Eliminando Ressentimentos

Introdução          

O que é Ressentimento?

Sentimento é um substantivo que vem do latim “sentimentum” e o verbo é “sentire” ou sentir. Com a inclusão do prefixo “RE” (elemento designativo de repetição, ação repetida ou retroativa; bem como indicativa de reforço),  origina-se, então, a palavra “ressentimento”.  Ressentimento é aquele sentimento de mágoa, melindre e angústia que se forma como consequência de uma ofensa recebida. É aquela lembrança permanente e dolorosa de palavra ou ato ofensivo que, muitas vezes, produz rancor, ira, seguido do desejo de vingança. É a ação de ressentir, ou seja, de sentir de novo ou sentir repetidamente as emoções negativas, aquelas mágoas profundas alojadas no coração, que foram provocadas a partir de ofensas ou injustiças sofridas ou atitudes mal-recebidas pela pessoa ressentida.

A Bíblia menciona explicitamente a questão do ressentimento duas vezes, embora aborde implicitamente essa questão em muitos outros textos. Em Atos 4.2, no início da igreja, os religiosos da época, ressentidos e corroídos de inveja perseguiam os seguidores de Cristo. Em 1Coríntios 13.5, o apóstolo Paulo, descrevendo as características do verdadeiro amor, diz que o amor “não se ressente do mal”.

Enquanto no “sentimento de culpa” a pessoa vive remoendo algo que fez e não deveria ter feito, no caso do “ressentimento” a pessoa vive remoendo algo que o outro fez contra ela e não deveria ter feito. Ambos os casos acontecem com todos os indivíduos, portanto, afeta cristãos e não cristãos. Por serem prejudiciais à saúde mental e física da própria pessoa, e por afetarem os relacionamentos familiares e sociais, esses sentimentos tóxicos precisam ser tratados.

Ressentimentos afetam nossa vida emocional e espiritual? Que mal eles causam? O que fazer em relação a ressentimentos? É o que abordaremos, a seguir.

1. ORIGEM DOS RESSENTIMENTOS

Todos sabemos que a convivência humana, o relacionamento entre as pessoas, é algo complexo e exige sensibilidade e habilidade no falar e agir, paciência e tolerância, compreensão e equilíbrio. O ensino e conselho de Tiago é: “Sabeis estas coisas, meus amados irmãos. Todo homem, pois, seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar.” (Tg 1.19). Não podemos deixar de atentar para dois aspectos: (i)Precisamos nos preocupar e cuidar para não sermos nós mesmos agentes e provocadores de situações que possam gerar ressentimentos nos outros. (ii)Precisamos cuidar de nos livrarmos rapidamente de ressentimentos.

Várias são as possíveis origens ou causas que geram ressentimentos numa pessoa. Podem se dar por, dentre outras:

a) Ação deliberada e intencional do ofensor.

É quando uma pessoa fala ou faz algo contra outra de propósito, sabendo do resultado negativo que poderá causar. Há pessoas pouco cordiais, belicosas, que não medem suas palavras e ações, bem como as consequências dos seus atos.

b) Ação  acidental e não intencional do ofensor.

É quando, sem conhecer bem o outro ou a sua situação, uma pessoa fala ou faz algo que o ofende.

c) Resultante da ação de terceiros.

É quando terceiros falam ou fazem algo, por exemplo, distinguindo ou favorecendo uma pessoa, o que acaba provocando inveja e ressentimento em outra pessoa contra a favorecida. Dois exemplos clássicos deste caso são: (i) José, favorecido por seu pai Jacó, gerando ressentimentos nos seus irmãos. (ii) Abel, aprovado e favorecido por Deus, gerando ressentimento em Caim.

d) Resultante de situações da vida.

É quando alguém próximo é bem-sucedido na vida, gerando inveja e ressentimento no outro. É quando o sucesso do outro incomoda muito mais do que o nosso próprio fracasso.

e) Resultante de interpretação equivocada e fantasiosa por parte do ofendido.

É quando a pessoa se sente ofendida e ressentida sem que haja culpa alguma do suposto ofensor, simplesmente por ter ouvido ou entendido erradamente a fala ou o gesto do outro.

2. MALES CAUSADOS PELOS RESSENTIMENTOS

“Guardar ressentimento é como tomar veneno e esperar que a outra pessoa morra”.

Ninguém precisa e nem deve dificultar a vida carregando entulho no coração, como se fossem relíquias preciosas. “Coração não é terreno baldio, não o entulhe de ressentimentos. Do passado, carregue somente o necessário. Isso ajuda o pretérito a entender seu verdadeiro lugar no tempo.” (Ruth Borges)

2.1 A raiz de amargura

“atentando, diligentemente, por que ninguém seja faltoso, separando-se da graça de Deus; nem haja alguma raiz de amargura que, brotando, vos perturbe, e, por meio dela, muitos sejam contaminados;” (Hb 12.15)

A raiz de amargura mencionada aqui pelo escritor de Hebreus é uma referência à advertência de Moisés ao povo de Israel em Deuteronômio 29.18: “para que, entre vós, não haja homem, nem mulher, nem família, nem tribo cujo coração, hoje, se desvie do SENHOR, nosso Deus, e vá servir aos deuses destas nações; para que não haja entre vós raiz que produza erva venenosa e amarga,”. A erva daninha é considerada prejudicial à agricultura e tem características[1] assustadoras quando raciocinamos em termos de crescimento do mal. Moisés recorreu à figura da raiz venenosa e amarga para ilustrar o mal que a idolatria faria ao povo de Israel se seguissem os deuses das nações vizinhas. Da mesma forma, em Hebreus, a raiz de amargura é a pessoa que, se afastando da graça de Deus, poderia contaminar a comunidade cristã.

Por analogia, podemos dizer que os maus sentimentos são como erva daninha ou raiz de amargura que brotando no coração tem o potencial de devastação emocional e grande destruição.

Quando os ressentimentos se alojam no coração, as consequências se tornam evidentes:

  • Os relacionamentos e a convivência são afetados.
  • As pessoas se tornam menos alegres ou mais amargas.
  • Roubam a paz interior, desejando o mal para o seu ofensor.
  • Alimentam o desejo de vingança, que pertence a Deus (Rm 12.9).
  • Os relacionamentos familiares degeneram e podem desestruturar a família.
  • Compromete a comunhão na igreja.
  • Repercute na sociedade, como mau testemunho perante os não crentes.

Todos conhecemos a máxima – “Mente sã, corpo são”. Os ressentimentos causam distúrbios emocionais, tristeza, abatimento de espírito. Tudo isso concorre para a instalação de doenças emocionais e físicas. A Bíblia declara que: “O coração alegre aformoseia o rosto, mas com a tristeza do coração o espírito se abate.” (Pv 15.13). De alguma forma, todos acabam sendo atingidos e sofrem: o ofendido, o ofensor e as pessoas que estão à volta.

Pessoas que guardam ressentimentos são fortes candidatas a uma série de desajustes que afetam o espírito e o corpo. Nesse sentido, a Bíblia adverte: “O coração alegre é bom remédio, mas o espírito abatido faz secar os ossos.” (Pv 17.22).

3. TRATANDO OS RESSENTIMENTOS

Guardar ressentimentos não é aconselhável pelos profissionais da psicologia. A explicação está no fato de que manter e nutrir constantemente emoções negativas poderá dificultar o progresso nas diversas áreas da vida da pessoa.

O aconselhável é que a pessoa ressentida (que guarda ressentimentos) procure resolver as suas pendências emocionais, evitando que “sentimentos tóxicos”, como o ódio, a angústia e o rancor, sejam comuns no seu cotidiano.

3.1 Ressentimento e vingança

“não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar à ira; porque está escrito: A mim me pertence a vingança; eu é que retribuirei, diz o Senhor.” (Rm 12.19)

Não pode haver, na mente de um crente regenerado por Cristo, espaço para acolher pensamentos de vingança. Maquinar o mal é pecado. Deus declara que a ele pertence a vingança (Rm 12.19; Dt 32.35; Pv 20.22; 24.29). O amor de Deus derramado em nossos corações deve nos levar a buscar a reconciliação e a paz. Humanamente é muito difícil, mas Deus pode nos capacitar nesse sentido. Portanto, “se possível, quanto depender de vós, tende paz com todos os homens;” (Rm 12.18).

3.2 Ressentimento e Perdão

“Longe de vós, toda amargura, e cólera, e ira, e gritaria, e blasfêmias, e bem assim toda malícia. Antes, sede uns para com os outros benignos, compassivos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus, em Cristo, vos perdoou.” (Ef 4.31-32)

É patente a relação entre ressentimento e perdão. Pode-se inferir que situações mal resolvidas alimentam ou sustentam o ressentimento. Quando o perdão pleno se manifesta cessa o ressentimento. Se a ofensa não foi evitada já causou o dano. Restam, portanto, dois caminhos na direção do restabelecimento do relacionamento entre as partes: (i) A retratação por parte do ofensor; (ii) O perdão por parte do ofendido.

Algumas palavras gregas traduzidas como perdão são “aphíemi”, “aphesis” e “paresis” e têm o sentido de deixar ir, enviar para longe, soltar, mandar embora, despachar, cancelar; desobrigar; não levar em conta, deixar passar. O modus operandi do processo de perdão se dá em três etapas: (i) Separar o ofensor da sua ofensa; (ii) Lançar fora a ofensa; (iii) Restaurar o relacionamento com o ofensor, ou melhor, ex-ofensor. É o que podemos denominar de “liberar o perdão”. É o que Deus faz com o pecador penitente, redimido por Cristo: “Quanto dista o Oriente do Ocidente, assim afasta de nós as nossas transgressões.” (Sl 103.12).

Sendo perdoados e salvos por Deus, em Cristo, esse perdão divino deve prover-nos de um crédito elevado de perdão a ser compartilhado com o nosso próximo. Jesus deixou claro que não há limites para o perdão (Mt 18.21-22). Também, na oração modelo, nos ensinou o aspecto condicionante do perdão: “Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celeste vos perdoará; se, porém, não perdoardes aos homens as suas ofensas, tampouco vosso Pai vos perdoará as vossas ofensas.” (Mt 6.14-15)

Em se tratando de conflito entre irmãos, na igreja, Jesus nos deixou instrução que prevê três etapas progressivas (Mt 18.15-17):

1ª) “Se teu irmão pecar contra ti, vai argui-lo entre ti e ele só. Se ele te ouvir, ganhaste a teu irmão.”

2ª) “Se, porém, não te ouvir, toma ainda contigo uma ou duas pessoas, para que, pelo depoimento de duas ou três testemunhas, toda palavra se estabeleça.”

3ª) “E, se ele não os atender, dize-o à igreja; e, se recusar ouvir também a igreja, considera-o como gentio e publicano.”

4. Prevenindo o ressentimento

Uma das formas de prevenir doenças é fortalecendo o sistema imunológico. De igual forma, para evitar que os ressentimentos se instalem no coração e produzam seus efeitos nocivos, é necessário cultivar virtudes cristãs. Precisamos nos fortalecer espiritualmente nos alimentando da Palavra de Deus e mantendo a comunhão com Deus através da oração. O texto de Colossenses 3.12-17 nos oferece excelentes dicas, neste sentido.

12 Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de ternos afetos de misericórdia, de bondade, de humildade, de mansidão, de longanimidade.
13  Suportai-vos uns aos outros, perdoai-vos mutuamente, caso alguém tenha motivo de queixa contra outrem. Assim como o Senhor vos perdoou, assim também perdoai vós;
14  acima de tudo isto, porém, esteja o amor, que é o vínculo da perfeição.
15  Seja a paz de Cristo o árbitro em vosso coração, à qual, também, fostes chamados em um só corpo; e sede agradecidos.
16  Habite, ricamente, em vós a palavra de Cristo; instruí-vos e aconselhai-vos mutuamente em toda a sabedoria, louvando a Deus, com salmos, e hinos, e cânticos espirituais, com gratidão, em vosso coração.
17  E tudo o que fizerdes, seja em palavra, seja em ação, fazei-o em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai.

“Quando cultivamos as virtudes cristãs, não nos deixamos melindrar facilmente; e encontramos forças para amar, perdoar e eliminar quaisquer vestígios de ressentimento.”

Conclusão

Ressentimentos, em nada contribuem para a solução dos problemas de relacionamento; pelo contrário, tendem a agravar a situação ou, no mínimo, impedem a reconciliação. “Porque a ira do homem não produz a justiça de Deus.” (Tg 1.20)

Não há como viver uma vida cristã sadia e frutífera se o coração guarda ressentimentos. Não há como prestar culto a Deus vivendo em litígio com os irmãos (Mt 5.23-24). E, mesmo quando o ofensor não se retrata, o próprio ofendido revela a sua grandeza e o seu caráter cristão, ao tomar a iniciativa em busca da solução do problema. O fato é que o mal precisa ser vencido e o bem prevalecer (Rm 12.21).

Por fim, vale lembrar duas recomendações bíblicas, contidas no Antigo e no Novo Testamentos, enfatizando a urgência de se livrar da ira, por extensão, do ressentimento: 

“Irai-vos e não pequeis; consultai no travesseiro o coração e sossegai.” (Sl 4.4)
“Irai-vos e não pequeis; não se ponha o sol sobre a vossa ira, nem deis lugar ao diabo.” (Ef 4.26-27)

Que Deus nos ajude!

Bibliografia:
1. Bíblia Sagrada (SBB – Versão Revista e Atualizada).
2. Bíblia Online – SBB.
3. Revista Didaquê – Vida Abundante – DE BEM com a vida.
4. Internet.


[1] Características comuns das ervas daninhas:

(i)Crescem rápido: usam uma alta eficiência de água; (ii)Excelente adaptação climática; (iii)Apresentam um curto intervalo entre floração e germinação; (iv)Perenes, geneticamente poliploides e facultativamente auto compatíveis; (v)Apresentam estruturas para dispersão, e germinam em quase todos os substratos úmidos sem uma fertilização específica; (vi)Alta dormência; (vii)Alta longevidade; (viii)Alta produção, produção contínua; (ix)Considerada como praga.

Administrando o Estresse

Introdução          

O estresse não é um problema (ou doença) novo. Entretanto, nessas últimas décadas, marcadas por expressivo desenvolvimento tecnológico e por muitas mudanças no mercado de trabalho e na sociedade, o estresse passou a ter um papel de destaque entre os problemas que afetam ou afligem o ser humano moderno. É mais um daqueles problemas que em algum momento da vida acabam afetando nossa vida. Portanto, mesmo que não possamos passar pela vida sem experimentá-lo, felizmente, pode-se garantir que é possível minimizar sua ocorrência ou, administrá-lo, quando vier a ocorrer.

Há situações que são complicadas, porém não tão aterradoras, como: a perda de um emprego, a desagregação ou abandono familiar, um imbróglio, que é aquele mal-entendido ou situação confusa em que nos envolveram, um acidente com pequenas sequelas ou uma doença temporária. Entretanto, há outras situações que parecem, ou mesmo, tem-se a certeza de que fogem ao nosso controle, como: estar na mira de uma arma em um assalto, uma doença degenerativa incurável, uma sequela grave de um acidente, uma catástrofe ambiental, uma pandemia, a perda repentina (ou não) de alguém muito querido, uma cirurgia de altíssimo risco ou quando estamos diante da nossa própria morte.

Você se considera uma pessoa estressada? Por quê?
Você acha que é possível prevenir situações que evitem o estresse?

1. O QUE É O ESTRESSE?

Estresse (do inglês stress, tensão), segundo o Dr. Hans Selye, se traduz pela seguinte fórmula:

A fórmula nos leva a concluir que o “excesso de ociosidade” ou o “excesso de atividade” resultam no estresse. O estresse é um alarme ou um alerta de que algo está errado e saindo do controle!

Ruy Fernando Barboza (advogado, jornalista e psicólogo; falecido em 2013), em entrevista à Revista Veja, há trinta anos (1992) foi perguntado: “Qual a posição do estresse no ranking das doenças brasileiras?”. Ele respondeu: “A prefeitura de São Paulo criou, em 1989, um serviço chamado ‘Programa de Aprimoramento de Informações de Mortalidade`, catalogando todas as mortes registradas na cidade. Analisando as mortes de outubro a dezembro de 1990, o programa concluiu que, de 14.304 mortes, 4.534 (31,7%) foram causadas por doenças do aparelho circulatório (enfartes e derrames cerebrais). O diretor do programa, sanitarista Marcos Drummond Jr., colocou ´principalmente o estresse, causado pela vida agitada`, como causa do aumento das doenças circulatórias, além do fumo e dos maus hábitos alimentares. A lista de doenças relacionadas ao estresse é enorme: úlceras, gastrites, diarreias e prisão de ventre; hemorroidas, ataques cardíacos e todos os tipos de problemas cardiovasculares, inclusive derrames; pressão alta, diabetes, enxaqueca.”[1] 

Ele acrescenta: “Rondando as grandes cidades, onde ataca em todas as profissões em geral e algumas em particular – executivos, jornalistas, médicos e assistentes sociais, entre outras –, o estresse é detentor de um recorde apavorante. Calcula-se hoje que de 80% a 85% das pessoas que procuram um clínico geral tem distúrbios causados por estresse de origem emocional. A lista de doenças ligadas a ele é de assustar.” Isso no ano de 1992.

Atualmente, muitos profissionais estão sendo afetados pela “Síndrome de Burnout” ou “Síndrome do Esgotamento Profissional” que é um distúrbio emocional com sintomas de exaustão extrema, estresse e esgotamento físico decorrente de situações de trabalho desgastantes, que demandam muita competitividade ou responsabilidade, ou mesmo de excesso de trabalho. Vale ressaltar que tal síndrome também vem afetando, de forma significativa, os pastores e líderes religiosos.

Enfim, muitas são as causas do estresse: competição profissional, desemprego, as demandas ou desafios da vida (doenças, desequilíbrio financeiro, violência urbana, decisões jurídicas e políticas públicas equivocadas, ideologias satânicas etc.), dentre muitas outras. Mais recentemente, a população mundial foi gravemente afetada pela pandemia da covid. Além dos muitos sobreviventes que permanecem estressados pelo que vivenciaram nesse período, não podemos deixar de registrar que não foram poucos aqueles que morreram porque entraram em pânico (estresse extremo) quando testaram positivo para a covid. O terror difundido pela velha mídia contribuiu para que muitos perdessem o controle emocional e infartassem. 

O profeta Elias é um exemplo típico da fragilidade humana (Tg 5.17). Este profeta notável, homem de Deus, corajoso, ousado, que desfrutava de intimidade com o Senhor,  vivenciou muitos momentos extraordinários da manifestação divina, como no desafio e derrota dos profetas de Baal (1Rs 18). No momento seguinte a tal vitória, diante da sentença de morte decretada pela rainha Jezabel, temeu e fugiu para o deserto (1Rs 19). Ali, sozinho, perdeu o controle emocional e pediu para si a morte, o que pode parecer um contrassenso, pois ele havia fugido exatamente para salvar sua vida. Sem dúvida, trata-se de incongruências decorrentes do estresse.

O estresse de Elias foi produzido pelo somatório de fatores adversos, tais como, cenário político, econômico e  religioso caóticos. A ameaça de Jezabel foi apenas a gota d’água (1Rs 19.10). 

2. PREVENINDO O ESTRESSE

É difícil imaginar que alguém não saiba o que fazer para prevenir o estresse. Normalmente as pessoas sabem o que devem e o que não devem fazer; conhecem os seus limites físicos e mentais. Entretanto, é comum se deixarem levar pelas situações e pressões sofridas, não conseguindo evitar a sobrecarga.

Vale lembrar alguns itens importantes nesta prevenção:

2.1 Hábitos Saudáveis.

– Alimentação saudável e refeição feita com tranquilidade, sem correria.

– Atividade física. Pelo menos caminhar e tomar um pouco de sol. O sedentarismo em nada contribui para a saúde física e mental.

– Descanso. Não fomos feitos para produzir ininterruptamente. É preciso destinar um tempo razoável para dormir, bem como intervalos, durante as atividades cotidianas, para descansar. Na Criação, Deus nos deu o exemplo de alternância entre trabalho e descanso.

– Organização da Agenda. Quando se programa adequadamente os compromissos e as atividades, a vida flui com menos atropelos e mais tranquilidade.

– Respeito aos compromissos. Comparecendo aos compromissos assumidos, nos horários estabelecidos ou acordados podemos evitar muitos dissabores. No caso de impossibilidade de comparecimento, por força maior, é importante comunicar com antecedência e justificar. Desculpas esfarrapadas não fazem parte da boa conduta e dificultam os relacionamentos.

– Organização financeira. Esta é uma área com grande potencial de provocar estresse!  Maximize as suas receitas. Seja rigoroso e prudente no controle e execução do seu orçamento, das suas despesas. Evite empréstimos. Não gaste mais do que você ganha.

– Mudar de ares. Viajar, passear, ter contato com a natureza.

– Lazer, recreação e descontração. Não precisamos e não devemos ser escravos da produtividade. É preciso relaxar, buscando alternativas que aliviem as tensões.

– Relacionar-se com pessoas. O ser humano é um ser social. Não fomos feitos para viver isolados, focados apenas na nossa vida. Precisamos conviver, trocar ideias, compartilhar problemas e soluções, interagir e nos desenvolver, dar e receber, abençoar e ser abençoados. É interessante esse testemunho de Paulo: “a fim de que, ao visitar-vos, pela vontade de Deus, chegue à vossa presença com alegria e possa recrear-me convosco.” (Rm 15.32)

2.2 Disciplinas Espirituais

“Porquanto a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens, educando-nos para que, renegadas a impiedade e as paixões mundanas, vivamos, no presente século, sensata, justa e piedosamente,” (Tt 2.11-12)

No tópico anterior foram abordadas algumas ações e atitudes relacionadas ao nosso “estilo de vida material”. É claro que não temos aqui a intenção de segmentar a vida em material e espiritual, pois entendemos que a vida é uma só e deve ser vivida integralmente para a glória de Deus e realização da sua vontade.

Disciplinas espirituais são práticas devocionais pessoais, intencionais e constantes, com vistas a desenvolver nossa espiritualidade e profundidade no nosso relacionamento com Deus. Elas nos ajudam a compreender mais quem Deus é, e a estreitar nossa intimidade com ele no nosso dia a dia. Portanto, as disciplinas espirituais dizem respeito ao nosso “estilo de vida espiritual” que tem o potencial de contribuir favoravelmente (ou desfavoravelmente) para o equilíbrio e a estabilidade do nosso ser – espírito, alma e corpo. Será favorável se forem observados os seguintes aspectos, dentre outros:

a) Comunhão com Deus.

Essa comunhão pressupõe relacionamento e dependência. A comunhão com Deus inicia com a regeneração e  habitação do Espírito Santo. Tudo isso em decorrência da Obra Redentora de Cristo na cruz do Calvário. Se Cristo realmente vive em nós, mantemos comunhão com ele – “O próprio Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus.” (Rm 8.16).

b) Oração e Jejum.

Através da oração nós falamos e abrimos nosso coração diante do nosso Pai Celestial, em confissão de pecados e de gratidão, petição e intercessão. Sentimos a sua presença e sua participação no nosso cotidiano. Através do jejum nós afligimos nossas almas diante de Deus, impulsionados por situações graves, rogando a sua intervenção.

c) Adoração e Louvor.

Desde o momento que acordamos até o momento de ir dormir nossos pensamentos devem estar postos no Deus da nossa salvação, em atitude de adoração e louvor. Também é essencial dedicarmos algum tempo específico para louvarmos a Deus, cantando ou ouvindo cânticos de louvor e adoração ao Senhor.

d) Bíblia.

É através da leitura, meditação e estudo da palavra de Deus que nos apropriamos do conhecimento de Deus, da sua vontade, dos seus feitos e dos seus ensinamentos para o nosso andar diário.  

Já que Elias estava estressado era necessário que fosse tratado. Afastado das causas do seu estresse ele recebeu tratamento especial. Foram três áreas e três etapas: (i) Física – Descanso e alimentação (1Rs 19.5-6); (ii) Mental / Emocional – Restaurado fisicamente o tratamento avança para a segunda etapa. O anjo do Senhor o assiste e o direciona a deixar Berseba, a maior cidade no deserto do Neguebe do sul de Israel e deslocar-se para Horebe, o monte de Deus ou monte Sinai. Ele reage positivamente, levanta-se da sua prostração e segue adiante (1Rs 19.7-8). ; (iii) Espiritual – Elias chega ao monte Horebe ou Sinai, o mesmo monte onde Moisés teve um encontro com Deus e recebeu a Lei (Êx 19ss). É significativo que, tempos depois, Jesus se encontrasse com eles no monte da transfiguração (Mt 17.1-8; Mc 9.2-8; Lc 9.28-36). Ali no monte o Senhor fala com ele e o questiona “– Que fazes aqui, Elias?”. Ali ele tem uma nova visão de Deus que o restaura espiritualmente. Situações críticas nos possibilitam vivenciar essas extraordinárias experiências com Deus. Jó também passou por isso e concluiu: “Eu te conhecia só de ouvir, mas agora os meus olhos te veem.”(Jó 42.5).

3. ADMINISTRANDO AS CAUSAS

São vários os fatores que concorrem para elevar a tensão produzindo o estresse. Abordaremos sucintamente alguns deles:

a) Preocupações constantes

“Entrega o teu caminho ao SENHOR, confia nele, e o mais ele fará.” (Sl 37.5).

Nunca mais esqueci dessa definição de um professor no Seminário: “Preocupação é ocupar-se antecipadamente com coisas que na maioria das vezes, não irão acontecer. É afligir-se antes do tempo.” É preciso ocupar melhor o nosso pensamento (Fp 4.8).

b) Ansiedade

“Humilhai-vos, portanto, sob a poderosa mão de Deus, para que ele, em tempo oportuno, vos exalte, lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós.” (1Pe 5-6-7)

A ansiedade é irmã gêmea da preocupação. Ambas são parentes próximos do medo (muitas vezes a diferenciação não é possível), sendo distinguidas dele pelo fato de o medo ter um fator desencadeante real e palpável, enquanto na ansiedade e na preocupação o fator de estímulo teria características mais subjetivas.

É preciso considerar que ter um pouco de preocupação ou ansiedade é um fato normal e natural no ser humano, muitas vezes agindo em prol da sua preservação. Quando se torna exagerada, fora de controle, causando transtorno comportamental, desequilíbrio, disfunção, sofrimento e estresse, a ansiedade não é mais normal e precisa ser tratada.

Para mais informações sobre o assunto, veja o artigo no link abaixo:
Descartando a ansiedade

c) Exigências profissionais

Os desafios que se apresentam para o empregado moderno são cada vez maiores. A competição interna acirrada, associada à exigência de resultados, precisam ser superadas a cada dia para se manter o emprego. Se não é possível alterar esse quadro, é mandatório aprender a conviver com ele. No tempo que se passa fora da jornada de trabalho é preciso compensar essa tensão com os hábitos saudáveis já mencionados.

d) Finanças familiar

Este assunto está diretamente ligado à sobrevivência familiar. Assim sendo, cada membro da família precisa ter consciência do seu papel e da responsabilidade de fazer a sua parte. Todos precisam acompanhar as contas a pagar e aprender a refrear seus impulsos de consumo.

e) Problemas familiares

O lar é onde passamos boa parte do nosso tempo. Nosso vínculo e responsabilidade para com a família são reais e indelegáveis. Tudo de mal que acontece na nossa família nos afeta diretamente e tem o potencial de nos levar ao estresse. Por exemplo, a desagregação familiar pelo divórcio, uma doença grave, um acidente com sequelas permanentes, dentre outros. É preciso buscar forças em Deus e contar com a solidariedade dos amigos para resistir e superar as dificuldades.

f) Ativismo (voluntário ou impositivo)

Há pessoas que estão sempre escapando de fazer alguma coisa, porém, há outras que têm certa compulsão por participar de tudo – ativismo voluntário. Também, há aquelas que se sentem na obrigação de assumir certas responsabilidades, porque outros se omitem – ativismo impositivo. Na igreja é comum ver membros sobrecarregados com muitos cargos e responsabilidades, enquanto outros, pouco ou nada fazem. É preciso frear o ativismo. É preciso descentralizar e distribuir cargos e responsabilidades como Jetro sugeriu ao seu genro Moisés (Êx 18.13-27). 

Conclusão

Na vida há tempo para tudo: “Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo propósito debaixo do céu:” (Ec 3.1). Há tempo para trabalhar, descansar, estudar, participar de atividades culturais e religiosas, lazer e recreação, dentre muitas outras atividades.

O estresse desorganiza todo o metabolismo do indivíduo, sendo capaz de produzir doenças psicossomáticas, além de causar a perda do sono, irritabilidade, desequilíbrio emocional e esgotamento físico. Pode levar a apatia, desânimo, falta de motivação e depressão. Portanto, deve merecer toda a atenção e o devido tratamento. Quando necessário, é importante buscar a ajuda de terceiros: conselheiros experientes, profissionais da área da saúde que possam ajudar preventivamente ou corretivamente (psicólogo, nutricionista etc.)

Finalmente, vale ressaltar que não se pode dissociar saúde mental/emocional de saúde espiritual. Desta forma, o corpo precisa de um tratamento holístico / integral.

Elias era um homem solitário, lutando as batalhas de Deus. Restaurado física, mental/emocional e espiritualmente ele foi divinamente convocado a prosseguir. A reinserção social começa com a ordem de retomada da missão: “vai, volta….” (1Rs 19.15). O caso de Elias nos deixa a lição de que não estamos sós; Deus está cuidando de nós. Ele nos assiste e nos ajuda nesse processo de restauração interior e retomada da vida, da missão. Aleluia!

Bibliografia
1. Bíblia Sagrada (SBB – Versão Revista e Atualizada).
2. Bíblia Online – SBB.
3. Revista Didaquê – Vida Abundante – DE BEM com a vida.
4. Internet.


[1] Revista Veja, 11/11/1992.


Veja, também:
Elias, no divã de Deus

Cristão, Igreja, Política e Comunismo

Vale a pena você conferir esses quatro artigos!!!!

Igreja e Política – Mídia Tendenciosa

Igreja e Política – Pronunciar-se ou Silenciar-se?

Cristão e Política

Cristão e Comunismo – Como conciliar?

Lidando com o sentimento de culpa (Parte 2)

“Cria em mim, ó Deus, um coração puro e renova dentro de mim um espírito inabalável.” (Sl 51.10)

Na Parte 1, fizemos uma abordagem mais conceitual sobre a culpa e o sentimento de culpa, com os tópicos CULPA REAL e CULPA IMAGINÁRIA. Na Parte 2 apresentaremos aspectos mais práticos de como tratar da culpa e do sentimento de culpa, com os tópicos REAÇÕES A CULPA e TRATANDO A CULPA.

………….

3. REAÇÕES A CULPA

Inicialmente é importante reconhecer que há algo de potencialmente saudável na culpa. Se alguém nunca sentir culpa pelos seus erros, poderá se transformar em um verdadeiro monstro, um perigo para a sociedade. Sim, a culpa pode desempenhar uma função pedagógica, permitindo a reflexão e correção de atitudes e comportamentos errados.

Arrependimento é pesar ou lamentação pelo mal cometido; compunção, contrição. Remorso é inquietação, abatimento da consciência que percebe ter cometido uma falta, um erro. São sinônimos? Sempre entendi arrependimento como pesar pelo mal cometido e sincero desejo de não repeti-lo. Já o remorso, apenas como o pesar pelas consequências do mal cometido. Dizer que se arrependeu apenas porque foi descoberto e será penalizado não é um arrependimento sincero e verdadeiro.

Como as mentes reagem à culpa?

a) Mentes normais

Sentem culpa, admitem o erro ou pecado, se arrependem e superam a culpa, demonstrando resiliência.

b) Mentes fracas

Sentem culpa, admitem o erro ou pecado, se arrependem, mas não conseguem superar a culpa, não demonstrando resiliência.

c) Mentes petrificadas

Não sentem culpa, se acostumam com o erro ou pecado, por isso não se arrependem. Têm consciência cauterizada.

d) Mentes doentias

Psicopatas não têm sentimento de culpa. Por isso, cometem as piores barbaridades e não conseguem perceber os horrores que praticaram.

4. TRATANDO A CULPA

Dizem que a dinâmica mental não se estabiliza, não permite alcançar a paz interior diante da culpa, a menos que construa uma justificativa ou saída adequada.  Talvez a psicologia explique isso como o mecanismo de defesa da psiquê a que denomina de racionalização. O sentimento de culpa também pode provocar aquilo que chamam de loop ou looping mental, isto é, aquele pensamento acusador e perturbador que não sai da cabeça. Somente o perdão divino pode nos libertar totalmente da culpa!

A culpa e o sentimento de culpa precisam ser tratados, independentemente se a culpa é real ou imaginária. Sugerimos, então, os seguintes passos:

a) Análise preliminar ou diagnóstico

Identifique, esclareça, sem ou com a ajuda de terceiros, se a culpa é real ou imaginária.

A culpa imaginária pode ser revertida com uma boa análise do ocorrido e com bons argumentos que desconstruam este equivocado sentimento de culpa. É oportuno Introduzir-se aqui um tratamento profilático de modo a evitar o aparecimento de novos casos.

Se a culpa é verdadeira é preciso aplicar um tratamento mais abrangente, como o apresentado nos próximos passos.

Vale, desde já, o alerta: “Não adianta tentar jogar a culpa de seus fracassos sobre experiências e traumas do passado, pois isso não traz cura, apenas explica. Uma alma ferida não precisa de explicação, mas de restauração.” (Pr. Ubirajara Crespo – Lar Cristão SET-NOV/1996)

b) Corrigindo a situação.

Tomemos como exemplo o caso do Filho Pródigo (Lc 15.11-24, complementado com o caso de Zaqueu (Lc 19.1-10) e do caso de Jacó com Esaú (Gn 33.1-11). O Filho Pródigo tomou uma decisão equivocada, saiu da casa paterna, detonou todos os seus bens, vivendo dissolutamente (libertinagem e devassidão)(Lc 15.11-13). Como sempre, o pecado cobra uma conta muito alta. Então, sofrendo o dano das suas más escolhas, tentou resistir e sobreviver, sem querer dar o braço a torcer, sem querer ferir o orgulho próprio (Lc 15.14-16). Chegando ao fundo do poço, ele se deu conta de que precisava fazer alguma coisa para não sucumbir. Vejamos as etapas da sua restauração:

1ª) Conscientização (Lc 15.17)

       “Então, caindo em si, …”

É quando passa em nossa mente o filme de tudo o que aconteceu, desde o cometimento do erro, e se toma plena consciência do equívoco ou pecado cometido e dos danos causados, das consequências desastrosas. Não adianta esconder o pecado ou fazer de conta que ele não existe: “O que encobre as suas transgressões jamais prosperará; mas o que as confessa e deixa alcançará misericórdia.” (Pv 28.13)

2ª)  Decisão e Ação (Lc 15.18-21)

       “Levantar-me-ei, e irei ter com o meu pai, …” (v. 18a)
       “E, levantando-se, foi para seu pai…” (v. 20a)

É quando se deixa o lugar de rebeldia e sofrimento em busca da restauração humana e divina. É preciso se dirigir à vítima do nosso pecado, quando pecamos contra alguém, e a Deus, quando cometemos pecado.

3ª) Confissão (Lc 15.18-21)

       “… , e lhe direi: Pai, pequei contra o céu e diante de ti; …” (v. 18b)
       “E o filho lhe disse: Pai, pequei contra o céu e diante de ti; …” (v. 21a)

Não é uma etapa simples ou fácil, porém não pode ser evitada ou descartada. “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça.” (1Jo 1.9). Para se livrar da culpa real é necessário admitir o pecado realmente praticado (não o pecado que se imagina que tenha sido praticado), confessá-lo e abandoná-lo (Pv 28.13). Caso você tenha falhado, não se deixe sufocar pela culpa. Confesse seu erro a Deus e à pessoa contra quem você pecou.

4ª) Reparação (Lc 19.8; Gn 33.8)

       “Entrementes, Zaqueu se levantou e disse ao Senhor: Senhor, resolvo dar aos pobres a metade dos meus bens; e, se nalguma coisa tenho defraudado alguém, restituo quatro vezes mais.” (Lc 19.8)
       “Perguntou Esaú: Qual é o teu propósito com todos esses bandos que encontrei? Respondeu Jacó: Para lograr mercê na presença de meu senhor.” (Gn 33.8)  

Nem sempre esta etapa pode ser cumprida, mas tem o seu lugar e valor. O Filho Pródigo não tinha como reverter o dano material causado. Também não temos como oferecer qualquer coisa a Deus, o Pai Celestial, pelo pecado cometido. Não temos como fazer isso, mas Jesus já o fez por nós! “Filhinhos meus, estas coisas vos escrevo para que não pequeis. Se, todavia, alguém pecar, temos Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo; e ele é a propiciação pelos nossos pecados e não somente pelos nossos próprios, mas ainda pelos do mundo inteiro.” (1Jo 2.1-2). Entretanto, há situações nas quais é possível fazer a reparação por perdas e danos causados ao outro, quer seja uma reparação material, quer imaterial ou moral. Este foi o caso de Zaqueu e Jacó, conforme exposto nos versículos acima.

5ª) Pacificação (Lc 15.22-24)

       “… Comamos e regozijemo-nos, porque este meu filho estava morto e reviveu, estava perdido e foi achado. E começaram a regozijar-se.” (Lc 15.23b-24)

O pecado nos leva à morte espiritual, isto é, à separação da comunhão com Deus. Cumpridas essas etapas podemos, pela fé, nos apropriarmos da promessa do perdão divino e crer que ele é mesmo fiel para cumprir o que promete. Somos libertos do sentimento de culpa e reconectados com Deus. A reconciliação nos leva à paz com Deus e à paz com as pessoas que, de alguma forma, causamos algum dano. Ainda que estas pessoas não nos recebam e não aceitem nosso gesto de confissão e retratação, Deus aceitará e nos livrará de qualquer sentimento de culpa. O perdão divino é o mais eficaz – na verdade, o único – remédio para a culpa e o sentimento de culpa.

Conclusão

A imperfeição humana nos leva a cometer erros e a pecar. Porém, Deus nos dotou de uma consciência, que se estiver sadia, poderá nos incomodar o suficiente, por meio do sentimento de culpa, nos conduzindo a corrigir o erro ou a minimizar os seus efeitos e a não repeti-lo. 

A Bíblia, a palavra de Deus, deve ser sempre o nosso primeiro e mais importante referencial de conduta e de vida, do que é certo ou errado. Se há culpa (ou sentimento de culpa) em decorrência de alguma transgressão cometida, isto é razoável, porém não precisa e não deve ser permanente. A culpa corrói o caráter e destrói a pessoa: “Enquanto calei os meus pecados, envelheceram os meus ossos pelos meus constantes gemidos todo o dia. Porque a tua mão pesava dia e noite sobre mim, e o meu vigor se tornou em sequidão de estio.” (Sl 32.3-4). Em Cristo, Deus providenciou meios para a cura e libertação plena do pecado, da culpa, do sentimento de culpa!

Ressaltamos a importância de ler a Bíblia, de tomar conhecimento dos seus preciosos ensinamentos e praticá-los, o que nos ajudará a evitar danos materiais e emocionais: “Disse, pois, Jesus aos judeus que haviam crido nele: Se vós permanecerdes na minha palavra, sois verdadeiramente meus discípulos; e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.” (Jo 8.31-32). Não é razoável um cristão deixar de ler a Bíblia ou de ouvir os seus ensinamentos, para não tomar conhecimento do que é certo ou errado e, assim, pensar que terá a consciência pesada. Vale lembrar que na lei de Moisés os chamados “pecados por ignorância” não passavam em branco diante de Deus (Lv 4.2, 13, 22, 27 etc.) e, também, na lei dos homens, não isentando o infrator e acusado de ser responsabilizado pelos seus atos ou omissões. Diz o Código Penal Brasileiro: “Art. 21 – O desconhecimento da lei é inescusável. O erro sobre a ilicitude do fato, se inevitável, isenta de pena; se evitável, poderá diminui-la de um sexto a um terço. Parágrafo único – Considera-se evitável o erro se o agente atua ou se omite sem a consciência da ilicitude do fato, quando lhe era possível, nas circunstâncias, ter ou atingir essa consciência.”

Que a igreja de Cristo fomente e proporcione espaços de cura, perdão e aceitação para os que buscam solução para suas lutas contra a culpa ou contra o sentimento de culpa!

Bibliografia:

1. Bíblia Sagrada (SBB – Versão Revista e Atualizada).
2. Bíblia Online – SBB.
3. Revista Didaquê – Vida Abundante – DE BEM com a vida.
4. Revistas Lar Cristão.
5. Internet.


Veja, também, a Parte 1:
Lidando com o sentimento de culpa (Parte 1)

Lidando com o sentimento de culpa (Parte 1)

“Cria em mim, ó Deus, um coração puro e renova dentro de mim um espírito inabalável.” (Sl 51.10)

Introdução          

“Há algum tempo, aconselhei uma moça de 22 anos que tentara o suicídio. Descobri, depois de várias horas de aconselhamento, que ela possuía uma autoimagem muito baixa e negativa. Em meio a lágrimas, contou-me que, quanto mocinha, fora violentada por um membro da família; fato esse que lhe causou dificuldades no que diz respeito a amar e confiar nas pessoas, fazendo surgir sentimentos de culpa, rejeição e autoimagem negativa.” (Jaime Kemp – Lar Cristão -Nº 2)

Outros casos ou exemplos:

– Escolhi a carreira errada, não tenho qualquer vocação para medicina (ou direito, ou engenharia ou ….)
– Um marido que perde o emprego. Os frequentes problemas financeiros fazem com que a esposa deixe de acreditar nele.
– Uma gravidez indesejada paralela a crescentes pressões no emprego leva um marido a questionar o compromisso assumido no casamento.
– Um filho que cai da escada ou sofre um acidente e fica paraplégico.
– Um casamento fracassado que levou ao divórcio.
– Um adultério cometido e muito bem ocultado.
– Uma cessão de espaço para a pornografia.
– Um furto ocasional.
– Uma ou algumas mentiras proferidas.
– Foi testemunha de um fato e se omitiu.

O sentimento de culpa é uma forma de sofrimento mental, normalmente com desdobramentos que afetam a saúde do corpo, o comportamento, o estilo de vida e os relacionamentos. É uma triste realidade compartilhada pela espécie humana, desde as primeiras criaturas – Adão e Eva. Culpa, ciúme, medo, ansiedade, insegurança, autocondenação, ira, depressão, dentre outros, muitas vezes, ocasionam um desastre psicológico, portanto, precisam merecer nossa atenção, precisam ser tratados.

Paul Tournier, respeitado psiquiatra cristão, lembra que sentimentos como remorso, peso na consciência, vergonha, constrangimento, inquietação, confusão, timidez e modéstia em excesso estão todos ligados ao sentimento de culpa. Cristãos e não cristãos estão sujeitos a problemas que afetam a nossa psiquê e precisam trabalhar isso adequadamente.

Pessoas e famílias não são perfeitas. Erros cometidos, decisões equivocadas, atitudes inconvenientes e pecado praticado têm consequências e podem  provocar danos de menor ou maior proporção na vida de uma pessoa. Daí se estabelece o sentimento de culpa. Crentes salvos e habitados pelo Espírito Santo também estão aqui incluídos, com a ressalva de que quem está em Cristo é nova criatura e não vive na prática do pecado (1Jo 3.6) e não tem que viver sufocado por sentimentos de culpa. Portanto, este é o tipo de assunto que interessa a todos.

O que fazer para reduzir, bloquear ou eliminar um sentimento de culpa? É o que trataremos, a seguir.

Nesta Parte 1, faremos uma abordagem mais conceitual sobre a culpa e o sentimento de culpa, com os tópicos CULPA REAL e CULPA IMAGINÁRIA.

1. CULPA REAL

Considera-se, neste caso, que verdadeiramente o indivíduo tem culpa. Portanto, o sentimento de culpa é devido, o que é algo humanamente natural.

A culpa real pode ser definida levando-se em conta alguns aspectos:

1.1 QUANTO AO AGENTE

a) Culpa pela AÇÃO ou OMISSÃO

Ação, quando o indivíduo faz alguma coisa errada, que não deveria ou não poderia fazer.

Omissão, quando o indivíduo não faz alguma coisa certa que deveria ou poderia fazer.

b) Culpa DIRETA, INDIRETA e PRESUMIDA

Direta, quando o indivíduo age ou se omite, diretamente. Por exemplo: estava dirigindo, se distraiu com o celular, bateu com o carro no poste e o pai, que estava no banco do carona, veio a óbito. Ele é o agente e executor direto.

Indireta, quando o indivíduo é o mandante e outros fazem ou deixam de fazer alguma coisa por ordem ou acordo com ele. Por exemplo, Davi, quando ordenou que Urias fosse colocado na linha de frente da batalha e deixado, sem cobertura, para ser morto.  

Presumida, ocorre nas situações em que o agente assume os riscos ante à probabilidade de causar resultado danoso, sendo assim o responsável. Independentemente de estar ou não contemplado no Código Penal ou Código Civil, para efeito conceitual, incluo aqui este tipo de culpa. Exemplifico com o caso trágico de pais, com filho pequeno em casa, que cai da janela do apartamento ou morre afogado na piscina da casa, porque esses não tiveram o cuidado de instalar proteção na janela ou na piscina. O risco era previsível, mas não foi levado em conta. São formas de manifestação da inobservância do cuidado necessário, isso é, modalidades da culpa: a imprudência, negligência e imperícia.

1.2 QUANTO AO ATO EM SI

Gary Collins, conselheiro cristão, fala de dois tipos básicos de culpa, a saber, objetiva e subjetiva.

a) Culpa OBJETIVA

Objetiva, quando depende ou decorre do ato ou do fato.

Conforme Collins, são quatro os tipos de culpa objetiva:

– Culpa legal: acontece, por exemplo, quando uma pessoa é multada por ter desrespeitado um semáforo. Transgrediu a lei de trânsito, portanto, a pessoa é culpada, sentindo ou não culpa, arrependimento ou remorso pelo que fez.

– Culpa social: é quando se quebra uma norma não escrita, mas socialmente esperada, como qualquer regra de etiqueta ou boas maneiras.

– Culpa pessoal: é quando acontece uma violação de algum plano ou projeto pessoal. Um exemplo seria o caso do pai de família que, por força de obrigações profissionais, se vê forçado a passar menos tempo com seus filhos do que o que pretendia, ou a faltar a um evento na escola em que o filho iria se apresentar.

– Culpa teológica (que psicólogos e conselheiros cristãos também chamam de culpa verdadeira):  é proveniente de saber que houve desobediência às leis de Deus, violação a princípios, valores e ensinos contidos na bíblia. Muitos psicólogos e psiquiatras não cristãos não admitem a existência desse último tipo de culpa.

b) Culpa SUBJETIVA

Subjetiva, quando não depende ou não decorre do ato ou do fato em si, porém de sentimentos e interpretações pessoais. 

A culpa subjetiva está ligada aos sentimentos desconfortáveis de remorso, vergonha e autocondenação que podem acompanhar quem acha que fez algo errado (ou que a pessoa considera errado) ou que deixa de fazer o que acha que seria certo.

É importante saber de que tipo de culpa se está falando, para que se possa ajudar quem está com dificuldades nessa área tão importante da vida.

1.3 QUANTO A INTENÇÃO

a) Dolosa

Quando o indivíduo tem a intenção e faz alguma coisa errada, que não deveria ou não poderia fazer.

b) Culposa

Quando o indivíduo não tem a intenção e faz alguma coisa errada, que não deveria ou não poderia fazer.

1.4 QUANTO À CONSCIÊNCIA  

a) Consciente

Ocorre quando o agente prevê o resultado, mas espera que ele não ocorra, supondo poder evitá-lo com a sua habilidade.

b) Inconsciente

Na culpa inconsciente, o agente não prevê o resultado, que, entretanto, era objetiva e subjetivamente previsível.

2. CULPA IMAGINÁRIA

É importante reconhecer que há culpas reais ou verdadeiras e culpas imaginárias ou falsas. O efeito e prejuízo psicológico pode ser o mesmo nos dois casos. É fato que muita gente sofre com culpas que não são reais.

a) Culpa de natureza teológica

Embora o mundo cristão esteja sendo fortemente influenciado e afetado pelo liberalismo teológico e progressismo global, onde princípios e valores cristãos estão sendo relativizados ou ignorados, ainda encontraremos pregadores e professores com viés legalista e moralista forjando nas mentes dos crentes imaturos falsos conceitos de santidade, pureza e vida cristã. Assim, tais ouvintes podem desenvolver culpas imaginárias na consciência, culpas que decorrem de interpretação bíblica equivocada. Jesus nunca foi cúmplice do pecado, mas repreendeu veementemente os religiosos legalistas do seu tempo: “Atam fardos pesados e difíceis de carregar e os põem sobre os ombros dos homens; entretanto, eles mesmos nem com o dedo querem movê-los.” (Mt 23.4). É necessário pregar e ensinar sempre com base bíblica! É preciso fugir dos extremos onde “tudo é pecado” ou “nada é pecado”!

b) Culpa pela forma de criação dos filhos

Na atualidade, talvez seja mais comum encontrarmos pais que não impõem limites na criação e educação dos seus filhos. Entretanto, igualmente danoso para a formação desses é o rigor exagerado por parte de outros pais. A pedagogia do elogio tem sido recomendada, porém tais pais se relacionam com seus filhos só na base da censura, da crítica, da reclamação e da condenação. Crianças criadas dessa maneira são fortes candidatas a se tornarem adultos problemáticos, sempre a lutar contra um sentimento de culpa vago e indefinido, mas terrível, que sempre cobra algo mais, que nunca se satisfaz. É lógico que crianças precisam de repreensão quando fazem algo verdadeiramente errado; mas precisam igualmente de elogio, incentivo, estímulo, agradecimento, para que venham a ser adultos mais centrados e equilibrados.

c) Culpa de natureza circunstancial

São culpas que se originam de circunstâncias imprevisíveis, muitas vezes agravadas por envolverem acontecimentos trágicos. Pode-se exemplificar com o seguinte caso. Uma mãe pede a seu filho jovem para ir até a padaria, perto da sua casa, para comprar alguma coisa para o lanche. Exatamente quando o jovem chega à padaria, está ocorrendo um assalto, ele recebe um tiro de bala perdida e vai a óbito. Então, aquela mãe incorpora um sentimento de culpa que sufoca e asfixia sua existência. Esse é apenas um dos inúmeros casos em que a pessoa não cessa de se questionar – E SE…. ? E se eu não tivesse pedido a ele para ir até lá? Ele estaria vivo!

…………………..

Veja, também, a Parte 2:
Lidando com o sentimento de culpa (Parte 2)

Na Parte 2 apresentaremos aspectos mais práticos de como tratar da culpa e do sentimento de culpa, com os tópicos REAÇÕES A CULPA e TRATANDO A CULPA.

As 7 “palavras” da cruz

Introdução

As sete “palavras” ou frases ou manifestações verbais de Jesus, pendurado na cruz do Calvário, não são mais nem menos importantes do que as demais proferidas por ele ao longo do seu ministério terreno. Suas palavras sempre merecem nossa atenção e sempre têm algo a nos revelar e ensinar. Os quatro evangelistas, Mateus, Marcos, Lucas e João, nos legaram a biografia de Jesus. Neste ponto da sua trajetória, pendurado na cruz, nenhum deles registrou todas as sete falas de Jesus; por outro lado, nenhum deles deixou de registrar pelo menos uma delas. É interessante que Lucas mencionou três, João outras três e, finalmente, Mateus e Marcos registram a outra, totalizando, assim, as sete.

As três primeiras manifestações de Jesus, na cruz, foram feitas nas três primeiras horas da crucificação e antes do período das trevas. Verifica-se nelas o real e constante cuidado do Senhor com as pessoas!

1ª) Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem.
(Amoroso e Perdoador) (Oração do Senhor pelos inimigos)

“Contudo, Jesus dizia: Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem. Então, repartindo as vestes dele, lançaram sortes.” (Lc 23.34)

Essa declaração de Jesus, apenas registrada por Lucas, tem sido tradicionalmente aceita como a primeira das sete que ele fez na cruz, embora nenhuma certeza exista quanto à ordem cronológica delas. O fato é que essa expressão reflete o espírito perdoador que se sabe ter tido Jesus, declarado muitos anos antes pelo profeta Isaías: “… foi contado com os transgressores; contudo, levou sobre si o pecado de muitos e pelos transgressores intercedeu.” (Is 53.12b).

Jesus atribuiu a ignorância como a causa de suas atitudes hostis. A ignorância dos soldados foi circunstancial, porquanto foram envolvidos em acontecimentos que não haviam provocado e que não podiam controlar (At 3.17; At 17.30). A ignorância dos judeus, entretanto, foi judicial, porquanto haviam fechado os próprios olhos à realidade de Jesus. Os judeus, foram seduzidos pelos seus líderes religiosos que não quiseram admitir o caráter messiânico de Jesus.

Quanto ao perdão de Jesus, era de caráter universal, não excluindo, Pilatos, os escribas e fariseus etc. O perdão, portanto, é tão largo e profundo quanto o pecado. O pecado tem sido universal, e o perdão oferecido tem sido igualmente universal.

2ª) Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso.
(Salvador)(Uma valorosa promessa)

“Jesus lhe respondeu: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso. (Lc 23.43)

Três cruzes foram erguidas no monte do Calvário. Cada uma delas traz uma mensagem objetiva aos corações dos homens:

a) A CRUZ DA REDENÇÃO (Lc 23.33; Ef 1.17)

Ali naquela cruz do centro havia um homem morrendo “pelos nossos pecados”(1Co 15.3)

b) A CRUZ DA REJEIÇÃO (Lc 23.39)

Ali naquela cruz do lado havia um homem morrendo “em pecado”.

c) A CRUZ DA RECEPÇÃO  (Lc 23.40-42)

Ali naquela cruz do outro lado havia um homem morrendo “para o pecado”. Era a cruz do triunfo da fé e da graça.

É impressionante o que se passou com aquele malfeitor arrependido (Lc 23.40-42):

– Temeu a Deus e reprovou o companheiro de infortúnio;
– Confessou a justiça do seu castigo;
– Reconheceu que Jesus era inocente;
– Creu num Cristo vivo além da sepultura;
– Creu num Reino além da cruz, com Jesus por seu futuro Rei;
– Pediu por si mesmo, e provou a verdade da palavra “Quem invocar o nome do Senhor será salvo”.

Desta forma ele foi acolhido por Jesus nos últimos instantes da sua vida.

Bem diferente foi a atitude do outro malfeitor. Não percebeu o seu erro nem se arrependeu. Não percebeu qualquer valor em Cristo. Seu coração estava voltado apenas para esta vida. Queria continuar no mesmo caminho largo que o conduziu até ali. Ele deixou escapar a maior e última oportunidade da sua vida.

3ª) Mulher, eis aí teu filho | … Eis aí tua mãe.
(Cuidadoso)(Entrega mútua – Maria x discípulo amado)

“Vendo Jesus sua mãe e junto a ela o discípulo amado, disse: Mulher, eis aí teu filho. Depois, disse ao discípulo: Eis aí tua mãe. Dessa hora em diante, o discípulo a tomou para casa.” (Jo 19.26-27)

A cruz de Cristo estava envolvida por um clima de extrema hostilidade, contrastado por um pequeno grupo de mulheres e mais o discípulo amado, que estavam perto da cruz e, com amargura de alma, contemplavam o ultraje sofrido por aquele que lhes era tão querido. Em qualquer tempo isso tem acontecido: muitos são os que escarnecem da cruz, enquanto poucos são os que se solidarizam com o crucificado, buscando refúgio aos seus pés.

Ali estava, entre outras, a mãe de Jesus, cuja alma estava traspassada pela espada (Lc 2.35) e o discípulo amado, cujo nome não é revelado aqui, mas que sabemos se tratar do apóstolo João, conforme nos indicam outras referências neste mesmo evangelho de João (ver as seguintes referências a ele mas que não lhe mencionam o nome: Jo 1.35-40; 18.5; 20.3, 8; com o adjetivo “amado”: Jo 13.23; 19.26; 20.2 e 21.7, 20. O texto de João 21.24 definidamente vincula esse discípulo ao autor do quarto evangelho).

O Filho e Senhor, moribundo, uniu-os na mais terna das relações. Conforme sempre foi característico no Senhor Jesus, até mesmo nos momentos de suas mais duras provações, como neste caso, em que experimentou dores atrozes. Ele, assim mesmo, dedicou tempo a pensar em “seus semelhantes”, importando-se com o bem-estar deles em tudo quanto lhe era possível. Este caso parece comprovar a suposição de que José, marido de Maria, já havia falecido por essa altura dos acontecimentos, e que Maria já era viúva há algum tempo. José não é mais mencionado em atividade, em toda a narrativa dos quatro evangelhos, após as cenas de Jesus no templo, aos 12 anos de idade (Lc 2.41-50). Entendemos que sua menção em Mateus 13.54-58 é apenas uma referência biográfica ou de identificação – “filho do carpinteiro”. Portanto, se ele estivesse ainda vivo, Jesus não teria de deixar Maria, sua mãe, aos cuidados do seu discípulo João.

As quatro últimas manifestações de Jesus na cruz foram feitas no final das três últimas horas da crucificação e no final do período de trevas. Verifica-se que elas dizem respeito à própria pessoa de Jesus!

4ª) Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?
(Desamparado)(Brado de aflição espiritual)

“À hora nona, clamou Jesus em alta voz: Eloí, Eloí, lamá sabactâni? Que quer dizer: Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste? (Mc 15.34)
“Por volta da hora nona, clamou Jesus em alta voz, dizendo: Eli, Eli, lamá sabactâni? O que quer dizer: Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste? (Mt 27.46)

Pode se dizer que os Salmos 22 a 24 formam uma espécie de Trilogia[1] Messiânica, escrita por Davi, uma vez que o personagem central é o Messias – Jesus Cristo, a saber:

– Salmo 22: [Passado]  O Messias encarnado – Sofrimento e Vitória.
– Salmo 23: [Presente] O Messias ressuscitado – O Bom Pastor.
– Salmo 24: [Futuro]    O Messias exaltado – O Rei da Glória.  

“Nos três Salmos, 22, 23 e 24, Cristo é reconhecido no seu ministério a favor dos remidos: no passado, no presente e no futuro. Na sua morte sobre a cruz ele é o substituto (22), na peregrinação ele é o Pastor (23), e no trono ele é o Salvador (24). Os três salmos chamam nossa atenção para a Cruz, o Cajado e a Coroa.” (Goodman)

O Salmo 22, versículo 1, diz assim: Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?”. Ainda que tal expressão possa ter algo a ver com a experiência de vida de Davi, certamente é uma referência profética ao sofrimento do Messias. Assim, depois de 3 horas de trevas e 6 horas pendurado no madeiro, Jesus bradou com essas palavras. Este capítulo 22 está repleto de referências proféticas à crucificação do Messias – Jesus!

Este clamor expressa a sensação de abandono experimentado por Jesus, na cruz, ao tomar o nosso lugar, levando sobre si os pecados da humanidade: “Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo caminho, mas o SENHOR fez cair sobre ele a iniquidade de nós todos.” (Is 53.6) “Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus.” (2Co 5.21; ver tb 1Pe 2.24). Jamais seremos capazes de avaliar a agonia física, emocional e espiritual que Jesus estava passando, cujo ápice se deu naquela hora nona ou 3 horas da tarde! Embora haja algumas teorias, é um grande mistério esse clamor de Jesus sobre o desamparo de Deus. Seria retórica ou literal a expressão de Jesus. Poderia Deus abandonar o seu Filho Unigênito? Poderia Deus se separar de Deus? Alguns defendem a teoria de que Deus jamais abandonaria seu Filho, mesmo que parecesse que sim. Outros defendem a teoria de que todos os pecados foram literalmente transferidos para Jesus, o Cordeiro de Deus, como acontecia nos sacrifícios do Antigo Testamento, para que fôssemos perdoados e justificados por Deus. Desta forma, Deus-Pai teve que se separar momentaneamente de Jesus, porque ele foi feito pecado e Deus não tem comunhão com o pecado.

5ª) Tenho sede!
(Humano)(Brado de carência física)

“Depois, vendo Jesus que tudo já estava consumado, para se cumprir a Escritura, disse: Tenho sede! (Jo 19.28)

Esta exclamação de Jesus expõe enfaticamente sua humanidade, pois Jesus, o Deus-Homem, também era o Homem-Deus! A Escritura profética do salmista sobre o lamento do Messias cumpre-se aqui (Sl 69.21). Nesta condição humana ele se iguala a qualquer outro ser humano, exceto que ele não cometeu pecado (Hb 4.15). Há que se ressaltar que Jesus, o Homem-Deus, experimentou tortura e sofrimento extremo nos seus dias finais, a partir do seu aprisionamento e até à sua morte. E foi por mim, por você, por nós!

Há vasta comprovação bíblica e histórica dessa humanidade.

Ele possuía um corpo humano:
– Nascido de mulher (Gl 4.4);
– Sujeito a crescimento (Lc 2.52);
– Visto e tocado pelas pessoas (1Jo 1.1; Mt 26.12);
– Sangrou (Jo 19.34);
– Sujeito à morte física (Jo 19.31).

Ele foi sujeito às limitações da natureza humana:
– Sentiu fome (Mt 4.12);
– Sentiu sede (Jo 19.28);
– Se cansou (Jo 4.6);
– Chorou (Jo 11.35);
– Dormiu (Mc 4.38);
– Foi tentado (Hb 4.15).

A encarnação e consequente humanidade de Jesus Cristo é um fato de extrema relevância para a fé cristã! “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai.” (Jo 1.14). Vale ressaltar que Jesus participou plenamente da nossa humanidade, para que nós pudéssemos participar da sua natureza divina, pela fé, através do Espírito Santo (2Co 3.18; 2Pe 1.4). Já no início da igreja esta teve que lidar com filosofias religiosas oriundas do gnosticismo e docetismo[2]. Isto levou o apóstolo João a alertar a comunidade da fé nestes termos: “Nisto reconheceis o Espírito de Deus: todo espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus;” (1Jo 4.2). “Porque muitos enganadores têm saído pelo mundo fora, os quais não confessam Jesus Cristo vindo em carne; assim é o enganador e o anticristo.” (2Jo 1.7). “Essas palavras se referem diretamente ao ‘docetismo` ou ao ‘quase-docetismo` dos gnósticos, mediante o que eles negavam: 1. A encarnação; 2. A validade dos sofrimentos e da morte de Jesus Cristo como expiação; 3. A identidade das naturezas divina e humana da pessoa de Jesus Cristo.”[3]

6ª) Está consumado!
(Consumador)(Brado de vitória – missão cumprida!)

“Quando, pois, Jesus tomou o vinagre, disse: Está consumado! E, inclinando a cabeça, rendeu o espírito.” (Jo 19.30)

O que parecia ser a completa derrota – a morte de Cristo – na verdade se revelou a maior vitória! A missão de expiação pelo pecado estava terminada (Rm 5.11). Era chegado o momento em que essas palavras anteriormente proferidas por Jesus se concretizam: “Eu te glorifiquei na terra, consumando a obra que me confiaste para fazer;” (Jo 17.4). Também nos ensina a grande verdade, de que a nossa vida tem o sentido maior de glorificar a Deus através da nossa vida, da obra e missão que ele tem designado para cada um de nós (1Co 15.58; Fp 1.6; Cl 1.10; 2Ts 1.11).

Vale destacar algumas das declarações que Jesus mesmo deu a respeito da razão da sua vinda:

– Não veio para revogar a Lei ou os Profetas, mas para cumprir (Mt 5.17);
– Não veio para chamar justos, e sim pecadores ao arrependimento (Mt 9.13; Mc 2.17; Lc 5.32);
– Não veio trazer paz à terra, mas espada (Mt 10.34 ), ou divisão (Lc 12.51);
– Veio causar divisão entre o homem e seu pai; entre a filha e sua mãe e entre a nora e sua sogra (Mt 10.35);
– Veio salvar o que estava perdido (Mt 18.11);
– Não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos (Mt 20.28; Mc 10.45);
– Veio para pregar a pessoas de vários lugares e povoações (Mc 1.38);
– Não veio para destruir as almas dos homens, mas para salvá-las (Lc 9.56);
– Veio para lançar fogo sobre a terra (Lc 12.49);
– Veio buscar e salvar o perdido (Lc 19.10);
– Veio em nome do Pai (Jo 5.43);
– Não veio por sua própria vontade (Jo 7.28);
– Ele sabe de onde veio (Jo 8.14);
– Veio de Deus (Jo 8.42);
– Veio a este mundo para juízo, a fim de que os que não veem vejam, e os que veem se tornem cegos (Jo 9.39);
– Veio para que tenham vida e a tenham em abundância (Jo 10.10);
– Veio para esta hora (sofrimento e morte)(Jo 12.27);
– Veio como luz para o mundo, a fim de que todo aquele que nele crê não permaneça nas trevas (Jo 12.46);
– Não veio para julgar o mundo, e sim para salvá-lo (Jo 12.47);
– Veio da parte de Deus (Jo 16.27);
– Veio do Pai (Jo 16.28);
– Veio ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade (Jo 18.37).

E, o apóstolo João acrescentou:

– Veio como testemunha para que testificasse a respeito da luz, a fim de todos virem a crer por intermédio dele (Jo 1.7-8);
– Veio para o que era seu, e os seus não o receberam (Jo 1.11).

Finalmente, vale lembrar o resultado desse “Está consumado!” nessas palavras do apóstolo Paulo: “E a vós outros, que estáveis mortos pelas vossas transgressões e pela incircuncisão da vossa carne, vos deu vida juntamente com ele, perdoando todos os nossos delitos; tendo cancelado o escrito de dívida, que era contra nós e que constava de ordenanças, o qual nos era prejudicial, removeu- o inteiramente, encravando-o na cruz; e, despojando os principados e as potestades, publicamente os expôs ao desprezo, triunfando deles na cruz.” (Cl 2.13-15)

7ª) Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito!
(Sacrifício)(Brado de Confiança e Entrega)

“Então, Jesus clamou em alta voz: Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito! E, dito isto, expirou.” (Lc 23.46)
“Mas Jesus, dando um grande brado, expirou.” (Mc 15.37)
“E Jesus, clamando outra vez com grande voz, entregou o espírito.” (Mt 27.50)

A primeira “palavra” iniciou com “Pai” e a última também. Além de Lucas, os evangelistas Mateus e Marcos também mencionaram que Jesus clamou ou bradou em alta voz, porém não registraram o que ele disse, antes do seu último suspiro de vida no seu corpo mortal. Essas palavras também se encontram no Salmo 31.5, Salmo de Davi: “Nas tuas mãos, entrego o meu espírito; tu me remiste, SENHOR, Deus da verdade.” Sabedor do limite do seu estado físico Jesus se despediu do seu ministério terreno e do seu corpo mortal se entregando e voltando para o Pai, de onde veio.

Estas palavras transmitem algumas mensagens:

– Ele faz sua última oração testemunhando a todos que o Pai estava e sempre está presente, no governo e controle de todas as coisas.
– Ele tinha plena convicção de que o Deus-Pai o ouviria e o atenderia.
– Ele cria na imortalidade do espírito: “e o pó volte à terra, como o era, e o espírito volte a Deus, que o deu.” (Ec 12.7).
– Ele nos dá o exemplo, nos conforta, e desperta em nós a esperança de que, ao findar o labor desta vida, nós, os salvos, os remidos pelo seu sangue ali na cruz, podemos entregar o espírito ao Pai Celestial.

Vale lembrar que o primeiro mártir cristão – Estêvão – correspondeu a muitas coisas ensinadas pelo Mestre, inclusive a perdoar os seus algozes e a entregar seu espírito a Deus: “E apedrejavam Estêvão, que invocava e dizia: Senhor Jesus, recebe o meu espírito! Então, ajoelhando-se, clamou em alta voz: Senhor, não lhes imputes este pecado! Com estas palavras, adormeceu.” (At 7.59-60). Quão importante é viver tendo a certeza de que, ao deixarmos este mundo, seremos recebidos pelo Pai Celestial! É como diz o hino 153 (HNC):

Com tua mão segura bem a minha,
E meu caminho, alegre, seguirei!
Mesmo onde as sombras caem mais escuras,
Teu rosto vendo, nada temerei.

E no momento de transpor o rio
Que Tu, por mim, vieste atravessar,
Com tua mão segura bem a minha,
E sobre a morte eu hei de triunfar.

Conclusão

É inegável que o “verbo” que se fez carne e habitou entre nós, comunicou eficazmente a mensagem divina, no decorrer de todo o seu ministério terreno, inclusive no ápice do seu sofrimento na cruz. Vimos anteriormente que nessas manifestações finais ele continuou expressando seu cuidado e amor pelas pessoas; as que o rejeitaram e as que o receberam como Messias e Salvador. Também expôs publicamente seus sentimentos, carências físicas, convicção da missão cumprida e entrega.

Finalmente, em face de tudo isso, a pergunta que ainda ecoa é aquela feita por Pilatos: “…. Que farei, então, de Jesus, chamado Cristo? … “ (Mt 27.22). O que você responde? A minha resposta pode ser extraída de algumas estrofes do hino 184 (HNC):

Por meu Jesus eu vou viver
E minha luz farei brilhar.
De dia em dia hei de fazer
O que ao meu Salvador honrar.     

E seja o dia quando for
Que Deus me chame para lá,
Bem certo estou que o Salvador
Contente me receberá.  

A doce voz me soará
De Cristo, amável Redentor!
”Fiel, bom servo, bem está,
Entra no gozo do Senhor.”
E face a face vê-lo-ei,
Liberto e salvo cantarei!
E face a face vê-lo-ei,
Liberto e salvo cantarei.


[1] Trilogia é o conjunto de três trabalhos artísticos, geralmente em literatura ou cinema, que estão conectados, mas que podem ser vistos tanto como trabalho único quanto como obras individuais. (Wikipédia)

[2] Gnosticismo e docetismo. Basicamente o gnosticismo cristão era considerado, assim como o docetismo, seu antecessor, uma forma de heresia sobre a pessoa de Cristo. Enquanto o docetismo afirmava que o corpo humano de Cristo não passava de um fantasma e que o seu sofrimento e morte eram meras aparências (“ou sofria e então não podia ser Deus, ou era verdadeiramente Deus e então não poderia sofrer”), o gnosticismo tentava explicar Cristo em termos de filosofia pagã ou de teosofia. Sendo o mundo material mau, Cristo não poderia ter-se encarnado nele e tampouco o Deus do Velho Testamento poderia ser o mesmo Deus revelado por Cristo. A polêmica, porém, já estava presente nos tempos do Novo Testamento.”….“O gnosticismo exerceu sua maior influência sobre o cristianismo no período entre os anos 135 e 200 d.C. Constituindo a maior ameaça à fé historicamente fundada dos cristãos, sua existência se prolongou por muito mais tempo. Doutrinas gnósticas voltam várias vezes na história da teologia; hoje sobrevivem em teorias ocultistas e espíritas.” (Enciclopédia Mirador Internacional)

[3] Champlin, Ph. D., Russell Norman – O Novo Testamento Interpretado, versículo por versículo.


Veja, também o artigo: Crônica do Calvário

JOSÉ, exemplo de recomeço

“Há muitos planos no coração do ser humano, mas o propósito do Senhor permanecerá.” (Pv 19.21 NAA)
“Os passos de cada pessoa são dirigidos pelo Senhor; como poderá alguém entender o seu próprio caminho?” (Pv 20.24 NAA)

Introdução

O soneto “As Pombas”, de autoria do poeta brasileiro Raimundo Correia (1859-1911), é um dos destaques do movimento parnasiano brasileiro (final do século XIX).

Vai-se a primeira pomba despertada…
Vai-se outra mais… mais outra… enfim dezenas
De pombas vão-se dos pombais, apenas
Raia sanguínea e fresca a madrugada.

E à tarde, quando a rígida nortada
Sopra, aos pombais, de novo elas, serenas,
Ruflando as asas, sacudindo as penas,
Voltam todas em bando e em revoada…

Também dos corações onde abotoam,
Os sonhos, um a um, céleres voam,
Como voam as pombas dos pombais;

No azul da adolescência as asas soltam,
Fogem… Mas aos pombais as pombas voltam,
E eles aos corações não voltam mais…

O soneto menciona pombas e a Bíblia também. Ainda que Noé, dentro da Arca e depois do dilúvio, tenha soltado uma pomba por três vezes: a primeira retornou significando que era tempo de espera e paciência; a segunda retornou com uma folha nova de oliveira no bico, sinal de vida, recomeço e esperança; a terceira já não retornou, significando que era tempo de agir, de sair da Arca, de seguir em frente, de recomeçar  (Gn 8.8-12). Ainda que a pomba seja uma ave importante no cristianismo, uma representação do Espírito Santo – simplicidade e pureza (Mt 3.16; 10.16; Jo 1.32). Ainda que as pombas recebam certo protagonismo neste soneto, a intenção do poeta é outra; vai além das pombas e sua rotina de vida.

O soneto descreve, inicialmente, o revoar rotineiro das pombas, nas suas idas e vindas cotidianas. O poeta faz uma conexão entre estas e os sonhos. Sua intenção é a de trazer à tona e nos fazer refletir sobre a efemeridade da vida. No final estabelece uma relação com as fases da existência humana, sendo que, desde o alvorecer da vida, desde o azul da adolescência, cada dia que passa é um sonho ou uma ilusão que morre. Sem dúvida o soneto carrega uma preocupação existencial, uma visão pessimista da vida, com pensamentos que dão asas à imaginação, com sonhos que se projetam entre o céu e a terra, mas que nunca se concretizam. No crepúsculo da vida, não mais serão lembrados. Será que é assim mesmo? Será que foi assim na vida de José? Será que isso é determinante na vida humana?

Uma das histórias mais lindas,  emocionantes e impactantes da Bíblia é a de José, um dos doze filhos de Jacó. É justo considerar que José é a própria encarnação do conceito de recomeço e de resiliência após recorrentes situações pessoais trágicas e devastadoras. Pode-se afirmar que, diante das calamidades pelas quais ele passou, de forma humanamente solitária, o que de fato o sustentou e o fez sempre seguir com a vida foi a sua confiança e dependência de Deus. O que o salmista declarou era uma realidade em sua vida: “Somente em Deus, ó minha alma, espera silenciosa, porque dele vem a minha esperança. Só ele é a minha rocha, e a minha salvação, e o meu alto refúgio; não serei jamais abalado.” (SI 62.5 e 6).

1. RESILIÊNCIA DIANTE DA REJEIÇÃO

“Ora, Israel amava mais a José que a todos os seus filhos, porque era filho da sua velhice; e fez-lhe uma túnica talar de mangas compridas. Vendo, pois, seus irmãos que o pai o amava mais que a todos os outros filhos, odiaram-no e já não lhe podiam falar pacificamente.” (Gn 37.3-4)

O nascimento de José se deu em condições especiais, pois sua mãe Raquel era estéril. Depois de longa espera, humilhação e vergonha, em resposta ao seu clamor a Deus, Raquel concebeu (Gn 30.22-24). Sendo Raquel a esposa predileta de seu pai (Gn 29.30) e tendo ele vindo ao mundo por milagre divino, Jacó tratava José com predileção e distinção (Gn 37.3), o que provocava ciúme e rejeição por parte dos demais irmãos (Gn 37.4, 11).

A história de José é narrada a partir de Gênesis 37. Ainda muito jovem, com 17 anos, ele não estava isento do trabalho. Pastoreava os rebanhos da família com os demais irmãos. Desde o início temos a impressão de que a índole de José era piedosa, contrastando assim com a dos seus irmãos, bem conhecida principalmente no incidente com Diná (Gn 34). Como filho predileto, ele parece estar sempre disposto a defender os interesses do pai, denunciando corajosamente os erros de conduta dos irmãos, ainda que comprometendo o seu relacionamento com eles. No conceito dos irmãos José não devia passar de um sujeito mimado e “dedo duro”.

A vida de José é marcada por sonhos e interpretações de sonhos. As palavras “sonho” e “sonhos” aparecem aproximadamente 27 vezes (32 %) na história de José, 27 (32 %) em Daniel e 31 (36 %) outras vezes no restante da Bíblia, num total de 85 vezes.

Uma das definições de sonho é “conjunto de ideias e imagens que se apresentam ao espírito durante o sono” . Outra definição secular fala em “sequência de ideias vãs e incoerentes”.  Em Jó 33.14-24 Eliú, em seu discurso, diz que Deus fala aos homens por meio de sonhos (vv.15-16), por meio da dor (vv.19-22) e por meio de anjos (v.23). Quando o escritor de Hebreus diz que Deus falou de “muitas maneiras” certamente ele tinha em mente o “sonho”, canal bastante utilizado por Deus.

A mensagem profética contida nos dois sonhos de José estava muito além da compreensão deles e só fez agravar o  já crítico relacionamento familiar. De fato, Deus pretendia deixar bem claro que José haveria de ter proeminência sobre toda a casa de Jacó. No primeiro sonho, sobre seus irmãos, sendo cumprido em Gênesis 42.6, 9; 43.26; 44.14. No segundo, sobre seus  pais, sendo cumprido em Gênesis 47.11-12).

Não é difícil imaginar o quanto era aflitivo e angustiante para José ter que conviver, dia após dia, com o ódio e rejeição dos irmãos. Ódio esse tão exacerbado e ácido que os levaram a conspirar para o matar. Porém, Deus não o permitiu. Então, eles o lançaram numa cisterna e depois o venderam para uma caravana de ismaelitas que seguia para o Egito. Pode-se dizer que, nas suas mentes, eles o assassinaram.

Portanto, mesmo diante de tanto ódio e rejeição José não se deixou abater, não se tornou uma pessoa revoltada ou deprimida, não se prostrou derrotado diante das circunstâncias. Dia após dia ele procurava viver uma vida plena e em obediência ao seu pai. Quanto aos sonhos que tivera certamente ele não fazia ideia de que tudo aquilo fazia parte do plano de Deus para a sua realização.

Que tipo de rejeição você tem enfrentado em casa ou por causa da sua família? Não é o(a) filho(a) predileto(a) dos pais? Seu pai ou sua mãe ou ambos te abandonaram (literal ou emocionalmente)? São os erros ou a má fama de alguém de sua família? A condição social ou racial da sua família? Suas limitações ou deficiências ou deformidades físicas? Não encarne a posição de eterna vítima! Não viva murmurando! Firme-se em Deus e na força do seu poder. Mesmo quando você não estiver entendendo bem as circunstâncias adversas, siga em frente, espelhe-se em José!

2. RESILIÊNCIA DIANTE DA ESCRAVIDÃO

“José foi levado ao Egito, e Potifar, oficial de Faraó, comandante da guarda, egípcio, comprou-o dos ismaelitas que o tinham levado para lá. O SENHOR era com José, que veio a ser homem próspero; e estava na casa de seu senhor egípcio.” (Gn 39.1-2)

Assim que chegou ao Egito José foi comprado, como escravo, por Potifar, um oficial de Faraó. Não é fácil se colocar no lugar de José e perceber o impacto psicológico e emocional de deixar a casa paterna, onde ele era livre e o predileto do pai, para viver essa nova e terrível condição de escravo numa terra estrangeira. Na casa deste oficial ele progrediu admiravelmente, a ponto de ser promovido como administrador e mordomo de tudo o que tinha o seu senhor (Gn 39.1-6a). Mais uma vez é notório que José ressurgiu das cinzas, não se deixou abater, buscou forças em Deus e seguiu em frente. E Deus abençoou a casa de Potifar, por amor a José (Gn 39.5).

Que tipo de dificuldade você tem enfrentado na escola ou no seu local de trabalho? Sua condição social ou racial? Suas limitações ou deficiências ou deformidades físicas? Sua fé em Cristo? Sua postura, princípios e valores, hábitos e conduta de vida? Assédio moral ou sexual? Não encarne a posição de eterna vítima! Não viva murmurando! Firme-se em Deus e na força do seu poder. Mesmo quando você não estiver entendendo bem as circunstâncias adversas, siga em frente, espelhe-se em José!

3. RESILIÊNCIA DIANTE DA INJUSTIÇA

“José era formoso de porte e de aparência.” (Gn 39.6b)

Não é incomum encontrar na narrativa bíblica alguma referência ao aspecto físico de uma pessoa. Sara (Gn 12.11, 14), Rebeca (Gn 24.16; 26.7) e Raquel (Gn 29.17); bisavó, avó e mãe de José, respectivamente, também foram mencionadas como formosas. Assim como a beleza dessas suas ascendentes representou perigo para seus maridos diante de governantes estrangeiros, parece que a beleza (física e intelectual) de José despertou a atenção e o interesse da mulher do seu senhor. Sendo cotidianamente assediado sexualmente pela pérfida e mentirosa mulher de Potifar, José resistiu firmemente. É digno de destaque o seu argumento dirigido a ela, demonstrando seu inegociável respeito ao seu senhor e, acima de tudo, sua determinação de não pecar contra Deus (Gn 39.10). Sua fidelidade a Deus e ao seu senhor fizeram com que a mulher de Potifar armasse uma cena típica da dramaturgia moderna que a colocou no papel de vítima inocente e a José no papel de vilão pervertido. Assim, ele foi parar no cárcere do rei (Gn 39.10-20).

“O SENHOR, porém, era com José, e lhe foi benigno, e lhe deu mercê perante o carcereiro; o qual confiou às mãos de José todos os presos que estavam no cárcere; e ele fazia tudo quanto se devia fazer ali.” (Gn 39.21-22)

Parece que a frase “não existe nada tão ruim que não possa piorar” foi cunhada a partir da história de José. Diante do descalabro e da injustiça sofrida será que José ainda se lembrava dos sonhos que tivera? De onde poderia ele tirar forças para se reerguer diante de sua condição de privação da liberdade de ir e vir e da reputação assassinada por uma mentirosa? Estando no fundo do poço será que valeria a pena lutar ou era melhor se entregar de vez, deixando-se dominar pelo desânimo, depressão até à morte. É relevante observar que o Senhor Deus nunca o desamparou e lhe renovou as forças para continuar. Mas, será que haveria algo que pudesse despertar seu interesse dentro de um cárcere? Com a bênção divina José encontrou favor e amizade da parte do carcereiro-mor e este usou as habilidades do escravo encarcerado para ajudá-lo na administração daquele lugar (Gn 39.21-23).

José não poderia imaginar que aquele lugar seria o trampolim para a sua ascensão ao ponto mais alto da sua vida. Ali ele interpretou os sonhos de dois encarcerados que serviam ao rei do Egito (copeiro-chefe e padeiro-chefe) que se cumpriram. Restaurado às suas funções no palácio, durante dois anos o copeiro-chefe esqueceu-se de apelar em favor de José, conforme este lhe pedira. Mas José, não se deixou abater e nunca perdeu a esperança no seu Deus! (Gn 40).

Que tipo de injustiça você tem enfrentado na vida? Foi ou está sendo acusado(a) ou punido(a) por algo que não fez? Está sendo preterido de uma promoção no trabalho? Está se sentindo desprestigiado na igreja apesar de se desgastar na obra de Deus? Foi vítima de alguém e os responsáveis não estão tomando qualquer providência? Estão dando mais atenção a outros do que a você? Não adote aquela postura de vitimização permanente! Não viva murmurando! Firme-se em Deus e na força do seu poder. Mesmo quando você não estiver entendendo bem as circunstâncias adversas, siga em frente, espelhe-se em José!

4. O TRIUNFO DA RESILIÊNCIA DE JOSÉ

“Disse Faraó aos seus oficiais: Acharíamos, porventura, homem como este, em quem há o Espírito de Deus? Depois, disse Faraó a José: Visto que Deus te fez saber tudo isto, ninguém há tão ajuizado e sábio como tu. Administrarás a minha casa, e à tua palavra obedecerá todo o meu povo; somente no trono eu serei maior do que tu. Disse mais Faraó a José: Vês que te faço autoridade sobre toda a terra do Egito.” (Gn 41.38-41)

A fé é posta à prova nos inevitáveis e pedagógicos desafios da vida. Durante treze anos, dos 17 aos 30 anos,  José passou por uma série de tragédias pessoais (Gn 37.2; 41.46). Nas crises e angústias, as tentações são grandes; a tendência é queixar-se de Deus, acusar os outros e cair no desespero. José, porém, sofrendo injustamente e vivendo longe da casa paterna, continuava firme em sua fé e na fidelidade a Deus. E Deus estava com ele, na cisterna, na casa de Potifar e no cárcere.

A prosperidade e ascensão social podem ser consideradas outros tipos de tentação. Muitos crentes que progrediram na vida, intelectual e financeiramente, acabaram se desviando da fé. A promoção material induz a pessoa à ambição material, à negligência nos deveres espirituais e ao orgulho, julgando-se superior aos outros. José foi elevado ao posto de governador do Egito e não se afastou dos caminhos de Deus, conservando seu testemunho de fé e temor ao Senhor. É como disse Jesus: “….; foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor.” (Mt 25.21)

“Assim, não fostes vós que me enviastes para cá, e sim Deus, que me pôs por pai de Faraó, e senhor de toda a sua casa, e como governador em toda a terra do Egito.” (Gn 45.8)

José recebeu a missão divina de conservar a vida (Gn 45.5). A nação egípcia foi abençoada pela sua administração, bem como muitos povos foram beneficiados. Seus irmãos foram perdoados e por sua influência encontraram um lugar onde puderam morar em paz e segurança. Ali a nação de Israel floresceu. Deus estava no controle conduzindo toda a sua trajetória! Aleluia!

Conclusão

José, sem dúvida, deve ter ficado atordoado e perplexo, diante de situações catastróficas ao longo da sua vida. Primeiramente, no poço ou cisterna vazia, esperando a morte; depois vendido para ser escravo; mais tarde colocado na prisão devido a uma acusação falsa da mulher do seu senhor. Enquanto estava na prisão foi esquecido por um homem que ele ajudou e, por fim, foi elevado para ser o governador em toda a terra do Egito no tempo duma crise alimentar iminente.

É notório que sua fé se mantinha viva ou aumentava a cada prova. Deus nunca dá spoiler da trajetória ou curso da nossa vida! É preciso viver pela fé e na sua dependência. Não havia qualquer possibilidade dele entender o plano divino e como aqueles sonhos seriam concretizados.

Confiança nas circunstâncias variadas e às vezes, devastadoras, é constantemente exigido dos filhos de Deus. Não entendemos e não podemos entender completamente os propósitos de Deus, mas somos admoestados a continuar perseverantes no conhecimento de que Deus está no controle e nunca vai nos deixar e nem nos desamparar. No caso de José, as experiências contribuíram para o aprimoramento da sua fé. Isto aconteceu somente porque ele confiou em Deus em todos os momentos e circunstâncias, por mais variadas e instáveis que fossem. Seu exemplo se toma uma inspiração para nós quando o caminho parece escuro e incerto. Deus ainda está operando entre nós e continuará a realizar os seus propósitos!

Algumas das virtudes de José devem marcar a nossa vida e caminhada cristã: Temor a Deus, Fé Inabalável, Paciência, Perseverança, Caráter ilibado, Coragem, Humildade, Honestidade, Espírito Perdoador, Amor, Generosidade e Misericórdia. José é um bom exemplo de pessoa que se tornou bênção nas mãos de Deus: no lar, na casa de Potifar, no cárcere e no governo. Deve inspirar o crente em qualquer circunstância: nos afazeres comuns, no exercício da profissão, nas provações ou circunstâncias adversas ou nas posições de maior destaque.

Finalmente, o que dizer dos seus sonhos? O poeta do soneto inicialmente mencionado tem ou não razão? Você teve ou tem sonhos? Os seus sonhos são apenas seus ou também são os sonhos de Deus? “Ninguém pode realizar grandes obras sem ser um sonhador. O espírito humano concebe as coisas do futuro. Os pais sonham carreiras para os seus filhos; eles sonham o que estes serão em suas vidas. Isto é bom, desde que seja para a glória de Deus.” (Jabes Lopes de Souza)

“Se você, meu irmão, é capaz de sonhar, como sonhou José, vendo o invisível e esperando o amanhã radiante que a próxima alvorada trará, mesmo que primeiramente tenha de passar pela provação, porém não permitindo que a fantasia, a utopia, se aninhem na mente, de tal maneira que os planos do Senhor se tornem secundários. Certamente você é um servo de Deus, e sobre você está a unção do Altíssimo.” (Pr. Amaury de Souza Jardim – adaptado)

………………………….

Para reflexão

Dentre as muitas lições que podemos extrair da história de José, mencionamos apenas algumas:

– Poligamia gera confusão e desarmonia.
– Predileção por filhos produz desagregação familiar.
– Deus é soberano para levantar líderes que cumpram uma missão específica.
– A inveja é voraz e destruidora.
– Os métodos de Deus desafiam a lógica humana.


Veja, também o Estudo: JOSÉ, um tipo de Cristo

Refletindo sobre a Fé

“Ora, a fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não vêem.” (Hb 11.1)

Vale lembrar que:

Somente crer: é assentimento ou concordância mental.

Somente obedecer: é automatismo ou irracionalidade.

: significa crer e obedecer.

Muito se pode falar sobre a fé. Nada mais oportuno e apropriado do que conferir diretamente na fonte. O que a Bíblia (Novo Testamento) nos ensina sobre a Fé?

01. Fé como crença num “sistema religioso” (1Co 16.13; Cl 2.7; Tt 1.4; Gl 1.23; Fp 1.27; Jd 1.3).

“Sede vigilantes, permanecei firmes na fé, portai-vos varonilmente, fortalecei-vos.” (1Co 16.13)

“nele radicados, e edificados, e confirmados na fé, tal como fostes instruídos, crescendo em ações de graças.” (Cl 2.7)

“a Tito, verdadeiro filho, segundo a fé comum, graça e paz, da parte de Deus Pai e de Cristo Jesus, nosso Salvador.” (Tt 1.4)

“Ouviam somente dizer: Aquele que, antes, nos perseguia, agora, prega a fé que, outrora, procurava destruir.” (Gl 1.23)

“Vivei, acima de tudo, por modo digno do evangelho de Cristo, para que, ou indo ver-vos ou estando ausente, ouça, no tocante a vós outros, que estais firmes em um só espírito, como uma só alma, lutando juntos pela fé evangélica;” (Fp 1.27)

“resisti-lhe firmes na fé, certos de que sofrimentos iguais aos vossos estão-se cumprindo na vossa irmandade espalhada pelo mundo.” (1Pe 5.9)

“Amados, quando empregava toda a diligência em escrever-vos acerca da nossa comum salvação, foi que me senti obrigado a corresponder-me convosco, exortando-vos a batalhardes, diligentemente, pela fé que uma vez por todas foi entregue aos santos.” (Jd 1.3)

02. Fé num sentido pessoal (Mt 15.28; Mc 11.22; Lc 17.5; Rm 14.22).

“Então, lhe disse Jesus: Ó mulher, grande é a tua fé! Faça-se contigo como queres. E, desde aquele momento, sua filha ficou sã.” (Mt 15.28)

“Ao que Jesus lhes disse: Tende fé em Deus;” (Mc 11.22)

“Então, disseram os apóstolos ao Senhor: Aumenta-nos a fé.” (Lc 17.5)

“A fé que tens, tem-na para ti mesmo perante Deus. Bem-aventurado é aquele que não se condena naquilo que aprova.” (Rm 14.22)

03. Fé e suas gradações:

– Ausente (Mc 4.40; 9.24)

“Então, lhes disse: Por que sois assim tímidos?! Como é que não tendes fé?” (Mc 4.40)

“E imediatamente o pai do menino exclamou com lágrimas: Eu creio! Ajuda-me na minha falta de fé!” (Mc 9.24)

“De fato, sem fé é impossível agradar a Deus, porquanto é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe e que se torna galardoador dos que o buscam.” (Hb 11.6)

– Débil (Rm 14.1)

  “Acolhei ao que é débil na fé, não, porém, para discutir opiniões.” (Rm 14.1)

– Pode crescer (2Co 10.15)

“não nos gloriando fora de medida nos trabalhos alheios e tendo esperança de que, crescendo a vossa fé, seremos sobremaneira engrandecidos entre vós, dentro da nossa esfera de ação,” (2Co 10.15)

– Oração para aumentar (Lc 17.5)

“Então, disseram os apóstolos ao Senhor: Aumenta-nos a fé.” (Lc 17.5)

– Pequena (Mt 8.26; 16.8; 17.20)

“Perguntou-lhes, então, Jesus: Por que sois tímidos, homens de pequena fé? E, levantando-se, repreendeu os ventos e o mar; e fez-se grande bonança.” (Mt 8.26)

“Percebendo-o Jesus, disse: Por que discorreis entre vós, homens de pequena fé, sobre o não terdes pão?” (Mt 16.8)

“E ele lhes respondeu: Por causa da pequenez da vossa fé. Pois em verdade vos digo que, se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a este monte: Passa daqui para acolá, e ele passará. Nada vos será impossível.” (Mt 17.20)

– Grande (Mt 8.10; 15.28; 1Co 13.2)

“Ouvindo isto, admirou-se Jesus e disse aos que o seguiam: Em verdade vos afirmo que nem mesmo em Israel achei fé como esta.” (Mt 8.10)

“Então, lhe disse Jesus: Ó mulher, grande é a tua fé! Faça-se contigo como queres. E, desde aquele momento, sua filha ficou sã.” (Mt 15.28)

“Ainda que eu tenha o dom de profetizar e conheça todos os mistérios e toda a ciência; ainda que eu tenha tamanha fé, a ponto de transportar montes, se não tiver amor, nada serei.” (1Co 13.2)

– Plena (At 6.5; 11.24)

“O parecer agradou a toda a comunidade; e elegeram Estêvão, homem cheio de fé e do Espírito Santo, Filipe, Prócoro, Nicanor, Timão, Pármenas e Nicolau, prosélito de Antioquia.” (At 6.5)

“Porque era homem bom, cheio do Espírito Santo e de fé. E muita gente se uniu ao Senhor.” (At 11.24)

– Pode desfalecer (Lc 22.32; At 14.22)

“Eu, porém, roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça; tu, pois, quando te converteres, fortalece os teus irmãos.” (Lc 22.32)

“fortalecendo a alma dos discípulos, exortando-os a permanecer firmes na fé; e mostrando que, através de muitas tribulações, nos importa entrar no reino de Deus.” (At 14.22)

Morta (Tg 2.17)

“Assim, também a fé, se não tiver obras, por si só está morta.” (Tg 2.17)

04. Fé e suas características/potencialidades:

– É “visível” (Mt 9.2 – paralítico levado por quatro; Tg 2.18)

“E eis que lhe trouxeram um paralítico deitado num leito. Vendo-lhes a fé, Jesus disse ao paralítico: Tem bom ânimo, filho; estão perdoados os teus pecados.” (Mt 9.2)

“Mas alguém dirá: Tu tens fé, e eu tenho obras; mostra-me essa tua fé sem as obras, e eu, com as obras, te mostrarei a minha fé.” (Tg 2.18)

– Justifica (Rm 3.28, 30; 5.1; Gl 2.16; 3.8)

“Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé, independentemente das obras da lei. visto que Deus é um só, o qual justificará, por fé, o circunciso e, mediante a fé, o incircunciso.” (Rm 3.28, 30)

“Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo;” (Rm 5.1)

“sabendo, contudo, que o homem não é justificado por obras da lei, e sim mediante a fé em Cristo Jesus, também temos crido em Cristo Jesus, para que fôssemos justificados pela fé em Cristo e não por obras da lei, pois, por obras da lei, ninguém será justificado.” (Gl 2.16)

“Ora, tendo a Escritura previsto que Deus justificaria pela fé os gentios, preanunciou o evangelho a Abraão: Em ti, serão abençoados todos os povos.” (Gl 3.8)

– Salva (Lc 17.19; Ef 2.8)

“E disse-lhe: Levanta-te e vai; a tua fé te salvou.” (Lc 17.19)

“Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus;” (Ef 2.8 – com certeza a salvação é dom ou dádiva de Deus)

– Nos torna filhos de Deus (Gl 3.26)

“Pois todos vós sois filhos de Deus mediante a fé em Cristo Jesus;” (Gl 3.26)

– Ressuscita para uma nova vida (Cl 2.12)

“tendo sido sepultados, juntamente com ele, no batismo, no qual igualmente fostes ressuscitados mediante a fé no poder de Deus que o ressuscitou dentre os mortos.” (Cl 2.12)

– Purifica (At 15.9)

“E não estabeleceu distinção alguma entre nós e eles, purificando-lhes pela fé o coração.” (At 15.9)

– Santifica (At 26.18)

“para lhes abrires os olhos e os converteres das trevas para a luz e da potestade de Satanás para Deus, a fim de que recebam eles remissão de pecados e herança entre os que são santificados pela fé em mim.” (At 26.18)

– Alimenta (1Tm 4.6)

“Expondo estas coisas aos irmãos, serás bom ministro de Cristo Jesus, alimentado com as palavras da fé e da boa doutrina que tens seguido.” (1Tm 4.6)

– Protege (Ef 6.16)

“embraçando sempre o escudo da fé, com o qual podereis apagar todos os dardos inflamados do Maligno.” (Ef 6.16)

Cura (At 3.16; 14.9)

“Pela fé em o nome de Jesus, é que esse mesmo nome fortaleceu a este homem que agora vedes e reconheceis; sim, a fé que vem por meio de Jesus deu a este saúde perfeita na presença de todos vós.” (At 3.16)

“Esse homem ouviu falar Paulo, que, fixando nele os olhos e vendo que possuía fé para ser curado,” (At 14.9)

– Vence o mundo (1Jo 5.4)

“porque todo o que é nascido de Deus vence o mundo; e esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé.” (1Jo 5.4)

05. Fé em Jesus Cristo ou por meio de Jesus Cristo (At 3.16; Rm 5.2; Hb 12.2; Cl 1.4)

“Pela fé em o nome de Jesus, é que esse mesmo nome fortaleceu a este homem que agora vedes e reconheceis; sim, a fé que vem por meio de Jesus deu a este saúde perfeita na presença de todos vós.” (At 3.16)

“por intermédio de quem obtivemos igualmente acesso, pela fé, a esta graça na qual estamos firmes; e gloriamo-nos na esperança da glória de Deus.” (Rm 5.2)

“olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus, o qual, em troca da alegria que lhe estava proposta, suportou a cruz, não fazendo caso da ignomínia, e está assentado à destra do trono de Deus.” (Hb 12.2)

“desde que ouvimos da vossa fé em Cristo Jesus e do amor que tendes para com todos os santos;” (Cl 1.4)

06. Fé pela pregação e pregação da fé (Rm 10.17; Gl 3.2)

“E, assim, a fé vem pela pregação, e a pregação, pela palavra de Cristo.” (Rm 10.17)

“Quero apenas saber isto de vós: recebestes o Espírito pelas obras da lei ou pela pregação da fé?” (Gl 3.2)

07. Fé como dom espiritual repartido por Deus (Rm 12.3; 1Co 12.9)

“Porque, pela graça que me foi dada, digo a cada um dentre vós que não pense de si mesmo além do que convém; antes, pense com moderação, segundo a medida da fé que Deus repartiu a cada um.” (Rm 12.3)

“a outro, no mesmo Espírito, a fé; e a outro, no mesmo Espírito, dons de curar;” (1Co 12.9)

08. Fé que se apoia no poder de Deus (1Co 2.5)

“para que a vossa fé não se apoiasse em sabedoria humana, e sim no poder de Deus.” (1Co 2.5)

09. Fé que é estilo de vida – “o justo viverá por fé” (Rm 1.17; 2Co 5.7; Gl 2.20; Gl 3.11; Hb 10.38)

“visto que a justiça de Deus se revela no evangelho, de fé em fé, como está escrito: O justo viverá por fé.” (Rm 1.17)

“visto que andamos por fé e não pelo que vemos.” (2Co 5.7)

“logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim.” (Gl 2.20)

“E é evidente que, pela lei, ninguém é justificado diante de Deus, porque o justo viverá pela fé.” (Gl 3.11)

“todavia, o meu justo viverá pela fé; e: Se retroceder, nele não se compraz a minha alma.” (Hb 10.38)

10. Fé que é única e que busca a unidade (Ef 4.5, 4.13)

“há um só Senhor, uma só fé, um só batismo;” (Ef 4.5)

“Até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo,” (Ef 4.13)

11. Fé a ser imitada (Hb 13.7)

“Lembrai-vos dos vossos guias, os quais vos pregaram a palavra de Deus; e, considerando atentamente o fim da sua vida, imitai a fé que tiveram.” (Hb 13.7)

12. Fé que é provada e aprovada (1Pe 1.7)

“para que, uma vez confirmado o valor da vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro perecível, mesmo apurado por fogo, redunde em louvor, glória e honra na revelação de Jesus Cristo;” (1Pe 1.7)

Falar em Línguas – Dom de Línguas

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(Última atualização: 05/01/2022)

A conversão de Cornélio (Parte 3)

Parte 3: A Defesa de Pedro (At 11.1-18)

  • A reação ao ocorrido (vv.1-3)

1  Chegou ao conhecimento dos apóstolos e dos irmãos que estavam na Judéia que também os gentios haviam recebido a palavra de Deus.

O que aconteceu na casa de Cornélio não passou despercebido, nem em Cesaréia, nem no restante da Palestina. Foi um acontecimento singular, incomum e sobrenatural; não foi o primeiro, nem seria o último. O livro de Atos registra cinco “derramamentos” ou “batismos” do Espírito Santo que testificam a participação divina na história do cristianismo, além de selar, desta forma, o progressivo avanço da igreja. São eles:

– O “Pentecostes apostólico” (At 2.1-13) (Línguas)
– O “Pentecostes eclesiástico” (At 4.31)
– O “Pentecostes samaritano” (At 8.14-17)
– O “Pentecostes gentílico” (At 10.44-47) (Línguas)
– O “Pentecostes efésio” (At 19.1-7) (Línguas)

Todos sabemos que o Pentecostes de Atos 2 foi único no sentido de marcar o início de uma nova época, o início da igreja de Cristo. Vale lembrar o que disse Merrill Unger: “Pentecostes não pode ser repetido assim como a criação do mundo ou do homem; é de uma vez para sempre, como a encarnação e morte, ressurreição e ascensão de Cristo. Isto vem dos seguintes fatos: (1) O Espírito de Deus só poderia vir, chegar e fazer morada na igreja uma vez, o que fez no Pentecostes. (2) O Espírito de Deus só poderia ser dado, recebido e depositado na igreja uma vez e isso aconteceu no Pentecostes. (3) O evento ocorreu num tempo específico (Atos 2.1), cumprindo um tipo específico do Antigo Testamento (Levítico 23.15-22), num lugar específico (Jerusalém, cf.  Lucas 24.49), sobre uns poucos específicos (Atos 1.13-14), para um propósito específico (1Corintians 12.12-20), a fim de introduzir uma nova ordem. O evento não constituía de fatores contínuos e recorrentes da nova ordem uma vez instituída.”. Com a devida licença  teológica, estas cinco ocorrências parecem testificar a forma de avanço do evangelho expressa em Atos 1.8: “…e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém, como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra”. Entretanto, parece que isto não estava muito claro na mente dos apóstolos e cristãos judeus.   

2  Quando Pedro subiu a Jerusalém, os que eram da circuncisão o arguiram, dizendo: 3  Entraste em casa de homens incircuncisos e comeste com eles.

O registro bíblico não deixa claro que Pedro tenha sido expressamente convocado a ir a Jerusalém para se explicar. O fato é que quando lá chegou ele foi questionado pelos legalistas e defensores da circuncisão. Pela pergunta feita a Pedro parece que aquilo que chegou até estes inquisidores foi uma versão reduzida ou recortada do ocorrido. Outra opção de interpretação é que, de tudo quanto tomaram conhecimento, o que mais lhes interessava ou importava ou incomodava foi a aproximação de Pedro de gentios, rompendo padrões ou tradições ou tabus judaicos.  

  • As explicações de Pedro (vv.4-17)

4  Então, Pedro passou a fazer-lhes uma exposição por ordem, dizendo:

Não há dúvida de que Pedro precisava contar toda a história para convencê-los de que não havia cometido qualquer transgressão. Pode-se dizer que a tarefa de Lucas, o escritor de Atos, neste ponto, veio bem ao encontro do seu estilo e vocação: “igualmente a mim me pareceu bem, depois de acurada investigação de tudo desde sua origem, dar-te por escrito, excelentíssimo Teófilo, uma exposição em ordem,” (Lc 1.3).

5  Eu estava na cidade de Jope orando e, num êxtase, tive uma visão em que observei descer um objeto como se fosse um grande lençol baixado do céu pelas quatro pontas e vindo até perto de mim.
6  E, fitando para dentro dele os olhos, vi quadrúpedes da terra, feras, répteis e aves do céu.
7  Ouvi também uma voz que me dizia: Levanta-te, Pedro! Mata e come.
8  Ao que eu respondi: de modo nenhum, Senhor; porque jamais entrou em minha boca qualquer coisa comum ou imunda.
9  Segunda vez, falou a voz do céu: Ao que Deus purificou não consideres comum.
10  Isto sucedeu por três vezes, e, de novo, tudo se recolheu para o céu.
11  E eis que, na mesma hora, pararam junto da casa em que estávamos três homens enviados de Cesaréia para se encontrarem comigo.

A história contada aqui por Pedro é praticamente idêntica ao que foi narrado anteriormente, inclusive, no versículo 11, consta o detalhe de que ali chegaram exatamente aqueles três os homens que foram enviados por Cornélio: “dois dos seus domésticos e um soldado piedoso” (At 10.7).   

12  Então, o Espírito me disse que eu fosse com eles, sem hesitar. Foram comigo também estes seis irmãos; e entramos na casa daquele homem.

Temos aqui outro detalhe adicional que é o de Pedro ter sido acompanhado por seis irmãos ali de Jope, quantidade essa bastante significativa. Anteriormente não fora dito a quantidade desses irmãos (At 10.23).

13  E ele nos contou como vira o anjo em pé em sua casa e que lhe dissera: Envia a Jope e manda chamar Simão, por sobrenome Pedro,
14  o qual te dirá palavras mediante as quais serás salvo, tu e toda a tua casa.

Depreende-se, de toda a narrativa, que Lucas, o escritor deste Livro, deve ter tido a intenção de ir acrescentando os detalhes gradativamente. Na primeira menção ao que o anjo disse a Cornélio é revelado que ele apenas deveria mandar chamar Pedro (At 10.6). Ao relatar aquela visão, Cornélio ratifica essa versão (At 10.33). Agora, em sua exposição do que o anjo falou, Pedro traz à luz algo extremamente relevante, provavelmente já interpretando a verdadeira razão dele ter sido chamado para essa missão: “o qual te dirá palavras mediante as quais serás salvo, tu e toda a tua casa”. Essa explicação de Pedro deixa muito claro o que já afirmamos anteriormente, a saber, que Cornélio era tão somente um homem piedoso e religioso que precisava de salvação, bem como as pessoas da sua casa – “pois fostes regenerados não de semente corruptível, mas de incorruptível, mediante a palavra de Deus, a qual vive e é permanente.” (1Pe 1.23); “E, assim, a fé vem pela pregação, e a pregação, pela palavra de Cristo.” (Rm 10.17). A salvação é individual, não é por atacado. Fica claro o propósito divino de alcançar muitas vidas ali para a salvação eterna.

15  Quando, porém, comecei a falar, caiu o Espírito Santo sobre eles, como também sobre nós, no princípio.
16  Então, me lembrei da palavra do Senhor, quando disse: João, na verdade, batizou com água, mas vós sereis batizados com o Espírito Santo.
17  Pois, se Deus lhes concedeu o mesmo dom que a nós nos outorgou quando cremos no Senhor Jesus, quem era eu para que pudesse resistir a Deus?

Já tivemos a oportunidade de comentar esta narrativa sobre a descida do Espírito Santo em Atos 10.44-46. Vale destacar aqui a percepção de tudo aquilo por parte de Pedro:

1º) A manifestação do Espírito Santo foi algo involuntário, inesperado, não programado e não ocorrido como resposta a um clamor. Portanto, foi algo que transcendeu à vontade ou intenção humanas.

2º) Foi semelhante ao que já havia acontecido no princípio com eles (judeus), provavelmente no Pentecostes (At 2.1-13). Isso deveria levá-los a entender que Deus não fazia distinção entre judeus e gentios, pois Cristo veio para ambos.

3º) Foi o cumprimento da promessa de Cristo quanto a um batismo diferente, com o Espírito Santo. Desta forma, depreende-se que o ato de “cair sobre” (movimento de cima para baixo) foi interpretado como “batismo”.

4º) Que o dom ou dádiva do Espírito Santo está associado ao crer.

5º) Que precisamos estar atentos para discernir os sinais, interpretando-os à luz do contexto bíblico, para não nos acharmos na contramão da vontade de Deus.

  • O desfecho conciliador (v.18)

18  E, ouvindo eles estas coisas, apaziguaram-se e glorificaram a Deus, dizendo: Logo, também aos gentios foi por Deus concedido o arrependimento para vida.

Percebe-se que, inicialmente, os ânimos estavam acirrados e contrários à atitude de Pedro se aproximando dos gentios. Entretanto, a igreja judaica reunida, finalmente se deu conta de que novos tempos eram chegados. A atuação eficaz do Espírito permitiu-lhes perceber que Jesus é o Salvador de todos os que creem na sua obra redentora, tornando-se assim membros do seu corpo – a Igreja Invisível.

Veja também:


Parte 1: O Chamado de Pedro (At 10.1-23)
Parte 2: A Pregação de Pedro (At 10.24-48)

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