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A recompensa do bom pastoreio (1Pe 5.4)

4 coroas

Nos últimos dois artigos, no atual e no próximo, estamos tratando da seguinte temática e tópicos:

Pastoreando o Rebanho de Deus (1Pe 5.1-4).

Parte 1: A paridade entre apóstolos e presbíteros (1Pe 5.1)

Parte 2: O jeito errado e o certo de pastorear (1Pe 5.2-3)

Parte 3: A recompensa do bom pastoreio (1Pe 5.4)

Parte 4: O pastoreio da igreja na atualidade

Nos três primeiros artigos traremos a visão da igreja primitiva ou neotestamentária sobre o assunto, tomando por base a Primeira Epístola de Pedro, conforme o texto mencionado. No quarto artigo, faremos uma ponte daquele tempo inicial para o tempo atual. Abra a sua mente e coração para refletir mais profundamente sobre a visão bíblica quanto ao pastoreio do rebanho de Deus, a sua igreja militante. Vejamos, agora, o terceiro artigo.

 

Parte 3: A recompensa do bom pastoreio (1Pe 5.4)

4 Ora, logo que o Supremo Pastor se manifestar, recebereis a imarcescível coroa da glória.

Se há presbíteros que devem pastorear o rebanho, há um pastor acima deles. O Senhor Jesus é mencionado na Bíblia como pastor em quatro momentos ou tempos:

 

a) O Pastor (Prometido)(Mt 26.31; Zc 13.7)

O Messias prometido desde os tempos antigos, aquele pastor que viria para ser ferido de morte em prol do seu rebanho que ficaria momentaneamente disperso.

 

b) O Bom Pastor (Encarnado)(Jo 10.11)

Aquele pastor que veio e é capaz de dar a sua vida pelas ovelhas, diferentemente do mercenário que as abandona na hora do perigo.

 

c) O Grande Pastor (Ressuscitado)(Hb 13.20-21).

Aquele pastor que se foi, depois de dar a sua vida pelas ovelhas e de ser ressuscitado pelo Pai, estabelecendo por meio do seu sangue uma Eterna Aliança.

 

d) O Supremo Pastor (Glorificado)(1Pe 5.4).

Aquele pastor que há de voltar para reunir o seu rebanho e galardoar os que o serviram e realizaram a boa obra que lhes foi confiada.

 

Então, a forma que Pedro usa para motivar os presbíteros a desempenharem com dedicação e excelência o pastoreio é implantando em seus corações a viva esperança de que o Pastor dos pastores, o Supremo Pastor Jesus há de se manifestar outra vez entre os homens e irá recompensá-los com um coroa “imarcescível”, que não desaparece, que não se degrada com o tempo, que não perde o seu valor, em contraste com tudo que aqui é transitório e passageiro.

Já nos detivemos um pouco no sujeito da ação de recompensar, o Senhor Jesus Cristo e suas várias e interessantes referências como pastor. Pensemos, agora, naquilo que é o objeto da recompensa, a “coroa da glória”. Muitos não assimilam muito bem a ideia do galardão e muito menos das coroas.

Outra verdade bíblica irrefutável é a promessa de galardão. Aparece pela primeira vez em Gênesis 15.1 como promessa de Deus a Abrão e, pela última vez, em Apocalipse 22.12 – “E eis que venho sem demora, e comigo está o galardão que tenho para retribuir a cada um segundo as suas obras”. Não tem sentido algum imaginar os galardões como objetos materiais dentro de um mundo espiritual. Os galardões não estão ligados às coisas que “obteremos”, mas sim ao que “seremos”, aquilo em que nos “tornaremos”.

Um dos aspectos básicos e primordiais da fé Cristã é que, no mundo porvir, há duas recompensas prometidas: a recompensa devido a Graça – Vida Eterna – e a recompensa devido ao Serviço – Galardão.

 

1ª) A VIDA ETERNA é em si a grande recompensa dos filhos de Deus (Mc 10.30; Mt 19.29 e Lc 18.30). Essa é a recompensa geral e igual de todos os remidos por Cristo: “…para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” (Jo 3.16)

2ª) GALARDÃO (recompensa, premio) é o segundo tipo de recompensa reservada aos servos de Deus. Vários são os textos bíblicos que mencionam os galardões:

O galardão é grande: Mt 5.12; Lc 6.23.

O galardão é condicional: Mt 6.1.

O galardão é diferenciado: Mt 10.41-42.

O galardão é recompensa por atitudes tomadas: Lc 6.35.

O galardão é segundo as obras praticadas: 1Co 3.8, 14; Ap 22.12.

Outros textos: Hb 11.26; Ap 11.18.

 

Em síntese, podemos afirmar que:

Graça é dádiva, de Deus. Galardão é recompensa, prêmio pelas obras dos homens.

A graça é imerecida; é dom gratuito de Deus, recebida pela fé, sem dinheiro e sem preço (Rm 6.23). O Galardão é merecido; é o salário pelo serviço prestado, recebido pelas obras através do labor e sacrifício.

A salvação é recebida de graça por meio do ESPÍRITO e as coroas são ganhas com esforço, por meio do CORPO: “Porque importa que todos nós compareçamos perante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o bem ou o mal que tiver feito por meio do corpo.” (2Co 5.10)

 

É interessante que Jesus recebeu uma coroa de espinhos dos seus algozes (Mt 27.29; Mc 15.17; Jo 19.2, 5), porém tem reservado para os seus servos outros tipos de coroas. As quatro coroas prometidas aos servos de Deus são:

 

1ª) Coroa da Vida (Ap 2.10; Tg 1.12)

“Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida.” (Ap 2.10)

“Bem-aventurado o homem que suporta, com perseverança, a provação; porque, depois de ter sido aprovado, receberá a coroa da vida, a qual o Senhor prometeu aos que o amam.” (Tg 1.12)

 

“Para os mártires

No amor pela pessoa de Cristo

Alcançada perante os inimigos

No testemunho em presença da morte” (*)

 

2ª) Coroa Incorruptível (1Co 9.25)

“Todo atleta em tudo se domina; aqueles, para alcançar uma coroa corruptível; nós, porém, a incorruptível.”

 

“Para os vencedores

No amor pelas almas sem Cristo

Alcançada perante os descrentes

Na pregação do Evangelho.” (*)

Como? Sacrificando a vida (1Co 9.19-23), com eficácia (1Co 9.24-26) e mantendo o bom testemunho (1Co 9.27)

 

3ª) Coroa da Glória (1Pe 5.4)

Ora, logo que o Supremo Pastor se manifestar, recebereis a imarcescível coroa da glória.

 

“Para os servos fiéis

No amor pelas ovelhas de Cristo

Alcançada perante a Igreja

No apascentar do rebanho” (*)

 

4ª) Coroa da Justiça (2Tm 4.7-8)

“Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé. Já agora a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, reto juiz, me dará naquele Dia; e não somente a mim, mas também a todos quantos amam a sua vinda.”

 

“Para os vigilantes

No amor pela vinda de Cristo

Alcançada perante ele mesmo

No anseio pela sua vinda” (*)

 

Deixamos aqui duas palavras, uma de esclarecimento e a outra de advertência.

A primeira, de esclarecimento e motivação é a seguinte. Como pode ser observado na exposição acima das coroas, qualquer cristão poderá ser recompensado com uma dessas coroas, pois os requisitos são variados, elas não estão restritas apenas aos líderes. Podemos inferir que até mesmo esta coroa de glória poderá ser recebida por um servo ou uma serva de Deus que não exerceu uma função ou papel formal de liderança na igreja, pois essas não estão atreladas a títulos, mas aos serviços realizados.

A palavra de advertência tem por base o texto: “Venho sem demora. Conserva o que tens, para que ninguém tome a tua coroa.” (Ap 3.11). É preciso ficar atento ao que se realiza ou deixa-se de realizar por meio do corpo. O apóstolo Paulo acrescenta: “Contudo, se o que alguém edifica sobre o fundamento é ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno, palha, manifesta se tornará a obra de cada um; pois o Dia a demonstrará, porque está sendo revelada pelo fogo; e qual seja a obra de cada um o próprio fogo o provará. Se permanecer a obra de alguém que sobre o fundamento edificou, esse receberá galardão; se a obra de alguém se queimar, sofrerá ele dano; mas esse mesmo será salvo, todavia, como que através do fogo.” (1Co 3.12-15). No Tribunal de Cristo não estará na pauta o julgamento para salvação ou condenação. Entretanto, serão julgadas as obras dos crentes, com vistas a galardão ou destruição pelo fogo da avaliação divina. Aquilo que realizarmos por meio do corpo que teve a aprovação de Deus será recompensado; enquanto que as coisas inúteis e irrelevantes, segundo o juízo divino, serão destruídas, ainda que possam ter grande valor para quem as realizou. Portanto, é importante avaliar a cada momento se o resultado do nosso esforço é para recompensa ou destruição. Porque se a Graça depende totalmente de Cristo, o Galardão depende “totalmente” do crente, que precisa estar em sintonia com o Pai: “porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade.” (Fp 2.13).

 

(*) Pinto, José Boechat. As coroas dos crentes (Edições Cristãs)

 

_____________________

Leia nos artigos anteriores:

Parte 1: A paridade entre apóstolos e presbíteros (1Pe 5.1)

Parte 2: O jeito errado e o certo de pastorear (1Pe 5.2-3)

 

Leia no próximo artigo:

Parte 4: O pastoreio da igreja na atualidade

 

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  1. pr jose vieira
    06/05/2017 às 15:41

    maravilhoso e a palavra certa gostei de mais desta palavra gostaria de receber estes comentarios em meu gmail

    • 06/05/2017 às 22:46

      Grato pelas palavras de apreciação. Para receber os próximos artigos basta inscrever seu e-mail no BLOG. Fique na paz! Abs

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