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Gerando Discípulos – Crescimento na Fé

Introdução:

Na Grande Comissão (Mt 28.19-20), Jesus deixou para a igreja três importantes instruções: (i) Fazer discípulos; (ii) Batizá-los; e, (iii) Ensiná-los. Nenhuma dessas partes, ou ordens, ou instruções deve ser negligenciada pela igreja. Nessa pós-modernidade em que vivemos, muitas igrejas têm se preocupado mais em manter templos cheios, do que com discípulos que guardam e praticam “todas as coisas que eu (Jesus) vos tenho ordenado”.

“Durante a Idade de Ouro da Grécia, o jovem Platão podia ser visto caminhando pelas ruas de Atenas em busca de seu mestre: o maltrapilho, descalço e brilhante Sócrates. Aqui, provavelmente, estava o início de um discipulado. Sócrates não escreveu livros. Seus alunos escutavam atentamente cada palavra que ele dizia e observavam tudo o que ele fazia, preparando-se para ensinar a outros. Aparentemente, o sistema funcionou. Mais tarde, Platão fundou a Academia, onde Filosofia e Ciência continuaram a ser ensinadas por 900 anos. Jesus usou relacionamento semelhante com os homens que ele treinou para difundir o Reino de Deus. … Discípulo é o aluno que aprende as palavras, os atos e o estilo de vida de seu mestre com a finalidade de ensinar outros.” (Keith Phillips).

Através do discipulado, Deus entretece uma cadeia que começa em Cristo e se desenvolve através dos seus seguidores, alcançando cada geração, até à volta de Cristo: “E o que de minha parte ouviste através de muitas testemunhas, isso mesmo transmite a homens fiéis e também idôneos para instruir a outros.” (2Tm 2.2)

Neste estudo vamos abordar alguns aspectos do crescimento na fé, do discípulo de Cristo.

1. QUAL A CONDIÇÃO ESSENCIAL PARA CRESCER?

Por mais óbvio que possa parecer, vale lembrar que é preciso ter vida para poder crescer. Seres inanimados, coisas mortas, não podem crescer. As coisas mortas podem até aumentar de tamanho, por superposição de outros materiais. Em se tratando de pessoas, quando não se tem a vida que vem do alto, as práticas religiosas são como camadas revestindo coisas mortas. Tais pessoas foram definidas por Jesus como sepulcros caiados (Mt 23.27).

O discipulado começa quando uma pessoa é regenerada pelo Espírito Santo, nascendo de novo – “logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim;” (Gl 2.20). É importante ressaltar em que momento acontece esse início; sem dúvida é quando a pessoa se torna cristã. “Muitíssimas pessoas acham que você se torna cristão vivendo a vida cristã. Absolutamente NÃO! É preciso que primeiro você se torne cristão, antes de poder viver a vida cristã.” (William Mac Donald)

2. POR QUE CRESCER?

2.1 É a lei da natureza

No mundo físico no qual estamos inseridos, as árvores frutíferas seguem o ciclo da germinação, crescimento e produção de frutos. Com os seres vivos não é diferente; é a lei da vida. Nas palavras de Jesus, esse processo natural dita a regra para o processo espiritual: “Todo ramo que, estando em mim, não der fruto, ele o corta; e todo o que dá fruto limpa, para que produza mais fruto ainda.” (Jo 15.2).

2.2 É uma questão de sobrevivência

Há uma expressão, em inglês, Grow up or Blow up (ou você cresce ou desaparece) bastante interessante. Não há como manter-se estagnado, estacionado; ou se está crescendo, ou se está diminuindo, porque as coisas ao nosso redor estão num processo contínuo de desenvolvimento. Quando não há crescimento na vida cristã, individual ou coletivamente, isso gera frustração e reprimenda, por parte da liderança (Hb 5.12) e ameaça o corpo de Cristo, a igreja (1Co 3.1-3; Gl 5.15).

2.3 É a vontade de Deus  

A vontade de Deus é sempre boa, agradável e perfeita (Rm 12.2), e deve ter sempre a primazia em nossa vida. O discípulo de Cristo é convocado e desafiado a crescer: “antes, crescei na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.” (2Pe 3.18a). É um crescimento em várias áreas:

i) Crescimento na graça do Senhor (2Pe 3.18a).
ii) Crescimento no conhecimento do Senhor (2Pe 3.18a).
iii) Crescimento em amor, uns para com os outros (1Ts 3.12).

3. COMO CRESCER?

Como ajudar um irmão a crescer na fé? Para acontecer o crescimento saudável do discípulo de Cristo, há uma confluência de fatores relevantes e determinantes. Como se dá esse crescimento?

3.1 Sobrenaturalmente

Se o discípulo é uma nova criatura em Cristo, habitado pelo Espírito Santo, tem vida espiritual, esse mesmo Espírito age nele e na igreja, com vistas ao crescimento. O apóstolo Paulo assim nos ensina a respeito desse crescimento sobrenatural: “Eu plantei, Apolo regou; mas o crescimento veio de Deus. De modo que nem o que planta é alguma coisa, nem o que rega, mas Deus, que dá o crescimento.” (1Co 3.6-7). “…, da qual todo o corpo, suprido e bem vinculado por suas juntas e ligamentos, cresce o crescimento que procede de Deus.” (Cl 2.19)

3.2 Naturalmente

Os seres vivos crescem e se desenvolvem, naturalmente. Jesus afirmou: “Considerai como crescem os lírios do campo: eles não trabalham, nem fiam.” (Mt 6.28b). Jesus chama a atenção para esse processo natural e espontâneo de crescimento. Mesmo sendo um processo natural estabelecido pelo Criador, esse crescimento também depende de algumas condições ambientais, tais como: solo, sol, água, ar etc. Na Bíblia, o justo ou o cristão é comparado a uma árvore (Sl 1.3). Da mesma forma, havendo vida espiritual, o crescimento do discípulo é natural e espontâneo. Entretanto, há alguns aspectos essenciais para esse crescimento, tais como:

i) Ambiente adequado.

A igreja precisa zelar no sentido de manter um ambiente agradável e favorável ao crescimento do discípulo. Há ambientes que ele será obrigado a frequentar, como o da escola, trabalho etc. Nesses, ele precisa ser forte, não se contaminando e sendo sal da terra e luz do mundo. Entretanto, há outros, que ele pode e deve evitar (Sl 1.1). Finalmente, há aqueles que ele pode e deve tornar adequados (Sl 1.2).

ii) Alimentação saudável

Os seres vivos se alimentam e o tipo de alimento ingerido afeta diretamente o crescimento. Nossa dieta espiritual mais rica é a leitura (e meditação) da Palavra de Deus: “desejai ardentemente, como crianças recém-nascidas, o genuíno leite espiritual, para que, por ele, vos seja dado crescimento para salvação,” (1Pe 2.2). Ela é alimento e agente de purificação: “para que a santificasse, tendo-a purificado por meio da lavagem de água pela palavra,” (Ef 5.26; comp. Jo 15.3).

iii) Respiração

A oração é a respiração da alma. A oração deve ser como a respiração: contínua e natural. Ela nos mantém espiritualmente vivos. Nem sempre precisamos usar palavras; podemos nos quedar na presença de Deus.

iv) Exercício

Nosso corpo se mantém sadio, nossos músculos se desenvolvem, se nos exercitarmos. Uma fé sem obras é morta. O discípulo precisa praticar a adoração a Deus, testemunhar a sua fé e servir o próximo.

v) Descanso

O estresse gerado pelas preocupações e medos, adoece o corpo e a mente. Até mesmo o ativismo cristão é condenável e prejudicial. Assim como o corpo necessita de descanso, do sono restaurador, nosso ser precisa se aquietar e descansar no Senhor e na força do seu poder. A Bíblia diz: “Descansa no SENHOR e espera nele…” (Sl 37.7); “Inútil vos será levantar de madrugada, repousar tarde, comer o pão que penosamente granjeastes; aos seus amados ele o dá enquanto dormem.” (Sl 127.2).

3.3 Sacrificialmente

Embora não se fale muito sobre a chamada “dor do crescimento”, na medicina ela é descrita como “uma sensação dolorosa recorrente, sem causa específica, que recebeu esse nome por se manifestar em uma fase crucial do desenvolvimento físico – especialmente entre 3 e 8 anos. Os médicos acreditam que de 5% a 15% da população infantil enfrente o problema pelo menos uma vez na vida.”

Crescer espiritualmente também acarreta “alguma dor” que é incomparavelmente menor do que as dores de um viver sem Cristo, de uma vida pecaminosa. O verdadeiro discípulo cristão precisa ter um compromisso total com o Senhor Jesus Cristo. Isso implica num modo de vida diferenciado que, ao mesmo tempo que lhe traz crescimento e maturidade na fé, e a bênção de Deus, leva a uma luta espiritual, sem tréguas. Alguns desses aspectos são:

i) Decisão por Cristo

Ter Cristo em primeiro lugar na vida, significa que nada e ninguém é mais importante do que ele. Essa é uma condição estabelecida pelo próprio Senhor, para o discipulado: “Se alguém vem a mim e ama o seu pai, sua mãe, sua mulher, seus filhos, seus irmãos e irmãs, e até sua própria vida mais do que a mim, não pode ser meu discípulo.” (Lc 14.26NVI). Em algum momento, circunstância ou situação essa opção por Cristo pode trazer alguma dor, pois somos humanos. Não são poucos os casos de conflitos familiares, ou desprezo, ou abandono, porque tomou-se a decisão de seguir a Cristo.

ii) Abnegação

“Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue,….” (Mt 16.24). Se Jesus é o Mestre e Senhor, se queremos ser como ele e viver como ele, não há como fazer isso se não renunciarmos a nós mesmos e nos submetermos a ele, à sua vontade, aos seus ensinos, ao seu estilo de ser e agir.

iii) Renúncia aos bens terrenos

“Assim, pois, todo aquele que dentre vós não renuncia a tudo quanto tem não pode ser meu discípulo.” (Lc 14.33). Jesus não está ensinando aqui que para ser seu discípulo é necessário se desfazer de todos os bens materiais. Por outro lado, a pobreza não é passaporte para a eternidade. O fato é que o discípulo de Jesus não pode amar a riqueza ou os prazeres lícitos deste mundo, mais do que a Deus. Somos mordomos de Deus e devemos investir na sua obra segundo o muito ou pouco que ele nos dá.

iv) Pagar o preço

“Se alguém quer vir após mim, …., tome a sua cruz e siga-me.” (Mt 16.24). Quando seguimos a Cristo, passamos a andar na contracultura da sociedade secular. Certamente teremos enfrentamentos frequentes por conta disso e precisamos tomar a decisão deliberada de pagar o preço dessa conta. A cruz aqui não é uma enfermidade física, uma fraqueza de caráter, uma perda irreparável, um fracasso etc, coisas essas que podem acontecer com qualquer pessoa. A cruz é a vergonha da cruz: a perseguição, o desprezo, a indiferença, as críticas sofridas por trilharmos o caminho apertado (Mt 7.14).

Conclusão:

Fazer discípulos e ensiná-los é tarefa indelegável da igreja, na qual todo cristão deve estar engajado. Jesus é o modelo e referencial a ser seguido; nenhuma figura humana, do presente ou do passado, pode ocupar esse lugar.  Para crescer na fé é preciso primeiramente nascer do alto. O crescimento espiritual obedece a uma lei natural, é uma questão de sobrevivência, mas, acima de tudo, é a vontade do nosso Pai Celeste. Qual o pai ou mãe que não deseja que seus filhos cresçam? O crescimento é um processo sobrenatural, natural e sacrificial. Depende de Deus, a família e a igreja participam, mas depende, também, da vontade, do empenho e da dedicação de cada discípulo.

Cada discípulo é desafiado a crescer e a ajudar outros a crescerem. “E sabeis, ainda, de que maneira, como pai a seus filhos, a cada um de vós, exortamos, consolamos e admoestamos, para viverdes por modo digno de Deus, que vos chama para o seu reino e glória.” (1Ts 2.11-12)

Bibliografia:

SWEETING, George. Os primeiros passos na vida cristã. Ed. Mundo Cristão, 1976.
MAC DONALD, William. O discipulado verdadeiro. Ed. Mundo Cristão, 1975.
PHILLIPS, Keith. A formação de um discípulo. Ed. Vida, 1981.

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O papel do Espírito Santo na pregação

A IDENTIDADE DO CORPO
         O papel do Espírito Santo na pregação
         Texto Base: Efésios 4.4-6; João 14.17; Mateus 10.20

Introdução:

Todos sabemos que de um só (Adão) Deus fez toda a raça humana, para habitar sobre a face da terra (At 17.26). Entretanto, dentre esses, ele mesmo, em Cristo, separou e reuniu para si um povo: “Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz;  vós, sim, que, antes, não éreis povo, mas, agora, sois povo de Deus, que não tínheis alcançado misericórdia, mas, agora, alcançastes misericórdia.” (1Pe 2.9-10). Este povo, também é conhecido como um corpo, constituído por muitos membros (Rm 12.5), com identidade própria e inconfundível. Ele tem um só Senhor, um só Legislador e Juiz (Tg 4.12) que é Deus e Pai de todos; um só Mestre (Mt 23.8), um só Guia (Mt 23.10), um só esposo, que é Cristo (2Co 11.2); um só Espírito, que nos regenera, faz morada em nós e nos une ao Corpo (Jo 3.6; 14.17); uma só fé; um só batismo e uma só esperança.

É através da pregação e do ensino da Palavra de Deus que este Corpo, a Igreja de Cristo, cresce e preserva a sua identidade: “E, assim, a fé vem pela pregação, e a pregação, pela palavra de Cristo.” (Rm 10.17). E essa pregação é muito mais do que um discurso baseado em estratégias de persuasão humanas: “A minha palavra e a minha pregação não consistiram em linguagem persuasiva de sabedoria, mas em demonstração do Espírito e de poder,” (1Co 2.4). Daí, percebe-se a relevância e essencialidade do papel do Espírito Santo na pregação.

Quando se trata de pregação, não se pode deixar de associar a ideia do tripé: PREGADOR x MENSAGEM x OUVINTE. No estudo da Homilética[1], o PREGADOR pode e deve buscar recursos e se aprimorar na tarefa de expor a mensagem. No estudo da Hermenêutica[2], que, de tão próximo se confunde com o termo Exegese[3], o pregador pode e deve buscar recursos para a correta interpretação e explicação do texto bíblico, no preparo da mensagem. A MENSAGEM não é outra, senão o Evangelho, poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê (Rm 1.16). Também é o ensino bíblico que edifica e molda o caráter de um cristão. Por fim, temos o OUVINTE. Como alcançá-lo? Dispor os elementos da mensagem de forma clara, lógica e racional, sequencial e progressiva, estética e emocional, de modo a persuadir o ouvinte é, de fato, algo importante, mas, não suficiente. Pois, “Um sermão é um bocado de pão para ser comido, e não uma obra de arte para ser apreciada” (Phillips Brooks)

Neste estudo, veremos o papel do Espírito Santo agindo na pregação, nesse tripé acima referido, e produzindo o resultado que transforma vidas e glorifica a Deus.

Desenvolvimento:

Façamos este estudo a partir da “teologia de Jesus” sobre o papel do Espírito Santo, exposta nos Evangelhos, e, também, recorrendo aos ensinos nas epístolas. Não vamos nos limitar a estudar o agir do Espírito apenas numa pregação pública, proferida no púlpito de um templo, mas em qualquer lugar e circunstância em que essa pregação, possa ocorrer, com qualquer número de ouvintes.

1. Como é, o agir do Espírito Santo?

1.1 O Espírito é livre para agir (Jo 3.5-8)

Se o novo nascimento ou regeneração é obra do Espírito Santo; se é este mesmo Espírito que convence e produz transformação e mudança de comportamento nos ouvintes; então, pregadores e testemunhas de Cristo precisam ter sempre em mente que ele é livre para agir; e nós, somos apenas seus instrumentos. Ele jamais estará subordinado e circunscrito à nossa vontade; ao contrário, nós é que devemos nos deixar conduzir pela sua soberana vontade e direção.

1.2 O Espírito habita em nós (Jo 14.17, 23)

Nessas palavras proferidas por Jesus está explícito o relacionamento íntimo que o pregador e testemunha de Cristo tem com o Espírito: “vós o conheceis, porque ele habita convosco e estará em vós.”. Enquanto no Antigo Testamento o Espírito agia pontualmente, usando pessoas para a realização de determinados feitos, depois da ascensão de Cristo, o Consolador, foi enviado aos filhos de Deus, no Pentecostes, para habitação permanente nos remidos, unindo-os ao Corpo de Cristo (sua Igreja) e capacitando-os a serem embaixadores do Reino, proclamadores da sua mensagem de salvação a todos os povos. Nessa relação tão sublime e íntima, com o Espírito, desfrutamos do privilégio de conhecê-lo, ainda que de forma limitada, o que, provavelmente, o apóstolo Paulo se referiu como ter a “mente de Cristo” (1Co 2.16).

1.3 O Espírito fala “em nós” e “por nós” (Mt 10.20; Mc 13.11)

Quando Jesus proferiu essas palavras de instrução aos discípulos, referia-se a situações extremas de perseguição e prisão, ocasiões em que eles seriam assistidos pelo Espírito. Certamente a intenção divina não seria apenas de conceder-lhes uma palavra de sabedoria, adequada à situação. Também havia a intenção de que eles testemunhassem de Cristo diante das autoridades (Mt 10.18). Assim sendo, por que razão este mesmo Espírito também não poderia assistir o pregador ou aquele que testemunha de Cristo, em situações normais de evangelização?

A figura do Espírito falando “em nós”, nos remete àquele direcionamento espiritual, do pregador, para definir o assunto, escolher e entender o texto bíblico e escolher as ilustrações. Quem somos nós para fazer essas escolhas, por conta própria? Apenas o Espírito conhece, antecipadamente, o público que estará presente e o que cada pessoa precisa ouvir, “…porque o Espírito a todas as coisas perscruta, até mesmo as profundezas de Deus.” (1Co 2.10-11).

A figura do Espírito falando “por nós”, nos dá a certeza e segurança de que, usando parte ou todo o material preparado, ou trazendo à nossa memória outras ideias e palavras, nossas limitações quanto à exposição verbal e gestual serão superadas, de modo a alcançar o objetivo determinado pelo Senhor. Ao longo da história muitos têm falado da parte de Deus, movidos pelo Espírito (2Pe 1.21).

1.4 O Espírito nos ensina (Lc 12.12; Jo 14.26)

A Bíblia não é como uma obra literária secular qualquer; é a Palavra de Deus! E é Deus mesmo que, através do seu Espírito, nos dá a compreensão exata do seu sentido e aplicação. É maravilhoso verificar como a iluminação do Espírito, agindo sobre os que pregam e ensinam a Palavra de Deus, faz com que sejam extraídos de cada texto bíblico tantas mensagens, ensinos e aplicações para a conversão de pessoas e edificação do povo de Deus. “O homem se agita, mas Deus o conduz”. Tão importante quanto ser ensinado pelo Espírito é ser por ele lembrado do que Jesus disse; daquilo que a Bíblia nos ensinou um dia. Ele nos faz lembrar das verdades eternas e assim as compartilhamos, a tempo e a fora de tempo.

1.5 O Espírito age nos humildes (Lc 10.21)

Se alguém se julga autossuficiente, sábio e instruído, se bastando a si próprio; não deixa espaço para o agir do Espírito na sua vida, ministério e pregação: “…porque ocultaste estas coisas aos sábios e instruídos e as revelaste aos pequeninos.” Conta-se que um jovem pregador subiu ao púlpito para pregar, com a cabeça erguida, entusiasmado, confiante na sua oratória e sermão cuidadosamente preparado. No desenvolvimento da mensagem, percebeu certa frieza no auditório e uma reação bem diferente daquela que esperava. Terminada a mensagem, desceu do púlpito cabisbaixo e frustrado. Foi quando o velho pastor, ao seu lado, lhe sussurrou aos ouvidos: – Se tivesses subido ao púlpito como desceste, terias descido como subiste! A obra não é nossa, mas de Deus, bem como toda a honra e glória pertencem somente a ele. Somos apenas seus cooperadores.

2. Para que, o agir do Espírito Santo?

Encontramos a resposta a essa pergunta nas palavras de Jesus:

2.1 Guiar a toda a verdade (Jo 16.13)

Desde a queda de Adão e Eva, no Éden, a humanidade tem sido desafiada a discernir entre a verdade de Deus e a mentira de Satanás e de seus seguidores. Felizmente, não estamos sós, pois a promessa de Jesus se cumpriu: “quando vier, porém, o Espírito da verdade, ele vos guiará a toda a verdade; porque não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e vos anunciará as coisas que hão de vir.” (Jo 16.13; ver ainda Jo 12.49-50)

2.2 Dar testemunho de Cristo (Jo 15.26; At 1.8)

Jesus é o Filho de Deus, “o resplendor da glória e a expressão exata do seu Ser” (Hb 1.3), o nosso Salvador e Senhor. O Espírito nos foi dado para que pudéssemos testemunhar dele até aos confins da terra: “Quando, porém, vier o Consolador, que eu vos enviarei da parte do Pai, o Espírito da verdade, que dele procede, esse dará testemunho de mim;” (Jo 15.26); “mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra.” (At 1.8). Na primeira pregação da igreja (At 2.14-41), a pregação do Pentecostes, através de Pedro, encontramos os elementos básicos de uma pregação que agrada a Deus: a) Pregador: um pregador cheio do Espírito Santo. b) Mensagem: tem como conteúdo a citação das Escrituras Sagradas e o testemunho de Cristo: encarnado, crucificado, ressuscitado e glorificado. c) Ouvintes: todos os que estavam ao alcance da sua voz, sendo que, quase três mil, movidos pelo Espírito se arrependeram dos seus pecados, foram batizados, receberam o selo do Espírito e foram agregados à igreja.

2.3 Evangelizar, Proclamar Libertação e Curar (Lc 4.18)

“O Espírito do Senhor está sobre mim, pelo que me ungiu para…”. Assim como o Espírito esteve sobre o Senhor Jesus Cristo para a realização da sua missão que incluía evangelização, libertação e cura, foi concedido a nós para darmos continuidade a essa missão. Nós somos a sua boca para falar da parte dele: “Pois o enviado de Deus fala as palavras dele, porque Deus não dá o Espírito por medida.” (Jo 3.34). Nós somos os seus pés para ir por todo o mundo pregando as boas novas de salvação: “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações,…” (Mt 28.19).

Conclusão:

Que Deus nos ajude a compreender e viver essa unidade orgânica e identidade inconfundível do corpo de Cristo, a Igreja. Que, ao sermos chamados para pregar e testemunhar de Cristo, possamos entender claramente o papel do Espírito Santo e o nosso papel. Que nunca percamos de vista que sem o Espírito de Deus nada somos e nada podemos fazer: Ele nos regenera, habita em nós, produz em nosso caráter o “fruto do Espírito” e nos capacita para a realização da sua obra com os seus dons. “Mas um só e o mesmo Espírito realiza todas estas coisas, distribuindo-as, como lhe apraz, a cada um, individualmente.” (1Co 12.11)

[1] Homilética (bíblica): é a arte de pregar o Evangelho, de como preparar e expor um sermão.

[2] Hermenêutica (bíblica): é a ciência da interpretação do texto bíblico, utilizando um conjunto de regras e/ou preceitos e/ou técnicas.

[3] Exegese (bíblica): do grego exegesis (ex + egese = Tirar de dentro para fora), tem o sentido da investigação e explicação do texto bíblico.

Mas o fruto do Espírito é….ALEGRIA

“Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio. Contra estas coisas não há lei.” (Gl 5.22-23)

Introdução

Não podemos confundir “FRUTO DO ESPÍRITO”, com seus 9 gomos (Gl 5.22-23), que são manifestações do caráter do crente regenerado pelo Espírito Santo, com os “DONS DO ESPÍRITO” que são capacitações do Espírito para as realizações na igreja. Também é necessário distinguir “dom natural ou talento”, de “dom sobrenatural ou espiritual”, em que pese o valor e utilidade de ambos a serviço da igreja. Podemos dizer que há 20 dons espirituais, os quais são mencionados nas Escrituras Sagradas em Romanos 12.6-8, 1Coríntios 12.8-10, 1Coríntios 12.28 e Efésios 4.11.

Duas palavras estarão aqui em foco: Fruto e Alegria.

A) FRUTO

O Fruto, na biologia vegetal ou botânica e humana:

O fruto tem origem na fecundação da flor através da polinização. Suas funções são de proteção e disseminação das sementes que ficam dentro dele, perpetuando sua espécie. Os frutos geralmente são carnosos, são suculentos, bastante hidratados e geralmente comestíveis. Exemplos: mamão, abacate, manga, etc. O fruto, além desse significado atrelado à biologia vegetal, na biologia humana refere-se a filho e prole.

O Fruto, numa visão mais geral:

O fruto também tem outros significados no cotidiano, tais como: 1)Lucro, resultado, produto. 2) Proveito, utilidade. 3)Vantagem. 4)Rendimento, renda de um capital, de uma fazenda. 5)Consequência, resultado.

O Fruto, numa visão Espiritual:

O fruto do Espírito corresponde a essas mesmas ideias. No processo da regeneração e novo nascimento, o Espírito Santo fecunda em nós a natureza divina. O fruto ou resultado ou consequência disso é um novo caráter que expressa esses 9 aspectos mencionados e revela a nossa nova identidade de filhos de Deus: “Assim, pois, pelos seus frutos os conhecereis.” (Mt 7.20). Da mesma forma que no reino vegetal, esse fruto protege a semente do evangelho e a dissemina. “Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros.” (Jo 13.35)

B) ALEGRIA:

1. O QUE É ALEGRIA?

Imaginem que a ALEGRIA resolvesse fazer uma selfie em grupo. Quem você acha que faria questão de aparecer na foto? Certamente a FELICIDADE, a SATISFAÇÃO, o CONTENTAMENTO, o REGOZIJO, o JÚBILO, o PRAZER etc. Até que ponto estas palavras são distintas ou expressam a mesma coisa, são sinônimas, pelo menos algumas delas? Nos dicionários é muito comum encontrar algumas sendo usadas como sinônimos da outra ou como definição da outra. Sou inclinado a pensar que algumas expressam melhor as reações ou respostas pontuais e momentâneas aos acontecimentos, enquanto outras expressam melhor o estado geral da pessoa.

  • Alguns dizem que não existe felicidade neste mundo.
  • Outros pensam que o ser humano é infeliz, mas com alguns momentos de alegria. Assim, quanto mais ele puder promover momentos de alegria, maior será o sentimento de um estado de bem-estar e felicidade.
  • Outros dizem que são felizes, mas com alguns momentos de tristeza.

O que nos gera alegria? Como obter alegria?

2. O ESTADO DE FELICIDADE

O estado de felicidade parece ter muito mais a ver com o TER do que com o SER e com a ESCALA DE VALORES que se estabelece para a vida, cedendo ou não a pressões da sociedade.

Imaginem que a nossa vida fosse uma conta bancária, aberta no momento do nosso nascimento, com um determinado e modesto valor de depósito. Assim, ao longo dos dias, os motivos geradores de alegria ou de tristeza atuariam como se fossem créditos e débitos, respectivamente, nessa conta. Desta forma, enquanto o saldo fosse positivo, caracterizaria um estado de felicidade; e, enquanto permanecesse negativo, um estado de infelicidade. A questão a se considerar é: qual seria o motivo de alegria ou de tristeza, correspondente a um crédito ou débito tão expressivo, que fosse incapaz de possibilitar a reversão de um saldo tão positivo ou tão negativo decorrente de tal crédito ou débito? Ou seja, algo que acarretaria um estado permanente de felicidade ou de infelicidade.

Quando o salmista Davi diz, “O SENHOR é o meu pastor; nada me faltará.” (Sl 23.1), você pode chegar a duas conclusões: 1) Nada me faltará, porque ele providenciará tudo aquilo que eu precisar para viver bem. 2) Ele é o meu pastor e isso me basta. A primeira interpretação se inclina para uma visão de Deus consumista e utilitarista: ele me dará todas as coisas!  A segunda se inclina para uma visão de Deus quanto à sua essência: ele é tudo, ele é o meu bem mais precioso, ele me basta! Vale lembrar as parábolas do tesouro (Mt 13.44) e da pérola (Mt 13.45-46) quando se desfaz de tudo por elas.

A reconciliação com Deus, por meio da obra redentora do Senhor Jesus Cristo, assegura que nós, os salvos, somos de Deus e ele é nosso, que estamos nele e ele está em nós, que recebemos de Deus tudo o que há de mais precioso e duradouro. Portanto, não há tristeza capaz de “negativar nosso saldo existencial”, mudar nosso estado de felicidade para infelicidade: nem a perda da saúde, de familiares ou amigos próximos, do emprego, de bens, da liberdade etc.

3. EM BUSCA DA ALEGRIA

Para tentar gerar um estado de felicidade, as pessoas correm atrás do vento, buscando motivos efêmeros de geração de alegria, através do TER, SER E FAZER.

A experiência de Salomão, narrada em Eclesiastes 2, expressa claramente a desilusão de quem busca a felicidade nas coisas materiais.

DIVERSÃO, BEBIDAS E PRAZERES:

1  Então resolvi me divertir e gozar os prazeres da vida. Mas descobri que isso também é ilusão.
2  Cheguei à conclusão de que o riso é tolice e de que o prazer não serve para nada.
3  Procurei ainda descobrir qual a melhor maneira de viver e então resolvi me alegrar com vinho e me divertir. Pensei que talvez fosse essa a melhor coisa que uma pessoa pode fazer durante a sua curta vida aqui na terra.

EMPREENDIMENTOS PROFISSIONAIS:

4  Realizei grandes coisas. Construí casas para mim e fiz plantações de uvas.
5  Plantei jardins e pomares, com todos os tipos de árvores frutíferas.
6  Também construí açudes para regar as plantações.
7  Comprei muitos escravos e além desses tive outros, nascidos na minha casa. Tive mais gado e mais ovelhas do que todas as pessoas que moraram em Jerusalém antes de mim.

RIQUEZA, ENTRETENIMENTO E PRAZER SEXUAL:

8  Também ajuntei para mim prata e ouro dos tesouros dos reis e das terras que governei. Homens e mulheres cantaram para me divertir, e tive todas as mulheres que um homem pode desejar.

PODER, FAMA, PROJEÇÃO HUMANA:

9  Sim! Fui grande. Fui mais rico do que todos os que viveram em Jerusalém antes de mim, e nunca me faltou sabedoria.
10  Consegui tudo o que desejei. Não neguei a mim mesmo nenhum tipo de prazer. Eu me sentia feliz com o meu trabalho, e essa era a minha recompensa.

DESILUSÃO, INUTILIDADE E FUTILIDADE:

11  Mas, quando pensei em todas as coisas que havia feito e no trabalho que tinha tido para conseguir fazê-las, compreendi que tudo aquilo era ilusão, não tinha nenhum proveito. Era como se eu estivesse correndo atrás do vento.

A Linha de Plimsoll.
LIMITES DE CARGA (Cultivando o contentamento ­– Gary Inrig)

Samuel Plimsoll carregava um fardo. Envolvido no comércio de carvão, no século 19, na Inglaterra, ele conscientizou-se dos terríveis perigos que os navegadores tinham que enfrentar. A cada ano, centenas de marinheiros perdiam suas vidas em navios perigosamente sobrecarregados. Os proprietários inescrupulosos desses navios, buscando lucros cada vez maiores, não se importavam em colocar a vida dos outros em risco. Navios carregados até quase a altura do convés deixavam o porto e afundavam no mar, fato bem recebido pelos proprietários, que recebiam grandes lucros das seguradoras. Em 1873, um número impressionante de navios, 411, afundaram levando consigo centenas de homens, para o sepultamento nas águas. Para piorar ainda mais as coisas, se um homem se alistasse para uma viagem, ele não podia desistir, por mais inseguro que considerasse o navio. A lei defendia com firmeza os proprietários e trocar de navio era um crime, não importava quão perigosa fosse a embarcação. No início dos anos de 1870, um de cada três prisioneiros do sudoeste da Inglaterra era um marinheiro que se havia recusado a servir nesses navios, que ficaram conhecidos como “caixões”.

Esse problema tornou-se uma missão para Plimsoll. Sua ideia era simples. Cada navio deveria ter uma linha limite de carga, que indicasse quando estaria sobrecarregado. Com isso em mente, Plimsoll concorreu às eleições do Parlamento, em 1868, e foi eleito (deputado). Ele começou imediatamente uma campanha intensiva para salvar as vidas dos marinheiros britânicos. Fez discursos veementes na Câmara dos Comuns e escreveu um livro que chocou o público diante da exposição daquelas terríveis condições. Gradualmente, conseguiu a aprovação da opinião pública e constrangeu o governo a tomar providências. Em 1875 foi aprovada a Lei dos Navios Inapropriados para o Mar. No ano seguinte, uma lei escrita por Plimsoll foi aprovada, que exigia uma linha para limite de carga. Porém, sob pressão de interesses comerciais, o Parlamento afrouxou a lei. Permitiu que o proprietário de um navio colocasse a linha onde desejasse.

Plimsoll seguiu lutando por mais 14 anos, até serem aprovadas leis que assegurassem que a linha seria colocada num nível que desse segurança para o navio. Com o tempo, a sua linha de carga tornou-se um padrão internacional. Hoje, em todos os portos do mundo você pode ver os resultados do trabalho de Plimsoll, o que fez com que ele fosse chamado de “O Amigo dos Marinheiros”. No corpo (casco) de cada navio de carga você verá a linha Plimsoll, indicando a profundidade máxima até onde um navio pode ser carregado legalmente e de forma segura.

A vida seria muito mais fácil se existisse uma marca Plimsoll para as pessoas. Navegar pela vida exige meios de segurança. … Não chegaremos a salvo ao nosso destino, a não ser que compreendamos a linha Plimsoll divina.”

Numa sociedade fundada sobre o consumismo crônico e compulsivo, como vamos estipular limites de carga? Quanto é suficiente, na mesa da cozinha? Quanto dinheiro, para compensá-lo pelo seu trabalho? Quanto tempo, deve dedicar à sua família? Quanta glória pública, para satisfazer o seu ego? Quantos títulos, para aprofundar o seu entendimento? Quantas coisas são suficientes para você? E, sem considerar quantas coisas já tem, como você encontra — e define — satisfação?

4. VIVENDO COM ALEGRIA

Nós, os salvos, precisamos estar atentos para não cair nessa cilada de passar a vida correndo atrás do que não se tem, esquecendo-se de desfrutar do que sem tem.

“Far-me-ás ver a vereda da vida; na tua presença há abundância de alegrias; à tua mão direita há delícias perpetuamente.” (Sl 16.11)
“porque o Reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo” (Rm 14.17).

Conta-se a história de uma menina cujo pai era um resmungão crônico. Certa noite, à mesa do jantar, ela anunciou com orgulho: “Eu sei o que todos na nossa família gostam!” Ela não precisou de nenhuma persuasão para revelar a sua informação: “João gosta de hambúrgueres; Cristina adora sorvete; Jaime ama pizza; e mamãe gosta de frango.” O pai esperava pela sua vez, mas não veio nenhuma informação. Ele perguntou: “Bem, e eu? Do que o papai gosta?” Com a inocência e a dolorosa perspicácia de uma criança, a menininha respondeu: “Papai, você gosta de tudo o que nós não temos!”

Alguém descreveu a nossa sociedade como “a sociedade do inextinguível descontentamento”. Somos incentivados a pensar que precisamos adquirir, consumir, melhorar e aumentar. Nesse contexto, é raro o conceito de “suficiente”. Ninguém está fazendo propaganda das virtudes do contentamento. Mas o Espírito Santo usa justamente essa palavra para colocar o dedo numa das questões mais significativas e sensíveis nas nossas vidas: “Porque nada temos trazido para o mundo, nem coisa alguma podemos levar dele. Tendo sustento e com que nos vestir, estejamos contentes.” (1Tm 6.7-8). “Seja a vossa vida sem avareza. Contentai-vos com as coisas que tendes; porque ele tem dito: De maneira alguma te deixarei, nunca jamais te abandonarei.” (Hb 13.5). No AT encontramos as palavras de Agur: “Duas coisas te peço; não mas negues, antes que eu morra: afasta de mim a falsidade e a mentira; não me dês nem a pobreza nem a riqueza; dá-me o pão que me for necessário; para não suceder que, estando eu farto, te negue e diga: Quem é o SENHOR? Ou que, empobrecido, venha a furtar e profane o nome de Deus.” (Pv 30.7-9). Estes versículos nos apontam para a necessidade de uma linha de Plimsoll nas nossas vidas, se esperamos navegar por uma cultura materialista, com sucesso.

Conclusão:

  1. Não confunda alegria com felicidade.
  2. Desenvolva um estilo de vida com limites.
  3. Cultive a generosidade e não a avareza.
  4. Valorize o que você tem, não o que poderia ter.
  5. Invista no que é eterno, não apenas no temporário.

 


Algumas definições:

ALEGRIA: Contentamento, júbilo, prazer moral. Regozijo. Divertimento, festa. Acontecimento feliz.

Antônimos: tristeza, desgosto.

FELICIDADE: Estado de quem é feliz. Ventura. Bem-estar. Contentamento. Bom resultado, bom êxito.

SATISFAÇÃO: Ato ou efeito de satisfazer ou de satisfazer-se. Qualidade ou estado de satisfeito; contentamento, prazer. Sensação agradável que sentimos quando as coisas correm à nossa vontade ou se cumprem a nosso contento. Ação de satisfazer o que se deve a outrem; pagamento. Prestar contas a outrem de uma incumbência; desempenho. Reparação de uma ofensa. Explicação, justificação, desculpa: Não deu satisfação dos seus atos a quem quer que seja. Alegria produzida pelo cumprimento de ação meritória que se praticou.

CONTENTAMENTO: Ação ou efeito de contentar. Estado de quem está contente. Alegria, satisfação.

 

A Excelência da União Fraternal (Salmo 133)

1  Oh! Como é bom e agradável viverem unidos os irmãos!
2  É como o óleo precioso sobre a cabeça, o qual desce para a barba, a barba de Arão, e desce para a gola de suas vestes.
3  É como o orvalho do Hermom, que desce sobre os montes de Sião. Ali, ordena o SENHOR a sua bênção e a vida para sempre. (Sl 133.1-3)

Como é constituído o Salmo 133?

A resposta é simples: por três números [1] [3] [3]

Se você achou a resposta simples demais, vamos aprofundar nossa análise. Este salmo contém:

  • [1] Um assunto relevante: união fraternal ou comunhão fraternal.
  • [3]Três versículos com: Uma declaração entusiástica (ou uma exclamação contagiante) – “Oh! Como é bom e agradável…” e Duas comparações aparentemente estranhas – “É como o óleo precioso…” “É como o orvalho….”.
  • [3] Três ensinos preciosos que envolvem três pessoas importantes: DEUS, VOCÊ e O OUTRO.

 

1º) União Fraternal ou Comunhão Fraternal (VOCÊ e O OUTRO).

“Oh! Como é bom e agradável viverem unidos os irmãos!” (v.1)

O salmista Davi declara aqui a excelência da união fraternal. A que irmãos ele estaria se referindo?

Ainda que todos sejamos descendentes de Adão e, mais especificamente, descendentes dos três filhos de  Noé (Gn 9.18-19), é provável que não seja a estes irmãos humanos que Davi se referia. O que não quer dizer que essa declaração não se aplique a essa categoria de irmãos. Talvez ele estivesse se referindo àqueles irmãos que vivem mais próximos, os irmãos compatriotas, especificamente o seu povo, os judeus, ou, quem sabe, os irmãos de uma mesma família. Davi viveu um verdadeiro caos no relacionamento entres seus filhos: Amnom violou sua meia irmã Tamar, irmã de Absalão e este mandou matá-lo, por vingança. Adonias disputava o trono de Davi com Salomão e este o mandou executar assim que começou a reinar.

Além e acima dessas três categorias mais consagradas de irmãos, esta declaração se aplica a um grupo especial e distinto de irmãos, a Igreja de Cristo. Esta reúne irmãos dessas três categorias e cria laços muito mais fortes e duradouros, porquanto, eternos: “Assim, já não sois estrangeiros e peregrinos, mas concidadãos dos santos, e sois da família de Deus,” (Ef 2.19). “Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz;” (1Pe 2.9). “Eles não são do mundo, como também eu não sou.” (Jo 17.16).  Às vezes nos envolvemos de tal maneira com as coisas deste mundo que não nos damos conta da nossa verdadeira identidade celestial.

O que é União ou Comunhão Fraternal?

  • É mais do que proximidade física! Podemos partilhar muitos espaços com outras pessoas, lado a lado, em nossa vivência diária e, também, nos cultos e demais programações da igreja, e, ainda assim, isso não assegura que temos comunhão com elas. Porém, estarmos juntos, na adoração e no serviço, pode ser um bom indicativo dessa comunhão: “Todos os que creram estavam juntos e tinham tudo em comum. Diariamente perseveravam unânimes no templo, partiam pão de casa em casa e tomavam as suas refeições com alegria e singeleza de coração,” (At 2.44, 46)
  • É mais do que o compartilhamento de uma mesma identidade religiosa! “- Sou cristão” ou “ – Sou presbiteriano”. O nome faz a pessoa ou a pessoa é que faz o nome?
  • É mais do que a participação comum em “práticas religiosas”! Orar, ler a bíblia, ir à igreja, cantar hinos, dar o dízimo, etc. são práticas que por si só também não asseguram que haja essa verdadeira comunhão; porém os que vivem em comunhão participam dessas práticas.
  • É mais do que uma uniformidade estereotipada imposta! Houve um tempo em que você olhava para a forma de se trajar de determinadas pessoas e podia identificar a que grupo de evangélicos elas pertenciam. Essas pessoas podiam até ter uma certa uniformidade visual, porém, também não é por causa disso que estaria assegurada a comunhão entre elas.
  • É, sim, interação íntima e visceral contínua no corpo de Cristo! “Mas, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo, de quem todo o corpo, bem ajustado e consolidado pelo auxílio de toda junta, segundo a justa cooperação de cada parte, efetua o seu próprio aumento para a edificação de si mesmo em amor.” (Ef 4.15-16)

Mas, a união fraternal é apenas algo “bom e agradável” ou vai além?

  • É essencial para a preservação da igreja: “Se vós, porém, vos mordeis e devorais uns aos outros, vede que não sejais mutuamente destruídos.” (Gl 5.15)
  • É um testemunho ao mundo sobre Jesus: “a fim de que todos sejam um; e como és tu, ó Pai, em mim e eu em ti, também sejam eles em nós; para que o mundo creia que tu me enviaste.” (Jo 17.21)

Viver em comunidade é viver “com + unidade”, “como + um”. Comum é o que pertence simultaneamente a mais do que um. Assim é a fé que professamos – a fé comum (Tt 1.4).

Não é fácil e nem tentaremos interpretar o que exatamente estava no coração de Davi quando ele expressou as metáforas dos versículos 2 e 3 do Salmo 133.  Entretanto, aproveitando as ideias por ele apresentadas e à luz do contexto atual de Igreja de Cristo, podemos ser grandemente abençoados com os seguintes ensinos:

 

2) Unção Espiritual (Deus em Nós).

“É como o óleo precioso sobre a cabeça, o qual desce para a barba, a barba de Arão, e desce para a gola de suas vestes.” (v.2)

O óleo aqui mencionado não é um óleo qualquer, um composto aromático comum. Trata-se do óleo sagrado da unção (Ex 30.25), composto com exclusividade para ungir o Tabernáculo e sua mobília, e para ungir os Sacerdotes. Qualquer fabricação independente ou qualquer aplicação diferente da prescrita na lei seria punida com a morte. Por que? Porque esse óleo é tipo do Espírito Santo – único e exclusivo. Conta-se que um cientista produziu uma semente de feijão exatamente igual a uma verdadeira e desafiou certo homem a descobrir qual a verdadeira e qual a falsa. O homem desafiado disse: “- Dá-me as duas sementes e depois de três dias te direi.” Passados os três dias o homem voltou com as sementes e respondeu ao cientista: “- A verdadeira é a que tem vida, veja como está brotando.” Ele havia plantado ambas as sementes; porém, apenas uma brotou. A verdadeira Igreja de Cristo é comparada a um corpo vivo, a um organismo; a falsa é apenas uma organização. No corpo vivo os membros estão intrinsecamente ligados e sob o comando da cabeça desenvolvem suas funções específicas.

Observem que a analogia não se restringe ao óleo, porém, ao óleo aplicado, ou seja, à unção sobre a cabeça de Arão.

  • A igreja foi instituída por Deus e subsiste pela ação e poder do Espírito de Deus; invisível, porém, real e essencial. “E, havendo dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo” (Jo 20.22).
  • É o Espírito Santo de Deus que nos regenera e nos possibilita uma autêntica comunhão com o corpo de Cristo – a Igreja.
  • Sem o poder de Deus nada somos e nada podemos fazer. “Eu sou a videira, vós, os ramos. Quem permanece em mim, e eu, nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer.” (Jo 15.5).

Não há esforço humano capaz produzir a verdadeira união entre os membros do corpo; só o Espírito de Deus é capaz disso.

 

3) Convergência na Palavra (Nós em Deus).

“É como o orvalho do Hermom, que desce sobre os montes de Sião. Ali, ordena o SENHOR a sua bênção e a vida para sempre.” (v.3)

A outra comparação é com o orvalho do monte Hermom[1]. O Hermom era, e é, uma preciosidade incalculável para os judeus. O Hermon está para Israel assim como a água está para a vida. Esse majestoso monte, localizado no extremo Norte de Israel, perto de Cesaréia de Filipe, tem quase três mil metros de altitude. Quando a seca assola as outras regiões de Israel e países vizinhos, no Hermon faz frio e nos seus picos predomina a neve o ano todo. O calor do dia derrete grande parte desse gelo, transformando-o em água líquida que escorre pelas superfícies ou pelas entranhas do famoso monte e vai formar as nascentes do rio Jordão. “Quando as três vertentes se encontram, a 14km ao norte do lago de Hula, ou Hulé, ou Merom, o Jordão está a 150m acima do nível do mar (Mediterrêneo)”. Passando pelo lago do Merom, que está a 68m, o rio continua descendo vertiginosamente por um vale estreito e acidentado, entrando ruidosamente no Mar ou Lago da Galiléia, a 212m abaixo do Mar Mediterrâneo. O Lago da Galiléia tem cerca de 27km no sentido Norte-Sul. O Jordão entra nele pelo norte e sai dele pelo sul em direção ao Mar Morto.  Do sul do Lago da Galiléia até ao Mar Morto são cerca de 117km em linha reta, mas o seu curso é sinuoso e acidentado, por 351km percorridos sempre abaixo do nível do Mar. Tem mais de 100 corredeiras, que tornam suas águas barrentas e suas margens perigosas, terminando no Mar Morto, a 400m negativos.

O monte Hermom é, portanto, o grande responsável pela fertilidade das terras na sua base e por toda a extensão do rio Jordão, que dele nasce. Era uma montanha sagrada para muitos povos pagãos da antiguidade.  Ali eles cultuavam e festejavam seus deuses. Construíam templos no sopé do monte. O deus principal do Hermom foi Baal, daí o nome de Baal-Hermom (Jz 3.3 e 1Cr 5.23).

Já o povo de Israel o salmodiava, com alegria: “O Norte e o Sul, tu os criaste; o Tabor e o Hermom exultam em teu nome”. (Sl 89.12) ou, com saudade, quando exilados: “Sinto abatida dentro de mim a minha alma; lembro-me, portanto, de ti, nas terras do Jordão, e no monte Hermom, e no outeiro de Mizar.”(Sl 42.6). Foi, provavelmente, em algum ponto da subida deste monte alto que se deu a transfiguração de Jesus (Mt 17.1-13). Num lugar de tanta idolatria, aprouve a Deus distinguir o Senhor Jesus como único e verdadeiro Deus, acima de qualquer deus humano ou grandes vultos do AT como Moisés e Elias: “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo; a ele ouvi.

Neste Salmo 133.2 o orvalho sobre o Hermon é comparado à excelência da união fraternal. O que esse orvalho tem a ver com comunhão?

O gotejar miúdo e constante da “água do céu” é o fator determinante da continuidade da vida; pela água que forma o rio (Jordão) e pelo rio que fertiliza o solo ao longo de todo o seu percurso. Se o óleo da comparação anterior era uma figura do Espírito Santo; a água é uma figura da Palavra de Deus. Jesus é o verbo de Deus, a palavra que se fez carne. A Bíblia é palavra que se fez livro. E é através da Palavra e do Espírito que somos regenerados e nos tornamos membros do corpo de Cristo, a Igreja. A Palavra regenera “pois fostes regenerados não de semente corruptível, mas de incorruptível, mediante a palavra de Deus, a qual vive e é permanente”. (1Pe 1.23) e purifica“… como também Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela, para que a santificasse, tendo-a purificado por meio da lavagem de água pela palavra, para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, porém santa e sem defeito.” (Ef 5.25-27).

E é essa mesma Palavra que nos conduz à comunhão: “completai a minha alegria, de modo que penseis a mesma coisa, tenhais o mesmo amor, sejais unidos de alma, tendo o mesmo sentimento.” (Fp 2.2). Será que o apóstolo Paulo estaria ensinando aqui que para desfrutarmos da verdadeira comunhão precisaremos pensar igual?  Certamente que não! O apelo aqui é pela convergência ou concórdia ou harmonia intelectual (de ideias e de ideais), sentimental e espiritual. “Rogo a Evódia e rogo a Síntique pensem concordemente, no Senhor.” (Fp 4.2), “para que concordemente e a uma voz glorifiqueis ao Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo.” (Rm 15.6)

Sobre a questão da convergência bíblica x comunhão, Richard Baxter apresenta uma fórmula simplificada: “Em assuntos fundamentais, unidade. Em assuntos secundários, liberdade. Em todas as coisas,  caridade  (ou amor)”.

Portanto, temos um grande desafio diante de nós no que se refere à comunhão – A CENTRALIDADE NA PALAVRA, NA BÍBLIA. Na era da informação em que vivemos é muito fácil um cristão, sem intimidade com a Bíblia, ser levado por ideias e conceitos chamados modernos, desprezando, assim, a Palavra de Deus como se esta fosse um escrito desatualizado e ultrapassado. É preocupante o crescente número de crentes que não leem ou não estudam a bíblia. É preocupante o número de crentes ACHANDO O QUE A BÍBLIA NÃO ACHA e NÃO ACHANDO O QUE A BÍBLIA ACHA E ENSINA! É preciso dar mais valor à sabedoria que vem do alto: “A sabedoria, porém, lá do alto é, primeiramente, pura; depois, pacífica, indulgente, tratável, plena de misericórdia e de bons frutos, imparcial, sem fingimento”.(Tg 3.17)

Conclusão:

Não podemos perder de vista que ambas as metáforas acima expostas passam a ideia de um processo continuado que se desenvolve no tempo .

Essas duas metáforas nos remetem aos seguintes textos de João:

“E três são os que testificam na terra: o Espírito, a água (Palavra) e o sangue (de Cristo no Calvário), e os três são unânimes num só propósito”. (1Jo 5.8)
“Se, porém, andarmos na luz, como ele está na luz, mantemos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado.” (1Jo 1.7)

O salmista termina dizendo:

“Ali, ordena o SENHOR a sua bênção e a vida para sempre.”

E nós, finalizamos também dizendo:

Onde há Unção Espiritual (Deus em Nós) e Convergência na Palavra (Nós em Deus), há COMUNHÃO, AMOR e SOLIDARIEDADE. Ali, neste lugar e situação, “ordena o SENHOR a sua bênção e a vida para sempre”.

Soli Deo Gloria!

………………………………………..

1] Hermom: Majestoso monte localizado no extremo Norte de Israel, perto de Cesaréia de Filipe. Era chamado de SENIR pelos amorreus e de SIRIOM pelos sidônios. Em Dt 4.48 é chamado de SIOM. Seu nome parece ter o significado de “dedicar” ou “consagrar”.


Catedral Presbiteriana do Rio
29/07/2007 – Culto Devocional (8h)
Esboço da Mensagem pregada pelo Presbítero Paulo Raposo Correia

Caiu na Rede é…..Liberto!

O que a rede de pesca tem a ver com evangelismo? Simplesmente, tudo! Jesus chamou 12 discípulos, dentre os quais 4 foram identificados como pescadores e os desafiou a se tornarem “pescadores de homens” (Mt 4.19). Na pesca convencional, os peixes apanhados morrem. Na pesca evangelística, os que caem na rede passam da morte para a vida. É como diz o cântico: “É vida que nasce da morte. É vida que traz o perdão. É muito mais que uma religião. É Cristo vivendo em você.”

O que pretendo mesmo aqui é falar dessa pesca. Pode ser “no varejo”, peixe a peixe, com anzol; ou, “por atacado”, com rede de pesca. Não é preciso entender muito de pesca para saber que o pescador precisa atrair os peixes. No caso de uso da vara de pesca, deve ser usada a isca certa para o tipo de peixe que se deseja “fisgar”. Assim acontece no evangelismo individual. Cada caso é um caso. Você terá que conviver e conhecer a pessoa para só e então descobrir qual é a abordagem certa. No caso de uso da rede de pesca, você também terá que atrair o cardume. Assim acontece no evangelismo em massa. Na hora de atrair as pessoas para o evento evangelístico vale lembrar o que dizem os mais antigos: “cautela e canja de galinha, não fazem mal a ninguém”. Vamos colocar isso de outro jeito: “moderação e canja de galinha, não fazem mal a ninguém”. Por que não uma boa e criativa decoração e ambiência; som e imagem de qualidade; bom louvor. Aí fecha com a Palavra de Deus, pregada com unção e poder, e toca profundamente o coração do pecador; não importa se de muitos ou de poucos, Deus o sabe. Se alguém faz um evento evangelístico na força do homem, confiando apenas no audiovisual ou nas “atrações artísticas”, pode lançar a rede a noite inteira que só vai dar rede molhada. Porém, quando Jesus está nessa empreitada, quando nos santificamos, confiamos na ação do Espírito Santo, oramos intensamente e Jesus é obedecido: “lançai a rede à direita do barco” (Jo 21.6). Aí, sim, é rede cheia de almas!

Alguém dirá: mas, o templo é um espaço próprio para isso? Ora, se o templo não for lugar de louvor e evangelismo, para que servirá, então? O templo é apenas uma construção; não é nem mais, nem menos santo do que os seus frequentadores! Esses sim precisam ser santos, pois são o santuário de Deus (1Co 3.16). Havendo bom senso e moderação, qual é o problema?

O convívio e a sinergia da equipe de preparação é bênção pura! Chego a pensar que é quase tão importante quanto o próprio evento. Eventos evangelísticos promovidos por jovens (ou pelos mais velhos) são sempre pontuais; eles vêm e vão. O que realmente importa é ver jovens firmes na fé; nutridos na Palavra de Deus; gente de oração; testemunhando de Cristo com a vida, no seu cotidiano; participativos em todas as atividades da igreja, não apenas daquelas que eles mesmos promovem.

Nos meus saudosos tempos de jovem, subia comunidades juntamente com os mais velhos para evangelizar; distribuía folhetos de casa em casa. Como presidente de uma organização denominada CMC (jul/1983 a jul/1986) que reunia mocidades de mais de 20 igrejas, promovemos vários eventos. Em um deles, até com divulgação em rádio, em 21.04.1984, começou com “passeata evangelística” nas ruas de Teresópolis. Depois, reunimos mais de 8.000 pessoas no Ginásio Poliesportivo Pedro Jahara daquela cidade (Pedrão). Foi emocionante dirigir aquele evento, juntamente com a diretoria, que contou com a participação do Grupo Logos e a pregação do Evangelho pelo Dr. Jayro Gonçalves, um evangelista vocacionado por Deus, tendo ocorrido várias decisões por Cristo. Mesmo naquela época já existiam aqueles cantores e grupos de louvor, muito mais preocupados com sua performance artística e em arrancar aplausos do seu fã clube, do que em louvar a Deus. Assim, procurávamos usar de equilíbrio e moderação nesta escolha. Enfim, como é bom lançar a rede em nome de Jesus Cristo!

O experiente presbítero, João Silva, disse certa vez para o seu sobrinho Franz: “gostaria de ter a tua juventude e a minha experiência de vida.” Há algum tempo ambos se foram, o primeiro já idoso; o segundo, ainda muito jovem. Porém, aquela frase nunca foi esquecida. Hoje, bem mais maduro percebo o quanto ela é verdadeira. É como o apóstolo João registrou: “…Pais, eu vos escrevi, porque conheceis aquele que existe desde o princípio. Jovens, eu vos escrevi, porque sois fortes, e a palavra de Deus permanece em vós, e tendes vencido o Maligno.” (1Jo 2.14b e c). Sempre dei muito valor aos conselhos e à experiência dos mais velhos. Talvez, por isso, tenha errado muito menos do que poderia ter errado.

Adultos e jovens precisam caminhar juntos, procurando se entender e conviver pacificamente.

Destruindo Fortalezas

“Porque, embora andando na carne, não militamos segundo a carne. Porque as armas da nossa milícia não são carnais, e sim poderosas em Deus, para destruir fortalezas, anulando nós sofismas e toda altivez que se levante contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo pensamento à obediência de Cristo, e estando prontos para punir toda desobediência, uma vez completa a vossa submissão.” (2Co 10.3-6)

 

Introdução

Você já parou para pensar nas causas que levam os tsunamis, como o de 26/12/2004 no Sul da Ásia, a matar tanta gente (mais de 280 mil pessoas naquela tragédia da natureza)?

1º) Estavam no raio de ação dele – quanto mais próximas do epicentro, maior o estrago;

2º) Estavam distraídas, não sabiam do perigo iminente, não foram alertadas;

3º) É um grande volume de água em forte movimento que arrasta tudo o que está em seu caminho, matando as pessoas por afogamento ou contusão, pois lança pessoas contra objetos flutuantes e estruturas fixas, e objetos contra as pessoas etc.

A humanidade tem sido vítima de muitos tsunamis literais: naturais (provocadas pela natureza), sociais/intelectuais (provocadas pelo homem) e espirituais (planejadas por Satanás e executado por homens, sob sua influência e poder). E isso sempre deixa um rastro de destruição no ambiente e nos sobreviventes mais próximos.

Vivemos, neste mundo, uma grande batalha espiritual e mental. Quem acha que não, ou já foi levado pela enxurrada ou ainda não se deu conta disso e precisa ficar mais alerta. Vejam, por exemplo, o enorme poder da mídia que praticamente acabou com o fumo; entretanto promove a bebida, o sexo fora do casamento, a causa homossexual etc.

Mais recentemente, isto é, de cem anos para cá, podemos perceber claramente o ataque sem tréguas desferido contra a Trindade Santa:

1ª onda: contra Deus:

A Teoria da Evolução destitui Deus de toda a obra da criação e coloca o acaso em seu lugar. Se não há um Criador, não há um princípio moral absoluto; a sociedade está por sua própria conta, se torna amoral e relativiza os absolutos de Deus.

2ª onda: contra Jesus:

A Doutrina da Reencarnação transforma Jesus apenas num espírito evoluído, tal qual muitos outros que também foram aperfeiçoados após muitas passagens por este mundo. A grande mídia, impressa e televisiva, está sempre querendo destruir a imagem histórica de Jesus; tentando provar que ele não existiu ou que tinha fraquezas e paixões carnais escondidas.

3ª onda: contra o Espírito Santo:

A crença de que o homem tem potencialidades mentais e intelectuais inimagináveis, de que o homem é deus, tenta anular a presença e poder do Espírito Santo, que veio habitar no meio da igreja.

A ideia geral tem sido de acabar com a Trindade Santa e colocar a ciência como verdadeira deusa.

Alderi Souza de Matos, em “Carta a um universitário cristão”, em artigo publicado pela Revista Ultimato (set-out 2004), diz:

“O universitário cristão, pode ouvir em sala de aula questionamentos de diversas modalidades:

– acerca da religião em geral (uma construção humana para responder aos anseios e temores humanos);

de Deus (não existe ou então existe, mas é impessoal e não se relaciona com o mundo);

da Bíblia (um livro meramente humano, repleto de mitos e contradições);

de Jesus Cristo (nunca existiu ou foi apenas um líder carismático);

da criação (é impossível, visto que a evolução explica tudo o que existe);

dos milagres (invenções supersticiosas, uma vez que conflitam com os postulados da ciência), e assim por diante.”

Ele continua:

“A ideia de que professores e cientistas sempre pautam as suas ações pela mais absoluta isenção e objetividade é um mito. Por exemplo, muitos intelectuais acusam a religião de ser dogmática e autoritária, de cercear a liberdade das pessoas e desrespeitar a sua consciência. Isso até pode ocorrer em muitos casos, mas a questão aqui é a seguinte: Estão os intelectuais livres desse problema? A experiência mostra que os ambientes acadêmicos e científicos podem ser tão autoritários e cerceadores quanto quaisquer outras esferas da atividade humana. Existem departamentos universitários que são controlados por professores materialistas de diversos naipes – agnósticos, existencialistas e marxistas. Muitos alunos cristãos desses cursos são ridicularizados por causa de suas convicções, não têm a liberdade de expor seus pontos de vista religiosos e são tolhidos em seu desejo de apresentar perspectivas cristãs em suas monografias, teses ou dissertações. Portanto, verifica-se que certas ênfases encontradas nesses meios podem ser ditadas simplesmente por pressupostos ou preconceitos anti-religiosos e anticristãos, em contraste com o verdadeiro espírito de tolerância e liberdade acadêmica.”

Parece tão difícil, para muitos, aceitar a mensagem bíblica. Entretanto, aceitam tantas coisas sem qualquer sentido. Noutro dia, duas jovens conversavam, no restaurante, sobre a importância do mapa astral para datas importantes: nascimento, casamento, abertura de uma empresa etc. Dizia, ainda, para a outra, que determinada data era boa para o casamento devido à confluência de Saturno[=compromisso] com a Lua[=família]). Quanto bobagem!

Segundo a Bíblia, os 3 inimigos do homem são: O Mundo (mundanismo), Satanás e a Carne: “Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados, nos quais andastes outrora, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe da potestade do ar, do espírito que agora atua nos filhos da desobediência; entre os quais também todos nós andamos outrora, segundo as inclinações da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos, por natureza, filhos da ira, como também os demais.” (Ef 2.1-3)

Vejamos as quatro estratégias de Satanás sobre a humanidade – os “4 C”:

 

1. CONFUNDIR (Operação Eva)

Fundir juntamente, misturar a verdade de Deus com as suas mentiras.

– Ele é o pai da mentira!

“Vós sois do diabo, que é vosso pai, e quereis satisfazer-lhe os desejos. Ele foi homicida desde o princípio e jamais se firmou na verdade, porque nele não há verdade. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira.” (Jo 8.44)

– Eva foi enganada por Satanás (Gn 3.1,4-5):

1º) Questiona e distorce a palavra de Deus

    É assim que Deus disse? (v.1)

2º) Encobre o juízo de Deus

    É certo que não morrereis. (v.4)

3º) Oferece ilusões

     Como Deus, sereis conhecedores do bem e do mal (v.5)

– Nem Jesus escapou das suas investidas na sua tentação no deserto (Mt 4).

– Hoje (1993) há no Brasil cerca de 4800 seitas para confundir as mentes das pessoas. “Ora, o Espírito afirma expressamente que, nos últimos tempos, alguns apostatarão da fé, por obedecerem a espíritos enganadores e a ensinos de demônios, pela hipocrisia dos que falam mentiras e que têm cauterizada a própria consciência,” (1Tm 4.1-2)

 

2. CONQUISTAR (Operação Ló)

Atrair, Seduzir, com o propósito de desviar do caminho da dignidade.

– Ló foi atraído e seduzido pelo que viu (Gn 13.10, 12-13)

– Balaão: este falso profeta seduziu o povo de Israel a prevaricar contra Deus (Nm 31.16; 25.1-9)

– Demas: em 61 d.C. era cooperador de Paulo  (Fm 24; Cl 4.14); já em 66 d.C. há o triste registro de que ele apostatou da fé, foi atraído e seduzido, “tendo amado o presente século” (2Tm 4.10).

 

3. CONTROLAR (Operação Gerasa)

Exercer o controle, dirigir.

– Controle por possessão: o homem geraseno, por exemplo (Mc 5.2-4)

– Controle da mente: Meditação transcenden­tal – Nova Era.

 

4. COMBATER (Operação Jó)

Pelejar, lutar contra.

Quando lhe resistimos nas demais estratégias ou investidas só lhe resta o combate direto ou indireto.

– Operação Jó (Jó 1.3, 8-12): a insinuação de Satanás era de que se fosse retirado de Jó tudo o que ele tinha, este blasfemaria contra Deus.

– Não tem sido pouca a perseguição sofrida pelos cristãos desde o início da igreja.

 

Conclusão

Felizmente, “as armas da nossa milícia não são carnais, e sim poderosas em Deus, para destruir fortalezas,”:

– A excelência da Obra de Cristo é a garantia da vitória!

“Porque, com uma única oferta, aperfeiçoou para sempre quantos estão sendo santificados.” (Hb 10.14)

– A fé é o requisito para a vitória.

“porque todo o que é nascido de Deus vence o mundo; e esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé. Quem é o que vence o mundo, senão aquele que crê ser Jesus o Filho de Deus?” (1Jo 5.4-5)

– A “armadura de Deus” é o recurso para a vitória! (Ef 6.13-18)

“Quanto ao mais, sede fortalecidos no Senhor e na força do seu poder. Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para poderdes ficar firmes contra as ciladas do diabo; porque a nossa luta não é contra o sangue e a carne, e sim contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes.” (Ef 6.10-12)

– O “trono” de Deus é o prêmio pela vitória! (Ap 3.21)

“Ao vencedor, dar-lhe-ei sentar-se comigo no meu trono, assim como também eu venci e me sentei com meu Pai no seu trono.”


Catedral Presbiteriana do Rio
30/01/2005 – Culto Vespertino (19h)
Esboço da Mensagem pregada pelo Presbítero Paulo Raposo Correia

A Palavra da Fé e os 4 “M”

Texto base: Atos 16.11-24; 32-34 (Romanos 10.8-10)

Introdução: (Contexto histórico)

Trata-se da segunda viagem missionária de Paulo (50-54 dC). O Objetivo inicial era visitar os irmãos de todas as cidades da primeira viagem (45-47 dC) para fortalecer-lhes a fé, depois de uns três anos.

A equipe inicial era composta por Paulo e Barnabé. Surge o primeiro problema. Uma grande desavença entre eles por causa de João Marcos (primo de Barnabé – Cl 4.10 e escritor do Evangelho segundo Marcos), que Barnabé queria que os acompanhasse e Paulo não concordava, pois este havia se afastado deles na primeira viagem (At 13.13).

Novas equipes são formadas: Barnabé e João Marcos vão para Chipre, com destino a Ásia, “assumindo ou usurpando” a rota inicialmente planejada da 1ª viagem. Nenhuma recomendação da igreja é mencionada e a viagem deles não aparece no registro Bíblico. Cerca de 12 anos depois, há registro de que Marcos assistia a Paulo na prisão (Cl 4.10; Fm 24) e que Paulo o manda chamar antes de ser executado (2Tm 4.11), o que demonstra que um fracasso não é necessariamente o fim de tudo.

Paulo e Silas partem para a mesma rota, só que no sentido contrário. Saem recomendados pela igreja de Antioquia e Lucas registra no livro de Atos os acontecimentos dessa viagem. Na cidade de Listra a equipe é reforçada por Timóteo.

Outro problema à vista. Em Antioquia da Pisídia resolveram sair da rota, provavelmente para não se encontrarem com a equipe de Barnabé, continuando em frente, até às proximidades da Mísia. Dali, tentaram retornar pela esquerda, para pregarem a Palavra na Ásia, mas foram impedidos pelo Espírito. Tentaram, então, tomar o sentido oposto, à direita, em direção à Bitínia e, outra vez foram impedidos pelo Espírito.  Entenderam, então, que o Senhor os impelia a seguir em frente, à Trôade, uma cidade litorânea do mar Egeu, que separa o continente Asiático do Europeu.

Em Trôade, aparentemente sem rumo, duas coisas acontecem:

1ª) Numa visão, à noite, o Espírito os direciona para a Macedônia (Europa);

2ª) Lucas, o médico amado, se junta à equipe. Na manhã seguinte, em pronta obediência à visão, navegam para a região da Macedônia, passando primeiramente pela ilha de Samotrácia, chegando à cidade de Neápolis e prosseguindo viagem até Filipos, cidade importante da Macedônia, a primeira do distrito e colônia romana e, localizada atualmente na Grécia. Ali permaneceram alguns dias.

 

1. UMA MULHER TEMENTE A DEUS (At 16.13-15)

A palavra da fé produz transformação!

A palavra da fé foi pregada a várias mulheres, porém, aparentemente foi recebida apenas por Lídia, provavelmente a primeira convertida na Europa. O texto destaca algumas informações sobre Lídia:

1ª) Uma mulher engajada no mercado de trabalho, no segmento de vendas (tintura purpúrea), que talvez estivesse ali no exercício da sua profissão;

2ª) Uma mulher temente a Deus que necessitava de salvação.

Lídia representa um grande grupo de pessoas que, por um lado tentam ganhar a vida honestamente, exercendo sua profissão; por outro lado, estão acomodadas a um sistema de vida que, consciente ou inconscientemente elaboraram para si próprias e, se acham seguras de que isso lhes garantirá a salvação eterna. Triste ilusão!

Há muita gente assim, fora e dentro das igrejas. É como diz o apóstolo Paulo em Romanos 10.2-3: têm zelo por Deus, sem entendimento; desconhecendo a justiça de Deus, adotam a justiça própria, ou seja, estabelecem seus próprios critérios de salvação. Pensando nesse tipo de gente, especialmente os que estão mais próximos das igrejas, podemos chamá-los, com todo respeito de GDS, os GOSPELS, DOMINGUEIROS e SIMPATIZANTES:

Golpel, porque virou moda; eles vão ao embalo da moda…

Domingueiro, porque afinal, domingo sem culto … semana sem graça (parafraseando)

Simpatizante, porque: “não sou da igreja mas gosto muito do culto: Que coral! Que pregações! Que gente legal!”

Ser batizado não é tudo! Participar de alguma atividade da igreja, também não é tudo! É preciso NASCER DE NOVO! É preciso CONVERSÃO, MUDANÇA DE VIDA!

 

É preciso ter cuidado com certas ideias ou doutrinas que ancoram esses sistemas de justiça própria! Alguns deles podem ser simbolizados por:

1ª) Balança de Pescador (Doutrina da compensação)

Atos bons > Atos maus = salvação

 

2ª) Bumerangue – vai e volta (Doutrina da reencarnação)

Na próxima existência vou me aprimorar mais.

 

3ª) Bom velhinho (Doutrina da compaixão final)

Deus é amor e bondade. No fim ele vai me perdoar….

 

Paulo pregou ali a Palavra da Cruz, aquela que é loucura para os que se perdem, mas, o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê.

De alguma forma, ele expôs o Plano da Salvação, aquele que satisfaz a justiça de Deus, como por exemplo, aquele que a gente conta às crianças usando os dedos das mãos:

1 – Polegar: Adão pecou e o pecado passou a todos os homens. Pelo pecado veio a morte eterna, a separação eterna de Deus; (Rm 5.12)

2 – Indicador: Eu sou homem, logo sou pecador e estou perdido eternamente;

3 – Médio: Jesus Cristo morreu na cruz para que todo aquele que nele crer, tenha a vida eterna;

4 – Anelar: Eu me arrependo dos meus pecados, eu creio e confesso a Jesus como Salvador e Senhor da minha vida;

5 – Mínimo: Eu estou salvo!

(1-mata piolho, 2-fura-bolo, 3-maior de todos, 4-seu vizinho, 5-dedo mindinho)

A palavra da fé pregada por Paulo, juntamente com a intervenção do Espírito de Deus, fez com que Lídia abandonasse suas posições religiosas e se rendesse à justiça de Deus. Em seguida, ela recebeu o batismo, e já começou a fazer evangelismo e missões, levando sua família aos pés de Cristo e hospedando os missionários Cristãos.

 

2. UMA MOÇA ADIVINHADORA (At 16.16-18)

A palavra da fé é poder!

O texto nos informa que:

1º) Essa moça participava de um estranho negócio, altamente lucrativo, baseado em adivinhações;

2º) Ela era duplamente escravizada: pelo demônio e pelos patrões.

Já imaginaram do que ela era capaz? Quantas consultas, quantas revelações?

Ela representa aquele grupo de pessoas que está refém de Satanás, envolvido em pactos e/ou estranhos negócios lucrativos. Quantos empresários e governantes apelam para este tipo de compromisso diabólico?

Ela também necessitava de libertação; não do seu senso de justiça própria, como Lídia, mas de uma libertação espiritual. Ela estava sendo vítima do 3º tipo de ataque maligno: 1º)CONFUNDIR; 2º)CONQUISTAR; 3º)CONTROLAR ; 4º)COMBATER.

Ela, diariamente e gratuitamente, “adivinhava” a identidade dos missionários de Deus – servos do Deus Altíssimo. É interessante como a alma humana, mesmo aprisionada desse jeito, vai ao encontro do socorro necessitado. E, assim, no momento certo, Paulo a libertou em nome de Jesus.

“E ele na mesma hora saiu”

Essa palavra de fé é muito mais do que filosofia, um conjunto de doutrinas, etc. É “power”, é o poder de Deus para a salvação e libertação da escravidão de Satanás. A graça libertadora de Deus age na parte mais fraca, a jovem explorada. A liberdade implica em subjugar o maior tirano, o pecado (Jo 8.34; Pv 5.21-22). Esta fé traz nova esperança nas palavras daquele que é o alvo da fé (Jo 8.36).

Ninguém deve interpretar erroneamente os sentimentos de Paulo que eram de compaixão por aquela jovem e de indignação para com o espírito demoníaco que nela agia.

 

3. UMA MULTIDÃO MANIPULADA (At 16.19-24)

A palavra da fé é combatida!

Você tem certeza de que não tem sido manipulado pelos poderosos deste mundo?

“propagando costumes que não podemos receber nem praticar porque somos romanos”

A suposta acusação contra os missionários cristãos era a de “interferência cultural”, pois estavam propagando costumes que se contrapunham aos costumes romanos. A palavra aqui traduzida por “costumes”, no grego “étos”[1] (comp. At 6.14) parece incorporar práticas religiosas e ritualistas, além de hábitos sociais. Em outras palavras, quase que certamente se refere a todo o sistema judaico de vida.

Como se originam, se incorporam e se propagam os costumes? Por que é tão difícil resistir?

QUE MUNDO É ESSE?

Vivemos num verdadeiro CONSUMISMO DESCARTÁVEL (coisas, pessoas, valores, etc):

  • Culto ao corpo;
  • O que importa é o aqui e agora.

 

Nossa cultura brasileira foi impregnada por refrãos que produzem  valores e comportamentos altamente destrutivos:

  • O importante é levar vantagem em tudo;
  • Jeitinho brasileiro;
  • Eu só peço a Deus um pouco de malandragem…
  • Tô nem aí!
  • Deixa a vida me levar, vida leva eu.

É incrível como um mau costume pega! É incrível como uma tradição é aceita sem um prévio questionamento! Como é difícil deixar um sistema de vida, mesmo percebendo que este não atende aos anseios mais profundos da alma! Quão intensa é a pressão das massas sobre aqueles que não têm ou se propõem a deixar os seus costumes!

Felizmente há uma boa notícia para aqueles que sentem a necessidade de uma mudança de vida. A fé verdadeira em Jesus é capaz de operar uma mudança radical, removendo todos aqueles costumes que não têm sua origem no próprio Deus. Sua eficácia está no fato de que a mudança ocorre de dentro para fora. Inicia-se no interior, nas concepções e convicções e transborda para o exterior, tornando plena a mudança. É como alguém disse: “A beleza do cristianismo é que ele tira o homem do mundo e depois o mundo de dentro dele”. O mundo aqui não é o mundo físico, porém todo o sistema organizado que se opõe a Deus.

Na acusação está patente um falso patriotismo, uma ignorância quanto a distinção entre Judaísmo e Cristianismo, tudo isto a título de vingança. Ainda hoje o Cristianismo tem sido acusado de interferir na cultura ocidental, com suas regras e costumes que nunca deveriam ter saído de Israel. É uma visão totalmente distorcida dos fatos. “O Cristianismo, com todas as suas regras divinas e sua essência apresenta um referencial padrão de conduta para o homem. Aqueles que estão distantes desse referencial tentam destruí-lo para que não sejam condenados quando aferidos pelo mesmo.” (Exemplo: Sexo, família, moda, etc). Uma grande prova da distinção entre Cristianismo e Judaísmo é que o próprio judeu se mantém afastado. A fé é universal: “compraste para Deus os que procedem de toda tribo, língua, povo e nação…” (Ap 5.9-10)

Aqui nós encontramos a fórmula pela qual os costumes (sistemas) tentam prevalecer contra a palavra da fé:

  1. Motivação material: financeira – lucro;
  2. Violência;
  3. Discurso falso;
  4. Manipulação das massas (Poder de comunicação de massa – apenas alguns ditam as regras para todos);
  5. Obediência autômata das massas;
  6. Manipulação da justiça;
  7. Força física.

 

4. OS MISSIONÁRIOS CRISTÃOS (At 16.32-34)

A palavra da fé implica em compromisso!

“E lhe pregaram a palavra de Deus e a todos os de sua casa.” (At 16.32)

Esses servos do Deus altíssimo – Paulo, Silas, Timóteo e Lucas – eram autênticas encarnações da palavra da fé, um dos sinais do novo nascimento. Viviam a essência do evangelho, ou seja:

  • Comunhão com Deus pela oração (16.13, 16)
  • Pregação do Evangelho (16.13)
  • Libertação dos oprimidos pelo diabo (16.18)
  • Edificação dos crentes (15.36)
  • Serviço à igreja (16.4)

Em resumo, trata-se de “Negócio humanitário”, sem fins lucrativos.

A palavra da fé é vencedora!

Toda a força que sustenta o sistema mundano não representa qualquer ameaça para os que estão na fé (1Jo 5.1a, 4). Satanás já está vencido (1Jo 4.4b).

É uma estranha maneira de vencer e paradoxalmente intrigante: os que estão do lado de Deus têm todo o poder sobre o reino das trevas; entretanto, este poder não os isenta da humilhação, do sofrimento físico, das perseguições e até da perda da vida. Na contabilidade divina, a vitória está no alcance dos objetivos maiores do Pai Celeste. Cristo morreu, mas venceu.

Tudo começou com uma visão onde alguém pedia ajuda. O fato é que duas pessoas, juntamente com suas famílias, foram alcançadas pela graça de Deus e uma jovem foi liberta. Paulo e Silas sofreram, mas venceram, pois, um testemunho de fé foi deixado ali em Filipos; mais uma igreja foi organizada. A vitória foi alcançada apenas com as armas espirituais.

 

Conclusão: Com qual desses grupos você se identifica?

Jesus disse: “Não penseis que vim trazer paz à terra; não vim trazer paz, mas ESPADA.” (Mt 10.34). O cristianismo autêntico implica em confronto direto com o reino das trevas e todos os seus sistemas de vida. Assim é que ninguém pode viver debaixo dos dois sistemas. Terá que seguir a um e abandonar o outro.

“Não conto gozar a minha vida; nem em gozá-la penso. Só quero torná-la grande, ainda que para isso tenha de ser o meu corpo e a minha alma a lenha desse fogo.” (Fernando Pessoa – 1888/1935)

…………………………………………………

[1] Costumes = Hábito: Lc 2.42; 22.39 + Rito: Lc 1.9; At 6.14; 15.1

“Os costumes atuam como um impermeabilizante, criando uma película em torno do indivíduo, isolando-o e sufocando-o. Só a fé em Jesus é capaz de tirar o homem deste cativeiro e dar-lhe verdadeira liberdade.”

 


Catedral Presbiteriana do Rio
22/08/2004 – Culto Vespertino (19h)
Esboço da Mensagem pregada pelo Presbítero Paulo Raposo Correia

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