Caminhos Maravilhosos e Incompreensíveis

“Há três coisas que são maravilhosas demais para mim, sim, há quatro que não entendo: o caminho da águia no céu, o caminho da cobra na penha, o caminho do navio no meio do mar e o caminho do homem com uma donzela. (Pv 30.18-19)

Introdução:

O que há de tão maravilhoso e incompreensível aqui nessas palavras de Agur? O que há de tão especial nesses quatro caminhos?

1) O caminho da águia no céu

A águia voa veloz e impetuosamente no céu, o seu habitat natural.

Ela vive nos lugares mais altos, mas desce e se alimenta do que está em lugares baixos, sobre a terra.

O céu é vasto; ainda assim, a águia nunca perde o seu ninho.

Tenham um “casamento águia”!

Voem alto! Sonhem alto! Usem seus talentos, imaginação e criatividade. Entretanto, sustentem-se na terra, com os pés firmes no chão da realidade de cada dia.

Voem para longe! Conquistem os céus e a terra; mas nunca percam de vista o lugar do seu ninho, o valor da sua família.

Acima de tudo considerem que o ponto mais alto da existência humana é a proximidade e o aconchego da presença de Deus, daquele que habita num alto e sublime trono (Êx 19.4; Is 57.15), e não a riqueza, o poder, ou o aplauso humano.

2) O caminho da cobra na penha (pedra)

A cobra rasteja sobre a terra, o que não deixa de ser uma limitação natural da sua espécie.

A cobra vive nos lugares mais ocultos, mas se alimenta daquilo que está à vista.

A terra é vasta; ainda assim, há momentos em que a cobra precisa expor-se sobre as rochas.

Tenham um “casamento cobra”!

Tenham consciência das limitações e fragilidades, individuais e das do seu cônjuge. “Eis que eu vos envio como ovelhas para o meio de lobos; sede, portanto, prudentes como as serpentes e símplices como as pombas.” (Mt 10.16). Sejam prudentes. Protejam-se das tentações. Tirem proveito das próprias limitações. Complementem-se. Quando estiverem muito expostos, até mesmo pelas circunstâncias ou oportunidades da vida profissional, social ou eclesiástica, redobrem a atenção.

3) O caminho do navio no meio do mar

O navio flutua e desliza sobre as águas do mar.

O navio transita no mar, mas se ancora em terra firme.

O mar é vasto; ainda assim, o navio chega ao destino certo.

Tenham um “casamento navio”!

O mar da vida conjugal é muito vasto e rico, porém cheio de imprevistos. Ora há bonança, ora há tempestade. A cada novo desafio de vida, isto é, a cada nova saída do porto, tenham certeza de qual é o porto de destino. Planejem bem a viagem da vida familiar e usem todos os instrumentos e recursos para uma boa navegação. Lembrem-se de que a Bíblia é o “Mapa do Viajante” e a “Bússola do Piloto”. Então, corajosamente, soltem o cabo da nau, tomem os remos nas mãos e naveguem com fé em Jesus. Nunca se esqueçam de que Jesus é o comandante e a âncora de um casamento bem-sucedido.

4) O caminho do homem com uma donzela

Homem e mulher caminham juntos sobre o chão do amor.

O casamento vive e sobrevive pelo amor, mas se sustenta em Jesus Cristo.

O caminho do amor pode ser mais vasto do que o céu, do que a terra e do que o mar; desde que, homem e mulher, construam juntos e a cada dia, um pedaço do chão do amor, até o final dos seus dias.

Tenham um “casamento a dois e a três”!

“Casamento a um” é quando a pessoa se casa e continua pensando apenas em si mesma, nos seus interesses pessoais e no seu próprio bem-estar. É preciso renunciar o EU e assumir o NÓS!

“Casamento a dois” é o casamento em que cada cônjuge vive para o outro. O que acontecia no namoro, deve continuar a ser cultivado por toda a vida: o respeito à individualidade do outro; a busca de estar perto do outro; a vontade de tudo fazer para agradar ao outro; o cuidado com o corpo, isto é, com o que se veste, com a forma de falar, para se apresentar sempre atraente para o outro. Enfim, o “tudo ser” e “tudo fazer” para o bem e para conquistar o outro a cada dia. Não permitam que a atenção aos filhos ou a algum parente ou a outra pessoa qualquer, subtraia a atenção devida ao cônjuge. Não permitam que qualquer atividade humana: profissional, social, recreativa ou eclesiástica, extinga essa atenção de um pelo outro. Não permitam que o tempo, a rotina da vida, o desvanecimento da beleza física, reduzam essa atenção de um pelo outro.

“Casamento a três” é o casamento em que, além de cada cônjuge viver para o outro e para a família, acima de tudo, ambos vivem para Deus e Deus habita e caminha no meio deles. “Se alguém quiser prevalecer contra um, os dois lhe resistirão; o cordão de três dobras não se rebenta com facilidade.” (Ec 4.12)

Considerações:

Dedico essa mensagem a todos os recém casados e casados a mais tempo, mas em especial ao meu filho Adolfo e a minha nora Silvana, que se casaram em 04/06/2019. Que sejam uma família bendita do Senhor!

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O ventilador e o casamento

Ventilador soprando sobre um casal de noivos. Véu da noiva esvoaçando e pequenos corações saindo do casal.

As situações que vivenciamos no nosso cotidiano podem ser verdadeiramente pedagógicas e enriquecedoras, na escola da vida. Às vezes precisamos queimar muito fosfato para extrair lições daquilo que nos acontece, outras vezes elas saltam aos nossos olhos e berram aos nossos ouvidos. Um exemplo disso é a história do nosso ventilador que compartilhamos a seguir.

Era uma vez um ventilador de mesa, nem muito grande, nem muito pequeno. Um daqueles facilmente encontrados na casa de pessoas comuns, iguais a você e eu. A marca e a cor? Isso pouco importa, no paralelo que é apresentado aqui. Entretanto, não deixa de ser especial. Por que? Porque podemos chamar de nosso. Porque faz parte do nosso dia a dia. Porque torna a nossa existência melhor. É como o nosso casamento, que é especial, que é nosso, que torna a nossa existência melhor.

Esse ventilador entrou em nossa casa novinho, há muito tempo atrás, quando o ar condicionado nem era tão popular assim. Tão novinho quanto a nova vida que se passa a desfrutar a partir do casamento. Era conectá-lo na tomada, em qualquer cômodo da casa, e ele funcionava muito bem. Nada tínhamos a reclamar, exatamente como no nosso relacionamento nas primeiras semanas ou, quem sabe, primeiros meses de casamento. Tudo em clima de lua de mel. Era ligar e correr para o abraço, ou melhor, para receber um ar fresco.  

E o tempo passou…. E nem tudo funciona bem, o tempo todo e todo o tempo; tanto um ventilador, quanto um relacionamento conjugal. Ao ligar o ventilador, observei que a hélice demorava um pouquinho a girar, mas acabava girando. Depois de um certo tempo é normal acontecer uma pequena travada aqui, outra ali, mas nada tão grave assim. Conversa-se, aparam-se as arestas e a vida segue, o casamento flui.

E o tempo passou…. E agora, nada da hélice girar. Desligar e ligar outra vez, de nada adiantava. Algo tinha que ser feito. Eureka! É claro! Um cuidadoso peteleco na hélice e pronto, ele passava a funcionar. E o peteleco virou rotina ou não teria ar fresco. Você já ouviu falar, ou já viu, ou já vivenciou um casamento que só funciona na base do peteleco? Como assim? A euforia do primeiro amor esvaiu-se. O empenho e dedicação pra fazer as coisas, esmoreceu. As iniciativas positivas, os gestos espontâneos, a demonstração de carinho; desapareceram. Aquela vontade de agradar o cônjuge ficou no passado. O que prevalece agora, nesse relacionamento, é o peteleco da cobrança mútua. E assim, de cobrança em cobrança, o casamento segue adiante, arrastando-se, como pode.

E o tempo passou… E o peteleco se tornou ineficaz, inútil. O ventilador resolveu não funcionar mais. Então, era chegada a hora de ir mais fundo; de arregaçar as mangas e colocar em prática as poucas habilidades técnicas. Desmonta-se a grade de proteção e retira-se a hélice. Aí, evidenciam-se as causas de tal paralisia: fios de cabelo e sujeira em volta do eixo da hélice! Faz-se uma boa limpeza e aplica-se um pouco de lubrificante. Finalmente, terminada a montagem, fica a expectativa: será que vai funcionar? Show! Não é que funcionou igualzinho a quando era novo? Giro imediato, sem engasgo e sem necessidade de peteleco.

Ah, o tempo. Às vezes, tão útil, tão necessário, curando feridas do corpo e da alma, apagando más lembranças de péssimos momentos. Outras vezes, porém, encarnando aquele agente algoz, inimigo cruel, secando a beleza, esfriando o amor, travando os relacionamentos. Quando o relacionamento conjugal trava mesmo é hora de discutir seriamente a relação (DR). Não adianta mais empurrar a sujeira para debaixo do tapete. É hora de limpar a sujeira! É hora de conversar sobre aquilo que aborrece, contraria, gera conflito, causa desgosto e desânimo. É hora de negociar e corrigir o que está errado, resgatar a confiança, o respeito, o carinho e a atenção no lidar com o outro. É hora, também, de “lubrificar o casamento”, para reduzir o atrito e, consequentemente, o desgaste da relação. Como lubrificar um relacionamento conjugal? Não há receita pronta, mas dicas eficazes, interessantes. É necessário investir no cônjuge, no casamento, na família!  É hora de cobrar e reclamar menos e elogiar mais; de promover momentos especiais e românticos, quebrando a rotina; de passear mais, viajar mais, presentear mais; de dedicar mais tempo e atenção ao cônjuge.

E o tempo passou…. Ah, o tempo. Não se cansa, não desiste, não cessa de provocar envelhecimento e desgaste. E assim, aquele mesmo ventilador começou a apresentar os mesmos maus sintomas de antes: demorava um pouco, mas girava. Depois de algum tempo, só girava no peteleco. Passado mais um tempo, travou de vez. Aí, você acha que já sabe como solucionar o problema e resolve desmontar, limpar e lubrificar outra vez. Entretanto, após a montagem e teste de funcionamento acontece a surpresa, o inesperado; o ventilador não funcionou. E agora? O que fazer? Desistir nem pensar! Então, mãos a obra. Desmonta-se tudo, como antes, e mais ainda. Só que falta habilidade e o conhecimento técnico necessários. Então, começam a pular molas e peças, daqui e dali, e a coisa sai do controle. Então, junta-se tudo e leva-se para um profissional da área resolver. E aí, será que resolveu? Não é que o ventilador voltou da manutenção funcionando bem!

Há situações no relacionamento conjugal que escapam ao controle do casal, à sua capacidade de tratar. É nessa hora que o casal precisa admitir que precisa de ajuda externa. Não é fácil perceber quando esse momento chega, nem admitir sua impotência para tratar do assunto. Entretanto, é justamente para isso que pessoas estudam e se preparam: terapeutas de família, pastores, conselheiros matrimoniais.

Ah, o tempo…. Ah, essa nossa mania de culpar o tempo, de culpar o outro. Quem contestará que o vilão não é o tempo, mas os elementos da natureza. É o ar, a oxidação, o calor, a umidade, o atrito mecânico, a reação química, elementos em excesso ou em escassez, dentre outros. Por isso, os objetos e equipamentos se deterioram, com o passar do tempo. Da mesma forma, não é o tempo que destrói os casamentos, os relacionamentos. São as ações e omissões de cada cônjuge; os excessos e a escassez. Não seria o tempo um mero e passivo observador externo? O importante mesmo, enquanto houver fôlego de vida, é acreditar que sempre é tempo de reagir aos desmandos vistos no tempo. Portanto, faça a sua parte e deixe que Deus faça a parte dele. Mesmo sem querer forçar uma analogia, vale lembrar que este ventilador precisava estar ligado na energia da casa para funcionar. De igual forma, um casamento, para funcionar plenamente, precisa estar ligado em Deus, aquele que o instituiu. Que o Senhor Jesus Cristo seja a fonte inesgotável de suprimento para o seu casamento!

Como uma excelente opção para revitalização do casamento, recomendamos a participação do casal no evento de final de semana denominado de “Encontro de Casais com Cristo – ECCC”.

“Porque para todo propósito há tempo e modo; porquanto é grande o mal que pesa sobre o homem.” (Ec 8.6)

Menos é Mais, Um é Tudo!

Introdução

Quem nunca ouviu ou fez um comentário do tipo “menos é mais”, principalmente quando se não gosta do que está vendo ou do que viu? O objeto da avaliação pode ser muito variado. Por exemplo: a decoração de um ambiente muito carregada; um vestuário com muita mistura de padrões de tecido e cores (“com muita informação”); a maquilagem muito pesada e extravagante; um prato de comida com muita quantidade de itens nada saudáveis e pouca qualidade de nutrientes; e, até mesmo, na questão da comunicação, quando o sujeito fala demais e acaba sendo inconveniente, falando o que não devia e passando a imagem errada.

Em qualquer área da nossa existência é possível identificar casos ou situações onde é perfeitamente aplicável o comentário “menos é mais”, inclusive quando se trata de crença ou religião. Que fique claro aqui que não estou me referindo ao caso de “ter menos fé” como sendo algo mais adequado do que “ter muita fé”.  Porém, cabe aqui uma reflexão sobre o(s) objeto(s) da fé da pessoa. Desde a antiguidade a humanidade cultiva uma falsa ideia de que quanto mais deuses se cultua ou adora, mais seguro, protegido e feliz será. O politeísmo (do grego: polis, muitos, théos, deus: muitos deuses), por definição, é a crença e subsequente adoração a mais de uma divindade, sendo que cada uma é considerada uma entidade individual e independente com uma personalidade e vontade próprias, governando ou atuando sobre diversas atividades, áreas, objetos, instituições, elementos naturais e mesmo relações humanas. Nem sempre estas se encontram claramente diferenciadas, podendo naturalmente haver uma sobreposição de funções de várias divindades (Dt 17.3).

A própria bíblia menciona e condena o culto a inúmeros deuses pelos povos antigos, sendo que não é nosso objetivo avançar nesta área. A Bíblia, desde o seu primeiro capítulo e versículo (Gn 1.1), apresenta o Deus Único, Vivo e Verdadeiro, Criador e Sustentador dos Céus e da Terra! Quando Deus inicia o processo de formar um povo de sua propriedade exclusiva, ele chama a Abrão, da terra de Ur dos Caudeus – um rico, populoso e avançado centro pagão da Mesopotâmia, um lugar onde se praticava a idolatria. A primeira menção, na Bíblia, a ídolos (do lar) encontra-se em Gênesis 31.19; e a deuses, referindo-se a esses mesmos ídolos, em Gênesis 31.30, furtados por Raquel, esposa de Jacó. Já na base da formação do povo de Deus, Israel, havia a influência idólatra do ambiente interno e externo. Depois de conviver com os egípcios, por cerca de 430 anos (Ex 12.40), o povo de Israel se deixou influenciar pela idolatria. Com a saída do Egito, um novo tempo começou, e o combate divino à adoração idólatra continuou com força total, já no primeiro dos dez mandamentos: “Eu sou o SENHOR, teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão. Não terás outros deuses diante de mim.” (Ex 20.2-3). Pode-se dizer, então, que, nesta área de crença e religião, adoração e culto à divindade, não cabe a ideia do MENOS É MAIS, porém, a ideia e conceito de que UM (DEUS) É TUDO! “O SENHOR é o meu pastor; nada me faltará.” (Sl 23.1).

Ao longo dos tempos, essa foi a grande luta de Deus com seu povo Israel e tem sido a grande luta da igreja de Cristo, ao evangelizar as pessoas. Satanás jamais desistiu e desistirá de investir para fazer com que o ser humano não foque sua adoração e intercessão somente em Deus. Se uma pessoa não teve um encontro pessoal e verdadeiro com Deus, em momentos de dificuldade e de crise, estará muito mais susceptível a buscar ajuda sobrenatural e espiritual em qualquer lugar.

É preciso esclarecer que Deus é Soberano, é Todo Poderoso, mas recebe a todos, diretamente, sem intermediários humanos: “Porque assim diz o Alto, o Sublime, que habita a eternidade, o qual tem o nome de Santo: Habito no alto e santo lugar, mas habito também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos e vivificar o coração dos contritos.” (Is 57.15). Em momentos difíceis, podemos e devemos buscar apoio nos parentes e amigos mais chegados, para juntos buscarmos a ajuda do Alto, do Pai Celeste, se é que já fomos feitos filhos de Deus, pela regeneração e novo nascimento, em Cristo.

Deus jamais estabeleceu intermediários como Maria, ou santos, ou padres, ou papas, ou pastores, ou gurus, ou orixás, ou pais de santo, avatares ou monges, para fazerem esta intermediação: “Porquanto há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem,” (1Tm 2.5).

Vejamos o que diz a Bíblia sobre algumas “coisas” únicas: a) O Deus único

“todavia, para nós há um só Deus, o Pai, de quem são todas as coisas e para quem existimos; e um só Senhor, Jesus Cristo, pelo qual são todas as coisas, e nós também, por ele.” (1Co 8.6)

“A ninguém sobre a terra chameis vosso pai; porque só um é vosso Pai, aquele que está nos céus.” (Mt 23.9)

“Um só é Legislador e Juiz, aquele que pode salvar e fazer perecer; tu, porém, quem és, que julgas o próximo?” (Tg 4.12)

“Mas Jesus lhe respondeu: Está escrito: Ao Senhor, teu Deus, adorarás e só a ele darás culto.” (Lc 4.8)

b) Jesus, o Filho unigênito de Deus

“Porquanto há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem,” (1Tm 2.5)

“Vós, porém, não sereis chamados mestres, porque um só é vosso Mestre, e vós todos sois irmãos.” (Mt 23.8)

“Nem sereis chamados guias, porque um só é vosso Guia, o Cristo.” (Mt 23.10)

“Porque zelo por vós com zelo de Deus; visto que vos tenho preparado para vos apresentar como virgem pura a um só esposo, que é Cristo.” (2Co 11.2)

c) Um só Espírito

“Pois, em um só Espírito, todos nós fomos batizados em um corpo, quer judeus, quer gregos, quer escravos, quer livres. E a todos nós foi dado beber de um só Espírito.” (1Co 12.13)

d) Uma só igreja, a Igreja de Cristo

“assim também nós, conquanto muitos, somos um só corpo em Cristo e membros uns dos outros,” (Rm 12.5)

“Vivei, acima de tudo, por modo digno do evangelho de Cristo, para que, ou indo ver-vos ou estando ausente, ouça, no tocante a vós outros, que estais firmes em um só espírito, como uma só alma, lutando juntos pela fé evangélica;” (Fp 1.27)

e) Nossa escolha: – Uma só opção correta!

“Entretanto, pouco é necessário ou mesmo uma só coisa; Maria, pois, escolheu a boa parte, e esta não lhe será tirada.” (Lc 10.42)

Finalmente,

“há um só Senhor, uma só fé, um só batismo; um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, age por meio de todos e está em todos.” (Ef 4.5-6)

“Crês, tu, que Deus é um só? Fazes bem. Até os demônios crêem e tremem.” (Tg 2.19)

Num ambiente tão secularizado e materialista, como o desse mundo pós-moderno em que vivemos, crer na existência de Deus já é grande coisa. Porém, nossa crença precisa ir muito além da crença que até os demônios têm! É preciso que Deus viva em nós e que nós cumpramos plenamente os seus propósitos durante essa curta caminhada terrena.

Se uma doença é humanamente incurável, de que adianta tomar um ou todos os medicamentos existentes? O pecado é uma doença espiritual e humanamente incurável. De que adianta apelar para uma ou todas as religiões existentes? Somente Deus proveu a cura para o pecado – o sacrifício de seu Filho na cruz do Calvário!

Lembre-se que, na terra, é possível que vários caminhos nos levem a determinado lugar; entretanto, há um só caminho que nos conduz a Deus e ao céu – Jesus Cristo!

Lembre-se que, muitas vezes, menos é mais; porém, em assuntos espirituais, UM (DEUS) É TUDO!

Deve o cristão fazer o pacto de Jacó?

“Fez também Jacó um voto, dizendo: Se Deus for comigo, e me guardar nesta jornada que empreendo, e me der pão para comer e roupa que me vista, de maneira que eu volte em paz para a casa de meu pai, então, o SENHOR será o meu Deus; e a pedra, que erigi por coluna, será a Casa de Deus; e, de tudo quanto me concederes, certamente eu te darei o dízimo.” (Gn 28.20-22)

Introdução

Há muito tempo atrás, conversando com um casal que eu estava evangelizando, eles contaram algo inusitado. Disseram que tanto eles, como algumas pessoas de suas relações (não cristãos), estavam trabalhando como taxistas e fizeram uma espécie de voto a Deus de dar o dízimo, se tivessem sucesso na profissão. Logo me veio à mente o pacto ou voto de Jacó. Sem dúvida, trata-se de uma visão estranha do dízimo, já que Deus quer que, antes de tudo, entreguemos as nossas vidas a ele; sendo, nossos dízimos e ofertas, consequência natural daquele que é o passo mais importante.

De certa forma é comum e normalmente oportuno, nós mesmos ou os pregadores e professores da Palavra de Deus, trazermos exemplos de personagens bíblicos ou de situações por eles vividas, para aplicação na igreja, ou no cotidiano dos cristãos. Por vezes, nós cristãos, nascidos de novo, podemos ser desafiados, quando enfrentando dificuldades financeiras, desemprego, dentre outras, emocionalmente abalados, a seguir o exemplo de Jacó e fazermos, com Deus, este mesmo pacto.  Entretanto, é preciso tomar certo cuidado com esse pacto ou voto de Jacó, como veremos adiante.

1. As circunstâncias do pacto

Em que circunstâncias Jacó disse isso? No momento em que o patriarca fez esse pacto ou voto ou promessa, ele vivenciava uma crise existencial inimaginável. Ameaçado de morte, pelo seu irmão Esaú a quem enganara. Estava fugindo e deixando pra trás tudo o que tinha: sua casa, sua parentela, seus amigos, seu povo e tudo aquilo a que havia se apegado e que fazia parte integrante de sua vida até aquele momento. Olhando para frente, sua situação não era nem um pouco confortável. A viagem seria extremamente longa (Gn 28.6, 10): de Berseba a Betel, cerca de 120Km (26 horas de caminhada); e, de Betel a Padã-Arã (Harã), cerca de 860 Km (175 horas de caminhada). Os perigos da viagem, o desconforto e os desafios de sobreviver eram bem reais, e o futuro incerto. Assim, saindo de Berseba no auge da sua aflição, ele chegou à cidade de Luz. Ali ele teve um sonho e o Senhor falou com ele e lhe fez promessas (Gn 28.12-17). Tão forte foi o impacto daquele momento, que ele deu o nome de Betel (que significa “casa de Deus”), àquela cidade. Foi nestas circunstâncias que Jacó, então, fez o seu voto.

2. Alguns aspectos do pacto

a) O estabelecimento de condições (Se……, então…..)

Na gramática portuguesa:

Se – conjunção subordinativa condicional: exprime sentido de condição.
Então – Conjunção coordenativa conclusiva: indica relação de conclusão.

Na matemática:

Conectivos Lógicos:   Se -> Então

Que poderia ilustrar o pacto, como abaixo:

b) A petulância de Jacó

Jacó nasceu quando seu pai Isaque tinha 60 anos (Gn 25.26) e seu avô Abraão 160 anos (Gn 21.5). Abraão viveu 175 anos (Gn 25.7), sendo os seus últimos 15 anos, os 15 primeiros da vida de Jacó.

Embora muito idoso, Abraão foi contemporâneo de Jacó, e o seu impactante legado deve ter influenciado sua vida. Afinal, Abraão creu no Senhor (Gn 15.6), fez uma aliança com Deus e dele recebeu promessas (Gn 15.7-21), que foi renovada e incluiu a mudança do seu nome e a sua descendência (Gn 17). Apesar de alguns tropeços, Abraão desfrutou de comunhão com Deus, foi um profeta (Gn 20.7), foi um intercessor (Gn 20.17), foi um dizimista (Gn 14.20), foi fiel ao Senhor (Gn 26.5), foi chamado o pai da fé (Rm 4.11; Gl 3.6-7), tendo recebido grande destaque na “Galeria dos Heróis da Fé” (Hb 11.8-19).

Isaque, pai de Jacó, não teve um currículo tão extenso quanto o de seu pai Abraão. Também teve lá os seus tropeços, como qualquer outro ser humano. Mas, por 20 anos orou por sua esposa Rebeca e esta concebeu (Gn 25.19-21, 26); o Senhor aparecia e falava com ele (Gn 26.2-5; 26.24); o Senhor o abençoava e o fazia prosperar (Gn 26.12-14); foi um pacificador, sempre indo adiante, ao invés de ficar e lutar por seus direitos (Gn 15.16-22); foi um cavador de poços (Gn 26.18-22) e foi um edificador de altares ao Senhor (Gn 26.25).

Apesar de Jacó ter recebido um legado tão especial quanto esse, ficamos um tanto quanto chocados com o registro de suas palavras: “então, o SENHOR será o meu Deus;”. Se poderia vir a ser seu Deus é porque ainda não era! Ele não escondia de ninguém que o Deus era do seu pai e não dele (Gn 27.20; 32.9). O que dizer da vida pregressa de Jacó, além dessa triste nota? Certa vez ouvi falar de algo como a Síndrome da Terceira Geração. Não é que eu acredite nela ou que ela seja verdadeira e regra geral. Faço aqui apenas uma menção despretensiosa. Se não me falha a memória é mais ou menos assim: a primeira geração é totalmente comprometida com Deus e sua igreja; a segunda geração, nem tanto; e, então, a terceira geração tende a se desviar dos caminhos do Senhor. Estaria Jacó vivendo essa síndrome?

Sua vida e vivência familiar havia sido um tanto quanto complicada. Já no ventre materno “lutava” com seu irmão gêmeo Esaú (Gn 25.22). Era um homem pacato e caseiro, protegido da mãe, já que seu irmão Esaú era o preferido do pai (Gn 25.27-28). Quão prejudicial para a formação de filhos é essa predileção paternal e maternal! Seu primeiro ato, no teatro da vida, foi a sua “artimanha” para comprar o direito de primogenitura do seu irmão (Gn 25.29-34; ver Hb 12.16-17). No segundo ato ardiloso, para enganar o pai Isaque, a roteirista foi a sua mãe Rebeca e ele o protagonista (Gn 27). Isso porque Isaque não escondia sua predileção por Esaú e pretendia dar-lhe a bênção do primogênito (Gn 27.2-4), desconsiderando o episódio da venda daquele direito. Por outro lado, a mãe poderia estar se valendo da resposta que recebera do Senhor, antes do nascimento dos gêmeos: “Respondeu-lhe o SENHOR: Duas nações há no teu ventre, dois povos, nascidos de ti, se dividirão: um povo será mais forte que o outro, e o mais velho servirá ao mais moço.” (Gn 25.23; Ml 1.2-3). Ela permanecia de prontidão, quando um dia ouviu o seu marido passar as instruções para Esaú (Gn 27.5) e tratou de colocar seu plano em ação. Plano esse que já deveria estar pronto há algum tempo. Quanta astúcia, imaginação e criatividade de Rebeca para fazer Jacó se passar por Esaú e apropriar-se da bênção da primogenitura! Quanto cuidado com os detalhes! Quanta tensão e emoção no desenrolar do ato (Gn 27.18-40); mentalmente, quase dá para ouvir aquela música de suspense, de fundo. E, foi assim que a crise familiar se instalou (Gn 27.41). Entretanto, não faltava criatividade a Rebeca para traçar planos (Gn 27.42-45) e enrolar seu marido (Gn 27.46).

Esta é a síntese da desastrosa vida pregressa de Jacó. Agora, fora da tutela da mãe, um tanto quanto despreparado para conduzir sua vida, ele mostra sua petulância e atrevimento ao impor condições a Deus, em vez de se submeter ao Senhor. Ele entristece o Senhor ao mostrar-se ser do tipo que quer ver, para crer: “Disse-lhe Jesus: Porque me viste, creste? Bem-aventurados os que não viram e creram.” (Jo 20.29). Mas Deus tinha um propósito específico na vida de Jacó (Gn 25.23; Rm 9.11-13). Não é o caso aqui de entrarmos em detalhes sobre sua vida posterior. Basta lembrar que ele passará por muitas provações e aflições, será sustentado por Deus e acabará tendo um encontro pessoal com Deus e seu nome será mudado de Jacó, para Israel (Gn 32.22-30).

As alianças do Antigo Testamento eram condicionais e estabelecidas por Deus (Dt 11.26-28). Numa época assim, o homem propor um pacto com Deus era sinal de petulância.

3. O pacto do cristão

Se, como cristãos, tivéssemos que aproveitar alguma coisa do pacto de Jacó, para formularmos o pacto do cristão, creio que poderíamos expressá-lo reestruturando as frases, trocando condição por causa, mais ou menos nesses termos:

“Porque tu, Senhor, és o meu Deus, que me compraste com o precioso sangue do teu Filho Jesus.
E, creio que tu, Senhor, me conduzirás em paz e segurança.
E, serei por ti sustentado, com pão para comer e roupa que me vista.
Pois tu, Senhor, estarás comigo durante toda a minha peregrinação neste mundo.
Então, eu te darei o dízimo de tudo o que me concederes, incondicionalmente.
Pois é de minha responsabilidade que a Casa do Senhor seja edificada e sustentada.”

Na gramática portuguesa:

Porque – conjunção subordinativa causal: exprime sentido de causa.
Então – Conjunção coordenativa conclusiva: indica relação de conclusão.

Então, vejamos:

Porque tu, Senhor, és o meu Deus, que me compraste com o precioso sangue do teu Filho Jesus.

A certeza de que o Senhor é o meu Deus, é sim o fator preponderante para todo o meu agir. Ele sempre será Deus, independentemente do que eu pense ou faça. Ele não precisa provar para quem quer que seja ou fazer algo mais, para que alguém o possa chamar de “meu Deus”. Ele já fez tudo! Ele entregou seu Filho, nos comprando por precioso preço.

E, creio que tu, Senhor, me conduzirás em paz e segurança.

Os desafios da vida cotidiana são muitos e, por vezes, imprevisíveis. Há muitos elementos e situações que fogem ao nosso controle, pois dependem de terceiros. Porém, isso não pode ser motivo de intranquilidade e de apreensão. Deus está no controle de tudo! Basta a nós, seus filhos, confiarmos nele; descansarmos nele e na força do seu poder!

E, serei por ti sustentado, com pão para comer e roupa que me vista.

A presença do Senhor junto aos seus remidos é a garantia do seu cuidado e sustento: “Portanto, não vos inquieteis, dizendo: Que comeremos? Que beberemos? Ou: Com que nos vestiremos? buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.” (Mt 6.31, 33)

Pois tu, Senhor, estarás comigo durante toda a minha peregrinação neste mundo.

Aquele que pertence ao Senhor pode tranquilizar seu coração, pois Jesus prometeu estar conosco: “E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século.” (Mt 28.20b)

Então, eu te darei o dízimo de tudo o que me concederes, incondicionalmente.

A questão relevante aqui é que a pessoa salva por Cristo não tem o direito de estabelecer qualquer condição prévia para só, e então, responder graciosamente, após ter recebido a “bênção pactuada com Deus”. Na verdade, a pessoa remida por Cristo já recebeu o que há de mais precioso – a Vida Eterna. Desta forma, a vida presente não é mais sua. Assim, tudo o que tem, por Deus concedido, deve ser usado com sabedoria. Este não dará quando receber, porém dará na medida das suas posses, porque já recebeu uma tão grande salvação.

Pois é de minha responsabilidade que a Casa do Senhor seja edificada e sustentada.

Ainda que o dízimo não seja uma doutrina explícita para a igreja, o povo da Nova Aliança, fica claro nas epístolas do NT que os membros da igreja devem sustentá-la com os seus recursos. E, como fazer isso? Em termos práticos, há pelo menos duas formas: 1ª)Calcula-se o custo total de operação, manutenção e investimento da igreja e se faz um rateio do valor por todos os seus membros, proporcional: “…na medida de suas posses e mesmo acima delas,” (2Co 8.3).  2ª)A partir do valor total arrecadado com dízimos e ofertas, são estabelecidas as  condições de operação, manutenção e investimento da igreja. Essa segunda opção parece ser a mais usada pelas igrejas. Não é o caso aqui de tratarmos da doutrina neotestamentária da contribuição, mas, apenas lembrar que é nossa responsabilidade e privilégio sustentar financeiramente e moralmente a igreja de Cristo, sem estabelecer qualquer condição.

A parábola do trigo e do joio

Trigo e Joio

I) A parábola do trigo e do joio (Mt 13.24-30)

Esta parábola de Jesus foi mencionada apenas por Mateus. Pode ser considerada uma parábola essencialmente profética, alcançando até o juízo final.

24  Outra parábola lhes propôs, dizendo: O reino dos céus é semelhante a um homem que semeou boa semente no seu campo;
25  mas, enquanto os homens dormiam, veio o inimigo dele, semeou o joio no meio do trigo e retirou-se.

O dono semeou apenas a boa semente. Entretanto o inimigo veio e semeou o joio. Na botânica o joio é chamado de “LOLIUM TEMULENTUM”, uma espécie de imitação do trigo, cuja diferença somente é notada no final do seu desenvolvimento. Daí ser perigoso tentar separá-la ou removê-lo antes da ceifa.

26  E, quando a erva cresceu e produziu fruto, apareceu também o joio.

O símbolo é bem apropriado porque a diferença somente é notada no estágio de desenvolvimento da espiga (fruto). O fruto do joio é inútil, inapropriado para a alimentação e nocivo ao homem, pois são grãos venenosos.

27  Então, vindo os servos do dono da casa, lhe disseram: Senhor, não semeaste boa semente no teu campo? Donde vem, pois, o joio?
28a  Ele, porém, lhes respondeu: Um inimigo fez isso….

Somente quando começou a espigar é que os servos notaram o problema e foram reportar ao proprietário do campo. O proprietário não teve dificuldade para perceber que aquilo era obra do inimigo.

28b  …. Mas os servos lhe perguntaram: Queres que vamos e arranquemos o joio?
29  Não! Replicou ele, para que, ao separar o joio, não arranqueis também com ele o trigo.

Vale ressaltar que o joio costuma prejudicar o solo, provocando problema por vários anos. Diante daquela situação, os servos se ofereceram para remover o joio. Entretanto, o dono estava seguro do melhor a ser feito naquele momento, que era esperar. Ele tinha a convicção de que o zelo resultante da impaciência pode ser um desastre. A prudência e a oportunidade são boas conselheiras da sabedoria. Ainda que fosse possível distinguir uma planta da outra, pelo aspecto exterior, as raízes podiam estar entrelaçadas e a remoção do joio danificar o trigo. Também havia o risco da remoção acidental da planta errada.

30  Deixai-os crescer juntos até à colheita, e, no tempo da colheita, direi aos ceifeiros: ajuntai primeiro o joio, atai-o em feixes para ser queimado; mas o trigo, recolhei-o no meu celeiro.

O proprietário estava certo da vitória final sobre o inimigo. Aqui o joio é colhido primeiro. Na escatologia bíblica é o salvo que é colhido primeiro. Isso reforça o fato de que os detalhes de uma parábola não devem ser levados em conta, mas sim a sua mensagem ou verdade central.

II) A explicação da parábola do trigo e do joio (Mt 13.36-43)

36  Então, despedindo as multidões, foi Jesus para casa. E, chegando-se a ele os seus discípulos, disseram: Explica-nos a parábola do joio do campo.
37  E ele respondeu: O que semeia a boa semente é o Filho do Homem;

Mais uma vez o foco é posto sobre a pessoa de Jesus. O semeador é o Filho do Homem – Jesus. Ele é o primeiro a semear a palavra do reino. Ele inicia a semeadura e, depois, convoca a todos: “Ide…”

38  o campo é o mundo; a boa semente são os filhos do reino; o joio são os filhos do maligno;

“O campo é o mundo”. Que mundo é esse? Apesar dessa afirmação ser relativamente clara e objetiva, tem dado motivo para várias interpretações. Não cabe aqui o conceito mais amplo de mundo, o mundo físico que inclui todos os povos, de todos os tempos. Mas, muito provavelmente, o mundo que recebeu a mensagem e influência de Jesus e que se diz seguidor dele, que se convencionou chamar de cristandade. Certamente, os não religiosos ou seguidores de outras seitas e religiões, não se enquadram aqui. “A parábola fala de ´joio` e ´trigo`. O ´joio` é imitação do ´trigo`. Essa ideia requer interpretação, porquanto o ´joio` não é somente qualquer pessoa irreligiosa ou incrédula, mas aqueles que fingem ser parte do ´reino`, postando-se entre os cristãos…Contudo, a experiência humana da igreja demonstra que, de fato, existem ´joios` em qualquer denominação ou igreja.”

“A boa semente são os filhos do reino”. O símbolo da semente, nesta parábola, tem uma pequena variação em relação à parábola da semente e os solos. Lá, a semente era a “palavra do reino” (Mt 13.19) ou a “palavra de Deus” (Lc 8.11), a mensagem do evangelho ou as boas novas de salvação. Porém, aqui, a “boa semente” é representada pelo resultado da operação da palavra, isto é, “os filhos do reino”, a boa terra, que recebe a semente, germina, cresce e produz frutos. “Pois, segundo o seu querer, ele nos gerou pela palavra da verdade, para que fôssemos como que primícias das suas criaturas.”(Tg 1.18)

“O joio são os filhos do maligno”. O joio não são os incrédulos; mas os religiosos, os falsos cristãos, os imitadores dos verdadeiros cristãos, os lobos travestidos de ovelhas, os falsos discípulos do reino. Assim como a Palavra de Deus produz verdadeiros cristãos, os filhos do reino; a palavra do maligno e sua influência, produzem não só os declaradamente ímpios, mas também os “falsos discípulos”, que produzem escândalos e praticam a iniquidade. Ambos têm por pai o diabo, que é o maligno.

39a  o inimigo que o semeou é o diabo; ….

O inimigo que semeia o joio é o adversário, o maligno, Satanás, o diabo. Obviamente que ele não dorme, nem descansa e não cessa de fazer o mal. O Diabo, aqui e nas Escrituras, é um ser pessoal e não um mero símbolo de maldade. Ele trabalha ocultamente, na permissão de Deus.

Na sua explicação, Jesus não fez referência a dois detalhes. Assim sendo, qualquer tentativa de interpretação pode ser considerada mera especulação. É provável que esses detalhes só tenham sido mencionados para formar uma história interessante e completa.

(i) O momento dessa semeadura: “enquanto os homens dormiam”. Dentre os que se adiantam a expressar a sua própria explicação, há aqueles que dizem haver aqui uma referência a atitude de descuido dos líderes da igreja, a falta de disciplina, o espírito mundano, a fraqueza moral, a negligência etc.

(ii) Os servos. Da mesma forma, alguns os identificam como os líderes da igreja, ou aqueles cristãos que deveriam estar atentos aos ataques do inimigo contra a igreja.

39  ….; a ceifa é a consumação do século, e os ceifeiros são os anjos.

“A ceifa é a consumação do século.” Alguns contavam que isso aconteceria na primeira vinda de Cristo. Entretanto, o Novo Testamento desloca esse momento para a segunda vinda de Cristo. Todo desenrolar da mensagem bíblica aponta para um julgamento final, um dia de prestação de contas. “E, assim como aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo, depois disto, o juízo,..” (Hb 9.27)(comp. Mt 24.3; 28.20; Ap 20.11-15). Primeiramente se dará a colheita dos remidos (trigo)(Ap 14.14-16),  depois, a ceifa do joio e dos ímpios (Ap 14.17-20) e, por fim, o milênio. “Assim será na consumação do século: sairão os anjos, e separarão os maus dentre os justos, e os lançarão na fornalha acesa; ali haverá choro e ranger de dentes. (Mt 13.49-50).

“Esta parábola descreve o período da história do mundo que teve início com o ministério de Cristo e que terminará com o julgamento, ou seja, que abrange a era da graça, em que a igreja estará em funcionamento. Jesus se refere a esse período como se fosse uma estação do ano própria para a semeadura e a colheita.”

“A ceifa demonstra que só há dois tipos de homens: crentes verdadeiros e imitações.”

“Os ceifeiros são os anjos”. Aos servos do dono da plantação foi negado arrancarem o joio, para que não arrancassem também o trigo. Há um tempo determinado para essa colheita e os anjos serão os ceifeiros (Dn 7.9,10; 12.1,2; Ap 14.14-20).

Deve ser rejeitada a ideia de alguns, que, baseados nesta parábola, dizem que a igreja local não tem base bíblica para aplicar uma disciplina de exclusão. Isto é um equívoco, pois no âmbito local a igreja deve fazê-lo, conforme o ensinamento bíblico.

40  Pois, assim como o joio é colhido e lançado ao fogo, assim será na consumação do século.
41  Mandará o Filho do Homem os seus anjos, que ajuntarão do seu reino todos os escândalos e os que praticam a iniquidade
42  e os lançarão na fornalha acesa; ali haverá choro e ranger de dentes.
43  Então, os justos resplandecerão como o sol, no reino de seu Pai. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.

A separação entre o verdadeiro e o falso será completa e perfeita. As características do joio são: “os que servem de tropeço e os que praticam a iniquidade”.

O destino final de justos e de ímpios já está determinado – o fogo eterno.

Conclusões:

a) A parábola não ensina que, no tempo presente, não dá para identificar a presença do joio. O joio foi visto e até causou perplexidade.

b) A parábola ensina que no tempo presente não se deve proceder à destruição do “joio” ou imitador do verdadeiro cristão.

c) Quem é trigo, sabe que é trigo? Com certeza sabe, pois: “O próprio Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus”. (Rm 8.16)

d) Quem é joio, sabe que é joio? Claro que sim! Sabe que não é de Cristo. Sabe que é pedra de tropeço na vida de muitos. Sabe que está praticando a iniquidade e que lhe é conveniente continuar assim. Sabe que é mero imitador e se esforça para parecer com o verdadeiro cristão e para não ser descoberto.

e) Pode o joio virar trigo? Tudo leva a crer que não! Humanamente falando, pela sua natureza, certamente que não. Da mesma forma que o trigo, simbolizando aqui o salvo, não perde a salvação, isto é, não pode virar joio; o joio, simbolizando aqui o perdido, não pode virar trigo.

f) A mensagem central da parábola é que os filhos de Deus e os filhos do maligno hão de conviver até o dia da ceifa, na consumação do século. “Ele, porém, respondeu: Toda planta que meu Pai celestial não plantou será arrancada.” (Mt 15.13)

O “padre protestante”

José Manoel da Conceição

Introdução

José Manuel da Conceição, nasceu na cidade de São Paulo em 11 de março de 1822 e faleceu no Vale do Paraíba, em 25 de dezembro de 1873. Filho de Manuel da Costa Santos (português) e de Cândida Flora de Oliveira Mascarenhas (brasileira). Foi um ex-sacerdote católico-romano que ingressou na Igreja Presbiteriana do Brasil e tornou-se o primeiro brasileiro ordenado pastor evangélico.

1. Linha do Tempo (alguns eventos importantes)

11/03/1822 – Nascimento de J. M. da Conceição (São Paulo – SP).

1840 a 1842 – [18 a 20 anos] Estudou teologia na cidade de São Paulo – SP.

29/09/1844 – [22 anos] Ordenado diácono na Igreja Católica Romana.

29/06/1845 – [23 anos] Ordenado presbítero (padre) na Igreja Católica Romana.

12/08/1859 – Chega ao Brasil, no porto do Rio de Janeiro, o Rev. A. G. Simonton e, com ele o Presbiterianismo.

24/07/1860 – Chega ao Brasil, no porto do Rio de Janeiro, o Rev. A. L. Blackford e sua esposa Elizabeth (cunhado e irmã do Rev. A. G. Simonton, respectivamente).

12/01/1862 – Neste domingo é organizada a Igreja Presbiteriana do Rio de Janeiro.

06/10/1863 – O Rev. A. L. Blackford e sua esposa deixam o Rio de Janeiro para fixar residência na cidade de São Paulo, após algumas viagens de reconhecimento e sondagem, visando à abertura de um segundo campo da missão.

22/10/1863 – [41 anos] O Rev. A. L. Blackford viaja para o interior de São Paulo e mantém o primeiro contato com o Pe. J. M. da Conceição. Seis meses depois, o Pe. J. M. da Conceição vai à cidade de São Paulo e durante cinco dias teve a oportunidade de conversar com o Rev. A. L. Blackford e, também, com o Rev. A. G. Simonton, nascendo ali uma grande amizade entre eles.

25/09/1864 – [41 anos] Neste domingo, participou pela primeira vez de um culto evangélico.

28/09/1864 – [41 anos] Entregou o cargo de padre ao Bispo de São Paulo, D. Sebastião Pinto do Rego.

09/10/1864 – [41 anos] Pregou pela primeira vez na Igreja presbiteriana do Rio, atraindo a atenção de muitos.

23/10/1864 – [41 anos] Fez a sua pública profissão de fé e foi batizado pelo Rev. A. L. Blackford, na Igreja Presbiteriana do Rio. Sendo culto e eloquente, a sua conversão causou consternação no clero católico.

05/03/1865 – É organizada a Igreja Presbiteriana em São Paulo, pelo Rev. A. L. Blackford.

13/11/1865 – É organizada a Igreja Presbiteriana de Brotas – SP, a primeira do interior do Brasil, graças ao trabalho evangelístico de J. M. da Conceição e à colaboração dos missionários.

16/12/1865 – Com três igrejas presbiterianas organizadas (Igreja do Rio, de São Paulo e de Brotas), é organizado o primeiro Presbitério no Brasil, o Presbitério do Rio de Janeiro (PRJN), na sede da Igreja Presbiteriana em São Paulo, sob a liderança de três pastores: Rev. A. G. Simonton, Rev. A. L. Blackford e Rev. Francis J. C. Schneider.

16/12/1865 – [43 anos] J. M. da Conceição é examinado pelo Presbitério, no dia da sua organização, acerca das suas convicções e considerado apto.

17/12/1865 – [43 anos] J. M. da Conceição pregou o seu sermão de prova (em Lucas 4.18-19) diante do Presbitério, sendo aprovado e ordenado ao Sagrado Ministério. Essa é a origem do Dia do Pastor Presbiteriano.

19/02/1867 – [45 anos] Foi decretada a sentença condenatória de excomunhão do ex-padre J. M. da Conceição, enviada às paróquias por uma Circular.

09/12/1867 – Falece o pioneiro Rev. A. G. Simonton, bem pouco antes de completar 35 anos, vítima de febre amarela.

25/12/1873 – [51 anos] Falece o Pastor J. M. da Conceição.

2. Destaques de sua vida

ANTES (como católico):

a) Compromisso inarredável com as Escrituras Sagradas e sentimento de que a Igreja Romana se deteriorou, desviando-se da simplicidade do Evangelho.

b) Processo crescente de inquietação, insatisfação e angústia espiritual, ao perceber o contraste e divergência entre as Escrituras Sagradas (Bíblia) e a doutrina e práticas da Igreja Católica Romana.

c) Suas pregações traziam incômodo à hierarquia católico-romana, razão pela qual era transferido de cidade em cidade.

DEPOIS (como presbiteriano):

d) Abraçou a fé reformada, pela influência dos primeiros missionários do presbiterianismo do Brasil, sendo ordenado pastor presbiteriano.

e) Não foi pastor de uma igreja fixa. Dedicou-se ao trabalho de “evangelista itinerante”, um “bandeirante da fé”, no interior da então província de São Paulo, visitando as cidades onde havia servido como padre, onde o zelo pelo ensino da Bíblia lhe rendeu o apelido de “padre protestante”. Encontrou nesses lugares o ambiente preparado para a formação de comunidades evangélicas. Nessas cidades e em muitas outras, plantou as sementes de futuras igrejas.

f) Foi bastante perseguido em suas peregrinações, não poucas vezes sendo alvo de agressões físicas.

g) Como fruto de seu trabalho, foram estabelecidas igrejas em Brotas, Americana, Santa Bárbara e várias outras cidades.

3. A síntese do seu ministério

O relato de Alderi Souza de Matos(*) sintetiza de forma eloquente e comovente o seu curto, mas impactante ministério pastoral (oito anos):

“O Rev. Conceição exerceu o seu ministério de maneira sacrificial e abnegada. Seu método era ir de vila em vila e de casa em casa, pregando, lendo e expondo a Bíblia. Vivia como um nômade, pregando em toda parte e experimentando toda sorte de privações, que lhe prejudicaram a saúde. Passava a noite em qualquer lugar que lhe oferecessem e, em sinal de reconhecimento, servia de enfermeiro a algum doente ou prestava pequenos serviços, como varrer e lavar. Alimentava-se de maneira frugal e o seu único vestuário era o que lhe cobria o corpo. Nas longas peregrinações, ocupava as horas vagas escrevendo a lápis sermões, traduzindo artigos e fazendo anotações curiosas sobre tudo o que observava. Quando se demorava por algum tempo em algum local onde podia dispor de comodidade, passava a limpo os seus sermões, hinos, notas e traduções, empregando em tudo muito método, clareza e uma bela caligrafia. Todos esses papéis ele levava consigo embrulhados em um pano, até poder dar-lhes o destino apropriado, enviando uns aos amigos e outros à redação da Imprensa Evangélica. Tinha uma presença nobre e atraente, voz harmoniosa, grande eloquência e pureza de vida. O pouco que possuía, dava aos pobres.”

(*) Alderi Souza de Matos é um professor, teólogo, historiador, pastor, escritor e apresentador televisivo presbiteriano brasileiro, que é atualmente o historiador oficial da Igreja Presbiteriana do Brasil.

4. Dia do Pastor Presbiteriano

A Palavra de Deus nos admoesta a lembrarmo-nos de algumas “coisas” que não devem ser esquecidas. O termo “lembrai-vos” ocorre cerca de 9 vezes no NT. Em uma delas: “Lembrai-vos dos vossos guias, os quais vos pregaram a palavra de Deus; e, considerando atentamente o fim da sua vida, imitai a fé que tiveram.” (Hb 13.7).

Em lembrança ao legado de José Manoel da Conceição, foi estabelecido o dia 17 de dezembro como “o Dia do Pastor Presbiteriano” sendo celebrado na Igreja Presbiteriana do Brasil no domingo mais próximo a esta data. Essa data nos remete à ordenação desse primeiro pastor presbiteriano brasileiro ao sagrado ministério, em 17/12/1865.

Um dia para os presbiterianos (pastores e pastoreados) celebrarem a bênção de poderem servir ao Supremo Pastor que nos comprou com o precioso sangue de Cristo, seu Filho. Um dia, também, para os membros da Igreja Presbiteriana do Brasil expressarem a gratidão e apreço aos seus pastores pelo trabalho realizado. Naturalmente que essa lembrança não deve ficar restrita apenas a este dia comemorativo. Em todos os dias os pastores devem ser lembrados pelo rebanho de Deus, nas suas orações. E, seus ensinamentos e conselhos, fundamentados na bíblia, devem ser guardados e praticados, para bênção individual, da família e da igreja de Cristo.

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Bibliografia:

(1) Lições da História da Igreja 3. Revista expressão. Lição 7. Editora Cultura Cristã.
(2) História da Igreja Presbiteriana do Rio de Janeiro (1862-2012). Livro comemorativo do Sesquicentenário.
(3) Matos, Alderi Souza de.  Instituto Presbiteriano Mackenzie.
      https://web.archive.org/web/20130117115941/http://www.mackenzie.br/10177.html
(4) Wikipédia.

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Os pioneiros:

Rev. Ashbel Green Simonton (20/01/1833 – 09/12/1867)(34 anos)
     Esposa: Helen Murdoch  (1834–1864)(30 anos)
     Filha: Helen Murdoch Simonton (1864–1952)(88 anos)

Rev. Alexander Latimer Blackford (09/01/1829 – 14/05/1890)(61 anos)
     Esposa: Elizabeth Wiggins Simonton (1822–1879)(56 anos)

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