Lidando com o sentimento de culpa (Parte 1)

“Cria em mim, ó Deus, um coração puro e renova dentro de mim um espírito inabalável.” (Sl 51.10)

Introdução          

“Há algum tempo, aconselhei uma moça de 22 anos que tentara o suicídio. Descobri, depois de várias horas de aconselhamento, que ela possuía uma autoimagem muito baixa e negativa. Em meio a lágrimas, contou-me que, quanto mocinha, fora violentada por um membro da família; fato esse que lhe causou dificuldades no que diz respeito a amar e confiar nas pessoas, fazendo surgir sentimentos de culpa, rejeição e autoimagem negativa.” (Jaime Kemp – Lar Cristão -Nº 2)

Outros casos ou exemplos:

– Escolhi a carreira errada, não tenho qualquer vocação para medicina (ou direito, ou engenharia ou ….)
– Um marido que perde o emprego. Os frequentes problemas financeiros fazem com que a esposa deixe de acreditar nele.
– Uma gravidez indesejada paralela a crescentes pressões no emprego leva um marido a questionar o compromisso assumido no casamento.
– Um filho que cai da escada ou sofre um acidente e fica paraplégico.
– Um casamento fracassado que levou ao divórcio.
– Um adultério cometido e muito bem ocultado.
– Uma cessão de espaço para a pornografia.
– Um furto ocasional.
– Uma ou algumas mentiras proferidas.
– Foi testemunha de um fato e se omitiu.

O sentimento de culpa é uma forma de sofrimento mental, normalmente com desdobramentos que afetam a saúde do corpo, o comportamento, o estilo de vida e os relacionamentos. É uma triste realidade compartilhada pela espécie humana, desde as primeiras criaturas – Adão e Eva. Culpa, ciúme, medo, ansiedade, insegurança, autocondenação, ira, depressão, dentre outros, muitas vezes, ocasionam um desastre psicológico, portanto, precisam merecer nossa atenção, precisam ser tratados.

Paul Tournier, respeitado psiquiatra cristão, lembra que sentimentos como remorso, peso na consciência, vergonha, constrangimento, inquietação, confusão, timidez e modéstia em excesso estão todos ligados ao sentimento de culpa. Cristãos e não cristãos estão sujeitos a problemas que afetam a nossa psiquê e precisam trabalhar isso adequadamente.

Pessoas e famílias não são perfeitas. Erros cometidos, decisões equivocadas, atitudes inconvenientes e pecado praticado têm consequências e podem  provocar danos de menor ou maior proporção na vida de uma pessoa. Daí se estabelece o sentimento de culpa. Crentes salvos e habitados pelo Espírito Santo também estão aqui incluídos, com a ressalva de que quem está em Cristo é nova criatura e não vive na prática do pecado (1Jo 3.6) e não tem que viver sufocado por sentimentos de culpa. Portanto, este é o tipo de assunto que interessa a todos.

O que fazer para reduzir, bloquear ou eliminar um sentimento de culpa? É o que trataremos, a seguir.

Nesta Parte 1, faremos uma abordagem mais conceitual sobre a culpa e o sentimento de culpa, com os tópicos CULPA REAL e CULPA IMAGINÁRIA.

1. CULPA REAL

Considera-se, neste caso, que verdadeiramente o indivíduo tem culpa. Portanto, o sentimento de culpa é devido, o que é algo humanamente natural.

A culpa real pode ser definida levando-se em conta alguns aspectos:

1.1 QUANTO AO AGENTE

a) Culpa pela AÇÃO ou OMISSÃO

Ação, quando o indivíduo faz alguma coisa errada, que não deveria ou não poderia fazer.

Omissão, quando o indivíduo não faz alguma coisa certa que deveria ou poderia fazer.

b) Culpa DIRETA, INDIRETA e PRESUMIDA

Direta, quando o indivíduo age ou se omite, diretamente. Por exemplo: estava dirigindo, se distraiu com o celular, bateu com o carro no poste e o pai, que estava no banco do carona, veio a óbito. Ele é o agente e executor direto.

Indireta, quando o indivíduo é o mandante e outros fazem ou deixam de fazer alguma coisa por ordem ou acordo com ele. Por exemplo, Davi, quando ordenou que Urias fosse colocado na linha de frente da batalha e deixado, sem cobertura, para ser morto.  

Presumida, ocorre nas situações em que o agente assume os riscos ante à probabilidade de causar resultado danoso, sendo assim o responsável. Independentemente de estar ou não contemplado no Código Penal ou Código Civil, para efeito conceitual, incluo aqui este tipo de culpa. Exemplifico com o caso trágico de pais, com filho pequeno em casa, que cai da janela do apartamento ou morre afogado na piscina da casa, porque esses não tiveram o cuidado de instalar proteção na janela ou na piscina. O risco era previsível, mas não foi levado em conta. São formas de manifestação da inobservância do cuidado necessário, isso é, modalidades da culpa: a imprudência, negligência e imperícia.

1.2 QUANTO AO ATO EM SI

Gary Collins, conselheiro cristão, fala de dois tipos básicos de culpa, a saber, objetiva e subjetiva.

a) Culpa OBJETIVA

Objetiva, quando depende ou decorre do ato ou do fato.

Conforme Collins, são quatro os tipos de culpa objetiva:

– Culpa legal: acontece, por exemplo, quando uma pessoa é multada por ter desrespeitado um semáforo. Transgrediu a lei de trânsito, portanto, a pessoa é culpada, sentindo ou não culpa, arrependimento ou remorso pelo que fez.

– Culpa social: é quando se quebra uma norma não escrita, mas socialmente esperada, como qualquer regra de etiqueta ou boas maneiras.

– Culpa pessoal: é quando acontece uma violação de algum plano ou projeto pessoal. Um exemplo seria o caso do pai de família que, por força de obrigações profissionais, se vê forçado a passar menos tempo com seus filhos do que o que pretendia, ou a faltar a um evento na escola em que o filho iria se apresentar.

– Culpa teológica (que psicólogos e conselheiros cristãos também chamam de culpa verdadeira):  é proveniente de saber que houve desobediência às leis de Deus, violação a princípios, valores e ensinos contidos na bíblia. Muitos psicólogos e psiquiatras não cristãos não admitem a existência desse último tipo de culpa.

b) Culpa SUBJETIVA

Subjetiva, quando não depende ou não decorre do ato ou do fato em si, porém de sentimentos e interpretações pessoais. 

A culpa subjetiva está ligada aos sentimentos desconfortáveis de remorso, vergonha e autocondenação que podem acompanhar quem acha que fez algo errado (ou que a pessoa considera errado) ou que deixa de fazer o que acha que seria certo.

É importante saber de que tipo de culpa se está falando, para que se possa ajudar quem está com dificuldades nessa área tão importante da vida.

1.3 QUANTO A INTENÇÃO

a) Dolosa

Quando o indivíduo tem a intenção e faz alguma coisa errada, que não deveria ou não poderia fazer.

b) Culposa

Quando o indivíduo não tem a intenção e faz alguma coisa errada, que não deveria ou não poderia fazer.

1.4 QUANTO À CONSCIÊNCIA  

a) Consciente

Ocorre quando o agente prevê o resultado, mas espera que ele não ocorra, supondo poder evitá-lo com a sua habilidade.

b) Inconsciente

Na culpa inconsciente, o agente não prevê o resultado, que, entretanto, era objetiva e subjetivamente previsível.

2. CULPA IMAGINÁRIA

É importante reconhecer que há culpas reais ou verdadeiras e culpas imaginárias ou falsas. O efeito e prejuízo psicológico pode ser o mesmo nos dois casos. É fato que muita gente sofre com culpas que não são reais.

a) Culpa de natureza teológica

Embora o mundo cristão esteja sendo fortemente influenciado e afetado pelo liberalismo teológico e progressismo global, onde princípios e valores cristãos estão sendo relativizados ou ignorados, ainda encontraremos pregadores e professores com viés legalista e moralista forjando nas mentes dos crentes imaturos falsos conceitos de santidade, pureza e vida cristã. Assim, tais ouvintes podem desenvolver culpas imaginárias na consciência, culpas que decorrem de interpretação bíblica equivocada. Jesus nunca foi cúmplice do pecado, mas repreendeu veementemente os religiosos legalistas do seu tempo: “Atam fardos pesados e difíceis de carregar e os põem sobre os ombros dos homens; entretanto, eles mesmos nem com o dedo querem movê-los.” (Mt 23.4). É necessário pregar e ensinar sempre com base bíblica! É preciso fugir dos extremos onde “tudo é pecado” ou “nada é pecado”!

b) Culpa pela forma de criação dos filhos

Na atualidade, talvez seja mais comum encontrarmos pais que não impõem limites na criação e educação dos seus filhos. Entretanto, igualmente danoso para a formação desses é o rigor exagerado por parte de outros pais. A pedagogia do elogio tem sido recomendada, porém tais pais se relacionam com seus filhos só na base da censura, da crítica, da reclamação e da condenação. Crianças criadas dessa maneira são fortes candidatas a se tornarem adultos problemáticos, sempre a lutar contra um sentimento de culpa vago e indefinido, mas terrível, que sempre cobra algo mais, que nunca se satisfaz. É lógico que crianças precisam de repreensão quando fazem algo verdadeiramente errado; mas precisam igualmente de elogio, incentivo, estímulo, agradecimento, para que venham a ser adultos mais centrados e equilibrados.

c) Culpa de natureza circunstancial

São culpas que se originam de circunstâncias imprevisíveis, muitas vezes agravadas por envolverem acontecimentos trágicos. Pode-se exemplificar com o seguinte caso. Uma mãe pede a seu filho jovem para ir até a padaria, perto da sua casa, para comprar alguma coisa para o lanche. Exatamente quando o jovem chega à padaria, está ocorrendo um assalto, ele recebe um tiro de bala perdida e vai a óbito. Então, aquela mãe incorpora um sentimento de culpa que sufoca e asfixia sua existência. Esse é apenas um dos inúmeros casos em que a pessoa não cessa de se questionar – E SE…. ? E se eu não tivesse pedido a ele para ir até lá? Ele estaria vivo!

…………………..

Não perca a continuação…..em breve….
Na Parte 2 apresentaremos aspectos mais práticos de como tratar da culpa e do sentimento de culpa, com os tópicos REAÇÕES A CULPA e TRATANDO A CULPA.

ABORTO, uma experiência traumática!

“Os teus olhos me viram a substância ainda informe, e no teu livro foram escritos todos os meus dias, cada um deles escrito e determinado, quando nem um deles havia ainda.”
(Sl 139.16)

Vale a pena você conferir o testemunho abaixo da GESA MORAES. São milhões de abortos realizados no mundo a cada ano. Dificilmente se chegará a uma estatística confiável devido ao elevado número de abortos clandestinos. Isso sim é um verdadeiro genocídio, defendido pelos globalistas progressistas! Misericórdia, SENHOR!

………….

Eu acreditava em Deus, mas do meu jeito. Ele era uma “força” que eu podia manipular. Foi assim que aprendi em minha casa e isso me bastava.

Meus pais tiveram um casamento atribulado que acabou em divórcio. Durante os últimos anos juntos, minha mãe vivia deprimida e meu pai entregue ao alcoolismo. Era mais fácil me darem liberdade total do que estabelecerem limites. Então, por volta dos 15 anos, “cai na vida”.

Tive vários namorados. De alguns gostei, de outros, nem tanto. Minha necessidade, porém, era ser amada. Eu não ligava por “pagar” beijos, abraços e palavras carinhosas, com cama. Era um preço até baixo pelos momentos em que me sentia protegida. Porém, minha má fama começou a crescer. Passei, então, a me sentir usada e a ter raiva do que estava acontecendo. No entanto, não conseguia dizer Não! Paguei caro por isso. Vivia com medo de estar grávida. Tive namorados que me ridicularizavam em público, outros que eram verdadeiros bárbaros, a ponto de praticamente me violentarem.

Fiquei calada com medo de represália e do descrédito dos outros.
E assim fui vivendo até que conheci um rapaz notável que restaurou minha autoestima. Ele me respeitou e em nosso primeiro encontro não encostou nenhum dedo em mim. Foi um verdadeiro cavalheiro e amigo, mesmo depois que começamos a namorar. As coisas acabaram evoluindo, mas daquela vez era realmente por amor. E assim foi indo até que estourou a bomba. Estávamos namorando há seis meses quando descobri que estava grávida. Ele entrou em pânico. Eu fiquei apavorada! Além dele, nossos amigos faziam pressão para que eu abortasse. Eu não sabia o que fazer. Fui falar com meu pai. Ele foi muito compreensivo oferecendo ajuda para criar a criança, caso eu quisesse, porém disse que me achava nova demais para tanta responsabilidade. Aí me contou que eu também tinha sido fruto de uma concepção pré-conjugal e que seu casamento não dera certo por terem se casado sem planejamento e às pressas. “Não cometa o mesmo erro”, ele disse. Então tão, cedi à pressão. O argumento havia se tornado muito pessoal e forte demais. Afinal de contas, o embrião era só um amontoado de células, não é mesmo?!

No dia 16 de dezembro de 1981, matei meu filho. Foi em uma “clínica” de fundo de quintal, em uma lavanderia, sob anestesia geral, pelas mãos de um ginecologista ganancioso. Quando recobrei a consciência, comecei a me contorcer de dor e me debati contra uma parede úmida, fria, de pedra, no porão escuro da casa, ouvindo também gemidos de outras mulheres. Cheguei a pensar que linha morrido e que estava no inferno. Ao sair da “clínica” recebemos os medicamentos e as devidas ameaças para manter em sigilo o ocorrido. Além de tudo, tive que fingir que nada havia acontecido.

0 problema do meu namorado tinha terminado, mas o meu acabara de começar! Gradativamente a culpa começou levar-me à loucura. Vivia deprimida e com vontade de morrer. Comecei a fazer psicoterapia, mas a ajuda não passava de certo ponto. Bebia incontrolavelmente e tomava antidepressivos. Aí, aconteceu de novo. Dessa vez, só a ideia de abortar já trazia culpa. Fisicamente eu não tinha condições para fazer outro. Mas, lá fui eu novamente ao “matadouro”. A única exigência que é que deveria ser em um hospital de verdade. E foi. Antes de ir para a sala de cirurgia fui até a janela do meu quarto, olhei para o céu e pedi que Deus me perdoasse. Tive uma “curetagem”. Acordei mais tarde revoltada com meu namorado e com a vida. Tudo era tão injusto!

Pouco depois ficamos noivos e nos casamos no ano seguinte, como manda o figurino. Entre o noivado e o casamento, encontrei a Jesus, ou melhor, Jesus me encontrou. Entreguei a Ele minha vida. Bem… quase toda. Eu achava que “aqueles” pecados eram terríveis demais para ele perdoar. Tive medo que me rejeitasse. Compreender e aceitar que o Senhor perdoa todas as nossas iniquidades veio com o tempo.

Primeiramente, ele foi misericordioso e após nosso casamento, nos deu dois filhos lindos e sadios. Depois, me envolveu em uma escola de evangelização infantil. Suavemente foi me assegurando seu amor e mostrando que me aceitava incondicionalmente. Conversei com meus sogros, que não sabiam de nada e pedi a eles perdão pelo que fizera. Fui perdoada. E, finalmente, perdoei meu marido. O peso foi saindo e o Pai me mostrando que jamais me abandonaria. Mesmo nas horas difíceis estaria ali segurando minha mão e acolhendo meus pequeninos. Por fim, falou direto ao meu coração e eu confessei sem restrições aqueles pecados que pesavam toneladas. Paz, restauração, perdão pleno – o Senhor Jesus me transformou. Lavou-me com seu precioso sangue e fez de mim uma nova criatura.

Esse processo durou quase dez anos e, para mim, esse tempo foi uma prova viva de Sua graça. Estou livre agora. Não vivo mais na dor do passado, mas na alegre expectativa de uma reunião familiar no céu. Louvo a Deus, pois sou uma prova viva de que Deus pode transformar maldição em bênção!

(Transcrito de: Revista Lar Cristã – Vol. 7 – Número 27 – JUN/AGO 1994)


“As sequelas físicas dos abortos são várias desde câncer de mama até esterilidade, mas não necessariamente acontecem em todas as mulheres. As emocionais, no entanto, mais avassaladoras, marcam, machucam e escravizam. Podem trazer depressão, baixa autoestima, culpa, rejeição, amargura, raiva e até mesmo a separação do casal. A mulher geralmente as carrega de forma mais presente que o homem, mas isso não quer dizer que ele fique isento.” (Rose Santiago)


Vale a pena conferir, no artigo abaixo, os dados mundiais e os argumentos, levando-se em conta os países onde o aborto é legalmente proibido e liberado!
…………
Sabe aquele papo de que o número de abortos não aumenta se ele for liberado? É mentira.
https://www.gazetadopovo.com.br/instituto-politeia/sabe-aquele-papo-aborto-mentira/

Lembranças da minha avó

“pela recordação que guardo de tua fé sem fingimento, a mesma que, primeiramente, habitou em tua avó Lóide e em tua mãe Eunice, e estou certo de que também, em ti”. (2Timóteo 1.5)

Essas palavras do apóstolo Paulo, ao seu filho na fé, Timóteo, soam como um importante e histórico tributo ao legado da fé, na família. A minha experiência se assemelha a de Timóteo, neste sentido. Fazendo uma paráfrase, é como se um dia alguém pudesse me dizer: “pela recordação que guardo de tua fé sem fingimento, a mesma que, primeiramente, habitou em tua avó Maria Angelina e em tua mãe Elvira, e estou certo de que também, em ti”.

Não faço ideia da razão de, na madrugada de 30/05/2022, eu ter sonhado que estava expondo alguns valores da minha saudosa avó Maria Angelina para algumas pessoas. Nos dias anteriores não estive folheando algum álbum de família, nem conversado sobre o assunto; simplesmente esse sonho surgiu do nada. Vale lembrar que minha ascendência passou por duas avós: Maria José (paterna) e Maria Angelina (materna). São duas Marias, duas mulheres portuguesas da Ilha de São Miguel (Açores), duas descendentes de famílias católicas, ambas tiveram quatro filhos, ambas tiveram um encontro pessoal com Jesus Cristo e passaram a viver a fé cristã evangélica, ambas foram mulheres de fibra na criação dos seus filhos aos pés do Senhor. Não tive o privilégio de conviver com minha avó paterna, que permaneceu na sua terra natal, já que meus pais migraram para o Brasil, bem como meu avô e avó maternos e seus descendentes. É dessa avó materna, Maria Angelina, que quero compartilhar algumas memórias relacionadas à sua vida e fé.

Maria Angelina nasceu em 07/11/1906, casou-se em 30/06/1927, teve três filhas e um filho que foi o caçula. Ela faleceu em 08/11/1968, um dia após completar 62 anos de uma vida abençoada por Deus. Nessa ocasião eu tinha apenas 13 anos de idade.

Algumas boas lembranças da minha avó:

1. O melhor é para Deus

Na prática, como você demonstraria esse valor ou conceito para outras pessoas, de que Deus requer e merece o melhor? Certamente, há várias maneiras de fazê-lo. Na sua sinceridade e simplicidade ela tinha lá o seu jeito próprio.

a) O dinheiro dos dízimos e ofertas

Naquela época o dinheiro de papel era amplamente utilizado. Assim sendo, nas suas pequenas transações comerciais do cotidiano, na padaria, açougue, armazém, mercearia, passagem de ônibus etc. ela ia separando e guardando as notas de dinheiro mais novas para o dízimo e para as ofertas. Para ela seria um sacrilégio, falta de temor a Deus, ofertar com dinheiro em mau estado de conservação (riscado, colado, rasgado etc.). É interessante que os diáconos chegavam a comentar que na contagem das ofertas, quando viam notas muito novas podiam até imaginar quem as ofertou. E essa prática acaba até influenciando outras pessoas.

b) A roupa para ir à igreja

Nesta mesma linha, ela acreditava que os membros da igreja, mesmo não tendo muitas posses,  deveriam usar suas boas roupas quando frequentavam a igreja. Isso não tem nada a ver com vaidade e ostentação (1Pe 3.3), mas com asseio e decência no trajar, porque Deus merece o nosso melhor (2Tm 2.9). 

São duas coisas simples, mas que reverberam conceitos que vêm do Antigo Testamento, onde o animal oferecido deveria ser sem defeito, as primícias da terra seriam para Deus, e assim por diante. “E dizeis ainda: Que canseira! E me desprezais, diz o SENHOR dos Exércitos; vós ofereceis o dilacerado, e o coxo, e o enfermo; assim fazeis a oferta. Aceitaria eu isso da vossa mão? —diz o SENHOR. Pois maldito seja o enganador, que, tendo um animal sadio no seu rebanho, promete e oferece ao SENHOR um defeituoso; porque eu sou grande Rei, diz o SENHOR dos Exércitos, o meu nome é terrível entre as nações.” (Ml 1.13-14)

2. Devoção verdadeira

Eu era apenas uma criança de uns 9 anos e passava alguns dias das férias escolares na casa dela, no bairro de Todos os Santos – Rio de Janeiro- RJ. Não sei se os meus pais me enviavam para lá para fazer companhia a eles ou para aliviar minha mãe, pois na ocasião éramos quatro irmãos. O fato é que eu gostava de brincar lá. Ainda me lembro vagamente das nossas idas para a casa dela. Descíamos a ladeira da casa dos meus pais até a avenida principal onde tomávamos o ônibus rumo a Todos os Santos. Ela não dispensava a sua sombrinha que a protegia do sol.

Quando eu passava aqueles dias, na sua casa, à noite ela se sentava comigo, lia a Bíblia e orava. Ela nos ensinou a recitar sempre o Salmo 4.8, antes de dormir: “Em paz também me deitarei e dormirei, porque só tu, SENHOR, me fazes habitar em segurança.” (versão Almeida Revista e Corrigida – ARC).  Ela também nos ensinava a recitar o Salmo 23 – O Senhor é o meu pastor. Nunca vou esquecer daquele dia em que ela leu o texto bíblico do sofrimento, crucificação e morte de Jesus. Ela lia e a emoção tomava conta dela, e as lágrimas rolavam no seu rosto. Para ela, a Bíblia não era um livro qualquer; ela o amava e obedecia. Não é sem razão que aquele hino tão conhecido “Rude cruz se erigiu, dela o dia fugiu” mexe  muito comigo.

3. Uma mulher de família

Sua saúde não era perfeita, mas sempre foi uma guerreira nos cuidados com a casa e com a família. Ela amava e respeitava seu marido e meu avô. Ele era um homem alto, forte, porém manso e de poucas palavras. Não era de expressar abertamente o que sentia. Um português sempre muito ligado a terra, na sua velhice cuidava de jardins. Sempre foi um pai provedor. Já minha avó era uma mulher de baixa estatura física, porém de elevada estatura espiritual. Era uma mulher empoderada, não como apregoam as feministas, mas com o poder do alto, com o poder do Espírito Santo de Deus. Foi assim que ela gerou e criou quatro filhos nos caminhos do Senhor, sendo que todos eles viveram e morreram em Cristo, nos deixando um bom exemplo.

Sua vida nunca mais foi a mesma depois da morte do meu avô em 26/11/1967, com 63 anos. Foram 40 anos de casamento. Seus dias passaram a ser tristes. Desta forma, faltando uns 18 dias para completar 1 ano do falecimento dele, ela também se foi para o Pai Celestial. No pouco que me lembro, no dia anterior ao da sua morte, comemorou seu último aniversário. Parece que ela teve o desejo de comer algumas coisas gostosas e diferentes. Naquela ocasião ela estava morando num quarto da casa da sua filha mais velha, que era minha tia e vizinha. Então, ela comeu e dormiu tranquilamente aquela que seria a sua última noite. Assim, na manhã seguinte, para surpresa de todos, não acordou. Havia partido para o descanso eterno; estava agora nos braços do Pai Celestial, seu Senhor e Deus, único e verdadeiro.

4. O legado de uma vida

Quando envelhecemos e vamos nos aproximando do final da vida, passamos a fazer algumas reflexões existenciais. Uma delas é quanto ao legado que deixaremos para a nossa família, amigos, vizinhos e sociedade em geral. O fato é que um legado se produz ao longo de toda a vida, dia após dia, e não apenas nos últimos anos.

Então, vale a pena observar algumas dicas:

a) Plante boas memórias!

Conforme exposto acima, posso dizer que minha avó plantou em mim boas memórias. É claro que meus pais tiveram um papel muito mais robusto em termos de influenciar minha formação e caráter, pelo convívio diário e pelo exemplo de vida deles.

A morte de parentes próximos sempre nos afeta, nos faz enxergar a realidade da vida, principalmente quando vivenciamos essa experiência pela primeira vez. No meu caso, quando meu avô partiu no final de 1967. Em decorrência, o ano de 1968 mexeu muito comigo, me fez ver como esta vida é efêmera. Foi quando no mês de  maio eu entreguei minha vida a Cristo, confessando-o como meu Senhor e Salvador. No dia 31 de dezembro deste mesmo ano, após a segunda morte na família, a da minha avó, fui batizado. As perguntas que não calavam em meu coração eram: se eu morrer ou se Jesus voltar, o que será de mim? É por isso que outro hino também falou profundamente ao meu coração:

Quando lá do céu descendo
Para os seus, Jesus voltar
E o clarim de Deus a todos proclamar
Que chegou o grande dia
Da vitória do meu Rei
Eu, por sua imensa graça, lá estarei  

Plante boas memórias! Memórias de alguém que crê na bíblia, como a infalível e preciosa palavra de Deus; que tem a Jesus como seu Senhor e Salvador; que tem a certeza de que se morrer estará com Cristo e se Jesus voltar, Cristo estará com ele, para sempre. Memórias assim fazem toda a diferença na vida das pessoas.

b) Influencie positivamente!

As pessoas com quem convivemos exercem forte influência sobre nossas vidas. Um estudo científico feito há algum tempo pela Universidade de Minnesota, nos Estados Unidos, publicado pela revista Veja, foi realizado para responder à questão: “A inteligência e os traços da personalidade são herdados dos pais ou são fruto dos estímulos que o meio ambiente oferece às pessoas?” Eles estudaram 44 pares de gêmeos idênticos (com carga genética 100% igual) que foram separados ainda bebês e criados por casais diferentes, em cidades diferentes e meios econômico-sociais inteiramente díspares. Cada um dos gêmeos pesquisados, quando adulto, respondeu a inúmeras perguntas. A conclusão foi que a inteligência e os traços da personalidade são determinados em 60% pelos caracteres herdados (herança genética), sobrando 40% para o meio ambiente. Outros geneticistas e psicólogos consideraram um exagero este valor de 60% e acharam que é mais aceitável a proporção de 50% e 50%. Assim sendo, fica evidente a importância de influenciar positivamente as pessoas, ajudá-las na formação desses 50% que sobram das características geneticamente herdadas.   

Conclusão

Certamente meus familiares guardaram suas próprias lembranças dessa minha saudosa avó. Entretanto, essas foram as minhas lembranças e espero que esse compartilhamento possa abençoar a sua vida. Cumpra a missão divina, nesta vida, e deixe um bom legado por onde passar!

Soli Deo gloria!

A Saga da Arca da Aliança

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Uma visão bíblica sobre o assunto.
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A Saga da Arca da Aliança_ISBN.pdf
(Última atualização: 21/05/2022)

Quem nunca ouviu falar da Arca da Aliança de Israel? Em 1981, a indústria cinematográfica, com Harrison Ford (Indiana Jones) e o filme “Os Caçadores da Arca Perdida” se encarregaram de promover sua ampla divulgação.  Como ela surgiu? Qual a sua saga (trajetória histórica)? O que os acontecimentos que a envolvem têm a nos dizer? É o que veremos neste estudo.


Veja, também:
Os três Pilares da Antiga Aliança
Tabernáculo – Sacerdócio – Sacrifício

Oração de Mãe



Bondoso Deus, Pai Amantíssimo,

Ensina-me e ajuda-me a respeitar meus filhos e fazer-me digna de seu respeito;
a elogiá-los muito e a censurá-los pouco;
a dar ênfase aos seus sucessos e atenuar suas falhas;
a fazer-lhes unicamente aquelas promessas que eu possa cumprir;
a ter confiança ilimitada em meus filhos, sendo sempre leal para com eles;
a auxiliá-los na formação e defesa de suas próprias personalidades,
evitando sujeitá-los aos meus próprios desejos;
a cuidar de seu físico, da sua mente e do seu espírito;
a mostrar-me alegre e pronta a sorrir,
pois as crianças gostam do riso como gostam do sol;
a ter para com eles infinita paciência e condescendência,
porque eles têm muito a aprender e eu mesma não sou muito sábia;
a proteger meus filhos do meu nervosismo, da minha cólera,
dos meus defeitos pessoais, do meu pessimismo e dos meus temores;
a auxiliá-los a escolher a carreira para a qual se sintam vocacionados,
em lugar de querer satisfazer, através deles, a minha ambição pessoal;
a dedicar-lhes tempo e esforço de modo a poder ser a
sua amiga mais íntima e interessada;
a preparar meus filhos para que saibam enfrentar, heroica,
honesta e independentemente, a vida e o mundo;
a dar-lhes liberdade e a ensinar-lhes como usá-la, de modo que não confundam liberdade com licenciosidade;
a mostrar, para com eles, o meu profundo amor;
a cuidar deles conscienciosamente,
a educá-los com inteligência e afeição, fugindo aos métodos de punições e terror;
a guiar meus filhos em lugar de conduzi-los;
a dirigir sua energia em lugar de reprimi-la;
a procurar compreendê-los em lugar de julgá-los;
e, apesar de todas as suas falhas, triviais ou sérias, amá-los decididamente.
Peço-te, ó Deus, em nome do Melhor dos Filhos,
nosso Bendito e Amado Jesus.
Amém!

( Autor desconhecido )

BIBEL LESEPLAN FÜR 2 JAHRE

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Jetzt falten Sie einfach den Einband und die Blätter des Plans in der Mitte, um das HEFT zusammenzustellen und Gutes Lesen.

Wenn Sie anhand dieses Planes mit dem Bibellesen gesegnet wurden, hinterlassen Sie bitte ein Kommentar um  auch andere zu segnen. DANKBAR!!!

…………………………….

Freiwillige Mitarbeit an der deutschen Übersetzung von Carla Hecke Gaiser.

Kreation, Edition und exklusiver Vertrieb von Paulo Raposo Correia – 2002
Blog: 2022

Livros & Escritos na Bíblia

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Uma visão bíblica sobre o assunto.
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(Última atualização: 23/04/2022)

No dia Internacional do Livro (23 de abril), uma singela homenagem ao Livro dos livros – a BÍBLIA.


Segue, também, uma pequena homenagem aos livros comuns:

Algumas frases interessantes:

“Hoje os estádios estão cheios de gente e as livrarias vazias. Temos muita gente com corpos sarados, mas sem nada a dizer.”

“Se pode cantar, falar, rir, chorar, gritar em silêncio…. A isso se chama LER!”

“Um leitor vive mil vidas antes de morrer; o que não lê somente vive uma.”

“Ler, talvez não te faça mais inteligente, porém te fará menos ignorante.”

“A ignorância é tão grande, que os ladrões não roubam livros.”

“Os livros são como os paraquedas; não servem se não se abrem (são abertos).”

“Sou uma pessoa antiquada que acredita que ler é o melhor passatempo que a humanidade criou.”

“Uma criança que lê será um adulto que pensa!”

“Um bom livro é como um bom amigo …. que te ajuda a ver a vida a partir de outros pontos de vista.”

“Ler bons livros é como conversar com as melhores mentes do passado.” (René Descartes)

As 7 “palavras” da cruz

Introdução

As sete “palavras” ou frases ou manifestações verbais de Jesus, pendurado na cruz do Calvário, não são mais nem menos importantes do que as demais proferidas por ele ao longo do seu ministério terreno. Suas palavras sempre merecem nossa atenção e sempre têm algo a nos revelar e ensinar. Os quatro evangelistas, Mateus, Marcos, Lucas e João, nos legaram a biografia de Jesus. Neste ponto da sua trajetória, pendurado na cruz, nenhum deles registrou todas as sete falas de Jesus; por outro lado, nenhum deles deixou de registrar pelo menos uma delas. É interessante que Lucas mencionou três, João outras três e, finalmente, Mateus e Marcos registram a outra, totalizando, assim, as sete.

As três primeiras manifestações de Jesus, na cruz, foram feitas nas três primeiras horas da crucificação e antes do período das trevas. Verifica-se nelas o real e constante cuidado do Senhor com as pessoas!

1ª) Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem.
(Amoroso e Perdoador) (Oração do Senhor pelos inimigos)

“Contudo, Jesus dizia: Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem. Então, repartindo as vestes dele, lançaram sortes.” (Lc 23.34)

Essa declaração de Jesus, apenas registrada por Lucas, tem sido tradicionalmente aceita como a primeira das sete que ele fez na cruz, embora nenhuma certeza exista quanto à ordem cronológica delas. O fato é que essa expressão reflete o espírito perdoador que se sabe ter tido Jesus, declarado muitos anos antes pelo profeta Isaías: “… foi contado com os transgressores; contudo, levou sobre si o pecado de muitos e pelos transgressores intercedeu.” (Is 53.12b).

Jesus atribuiu a ignorância como a causa de suas atitudes hostis. A ignorância dos soldados foi circunstancial, porquanto foram envolvidos em acontecimentos que não haviam provocado e que não podiam controlar (At 3.17; At 17.30). A ignorância dos judeus, entretanto, foi judicial, porquanto haviam fechado os próprios olhos à realidade de Jesus. Os judeus, foram seduzidos pelos seus líderes religiosos que não quiseram admitir o caráter messiânico de Jesus.

Quanto ao perdão de Jesus, era de caráter universal, não excluindo, Pilatos, os escribas e fariseus etc. O perdão, portanto, é tão largo e profundo quanto o pecado. O pecado tem sido universal, e o perdão oferecido tem sido igualmente universal.

2ª) Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso.
(Salvador)(Uma valorosa promessa)

“Jesus lhe respondeu: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso. (Lc 23.43)

Três cruzes foram erguidas no monte do Calvário. Cada uma delas traz uma mensagem objetiva aos corações dos homens:

a) A CRUZ DA REDENÇÃO (Lc 23.33; Ef 1.17)

Ali naquela cruz do centro havia um homem morrendo “pelos nossos pecados”(1Co 15.3)

b) A CRUZ DA REJEIÇÃO (Lc 23.39)

Ali naquela cruz do lado havia um homem morrendo “em pecado”.

c) A CRUZ DA RECEPÇÃO  (Lc 23.40-42)

Ali naquela cruz do outro lado havia um homem morrendo “para o pecado”. Era a cruz do triunfo da fé e da graça.

É impressionante o que se passou com aquele malfeitor arrependido (Lc 23.40-42):

– Temeu a Deus e reprovou o companheiro de infortúnio;
– Confessou a justiça do seu castigo;
– Reconheceu que Jesus era inocente;
– Creu num Cristo vivo além da sepultura;
– Creu num Reino além da cruz, com Jesus por seu futuro Rei;
– Pediu por si mesmo, e provou a verdade da palavra “Quem invocar o nome do Senhor será salvo”.

Desta forma ele foi acolhido por Jesus nos últimos instantes da sua vida.

Bem diferente foi a atitude do outro malfeitor. Não percebeu o seu erro nem se arrependeu. Não percebeu qualquer valor em Cristo. Seu coração estava voltado apenas para esta vida. Queria continuar no mesmo caminho largo que o conduziu até ali. Ele deixou escapar a maior e última oportunidade da sua vida.

3ª) Mulher, eis aí teu filho | … Eis aí tua mãe.
(Cuidadoso)(Entrega mútua – Maria x discípulo amado)

“Vendo Jesus sua mãe e junto a ela o discípulo amado, disse: Mulher, eis aí teu filho. Depois, disse ao discípulo: Eis aí tua mãe. Dessa hora em diante, o discípulo a tomou para casa.” (Jo 19.26-27)

A cruz de Cristo estava envolvida por um clima de extrema hostilidade, contrastado por um pequeno grupo de mulheres e mais o discípulo amado, que estavam perto da cruz e, com amargura de alma, contemplavam o ultraje sofrido por aquele que lhes era tão querido. Em qualquer tempo isso tem acontecido: muitos são os que escarnecem da cruz, enquanto poucos são os que se solidarizam com o crucificado, buscando refúgio aos seus pés.

Ali estava, entre outras, a mãe de Jesus, cuja alma estava traspassada pela espada (Lc 2.35) e o discípulo amado, cujo nome não é revelado aqui, mas que sabemos se tratar do apóstolo João, conforme nos indicam outras referências neste mesmo evangelho de João (ver as seguintes referências a ele mas que não lhe mencionam o nome: Jo 1.35-40; 18.5; 20.3, 8; com o adjetivo “amado”: Jo 13.23; 19.26; 20.2 e 21.7, 20. O texto de João 21.24 definidamente vincula esse discípulo ao autor do quarto evangelho).

O Filho e Senhor, moribundo, uniu-os na mais terna das relações. Conforme sempre foi característico no Senhor Jesus, até mesmo nos momentos de suas mais duras provações, como neste caso, em que experimentou dores atrozes. Ele, assim mesmo, dedicou tempo a pensar em “seus semelhantes”, importando-se com o bem-estar deles em tudo quanto lhe era possível. Este caso parece comprovar a suposição de que José, marido de Maria, já havia falecido por essa altura dos acontecimentos, e que Maria já era viúva há algum tempo. José não é mais mencionado em atividade, em toda a narrativa dos quatro evangelhos, após as cenas de Jesus no templo, aos 12 anos de idade (Lc 2.41-50). Entendemos que sua menção em Mateus 13.54-58 é apenas uma referência biográfica ou de identificação – “filho do carpinteiro”. Portanto, se ele estivesse ainda vivo, Jesus não teria de deixar Maria, sua mãe, aos cuidados do seu discípulo João.

As quatro últimas manifestações de Jesus na cruz foram feitas no final das três últimas horas da crucificação e no final do período de trevas. Verifica-se que elas dizem respeito à própria pessoa de Jesus!

4ª) Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?
(Desamparado)(Brado de aflição espiritual)

“À hora nona, clamou Jesus em alta voz: Eloí, Eloí, lamá sabactâni? Que quer dizer: Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste? (Mc 15.34)
“Por volta da hora nona, clamou Jesus em alta voz, dizendo: Eli, Eli, lamá sabactâni? O que quer dizer: Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste? (Mt 27.46)

Pode se dizer que os Salmos 22 a 24 formam uma espécie de Trilogia[1] Messiânica, escrita por Davi, uma vez que o personagem central é o Messias – Jesus Cristo, a saber:

– Salmo 22: [Passado]  O Messias encarnado – Sofrimento e Vitória.
– Salmo 23: [Presente] O Messias ressuscitado – O Bom Pastor.
– Salmo 24: [Futuro]    O Messias exaltado – O Rei da Glória.  

“Nos três Salmos, 22, 23 e 24, Cristo é reconhecido no seu ministério a favor dos remidos: no passado, no presente e no futuro. Na sua morte sobre a cruz ele é o substituto (22), na peregrinação ele é o Pastor (23), e no trono ele é o Salvador (24). Os três salmos chamam nossa atenção para a Cruz, o Cajado e a Coroa.” (Goodman)

O Salmo 22, versículo 1, diz assim: Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?”. Ainda que tal expressão possa ter algo a ver com a experiência de vida de Davi, certamente é uma referência profética ao sofrimento do Messias. Assim, depois de 3 horas de trevas e 6 horas pendurado no madeiro, Jesus bradou com essas palavras. Este capítulo 22 está repleto de referências proféticas à crucificação do Messias – Jesus!

Este clamor expressa a sensação de abandono experimentado por Jesus, na cruz, ao tomar o nosso lugar, levando sobre si os pecados da humanidade: “Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo caminho, mas o SENHOR fez cair sobre ele a iniquidade de nós todos.” (Is 53.6) “Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus.” (2Co 5.21; ver tb 1Pe 2.24). Jamais seremos capazes de avaliar a agonia física, emocional e espiritual que Jesus estava passando, cujo ápice se deu naquela hora nona ou 3 horas da tarde! Embora haja algumas teorias, é um grande mistério esse clamor de Jesus sobre o desamparo de Deus. Seria retórica ou literal a expressão de Jesus. Poderia Deus abandonar o seu Filho Unigênito? Poderia Deus se separar de Deus? Alguns defendem a teoria de que Deus jamais abandonaria seu Filho, mesmo que parecesse que sim. Outros defendem a teoria de que todos os pecados foram literalmente transferidos para Jesus, o Cordeiro de Deus, como acontecia nos sacrifícios do Antigo Testamento, para que fôssemos perdoados e justificados por Deus. Desta forma, Deus-Pai teve que se separar momentaneamente de Jesus, porque ele foi feito pecado e Deus não tem comunhão com o pecado.

5ª) Tenho sede!
(Humano)(Brado de carência física)

“Depois, vendo Jesus que tudo já estava consumado, para se cumprir a Escritura, disse: Tenho sede! (Jo 19.28)

Esta exclamação de Jesus expõe enfaticamente sua humanidade, pois Jesus, o Deus-Homem, também era o Homem-Deus! A Escritura profética do salmista sobre o lamento do Messias cumpre-se aqui (Sl 69.21). Nesta condição humana ele se iguala a qualquer outro ser humano, exceto que ele não cometeu pecado (Hb 4.15). Há que se ressaltar que Jesus, o Homem-Deus, experimentou tortura e sofrimento extremo nos seus dias finais, a partir do seu aprisionamento e até à sua morte. E foi por mim, por você, por nós!

Há vasta comprovação bíblica e histórica dessa humanidade.

Ele possuía um corpo humano:
– Nascido de mulher (Gl 4.4);
– Sujeito a crescimento (Lc 2.52);
– Visto e tocado pelas pessoas (1Jo 1.1; Mt 26.12);
– Sangrou (Jo 19.34);
– Sujeito à morte física (Jo 19.31).

Ele foi sujeito às limitações da natureza humana:
– Sentiu fome (Mt 4.12);
– Sentiu sede (Jo 19.28);
– Se cansou (Jo 4.6);
– Chorou (Jo 11.35);
– Dormiu (Mc 4.38);
– Foi tentado (Hb 4.15).

A encarnação e consequente humanidade de Jesus Cristo é um fato de extrema relevância para a fé cristã! “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai.” (Jo 1.14). Vale ressaltar que Jesus participou plenamente da nossa humanidade, para que nós pudéssemos participar da sua natureza divina, pela fé, através do Espírito Santo (2Co 3.18; 2Pe 1.4). Já no início da igreja esta teve que lidar com filosofias religiosas oriundas do gnosticismo e docetismo[2]. Isto levou o apóstolo João a alertar a comunidade da fé nestes termos: “Nisto reconheceis o Espírito de Deus: todo espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus;” (1Jo 4.2). “Porque muitos enganadores têm saído pelo mundo fora, os quais não confessam Jesus Cristo vindo em carne; assim é o enganador e o anticristo.” (2Jo 1.7). “Essas palavras se referem diretamente ao ‘docetismo` ou ao ‘quase-docetismo` dos gnósticos, mediante o que eles negavam: 1. A encarnação; 2. A validade dos sofrimentos e da morte de Jesus Cristo como expiação; 3. A identidade das naturezas divina e humana da pessoa de Jesus Cristo.”[3]

6ª) Está consumado!
(Consumador)(Brado de vitória – missão cumprida!)

“Quando, pois, Jesus tomou o vinagre, disse: Está consumado! E, inclinando a cabeça, rendeu o espírito.” (Jo 19.30)

O que parecia ser a completa derrota – a morte de Cristo – na verdade se revelou a maior vitória! A missão de expiação pelo pecado estava terminada (Rm 5.11). Era chegado o momento em que essas palavras anteriormente proferidas por Jesus se concretizam: “Eu te glorifiquei na terra, consumando a obra que me confiaste para fazer;” (Jo 17.4). Também nos ensina a grande verdade, de que a nossa vida tem o sentido maior de glorificar a Deus através da nossa vida, da obra e missão que ele tem designado para cada um de nós (1Co 15.58; Fp 1.6; Cl 1.10; 2Ts 1.11).

Vale destacar algumas das declarações que Jesus mesmo deu a respeito da razão da sua vinda:

– Não veio para revogar a Lei ou os Profetas, mas para cumprir (Mt 5.17);
– Não veio para chamar justos, e sim pecadores ao arrependimento (Mt 9.13; Mc 2.17; Lc 5.32);
– Não veio trazer paz à terra, mas espada (Mt 10.34 ), ou divisão (Lc 12.51);
– Veio causar divisão entre o homem e seu pai; entre a filha e sua mãe e entre a nora e sua sogra (Mt 10.35);
– Veio salvar o que estava perdido (Mt 18.11);
– Não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos (Mt 20.28; Mc 10.45);
– Veio para pregar a pessoas de vários lugares e povoações (Mc 1.38);
– Não veio para destruir as almas dos homens, mas para salvá-las (Lc 9.56);
– Veio para lançar fogo sobre a terra (Lc 12.49);
– Veio buscar e salvar o perdido (Lc 19.10);
– Veio em nome do Pai (Jo 5.43);
– Não veio por sua própria vontade (Jo 7.28);
– Ele sabe de onde veio (Jo 8.14);
– Veio de Deus (Jo 8.42);
– Veio a este mundo para juízo, a fim de que os que não veem vejam, e os que veem se tornem cegos (Jo 9.39);
– Veio para que tenham vida e a tenham em abundância (Jo 10.10);
– Veio para esta hora (sofrimento e morte)(Jo 12.27);
– Veio como luz para o mundo, a fim de que todo aquele que nele crê não permaneça nas trevas (Jo 12.46);
– Não veio para julgar o mundo, e sim para salvá-lo (Jo 12.47);
– Veio da parte de Deus (Jo 16.27);
– Veio do Pai (Jo 16.28);
– Veio ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade (Jo 18.37).

E, o apóstolo João acrescentou:

– Veio como testemunha para que testificasse a respeito da luz, a fim de todos virem a crer por intermédio dele (Jo 1.7-8);
– Veio para o que era seu, e os seus não o receberam (Jo 1.11).

Finalmente, vale lembrar o resultado desse “Está consumado!” nessas palavras do apóstolo Paulo: “E a vós outros, que estáveis mortos pelas vossas transgressões e pela incircuncisão da vossa carne, vos deu vida juntamente com ele, perdoando todos os nossos delitos; tendo cancelado o escrito de dívida, que era contra nós e que constava de ordenanças, o qual nos era prejudicial, removeu- o inteiramente, encravando-o na cruz; e, despojando os principados e as potestades, publicamente os expôs ao desprezo, triunfando deles na cruz.” (Cl 2.13-15)

7ª) Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito!
(Sacrifício)(Brado de Confiança e Entrega)

“Então, Jesus clamou em alta voz: Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito! E, dito isto, expirou.” (Lc 23.46)
“Mas Jesus, dando um grande brado, expirou.” (Mc 15.37)
“E Jesus, clamando outra vez com grande voz, entregou o espírito.” (Mt 27.50)

A primeira “palavra” iniciou com “Pai” e a última também. Além de Lucas, os evangelistas Mateus e Marcos também mencionaram que Jesus clamou ou bradou em alta voz, porém não registraram o que ele disse, antes do seu último suspiro de vida no seu corpo mortal. Essas palavras também se encontram no Salmo 31.5, Salmo de Davi: “Nas tuas mãos, entrego o meu espírito; tu me remiste, SENHOR, Deus da verdade.” Sabedor do limite do seu estado físico Jesus se despediu do seu ministério terreno e do seu corpo mortal se entregando e voltando para o Pai, de onde veio.

Estas palavras transmitem algumas mensagens:

– Ele faz sua última oração testemunhando a todos que o Pai estava e sempre está presente, no governo e controle de todas as coisas.
– Ele tinha plena convicção de que o Deus-Pai o ouviria e o atenderia.
– Ele cria na imortalidade do espírito: “e o pó volte à terra, como o era, e o espírito volte a Deus, que o deu.” (Ec 12.7).
– Ele nos dá o exemplo, nos conforta, e desperta em nós a esperança de que, ao findar o labor desta vida, nós, os salvos, os remidos pelo seu sangue ali na cruz, podemos entregar o espírito ao Pai Celestial.

Vale lembrar que o primeiro mártir cristão – Estêvão – correspondeu a muitas coisas ensinadas pelo Mestre, inclusive a perdoar os seus algozes e a entregar seu espírito a Deus: “E apedrejavam Estêvão, que invocava e dizia: Senhor Jesus, recebe o meu espírito! Então, ajoelhando-se, clamou em alta voz: Senhor, não lhes imputes este pecado! Com estas palavras, adormeceu.” (At 7.59-60). Quão importante é viver tendo a certeza de que, ao deixarmos este mundo, seremos recebidos pelo Pai Celestial! É como diz o hino 153 (HNC):

Com tua mão segura bem a minha,
E meu caminho, alegre, seguirei!
Mesmo onde as sombras caem mais escuras,
Teu rosto vendo, nada temerei.

E no momento de transpor o rio
Que Tu, por mim, vieste atravessar,
Com tua mão segura bem a minha,
E sobre a morte eu hei de triunfar.

Conclusão

É inegável que o “verbo” que se fez carne e habitou entre nós, comunicou eficazmente a mensagem divina, no decorrer de todo o seu ministério terreno, inclusive no ápice do seu sofrimento na cruz. Vimos anteriormente que nessas manifestações finais ele continuou expressando seu cuidado e amor pelas pessoas; as que o rejeitaram e as que o receberam como Messias e Salvador. Também expôs publicamente seus sentimentos, carências físicas, convicção da missão cumprida e entrega.

Finalmente, em face de tudo isso, a pergunta que ainda ecoa é aquela feita por Pilatos: “…. Que farei, então, de Jesus, chamado Cristo? … “ (Mt 27.22). O que você responde? A minha resposta pode ser extraída de algumas estrofes do hino 184 (HNC):

Por meu Jesus eu vou viver
E minha luz farei brilhar.
De dia em dia hei de fazer
O que ao meu Salvador honrar.     

E seja o dia quando for
Que Deus me chame para lá,
Bem certo estou que o Salvador
Contente me receberá.  

A doce voz me soará
De Cristo, amável Redentor!
”Fiel, bom servo, bem está,
Entra no gozo do Senhor.”
E face a face vê-lo-ei,
Liberto e salvo cantarei!
E face a face vê-lo-ei,
Liberto e salvo cantarei.


[1] Trilogia é o conjunto de três trabalhos artísticos, geralmente em literatura ou cinema, que estão conectados, mas que podem ser vistos tanto como trabalho único quanto como obras individuais. (Wikipédia)

[2] Gnosticismo e docetismo. Basicamente o gnosticismo cristão era considerado, assim como o docetismo, seu antecessor, uma forma de heresia sobre a pessoa de Cristo. Enquanto o docetismo afirmava que o corpo humano de Cristo não passava de um fantasma e que o seu sofrimento e morte eram meras aparências (“ou sofria e então não podia ser Deus, ou era verdadeiramente Deus e então não poderia sofrer”), o gnosticismo tentava explicar Cristo em termos de filosofia pagã ou de teosofia. Sendo o mundo material mau, Cristo não poderia ter-se encarnado nele e tampouco o Deus do Velho Testamento poderia ser o mesmo Deus revelado por Cristo. A polêmica, porém, já estava presente nos tempos do Novo Testamento.”….“O gnosticismo exerceu sua maior influência sobre o cristianismo no período entre os anos 135 e 200 d.C. Constituindo a maior ameaça à fé historicamente fundada dos cristãos, sua existência se prolongou por muito mais tempo. Doutrinas gnósticas voltam várias vezes na história da teologia; hoje sobrevivem em teorias ocultistas e espíritas.” (Enciclopédia Mirador Internacional)

[3] Champlin, Ph. D., Russell Norman – O Novo Testamento Interpretado, versículo por versículo.


Veja, também o artigo: Crônica do Calvário

JOSÉ, um tipo de Cristo

TIPO é a representação de pessoa ou coisa espiritual, por pessoa ou coisa material. Já ANTÍTIPO é o que corresponde ao TIPO. O tipo é inferior ao antítipo, isto é, à realidade que aquele representa. Os tipos são figuras representativas de pessoas ou coisas.

Jonas foi um tipo “pessoal” de Cristo: “Porque assim como esteve Jonas três dias e três noites no ventre do grande peixe, assim o Filho do Homem estará três dias e três noites no coração da terra.” (Mt 12.40; comp. Jn 2.1-11).

O efeito vivificador (milagre divino) da serpente de metal levantada por Moisés (tipo), no deserto, é um tipo “espiritual” de Jesus levantado na cruz (antítipo): “E do modo por que Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do Homem seja levantado, para que todo o que nele crê tenha a vida eterna.” (Jo 3.14-15; comp. Nm 21.9)

JOSÉ é um significativo tipo de JESUS CRISTO, como segue:

DESCRIÇÃOJOSÉJESUS
Gerado através da intervenção divina                          Raquel (indireta) Gn 30.22-24Maria (direta) Mt 1.18
Pastor fielGn 37.2Jo 10. 14
Apegado à justiça, denuncia o pecadoGn 37.2Jo 7.7; Hb 1.9
Amado pelo paiGn 37.3Mt 3.17; Jo 17.23-24
Odiado pelos irmãosGn 37.4Jo 15.24-25
Invejado pelos irmãosAt 7.9Mt 27.18
A revelação divina apontava-o como rei sobre seus irmãosGn 37.5-8Is 9.6
Seus pais ficaram pensativos diante das revelações do seu futuroGn 37.11Lc 2.19, 51
Enviado pelo pai a seus irmãosGn 37.14Jo 1.11
Obediente ao paiGn 37.13Jo 6.38; Fp 2.8
Rejeitado pelos irmãosGn 37.18Mt 27.21;  At 4.11
Conspiraram contra eleGn 37.18Mt 12.14; 26.14-15
Tiraram as suas vestesGn 37.23Mt 27.31
Vendido por prataGn 37.28Mt 26.15
Temporariamente morto                            Para Jacó
Gn 37.33-35; 42.38
At 2.23-24
Mentiram sobre seu corpoGn 37.33Mt 28.13
Levado para o EgitoGn 39.1Mt 2.13-15
Deus estava com eleGn 39.2-3Jo 10.30; Lc 2.40; At 10.38
Tentado, resistiu a tentaçãoGn 39.7-9Mt 4.1-11
Acusado falsamenteGn 39.15-18Mt 27.13; Mc 14.56
Preso injustamenteGn 39.20Mt 26.50
Entre dois malfeitoresGn 40.2-3Mt 27.38
Nele estava o Espírito de DeusGn 41.38Lc 4.18
Deus lhe fazia revelaçõesGn 41.39, 16Jo 12.49-50
Recebeu um reinoGn 41.40Lc 22.29-30
Recebeu autoridadeGn 41.41, 44Mt 28.18
Foi exaltadoGn 41.42-43Fp 2.9-10
Recebeu esposa gentiaGn 41.45Ef 5.29-32; Ap 19.7
Iniciou seu ministério aos 30 anosGn 41.46Lc 3.23
Aquele a quem deveriam obedecerGn 41.55Jo 2.5
Bênção para as naçõesGn 41.57Is 49.6
Os necessitados iam a eleGn 41.57Lc 4.40; At 10.38
Perdoou os que lhe fizeram malGn 45.5aLc 23.34
Salvador, conservador da vidaGn 45.5b-8Lc 2.11; Jo 10.10

Veja, também o Estudo: JOSÉ, exemplo de recomeço

JOSÉ, exemplo de recomeço

“Há muitos planos no coração do ser humano, mas o propósito do Senhor permanecerá.” (Pv 19.21 NAA)
“Os passos de cada pessoa são dirigidos pelo Senhor; como poderá alguém entender o seu próprio caminho?” (Pv 20.24 NAA)

Introdução

O soneto “As Pombas”, de autoria do poeta brasileiro Raimundo Correia (1859-1911), é um dos destaques do movimento parnasiano brasileiro (final do século XIX).

Vai-se a primeira pomba despertada…
Vai-se outra mais… mais outra… enfim dezenas
De pombas vão-se dos pombais, apenas
Raia sanguínea e fresca a madrugada.

E à tarde, quando a rígida nortada
Sopra, aos pombais, de novo elas, serenas,
Ruflando as asas, sacudindo as penas,
Voltam todas em bando e em revoada…

Também dos corações onde abotoam,
Os sonhos, um a um, céleres voam,
Como voam as pombas dos pombais;

No azul da adolescência as asas soltam,
Fogem… Mas aos pombais as pombas voltam,
E eles aos corações não voltam mais…

O soneto menciona pombas e a Bíblia também. Ainda que Noé, dentro da Arca e depois do dilúvio, tenha soltado uma pomba por três vezes: a primeira retornou significando que era tempo de espera e paciência; a segunda retornou com uma folha nova de oliveira no bico, sinal de vida, recomeço e esperança; a terceira já não retornou, significando que era tempo de agir, de sair da Arca, de seguir em frente, de recomeçar  (Gn 8.8-12). Ainda que a pomba seja uma ave importante no cristianismo, uma representação do Espírito Santo – simplicidade e pureza (Mt 3.16; 10.16; Jo 1.32). Ainda que as pombas recebam certo protagonismo neste soneto, a intenção do poeta é outra; vai além das pombas e sua rotina de vida.

O soneto descreve, inicialmente, o revoar rotineiro das pombas, nas suas idas e vindas cotidianas. O poeta faz uma conexão entre estas e os sonhos. Sua intenção é a de trazer à tona e nos fazer refletir sobre a efemeridade da vida. No final estabelece uma relação com as fases da existência humana, sendo que, desde o alvorecer da vida, desde o azul da adolescência, cada dia que passa é um sonho ou uma ilusão que morre. Sem dúvida o soneto carrega uma preocupação existencial, uma visão pessimista da vida, com pensamentos que dão asas à imaginação, com sonhos que se projetam entre o céu e a terra, mas que nunca se concretizam. No crepúsculo da vida, não mais serão lembrados. Será que é assim mesmo? Será que foi assim na vida de José? Será que isso é determinante na vida humana?

Uma das histórias mais lindas,  emocionantes e impactantes da Bíblia é a de José, um dos doze filhos de Jacó. É justo considerar que José é a própria encarnação do conceito de recomeço e de resiliência após recorrentes situações pessoais trágicas e devastadoras. Pode-se afirmar que, diante das calamidades pelas quais ele passou, de forma humanamente solitária, o que de fato o sustentou e o fez sempre seguir com a vida foi a sua confiança e dependência de Deus. O que o salmista declarou era uma realidade em sua vida: “Somente em Deus, ó minha alma, espera silenciosa, porque dele vem a minha esperança. Só ele é a minha rocha, e a minha salvação, e o meu alto refúgio; não serei jamais abalado.” (SI 62.5 e 6).

1. RESILIÊNCIA DIANTE DA REJEIÇÃO

“Ora, Israel amava mais a José que a todos os seus filhos, porque era filho da sua velhice; e fez-lhe uma túnica talar de mangas compridas. Vendo, pois, seus irmãos que o pai o amava mais que a todos os outros filhos, odiaram-no e já não lhe podiam falar pacificamente.” (Gn 37.3-4)

O nascimento de José se deu em condições especiais, pois sua mãe Raquel era estéril. Depois de longa espera, humilhação e vergonha, em resposta ao seu clamor a Deus, Raquel concebeu (Gn 30.22-24). Sendo Raquel a esposa predileta de seu pai (Gn 29.30) e tendo ele vindo ao mundo por milagre divino, Jacó tratava José com predileção e distinção (Gn 37.3), o que provocava ciúme e rejeição por parte dos demais irmãos (Gn 37.4, 11).

A história de José é narrada a partir de Gênesis 37. Ainda muito jovem, com 17 anos, ele não estava isento do trabalho. Pastoreava os rebanhos da família com os demais irmãos. Desde o início temos a impressão de que a índole de José era piedosa, contrastando assim com a dos seus irmãos, bem conhecida principalmente no incidente com Diná (Gn 34). Como filho predileto, ele parece estar sempre disposto a defender os interesses do pai, denunciando corajosamente os erros de conduta dos irmãos, ainda que comprometendo o seu relacionamento com eles. No conceito dos irmãos José não devia passar de um sujeito mimado e “dedo duro”.

A vida de José é marcada por sonhos e interpretações de sonhos. As palavras “sonho” e “sonhos” aparecem aproximadamente 27 vezes (32 %) na história de José, 27 (32 %) em Daniel e 31 (36 %) outras vezes no restante da Bíblia, num total de 85 vezes.

Uma das definições de sonho é “conjunto de ideias e imagens que se apresentam ao espírito durante o sono” . Outra definição secular fala em “sequência de ideias vãs e incoerentes”.  Em Jó 33.14-24 Eliú, em seu discurso, diz que Deus fala aos homens por meio de sonhos (vv.15-16), por meio da dor (vv.19-22) e por meio de anjos (v.23). Quando o escritor de Hebreus diz que Deus falou de “muitas maneiras” certamente ele tinha em mente o “sonho”, canal bastante utilizado por Deus.

A mensagem profética contida nos dois sonhos de José estava muito além da compreensão deles e só fez agravar o  já crítico relacionamento familiar. De fato, Deus pretendia deixar bem claro que José haveria de ter proeminência sobre toda a casa de Jacó. No primeiro sonho, sobre seus irmãos, sendo cumprido em Gênesis 42.6, 9; 43.26; 44.14. No segundo, sobre seus  pais, sendo cumprido em Gênesis 47.11-12).

Não é difícil imaginar o quanto era aflitivo e angustiante para José ter que conviver, dia após dia, com o ódio e rejeição dos irmãos. Ódio esse tão exacerbado e ácido que os levaram a conspirar para o matar. Porém, Deus não o permitiu. Então, eles o lançaram numa cisterna e depois o venderam para uma caravana de ismaelitas que seguia para o Egito. Pode-se dizer que, nas suas mentes, eles o assassinaram.

Portanto, mesmo diante de tanto ódio e rejeição José não se deixou abater, não se tornou uma pessoa revoltada ou deprimida, não se prostrou derrotado diante das circunstâncias. Dia após dia ele procurava viver uma vida plena e em obediência ao seu pai. Quanto aos sonhos que tivera certamente ele não fazia ideia de que tudo aquilo fazia parte do plano de Deus para a sua realização.

Que tipo de rejeição você tem enfrentado em casa ou por causa da sua família? Não é o(a) filho(a) predileto(a) dos pais? Seu pai ou sua mãe ou ambos te abandonaram (literal ou emocionalmente)? São os erros ou a má fama de alguém de sua família? A condição social ou racial da sua família? Suas limitações ou deficiências ou deformidades físicas? Não encarne a posição de eterna vítima! Não viva murmurando! Firme-se em Deus e na força do seu poder. Mesmo quando você não estiver entendendo bem as circunstâncias adversas, siga em frente, espelhe-se em José!

2. RESILIÊNCIA DIANTE DA ESCRAVIDÃO

“José foi levado ao Egito, e Potifar, oficial de Faraó, comandante da guarda, egípcio, comprou-o dos ismaelitas que o tinham levado para lá. O SENHOR era com José, que veio a ser homem próspero; e estava na casa de seu senhor egípcio.” (Gn 39.1-2)

Assim que chegou ao Egito José foi comprado, como escravo, por Potifar, um oficial de Faraó. Não é fácil se colocar no lugar de José e perceber o impacto psicológico e emocional de deixar a casa paterna, onde ele era livre e o predileto do pai, para viver essa nova e terrível condição de escravo numa terra estrangeira. Na casa deste oficial ele progrediu admiravelmente, a ponto de ser promovido como administrador e mordomo de tudo o que tinha o seu senhor (Gn 39.1-6a). Mais uma vez é notório que José ressurgiu das cinzas, não se deixou abater, buscou forças em Deus e seguiu em frente. E Deus abençoou a casa de Potifar, por amor a José (Gn 39.5).

Que tipo de dificuldade você tem enfrentado na escola ou no seu local de trabalho? Sua condição social ou racial? Suas limitações ou deficiências ou deformidades físicas? Sua fé em Cristo? Sua postura, princípios e valores, hábitos e conduta de vida? Assédio moral ou sexual? Não encarne a posição de eterna vítima! Não viva murmurando! Firme-se em Deus e na força do seu poder. Mesmo quando você não estiver entendendo bem as circunstâncias adversas, siga em frente, espelhe-se em José!

3. RESILIÊNCIA DIANTE DA INJUSTIÇA

“José era formoso de porte e de aparência.” (Gn 39.6b)

Não é incomum encontrar na narrativa bíblica alguma referência ao aspecto físico de uma pessoa. Sara (Gn 12.11, 14), Rebeca (Gn 24.16; 26.7) e Raquel (Gn 29.17); bisavó, avó e mãe de José, respectivamente, também foram mencionadas como formosas. Assim como a beleza dessas suas ascendentes representou perigo para seus maridos diante de governantes estrangeiros, parece que a beleza (física e intelectual) de José despertou a atenção e o interesse da mulher do seu senhor. Sendo cotidianamente assediado sexualmente pela pérfida e mentirosa mulher de Potifar, José resistiu firmemente. É digno de destaque o seu argumento dirigido a ela, demonstrando seu inegociável respeito ao seu senhor e, acima de tudo, sua determinação de não pecar contra Deus (Gn 39.10). Sua fidelidade a Deus e ao seu senhor fizeram com que a mulher de Potifar armasse uma cena típica da dramaturgia moderna que a colocou no papel de vítima inocente e a José no papel de vilão pervertido. Assim, ele foi parar no cárcere do rei (Gn 39.10-20).

“O SENHOR, porém, era com José, e lhe foi benigno, e lhe deu mercê perante o carcereiro; o qual confiou às mãos de José todos os presos que estavam no cárcere; e ele fazia tudo quanto se devia fazer ali.” (Gn 39.21-22)

Parece que a frase “não existe nada tão ruim que não possa piorar” foi cunhada a partir da história de José. Diante do descalabro e da injustiça sofrida será que José ainda se lembrava dos sonhos que tivera? De onde poderia ele tirar forças para se reerguer diante de sua condição de privação da liberdade de ir e vir e da reputação assassinada por uma mentirosa? Estando no fundo do poço será que valeria a pena lutar ou era melhor se entregar de vez, deixando-se dominar pelo desânimo, depressão até à morte. É relevante observar que o Senhor Deus nunca o desamparou e lhe renovou as forças para continuar. Mas, será que haveria algo que pudesse despertar seu interesse dentro de um cárcere? Com a bênção divina José encontrou favor e amizade da parte do carcereiro-mor e este usou as habilidades do escravo encarcerado para ajudá-lo na administração daquele lugar (Gn 39.21-23).

José não poderia imaginar que aquele lugar seria o trampolim para a sua ascensão ao ponto mais alto da sua vida. Ali ele interpretou os sonhos de dois encarcerados que serviam ao rei do Egito (copeiro-chefe e padeiro-chefe) que se cumpriram. Restaurado às suas funções no palácio, durante dois anos o copeiro-chefe esqueceu-se de apelar em favor de José, conforme este lhe pedira. Mas José, não se deixou abater e nunca perdeu a esperança no seu Deus! (Gn 40).

Que tipo de injustiça você tem enfrentado na vida? Foi ou está sendo acusado(a) ou punido(a) por algo que não fez? Está sendo preterido de uma promoção no trabalho? Está se sentindo desprestigiado na igreja apesar de se desgastar na obra de Deus? Foi vítima de alguém e os responsáveis não estão tomando qualquer providência? Estão dando mais atenção a outros do que a você? Não adote aquela postura de vitimização permanente! Não viva murmurando! Firme-se em Deus e na força do seu poder. Mesmo quando você não estiver entendendo bem as circunstâncias adversas, siga em frente, espelhe-se em José!

4. O TRIUNFO DA RESILIÊNCIA DE JOSÉ

“Disse Faraó aos seus oficiais: Acharíamos, porventura, homem como este, em quem há o Espírito de Deus? Depois, disse Faraó a José: Visto que Deus te fez saber tudo isto, ninguém há tão ajuizado e sábio como tu. Administrarás a minha casa, e à tua palavra obedecerá todo o meu povo; somente no trono eu serei maior do que tu. Disse mais Faraó a José: Vês que te faço autoridade sobre toda a terra do Egito.” (Gn 41.38-41)

A fé é posta à prova nos inevitáveis e pedagógicos desafios da vida. Durante treze anos, dos 17 aos 30 anos,  José passou por uma série de tragédias pessoais (Gn 37.2; 41.46). Nas crises e angústias, as tentações são grandes; a tendência é queixar-se de Deus, acusar os outros e cair no desespero. José, porém, sofrendo injustamente e vivendo longe da casa paterna, continuava firme em sua fé e na fidelidade a Deus. E Deus estava com ele, na cisterna, na casa de Potifar e no cárcere.

A prosperidade e ascensão social podem ser consideradas outros tipos de tentação. Muitos crentes que progrediram na vida, intelectual e financeiramente, acabaram se desviando da fé. A promoção material induz a pessoa à ambição material, à negligência nos deveres espirituais e ao orgulho, julgando-se superior aos outros. José foi elevado ao posto de governador do Egito e não se afastou dos caminhos de Deus, conservando seu testemunho de fé e temor ao Senhor. É como disse Jesus: “….; foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor.” (Mt 25.21)

“Assim, não fostes vós que me enviastes para cá, e sim Deus, que me pôs por pai de Faraó, e senhor de toda a sua casa, e como governador em toda a terra do Egito.” (Gn 45.8)

José recebeu a missão divina de conservar a vida (Gn 45.5). A nação egípcia foi abençoada pela sua administração, bem como muitos povos foram beneficiados. Seus irmãos foram perdoados e por sua influência encontraram um lugar onde puderam morar em paz e segurança. Ali a nação de Israel floresceu. Deus estava no controle conduzindo toda a sua trajetória! Aleluia!

Conclusão

José, sem dúvida, deve ter ficado atordoado e perplexo, diante de situações catastróficas ao longo da sua vida. Primeiramente, no poço ou cisterna vazia, esperando a morte; depois vendido para ser escravo; mais tarde colocado na prisão devido a uma acusação falsa da mulher do seu senhor. Enquanto estava na prisão foi esquecido por um homem que ele ajudou e, por fim, foi elevado para ser o governador em toda a terra do Egito no tempo duma crise alimentar iminente.

É notório que sua fé se mantinha viva ou aumentava a cada prova. Deus nunca dá spoiler da trajetória ou curso da nossa vida! É preciso viver pela fé e na sua dependência. Não havia qualquer possibilidade dele entender o plano divino e como aqueles sonhos seriam concretizados.

Confiança nas circunstâncias variadas e às vezes, devastadoras, é constantemente exigido dos filhos de Deus. Não entendemos e não podemos entender completamente os propósitos de Deus, mas somos admoestados a continuar perseverantes no conhecimento de que Deus está no controle e nunca vai nos deixar e nem nos desamparar. No caso de José, as experiências contribuíram para o aprimoramento da sua fé. Isto aconteceu somente porque ele confiou em Deus em todos os momentos e circunstâncias, por mais variadas e instáveis que fossem. Seu exemplo se toma uma inspiração para nós quando o caminho parece escuro e incerto. Deus ainda está operando entre nós e continuará a realizar os seus propósitos!

Algumas das virtudes de José devem marcar a nossa vida e caminhada cristã: Temor a Deus, Fé Inabalável, Paciência, Perseverança, Caráter ilibado, Coragem, Humildade, Honestidade, Espírito Perdoador, Amor, Generosidade e Misericórdia. José é um bom exemplo de pessoa que se tornou bênção nas mãos de Deus: no lar, na casa de Potifar, no cárcere e no governo. Deve inspirar o crente em qualquer circunstância: nos afazeres comuns, no exercício da profissão, nas provações ou circunstâncias adversas ou nas posições de maior destaque.

Finalmente, o que dizer dos seus sonhos? O poeta do soneto inicialmente mencionado tem ou não razão? Você teve ou tem sonhos? Os seus sonhos são apenas seus ou também são os sonhos de Deus? “Ninguém pode realizar grandes obras sem ser um sonhador. O espírito humano concebe as coisas do futuro. Os pais sonham carreiras para os seus filhos; eles sonham o que estes serão em suas vidas. Isto é bom, desde que seja para a glória de Deus.” (Jabes Lopes de Souza)

“Se você, meu irmão, é capaz de sonhar, como sonhou José, vendo o invisível e esperando o amanhã radiante que a próxima alvorada trará, mesmo que primeiramente tenha de passar pela provação, porém não permitindo que a fantasia, a utopia, se aninhem na mente, de tal maneira que os planos do Senhor se tornem secundários. Certamente você é um servo de Deus, e sobre você está a unção do Altíssimo.” (Pr. Amaury de Souza Jardim – adaptado)

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Para reflexão

Dentre as muitas lições que podemos extrair da história de José, mencionamos apenas algumas:

– Poligamia gera confusão e desarmonia.
– Predileção por filhos produz desagregação familiar.
– Deus é soberano para levantar líderes que cumpram uma missão específica.
– A inveja é voraz e destruidora.
– Os métodos de Deus desafiam a lógica humana.


Veja, também o Estudo: JOSÉ, um tipo de Cristo

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