JOSÉ, exemplo de recomeço

“Há muitos planos no coração do ser humano, mas o propósito do Senhor permanecerá.” (Pv 19.21 NAA)
“Os passos de cada pessoa são dirigidos pelo Senhor; como poderá alguém entender o seu próprio caminho?” (Pv 20.24 NAA)

Introdução

O soneto “As Pombas”, de autoria do poeta brasileiro Raimundo Correia (1859-1911), é um dos destaques do movimento parnasiano brasileiro (final do século XIX).

Vai-se a primeira pomba despertada…
Vai-se outra mais… mais outra… enfim dezenas
De pombas vão-se dos pombais, apenas
Raia sanguínea e fresca a madrugada.

E à tarde, quando a rígida nortada
Sopra, aos pombais, de novo elas, serenas,
Ruflando as asas, sacudindo as penas,
Voltam todas em bando e em revoada…

Também dos corações onde abotoam,
Os sonhos, um a um, céleres voam,
Como voam as pombas dos pombais;

No azul da adolescência as asas soltam,
Fogem… Mas aos pombais as pombas voltam,
E eles aos corações não voltam mais…

O soneto menciona pombas e a Bíblia também. Ainda que Noé, dentro da Arca e depois do dilúvio, tenha soltado uma pomba por três vezes: a primeira retornou significando que era tempo de espera e paciência; a segunda retornou com uma folha nova de oliveira no bico, sinal de vida, recomeço e esperança; a terceira já não retornou, significando que era tempo de agir, de sair da Arca, de seguir em frente, de recomeçar  (Gn 8.8-12). Ainda que a pomba seja uma ave importante no cristianismo, uma representação do Espírito Santo – simplicidade e pureza (Mt 3.16; 10.16; Jo 1.32). Ainda que as pombas recebam certo protagonismo neste soneto, a intenção do poeta é outra; vai além das pombas e sua rotina de vida.

O soneto descreve, inicialmente, o revoar rotineiro das pombas, nas suas idas e vindas cotidianas. O poeta faz uma conexão entre estas e os sonhos. Sua intenção é a de trazer à tona e nos fazer refletir sobre a efemeridade da vida. No final estabelece uma relação com as fases da existência humana, sendo que, desde o alvorecer da vida, desde o azul da adolescência, cada dia que passa é um sonho ou uma ilusão que morre. Sem dúvida o soneto carrega uma preocupação existencial, uma visão pessimista da vida, com pensamentos que dão asas à imaginação, com sonhos que se projetam entre o céu e a terra, mas que nunca se concretizam. No crepúsculo da vida, não mais serão lembrados. Será que é assim mesmo? Será que foi assim na vida de José? Será que isso é determinante na vida humana?

Uma das histórias mais lindas,  emocionantes e impactantes da Bíblia é a de José, um dos doze filhos de Jacó. É justo considerar que José é a própria encarnação do conceito de recomeço e de resiliência após recorrentes situações pessoais trágicas e devastadoras. Pode-se afirmar que, diante das calamidades pelas quais ele passou, de forma humanamente solitária, o que de fato o sustentou e o fez sempre seguir com a vida foi a sua confiança e dependência de Deus. O que o salmista declarou era uma realidade em sua vida: “Somente em Deus, ó minha alma, espera silenciosa, porque dele vem a minha esperança. Só ele é a minha rocha, e a minha salvação, e o meu alto refúgio; não serei jamais abalado.” (SI 62.5 e 6).

1. RESILIÊNCIA DIANTE DA REJEIÇÃO

“Ora, Israel amava mais a José que a todos os seus filhos, porque era filho da sua velhice; e fez-lhe uma túnica talar de mangas compridas. Vendo, pois, seus irmãos que o pai o amava mais que a todos os outros filhos, odiaram-no e já não lhe podiam falar pacificamente.” (Gn 37.3-4)

O nascimento de José se deu em condições especiais, pois sua mãe Raquel era estéril. Depois de longa espera, humilhação e vergonha, em resposta ao seu clamor a Deus, Raquel concebeu (Gn 30.22-24). Sendo Raquel a esposa predileta de seu pai (Gn 29.30) e tendo ele vindo ao mundo por milagre divino, Jacó tratava José com predileção e distinção (Gn 37.3), o que provocava ciúme e rejeição por parte dos demais irmãos (Gn 37.4, 11).

A história de José é narrada a partir de Gênesis 37. Ainda muito jovem, com 17 anos, ele não estava isento do trabalho. Pastoreava os rebanhos da família com os demais irmãos. Desde o início temos a impressão de que a índole de José era piedosa, contrastando assim com a dos seus irmãos, bem conhecida principalmente no incidente com Diná (Gn 34). Como filho predileto, ele parece estar sempre disposto a defender os interesses do pai, denunciando corajosamente os erros de conduta dos irmãos, ainda que comprometendo o seu relacionamento com eles. No conceito dos irmãos José não devia passar de um sujeito mimado e “dedo duro”.

A vida de José é marcada por sonhos e interpretações de sonhos. As palavras “sonho” e “sonhos” aparecem aproximadamente 27 vezes (32 %) na história de José, 27 (32 %) em Daniel e 31 (36 %) outras vezes no restante da Bíblia, num total de 85 vezes.

Uma das definições de sonho é “conjunto de ideias e imagens que se apresentam ao espírito durante o sono” . Outra definição secular fala em “sequência de ideias vãs e incoerentes”.  Em Jó 33.14-24 Eliú, em seu discurso, diz que Deus fala aos homens por meio de sonhos (vv.15-16), por meio da dor (vv.19-22) e por meio de anjos (v.23). Quando o escritor de Hebreus diz que Deus falou de “muitas maneiras” certamente ele tinha em mente o “sonho”, canal bastante utilizado por Deus.

A mensagem profética contida nos dois sonhos de José estava muito além da compreensão deles e só fez agravar o  já crítico relacionamento familiar. De fato, Deus pretendia deixar bem claro que José haveria de ter proeminência sobre toda a casa de Jacó. No primeiro sonho, sobre seus irmãos, sendo cumprido em Gênesis 42.6, 9; 43.26; 44.14. No segundo, sobre seus  pais, sendo cumprido em Gênesis 47.11-12).

Não é difícil imaginar o quanto era aflitivo e angustiante para José ter que conviver, dia após dia, com o ódio e rejeição dos irmãos. Ódio esse tão exacerbado e ácido que os levaram a conspirar para o matar. Porém, Deus não o permitiu. Então, eles o lançaram numa cisterna e depois o venderam para uma caravana de ismaelitas que seguia para o Egito. Pode-se dizer que, nas suas mentes, eles o assassinaram.

Portanto, mesmo diante de tanto ódio e rejeição José não se deixou abater, não se tornou uma pessoa revoltada ou deprimida, não se prostrou derrotado diante das circunstâncias. Dia após dia ele procurava viver uma vida plena e em obediência ao seu pai. Quanto aos sonhos que tivera certamente ele não fazia ideia de que tudo aquilo fazia parte do plano de Deus para a sua realização.

Que tipo de rejeição você tem enfrentado em casa ou por causa da sua família? Não é o(a) filho(a) predileto(a) dos pais? Seu pai ou sua mãe ou ambos te abandonaram (literal ou emocionalmente)? São os erros ou a má fama de alguém de sua família? A condição social ou racial da sua família? Suas limitações ou deficiências ou deformidades físicas? Não encarne a posição de eterna vítima! Não viva murmurando! Firme-se em Deus e na força do seu poder. Mesmo quando você não estiver entendendo bem as circunstâncias adversas, siga em frente, espelhe-se em José!

2. RESILIÊNCIA DIANTE DA ESCRAVIDÃO

“José foi levado ao Egito, e Potifar, oficial de Faraó, comandante da guarda, egípcio, comprou-o dos ismaelitas que o tinham levado para lá. O SENHOR era com José, que veio a ser homem próspero; e estava na casa de seu senhor egípcio.” (Gn 39.1-2)

Assim que chegou ao Egito José foi comprado, como escravo, por Potifar, um oficial de Faraó. Não é fácil se colocar no lugar de José e perceber o impacto psicológico e emocional de deixar a casa paterna, onde ele era livre e o predileto do pai, para viver essa nova e terrível condição de escravo numa terra estrangeira. Na casa deste oficial ele progrediu admiravelmente, a ponto de ser promovido como administrador e mordomo de tudo o que tinha o seu senhor (Gn 39.1-6a). Mais uma vez é notório que José ressurgiu das cinzas, não se deixou abater, buscou forças em Deus e seguiu em frente. E Deus abençoou a casa de Potifar, por amor a José (Gn 39.5).

Que tipo de dificuldade você tem enfrentado na escola ou no seu local de trabalho? Sua condição social ou racial? Suas limitações ou deficiências ou deformidades físicas? Sua fé em Cristo? Sua postura, princípios e valores, hábitos e conduta de vida? Assédio moral ou sexual? Não encarne a posição de eterna vítima! Não viva murmurando! Firme-se em Deus e na força do seu poder. Mesmo quando você não estiver entendendo bem as circunstâncias adversas, siga em frente, espelhe-se em José!

3. RESILIÊNCIA DIANTE DA INJUSTIÇA

“José era formoso de porte e de aparência.” (Gn 39.6b)

Não é incomum encontrar na narrativa bíblica alguma referência ao aspecto físico de uma pessoa. Sara (Gn 12.11, 14), Rebeca (Gn 24.16; 26.7) e Raquel (Gn 29.17); bisavó, avó e mãe de José, respectivamente, também foram mencionadas como formosas. Assim como a beleza dessas suas ascendentes representou perigo para seus maridos diante de governantes estrangeiros, parece que a beleza (física e intelectual) de José despertou a atenção e o interesse da mulher do seu senhor. Sendo cotidianamente assediado sexualmente pela pérfida e mentirosa mulher de Potifar, José resistiu firmemente. É digno de destaque o seu argumento dirigido a ela, demonstrando seu inegociável respeito ao seu senhor e, acima de tudo, sua determinação de não pecar contra Deus (Gn 39.10). Sua fidelidade a Deus e ao seu senhor fizeram com que a mulher de Potifar armasse uma cena típica da dramaturgia moderna que a colocou no papel de vítima inocente e a José no papel de vilão pervertido. Assim, ele foi parar no cárcere do rei (Gn 39.10-20).

“O SENHOR, porém, era com José, e lhe foi benigno, e lhe deu mercê perante o carcereiro; o qual confiou às mãos de José todos os presos que estavam no cárcere; e ele fazia tudo quanto se devia fazer ali.” (Gn 39.21-22)

Parece que a frase “não existe nada tão ruim que não possa piorar” foi cunhada a partir da história de José. Diante do descalabro e da injustiça sofrida será que José ainda se lembrava dos sonhos que tivera? De onde poderia ele tirar forças para se reerguer diante de sua condição de privação da liberdade de ir e vir e da reputação assassinada por uma mentirosa? Estando no fundo do poço será que valeria a pena lutar ou era melhor se entregar de vez, deixando-se dominar pelo desânimo, depressão até à morte. É relevante observar que o Senhor Deus nunca o desamparou e lhe renovou as forças para continuar. Mas, será que haveria algo que pudesse despertar seu interesse dentro de um cárcere? Com a bênção divina José encontrou favor e amizade da parte do carcereiro-mor e este usou as habilidades do escravo encarcerado para ajudá-lo na administração daquele lugar (Gn 39.21-23).

José não poderia imaginar que aquele lugar seria o trampolim para a sua ascensão ao ponto mais alto da sua vida. Ali ele interpretou os sonhos de dois encarcerados que serviam ao rei do Egito (copeiro-chefe e padeiro-chefe) que se cumpriram. Restaurado às suas funções no palácio, durante dois anos o copeiro-chefe esqueceu-se de apelar em favor de José, conforme este lhe pedira. Mas José, não se deixou abater e nunca perdeu a esperança no seu Deus! (Gn 40).

Que tipo de injustiça você tem enfrentado na vida? Foi ou está sendo acusado(a) ou punido(a) por algo que não fez? Está sendo preterido de uma promoção no trabalho? Está se sentindo desprestigiado na igreja apesar de se desgastar na obra de Deus? Foi vítima de alguém e os responsáveis não estão tomando qualquer providência? Estão dando mais atenção a outros do que a você? Não adote aquela postura de vitimização permanente! Não viva murmurando! Firme-se em Deus e na força do seu poder. Mesmo quando você não estiver entendendo bem as circunstâncias adversas, siga em frente, espelhe-se em José!

4. O TRIUNFO DA RESILIÊNCIA DE JOSÉ

“Disse Faraó aos seus oficiais: Acharíamos, porventura, homem como este, em quem há o Espírito de Deus? Depois, disse Faraó a José: Visto que Deus te fez saber tudo isto, ninguém há tão ajuizado e sábio como tu. Administrarás a minha casa, e à tua palavra obedecerá todo o meu povo; somente no trono eu serei maior do que tu. Disse mais Faraó a José: Vês que te faço autoridade sobre toda a terra do Egito.” (Gn 41.38-41)

A fé é posta à prova nos inevitáveis e pedagógicos desafios da vida. Durante treze anos, dos 17 aos 30 anos,  José passou por uma série de tragédias pessoais (Gn 37.2; 41.46). Nas crises e angústias, as tentações são grandes; a tendência é queixar-se de Deus, acusar os outros e cair no desespero. José, porém, sofrendo injustamente e vivendo longe da casa paterna, continuava firme em sua fé e na fidelidade a Deus. E Deus estava com ele, na cisterna, na casa de Potifar e no cárcere.

A prosperidade e ascensão social podem ser consideradas outros tipos de tentação. Muitos crentes que progrediram na vida, intelectual e financeiramente, acabaram se desviando da fé. A promoção material induz a pessoa à ambição material, à negligência nos deveres espirituais e ao orgulho, julgando-se superior aos outros. José foi elevado ao posto de governador do Egito e não se afastou dos caminhos de Deus, conservando seu testemunho de fé e temor ao Senhor. É como disse Jesus: “….; foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor.” (Mt 25.21)

“Assim, não fostes vós que me enviastes para cá, e sim Deus, que me pôs por pai de Faraó, e senhor de toda a sua casa, e como governador em toda a terra do Egito.” (Gn 45.8)

José recebeu a missão divina de conservar a vida (Gn 45.5). A nação egípcia foi abençoada pela sua administração, bem como muitos povos foram beneficiados. Seus irmãos foram perdoados e por sua influência encontraram um lugar onde puderam morar em paz e segurança. Ali a nação de Israel floresceu. Deus estava no controle conduzindo toda a sua trajetória! Aleluia!

Conclusão

José, sem dúvida, deve ter ficado atordoado e perplexo, diante de situações catastróficas ao longo da sua vida. Primeiramente, no poço ou cisterna vazia, esperando a morte; depois vendido para ser escravo; mais tarde colocado na prisão devido a uma acusação falsa da mulher do seu senhor. Enquanto estava na prisão foi esquecido por um homem que ele ajudou e, por fim, foi elevado para ser o governador em toda a terra do Egito no tempo duma crise alimentar iminente.

É notório que sua fé se mantinha viva ou aumentava a cada prova. Deus nunca dá spoiler da trajetória ou curso da nossa vida! É preciso viver pela fé e na sua dependência. Não havia qualquer possibilidade dele entender o plano divino e como aqueles sonhos seriam concretizados.

Confiança nas circunstâncias variadas e às vezes, devastadoras, é constantemente exigido dos filhos de Deus. Não entendemos e não podemos entender completamente os propósitos de Deus, mas somos admoestados a continuar perseverantes no conhecimento de que Deus está no controle e nunca vai nos deixar e nem nos desamparar. No caso de José, as experiências contribuíram para o aprimoramento da sua fé. Isto aconteceu somente porque ele confiou em Deus em todos os momentos e circunstâncias, por mais variadas e instáveis que fossem. Seu exemplo se toma uma inspiração para nós quando o caminho parece escuro e incerto. Deus ainda está operando entre nós e continuará a realizar os seus propósitos!

Algumas das virtudes de José devem marcar a nossa vida e caminhada cristã: Temor a Deus, Fé Inabalável, Paciência, Perseverança, Caráter ilibado, Coragem, Humildade, Honestidade, Espírito Perdoador, Amor, Generosidade e Misericórdia. José é um bom exemplo de pessoa que se tornou bênção nas mãos de Deus: no lar, na casa de Potifar, no cárcere e no governo. Deve inspirar o crente em qualquer circunstância: nos afazeres comuns, no exercício da profissão, nas provações ou circunstâncias adversas ou nas posições de maior destaque.

Finalmente, o que dizer dos seus sonhos? O poeta do soneto inicialmente mencionado tem ou não razão? Você teve ou tem sonhos? Os seus sonhos são apenas seus ou também são os sonhos de Deus? “Ninguém pode realizar grandes obras sem ser um sonhador. O espírito humano concebe as coisas do futuro. Os pais sonham carreiras para os seus filhos; eles sonham o que estes serão em suas vidas. Isto é bom, desde que seja para a glória de Deus.” (Jabes Lopes de Souza)

“Se você, meu irmão, é capaz de sonhar, como sonhou José, vendo o invisível e esperando o amanhã radiante que a próxima alvorada trará, mesmo que primeiramente tenha de passar pela provação, porém não permitindo que a fantasia, a utopia, se aninhem na mente, de tal maneira que os planos do Senhor se tornem secundários. Certamente você é um servo de Deus, e sobre você está a unção do Altíssimo.” (Pr. Amaury de Souza Jardim – adaptado)

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Para reflexão

Dentre as muitas lições que podemos extrair da história de José, mencionamos apenas algumas:

– Poligamia gera confusão e desarmonia.
– Predileção por filhos produz desagregação familiar.
– Deus é soberano para levantar líderes que cumpram uma missão específica.
– A inveja é voraz e destruidora.
– Os métodos de Deus desafiam a lógica humana.


Veja, também o Estudo: JOSÉ, um tipo de Cristo

Parece JOSÉ, mas é JUDAS !

Já se foi o tempo em que alguém se apresentava como crente, membro de uma igreja Evangélica, e você ficava tranquilo, porque podia confiar. Não hesitaria em indicá-lo ou contratá-lo como empregado(a), ou para ser uma trabalhadora doméstica. Emprestava e era certo receber de volta. Os tempos mudaram. Já ouvi casos de crentes, até mesmo oficiais de igreja (diáconos) furtando dinheiro das ofertas de suas igrejas. A que ponto chegamos! Muita atenção ao lidar com pessoas chamadas cristãs, mesmo que sejam seus parentes, porque algumas tentam aparentar uma coisa, quando na realidade são outra. Parecem José, mas são Judas. Fazem questão de se aproximar de qualquer atividade que mexa com dinheiro. Por que será? E, como o velho Judas, acham que nunca serão descobertas….

Veja só as semelhanças e diferenças entre José e Judas e não caia numa boa conversa!

José, o décimo primeiro filho de Jacó é conhecido como o Estadista do Egito. Seu nome hebraico significa: “possa ele (Deus) acrescentar”. Ele foi o mais completo tipo de Jesus Cristo. Foi o salvador de povos em sua época.

Judas Iscariotes, o homem de Queriote. Nada é dito na Bíblia do seu passado além da sua cidade natal vinculada ao seu nome. Uma frase pode resumir a sua vida: Tão perto do Salvador, mas tão longe da Salvação. O seu título maior – o traidor do Messias. Isso foi conquistado não por determinação ou predestinação divina; porém, por sua própria e deliberada vontade.

ALGUMAS SEMELHANÇAS E DIFERENÇAS:

a) Ambos se tornaram personalidades famosas, conhecidas no mundo inteiro. Chamaram a atenção pelos seus feitos.

José, como símbolo do bem e Judas, como a própria encarnação do mal!

b) Ambos fizeram parte de projetos especialíssimos e estratégicos de salvação de pessoas:

José, de um projeto de salvação do mundo Egípcio e nações vizinhas fadados ao aniquilamento e extinção, pela fome.

Judas, de um projeto de salvação do mundo Judeu e nações gentílicas fadados à perdição eterna, pelo resultado do pecado. Notadamente, o projeto do qual José participou era de natureza material. Por outro lado, o projeto do qual Judas participou era de natureza espiritual. Entretanto, José teve um comportamento espiritual e Judas, um comportamento carnal.

c) Ambos integraram grupos, com lideranças definidas.

José integrou o grupo dos doze filhos de Jacó, liderado por Jacó, que é a base e fundamento da nação de Israel, o povo escolhido de Deus.

Judas integrou o grupo dos doze apóstolos, liderados por Jesus, que é a base e fundamento da Igreja (Ef 2.20), o novo povo escolhido de Deus.

d) Ambos trilharam seus próprios caminhos, mapeados pela narrativa bíblica:

José, um adolescente mimado, confuso e protegido do pai, precisou perder tudo, para parar de se preocupar apenas com o seu próprio status, conforto e bem-estar pessoal, para aprender a depender somente de Deus e para aprender a distribuir os bens materiais por todos os seus irmãos e demais seres humanos.

Judas, um homem feito, determinado, egoísta, sonso, teve toda a oportunidade possível para aprender com o Mestre dos mestres sobre o amor ao próximo, a solidariedade humana e a compaixão. Entretanto, preferiu se aproveitar materialmente de uns poucos trocados pertencentes ao seu grupo em benefício próprio. Triste escolha. Valiosa oportunidade perdida.

e) Ambos exerceram um papel, desempenharam uma função que tinha tudo a ver com provimento e administração de recursos materiais. Recursos esses que deveriam ser bem geridos em prol do bem-estar de todo o grupo.

José, orientado e dependente de Deus, na qualidade de administrador de Faraó, demonstrou algumas das mais importantes qualidades de um mordomo dos bens alheios:

– Humildade: “… escolha Faraó um homem ajuizado e sábio e o ponha sobre a terra do Egito.” (41.33)

– Temor e convicção: “Deus dará resposta….” (41.16)

– Propriedade e clareza: “O sonho de Faraó é….” (41.25)

– Senso de urgência: “… e Deus se apressa a fazê-la.” (41.32)

– Competência de administrador: “Faça isso Faraó…” (41.34)

– Transparência administrativa: “Assim, ajuntou José muitíssimo cereal, como a areia do mar, até perder a conta, porque ia além das medidas.” (41.49). O resultado da sua boa administração foi armazenado nos celeiros de Faraó e era visível a todos.

Judas, movido pela ganância e pela intenção de levar vantagem em tudo, na qualidade de “gerente financeiro” do grupo de Jesus, demonstrou algumas das mais características marcas de um péssimo, interesseiro e defraudador mordomo dos bens alheios:

– Traidor, infiel, que age premeditadamente contra o seu “patrão”: “Mas Judas Iscariotes, um dos seus discípulos, o que estava para traí-lo, disse:” (Jo 12.4).

– Desprezo ao seu “patrão” reduzindo-o ao valor de um escravo: “Que me quereis dar, e eu vo-lo entregarei? E pagaram-lhe trinta moedas de prata.” (Mt 26.15)

– Falso interesse pelo próximo: “Por que não se vendeu este perfume por trezentos denários e não se deu aos pobres? Isto disse ele, não porque tivesse cuidado dos pobres;” (Jo 12.5). Na verdade, o que lhe interessava era o próprio umbigo.

– Falta de transparência, ausência de prestação de contas; pois fazia retiradas sem autorização: “Mas porque era ladrão e, tendo a bolsa, tirava o que nela se lançava. (Jo 12.6)

– Aparente afetividade e carinho, porém com fins escusos. “E, logo que chegou, aproximando-se, disse-lhe: Mestre! E o beijou.  Então, lhe deitaram as mãos e o prenderam.” (Mc 14.45-46). Administradores como Judas precisam conquistar a confiança do patrão para poder meter a mão.

Cuidado!!!!!  Parece José, mas é Judas!!!

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