Igreja e Política – Pronunciar-se ou Silenciar-se?

O assunto CRISTÃO ou IGREJA e POLÍTICA é muito amplo e requer abordagens sérias e elucidativas. A relação do Cristão com o Estado é diferente da relação da Igreja com o Estado. Sendo o Estado laico não há que se pensar em interferência direta da instituição Igreja na Instituição Estado. O inverso também não é aceito. Sendo o Cristão um cidadão da pátria deve praticar uma cidadania responsável, exercendo os seus direitos constitucionais e legais, expressando-se de forma respeitosa, dentro dos limites da lei, com base em fatos e dados verdadeiros, participando diretamente (ou não) das instituições públicas e da política, também cuidando de cumprir os seus deveres; mas sempre fazendo a diferença, dando um bom testemunho da sua ética cristã.

E a instituição Igreja? Qual deveria ser o seu papel na política, em relação a atuação do Estado? Deve pronunciar-se ou silenciar-se? Deve cuidar apenas do que diz respeito à ortodoxia e à ortopraxia, nos limites da sua membresia ou no campo da religião, ou avançar na direção do ambiente sócio-político? Como deve ser a relação entre Igreja e Estado, Fé e Política?

1. O que é política?

Antes de tudo torna-se necessário purgar e desmistificar o termo “política”. A estreita associação deste termo a vários políticos desqualificados ou a certos partidos políticos abjetos, contaminou-o de tal forma que passou a ser visto por muitos com algo repulsivo e repugnante.

O termo política pode ter vários significados diferentes, mas tem um significado principal. “O termo política é derivado do grego antigo πολιτεία (politeía), que indicava todos os procedimentos relativos à Pólis, ou cidade-Estado grega. Por extensão, poderia significar tanto cidade-Estado quanto sociedade, comunidade, coletividade e outras definições referentes à vida urbana.”[1] Está intimamente ligado ao ato de governar, de tomar decisões em nível federal, estadual e municipal, para o bem comum de todos os cidadãos. O termo também pode ser estendido ao governo ou gestão de qualquer instituição ou organização ou empresa pública ou privada, que também devem visar o bem comum. Portanto, governantes e gestores precisam sempre ter em vista o atendimento dos interesses legítimos dos cidadãos, dos servidores, dos empregados. O termo também pode ser aplicado aos relacionamentos entre as pessoas, quando buscam um consenso ou objetivo em comum, atendendo assim os interesses das partes. Política é a arte do possível! A política se faz presente em todo o tempo e em todas as fases da nossa vida. Quando argumentamos, quando defendemos uma ideia, quando tentamos convencer alguém, estamos fazendo política. Vejam que o foco da política são as ações ou tomada de decisões para o bem comum. Neste sentido, até a investida num pedido de namoro ou de casamento podem ser considerados no conceito de política.

Retornando à questão do governo das cidades, se está em foco o bem comum dos cidadãos, torna-se necessário e é natural que este cidadão se faça representar no governo, o que ocorre num regime democrático através do voto do cidadão civilmente capaz.

“Política Eclesiástica” é uma expressão que as vezes pode ter um sentido pejorativo. Certamente será considerada de forma positiva quando buscar o convencimento, o senso comum, na tomada de decisões para o bem comum e que estejam totalmente alinhadas e alicerçadas na palavra de Deus, nossa regra infalível de fé e prática. Por outro lado, poderá ser um desastre na vida da igreja quando envolver interesses e caprichos pessoais e escusos, negociação de cargos em troca de benefícios, projeção humana em detrimento da glória de Deus, o bem de algum grupo de afinidade e não o bem comum,  a violação de princípios e valores bíblico-cristãos.

2. A trajetória do poder político na história.

A luta pelo poder político, os meios para se chegar ao poder e impor sua vontade e dominar comunidades tem sido uma prática constante desde o início da história. Várias são as formas que têm sido empregadas para se fazer política. A história humana começou com uma família. Então, ali prevalecia o poder político patriarcal familiar. As famílias se multiplicaram e constituíram tribos. Em cada tribo o poder político era exercido pelo líder e/ou o conselho tribal. Com o crescimento populacional, os povos primitivos, as sociedades humanas, as civilizadas, as bárbaras e as selvagens, foram se organizando, cada qual com seu poder político estabelecido ainda que rudimentar. Desde então, várias formas de governo têm sido praticadas no mundo.

Vale lembrar que o objetivo desse poder político é manter a ordem por meio de leis e regras, garantir a unidade e integridade combatendo levantes internos e a defesa contra invasões externas, e promover o desenvolvimento e bem-estar da sociedade.

Esse poder político tem sido exercido ao longo da história por líderes-ditadores (reis, imperadores etc.), às vezes assessorados por conselheiros próximos. Nesses casos o entendimento do tal “bem comum” é definido unilateralmente pelos tais governantes, sem a participação popular.  O povo de Israel inicialmente estava sob a liderança de um governo teocrático. Deus estabelecia o líder visível e governava através deste, orientando-o diretamente. Permaneceu assim até que o povo clamou por um rei e Deus o atendeu, estabelecendo a monarquia, sendo Saul o primeiro rei.

Os historiadores nos dão conta de que por volta do século V ou VI a.C. surgiu em Atenas, na Grécia Antiga, o regime de governo denominado de “democracia” ou “governo do povo” (demos=povo + kracia=poder). “Democracia é um regime político em que todos os cidadãos elegíveis participam igualmente — diretamente ou através de representantes eleitos — na proposta, no desenvolvimento e na criação de leis, exercendo o poder da governação através do sufrágio universal. Ela abrange as condições sociais, econômicas e culturais que permitem o exercício livre e igual da autodeterminação política.”[2]. Ainda que outras formas de governo coexistam no mundo, a sociedade moderna parece convergir no sentido de admitir que a democracia não é um sistema de governo perfeito, mas é o menos ruim. “O sistema democrático contrasta com outras formas de governo em que o poder é detido por uma pessoa — como em uma monarquia absoluta — ou em que o poder é mantido por um pequeno número de indivíduos — como em uma oligarquia. No entanto, essas oposições, herdadas da filosofia grega, são agora ambíguas porque os governos contemporâneos têm misturado elementos democráticos, oligárquicos e monárquicos em seus sistemas políticos. Karl Popper definiu a democracia em contraste com ditadura ou tirania, privilegiando, assim, oportunidades para as pessoas de controlar seus líderes e de tirá-los do cargo sem a necessidade de uma revolução.”[3]

Tudo o que tem sido exposto até aqui é apenas um verniz histórico e conceitual que cobre esse complexo tema do poder político para enfatizar as forças que atuam e exercem influência na sociedade e sobre os cidadãos, dentre eles os cristãos. Precisamos conhecer essas forças, bem como o regime ao qual os cidadãos e a igreja estão sujeitos, bem como nossos limites para ação ou manifestação cidadã ou institucional.

3. O papel da igreja frente ao Estado.

O poder político não é a única forma de poder e de autoridade existente na sociedade. Há, também, autoridade religiosa, familiar, econômica, dentre outras. Diversas são as associações que os cidadãos firmam, porém queremos destacar aqui, além da instituição Estado, a instituição Família e a instituição Igreja (ou religiosa). O Estado exerce o poder político sobre todas as áreas, instituições e pessoas, através dos poderes constituídos – Executivo, Legislativo e Judiciário. Entretanto, deve haver limites na interferência do Estado sobre a Família e a Igreja. A recíproca também é verdadeira.

A grande questão que se coloca e que tem sido motivo de muita polêmica é o potencial de influência efetiva de cada uma dessas três instituições basilares sobre o cidadão! Estados totalitários, como os comunistas, farão de tudo para anular o poder de influência da família e da igreja sobre os cidadãos. Ideologias autodenominadas como “progressistas” farão de tudo para desconstruir as instituições família e igreja e, assim, anularem essas possibilidades de influência. Eles querem dominar as mentes dos cidadãos e sabem muito bem do obstáculo que igreja e família representam. Quando um governo se levanta com uma bandeira em prol da defesa da igreja e da família, de valores judaico-cristãos, sem dúvida provocará a reação de todas as forças alinhadas com as trevas e o inferno.

É fato inquestionável que desde o início dos tempos, no Éden, encontramos o propósito de Deus de inculcar na mente humana a sua “política existencial”, para o bem comum. Por outro lado, desde então encontramos, também, Satanás propagando a sua “política existencial” nefasta e destruidora, visando o afastamento da criatura do seu Criador. As formas e os meios utilizados para esses dois propósitos opostos variarão, mas prevalecerão até o final dos tempos.

Outro aspecto extremamente relevante nesses tempos de pós-modernidade é o “poder político” exercido pelos blocos econômicos e pelos veículos de comunicação de massa. Estes poderes são capazes de ultrapassar qualquer limite territorial, cultural, ético, moral, linguístico etc., e financiar ou propagar ideias, ideologias, usos e costumes que atendam seus interesses e moldem a mente dos cidadãos de qualquer nação. Daí a importância de um  Estado independente e honesto que atue eficazmente na regulação da ação das instituições, inibindo investidas que atentem contra os valores basilares da sociedade, preservando o bem comum.

Portanto, diante de tantos desafios e ameaças ao propósito divino para a humanidade, entendemos que a igreja, como instituição, deveria considerar seriamente os seguintes aspectos, dentre outros contemplados no documento do Supremo Concílio da IPB e transcrito no artigo “Igreja e Política – Mídia Tendenciosa” publicado neste blog em 11/02/2020:

a) Não se alienar dos acontecimentos e fatos que afetam a sociedade e os cidadãos, fechando-se e limitando-se aos aspectos teológicos e religiosos.

b) Sendo o Brasil um Estado laico, manter-se independente e distante do Estado e dos Partidos Políticos, jamais buscando aproximação que lhe renda benécias e vantagens, principalmente as financeiras ilícitas ou não convenientes.

c) Manifestar seu apoio àquelas iniciativas governamentais – propostas, pautas, bandeiras ou agendas – que estejam claramente definidas e alinhadas como os ensinos da bíblia e nossa herança judaico-cristã-reformada.

d) Pronunciar-se nos púlpitos e publicamente como voz profética, de forma lúcida, coerente e respeitosa, em tempo oportuno, quanto àquelas grandes questões que violem nossa herança judaico-cristã-reformada, contrariando princípios e valores de ética, da moral, da justiça, da liberdade, da igualdade, da dignidade humana e da fraternidade.  

Que assim Deus no ajude, iluminando nossas lideranças eclesiásticas a não se omitirem naquilo que precisa ser dito, e nem a extrapolarem se pronunciando em assuntos e áreas que não são de sua competência. Afinal, fomos chamados pelo nosso Mestre para sermos Sal da Terra e Luz do Mundo!


[1] Wikipédia
[2] Wikipédia
[3] Wikipédia

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Veja também:
Igreja e Política – Mídia Tendenciosa

Outros temas a serem desenvolvidos:
Cristão e Política – Pronunciar-se ou silenciar-se?
Cristão e Política – Participação ou distanciamento?
Cristão e Comunismo – Como conciliar?

Caderneta de Oração

Apresentação

 

Esta publicação foi elaborada com o simples propósito de servir de apoio a este momento tão relevante na vida espiritual do cristão, facilitando o registro e a lembrança de assuntos para oração, inclusive aqueles recomendados nas Sagradas Escrituras.

 

O agrupamento de assuntos sob temas específicos (pessoal, família, igreja, reino de Deus, nação, instituições, autoridades) permitirá maior foco e atenção. A distribuição dos temas pelos dias da semana poderá favorecer a sua realização diante da realidade das demandas da agenda diária de cada um.

 

“Tu, porém, quando orares, entra no teu quarto e, fechada a porta, orarás a teu Pai, que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará.” (Mt 6.6)


 

(Clique no link abaixo para baixar o arquivo)

Caderneta de Oração: CadernetaDeOração_2.pdf

Sugestões:

  1. Imprima em papel tamanho A5 (148 mm x 210 mm) – metade do A4.
  2. Imprima a capa e a contracapa em papel com acabamento fotográfico.
  3. Utilize capa para encadernação transparente (antes da capa e depois da contracapa).
  4. Encaderne com uma espiral na lateral esquerda ou no topo da caderneta.
  5. Outra opção é colocar as folhas num pequeno fichário com sacos plásticos tamanho A5.
  6. Por fim, você também pode imprimir em papel A5 180g e usar na forma de cartões.

Obs.: Imprima individualmente tantas folhas com MOTIVOS ESPECÍFICOS e RESPOSTAS DE ORAÇÃO, quanto precisar.

2ª Edição: 10/06/2020 (ajustes no conteúdo e no formato das tabelas)
1ª Edição: 07/06/2020 (lançamento)

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Veja, também, neste blog o Plano de Leitura Bíblica em 2 Anos.

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Um governante perseguido

UM GOVERNANTE PERSEGUIDO

Um título mais hollywoodiano seria – Perseguição implacável

Introdução

Acompanhe, a seguir, as características de um governante e sua história de vida. Aguce sua percepção, refreie sua curiosidade e ansiedade para descobrir de quem estamos falando. Pense nas lições que podemos extrair desse texto.

Para sermos mais didáticos, vamos dividir a narrativa em capítulos.

Capítulo 1

Não, no início ele não era famoso, não era alguém de nobre nascimento, não era e não tinha a intenção de ser um intelectual influente, um filósofo ou alguém rebuscado e erudito no falar. Pode-se dizer que se trata de um homem simples, muito identificado com o seu povo, um patriota. Alguém que exercia sua função, no lugar onde fora posto, com muita dedicação. Um servidor fiel e confiável que tão somente desejava cumprir suas obrigações da melhor forma possível. Sua honestidade e sua reputação ilibada o mantinha naquela função.

Num certo dia as coisas começaram a tomar um novo rumo em sua vida. Tomando conhecimento e avaliando mais profundamente o estado de grande miséria em que sua pátria amada se encontrava ficou consternado, abalado e triste com tal situação. Ele tinha plena consciência das causas que levaram sua nação a este estado deplorável. O seu espírito se agitou e o inquietou pois percebia o quanto era difícil para qualquer ser humano reverter essa situação. Na sua angústia e inconformismo lembrou-se de que existe um Deus que está acima de tudo e de todos. Somente este Deus Criador e Sustentador poderia perdoar todas as transgressões do seu povo, todas práticas horrendas daqueles que haviam governado sua nação, todo o abandono das leis divinas, bem como princípios e valores.

Capítulo 2

Sua vida não seria mais a mesma, seu semblante mudou, sua inquietação interior não podia mais ser contida. Então, ele começou a compartilhar os seus sentimentos com os mais próximos a ele e se propôs a fazer algo para reverter aquele quadro desesperador e sombrio. Estava disposto, como qualquer bom soldado o faria, a lutar e até morrer pela causa maior de restaurar sua nação, de tirar o seu povo daquele estado de desprezo e abandono e devolver-lhe a dignidade e honradez.

A caminhada em direção à essa grande obra de reconstrução nacional estava começando. Ele não tinha muitos recursos próprios para levar a cabo tal empreendimento, mas esperava contar com a ajuda dos seus apoiadores e, sobretudo, com a boa mão de Deus. Ele cumpriu todas as formalidades legais e assumiu o governo da sua pátria amada. É claro que os seus inimigos e os inimigos da pátria ficaram tremendamente irritados com essa sua determinação de fazer o bem, de verdade, ao seu povo, bem como de promover a ordem e o progresso da sua pátria amada. Então, os seus inimigos maquinaram: – Como não foi possível evitar que ele assumisse o governo, vamos fazer tudo para impedi-lo de governar.

Antes de tomar posse ele trouxe para perto de si algumas poucas pessoas que começaram a analisar juntamente com ele a profundidade e a precariedade da situação, e a planejar os próximos passos.

No seu discurso de posse ele falou a todos deste estado de miséria nacional  e de como se sentia um escolhido de Deus e por ele investido dessa árdua missão de restaurar a nação. Assim, ele convocou a cada um compatriota a se unir a ele nesse propósito.

Os inimigos do bem da pátria zombaram de tudo isso e o desprezaram do mais profundo das suas almas. Não encontrando motivo para acusá-lo, vendo sua coragem e determinação em cumprir aquela missão, procuraram colar nele a imagem de rebelde à Ordem Superior, de autoritário ou fascista. Sua resposta aos inimigos era no sentido de mostrar-lhes que Deus estava nessa obra, a obra seria feita e que eles não teriam parte nela.

Capítulo 3

O trabalho de reconstrução nacional não se faz com apenas uma pessoa, um governante e seus auxiliares próximos. É obra para ser feita com a colaboração de todos, de toda a nação, pois é de interesse de todos. Se a nação for bem, todos serão beneficiados. Daí a convocação geral do nosso governante até agora oculto.

E o povo se engajou na obra, cada um no seu lugar. Os líderes religiosos colocaram as mãos na obra. Os grandes e pequenos empresários, os profissionais liberais e os autônomos, a classe trabalhadora, os ricos e os pobres, enfim, todos se uniram ao seu governante e fizeram a sua parte na obra. E a obra estava se desenvolvendo muito bem.

Capítulo 4

Tendo a obra progredido, como era de se esperar, despertou a ira e indignação dos inimigos do bem da pátria amada. E zombaram dos apoiadores do governante e duvidaram da solidez do trabalho que era realizado por eles, para desanimá-los e desmotivá-los, mas não lograram êxito.

Percebendo que a reconstrução nacional caminhava bem, que o establishment (a ordem ideológica, econômica, política e legal que constitui uma sociedade ou um Estado)  até então predominante estava sendo substituído por outro contrário aos seus interesses; que a nação estava fortalecendo as suas fronteiras; os inimigos do bem da pátria amada ficaram ainda mais irados e resolveram unir todas as forças de oposição ao governo e, de comum  acordo, ataca-lo e criar confusão ali.

Diante de cada nova ameaça dos inimigos, o governante não se abatia e não deixava de confiar em Deus e se preparava para o combate. Ele era a favor do armamento e fortalecimento das famílias, como forma de defesa ao ataque inimigo. Naquele cenário ele defendia não só a posse como também o porte de arma. Assim incentivou todo o povo a se armar e a lutar, cada um por sua família e a ajudar o seu vizinho se este fosse atacado. As pessoas de bem entendiam claramente que isso não era um discurso de ódio, mas apenas uma forma de prevenção e defesa ao ataque do inimigo.

Capítulo 5

Os desafios dessa reconstrução nacional eram muitos. O clamor do povo por causa dos altos impostos chegou aos ouvidos daquele governante que logo ficou sensibilizado. Ele próprio vivia uma vida simples e austera, o que lhe conferia autoridade para lutar contra toda a sorte de exploração do povo, principalmente por parte de algumas classes do próprio povo, como os magistrados. Ele tinha a coragem de enfrentar e repreender verbalmente essa classe de aproveitadores do Estado e as pessoas de bem também não viam nisso um discurso de ódio. E ele lembrava a todos que os governantes que vieram antes dele oprimiam e exploravam o povo, mas ele estava fazendo diferente, por temor a Deus e por respeito aos seus princípios.

Capítulo 6

Não foram poucos os planos arquitetados, pelos inimigos da pátria amada, contra aquele governante. Quanto mais a obra progredia, mas investidas aconteciam. Eles o chamaram várias vezes para conversar, quem sabe para negociar o “toma lá, dá cá”, mas ele se recusava a ir.

Tentaram de tudo para denegrir sua imagem de homem honesto e patriota, procurando tirá-lo do foco na missão, mas não obtiveram êxito. Armaram uma cilada para que ele transgredisse preceitos religiosos, à guisa de proteção da sua vida, mas não lograram êxito, porque a mão de Deus estava com ele. Os inimigos da pátria amada tinham contatos infiltrados e próximos ao governo, mesmo assim não tiveram sucesso.   

Capítulo 7

Por fim, terminada a parte inicial da missão, este governante, no exercício pleno da sua competência, nomeou pessoas muito próximas a ele, do seu relacionamento direto, de sua total confiança, para cuidarem da área de segurança pública. O povo não questionou e os magistrados não interferiram pois essa era e é uma prática comum em todos os tempos e nas nações.

E, assim, aquele governante partiu para a realização de novas etapas da missão, amparado pelo povo e com Deus acima de tudo e todos.

Conclusão:

Quais lições podemos extrair desta narrativa?

1. Deus está no controle e governo da história e quer o melhor para as suas criaturas.

2. A ruína de uma nação é consequência de governantes perversos e de povo depravado.

3. O bem-estar de uma nação depende de governantes e povo unidos em prol do bem comum, sob a bênção de Deus.

4. Sempre haverá opositores, mas estes nunca prevalecerão ou frustrarão os propósitos soberanos de Deus.

5. Se opor a um governante instituído pela vontade ativa ou permissiva de Deus pode significar uma oposição ao próprio Deus.

6. O que realmente importa não é gostar ou deixar de gostar de um governante, mas estar alinhado e apoiando tudo aquilo que o seu governo estiver realizando para o bem comum e que não contrarie a vontade de Deus expressa nas Sagradas Escrituras (Bíblia), bem como se manifestando de forma equilibrada e respeitosa quando do contrário.

7. É bom nunca perder de vista o que  Jesus Cristo disse, que uma casa dividida contra si mesma não subsistirá (Mt 12.25).


Nosso desafio:

Por fim, eu pergunto: descobriu qual o personagem de que trata a narrativa acima? Escreva o nome dele no campo de comentários. Daqui a 7 dias eu libero os comentários e revelo o nome dele.

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Resposta ao desafio:

O nome do governante neste artigo é NEEMIAS. No primeiro versículo, o livro de NEEMIAS já revela o nome do seu autor: “As palavras de Neemias, filho de Hacalias. No mês de quisleu, no ano vigésimo, estando eu na cidadela de Susã,” (Ne 1.1). O nome Neemias significa “Yahweh ou Javé consola”. Neemias era um judeu que teria nascido no exílio no ano de 475 aC. Tinha, portanto, aproximadamente 30 anos de idade quando foi nomeado governador de Judá (Ne 5.14; 8.9), exercendo até aquele momento a função de copeiro do rei Artaxerxes I (Ne 1.11). O copeiro-mor ou copeiro-chefe era o principal dos copeiros (Gn 40.9). É provável que Neemias fosse um copeiro-chefe. Sua função era comprovar que a bebida do rei não estava envenenada. Esta função de extrema confiança lhe oferecia a oportunidade de convívio direto com o rei e, dentre outros privilégios, o de ser mais um dentre os seus conselheiros. Neemias pode ser visto neste livro como um homem simples, humano, de caráter, temente a Deus e de oração, determinado, persistente, patriota, corajoso, empreendedor, de visão, hábil nas relações interpessoais, hábil na solução de problemas, agregador, articulado, hábil no quesito “fazer fazer”, disposto a realizar a vontade de Deus (Ne 2.12; 7.5).

Cada capítulo deste artigo corresponde a uma síntese do respectivo capítulo do Livro de NEEMIAS.

Qualquer semelhança desta descrição com a de outro governante é mera coincidência….ou será que não!?….

No link a seguir você poderá encontrar um comentário bíblico objetivo sobre o Livro de Neemias.

https://pauloraposocorreia.com.br/category/e-comentarios/neemias/

A cura do cego de nascença

A CURA DO CEGO DE NASCENÇA (Jo 9. 1-41)
Uma ilustração da redenção do homem e suas consequências.

Introdução

Ainda na festa dos tabernáculos, num contexto de muitas discussões sobre a autenticidade messiânica de Jesus, João apresenta uma narrativa extensa sobre um grande milagre operado por Jesus dando visão a um cego de nascença, o único caso, entre os  sete casos registrados pelos evangelhos (Mt 9.27 [2]; Mc 8.22; Mt 12.22; 20.30 [2] e Jo 9.1).  O milagre em si e a narrativa cumpriram o importante papel de testificar que Jesus era verdadeiramente o Messias, porquanto, homem algum, nem mesmo possuído por Satanás, havia curado um cego de nascença.

Há muito mais neste texto do que uma cura de Jesus. Jesus ilustra a sua missão como “Luz do Mundo” (Jo 9.5), concedendo a visão física, a um cego de nascença e, em seguida, completa a obra, concedendo a visão espiritual. A riqueza de detalhes encontrados nesta história nos conduz aos elementos característicos da operação divina no homem, uma ilustração da redenção do homem e suas consequências. A redenção….

a) É resultado da iniciativa de Deus (v.1a)

1a  Caminhando Jesus, viu….

O olhar de Jesus é diferente: penetrante (vê o interior, pesa os sentimentos e  amarguras da alma) e ativo (contempla, se  compadece, se aproxima e auxilia).

Deus também viu que não havia um mediador humano, alguém com as qualificações necessárias para a tão elevada missão de salvação, então, ele próprio a providenciou enviando o seu Filho, Jesus Cristo, como mediador e salvador, no seu primeiro advento: “Viu que não havia ajudador algum e maravilhou-se de que não houvesse um intercessor; pelo que o seu próprio braço lhe trouxe a salvação, e a sua própria justiça o susteve.” (Is 59.16). O mesmo profeta Isaías complementa: “O SENHOR desnudou o seu santo braço à vista de todas as nações; e todos os confins da terra verão a salvação do nosso Deus.” (Is 52.10). Foi essa  visão divina que trouxe Jesus ao mundo (Sl  14.2-3; Gl 4.4; Hb 1.1-3).

b) É focalizada na necessidade humana (v.1b)

1b ….um homem cego de nascença.

A necessidade humana é aqui contemplada por Jesus; e, pela trindade santa, desde sempre. Já nascemos em pecado, portanto, somos pecadores de nascença, conforme confessou o rei Davi: “Eu nasci na iniquidade, e em pecado me concebeu minha mãe.” (Sl 51.5). E, o apóstolo Paulo conclui: “como está escrito: Não há justo, nem um sequer,  não há quem entenda, não há quem busque a Deus; todos se extraviaram, à uma se fizeram inúteis; não há quem faça o bem, não há nem um sequer, pois todos pecaram e carecem da glória de Deus,  sendo justificados gratuitamente, por sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus,” (Rm 3.10-12, 23-24). É assim que todos somos encontrados e contemplados pela visão divina desde o nosso nascimento. Não é correto pensar e acreditar que a natureza humana é essencialmente boa. Claro que não é! Isso é discurso mentiroso de uma religião falsa que quer agradar as pessoas e cooptar adeptos.

c) É de acordo com a vontade de Deus (vv. 2-3)

2  E os seus discípulos perguntaram: Mestre, quem pecou, este ou seus pais, para que nascesse cego?

Havia falsas crenças entre os judeus de que a doença e o sofrimento eram resultado de uma punição pelo pecado praticado pela pessoa em alguma outra existência passada ou resultado do pecado praticado pelos pais. A primeira tem a ver com a doutrina da reencarnação e a segunda com a chamada maldição hereditária (ver Ex 20.5; 34.7; Nm 14.18; Dt 5.9; Ez 18.2).

3  Respondeu Jesus: Nem ele pecou, nem seus pais; mas foi para que se manifestem nele as obras de Deus.

Jesus, em sua resposta, descarta as duas supostas alternativas determinantes do sofrimento humano. Deus está no controle e pode transformar em bem aquilo que parece mal e cruel aos olhos humanos. Deus tinha um propósito na vida daquele cego e com aquele milagre de cura.

d) É para ser agenciada em caráter de urgência (vv. 4-5)

4  É necessário que façamos as obras daquele que me enviou, enquanto é dia; a noite vem, quando ninguém pode trabalhar.
5  Enquanto estou no mundo, sou a luz do mundo.

Jesus mesmo se declara a “luz do mundo”, pois veio ao mundo para abrir os olhos aos espiritualmente cegos: “Prosseguiu Jesus: Eu vim a este mundo para juízo, a fim de que os que não veem vejam, e os que veem se tornem cegos.” (Jo 9.39). Ele tinha pressa em realizar sua missão pois tinha consciência da exiguidade do seu tempo entre nós e da urgência em viabilizar a salvação de todo aquele que crê.

e) É através de Jesus (v. 6)

6  Dito isso, cuspiu na terra e, tendo feito lodo com a saliva, aplicou-o aos olhos do cego,

O método divino aqui utilizado pode até causar estranheza ou repulsa em algumas pessoas. Quem sabe se alguns circunstantes, vendo aquele “ritual grotesco”, censuraram veladamente ou abertamente a Jesus, julgando que tal ato se revestia da intenção de impor humilhação ao pobre homem que nem sequer podia ver o que o Mestre fazia? Só a mente divina é capaz de entender a razão ou motivação de tal ritual de cura. Como a imaginação não tem limites e pode até ganhar asas e flutuar na vastidão do espaço das ideias, sem compromisso com a exata, mas nem sempre disponível, interpretação teológica,  arrisco compartilhar aqui a seguinte ideia. Jesus, o também Deus-Criador, temporariamente encarnado, reproduz diante de todos o ato criativo do gênesis, desta vez cuspindo e manuseando outra vez a terra, o barro, para aplicar e restaurar o órgão defeituoso daquele homem. No início Adão foi formado do barro, do pó da terra, mas teve o toque e o sopro de vida divinos! Da mesma forma este cego recebe o toque divino para que a luz divina adentre o seu ser.

Por falar em método estranho, o apóstolo Paulo também menciona, por diversas vezes, que a mensagem do Evangelho, a pregação da Cruz é loucura para os que se perdem, para aqueles que acham que têm boa visão, mas que permanecem cegos espiritualmente. “Visto como, na sabedoria de Deus, o mundo não o conheceu por sua própria sabedoria, aprouve a Deus salvar os que creem pela loucura da pregação.” (1Co 1.21, ver 1Co 1.18-25; 2.14).

f) É recebida através da obediência do homem (v. 7)

7  dizendo-lhe: Vai, lava-te no tanque de Siloé (que quer dizer Enviado). Ele foi, lavou-se e voltou vendo.

Antes de prosseguir é importante esclarecer que, segundo a hermenêutica bíblica, que é a ciência, a arte de interpretação das Sagradas Escrituras, as parábolas proferidas por Jesus são narrativas alegóricas destinadas a transmitir verdades e conceitos gerais importantes. Portanto, não tiveram o propósito de servir de fonte de doutrina da fé cristã para a igreja, nem tampouco os detalhes e pormenores das narrativas se prestam a isso. O que estamos fazendo aqui é, a partir da doutrina exposta nas Epístolas doutrinárias, identificando e destacando de forma reversa alguns aspectos da redenção humana.

Isso posto, que fique claro que a salvação é obra exclusiva de Deus; portanto, não depende das obras humanas: “que nos salvou e nos chamou com santa vocação; não segundo as nossas obras, mas conforme a sua própria determinação e graça que nos foi dada em Cristo Jesus, antes dos tempos eternos,” (2Tm 1.9). Deste versículo 7 podemos destacar dois aspectos importantes:

  • Submissão ao método divino.

Quem é o ser humano para questionar o método divino? Sendo Deus a parte ofendida só ele poderia estabelecer as regras e condições para que o homem voltasse a ter comunhão com ele. Estas regras e condições incluíam a necessidade de um mediador com as características de Jesus. Conforme já comentamos, isso é loucura para os que se perdem!

  • Recepção e Obediência à palavra de Jesus.

O homem cego nem sabia ao certo tudo o que estava acontecendo. Ele recebeu o toque de Jesus, ouviu a sua palavra, recebeu-a em sua mente e coração, creu nela e obedeceu. Jesus nos ensinou assim: “Em verdade, em verdade vos digo: quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna, não entra em juízo, mas passou da morte para a vida.” (Jo 5.24). E o apóstolo Paulo acrescenta: “E, assim, a fé vem pela pregação, e a pregação, pela palavra de Cristo.” (Rm 10.17). Os ensinos de Jesus enfatizam a importância do arrependimento, do crer nele e na sua palavra, do recebe-lo e da obediência à vontade de Deus: “Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que creem no seu nome; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus.” (Jo 1.12-13)

O lavar neste texto nos leva a pensar no lavar regenerador do Espírito Santo: “não por obras de justiça praticadas por nós, mas segundo sua misericórdia, ele nos salvou mediante o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo,” (Tt 3.5); “Tais fostes alguns de vós; mas vós vos lavastes, mas fostes santificados, mas fostes justificados em o nome do Senhor Jesus Cristo e no Espírito do nosso Deus.” (1Co 6.11)

g) É transformadora (vv. 8-9)

8   Então, os vizinhos e os que dantes o conheciam de vista, como mendigo, perguntavam: Não é este o que estava assentado pedindo esmolas?
9  Uns diziam: É ele. Outros: Não, mas se parece com ele. Ele mesmo, porém, dizia: Sou eu.

Os vizinhos e conhecidos do homem outrora cego ficaram confusos. Se parecia com ele, mas estava diferente. Antes era visto como um mendigo desprezível, um pobre coitado, um ser socialmente excluído. Agora, parecia um novo homem. Ele, porém, assumia e declarava sua mesma identidade, mas uma nova condição.

Quando o Espírito Santo regenera uma pessoa acontece algo extraordinário. A transformação maior acontece no seu interior, mas o seu exterior também é positivamente afetado. Não significa que atingiu a perfeição e não pecará mais. Não significa que era pobre e agora ficará rico.

O fato é que a habitação e o fruto do Espírito fazem dessa pessoa alguém diferente, uma nova criatura em Cristo, com um novo propósito de vida, com uma nova conduta e forma de agir. Em alguns casos a transformação é imediata e radical; em outras é mais lenta e gradual. Porém, é mandatório existir essa transformação!

h) É espantosa à mente humana (os vizinhos – vv. 10-12)

10  Perguntaram-lhe, pois: Como te foram abertos os olhos?
11  Respondeu ele: O homem chamado Jesus fez lodo, untou-me os olhos e disse-me: Vai ao tanque de Siloé e lava-te. Então, fui, lavei-me e estou vendo.
12  Disseram-lhe, pois: Onde está ele? Respondeu: Não sei.

Certamente essa boa e perceptível transformação favorece o surgimento das primeiras oportunidades de testemunhar aquilo que Deus fez em nossa vida. Já vivi o suficiente para ver o antes e o depois de pessoas transformadas por Cristo. A diferença é verdadeiramente surpreendente. Já tomei conhecimento de casais que participaram do evento Encontro de Casais com Cristo e tiveram suas vidas transformados. Uma amiga perguntou à esposa de um desses casais: – O que aconteceu com o seu marido, ele está tão diferente, parece até outra pessoa. Ela respondeu: – Nós participamos de um Encontro de Casais com Cristo. A amiga desabafou: – Nossa, que bom! Eu quero isso para o meu marido também!

 O intrigante é ser questionado sobre o que realmente aconteceu e na resposta só se ater aos detalhes elementares e materiais. É compreensível, afinal, como explicar as operações sobrenaturais de Deus, no coração humano? Testemunhar com fidelidade o que aconteceu, sua experiência pessoal com Deus, vale mais do que muitas teorias e filosofias.

i) É agente de polêmica para a religião formal (os fariseus – vv. 13-17)

13  Levaram, pois, aos fariseus o que dantes fora cego.
14  E era sábado o dia em que Jesus fez o lodo e lhe abriu os olhos.
15  Então, os fariseus, por sua vez, lhe perguntaram como chegara a ver; ao que lhes respondeu: Aplicou lodo aos meus olhos, lavei-me e estou vendo.
16  Por isso, alguns dos fariseus diziam: Esse homem não é de Deus, porque não guarda o sábado. Diziam outros: Como pode um homem pecador fazer tamanhos sinais? E houve dissensão entre eles.
17  De novo, perguntaram ao cego: Que dizes tu a respeito dele, visto que te abriu os olhos? Que é profeta, respondeu ele.

Mais uma marca da regeneração é que a nova criatura em Cristo passa a ser observada e confrontada pelo sistema majoritário ou dominante, quer religioso, quer secular. Esse é o preço de viver e praticar a contracultura cristã num mundo que jaz no maligno. Os versículos em análise neste tópico comprovam isso. O farisaísmo legalista daquela época e de sempre está mais preocupado com uma suposta violação do descanso sabático do que com o bem praticado a um pobre homem. É claro que o objetivo final é desqualificar o enviado de Deus. Vale ressaltar a postura e reação do que fora cego. (i) Ele não se intimida mesmo estando sob muita pressão de pessoas influentes. (ii) Ele não vacila, mas mantém a resposta, a verdade dos fatos ocorridos. (iii) Ele ousa defender o seu benfeitor, refutando os poderosos acusadores de Jesus, com um argumento de peso, ao ponto de criar dissensão entre eles. (iv) Ele demonstra uma visão crescente a respeito da pessoa de Jesus – que é profeta – e ousa declarar isso num meio tão hostil.

j) É motivo de escândalo para aqueles que não querem perder o prestígio (os pais – vv. 18-23)

18  Não acreditaram os judeus que ele fora cego e que agora via, enquanto não lhe chamaram os pais
19  e os interrogaram: É este o vosso filho, de quem dizeis que nasceu cego? Como, pois, vê agora?
20  Então, os pais responderam: Sabemos que este é nosso filho e que nasceu cego;
21  mas não sabemos como vê agora; ou quem lhe abriu os olhos também não sabemos. Perguntai a ele, idade tem; falará de si mesmo.
22  Isto disseram seus pais porque estavam com medo dos judeus; pois estes já haviam assentado que, se alguém confessasse ser Jesus o Cristo, fosse expulso da sinagoga.
23  Por isso, é que disseram os pais: Ele idade tem, interrogai-o.

A reação dos incrédulos muitas vezes acaba cumprindo o papel de prestar um serviço valioso para atestar e ratificar a operação miraculosa de Deus. Essa rigorosa apuração dos fatos conduzida por aqueles religiosos ciumentos, interrogando os pais do curado, só contribuíram para a comprovação do fato. Chama a atenção aqui a flagrante diferença de postura por parte dos pais do homem curado: (i) Eles procuram manter uma postura de isenção e distanciamento do fato, mesmo percebendo a grande bênção recebida pelo filho – “não sabemos como vê agora”.  (ii) Preferem não expor qualquer simpatia por Cristo – “ou quem lhe abriu os olhos”. (iii) Transferem toda a responsabilidade pela explicação para o filho curado – “perguntai a ele”. (iv) O texto (versículo 22) deixa claro que eles agiram dominados pelo medo de serem expulsos da sinagoga, da sua religião formal.

Outra consequência da regeneração é a reação da família quando um dos seus membros acolhe a fé cristã. Essa reação pode se manifestar de várias formas: Às pode ser positiva, entretanto, é mais comum ser de (i) desconfiança; (ii) indiferença; (iii) contrariedade e desagrado pelo rompimento com a religião tradicional da família; (iv) rejeição e expulsão de casa, como manifestação extremada de repulsa. Assim, o novo convertido precisa estar preparado para lidar com essas reações, mantendo-se firme no Senhor.

k) É um fato incontestável (vv. 24-34)

24  Então, chamaram, pela segunda vez, o homem que fora cego e lhe disseram: Dá glória a Deus; nós sabemos que esse homem é pecador.
25  Ele retrucou: Se é pecador, não sei; uma coisa sei: eu era cego e agora vejo.

O fato da cura é comprovado naquele em que se realizou a obra divina. O fato em si é mais relevante do que a sua explicação racional. Assim se dá com a regeneração espiritual e isso é um bom princípio para o evangelismo pessoal.

26  Perguntaram-lhe, pois: Que te fez ele? como te abriu os olhos?
27  Ele lhes respondeu: Já vo-lo disse, e não atendestes; por que quereis ouvir outra vez? Porventura, quereis vós também tornar-vos seus discípulos?
28  Então, o injuriaram e lhe disseram: Discípulo dele és tu; mas nós somos discípulos de Moisés.
29  Sabemos que Deus falou a Moisés; mas este nem sabemos donde é.
30  Respondeu-lhes o homem: Nisto é de estranhar que vós não saibais donde ele é, e, contudo, me abriu os olhos.
31  Sabemos que Deus não atende a pecadores; mas, pelo contrário, se alguém teme a Deus e pratica a sua vontade, a este atende.
32  Desde que há mundo, jamais se ouviu que alguém tenha aberto os olhos a um cego de nascença.
33  Se este homem não fosse de Deus, nada poderia ter feito.
34  Mas eles retrucaram: Tu és nascido todo em pecado e nos ensinas a nós? E o expulsaram.

O fato extraordinário comprova a procedência do poder que o realizou. O texto em análise demonstra a insistência das autoridades religiosas em buscar uma resposta racional para o ocorrido. Por outro lado, também apresenta a impaciência do curado e seus atos de coragem e renúncia: (i) confrontando os seus inquiridores de forma extremamente ousada – “quereis vós também tornar-vos seus discípulos?”;  (ii) declarando a incompetência deles em identificar quem era aquele que realizou tão grande milagre e sua procedência – “é de estranhar que vós não saibais donde ele é”; (iii) usando argumentos teológicos incontestáveis – “Deus não atende a pecadores” (Jó 27.8-9; Sl 66.16-19; Pv 15.29; Zc 7.13); (iv) defendendo o caráter piedoso daquele que o curou – Jesus – que foi atendido devido à sua condição espiritual aceitável diante de Deus – “se alguém teme a Deus e pratica a sua vontade, a este atende.”; (v) reportando-se à ausência de evidência de milagres como o que nele se realizou na história. A literatura e as tradições judaicas creditam 62 milagres a Moisés. Entre estes, nenhum de cura de cegueira de nascença; (vi) defendendo que o seu benfeitor não era apenas um profeta, não era apenas um homem piedoso, mas alguém provindo de Deus. Suas respostas incisivas foram tão impactantes que os seus inquiridores ficaram sem argumentos e de tão humilhados decidiram expulsá-lo.

As reações do homem curado servem de bom exemplo para os regenerados quando confrontados, principalmente pelos incrédulos e opositores da fé cristã. Certamente aquele homem foi assistido por Deus nas suas respostas e a promessa que recebemos é que o Espírito Santo há de nos assistir (Jo 14.26; 16.13).  

l) É o agente que não apenas transforma, mas conduz: (vv. 35-38)

35   Ouvindo Jesus que o tinham expulsado, encontrando-o, lhe perguntou: Crês tu no Filho do Homem?
36  Ele respondeu e disse: Quem é, Senhor, para que eu nele creia?
37  E Jesus lhe disse: Já o tens visto, e é o que fala contigo.
38  Então, afirmou ele: Creio, Senhor; e o adorou.

Percebe-se um conhecimento progressivo de Jesus, por parte daquele que fora cego, que culmina no crer e adorar: (i) Um homem chamado Jesus (v.11); (ii) É profeta (v.17); (iii) Alguém que teme a Deus e pratica a sua vontade (v.31); (iv) “Creio, Senhor; e o adorou.” (v.38).

O apóstolo Paulo nos apresenta a salvação como um processo contínuo, algo a ser desenvolvido: “Assim, pois, amados meus, como sempre obedecestes, não só na minha presença, porém, muito mais agora, na minha ausência, desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor;” (Fp 2.12).  É preciso crescer na fé: “antes, crescei na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.” (2Pe 3.18a) . A figura do leite, como alimento infantil, e a expressão “não sejais como meninos” é mencionada algumas vezes referindo-se àqueles que precisavam crescer e amadurecer espiritualmente (1Co 14.20; Ef 4.14; 1Co 3.2; Hb 5.12-13; 1Pe 2.2).

A pública declaração de fé daquele homem quando do seu encontro com Cristo, nos remete à prática da Profissão de Fé e Batismo dos regenerados em Cristo.

Por fim, após a declaração de fé daquele homem, registra o texto bíblico – “e o adorou.”. Essa atitude de adoração será tanto mais expressiva quanto maior for o nível desse conhecimento de Cristo e a proximidade dele. Essa cena nos remete à figura da Ceia do Senhor, o outro rito praticado pela igreja – “fazei isso em memória de mim”.

m) É o agente que produz separação entre os homens (vv. 39-41)

39   Prosseguiu Jesus: Eu vim a este mundo para juízo, a fim de que os que não vêem vejam, e os que vêem se tornem cegos.
40  Alguns dentre os fariseus que estavam perto dele perguntaram-lhe: Acaso, também nós somos cegos?
41  Respondeu-lhes Jesus: Se fôsseis cegos, não teríeis pecado algum; mas, porque agora dizeis: Nós vemos, subsiste o vosso pecado.

Saindo de cena as narrativas da cura, dos interrogatórios e do encontro do homem curado com Jesus, o texto bíblico apresenta o Senhor Jesus aproveitando o ocorrido para transmitir uma preciosa lição:

– Os que reconhecem a sua “cegueira” e se submetem à operação divina recebem a “visão espiritual”, a salvação eterna;

– Os que não reconhecem a sua “cegueira” e não se submetem à operação divina permanecem sem a “visão espiritual”, e estão perdidos eternamente.

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“Gripe Espanhola”, COVID-19 e a Igreja

Introdução:

Neste artigo faremos uma rápida passada de vista em alguns registros históricos da humanidade, inclusive da Igreja Presbiteriana do Rio de Janeiro, uma igreja mais do que sesquicentenária.

Coincidência ou não, depois de 102 anos da pandemia da “gripe espanhola” estamos vivenciando uma nova pandemia, a do COVID-19 (do inglês, Coronavirus Disease 2019)[1]. Não bastasse os estragos e baixas humanas e econômicas provocados pela 1ª Guerra Mundial (1914-1918) aquela pandemia também deixou suas marcas na história. O que os registros históricos nos contam a respeito daquela pandemia e que reflexões podemos fazer?

1) Registros da Gripe Espanhola

A Wikipédia assim introduz o assunto: “A gripe espanhola, também conhecida como gripe de 1918, foi uma pandemia do vírus influenza incomumente mortal. De janeiro de 1918 a dezembro de 1920, infectou 500 milhões de pessoas, cerca de um quarto da população mundial na época. Estima-se que o número de mortos esteja entre 17 milhões a 50 milhões, e possivelmente até 100 milhões, tornando-a uma das epidemias mais mortais da história da humanidade. A gripe espanhola foi a primeira de duas pandemias causadas pelo influenzavirus H1N1, sendo a segunda ocorrida em 2009.”

Em outra literatura[2] que trata especificamente da história e suas pandemias e da convivência do ser humano com os microorganismos encontramos algumas informações interessantes:

– O vírus da gripe tem causado várias epidemias na história da humanidade, porém com taxa de mortalidade baixa e com complicações como a pneumonia afetando mais crianças de baixa faixa etária e os idosos.

– Em 1918 surgiu um novo vírus da gripe com muito maior poder de invasão que se alastrou pelo mundo, causando uma mortalidade nunca vista, inclusive entre jovens. Sua disseminação foi facilitada por ter surgido no último ano da guerra, e aos militares combatentes, aglomerados e sempre se deslocando.

– Cerca de um quinto da população mundial foi acometida pela doença nos anos de1918 e 1919, com uma taxa de mortalidade ao redor de 0,5 a 1,2%, o que significou a morte de cerca de 22 milhões de pessoas. Em algumas regiões esse percentual chegou a 25% (Samoa).

– A primeira onda americana da epidemia de gripe ocorreu na primavera de 1918 (março). Alcançou a Europa no verão de 1918, atingindo em cheio a Espanha, o que contribuiu para que recebesse o nome de “gripe espanhola”.

– A segunda onda da gripe começou em agosto de 1918, tomando proporções importantes na Europa e nos cinco continentes, atingindo, também, muitos militares, com muitas baixas. A taxa de mortalidade pela doença atingiu o pico no mês de outubro de 1918.

– A economia mundial entrou em crise, com a falência de empresas em todos os continentes, sem contar a grave situação que vivia a Europa, recém saída da Primeira Grande Guerra.

– O autor declara (no ano de 2003) que se engana quem acha que essa epidemia espanhola é coisa do passado. Uma nova epidemia de gripe, tão mortal assim é uma ameaça constante. Existem instituições dedicadas ao monitoramento e controle permanente de doenças infecciosas no globo terrestre.

– O vírus causador da gripe espanhola, o influenza, é universal na natureza e apresenta taxas de mutação elevadas.

Finalmente, vejam só esse alerta feito em 2003, pelo autor: “O que existe é o risco da formação de um novo vírus influenza, com poder maior de infecção e de mortalidade”.

2) Registro histórico de algumas pandemias:

A partir da Gripe Espanhola (1918) podemos destacar as seguintes pandemias:

PERÍODOLOCALIZAÇÃOPANDEMIAVÍRUSNº de MORTES (*)
1918-1920MundialGripe EspanholaH1N117 a 50 milhões
1957-1960MundialGripe AsiáticaH2N22 milhões
1968-1969MundialGripe de Hong KongH3N21 milhão
1974ÍndiaVaríola 15.000
1981-PresenteMundialHIV/AIDS > 30 milhões
2009MundialGripe InfluenzaH1N1/0914.286
2013-2016ÁfricaEbolaEbola>> 11.300
2019-PresenteMundialNovo CoronavírusCovid-19> 500.000 (28/06/2020)
Fonte: Wikipédia / Internet (*) Valores Estimados

3) Registros da Igreja Presbiteriana do Rio de Janeiro (organizada em 1862):

“Em toda a história do Brasil até essa data, 1918, não se registrara uma epidemia tão forte e que tenha causado tantas mortes. Quase toda a Igreja Presbiteriana do Rio de Janeiro sofreu com a gripe espanhola, como foi conhecida a gripe pneumônica.

Não havia remédios, médicos e urnas funerárias suficientes. Foi uma catástrofe que assolou o Rio de Janeiro e o mundo.

O mau cheiro dos cadáveres obrigou muitas famílias a se retirarem de suas casas para lugares mais distantes.

As cenas eram deprimentes; carroças, inclusive de lixo, transportavam pelas ruas os corpos em estado de decomposição.

O escritor e médico Pedro da Silva Nava registrou, na época, o cotidiano da cidade nesse período:

‘Nenhuma de nossas calamidades chegara aos pés da moléstia reinante: o terrível não era o número de casualidades – mas não haver quem fabricasse caixões, quem os levasse ao cemitério, que abrisse covas e enterrasse os mortos. O espantoso já não era a quantidade de doentes, mas o fato de estarem quase todos doentes, a impossibilidade de ajudar, tratar, transportar comida, vender gêneros, aviar receitas, exercer, em suma, os misteres indispensáveis à vida coletiva’.

O Rev. Álvaro Reis, no seu relatório de 1918, registra o comportamento da sociedade carioca diante da pandemia. O charlatanismo, a estupidez e a idolatria dos cidadãos predominavam. Tudo em vão!”[3]

Registro de Membros:

ANOMEMBROS(*)ADMITIDOSFALECIDOS
191620816613
1917218510417
1918230512022
1919244213715
1920256212015
1921269413217
1922282813418
Igreja Presbiteriana do Rio de Janeiro

(*) Membros Maiores ou Comungantes (Total acumulado desde 12/01/1862 até em 31 de dezembro do ano em referência). Inclui todos os admitidos e demitidos desde a organização da Igreja.

Nas estatísticas anuais de membros da igreja observa-se no ano de 1918 uma elevação muito pouco significativa no número de membros falecidos.

4) Reflexões Finais:

a) A oportunidade de “cair na real”.

As crises nos oferecem a oportunidade de contemplar a realidade nua e crua da vida terrena. Apesar de poucos ou de muitos momentos prazerosos, o que está reservado ao ser humano, nesta vida, é o gemido e angústia.

“Pois a criação está sujeita à vaidade, não voluntariamente, mas por causa daquele que a sujeitou, na esperança de que a própria criação será redimida do cativeiro da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus. Porque sabemos que toda a criação, a um só tempo, geme e suporta angústias até agora. E não somente ela, mas também nós, que temos as primícias do Espírito, igualmente gememos em nosso íntimo, aguardando a adoção de filhos, a redenção do nosso corpo.” (Rm 8.20-23)

b) A oportunidade de ver o imperceptível.

Nestes momentos de pandemia e quarentena, Deus nos tem dado a oportunidade de refletir um pouco mais sobre a realidade da vida terrena que é breve e frágil; de volver nossos olhos para a história humana e perceber quantas aflições as gerações passadas sofreram. Não somos melhores do que eles. O fato é que as pandemias vêm sobre todos, sem pedir licença e sem se importar com aspectos que nós simples mortais muitas vezes usamos para fazer a diferença entre pessoas.

c) A oportunidade de recomeço.

Quando as epidemias aparecem e depois se vão, sempre deixam um rastro de destruição, porém, sempre existe a oportunidade de um recomeço. E, como a vida precisa continuar, seguir adiante, é necessário recolher os cacos e pavimentar o futuro, enquanto Deus nos permitir.

d) A oportunidade de olhar além.

Algo verdadeiramente importante é que nós cristãos não depositamos a nossa esperança nas coisas efêmeras e passageiras da vida presente. Caso contrário receberíamos do apóstolo a seguinte advertência: “Se a nossa esperança em Cristo se limita apenas a esta vida, somos os mais infelizes de todos os homens.” (1Co 15.18)

e) A oportunidade de cultivar a paciência.

Em tempos de quarentena, à medida que o tempo passa vai aumentando a ansiedade, a expectativa e o desejo por dias melhores, pela “volta da normalidade”. Mas é preciso cultivar a paciência até este momento angustioso acabar. Essa situação que estamos vivendo nos remete à expectativa de um evento incomparavelmente superior que devemos aguardar com paciência: “Há, todavia, uma coisa, amados, que não deveis esquecer: que, para o Senhor, um dia é como mil anos, e mil anos, como um dia.” (2Pe 3.8). A pergunta que não quer calar é se também arde em nós a expectativa do término da “quarentena terrena” e o desejo da manifestação gloriosa do Senhor Jesus na sua segunda vinda.    

“aguardando a bendita esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus,” (Tt 2.13)


[1] Fonte: Wikipédia

[2] Ujvari, Stefan Cunha – A história e suas epidemias. SENAC (2003)

[3] Livro: História da Igreja Presbiteriana do Rio de Janeiro (1862 – 2012)

Calendário Judaico

Ano ReligiosoAno CivilMês HebraicoMês OcidentalReferência BíblicaDatas Especiais
17Abibe ou NisãMarço/ AbrilEx 13.4 Ne 2.114-Páscoa 21-Primícias
28Zive (ou Zio)Abril/ Maio1Rs 6.1, 37 
39Sivã (ou Sibã)Maio/ JunhoEt 8.96-Pentecostes
410TamuzJunho/ Julho 
511AbeJulho/ Agosto 
612ElulAgosto/ SetembroNe 6.15 
71Etanim ou TisriSetembro/ Outubro1Rs 8.21-Ano Novo 10-Expiação 15/21-Tabernáculos
82Bul ou MarquesvãOutubro/ Novembro1Rs 6.38 
93QuisleuNovembro/ DezembroNe 1.1; Zc 7.1 
104Tebete (ou Tabete)Dezembro/ JaneiroEt 2.16 
115Sebate (ou Sabate)Janeiro/ Fevereiro Zc 1.7 
126AdarFevereiro/ MarçoEd 6.1513/14-Purim
   Mês Intercalar  

“O ano dos hebreus tinha 12 meses (1Rs 4.7; 1Cr 27.1-15). Parece que o cálculo do tempo se fazia pelo mês lunar e, portanto, o ano deveria ter 354 dias, 8 horas, 48 minutos e 32,4 segundos. As festas anuais eram inseparáveis das épocas da agricultura. O ano restritamente lunar podia fazer que as festas fixadas pelo calendário, não coincidissem com as estações próprias. Era preciso por o ano lunar em correspondência com o ano solar, de 365 dias. Isto se fazia intercalando um mês adicional de três ou de quatro em quatro anos, sobre que a Bíblia nada conta.” (Dicionário da Bíblia – John D. Davis)

O jejum bíblico

1 – O que é jejuar?

Da palavra grega “nestis” (“não comendo” ou “ter o estômago vazio”) se derivam outras duas: “nesteuo”, “jejuar” e  “nesteia” “jejum”. O verbo e o substantivo podem ter o significado mais geral de: “não comer”, “abster-se da comida”, ou “ficar sem comida”, “passar fome”. Estas palavras, no entanto, se empregam mais frequentemente no sentido de um ritual religioso.

“Jejuar” é abster-se de qualquer tipo de comida, durante um período limitado.

2 – Quando surgiu o jejum?

Acredita-se que nas religiões pagãs do mundo antigo, era praticado por medo de demônios, e com a ideia de que o jejum era um meio eficaz para se preparar um encontro com a divindade, pois criava o tipo correto de abertura diante da influência divina.

Em Israel, temos o registro no Antigo Testamento de que Moisés esteve com o Senhor quarenta dias e quarenta noites, nos quais não comeu nem bebeu (Ex 34.28). Entretanto, o jejum, como um rito religioso, aparece pela primeira vez, associado ao rito da purificação, quando era requerido do povo o “afligir a sua alma” no dia da expiação (Lv 16.29, 31; 23.27, 32; Nm 29.7; Is 58.3; Sl 35.13).

“Quanto a mim, porém, estando eles enfermos, as minhas vestes eram pano de saco; eu afligia a minha alma com jejum e em oração me reclinava sobre o peito,” (Sl 35.13)

3 – Qual é o verdadeiro motivo do jejum?

As formas e os propósitos do jejum são numerosos. O jejum se praticava em Israel como preparação para uma conversa com Deus (Ex 34.28; Dt 9.9; Dn 9.3).

a) Era praticado pelo indivíduo, quando se sentia oprimido por grandes dificuldades (2Sm 12.16-23; 1Rs 21.27; Sl 35.13; 69.10; 109.21-27).

“Mas tu, SENHOR Deus, age por mim, por amor do teu nome; livra-me, porque é grande a tua misericórdia. Porque estou aflito e necessitado e, dentro de mim, sinto ferido o coração. De tanto jejuar, os joelhos me vacilam, e de magreza vai mirrando a minha carne.” (Sl 109.21-22, 24)

b) Era praticado pela nação em perigos iminentes de guerra e destruição (Jz 20.26; 2Cr 20.3; Et 4.16; Jn 3.4-10); porque o campo estava assolado (Jl 1 e 2); para obter sucesso no retorno dos exilados (Ed 8.21-23); como rito de expiação de pecados (Ne 9.1); e, finalmente, em conexão com o juízo de Deus já determinado e que não seria interrompido  (Jr 14.11-12).

O jejum e a oração estão constantemente juntos (Jr 14.11-12; Ne 1.4; Ed 8.21, 23).

“Tendo eu ouvido estas palavras, assentei-me, e chorei, e lamentei por alguns dias; e estive jejuando e orando perante o Deus dos céus.” (Ne 1.4)

4 – Com que duração, frequência e abrangência era praticado o jejum?

O jejum judaico era praticado desde a manhã até à tarde (Jz 20.26; 1Sm 14.24; 2Sm 1.12), embora Ester 4.16 mencione um jejum de três dias.

“Então, todos os filhos de Israel, todo o povo, subiram, e vieram a Betel, e choraram, e estiveram ali perante o SENHOR, e jejuaram aquele dia até à tarde; e, perante o SENHOR, ofereceram holocaustos e ofertas pacíficas.” (Jz 20.26)

A lei israelita ordenava o jejum tão-somente no dia da expiação, no sétimo mês (Lv 16.29-31; 23.27-32; Nm 29.7). Depois da destruição de Jerusalém (587aC), foram determinados quatro períodos de observação de jejum como dias de lembrança (Zc 7.3-5; 8.19).

No decorrer do tempo, o significado mais profundo do jejum, como expressão do humilhar-se diante de Deus, foi perdido por Israel. Veio a ser considerada uma realização piedosa, com o fim de obter uma justiça à base de obras de auto retidão. A luta dos profetas contra esta descaracterização e esvaziamento do conceito não logrou êxito (Is 58.3-7; Jr 14.12). Até aos tempos de Jesus, os que eram sérios quanto à religião, especialmente os fariseus, receberam a obrigação de observarem dois dias de jejuns a cada semana (Lc 18.12). Os discípulos de João Batista tinham uma regra semelhante (Mc 2.18).

“jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo de tudo quanto ganho.” (Lc 18.12)

Quanto à abrangência, encontramos o jejum parcial e total:

a) No jejum praticado desde a manhã até à tarde o alimento deveria ser suprimido (Jz 20.26; 1Sm 14.24; 2Sm 1.12). Não fica clara a necessidade de supressão da água.

b) Ester 4.16 menciona um jejum total (sem comer e sem beber) de 3 dias.

c) Daniel jejuou por 3 semanas ou 21 dias (Dn 10.2-3). O registro bíblico sugere um jejum parcial: “Manjar desejável não comi, nem carne, nem vinho entraram na minha boca, nem me ungi com óleo algum, até que passaram as três semanas inteiras.” Provavelmente ele adotou aquela “dieta vegetariana” com legumes e água como no tempo em que ingressou na corte babilônica (Dn 1.12).

d) Moisés jejuou de forma total (sem comer e sem beber) por 40 dias e 40 noites (Ex 34.28; Dt 9.9). Certamente ele foi sobrenaturalmente sustentado por Deus.

e) Jesus jejuou 40 dias e 40 noites antes de iniciar seu ministério público “E, depois de jejuar quarenta dias e quarenta noites, teve fome.” (Mt 4.2). Como não é mencionado no texto bíblico que ele teve sede, alguns deduzem que ele pode ter bebido água, caracterizando assim um jejum parcial. Outros preferem interpretar como tendo sido um jejum total, à semelhança de Moisés, pois Jesus não era menor do que aquele e, também, foi sobrenaturalmente sustentado por Deus.

Portanto, percebe-se que não há um padrão definido de duração, de frequência e de abrangência. Sem dúvida, o mais importante é a dedicação desse tempo de privação de prazeres gastronômicos, de “mortificação da carne”, para devoção e estreitamento da comunhão com Deus, com ou sem a motivação de uma situação difícil.

5 – Qual a relação de Jesus com o jejum?

a) O exemplo pessoal

O próprio Senhor Jesus jejuou 40 dias e 40 noites antes de iniciar seu ministério público: “E, depois de jejuar quarenta dias e quarenta noites, teve fome.” (Mt 4.2).

b) O momento certo de jejuar

Quando questionado sobre a razão dos seus discípulos não estarem praticando o jejum, Jesus respondeu-lhes: “Podem, porventura, jejuar os convidados para o casamento, enquanto o noivo está com eles? Durante o tempo em que estiver presente o noivo, não podem jejuar. Dias virão, contudo, em que lhes será tirado o noivo; e, nesse tempo, jejuarão.” (Mc 2.18-20). Nesta fala Jesus mostra a insensatez da prática do jejum enquanto ele estivesse com os discípulos. A presença do Messias, das boas novas da salvação que independem das boas obras – tudo isso significa alegria, que é algo incompatível com o jejum judaico. Entretanto, o jejum futuro não foi descartado.

c) A condenação do “jejum ostentação”

No sermão do monte, Jesus não condena o jejum propriamente dito, mas, sim, somente o jejuar com ostentação e hipocrisia (Mt 6.16-18). O jejum não deve ser realizado diante dos olhos dos homens, para aparentar uma super espiritualidade e piedade, mas diante de Deus que vive em segredo e vê o que está no lugar secreto.

d) A busca de autoridade e poder espirituais

Conforme as palavras de Jesus em Mateus 17.21, há certas condições de possessão demoníaca das quais o homem só pode ser liberto “por meio da oração e jejuns”. Deve-se observar que este versículo não se encontra em muitos manuscritos e que no seu paralelo, em Marcos 9.29, apenas se menciona a oração.

6 – Qual a relação da igreja com o jejum?

Na igreja primitiva, a oração era apoiada pelo jejum (At 13.2, 3; 14.23).

“E, promovendo-lhes, em cada igreja, a eleição de presbíteros, depois de orar com jejuns, os encomendaram ao Senhor em quem haviam crido.” (At 14.23)

Talvez, a ausência do assunto nas epístolas do Novo Testamento, exceto as autobiografias de Paulo (2Co 6.5 e 11.27), levam alguns a concluir que a ideia de que o jejum tem valor em si mesmo tenha sido abandonada pela igreja cristã, que retinha a prática do jejum a fim de demonstrar que suas orações eram sinceras. Não há dúvida do valor de aplicar-se ao jejum, principalmente associado à oração. Deve-se apenas tomar o cuidado para não deslocar a procedência do poder espiritual de Deus, para o rito do jejum; de Deus, para o homem!

7 – Qual a posição da Igreja Presbiteriana do Brasil em relação ao jejum?

De uma forma bem sintética e objetiva podemos responder a esta pergunta citando dois de seus documentos:

No Catecismo Maior de Westminster, a pergunta 108 diz:

“108. Quais são os deveres exigidos no segundo mandamento?
Os deveres exigidos no segundo mandamento são – o receber, observar e guardar, puros e inalterados, todo o culto e todas as ordenanças religiosas que Deus instituiu na sua Palavra, especialmente a oração e ações de graças em nome de Cristo; a leitura, a prédica, e o ouvir da Palavra; a administração e a recepção dos sacramentos; o governo e a disciplina da igreja; o ministério e a sua manutenção; o jejum religioso, o jurar em nome de Deus e o fazer os votos a Ele; bem como o desaprovar, detestar e opor-nos a todo o culto falso, e, segundo a posição e vocação de um, o remover tal culto e todos os símbolos de idolatria.”

No documento “Princípios de Liturgia” da IPB:

“CAPÍTULO XI – JEJUM E AÇÕES DE GRAÇA
Art.24 – Sem o propósito de santificar de maneira particular qualquer outro dia que não seja o dia do Senhor, em casos muito excepcionais de calamidades públicas, como guerras, epidemias, terremotos, etc., é recomendável a observância de dia de jejum ou, cessadas tais calamidades, de ações de graças.
Art.25 – Os jejuns e ações de graças poderão ser observados pelo indivíduo ou família, Igrejas ou Concílios.”

A exposição é bem clara e, particularmente em momentos como este que o mundo está vivendo nestes primeiros meses do ano de 2020 se aplica perfeitamente o previsto nos artigos 24 e 25 acima transcritos.

8 – Outro “tipo” de jejum.

Jejum sexual

“Não se recusem um ao outro, exceto por mútuo consentimento e durante certo tempo, para se dedicarem à oração. Depois, unam-se de novo, para que Satanás não os tente por não terem domínio próprio. Digo isso como concessão, e não como mandamento.” (1Co 7.5-6 NVI)

Em certos momentos da vida de um casal acontecem situações difíceis e aflitivas, como as de enfermidade na família, de desemprego, de catástrofes, dentre outras, quando não há nem clima nem espaço para um relacionamento conjugal normal. Talvez, pensando nisso, o apóstolo tenha se referido a esse “certo período de privação”, para se dedicar à oração, quando ocorrer o mútuo consentimento. Entretanto, ele orienta claramente a não se fazer privação unilateral e, mesmo quando ocorrer a privação mútua, o bom senso e a sensatez devem prevalecer sempre, para se evitar riscos e tentações.  

Conclusão

Finalmente, feita essa breve abordagem sobre o jejum bíblico, vale lembrar a advertência do profeta Isaías que estabelece o contraste entre a Verdadeira e a Falsa Adoração (Isaías 58). Ele é instado por Deus a clamar a plenos pulmões contra a transgressão do povo de Israel, que não se importando com o seu estado vil, buscava rotineira e mecanicamente a Deus, através das suas práticas religiosas, inclusive observando o jejum de um dia. Talvez, não tendo a exata noção da gravidade do seu estado espiritual decaído e da inutilidade e esterilidade dessas práticas religiosas sem o respaldo de uma vida santa, ainda ousavam reclamar que o Senhor não estava correspondendo e respondendo aos seus atos sacrificiais.

Que o Senhor nos ajude a viver uma vida santa, coerente com os ensinos bíblicos e aderente a vontade de Deus. Vida marcada pela prática da justiça e da misericórdia, jamais ancorada equivocadamente em práticas ritualistas vazias e elementos sacralizados pela religiosidade popular. Que o nosso momento de jejum seja sincero, autêntico e potencializador da nossa comunhão e intimidade com Deus!

Nota: Texto atualizado em 11/04/2020.

Crise e Esperança

Introdução

Comecemos relembrando os conceitos de Crise e Esperança.

Crise (gr. krisis; latim crisis) – Alteração no desenvolvimento normal de algo. Situação de tensão ou aflitiva. Desequilíbrio emocional ou nervoso súbito. Falta ou escassez de algo. Situação difícil, anormal e grave.

Esperança – é o ato de esperar aquilo que se deseja obter. Ter esperança é acreditar que alguma coisa muito desejada vai acontecer. (Antônimo: desespero)

SENSIBILIZAÇÃO

Nesta breve reflexão sobre o tema faremos, inicialmente, uma abordagem existencial, buscando a sensibilização de cada um quanto a aspectos que às vezes passam despercebidos no nosso cotidiano. Assim, sem atentarmos para eles, deixamos de evitar crises; ou, passando por crises, somos sufocados por elas, a ponto de quase sucumbir.

1. A REALIDADE DA CRISE

Imaginem este diálogo entre Adão e Eva: – Adão, meu marido, por que os rapazes ainda não chegaram para o almoço? Eles não costumam demorar tanto. – Minha querida, Abel estava cuidando do rebanho quando vi Caim chegar perto dele e, então os dois saíram em direção ao campo onde Caim estava trabalhando. Depois disso não os vi mais. – O que será que está acontecendo? É melhor você ir lá chamá-los. Algum tempo depois Adão retorna para casa, transtornado. Quando Eva o vê daquele jeito fica aflita. – O que aconteceu de tão grave, meu marido? Onde estão os rapazes? – Minha querida, nem sei como te dizer isso. (choro e suspiros). – Adão, você está me apavorando. Fala logo! Com muita dificuldade ele diz: – Meu amor, eu encontrei o corpo de Abel no chão, ensanguentado e pálido. Ele está morto! Não vi Caim. Desesperada ela sai ao encontro de Abel, gritando: – Meu Deus, isso não! Meu filhinho amado, não!

E, assim, desde as mais remotas épocas, as crises estão presentes nas famílias. Um descendente de Caim falou assim: “E disse Lameque às suas esposas: Ada e Zilá, ouvi-me; vós, mulheres de Lameque, escutai o que passo a dizer-vos: Matei um homem porque ele me feriu; e um rapaz porque me pisou.” (Gn 4.23). Ao longo da história bíblica e da humanidade, de uma forma ou de outra, todas as famílias enfrentaram crises: Noé, Abraão, Isaque, Jacó, Jó, Anrão e Joquebede, Naamã, Elcana e Ana, Davi,…., José e Maria, os apóstolos etc. A crise é uma realidade; não é exclusividade de uma determinada pessoa ou família. Jesus nos preveniu: “Estas coisas vos tenho dito para que tenhais paz em mim. No mundo, passais por aflições; mas tende bom ânimo; eu venci o mundo.” (Jo 16.33; ver Rm 8.31-39).

Entretanto, precisamos refletir sobre algumas questões: Determinadas crises podem ser evitadas?  Por que, aparentemente, alguns passam por mais crises do que outros? É preciso ter uma vida/família estruturada, organizada e equilibrada para estar mais disponível para ajudar outras pessoas e famílias!

2. OS AGENTES DA CRISE

a) As crises têm causas (naturais, humanas e sobrenaturais)

CAUSAS NATURAIS – desastres naturais, tempestades e enchentes, seca prolongada, epidemias e pandemias, doenças congênitas, doenças adquiridas (incuráveis), deficiências orgânicas causadas pelo envelhecimento do corpo, morte na família, dentre outras.

CAUSAS HUMANAS – são aquelas provocadas pelo ser humano; pelo próprio ou pelo outro; por suas ações e omissões; por suas invenções; seus governos ou desgovernos, por acidentes que provocam, dentre outras.

CAUSAS SOBRENATURAIS – são aquelas que acontecem devido à intervenção divina, inclusive os seus juízos; também aquelas provocadas pelo Diabo, com a permissão de Deus.

Vejamos, como exemplo, algumas crises mais relevantes ocorridas.

Nos primeiros meses de 2019:
– Brumadinho (rompimento de barragem – MG)(JAN)
– CT do Flamengo (incêndio)(FEV)
– Ricardo Boechat (queda de helicóptero)(FEV)
– Escola Raul Brasil-Suzano/SP (massacre)(MAR)
– Enchentes (várias cidades)(JAN-MAR)

Nos primeiros meses de 2020:
– Enchentes (várias cidades)(JAN-MAR)
– Pandemia do coronavírus (FEV-???)

Em mais de 6 décadas de vida nunca vivenciei uma crise como esta listada por último. Entretanto, a maior parte das crises que nos afetam tem causa humana. Se investigarmos essas causas humanas, certamente identificaremos alguns fatores comuns, tais como:

– Falta de prevenção/atenção ou descuido/negligência.
– Falta de responsabilidade/respeito.
– Ganância, egoísmo.

E, na base de todas as causas, o pecado!

b) Há situações que podem provocar crises (faltas, perdas)

É a perda ou falta de ente queridos, da saúde, do emprego, de relacionamentos, de bens, de respeito (booling), da consideração, de segurança, de confiança no outro.

Resiliência é uma palavra que se torna cada vez mais conhecida. É um termo que vem da física, como o fenômeno de retorno da mola, quando cessa a pressão sobre ela; é o retorno à posição vertical daquele boneco “João teimoso”. Na psicologia, significa o poder de recuperação do indivíduo após ser submetido a situações estressantes e dolorosas, a perdas, a calamidade. “O equilíbrio humano é semelhante à estrutura de uma construção; se a pressão for superior à resistência, aparecerão rachaduras (doenças e lesões, por exemplo). Dentre as mais diferentes doenças psicossomáticas que se manifestam no indivíduo que não possui resiliência, estão não apenas o estresse, mas doenças graves como a gastrite até a síndrome do pânico, doenças intestinais, hipertensão arterial, entre outros males” (Dr. Alberto D’Auria).

Precisamos ser como bambus e varas verdes, que se dobram sob a pressão do vento, mas não se quebram. A vida é feita de perdas e ganhos, não podemos paralisá-la diante das perdas. Em nome de Jesus é preciso se libertar do passado. Isso é doentio!

c) As crises oferecem a oportunidade de reavaliação da vida, de comportamentos.

Às vezes se vive uma vida mediana, inexpressiva, marcada pelo comodismo. Aí, acontece uma crise, e com ela a reavaliação de tudo, provocando as mudanças necessárias.

Alguns vivem de forma fútil, confortável, porém vazia; focados nos bens, valores e prazeres materiais. Aí surge a crise e a pessoa redireciona o foco da sua vida para o que realmente tem valor.

d) As crises oferecem a oportunidade de um novo começo.

– Após a trágica morte de Abel temos o seguinte registro bíblico; porque é preciso seguir adiante: “Tornou Adão a coabitar com sua mulher; e ela deu à luz um filho, a quem pôs o nome de Sete; porque, disse ela, Deus me concedeu outro descendente em lugar de Abel, que Caim matou.” (Gn 4.25)

– Há “crises” e “perdas” que produzem vida. Jesus afirmou: “se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer, produz muito fruto.” (Jo 12.24)

– Assim respondeu Jó aos seus amigos: “Porque há esperança para a árvore, pois, mesmo cortada, ainda se renovará, e não cessarão os seus rebentos.” (Jó 14.7)

No canteiro abaixo fica fácil ilustrar essa ideia de recomeço.

Relembrando….

a) As crises têm causas (naturais, humanas e sobrenaturais)
b) Há situações que podem provocar crises (faltas, perdas)
c) As crises oferecem a oportunidade de reavaliação da vida, de comportamentos.
d) As crises oferecem a oportunidade de um novo começo.

3. A REALIDADE DA ESPERANÇA

A esperança é um ato desenvolvido por quem está vivo!  “Para aquele que está entre os vivos há esperança; porque mais vale um cão vivo do que um leão morto.” (Ec 9.4)

a) A esperança é invisível aos olhos naturais.

“Porque, na esperança, fomos salvos. Ora, esperança que se vê não é esperança; pois o que alguém vê, como o espera?” (Rm 8.24)

Ainda que invisível, a verdadeira esperança não é fruto do imaginário, não é abstrata, não é ilusória, não é vã, não é baseada em crendices e nem nos discursos fantasiosos dos profissionais de autoajuda. Mas ela pode ser contemplada pelos olhos da fé. De onde ela vem?

b) A esperança tem procedência certa.

“Somente em Deus, ó minha alma, espera silenciosa, porque dele vem a minha esperança.” (Sl 62.5)

“Bendito o homem que confia no SENHOR e cuja esperança é o SENHOR.” (Jr 17.7)

“Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que, segundo a sua muita misericórdia, nos regenerou para uma viva esperança, mediante a ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos,” (1Pe 1.3)

De nada adianta colocar nossa fé e nossa esperança em pessoas e coisas; em falsos deuses e falsas promessas.

c) A esperança se extingue quando Deus é deixado de lado.

“Mas eles dizem: Não há esperança, porque andaremos consoante os nossos projetos, e cada um fará segundo a dureza do seu coração maligno.” (Jr 18.12)

Quando o ser humano decide ser o protagonista exclusivo do seu caminho, do seu destino; cativo da sua própria vontade e rompendo com Deus e sua vontade, fica à deriva ao sabor da própria sorte. Como decorrência do que foi dito no item anterior, isso é o que acontece quando se deixa de lado a fonte da esperança.

d) A esperança transpõe os portais da eternidade

“Se a nossa esperança em Cristo se limita apenas a esta vida, somos os mais infelizes de todos os homens.” (1Co 15.19)

“por causa da esperança que vos está preservada nos céus, da qual antes ouvistes pela palavra da verdade do evangelho,” (Cl 1.5)

A Bíblia se expressa de forma clara e objetiva sobre o assunto. Porém, por vezes, nos envolvemos tão fortemente com as coisas desta vida que nos esquecemos de quanto a existência terrena é curta e transitória. Daí, quando surge uma ameaça efetiva à sua continuidade perdemos o chão.

e) A esperança precisa ser cultivada

“Pois tudo quanto, outrora, foi escrito para o nosso ensino foi escrito, a fim de que, pela paciência e pela consolação das Escrituras, tenhamos esperança.” (Rm 15.4)

“Quero trazer à memória o que me pode dar esperança.” (Lm 3.21)

“E não somente isto, mas também nos gloriamos nas próprias tribulações, sabendo que a tribulação produz perseverança; e a perseverança, experiência; e a experiência, esperança.” (Rm 5.3-4)

Sem dúvida é a palavra de Deus guardada em nossas mentes e corações e o testemunho verdadeiro de como Deus tem sustentado os seus filhos que há de nos suprir e fortalecer o ânimo e prover-nos de força interior para resistir no dia mau.

f) A esperança renova a alegria de viver

“regozijai-vos na esperança, sede pacientes na tribulação, na oração, perseverantes;” (Rm 12.12)

“E o Deus da esperança vos encha de todo o gozo e paz no vosso crer, para que sejais ricos de esperança no poder do Espírito Santo.” (Rm 15.13)

Nem sempre a vida é tão generosa conosco, cristãos ou não. No entanto, a esperança do cristão é real e verdadeira conseguindo produzir nele a renovação da alegria de viver, de seguir adiante.

g) Não desista da esperança!

“Abraão, esperando contra a esperança, creu, para vir a ser pai de muitas nações, segundo lhe fora dito: Assim será a tua descendência.” (Rm 4.18)

“na esperança de que a própria criação será redimida do cativeiro da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus.” (Rm 8.21)

“Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três; porém o maior destes é o amor.” (1Co 13.13)

“E a si mesmo se purifica todo o que nele tem esta esperança, assim como ele é puro.” (1Jo 3.3)

Vale lembrar aquelas máximas populares: “Enquanto há vida, há esperança”; “A esperança é a última que morre”. Portanto, por mais difícil que seja a situação ou mais improvável que seja a realização ou a solução, a mensagem é “não desista, mantenha a esperança!”

h) Somos chamados para sermos agentes da esperança

“Pois quem é a nossa esperança, ou alegria, ou coroa em que exultamos, na presença de nosso Senhor Jesus em sua vinda? Não sois vós?” (1Ts 2.19)

“antes, santificai a Cristo, como Senhor, em vosso coração, estando sempre preparados para responder a todo aquele que vos pedir razão da esperança que há em vós,” (1Pe 3.15)

Por fim, acima e além de ter esperança, o chamamento divino através do apóstolo Paulo é para encarnarmos a esperança cristã. Assim, personificando a esperança, temos a missão de ir e transmiti-la a quem dela necessitar.

Relembrando….

a) A esperança é invisível aos olhos naturais.
b) A esperança tem procedência certa.
c) A esperança se extingue quando Deus é deixado de lado.
d) A esperança transpõe os portais da eternidade.
e) A esperança precisa ser cultivada.
f) A esperança renova a alegria de viver.
g) Não desista da esperança!
h) Somos chamados para sermos agentes da esperança.

Conclusão

É preciso ter uma postura correta no cotidiano para prevenirmos crises e evitarmos ser Agentes da Crise!

É preciso ter uma vida/família estruturada, organizada e equilibrada para estar mais disponível para ajudar outras pessoas e famílias!

Num mundo envolto em tantas crises, sejamos sempre proativos, sejamos Agentes da Esperança!

João 3.16 (Evangelho)

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