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O jeito errado e o certo de pastorear (1Pe 5.2-3)

Jeito errado-certo

No último artigo, no atual e nos próximos dois, estamos tratando da seguinte temática e tópicos:

Pastoreando o Rebanho de Deus (1Pe 5.1-4).

Parte 1: A paridade entre apóstolos e presbíteros (1Pe 5.1)

Parte 2: O jeito errado e o certo de pastorear (1Pe 5.2-3)

Parte 3: A recompensa do bom pastoreio (1Pe 5.4)

Parte 4: O pastoreio da igreja na atualidade

Nos três primeiros artigos traremos a visão da igreja primitiva ou neotestamentária sobre o assunto, tomando por base a Primeira Epístola de Pedro, conforme o texto mencionado. No quarto artigo, faremos uma ponte daquele tempo inicial para o tempo atual. Abra a sua mente e coração para refletir mais profundamente sobre a visão bíblica quanto ao pastoreio do rebanho de Deus, a sua igreja militante. Vejamos, agora, o segundo artigo.

 

Parte 2: O jeito errado e o certo de pastorear (1Pe 5.2-3)

 2 pastoreai o rebanho de Deus que há entre vós, não por constrangimento, mas espontaneamente, como Deus quer; nem por sórdida ganância, mas de boa vontade;

3 nem como dominadores dos que vos foram confiados, antes, tornando-vos modelos do rebanho.

 

O texto não só expressa o anseio e apelo de Pedro, mas também alguns ensinamentos importantes:

1º) Era tarefa e função dos presbíteros de cada igreja pastorear, ou seja, guiar, alimentar e cuidar do rebanho.

2º) Nunca se pode perder de vista que o rebanho é de Deus e não de algum líder. O recado velado é simples, preventivo e oportuno.

3º) O rebanho de Deus está espalhado por toda a parte, mas não está disperso, nem perdido. Está distribuído por aí em pequenos rebanhos que precisam ser pastoreados por seus respectivos presbíteros.

A tarefa de pastorear traz a reboque alguns requisitos e desafios. Três deles são aqui mencionados:

 

1. “não por constrangimento, mas espontaneamente, como Deus quer”

A palavra “constrangimento” traz em si mesma uma carga negativa; não combina com o ser humano e nem com o verbo fazer. Fazer algo por constrangimento é ser forçado a fazer, quando não se queria fazer; é fazer por obrigação. Isso nunca é bom para quem faz e produtivo para a missão ou tarefa ou obra a ser realizada. A tarefa de pastorear é verdadeiramente preciosa aos olhos de Deus e nobre diante dos olhos humanos; mas não é para qualquer pessoa. O apóstolo Paulo afirma: “Fiel é a palavra: se alguém aspira ao episcopado, excelente obra almeja” (1Tm 3.1). A obra é excelente, mas nem todos são vocacionados para realiza-la. Daí a probabilidade real de alguém ser constrangido ou “forçado” a realiza-la. Muitas são as razões ou circunstâncias que podem levar alguém a esse pastorear por constrangimento. Podemos citar aqui algumas delas, para exemplificar:

a) – Não tem ninguém melhor para fazer, então assuma você (necessidade);

b) – Isso pode me colocar numa posição de destaque e visibilidade, então vou assumir, mesmo não gostando (vaidade);

c) – Isso é uma tradição de família, então você tem que assumir (tradição);

d) etc etc

O pastorear não pode ser determinado pela imposição das circunstâncias, nem pela vontade dos outros, nem pela ambição humana, nem pelos caprichos do tradicionalismo. Antes, porém, precisa ser exercido espontaneamente, em atendimento ao nítido e inconfundível chamado de Deus. O padrão não é humano e nem negociável; tem que ser exatamente como Deus quer!

2. “nem por sórdida ganância, mas de boa vontade”

 Outra forma errada de pastorear é fazê-lo de forma gananciosa; aquele jeito sujo, nojento de se obter alguma vantagem financeira do rebanho de Deus se aproveitando do ofício. Imaginem o acerto de Pedro, inspirado pelo Espírito Santo, é claro, prescrevendo algo que na história da igreja tem sido uma lamentável realidade, principalmente neste século 21. Quantos falsos pastores, verdadeiros mercenários, estelionatários da fé, mercadejadores da Palavra de Deus, têm enriquecido manipulando e despojando aquelas ovelhas ingênuas do Senhor. Paulo insere este aspecto na qualificação de presbíteros, “… não cobiçoso de torpe ganância,…”(1Tm 3.3; Tt 1.7) e, também, na qualificação dos diáconos: “…, não cobiçosos de sórdida ganância,…” (1Tm 3.8). Na ocasião já havia indícios de que isso seria problema para a igreja (Tt 1. 10-12).

Ao contrário disso, o apelo do apóstolo é que o pastoreio seja exercido de boa vontade, sem exigir nada em troca. Pedro conhecia bem o exemplo do Mestre, que deu muito e pediu muito pouco. Deu pães e peixes com fartura e pediu apenas cinco pães e dois peixes (Mc 6.35-44). Nem para pagar o imposto de meio estáter (duas dracmas) pediu, antes, porém, enviou Pedro a pescar um estáter que estaria na boca do primeiro peixe fisgado (Mt 17.24-27). E, também disse: “Mais bem-aventurada coisa é dar do que receber” (At 20.35).

 

3. “nem como dominadores dos que vos foram confiados, antes, tornando-vos modelos do rebanho”

A figura que salta aos olhos neste terceiro caso é a de um mordomo. Aquele que pastoreia se assemelha ao mordomo a quem o dono da casa confia a administração dos seus bens e dos seus servos. O grande risco e equívoco de ambos, é pensar e agir como se fossem donos e não servos. Aquele que pastoreia não é dono do rebanho e o rebanho não é de animais, mas de gente. Gente salva por Cristo, com todo o direito de pensar com sua própria cabeça. Gente que não precisa ser dominada, nem mentalmente manipulada, mas que precisa ser orientada. Gente que, se não seguir a orientação de seus líderes, segundo a Palavra de Deus, colherá as consequências na sua vida e família. Gente que um dia terá que prestar contas dos seus atos diretamente a Deus. Aliás, também os presbíteros hão de prestar contas a Deus do seu ministério: “Obedecei aos vossos guias e sede submissos para com eles; pois velam por vossa alma, como quem deve prestar contas, para que façam isto com alegria e não gemendo; porque isto não aproveita a vós outros.” (Hb 13.17)

Em vez de dominar, o que se recomenda aos presbíteros é agir de tal forma que mais do que as palavras, suas vidas sirvam de modelo e exemplo a ser seguido pelos irmãos.

____________________

Leia no artigo anterior:

Parte 1: A paridade entre apóstolos e presbíteros (1Pe 5.1)

 

Leia nos próximos artigos:

Parte 3: A recompensa do bom pastoreio (1Pe 5.4)

Parte 4: O pastoreio da igreja na atualidade

 

A paridade entre apóstolos e presbíteros (1Pe 5.1)

Apóstolos-Presbíteros

Nestes próximos quatro artigos estaremos tratando da seguinte temática e tópicos:

Pastoreando o Rebanho de Deus (1Pe 5.1-4).

Parte 1: A paridade entre apóstolos e presbíteros (1Pe 5.1)

Parte 2: O jeito errado e o certo de pastorear (1Pe 5.2-3)

Parte 3: A recompensa do bom pastoreio (1Pe 5.4)

Parte 4: O pastoreio da igreja na atualidade

Nos três primeiros artigos traremos a visão da igreja primitiva ou neotestamentária sobre o assunto, tomando por base a Primeira Epístola de Pedro, conforme o texto mencionado. No quarto artigo, faremos uma ponte daquele tempo inicial para o tempo atual. Abra a sua mente e coração para refletir mais profundamente sobre a visão bíblica quanto ao pastoreio do rebanho de Deus, a sua igreja militante.

 

Parte 1: A paridade entre apóstolos e presbíteros (1Pe 5.1)

“Rogo, pois, aos presbíteros que há entre vós, eu, presbítero como eles, e testemunha dos sofrimentos de Cristo, e ainda co-participante da glória que há de ser revelada:”

O apelo é dirigido “aos presbíteros que há entre vós”. A igreja neotestamentária era governada e pastoreada pelos presbíteros, que, por sua vez, eram auxiliados pelos diáconos. Os presbíteros eram os oficiais da igreja que se dedicavam prioritariamente à pregação, ao ensino da Palavra e à oração; enquanto os diáconos cuidavam em atender às necessidades materiais dos santos (At 6.2-4). E, todos os crentes, inclusive presbíteros e diáconos, tinham a responsabilidade e privilégio de testemunhar, falar da salvação em Jesus e, além disso, de praticar o amor e procurar com zelo os dons espirituais (1Co 14.1) para serem aplicados no serviço cristão: “… com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo,” (Ef 4.12). A expressão “que há entre vós”, isto é, nas diversas igrejas locais para as quais a epístola foi escrita (1Pe 1.1), nos revela a normalidade do uso de tal ofício. Paulo, o apóstolo dos gentios e responsável pela organização da maioria dessas igrejas locais, não descuidava desse importantíssimo aspecto: “E, promovendo-lhes, em cada igreja, a eleição de presbíteros, depois de orar com jejuns, os encomendaram ao Senhor em quem haviam crido.” (At 14.23); “Por esta causa, te deixei em Creta, para que pusesses em ordem as coisas restantes, bem como, em cada cidade, constituísses presbíteros, conforme te prescrevi:” (Tt 1.5). Ressalte-se a preferência pela pluralidade de oficiais presbíteros em cada igreja. De certa forma, isso tinha em vista a garantia de continuidade e da ordem institucional e eclesiástica.

É interessante observar o posicionamento de Pedro ao se expressar assim: “…eu, presbítero como eles,…”. Há quem valorize a existência de hierarquia, castas, divisões, na sociedade e, até mesmo, na igreja. Parece que tal ideia não tinha muitos defensores entre os apóstolos. Pedro revela isso aqui e o apóstolo João prefere se identificar como “o presbítero” (2Jo 1.1; 3Jo 1.1). Em certos textos, nota-se que eles preferiam se identificar, prioritariamente, como servos: Paulo, servo de Jesus Cristo, chamado para ser apóstolo, separado para o evangelho de Deus,” (Rm 1.1; Tt 1.1; 1Pe 2.1). Qual a diferença entre apóstolos e presbíteros?

a) Os apóstolos

A palavra “apóstolo” (gr. apostolov) significa “alguém enviado”, como um embaixador que leva uma mensagem e representa aquele que o enviou. O termo é composto do prefixo “apo” (afastamento, separação), mais gr. stelw (enviar). Entretanto, esse termo é empregado no Novo Testamento para qualificar dois grupos distintos de pessoas:

Como título oficial, que dá a entender poderes e autoridade especiais em referência aos alicerces da igreja (ver Ef 2.20), aplicava-se exclusivamente aos doze apóstolos originais, a Matias e a Paulo. São os doze mencionados em Apocalipse 21.14. As qualificações ou credenciais (ver 2Co 12.12) de um apóstolo incluem:

 i. Ter sido escolhido pessoalmente pelo Senhor ou pelo Espírito Santo (Mt 10.1-2; At 1.26; Gl 1.1);

 ii. Ter visto o Senhor e ser testemunha de sua ressurreição (At 1.22; 1 Co 9.1);

 iii. Ser investido com dons miraculosos, os “sinais”, “prodígios” e “maravilhas” (At 5.15-16; Hb 2.3- 4).

Contudo, há também um sentido não-técnico, secundário, da palavra “apóstolo”. Trata-se de uma aplicação mais abrangente do termo. Esse sentido secundário dá a entender essencialmente o que denominamos hoje de “missionários”, pessoas enviadas e dotadas de poder e autoridade especiais. Vale lembrar que o termo “missionário” não se encontra no NT. É desta forma que Barnabé é referido como “apóstolo”, juntamente com Paulo em Atos 14.4. O apóstolo Paulo aplica essa palavra, neste mesmo sentido, a Tiago, irmão do Senhor (Gl 1.19). Neste mesmo sentido Epafrodito é citado, por ser “mensageiro” (gr. apostolon) da igreja em Filipos (Fp 2.25, ver ainda a citação de “mensageiros”, gr. apostoloi, em 2Co 8.23). Não se pode deixar de mencionar os falsos apóstolos mencionados e denunciados no NT (2Co 11.13 e Ap 2.2).

 

Na verdade, o ministério apostólico dos doze era temporário e transitório. Na Antiga Aliança, Deus chamou a Abraão e, através de seu neto Jacó (ou Israel), elegeu para si um povo, Israel, formado por doze tribos, que levavam os nomes dos seus filhos. Na Nova Aliança, Jesus foi enviado por Deus para reunir um novo povo eleito, os remidos pelo seu sangue. Assim como Moisés foi usado por Deus com autoridade e poder (Ex 7.3), para dar corpo e forma a este povo, Jesus, também foi usado e aprovado por Deus diante de todos para inaugurar um novo tempo (At 2.22). Como ele havia de morrer, ressuscitar e retornar ao pai, para que o Espírito Santo de Deus fosse derramado sobre todos os remidos, ele mesmo escolheu, chamou e capacitou doze discípulos, aos quais deu o nome de apóstolos (Lc 6.13), sendo um deles (Judas Iscariotes) posteriormente substituído, para dar corpo e forma a este novo povo, que lhe aprouve chamar de sua igreja. Como o próprio nome indica, o livro de “Atos dos Apóstolos” registra um pouco do muito que o Espírito Santo realizou através deles.

Resumidamente, podemos dizer que os apóstolos:

  • Receberam mandamentos por intermédio do Espírito Santo (At 1.2);
  • Ensinaram a doutrina do Senhor (At 2.42; 2Pe 3.2; Jd 1.17);
  • Juntamente com os profetas do Antigo Testamento estabeleceram o fundamento sobre o qual a igreja seria edificada (Ef 2.20);
  • Realizaram muitos prodígios e milagres (At 2.43; 5.12);
  • Com grande poder, davam testemunho da ressurreição do Senhor Jesus (At 4.33);
  • Recebiam doações e providenciavam a distribuição aos mais necessitados (At 4.34-35);
  • Foram presos e castigados para que não falassem em o nome de Jesus (At 5.18; 5.40);
  • Orientaram a igreja a escolher homens para servir, os futuros diáconos, e impôs as mãos sobre eles (At 6.1-6);
  • Exerciam, juntamente com os presbíteros, o governo da igreja (At 15.2).

 b) Os presbíteros

O texto de Atos 8.1 nos apresenta um divisor de águas do ministério apostólico. A partir daquele momento a atuação apostólica ficou praticamente circunscrita a Jerusalém, com poucas incursões fora destes termos, realizadas principalmente pelo apóstolo Pedro (At 9.32) e, eventualmente, acompanhado por João (At 8.14); sendo Pedro aquele que havia recebido do Senhor as chaves para abrir a porta do Evangelho aos judeus e gentios (Mt 16.19). Entretanto, a partir de Atos 9, entra em cena o apóstolo Paulo, um “nascido fora de tempo” (1Co 15.8), o “apóstolo dos gentios” (Rm 11.13). Em tempo de muita perseguição aos apóstolos e a igreja de Jerusalém, ele se encarregou de levar o evangelho até aos confins da terra (At 1.8).

Assim, enquanto a participação dos onze, juntamente com Matias (At 1.26) diminuía, encerrando o ciclo apostólico, a presença dos novos líderes da igreja, os presbíteros, crescia. A primeira menção a eles, no NT, ocorre em Atos 11.30. Resumidamente podemos dizer do presbítero:

  • É um ofício plural exercido por homens, com ação no âmbito da própria igreja, a qual reconhece aqueles a quem Deus escolheu, debaixo de muita oração e jejuns (At 14.23). Diz o sábio: “Não havendo sábia direção, cai o povo, mas na multidão de conselheiros há segurança.” (Pv 11.14);
  • Juntamente com os apóstolos tinham a responsabilidade de analisar e deliberar sobre questões doutrinárias (At 15.2, 4, 6, 22), emitindo documento sobre a decisão tomada, para orientação da igreja (At 15.23; 16.4);
  • O apóstolo Paulo dedicou atenção especial a eles, pois os via como líderes e pastores do rebanho de Deus (At 20.17, 28; 21.17);
  • Há dois textos bíblicos principais que apresentam, em forma de instrução e prescrição, as qualificações necessárias dos presbíteros: 1 Timóteo 3.1-7 e Tito 1.5-9. São listados ali cerca de 21 requisitos ou qualificações, sendo 5 apenas em 1 Timóteo 3.1-7, 7 em Tito 1.5-9 e, 9 comuns aos dois textos. Para propiciar uma melhor visão didática, essas qualificações individuais e familiares, podem ser agrupadas sob os seguintes aspectos/segmentos: “caráter / temperamento”, “comportamento / hábito”, “habilidade / competência / maturidade” e, “situação conjugal e familiar”. Portanto, cada presbítero deve atender a essas qualificações, sendo que em algumas delas precisará contar com a colaboração da família (esposa e filhos).
  • Paulo escreve algo que tem a ver com honra, mas também com o eventual sustento financeiro desses líderes: “Devem ser considerados merecedores de dobrados honorários os presbíteros que presidem bem, com especialidade os que se afadigam na palavra e no ensino.” (1Tm 5.17)
  • Tiago destaca a importância dos presbíteros, orando e atendendo as necessidades da igreja (Tg 5.14).

Por que em Efésios 4.11 o apóstolo Paulo mencionou apóstolos, profetas, evangelistas, pastores e mestres, e omitiu presbíteros e diáconos? Não me passa pela mente outra resposta senão que as cinco palavras citadas se referem aos cinco dons ministeriais concedidos pelo Espírito Santo. O texto diz assim: “E ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres, com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo,” (Ef 4.11-12). Já as palavras presbíteros e diáconos se referem a ofícios ou cargos instituídos desde os primórdios da igreja, para zelarem pelo seu bom funcionamento e ordem. Vale ressaltar que até mesmo o ofício de “pastor ou ministro do evangelho“, tão comum na igreja evangélica de hoje, é posterior ao primeiro século, não ocorrendo ainda na igreja neotestamentária. Assim sendo, os pastores mencionados em Efésios 4.11 se referem ao dom e não ao ofício de ministro do evangelho. Paulo considerava-se designado por Deus como pregador, apóstolo e Mestre (2Tm 1.11). Então, o melhor dos mundos seria aquele em que ministros do evangelho, presbíteros e diáconos exercessem seus respectivos ofícios cheios do Espírito Santo, manifestando os vários dons por ele concedidos.

Enfim, o que se via na igreja primitiva era a paridade entre apóstolos e presbíteros, ocorrendo o que sempre acontece quando pares conciliares se reúnem; uns se destacam mais do que outros. No famoso Concílio de Jerusalém, reunido para tratar da questão da circuncisão dos gentios (At 15), houve grande debate (At 15.7), o que sugere que muitos apóstolos e presbíteros expuseram suas opiniões. Lucas, inspirado pelo Espírito, de uma forma inteligente e objetiva, teve o cuidado de destacar a presença de uma multidão acompanhando os debates (At 15.12) e, a fala de quatro oradores, dentre tantos outros: Pedro (At 15.7), Barnabé e Paulo (At 15.12) e Tiago, irmão do Senhor (At 15.13). É fácil entender o porquê do registro desses quatro. Um eficiente secretário de atas de um concílio também teria seguido a linha de Lucas. Pedro, por sua proeminência entre os apóstolos, por ter sido designado pelo Mestre aquele que tinha a chave para abrir a porta do evangelho aos gentios e, como já vimos antes, pela sua experiência alcançada nas incursões que fazia entre os gentios. Barnabé e Paulo, porque na ocasião eram as maiores autoridades na evangelização e plantação de igrejas no mundo gentio. Esses três oradores defenderam muito bem a ideia de que na Nova Aliança não havia mais distinção entre judeus e gentios e espaço para as ordenanças da Antiga Aliança. Por fim, Tiago, porque ratificou o que os três anteriores falaram, acrescentando a citação do profeta Amós (Am 9.11-12); essa é a vantagem de quem fala por último, num concílio. A grande contribuição dele, como alguns conciliares que conheço costumam fazer, foi a de, com sabedoria, já encaminhar o debate para a decisão final, apresentando uma proposta que previa até a forma de comunicação e o texto a ser encaminhado para orientação dos irmãos. É digno de nota que a decisão final foi tomada pelos apóstolos e presbíteros, com toda a igreja ali reunida. Afirmar que, por conta dessa proposta final, pode-se considerar que Tiago era o “pastor da igreja de Jerusalém” é muita leviandade. Podemos, no máximo, supor que Tiago tinha alguma liderança entre seus pares, lucidez de raciocínio, facilidade de comunicação, conhecimento das Escrituras e, provavelmente, desfrutava de um certo prestígio por ser um meio-irmão do Senhor Jesus Cristo.

Leia nos próximos artigos:

Parte 2: O jeito errado e o certo de pastorear (1Pe 5.2-3)

Parte 3: A recompensa do bom pastoreio (1Pe 5.4)

Parte 4: O pastoreio da igreja na atualidade

As qualificações dos presbíteros

Há dois textos bíblicos principais que apresentam, em forma de instrução e prescrição, as qualificações necessárias dos presbíteros: 1 Timóteo 3.1-7 e Tito 1.5-9. O assunto é extremamente importante e sempre atual para cada igreja local. O cristão consciente sabe muito bem o quanto é valioso para a igreja ter  presbíteros que satisfaçam a essas referências bíblicas. São listados cerca de 21 requisitos, sendo 5 apenas em 1 Timóteo 3.1-7,  7 em Tito 1.5-9 e,  9 comuns aos dois textos. Para propiciar uma melhor visão didática, essas qualificações individuais e familiares, podem ser agrupadas sob os seguintes aspectos/segmentos: “caráter/temperamento”, “comportamento/hábito”, “habilidade/competência/maturidade” e, “situação conjugal e familiar”. Portanto, cada presbítero deve atender a essas qualificações, sendo que em algumas delas precisará contar com a colaboração da família (esposa e filhos).

Apresentamos, a seguir, as 21 qualificações vinculadas a seus respectivos segmentos. Ainda que tecnicamente alguma qualificação possa ser mais bem enquadrada em outro segmento, o mais importante, sem dúvida, é entender o significado de cada uma delas e que esta instrução bíblica seja praticada na igreja. O assunto é muito extenso, mas será abordado aqui de forma sucinta. Os textos bíblicos seguem a versão Almeida Revista e Atualizada (ARA).

I.   CARÁTER/TEMPERAMENTO

Considera-se aqui o “jeito de ser” da pessoa.

Qualificação: “temperante” (1Tm 3.2) / “que tenha domínio de si” (Tt 1.8)
Significado: Poder ou virtude pela qual o homem pode refrear os apetites desordenados.

Comentário: O homem temperante ou moderado é aquele que não se deixa arrebatar por extremos. Não pode ser extremista. Precisa ter controle e domínio de si e dos seus atos. Precisa ser autodisciplinado e autocontrolado.

Qualificação: “não violento, porém cordato” (1Tm 3.3; Tt 1.7)
Significado: Cordato → Que concorda, que tem gênio manso e pacífico. Sensato; prudente.

Comentário: O presbítero precisará lidar com opiniões diferentes e até com oposição; dos seus pares ou dos irmãos.  Alguém com gênio manso e pacífico é recomendável.

Qualificação: “inimigo de contendas” (1Tm 3.3)
Significado: Contenda → Altercação, controvérsia, debate, disputa, litígio, demanda.

Comentário: O presbítero precisa ser uma pessoa pacífica e pacificadora e, não, um criador de caso. Entretanto, ser pacífico não significa dizer sim a tudo, como uma vaquinha de presépio, para não se expor e, assim, se sentir confortável junto à maioria dos seus pares.  Vale lembrar, que antes de tudo, o presbítero tem o dever maior de zelar pela ética, pela moral e pelos bons costumes; zelar pelos princípios e doutrinas bíblicas; e, zelar pelo que for melhor para a igreja. Se necessário for, ele vai debater e discutir sim e exaustivamente as questões; com todo o respeito às pessoas, com inteligência e sensatez. Jamais deverá se omitir, sentindo-se acuado pela maldosa insinuação de alguém de que não está promovendo a paz. Seu dever é expor seu ponto de vista com argumentos, fatos e dados. Se a maioria decidir de forma diferente, sua postura tem que ser de respeito, reflexão e entrega para o Senhor, em oração. É preciso ter sempre em mente a possibilidade de estar equivocado ou, por outro lado, que o Senhor Deus pretenda usar uma eventual má decisão do grupo para fins que escapam a nossa visão pessoal, mas não a soberania de Deus.

Qualificação: “não arrogante” (Tt 1.7)
Significado: Arrogante → Altivo, insolente, soberbo.

Comentário: Ele não deve ser orgulhoso, arrogante no trato com as pessoas. Alguém que se acha superior e despreza as opiniões e sentimentos dos outros, não está qualificado para o ofício.

Qualificação: “não irascível” (Tt 1.7)
Significado: Não Propenso à irritação. Que não se irrita facilmente.

Comentário: “Todo homem, pois, seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar.” (Tg 1.19b) Principalmente o presbítero precisa enquadrar-se neste perfil recomendado por Tiago. Alguém explosivo, “com pavio curto”, não está qualificado para o ofício.

II.      COMPORTAMENTO/HÁBITO

Considera-se aqui o “modo de agir, de proceder” da pessoa.

Qualificação: “irrepreensível” (1Tm 3.2; Tt 1.5)
Significado: Que não dá motivo à repreensão ou censura.

Comentário: Excelente “carro chefe” nas duas listas de qualificações, pois supre facilmente algum requisito que porventura o apóstolo Paulo tenha deixado de mencionar. Irrepreensível não quer dizer perfeito, pois perfeito é atributo somente do Senhor Deus. Irrepreensível é aquele que as pessoas, de dentro ou de fora da igreja, não tenham pecado para apontar, pois não vive na prática do pecado (1Jo 3.9).

Qualificação: “sóbrio” (1Tm 3.2; Tt 1.8)
Significado: Moderado, não dado a excessos, especialmente no comer, beber e vestir.

Comentário: Uma pessoa sóbria é uma pessoa equilibrada nos seus hábitos alimentares e discreta no vestir-se. Não chama a atenção com os seus exageros.

Qualificação: “modesto” (1Tm 3.2)
Significado: Que pensa ou fala de si sem orgulho; humilde.

Comentário: Uma pessoa modesta é aquela que entendeu o exemplo do Mestre. Um servo não tem o direito de ter vontade própria, quanto mais pensar de si mesmo além do que convém.

Qualificação: “não dado ao vinho” (1Tm 3.3; Tt 1.7)
Significado: Não dominado por bebida alcoólica.

Comentário: Cada país tem suas tradições e bebidas típicas. No Brasil, a caipirinha; no México, a Tequila; na Alemanha, a cerveja; na Rússia, a vodca; etc. Naquela época e região, o vinho tinha os seus apreciadores. Vale lembrar que o apóstolo não desqualificou quem bebia vinho, mas sim quem não se dominava no seu consumo. Particularmente, nunca fui chegado a bebidas alcoólicas e nunca fui fã da expressão “beber socialmente” como hábito de um cristão (Pv 23.31-35).  Um pouco de vinho, com baixo teor alcoólico, consumido eventualmente nas refeições, tem até seus benefícios medicinais (1Tm 5.23). Entretanto, para quem tem tendência ao alcoolismo, basta começar para não mais conseguir parar. Combate-se acertadamente o fumo, porém a bebida patrocina quase tudo. Assim, infelizmente, as estatísticas do alcoolismo crescem no mundo inteiro.

10  Qualificação: “não avarento” (1Tm 3.3) / “nem cobiçoso de torpe ganância” (Tt 1.7)
Significado: Avareza → desejo e apego exagerado de acumular riquezas.  Avarento → que não dá, mesquinho.

Comentário: A avareza é pecado (Mt 6.24); ter dinheiro e ser rico não. O problema não é o dinheiro e sim o amor e apego a ele (1Tm 6.17). Se ele for avarento, o foco da sua vida será cada vez acumular mais dinheiro e deleitar-se com os prazeres que este pode comprar (Pv 23.4-5; 1Tm 6.10). Entretanto, se ele não for apegado ao dinheiro, poderá dispor de mais tempo para estudar a Palavra, preparar-se melhor para ensinar e aconselhar, dedicar-se mais ao rebanho de Deus e a todos os desafios e projetos da igreja.

11  Qualificação: “que tenha bom testemunho dos de fora, a fim de não cair no opróbrio e no laço do diabo.” (1Tm 3.7)
Significado: Ver comentário abaixo.

Comentário: Ele deve ter boa reputação perante os de fora da igreja, para que nem ele nem a igreja sejam envergonhados ou caiam no descrédito, nem na cilada do diabo. Se não for assim ele não será irrepreensível, conforme já visto. Chego a pensar que “laço do diabo” também pode ser a falsa impressão de alguém que, consciente ou inconscientemente, sendo um “ficha suja”, se sinta confortável ao ser reconhecido presbítero pela igreja.

12  Qualificação: “amigo do bem” (Tt 1.8)
Significado: Afeiçoado àquilo que promova o bem.

Comentário: A ideia é bem clara e é o mínimo que se espera de qualquer cristão.

13  Qualificação: “justo” (Tt 1.8)
Significado: Conforme à justiça, à razão e ao direito.  Reto, imparcial, íntegro. Homem virtuoso, que observa exatamente as leis da moral ou da religião.

Comentário: O termo tem o mesmo sentido hoje. É a virtude de viver acatando e respeitando as leis de Deus e as leis dos homens.

14  Qualificação: “piedoso” (Tt 1.8)
Significado: Que tem amor e respeito às coisas sagradas; misericordioso, compadecido.

Comentário: Piedoso é aquele que tem prazer nas coisas de Deus e procura viver de modo a ser agradável a Deus, em todo o tempo e em todos os seus atos.

III.    HABILIDADE/COMPETÊNCIA/MATURIDADE

Considera-se aqui a “capacidade de realização” da pessoa (para o ofício).

15  Qualificação: “apto para ensinar” (1Tm 3.2) / “apegado à palavra fiel, que é segundo a doutrina, de modo que tenha poder tanto para exortar pelo reto ensino como para convencer os que o contradizem.” (Tt 1.9)
Significado:  Ver comentário abaixo.

Comentário:  Todo presbítero deve ser ensinador e pastor, segundo os padrões bíblicos. O apóstolo Paulo, não só acreditava como contava com isso para a continuação da obra que iniciara:  “De Mileto, mandou a Éfeso chamar os presbíteros da igreja. Atendei por vós e por todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos, para pastoreardes a igreja de Deus, a qual ele comprou com o seu próprio sangue.” (At 20.17, 28). Ele não precisa ser doutor na Palavra, mas deve saber transmitir os seus ensinos, a doutrina. Ele precisa ter intimidade com a Bíblia, para poder combater as heresias e ensinar o reto caminho. Há algum tempo atrás, num certo seminário sobre diaconia, ouvi um pastor dizer que numa igreja governada por um conselho formado de pastor e presbíteros, há pastores que preferem que sejam eleitos presbíteros ricos e rasos no conhecimento bíblico. Por que? Porque desta forma, estes presbíteros “bancam” os seus projetos e não questionam suas pregações e ensinos. Triste pastor e pobre igreja que embarca nessa canoa furada!

16  Qualificação: “não seja neófito, para não suceder que se ensoberbeça e incorra na condenação do diabo.” (1Tm 3.6)
Significado: Neófito → Novato, sem maturidade na fé.

Comentário: Segundo o ensino bíblico, um recém-convertido não está qualificado para a função. O mesmo se pode dizer de um crente imaturo na fé, ainda que tenha muitos anos de “banco de igreja”. Por que não?

1º) Porque ele precisa ter experiência para lidar com os problemas que surgem no dia a dia da igreja.

2º) Porque ele poderá se escandalizar ao tomar conhecimento de certas coisas que podem eventualmente acontecer em qualquer igreja, pois a igreja visível não é perfeita.

3º) Porque ele deve conhecer a Bíblia, sua doutrina, para colaborar na edificação dos seus irmãos.

4º) Para não incorrer na condenação do diabo. Para não inflar, orgulhando-se de estar ocupando uma posição de destaque, de liderança. O cristão maduro saberá entender as palavras de Jesus quando disse aos seus discípulos que maior é aquele que serve, com toda a dedicação e amor. O neófito poderá incorrer no erro de achar que o oficial de igreja é reconhecido pelos seus irmãos para ostentar um título, para ser servido, para ter regalias e gozar de privilégios!

17  Qualificação: “despenseiro de Deus” (Tt 1.7)
Significado: Aquele que distribui.

Comentário: Ele precisa ter qualidades para ser um bom mordomo, um bom gerente, um bom administrador da casa de Deus. O mordomo tem a responsabilidade de administrar bem pessoas e coisas, fazendo sempre prevalecer a vontade do seu Senhor e não a sua própria. Ele nunca pode perder de vista que é um simples representante do dono e não o dono. Nessa administração, algumas vezes os presbíteros precisarão tratar de assuntos mais técnicos, relacionados a diversas áreas: jurídica, trabalhista, engenharia, economia e finanças, informática, áudio e vídeo etc etc. Se alguém, além de atender as qualificações dos presbíteros, também for especialista em alguma dessas áreas, será útil. Entretanto, não havendo algum presbítero especialista, com muita tranquilidade, o conselho de presbíteros poderá requisitar a presença ou o parecer técnico de um especialista dentre os membros da igreja ou até mesmo de fora dela, sempre que julgar necessário. Não se pode perder de vista que igreja não é empresa, mas um organismo vivo, o corpo de Cristo. Nela, o espiritual tem prevalência sobre o material!

IV.   SITUAÇÃO CONJUGAL E FAMILIAR

Considera-se aqui a “vida familiar” da pessoa.

18  Qualificação: “esposo de uma só mulher” (1Tm 3.2; Tt 1.5)
Significado: Ver comentário abaixo.

Comentário: Esta qualificação pode ser interpretada pelo menos de três maneiras:

1ª) Que, obrigatoriamente, ele terá que ser um homem casado (com uma mulher, naturalmente).

2ª) Que, em toda a sua vida, ele tenha sido casado com apenas uma mulher, isto é, que não tenha casado outras vezes.

3ª) Que ele não pode ser poligâmico, pois em algumas sociedades e culturas isso era e ainda é uma situação legalmente permitida.

Qual das três é a interpretação correta? O texto bíblico não favorece uma resposta conclusiva. É desejável que ele seja casado e aplique na igreja a maturidade e experiência da liderança do seu lar. Mas, um homem viúvo, que vive só, também pode ser igualmente útil. Será que um homem viúvo, ao contrair novas núpcias, perderia a qualificação para o presbiterato? Quanto ao solteiro, nada é referido explicitamente, a favor ou contra. Quanto ao homem ser casado simultânea e legalmente com mais de uma esposa, parece não ser esse o propósito de Deus, quando instituiu o casamento (Gn 2.24), o que Jesus ratificou (Mt 19.5). Quanto ao homem divorciado, que vive só ou casou-se outra vez, a situação não é muito simples de avaliar. Há alguns anos atrás, muitas igrejas não realizavam casamento de cônjuge divorciado. Dizia-se, também, que homem divorciado não deveria assumir posição de liderança na igreja, por uma questão de não viver uma situação exemplar. Tomavam como base as várias referências bíblicas de que o líder tem que ser modelo para o rebanho (1Pe 5.3; 1Tm 4.22; Fp 3.17). O assunto é muito complexo e não é nosso objetivo tratar dele aqui. Neste final dos tempos, em que há tanto desprezo pela Palavra de Deus e aceitação dos usos e costumes de uma sociedade pagã, que o Senhor nos ilumine e nos dê uma consciência tal que não sejamos irresponsáveis e permissivos, nem legalistas e injustos.

19  Qualificação: “hospitaleiro” (1Tm 3.2; Tt 1.8)
Significado: Que dá hospedagem por generosidade ou bondade; que acolhe com satisfação.

Comentário: Esta qualificação está colocada aqui nesta categoria, porque não depende somente dele, mas muito da esposa e um pouco dos filhos. É fácil convidar pessoas para a nossa casa, o difícil é fazer todos os preparativos para recebê-las. Quem cuida dos visitantes? Normalmente é a esposa. E se ela não tiver esse espírito hospitaleiro? Se hospedar dá trabalho, por outro lado pode propiciar muita bênção para a família naquele convívio temporário. Há, entretanto, pelo menos dois aspectos que podem dificultar o exercício da hospitalidade: a situação financeira deste irmão e as limitações de espaço na sua moradia.

20  Qualificação: “que governe bem a própria casa, criando os filhos sob disciplina, com todo o respeito (pois, se alguém não sabe governar a própria casa, como cuidará da igreja de Deus?)” (1Tm 3.4-5)
Significado: Ver comentário abaixo.

Comentário: Biblicamente, a responsabilidade maior do “governo” do lar é do homem; assim aprendemos e assim praticamos. Obviamente, que essa não é uma tarefa a ser exercida pelo homem de forma isolada, solitária e autoritária. Antes, porém, deverá ser exercida com sabedoria e com todo o apoio de sua esposa, sua auxiliadora idônea. Então, mais uma vez estamos diante de uma qualificação que é exigida dele, mas que depende essencialmente dela, da esposa, e também dos filhos. O texto é de fácil entendimento e a lógica é simples. Quem demonstra estar governando bem a sua casa, terá grande probabilidade de fazer um bom trabalho no governo da igreja. Quem no seu juízo perfeito colocaria uma pessoa toda atrapalhada na sua vida pessoal para gerenciar o seu negócio?

21  Qualificação: “que tenha filhos crentes que não são acusados de dissolução, nem são insubordinados.” (Tt 1.6)
Significado: Ver comentário abaixo.

Comentário: O texto parece fácil de entender, mas nem tão simples de atender ou comentar. A salvação é obra dos pais ou do Espírito Santo? É verdade que o testemunho de vida dos pais exerce forte influência na vida dos filhos. É verdade, ainda, que a Bíblia diz: “Ensina a criança no caminho em que deve andar, e, ainda quando for velho, não se desviará dele.” (Pv 22.6). Porém, até onde vai a responsabilidade de um pai crente nesse processo? Há pais tão fiéis no testemunho, mas que não são agraciados com a bênção de ver seus filhos nos caminhos do Senhor. Há outros que são convertidos pelo testemunho dos filhos. Há pais fiéis e cuidadosos que criam filhos da mesma forma, nos caminhos do Senhor, sendo que uns permanecem nele e outros o abandonam. Difícil esta questão, não? Então, é preciso ter muito cuidado com julgamentos precipitados, que somente aumentam a tristeza de alguns pais. É preciso lembrar que também há filhos crentes, não por conta do mérito dos pais crentes, mas apesar deles.

Concluímos esta sucinta abordagem com as seguintes considerações:

a) Além dessas, há outras duas qualificações que são tão básicas e tão óbvias que o apóstolo nem julgou necessário mencioná-las: o presbítero deveria ser um homem e um regenerado, nascido de novo.

b) É difícil imaginar alguém que esteja cem por cento dentro deste padrão. Não é por isso que vamos agora ficar discutindo com a Bíblia ou com o apóstolo Paulo sobre o assunto. Padrão é meta, é desafio. Não é o caso também de desprezarmos o padrão bíblico e adotarmos nossos próprios critérios. A Bíblia é a nossa única e infalível regra de fé e prática.

c) Se eu e você achamos difícil reconhecer um homem cristão que atenda à todas essas prescrições, não fique perplexo se eu te afirmar que todo cristão, e não exclusivamente os presbíteros, deveriam ter estas qualificações! Ou você acha que só os presbíteros não podem ser violentos, arrogantes, avarentos, não dados a bebidas alcoólicas etc e os demais cristãos podem? Todos temos o desafio de viver de forma irrepreensível. Não é o que o Senhor Jesus diz? “Portanto, sede vós perfeitos como perfeito é o vosso Pai celeste.” (Mt 5.48)

d) Não custa lembrar que, biblicamente, não é a igreja quem escolhe presbíteros! O processo é o seguinte:

1º) Deus os escolhe, os constitui (vocação e chamado).

2º) O homem cristão, regenerado, faz a obra.

3º) A igreja reconhece aquele que está fazendo a obra, sob a orientação do Senhor.

e) Quando a exigência é pouca e as qualificações bíblicas são desconsideradas, o nível da liderança é fraco e a igreja sofrerá as consequências. É como diz o provérbio popular, aqui adaptado: “Cada igreja tem o governo que merece.”

Finalmente, irmãos “se alguém aspira ao episcopado, excelente obra almeja”, então deve se empenhar para atender ao padrão prescrito na Palavra de Deus. Por outro lado, irmãos, vamos observar o jeito de ser da pessoa, seu modo de agir, sua capacidade de realização a partir do que a pessoa já vem realizando e, sua vida familiar, ao reconhecer presbíteros na igreja de Deus!

Que o Senhor nos ajude!

Clique ao lado para imprimir → As qualificações dos presbíteros (pdf)


Veja também: As qualificações dos diáconos

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