Gerando Discípulos – Crescimento na Fé

Introdução:

Na Grande Comissão (Mt 28.19-20), Jesus deixou para a igreja três importantes instruções: (i) Fazer discípulos; (ii) Batizá-los; e, (iii) Ensiná-los. Nenhuma dessas partes, ou ordens, ou instruções deve ser negligenciada pela igreja. Nessa pós-modernidade em que vivemos, muitas igrejas têm se preocupado mais em manter templos cheios, do que com discípulos que guardam e praticam “todas as coisas que eu (Jesus) vos tenho ordenado”.

“Durante a Idade de Ouro da Grécia, o jovem Platão podia ser visto caminhando pelas ruas de Atenas em busca de seu mestre: o maltrapilho, descalço e brilhante Sócrates. Aqui, provavelmente, estava o início de um discipulado. Sócrates não escreveu livros. Seus alunos escutavam atentamente cada palavra que ele dizia e observavam tudo o que ele fazia, preparando-se para ensinar a outros. Aparentemente, o sistema funcionou. Mais tarde, Platão fundou a Academia, onde Filosofia e Ciência continuaram a ser ensinadas por 900 anos. Jesus usou relacionamento semelhante com os homens que ele treinou para difundir o Reino de Deus. … Discípulo é o aluno que aprende as palavras, os atos e o estilo de vida de seu mestre com a finalidade de ensinar outros.” (Keith Phillips).

Através do discipulado, Deus entretece uma cadeia que começa em Cristo e se desenvolve através dos seus seguidores, alcançando cada geração, até à volta de Cristo: “E o que de minha parte ouviste através de muitas testemunhas, isso mesmo transmite a homens fiéis e também idôneos para instruir a outros.” (2Tm 2.2)

Neste estudo vamos abordar alguns aspectos do crescimento na fé, do discípulo de Cristo.

1. QUAL A CONDIÇÃO ESSENCIAL PARA CRESCER?

Por mais óbvio que possa parecer, vale lembrar que é preciso ter vida para poder crescer. Seres inanimados, coisas mortas, não podem crescer. As coisas mortas podem até aumentar de tamanho, por superposição de outros materiais. Em se tratando de pessoas, quando não se tem a vida que vem do alto, as práticas religiosas são como camadas revestindo coisas mortas. Tais pessoas foram definidas por Jesus como sepulcros caiados (Mt 23.27).

O discipulado começa quando uma pessoa é regenerada pelo Espírito Santo, nascendo de novo – “logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim;” (Gl 2.20). É importante ressaltar em que momento acontece esse início; sem dúvida é quando a pessoa se torna cristã. “Muitíssimas pessoas acham que você se torna cristão vivendo a vida cristã. Absolutamente NÃO! É preciso que primeiro você se torne cristão, antes de poder viver a vida cristã.” (William Mac Donald)

2. POR QUE CRESCER?

2.1 É a lei da natureza

No mundo físico no qual estamos inseridos, as árvores frutíferas seguem o ciclo da germinação, crescimento e produção de frutos. Com os seres vivos não é diferente; é a lei da vida. Nas palavras de Jesus, esse processo natural dita a regra para o processo espiritual: “Todo ramo que, estando em mim, não der fruto, ele o corta; e todo o que dá fruto limpa, para que produza mais fruto ainda.” (Jo 15.2).

2.2 É uma questão de sobrevivência

Há uma expressão, em inglês, Grow up or Blow up (ou você cresce ou desaparece) bastante interessante. Não há como manter-se estagnado, estacionado; ou se está crescendo, ou se está diminuindo, porque as coisas ao nosso redor estão num processo contínuo de desenvolvimento. Quando não há crescimento na vida cristã, individual ou coletivamente, isso gera frustração e reprimenda, por parte da liderança (Hb 5.12) e ameaça o corpo de Cristo, a igreja (1Co 3.1-3; Gl 5.15).

2.3 É a vontade de Deus  

A vontade de Deus é sempre boa, agradável e perfeita (Rm 12.2), e deve ter sempre a primazia em nossa vida. O discípulo de Cristo é convocado e desafiado a crescer: “antes, crescei na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.” (2Pe 3.18a). É um crescimento em várias áreas:

i) Crescimento na graça do Senhor (2Pe 3.18a).
ii) Crescimento no conhecimento do Senhor (2Pe 3.18a).
iii) Crescimento em amor, uns para com os outros (1Ts 3.12).

3. COMO CRESCER?

Como ajudar um irmão a crescer na fé? Para acontecer o crescimento saudável do discípulo de Cristo, há uma confluência de fatores relevantes e determinantes. Como se dá esse crescimento?

3.1 Sobrenaturalmente

Se o discípulo é uma nova criatura em Cristo, habitado pelo Espírito Santo, tem vida espiritual, esse mesmo Espírito age nele e na igreja, com vistas ao crescimento. O apóstolo Paulo assim nos ensina a respeito desse crescimento sobrenatural: “Eu plantei, Apolo regou; mas o crescimento veio de Deus. De modo que nem o que planta é alguma coisa, nem o que rega, mas Deus, que dá o crescimento.” (1Co 3.6-7). “…, da qual todo o corpo, suprido e bem vinculado por suas juntas e ligamentos, cresce o crescimento que procede de Deus.” (Cl 2.19)

3.2 Naturalmente

Os seres vivos crescem e se desenvolvem, naturalmente. Jesus afirmou: “Considerai como crescem os lírios do campo: eles não trabalham, nem fiam.” (Mt 6.28b). Jesus chama a atenção para esse processo natural e espontâneo de crescimento. Mesmo sendo um processo natural estabelecido pelo Criador, esse crescimento também depende de algumas condições ambientais, tais como: solo, sol, água, ar etc. Na Bíblia, o justo ou o cristão é comparado a uma árvore (Sl 1.3). Da mesma forma, havendo vida espiritual, o crescimento do discípulo é natural e espontâneo. Entretanto, há alguns aspectos essenciais para esse crescimento, tais como:

i) Ambiente adequado.

A igreja precisa zelar no sentido de manter um ambiente agradável e favorável ao crescimento do discípulo. Há ambientes que ele será obrigado a frequentar, como o da escola, trabalho etc. Nesses, ele precisa ser forte, não se contaminando e sendo sal da terra e luz do mundo. Entretanto, há outros, que ele pode e deve evitar (Sl 1.1). Finalmente, há aqueles que ele pode e deve tornar adequados (Sl 1.2).

ii) Alimentação saudável

Os seres vivos se alimentam e o tipo de alimento ingerido afeta diretamente o crescimento. Nossa dieta espiritual mais rica é a leitura (e meditação) da Palavra de Deus: “desejai ardentemente, como crianças recém-nascidas, o genuíno leite espiritual, para que, por ele, vos seja dado crescimento para salvação,” (1Pe 2.2). Ela é alimento e agente de purificação: “para que a santificasse, tendo-a purificado por meio da lavagem de água pela palavra,” (Ef 5.26; comp. Jo 15.3).

iii) Respiração

A oração é a respiração da alma. A oração deve ser como a respiração: contínua e natural. Ela nos mantém espiritualmente vivos. Nem sempre precisamos usar palavras; podemos nos quedar na presença de Deus.

iv) Exercício

Nosso corpo se mantém sadio, nossos músculos se desenvolvem, se nos exercitarmos. Uma fé sem obras é morta. O discípulo precisa praticar a adoração a Deus, testemunhar a sua fé e servir o próximo.

v) Descanso

O estresse gerado pelas preocupações e medos, adoece o corpo e a mente. Até mesmo o ativismo cristão é condenável e prejudicial. Assim como o corpo necessita de descanso, do sono restaurador, nosso ser precisa se aquietar e descansar no Senhor e na força do seu poder. A Bíblia diz: “Descansa no SENHOR e espera nele…” (Sl 37.7); “Inútil vos será levantar de madrugada, repousar tarde, comer o pão que penosamente granjeastes; aos seus amados ele o dá enquanto dormem.” (Sl 127.2).

3.3 Sacrificialmente

Embora não se fale muito sobre a chamada “dor do crescimento”, na medicina ela é descrita como “uma sensação dolorosa recorrente, sem causa específica, que recebeu esse nome por se manifestar em uma fase crucial do desenvolvimento físico – especialmente entre 3 e 8 anos. Os médicos acreditam que de 5% a 15% da população infantil enfrente o problema pelo menos uma vez na vida.”

Crescer espiritualmente também acarreta “alguma dor” que é incomparavelmente menor do que as dores de um viver sem Cristo, de uma vida pecaminosa. O verdadeiro discípulo cristão precisa ter um compromisso total com o Senhor Jesus Cristo. Isso implica num modo de vida diferenciado que, ao mesmo tempo que lhe traz crescimento e maturidade na fé, e a bênção de Deus, leva a uma luta espiritual, sem tréguas. Alguns desses aspectos são:

i) Decisão por Cristo

Ter Cristo em primeiro lugar na vida, significa que nada e ninguém é mais importante do que ele. Essa é uma condição estabelecida pelo próprio Senhor, para o discipulado: “Se alguém vem a mim e ama o seu pai, sua mãe, sua mulher, seus filhos, seus irmãos e irmãs, e até sua própria vida mais do que a mim, não pode ser meu discípulo.” (Lc 14.26NVI). Em algum momento, circunstância ou situação essa opção por Cristo pode trazer alguma dor, pois somos humanos. Não são poucos os casos de conflitos familiares, ou desprezo, ou abandono, porque tomou-se a decisão de seguir a Cristo.

ii) Abnegação

“Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue,….” (Mt 16.24). Se Jesus é o Mestre e Senhor, se queremos ser como ele e viver como ele, não há como fazer isso se não renunciarmos a nós mesmos e nos submetermos a ele, à sua vontade, aos seus ensinos, ao seu estilo de ser e agir.

iii) Renúncia aos bens terrenos

“Assim, pois, todo aquele que dentre vós não renuncia a tudo quanto tem não pode ser meu discípulo.” (Lc 14.33). Jesus não está ensinando aqui que para ser seu discípulo é necessário se desfazer de todos os bens materiais. Por outro lado, a pobreza não é passaporte para a eternidade. O fato é que o discípulo de Jesus não pode amar a riqueza ou os prazeres lícitos deste mundo, mais do que a Deus. Somos mordomos de Deus e devemos investir na sua obra segundo o muito ou pouco que ele nos dá.

iv) Pagar o preço

“Se alguém quer vir após mim, …., tome a sua cruz e siga-me.” (Mt 16.24). Quando seguimos a Cristo, passamos a andar na contracultura da sociedade secular. Certamente teremos enfrentamentos frequentes por conta disso e precisamos tomar a decisão deliberada de pagar o preço dessa conta. A cruz aqui não é uma enfermidade física, uma fraqueza de caráter, uma perda irreparável, um fracasso etc, coisas essas que podem acontecer com qualquer pessoa. A cruz é a vergonha da cruz: a perseguição, o desprezo, a indiferença, as críticas sofridas por trilharmos o caminho apertado (Mt 7.14).

Conclusão:

Fazer discípulos e ensiná-los é tarefa indelegável da igreja, na qual todo cristão deve estar engajado. Jesus é o modelo e referencial a ser seguido; nenhuma figura humana, do presente ou do passado, pode ocupar esse lugar.  Para crescer na fé é preciso primeiramente nascer do alto. O crescimento espiritual obedece a uma lei natural, é uma questão de sobrevivência, mas, acima de tudo, é a vontade do nosso Pai Celeste. Qual o pai ou mãe que não deseja que seus filhos cresçam? O crescimento é um processo sobrenatural, natural e sacrificial. Depende de Deus, a família e a igreja participam, mas depende, também, da vontade, do empenho e da dedicação de cada discípulo.

Cada discípulo é desafiado a crescer e a ajudar outros a crescerem. “E sabeis, ainda, de que maneira, como pai a seus filhos, a cada um de vós, exortamos, consolamos e admoestamos, para viverdes por modo digno de Deus, que vos chama para o seu reino e glória.” (1Ts 2.11-12)

Bibliografia:

SWEETING, George. Os primeiros passos na vida cristã. Ed. Mundo Cristão, 1976.
MAC DONALD, William. O discipulado verdadeiro. Ed. Mundo Cristão, 1975.
PHILLIPS, Keith. A formação de um discípulo. Ed. Vida, 1981.

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O papel do Espírito Santo na pregação

A IDENTIDADE DO CORPO
         O papel do Espírito Santo na pregação
         Texto Base: Efésios 4.4-6; João 14.17; Mateus 10.20

Introdução:

Todos sabemos que de um só (Adão) Deus fez toda a raça humana, para habitar sobre a face da terra (At 17.26). Entretanto, dentre esses, ele mesmo, em Cristo, separou e reuniu para si um povo: “Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz;  vós, sim, que, antes, não éreis povo, mas, agora, sois povo de Deus, que não tínheis alcançado misericórdia, mas, agora, alcançastes misericórdia.” (1Pe 2.9-10). Este povo, também é conhecido como um corpo, constituído por muitos membros (Rm 12.5), com identidade própria e inconfundível. Ele tem um só Senhor, um só Legislador e Juiz (Tg 4.12) que é Deus e Pai de todos; um só Mestre (Mt 23.8), um só Guia (Mt 23.10), um só esposo, que é Cristo (2Co 11.2); um só Espírito, que nos regenera, faz morada em nós e nos une ao Corpo (Jo 3.6; 14.17); uma só fé; um só batismo e uma só esperança.

É através da pregação e do ensino da Palavra de Deus que este Corpo, a Igreja de Cristo, cresce e preserva a sua identidade: “E, assim, a fé vem pela pregação, e a pregação, pela palavra de Cristo.” (Rm 10.17). E essa pregação é muito mais do que um discurso baseado em estratégias de persuasão humanas: “A minha palavra e a minha pregação não consistiram em linguagem persuasiva de sabedoria, mas em demonstração do Espírito e de poder,” (1Co 2.4). Daí, percebe-se a relevância e essencialidade do papel do Espírito Santo na pregação.

Quando se trata de pregação, não se pode deixar de associar a ideia do tripé: PREGADOR x MENSAGEM x OUVINTE. No estudo da Homilética[1], o PREGADOR pode e deve buscar recursos e se aprimorar na tarefa de expor a mensagem. No estudo da Hermenêutica[2], que, de tão próximo se confunde com o termo Exegese[3], o pregador pode e deve buscar recursos para a correta interpretação e explicação do texto bíblico, no preparo da mensagem. A MENSAGEM não é outra, senão o Evangelho, poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê (Rm 1.16). Também é o ensino bíblico que edifica e molda o caráter de um cristão. Por fim, temos o OUVINTE. Como alcançá-lo? Dispor os elementos da mensagem de forma clara, lógica e racional, sequencial e progressiva, estética e emocional, de modo a persuadir o ouvinte é, de fato, algo importante, mas, não suficiente. Pois, “Um sermão é um bocado de pão para ser comido, e não uma obra de arte para ser apreciada” (Phillips Brooks)

Neste estudo, veremos o papel do Espírito Santo agindo na pregação, nesse tripé acima referido, e produzindo o resultado que transforma vidas e glorifica a Deus.

Desenvolvimento:

Façamos este estudo a partir da “teologia de Jesus” sobre o papel do Espírito Santo, exposta nos Evangelhos, e, também, recorrendo aos ensinos nas epístolas. Não vamos nos limitar a estudar o agir do Espírito apenas numa pregação pública, proferida no púlpito de um templo, mas em qualquer lugar e circunstância em que essa pregação, possa ocorrer, com qualquer número de ouvintes.

1. Como é, o agir do Espírito Santo?

1.1 O Espírito é livre para agir (Jo 3.5-8)

Se o novo nascimento ou regeneração é obra do Espírito Santo; se é este mesmo Espírito que convence e produz transformação e mudança de comportamento nos ouvintes; então, pregadores e testemunhas de Cristo precisam ter sempre em mente que ele é livre para agir; e nós, somos apenas seus instrumentos. Ele jamais estará subordinado e circunscrito à nossa vontade; ao contrário, nós é que devemos nos deixar conduzir pela sua soberana vontade e direção.

1.2 O Espírito habita em nós (Jo 14.17, 23)

Nessas palavras proferidas por Jesus está explícito o relacionamento íntimo que o pregador e testemunha de Cristo tem com o Espírito: “vós o conheceis, porque ele habita convosco e estará em vós.”. Enquanto no Antigo Testamento o Espírito agia pontualmente, usando pessoas para a realização de determinados feitos, depois da ascensão de Cristo, o Consolador, foi enviado aos filhos de Deus, no Pentecostes, para habitação permanente nos remidos, unindo-os ao Corpo de Cristo (sua Igreja) e capacitando-os a serem embaixadores do Reino, proclamadores da sua mensagem de salvação a todos os povos. Nessa relação tão sublime e íntima, com o Espírito, desfrutamos do privilégio de conhecê-lo, ainda que de forma limitada, o que, provavelmente, o apóstolo Paulo se referiu como ter a “mente de Cristo” (1Co 2.16).

1.3 O Espírito fala “em nós” e “por nós” (Mt 10.20; Mc 13.11)

Quando Jesus proferiu essas palavras de instrução aos discípulos, referia-se a situações extremas de perseguição e prisão, ocasiões em que eles seriam assistidos pelo Espírito. Certamente a intenção divina não seria apenas de conceder-lhes uma palavra de sabedoria, adequada à situação. Também havia a intenção de que eles testemunhassem de Cristo diante das autoridades (Mt 10.18). Assim sendo, por que razão este mesmo Espírito também não poderia assistir o pregador ou aquele que testemunha de Cristo, em situações normais de evangelização?

A figura do Espírito falando “em nós”, nos remete àquele direcionamento espiritual, do pregador, para definir o assunto, escolher e entender o texto bíblico e escolher as ilustrações. Quem somos nós para fazer essas escolhas, por conta própria? Apenas o Espírito conhece, antecipadamente, o público que estará presente e o que cada pessoa precisa ouvir, “…porque o Espírito a todas as coisas perscruta, até mesmo as profundezas de Deus.” (1Co 2.10-11).

A figura do Espírito falando “por nós”, nos dá a certeza e segurança de que, usando parte ou todo o material preparado, ou trazendo à nossa memória outras ideias e palavras, nossas limitações quanto à exposição verbal e gestual serão superadas, de modo a alcançar o objetivo determinado pelo Senhor. Ao longo da história muitos têm falado da parte de Deus, movidos pelo Espírito (2Pe 1.21).

1.4 O Espírito nos ensina (Lc 12.12; Jo 14.26)

A Bíblia não é como uma obra literária secular qualquer; é a Palavra de Deus! E é Deus mesmo que, através do seu Espírito, nos dá a compreensão exata do seu sentido e aplicação. É maravilhoso verificar como a iluminação do Espírito, agindo sobre os que pregam e ensinam a Palavra de Deus, faz com que sejam extraídos de cada texto bíblico tantas mensagens, ensinos e aplicações para a conversão de pessoas e edificação do povo de Deus. “O homem se agita, mas Deus o conduz”. Tão importante quanto ser ensinado pelo Espírito é ser por ele lembrado do que Jesus disse; daquilo que a Bíblia nos ensinou um dia. Ele nos faz lembrar das verdades eternas e assim as compartilhamos, a tempo e a fora de tempo.

1.5 O Espírito age nos humildes (Lc 10.21)

Se alguém se julga autossuficiente, sábio e instruído, se bastando a si próprio; não deixa espaço para o agir do Espírito na sua vida, ministério e pregação: “…porque ocultaste estas coisas aos sábios e instruídos e as revelaste aos pequeninos.” Conta-se que um jovem pregador subiu ao púlpito para pregar, com a cabeça erguida, entusiasmado, confiante na sua oratória e sermão cuidadosamente preparado. No desenvolvimento da mensagem, percebeu certa frieza no auditório e uma reação bem diferente daquela que esperava. Terminada a mensagem, desceu do púlpito cabisbaixo e frustrado. Foi quando o velho pastor, ao seu lado, lhe sussurrou aos ouvidos: – Se tivesses subido ao púlpito como desceste, terias descido como subiste! A obra não é nossa, mas de Deus, bem como toda a honra e glória pertencem somente a ele. Somos apenas seus cooperadores.

2. Para que, o agir do Espírito Santo?

Encontramos a resposta a essa pergunta nas palavras de Jesus:

2.1 Guiar a toda a verdade (Jo 16.13)

Desde a queda de Adão e Eva, no Éden, a humanidade tem sido desafiada a discernir entre a verdade de Deus e a mentira de Satanás e de seus seguidores. Felizmente, não estamos sós, pois a promessa de Jesus se cumpriu: “quando vier, porém, o Espírito da verdade, ele vos guiará a toda a verdade; porque não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e vos anunciará as coisas que hão de vir.” (Jo 16.13; ver ainda Jo 12.49-50)

2.2 Dar testemunho de Cristo (Jo 15.26; At 1.8)

Jesus é o Filho de Deus, “o resplendor da glória e a expressão exata do seu Ser” (Hb 1.3), o nosso Salvador e Senhor. O Espírito nos foi dado para que pudéssemos testemunhar dele até aos confins da terra: “Quando, porém, vier o Consolador, que eu vos enviarei da parte do Pai, o Espírito da verdade, que dele procede, esse dará testemunho de mim;” (Jo 15.26); “mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra.” (At 1.8). Na primeira pregação da igreja (At 2.14-41), a pregação do Pentecostes, através de Pedro, encontramos os elementos básicos de uma pregação que agrada a Deus: a) Pregador: um pregador cheio do Espírito Santo. b) Mensagem: tem como conteúdo a citação das Escrituras Sagradas e o testemunho de Cristo: encarnado, crucificado, ressuscitado e glorificado. c) Ouvintes: todos os que estavam ao alcance da sua voz, sendo que, quase três mil, movidos pelo Espírito se arrependeram dos seus pecados, foram batizados, receberam o selo do Espírito e foram agregados à igreja.

2.3 Evangelizar, Proclamar Libertação e Curar (Lc 4.18)

“O Espírito do Senhor está sobre mim, pelo que me ungiu para…”. Assim como o Espírito esteve sobre o Senhor Jesus Cristo para a realização da sua missão que incluía evangelização, libertação e cura, foi concedido a nós para darmos continuidade a essa missão. Nós somos a sua boca para falar da parte dele: “Pois o enviado de Deus fala as palavras dele, porque Deus não dá o Espírito por medida.” (Jo 3.34). Nós somos os seus pés para ir por todo o mundo pregando as boas novas de salvação: “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações,…” (Mt 28.19).

Conclusão:

Que Deus nos ajude a compreender e viver essa unidade orgânica e identidade inconfundível do corpo de Cristo, a Igreja. Que, ao sermos chamados para pregar e testemunhar de Cristo, possamos entender claramente o papel do Espírito Santo e o nosso papel. Que nunca percamos de vista que sem o Espírito de Deus nada somos e nada podemos fazer: Ele nos regenera, habita em nós, produz em nosso caráter o “fruto do Espírito” e nos capacita para a realização da sua obra com os seus dons. “Mas um só e o mesmo Espírito realiza todas estas coisas, distribuindo-as, como lhe apraz, a cada um, individualmente.” (1Co 12.11)

[1] Homilética (bíblica): é a arte de pregar o Evangelho, de como preparar e expor um sermão.

[2] Hermenêutica (bíblica): é a ciência da interpretação do texto bíblico, utilizando um conjunto de regras e/ou preceitos e/ou técnicas.

[3] Exegese (bíblica): do grego exegesis (ex + egese = Tirar de dentro para fora), tem o sentido da investigação e explicação do texto bíblico.

A Família e o Mundo

Família santa num mundo caído!     

Introdução          

Ao abordar um assunto tão importante como este, torna-se necessário dar resposta a perguntas como estas:

O cristianismo favorece, incentiva e fortalece a família tradicional?
Família é importante para o indivíduo e para a Sociedade?
Família é um assunto importante no ensino bíblico?
A família tem sido ameaçada pelo mundo moderno? Está sob ataque?

Aqueles que estão familiarizados com o texto bíblico sabem que foi Deus quem instituiu a família. A família é Projeto de Deus e é por ele sustentada, desde de sua origem e enquanto houver seres humanos na face da terra. Assim sendo, muita orientação e instrução quanto ao funcionamento da família pode ser encontrada na Palavra de Deus.

Neste estudo, de forma bem resumida, procuraremos abordar alguns desses aspectos, bem como as ameaças e desafios com que ela está tendo que lidar.

Desenvolvimento:

Por que Deus instituiu a família?

Diferentemente do que acontece com os animais irracionais, que basicamente são orientados pelos seus instintos ou pela “programação mental” (sinapse) previamente definida pelo Criador, a “cria” do ser humano nasce e durante seus primeiros anos de vida é totalmente dependente dos que a geraram. Daí a importância da família no provimento do sustento, da proteção, da formação do caráter e da orientação para a vida.

O que é uma família cristã saudável?

Por definição: “A saúde é um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não consiste apenas na ausência de doença ou de enfermidade.” (OMS/WHO – 1946)

Uma família cristã saudável pode ser descrita como aquela em que há um casamento sólido, cada membro desempenha o seu papel, está suprida em suas necessidades, há convivência harmônica e, sobretudo, há o temor de Deus e o senhorio de Cristo no seu meio.

1. AMEAÇAS E ATAQUES, À FAMÍLIA

1.1 Ameaças e Ataques explícitos

São do tipo que:

a) Tentam reduzir sua importância e desvirtuam sua estrutura.

b) Promovem a corrupção de padrões morais na área da sexualidade:

Divórcio,  Liberação Sexual, Homossexualidade, Ideologia de gênero,  Poliamor e Poligamia e Pedofilia.

1.2 Ameaças e Ataques sutis (sedução)

a) Atraem e desviam a atenção de membros da família para:

O glamour de uma carreira profissional, produzir avidez por entretenimentos e, para a ilusão de relacionamentos não matrimoniais.

1.3 Ameaças e Ataques quase imperceptíveis (ocupação excessiva)

a) Tiram o foco, a prioridade e o tempo para o investimento na família:

Trabalho, Escola, Cursos, Atividades esportivas e sociais, Igreja (ativismo), Viagens, “Telas” ou Janelas de Tecnologia.

2. PADRÃO BÍBLICO PARA A FAMÍLIA

É preciso assimilar, vivenciar e defender os padrões e princípios bíblicos para a família cristã:

2.1 Casamento no Senhor (ideal)

a) No Antigo Testamento a orientação divina era de não casar com estrangeiros (Ex 34.15-16).

b) No Novo Testamento a instrução bíblica era para se evitar o jugo desigual ou casamento misto (2Co 6.14-15).

Em ambos os testamentos o princípio norteador é o de se preservar a fé, pois o cônjuge de outra fé, ou sem a fé no Deus vivo e verdadeiro, poderia ser agente para desviá-lo do caminho do Senhor.

2.2 Relacionamento Marido e Esposa

a) Instruções aos Maridos:

Relacionamento de amor (incondicional e sacrificial)

“Maridos, amai vossa mulher, como também Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela,” (Ef 5.25)
“Assim também os maridos devem amar a sua mulher como ao próprio corpo. Quem ama a esposa a si mesmo se ama.” (Ef 5.28)
“Não obstante, vós, cada um de per si também ame a própria esposa como a si mesmo, ….” (Ef 5.33a)

Relacionamento respeitoso (não lhe impingindo aflição)

“Maridos, amai vossa esposa e não a trateis com amargura.” (Cl 3.19)

Relacionamento participativo (com bom senso e clareza, com dignidade)

“Maridos, vós, igualmente, vivei a vida comum do lar, com discernimento; e, tendo consideração para com a vossa mulher como parte mais frágil, tratai-a com dignidade, porque sois, juntamente, herdeiros da mesma graça de vida, para que não se interrompam as vossas orações.” (1Pe 3.7)
“Ora, se alguém não tem cuidado dos seus e especialmente dos da própria casa, tem negado a fé e é pior do que o descrente.” (1Tm 5.8)

Relacionamento de líder e sacerdote espiritual

“Quero, entretanto, que saibais ser Cristo o cabeça de todo homem, e o homem, o cabeça da mulher, e Deus, o cabeça de Cristo.” (1Co 11.3)

b) Instruções às Esposas:

Relacionamento de respeito e amor

“… e a esposa respeite ao marido.” (Ef 5.33b)
“a fim de instruírem as jovens recém-casadas a amarem ao marido e a seus filhos,” (Tt 2.4)

Baseados nas instruções de Paulo aos efésios, alguns pregadores chegam a afirmar que o marido deve amar a esposa e esta, apenas respeitá-lo. Entretanto, o mesmo apóstolo dirime todas as dúvidas quando escreve a Tito e deixa claro que a esposa também deve amar ao marido e aos filhos.

Relacionamento de submissão

“As mulheres sejam submissas ao seu próprio marido, como ao Senhor;” (Ef 5.22)
“Como, porém, a igreja está sujeita a Cristo, assim também as mulheres sejam em tudo submissas ao seu marido.” (Ef 5.24)
“Esposas, sede submissas ao próprio marido, como convém no Senhor.” Cl 3.18)
“a serem sensatas, honestas, boas donas de casa, bondosas, sujeitas ao marido, para que a palavra de Deus não seja difamada.” (Tt 2.5)
“Mulheres, sede vós, igualmente, submissas a vosso próprio marido, para que, se ele ainda não obedece à palavra, seja ganho, sem palavra alguma, por meio do procedimento de sua esposa,” (1Pe 3.1)

Não são poucas as citações bíblicas instruindo a esposa a ser submissa ou sujeita ao marido. Pode-se dizer que esta era uma questão pacífica desde o início da família, quando assim Deus estabeleceu a autoridade de gênero (Gn 3.16). Depois de quase 6 milênios e como decorrência da insistente e progressiva expansão do movimento feminista em todo o mundo, as nações estão reformulando suas posições, bem como outros princípios e valores do cristianismo. A pressão e influência da sociedade secular sobre a igreja é tão grande que pode-se prever que, num futuro próximo, apenas um remanescente permanecerá fiel às Escrituras. (Comp. 1Tm 2.8-15)

Entretanto, é preciso ressaltar que:

a) Desde a eternidade, Deus é Pai e o céu é um lar. Ardilosamente tenta-se impor a figura de Maria “mãe de Deus”.

b) Desde a eternidade há uma cadeia de autoridade (1Co 11.3):

DEUS > CRISTO > HOMEM > MULHER

c) Essa cadeia somente funcionará satisfatoriamente se todos os elos forem respeitados.

d) Quando se sujeita ao que vem antes, se legitima o exercício da autoridade sobre os que veem depois. (Ex.: Lc 7.1-10 – centurião)

e) Quando se sujeita ao que vem antes, recebe-se autoridade como se fosse este.

f) Quando a esposa está em submissão ao marido, ela tem a autoridade dele, que é a de Cristo e que é a autoridade de Deus.

g) Quando a cadeia é quebrada em algum ponto, há quebra de autoridade, anarquia, desordem e rebelião.

h) Submissão, não inferioridade. A referência é o relacionamento entre Deus-Pai e Deus-Filho. Quando isso é entendido, o sentimento de inferioridade desaparece.

i) Aparente contradição:

“Eu e o Pai somos um” (Jo 10.30).
“…porque o Pai é maior do que eu” (Jo 14.28; ver tb Fp 2.5).

– Enquanto houver submissão, permanecerá a união.
– No plano divino, o homem e sua mulher são uma só carne.
– A cabeça necessita do apoio do pescoço, assim como o marido precisa do apoio da sua esposa.

j) O Pai sente prazer em honrar o Filho; o Filho, por sua vez, honra e exalta o Pai. Da mesma forma o marido deve ter prazer em honrar sua esposa. Quando a esposa é tratada assim, tem grande chance de corresponder, honrando e exaltando o marido.

k) Cristo é o resplendor da glória do Pai (Hb 1.2-3). Da mesma forma a mulher é a glória do homem (1Co 11.7).

l) Quando a esposa age como a mulher virtuosa (Pv 31), o marido é estimado na sociedade (Pv 31.23).

m) Quando o marido a respeita e reconhece seu valor, o seu trabalho, todos saem ganhando (Pv 31.28).

c) Instruções ao Casal:

“mas, por causa da impureza, cada um tenha a sua própria esposa, e cada uma, o seu próprio marido.” (1Co 7.2)
“O marido conceda à esposa o que lhe é devido, e também, semelhantemente, a esposa, ao seu marido.” (1Co 7.3)

Homem e mulher necessitam do companheirismo, apoio, satisfação sexual e vivência familiar proporcionados pelo casamento instituído por Deus. A perpetuação da espécie humana depende da procriação responsável, como fruto e herança de um casamento abençoado por Deus.

“Porque o marido incrédulo é santificado no convívio da esposa, e a esposa incrédula é santificada no convívio do marido crente.” (1Co 7.14a)

Quando um dos cônjuges se torna cristão e o outro não, isso não é motivo para a separação do casal (1Co 7.12-13). O cristão deve usar de sabedoria e buscar a santificação deste relacionamento.

“Digno de honra entre todos seja o matrimônio, bem como o leito sem mácula; porque Deus julgará os impuros e adúlteros.” (Hb 13.4)

Além dos cônjuges se guardarem exclusivamente um para o outro, o casal deve preservar e guardar os limites da santidade e moralidade cristã neste relacionamento.

2.3 Relacionamento Pais e Filhos (Ef 6.1-4)

a) Instruções aos Filhos:

“Filhos, obedecei a vossos pais no Senhor, pois isto é justo.” (Ef 6.1)
“Filhos, em tudo obedecei a vossos pais; pois fazê-lo é grato diante do Senhor.” (Cl 3.20)

Obedecer: em que situações? até quando?
No Senhor, isto é, quando for para descumprir a Lei de Deus ou a Lei dos Homens, não!

“Honra a teu pai e a tua mãe (que é o primeiro mandamento com promessa, para que te vá bem, e sejas de longa vida sobre a terra.” (Ef 6.2-3)
“Mas, se alguma viúva tem filhos ou netos, que estes aprendam primeiro a exercer piedade para com a própria casa e a recompensar a seus progenitores; pois isto é aceitável diante de Deus.” (1Tm 5.4)

O que significa honrar?
Respeitá-los, admirá-los, manter contato, cuidar deles nas suas necessidades, ampará-los etc.

É interessante o fato de não haver ênfase bíblica quanto aos filhos amarem seus pais. Se equivocam os pais que buscam ser amados pelos filhos mais do que ser por eles honrados.

b) Instruções aos Pais:

“E vós, pais, não provoqueis vossos filhos à ira, mas criai-os na disciplina e na admoestação do Senhor.” (Ef 6.4)
“Pais, não irriteis os vossos filhos, para que não fiquem desanimados.” (Cl 3.21)

O que significa não irritar ou não provocar ira nos filhos?
Não é deixar de impor limites nem deixar de discipliná-los. É não usar de coerência, bom senso. É abuso de autoridade. É usar castigo desproporcional. É humilhá-lo particularmente ou em público. É fazer comparações de conduta ou de desempenho, dele com outros, de forma a depreciá-lo.

c) Instruções ao Pai:

“e que governe bem a própria casa, criando os filhos sob disciplina, com todo o respeito” (1Tm 3.4)
“O diácono seja marido de uma só mulher e governe bem seus filhos e a própria casa.” (1Tm 3.12)

Essas recomendações do apóstolo não se aplicam apenas aos pais que almejam o pastorado, o presbiterado ou o diaconato na igreja. É para todos, pois precisam saber governar bem a sua casa.

Conclusão:

Considerando que o mundo vai de mal a pior, que a cada dia mais se afasta dos princípios e valores cristãos, então o desafio de conduzir nossas famílias nos padrões bíblicos também cresce e se agiganta a cada dia que passa. Assim, precisamos seguir em frente, firmes no Senhor e na sua Palavra, incentivando-nos e ajudando-nos uns aos outros.

Se a família é projeto de Deus, então não há motivo para se render nessa batalha contra o mal e contra o erro, pois Jesus nos prometeu que não estaríamos sozinhos: “…E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século.” (Mt 28.20b); “E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, a fim de que esteja para sempre convosco,” (Jo 14.16). E o apóstolo Paulo acrescenta: “Em todas estas coisas, porém, somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou.” (Rm 8.37)

Por fim, vale lembrar que fomos chamados por Deus para fazermos a diferença no lugar onde estamos, para sermos sal da terra e luz do mundo (Mt 5.13-14). Então, precisamos viver vidas santas, bem como, praticar e difundir o plano de Deus para a família, sem nunca ceder às pressões de um mundo caído.

Como ser íntegro hoje em dia

(O caso Daniel)

Introdução          

“Agora, pois, temei ao SENHOR e servi-o com integridade e com fidelidade;” (Josué 24.14a)
“Então, os presidentes e os sátrapas procuravam ocasião para acusar a Daniel a respeito do reino; mas não puderam achá-la, nem culpa alguma; porque ele era fiel, e não se achava nele nenhum erro nem culpa.” (Daniel 6.4)

Integridade é o estado ou característica de alguém ou algo que está inteiro, que não sofreu qualquer diminuição; aderência firme a um código de valores; plenitude, inteireza, completude, unidade, totalidade. A integridade, ou a falta desta, é relevante, pelas consequências, em qualquer área da nossa existência.

Nos indivíduos, temos, por exemplo, integridade física ou corporal, mental, moral, espiritual, sentimental, profissional etc. Na Tecnologia da Informação (TI) fala-se em integridade dos sistemas, dos processamentos, da segurança da informação (disponibilidade – o tempo máximo que a informação está disponível; autenticidade – quando mais próxima do texto ou situação original mais autêntica se torna a informação prestada; e, confidencialidade – a garantia de que somente pessoas autorizadas terão acesso a determinada informação. No jornalismo responsável, é preciso zelar pela integridade da fonte da informação; do informante e da própria informação. Nas redes sociais, a avalanche de “fake news” (notícias falsas) é um fenômeno preocupante nessa era da hipermodernidade em que vivemos, capaz de influenciar o ambiente social e político de forma a ameaçar o sistema democrático. Não é sem razão que muita energia tem sido dispendida pelos governos no sentido de buscar uma forma adequada de criminalizar os que se utilizam desse ilegítimo expediente.

Integridade é uma questão que nunca sai da pauta divina e nem da pauta humana. Em certas épocas e determinadas sociedades foi mais ou menos levada a sério, tanto no ambiente secular, como no religioso.

Neste artigo procuraremos estudar “o caso Daniel”, extraindo dele conceitos e ensinamentos para o nosso cotidiano, porque precisamos aplicá-los e fazermos a diferença, pois somos sal da terra e luz do mundo.

A pergunta que precisamos responder aqui é: como ser íntegro hoje, ou em qualquer tempo; e em qualquer lugar (sozinhos, na família, na igreja e na sociedade)?

1. Integridade não é uma questão de opção!

Há um bom tempo atrás assisti uma pequena animação produzida para reflexão em cursos de formação gerencial, “The Divided Man” (O Homem Dividido). O homenzinho seguia sozinho, caminhando estrada afora; nas retas, nas curvas e nas muitas subidas e descidas. Depois de muito caminhar, a estrada à sua frente apresentava uma bifurcação. Ele para, fica confuso e indeciso. Ameaça seguir pela esquerda e retorna. Ameaça seguir pela direita e retorna. Então, acontece o imprevisível: ele se divide verticalmente ao meio e cada parte segue por um dos lados do caminho. Mais adiante aparece a metade que seguiu pela direita, caminhando solitária pela estrada, até que se depara com uma nova bifurcação. Ameaça seguir, novamente, pela direita, porém recua. Aí, vem à sua mente a lembrança e saudade da outra metade que havia seguido pela esquerda. Então, resolve seguir pela esquerda. A caminhada solitária continua até que as duas estradas desembocam numa só e, as duas partes se reencontram. Se entreolham, surpresas com o reencontro, e se aproximam rapidamente na tentativa de se fundirem. Qual não foi a surpresa quando descobriram que não mais se encaixavam, pois uma das partes havia crescido muito mais do que a outra. Mesmo assim, resolvem se fundir e prosseguir, caminhando com dificuldade, como uma criatura híbrida. Quantas lições podem ser extraídas desta singela animação? Algumas, mas, talvez, a principal é que quando você “se divide” nas “bifurcações da vida” sofrerá, mais à frente, consequências sérias e danosas. Podemos destacar, pelo menos duas razões básicas para sermos íntegros, diante de Deus e dos homens:

1ª) Integridade é uma questão de demanda divina

Integridade, retidão e perfeição é o que Deus espera e exige do seu povo. A Abrão, disse: “Eu sou o Deus Todo-Poderoso; anda na minha presença e sê perfeito.” (Gn 17.1b) e a Israel “Perfeito serás para com o SENHOR, teu Deus.” (Dt 18.13). E, Jesus, ratifica: “Portanto, sede vós perfeitos como perfeito é o vosso Pai celeste.” (Mt 5.48); “Não podeis servir a Deus e às riquezas.” (Mt 6.24b). Pode se dizer, também, que é uma imposição da fé cristã que professamos, pois foi para isso que Jesus veio ao mundo e deu a sua vida. Para gerar novas criaturas livres da condenação e do poder (domínio) do pecado. É certo que haverá muita luta interior, da carne contra o espírito e vice-versa (Gl 5.17; Rm 7.15-25; Hb 12.4). Porém, somos mais que vencedores, em Cristo.

Vale lembrar o destaque dado, no registro bíblico, a pessoas consideradas íntegras: Noé (Gn 6.9), Jó (Jó 1.1) e Daniel (Ez 14.20). E, ainda, que o Senhor observa e recompensa o íntegro (Sl 18.25).

2ª) Integridade é uma questão de preservação

Jesus ensinou que um reino, uma cidade, uma casa, divididos contra si mesmos não subsistirão (Mt 12.25; Mc 3.24). Por extensão, uma igreja ou uma pessoa, divididos contra si mesmos não subsistirão (1Co 1.13). Não há emprego que resista quando se está dividido entre as tarefas submetidas pelo empregador e as ocupações extra emprego, no horário de expediente. Não há casamento que resista quando se está dividido entre o seu cônjuge e outra pessoa fora da relação. Não há fé que resista quando se está dividido entre o seguir a Cristo e ceder aos prazeres e paixões ilícitos do mundo (1Jo 2.15-17). O cristão não tem opção ou licença para tomar a decisão do tipo: “– Hoje, ou neste caso, vou abrir uma exceção; amanhã eu volto a ser íntegro.”

2. Marcas de uma vida íntegra

Ao passar os olhos no livro de Daniel, algumas marcas de sua integridade saltam aos olhos:

2.1 Não se contamina (Dn 1.5-8)

Na história de vida de Daniel fica patente a inconfundível verdade de que, mais importante do que o lugar onde você precisa estar (no caso de Daniel, na corte babilônica, por imposição do exílio; no nosso caso, na escola, no trabalho etc, por uma condição de vida na sociedade) é a sua conduta ali. Uma determinação do rei fora imposta sobre ele, mas ele resolveu não se contaminar. Percebam que ele não reagiu à aprendizagem da cultura e língua dos caldeus, mas à alimentação imposta. Em vez de abordar aqui a sua motivação, no que tange à alimentos proibidos na lei mosaica ou a sua solidariedade aos demais cativos judeus vivendo em condições precárias, aproveitemos para considerar a questão da adesão de um cristão a usos e costumes de uma sociedade pagã. Há uns 50 anos atrás, muitos crentes defendiam uma diferenciação dos descrentes a partir do estereótipo (uso de roupas, pintura de cabelo e unhas etc). Por outro lado, hoje em dia, chega-se ao outro extremo. O estereótipo, o exterior é o de menos. O mais grave mesmo é o comportamento mundano de muitos “chamados crentes”; vivem completamente dominados por um estilo mundano de vida. Gente bebendo socialmente, promovendo festas de casamento com danceteria de arrepiar e repertório de escandalizar, vivendo fornicação e adultério, com linguajar corrompido, expondo as questões internas da igreja nas redes sociais, proferindo mentiras e calúnias. Gente que não assume sua fé e se lhe perguntar, desconversa. Bem-aventurados aqueles que, como Daniel, tomam a firme decisão de se manterem puros e íntegros no meio de uma geração corrompida e corruptora!

2.2 Desfruta de íntima comunhão com Deus

Ele ora e incentiva outros a orar (Dn 2.17-18; 6.10; 9.3-23; 10.2, 12). Nessa intimidade, o Senhor lhe revela mistérios em visão à noite (Dn 2.19). Ele glorifica o Senhor reconhecendo seus atributos inigualáveis, seu domínio sobre tudo e sobre todos; como aquele que capacita os seus para toda boa obra (Dn 2.20-23).

2.3 Permanente busca da glória de Deus

Longe de querer chamar a atenção para si próprio, se vangloriando e usurpando a glória de Deus, ele faz questão de atribuir todos os créditos a quem de direito, ao Deus eterno, imortal; invisível, mas real (Dn 2.28). Ele faz isso tão naturalmente e de modo tão convincente que até os incrédulos conseguem reconhecer a majestade de Deus: “Disse o rei a Daniel: Certamente, o vosso Deus é o Deus dos deuses, e o Senhor dos reis, e o revelador de mistérios, pois pudeste revelar este mistério.” (Dn 2.47).

2.4 Presta serviço à comunidade

Quando nos afastamos do pecado, podemos buscar e desfrutar de íntima comunhão com o Altíssimo. Quando estamos em íntima comunhão com Deus ele se revela a nós e nos capacita para a realização da sua obra e para servir à comunidade. Daniel tinha plena consciência de todo o mal que os caldeus fizeram ao seu povo. Simplesmente poderia recusar-se a colaborar com os seus algozes. Entretanto, quando constituído pelo rei, como governador e chefe de toda a província de Babilônia (Dn 2.48-49), viu nessa investidura uma imperdível oportunidade de ser útil ao próximo, de servir com eficiência e justiça, inclusive sendo bênção para os cativos do seu povo. Afinal, ele sabia que o cativeiro duraria 70 anos; então, era melhor ser agente do bem do que vítima do mal. E, na hora que ele é honrado, não se esquece daqueles que o ajudaram.

2.5 Testemunha com coragem e intrepidez

Manter-se íntegro, diante de Deus e dos homens, implica em assumir riscos e passar por provações. Tanto os amigos de Daniel (Dn 3.8-12), quanto o próprio Daniel (Dn 6.4-9; 11-13) foram vítimas de inimigos invejosos que tentaram tirar-lhes a vida, promovendo o confronto entre sua posição e sua fé e integridade para com Deus. Entretanto, eles não se deixaram intimidar pelas terríveis ameaças, testemunhando com coragem e intrepidez sua fé inabalável num Deus que tudo pode; livrar da morte ou deixar perecer (Dn 3.16-18; Dn 6.10). Ser íntegro é estar disposto a tudo perder por amor a Cristo: “Porém em nada considero a vida preciosa para mim mesmo, contanto que complete a minha carreira e o ministério que recebi do Senhor Jesus para testemunhar o evangelho da graça de Deus.” (At 20.24).

2.6 Tem confiança em Deus, em qualquer situação

Não somos capazes de compreender a extensão e os desdobramentos, nos céus e na terra, quando verdadeiramente decidimos confiar em Deus, entregando nossa vida aos seus cuidados, em toda e qualquer situação. Os céus se enchem de júbilo e a terra recebe o impacto da intervenção divina: “Falou Nabucodonosor e disse: Bendito seja o Deus de Sadraque, Mesaque e Abede-Nego, que enviou o seu anjo e livrou os seus servos, que confiaram nele, pois não quiseram cumprir a palavra do rei, preferindo entregar o seu corpo, a servirem e adorarem a qualquer outro deus, senão ao seu Deus.” (Dn 3.28, ver ainda o impacto sobre Dario – Dn 6.25-27).

2.7 É muito amado por Deus

É gratificante saber que a integridade de Daniel não foi em vão; não passou despercebida diante de Deus. Jesus, o servo modelo, mesmo antes de começar seu ministério terreno, ouviu dos céus: “…: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo.” (Mt 3.17). E, Daniel, também teve o privilégio de ser fortalecido, no crepúsculo do seu ministério, com a sublime declaração angelical: “…: Daniel, homem muito amado,…” (Dn 10.11, 19).

Conclusão:

Dietrich Bonhoeffer (1906-1945)(teólogo e pastor) assim se refere à “graça barata” no seu livro Discipulado: “A graça barata é a pregação do perdão sem arrependimento do pecador, é o batismo sem disciplina eclesiástica, é a comunhão sem confissão de pecados, é a absolvição sem confissão pessoal. A graça barata é a graça sem discipulado, é a graça sem cruz, é a graça sem Jesus Cristo vivo e encarnado.” A fé que nada custa, nada vale. Integridade tem seu preço. Não é uma opção e tem marcas próprias. Somos desafiados a seguir o exemplo de Daniel e de tantos outros heróis da fé, mantendo-nos íntegros em todo o tempo e o tempo todo: “Tu, porém, segue o teu caminho até ao fim; pois descansarás e, ao fim dos dias, te levantarás para receber a tua herança.” (Dn 12.13)

Prioridades na Liderança

O Exemplo de Timóteo

Introdução          

A temática deste estudo é LIDERANÇA. Mas, a quem interessa ou diz respeito este assunto? A todos nós, pois, no mínimo, somos líderes de nós mesmos, da nossa missão, das nossas tarefas. Augusto Cury publicou um livro intitulado “Seja líder de si mesmo”. Está aí uma primeira dica para quem desejar se aprofundar no assunto. Mas, também, podemos ser líderes em nossa casa, no trabalho, em alguma área na igreja etc. Um líder, ainda que famoso, é gente como a gente. Líderes cristãos mundialmente conhecidos não surgem num estalar de dedos. Eles são forjados, pelo ferreiro divino, no calor do atrito das limitações humanas com os desafios da vida. Antes de analisar o “caso Timóteo”, vejamos como foi forjado um grande líder cristão do nosso tempo. Na sua autobiografia[1], que relata os acontecimentos da sua juventude, ele diz que alguém o descreve, e ele mesmo se vê, assim: “Um rapaz do campo, alto e magro, dotado de muita energia, com nível acadêmico medíocre e um enorme zelo para servir ao Senhor que excedia meus conhecimentos e habilidades.” (pg. 46). Como foi sua infância e juventude?

Resumindo:

– Muito trabalho, ordenhando vacas e limpando as baias, na fazenda do pai, em Charlotte – Carolina do Norte – USA.

– Trabalhou como vendedor de escovas, nas férias, para ajudar a custear seus estudos.

– Teve forte influência da mãe que o incentivava a ler livros, principalmente o Catecismo de Westminster e a Bíblia.

– Teve forte influência dos metodistas (por parte de pai) e dos presbiterianos (por parte de mãe).

– Teve forte influência de Evangelistas de Cruzadas. Eram montadas grandes tendas (algumas para 5000 pessoas sentadas) e eles pregavam diariamente, o Evangelho, por semanas.

– Teve forte influência de Evangelistas, Pregadores e Professores no Instituto Bíblico da Flórida.

Foi batizado na infância, na igreja presbiteriana (pg.53). Frequentava a igreja regularmente com a família, mas, somente aos 16 anos teve um encontro com Cristo, nascendo de novo, após a pregação de um daqueles evangelistas de tendas, um pastor batista (Dr. Mordecai Fowler Ham). Quando estava no Instituto, na Flórida, pediu para o deão batizá-lo por imersão, discretamente.

Seu chamado para pregar se deu no Instituto Bíblico da Flórida, aos 19 anos de idade. Durante os 18 meses anteriores, no Instituto, quando convidado a pregar, tinha uma atuação pífia; ficava inseguro, inibido, batia os joelhos, usava sermões emprestados. Numa dessas ocasiões, pregou em uma pequena igreja, 4 sermões em 8 minutos. Treinava suas pregações no quarto e no campo aberto. Um pouco antes do seu chamado, começou a pregar em um estacionamento de trailers para um público que variava de 200 a 1000 pessoas. Sentia uma enorme satisfação em transmitir para as pessoas as boas-novas da Salvação. No final de 1938, com 20 anos, aceitou ser batizado pela terceira vez, desta feita, por imersão e com algumas testemunhas, para evitar problemas nas igrejas batistas onde pregava. Afinal, ele era um jovem presbiteriano que aderira à igreja batista. No início de 1939, com vinte anos, foi ordenado pastor batista, na Igreja Batista de Peniel, antes de completar o curso no Instituto.

Estamos nos referindo a William Franklin Graham Jr (Billy[2] Graham)(07/11/1918 – 21/02/2018). Seu pai era de origem metodista e sua mãe de origem presbiteriana. Foi casado, por 64 anos, com Ruth Graham (1943–2007) e teve 5 filhos, 19 netos e 28 bisnetos. Seu sogro era um missionário e cirurgião presbiteriano que exerceu forte influência sobre ele. A partir de 1948, com cerca de 30 anos, começou suas Cruzadas Evangelísticas, alcançando 185 países e 210 milhões de pessoas. No Brasil: Rio de Janeiro -1960 e 1974; Recife-2000; São Paulo-2008 e Belo Horizonte-2010. Terminou seus 99 anos de vida com várias doenças: Parkinson, quadril quebrado, pélvis quebrada e câncer de próstata. (Fonte: Wikipédia)

Timóteo é um líder particularmente interessante no contexto da Igreja Primitiva. No NT, muito se diz “a” Timóteo ou “de” Timóteo, entretanto, ele mesmo nada diz. Ele não aparece na dianteira da história, mas realiza uma espécie de ministério âncora na equipe do apóstolo Paulo.

Que informações encontramos do jovem Timóteo no NT?

a) Primeiras referências:

i) Um discípulo com bom testemunho nas igrejas de Listra e Icônio (At 16.1-2).

ii) Filho de uma judia crente, mas de pai grego; por isso, foi circuncidado para poder acompanhar o apóstolo Paulo (At 16.1-3). Sua fé era sem fingimento, tal qual a da sua avó Lóide e da sua mãe Eunice (2Tm 1.5). Foi ensinado na Palavra desde a sua infância (2Tm 3.14-15).

iii) Passou a ter um contato direto com o apóstolo Paulo, a partir da sua Segunda Viagem Missionária (50-54 dC), acompanhando-o no seu ministério (At 16.3). É interessante ressaltar que, na introdução e saudação, de várias cartas do apóstolo, ele é citado, ora como servo de Cristo, ora como irmão em Cristo: “… e o irmão Timóteo“ (2Co 1.1; Fp 1.1; Cl 1.1; 1Ts 1.1; 2Ts 1.1).

b) Na Segunda Viagem Missionária:

Quando Paulo partiu para Atenas, Timóteo ficou em Beréia, na companhia de Silas (At 17.14-15).

Silas e Timóteo se encontraram com Paulo em Corinto, liberando Paulo para a pregação (At 18.5).

c) Na Terceira Viagem Missionária:

Timóteo, juntamente com Erasto, ministravam na equipe de Paulo e foram enviados à Macedônia (At 19.22).

Timóteo, juntamente com outros, acompanharam Paulo até a Ásia (At 20.4).

d) Outras referências:

Escrevendo aos crentes de Roma, Paulo menciona Timóteo como seu cooperador (Rm 16.21). Alguém que trabalhava na obra do Senhor, como também Paulo (1Co 16.10).

Timóteo foi enviado por Paulo à igreja de Corinto, para lembrá-los e confirmar os ensinos a eles pregados (1Co 4.17; comp. 2Co 1.19). O testemunho de Paulo a seu respeito é “meu filho amado e fiel no Senhor”. O cuidado que o apóstolo tinha para com Timóteo, recomendando-o às igrejas e zelando pelo seu bom acolhimento, fica evidente em vários textos bíblicos (1Co 16.10-11).

Timóteo também foi enviado à igreja de Tessalônica, como ministro (doulos – servo) de Deus no evangelho de Cristo (1Ts 3.1-8). Ao ser enviado, fazia parte, também, da sua missão, trazer notícias daquela igreja a Paulo (Fp 2.19; 1Ts 3.6). O prestígio de Timóteo, da parte de Paulo, para essa missão era imenso; não havia outro que se equiparasse a ele (Fp 2.20-21).

1. A IMPORTÂNCIA DA LIDERANÇA

Está mais do que provada e comprovada a realidade da influência dos líderes sobre as pessoas, principalmente em formação (crianças, adolescentes e jovens). E, essa influência da liderança, positiva e proativa, precisa começar em casa e continuar na igreja. No âmbito secular e social, é preciso ter muito cuidado com a escolha daquelas instituições (creche, escola etc.) onde nossos filhos serão matriculados. Pessoas em formação precisam estar em contato com lideranças diferenciadas, como os jovens Timóteo e Billy Graham. Desta forma, elas estarão sendo forjadas e motivadas para viver uma vida que faça a diferença em seu tempo e estarão preparadas para resistir aos descaminhos propostos em ambientes sociais anticristãos.

2. PRIORIDADES NA LIDERANÇA

A partir das orientações do apóstolo Paulo a Timóteo, nas duas epístolas pastorais a ele dirigidas, podemos identificar algumas prioridades a serem observadas:

2.1 Prioridades no âmbito pessoal e familiar

“– No caso de despressurização de uma aeronave, coloque primeiro sua máscara de oxigênio antes de ajudar os outros a colocarem as suas.” O líder não deve desconsiderar esta recomendação, mesmo não estando viajando de avião. Assim sendo, é preciso:

a) Cuidar do corpo

Esse cuidado inclui uma alimentação equilibrada e saudável. O que Deus criou é muito bem-vindo (1Tm 4.4-5), mas há que se tomar cuidado com aquilo que o ser humano cria. Também é preciso tratar das enfermidades, ingerindo ou aplicando o que é recomendável (1Tm 5.23). Nas palavras de Paulo, “o exercício físico para pouco é proveitoso” (1Tm 4.8), quando comparado à piedade, pois ele tem efeito limitado a esta vida terrena, enquanto aquela, tem desdobramentos para a eternidade. Entretanto, todos sabemos que o exercício físico é importante para uma vida saudável.

b) Cuidar da vida espiritual

Essa vida espiritual não é algo etéreo, abstrato, intangível e intocável. Antes, porém, tem tudo a ver com relacionamento conosco mesmo (consciência pura), com Deus e com o próximo. O apóstolo fala a Timóteo do dever de combater o bom combate, mantendo fé e boa consciência (1Tm 1.18-20; ver tb 1Tm 1.5; 3.9). A comunhão com Deus se estreita através das orações (1Tm 2.1-2) e do alimento espiritual, a Palavra de Deus: “…alimentado com as palavras da fé e da boa doutrina que tens seguido.” (1Tm 4.6; ver tb 4.13, 15-16). E, essa vida espiritual, só tem significado se for gasta no serviço a Deus e ao nosso próximo.

c) Cuidar da família

Não se tem notícia de que Timóteo fosse casado e tivesse uma família para cuidar. Talvez, por conta disso, o Apóstolo Paulo não lhe tenha dirigido uma palavra específica sobre o assunto. Entretanto, isso é tão relevante para o apóstolo que, nas qualificações dos líderes e oficiais da igreja (1Tm 3), ele menciona alguns aspectos sobre família:

i) esposo de uma só mulher;
ii) e que governe bem a própria casa, criando os filhos sob disciplina, com todo o respeito (pois, se alguém não sabe governar a própria casa, como cuidará da igreja de Deus?);

2.2 Prioridades no âmbito ministerial

Para o bom exercício do ministério eclesiástico, algumas prioridades podem ser identificadas nas orientações do apóstolo Paulo a Timóteo.

a) O testemunho pessoal (1Tm 1.12-17)

Reconhecendo o chamado de Deus para o ministério, o líder humildemente percebe sua fragilidade, demérito e inutilidade. Entretanto, está convicto de que, pela graça e misericórdia divinas, foi transformado em nova criatura, em Cristo Jesus. Assim, na força do Espírito Santo, se lança ao ministério, tendo como prioridade inadiável apresentar um bom testemunho, aos de dentro e aos de fora da igreja, sendo “modelo a quantos hão de crer” (1Tm 1.12-17) e “padrão dos fiéis”, na palavra, no procedimento, no amor, na fé e na pureza (1Tm 4.12; 2Tm 1.13-14). Um obreiro aprovado (2Tm 2.15)

b) Estimular a prática de orações (1Tm 2.1-8)

c) Zelar pela adequada participação da mulher na igreja (1Tm 2.9-15)

d) Zelar pela qualificação de oficiais na igreja (presbíteros e diáconos) (1Tm 3.1-16)

e) Combater os falsos mestres e seus falsos ensinos (1Tm 1.3-11; 4.1-5, 7, 16)

f) Lidar adequadamente com vários tipos de pessoas e situações:

  • Idosos e Jovens (1Tm 5.1-2)
  • Viúvas (1Tm 5.3-16)
  • Presbíteros (1Tm 5.17-22)
  • Senhores e Escravos (1Tm 6.1-2)
  • Falsos Mestres (1Tm 6.3-5)
  • Riquezas e Ricos (1Tm 6.6-19)
  • Discussões inúteis (1Tm 6.20-21; 2Tm 2.14-19)

g) Manter caráter e conduta irrepreensíveis

  • Fortalecendo-se e testemunhando de Cristo (2Tm 2.1-2)
  • Sofrendo, por amor a Cristo, e participando do sofrimento dos irmãos (2Tm 2.3)
  • Não perdendo o foco da missão (2Tm 2.4)
  • Sendo disciplinado e ético (2Tm 2.5-10)
  • Sendo fiel a Deus e perseverante (2Tm 2.11-13)
  • Fugindo das paixões infames (2Tm 2.20-23)
  • Sendo brando e manso (2Tm 2.24-26)

h) Resistir nos tempos difíceis (2Tm 3.1-17)

i) Perseverar firme na missão, até o fim (2Tm 4.1-8)

j) Nunca abandonar os companheiros de missão (2Tm 4.9-22)

Conclusão:

Igrejas precisam de líderes chamados e vocacionados por Deus, competentes e dedicados, que cuidem de si e das suas respectivas famílias, que além de fazer a obra, influenciem positivamente todos os que os cercam.


[1] Fonte: Billy Graham – Uma autobiografia – Ed. United Press – 1998
[2] Billy é o apelido ou abreviação de William

Mas o fruto do Espírito é….ALEGRIA

“Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio. Contra estas coisas não há lei.” (Gl 5.22-23)

Introdução

Não podemos confundir “FRUTO DO ESPÍRITO”, com seus 9 gomos (Gl 5.22-23), que são manifestações do caráter do crente regenerado pelo Espírito Santo, com os “DONS DO ESPÍRITO” que são capacitações do Espírito para as realizações na igreja. Também é necessário distinguir “dom natural ou talento”, de “dom sobrenatural ou espiritual”, em que pese o valor e utilidade de ambos a serviço da igreja. Podemos dizer que há 20 dons espirituais, os quais são mencionados nas Escrituras Sagradas em Romanos 12.6-8, 1Coríntios 12.8-10, 1Coríntios 12.28 e Efésios 4.11.

Duas palavras estarão aqui em foco: Fruto e Alegria.

A) FRUTO

O Fruto, na biologia vegetal ou botânica e humana:

O fruto tem origem na fecundação da flor através da polinização. Suas funções são de proteção e disseminação das sementes que ficam dentro dele, perpetuando sua espécie. Os frutos geralmente são carnosos, são suculentos, bastante hidratados e geralmente comestíveis. Exemplos: mamão, abacate, manga, etc. O fruto, além desse significado atrelado à biologia vegetal, na biologia humana refere-se a filho e prole.

O Fruto, numa visão mais geral:

O fruto também tem outros significados no cotidiano, tais como: 1)Lucro, resultado, produto. 2) Proveito, utilidade. 3)Vantagem. 4)Rendimento, renda de um capital, de uma fazenda. 5)Consequência, resultado.

O Fruto, numa visão Espiritual:

O fruto do Espírito corresponde a essas mesmas ideias. No processo da regeneração e novo nascimento, o Espírito Santo fecunda em nós a natureza divina. O fruto ou resultado ou consequência disso é um novo caráter que expressa esses 9 aspectos mencionados e revela a nossa nova identidade de filhos de Deus: “Assim, pois, pelos seus frutos os conhecereis.” (Mt 7.20). Da mesma forma que no reino vegetal, esse fruto protege a semente do evangelho e a dissemina. “Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros.” (Jo 13.35)

B) ALEGRIA:

1. O QUE É ALEGRIA?

Imaginem que a ALEGRIA resolvesse fazer uma selfie em grupo. Quem você acha que faria questão de aparecer na foto? Certamente a FELICIDADE, a SATISFAÇÃO, o CONTENTAMENTO, o REGOZIJO, o JÚBILO, o PRAZER etc. Até que ponto estas palavras são distintas ou expressam a mesma coisa, são sinônimas, pelo menos algumas delas? Nos dicionários é muito comum encontrar algumas sendo usadas como sinônimos da outra ou como definição da outra. Sou inclinado a pensar que algumas expressam melhor as reações ou respostas pontuais e momentâneas aos acontecimentos, enquanto outras expressam melhor o estado geral da pessoa.

  • Alguns dizem que não existe felicidade neste mundo.
  • Outros pensam que o ser humano é infeliz, mas com alguns momentos de alegria. Assim, quanto mais ele puder promover momentos de alegria, maior será o sentimento de um estado de bem-estar e felicidade.
  • Outros dizem que são felizes, mas com alguns momentos de tristeza.

O que nos gera alegria? Como obter alegria?

2. O ESTADO DE FELICIDADE

O estado de felicidade parece ter muito mais a ver com o TER do que com o SER e com a ESCALA DE VALORES que se estabelece para a vida, cedendo ou não a pressões da sociedade.

Imaginem que a nossa vida fosse uma conta bancária, aberta no momento do nosso nascimento, com um determinado e modesto valor de depósito. Assim, ao longo dos dias, os motivos geradores de alegria ou de tristeza atuariam como se fossem créditos e débitos, respectivamente, nessa conta. Desta forma, enquanto o saldo fosse positivo, caracterizaria um estado de felicidade; e, enquanto permanecesse negativo, um estado de infelicidade. A questão a se considerar é: qual seria o motivo de alegria ou de tristeza, correspondente a um crédito ou débito tão expressivo, que fosse incapaz de possibilitar a reversão de um saldo tão positivo ou tão negativo decorrente de tal crédito ou débito? Ou seja, algo que acarretaria um estado permanente de felicidade ou de infelicidade.

Quando o salmista Davi diz, “O SENHOR é o meu pastor; nada me faltará.” (Sl 23.1), você pode chegar a duas conclusões: 1) Nada me faltará, porque ele providenciará tudo aquilo que eu precisar para viver bem. 2) Ele é o meu pastor e isso me basta. A primeira interpretação se inclina para uma visão de Deus consumista e utilitarista: ele me dará todas as coisas!  A segunda se inclina para uma visão de Deus quanto à sua essência: ele é tudo, ele é o meu bem mais precioso, ele me basta! Vale lembrar as parábolas do tesouro (Mt 13.44) e da pérola (Mt 13.45-46) quando se desfaz de tudo por elas.

A reconciliação com Deus, por meio da obra redentora do Senhor Jesus Cristo, assegura que nós, os salvos, somos de Deus e ele é nosso, que estamos nele e ele está em nós, que recebemos de Deus tudo o que há de mais precioso e duradouro. Portanto, não há tristeza capaz de “negativar nosso saldo existencial”, mudar nosso estado de felicidade para infelicidade: nem a perda da saúde, de familiares ou amigos próximos, do emprego, de bens, da liberdade etc.

3. EM BUSCA DA ALEGRIA

Para tentar gerar um estado de felicidade, as pessoas correm atrás do vento, buscando motivos efêmeros de geração de alegria, através do TER, SER E FAZER.

A experiência de Salomão, narrada em Eclesiastes 2, expressa claramente a desilusão de quem busca a felicidade nas coisas materiais.

DIVERSÃO, BEBIDAS E PRAZERES:

1  Então resolvi me divertir e gozar os prazeres da vida. Mas descobri que isso também é ilusão.
2  Cheguei à conclusão de que o riso é tolice e de que o prazer não serve para nada.
3  Procurei ainda descobrir qual a melhor maneira de viver e então resolvi me alegrar com vinho e me divertir. Pensei que talvez fosse essa a melhor coisa que uma pessoa pode fazer durante a sua curta vida aqui na terra.

EMPREENDIMENTOS PROFISSIONAIS:

4  Realizei grandes coisas. Construí casas para mim e fiz plantações de uvas.
5  Plantei jardins e pomares, com todos os tipos de árvores frutíferas.
6  Também construí açudes para regar as plantações.
7  Comprei muitos escravos e além desses tive outros, nascidos na minha casa. Tive mais gado e mais ovelhas do que todas as pessoas que moraram em Jerusalém antes de mim.

RIQUEZA, ENTRETENIMENTO E PRAZER SEXUAL:

8  Também ajuntei para mim prata e ouro dos tesouros dos reis e das terras que governei. Homens e mulheres cantaram para me divertir, e tive todas as mulheres que um homem pode desejar.

PODER, FAMA, PROJEÇÃO HUMANA:

9  Sim! Fui grande. Fui mais rico do que todos os que viveram em Jerusalém antes de mim, e nunca me faltou sabedoria.
10  Consegui tudo o que desejei. Não neguei a mim mesmo nenhum tipo de prazer. Eu me sentia feliz com o meu trabalho, e essa era a minha recompensa.

DESILUSÃO, INUTILIDADE E FUTILIDADE:

11  Mas, quando pensei em todas as coisas que havia feito e no trabalho que tinha tido para conseguir fazê-las, compreendi que tudo aquilo era ilusão, não tinha nenhum proveito. Era como se eu estivesse correndo atrás do vento.

A Linha de Plimsoll.
LIMITES DE CARGA (Cultivando o contentamento ­– Gary Inrig)

Samuel Plimsoll carregava um fardo. Envolvido no comércio de carvão, no século 19, na Inglaterra, ele conscientizou-se dos terríveis perigos que os navegadores tinham que enfrentar. A cada ano, centenas de marinheiros perdiam suas vidas em navios perigosamente sobrecarregados. Os proprietários inescrupulosos desses navios, buscando lucros cada vez maiores, não se importavam em colocar a vida dos outros em risco. Navios carregados até quase a altura do convés deixavam o porto e afundavam no mar, fato bem recebido pelos proprietários, que recebiam grandes lucros das seguradoras. Em 1873, um número impressionante de navios, 411, afundaram levando consigo centenas de homens, para o sepultamento nas águas. Para piorar ainda mais as coisas, se um homem se alistasse para uma viagem, ele não podia desistir, por mais inseguro que considerasse o navio. A lei defendia com firmeza os proprietários e trocar de navio era um crime, não importava quão perigosa fosse a embarcação. No início dos anos de 1870, um de cada três prisioneiros do sudoeste da Inglaterra era um marinheiro que se havia recusado a servir nesses navios, que ficaram conhecidos como “caixões”.

Esse problema tornou-se uma missão para Plimsoll. Sua ideia era simples. Cada navio deveria ter uma linha limite de carga, que indicasse quando estaria sobrecarregado. Com isso em mente, Plimsoll concorreu às eleições do Parlamento, em 1868, e foi eleito (deputado). Ele começou imediatamente uma campanha intensiva para salvar as vidas dos marinheiros britânicos. Fez discursos veementes na Câmara dos Comuns e escreveu um livro que chocou o público diante da exposição daquelas terríveis condições. Gradualmente, conseguiu a aprovação da opinião pública e constrangeu o governo a tomar providências. Em 1875 foi aprovada a Lei dos Navios Inapropriados para o Mar. No ano seguinte, uma lei escrita por Plimsoll foi aprovada, que exigia uma linha para limite de carga. Porém, sob pressão de interesses comerciais, o Parlamento afrouxou a lei. Permitiu que o proprietário de um navio colocasse a linha onde desejasse.

Plimsoll seguiu lutando por mais 14 anos, até serem aprovadas leis que assegurassem que a linha seria colocada num nível que desse segurança para o navio. Com o tempo, a sua linha de carga tornou-se um padrão internacional. Hoje, em todos os portos do mundo você pode ver os resultados do trabalho de Plimsoll, o que fez com que ele fosse chamado de “O Amigo dos Marinheiros”. No corpo (casco) de cada navio de carga você verá a linha Plimsoll, indicando a profundidade máxima até onde um navio pode ser carregado legalmente e de forma segura.

A vida seria muito mais fácil se existisse uma marca Plimsoll para as pessoas. Navegar pela vida exige meios de segurança. … Não chegaremos a salvo ao nosso destino, a não ser que compreendamos a linha Plimsoll divina.”

Numa sociedade fundada sobre o consumismo crônico e compulsivo, como vamos estipular limites de carga? Quanto é suficiente, na mesa da cozinha? Quanto dinheiro, para compensá-lo pelo seu trabalho? Quanto tempo, deve dedicar à sua família? Quanta glória pública, para satisfazer o seu ego? Quantos títulos, para aprofundar o seu entendimento? Quantas coisas são suficientes para você? E, sem considerar quantas coisas já tem, como você encontra — e define — satisfação?

4. VIVENDO COM ALEGRIA

Nós, os salvos, precisamos estar atentos para não cair nessa cilada de passar a vida correndo atrás do que não se tem, esquecendo-se de desfrutar do que sem tem.

“Far-me-ás ver a vereda da vida; na tua presença há abundância de alegrias; à tua mão direita há delícias perpetuamente.” (Sl 16.11)
“porque o Reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo” (Rm 14.17).

Conta-se a história de uma menina cujo pai era um resmungão crônico. Certa noite, à mesa do jantar, ela anunciou com orgulho: “Eu sei o que todos na nossa família gostam!” Ela não precisou de nenhuma persuasão para revelar a sua informação: “João gosta de hambúrgueres; Cristina adora sorvete; Jaime ama pizza; e mamãe gosta de frango.” O pai esperava pela sua vez, mas não veio nenhuma informação. Ele perguntou: “Bem, e eu? Do que o papai gosta?” Com a inocência e a dolorosa perspicácia de uma criança, a menininha respondeu: “Papai, você gosta de tudo o que nós não temos!”

Alguém descreveu a nossa sociedade como “a sociedade do inextinguível descontentamento”. Somos incentivados a pensar que precisamos adquirir, consumir, melhorar e aumentar. Nesse contexto, é raro o conceito de “suficiente”. Ninguém está fazendo propaganda das virtudes do contentamento. Mas o Espírito Santo usa justamente essa palavra para colocar o dedo numa das questões mais significativas e sensíveis nas nossas vidas: “Porque nada temos trazido para o mundo, nem coisa alguma podemos levar dele. Tendo sustento e com que nos vestir, estejamos contentes.” (1Tm 6.7-8). “Seja a vossa vida sem avareza. Contentai-vos com as coisas que tendes; porque ele tem dito: De maneira alguma te deixarei, nunca jamais te abandonarei.” (Hb 13.5). No AT encontramos as palavras de Agur: “Duas coisas te peço; não mas negues, antes que eu morra: afasta de mim a falsidade e a mentira; não me dês nem a pobreza nem a riqueza; dá-me o pão que me for necessário; para não suceder que, estando eu farto, te negue e diga: Quem é o SENHOR? Ou que, empobrecido, venha a furtar e profane o nome de Deus.” (Pv 30.7-9). Estes versículos nos apontam para a necessidade de uma linha de Plimsoll nas nossas vidas, se esperamos navegar por uma cultura materialista, com sucesso.

Conclusão:

  1. Não confunda alegria com felicidade.
  2. Desenvolva um estilo de vida com limites.
  3. Cultive a generosidade e não a avareza.
  4. Valorize o que você tem, não o que poderia ter.
  5. Invista no que é eterno, não apenas no temporário.

 


Algumas definições:

ALEGRIA: Contentamento, júbilo, prazer moral. Regozijo. Divertimento, festa. Acontecimento feliz.

Antônimos: tristeza, desgosto.

FELICIDADE: Estado de quem é feliz. Ventura. Bem-estar. Contentamento. Bom resultado, bom êxito.

SATISFAÇÃO: Ato ou efeito de satisfazer ou de satisfazer-se. Qualidade ou estado de satisfeito; contentamento, prazer. Sensação agradável que sentimos quando as coisas correm à nossa vontade ou se cumprem a nosso contento. Ação de satisfazer o que se deve a outrem; pagamento. Prestar contas a outrem de uma incumbência; desempenho. Reparação de uma ofensa. Explicação, justificação, desculpa: Não deu satisfação dos seus atos a quem quer que seja. Alegria produzida pelo cumprimento de ação meritória que se praticou.

CONTENTAMENTO: Ação ou efeito de contentar. Estado de quem está contente. Alegria, satisfação.

 

A Liderança e a Glória de Deus

“Se alguém fala, fale de acordo com os oráculos de Deus; se alguém serve, faça-o na força que Deus supre, para que, em todas as coisas, seja Deus glorificado, por meio de Jesus Cristo, a quem pertence a glória e o domínio pelos séculos dos séculos. Amém!” (1Pe 4.11)

Introdução:

No ano de 2007 foi pedido a um grupo de estudantes que elegessem as 7 novas maravilhas do mundo. Foi aí que um deles deu uma resposta destoante dos demais, a saber: Ver, Ouvir, Tocar, Provar, Sentir, Rir e Amar. Num tempo de superproduções humanas, em todas as áreas; num tempo de avalanche de produtos tecnológicos, onde o mundo cabe dentro de uma tela, pequena como de um celular ou grande como de um televisor de 103 polegadas ou mais, que atenção estamos dando ao nosso Deus criador e aos seus feitos? Será que as realizações humanas estão ofuscando a glória de Deus, tal qual o céu de uma grande metrópole à noite é tão insignificante quando comparado ao céu estrelado de uma localidade no interior?

O Catecismo de Westminster inicia com uma significativa pergunta: “Qual é o fim supremo e principal do homem?” Ele mesmo responde, sabiamente: “O fim supremo e principal do homem é glorificar a Deus e gozá-lo para sempre.” E isso não é projeto pós-morte. Deve começar aqui e agora e continuar lá e então, na eternidade. Como é bom louvar a Deus assim…

Quão formoso és, Rei do Universo.
Tua glória enche a terra e enche os céus.
Tua glória enche a terra. (Sl 19.1)
Tua glória enche os céus.
Tua glória enche a minha vida Senhor.

Maravilhoso é estar em tua presença.
Maravilhoso é poder te adorar.
Maravilhoso é tocar as tuas vestes.
Maravilhoso é te contemplar Senhor.

três palavras que marcaram três momentos importantes na vida do povo de Israel. São três palavras que sintetizam o sucesso ou insucesso de três líderes na nobre e difícil tarefa de promover a glória de Deus no meio do povo. Estas palavras podem ser usadas para designar épocas ou tempos que se alternam e permeiam a história da humanidade. Essas épocas ou tempos trazem uma mensagem muito significativa para pastores, pais, professores, líderes e liderados na igreja.

1) Tempos de SHEKINAH

“A glória de Deus entre nós”

Esse termo – Shekinah – que não aparece na bíblia, diz respeito à manifestação visível da glória de Deus, isto é, Deus habitando no meio do seu povo. Creio que a humanidade foi presenteada pelo Deus Soberano com dois “Tempos de Shekinah inigualáveis”. Tempos para marcar indelevelmente a história humana.

Primeiro Tempo de Shekinah:

No livro de Gênesis há registro de que Deus se comunicou verbalmente, por sonhos e por anjos (Teofania[1]), com algumas pessoas. Entretanto, é a partir do livro de Êxodo, no período da liderança de Moisés, por cerca de 40 anos, que a Shekinah atinge o seu clímax no AT. A sarça que ardia e não se consumia era apenas o prenúncio do que viria pela frente. Após a partida do povo de Israel do Egito, sob a liderança de Moisés, a presença de Deus se manifestou de forma visível, através de uma coluna de nuvem (durante o dia) e de uma coluna de fogo (durante a noite). “O SENHOR ia adiante deles, durante o dia, numa coluna de nuvem, para os guiar pelo caminho; durante a noite, numa coluna de fogo, para os alumiar, a fim de que caminhassem de dia e de noite. Nunca se apartou do povo a coluna de nuvem durante o dia, nem a coluna de fogo durante a noite. (Êx 13.21-22). É impressionante a manifestação e movimentação da Shekinah, nessa forma (nuvem e fogo), até a morte de Moisés, para:

  • Proteção e Orientação do povo durante a viagem (Êx 13.21; 14.20);
  • Provisão de alimentos para o povo (Êx 16.10);
  • Atestar a liderança de Moisés diante do povo (Êx 19.9);
  • Atestar a Lei de Deus (Êx 19.16);
  • Falar com Moisés, na Tenda da Congregação (provisória) (Êx 33.9-11);
  • Habitação no Tabernáculo concluído (Ex 40.34-38; comp. Lv 16.2; Nm 9.16-22);
  • Unção dos 70 anciãos e superintendentes do povo (Nm 11.25);
  • Defesa da liderança de Moisés diante da crítica de Miriã (Nm 12.5);
  • Defesa da liderança de Moisés diante da rebelião de Coré, Datã e Abirão (Nm 16.42);
  • Falar pela última vez a Moisés, antes da sua morte (Dt 31.5).

Segundo Tempo de Shekinah:

O NT começa com um anjo aparecendo, pessoalmente, a Zacarias e a Maria; e a José, em sonho. Mas, finalmente nasce o Emanuel, Deus conosco (Mt 1.23). João assim se expressa: “E o Verbo se fez carne e habitou (tabernaculou) entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai.” (Jo 1.14). E, em Hebreus lemos: “Quando, porém, veio Cristo como sumo sacerdote dos bens já realizados, mediante o maior e mais perfeito tabernáculo, não feito por mãos, quer dizer, não desta criação,” (Hb 9.11).

A Shekinah encheu o Tabernáculo de Moisés (Êx 40.34), encheu o Templo de Salomão (2Cr 5.13b-14), encheu o Santuário do Tabernáculo Celestial (Ap 15.5, 8) e, quer encher a nossa vida: “…. Porque nós somos santuário do Deus vivente, como ele próprio disse: Habitarei e andarei entre eles; serei o seu Deus, e eles serão o meu povo.” (2Co 6.16). Também, cobriu o monte da transfiguração (Mt 17.5) e Jesus, na sua ascensão (At 1.9).

Qual a razão desses dois tempos especiais de Shekinah e o que eles têm em comum? Sem dúvida foram janelas de luz, clarões (Lei e Graça).

Aprouve a Deus realizar dois projetos especiais, envolvendo dois povos escolhidos, Israel e a Igreja, envolvendo propósitos soberanos de Deus de libertar e conduzir esses grupos do Egito (figura do mundo) para Canaã (figura do Céu). Na segunda Shekinah, somos chamados para fora do mundo (ou mundanismo) e para tirar o mundanismo de dentro de nós e, em seguida, somos enviados ao mundo, para pregar o Evangelho. Sem dúvida esses dois tempos de Shekinah se constituem em providências divinas para dar fundamento à nossa fé. Como foi o desempenho de cada líder?

Moisés não era um líder perfeito; mas, era especial para Deus: (Nm 12.6-9; Dt 14.10-12). Ele não admitia dar um só passo, sem a presença do Senhor com ele (Êx 33.15). Não se contentava apenas em falar com Deus face a face; ele queria vê-lo face a face (Êx 3318-23).

Jesus era e é o Filho de Deus, perfeito em todos os seus caminhos, que cumpriu cabalmente o seu ministério terreno. Em Apocalipse temos as 3 fases do seu ministério: “e da parte de Jesus Cristo, a Fiel Testemunha (SOFREDOR), o Primogênito dos mortos (GLORIFICADO) e o Soberano dos reis da terra (REI). Àquele que nos ama, e, pelo seu sangue, nos libertou dos nossos pecados, e nos constituiu reino, sacerdotes para o seu Deus e Pai, a ele a glória e o domínio pelos séculos dos séculos. Amém!” (Ap 1.5-6)

Há ainda um Terceiro Tempo de Shekinah profetizado:

Eis que vem com as nuvens, e todo olho o verá, até quantos o traspassaram. E todas as tribos da terra se lamentarão sobre ele. Certamente. Amém!” (Ap 1.7). É a Segunda Vinda do Senhor Jesus Cristo!

Esse tempo é poeticamente descrito no cântico dos Vencedores por Cristo:

Quando a glória do Senhor for vista,
por toda vista, em todo lugar,
quando a glória se perder de vista
como as águas cobrem todo o mar,
então de vida se encherá a terra,
de alegria e paz pra nunca mais faltar.
Cessado o pranto, a morte, a dor e a guerra,
o Rei, que é Cristo, sempre vai reinar.

 

2) Tempos de ICABÔ ou ICABODE

“Foi-se a glória de Deus”
“Mas chamou ao menino Icabô, dizendo: Foi-se a glória de Israel, porquanto a arca de Deus foi levada presa e por causa de seu sogro e de seu marido. E disse mais: De Israel a glória é levada presa, pois é tomada a arca de Deus.” (1Sm 4.21-22)

Depois de um período de glória, Tempo de Shekinah, que durou cerca de 40 anos, sob a liderança de Moisés, Israel permaneceu iluminado e fiel ao Senhor por algumas décadas, sob a liderança de Josué e dos anciãos superintendentes (Jz 2.6-9). Com a morte desses últimos, se levantaram gerações que não viveram aquele Tempo de Shekinah,  gerações más e idólatras, que desprezaram a aliança do Senhor. Durante o período dos juízes, de cerca de 325 anos, Israel viveu dias caóticos. Nesse período, o povo experimentou os sucessivos ciclos do fracasso humano e da graça divina: Pecado – Opressão/Servidão – Clamor/Arrependimento – Libertação – Paz temporária – Pecado ….. Essa repetição continuada se caracteriza por um verdadeiro apagão espiritual, no tempo do juiz e sacerdote Eli – sintetizado no nome Icabô ou Icabode dado ao menino que nascera, neto de Eli.

Vejamos alguns aspectos desse apagão espiritual: (serve de alerta a pais e líderes)

a) Abandono da lei de Deus, da Palavra de Deus, da Aliança com Deus;
b) Associação com pessoas de povos que não temiam a Deus; assimilação e prática dos seus maus costumes;
c) Liderança (Eli) que não conseguia distinguir fervor espiritual, de embriaguez etílica (1Sm 1.12-16);
d) Sacerdotes (filhos de Eli) que não se importavam com o Senhor e se apropriavam das ofertas dos sacrifícios trazidos pelo povo além do que a lei determinava (1Sm 2.12-17);
e) Sacerdotes (filhos de Eli) que se deitavam com as mulheres que serviam à porta da tenda da congregação (1Sm 2.22); (promiscuidade)
f) Liderança (Eli) que honrava os filhos mais do que a Deus e junto com eles se regalava com as melhores ofertas trazidas pelo povo (1Sm 2.29);
g) Liderança (Eli) que havia perdido o controle sobre seus filhos. Não estabeleceu limites na época certa. Seus filhos se tornaram execráveis e ele não os repreendeu (1Sm 3.13). Há pais com tamanho sentimento de culpa pela ausência na vida dos filhos, que quando presentes preferem deixar o barco correr, mesmo percebendo a necessidade e oportunidade de corrigir algum mau comportamento;
h) Tempo em que a palavra e as visões do Senhor eram raras (1Sm 3.1);
i)Povo que, quando em desvantagem na batalha contra os filisteus, achava que podia alcançar a vitória tão somente introduzindo no meio deles a Arca do Senhor (1Sm 4.3-4).

Os tempos de Icabô se caracterizam por completa falta de temor a Deus e banalização do sagrado. Culminou na derrota dos exércitos de Israel, morte dos execráveis sacerdotes Hofni e Finéias, filhos de Eli, perda da Arca e morte de Eli.

Apagão Espiritual => Apagão Ético e Moral => Corrupção em toda a parte => Destruição de um grupo, de uma organização, de uma sociedade, de uma nação. O exemplo maior ocorreu no dilúvio. Outros exemplos vêm acontecendo na história dos povos e sociedades (Sodoma e Gomorra / etc).

 

3) Tempos de EBENÉZER (Reavivamento)

“Até aqui nos ajudou o Senhor” (1Sm 7.12)
“A glória do Senhor outra vez entre nós”

Se os Tempos de Shekinah foram magníficos, não foram suficientes para evitar os Tempos de Icabô ou Icabode que vêm pontilhando a história do chamado povo de Deus. Tornou-se necessário contrabalançar esses tempos SEM GLÓRIA e SEM GRAÇA com os Tempos de Ebenézer.

Num tempo de apagão espiritual um homem temente a Deus, Elcana, conduzia continuamente sua família para o lugar de adoração ao Senhor em Silo, onde ficava o Tabernáculo (Js 18.1). Nesse mesmo tempo, Ana, sua mulher estéril, faz um voto a Deus de consagrar ao Senhor o fruto do seu ventre. E, assim, nasce Samuel, o 15º e último juíz (1Sm 7.6; At 13.20), o primeiro de uma ordem regular de profetas (1Sm 3.20; At 3.24; 13.20) e o elo entre a Teocracia e a Monarquia. Começa, então, mais um Tempo de Ebenézer, ou Tempo de Reavivamento (Santificação e Busca), ou Tempo de trazer de volta a glória do Senhor, ou Tempo de alcançar vitória sobre os inimigos, ou Tempo de fazer resplandecer a luz, sobre as trevas.

Desta forma, Deus tem usado os Tempos de Ebenézer para contrabalançar os Tempos de Icabô ou Icabode!

Período (aC) Duração (anos) Obs
1375 – 1050 325 15 juízes, de Otoniel à Samuel
1050 – 930 120 Reino Unido – 3 reis: Saul (M) / Davi (B) / Salomão (B=>M)
930 – 722 208 Reino do Norte – 19 Reis Maus
930 – 586 344 Reino do Sul – 20 Reis (12 Maus e 8 Bons)
605 – 430 175 Exílio e Retorno, até Malaquias, último profeta
430 – 6 aC 424 Período Interbíblico ou Intertestamentário (Silêncio profético)

Final do Império Persa, Império Grego, Independência Judaica e Início do Império Romano

No contexto da Reforma[2], quando a igreja oficial também ameaçava destruir o verdadeiro culto a Deus, aparecem em cena homens como: João Wyclif (1324-1384), Martinho Lutero (1483-1546), João Calvino (1509-1564) e João Knox (1515-1572).

Nos séculos 18 e 19, marcados por grandes avivamentos e expansão missionária, destacam-se: Jônatas Edwards (1703-1758), João Wesley (1703-1791), Guilherme Carey (1761-1834), Carlos Finney (1792-1875), Jorge Müller (1805-98), Davi Livingstone (1813-73), Hudson Taylor (1832-1905); Carlos Spurgeon (1834-92) e Dwight L. Moody (1837-1899).

 

Conclusão:

Finalmente, mais conscientes da importância da liderança e da sua influência sobre os liderados, no sucesso ou insucesso da promoção da glória de Deus, precisamos todos, líderes e liderados, seguir os sete conselhos do apóstolo Pedro em 1Pedro 4.7-11:

1º) Ter consciência de que o fim de todas as coisas está próximo;
2º) Ser criteriosos e sóbrios;
3º) Ter amor intenso uns para com os outros;
4º) Ser, mutuamente, hospitaleiro;
5º) Servir uns aos outros conforme o dom que recebeu;
6º) Falar de acordo com os oráculos de Deus;
7º) Servir na força e poder de Deus, procedendo, em todo o tempo, “para que em todas as coisas seja Deus glorificado, por meio de Jesus Cristo, a quem pertence a glória e o domínio pelos séculos dos séculos. Amém!”

Soli Deo Gloria!
……………………………..

[1] Teofania: Manifestação visível de Deus: a)com mensagem direta {Êx 19.9-25};  b)em SONHO com mensagem {Gn 28.12-17};  c)em visão com mensagem {Is 6.1-13}; d)com mensagem por um anjo {Êx 3.2-4.17}. O “ANJO do Senhor” é uma teofania que se enquadra nas características da segunda pessoa da Trindade {Gn 16.7-13; Êx 3.2-6; Jz 6}.

[2] Reforma: Lutero afixou as 95 teses na porta da igreja castelo em Wittenberg, Alemanha, em 31 de Outubro de 1517.


Catedral Presbiteriana do Rio
12/08/2007 – Culto Matutino (10h 15min) – Dia do Pastor e Dia dos Pais
Esboço da Mensagem pregada pelo Presbítero Paulo Raposo Correia

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