Liberdade é….

Disse Jesus: “e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.” (Jo 8.32)

Jesus também disse que ele mesmo, o Filho de Deus, é o Caminho, a Verdade e a Vida (Jo 14.6). Portanto, nele reside a verdadeira liberdade interior, que excede a todo o entendimento. Entretanto, no contexto da sociedade e dos relacionamentos sociais, podemos definir assim: “Liberdade é….”   

  • Amar o próximo como a nós mesmos.
  • Não fazer ao outro o que não queremos que façam a nós.
  • Respeitar, preservar e cuidar da magnífica natureza criada pelo nosso bom e soberano Deus.
  • Respeitar os atos do Deus-Criador quando estabeleceu para a espécie humana os gêneros masculino e feminino (macho e fêmea): “Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.” (Gn 1.27)
  • Poder expressar ideias e pensamentos, sobre qualquer tema ou assunto, de forma respeitosa e democrática.
  • Poder exercer o direto irrevogável de crença e prática religiosa sem ferir direitos à vida, à ética e aos bons costumes.
  • Poder exercer o direito de ir e vir, sem ser acometido de violências e de constrangimentos.
  • Poder exercer seus direitos, sem ultrapassar ou cercear a liberdade do outro.
  • Cuidar bem do corpo, alma e espírito, podendo escolher o que vestir em público, nos limites da decência e do bom senso.
  • Empreender ou ter acesso ao trabalho, oferecendo ou recebendo condições e remuneração adequadas, como forma digna de sustento e de independência financeira.
  • Ter a garantia do direito de propriedade sobre bens e valores adquiridos de forma justa, legitima e honesta.
  • Poder fazer escolhas certas ou até mesmo equivocadas, nunca descartando a oportunidade de crescer e amadurecer com os erros e acertos.
  • Ter empatia, se colocando no lugar do outro, principalmente dos menos favorecidos, e contribuir com ações efetivas para o seu bem-estar.
  • Não ter que se submeter a mandos e desmandos que atentem claramente contra a vida.
  • Não discriminar ou sofrer discriminação, como ser humano, por motivos, tais como: cor, raça, gênero, crenças religiosas, condição social, limitações ou deficiências físicas ou mentais etc.
  • Praticar e receber justiça em todos os atos e demandas, na certeza de que a impunidade não será comprada ou vendida, porém, sem deixar de considerar a importância de exercer misericórdia.
  • Respeitar, defender e usufruir da independência entre as instituições FAMÍLIA, IGREJA e ESTADO.
  • Noticiar ou poder receber informações, dos indivíduos, das redes sociais e dos veículos de comunicação, dos fatos como eles são, a verdade e não narrativas fantasiosas ou tendenciosas, eivadas de dolo e maldade.
  • Participar livremente da eleição dos representantes públicos dos poderes executivo e legislativo, na certeza da lisura do processo eleitoral, respeitando o resultado como expressão da decisão da maioria.
  • Zelar pela coisa pública como se nossa fosse, tendo acesso garantido à prestação de contas e contando com a devida e necessária transparência dos dados e informações.
  • Transitar pelas vias públicas, com prudência e segurança, na expectativa de que os outros façam o mesmo e que os transgressores serão julgados e receberão a justa sentença.
  • Poder fazer negócios e firmar acordos e contratos na certeza de que haverá segurança jurídica.
  • Ter a garantia de que, nas escolas e universidades, os estudantes não serão doutrinados ou manipulados, por professores, com ideias, pensamentos e ideologias que visam a atender a estratégias e projetos de determinados grupos que busquem aumentar sua influência e dominação.
  • Ter a garantia de que as produções audiovisuais geradas por empresas e instituições de comunicação regulados pelo poder público não violem as boas práticas e os bons costumes da sociedade, mantendo o respeito ao indivíduo e à família, bem como às suas crenças.

Liberdade é isso e algo mais…

Dizem que Che Guevara afirmou: “Sonha e serás livre de espírito… luta e serás livre na vida.” Entretanto, a verdadeira liberdade de espírito não é obtida por sonho, porém depende de um processo interior de transformação e renovação da mente, do coração e da alma: “Para a liberdade foi que Cristo nos libertou. Permanecei, pois, firmes e não vos submetais, de novo, a jugo de escravidão.” (Gl 5.1).

Como cidadãos deste mundo, às vezes se torna necessário travar uma luta exterior, pelejar numa batalha, corporal ou espiritual ou de ideias e narrativas, para obter ou restabelecer ou manter a liberdade. Afinal, o que é a vida sem liberdade?

“Ora, o Senhor é o Espírito; e, onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade.” (2Co 3.17)

Lidando com problemas na igreja

Introdução

A igreja primitiva não era perfeita, em que pese a seu favor a forte presença e manifestação poderosa do Espírito Santo no seu início. Não existe igreja local perfeita, porque nós, seres humanos que a compomos, não somos perfeitos; logo todas precisam saber lidar com problemas internos, além dos externos. Numa passada de olhos apenas no Livro de Atos encontramos alguns exemplos de problemas: (i) Em Atos 5, a trama mentirosa do casal Ananias e Safira quanto ao valor encoberto da venda do terreno, doado parcialmente à igreja. (ii) Aqui em Atos 6 a falha na distribuição diária para algumas viúvas e a murmuração dela decorrente. (iii) Em Atos 8.9-13, 18-24 o pecado de Simão que abraçou a fé cristã e depois quis comprar o poder do Espírito Santo. (iv) Em Atos 9.26-27 a desconfiança e temor dos irmãos que dificultavam a aceitação e acolhimento do recém-convertido Saulo de Tarso devido ao seu passado de terrível perseguidor da igreja. (v) Em Atos 11.1-18 a desconfiança dos defensores da circuncisão por Pedro ter entrado na casa do incircunciso Cornélio e comido com eles (vv.1-3). A explicação foi dada e o apaziguamento foi  feito (vv.4-18). (vi) Em Atos 15.1-35 a equivocada questão imposta pelos legalistas da necessidade da circuncisão para a salvação. (vii) Em Atos 15.36-40 a desavença entre Paulo e Barnabé quanto a levar João Marcos na 2ª Viagem Missionária. Neste estudo, veremos como a igreja lidou e tratou do problema que surgiu, conforme registrado em Atos 6.1-7.

1. O CONTEXTO (At 6.1)

     “Naqueles dias…”

É interessante relembrar o contexto desse “naqueles dias” quando se deu o problema. Em Atos 1, o Senhor ressurreto se reuniu com os seus discípulos, anunciou o iminente batismo com o Espírito Santo, os comissionou e foi elevado aos céus, deixando-os um tanto quanto desolados e na expectativa do que viria a acontecer. Enquanto aguardavam, resolveram preencher a vaga deixada por Judas Iscariotes completando, assim, de forma um tanto quanto açodada, o quadro dos doze apóstolos, com a escolha de Matias. Em Atos 2 acontece o Pentecoste e o nascimento da igreja, em Jerusalém. Em Atos 3, a retomada dos milagres, com a cura do paralítico e a mensagem de Pedro ao povo. Em Atos 4 o recomeço da perseguição, a prisão, testemunho e libertação dos apóstolos Pedro e João, encerrando com o ajuntamento dos irmãos. Em Atos 5, a purificação interna da igreja com o juízo divino sobre Ananias e Safira que ousaram mentir ao Espírito Santo; na sequência, acontece a prisão dos apóstolos, seu testemunho e libertação.

2. A EXPANSÃO DA IGREJA (At 6.1)

     “…multiplicando-se o número dos discípulos…”

É relevante o registro desses primeiros passos da igreja, do seu crescimento extraordinário e do modus vivendi dos remidos do Senhor. Em Atos 2.41, após a pregação do Pentecoste, houve um acréscimo de quase 3.000 pessoas. Em Atos 2.44-47, registra-se que eles viviam unidos, tinham tudo em comum, vendiam suas propriedades doando o valor auferido para a igreja que usava esses recursos para ajudar aqueles que tinham necessidade. Desta forma, perseverando na fé e na adoração a Deus, bem como ajudando os mais necessitados, o Senhor acrescentava os que iam sendo salvos. Em Atos 4.4 contabiliza-se o número de homens convertidos chegando a quase 5.000. Em Atos 4.32-37 encontramos um significativo relato e descrição dessa comunidade cristã: Uma multidão unida, compartilhando os bens materiais, sem necessitados entre eles. Os apóstolos pregando e testemunhando com poder; bem como recebendo as doações dos irmãos e administrando sua distribuição aos necessitados. Em Atos 5.12-16 ratifica-se a poderosa atuação dos apóstolos, realizando sinais e prodígios e que a comunidade cristã crescia, agregando-se ao Senhor tanto homens como mulheres.

3. A DESCRIÇÃO DO PROBLEMA (At 6.1)

     “…houve murmuração dos helenistas contra os hebreus, porque as viúvas deles estavam sendo esquecidas na distribuição diária….”

Até este tempo, parece que os apóstolos haviam tomado para si a tarefa de administrar os recursos financeiros da igreja (At 4.34-37). Mas, dentro de pouco tempo, a igreja crescera significativamente, a ponto da atividade de beneficência alcançar proporções tais que requeria muito tempo dos apóstolos. O fato é que as viúvas dos helenistas estavam sendo esquecidas na distribuição diária de alimentos e outros bens, no seio da igreja. Os helenistas eram judeus que haviam adotado o estilo grego de viver. Os hebreus, por sua parte, eram judeus que tinham preferido reter a maneira tipicamente judaica de vida. (Alguns eruditos pensam que os helenistas eram gentios, prosélitos e tementes a Deus, ao passo que outros opinam que os hebraístas eram samaritanos. Entretanto, é difícil imaginar que muitos indivíduos, dessas categorias, já tivessem entrado na igreja). Lucas já havia registrado como a igreja cuidava dos necessitados, em que muitos crentes vendiam as suas propriedades, trazendo o dinheiro apurado aos pés dos apóstolos (At 4.32, 34, 35). A distribuição diária, para as necessidades das viúvas, provavelmente se fundamentava nesses fundos.

Não temos uma informação precisa sobre a causa do esquecimento das viúvas dos helenistas. Talvez houvesse uma disposição de preferência, de preconceito, por parte daqueles que estavam com a responsabilidade de cuidar das mulheres que não podiam sustentar-se, por serem viúvas pobres e idosas. Ou pode tudo ter sido causado pela negligência da parte dos encarregados dessa questão, incluindo os apóstolos, os quais se ocupavam muito mais da pregação e do ensino, não podendo, por isso mesmo, cuidar minuciosa e atenciosamente de questões como essa da distribuição diária. É preciso ficar atento ao que fazemos na igreja. Todos são igualmente importantes na igreja de Cristo e não podemos fazer acepção de pessoas. Não raro acontece de alguém assumir determinados cargos e ministérios na igreja e passarem a defender veementemente apenas o seu grupo, inclusive recursos financeiros, não se importando com os demais grupos, ministérios e sociedades internas da igreja! Cuidado com o corporativismo eclesiástico!

4. O PAPEL DA LIDERANÇA (At 6.2)

     “Então, os doze convocaram a comunidade dos discípulos…”

O papel da liderança é sempre importante na resolução de problemas. Isso não significa que esta tenha, necessariamente, todas as respostas, mas precisa assumir e conduzir o processo de solução. Na igreja primitiva verificamos que, em algumas situações, a própria liderança tomou a decisão, como no caso de Ananias e Safira; há outras em que toda a igreja foi convocada a participar, como neste caso. Vemos aqui a democracia operante na igreja primitiva. Não devemos supor que todas as pessoas convocadas tiveram parte ativa no debate, pois isso seria inviável, devido ao seu grande número; mas, pelo menos, deve ter-se manifestado um bom grupo representativo. As Escrituras não determinam quaisquer regras fixas no que diz respeito ao tipo de governo que deve prevalecer na igreja cristã (episcopal, presbiteral ou congregacional). Entretanto, devemos verificar como a igreja primitiva funcionava e beneficiar-nos com o seu exemplo.

5. O ARGUMENTO INICIAL (At 6.2)

     “… e disseram: Não é razoável que nós abandonemos a palavra de Deus para servir às mesas.”

O argumento inicial dos apóstolos deixou claro a necessidade de priorização de tarefas na igreja. Cada tarefa deve ter a sua razão de ser para não se gastar energia inutilmente. Todas são importantes, quando necessárias, porém algumas são mais prioritárias, a razão de ser da igreja, a sua atividade fim. Cada uma deve ser exercida de acordo com o chamado divino, vocação e dons distribuídos pelo próprio Espírito de Deus. Os apóstolos tinham conhecimento, como testemunhas oculares, da preciosa história e ensinos de Jesus. O melhor e mais imediato meio de fazê-los conhecidos era através da palavra falada. Não deviam permitir que nada, ainda que importante, os desviasse dessa tarefa. O ministério do ensino está contido dentro da própria Grande Comissão (Mt 28.19-20). O evangelismo, por si só, não pode cumprir essa comissão. A outra tarefa, confrontada aqui com o ministério do ensino e que precisava de outros colaboradores que não os apóstolos, era o de “servir as mesas”. Neste caso, a palavra “servir” (diakonein) se deriva do vocábulo do qual obtivemos nossa palavra “diácono” (diáconos), que significa servo, administrador ou ministro. Quanto as mesas, geralmente se acredita que estaria em foco aqui, em sentido figurado, a administração das ofertas destinadas a Ação Social da igreja.

6. A PROPOSTA DE SOLUÇÃO (At 6.3)

6.1 A participação da igreja (v.3a)

     “Mas, irmãos, escolhei dentre vós….”

Deve-se observar, com base nas palavras dos apóstolos, que à congregação é que cabia o privilégio de fazer a escolha. Estamos diante de uma verdadeira aula de administração eclesiástica que estabelece o valor e importância da democracia representativa. A igreja reunida “em assembleia” deveria eleger aqueles que deveriam exercer o ofício do diaconato, nesta ocasião estabelecido de forma embrionária. Em outras oportunidades o apóstolo Paulo expôs detalhadamente as qualificações dos presbíteros (1Timóteo 3.1-7 e Tito 1.5-9) e diáconos (1Timóteo 3.8-13).

6.2 As premissas e requisitos (vv.3b)

     “… sete homens de boa reputação, cheios do Espírito e de sabedoria, aos quais encarregaremos deste serviço;”

O embrião do ofício de diácono está expresso em Atos 6.1-6, tendo ocorrido a partir de delegação da autoridade apostólica e, portanto, constitui-se num exercício de autoridade na igreja. Desta forma, coerentemente com o “princípio divino da autoridade de gênero”, foram escolhidos sete homens. As qualificações completas para o ofício de diácono na igreja apareceram posteriormente, no texto de 1Timóteo 3.8-13.

Nessa democracia representativa, o privilégio da escolha acarreta a necessária responsabilidade pelo ato da escolha e suas consequências para a comunidade. Cumprindo o seu papel, a liderança fixou o número de homens a serem escolhidos e instruiu a congregação quanto a aspectos importantes que deveriam ser considerados nessa escolha, a saber:

1º) Boa reputação: Deveriam ser conhecidos em seus negócios e caráter passado, sendo recomendados favoravelmente.

2º) Cheios do Espírito Santo: Tal qual os apóstolos, deveriam ter experimentado o revestimento e plenitude do Espírito Santo. É muito provável que os dons espirituais também estivessem em foco. Estes servos precisavam ser homens dotados de habilidades, sendo homens destacados na comunidade cristã, como homens de Deus, ativos e poderosos no ministério. Deve-se notar que um dos indivíduos assim escolhidos foi Estevão, homem “cheio de graça e poder” (At 6.8), o qual “fazia prodígios e grandes sinais entre o povo”.

3º) Cheios de sabedoria: Naturalmente, essa qualidade era resultado direto do poder habilitador do Espírito Santo. Era necessário que soubessem como rejeitar as murmurações e como cuidar delas, sabendo discernir bem as pessoas e as situações, principalmente em se tratando de beneficência. A sabedoria dos diáconos precisava ser terrena e prática, dando eles mesmos exemplo de discrição e poupança, além da aptidão pelas coisas e soluções práticas. Contudo, essa sabedoria também teria de ter um aspecto espiritual, fazendo com que olhassem para seus semelhantes com espírito de amor, de ternura e de bondade, visando, além do suprimento físico, o desenvolvimento de suas almas.

Ou seja, teriam de ser homens que cuidassem tanto das necessidades físicas como das necessidades espirituais de muitíssimas pessoas, motivo pelo qual teriam de ser indivíduos altamente qualificados. É perfeitamente possível que o ofício diaconal, especialmente criado nesta ocasião, não seja idêntico ao ofício mencionado no trecho de 1Timóteo 3.1-13, onde aparecem, dadas pelo apóstolo Paulo, as qualificações necessárias dos presbíteros e diáconos, porquanto diversas modificações podem ter sido efetuadas no decorrer dos anos. Entretanto, o ofício diaconal, aqui no Livro de Atos, foi o precursor daquele encontrado nos anos posteriores, e que tem a ver com as questões materiais, seculares da vida diária das igrejas.

7. A ESTRATÉGIA – DIVISÃO DO TRABALHO (At 6.4)

     “e, quanto a nós, nos consagraremos à oração e ao ministério da palavra.”

O argumento inicial dos apóstolos também deixou claro a necessidade e conveniência da divisão do trabalho na igreja, a descentralização de certas atividades. Na igreja de Cristo, às vezes é preciso ter coragem e humildade para delegar tarefas, crendo no sacerdócio universal dos crentes! Cada indivíduo tem os seus próprios dons, de conformidade com aquilo que o Espírito Santo estabelece e confere, e todos os dons e serviços são igualmente importantes e necessários para o desenvolvimento e bem-estar da igreja local (Ef 4.4-16). Todo crente é responsável por fazer o máximo, sob a mão de Deus, no desenvolvimento e uso de seus dons pessoais. Os apóstolos mostraram-se bem sensíveis a esse fato, sendo que também entregaram a outros as funções que podiam ser delegadas, a fim de que tivessem a liberdade de se entregarem aos importantíssimos ministérios da oração, do ensino, da pregação e da evangelização, além da orientação geral da igreja. Era mister que os apóstolos não somente orassem, mas também se dedicassem à oração, para que se aprofundassem nessa prática, a fim de que experimentassem o autêntico e maior poder de Deus, sendo cheios do Espírito Santo, a fim de que por ele fossem usados como vasos consagrados. As lideranças das igrejas atuais devem observar bem este legado da igreja neotestamentária.

8. A RESPOSTA DA COMUNIDADE (At 6.5)

     “O parecer agradou a toda a comunidade; e elegeram Estêvão, homem cheio de fé e do Espírito Santo, Filipe, Prócoro, Nicanor, Timão, Pármenas e Nicolau, prosélito de Antioquia.”

Como é salutar para uma igreja quando sua liderança traz propostas sábias e oportunas para o bom andamento dos trabalhos ou para a solução de conflitos; propostas assertivas e iluminadas pelo Espírito Santo de Deus e, assim, recebem boa acolhida pela comunidade! Como é relevante preservar a Unidade, a Paz e a Pureza da igreja de Cristo através das boas decisões!

Deve-se observar que, nesta lista, todos os nomes são gregos. Apesar de ser verdade que muitos judeus da palestina tinham também um nome grego, além do nome hebraico, é bem provável que a maioria desses diáconos se compusesse de judeus helenistas. Todavia, a menção de Nicolau, prosélito de Antioquia, mui provavelmente significa que ele era gentio puro quanto à sua raça, embora se tivesse convertido anteriormente ao judaísmo, e, se submetesse, ao Cristianismo.

9. A SUBMISSÃO À LIDERANÇA (At 6.6)

     “Apresentaram-nos perante os apóstolos, e estes, orando, lhes impuseram as mãos.”

A igreja, como um todo, escolheu esses sete homens, mas os apóstolos aprovaram a seleção e os encarregaram do seu ofício. Então, os sete foram ordenados para esse ofício, pela imposição das mãos dos apóstolos. Tal rito se fundamenta nas páginas do AT, onde simboliza o recebimento de algum poder vital, como transferência de poder de uma pessoa para outra. Assim é que, ao nomear Josué como seu sucessor, Moisés lhe impôs as mãos, infundindo algo de sua “autoridade” (ver Nm 27.20, 23, e ainda Gn 48.13ss; Lv 1.4). A imposição de mãos no NT, às vezes acompanha a oração (Mt 19.13, 15), simboliza uma doação, quer de bênção (Mc 10.16), cura (Mc 5.23; 6.5 etc.), o Espírito Santo (At 8.17, 19; 9.17; 19.6) ou responsabilidade e autoridade para um serviço especial (At 6.6; 13.3; 1Tm 4.14 etc.).

10. A BÊNÇÃO DIVINA (At 6.7)

     “Crescia a palavra de Deus, e, em Jerusalém, se multiplicava o número dos discípulos; também muitíssimos sacerdotes obedeciam à fé.”

A comunidade cristã não estava isenta dos problemas. Entretanto, estes eram tratados cuidadosamente, sob a orientação do Espírito Santo. Assim, o crescimento do testemunho cristão, não era descontinuado. Ao contrário, sua eficácia aumentava, a ponto de até “muitíssimos sacerdotes” crerem. Essa declaração acerca da fé que muitíssimos sacerdotes punham em Cristo, serve para mostrar-nos que, embora a nação de Israel, em sua maioria, tivesse continuado em sua atitude de rejeição ao seu próprio Messias, contudo, em todos os níveis da sociedade judaica, incluindo as classes dominantes e indivíduos de reconhecida piedade, muitos chegaram a perceber a veracidade da mensagem cristã, tendo-se passado, de todo o coração, para a nova comunidade dos seguidores de Jesus Cristo.

Conclusão

O fato é que na igreja de Cristo tudo deve ser feito com decência e ordem, com a finalidade de glorificar a Deus, anunciar o evangelho para a salvação de almas e expansão do Reino de Deus, ensinar e zelar pelo bem-estar e crescimento espiritual dos remidos do Senhor, até que ele venha.


Veja também: As qualificações dos diáconos

Rumo à maturidade na Fé Cristã

“Mas a vereda dos justos é como a luz da aurora, que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito.” (Pv 4.18)

Introdução

Um automóvel, com câmbio manual, se move e desenvolve velocidade quando, depois de ligado e engrenado, ocorre o sincronismo entre a redução da força aplicada ao pedal da embreagem e o acréscimo da força aplicada ao pedal do acelerador. A ideia aqui não é de comparar a mobilidade da vida cristã a um automóvel, porém o que o apóstolo Pedro expressa em 1Pedro 2.1-3 lembra esse mecanismo que o faz sair do lugar . Nestes três primeiros versículos há dois verbos que merecem nossa atenção: despojar-se e desejar.

a) Esvaziamento (1Pe 2.1)

“Redução da força aplicada ao pedal da embreagem”

1 Despojando-vos, portanto, de toda maldade e dolo, de hipocrisias e invejas e de toda sorte de maledicências,

i) “Despojando-vos…” 

É relevante observar que o verbo grego “apotemenoi”, traduzido aqui por “despojando-vos”, também foi usado no NT com este mesmo sentido e ênfase, conforme segue:

“Por isso, deixando (apotemenoi) a mentira, fale cada um a verdade com o seu próximo, porque somos membros uns dos outros.” (Ef 4.25)

“Portanto, também nós, visto que temos a rodear-nos tão grande nuvem de testemunhas, desembaraçando-nos (apotemenoi) de todo peso e do pecado que tenazmente nos assedia, corramos, com perseverança, a carreira que nos está proposta,” (Hb 12.1)

“Portanto, despojando-vos (apotemenoi) de toda impureza e acúmulo de maldade, acolhei, com mansidão, a palavra em vós implantada, a qual é poderosa para salvar a vossa alma.” (Tg 1.21)

Portanto, trata-se de uma ação pessoal e intencional do cristão de deixar ou abandonar ou livrar-se do peso morto do pecado que dificulta a caminhada ou a corrida da vida cristã. Também tem o sentido de despir-se de roupas sujas. Podemos até não saber como nos sujamos, mas não é difícil perceber que estamos sujos. Nem é preciso explicar que a sujeira incomoda a nós mesmos e aos outros.

ii) Tipos de peso morto ou sujeira:

– Toda maldade – prática má, atividade degradante, vício.

– Dolo – que esconde o motivo indigno que procura alcançar, engano, traição.

– Hipocrisia – que aparenta uma forma externa diferente da interna. É um ator que representa alguém que não é.

– Invejas – desgosto pelo progresso alheio.

– Maledicências – difamação, calúnia (pecados da língua que prejudicam os outros).

Podemos dizer que o Espírito Santo que habita nos salvos, aliado às Escrituras Sagradas internalizada, proporciona a estes uma espécie de sistema imunológico (ou imune ou imunitário) espiritual capaz de detectar e neutralizar esses corpos estranhos pecaminosos. Vale lembrar que o sistema imunológico humano, durante o processo de resposta a um antígeno[1], forma células de memória. São essas células que garantem uma resposta imune rápida caso o mesmo antígeno entre em contato com o organismo novamente. Da mesma forma nosso sistema imunológico espiritual há de atuar de modo a nos impedir de cair nas mesmas armadilhas pecaminosas que nos afastam de Deus e adoecem ou destroem nossa vida.

b) Enchimento (1Pe 2.2-3)

“Imprimir força ao pedal do acelerador”

2 desejai ardentemente, como crianças recém-nascidas, o genuíno leite espiritual, para que, por ele, vos seja dado crescimento para salvação,

3  se é que já tendes a experiência de que o Senhor é bondoso.

i) “Desejai ardentemente” – com muita intensidade, o que é difícil de mensurar.

ii) “Como crianças recém-nascidas” – mais fácil de mensurar. Aprendemos com os recém-nascidos:

•  Ele chora – manifesta externamente a “dor” pela falta do alimento.

•  Ele suga com força – tem vontade de ingerir o alimento.

•  Sua alimentação é periódica – regularidade que se impõe.

iii) Genuíno leite espiritual – a Palavra de Deus não adulterada. Este ensino não entra em choque com o de Paulo em 1Coríntios 3.1-2.

iv) Crescimento para a salvação – salvação como livramento final dos crentes.

c) Advertências

1ª) Só esvaziamento não produz desenvolvimento/amadurecimento espiritual!

2ª) Só enchimento é teorização das Escrituras. Só acelerar é apenas barulho, embora com aparência de mobilidade/desenvolvimento.

d) Imaturidade versus maturidade cristã

No quadro abaixo apresentamos uma comparação resumida entre os sinais da Imaturidade Cristã e da Maturidade Cristã, para sua reflexão.

SINAIS DE IMATURIDADE CRISTÃSINAIS DE MATURIDADE CRISTÃ
01. EGOÍSMO
Só pensam em si mesmos e querem tudo para si.
01. ALTRUÍSMO
Pensam nos outros e investem na obra do Senhor.
02. INSEGURANÇA
    Têm medo e se desesperam nos momentos e situações mais difíceis da vida.
02. CONFIANÇA
Entregam sua vida ao Senhor e confiam nele em toda e qualquer situação (Sl 37.5)
03. PRECIPITAÇÃO
Realizam ações sem pensar. Foco apenas no hoje e no aqui e agora.
03. PONDERAÇÃO
Analisam bem a situação antes de agirem e tomarem decisões. Foco no hoje e no amanhã, não desprezando as lições que podem ser apreendidas “do ontem”.
04. INSATISFAÇÃO
Nada lhes agrada. Reclamam muito. Não sabem bem o que desejam e querem.
04. CONTENTAMENTO
Alegram-se e são fortalecidos no Senhor e na força do seu poder (Ef 6.10).
05. INQUIETAÇÃO
São inconstantes. Não se fixam e sossegam numa igreja.
05. QUIETUDE
Aquietam-se no Senhor, na força do seu poder e em servi-lo com integridade de coração (Sl 46.10).
06. REBELDIA
Não gostam de cumprir ordens ou normas.
06. OBEDIÊNCIA
Obediência, juntamente com a disciplina, são suas marcas características.
07. SUPERFICIALIDADE
São rasos no conhecimento da palavra de Deus, negligentes na vida devocional e inconstantes na participação nos cultos. Seguem mais os homens e do que a Cristo.
07. PROFUNDIDADE
São ávidos pelo conhecimento da palavra de Deus, perseverantes na vida devocional e constantes na participação nos cultos.
08. ENVOLVIMENTO
Disposição apenas de participar da igreja, sem ter que pagar o preço do sofrimento por amor a Cristo e ao outro.
08. COMPROMETIMENTO
Têm determinação para assumir compromisso com Cristo e sua igreja, estando dispostos a pagar o preço do sofrimento por amor a Cristo e ao outro.
09. VIDA FÚTIL
Têm o foco nas coisas efêmeras desta vida e na prosperidade material.
09. VIDA FRUTÍFERA
Têm o foco nas coisas lá do alto, onde Cristo está, e no cumprimento de sua missão neste mundo.
10. CARNALIDADE
Nos seus atos prevalece a natureza humana caída (cristão carnal).
10. ESPIRITUALIDADE
Manifestam a natureza de Cristo nos seus atos e em sua vida. Busca da reprodução da imagem de Cristo. Manifestação do “Fruto do Espírito” (Gl 5.22-23)

[1] Antígeno é toda substância estranha ao organismo que desencadeia a produção de anticorpos.

Cartas de Amor

Num tempo em que não havia Internet e Redes Sociais as cartas cumpriram muito bem o seu papel. Seguem alguns modelos de cartas românticas, inspiradas, sentimentais, emotivas, nostálgicas e sinceras…. daquela época.


CARTA AO NAMORADO QUE SE ACHA AUSENTE

          Meu adorado:

          É o meu mais ardente desejo que esta carta, portadora das minhas saudades e lembranças, vá encontrar-te com saúde, tranquilidade, e que o teu trabalho se desenvolva ao inteiro contento dos teus interesses, que são meus também, porque tudo o que te acontece, de bom ou mau, reflete-se em mim, na minha vida, em razão da afinidade de nossas almas e do muito amor que te dedico.

          Não fosse a imensa saudade que sinto e poderia te dizer que estou bem. Realmente gozo de ótima saúde e tenho tudo quanto desejo, menos a tua presença que desejaria aqui, junto de mim, para beber em meus olhos todo o carinho, toda a ternura e todo o afeto que sinto por ti. Infelizmente, porém, o destino dispõe as coisas, muitas vezes, diferentemente dos nossos desejos, e assim só me resta conformar-me com esta imposição do destino e das circunstâncias, e aguardar, confiante no nosso amor, na sinceridade do teu afeto, que voltes tão logo assim o permitir os teus interesses, para a realização daquilo que mais almejamos na vida — a nossa união perante Deus e a sociedade.

          Ansiosa por notícias tuas, despede-se, muito saudosa,

          A tua,

          S……….


CARTA DECLARAÇÃO DE AMOR

          Minha amiga:

          Quando a ventura me concede o privilégio de passar alguns deliciosos momentos perto de você, sinto que minha alma se abrasa num delicioso calor, ansiosa por lhe exprimir, em palavras ditadas pelo coração, o quanto a amo e venero. Mas, infelizmente, a perturbação que de mim se apodera faz morrer as frases em meus lábios e vejo-me obrigado a calar o quanto desejaria dizer-lhe, tolhido por esse acanhamento.

          Entretanto, nada há de mais justo e natural, nada mais digno e honesto, que confessar francamente àquela que é a luz de minha vida e a cujos encantos minha alma se rende cativa este amor puro e sincero.

          Acredite, minha boa amiga, que sinto por você uma dessas paixões que podem levar um homem à suprema felicidade ou à maior desgraça. Terá você coragem de fazer-me desgraçado com o seu desprezo? Não, não o creio porque confio muito na sensibilidade de seu coração e na nobreza de seu caráter e tenho a certeza de que minha felicidade terá agasalho seguro na retribuição desse grande amor que dedico a você.

          Que possa eu merecer-lhe uma resposta confirmadora de minhas suposições e que suas palavras tragam para meu coração a alegria há tanto esperada.

          É o que te pede o admirador sincero,

          J……….


CARTA RESPONDENDO A UM NAMORADO CIUMENTO

          Meu amor:

          É bem cruel a ideia que fazes da mulher que te ama, pois que lhe lanças em rosto coisas de que ela se acha completamente inocente.

Dizes que amo a outro? Quem é ele?… Acredite que desde o dia em que me declarastes o teu amor, meu coração deixou de distinguir qualquer outro homem que não fosses tu e jamais meus olhos tiveram um olhar a quem quer que seja que pudesse roubar o carinho que só para ti está reservado, porque a ti pertence de forma exclusiva.

          Magoou-me bastante a tua desconfiança concretizada na ríspida carta que me dirigiste. Não permitas que essas desconfianças vãs encontrem guarida em teu coração, pois elas só servem para nos martirizar a ambos e empanar as doces perspectivas de nossa felicidade. Tu és o único homem a quem amo e em quem deposito todas as minhas esperanças de um futuro promissor e de uma felicidade plena e duradoura.

          Acredita-me, sempre tua,

          E……………


CARTA A UMA MOÇA QUE DUVIDA DO SEU AFETO

          Minha querida:

          Não deves duvidar de que te amo com toda a impetuosidade de minha alma.

          Já por repetidas vezes tenho procurado manifestar-te o meu intenso amor, e meus olhos, buscando-te sempre, apaixonados, já deverão ter-te demonstrado a força de minha paixão.

          Reconheço que, sem o merecer, tens sido bastante condescendente para comigo, pois que sempre respondes às minhas cartas, nas quais demonstras corresponder ao meu afeto. Com tudo isso, outro, menos apaixonado que eu, deveria considerar-se plenamente satisfeito e dar graças aos céus por ter alcançado tão grande ventura, e isto é exatamente o que faço todos os dias. Hoje, entretanto, meu coração padece demasiadamente, sentindo a necessidade de te expor de viva voz a intensidade do carinho e a dedicação que alimenta. Sinto o imperioso desejo de fazer-te compartilhar de todas as minhas esperanças e receios; sinto a necessidade de tê-la junto a mim, para confiar-lhe, de perto, todas as minhas preocupações e manifestar-lhe todo o meu afeto.

          Espero que me indiques o dia e a hora para que eu possa ir lançar-me aos teus pés e provar-te, pela minha discrição e respeito, a pureza de meus sentimentos e a intensidade do afeto que te consagra.

          O eternamente teu,

          H……….


CARTA DECLARAÇÃO DE MOÇO RICO PARA MOÇA POBRE

          Caríssima senhorita:

          O homem que neste momento te escreve, sente, pela vez primeira, o toque, em seu coração, da miraculosa flecha de Cupido, que insuflou em sua alma um amor ideal, cheio de emanações celestiais, porque é inspirado por um anjo.

          Sou possuidor, é verdade, de alguns bens materiais, ou melhor dizendo, possuo alguma fortuna que não me leva, entretanto, à vaidade de tornar-me indiferente à pobreza! Tenho aplicado parte dos meus recursos em minorar as necessidades de muitos, e em socorrer aqueles que, por injunções da vida, vivem em extrema miséria.

          Não posso ocultar-te que, como todo o homem nas minhas condições, atirei-me ao turbilhão da vida, em busca do amor fácil e do prazer, mas desde o momento em que meus olhos cruzaram com os teus, senti que a felicidade impunha ao meu coração turbulento a necessidade de purificar-se, de moderar seus impulsos e se preparar para recebê-la, na forma da dádiva mais sublime que é o amor.

          Ofereço-te, pois, o meu amor e com ele a minha vida e tudo quanto possuo. Não creia que aceitando-o estarás sendo distinguida com uma graça especial, porque sou eu quem, se tiver a ventura de ver correspondido o meu afeto por ti, receberei a melhor dádiva que poderia almejar.

É possível que você descreia da sinceridade de minhas palavras, já que a diferença de fortuna pode levar-te a crer que não passo de simples conquistador à cata de aventuras. Afianço-te, porém, e nisto empenho minha honra e minha palavra de cavalheiro, que sou sincero quando te digo! Quero-a!…

          Assim, esperando alcançar a tua confiança, para poder transformar em realidade as minhas palavras, atrevo-me a pedir-lhe uma resposta que seja a justa recompensa da dedicação e sincero afeto.

          Do teu admirador,

          P……….


CARTA DE ROMPIMENTO DE NAMORO

          Senhorita:

          Manda o bom senso que pensemos duas vezes antes de contrairmos os sagrados laços do matrimônio, para que no futuro não venhamos a nos arrepender de um ato realizado irrefletidamente.

          No momento, senhorita, permito-me crer que é a voz do bom senso que fala por minha boca, ditando as palavras que escrevo para dizer-lhe que infelizmente o desenlace de nossas malfadadas relações se impõe como um remédio benéfico para nós ambos ante o aniquilamento definitivo do grande amor que por você eu alimentara.

          Dói menos uma ofensa do que uma desilusão; é preferível a malvadez ao cinismo e o ataque frente a frente dá maior oportunidade à defesa do que a agressão pérfida vibrada à sombra.

          Você procedeu para comigo de uma forma tão condenável que não encontro expressão com que a deva classificar. Se não me amas, devias confessá-lo honestamente, ao invés de humilhar-me preterindo-me ante seus muitos admiradores, entre os quais você própria titubeia em fazer uma escolha definitiva.

          Essas as razões por que hoje sou forçado a terminar com as relações que entre nós existiam, pedindo-lhe a devolução de todas as minhas oferendas, assim como eu devolvo, junto com esta, todas as coisas que de suas mãos recebi.

          Aconselho-a, para o futuro, que não proceda com outro da forma como procedeu comigo, pois disso dependerá talvez a sua felicidade.

          Atenciosamente,

          R……….


CARTA DE RECONCILIAÇÃO

          Minha querida:

          A tristeza de meu coração e a dor que invade minha alma neste instante são o castigo merecido pela intempestividade de minha atitude, pela falta de delicadeza com que, em nosso último encontro, retirei-me de tua companhia dizendo que não voltaria mais.

          Hoje, decorridos já alguns dias. quando com o espírito calmo reflito melhor sobre os motivos que provocaram nossa separação e que nos levaram a tão desagradável desentendimento, vejo que sou o único culpado dessa separação, porque naquele momento faltou-me a calma, a tolerância e a compreensão necessárias para admitir que tinhas razão em tudo quanto disseste e que, afinal, não havia motivos para um rompimento definitivo entre nós dois.

          Penitencio-me, agora, curtindo as dores da saudade e do arrependimento e pedindo-te, minha doce amiga, que aceite novamente o meu amor e o meu carinho, esquecendo o meu imperdoável procedimento e acreditando que a ele fui levado pelo muito amor que te dedico.

Aguardo, ansioso, uma palavra tua para ir depositar aos teus pés o testemunho fiel de meu amor e minha dedicação.

          Do teu,

          A……….


Fonte: Jornal do Brasil – 10/06/1975 (Publicidade Olivetti para o Dia dos Namorados)

Você Pergunta, a Bíblia Responde

Estar vivo! Sentir-se vivo!

“Disse mais o SENHOR Deus: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma auxiliadora que lhe seja idônea.” (Gn 2.18)

A expressão “não é bom” surge aqui, pela primeira vez na bíblia, exteriorizando e revelando os pensamentos do Altíssimo em relação à solidão humana. Aparece pela última vez nos lábios de Jesus dirigindo sua resposta ao clamor daquela mulher cananeia: “Senhor, socorre-me!”…. Não é bom tomar o pão dos filhos e lançá-lo aos cachorrinhos.”  (Mt 15.25-26). Ao todo, essa expressão aparece na bíblia por 16 vezes, principalmente no Livro de Provérbios e fazendo referência a práticas erradas, injustas, inconvenientes ou caminhos pecaminosos.

Quando Deus acha que a solidão humana não é boa, é porque não é mesmo. Somente quem experimentou a vida cotidiana em um agradável ambiente familiar, com seu cônjuge e filhos, depois passou a morar sozinho(a) é capaz de entender esse doloroso sentimento.

Estar vivo não é tudo, também é importante sentir-se vivo! A versão da música BEING ALIVE (ESTAR VIVO) cantada por Adam Driver no filme “História  de um Casamento (MARRIAGE STORY – 2019)” nos oferece uma interessante oportunidade de refletir sobre o estar vivo e sentir-se vivo, em contraste com o vazio da solidão. 

Alguém que abrace você de perto demais.
Alguém que magoe você profundo demais.
Alguém que sente na sua cadeira.
Que faça você perder o sono.
Alguém que precise demais de você.
Alguém que conheça você bem demais.
Alguém que ponha você contra a parede.
Que jogue você no inferno.
Estar vivo.
Estar vivo.
Estar vivo.

Que alguém me abrace de perto demais.
Que alguém me magoe profundo demais.
Que alguém sente na minha cadeira.
Que me faça perder o sono.
E me deixe consciente de estar vivo.
Estar vivo.

Como é gostoso e vitalizante aquele abraço bem apertado e aconchegante de quem te ama. É aquele gesto, sem palavras, que diz tudo.

Até a mágoa tem o seu lugar e valor num relacionamento; produz reflexão, produz mudança. ”Leais são as feridas feitas pelo que ama, porém os beijos de quem odeia são enganosos.” (Pv 27.6). É claro que não há aqui qualquer apologia à violência física.

O ato de sentar-se na sua cadeira traz as ideias de proximidade e relacionamento; de presença mais demorada, de disposição para falar e ouvir. Quem não precisa disso?

Se algo é monótono e sem importância provoca desinteresse e sonolência. Se alguém faz você perder o sono, quer por seu companheirismo e cumplicidade, quer pelo que disse, significa que há alguém ou algo importante em sua vida e que desperta sensações e sentimentos no mais profundo do seu ser.

A vida passa a ter cores muito mais fortes e vigorosas quando alguém precisa de você. Não se trata daquela dependência tóxica e doentia que anula o ser do outro, mas aquela carência revigorante de quem aprecia e reconhece o valor diferenciado de quem você é e daquilo que você faz.

O conhecimento aprofundado do outro, numa relação de disputa e ódio, é sempre danoso e destrutivo. Porém, numa relação saudável, este conhecimento é muito bem-vindo. Os pontos fortes do cônjuge são reconhecidos e úteis no cotidiano do casal. Naturalmente os pontos fracos não vão passar despercebidos e merecerão aquele apoio incondicional para sua superação.

Encostar o outro contra a parede é não lhe dar espaço para fugir daquilo que precisa ser enfrentado. Pode não parecer muito agradável ser forçado a enfrentar os desafios da vida. É como ser jogado no inferno da provação. Entretanto, tem grande chance de ser recompensador e nos faz sentir vivos. Estar vivo….

Que alguém precise demais de mim.
Que alguém me conheça bem demais.
Que alguém me ponha contra a parede.
E me jogue no inferno.
E me anime, para estar vivo.
Faça-me viver,
Faça-me viver,
Me deixe confuso.

Na sequência, alguns versos são repetidos, agora na forma de um ardente desejo. O desejo se mistura com uma espécie de clamor pela sobrevivência.

A sombria e gélida solidão precisa ser penetrada pela luz e calor do ânimo e entusiasmo de uma companhia amada.

Às vezes ocorre confusão de sentimentos ou dúvidas quando se pensa se vale a pena continuar juntos. Aí alguém diz algo que merece uma boa reflexão: “Podemos ter muitos motivos para não casar com alguém, mas nenhum bom motivo para ficarmos sozinhos”.

Zombe de mim com elogios.
Me deixe ser usado.
Diversifique os meus dias.
Mas sozinho,
É sozinho,
Não é vivo.

Zombar ou debochar ou achincalhar não é coisa boa e desejável. Vamos abrir uma exceção aqui desse zombar e avaliar como algo positivo, porque se é com elogios, parece compensador e estimulador.

Algumas frases podem soar repulsivas, tipo “me deixe ser usado”. Ser usado por alguém e aceitar isso passivamente parece humilhante. Numa relação de amor muito forte e intensa provavelmente será melhor isso do que o isolamento da solidão.

Se a solidão provoca certa monotonia e paralisia, no corpo e na alma, a presença do outro tem tudo para gerar mobilidade, quebra de rotina desde que os cônjuges saibam fazer bom uso da sua criatividade.

Que alguém me inunde de amor.
Que alguém me obrigue a mostrar o meu coração.
Que alguém me faça estar à altura.
Eu sempre estarei lá.
Tão amedrontado quanto você.
Pra nos ajudar a sobreviver.
Estar vivo,
Estar vivo,
Estar vivo.

Mais do que um legítimo desejo, receber atenção, afeto e amor é algo inquestionavelmente revigorante e vital. Faz brilhar os olhos, acelerar o coração, ruborizar a face,  eclodir uma sensação de euforia, enfim, provoca o pulsar da vida do corpo e da alma.

Obrigação só rima com satisfação na técnica dos poetas e compositores. Quem quer ser obrigado a fazer alguma coisa? Ah, mas para escapar da solidão aceitam-se algumas obrigações como aquela que te faz descortinar e manifestar os segredos mais íntimos do coração.

O caminhar a dois envolve muitos desafios, mas também oferece grandes e excelentes oportunidades. Uma delas é a de crescimento. É extremamente proveitoso que cada cônjuge incentive e contribua efetivamente para o desenvolvimento e amadurecimento do outro. Se são “uma só carne” é natural e esperado que isso aconteça. É mais uma vantagem da vida em comum do casal. Do contrário, quando apenas um se desenvolve resulta em disformidade, podendo tornar a relação insustentável.

Portanto, essa vida a dois pode até parecer amedrontadora pelos desafios que se impõem. Entretanto, se o amor que une o casal é maior do que as diferenças que atuam contra, é de se esperar muito mais força e garra para se viver e sobreviver!

Finalmente, vale lembrar que se você perdeu alguém muito importante em sua vida, que fazia você se sentir vivo(a), não perca de vista as promessas de Deus, nosso Criador:

“Pai dos órfãos e juiz das viúvas é Deus em sua santa morada. Deus faz que o solitário more em família; tira os cativos para a prosperidade; só os rebeldes habitam em terra estéril.” (Sl 68.5-6)

“O SENHOR é quem vai adiante de ti; ele será contigo, não te deixará, nem te desamparará; não temas, nem te atemorizes.” (Is 31.8)

“Todavia, estou sempre contigo, tu me seguras pela minha mão direita. Tu me guias com o teu conselho e depois me recebes na glória. Quem mais tenho eu no céu? Não há outro em quem eu me compraza na terra. Ainda que a minha carne e o meu coração desfaleçam, Deus é a fortaleza do meu coração e a minha herança para sempre.” (Sl 73.23-26)

A nobre missão de Evangelizar

A Bíblia fala por si mesma…..

ASPECTOS REFERENTES À OBRA

01. É a proclamação do amor e da vontade de Deus.

“Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” (Jo 3.16)

“Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores.” (Rm 5.8)

“Isto é bom e aceitável diante de Deus, nosso Salvador, o qual deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade.” (1Tm 2.3-4)

02. É reconhecer a necessidade do homem pecador.

“pois todos pecaram e carecem da glória de Deus,” (Rm 3.23)

“como está escrito: Não há justo, nem um sequer, não há quem entenda, não há quem busque a Deus; todos se extraviaram, à uma se fizeram inúteis; não há quem faça o bem, não há nem um sequer.” (Rm 3.10-12)

03. É valorizar a alma humana e o preço que foi pago no Calvário.

“Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? Que daria um homem em troca de sua alma?” (Mc 8.36-37)

“e entoavam novo cântico, dizendo: Digno és de tomar o livro e de abrir-lhe os selos, porque foste morto e com o teu sangue compraste para Deus os que procedem de toda tribo, língua, povo e nação” (Ap 5.9)

“sabendo que não foi mediante coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados do vosso fútil procedimento que vossos pais vos legaram, mas pelo precioso sangue, como de cordeiro sem defeito e sem mácula, o sangue de Cristo,” (1Pe 1.18-19)

04. É obter resultados transformadores para um futuro glorioso.

“Pois não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego;” (Rm 1.16)

“E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas.” (2Co 5.17)

“para o que também vos chamou mediante o nosso evangelho, para alcançardes a glória de nosso Senhor Jesus Cristo.” (2Ts 2.14)

05. É tarefa permanente e urgente.

“Mas é necessário que primeiro o evangelho seja pregado a todas as nações.” (Mc 13.10)

“Não dizeis vós que ainda há quatro meses até à ceifa? Eu, porém, vos digo: erguei os olhos e vede os campos, pois já branquejam para a ceifa.” (Jo 4.35)

“É necessário que façamos as obras daquele que me enviou, enquanto é dia; a noite vem, quando ninguém pode trabalhar.” (Jo 9.4)

“remindo o tempo, porque os dias são maus.” (Ef 5.16)

“prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e doutrina.” (2Tm 4.2)

ASPECTOS REFERENTES AO OBREIRO

06. É para os seguidores de Cristo.

“E percorria Jesus todas as cidades e povoados, ensinando nas sinagogas, pregando o evangelho do reino e curando toda sorte de doenças e enfermidades. Vendo ele as multidões, compadeceu-se delas, porque estavam aflitas e exaustas como ovelhas que não têm pastor. E, então, se dirigiu a seus discípulos: A seara, na verdade, é grande, mas os trabalhadores são poucos. Rogai, pois, ao Senhor da seara que mande trabalhadores para a sua seara.” (Mt 9.35-38)

“pelo contrário, visto que fomos aprovados por Deus, a ponto de nos confiar ele o evangelho, assim falamos, não para que agrademos a homens, e sim a Deus, que prova o nosso coração.” (1Ts 2.4)

“A eles foi revelado que, não para si mesmos, mas para vós outros, ministravam as coisas que, agora, vos foram anunciadas por aqueles que, pelo Espírito Santo enviado do céu, vos pregaram o evangelho, coisas essas que anjos anelam perscrutar.” (1Pe 1.12)

07. É um ato de obediência, podendo acarretar sofrimento.

“Jesus, aproximando-se, falou-lhes, dizendo: Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra. Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século.” (Mt 28.18-20)

“E disse-lhes: Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo; quem, porém, não crer será condenado.” (Mc 16.15-16)

“Então, Pedro e os demais apóstolos afirmaram: Antes, importa obedecer a Deus do que aos homens.” (At 5.29)

“pelo contrário, participa comigo dos sofrimentos, a favor do evangelho, segundo o poder de Deus,” (2Tm 1.8b)

08. É um dever revestido de privilégio.

“Como, porém, invocarão aquele em quem não creram? E como crerão naquele de quem nada ouviram? E como ouvirão, se não há quem pregue?” (Rm 10.14)

“Se anuncio o evangelho, não tenho de que me gloriar, pois sobre mim pesa essa obrigação; porque ai de mim se não pregar o evangelho!” (1Co 9.16)

“Tudo faço por causa do evangelho, com o fim de me tornar cooperador com ele.” (1Co 9.23)

09. É manifestação de sabedoria.

“O fruto do justo é árvore de vida, e o que ganha almas é sábio.” (Pv 11.30)

“Por esta razão, não vos torneis insensatos, mas procurai compreender qual a vontade do Senhor.” (Ef 5.17)

10. É recompensada com galardão.

“Não dizeis vós que ainda há quatro meses até à ceifa? Eu, porém, vos digo: erguei os olhos e vede os campos, pois já branquejam para a ceifa. O ceifeiro recebe desde já a recompensa e entesoura o seu fruto para a vida eterna; e, dessarte, se alegram tanto o semeador como o ceifeiro.” (Jo 4.35-36)

“manifesta se tornará a obra de cada um; pois o Dia a demonstrará, porque está sendo revelada pelo fogo; e qual seja a obra de cada um o próprio fogo o provará. Se a obra de alguém se queimar, sofrerá ele dano; mas esse mesmo será salvo, todavia, como que através do fogo.” (1Co 3.13, 15)

“Todo atleta em tudo se domina; aqueles, para alcançar uma coroa corruptível; nós, porém, a incorruptível.” (1Co 9.25)

REFLEXÃO E ENVIO

“Mas levanta-te e firma-te sobre teus pés, porque por isto te apareci, para te constituir ministro e testemunha, tanto das coisas em que me viste como daquelas pelas quais te aparecerei ainda,  livrando-te do povo e dos gentios, para os quais eu te envio, para lhes abrires os olhos e os converteres das trevas para a luz e da potestade de Satanás para Deus, a fim de que recebam eles remissão de pecados e herança entre os que são santificados pela fé em mim.” (At 26.16-18)

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Perseguidos, porém não desamparados

“Em tudo somos atribulados, porém não angustiados; perplexos, porém não desanimados; perseguidos, porém não desamparados; abatidos, porém não destruídos;” (2Co 4.8-9)

INTRODUÇÃO

Você tem percebido algum tipo de perseguição aos cristãos no Brasil? A partir da sua conversão você já foi vítima de algum tipo de perseguição ou discriminação por causa de sua fé cristã?

Neste artigo abordaremos inicialmente a realidade da perseguição aos cristãos e, em seguida, faremos a análise de um caso real de perseguição logo no início da igreja.

1. A REALIDADE DA PERSEGUIÇÃO

1.1  Abuso do poder religioso.

Em 18/08/2020 o TSE rejeitou instituir o abuso de poder religioso em ações que podem levar a cassações de candidatos eleitos.

A tese foi proposta pelo vice-presidente do TSE 2020, Ministro Luiz Edson Fachin, ao relatar recurso da vereadora de Luziânia (GO) Valdirene Tavares dos Santos contra cassação de mandato por suposto abuso de poder religioso nas Eleições de 2016. O MPE acusou Valdirene de pedir votos durante um evento na catedral da Assembleia de Deus em Luziânia. A reunião com pastores de outras filiais foi convocada pelo pai da candidata, Sebastião Tavares, pastor e dirigente da igreja no município. Após o juiz eleitoral condenar pai e filha, o TRE de Goiás absolveu Sebastião Tavares, mas manteve a punição contra a vereadora. A Corte Regional considerou ilícito eleitoral o discurso de cerca de três minutos feito por ela para cerca de 40 jovens no local religioso. Segundo o MPE, a candidata teria usado sua autoridade religiosa para influenciar os ouvintes, interferindo no direito constitucional da liberdade de voto.

Por sua vez ao votar, o presidente do TSE, ministro Luís Roberto Barroso, disse que a legislação eleitoral já prevê, de forma expressa, o abuso de poder religioso, ao vedar doações a candidatos e partidos por instituições religiosas e propaganda política em templos, de acordo com os artigos 24 e 37 da Lei das Eleições (Lei nº 9.504/1997).

Fonte: TSE
https://www.tse.jus.br/imprensa/noticias-tse/2020/Agosto/tse-rejeita-instituir-abuso-de-poder-religioso-em-acoes-que-podem-levar-a-cassacoes

É claro que templo religioso não é lugar para campanha política. ”A tese do abuso religioso é eivada de uma visão equivocada, que tenta excluir as pessoas de fé do debate público. O Estado é laico[1], não laicista[2]. Não é possível excluir da discussão política quem tem e assume a fé”. (Valmir Nascimento Milomem Santos, William Douglas)

Fonte: Correio Braziliense – 01/07/2020.
https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/opiniao/2020/07/01/internas_opiniao,868335/abuso-de-poder-religioso.shtml

Entretanto, é de se estranhar que tais autoridades jurídicas nunca se incomodaram com a propagação de ideologias de esquerda e aliciamento de trabalhadores realizadas pelos sindicatos de classe nas portas das empresas e em suas assembleias, bem como com a atuação de professores em escolas e universidades doutrinando os alunos com ideologias socialistas / comunistas e progressistas.

1.2 A Perseguição ao Cristianismo no mundo.

A MISSÃO PORTAS ABERTAS realiza um trabalho sério, cuidadoso e técnico de pesquisa mundial de perseguição aos cristãos. No link abaixo você encontrará o resultado da pesquisa realizada no período de 01/10/2019 a 30/09/2020, apresentando os cinquenta países que lideram essa perseguição, bem como a explicitação dos fatores e motivações que levam a isso.

Resultado da Pesquisa:  TOP 50 da Perseguição ao Cristianismo 2021.pdf

1.3 As quatro estratégias de Satanás sobre a humanidade – os “4 C”:

São, pelo menos, quatro:

a) CONFUNDIR (Operação Eva)

b) CONQUISTAR (Operação Ló)(atrair e seduzir)

c) CONTROLAR (Operação Gerasa)

d) COMBATER (Operação Jó)

Uma dessas estratégias é a perseguição (combate). Veja o detalhamento de cada uma delas no artigo do link abaixo.

Fonte: https://pauloraposocorreia.com.br/2017/09/16/destruindo-fortalezas/

1.4 Reflexões sobre a perseguição

a) Qual a razão da perseguição?

Normalmente a perseguição é motivada por algo (crença, costume, pessoa) que contrarie ou ameace determinados interesses de uma pessoa ou de algumas pessoas ou de grupos sociais ou de grupos organizados que detenham poder dominante ou que pretendam ser o poder dominante.

b) Perseguição ao crente e à igreja.

(i) Jesus falou e preanunciou a perseguição:

– No Sermão do Monte: “Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus.” (Mt 5.10);

– Na Parábola da Semente e dos Solos: “mas não tem raiz em si mesmo, sendo, antes, de pouca duração; em lhe chegando a angústia ou a perseguição por causa da palavra, logo se escandaliza.” (Mt 13.21);

– Comentando o encontro com o jovem de qualidades: “Tornou Jesus: Em verdade vos digo que ninguém há que tenha deixado casa, ou irmãos, ou irmãs, ou mãe, ou pai, ou filhos, ou campos por amor de mim e por amor do evangelho, que não receba, já no presente, o cêntuplo de casas, irmãos, irmãs, mães, filhos e campos, com perseguições; e, no mundo por vir, a vida eterna.” (Mc 10.29-30).

(ii) A igreja vem sofrendo perseguições desde o início da sua história (At 8.1; 13.50; 2Ts 1.4; 2Tm 3.11).

(iii) O apóstolo Paulo adverte que os crentes piedosos serão perseguidos (2Tm 3.12).

   “Ora, todos quantos querem viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos.”

(iv) Nenhum tipo de adversidade pode separar-nos do amor de Cristo: “Quem nos separará do amor de Cristo? Será tribulação, ou angústia, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada?” (Rm 8.35).

(v) O crente fiel suporta as perseguições e não é desamparado (1Co 4.12; 2Co 4.9).

(vi) As perseguições, por amor a Cristo, devem ser motivo de prazer: “Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias, por amor de Cristo. Porque, quando sou fraco, então, é que sou forte.” (2Co 12.10).

2. A PERSEGUIÇÃO DOS APÓSTOLOS (Atos 4.5-31):

2.1 O contexto

Tudo começou quando Pedro e João subiram ao templo para a oração da ora nona (15h)(At 3.1). Ali na porta do templo curaram o coxo de nascença (At 3.1-11). Na sequência, discursaram e pregaram a Cristo ressuscitado e conclamaram o povo ao arrependimento (At 3.12-26). O evento evangelístico inesperado tomou proporções tais que chamou a atenção das lideranças religiosas que providenciaram a prisão dos apóstolos Pedro e João (At 4.1-3). Entretanto, o Espírito Santo já havia operado nos corações dos ouvintes e o número dos homens que aceitaram a palavra subiu para quase cinco mil (At 4.4).  

2.2 O Sinédrio (At 4.1-3)

a) Sua composição e competência

Era o mais alto tribunal religioso dos judeus, do qual faziam parte os sumos sacerdotes (o atual e os anteriores), chefes religiosos (anciãos) e mestres da Lei (escribas). Representantes do grupo ou seita dos saduceus (At 5.17), juntamente com representantes da seita dos fariseus, compunham o Superior Tribunal Civil e Religioso de setenta juízes, chamado “Sinédrio”, que exercia autoridade quase absoluta em Israel, tanto sobre questões civis, quanto sobre questões religiosas. Embora a Judéia fosse província romana, governada por um procurador, desde o ano 6 DC, a maioria das questões do Estado era entregue nas mãos das autoridades judaicas, na pessoa do sumo sacerdote e do Sinédrio.

b) Suas preocupações

“Então, os principais sacerdotes e os fariseus convocaram o Sinédrio; e disseram: Que estamos fazendo, uma vez que este homem opera muitos sinais?” (Jo 11.47)

Desde o início do ministério público de Jesus estas autoridades religiosas se mostraram preocupadas com a influência e popularidade de Jesus alcançada por meio dos seus discursos e ações miraculosas. E, agora, que pensavam que se tinham livrado dele, executando-o, eis que tudo recomeçava. Os saduceus estavam desgastados e ameaçados por tal pregação. Jesus fora um terrível pesadelo para eles; só que agora havia doze de seus representantes, sem falar no número de discípulos, que crescia a olhos vistos, a cada momento. É bem provável que a perseguição à nova religião tenha se agravado mais do que no tempo de Jesus, uma vez que o grupo dominante (os saduceus) começou a tomar parte mais ativa na perseguição aos cristãos, ao passo que, anteriormente, haviam deixado a oposição ativa a Jesus mais ao encargo dos fariseus, até os últimos poucos meses de sua vida terrena.

Vale lembrar e ressaltar que os fariseus exerceram maior oposição a Jesus, durante o seu ministério terreno, do que os saduceus. Entretanto, após a morte, ressurreição e ascensão de Jesus os saduceus marcaram presença nessa oposição aos seguidores de Cristo. Teologicamente, a hierarquia judaica daquele tempo, por estar essencialmente dominada pelos saduceus, representava uma tendência racionalista e cética (materialista), negando a existência dos anjos e dos espíritos, bem como a realidade da vida após túmulo: “Pois os saduceus declaram não haver ressurreição, nem anjo, nem espírito; ao passo que os fariseus admitem todas essas coisas.” (At 23.8). Portanto, os saduceus estavam preocupados porque Pedro e João proclamavam, persistentemente e abertamente, que Jesus ressuscitara dos mortos e anunciavam, com base nessa ressurreição, a esperança da ressurreição dos homens.

c) Suas atitudes arbitrárias

Parece que esse encarceramento não foi oficial, porquanto não havia qualquer acusação formal, a não ser a possível acusação de estarem os apóstolos a perturbar a tranquilidade e o sossego públicos. Também não parece ter havido tentativa de iniciar qualquer processo legal. O resultado de tudo foi uma mera advertência feita aos líderes cristãos, e não um julgamento severo. Porém, foi assim que toda a questão da perseguição contra a Igreja Cristã primitiva começou. Jesus havia advertido os seus seguidores acerca disso, decorridas apenas algumas poucas semanas que o próprio Senhor Jesus fora arrastado à presença daquele mesmo tribunal. Cristo, pois, advertira aos seus discípulos que seriam entregues “…aos tribunais e às sinagogas…” (Mc 13.9). E agora essa predição começava a cumprir-se.

d) Sua incapacidade

Prender os apóstolos era muito fácil. Difícil era controlar as mentes e os corações daqueles que tomaram conhecimento dos fatos e participaram de uma inesperada concentração evangelística, que se desenvolveu naquela tarde-noite. Os apóstolos foram encarcerados, mas a Palavra de Deus permanecia livre e desimpedida por ser vivificada pelo Espírito Santo. E isto nos faz lembrar da declaração de Paulo em 2Timóteo 2.9: “pelo qual estou sofrendo até algemas, como malfeitor; contudo, a palavra de Deus não está algemada”. Quando a igreja não sofre reação dos inimigos do evangelho é porque ela não está influenciando o mundo como deveria.

2.3 O julgamento e a libertação dos apóstolos (At 4.5-22)

a) O julgamento e os juízes (At 4.5-6)

As regulamentações judaicas proibiam que se instaurassem julgamentos no período noturno; e, neste caso, essa particularidade da lei dos judeus foi observada, porquanto as autoridades religiosas prenderam os dois apóstolos e esperaram até ao raiar do dia seguinte. Deve-se notar, entretanto, que essa lei, no caso do Senhor Jesus, foi inteiramente ignorada, certamente por causa da premência do caso, embora a decisão oficial somente tenha ocorrido na manhã seguinte. A lei contrária aos julgamentos noturnos parece ter-se alicerçado no texto de Jeremias 21.12.

No dia imediato o Sinédrio se reuniu para julgar os apóstolos. Parece que não faltou ninguém: autoridades ou sacerdotes, anciãos e escribas. Os escribas não eram, nem seita religiosa e nem partido político, e sim, um grupo de profissionais. “Doutor”, “escriba” e “mestre (da lei)” são expressões sinônimas, no NT. Tendo-se originado com Esdras, segundo certa tradição, os escribas interpretavam e ensinavam a lei do AT e baixavam decisões judiciais sobre os casos que lhes eram apresentados. A aplicação dos preceitos da lei à vida diária, tornava necessária a função interpretativa dos escribas. Nessa ocasião Caifás era o sumo sacerdote presidente do Sinédrio. Seu sogro, Anás, era o ex-sumo sacerdote e muito respeitado no Sinédrio. Quanto a João e Alexandre, nada sabemos.

b) A grande questão  (At 4.7)

Pedro e João foram levados a presença do Sinédrio e desafiados a dizer com que autoridade, leigos como eles eram, agiam daquela forma. – Apresentem suas credenciais! dizem eles. O credenciamento dado pelo Espírito Santo é o único que nos deveria importar. João Batista era um ministro aprovado por Deus. Sua vida demonstrou isso, embora não estivessem os seus padrões em consonância com os padrões das autoridades religiosas dos seus dias. Jesus teve a vida mais poderosa que alguém já viveu, e, no entanto, as autoridades de seus dias não aceitaram, nem a ele mesmo e nem a seu ministério.

c) A resposta de Pedro  (At 4.8-12)

  • A transformação de Pedro

É maravilhoso pensar na transformação ocorrida em Pedro. Antes, se escondendo de todos e negando o Mestre; agora, porém, sabendo com que tipo de homens estava lidando, enfrentou-os com não menor bravura do que o fizera o Senhor Jesus, o que era, afinal de contas, uma das grandes características de Pedro.

  • A assistência divina

A fonte da coragem de Pedro fica aqui bem evidenciada e era o cumprimento da promessa de Jesus: “Quando, pois, vos levarem e vos entregarem, não vos preocupeis com o que haveis de dizer, mas o que vos for concedido naquela hora, isso falai; porque não sois vós os que falais, mas o Espírito Santo.” (Mc 13.11; comp. Mt 10.19-20; Lc 21.14-15). Destaca-se novamente o fato, tal como nas ações e intervenções anteriores de Simão Pedro, desde o dia de Pentecoste, de que o temor que o subjugou, durante o breve período da grande prova do Senhor Jesus, que fez Simão tremer ante a indagação de uma simples criada, cedera lugar a uma intrepidez extraordinária, que emprestava a Pedro o poder e a confiança mais patentes, na presença do mais augusto grupo de juízes da terra, a saber, do próprio tribunal que condenara o Senhor Jesus à morte.

  • A defesa de Pedro

Pedro destacou que nada fez além de ajudar um aleijado e declarou que sua cura fora efetuada em nome de Jesus Cristo de Nazaré. Pedro estava presumivelmente defendendo-se, mas depois abandonou a defesa e começou a proclamar o Evangelho (vv.11 e 12). Ele citou o Salmo 118.22, já citado por Cristo (Mc 12.10; Mt 21.42 e Lc 20.17), declarando que Cristo era a pedra que os construtores da nação judia rejeitaram, mas a qual Deus estabeleceu por mais importante pedra do edifício. Além disso, disse que só nele havia salvação; e que se os judeus rejeitassem o poder salvador do seu nome, não haveria outro meio de encontrarem salvação. Pedra angular parece referir-se a uma pedra do alicerce, o que se encaixa bem com a referência a Isaías 28.16 (citada em Rm 9.33) e a Efésios 2.20.

d) O dilema dos juízes  (At 4.13-14)

A atuação dos apóstolos deixou o Sinédrio admirado. “Iletrados e incultos” provavelmente não se referem à sua inteligência ou capacidade de ler e escrever, mas ao fato de que não eram escolados ou educados na tradição dos escribas, sendo de fato leigos. Era coisa incomum que leigos, sem preparo, falassem com tal eficiência e autoridade. Os líderes já sabiam que Pedro e João eram discípulos de Jesus, mas lembravam-se agora do fato de que Jesus, mesmo não sendo educado nas tradições dos escribas (Jo 7.15), também tinha deixado o povo maravilhado com a autoridade com que falava (Mc 1.22). Algo dessa mesma autoridade refletia-se agora nos seus discípulos.

A presença do coxo ali, em pé, curado, junto com eles, tornava difícil negar a eficácia dessa autoridade.

e) A deliberação do Sinédrio  (At 4.15-17)

Embora Pedro e João não tivessem infringido qualquer lei, estavam ganhando uma popularidade perigosa. O Sinédrio deliberou que a única atitude possível era ameaçá-los, ordenando-lhes que não pregassem mais em nome de Jesus. O Sinédrio não tomou qualquer providência para desacreditar a afirmação central da pregação dos apóstolos – que Jesus ressuscitara dos mortos. A pregação dos apóstolos poderia ser facilmente frustrada se a proclamação da ressurreição fosse comprovadamente falsa. O corpo de Jesus desvanecera-se tão completamente que o Sinédrio se sentia inteiramente impotente para refutar a mensagem. 

f) O veredito final e a liberação (At 4.18-22)

Nada podiam eles fazer, senão proibi-los de falar em nome de Jesus e ameaçá-los, pois, tanto as evidências, quanto a reação do povo eram favoráveis aos apóstolos. Antes de saírem, Pedro e João, corajosamente manifestaram ao Sinédrio a disposição de obedecer a Deus a qualquer preço. Não devemos nos abater com as perseguições pois há uma autoridade maior, nosso Deus Todo-Poderoso, que nos guarda e nos assiste nesses momentos. É a ele que devemos obediência!

2.4 O reencontro com a igreja (At 4.23-31)

É possível imaginar o alívio dos apóstolos após a liberação, bem como o anseio e a expectativa de se encontrarem com os irmãos, que certamente estavam em oração por eles.

a) O compartilhamento das experiências vivenciadas (At 4.23)

Como família da fé é natural e importante que busquemos o convívio dos irmãos para mantermos comunhão e compartilharmos as experiências vividas. Desta forma poderemos apoiar e ajudar efetivamente uns aos outros, bem como orar com mais conhecimento de causa uns pelos outros.

b) A oração (At 4.24-30)

Na oração expressa nestes versículos verifica-se:

  • Uma invocação ao Deus Criador e Sustentador de todas as coisas, que tudo governa.
  • A palavra profética, ora realizada, das investidas contra o Senhor Deus e o seu Ungido.
  • Uma súplica ao Senhor para que mesmo diante de tantas ameaças pudessem continuar a anunciar o evangelho e a operar milagres. 

c) O revestimento do Espírito (At 4.31)

Como resposta divina a oração, o Espírito do Senhor se manifestou de forma extraordinária, enchendo-os e concedendo-lhes intrepidez para seguirem em frente, cumprindo sua missão. O que aconteceu aqui podemos chamar de um novo pentecoste, o “pentecoste eclesiástico”.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Desde o início da história, desde o Éden, o grande objetivo de Satanás tem sido o de afastar o ser humano de Deus e da sua vontade. A perseguição é uma das suas opções estratégicas, provavelmente utilizada quando as outras não surtem o efeito desejado. Entretanto, muitas vezes, o resultado é exatamente o oposto; os cristãos perseguidos se tornam fortes instrumentos de Deus no avanço da fé.

Pregar ou defender os bons costumes, a família e os valores judaico-cristãos, significa atrair e desencadear todas as forças movidas pelo inferno em sua direção. Porém, Deus é o nosso refúgio e fortaleza e não nos desampara. Nada escapa ao seu governo e controle sobre tudo e sobre todos. Além disso, vale ressaltar que foi através da grande perseguição contra a igreja em Jerusalém que os cristãos foram dispersos e o Evangelho se espalhou (At 8).

Finalmente, é lamentável ter que citar aqui a existência de “fogo amigo”, quando cristãos perseguem cristãos. Porém mesmo em situações tão negativas como essa, que podem servir de escândalo para os incrédulos, Deus tem os seus propósitos e caminhos em toda e qualquer circunstância, sendo capaz de transformar o mal em bem.


[1] Laico: significa o que ou quem não pertence ou não está sujeito a uma religião ou não é influenciado por ela.

[2] Laicista: Quem segue ou defende o laicismo, doutrina ou ideologia que prega a não intervenção das organizações religiões em instituições políticas e sociais.

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(Formatado para impressão, frente e verso – Tamanho A5)(Última atualização: 06/04/2021)

A Ceia do Senhor (1Co 11.23-26)

23  Porque eu recebi do Senhor o que também vos entreguei: que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão; (1Co 11)

24  e, tendo dado graças, o partiu e disse: Isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de mim. (1Co 11)

25  Por semelhante modo, depois de haver ceado, tomou também o cálice, dizendo: Este cálice é a nova aliança no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que o beberdes, em memória de mim. (1Co 11)

26  Porque, todas as vezes que comerdes este pão e beberdes o cálice, anunciais a morte do Senhor, até que ele venha. (1Co 11)


1. A SUBLIMIDADE DA COMUNHÃO

É muito significativa esta fala de Jesus aos seus discípulos: “E disse-lhes: Tenho desejado ansiosamente comer convosco esta Páscoa, antes do meu sofrimento.” (Lc 22.15). Em contagem regressiva para enfrentar terrível sofrimento e, por fim, a morte, Jesus, o Filho de Deus encarnado, encontra um rasgo de luz, um vislumbre de consolo na presença e comunhão com os seus amados: “Ora, antes da Festa da Páscoa, sabendo Jesus que era chegada a sua hora de passar deste mundo para o Pai, tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até ao fim.” (Jo 13.1). E, nós igreja, estamos inseridos neste amor e desejo do Senhor em estar conosco, em todos os dias da nossa vida e, em especial, na celebração da Ceia do Senhor. Este mesmo sentimento espraia-se sobre nós, povo de Deus, chamados para viver em unidade e comunhão com o Senhor e uns com os outros. É na Ceia do Senhor que vivenciamos e desfrutamos do ápice desse sentimento de aconchego espiritual e de pertencimento – povo santo e de propriedade exclusiva do Senhor. Tudo isso nos faz lembrar daquele cântico antigo, mas sempre atual:

Como é doce a comunhão
Dos remidos do Senhor.
Como é doce a comunhão
Dos remidos em amor.

Comunhão contigo, sim
Da Igreja, ó Senhor.
Expressão da tua graça
E teu amor
.

Vale, então lembrar e destacar alguns conceitos e verdades sobre a Ceia do Senhor, instituída por ele mesmo na noite em que foi traído:

a)Uma ordenança: “Fazei isto”.

Trata-se de uma ordenança já que o verbo está no imperativo. A Ceia do Senhor e o Batismo constituem os dois únicos ritos da igreja. Estes ritos não são meios auxiliares da salvação, mas ordenanças estabelecidas pelo Senhor da igreja!

b) Um memorial: ”Em memória de mim”.

A finalidade era manter acesa a lembrança de Cristo e não somente de sua morte. Não era apenas uma retrospecção, mas também uma celebração. Era um momento de contrição, mas não de velório; um momento de alegria pela vitória do Mestre e não de tristeza.

c) A utilização de símbolos visíveis e sinais.

Grandes homens deixaram memoriais esplendorosos, mas que não existem mais. Os símbolos utilizados são duradouros: enquanto existir vida existirá o pão (alimento) e o vinho (produto da terra).

d) O primeiro símbolo – pão.

Um pão, comum, inteiro, fala do corpo de Cristo oferecido por nós – “Por isso, o Pai me ama, porque eu dou a minha vida para a reassumir. Ninguém a tira de mim; pelo contrário, eu espontaneamente a dou. Tenho autoridade para a entregar e também para reavê-la. Este mandato recebi de meu Pai” (Jo 10.17-18). Após as ações de graças é partido e distribuído para “cada um”, para que cada um se identifique, se una a Cristo. O seu corpo dado por nós fala-nos da sua “humanidade”, “o verbo se fez carne e habitou entre nós”.

e) O segundo símbolo – vinho.

O cálice, o vinho comum, representa o sangue de Cristo derramado por nós. No velho pacto o sangue aspergido na verga das portas livrou-os do juízo de Deus. No novo pacto, o sangue de Cristo “derramado sobre nós” tem a mesma função – “Este é o cálice da nova aliança no meu sangue derramado em favor de vós.” (Lc 22.20). O sangue só tem poder para purificar pecado e não para curar enfermidades ou expulsar demônios; para isso é o nome de Jesus! O seu sangue fala-nos da sua divindade (invisível aos nossos olhos, porém presente no seu corpo mortal). 

f) As falsas doutrinas.

Um memorial é um símbolo, não é aquilo que é simbolizado. As falsas doutrinas da TRANSUBSTANCIAÇÃO (os elementos se transformam no próprio corpo de Cristo) e da CONSUBSTANCIAÇÃO (Cristo está presente corporalmente junto com os elementos) não encontram base na Bíblia. O pão continua pão e o vinho continua vinho, em substância e natureza.

g) Uma celebração.

A Ceia do Senhor não é apenas uma questão de retrospecção, mas um ato de celebração onde ocorre o exercício da vontade, do coração, da fé, do espírito, do amor fraternal, da esperança e da consciência!

h) A nutrição espiritual.

Na travessia do deserto o povo de Israel, a caminho da Terra Prometida, foi milagrosamente sustentando pelo maná, o pão do céu (Jo 6.31-32). Jesus é o pão do céu, o maná escondido (Ap 2.17) dos que se perdem, mas revelado aos salvos, mais do que suficiente para suprir todas as suas necessidades: “Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém dele comer, viverá eternamente; e o pão que eu darei pela vida do mundo é a minha carne” (Jo 6.51; ver tb Jo 6.54, 55 e 56).

2. A RELAÇÃO DO CRENTE COM A CEIA

A relação do crente com a Ceia do Senhor pode ser assim resumida:

1º) Um ato de submissão.

Nossa vontade é exercitada em resposta à sua autoridade e o resultado é o gozo da obediência – “fazei isto”.

2º) Um ato de devoção.

Nosso coração é exercitado em resposta ao seu amor e o resultado é o gozo da afeição mútua – “em favor de vós”.

3º) Um ato de apropriação.

Nossa fé é exercitada em resposta à sua graça e o resultado é o gozo da participação – “tomai, bebei”.

4º) Um ato de adoração.

Nosso espírito é exercitado em resposta à sua deidade e o resultado é adoração.

5º) Um ato de comunhão.

Nosso amor fraternal é exercitado em resposta ao seu acolhimento e o resultado é o gozo da intimidade.

6º) Um ato de esperança.

Nossa esperança é exercitada em resposta à sua promessa e o resultado é o gozo da antecipação – “até que volte”.

7º) Um ato de exame próprio.

Nossa consciência é exercitada em resposta à sua santidade e o resultado é o gozo da restauração – “examine-se pois”.

3. OS QUATRO OLHARES DA CEIA

A celebração da Ceia do Senhor nos remete a quatro olhares:

1º) Olhar para trás (Para o Calvário)

“Porque, todas as vezes que comerdes este pão e beberdes o cálice, anunciais a morte do Senhor, …..” (1Co 11.26)

2º) Olhar para frente (Para a Segunda Vinda)

“Porque, todas as vezes que comerdes este pão e beberdes o cálice, anunciais a morte do Senhor, até que ele venha.” (1Co 11.26)

3º) Olhar para dentro (Para a nossa consciência)

Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e, assim, coma do pão, e beba do cálice;”(1Co 11.28)

4º) Olhar ao redor (Para os irmãos)

“Porventura, o cálice da bênção que abençoamos não é a comunhão do sangue de Cristo? O pão que partimos não é a comunhão do corpo de Cristo?” (1Co 10.16)

Finalmente, vale a pena investir um tempo para ouvir o hino EM MEMÓRIA DE MIM, cantado pelo Coral Canuto Regis.

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