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A cura do cego de nascença

A CURA DO CEGO DE NASCENÇA (Jo 9. 1-41)
Uma ilustração da redenção do homem e suas consequências.

Introdução

Ainda na festa dos tabernáculos, num contexto de muitas discussões sobre a autenticidade messiânica de Jesus, João apresenta uma narrativa extensa sobre um grande milagre operado por Jesus dando visão a um cego de nascença, o único caso, entre os  sete casos registrados pelos evangelhos (Mt 9.27 [2]; Mc 8.22; Mt 12.22; 20.30 [2] e Jo 9.1).  O milagre em si e a narrativa cumpriram o importante papel de testificar que Jesus era verdadeiramente o Messias, porquanto, homem algum, nem mesmo possuído por Satanás, havia curado um cego de nascença.

Há muito mais neste texto do que uma cura de Jesus. Jesus ilustra a sua missão como “Luz do Mundo” (Jo 9.5), concedendo a visão física, a um cego de nascença e, em seguida, completa a obra, concedendo a visão espiritual. A riqueza de detalhes encontrados nesta história nos conduz aos elementos característicos da operação divina no homem, uma ilustração da redenção do homem e suas consequências. A redenção….

a) É resultado da iniciativa de Deus (v.1a)

1a  Caminhando Jesus, viu….

O olhar de Jesus é diferente: penetrante (vê o interior, pesa os sentimentos e  amarguras da alma) e ativo (contempla, se  compadece, se aproxima e auxilia).

Deus também viu que não havia um mediador humano, alguém com as qualificações necessárias para a tão elevada missão de salvação, então, ele próprio a providenciou enviando o seu Filho, Jesus Cristo, como mediador e salvador, no seu primeiro advento: “Viu que não havia ajudador algum e maravilhou-se de que não houvesse um intercessor; pelo que o seu próprio braço lhe trouxe a salvação, e a sua própria justiça o susteve.” (Is 59.16). O mesmo profeta Isaías complementa: “O SENHOR desnudou o seu santo braço à vista de todas as nações; e todos os confins da terra verão a salvação do nosso Deus.” (Is 52.10). Foi essa  visão divina que trouxe Jesus ao mundo (Sl  14.2-3; Gl 4.4; Hb 1.1-3).

b) É focalizada na necessidade humana (v.1b)

1b ….um homem cego de nascença.

A necessidade humana é aqui contemplada por Jesus; e, pela trindade santa, desde sempre. Já nascemos em pecado, portanto, somos pecadores de nascença, conforme confessou o rei Davi: “Eu nasci na iniquidade, e em pecado me concebeu minha mãe.” (Sl 51.5). E, o apóstolo Paulo conclui: “como está escrito: Não há justo, nem um sequer,  não há quem entenda, não há quem busque a Deus; todos se extraviaram, à uma se fizeram inúteis; não há quem faça o bem, não há nem um sequer, pois todos pecaram e carecem da glória de Deus,  sendo justificados gratuitamente, por sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus,” (Rm 3.10-12, 23-24). É assim que todos somos encontrados e contemplados pela visão divina desde o nosso nascimento. Não é correto pensar e acreditar que a natureza humana é essencialmente boa. Claro que não é! Isso é discurso mentiroso de uma religião falsa que quer agradar as pessoas e cooptar adeptos.

c) É de acordo com a vontade de Deus (vv. 2-3)

2  E os seus discípulos perguntaram: Mestre, quem pecou, este ou seus pais, para que nascesse cego?

Havia falsas crenças entre os judeus de que a doença e o sofrimento eram resultado de uma punição pelo pecado praticado pela pessoa em alguma outra existência passada ou resultado do pecado praticado pelos pais. A primeira tem a ver com a doutrina da reencarnação e a segunda com a chamada maldição hereditária (ver Ex 20.5; 34.7; Nm 14.18; Dt 5.9; Ez 18.2).

3  Respondeu Jesus: Nem ele pecou, nem seus pais; mas foi para que se manifestem nele as obras de Deus.

Jesus, em sua resposta, descarta as duas supostas alternativas determinantes do sofrimento humano. Deus está no controle e pode transformar em bem aquilo que parece mal e cruel aos olhos humanos. Deus tinha um propósito na vida daquele cego e com aquele milagre de cura.

d) É para ser agenciada em caráter de urgência (vv. 4-5)

4  É necessário que façamos as obras daquele que me enviou, enquanto é dia; a noite vem, quando ninguém pode trabalhar.
5  Enquanto estou no mundo, sou a luz do mundo.

Jesus mesmo se declara a “luz do mundo”, pois veio ao mundo para abrir os olhos aos espiritualmente cegos: “Prosseguiu Jesus: Eu vim a este mundo para juízo, a fim de que os que não veem vejam, e os que veem se tornem cegos.” (Jo 9.39). Ele tinha pressa em realizar sua missão pois tinha consciência da exiguidade do seu tempo entre nós e da urgência em viabilizar a salvação de todo aquele que crê.

e) É através de Jesus (v. 6)

6  Dito isso, cuspiu na terra e, tendo feito lodo com a saliva, aplicou-o aos olhos do cego,

O método divino aqui utilizado pode até causar estranheza ou repulsa em algumas pessoas. Quem sabe se alguns circunstantes, vendo aquele “ritual grotesco”, censuraram veladamente ou abertamente a Jesus, julgando que tal ato se revestia da intenção de impor humilhação ao pobre homem que nem sequer podia ver o que o Mestre fazia? Só a mente divina é capaz de entender a razão ou motivação de tal ritual de cura. Como a imaginação não tem limites e pode até ganhar asas e flutuar na vastidão do espaço das ideias, sem compromisso com a exata, mas nem sempre disponível, interpretação teológica,  arrisco compartilhar aqui a seguinte ideia. Jesus, o também Deus-Criador, temporariamente encarnado, reproduz diante de todos o ato criativo do gênesis, desta vez cuspindo e manuseando outra vez a terra, o barro, para aplicar e restaurar o órgão defeituoso daquele homem. No início Adão foi formado do barro, do pó da terra, mas teve o toque e o sopro de vida divinos! Da mesma forma este cego recebe o toque divino para que a luz divina adentre o seu ser.

Por falar em método estranho, o apóstolo Paulo também menciona, por diversas vezes, que a mensagem do Evangelho, a pregação da Cruz é loucura para os que se perdem, para aqueles que acham que têm boa visão, mas que permanecem cegos espiritualmente. “Visto como, na sabedoria de Deus, o mundo não o conheceu por sua própria sabedoria, aprouve a Deus salvar os que creem pela loucura da pregação.” (1Co 1.21, ver 1Co 1.18-25; 2.14).

f) É recebida através da obediência do homem (v. 7)

7  dizendo-lhe: Vai, lava-te no tanque de Siloé (que quer dizer Enviado). Ele foi, lavou-se e voltou vendo.

Antes de prosseguir é importante esclarecer que, segundo a hermenêutica bíblica, que é a ciência, a arte de interpretação das Sagradas Escrituras, as parábolas proferidas por Jesus são narrativas alegóricas destinadas a transmitir verdades e conceitos gerais importantes. Portanto, não tiveram o propósito de servir de fonte de doutrina da fé cristã para a igreja, nem tampouco os detalhes e pormenores das narrativas se prestam a isso. O que estamos fazendo aqui é, a partir da doutrina exposta nas Epístolas doutrinárias, identificando e destacando de forma reversa alguns aspectos da redenção humana.

Isso posto, que fique claro que a salvação é obra exclusiva de Deus; portanto, não depende das obras humanas: “que nos salvou e nos chamou com santa vocação; não segundo as nossas obras, mas conforme a sua própria determinação e graça que nos foi dada em Cristo Jesus, antes dos tempos eternos,” (2Tm 1.9). Deste versículo 7 podemos destacar dois aspectos importantes:

  • Submissão ao método divino.

Quem é o ser humano para questionar o método divino? Sendo Deus a parte ofendida só ele poderia estabelecer as regras e condições para que o homem voltasse a ter comunhão com ele. Estas regras e condições incluíam a necessidade de um mediador com as características de Jesus. Conforme já comentamos, isso é loucura para os que se perdem!

  • Recepção e Obediência à palavra de Jesus.

O homem cego nem sabia ao certo tudo o que estava acontecendo. Ele recebeu o toque de Jesus, ouviu a sua palavra, recebeu-a em sua mente e coração, creu nela e obedeceu. Jesus nos ensinou assim: “Em verdade, em verdade vos digo: quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna, não entra em juízo, mas passou da morte para a vida.” (Jo 5.24). E o apóstolo Paulo acrescenta: “E, assim, a fé vem pela pregação, e a pregação, pela palavra de Cristo.” (Rm 10.17). Os ensinos de Jesus enfatizam a importância do arrependimento, do crer nele e na sua palavra, do recebe-lo e da obediência à vontade de Deus: “Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que creem no seu nome; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus.” (Jo 1.12-13)

O lavar neste texto nos leva a pensar no lavar regenerador do Espírito Santo: “não por obras de justiça praticadas por nós, mas segundo sua misericórdia, ele nos salvou mediante o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo,” (Tt 3.5); “Tais fostes alguns de vós; mas vós vos lavastes, mas fostes santificados, mas fostes justificados em o nome do Senhor Jesus Cristo e no Espírito do nosso Deus.” (1Co 6.11)

g) É transformadora (vv. 8-9)

8   Então, os vizinhos e os que dantes o conheciam de vista, como mendigo, perguntavam: Não é este o que estava assentado pedindo esmolas?
9  Uns diziam: É ele. Outros: Não, mas se parece com ele. Ele mesmo, porém, dizia: Sou eu.

Os vizinhos e conhecidos do homem outrora cego ficaram confusos. Se parecia com ele, mas estava diferente. Antes era visto como um mendigo desprezível, um pobre coitado, um ser socialmente excluído. Agora, parecia um novo homem. Ele, porém, assumia e declarava sua mesma identidade, mas uma nova condição.

Quando o Espírito Santo regenera uma pessoa acontece algo extraordinário. A transformação maior acontece no seu interior, mas o seu exterior também é positivamente afetado. Não significa que atingiu a perfeição e não pecará mais. Não significa que era pobre e agora ficará rico.

O fato é que a habitação e o fruto do Espírito fazem dessa pessoa alguém diferente, uma nova criatura em Cristo, com um novo propósito de vida, com uma nova conduta e forma de agir. Em alguns casos a transformação é imediata e radical; em outras é mais lenta e gradual. Porém, é mandatório existir essa transformação!

h) É espantosa à mente humana (os vizinhos – vv. 10-12)

10  Perguntaram-lhe, pois: Como te foram abertos os olhos?
11  Respondeu ele: O homem chamado Jesus fez lodo, untou-me os olhos e disse-me: Vai ao tanque de Siloé e lava-te. Então, fui, lavei-me e estou vendo.
12  Disseram-lhe, pois: Onde está ele? Respondeu: Não sei.

Certamente essa boa e perceptível transformação favorece o surgimento das primeiras oportunidades de testemunhar aquilo que Deus fez em nossa vida. Já vivi o suficiente para ver o antes e o depois de pessoas transformadas por Cristo. A diferença é verdadeiramente surpreendente. Já tomei conhecimento de casais que participaram do evento Encontro de Casais com Cristo e tiveram suas vidas transformados. Uma amiga perguntou à esposa de um desses casais: – O que aconteceu com o seu marido, ele está tão diferente, parece até outra pessoa. Ela respondeu: – Nós participamos de um Encontro de Casais com Cristo. A amiga desabafou: – Nossa, que bom! Eu quero isso para o meu marido também!

 O intrigante é ser questionado sobre o que realmente aconteceu e na resposta só se ater aos detalhes elementares e materiais. É compreensível, afinal, como explicar as operações sobrenaturais de Deus, no coração humano? Testemunhar com fidelidade o que aconteceu, sua experiência pessoal com Deus, vale mais do que muitas teorias e filosofias.

i) É agente de polêmica para a religião formal (os fariseus – vv. 13-17)

13  Levaram, pois, aos fariseus o que dantes fora cego.
14  E era sábado o dia em que Jesus fez o lodo e lhe abriu os olhos.
15  Então, os fariseus, por sua vez, lhe perguntaram como chegara a ver; ao que lhes respondeu: Aplicou lodo aos meus olhos, lavei-me e estou vendo.
16  Por isso, alguns dos fariseus diziam: Esse homem não é de Deus, porque não guarda o sábado. Diziam outros: Como pode um homem pecador fazer tamanhos sinais? E houve dissensão entre eles.
17  De novo, perguntaram ao cego: Que dizes tu a respeito dele, visto que te abriu os olhos? Que é profeta, respondeu ele.

Mais uma marca da regeneração é que a nova criatura em Cristo passa a ser observada e confrontada pelo sistema majoritário ou dominante, quer religioso, quer secular. Esse é o preço de viver e praticar a contracultura cristã num mundo que jaz no maligno. Os versículos em análise neste tópico comprovam isso. O farisaísmo legalista daquela época e de sempre está mais preocupado com uma suposta violação do descanso sabático do que com o bem praticado a um pobre homem. É claro que o objetivo final é desqualificar o enviado de Deus. Vale ressaltar a postura e reação do que fora cego. (i) Ele não se intimida mesmo estando sob muita pressão de pessoas influentes. (ii) Ele não vacila, mas mantém a resposta, a verdade dos fatos ocorridos. (iii) Ele ousa defender o seu benfeitor, refutando os poderosos acusadores de Jesus, com um argumento de peso, ao ponto de criar dissensão entre eles. (iv) Ele demonstra uma visão crescente a respeito da pessoa de Jesus – que é profeta – e ousa declarar isso num meio tão hostil.

j) É motivo de escândalo para aqueles que não querem perder o prestígio (os pais – vv. 18-23)

18  Não acreditaram os judeus que ele fora cego e que agora via, enquanto não lhe chamaram os pais
19  e os interrogaram: É este o vosso filho, de quem dizeis que nasceu cego? Como, pois, vê agora?
20  Então, os pais responderam: Sabemos que este é nosso filho e que nasceu cego;
21  mas não sabemos como vê agora; ou quem lhe abriu os olhos também não sabemos. Perguntai a ele, idade tem; falará de si mesmo.
22  Isto disseram seus pais porque estavam com medo dos judeus; pois estes já haviam assentado que, se alguém confessasse ser Jesus o Cristo, fosse expulso da sinagoga.
23  Por isso, é que disseram os pais: Ele idade tem, interrogai-o.

A reação dos incrédulos muitas vezes acaba cumprindo o papel de prestar um serviço valioso para atestar e ratificar a operação miraculosa de Deus. Essa rigorosa apuração dos fatos conduzida por aqueles religiosos ciumentos, interrogando os pais do curado, só contribuíram para a comprovação do fato. Chama a atenção aqui a flagrante diferença de postura por parte dos pais do homem curado: (i) Eles procuram manter uma postura de isenção e distanciamento do fato, mesmo percebendo a grande bênção recebida pelo filho – “não sabemos como vê agora”.  (ii) Preferem não expor qualquer simpatia por Cristo – “ou quem lhe abriu os olhos”. (iii) Transferem toda a responsabilidade pela explicação para o filho curado – “perguntai a ele”. (iv) O texto (versículo 22) deixa claro que eles agiram dominados pelo medo de serem expulsos da sinagoga, da sua religião formal.

Outra consequência da regeneração é a reação da família quando um dos seus membros acolhe a fé cristã. Essa reação pode se manifestar de várias formas: Às pode ser positiva, entretanto, é mais comum ser de (i) desconfiança; (ii) indiferença; (iii) contrariedade e desagrado pelo rompimento com a religião tradicional da família; (iv) rejeição e expulsão de casa, como manifestação extremada de repulsa. Assim, o novo convertido precisa estar preparado para lidar com essas reações, mantendo-se firme no Senhor.

k) É um fato incontestável (vv. 24-34)

24  Então, chamaram, pela segunda vez, o homem que fora cego e lhe disseram: Dá glória a Deus; nós sabemos que esse homem é pecador.
25  Ele retrucou: Se é pecador, não sei; uma coisa sei: eu era cego e agora vejo.

O fato da cura é comprovado naquele em que se realizou a obra divina. O fato em si é mais relevante do que a sua explicação racional. Assim se dá com a regeneração espiritual e isso é um bom princípio para o evangelismo pessoal.

26  Perguntaram-lhe, pois: Que te fez ele? como te abriu os olhos?
27  Ele lhes respondeu: Já vo-lo disse, e não atendestes; por que quereis ouvir outra vez? Porventura, quereis vós também tornar-vos seus discípulos?
28  Então, o injuriaram e lhe disseram: Discípulo dele és tu; mas nós somos discípulos de Moisés.
29  Sabemos que Deus falou a Moisés; mas este nem sabemos donde é.
30  Respondeu-lhes o homem: Nisto é de estranhar que vós não saibais donde ele é, e, contudo, me abriu os olhos.
31  Sabemos que Deus não atende a pecadores; mas, pelo contrário, se alguém teme a Deus e pratica a sua vontade, a este atende.
32  Desde que há mundo, jamais se ouviu que alguém tenha aberto os olhos a um cego de nascença.
33  Se este homem não fosse de Deus, nada poderia ter feito.
34  Mas eles retrucaram: Tu és nascido todo em pecado e nos ensinas a nós? E o expulsaram.

O fato extraordinário comprova a procedência do poder que o realizou. O texto em análise demonstra a insistência das autoridades religiosas em buscar uma resposta racional para o ocorrido. Por outro lado, também apresenta a impaciência do curado e seus atos de coragem e renúncia: (i) confrontando os seus inquiridores de forma extremamente ousada – “quereis vós também tornar-vos seus discípulos?”;  (ii) declarando a incompetência deles em identificar quem era aquele que realizou tão grande milagre e sua procedência – “é de estranhar que vós não saibais donde ele é”; (iii) usando argumentos teológicos incontestáveis – “Deus não atende a pecadores” (Jó 27.8-9; Sl 66.16-19; Pv 15.29; Zc 7.13); (iv) defendendo o caráter piedoso daquele que o curou – Jesus – que foi atendido devido à sua condição espiritual aceitável diante de Deus – “se alguém teme a Deus e pratica a sua vontade, a este atende.”; (v) reportando-se à ausência de evidência de milagres como o que nele se realizou na história. A literatura e as tradições judaicas creditam 62 milagres a Moisés. Entre estes, nenhum de cura de cegueira de nascença; (vi) defendendo que o seu benfeitor não era apenas um profeta, não era apenas um homem piedoso, mas alguém provindo de Deus. Suas respostas incisivas foram tão impactantes que os seus inquiridores ficaram sem argumentos e de tão humilhados decidiram expulsá-lo.

As reações do homem curado servem de bom exemplo para os regenerados quando confrontados, principalmente pelos incrédulos e opositores da fé cristã. Certamente aquele homem foi assistido por Deus nas suas respostas e a promessa que recebemos é que o Espírito Santo há de nos assistir (Jo 14.26; 16.13).  

l) É o agente que não apenas transforma, mas conduz: (vv. 35-38)

35   Ouvindo Jesus que o tinham expulsado, encontrando-o, lhe perguntou: Crês tu no Filho do Homem?
36  Ele respondeu e disse: Quem é, Senhor, para que eu nele creia?
37  E Jesus lhe disse: Já o tens visto, e é o que fala contigo.
38  Então, afirmou ele: Creio, Senhor; e o adorou.

Percebe-se um conhecimento progressivo de Jesus, por parte daquele que fora cego, que culmina no crer e adorar: (i) Um homem chamado Jesus (v.11); (ii) É profeta (v.17); (iii) Alguém que teme a Deus e pratica a sua vontade (v.31); (iv) “Creio, Senhor; e o adorou.” (v.38).

O apóstolo Paulo nos apresenta a salvação como um processo contínuo, algo a ser desenvolvido: “Assim, pois, amados meus, como sempre obedecestes, não só na minha presença, porém, muito mais agora, na minha ausência, desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor;” (Fp 2.12).  É preciso crescer na fé: “antes, crescei na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.” (2Pe 3.18a) . A figura do leite, como alimento infantil, e a expressão “não sejais como meninos” é mencionada algumas vezes referindo-se àqueles que precisavam crescer e amadurecer espiritualmente (1Co 14.20; Ef 4.14; 1Co 3.2; Hb 5.12-13; 1Pe 2.2).

A pública declaração de fé daquele homem quando do seu encontro com Cristo, nos remete à prática da Profissão de Fé e Batismo dos regenerados em Cristo.

Por fim, após a declaração de fé daquele homem, registra o texto bíblico – “e o adorou.”. Essa atitude de adoração será tanto mais expressiva quanto maior for o nível desse conhecimento de Cristo e a proximidade dele. Essa cena nos remete à figura da Ceia do Senhor, o outro rito praticado pela igreja – “fazei isso em memória de mim”.

m) É o agente que produz separação entre os homens (vv. 39-41)

39   Prosseguiu Jesus: Eu vim a este mundo para juízo, a fim de que os que não vêem vejam, e os que vêem se tornem cegos.
40  Alguns dentre os fariseus que estavam perto dele perguntaram-lhe: Acaso, também nós somos cegos?
41  Respondeu-lhes Jesus: Se fôsseis cegos, não teríeis pecado algum; mas, porque agora dizeis: Nós vemos, subsiste o vosso pecado.

Saindo de cena as narrativas da cura, dos interrogatórios e do encontro do homem curado com Jesus, o texto bíblico apresenta o Senhor Jesus aproveitando o ocorrido para transmitir uma preciosa lição:

– Os que reconhecem a sua “cegueira” e se submetem à operação divina recebem a “visão espiritual”, a salvação eterna;

– Os que não reconhecem a sua “cegueira” e não se submetem à operação divina permanecem sem a “visão espiritual”, e estão perdidos eternamente.

João 3.16 (Evangelho)

Qualidade Total de Vida

Vida Abundante

Estava arrumando alguns papeis e encontrei o editorial abaixo que escrevi em novembro de 1993. Naquela ocasião o Brasil estava passando por um momento difícil, muito parecido com o que estamos vivendo hoje. O presidente “Fernando Collor foi afastado pela Câmara dos Deputados em 2 de outubro de 1992 e renunciou ao mandato em 29 de dezembro do mesmo ano. Itamar Franco assumiu interinamente na qualidade de vice-presidente até a data de renúncia de Fernando Collor, tomando posse 29 de dezembro de 1992.” (Wikipédia)

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“..eu (Jesus Cristo) vim para que tenham vida e a tenham em abundância” (João 10.10)

0 cenário atual pode ser resumido na seguinte avaliação feita por Robinson Cavalcanti (*):

“Do ponto de vista dos ciclos históricos, o século XX já terminou. Além da angústia sempre presenciada nos fins de século e fins de milênio, estão ruindo os pilares da civilização contemporânea no Ocidente:

  1. A crise da concepção de homem – naturalmente bom, conforme ensinava Rousseau;
  2. A crise da concepção de história – linearmente sempre ascendente, conforme ensinava Comte;
  3. A crise da concepção do conhecimento, de possibilidades ilimitadas pelo método científico;
  4. A crise das utopias, notadamente do marxismo-leninismo.

Por esse conjunto de propostas ‘um homem bom, dotado de um conhecimento ilimitado, construiria uma história ascendente em direção a uma idade de ouro’. Tudo isso falhou.”

A situação é grave!

É pura ingenuidade acreditar que sozinhos os homens poderão colocar em ordem esse caos.

É hora de admitirmos nossa incapacidade histórica de erguer uma sociedade justa e próspera.

É hora de removermos os falsos conceitos e ideias que se propagaram ao longo das últimas décadas, a começar pela teoria evolucionista e ateísta de Darwin.

É hora de quebrarmos o paradigma evolucionista que, como pseudociência, nos legou uma sociedade relativista, sem certos e errados.

É hora de ouvirmos a comunidade científica criacionista e suas incontestáveis provas da existência de um Ser Criador do universo. A humanidade vem pagando um preço muito alto, desde 1860, quando os representantes da igreja menosprezaram a pesquisa científica, como se fé e ciência fossem coisas antagônicas. Felizmente, surge um novo tempo no qual a ciência apresenta grandes contribuições para a Fé Cristã.

É hora de, com humildade, recorrermos ao Criador dos céus e da terra, numa parceria vital.

É preciso redescobrir os absolutos de Deus – seus padrões, princípios e valores – conforme expostos na Bíblia. Até mesmo aqueles que se consideram cristãos necessitam urgentemente reconsiderar esses padrões que norteiam a sociedade alternativa de Deus. Com certa frequência, a igreja cristã tem se afastado do desafio de viver em conformidade com esse paradigma, mergulhando numa respeitabilidade burguesa e conformista. Nessas ocasiões, fica quase impossível distingui-la do mundo pagão: perde a sua salinidade; a sua luz se extingue; demonstra sinais de esclerose e esterilidade, na mesmice repetitiva do seu separatismo e do seu legalismo, do seu dogmatismo e denominacionalismo; isola-se, volta-se para dentro, encapsulando-se no ativismo religioso.

A autoridade do declarante, “eu (Jesus Cristo) vim”, é apoiada no fato de que ele é: o representante visível, do Deus invisível; o primogênito e Senhor de toda a criação; o Criador e o poder que conserva todas as coisas; a encarnação da natureza de Deus; superior a todos os seres humanos e celestiais; e universalmente supremo.

A natureza da vida que ele oferece – abundante, plena, total – não é definida em termos de “quantidade” de anos, bens, amigos, títulos etc; antes, porém, em termos de “qualidade”. Ele veio ao mundo para entregar sua vida ali na Cruz do Calvário, em substituição a nossa, pois a justiça divina determina: “a alma que pecar, essa morrerá” (Ezequiel 18.20). Quando, pela fé, nos rendemos diante do seu sacrifício expiatório, obtemos a reconciliação com Deus. A partir daí ele passa a habitar em nós, através do seu Espírito Santo, que duplica em nós a própria vida de Cristo – Cristo passa a viver em nós! – e, então tudo se transforma: paz com Deus, paz interior, amor e serviço a Deus e ao próximo.

Receba agora mesmo “o dom gratuito” de Deus – Jesus Cristo. Sua vida terá qualidade total e acima de tudo será eterna!

(*) (1944-2012) Bacharel em Direito e licenciado em Ciências Sociais

Paulo Raposo Correia

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(Editorial extraído do Boletim com a Liturgia do Culto em Ações de Graças pelos 70 anos da TELERJ, celebrado na Catedral Presbiteriana do Rio de Janeiro, em 23/11/1993, por iniciativa de um grupo de empregados evangélicos)

O presente de Deus para você

Presente de Deus

O natal vai se aproximando e parece que crianças, adolescentes, jovens e adultos não conseguem deixar de pensar numa coisa, ou melhor, num pacote ou embrulho chamado de PRESENTE. Uns, ficam ansiosos para ganhar; outros, preocupados em comprar para dar. Quanta correria, atropelo e irritação desnecessários nas ruas e lojas da cidade! Quando criança, duas datas em particular me fascinavam mais: o dia do meu aniversário e o natal. O motivo é óbvio, os presentes que ganhava nessas ocasiões. Já que a maioria está focada em presente, vamos refletir um pouco sobre o presente de Deus para você.

Cada tópico que estamos desenvolvendo aqui daria assunto para se escrever um livro, se abordado em suas vertentes teológicas. Entretanto, nosso objetivo é ser claro, simples, objetivo e criativo nessa abordagem. Então, vejamos:

1. A motivação

Por que presentear? Em alguns casos e para algumas pessoas é mais porque a maioria faz, está na moda ou é politicamente correto. Felizmente, para tantos outros, dar presente é uma forma de demonstrar apreço pelo outro, porque o outro é importante para nós, porque queremos agradá-lo. Conta-se que para iniciar o contato com uma tribo indígena desconhecida, talvez hostil, a estratégia é você se aproximar um pouco, deixar alguns presentes num lugar visível e voltar depois. Se encontrar ali os presentes deles, isso é o sinal de que você é bem-vindo.

Como você bem sabe, muitas são as motivações para se presentear. Entretanto, motivação não é tudo. O presente precisa agradar; se for útil é melhor ainda!

Deus teria alguma razão ou motivação para nos dar algum presente especial? Assim como os pais estão cotidianamente dando alguma coisa para os seus filhos e, em ocasiões especiais, dão presentes especiais, Deus também age conosco. Em toda a Bíblia, Deus-Pai se revela como um Deus que dá! Nos dá a vida, nos dá um planeta singular para habitar e cultivar, nos dá o domínio sobre as demais criaturas, nos dá os suprimentos para subsistência, sol, chuva etc. Tudo isso, entretanto, não era o suficiente. O pecado, a rebeldia do homem contra Deus, desde o Éden, desde de Adão, havia colocado todo ser humano numa condição de vida física temporária e morte eterna, isto é, eterna separação de Deus. Viu Deus que não havia humano capaz de reverter esse trágico quadro, reconciliando Deus com a raça humana, então, ele mesmo tomou a iniciativa: “Viu que não havia ajudador algum e maravilhou-se de que não houvesse um intercessor; pelo que o seu próprio braço lhe trouxe a salvação, e a sua própria justiça o susteve.” (Is 59.16)

2. O presente

O presente especial de Deus e o seu bem maior é o seu Filho Unigênito – Jesus Cristo. Ele é a expressão máxima do amor de Deus: “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” (Jo 3.16). Jesus é o “presente” mais valioso, útil e necessário que um ser humano pode receber: “….a saber, que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões, e nos confiou a palavra da reconciliação.” (2Co 5.19).

No livro surpreendente, cheio de lances emocionantes, “O totem da paz”, Don Richardson narra com realismo a incrível transformação que o Filho da Paz, Jesus, trouxe ao coração dos Sawis. Entre os Sawis, uma tribo de canibais caçadores de cabeças, a traição era mais que uma filosofia de vida, era a maior virtude. Em 1962, Don Richardson e sua esposa Carol foram à terra dos Sawis levando a história de um herói diferente, cuja mensagem era amor, e não traição; perdão, e não vingança, a história do Filho da Paz, enviado por Deus. Entretanto, estava difícil comunicar a eles esta mensagem. Ocorreu ali uma cerimônia solene entre tribos em conflito para selarem um pacto de paz. O chefe guerreiro de uma tribo ofereceu o seu único filho, um bebê, ao chefe guerreiro da outra tribo. Enquanto a criança vivesse haveria paz entre eles. Assim, a tribo que cedeu a criança não poderia atacar a tribo que recebeu a criança, pois esta a mataria. Por outro lado, a tribo que recebeu a criança tinha que se esforçar para mantê-la viva, para não cessar o período de paz. Deus, então, inspirou aqueles missionários para apresentarem Jesus como o “totem da paz”, sendo que este jamais morrerá. Assim, estabeleceu uma paz permanente entre Deus e os homens.

3. A ocasião especial

Há, em cada sociedade, algumas datas mais significativas e mais comemoradas. A sociedade atual, inclinada ao consumismo, cada vez mais tem transformado essas datas em ocasiões para a troca de presentes. Assim, algumas datas têm sido cuidadosamente trabalhadas pelos marqueteiros para alavancar muitas vendas.

Que ocasião Deus escolheu para dar o seu valioso presente à raça humana? Tal intenção de Deus já havia sido manifestada há cerca de seis mil anos (Gn 3.15). Entretanto, diz a Bíblia: “vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei,” (Gl 4.4). No “Kairós” divino (o tempo oportuno, o momento certo), o tempo de Deus, esse presente foi dado aos homens, cumprindo as profecias. Então, há cerca de dois mil anos atrás, se deu o “primeiro natal”.  Este era o momento certo, porque apresentava muitas condições favoráveis à propagação das boas novas do Evangelhos ao mundo conhecido de então.

4. A “embalagem”

Com a devida licença poética, podemos identificar nesse presente de Deus duas “embalagens”. A VIRGEM MARIA e a ENCARNAÇÃO. Ambas temporárias pois “revestiram” Jesus por breve tempo.

Primeiramente Deus escolheu Maria; seu útero e corpo. Sem dúvida, uma jovem simples, mas encontrada digna para tal missão e privilégio, que sempre soube muito bem o seu lugar e papel: “Então, disse Maria: A minha alma engrandece ao Senhor, e o meu espírito se alegrou em Deus, meu Salvador, porque contemplou na humildade da sua serva. Pois, desde agora, todas as gerações me considerarão bem-aventurada, porque o Poderoso me fez grandes coisas.” (Lc 1.46-49). Irônica e lamentavelmente tem muita gente por aí equivocada, atribuindo um valor a essa “embalagem” que ela não tem; chegando ao extremo de valorizar e cultuar mais a “embalagem” do que ao próprio presente!!!

A segunda “embalagem”, a encarnação, era a única forma de tornar visível e acessível o valioso presente de Deus. “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai.” (Jo 1.14). Foi por obra e graça do Espírito Santo que esse presente de Deus, Jesus, foi gerado e cuidadosamente “embrulhado” no útero de Maria: “Respondeu-lhe o anjo: Descerá sobre ti o Espírito Santo, e o poder do Altíssimo te envolverá com a sua sombra; por isso, também o ente santo que há de nascer será chamado Filho de Deus.” (Lc 1.35).

5. O preço

Você conhece bem aquela expressão publicitária “… não tem preço”. Pois bem, jamais teremos condições de avaliar ou quantificar o preço desse presente de Deus. Nessa breve abordagem, basta lembrar que esse preço passa pela doação de Deus do seu Filho único (Jo 3.16); que Jesus deixou a glória celestial para viver as limitações da vida humana (Jo 17.4-5), porém sem pecado (Hb 4.15); sofreu, foi humilhado e morto, fazendo-se maldição em nosso lugar (Gl 3.13). Sinta toda a força dessa expressão de Jesus, na sua oração: “Eu te glorifiquei na terra, consumando a obra que me confiaste para fazer; e, agora, glorifica-me, ó Pai, contigo mesmo, com a glória que eu tive junto de ti, antes que houvesse mundo.” (Jo 17.4-5). Mas todo esse esvaziamento e entrega não foram em vão: “vemos, todavia, aquele que, por um pouco, tendo sido feito menor que os anjos, Jesus, por causa do sofrimento da morte, foi coroado de glória e de honra, para que, pela graça de Deus, provasse a morte por todo homem.” (Hb 2.9)

Por falar em preço, a quem foi pago? Alguns pensam que foi a Satanás. Certamente que não! Tal preço foi pago à santidade e justiça de Deus. A santidade de Deus impede a comunhão do homem pecador com ele; a justiça de Deus condena o pecador e exige a punição do pecado cometido. Só Jesus foi encontrado capaz de satisfazer a justiça de Deus, morrendo em lugar do pecador, possibilitando o homem caído de se aproximar de Deus, pela fé na obra redentora efetuada por Jesus, na cruz do calvário! “sabendo que não foi mediante coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados do vosso fútil procedimento que vossos pais vos legaram, mas pelo precioso sangue, como de cordeiro sem defeito e sem mácula, o sangue de Cristo, conhecido, com efeito, antes da fundação do mundo, porém manifestado no fim dos tempos, por amor de vós” (1Pe 1.18-20)

6. A entrega

Um presente especial não pode ser entregue de qualquer maneira. Isso não significa que a entrega tenha que ser feita com luxo, pompa e sofisticação. A entrega desse presente de Deus tem confundido e desapontado muita gente, principalmente os judeus religiosos do tempo de Jesus, que aguardavam a chegada de um Messias Rei e Libertador. Para estes o Messias nasceria num palácio, por isso uns magos foram procurá-lo no palácio de Herodes, em Jerusalém.

Então, por que essa entrega foi especial? A resposta a essa pergunta nos revela mais uma das muitas belas mensagens e lições desse primeiro Natal, que deve ser lembrada em todos os outros natais. Vejam essas cenas da entrega:

  1. Os céus baixaram até a terra. O anjo se manifestou em glória e anunciou o ocorrido aos pastores no campo. As milícias celestiais louvaram a Deus (Lc 2.8-14). Uma estrela diferente brilhou no céu de Belém.
  2. O menino Jesus nasceu de gente simples, num lugar simples e incomum, numa estrebaria de Belém (Lc 2.7). Seu nascimento foi anunciado a simples pastores, no campo, que não tardaram a ir ao seu encontro e sendo os primeiros a divulgar a outros as boas novas.

Percebam a mensagem:

Natal é a mais extraordinária conexão entre: o eterno de Deus e o finito do homem; entre a grandeza e glória celestiais e a simplicidade e humildade do coração humano; entre o Príncipe da Paz e Salvador do mundo, Jesus, e o ser humano que se desnuda de todo e qualquer mérito próprio e autossuficiência para recebê-lo, amá-lo, obedecê-lo e servi-lo.

7. A recepção

Como as pessoas reagem quando recebem presentes? As vezes com muita alegria, outras vezes com o sorriso desconcertado da frustração velada. O nascimento de Jesus foi anunciado pelos anjos, aos pastores, como “boa-nova de grande alegria, que o será para todo o povo:” (Lc 2.10). Naquele primeiro natal, Jesus foi recebido com muita alegria e glorificação a Deus, pelos seus pais terrenos, pelos pastores no campo, por Simeão, por Ana, por uns magos do oriente e por todos aqueles que creram no quanto aquele presente de Deus era especial. Ao longo do seu ministério terreno essa alegria se repetia aonde Jesus chegava: “Ao regressar Jesus, a multidão o recebeu com alegria, porque todos o estavam esperando.” (Lc 8.40). Desde então, essa alegria tem se repetido na vida daqueles que o recebem.

8. Seus efeitos

Jesus dividiu a história humana em dois momentos, antes (aC) e depois da sua vinda (dC). Jesus também dividiu a minha vida e a de muitas pessoas em dois momentos: antes, criatura de Deus, pecador e perdido eternamente; depois, filho de Deus por adoção, salvo eternamente.

Jesus veio trazer paz e esperança a terra, no presente; e, vida eterna, que começa aqui e agora. Penso que o melhor presente que alguém pode receber é um futuro eterno e glorioso junto a Deus!

9. Nossa retribuição

Quando se ganha um presente é natural querer retribuir, se possível no mesmo nível de valor do presente recebido. Como você pode retribuir esse presente de Deus, que não tem preço? Aí vão algumas dicas:

  1. Entregue a Deus o que você tem de mais precioso: seu coração, sua vida por inteiro. Receba essa palavra vinda de Deus para você: “Dá-me, filho meu, o teu coração, e os teus olhos se agradem dos meus caminhos.” (Pv 23.26).
  2. Conheça melhor a Deus e o seu plano para tua vida, através da leitura da Bíblia e oração: “Conheçamos e prossigamos em conhecer ao SENHOR; como a alva, a sua vinda é certa; e ele descerá sobre nós como a chuva, como chuva serôdia que rega a terra.” (Os 6.3)
  3. Celebre e louve a Deus diariamente através da tua vida e das tuas ações.
  4. No natal, enfeite o ambiente, mas não sofistique, nem discrimine pessoas! Lembre-se que natal é a conexão da glória divina com a simplicidade e humildade humanas. Deixe fluir o que há de mais puro e verdadeiro – o amor. Que o amor de Deus por nós humanos, promova e incentive o nosso amor pelo nosso próximo.

10. Mensagem Final

Neste natal e por toda a tua vida, não cometa o desatino de valorizar mais: a data do que o aniversariante, Jesus, o precioso presente de Deus; a “embalagem”, Maria, do que o presente, Jesus; a preparação, a decoração, a alimentação do que a celebração e louvor a Deus; o gasto desenfreado com a compra de presentes do que a alegre e abençoadora oportunidade de confraternização entre as pessoas.

Que Deus tenha misericórdia daqueles que ainda não entenderam o sentido do natal!

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