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Os desafios do pastoreio na pós-modernidade

desafio-pastoreio

E-PUB GRATUITA.

CLIQUE NO LINK AO LADO PARA ABRIR O ARQUIVO: Desafios do pastoreio.pdf


Nota:

Este estudo serviu de base para a pregação do Presb. Paulo Raposo Correia, no Dia do Pastor.

11/12/2016 – Catedral Presbiteriana do Rio de Janeiro – Culto 10h 30min


Assista o vídeo da Pregação no Youtube:

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Procura-se um pastor diferenciado

Pastor diferenciado

É fundamental que um pastor de almas seja um servo vocacionado e chamado pelo Senhor para o ministério. Precisa ser um homem de Deus, que viva em estreita comunhão com o Senhor e alicerçado na sua Palavra, nela meditando dia e noite. Não basta conhece-la, precisa ser um fervoroso praticante. Precisa ser alguém íntegro em seu caráter e ter uma família bem estruturada. Precisa ter domínio próprio e equilíbrio em suas atitudes. Precisa ser amoroso e ter cheiro de ovelha. É desejável que também tenha uma boa cultura geral, mas, acima de tudo precisa atender às qualificações necessárias aos presbíteros encontradas em 1 Timóteo 3.1-7 e Tito 1.5-9.

Considerando que os aspectos basilares citados resumidamente acima são os minimamente necessários a um pastor, que outros aspectos contribuem para fazer a diferença entre os pastores proeminentes e os demais pastores? Na minha humilde opinião o perfil que caracteriza um grande pastor de almas e que estabelece um diferencial entre um “pastor de ponta ou um pastor proeminente” e os pastores comuns está diretamente relacionado ao seu desempenho, nas seguintes áreas e com os respectivos graus de importância citados. Considerando uma escala de zero a 10, temos:

1º) DESEMPENHO NO PÚLPITO (50% ou peso 5)

Entenda-se púlpito como sua habilidade de comunicação, conhecimento teórico e prático do assunto e unção espiritual na exposição da mensagem: no culto, nas reuniões das sociedades internas, nas aulas da EBD, nas reuniões de Estudos Bíblicos, nos eventos especiais da igreja, nas celebrações de casamentos etc.

2º) RELACIONAMENTO INTERPESSOAL (25% ou peso 2,5)

Entenda-se aqui sua habilidade em se relacionar com a igreja e visitantes: atendimento em gabinete, visitação, aconselhamento, acolhimento de visitantes, gestão de pessoas etc.

3º) GESTÃO ADMINISTRATIVA E OPERACIONAL (15% ou peso 1,5)

Entenda-se aqui sua habilidade de agregar e extrair o melhor das lideranças internas especializadas, estabelecendo estruturas organizacionais eficazes, definindo, implementando e mantendo as melhores práticas e procedimentos na igreja etc. Um bom gestor não é aquele que faz tudo, mas o que faz fazer. Jesus não se envolvia pessoalmente com certas questões administrativas e operacionais, por exemplo: “Jesus, pois, enviou Pedro e João, dizendo: Ide preparar-nos a Páscoa para que a comamos.” (Lc 22.8)

4º) OUTROS (10% ou peso 1)

Enquadra-se aqui sua habilidade para atender a todas as demais demandas do seu ofício.

Destaques:

Percebe-se, portanto, que as duas primeiras áreas são de fundamental relevância para o pastor e para a igreja: Desempenho no “Púlpito” e Relacionamento Interpessoal!

Um desempenho no púlpito acima da média, requer a presença dos seguintes pontos fortes: boa dicção; emoção, empolgação e alegria na exposição; equilíbrio; consistência bíblica com criatividade; pregar a Palavra e não teologia; tratar o auditório com proximidade e de forma amorosa (por exemplo, usar a expressão “amados” e “irmãos” o que inclusive é recorrente no NT); cativar a atenção; não ficar muito preso e dependente da leitura de suas anotações; usar boas ilustrações etc etc.

Um desempenho no Relacionamento Interpessoal acima da média requer que o pastor tenha vocação para lidar com pessoas. Na análise de perfis gerenciais no mundo corporativo, por exemplo, é de domínio público que há líderes mais voltados para a relação interpessoal (ex.: psicólogos) e outros mais voltados para a execução de tarefas (ex.: engenheiros). Uns têm mais habilidade para lidar com pessoas e outros com coisas. Os líderes top e não muito abundantes no mercado são aqueles que conseguem ser igualmente hábeis, tanto na execução de tarefas, como no relacionamento interpessoal. Os três tipos de pessoas são muito importantes para a sociedade, principalmente se estiverem atuando nas áreas certas. Os pastores cuidam de gente e, assim, precisam ter vocação e bom desenvolvimento na área do relacionamento interpessoal.

Finalmente, precisamos nos lembrar do seguinte:

Membros de igrejas que tem a forma de governo presbiteriano precisam:

a) Se dar conta da importância de sua escolha, expressa no seu voto, para o futuro da sua igreja.

b) Avaliar com atenção os aspectos acima mencionados, para votar com a consciência tranquila diante de Deus e dos homens.

c) Orar em todo o tempo, se possível, com jejuns, para que o Senhor ilumine sua mente e coração, bem como toda a igreja.

Na vida fazemos muitas escolhas. Escolhemos com quem namorar ou casar, onde morar, onde estudar, que profissão seguir, onde trabalhar, para onde viajar etc etc. Através do nosso voto escolhemos nossos representantes no legislativo municipal, estadual e federal; bem como nossos governantes no executivo municipal, estadual e federal. Na igreja presbiteriana escolhemos nossos diáconos, presbíteros e pastores. Para cada escolha dessas há determinados aspectos a considerar. Quando escolhemos o pastor de uma igreja temos que tomar muito cuidado com os aspectos que estamos levando em conta. Jamais podemos nos deixar levar por aspectos como: raça, cor, parentesco, amizade, a facilidade de obtenção de um cargo futuro etc etc. Portanto, é de extrema importância levar em conta apenas o que for melhor para o todo, para a igreja toda; para a expansão e solidez da igreja.

“Pois pareceu bem ao Espírito Santo e a nós…” (At 15.28). Que assim continue sendo, afinal, o Deus é o mesmo, o Espírito Santo nos foi concedido, a igreja é do Senhor Jesus e a sua voz se fará ouvir através das nossas próprias vozes e escolhas!

Que Deus tenha misericórdia de nós e nos ilumine em cada decisão que precisarmos tomar!

O pastoreio da igreja na atualidade

pastoreio atual

Nos últimos três artigos e no atual, estamos tratando da seguinte temática e tópicos:

Pastoreando o Rebanho de Deus (1Pe 5.1-4).

Parte 1: A paridade entre apóstolos e presbíteros (1Pe 5.1)

Parte 2: O jeito errado e o certo de pastorear (1Pe 5.2-3)

Parte 3: A recompensa do bom pastoreio (1Pe 5.4)

Parte 4: O pastoreio da igreja na atualidade

Nos três primeiros artigos trouxemos a visão da igreja primitiva ou neotestamentária sobre o assunto, tomando por base a Primeira Epístola de Pedro, conforme o texto mencionado. Neste quarto artigo, faremos uma ponte daquele tempo inicial para o tempo atual. Abra a sua mente e coração para refletir mais profundamente sobre a visão bíblica quanto ao pastoreio do rebanho de Deus, a sua igreja militante.

Parte 4: O pastoreio da igreja na atualidade

Os termos usados

Ao fazermos a ponte entre os primeiros tempos da igreja e a época atual, vamos começar apresentando os nomes dados a esses líderes da igreja que sucederam os apóstolos. Todos os nomes se aplicam ao mesmo tipo de oficial e líder da igreja, sendo que cada um destaca e ressalta um aspecto peculiar da pessoa ou do ofício.

i. PRESBÍTERO ou ANCIÃO (At 11.30 – 1ª vez)

Termo de Dignidade: sugere Maturidade e Experiência
Homem maduro, experimentado, criterioso e respeitado que dá sábios conselhos para orientação dos membros da igreja.

ii. BISPO (“episkopos”, grego) (At 20.28; Fp 1.1)

Termo de Superintendência: sugere Direção
Homem diligente que preside os trabalhos, as reuniões, organiza e supervisiona tudo

iii. PASTOR

Termo de Ternura: sugere Cuidado
Homem zeloso que apascenta o rebanho de Deus, preparando-lhe pastagens verdejantes (mensagens espirituais e práticas vitais) e guiando-o às águas tranquilas, isto é, proporcionando-lhe um ambiente espiritual, agradável e alegre.

Tais termos frequentemente aparecem no plural, fazendo referência à liderança plural de cada igreja local.

Ofício e Dom

Em segundo lugar é importante reafirmar que este ofício de Presbítero ou Ancião ou Bispo ou Pastor (1Pe 5.2) é diferente do Dom de Pastor (Ef 4.11).

O significado de ofício é o mesmo de profissão, ou seja, “Profissão é um trabalho ou atividade especializada dentro da sociedade, geralmente exercida por um profissional. Algumas atividades requerem estudos extensivos e a masterização de um dado conhecimento, tais como advocacia, biomedicina ou engenharia, por exemplo. Outras dependem de habilidades práticas e requerem apenas formação básica (ensino fundamental ou médio), como as profissões de faxineiro, ajudante, jardineiro. No sentido mais amplo da palavra, o conceito de profissão tem a ver com ocupação, ou seja, que atividade produtiva o indivíduo desempenha perante a sociedade onde está inserido.” (Wikipédia)

Já o significado de dom pode ser expresso na sociedade como aquela capacitação ou talento natural; e, na igreja, como aquela capacitação ou habilidade especial concedida pelo Espírito Santo, “… com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo,” (Ef 4.12). O que o apóstolo Paulo menciona em Efésios são os cinco dons ministeriais, dons que concedem capacitação sobrenatural para o exercício dos ministérios: Apóstolo / Profeta / Evangelista / Pastor / Mestre.

As etapas do planejamento divino

O que Deus planejou para a liderança e governo da sua igreja?

Tudo começou com o “Seminário de Jesus” treinando e preparando os apóstolos para a era da igreja. Se considerarmos 10h/dia, 365 dias/ano e 3 anos teremos uma carga horária de 10.950h/aula. Se considerarmos um curso de teologia de 4h/dia, 20 dias/mês, 9 meses/ano e 5 anos teremos 3.600h/aula. Portanto, o “Seminário de Jesus” teve a carga horária mais do que o triplo de um curso de teologia convencional. Os apóstolos foram treinados pelo Mestre dos mestres, com aulas teóricas e práticas insuperáveis.

Na segunda fase do planejamento divino, tudo isso foi potencializado no Pentecostes, com a unção e capacitação dos apóstolos e dos primeiros discípulos pelo Espírito Santo. Também o apóstolo Paulo foi chamado e designado por Deus para fortalecer o grupo.

Na terceira fase, a liderança da igreja foi assumida apenas por presbíteros, eleitos em cada igreja local, sempre no plural (At 14.23). Os primeiros foram instruídos, pessoalmente, pelos apóstolos, e pelas cartas doutrinárias ou epístolas que percorriam as igrejas, pois as Escrituras do NT ainda estavam sendo escritas.

As características das igrejas locais do primeiro século

A simples leitura do NT nos mostra que tais igrejas locais:

i. Se reuniam com simplicidade nos espaços e locais onde pudessem ser acomodados, até mesmo nas casas (Rm 16.5; 1Co 16.19; Cl 4.15; Fm 1.2).

ii. Naturalmente começaram com poucos membros e foram crescendo dia após dia.

iii. Tinham governo próprio e independente, porém com o compromisso de manter a doutrina: “E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações.” (At 2.42)

iv. Também estavam comprometidas com evangelismo, missões e ação social.

Os desafios das igrejas locais de ontem, de hoje e de sempre

Enquanto o número de membros é pequeno, a organização e governo da igreja local é mais simples. Na medida em que o grupo local cresce, dois caminhos podem ser trilhados. O primeiro é o de dividir o grupo, formando novas igrejas locais, o que possibilitará manter a simplicidade de organização e governo. O desafio desse caminho é encontrar um novo espaço e convencer parte do grupo a migrar para a nova igreja local. O segundo caminho é manter todo o grupo junto e partir para um novo espaço, capaz de acomodar o grupo atual e com folga suficiente para acomodar muitos outros membros, no caso do espaço atual não poder ser ampliado. O desafio desse segundo caminho passa a ser organização, administração e governo de uma igreja tão numerosa. Para dar conta de tudo isso, é preciso criar uma estrutura de pessoal para cuidar das questões administrativas e atividades meio da igreja. Por outro lado, é preciso estabelecer uma estrutura de pessoal para orientar e liderar a atividade fim da igreja.

Na história da igreja, ambos os caminhos ou modelos têm sido trilhados ou adotados. Isso tem gerado dois grandes e permanentes desafios para a Igreja de Cristo, a saber:

  1. Manter as igrejas locais no trilho da sã doutrina bíblica, considerando a multiplicidade de igrejas locais e de líderes.
  2. Manter uma estrutura de pessoal e liderança que dê conta de todas as demandas “materiais” e “espirituais” de uma igreja local mais numerosa.

O que parecia tão simples: um só Deus e Pai; um só Mediador e Salvador, Jesus Cristo; um só Espírito Santo, unindo, ungindo e capacitando todos os remidos; uma única igreja, a de Cristo; com um só livro, a Bíblia, Única Regra Infalível de fé e prática; sim, o que parecia tão simples tem se tornado um grande desafio de unidade.

Entendo que, por conta disso e com a vontade permissiva de Deus, surgiram as denominações, tentando, cada uma, estabelecer sua solução para esses dois grandes desafios. Cada uma, então, apresenta a sua própria visão doutrinária da Bíblia e sua forma de governo (episcopal, presbiteriano ou congregacional).

As pequenas igrejas não teriam dificuldade para manter o modelo de liderança da igreja primitiva, através de presbíteros. Aliás, no mundo inteiro, ainda hoje existem muitas igrejas locais que seguem esse modelo, isto é, são lideradas por presbíteros e não têm a figura de um pastor como oficial líder. Certamente esses líderes deveriam ter o preparo necessário para o exercício do ofício, ou seja, atender as qualificações neotestamentárias estabelecidas. Entretanto, parece que já no segundo século da igreja surgiu a necessidade de líderes de igrejas locais que dedicassem mais tempo ao ministério eclesiástico. Afinal, os presbíteros tinham suas famílias e suas obrigações de trabalho secular para sustenta-las. É, assim, que surgem os pastores das igrejas locais para assumirem maior responsabilidade de liderança, compartilhando o governo da igreja com os presbíteros, dependendo da forma de governo adotada. É interessante verificar a defesa de Paulo a favor do sustento dos que vivem para o evangelho (1Co 9.1-14).

Finalmente, concluímos estes quatro artigos dizendo que Pastorear o Rebanho de Deus” é simples assim! É preciso ter muito cuidado com a perigosa TEOLOGIA REVERSA; aquela que parte do HOJE para a BÍBLIA, isto é, estabelece hoje algumas linhas de pensamento, conceitos, estruturas e doutrinas, muitas vezes copiando e acompanhando a sociedade secular, o mundo, e, então, tentam construir algum respaldo bíblico para isso, normalmente bizarro e fora do contexto. Os defensores da TEOLOGIA LIBERAL se encaixam nesta mesma linha de ação. Por outro lado, o que apresentamos aqui e o que defendemos é a TEOLOGIA DIRETA, onde procuramos partir da Bíblia para estabelecer o que fazer e como fazer HOJE. Se, por conta disso, os liberais quiserem nos taxar de fundamentalistas, fiquem à vontade. O que mais nos importa é viver e “defender” as Sagradas Escrituras!

 

Oração de ovelha

Oh, Deus, dá-nos sempre pastores ….

  1. Segundo o teu coração e dispostos a fazerem a tua santa, boa e agradável vontade;
  2. Verdadeiramente regenerados e ungidos pelo teu Santo Espírito;
  3. Chamados e vocacionados por ti para pastorearem o teu rebanho;
  4. Mestres e praticantes, comprometidos com a tua Palavra e a Sã doutrina;
  5. Que não se deixem seduzir pelo adultério ou pelo dinheiro ou pela tentação do poder e nem pelos poderosos deste mundo;
  6. Que cultivem a humildade, buscando tão somente a tua glória e não a deles próprios;
  7. Que invistam e concentrem tempo e talentos na tua obra;
  8. Que trabalhem para atender, não as vontades, mas as necessidades dos santos;
  9. Que tratem a todos sem acepção de pessoas;
  10. Que apóiem os crentes sacerdotes, no exercício dos seus dons e, principalmente, na sua missão e tarefa de evangelizar o mundo.

Em nome de Jesus e para a tua glória!

Sola Scriptura, Sola Gratia, Sola Fide, Solus Christus, Soli Deo Gloria

(PRC/2006)

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