Maduros na Fé: Não que – Até que – Para que


Santificação: segredo do caráter cristão!

“Até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo,” (Efésios 4.13)

Introdução          

A palavra “maduro” nos remete, tanto ao fruto ou produto vegetal que está pronto para ser colhido e consumido, quanto à pessoa que tem mais idade; o adulto ou velho. A maturidade, estado ou condição de ter atingido uma forma adulta ou amadurecida, na psicologia tem o significado de desenvolvimento pleno da inteligência e dos processos emocionais, do estado em que um indivíduo goza de plena e estável diferenciação e integração somática, psíquica e mental. O amadurecimento dos seres humanos não se dá de modo uniforme; pois cada um amadurece no seu próprio ritmo. O mesmo acontece no que diz respeito à maturidade na fé, de cada crente. Assim sendo, um crente mais antigo na igreja não é, necessariamente, mais maduro na fé do que outro com menos tempo.

Santificação e perfeição são processos que caminham juntos, de mãos dadas, na trajetória do cristão que se inicia na regeneração e culmina na glorificação. Mais do que uma opção dada ao crente, ou um pedido, ou um conselho, é um imperativo divino: “…sede vós perfeitos como perfeito é o vosso Pai celeste.” (Mt 5.48); “porque escrito está: Sede santos, porque eu sou santo.” (1Pe 1.16; Lv 11.45)

Não é da vontade de Deus a paralisia no crescimento espiritual rumo a essa maturidade necessária. Também, não deve passar despercebida a palavra desafiadora de Jesus: “Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder em muito a dos escribas e fariseus, jamais entrareis no reino dos céus.” (Mt 5.20). Podemos entender a expressão “vossa justiça”, como a “vossa prática religiosa” ou, em termos de igreja, a “vossa prática da vida cristã”. Ser religioso não é difícil, o desafio maior é o de agradar a Deus fazendo a sua vontade.

Neste estudo, desenvolveremos o tema proposto, revisitando o processo da santificação, com foco em três vertentes: “Não que”, Até que” e “Para que”.

1. “Não que” – a autoconsciência do estado atual

Não que eu o tenha já recebido ou tenha já obtido a perfeição; mas prossigo para conquistar aquilo para o que também fui conquistado por Cristo Jesus.” (Fp 3.12)

A postura e atitude daqueles escribas e fariseus contemporâneos de Jesus era a de religiosos profissionais, “senhores da verdade” divinamente revelada, guardiões e “exímios cumpridores” da lei e das tradições religiosas. Naturalmente se consideravam tão santos e perfeitos que se assentaram na cadeira de Moisés (Mt 23.2), como mestres da lei e juízes do povo, tornando-se incansáveis patrulheiros dos atos de Jesus e dos seus apóstolos (ver Mt 23.1-36). Jesus alertou às multidões e aos seus discípulos: “Fazei e guardai, pois, tudo quanto eles vos disserem, porém não os imiteis nas suas obras; porque dizem e não fazem.” (Mt 23.3). O ativismo religioso e a busca de uma super espiritualidade equivocados, podem levar um crente a pensar de si além do que convém (Rm 12.3) e à essa mesma postura farisaica.

No texto de Filipenses 3.4-14 o apóstolo Paulo apresenta seu brilhante currículo de vida, não para se exibir ou impressionar seus leitores, mas para deixar claro que ele não confiava na carne, nos seus méritos pessoais ou justiça própria. Pelo contrário, ele se considerava devedor do conhecimento de Cristo e do poder da sua ressurreição. Então, ele conclui com o “não que” que demonstra plena consciência das suas limitações, ao lado da sua inteira disposição de prosseguir para o alvo.

Portanto, o primeiro aspecto a se levar em conta é a autoconsciência do estado atual, sempre aquém daquele onde poderemos estar, o que nos deve motivar e desafiar a seguir nesse processo de santificação.

2. “Até que” – a consciência da necessidade de persistência:

Até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo,” (Ef 4.13)

É claro que temos um alvo, um ponto de chegada, e, um caminho a percorrer até chegar lá:  “à medida da estatura da plenitude de Cristo,”. Muitos chegam a Cristo e à igreja quase que num estado de euforia, como o homem da parábola que achou um tesouro escondido e vende tudo o que tem para comprar o campo onde o havia encontrado (Mt 13.44); ou, o outro homem, da outra parábola, que achou uma pérola de grande valor e fez o mesmo para obtê-la (Mt 13.45-46). É o estado denominado de “primeiro amor” (Ap 2.4); um amor ardente e apaixonado por Deus, por Jesus, pela Bíblia, por estar junto aos irmãos nas reuniões da igreja, por falar de Cristo aos outros. Não é difícil constatar que a maioria destes, com o passar do tempo, perdem o vigor, o ardor dos primeiros anos e se deixam levar pelo automatismo da rotina. Quando mais jovem, conheci e vi pregar algumas vezes, um servo de Deus, creio que italiano, que mesmo depois de muitos anos de caminhada na fé cristã, vivia permanentemente no primeiro amor. Ele era muito intenso; pregava o que vivia e vivia o que pregava. Não perdia a oportunidade de falar de Cristo a quem estivesse no seu caminho. Tinha o hábito de beijar sua bíblia, quando a ela se referia na pregação, para demonstrar o seu grande apreço pela Palavra de Deus. Sem dúvida, um exemplo a ser seguido.

O “até que” nos remete à importância da perseverança, da constância, da persistência, qualquer que seja a condição da “estrada” ou os obstáculos interpostos no caminho que leva ao alvo que nos está proposto. Referindo-se aos dons espirituais, em Efésios 4.7-16, o apóstolo Paulo ensina que estes dons foram dados aos crentes, com vistas ao “aperfeiçoamento dos santos”, para a “edificação do corpo de Cristo”, “até que” o alvo seja alcançado. Então, entre a capa frontal (da regeneração) e a capa posterior (da glorificação), há um conteúdo e alvo vital que dá pleno sentido ao evangelho, neste livro da vida de cada cristão. “Até que todos”– Ninguém, isto é, nenhum remido pelo Senhor fica de fora, pois todos nós formamos o corpo de Cristo, esse organismo vivo chamado igreja. Nessa magnífica declaração do apóstolo, quatro aspectos desse alvo vital são mencionados:

  • Unidade na diversidade

Até que todos cheguemos à unidade da fé…”

Unidade não é uniformidade, nem padronização de conduta ou costume ou linguajar ou vestimenta. E, certamente, a fé aqui referida não é um “corpo de doutrinas e crenças”. É, sim, a fé salvadora em Cristo Jesus, nosso Senhor e Mestre. A “entrega de alma” a Cristo, debaixo da ação do Espírito Santo, nos conduzirá a essa unidade almejada. Quanto ao mais, podemos caminhar na linha do que diz Richard Baxter: “Em assuntos fundamentais, unidade. Em assuntos secundários, liberdade. Em todas as coisas, caridade (ou amor)”.

  • Conhecimento do Senhor

Até que todos cheguemos (ao) … pleno conhecimento do Filho de Deus”

O vocábulo grego “epignosis” foi corretamente traduzido aqui como “pleno conhecimento”.  Podemos conhecer alguém ouvindo ou lendo algo a seu respeito. Entretanto, esse conhecimento é teórico, limitado, sujeito à toda subjetividade da fonte de observação e informação. O desafio que nos é proposto, inicia-se com a assimilação do conhecimento da pessoa de Cristo, através do que dele é revelado na Bíblia e, materializa-se, experimentalmente, na vivência cotidiana junto dele (2Pe 1.16; Fp 3.10). Vale ressaltar que tal conhecimento, do Pai e do Filho, é recorrente no Novo Testamento (2Co 4.6; Ef 1.17; Fp 3.8; Cl 1.10; 2Pe 1.2-3; 2Pe 1.8; 2Pe 2.20; 2Pe 3.18).

  • Plena maturidade

Até que todos cheguemos … à perfeita varonilidade,”

A expressão “perfeita varonilidade” pode ser entendida como “plena maturidade” ou “pleno desenvolvimento” como é esperado no caso de um ser humano que nasce, cresce e se desenvolve até o atingimento da idade adulta. Em termos espirituais, o mesmo se espera de um remido do Senhor, nascido de novo. Precisamos nos desenvolver ao ponto de nos tornarmos mestres e discipuladores e, não crentes imaturos, crianças espirituais, permanentemente necessitados de que nos ensinem os princípios elementares da fé (Hb 5.11-14).

  • Plenitude de Cristo

Até que todos cheguemos … à medida da estatura da plenitude de Cristo,”

Por fim, nossa persistência na busca desse alvo vital deve conduzir-nos a esse mais elevado grau de maturidade e desenvolvimento espiritual – o atingimento da perfeição em Cristo. O apóstolo Paulo muito se dedicou à essa causa: “meus filhos, por quem, de novo, sofro as dores de parto, até ser Cristo formado em vós;”  (Gl 4.19). Essa é a meta proposta, o ponto de chegada; reproduzir em cada crente a imagem de Cristo (Rm 8.29; 2Co 3.18; Cl 3.10). Certamente que o Espírito Santo tem papel preponderante nesta missão (Jo 14.17).

3. “Para que” – a consciência dos propósitos a serem alcançados:

“Porque eu (Jesus) vos dei o exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também.” (Jo 13.15)

Quais seriam as razões e motivações para buscar, com perseverança, tão elevados alvos? Por que a santificação é o segredo do caráter cristão? A bíblia tem alguns “para que” que também respondem à essas perguntas; ela fala por si mesma:

  • Para a glória de Deus

“Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus.” (Mt 5.16)

para que, uma vez confirmado o valor da vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro perecível, mesmo apurado por fogo, redunde em louvor, glória e honra na revelação de Jesus Cristo;” (1Pe 1.7)

  • Para nossa plena satisfação e fortalecimento

“Tenho-vos dito estas coisas para que o meu gozo esteja em vós, e o vosso gozo seja completo.” (Jo 15.11)

para que, segundo a riqueza da sua glória, vos conceda que sejais fortalecidos com poder, mediante o seu Espírito no homem interior;” (Ef 3.16)

  • Para dar o exemplo aos irmãos

“E a favor deles eu me santifico a mim mesmo, para que eles também sejam santificados na verdade.” (Jo 17.19)

“Mas, por esta mesma razão, me foi concedida misericórdia, para que, em mim, o principal, evidenciasse Jesus Cristo a sua completa longanimidade, e servisse eu de modelo a quantos hão de crer nele para a vida eterna.” (1Tm 1.16)

  • Para fazermos a diferença na sociedade

para que vos torneis irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis no meio de uma geração pervertida e corrupta, na qual resplandeceis como luzeiros no mundo,” (Fp 2.15)

“a fim de que todos sejam um; e como és tu, ó Pai, em mim e eu em ti, também sejam eles em nós; para que o mundo creia que tu me enviaste.” (Jo 17.21)

  • Para agradar a Deus

“…, para que vos conserveis perfeitos e plenamente convictos em toda a vontade de Deus.” (Cl 4.12b)

para que, no tempo que vos resta na carne, já não vivais de acordo com as paixões dos homens, mas segundo a vontade de Deus.” (1Pe 4.2)

“educando-nos para que, renegadas a impiedade e as paixões mundanas, vivamos, no presente século, sensata, justa e piedosamente,” (Tt 2.12)

Conclusão

Que Deus nos ajude a olhar para nós mesmos, como convém, com humildade, determinação e esperança, a fim de percebermos que sempre há algo a ser trabalhado e melhorado, para que possamos nos apresentar a ele como obreiros aprovados (2Tm 2.15). Que a perseverança seja nossa inseparável companheira nessa tarefa: “Ora, a perseverança deve ter ação completa, para que sejais perfeitos e íntegros, em nada deficientes.” (Tg 1.4). Que jamais percamos de vista os elevados propósitos que dão sentido à nossa caminhada terrena.

“Quanto ao mais, irmãos, adeus! Aperfeiçoai-vos, consolai-vos, sede do mesmo parecer, vivei em paz; e o Deus de amor e de paz estará convosco.” (2Co 13.11)

 

Cinco Princípios Bíblicos da Contribuição

1 Quanto à coleta para os santos, fazei vós também como ordenei às igrejas da Galácia.
2  No primeiro dia da semana, cada um de vós ponha de parte, em casa, conforme a sua prosperidade, e vá juntando, para que se não façam coletas quando eu for.
3  E, quando tiver chegado, enviarei, com cartas, para levarem as vossas dádivas a Jerusalém, aqueles que aprovardes.
4  Se convier que eu também vá, eles irão comigo.

 

Introdução

Ainda que este assunto seja muito extenso e amplamente tratado na bíblia, inclusive na segunda epístola aos Coríntios (caps. 8 e 9), apresentaremos, a seguir, apenas alguns princípios sobre o tema “coleta e contribuição”, ensinados por Paulo, no texto em foco. Apesar de se tratar de uma coleta especial, em benefício dos pobres dentre os santos que viviam em Jerusalém (Rm 15.26), tais princípios também são válidos para as contribuições feitas, pelos membros, para sustentar financeiramente a igreja.

Pelo exposto no primeiro versículo, introduzindo o assunto, percebe-se claramente que o apóstolo tinha a mesma linha de instrução para as diversas igrejas locais, a saber:

1º) O princípio da periodicidade (regularidade, presteza) (v.2)

“No primeiro dia da semana…”

No dia do Senhor, a cada domingo, os crentes deveriam separar a sua oferta, retirando-a de parte do rendimento semanal que obtiveram como fruto do seu labor ou ganho. Isso também ressalta a importância que o domingo tinha e tem para a igreja. A regularidade e presteza dessa providência era a garantia de que, quando o apóstolo chegasse, haveria algo a ser coletado. Deus não precisa do “nosso dinheiro” (não somos donos, somos apenas mordomos), pois ele é o dono de tudo:“Quem primeiro me deu a mim, para que eu haja de retribuir-lhe? Pois o que está debaixo de todos os céus é meu.” (Jó 41.11). Mas ele quer usar os nossos recursos para a manutenção da sua obra através da igreja. Se alguém tem um rendimento mensal, então a sua periodicidade pode ser mensal e deve ser entregue com regularidade.

2º) O princípio da individualidade (sigilo). (v.2)

“…cada um de vós ponha de parte, em casa….”

Cada um tem, diante de Deus, a responsabilidade e privilégio de contribuir. Além de ser uma ordenança é parte do culto que tributamos a Deus: “…porém não aparecerá de mãos vazias perante o SENHOR;” (Dt 16.16b). Faz parte desse culto a Deus oferecer-lhe algo que nos custou alguma coisa: “porque não tomarei o que é teu para o SENHOR, nem oferecerei holocausto que não me custe nada.” (1Cr 21.24b). Isso fazemos, não para comprarmos a salvação, mas exatamente porque já somos salvos; não para comprarmos as bênçãos divinas, mas porque somos abençoados por Deus. É preciso ter consciência de que parte daquilo que Deus nos deu precisa ser usado para ajudar os necessitados e para investir no reino de Deus. Essa é uma prática que os pais, além de não descuidar, devem ensinar aos seus filhos.

Assim como não é razoável que as pessoas tornem público aquilo que ganham (seu contracheque, sua declaração de bens etc); também não é razoável que se dê publicidade à sua contribuição. Contribuição é um assunto individual, pessoal, entre cada um e Deus! Jesus, nosso Mestre por excelência, ensinou assim: “Tu, porém, ao dares a esmola, ignore a tua mão esquerda o que faz a tua mão direita; para que a tua esmola fique em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará.” (Mt 6.3-4).

3º) O princípio da proporcionalidade (disponibilidade). (v.2)

“…conforme a sua prosperidade…”

A contribuição é proporcional ao que cada um recebe de rendimentos, pela indispensável e magnânima providência do Senhor nosso Deus. Deus nos dá primeiro para que possamos devolver uma parte para ele: “Porque quem sou eu, e quem é o meu povo para que pudéssemos dar voluntariamente estas coisas? Porque tudo vem de ti, e das tuas mãos to damos.” (1Cr 29.14). É conforme o que cada um tem, como retribuição às bênçãos recebidas: “cada um oferecerá na proporção em que possa dar, segundo a bênção que o SENHOR, seu Deus, lhe houver concedido.” (Dt 16.17). Não é razoável que alguém vá fazer um empréstimo para poder contribuir com a igreja: “Porque, se há boa vontade, será aceita conforme o que o homem tem e não segundo o que ele não tem.”(2Co 8.12). Da mesma forma, não é razoável que a pessoa se encha de dívidas, para pretender justificar a sua incapacidade de contribuir. É sempre bom lembrar que o crente não contribui fazendo contas do que lhe sobra e sim do que recebe!

Em se tratando de proporcionalidade, vale destacar aqui o que, às vezes, passa despercebido, devido à forte influência que recebemos da sociedade. Diante de Deus, uma oferta de 10% (dez por cento), entregue por quem ganha 1 salário mínimo é, no mínimo, equivalente a 10% (dez por cento), entregue por quem ganha 10 salários mínimos. Mais importante para Deus é o valor relativo e não o valor absoluto. Se lembram da humilde oferta da viúva e da reação de Jesus? “Porque todos eles ofertaram do que lhes sobrava; ela, porém, da sua pobreza deu tudo quanto possuía, todo o seu sustento.” (Mc 12.44). Que bom seria se os crentes entendessem essa contabilidade divina, tão simples! Que bom seria se os crentes não se tratassem, uns aos outros, rotulando-se de pequenos ou grandes contribuintes, a partir dos valores absolutos ofertados. Merece especial destaque o fato do apóstolo não estabelecer valores.

4º) O princípio, sutilmente apresentado aqui, é o da liberalidade (generosidade, alegria). (v.2)

“…e vá juntando, para que se não façam coletas quando eu for.”

Liberalidade é a virtude daquele que, em seus atos ou em suas intenções, dá o que não tem obrigação de dar e sem esperanças de receber qualquer coisa em troca. Generosidade é a virtude daquele que se dispõe a sacrificar os próprios interesses em benefício de outrem. Os crentes deveriam, liberalmente e generosamente, separar aquilo que quisessem dar, conforme o Senhor colocasse no coração de cada um. “Cada um contribua segundo tiver proposto no coração, não com tristeza ou por necessidade; porque Deus ama a quem dá com alegria.” (2Co 9.7). Ninguém era obrigado a dar. Ninguém seria ridicularizado e humilhado se não pudesse dar; ou exaltado se desse. Não era a presença física do apóstolo, com um bom e convincente discurso apelativo que importava. Deve-se considerar, também, que o apóstolo não tinha a intenção de se promover lá na “igreja-mãe” (de Jerusalém), arrecadando e levando uma expressiva oferta às custas de “tirar o couro” dos irmãos gentios. Quanta diferença para o que se vê por aí entre os pregadores da prosperidade, ou melhor, “predadores da prosperidade alheia”! Eles fazem questão do discurso pessoal, da coação emocional, psicológica e pseudoteológica. Eles usam todos os recursos, artimanhas e métodos para sugar os bens dos ingênuos, dos despreparados e, também, dos ambiciosos, que gostam de barganhar com Deus. Sim, porque muitas vezes só é ludibriado aquele que também quer se dar bem sem ter que pagar o preço do benefício que deseja alcançar.

5º) O princípio da transparência (honestidade). (vv. 3-4)

3  E, quando tiver chegado, enviarei, com cartas, para levarem as vossas dádivas a Jerusalém, aqueles que aprovardes.
4  Se convier que eu também vá, eles irão comigo.

Percebam que o apóstolo não se ofereceu para levar, sozinho, a oferta à Jerusalém; nem ainda indicou pessoas da sua confiança. Antes, porém, se prontificou a enviar, com carta de explicação, aquelas pessoas que os próprios doadores, isto é, a igreja de Corinto, aprovasse. Manusear dinheiro ou recursos de terceiros, inclusive no âmbito da igreja, exige honestidade, prudência e total transparência: “evitando, assim, que alguém nos acuse em face desta generosa dádiva administrada por nós; pois o que nos preocupa é procedermos honestamente, não só perante o Senhor, como também diante dos homens.” (2Co 8.20-21). Na igreja, ninguém deve manusear dinheiro sozinho; seja na contagem e registro de dízimos e ofertas, seja na distribuição, mesmo que seja um tesoureiro de confiança, eleito para o exercício de tal função, ou um diácono honesto. Embora pouco frequente, tem havido casos de desvio de dinheiro de dízimos e ofertas até mesmo dentro de igrejas evangélicas. Se a iniciativa do procedimento transparente partir do próprio responsável pela função é bem melhor; não gera o constrangimento dele ter que receber a recomendação de terceiros, ainda que não haja suspeitas. Melhor ainda é que a Instituição estabeleça isso como norma de procedimento.

Conclusão:

Assim exposto, podemos considerar esses cinco princípios como técnica e teologicamente basilares, pilares, no que diz respeito à contribuição. Para enriquecer ainda mais esta abordagem, podemos, então, finalizar e complementar, apenas citando, alguns outros aspectos que expressam a importância e os consequentes desdobramentos da contribuição:

– Promove equilíbrio e igualdade: “Porque não é para que os outros tenham alívio, e vós, sobrecarga; mas para que haja igualdade,” (2Co 8.13) “e, assim, haja igualdade, como está escrito: O que muito colheu não teve demais; e o que pouco, não teve falta.” (2Co 8.14b-15)

– Permite a reciprocidade e mutualidade: “suprindo a vossa abundância, no presente, a falta daqueles, de modo que a abundância daqueles venha a suprir a vossa falta,” (2Co 8.14a)

– Expressa e evidencia amor: “Manifestai, pois, perante as igrejas, a prova do vosso amor e da nossa exultação a vosso respeito na presença destes homens.” (2Co 8.24)

– Tem a promessa de colheita proporcional à semeadura: “E isto afirmo: aquele que semeia pouco, pouco também ceifará; e o que semeia com fartura com abundância também ceifará.” (2Co 9.6)

– Tem a promessa de prosperidade: “Deus pode fazer-vos abundar em toda graça, a fim de que, tendo sempre, em tudo, ampla suficiência, superabundeis em toda boa obra, como está escrito: Distribuiu, deu aos pobres, a sua justiça permanece para sempre. Ora, aquele que dá semente ao que semeia e pão para alimento também suprirá e aumentará a vossa sementeira e multiplicará os frutos da vossa justiça, enriquecendo-vos, em tudo, para toda generosidade,” (2Co 9.8-11a)

– É causa de ações de graças a Deus: “a qual faz que, por nosso intermédio, sejam tributadas graças a Deus.” (2Co 9.11b)

Vencendo a Tentação, como Jesus

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06/07/2017 – Corrigida a página 32/34.

Seja apenas espelho

“Aquietai-vos e sabei que eu sou Deus; sou exaltado entre as nações, sou exaltado na terra.” (Sl 46.10)

Espelho, aquela superfície polida que reflete a luz ou a imagem é um objeto muito popular. Quem não recorre a ele várias vezes por dia? O curioso é que apesar de ser um objeto estático, passivo, dificilmente alguém fica passivo e estático diante dele. Ele também tem a característica peculiar de ser realista e verdadeiro; reflete exatamente a imagem da pessoa que se coloca diante dele, sem disfarces, sem rodeios. E, assim, a pessoa pode fazer uma auto inspeção: se gostou do que viu, nada faz; caso contrário, se ajeita, retoca, tenta melhorar o visual.

Será que um crente pode se tornar uma espécie de espelho para outros crentes ou, até mesmo, para não crentes? Certamente que sim! Basta viver uma vida cristã piedosa (espiritualmente polida, de Cristo vivendo em seu interior) que, até mesmo sem pronunciar qualquer palavra, ele estará refletindo todas as imperfeições, sujeiras e desarrumação comportamental daqueles que o encaram de frente.

É melhor ser espelho e deixar Deus ser a mão: que usa o pente/escova para acertar o cabelo; que usa a água para limpar o rosto etc. Por que?

Quanto mais nos aproximamos de Deus e da sua Palavra, mais ficamos sensíveis ao que agrada ou desagrada a ele. Aí, corremos o grande risco de querer consertar tudo e todos ao nosso redor, como se Deus nos impusesse tal missão. Como consequência disso nos desgastamos com os outros, geramos inimizades, passamos a ser vistos e rotulados de hipersensíveis espirituais. Sofremos e fazemos sofrer. A questão que se coloca aqui não é a de ser omisso e aceitar passivamente a prática do pecado; é deixar Deus ser Deus.

Deus está no controle de todas as coisas. Ele previne, adverte, avisa e ensina em todo o tempo, de vários formas e maneiras. O homem crê ou não, obedece ou não. Ele deixa o homem agir. Quando o homem ignora seus avisos e faz o que não deveria fazer, ele mostra as consequências. A bíblia está repleta de exemplos neste sentido.

A questão é que não podemos nos expor tanto para tentar impedir que pessoas conscientemente desagradem a Deus, se Deus mesmo não faz isso. O aviso de Deus é muito claro: “Não vos enganeis: de Deus não se zomba; pois aquilo que o homem semear, isso também ceifará.” (Gl 6.7). Além de colher as más consequências da sua má conduta, terá que prestar contas a Deus.

Seja um bom espelho (tipo padrão dos fiéis) para que as pessoas do teu convívio possam mirar e perceber, por si mesmas, o que precisam melhorar. Deixa Deus ser a mão que usará o instrumento que lhe aprouver, para corrigir o que precisa ser corrigido.

“torna-te padrão dos fiéis, na palavra, no procedimento, no amor, na fé, na pureza.” (1Tm 4.12)

“Mantém o padrão das sãs palavras que de mim ouviste com fé e com o amor que está em Cristo Jesus.” (2Tm 1.13)

“Torna-te, pessoalmente, padrão de boas obras. No ensino, mostra integridade, reverência,” (Tt 2.7)

Tipos de Oração

 

Introdução

Ninguém desconhece o fato de que a oração é um instrumento através do qual nos comunicamos com Deus. Nós, seres humanos, temos essa capacidade de comunicação vertical – com Deus, e horizontal – com os seres humanos e animais.

Como podemos nos comunicamos com Deus?

i.      Com a boca: – Falando (Oração)
  – Cantando (Hinos)
  – Emitindo sons (riso, choro etc.)
ii.      Com a mente: – Com pensamentos
iii.      Com o corpo: – Através de gestos, de ações, das emoções etc.
iv.      Com a vida: – Pelo conjunto da obra

Quando se fala em “tipo”, a intenção é se referir a “categoria de coisas agrupadas segundo algumas características”. Quando a temática é “tipos de oração”, pode-se abordar o assunto considerando-se o agrupamento das várias características, conforme o foco, a saber:

a) Local

A oração pode ser: dentro do quarto, no monte, no templo, na escola, no trabalho etc.

b) Postura física

A oração pode ser: prostrado sobre o rosto, ajoelhado, erguendo os olhos ao céu, em pé, sentado, parado, se movendo.

c) Participação

A oração pode ser: em particular (individual), em conjunto (pequeno grupo) ou em público (com toda a igreja).

d) Duração

A oração pode ser: “relâmpago”, de curta, de média, de longa etc, duração (neste caso, o foco é o tempo que ela leva orando).

e) Forma de comunicação

Podemos orar: com a boca (falando, cantando, emitindo sons), com a mente (pensamentos), com o corpo (gestos, ações, emoções) e com a vida (conjunto da obra).

f) Estilo

A oração pode ser: informal ou formal, simples ou sofisticada, com pausas ou contínua, repetitiva ou criativa etc.

g) Direcionamento e intenção

A oração pode ser: dirigida a Deus (que é a verdadeira) ou dirigida aos outros (usada como pretexto para pregar, ensinar, se exibir, contar vantagem, fofocar, mandar recado, criticar, contar história, pedir ajuda ao outro etc).

h) Conteúdo

 

A oração pode ser de: Confissão, Adoração, Agradecimento, Intercessão, Petição e Imprecação (descartada, a partir do Novo Testamento)

 

Neste estudo, vamos analisar os tipos de oração, focando o seu conteúdo, o que é expresso em palavras:

1. Oração de Confissão:

O verbo confessar, quando usado no contexto da fé cristã, tem dupla conotação: 1ª)Reconhecendo e admitindo ações e condutas erradas -> contar, declarar espontaneamente, os pecados a Deus, a fim de obter dele o perdão. 2ª)Recebendo a mensagem do Evangelho, sendo regenerado pelo Espírito Santo -> declarar sua fé em Deus e na obra redentora de Cristo. Ambas as confissões podem ser feitas diante de Deus e dos homens.

A oração de confissão de pecados acontece quando nos chegamos para Deus, no início da caminhada cristã, e precisa acontecer ao longo dessa caminhada, pois estamos sujeitos a pecar, embora não vivamos mais na prática contumaz do pecado (1Jo 3.9).  É como diz as Escrituras: “Confessei-te o meu pecado e a minha iniquidade não mais ocultei. Disse: confessarei ao SENHOR as minhas transgressões; e tu perdoaste a iniquidade do meu pecado.” (Sl 32.5). “O que encobre as suas transgressões jamais prosperará; mas o que as confessa e deixa alcançará misericórdia.” (Pv 28.13). “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça.” (1Jo 1.9). Confessamos a Deus os pecados cometidos (por comissão – pensamentos, palavras e ações; ou, por omissão), para que obtenhamos o seu perdão e, assim, possamos nos aproximar dele.

A oração de confissão de fé acontece quando nos dirigimos a Deus e afirmamos ou declaramos nossa crença e fé nele como único Deus poderoso, vivo e verdadeiro e em Jesus Cristo, Salvador e Senhor das nossas vidas. “Se, com a tua boca, confessares Jesus como Senhor e, em teu coração, creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo. Porque com o coração se crê para justiça e com a boca se confessa a respeito da salvação.” (Rm 10.9-10)

2. Oração de Adoração (Exaltação, Louvor, Glorificação):

Num sentido geral, adoração é a forma mais significativa de expressar apreço, homenagem, honra e glória a poderes superiores; sejam eles seres humanos, anjos ou Deus. Numa visão cristã, somente caberia aqui, como alvo e objeto de adoração, uma divindade, um ser supremo, no caso, Deus – “… Ao Senhor, teu Deus, adorarás, e só a ele darás culto.” (Mt 4.10). Esse também seria objeto de devoção, temor, reverência, veneração e culto. Os patriarcas adoravam construindo altares e oferecendo sacrifícios (Gn 12.7-8; 13.4).

Adorar a Deus é prostrar-se submisso diante dele, cultuá-lo, dedicar-lhe amor extremo, devoção e veneração como o ser mais sublime do universo (Gn 24.26; Ex 34.8; 1 Sm 1.3; Mt 8.2; 9.18; 15.25).

Exaltar a Deus é colocá-lo em lugar alto, elevá-lo, erguê-lo, exalçar e levantar seu ser acima de qualquer outro.

Louvar a Deus é expressar o reconhecimento da sua grandeza, dos seus méritos, dos seus atributos incomparáveis e inigualáveis: Onipotência, Onipresença, Onisciência, Eternidade, Amor, Perfeição, Santidade, Verdade, Justiça, Fidelidade, Misericórdia etc. (1Cr 16.4; Dt 10.21; 26.16).

Glorificar a Deus é atribuir-lhe glória eterna e celestial e a ninguém mais (Sl 18.49; 22.23; Jo 21.19; Rm 1.21).

Nós adoramos, exaltamos, louvamos e glorificamos a Deus por quem ele é e por seu poder de fazer: “Disse-lhe mais: Eu sou o Deus Todo-Poderoso;…” (Gn 35.11). O ser e o fazer estão intimamente relacionados e são inseparáveis. Definir é indicar o significado preciso de; estabelecer com precisão; determinar; fixar os limites, delimitar, demarcar; interpretar claramente; dar as qualidades distintivas de; retratar. Conceituar é avaliar, atribuir qualidade ou juízo de valor. Não podemos definir quem é Deus, apenas conceitua-lo. Na verdade ele é o que é independentemente do que se pensa dele: “Disse Deus a Moisés: EU SOU O QUE SOU. Disse mais: Assim dirás aos filhos de Israel: EU SOU me enviou a vós outros.” (Ex 3.14). Entretanto, para nós simples mortais podermos conhecer, pelo menos um pouco de quem ele é, ele precisou se manifestar a nós através de seus grandes e incomparáveis feitos. Faraó não acreditava que o Deus dos hebreus fosse superior aos seus deuses; por isso Deus precisou usar o seu “poder de fazer” e enviou as dez pragas como sentença de juízo contra os deuses do Egito (Ex 12.12). Então, Moisés pôde expressar o sentimento de todos: “Ó SENHOR, quem é como tu entre os deuses? Quem é como tu, glorificado em santidade, terrível em feitos gloriosos, que operas maravilhas?” (Ex 15.11); assim como também Jetro, seu sogro: “agora, sei que o SENHOR é maior que todos os deuses, porque livrou este povo de debaixo da mão dos egípcios,” (Ex 18.11). Da mesma forma, nós seres humanos, temos nosso caráter, isto é, aquele conjunto de traços psicológicos e morais que caracterizam cada indivíduo; porém, no nosso agir e fazer cotidianos, manifestamos aos outros o que realmente somos, o que se convencionou denominar de reputação, isto é, conceito que os outros formam a nosso respeito.

Portanto, na oração de adoração, nós adoramos, exaltamos, louvamos e glorificamos a Deus por quem ele é: “Tributai ao SENHOR a glória devida ao seu nome; ….; adorai o SENHOR na beleza da sua santidade.” (1Cr 16.29; ver tb Sl 96.9); e, pelos seus poderosos feitos: “Louvai-o pelos seus poderosos feitos; louvai-o consoante a sua muita grandeza.” (Sl 150.2; ver tb Sl 59.16; 138.2; Is 25.1)

3. Oração de Agradecimento (Ações de Graças):

Agradecimento ou ações de graças são palavras ou outras manifestações que denotam gratidão. O apóstolo Paulo recomenda: “Em tudo, dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco.” (1Ts 5.18). Ele não diz “por tudo”, mas “em tudo”, isto é, em todas as situações; tanto em tempos de tranquilidade, como em tempos de provações e dificuldades. Não com hipocrisia ou fazendo por fazer; mas crendo firmemente e reconhecendo que Deus tem um propósito abençoador em tudo o que nos acontece: “Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito.” (Rm 8.28).

Na oração de agradecimento ou ações de graças, nós demonstramos nosso apreço e reconhecimento a Deus pelo que ele fez por nós. Não devemos engrossar as estatísticas dos que recebem bênçãos de Deus, como aqueles nove dos dez leprosos, que não voltaram para agradecer (Lc 17.17). Precisamos ser zelosos e cuidadosos, reconhecendo que as bênçãos recebidas não foram por mero acaso, nem devido aos nossos méritos pessoais ou, tão somente, seriam o resultado das nossas habilidades e competência. Não sejamos filhos ingratos! Antes, porém, sejamos obedientes à instrução bíblica: “Seja a paz de Cristo o árbitro em vosso coração, à qual, também, fostes chamados em um só corpo; e sede agradecidos.” (Cl 3.15). Enfim, sejamos agradecidos a Deus pelas bênçãos recebidas, como o ar que respiramos, o alimento, as vestes e, principalmente, pelas bênçãos espirituais, mas, também, pelas provações.

4. Oração de Intercessão:

Interceder é pedir, rogar por outrem ou por alguma coisa. A oração a favor de outros, pelas suas necessidades, deve ter precedência sobre a oração por nós mesmos, mostrando assim nossa maturidade cristã. Crianças mostram sua imaturidade quando querem todos os brinquedos para si. Crentes imaturos demonstram essa mesma falta de crescimento espiritual quando somente pensam em si e nos seus. Não orar por outros pode ser considerado até um pecado contra Deus: “Quanto a mim, longe de mim que eu peque contra o SENHOR, deixando de orar por vós; antes, vos ensinarei o caminho bom e direito.” (1Sm 12.23). Vale lembrar que Jó foi abençoado quando orava pelos seus amigos (e que amigos?!): “Mudou o SENHOR a sorte de Jó, quando este orava pelos seus amigos; e o SENHOR deu-lhe o dobro de tudo o que antes possuíra.” (Jó 42.10).  E, Jesus lança um desafio ainda maior: “Eu, porém, vos digo: amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem;” (Mt 5.44).

Portanto, somos instruídos a interceder por todos, inclusive pelas autoridades e governantes: “Antes de tudo, pois, exorto que se use a prática de súplicas, orações, intercessões, ações de graças, em favor de todos os homens, em favor dos reis e de todos os que se acham investidos de autoridade, para que vivamos vida tranquila e mansa, com toda piedade e respeito.” (2Tm 2.1-2).

Para sermos mais práticos e eficazes no cumprimento da instrução bíblica, é interessante manter uma lista ou caderneta de oração que nos ajude a lembrar daquilo e daqueles por quem devemos orar. No caso da intercessão, podemos organizar nossas anotações da seguinte forma:

 Pelo Reino de Deus:

Para que sejam instrumentos da realização da vontade de Deus na terra.

  • Pelas Igrejas Locais e Congregações (Liderança, Membros e Atuação).
  • Pelos Obreiros / Missionários.
  • Pelas Instituições Paraeclesiásticas (Missionárias, Assistência Social etc.).
  • Pelos Projetos / Programas Especiais.

– Pelo nosso Próximo:

     (na Família, na Vizinhança, na Igreja, na Escola, no Trabalho etc):

  • Salvação: para que recebam a Jesus como Salvador e Senhor de suas vidas.
  • Proteção: para que sejam guardados do mal (acidental ou intencional).
  • Santificação: para que vivam uma vida santa diante de Deus e dos homens.
  • Cura: para que sejam curados do corpo ou da mente.

– Pelas Autoridades constituídas:

Para que exerçam com sabedoria e competência as suas respectivas funções.

  • Familiares: Pais, Responsáveis.
  • Eclesiásticas: Pastores, Presbíteros, Diáconos.
  • Empresariais: Lideranças.
  • Governamentais: Civis e Militares.

– Executivo: Presidente, Ministros, Governadores, Prefeitos, Secretários etc.
– Legislativo: Senadores, Deputados Federais e Estaduais, Vereadores etc.
– Judiciário: Ministros, Desembargadores, Juízes etc.
– Forças Armadas, Polícias.

5. Oração de Petição (Súplica, Clamor, Invocação):

A oração de petição ou súplica ou clamor ou invocação consiste em cada um apresentar a Deus as suas próprias necessidades. A súplica caracteriza-se por uma forma de pedir com humildade e insistência. Clamar é uma forma mais intensa de pedir: com veemência, implorar, rogar. A invocação é o ato de chamar, pedindo socorro. “Ouve, SENHOR, a minha súplica, e cheguem a ti os meus clamores. Não me ocultes o rosto no dia da minha angústia; inclina-me os ouvidos; no dia em que eu clamar, dá-te pressa em acudir-me.” (Sl 102.1-2). Às vezes, a petição tem o propósito de obter o esclarecimento divino quanto a determinada situação (Jr 32.16-25), ou para se conhecer a sua vontade (1Sm 23.10-12), ou, até mesmo, para se questionar a atitude de Deus (Jn 4.1-3).

É através da oração de petição que rogamos a Deus que os seus infinitos recursos sejam canalizados para a nossa vida, suprindo-nos nas nossas fraquezas e limitações naturais e dotando-nos de força e capacidade superiores. Somos instruídos biblicamente a compartilhar e transferir para Deus as nossas preocupações e ansiedades: “lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós.” (1Pe 5.7); “Não andeis ansiosos de coisa alguma; em tudo, porém, sejam conhecidas, diante de Deus, as vossas petições, pela oração e pela súplica, com ações de graças.” (Fp 4.6).

Somos desafiados por Deus a invoca-lo: “Invoca-me, e te responderei; anunciar-te-ei coisas grandes e ocultas, que não sabes.” (Jr 33.3). Também somos incentivados por Jesus a recorrer ao nosso Pai Celeste, na certeza de que seremos ouvidos: “Pedi, e dar-se-vos-á; buscai e achareis; batei, e abrir-se-vos-á. Pois todo o que pede recebe; o que busca encontra; e, a quem bate, abrir-se-lhe-á.” (Mt 7.7-8).

Em termos práticos, o que devemos pedir a Deus (entre outras coisas)?

  • Vitória Espiritual: para que eu alcance vitória sobre as tentações e sobre as investidas do maligno.
  • Santificação: para que eu viva uma vida santa diante de Deus e dos homens.
  • Testemunho Cristão: para que eu seja um instrumento nas mãos de Deus levando a mensagem de salvação a outras pessoas.
  • Necessidades Fisiológicas: para que eu obtenha todas as coisas necessárias à manutenção da vida do corpo e da mente (saúde, moradia, roupa, alimento, água, ar etc.).
  • Necessidade de Proteção: para que eu seja guardado do mal (acidental ou intencional).
  • Necessidade de Cura: para que eu seja curado do corpo ou da mente.
  • Necessidades Profissionais e Financeiras: bom emprego, bom ambiente de trabalho, realização profissional, independência financeira etc.
  • Necessidades Familiares e Sociais: cônjuge segundo a vontade de Deus, harmonia conjugal, família ajustada, parentes amigáveis, amigos verdadeiros, vizinhos tranquilos etc.
  • Necessidades Pessoais: Sabedoria, Paz, Equilíbrio, Realização, Sentimento de Utilidade etc.

6. Oração de Imprecação:

A oração imprecatória – aquela que suplica o castigo divino para o outro – não soa bem aos ouvidos cristãos. Entretanto, em muitos Salmos e textos do Antigo Testamento (AT) há um tom de imprecação. Diante da maldade, da opressão, da violência, ou da injustiça, eles não só clamavam ao Senhor por suas vidas, mas também pediam a Deus que fizesse cair sobre os seus inimigos os piores males. Assim, se unem numa mesma oração, as súplicas mais ardentes e as mais violentas imprecações (Sl 58.6-11; 83.9-18; 109.6-19; 137.7-9). De fato, na época do AT, naquele contexto, prevalecia no âmbito do povo de Israel o conceito de que a obediência a Deus e aos seus mandamentos, deveria ser recompensada na vida presente, com longevidade e prosperidade; enquanto os transgressores da lei mosaica (judeus) e os ímpios (pagãos) deveriam receber o seu justo castigo o quanto antes, para que ficasse evidente que há um Deus vivo e presente, retribuindo a cada um conforme as suas ações (Sl 7.9; 37.28; 75.10; 58.11).

Diante de determinadas situações perversas, protagonizadas por pessoas de índole maligna, da sociedade ou até mesmo participantes dos arraiais evangélicos, podem até passar pela mente, pensamentos de imprecação. Entretanto, a oração que pede a Deus para “pesar sua mão” sobre alguém é estranha ao cristão e indevida. Por maior que seja o mal praticado contra nós (ou contra outros), como cristãos, o que nos resta a fazer, em termos de oração, é entregar nossa causa nas mãos de Deus: “Eu, porém, vos digo: amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem;” (Mt 5.44)

 

Orações transcritas na bíblia:

Há registro na bíblia de muitas pessoas que oraram, mas não “o que” oraram. Apresentamos, abaixo, algumas dentre as orações que foram “transcritas” na bíblia:

 

Descrição Texto bíblico Tipo
Oração de Jacó Gênesis 32.9-12 Petição
Oração de Moisés Deuteronômio 9.25-29 Petição
Oração de Manoá Juízes 13.8 Petição
Oração e voto de Ana 1Samuel 1.10-13 Petição
Oração e cântico de Ana 1Samuel 2.1-10 Agradecimento e Adoração
Oração e consulta de Davi (em Queila) 1Samuel 23.10-12 Petição
A oração de Davi
(na Casa do Senhor)
2Samuel 7.18-29 1Crônicas 17.16-27 Agradecimento, Adoração e Petição
Oração de Salomão (particular) 1Reis 3.3-9 Petição (sonho)
Oração de Salomão (pública) 1Reis 8.22-61
2Cr 6.12-42
Adoração, Petição e Intercessão
Orações de Eliseu 2Reis 6.17, 18 Petição
Oração de Ezequias (livramento) 2Reis 19.15-19
Isaías 37.15-20
Adoração e Petição
Oração de Ezequias (cura) 2Reis 20.2-3
Isaías 38.2-3
Petição
Oração de Jabez
1Crônicas 4.10 Petição
Oração de Josafá (livramento) 2Crônicas 20.5-12 Adoração e Petição
Oração de Ezequias (perdão) 2Crônicas 30.18-19 Intercessão
Oração de Neemias
(em Susã)
Neemias 2.4-11 Adoração, Confissão, Intercessão, Petição
Oração de Neemias
(em Jerusalém)
Neemias 4.4-5 Imprecação
Oração de Jó Jó 42.1-6 Adoração, Confissão e Petição
Oração de Jeremias Jeremias 32.16-25 Adoração e Petição
Oração de Daniel Daniel 9.3-19 Confissão, Intercessão, Petição, Adoração
Oração de Jonas
(no peixe)
Jonas 2.1-9 Petição, Confissão e Agradecimento
Oração de Jonas (questionamento) Jonas 4.1-3) Petição (questionamento)
Oração Modelo
(Pai Nosso)
Mateus 6.9-13 Adoração e Petição
Oração de Jesus (Sacerdotal) João 17 Intercessão
Oração de Jesus
(no Getsêmani)
Mateus 26.42 Petição
Oração de Jesus
(na cruz – 1ª)
Lucas 23.34 Intercessão
Oração de Jesus
(na cruz – 2ª)
Mateus 27.46
Marcos 15.34
Petição
Oração de Jesus
(na cruz – 2ª)
Lucas 23.46 Petição
Oração dos irmãos (igreja) Atos 4.23-31 Adoração, Petição e Intercessão

Conclusão

Tendo sido esclarecidos ou relembrados quanto a esses tipos de oração, podemos exercitar-nos a cada dia, na busca de orarmos como convém, na certeza de que o Espírito Santo de Deus há de suprir nossas limitações e imperfeições (Rm 8.26-27).


Nota: esboço pessoal de aula, preparado por mim, para facilitar a ministração da Aula 8 (Tipos de Oração) – Módulo 2 – Classe de Casais – EBD Catedral 2017, de modo a atender a temática proposta no material elaborado por colaboradores para os alunos.

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O Espírito Santo e a Oração

Introdução:

Já não é fácil entender a nós mesmos, nem tampouco entender o outro; quanto mais entender o mover do Espírito Santo, o mover do mundo espiritual e o que acontece quando oramos. Nesse nosso relacionamento com Deus, através da oração, há que se levar em conta sempre três aspectos relevantes:

a) Como se chega à presença do Soberano Rei do Universo, para lhe falar algo?

Ao contrário do que acontece com o acesso às pessoas muito importantes ou famosas do planeta, temos um Deus acessível para escutar o clamor das suas criaturas quando o fazem com humildade e contrição:

“Porque assim diz o Alto, o Sublime, que habita a eternidade, o qual tem o nome de Santo: Habito no alto e santo lugar, mas habito também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos e vivificar o coração dos contritos.” (Is 57.15). “Deus, porém, ouviu a voz do menino (Ismael); e o Anjo de Deus chamou do céu a Agar e lhe disse: Que tens, Agar? Não temas, porque Deus ouviu a voz do menino, daí onde está.” (Gn 21.17)

Entretanto, a intimidade como o Senhor não é um privilégio de todos: “A intimidade do SENHOR é para os que o temem, aos quais ele dará a conhecer a sua aliança.” (Sl 25.14; ver tb. Pv 3.32). Certamente isso não acontece por nosso mérito: “Mas, agora, em Cristo Jesus, vós, que antes estáveis longe, fostes aproximados pelo sangue de Cristo.” (Ef 2.13)

b) Tendo o acesso franqueado a Deus, o que lhe dizer?

Aqueles que foram feitos filhos de Deus (Jo 1.12-13), os regenerados pelo Espírito Santo, chegam à sua presença divina, diante do seu trono de graça, como um filho chega à presença do seu pai terreno. Com intimidade, simplicidade e reverência, abrimos o nosso coração diante do Pai Celestial. Confessamos nossos pecados, exaltamos o seu nome, agradecemos pelos seus feitos, suplicamos por nossas necessidades e intercedemos por outros e por outras causas. Simples assim!

c) Tendo chegado à sua presença santa, tendo lhe dito algo, o que acontecerá?

Às vezes acontece assim: “O SENHOR atendeu à voz de Elias; e a alma do menino tornou a entrar nele, e reviveu.” (1Rs 17.22), “SENHOR, meu Deus, clamei a ti por socorro, e tu me saraste.” (Sl 30.2); outras, assim: “Visto que eu clamei, e eles não me ouviram, eles também clamaram, e eu não os ouvi, diz o SENHOR dos Exércitos.” (Zc 7.13). Ao longo da história humana Deus tem respondido orações com: SIM, NÃO e ESPERA. Independentemente do que irá acontecer, o apóstolo Paulo nos ensina: “Orai sem cessar.” (1Ts 5.17). Tiago acrescenta: “Confessai, pois, os vossos pecados uns aos outros e orai uns pelos outros, para serdes curados. Muito pode, por sua eficácia, a súplica do justo.” (Tg 5.16)

Considerando que estaremos tratando aqui daquilo que acontece no mundo espiritual, enquanto ou quando oramos, principalmente do mover do Espírito Santo, vale relembrar algumas coisas a respeito da pessoa e da obra e ministério do Espírito Santo:

Quanto à sua obra na salvação:

– Convencimento (Jo 16.8-11)
– Regeneração (Tt 3.5)
– Habitação (1Co 6.19)
– Batismo (1Co 12.13)
– Selo (2Co 1.22; Ef 1.13; 4.30)

Quanto à sua pessoa e ministério:

– Ele fala (Mc 13.11; Jo 15.26; 16.13; 2Pe 1.21)
– Ele tem mente, intelecto (Rm 8.27)
– Ele tem emoções, pode ser entristecido (Ef 4.30)
– Ele ensina (Lc 12.12; Jo 14.26; 16.12-15)
– Ele guia, orienta (Rm 8.14)
– Ele constitui líderes (At 20.28)
– Ele comissiona (At 13.4)
– Ele ordena, comanda (At 8.29; 10.19-20)
– Ele sonda as profundezas de Deus e faz revelações aos homens (1Co 2.10-11)
– Ele realiza coisas, conforme sua vontade (1Co 12.11)
– Ele age no homem (Gn 6.3)
– Ele pode ser resistido (At 7.51)
– Ele intercede (Rm 8.26; Ef 6.18)

Portanto, o Espírito Santo não é simplesmente uma força ativa de Deus ou uma influência que vem sobre a alma humana, como muitos pensam a isso o reduzem. Ele é um ser pessoal; ele é Deus (At 5.3-4)! Como tal, vejamos o seu mover na oração.

1. A intercessão do Espírito (Rm 8.26-27)

“Também o Espírito, semelhantemente, nos assiste em nossa fraqueza; porque não sabemos orar como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós sobremaneira, com gemidos inexprimíveis. E aquele que sonda os corações sabe qual é a mente do Espírito, porque segundo a vontade de Deus é que ele intercede pelos santos (crentes).” (Rm 8.26-27)

Qual o crente que não almeja ter uma vida de oração eficaz? Por conta desse legítimo anseio cristão, não são poucos os livros escritos e os textos elaborados com a intenção de mostrar o caminho da oração eficaz. Qual o meu papel e qual o papel do Espírito Santo nisso? O texto bíblico acima nos revela duas importantes verdades a esse respeito. No que concerne a nós, crentes, o que há são limitações: fraqueza e não saber orar como convém. Felizmente, no lado divino, temos a ação intercessora do Espírito Santo, que habita em nós, nos assistindo, suprindo e compensando nossas limitações, pois ainda habitamos esse corpo corruptível, sujeito a debilidades morais e espirituais, enquanto ele vai nos moldando à imagem de Cristo. Nas nossas limitações, focamos quase sempre o livramento de males que nos afligem ou a obtenção de bens terrenos, porém o Espírito nos auxilia na direção de objetivos mais elevados e duradouros, bem como na concretização da vontade de Deus em nossas vidas. Isso nos assegura que Deus Pai, aquele que sonda os corações, reconhece o sentido da palavra não articulada (gemido ou suspiro) e realiza o que é melhor para os crentes (“santos”), segundo a sua vontade.

Temos que admitir que há muitas situações e circunstâncias que nos envolvem, ou opções que se apresentam para nós que nos deixam atordoados e confusos, sem saber o que fazer ou o caminho a seguir. Nesses casos, primeiramente precisamos descansar no Senhor: “…porque Deus, o vosso Pai, sabe o de que tendes necessidade, antes que lho peçais.” (Mt 6.8). Em segundo lugar, precisamos levar tudo diante de Deus, pois podemos contar com a intercessão do Espírito e confiar que ele “é poderoso para fazer infinitamente mais” (Ef 3.20).

Então, podemos contar com a intercessão do Espírito Santo e com a de Jesus: “Por isso, também pode salvar totalmente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles.” (Hb 7.25). O que não podemos admitir, em hipótese alguma, é o equívoco de muitos ao buscar e confiar na intercessão da “Virgem Maria e inumeráveis Santos (pessoas canonizadas pela igreja católica romana por uma obra admirável)”. Não há qualquer sustentação bíblica para a busca de intermediários entre o homem e Deus: “Porquanto há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem,” (1Tm 2.5). Essa foi mais uma razão da reforma protestante que completa 500 anos no dia 31 de outubro de 2017.

2. O Espírito Santo como Mestre e Guia na oração (Jo 14.26; Jo 16.13)

“mas o Consolador, o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo o que vos tenho dito.” (Jo 14.26)
“quando vier, porém, o Espírito da verdade, ele vos guiará a toda a verdade; porque não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e vos anunciará as coisas que hão de vir.” (Jo 16.13)

Jesus mesmo declarou que o Espírito Santo realiza, nos santos, uma obra especial de ensiná-los, todas as coisas, e guia-los à toda a verdade. Além de contar com sua intercessão, devemos recorrer a ele como Mestre e Guia na oração. Sabemos que podemos e devemos orar a Palavra de Deus, isto é, usando as próprias verdades expressas na Bíblia. Com certeza nossa oração será enriquecida com tão excelentes palavras que, agradarão a Deus, porém, não devem se transformar em meras frases feitas, repetidas de forma mecânica. Antes, porém, tais expressões devem circular pelo nosso ser, passando pela nossa mente e coração, reforçando nosso entendimento e aquecendo nossas emoções e, só então, subir ao Pai Celestial. Além de orar as Escrituras, antes de tudo, é necessário orar em conformidade com as Escrituras, em conformidade com o ensino bíblico. Neste ponto, é o Espírito quem nos capacitará a orar. É ele quem nos conduzirá a assimilar e viver os ensinos bíblicos de modo a agradar a Deus, por meio de Cristo. É ele quem nos fará aprender com cada oração registrada na bíblia e com os seus ensinos. Quem não conhece bem a bíblia, corre o risco de se equivocar na oração.

3. A oração no Espírito Santo (Jd 20; Ef 6.18)

“Vós, porém, amados, edificando-vos na vossa fé santíssima, orando no Espírito Santo, guardai-vos no amor de Deus, esperando a misericórdia de nosso Senhor Jesus Cristo, para a vida eterna.” (Jd 20)
“com toda oração e súplica, orando em todo tempo no Espírito e para isto vigiando com toda perseverança e súplica por todos os santos” (Ef 6.18)

Orar no Espírito é orar em plena comunhão com ele, é orar segundo a sua direção e unção. Tal oração não pode ser tão egoísta, focando apenas os próprios interesses, mas há de ser intercessória, buscando o bem do outro. Não se trata de algo que aconteça eventualmente, mas se desenvolve de forma contínua, em todo o tempo.

Orar no Espírito é orar segundo a vontade de Deus e ela será feita. Há vários textos bíblicos que nos enchem de esperança quanto à eficácia da oração. Certamente há aspectos condicionantes a serem observados.

“E esta é a confiança que temos para com ele: que, se pedirmos alguma coisa segundo a sua vontade, ele nos ouve. E, se sabemos que ele nos ouve quanto ao que lhe pedimos, estamos certos de que obtemos os pedidos que lhe temos feito.” (1Jo 5.14, 15)

Se permanecerdes em mim, e as minhas palavras permanecerem em vós, pedireis o que quiserdes, e vos será feito.” (Jo 15.7)

“Não fostes vós que me escolhestes a mim; pelo contrário, eu vos escolhi a vós outros e vos designei para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça; a fim de que tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome, ele vo-lo conceda.” (Jo 15.16)

“Pedi, e dar-se-vos-á; buscai e achareis; batei, e abrir-se-vos-á. Pois todo o que pede recebe; o que busca encontra; e, a quem bate, abrir-se-lhe-á.” (Mt 7.7-8)

“Em verdade também vos digo que, se dois dentre vós, sobre a terra, concordarem a respeito de qualquer coisa que, porventura, pedirem, ser-lhes-á concedida por meu Pai, que está nos céus.” (Mt 18.19)

“E tudo quanto pedirdes em meu nome, isso farei, a fim de que o Pai seja glorificado no Filho. Se me pedirdes alguma coisa em meu nome, eu o farei.” (Jo 14.13-14)

“Amados, se o coração não nos acusar, temos confiança diante de Deus; e aquilo que pedimos dele recebemos, porque guardamos os seus mandamentos e fazemos diante dele o que lhe é agradável.” (1Jo 3.21-22)

Conclusão:

Neste estudo, temos visto como chegar à presença de Deus, o que lhe dizer e o que acontecerá. Pensando na ação do Espírito Santo, aproveitamos para relembrar a sua obra na salvação e aspectos relativos à sua pessoa e ministério. Finalmente, tratamos da intercessão do Espírito, da sua obra especial como Mestre e Guia na Oração e, o que significa orar no Espírito.

Então, pelo conjunto da obra, pode-se perceber a relevância do Espírito Santo na oração. Ele é nosso intercessor, nosso mestre e guia; protagonista indispensável quando se trata de oração eficaz. Essas são verdades confortadoras e motivadoras para o caminhar na fé cristã.

Ora, vem, Espírito Santo e ajuda-nos a orar, como convém!


Nota: esboço pessoal de aula, preparado por mim, para facilitar a ministração da Aula 5 (O que acontece na oração – O mover do Espírito Santo) – Módulo 2 – EBD Catedral 2017, de modo a atender a temática proposta no material elaborado por colaboradores para os alunos.

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