio na pós-modernidade

desafio-pastoreio

E-PUB GRATUITA.

CLIQUE NO LINK AO LADO PARA ABRIR O ARQUIVO: Desafios do pastoreio.pdf


Nota:

Este estudo serviu de base para a pregação do Presb. Paulo Raposo Correia, no Dia do Pastor.

11/12/2016 – Catedral Presbiteriana do Rio de Janeiro – Culto 10h 30min


Assista o vídeo da Pregação no Youtube:

Carta à Rede Globo

Carta Globo


Rio de Janeiro, 23 de novembro de 1985

À
Rede Globo de Televisão

Prezados Diretores

É de incontestável valor a contribuição prestada por essa conceituada emissora ao povo brasileiro.

As sociedades modernas não podem mais prescindir de informações sobre os fatos que interferem direta ou indiretamente em sua vida.

Sem sombra de dúvida o veículo de comunicação de massa de maior alcance e penetração, na atualidade, é a televisão. Se por um lado isto representa um aspecto facilitador da comunicação social, por outro lado impõe uma responsabilidade acentuada àqueles que preparam o conteúdo das comunicações que, por sua vez, devem se curvar aos interesses da sociedade e por ela serem vigiados.

Estamos vivendo os primeiros meses da tão propagada “Nova República”, nitidamente identificada com as propostas de mudanças há muito reclamadas pela sociedade. Surge então a grande dúvida: até que ponto esta e outras emissoras estão contribuindo para amenizar os problemas da nossa sociedade? Que tipo de participação terão para a construção de uma sociedade com personalidade definida, cientificamente evoluída, socialmente justa e humana, e culturalmente invejável?

Na atual fase de transição, é preciso que se façam colocações sérias acerca do “modus vivendis” da Nova República. Muitos confundem as mudanças propugnadas com a liberalização do comportamento, comprometendo assim a nossa já tão corrompida moralidade. Somos absolutamente intransigentes, quando indivíduos inescrupulosos, amantes da desgraça alheia e desejosos de lucro fácil, buscam aproveitar-se dos ventos democratizantes para transformar o nosso país em uma imensa terra de ninguém, onde a imoralidade seja o apa­nágio de todas as classes. De nada adiantarão todos os esforços para tornar o Brasil uma nação próspera, socialmente justa, se as bases forem carcomidas no que há de mais sagrado: os princípios éticos que devem reger o comportamento humano.

No tocante ao desempenho dessa conceituada emissora é com pesar que cumpro o dever de denunciar o crescente desrespeito aos valores éticos de nossa sociedade, principalmente a instituição do casamento e a família.

Temos percebido, num estado quase que de pânico, a liberalização moral, quer na novela ROQUE SANTEIRO, onde predominam os casais ilegais e a infidelidade conjugal, sepultando definitivamente a instituição do casamento; quer em comerciais que vêm explorando o nudismo feminino (JEANS CALVIN KLEIN, ELLUS, DUCHA LORENZETE etc) e, agora o seriado GRANDE SERTÃO VEREDAS que promete ser um es­timulante sem precedentes à já tão insuportável violência urbana, ao sexo barato e à vida sub-humana.

O problema se torna ainda mais grave, na medida em que as cenas retratam apenas uma parte da realidade, isto é, toda a ênfase é colocada nas cenas que excitam os desejos sexuais, enquanto que aquelas que revelam as consequências na vida profissional, na família, na sociedade etc, são levemente abordadas ou cuidadosamente encobertas. Certamente o público telespectador não estará muito interessado em assistir a cenas de doença venérea, desequilíbrio psicológico, insegurança, insônia, desespero, que são as consequências naturais da quebra dos valores éticos enfatizados.

Meu Deus! Democracia não significa conivência com a de­gradação. Enquanto, em outros tempos, o homossexualismo era sinônimo de indecência humana, hoje é considerado como um estilo normal de vida.

Que país desejamos legar aos nossos filhos? Como cons­truir um futuro melhor, se muitos dos que deveriam constituir-se como paradigma para a juventude preferem que o Brasil seja o país da liberdade sexual, do aborto voluntário e de outras práticas que degradam o homem?

Finalmente, gostaria de apelar à consciência dos senhores diretores quanto ao respeito aos espaços públicos e aos horários em que certos comerciais e programas são exibidos. Democracia é dar li­berdade aos cidadãos para exercerem a sua vontade, dentro da lei vigente, respeitando, porém, o espaço público. Todo o espaço privado está à disposição daqueles que optarem por outro tipo de moralida­de. É só verificar como as nações democráticas mais evoluídas uti­lizaram o espaço privado e seguir seus exemplos.

Atenciosamente,
Paulo Raposo Correia
Engenheiro

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Resposta da Rede Globo a esta carta: Resposta Rede Globo.pdf

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Obs.: Esta carta foi escrita há quase 30 anos, num outro contexto político-social. A intenção de publicá-la aqui é para incentivar outras pessoas a também exercerem seu dever de cidadão e cobrar da mídia televisiva uma postura adequada. Nessa cobrança é importante ressaltar os aspectos positivos da emissora e, ao denunciar os abusos, pronunciar-se como um cidadão comum. Não se deve envolver convicções religiosas nesse momento. Naquela época as manifestações surtiram algum efeito. A imprensa repercutiu rumores de que a programação ia mudar por causa de manifestações dos “moralistas”. Hoje, a coisa está feia! Além de reclamar, temos também a arma do boicote, inclusive para os produtos dos patrocinadores. Se a população fizer as duas coisas certamente será ouvida.  Fica aí a dica!

A Família Igreja

Família Igreja

Família é algo tão singular que se manifesta originalmente, de forma misteriosa, na Trindade; se reproduz na esfera das criaturas humanas; e, também se expressa, de forma mística, na instituição Igreja. O que há de interessante nesses três tipos de família é o que já tratamos nos artigos anteriores, “A Família Deus” e “A Família Homem” e o que trataremos neste artigo.

“Assim, já não sois estrangeiros e peregrinos, mas concidadãos dos santos, e sois da família de Deus,” (Ef 2.19)

Várias metáforas são aplicadas à igreja, tais como: Corpo de Cristo (1Co 12.27; Ef 1.23), Rebanho (Jo 10.16; At 20.28), Lavoura de Deus (1Co 3.9), Casa Espiritual (1Pe 2.5), Edifício de Deus (1Co 3.9), Santuário de Deus (1Co 3.16-17; Ef 2.21) etc. Dentre tantas figuras, a da igreja como Corpo de Cristo e como Família, a Família de Deus são muito significativas, porque envolvem as ideias de corpo e de pessoas, respectivamente. Se para a sociedade pós-moderna, a família tradicional ou família nuclear, composta de pai, mãe e filhos, a cada dia que passa se torna menos importante, o mesmo não ocorre na visão divina. Na bíblia e na visão de Deus, o Criador de todas as coisas, a família sempre ocupou e sempre ocupará um lugar de destaque.

A Família Deus (Deus-Pai, Deus-Filho e Deus-Espírito Santo) sempre existiu em perfeita harmonia, unidade e gozo. Ao criar a Família Homem ou Família Adâmica, seu propósito era reproduzir, no habitat terrestre, este seu modelo de família e que esta vivesse em perfeita comunhão e harmonia com ela, a Família Deus. Porém, logo a Família Homem fracassou e, pela desobediência, quebrou a comunhão com a Família Deus. O pecado gerou a maldição, o caos se instalou desde então e separou a Família Homem, da Família Deus.

A Família Deus não desistiu do seu propósito e anunciou a vinda de uma criança que inauguraria um novo tempo, que iria possibilitar a geração de uma nova família, a Família Igreja, a Igreja de Jesus Cristo. Na sua oração ao Pai, também conhecida como oração sacerdotal, Jesus expressa claramente esse anseio de comunhão da Família Deus: “Não rogo somente por estes, mas também por aqueles que vierem a crer em mim, por intermédio da sua palavra; a fim de que todos sejam um; e como és tu, ó Pai, em mim e eu em ti, também sejam eles em nós; para que o mundo creia que tu me enviaste.” (Jo 17.20-21). Seu propósito se estende para além dessa vida. Após uma breve passagem por este mundo terreno, ele deseja que todos os seus sejam reunidos a ele na sua glória celestial e eterna (Jo 17.24).

Portanto, é em Cristo, que efetivamente acontece a “fusão”, a reconciliação, entre a Família Deus e a Família Homem, gerando a Família da Fé, a Família Igreja! É claro que não é a Igreja quem salva, mas Jesus Cristo! E essa salvação é individual, pessoal e não familiar.

Como se manifesta a paternidade, a maternidade e a “filidade” na Família Igreja?

O tema da epístola de Paulo aos Efésios é: A IGREJA, O CORPO DE CRISTO. Na “fusão” da Família Deus com a Família Homem, a Família Deus ocupa o lugar de cabeça e a Família Homem Regenerada ou Família Igreja, ocupa o lugar de corpo. É o cérebro (Família Deus), que com “impulsos invisíveis” aos olhos humanos, comanda todo o corpo visível (Família Igreja) (1Co 11.3; Ef 5.23).

A paternidade na Família Igreja emerge, espiritualmente, de Deus-Pai; e flui, efetivamente, através dos seus líderes. Essa liderança visível da Família Igreja foi instituída por Deus para exercer as funções de provisão, proteção e direção; através de homens segundo o coração de Deus, designados na Bíblia por presbíteros (ou bispos ou anciãos) (1 Tm 3.1-7 e Tt 1.5-9) e diáconos (At 6.1-6 e 1Tm 3.8-13). A sociedade secular pode até ter outra visão sobre o papel do homem e da mulher na liderança da família, o que não é de se estranhar porque ela não está alinhada com os padrões divinos; e, assim agindo, acaba influenciando fortemente a Família Homem e a Família Igreja, a tal ponto de muitos crentes passarem a achar que esse princípio bíblico é machista, retrógrado e ultrapassado. Entretanto, isso não deve nos surpreender, nem tampouco as tentativas mirabolantes que estes fazem com os textos bíblicos para conciliar o inconciliável – Sociedade Secular e Igreja. Nenhuma suposta modernidade deve mudar nossa visão e posição sobre este assunto, pois a nossa bússola existencial e espiritual deve apontar sempre para o norte divino da Santa e Eterna Palavra de Deus – a Bíblia. Quando Deus fala pela boca do profeta Jeremias: “Dar-vos-ei pastores segundo o meu coração, que vos apascentem com conhecimento e com inteligência.” (Jr 3.15), podemos assegurar que Deus não está se referindo exclusivamente àqueles que chamamos hoje de pastor de igreja. A referência divina é a homens maduros e experientes na fé, chamados e capacitados por ele mesmo para liderar o seu povo, que hoje é a sua igreja (1Pe 5.1-2). Naturalmente, quando não estiver em foco a Família Igreja como um todo, porém um segmento menor desta, outros líderes, de ambos os sexos, são extremamente úteis e importantes.

A maternidade na Família Igreja emerge, espiritualmente, de Deus-Espírito Santo; e flui, efetivamente, através do mesmo Espírito Santo, derramado sobre todos os remidos do Senhor, pertencentes à Nova Aliança; diferentemente do que acontecia na Antiga Aliança, quando este mesmo Espírito tomava pontual e temporariamente apenas algumas pessoas visando determinado fim. O Espírito Santo se manifesta: pela regeneração ou novo nascimento da criatura humana, através da Palavra de Deus, a Bíblia, (Jo 3.5; Ef 5.26; Tt 3.5; 1Pe 1.23); pela sua habitação no crente (Jo 14.17, 23); pelo fruto do Espírito (caráter – Gl 5.22-23); e, pelos dons do Espírito (Serviço – Ef 4.12), nos regenerados. A Palavra pregada e ensinada produz a fé para a salvação (Rm 10.17) e crescimento espiritual (Ef 4.15-16). Portanto, o Espírito e a Palavra de Deus, além da regeneração e crescimento, produzem inspiração, acolhimento, consolo e nutrição. Não é Maria, mãe de Jesus, ou o segmento feminino da igreja, que vão exercer as funções da maternidade na Família Igreja! Absolutamente Não!!! Idolatrar a “Virgem Maria”, como a mãe de Deus ou mãe da igreja é cometer o grave erro de anular a verdadeira expressão da maternidade na Igreja, que acontece pelo ESPÍRITO SANTO!!!

O Espírito Santo é a parte divina que possibilita a união mística da Família Deus com a Família Homem, dando origem à Família Igreja. É esse diferencial, da ação do Espírito Santo, que faz a igreja ser igreja e não uma Associação Social, ou um Clube, ou uma ONG. É através da sua presença efetiva e real na Família Igreja que o princípio da maternidade se expressa. É esta ação do Espírito Santo que capacita, com dons, cada crente sacerdote (homem e mulher) para exercer a sua função no corpo de Cristo, na Família Igreja. É como diz o apostolo Paulo: “E ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres, com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo, até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo,” (Ef 4.11-13).

A “filidade” na Família Igreja emerge, espiritualmente, através de Deus-Filho; e flui, efetivamente, pelos filhos de Deus, membros do corpo de Cristo. A “filidade” de Jesus é o exemplo a ser seguido por nós crentes, seus irmãos: “Porquanto para isto mesmo fostes chamados, pois que também Cristo sofreu em vosso lugar, deixando-vos exemplo para seguirdes os seus passos,” (1Pe 2.21). O grande propósito de Deus para a igreja é que cada remido reproduza em seu viver a imagem do seu Filho Jesus: “Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos.” (Rm 8.29; ver tb Gl 4.19; Ef 4.13). Jesus é o nosso exemplo e modelo de “filidade”, isto é, de alinhamento com o propósito e a vontade do Pai, obediência aos valores do Pai e continuidade da missão.

 

Em resumo, na Família Igreja temos:

PATERNIDADE (Líderes): Provisão, Proteção e Direção.

MATERNIDADE (Espírito Santo e a Palavra de Deus): Inspiração, Acolhimento, Consolo e Nutrição.

“FILIDADE” (Crentes): Alinhamento, Obediência e continuidade.

 

Conclusão:

“Não há nada que se faça fora da família que não tenha nascido na família”. Todos nós nascemos em alguma família. Mas, nenhum de nós escolheu a família em que nasceu.

Talvez você tenha sido agraciado com uma família que só te dá alegria, que provê tudo o que você precisa: teto, conforto, alimentação, saúde, educação, proteção, diversão, apoio, incentivo etc etc. Não se esqueça, entretanto, que tudo isso é passageiro; o máximo que tua família e amigos poderão fazer por você é, no final da tua vida terrena, segurar a alça do caixão e levar o teu corpo até a sepultura.

Quem sabe você teve a desventura de nascer numa família, rica ou pobre, mas que somente trouxe amargura e sofrimento à tua vida. O que mais importa agora não é o que fizeram com a tua vida e sim o que você vai fazer com o que fizeram da tua vida.

Deus tem uma excelente notícia para todos nós. Em Cristo ele nos deu acesso a uma nova família, a Família Igreja, a Família de Deus, uma Família Eterna. O que você precisa fazer agora é levar até aos pés de Cristo toda a tua dor e frustrações; confessar a ele todos os teus pecados e recebê-lo como Senhor e Salvador da tua vida. É como diz a letra deste cântico:

Se caminhas na vida sempre na contramão    

E se andas sem rumo, sem achar a razão,

Meu amigo é fácil encontrar solução:

Precisas fazer parte da família de DEUS.

 

Vem entrar agora na família de DEUS.

Precisas fazer parte da família de DEUS.

             

Veja, também, os seguintes artigos:

A Família Deus (anterior)

A Família Homem (anterior)

A Família Homem

Família Homem

Família é algo tão singular que se manifesta originalmente, de forma misteriosa, na Trindade; se reproduz na esfera das criaturas humanas; e, também se expressa, de forma mística, na instituição Igreja. O que há de interessante nesses três tipos de família é o que já tratamos no artigo anterior “A Família Deus” e que trataremos neste e no próximo artigos.

O ser humano tem uma profunda necessidade de usufruir do sentimento de pertencimento e de identificação; de fazer parte de uma família e de conhecer sua origem, suas raízes, sua ascendência. Somente aqueles que não têm este privilégio são capazes de avaliar tamanha desventura. Talvez não exista dor maior do que a de não conhecer sua própria família ou de ter sido abandonado por ela ou de perdê-la. Por outro lado, não é menos doloroso, viver e sobreviver numa família caótica, desajustada, opressora e doentia.

Vivendo numa sociedade pós-moderna, que tanto relativiza valores e princípios, que despreza a família nuclear tradicional e ousa impor novos formatos de família, é preciso se firmar nas bases sólidas estabelecidas pelo Criador do Universo e da família, para não perder o rumo, para não se perder na caminhada.

Tomemos como referência a família de terrena de Jesus, para identificar nela o exercício dos princípios da Paternidade, Maternidade e “Filidade” e seus desdobramentos, a saber:

PATERNIDADE (Pai): Provisão, Proteção e Direção.

MATERNIDADE (Mãe): Inspiração, Acolhimento, Consolo e Nutrição.

FILIDADE (Filho): Alinhamento, Obediência e continuidade.

Antes de tudo, é bom que se diga que é necessário e urgente resgatar em muitos pais e maridos o princípio da paternidade e suas funções. Pouco se fala, na Bíblia e nas igrejas, de José, marido de Maria e pai adotivo de Jesus. Entretanto, o resumido relato bíblico é suficiente para revelar que ele exerceu suas funções paternais. Ele foi um pai provedor, protetor e diretor.

No tempo em que a virgem Maria estava apenas comprometida (desposada) com José, o anjo Gabriel a visitou e lhe anunciou o nascimento de Jesus. A partir de então, os anjos do Senhor somente falam com José, pois no papel paterno ele é o sacerdote da sua família. Na primeira vez, o anjo o dissuade a não se afastar de Maria e lhe explica a situação. Então, ele atende ao apelo divino e a recebe por sua mulher (Mt 1.18-25).

Ele é o diretor e provedor, que leva sua esposa grávida para Belém, a fim de atender ao recenseamento decretado por Cesar Augusto. Não havendo onde se hospedarem, ele encontrou e preparou um lugar, para a família, na estrebaria (Lc 2.1-7).

Ele é o diretor e protetor, que orientado pelo anjo (2ª vez), em sonho, leva, imediatamente, à noite, sua família para o Egito, salvando seu filho do infanticídio ordenado por Herodes (Mt 2.13-18). Após a morte de Herodes, orientado pelo anjo outras duas vezes, volta do Egito para Israel e, em vez de ir para a Judeia, vai para Nazaré, na Galileia (Mt 2.19-23).

Ele é um sacerdote obediente, que faz o que Deus lhe diz pra fazer. Ele conduz sua família na direção que Deus o orienta. Se é pra fugir, ele foge; se é pra voltar, ele volta; se é pra ficar, ele fica. Ele não é como muitos crentes hoje que argumentam e discutem com Deus.

José, pai adotivo de Jesus, era um homem muito especial para Deus. Nele convergiu a ascendência de Jesus (Mt 1.1-17; Lc 3.23-38) e se cumpriu a promessa de que o cetro não se apartaria de Judá (Gn 49.10), da casa de Davi (Lc 1.32; 2Sm 7.13, 16; Lc 1.26, 69; Mt 1.20). Além disso, vejam só que interessante: a Noé, Deus confiou a construção da arca, para prover a continuação da humanidade; a Moisés, Deus confiou sua Lei; aos profetas, a sua Palavra; a Davi, um reino; a José, nada mais, nada menos, do que o seu próprio Filho Jesus, que deveria ser preservado até poder cumprir cabalmente a sua missão de Salvador do mundo.

Os pais e maridos precisam entender que sua autoridade provém do correto exercício da paternidade, através das funções de provisão, proteção e direção. Deus, ao longo da história, frequentemente interagiu com a figura paterna, como o cabeça do casal, para mostrar-lhe a direção a seguir. Jesus explicitou, pelo menos, duas dessas funções paternas: provisão“Então, lhes disse: Por isso, todo escriba versado no reino dos céus é semelhante a um pai de família que tira do seu depósito coisas novas e coisas velhas.” (Mt 13.52); proteção“Mas considerai isto: se o pai de família soubesse a que hora viria o ladrão, vigiaria e não deixaria que fosse arrombada a sua casa.” (Mt 24.43). Conforme diz a missionária Ediméia Williams, é significativo e simbólico que o sopro de vida divino somente tenha ocorrido uma vez; na criação do homem Adão (Gn 2.7). A mulher Eva foi o resultado da transformação operada por Deus na costela tomada do homem (Gn 2.22). É claro que isso não faz do homem um ser superior a mulher, apenas foi feito para ocupar um papel de liderança na família. Portanto, ser o cabeça da família é um direito concedido, por Deus, ao marido e pai (1Co 11.3; Ef 5.23), mas essa autoridade de gênero, estabelecida desde o Éden (Gn 3.16; 1Tm 2.12; Tt 2.5; 1Co 14.34), deve ser conquistada, e não imposta pela força. O correto é: “– vem comigo porque eu estou sob a direção de Deus”; e, não: “– me obedece porque eu sou o homem da casa”.

Maria, mãe de Jesus, é um exemplo de maternidade inspiradora, acolhedora, consoladora e nutridora. A maternidade é um grande privilégio concedido, por Deus, à mulher. Afinal, todos precisam de uma fonte de inspiração, de um lugar de aconchego, de consolo, de acolhimento e de uma boa nutrição. Não há como realizar à distância, de forma eficaz e plena, as funções da paternidade e, principalmente, da maternidade. José e Maria eram pais presentes na vida de Jesus: em casa (Lc 2.16), viajando (Mt 2.13; 21), no templo, desde bebê (Lc 2.22) e quando ele já era um adolescente de 12 anos (Lc 2.41). Quando os magos foram visitar o recém-nascido, apenas Maria é mencionada junto a Jesus (Mt 2.11). Seja lá o que for que uma mãe tiver que fazer para prover o seu sustento ou para realizar seus sonhos numa carreira profissional, ela precisa entender que precisa estar perto de seu filho, para poder desempenhar adequadamente as funções da maternidade.

A “filidade” colhe os frutos da paternidade e maternidade. Disse Jesus que, se a árvore for boa, os frutos serão bons (Mt 7.17). Assim, o filho se alinha ao propósito do pai, que reflete o propósito da família; obedece aos valores da família e dá continuidade a missão. Jesus era perfeitamente homem e perfeitamente Deus. Como filho de José, manteve-se alinhado aos propósitos do pai terreno, até assumir os propósitos do pai celestial. Ele era submisso, obediente aos pais humanos (Lc 2.51). Ele dava continuidade a missão do pai humano, trabalhando e ajudando-o no seu ofício de carpinteiro (Mc 6.3).

Veja, também, os seguintes artigos:

A Família Deus (artigo anterior)

A Família Igreja (artigo posterior)

A Família Deus

Família Trindade

Família é algo tão singular que se manifesta originalmente, de forma misteriosa, na Trindade; se reproduz na esfera das criaturas humanas; e, também se expressa, de forma mística, na instituição Igreja. O que há de interessante nesses três tipos de família é o que trataremos neste e nos próximos dois artigos.

Há três princípios ou elementos relevantes na família:

1º) O princípio ou elemento PATERNIDADE.

2º) O princípio ou elemento MATERNIDADE.

3º) O princípio ou elemento “FILIDADE”.

Estes três princípios ou elementos estão presentes na trindade santa, da seguinte forma:

Deus-Pai: princípio ou elemento PATERNIDADE.

Deus-Espírito Santo: princípio ou elemento MATERNIDADE.

Deus-Filho: princípio ou elemento “FILIDADE”.

Entendemos que não há qualquer exagero ou aberração doutrinária nesta forma de ver a trindade santa, especificamente no que diz respeito ao Espírito Santo. A palavra hebraica comumente traduzida no Antigo Testamento para Espírito é “Ruah” ou “Ruach” e no grego do Novo Testamento “Pneuma”, um substantivo feminino. No primeiro versículo da Bíblia está escrito: “No princípio criou Deus os céus e a terra” (Gn 1.1). Este Deus Criador é Elohim (hb). “A forma da palavra é plural (de Eloah), indicando plenitude de poder e majestade e deixando espaço para a revelação neotestamentária da trindade de Deus”. Na sequência bíblica está escrito: “A terra, porém, estava sem forma e vazia; havia trevas sobre a face do abismo, e o Espírito de Deus pairava por sobre as águas.” (Gn 1.2). O que existia naquele momento era uma espécie de caos que estava debaixo do controle e domínio do soberano Deus. Há, então, uma referência ao Espírito de Deus pairando sobre as águas, sobre aquela substância aquosa, que figuradamente nos remete a imagem de uma ave que choca os seus ovos (Dt 32.11 traz esta mesma ideia). O Ruach de Deus estava ali preparando a matéria disforme para receber o sêmen da palavra criativa de Deus-Pai: “Haja…”. E o apóstolo João complementa a ideia da presença trinitária, inserindo a pessoa de Jesus, o Deus-Filho, no cenário da criação: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e, sem ele, nada do que foi feito se fez.” (Jo 1.1-3). Esta presença trina está indelevelmente impressa na criação, inclusive na forma plural: “…Façamos o homem conforme a nossa imagem, conforme a nossa semelhança…” (Gn 1.26)

O Pr. Ariovaldo Ramos desdobra cada um desses três princípios ou elementos nas respectivas funções ou focos:

PATERNIDADE (Deus): Provisão, Proteção e Direção.

MATERNIDADE (Espírito Santo): Inspiração, Acolhimento, Consolo e Nutrição.

“FILIDADE” (Jesus): Alinhamento, Obediência e continuidade.

Ficam evidentes essas funções ou focos da paternidade divina no relacionamento de Deus com o seu povo Israel. Deus elege o Egito para prover (provisão) todas as condições de subsistência e crescimento numérico da nação. Na época certa, ele liberta o seu povo do domínio egípcio e o conduz (direção) à terra de Canaã, debaixo da sua proteção. Então, ali na terra de Canaã, o estabelece como nação.

Particularmente no Pentecostes, as funções da maternidade divina se expressam nitidamente através da atuação do Espírito Santo na formação da Igreja. Jesus havia ressuscitado e depois de 40 dias retornado para o Pai Celeste. Durante dez dias os discípulos ficaram desolados. Aquela cena do princípio da criação parece repetir-se ali. Quase podemos descrever assim: “e o Espírito de Deus pairava sobre o caos da ausência de Jesus”. Ele estava como que “chocando” aquela “massa disforme de discípulos” aguardando o sêmen da ação divina para gerar a igreja. No dia de Pentecostes, dez dias após a ascensão de Jesus, os cerca de 120 discípulos “em estado caótico” estavam reunidos no cenáculo e o Espírito Santo então desce sobre eles, inaugurando o tempo da igreja do Senhor Jesus Cristo.

O Espírito Santo também inspira os mensageiros do Evangelho da Graça de Deus e os escritores do Novo Testamento, como já havia feito com os escritores do Antigo Testamento. O Espírito desce sobre judeus, samaritanos e gentios, acolhendo a todos os remidos, de todas tribos línguas e nações, na Igreja de Cristo. Esse mesmo Espírito também consola os aflitos e perseguidos por causa do Evangelho e os nutre, cotidianamente, com a Palavra de Deus.

A “filidade” divina se manifesta em Jesus, no seu ministério público. Jesus é um filho inteiramente alinhado com os propósitos do Pai celeste: “Eu te glorifiquei na terra, consumando a obra que me confiaste para fazer;” (Jo 17.4; ver tb Jo 4.34; 5.30; 6.38). Jesus foi e continua sendo nosso exemplo de obediência ao Pai: “a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz.” (Fp 2.8; ver tb Hb 5.8). Também se espera de um filho que este dê continuidade a missão do pai e da família. Jesus, assim fez e se expressou: “Mas ele lhes disse: Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também.” (Jo 5.17). No final da sua vida terrena, sua última mensagem, pendurado na cruz do Calvário foi: “– Está consumado!” (Jo 19.30)

A família Deus expressa claramente os três princípios essenciais que norteiam a família, PATERNIDADE, MATERNIDADE e “FILIDADE”, bem como suas respectivas funções ou focos. Desta forma, a família Deus estabelece o modelo e serve de referência para todas as famílias.

 

Veja os próximos artigos:

A Família Homem

A Família Igreja

Sete coisas que todo pai precisa saber e praticar

Sete coisas que todo pai precisa saber e praticar (Gênesis 34; 35.1-15)

1ª) Você é imperfeito e incapaz de evitar todo o mal que possa ser produzido contra ou por tua família. (Gn 34)

Só pra lembrar….

Você não é totalmente responsável:

a) Por tudo de bom que acontece com teus filhos ou por todas as suas boas ações e práticas; ou,

b) Por tudo de mal que acontece com teus filhos ou por todos os seus maus comportamentos.

Porém, você tem muita influência nisso, quer através do teu exemplo pessoal, quer através da forma com que você se relaciona com eles!

Diná[1] (Gn 30.21; 46.15) é a personificação do mal do mundo sobre a tua família.

“Ora, Diná, filha que Lia dera à luz a Jacó, saiu para ver as filhas da terra. Viu-a Siquém, filho do heveu Hamor, que era príncipe daquela terra, e, tomando-a, a possuiu e assim a humilhou.” (Gn 34.1-2)

Depois de Jacó e sua família viajarem cerca de 800 Km chegaram à cidade de Siquém, uma terra estrangeira com gente desconhecida. Ali habitando, a curiosidade ingênua da jovem Diná resultou em uma tragédia inesperada.

De quem é a culpa de tragédias familiares como essa? Falta de orientação dos pais? Imprudência dos filhos?

– O jovem Siquém serve de alerta para o perigo de gente movida por impulso, que primeiro faz e depois pensa como remediar a situação.

– A jovem Diná serve para alertar que gente nova precisa saber que a curiosidade às vezes mata ou deixa sequelas indeléveis.

– Essa tragédia serve para alertar que gente madura precisa ajudar a formar anticorpos sociais nos mais novos.

Os riscos da nossa época são menores?

– Creio que não. Nossos filhos nem precisam sair para ver; os maus comportamentos e armadilhas entram, sem pedir licença, nas nossas casas, pela porta da TV, Telefone, Internet etc.

Simeão e Levi (Gn 34.25-27) são a personificação do mal da tua família sobre o mundo.

“Ao terceiro dia, quando os homens sentiam mais forte a dor, dois filhos de Jacó, Simeão e Levi, irmãos de Diná, tomaram cada um a sua espada, entraram inesperadamente na cidade e mataram os homens todos. Passaram também ao fio da espada a Hamor e a seu filho Siquém; tomaram a Diná da casa de Siquém e saíram. Sobrevieram os filhos de Jacó aos mortos e saquearam a cidade, porque sua irmã fora violada.” (Gn 34.25-27)

Inconformados com o estupro da irmã, Simeão e Levi tramaram uma terrível vingança. Convenceram, maliciosamente, o jovem estuprador e seu pai de que dariam sua irmã em casamento se ele, seu pai e todos os homens da sua cidade fossem circuncidados, como os judeus. Eles não somente concordaram, como também conseguiram convencer os seus patrícios a se circuncidarem. No terceiro dia após, a circuncisão, os dois filhos de Jacó atacaram, conforme relata o texto bíblico acima.

De quem é a culpa de comportamentos como esse? Falha na criação dos filhos?

Às vezes a culpa é mesmo dos pais!

– Filhos criados com excesso de atenção tendem a se tornar parasitas e eternos dependentes.

– Filhos criados sem atenção e sem limites tendem a se tornar verdadeiros monstrengos.

Entretanto, quem pode dominar a natureza humana?

– Diná era a filha caçula de Lia, primeira esposa de Jacó, e tinha seis irmãos. Se Absalão não sossegou enquanto não vingou o estupro de sua irmã Tamar pelo seu meio irmão Amnon, imagina o estado de revolta desses seis irmãos mais velhos de Diná e dos seus outros meio irmãos, com Siquém?

– A vingança foi praticada com requintes de crueldade. Por isso, eles perderam o direito a herança, por ocasião da divisão das terras conquistadas (Gn 49.5-7; 48.22).

2ª) Você precisa viver em comunhão com Deus. (Gn 35.1, etc)

Vejamos alguns flashes do relacionamento de Jacó com Deus:

Em Betel, indo para Harã, fugindo de Esaú:

“Perto dele estava o SENHOR, e lhe disse:…” (Gn 28.13)

Em Harã, passando por momentos difíceis no relacionamento com seus cunhados e sogro:

“E disse o SENHOR a Jacó: Torna à terra de teus pais e à tua parentela; e eu serei contigo.” (Gn 31.3)

“E o Anjo de Deus me disse em sonho: Jacó! Eu respondi: Eis-me aqui!” (Gn 31.11)

Em Peniel, voltando para Berseba, a terra de seus pais:

“Também Jacó seguiu o seu caminho, e anjos de Deus lhe saíram a encontrá-lo.” (Gn 32.1)

“ Àquele lugar chamou Jacó Peniel, pois disse: Vi a Deus face a face, e a minha vida foi salva.” (Gn 32.30)

Em Siquém, depois da atrocidade cometida pelos seus filhos:

“Disse Deus a Jacó:…” (Gn 35.1)

Jacó não é exatamente um modelo de pai ou de conduta. Antes, porém, é alguém humano e imperfeito como qualquer outro ser, com altos e baixos na sua história de vida. Entretanto, é interessante observar o seu relacionamento com Deus. É certo que se quisermos manter comunhão com Deus precisamos dizer não ao pecado. “Mas as vossas iniquidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que vos não ouça.” (Is 59.2).

3ª) Você precisa ser guiado pela Palavra de Deus. (Gn 35.1; Jr 15.16)

“Disse Deus a Jacó: Levanta-te, sobe a Betel e habita ali; faze ali um altar ao Deus que te apareceu quando fugias da presença de Esaú, teu irmão.” (Gn 35.1)

Quem vive em comunhão com Deus, necessariamente é impelido a se orientar pela sua santa palavra. Jacó tinha o privilégio de ouvir diretamente a voz de Deus. Nós, temos hoje o grande privilégio de ouvir a voz de Deus através da Bíblia, a revelação completa de Deus aos homens.

Mais uma vez Jacó vivia um momento crítico em sua vida, devido à desgraça provocada por seus filhos, massacrando os moradores de Siquém. Algo precisava ser feito e não podia ser adiado. Naquelas circunstâncias, a palavra de Deus chegou até aquele pai e, perpassando os séculos, chega também até nós com as seguintes instruções (versículo 1):

a) Levanta-te: Saia imediatamente desse atoleiro ou dessa zona de conforto. Abandone esse estado de inércia, de acomodamento, de conformismo, como se você fosse uma estátua no cume de um monte ou um carro com os quatro pneus arriados. Mexa-se! Faça o que vou te dizer!

b) Sobe a Betel: Betel é o lugar do encontro com Deus. Lugar onde você chega extenuado da caminhada da vida, cansado dos seus próprios esforços, impossibilitado de continuar a caminhar pela densa escuridão da noite existencial que te envolve e te aperta e te sufoca. É o lugar onde você se prostra diante de Deus,  com todas as tuas crises e frustrações, fobias e apreensões, e ali, o Senhor estende uma escada de escape que liga o teu inferno existencial ao céu da graça e glória de Deus-Pai. E essa escada tem nome: Jesus Cristo, o Filho de Deus, Senhor e Salvador. Jacó tinha passado por ali em situação aflitiva, quando fugia do seu irmão Esaú e feito um voto. Esse voto precisava ser agora cumprido (Gn 28.20-22).

c) Habita ali: Deus não quer que Betel seja apenas um lugar de passagem. Betel não pode ser apenas lugar de abrigo e refúgio temporários em momentos de turbulência na caminhada da vida. Betel tem que ser lugar para estar sempre, para morar ali, pois “é a casa de Deus, a porta do céu” (Gn 28.16).

d) Faze um altar: O lugar onde Deus está e onde Deus quer que também nós estejamos é lugar de adoração. Não é possível imaginar estar com Deus e não adorá-lo em espírito e em verdade.

Betel ficava aproximadamente a 24 Km ao sul de Siquém. Para os caminhantes daquela época era logo ali. Quando Jacó foi para Harã ele viajou aproximadamente 90 Km de Berseba a Betel e 830 Km de Betel a Harã. Betel é lugar de confirmação de aliança e renovação de promessas; lugar de bênçãos (Gn 28.10-19). É muito perto de onde você está agora! Muito mais perto do que todos os caminhos que muitos pais têm trilhado na tentativa de fazer o melhor para a sua família confiando apenas no seu próprio esforço.

4ª) Você precisa exercer os papéis de profeta, sacerdote e pastor da tua família. (Gn 35.2)

“Então, disse Jacó à sua família e a todos os que com ele estavam: Lançai fora os deuses estranhos que há no vosso meio, purificai-vos e mudai as vossas vestes;” (Gn 35.2)

Profeta no AT era aquele que ouvia a palavra de Deus e a transmitia ao povo. Portanto, ele ficava de costas para Deus e de frente para o povo. Era um mensageiro de Deus em nome de Deus: “Assim diz o SENHOR…..”

Sacerdote no AT era aquele que levava as transgressões das pessoas diante de Deus e intercedia por elas com vistas ao  perdão divino. Portanto, ele ficava de costas para o povo e de frente para Deus. Além de mediador e intercessor era também um ensinante (ver também Ml 2.6-7).

Pastor no AT, o de ovelhas era aquele que guiava e cuidava do rebanho.

Quando Jacó ouviu as palavras de Deus e a transmitiu à sua família ele estava desempenhando o seu papel de profeta. Além de revelar os mistérios de Deus, um profeta denuncia o pecado. Vejamos as ações de um profeta, sacerdote e pastor na sua família:

a) Santificação: É a decisão de separação efetiva de qualquer outra divindade ou objeto de culto, para uma dedicação e entrega, totais e incondicionais, ao Deus único, vivo e verdadeiro.

b) Purificação: É o processo de limpeza, de retirada da nossa vida de tudo aquilo que contamina o nosso ser e, além de desagradar e nos afastar de Deus, nos é prejudicial. Começa com a confissão de pecados por pensamentos, obras, ações e omissões. Continua com o firme propósito de não viver pecando (1 Jo 3.9). Se efetiva com a expiação pelo sangue e o perdão de Deus.

c) Mudar as vestes: É a atitude de substituir o velho pelo novo, o sujo pelo limpo. Veste, na bíblia, é símbolo de justiça. Então, mudar as vestes é substituir a velha justiça e as velhas práticas, pela nova justiça de Cristo e por novas obras “preparadas por Deus para que andássemos nelas antes da fundação do mundo”. Não basta romper com o erro; é preciso praticar o que é certo!

Essas três etapas eram necessárias e seriam complementadas pelo profeta-sacerdote-pastor Jacó diante do altar, lá em Betel.

5ª)  Você precisa saber conduzir tua família a obedecer a Deus (Gn 35.4)

“Então, deram a Jacó todos os deuses estrangeiros que tinham em mãos e as argolas que lhes pendiam das orelhas; e Jacó os escondeu debaixo do carvalho que está junto a Siquém.” (Gn 35.4)

Isso deve ser feito com muita sabedoria, dedicação e oração, nunca por decreto ou por força ou por violência. Não é eficaz obrigar os filhos pequenos a participar de culto doméstico, ler a bíblia e ir à igreja. Conduzir não é obrigar! Antes de tudo é preciso viver uma vida cristã tão linda que contagie os outros membros da família a amar a Deus, obedecê-lo e fazer sua vontade. É preciso respeitar sempre a individualidade de cada um.

6ª) Você e tua família são protegidos pelo Senhor quando obedecem à sua voz (Gn 35.5-7)

“E, tendo eles partido, o terror de Deus invadiu as cidades que lhes eram circunvizinhas, e não perseguiram aos filhos de Jacó.” (Gn 35.5)

Por temor ou por tremor a família de Jacó obedeceu à voz de Deus. Então, o Senhor infundindo terror, impediu que os cananeus vingassem o massacre do povo de Siquém. Lembre-se: Deus não tem compromisso com ímpios!

7ª) Você é alguém que é alvo de um propósito de Deus. (Gn 35.9-15)

Deus tinha um propósito grandioso na vida de Jacó. Dele sairia a nação de Israel, o povo escolhido de Deus. Dessa nação nasceria Jesus Cristo, o salvador do mundo. Nele, em Jesus, todas as famílias da terra seriam abençoadas, conforme sua promessa a Abraão (Gn 22.18).

Eu não sei, você talvez não saiba, mas Deus sabe de todas as coisas. “Eu é que sei que pensamentos tenho a vosso respeito, diz o SENHOR; pensamentos de paz e não de mal, para vos dar o fim que desejais.” (Jr 29.11). Ele tem um propósito para cada vida e para cada família. Cuide de realizar a tua parte, o teu papel, na liderança da tua família e o Senhor cumprirá o seu propósito.

Você que é Pai, anda na presença do Senhor e sê perfeito! Sê tu uma bênção! Toma posse dessa palavra a Jacó:

“Mas tu, ó Israel, servo meu, tu, Jacó, a quem elegi, descendente de Abraão, meu amigo,  tu, a quem tomei das extremidades da terra, e chamei dos seus cantos mais remotos, e a quem disse: Tu és o meu servo, eu te escolhi e não te rejeitei,  não temas, porque eu sou contigo; não te assombres, porque eu sou o teu Deus; eu te fortaleço, e te ajudo, e te sustento com a minha destra fiel.” (Is 41.8-10)


[1] Diná (Hb.): seu nome no hebraico significa “justiça” ou “julgamento” ou “julgado”.

O Brado Retumbante x Cordel Encantado

No meu post de 22/08/2011 fiz uma breve análise de conteúdo da novela Cordel Encantado sugerindo que, pelas mensagens sutis e explícitas passadas para a família brasileira, esta poderia ser melhor intitulada de “Bordel Encantado”, daí o trocadilho. Então, o que esta minissérie tem em comum com a novela Cordel Encantado além do ator Domingos Montagner, e com outras tantas produções da Rede Globo? É claro que tecnicamente não se pode negar que são produções bem elaboradas. Porém, nosso foco aqui é conteúdo passado para o público….

É uma história fictícia que aborda política em qualquer lugar do mundo“, explicou o ator Domingos Montagner que vive Paulo Ventura, o protagonista de “O Brado Retumbante”.

Lá em Cordel Encantado ele foi o Rei do Cangaço, aqui, o presidente do Congresso Nacional de um Brasil fictício que inesperadamente assume a Presidência da República depois do acidente e morte do Presidente e seu Vice. A trama gravita em torno do combate à herança corrupta comandada pelos ministros nomeados pelo seu antecessor e a outros ferrenhos opositores pertencentes à banda podre da política. Sem dúvida este é um excelente ingrediente para aliviar tensões e encantar cidadãos que suspiram e clamam por medidas concretas, eficazes e definitivas de limpeza ética nos poderes legislativo, executivo e judiciário de um Brasil real! Até aqui, tudo bem… Entretanto, apenas a costumeira exploração da luta do bem contra o mal não seria suficiente. Era preciso, como sempre, apimentar, acrescentar o tempero forte do apelo sexual, que não pode faltar na telinha! Se fosse o tempero do amor romântico, legítimo e decente entre homem e mulher, nada contra! Considerando que ninguém é perfeito, o Sr. Paulo Ventura, apesar de idealista ético, era um mulherengo, adúltero e pegador, no linguajar de hoje. Ele poderia ter qualquer outra fraqueza a ser explorada, mas precisava ser essa. Devido a esse seu desvio de caráter estava separado da sua esposa Antonia (Maria Fernanda Candido).  Afinal, adultério é quebra da aliança do casamento. Devido a essa nova situação de Presidente, ele pede à sua ex-esposa Antonia para voltar a morar com ele e ela Ela “aceita voltar com ele porque, apesar de tudo, ela é muito parceira e existe um amor muito profundo entre a Antonia e o Paulo” (comenta a atriz Maria Fernanda Candido). Para encurtar esta análise, vejam como uma minissérie pode ser usada:

1. Desserviço à instituição do casamento e a família.

Tal qual na novela Cordel Encantado, temos aqui um desserviço prestado a instituição do casamento e a família. O Sr. Paulo Ventura tinha tudo para restaurar seu casamento e, ao lado da sua esposa e parceira, desenvolver um belo trabalho na presidência. Entretanto, enquanto combatia corajosamente os corruptos do Congresso não conseguia dominar sua libido, traindo e desrespeitando sua esposa e mãe de seus filhos, contando sempre com a tolerância e cumplicidade de seus aliados mais próximos e assessores que, por exemplo, deram cobertura a um encontro dele com uma amante, num cenário de alta produção que fracassou, pois a jovem passou mal. Nem hospitalizado o sujeito se aquietou; teve que de assediar uma enfermeira no exercício do seu digno trabalho. Depois da alta teve um caso com sua médica particular que, de igual forma, sem escrúpulos, traiu seu marido e família. Diante de tanta mentira e traição sua esposa Antonia volta a se afastar e tem um caso com um escritor argentino. Finalmente, o Presidente pegador também tem um caso com Fernanda (Mariana Lima), a responsável pela comunicação entre a Presidência e o Congresso que há muito tempo escondia sua paixão por ele. Outro casamento destruído é o da filha de Paulo Ventura que não resiste à traição política do seu marido, que armou contra seu próprio sogro e presidente.

Algumas mensagens sutis e perigosas são passadas nessa minissérie:

A primeira é a da “aparente inviabilidade” de um casamento duradouro e feliz. O casamento é frequentemente apresentado na telinha como problema e como cerceador da liberdade e felicidade do indivíduo.

A segunda é a da “aparente viabilidade” de uma conduta ética irrepreensível de um governante, que é capaz de resistir ao nepotismo ou deixar sua filha dormir na prisão para dar o exemplo de não fazer valer sua posição para resolver problemas particulares de seus familiares etc e, ao mesmo tempo, não é capaz de ser fiel e de falar a verdade com a sua esposa. A pergunta que não quer calar é: Pode, de fato, existir esse tipo de caráter ético capaz de ser fiel, justo e verdadeiro com a nação, com o povo e não o ser com a pessoa amada que vive debaixo do mesmo teto? Certamente que não! Isso é enganação! Acreditem que, no início cheguei até a pensar em “votar” no Paulo Ventura, mas mudei de idéia quando percebi que o seu caráter, tal qual a estória, também é ficção.

2. Prestação de Serviço à causa LGBT.

É impressionante a estratégia das emissoras de passar mensagens e conceitos através de novelas e minisséries. Dia após dia, em horário nobre ou fora dele, é empurrado goela abaixo do telespectador os desvios da sexualidade como sendo algo normal. Normal não é, mas, infelizmente, é cada vez mais comum. Aparentemente um episódio foi cuidadosamente inserido para colaborar com a causa LGBT. O Sr. Paulo Ventura teve a desventura de ter um filho efeminado e transexual. Então é mostrado como um pai de “caráter tão nobre”, mas “ultrapassado”, após várias sessões com seu analista, passou a “aceitar” a opção sexual do filho. Não tenho dúvida de que pais, familiares e a sociedade devem respeitar as pessoas como elas são, mas não necessariamente são obrigados a aceitar e concordar com o que fazem! Também fizeram questão de mostrar uma cena de um transexual (o tal filho do presidente) apanhando de um heterossexual para não deixar apagar na consciência coletiva a chama da “lei da homofobia”, a partir da qual uma minoria barulhenta quer impor à maioria a aceitação da sua causa, instituir privilégios e calar os contrários. Mais uma vez é preciso deixar claro que somos totalmente intolerantes a qualquer forma e prática de violência contra pessoas. Entretanto, para punir tais crimes já temos as devidas leis.

Um país próspero para todos com ética e libertinagem sexual só existe na ficção. Porém, um país sustentável se faz com famílias bem estruturadas, éticas e saudáveis, que temem ao Senhor Deus e praticam a sua vontade.

É isso aí! Fique alerta e resista firmemente! Não deixe que a mídia faça a sua cabeça!

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