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A santidade e a misericórdia

Textos Base: Levíticos 20.26; Colossenses 1.21-23

Introdução:

O tema deste estudo é interessante e desafiador, como sempre. Mas, o que o cristão tem a ver com palavras como “santo ou santa”, “santidade”, “santificar” e “santificação”, de um lado, e, “misericórdia”, do outro?  Desde o início da história da religião, expressões como “santo” e “sagrado” denotavam, por parte do ser humano, a esfera do “poder” (superior ou divino), o que era considerado por ele, de certa forma, como algo ameaçador e temível. O oposto a “santo” era, e é, o “profano”, ou seja, aquilo que ficava fora do âmbito divino, a esfera da vida humana. Então, as raízes da religião se acham nos esforços despendidos pelo homem para agradar esse poder superior e temível, bem como para separar o que é “santo”, mediante práticas cultuais e rituais, da profanação e contaminação causadas por coisas profanas.

Os gregos empregavam três grupos de palavras diferentes para expressar aquilo que é “santo”: hieros, com seus numerosos derivados, denota aquilo que é essencialmente “santo”, o “poder divino”, ou aquilo que era consagrado àquele – “santuário”, “sacrifício” e “sacerdote”; diferentemente, hagios (o grupo de palavras mais frequente no NT e que vamos abordar aqui) contém um elemento ético; e, hosios, nesta mesma linha, de um lado, indica o mandamento e a providência divinos, do outro, a obrigação e moralidade humanas. Os gregos também empregavam três palavras diferentes para expressar misericórdia, compaixão, dó e “dor no coração”: eleos, oiktirmos e splanchna.

Neste estudo aula vamos examinar a questão da santidade, no Antigo Testamento (AT) e no Novo Testamento (NT), bem como o lugar da misericórdia no plano de Deus. Inicialmente é importante nos familiarizamos com algumas definições. Santo ou santa, como substantivos, se referem a seres e pessoas diferenciados e especiais, que se elevam acima dos demais, bem como a coisas e lugares sagrados ou consagrados ao culto ou à divindade; como adjetivos, se referem a qualidades ou virtudes. Santidade é o estado do que é santo. Santificar é tornar(-se) santo. Santificação é o ato ou efeito de santificar, de tornar(-se) santo. Santuário é o lugar sagrado, santo, dedicado ao culto ou cerimônias de uma religião (templo etc).

Desenvolvimento:

1. A SANTIDADE NO AT

Nossos primeiros pais tiveram contato direto com esse “ser santo”, o poder criador e sustentador de todas as coisas. Ao desobedece-lo, experimentaram seu poder, seu juízo e a separação dele (morte espiritual). No AT percebe-se a intenção explícita de ensinar que o “santo” deve ser tratado diferentemente do “profano”: “para fazerdes diferença entre o santo e o profano e entre o imundo e o limpo” (Lv 10.10; comp. Ez 22.26; 42.20 e 44.23). Algumas vezes, pessoas tiveram que pagar com a vida, por não distinguirem o santo do profano, como no caso dos 70 homens de Bete-Semes, que olharam para dentro da arca do Senhor. “Então, disseram os homens de Bete-Semes: Quem poderia estar perante o SENHOR, este Deus santo? E para quem subirá desde nós?” (1Sm 6.19-20). A relação sexual, no âmbito do casamento, não é imoral ou impura, em si; pelo contrário, é um presente de Deus para o casal. Entretanto, havia o entendimento de que deveria ser evitada, como forma de preparo para se entrar em contato com aquele ou aquilo que é santo (Êx 19.15; 1Sm 21.4).

São mencionados no AT como sendo “santo(s)” ou “santa(s)”:

a) O próprio Deus – “este Deus santo” (1Sm 6.19-20). Também é chamado de o “Santo de Israel” (Is 31.1). Nenhum outro deus é santo como ele (1Sm 2.2). O seu nome era santo e não devia ser pronunciado em vão (Êx 20.7; Lv 20.3).

b) Os seres celestiais são santos (Jó 5.1; Dn 4.13, 23; 8.13).

c) A terra onde se pisa, na presença divina ou celestial é santa (Ex 3.5; Js 5.15). Onde o Senhor habita é santo lugar (Sl 24.3-4).

d) O profeta Eliseu foi identificado, pela sunamita, como “santo homem de Deus” (2Rs 4.9). Arão, foi chamado “o santo do Senhor” (Sl 106.16). Sansão, como “nazireu de Deus”, neste mesmo sentido é santo (Jz 13.7; 16.17; Nm 6.5, 8).

e) O povo de Israel é considerado como o “povo santo ao Senhor”, por ele mesmo escolhido e separado dos demais (Dt 7.6; 14.2, 21; 26.19). Entretanto, nem todos, do povo, eram santos, como Coré, Datã e Abirão tentaram argumentar (Nm 16.3-5). Essa santidade demandava a guarda dos mandamentos e o andar nos caminhos do Senhor (Dt 28.9).

f) Os primogênitos (homem, gado, ovelha, cabra) são santos (Ex 13.2; Nm 18.17).

g) Havia lugares santos (Sl 74.8; Ez 7.24) e montes santos (Sl 87.1).

h) Tudo quanto pertence ao âmbito do culto ou é apresentado a Deus é santo:

  • O santo templo do Senhor (Sl 5.7).
  • O sacerdote é santo (Lv 21.7-8).
  • O pão da proposição do tabernáculo e do templo é chamado de pão sagrado ou santo (1Sm 21.4); bem como os animais e as carnes consagradas (Êx 29.34; Lv 23.20; 27.9-10).
  • A arca, os altares e seus utensílios (2Cr 8.11).
  • O óleo da unção, o incenso, a água santa (Êx 30.32; 30.34-35; Nm 5.17).
  • O dinheiro do templo é santo (Êx 28.2; Ed 8.28).
  • As vestes santas dos sacerdotes (Êx 28.2; 29.29);
  • A lâmina no peitoral do sumo sacerdote, continha a inscrição: “Santidade ao Senhor”.
  • O sábado do descanso e dedicação ao Senhor é santo (Êx 16.23; 31.14-15; 35.2). O jubileu é santo (Lv 25.120.
  • A colheita a ser ofertada ao Senhor é santa (Lv 19.24).
  • O dízimo é santo (Lv 27.32).
  • O santo jejum (Jl 1.14; 2.15).

Havia, também, o processo de se “tornar santo” ou “santificar(-se)”:

a) Após ter sido excluído da comunidade por causa da impureza (2Sm 11.4).

b) Quando se entrava em contato com Deus (Êx 19.10; 1Sm 21.5; 1Sm 16.5).

c) Na consagração de levitas ao sacerdócio (1Sm 7.1).

d) Na consagração de coisas a Deus (prata – Js 6.19; Jz 17.3; o átrio do templo – 1Rs 8.64).

e) Havia a “transferência da santidade” pelo tato (Êx 29.37; 30.29; Lv 6.18). Da mesma forma, a impureza também é transferível (Ag 2.11).

É no livro do profeta Isaías que encontramos a tríplice aclamação dos Serafins ao Deus três vezes Santo: “E clamavam uns para os outros, dizendo: Santo, santo, santo é o SENHOR dos Exércitos; toda a terra está cheia da sua glória.” (Is 6.3). Diante da visão dessa perfeita santidade divina, qualquer ser humano, inclusive o profeta Isaías, não tem como deixar de reconhecer sua impureza e pequenez. Assim, resta-lhe clamar e submeter-se ao processo de purificação que procede do altar. (Is 6.3-7).  A santidade de Deus requer a santidade da pessoa que dele se aproxima e do povo chamado pelo seu nome: “Fala a toda a congregação dos filhos de Israel e dize-lhes: Santos sereis, porque eu, o SENHOR, vosso Deus, sou santo.” (Lv 19.2; comp. Lv 11.44-45; 20.7, 26). É através da Lei Mosaica que Deus outorga, também, a “Lei da Santidade”. Visto que a pureza é a característica apropriada de tudo quanto é santo, é dever de todo participante do culto ser puro (santificar-se).

2. A SANTIDADE NO NT

Quando examinamos esse assunto no NT constatamos que a ênfase na santidade continua, porém, com contornos diferentes do AT. O Deus Criador e Deus de Israel, referido no AT como “o Santo” (Is 5.16; 40.25; Os 11.9, 12 e Hc 3.3 – 5 vezes) ou o “Santo de Israel/Jacó” (33 vezes), raramente é descrito assim no NT (Jo 17.11; 1Pe 1.15-16; Ap 4.8 e 6.10 – 4 vezes). Numa dessas citações, também ele é aclamado continuamente pelos quatro seres viventes, como Santo, Santo, Santo (Ap 4.8; comp. Is 6.3). As expressões “Santo nome” ou “nome Santo”, atribuídas a Deus, ocorrem cerca de 23 vezes, no AT; enquanto nenhuma, no NT. Entretanto, no NT, Deus, a primeira pessoa da trindade, é apresentado como “Pai” (cerca de 259 vezes), contrastando com o AT, quando assim foi referido menos de 20 vezes. Da mesma forma, o “Espírito Santo”, a segunda pessoa da trindade, no NT é citado cerca de 104 vezes (Espírito Santo, Santo Espírito ou Espírito de Deus), enquanto no AT, cerca de 17 vezes. Por sua vez, Jesus, a terceira pessoa da trindade, o Deus encarnado, é mencionado no NT, como o “Santo” (de Deus) cerca de 6 vezes (Mc 1.24; Lc 4.34; Jo 6.69; At 3.14; Ap 3.7; 16.5).

Outros aspectos de contraste interessantes, envolvendo a palavra “santo” no AT e no NT, são:

a) “santo monte” ou “monte santo”, o lugar da “habitação do Deus Santo”, é citado 24 vezes, no AT e 1 vez, no NT (2Pe 18). É notável como no NT Jesus se desloca frequentemente para os montes, principalmente para orar.

b) “lugar santo” ou “santo lugar”, é mencionado 31 vezes, no AT e, 4 vezes, no NT, normalmente citando o AT.

c) “templo santo” ou “santo templo” é citado 10 vezes, no AT e nenhuma, no NT. “Santuário” é uma palavra que ocorre cerca de 161 vezes no AT, se referindo ao Tabernáculo, ao Templo de Jerusalém ou ao celestial ou a um novo templo, mas não a uma pessoa. Já no NT a palavra santuário aparece apenas 46 vezes, sendo que por 9 vezes referindo-se a pessoas (Jesus, 3 vezes e os cristãos, 6 vezes). Portanto, no NT, a principal habitação de Deus não é mais um monte, ou um lugar ou um templo físico. O lugar em que Deus deseja habitar e tornar santo é o coração humano e, por extensão a igreja, como o corpo de Cristo: “Respondeu Jesus: Se alguém me ama, guardará a minha palavra; e meu Pai o amará, e viremos para ele e faremos nele morada.” (Jo 14.23); “no qual também vós juntamente estais sendo edificados para habitação de Deus no Espírito.” (Ef 2.22); “Não sabeis que sois santuário de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?” (1Co 3.16; ver tb 1Co 3.17; 6.19; 2Co 6.16).

Do exposto acima, já se pode deduzir que o conceito neotestamentário de santidade é determinado em conformidade com o Espírito Santo, a dádiva da Nova Aliança. Em decorrência disso, a esfera apropriada daquilo que é santo, no NT, não é a ritual e física. O sagrado já não pertence a coisas, a lugares ou a ritos, mas, sim, às manifestações da vida que o Espírito Santo produz. A santificação, no NT, não se dá pelo “tato” (tocar objetos “santos”), mas, pode ocorrer pelo convívio com pessoas santas (1Co 7.14). Tudo isso porque o AT serviu como figura e sombra das coisas que haviam de vir (Cl 2.16-17).

São mencionados no NT como sendo “santo(s)” ou “santa(s)”, quando não estão se referindo ao AT:

a) O nome de Deus é chamado “santo” (Lc 1.49).

b) Os anjos são santos (Mc 8.38; Lc 9.26; At 10.22; Jd 14; Ap 14.10).

c) Os profetas são santos (Lc 1.70; At 3.21; 2Pe 3.2).

d) Os apóstolos são santos (Ef 3.5).

e) A sua Aliança é santa (Lc 1.72). A lei é santa (Rm 7.12).

f) As Escrituras são sagradas (santas) (Rm 1.2; 2Tm 3.15).

g) Mãos santas (1Tm 2.8).

h) Igreja santa (Ef 5.27).

i) Santa vocação (2Tm 1.9).

A Igreja Católica Romana preserva muito da tradição vétero-testamentária (judaísmo), dando ênfase a santificação de coisas e determinadas pessoas; canonizando “santos” em face das suas obras e enfatizando as obras como meio de graça (sacramentos, confissão auricular, penitências, indulgências, relíquias, formas de piedade e purgatório). Contrariamente a tudo isso, no NT, o Deus Santo e quase inatingível, que está no seu alto e sublime trono, vem ao encontro e se aproxima do pecador, em Cristo, o Deus encarnado. Este traz o Evangelho, as boas novas de salvação e graça. Assim, através da redenção e dos méritos de Cristo, os pecadores arrependidos são regenerados e habitados pelo Espírito Santo, tornando-se santos. Além da designação de “irmãos” (225 vezes), é significativo que os remidos por Cristo são mencionados, predominantemente, no NT (a partir do Livro de Atos), individualmente ou coletivamente, não como os “do caminho” (1 vez), ou “cristãos” (3 vezes), ou “fiéis” (7 vezes), ou “eleitos” (8 vezes), ou “crentes” (9 vezes), ou “chamados” (14 vezes), ou “servos” (30 vezes), ou “amados” (31 vezes) mas, para surpresa de muitos, como “santos” (66 vezes)! E, Jesus, foi chamado “santo Servo” (At 4.27, 30), tornando-se, assim, o nosso paradigma.

Infelizmente, alguns grupos chamados de cristãos, ainda não entenderam a eclesiologia do NT, alicerçada no sacerdócio universal dos crentes (santos), cuja governança é exercida pelos presbíteros (docentes e regentes). Antes, preservam a estrutura “hierárquica” do judaísmo do AT, com seu “sumo sacerdote” (“o santíssimo”), os sacerdotes (“os super santos”), os levitas (“os mais santos”) e o povo de Deus (“os santos”). É relevante assinalar aqui, que no Apocalipse, os crentes são considerados sacerdotes no reino de Deus (Ap 1.6; 5.10; 20.6). Fala-se da Nova Jerusalém, a cidade santa, onde não há templo: “Nela, não vi santuário, porque o seu santuário é o Senhor, o Deus Todo-Poderoso, e o Cordeiro.” (Ap 21.22).

3. A MISERICÓRDIA

Como nosso assunto é santidade e misericórdia, o objetivo aqui é tratar, em primeiro plano, da misericórdia de Deus para com os homens, e em segundo, a misericórdia entre os homens. Vale lembrar que:

GRAÇA – É Deus nos dar o bem que não merecemos.

MISERICÓRDIA – É Deus não nos imputar o castigo que merecemos.

“Dizer que Deus tem como atributo a santidade é dizer que ele é separado do pecado e dedica-se a buscar a sua própria honra.” (2). Essa sua santidade requer a nossa santidade, a nossa separação do pecado: “Portanto, sede vós perfeitos como perfeito é o vosso Pai celeste.” (Mt 5.48). Sobre essa misericórdia podemos fazer as seguintes afirmações, com base na Bíblia:

a) A misericórdia é um dos atributos ou características da natureza divina (Ex 34.6; Sl 103.8): “Deus é espírito, em si e por si infinito em seu ser, glória, bem-aventurança e perfeição; todo-suficiente, eterno, imutável, insondável, onipresente, infinito em poder, sabedoria, santidade, justiça, misericórdia e clemência, longânimo e cheio de bondade e verdade.” (3)

b) Por nossos próprios esforços e obras não podemos atender as exigências da santidade divina e nos aproximarmos de Deus: “Então, Josué disse ao povo: Não podereis servir ao SENHOR, porquanto é Deus santo, Deus zeloso, que não perdoará a vossa transgressão nem os vossos pecados.” (Js 24.19); “não por obras de justiça praticadas por nós, mas segundo sua misericórdia, ele nos salvou mediante o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo,” (Tt 3.5).

c) Diante da limitação e fraqueza humanas, deixando de alcançar e se manter no padrão divino de pureza e perfeição, entra em cena a misericórdia divina: “As misericórdias do SENHOR são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim; renovam-se cada manhã. Grande é a tua fidelidade.” (Lm 3.22-23)

d) O ápice da manifestação da misericórdia divina se deu no sacrifício de Cristo, na cruz do Calvário: “No Evangelho Deus proclama o seu amor ao mundo, revela clara e plenamente o único caminho da salvação, assegura vida eterna a todos quantos verdadeiramente se arrependem e creem em Cristo, e ordena que esta salvação seja anunciada a todos os homens, a fim de que conheçam a misericórdia oferecida e, pela ação do Seu Espírito, a aceitem como dádiva da graça.” (4)

e) A misericórdia de Deus não significa sua renúncia à justiça e juízo: “mas o que se gloriar, glorie-se nisto: em me conhecer e saber que eu sou o SENHOR e faço misericórdia, juízo e justiça na terra; porque destas coisas me agrado, diz o SENHOR.” (Jr 9.24)

f) Para a alegria e consolo dos remidos do Senhor, a misericórdia de Deus dura para sempre: “Rendei graças ao SENHOR, porque ele é bom, porque a sua misericórdia dura para sempre.” (Sl 136)

g) Assim como Deus é misericordioso para com os que, em Cristo, se aproximam dele, devemos ser misericordiosos para com o nosso próximo: “Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de ternos afetos de misericórdia, de bondade, de humildade, de mansidão, de longanimidade.” (Cl 3.12).

Conclusão:

A santidade e a misericórdia de Deus se manifestam desde a criação e acompanharão o seu povo até o final dos tempos. Somos chamados e desafiados a viver essa vida santa num mundo tão corrompido; a ser sal, fora do saleiro, e luz, em lugar alto. “Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai de misericórdias e Deus de toda consolação!” (2Co 1.3)

Bibliografia:

(1) Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento. Vida Nova, 1983.
(2)  GRUDEM, Wayne. Teologia Sistemática. Vida Nova, 1999.
(3) O Catecismo Maior de Westminster. Editora Cultura Cristã, 2005. (Pergunta e resposta 7).
(4)  A Confissão de Fé de Westminster. Editora Cultura Cristã, 2011. (cap. 35, item II).

 

 

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Quanto vale uma pessoa?

Se há um assunto que nunca sai da pauta é o do valor ou importância de uma pessoa. Muito se tem discutido, também, sobre o relacionamento entre os seres humanos ao longo do tempo: governantes e governados, senhores e escravos, ricos e pobres, patrões e empregados, marido e esposa, pais e filhos, nativos e estrangeiros, brancos e negros, homens e mulheres etc.

Em relação a este assunto, nas últimas décadas, parece que o foco das atenções tem sido:

– a questão da liberdade (estado democrático de direito),
– a questão racial (combate ao racismo),
– a questão trabalhista (a defesa do trabalhador),
– a questão da mulher (feminismo: igualdade, empoderamento e violência) e,
– a questão sexual (liberalismo, homossexualidade e transexualidade).

Ainda que muitas dessas causas possam ser vistas como legítimas, pela sociedade, e alguns resultados positivos tenham sido alcançados, constata-se que a sociedade pós-moderna vive debaixo do jugo do politicamente correto. Há, em certas causas, a tentativa explícita de combater e desconstruir conceitos e padrões absolutos e irrevogáveis estabelecidos por Deus, nosso Criador, principalmente no que tange à questão sexual. Alguns grupos militantes têm se levantado e feito muito barulho e pressão, com o apoio da mídia e de determinados segmentos que estão mais interessados em promover um estado ou ambiente de anarquia para tomarem o poder e ditarem as regras do jogo, do que em promover o bem comum e o desenvolvimento da sociedade.

Desta forma:

– a liberdade tem sido confundida com libertinagem (“para uma geração sem limites, obedecer regras torna-se uma ditadura”);
– o patrão e empresário que gera empregos e movimenta a economia virou vilão e opressor;
– o empregado se coloca como vítima e os sindicatos como os defensores do trabalhador;
– fala-se muito em direitos e não querem saber de deveres;
– tem que se ter muito cuidado com o que se diz para não ser processado por racismo, homofobia, transfobia, misoginia, xenofobia;
– querem empurrar goela abaixo da sociedade um equivocado sistema de cotas com o falso discurso da promoção da igualdade e justiça social.

Tudo isso, tendo como pano de fundo uma diabólica estratégia de promoção da divisão entre as pessoas, na intenção velada de “dividir para conquistar”.

Num tempo em que se defende tanto a valorização das pessoas, principalmente das minorias, infelizmente constata-se, cada vez mais, a degradação do ser humano. Gente que se expõe ao ridículo por causas absurdas. Gente que arrisca a vida por robbies extravagantes. Gente que se entrega às drogas, à bebedeira, à promiscuidade. Gente que estraga sua saúde física, mental e emocional porque não consegue estabelecer limites para os seus atos.

Entretanto, você, eu, nós temos valor. E, qual é esse valor?

1. Valor absoluto (ou básico)

Por que há obras de arte tão bem avaliadas? Normalmente, por causa da obra e do seu criador. Há quem defenda que o toque do criador, a complexidade do quadro e o requinte dos materiais, não são os fatores que elevam o preço de uma obra. O principal critério é o renome do artista, a marca que sua assinatura atribui ao quadro. Quando falamos em valor absoluto, estamos nos referindo ao valor que a pessoa tem em si mesma, na condição de um ser humano. Deus é simplesmente o maior “artista” que existe e o gênero humano, a sua obra prima, o clímax da sua extraordinária criação, sendo criado à sua imagem, conforme a sua semelhança (Gn 1.26-27; 5.1-2; 9.6). Esse valor absoluto pode ser expresso assim:

a) Cada ser humano é único e incrivelmente dotado pelo Criador.

b) Valemos muito mais do que as aves (Mt 6.26b; Lc 12.7b) e do que todos os seres criados na terra, tendo recebido de Deus o mandato de domínio sobre a sua criação.

c) Somos todos criaturas e iguais diante de Deus. Um exemplo disso se encontra na lei mosaica do recenseamento, em que pobres e ricos deveriam dar o mesmo valor: “metade de um siclo de prata” – cerca de 14g (Êx 30.11-16). Isso independe do que nós pensamos ou fazemos, pois Deus ama o pecador, embora odeie o pecado. Deus não faz acepção de Pessoas (tratamento desigual de pessoas, com favoritismo, parcialidade e injustiça) e nos ensina a agir assim (Dt 16.19; At 10.34)

d) Pela redenção em Cristo e pelo novo nascimento a “criatura” se torna “filho de Deus” (1Jo 3.1-2). E, estes, filhos de Deus são iguais diante do Pai Celestial, pois foram remidos pelo mesmo sangue de Cristo: “Dessarte, não pode haver judeu nem grego; nem escravo nem liberto; nem homem nem mulher; porque todos vós sois um em Cristo Jesus.” (Gl 3.28). O valor absoluto dos crentes é igual diante de Deus, independentemente de nacionalidade, de condição socioeconômica, sexo etc. Isso nada tem a ver com igualdade de papéis, principalmente no que tange a sexo, pois conflitaria com outros ensinos bíblicos.

2. Valor relativo (ou agregado)

Quando falamos em valor relativo, estamos nos referindo ao valor que a pessoa tem em face do seu potencial e poder de realização. A ideia de valor agregado é no sentido de que essa capacidade de realização pode ser adquirida e incorporada no seu ser. Assim sendo, essa incorporação pode se dar de forma NATURAL, ESTIMULADA ou SOBRENATURAL.

i) NATURAL: Quando adquirida por herança genética; portanto de forma independente da pessoa.

ii) ESTIMULADA: Quando adquirida através de aprendizagem teórica e prática; portanto dependente do empenho e oportunidade da pessoa.

iii) SOBRENATURAL: Quando adquirida da parte de Deus.

 “Disse Moisés aos filhos de Israel: Eis que o SENHOR chamou pelo nome a Bezalel, filho de Uri, filho de Hur, da tribo de Judá, e o Espírito de Deus o encheu de habilidade, inteligência e conhecimento em todo artifício, e para elaborar desenhos e trabalhar em ouro, em prata, em bronze, e para lapidação de pedras de engaste, e para entalho de madeira, e para toda sorte de lavores. Também lhe dispôs o coração para ensinar a outrem, a ele e a Aoliabe, filho de Aisamaque, da tribo de Dã. Encheu-os de habilidade para fazer toda obra de mestre, até a mais engenhosa, e a do bordador em estofo azul, em púrpura, em carmesim e em linho fino, e a do tecelão, sim, toda sorte de obra e a elaborar desenhos.” (Bezalel: Êx 35.30-35)

Este valor relativo também pode ser considerado levando-se em conta o tipo de valor, como, por exemplo:

a) Valor Intelectual

Este valor reflete a competência da pessoa em termos de cultura geral e cultura específica. Um exemplo clássico desse valor é o próprio rei Salomão. A rainha de Sabá ficou como fora de si ao visitar, provar com perguntas e constatar a grandeza do seu conhecimento e sabedoria (2Cr 9.1-12).

b) Valor laboral

Este valor reflete a competência da pessoa em termos de realizar um trabalho específico. Em termos de mercado de trabalho, os profissionais costumam ter o seu valor laboral traduzido em termos de remuneração salarial e benefícios. Assim, cada profissão tem seu nível de exigência e complexidade na realização laboral, o que, em princípio, determina o valor da remuneração.

c) Valor estético

Este valor reflete a competência da pessoa em termos de cuidar de si, da sua aparência, modo de vestir, modo de falar e agir etc. É fato que todos nós devemos cuidar da forma como nos apresentamos para os outros. Entretanto, precisamos ter cuidado, para não julgar e avaliar as pessoas em função do seu exterior (Tg 2.2-7).

Conclusão:

Por quais causas devemos lutar? Nada mais justo e nobre do que lutar as verdadeiras causas que busquem promover o respeito e a dignidade de todos os seres humanos. Cautela, moderação, sensatez e coerência são alguns dos aspectos que devem balizar essa luta. Também é preciso ficar muito atento a grupos dissimulados que, hasteando a bandeira da luta pela valorização de determinado grupo, o fazem, apenas com o propósito de implantar suas diabólicas ideologias socialistas e comunistas. Não nos iludamos, pois o progresso é resultado de muito trabalho, justiça e ordem!

O cristão é convocado a seguir o exemplo de Jesus, seu Mestre: “O ladrão vem somente para roubar, matar e destruir; eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância.” (Jo 10.10). Assim, além de lutar pela valorização das pessoas na vida terrena, o mais importante mesmo é lutar para ajuda-las a encontrarem a vida eterna, por meio de Cristo Jesus, nosso Salvador.

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Dinâmica sugerida: (Estudo em Grupo)

Segue arquivo intitulado “ABRIGO SUBTERRÂNEO” que pode ser usado para uma dinâmica de grupo antes de iniciar o estudo deste tema.

Clique no link ao lado para abrir o arquivo: Abrigo Subterrâneo.pdf

 

Limpos no meio da lama

Apocalipse 22.10-11; Efésios 5.1-17

Introdução:

Viver com integridade, diante de Deus e dos homens, é um desafio que acompanha o ser humano desde a sua criação. Será que, nos dias atuais, está mais difícil vencer este desafio? Uns acham que sim, outros acham que não e, cada um tem as suas razões para fundamentar o seu ponto de vista. No Salmo 15, Davi descreve, em termos muito práticos, o perfil ou características do cidadão dos céus: “Quem, SENHOR, habitará no teu tabernáculo? Quem há de morar no teu santo monte? O que vive com integridade, e pratica a justiça, e, de coração, fala a verdade; o que não difama com sua língua, não faz mal ao próximo, nem lança injúria contra o seu vizinho; o que, a seus olhos, tem por desprezível ao réprobo, mas honra aos que temem ao SENHOR; o que jura com dano próprio e não se retrata; o que não empresta o seu dinheiro com usura, nem aceita suborno contra o inocente. Quem deste modo procede não será jamais abalado.” O nível de exigência é muito elevado; quem poderá atende-lo, sem vacilar? Ainda bem, que não é por nossos méritos que alcançamos a salvação eterna, mas, mediante a retidão e redenção que há em Cristo Jesus, nosso Salvador!

A lama mais comum é o resultado da mistura de terra com água. Quem vive andando ou transitando sobre o asfalto, já não se dá conta do quão desagradável e complicado é fazê-lo em ruas enlameadas. Para o salmista Davi, o livramento do Senhor é poeticamente descrito assim: “Tirou-me de um poço de perdição, de um tremedal de lama; colocou-me os pés sobre uma rocha e me firmou os passos.” (Sl 40.2). O crente autêntico e consciente tem a mesma sensação de ter sido tirado do lamaçal que é uma vida sem Deus e sem Jesus, a rocha da nossa salvação.  Dali ele jamais sairá. Somente aqueles que nunca foram de Deus retornam e têm prazer em viver na lama (2Pe 2.20-22).

Neste estudo vamos considerar a importância de um viver limpo, no meio de uma geração suja e perversa (Is 57.20), com a indispensável ajuda do Senhor: “O SENHOR firma os passos do homem bom e no seu caminho se compraz; se cair, não ficará prostrado, porque o SENHOR o segura pela mão.” (Sl 37.23-24).

Desenvolvimento:

1. O INJUSTO, CONTINUE NA PRÁTICA DA INJUSTIÇA

“Continue o injusto fazendo injustiça, continue o imundo ainda sendo imundo;” (Ap 22.11a)

O leitor apressado e superficial, quando se depara com um texto como este, no último capítulo da Bíblia, pode até ficar um tanto quanto desconfortável ou, até mesmo, perplexo. Não há no texto bíblico qualquer incentivo ao injusto, quanto a este continuar no seu caminho mau. Porém, se é isso que ele quer fazer, que o faça, sem deixar de considerar as consequências dos seus atos. Não há aqui qualquer contradição bíblica e há de permanecer, até o último dia, a vontade de Deus para o pecador: “Deixe o perverso o seu caminho, o iníquo, os seus pensamentos; converta-se ao SENHOR, que se compadecerá dele, e volte-se para o nosso Deus, porque é rico em perdoar.” (Is 55.7)

Esse texto de Apocalipse foi escrito na perspectiva da consumação dos séculos e dos juízos que antecedem a volta de Cristo. Não há como negar que esse dia está muito próximo. Não é difícil perceber que o contexto de apostasia e impiedade em que vivemos é bem característico dos tempos que precederam os grandes juízos de Deus, no passado. Então, vejamos os seguintes julgamentos registrados na Bíblia e como se vivia, nessas épocas:

1.1 As circunstâncias do juízo do Dilúvio
       (maldade generalizada e desenfreada)

“Viu o SENHOR que a maldade do homem se havia multiplicado na terra e que era continuamente mau todo desígnio do seu coração; (Gn 6.5). A terra estava corrompida à vista de Deus e cheia de violência.” (Gn 6.11). A descrição da conduta humana naquele tempo é impressionante. Nos transmite a ideia de maldade desenfreada, de proporções globais; uma pandemia incontrolável. Uma espécie de metástase social que dizimava qualquer senso de piedade e moralidade de uma civilização com cerca de 1656 anos (3975–2319aC). A solução divina foi destruir a todos (Gn 6.7), pelo Dilúvio, preservando, apenas, uma família, cujo cabeça e líder, Noé, foi descrito como “homem justo e íntegro entre os seus contemporâneos; Noé andava com Deus.” (Gn 6.9). Então, a partir desta família, a terra foi repovoada. E, Jesus, emite o alerta profético: “Pois assim como foi nos dias de Noé, também será a vinda do Filho do Homem.” (Mt 24.37). Quando contemplamos o que acontece, dentro e fora da nossa nação, a sensação que temos também é de maldade generalizada e desenfreada; fora de controle.

1.2 As circunstâncias do juízo da Torre de Babel
(culto ao homem – antropocentrismo)

“Então, desceu o SENHOR para ver a cidade e a torre, que os filhos dos homens edificavam; e o SENHOR disse: Eis que o povo é um, e todos têm a mesma linguagem. Isto é apenas o começo; agora não haverá restrição para tudo que intentam fazer.” (Gn 11.5-6). Havia transcorrido cerca de 175 anos (2319–2144 aC), desde o Dilúvio, e a nova civilização humana já estava outra vez corrompida. Deixando de tributar toda a glória e honra devidas a Deus, deslocaram o seu foco para as realizações humanas (Gn 11.4). A confusão da linguagem e dispersão das pessoas foi o remédio aplicado por Deus para conter o avanço dos maus intentos humanos. Podemos dizer que estamos vivendo o tempo da reversão do fenômeno da Torre de Babel. Os meios de transportes, a tecnologia de comunicação e de informação, e o idioma inglês universal, aproximou os seres humanos de forma surpreendente. Cumpriu-se a profecia de Daniel – a ciência se multiplicou (Dn 12.4). A grande questão agora é a mesma daquela época: “Isto é apenas o começo; agora não haverá restrição para tudo que intentam fazer.”. O que temos visto, então, na civilização atual, é Deus colocado de lado, a Bíblia sendo considerada um livro antiquado e ultrapassado, e o ser humano sendo cultuado pelos seus grandes feitos.

1.3 As circunstâncias do juízo sobre Sodoma e Gomorra
(depravação sexual, soberba, arrogância, descaso e prostituição)

“Disse mais o SENHOR: Com efeito, o clamor de Sodoma e Gomorra tem-se multiplicado, e o seu pecado se tem agravado muito.” (Gn 18.20). O texto deixa claro que os graves pecados dos seres humanos chegam aos céus, em forma de clamor por justiça, exigindo o juízo divino (ver Gn 4.10). Se houvesse ali dez justos, as cidades teriam sido poupadas (Gn 18.32). No registro bíblico da destruição de Sodoma e Gomorra (Gn 18 e 19), não se explicita quais eram os graves pecados deles. Com exceção do episódio em que os homens de Sodoma, rejeitaram as filhas virgens de Ló e preferiram abusar dos dois anjos por ele hospedados (Gn 19.4-9). E esse abuso se traduz em violência e depravação sexual. A palavra sodomia tem origem neste acontecimento e o apóstolo Paulo usa o termo “sodomita” referindo-se à homossexualidade (1Tm 1.10). Foi o profeta Ezequiel quem descreveu a iniquidade de Sodoma: soberba, descaso com o necessitado, arrogância e práticas abomináveis (Ez 16.49-50); e, Judas registra que havia ali prostituição (Jd 1.7). A homossexualidade é considerada uma abominação (Lv 18.22).

2. O JUSTO, CONTINUE NA PRÁTICA DA JUSTIÇA

“o justo continue na prática da justiça, e o santo continue a santificar-se.” (Ap 22.11b)

Por que temer a Deus e perseverar no bom caminho da justiça e da santificação?

2.1 Porque há um Deus que tudo vê

“Os olhos de Deus estão sobre os caminhos do homem e veem todos os seus passos. Não há trevas nem sombra assaz profunda, onde se escondam os que praticam a iniquidade.” (Jó 34.21-22). Ainda que a maldade humana se alastre por toda a terra e a impunidade reine em muitas sociedades, há um Deus que tudo vê, ao qual todos haverão de prestar contas. Nos três juízos divinos acima mencionados, fica claro que nada escapa aos olhos de Deus; que ele ouve o clamor da perversidade humana.

2.2 Porque há um Deus que tudo julga

Em tempos remotos, Jó, no meio do seu sofrimento, olha para a sua integridade e se sente injustamente castigado pelo Altíssimo. Ele, também olha ao seu redor e vê a perversidade dos ímpios e estes aparentemente impunes; se condói com o sofrimento dos pobres e injustiçados, sem que haja quem os socorra. Então faz um desabafo: “Por que o Todo-Poderoso não designa tempos de julgamento? E por que os que o conhecem não veem tais dias?” (Jó 24.1). A história responde a esse questionamento de Jó. São muitos os julgamentos de Deus:

a) Os julgamentos importantes relatados no Antigo Testamento, são: do Dilúvio, da Torre de Babel, de Sodoma e Gomorra, de Faraó e dos egípcios, de Israel no deserto, de Israel no exílio, de várias pessoas, reis e nações.

b) Outros julgamentos, citados no Novo Testamento, são:

– Autojulgamento, pelo qual o crente melhora suas relações tanto com Deus, como com os homens (1Co 11.31)

– Julgamento no seio da igreja, mediante a disciplina de crentes que laboram em erro (1Co 5.1-5; Mt 18.15-17);

– Julgamento das obras dos crentes (Rm 14.10; 1Co 3.11-15; 2Co 5.9-10);

– Julgamento futuro de Israel (Ez 20.33-44; Rm 11.15, 25-29; Ap 7.1-8; ver Sl 50.1-7).

– Julgamento das nações (Mt 25.31-46);

– Julgamento de Satanás (Ap 20.10);

– Julgamento dos anjos que caíram (Jd 1.6; 1Co 6.3; 2Pe 2.4);

– Julgamento dos ímpios, também chamado de Julgamento do Grande Trono Branco (Jo 5.29; Ap 11.18; 20.11-15).

2.3 Porque a intensidade da luz recebida determina o nível de rigor do julgamento divino

Sodoma e Gomorra se tornaram símbolo e referência, de pecado e juízo, na boca dos profetas: Isaías – Is 1.9-10; Jeremias – Jr 23.14; Lm 4.6; Ezequiel – Ez 16.46-48; Amós – Am 4.11; Sofonias – Sf 2.9. No Novo Testamento, isso também não passa em branco para Jesus (Lc 17.29), Paulo (Rm 9.29), Pedro (2Pe 2.6), Judas (Jd 1.7) e João (Ap 11.8). Entretanto, Jesus fez uma declaração surpreendente: “Tu, Cafarnaum, elevar-te-ás, porventura, até ao céu? Descerás até ao inferno; porque, se em Sodoma se tivessem operado os milagres que em ti se fizeram, teria ela permanecido até ao dia de hoje. Digo-vos, porém, que menos rigor haverá, no Dia do Juízo, para com a terra de Sodoma do que para contigo.” (Mt 11.23-24). Jesus mostrou que, nem mesmo Sodoma e Gomorra, mereciam julgamento tão severo, como aqueles que rejeitam o Messias, o seu Reino e os seus discípulos. O ensino de Jesus, neste ponto, inclui ideias de que a rejeição da luz, quanto mais brilhante ela for, trará julgamento mais severo; e que, quanto maior for a luz recebida, maior será a responsabilidade do indivíduo. Sodoma contou apenas com o fraco testemunho de Ló. Mas, as cidades da Galileia, gozaram do testemunho dado pelo próprio Messias. Provavelmente os pecados dos habitantes de Sodoma e Gomorra eram mais graves e numerosos do que os dos habitantes da Galileia. Mas o julgamento dos habitantes da Galileia seria mais severo, em face de terem ouvido a mensagem mais ampla do mensageiro divino. É possível que, nesses ensinos, Jesus tenha incluído a ideia de Julgamentos terrestres, isto é, tipos de juízo como os que foram sofridos por Sodoma e Gomorra, e não somente um juízo vindouro. Alguns intérpretes acham só este último sentido no texto, mas a verdade é que Jesus pode ter indicado mais do que isto.

2.4 Porque precisamos ter uma conduta diferenciada

O texto de Efésios 5.1-17 é autoexplicativo e nos instrui, de forma muito prática, como deve ser o nosso proceder diante do mundo caído e atolado no lamaçal do pecado.

Conclusão:

É preciso ter plena consciência de que estamos, a cada dia que passa, mais próximos da Segunda Vinda de Cristo. É preciso ter plena consciência de que o mundo vai de mal a pior (2Tm 3.13) e que as circunstâncias se tornam cada vez mais parecidas com aquelas que antecederam aqueles três grandes juízos de Deus, no passado, acima mencionados. É preciso ter plena consciência de que toda a perversidade humana, multiplicada nesses últimos tempos, não ficará impune. É preciso ter plena consciência de que, nesses dias difíceis, nos quais vivemos, muitos serão influenciados e levados pela multidão dos que desprezam a Deus, a sua Palavra, a família nos moldes por ele instituída e a sua igreja; mas haverá um remanescente que se conservará fiel ao Senhor.

Tendo plena consciência de tudo isso, vamos nos manter firmes no Senhor, nas suas promessas, alicerçados na sua Palavra, com foco na missão e nas boas práticas, sem perder tempo com questões de menor importância, unidos como igreja para resistirmos no dia mau, enquanto aguardamos a gloriosa manifestação do Senhor Jesus. Amém!

O Obreiro, a Seara e o Ministério

Texto base: Lucas 10.1-12

Introdução:

A Bíblia registra dois momentos marcantes no ministério de Jesus, quando ele mesmo promoveu esse “vá e ponha em prática o que ensinei”: a “missão dos doze“, relatada em todos os evangelhos sinóticos (Mc 6.6b-13; Mt 9.35-11.1; Lc 9.1-6) e a “missão dos setenta“, mencionada somente por Lucas (Lc 10.1-24). Tomaremos como base esta última missão, para aprendermos um pouco mais com Jesus.

Desenvolvimento:

A “missão dos setenta” se situa no último ano do ministério público de Jesus. Inicialmente, Jesus mesmo ia a toda parte pregando e curando, e os seus discípulos o acompanhavam. Posteriormente, as multidões vinham ao seu encontro e ele as ensinava e as curava. Por último, Jesus já não podia transitar livremente, por causa da oposição crescente e do aperto das multidões. Houve pregação e cura durante todo o seu ministério, porém no último ano Jesus dedicou-se a preparar e enviar aqueles que haveriam de dar prosseguimento à sua obra.

Quais teriam sido as razões para esta grande comissão?

“Para que o precedessem em cada cidade e lugar aonde ele estava para passar”. O grande objetivo era preparar o ambiente, criar expectativa para a chegada do Senhor. Jesus queria obter o máximo proveito nesta viagem.

– Para completar o aviso à nação judaica de estar presente o Messias.

– Para proporcionar aos seus seguidores um treinamento prático, preparando-os para a grande missão de Atos 1.8.

– Para deixar-nos orientação.

Uma particularidade da missão:

Confrontando as duas missões, constatamos que os doze foram designados apenas às ovelhas perdidas da casa de Israel, enquanto os setenta foram enviados “a todas as cidades e lugares aonde ele estava para passar” (Lc 10.1). Tem sido sugerido que isto indica que, enquanto a primeira missão era aos judeus (às doze tribos), a segunda antecipava a abertura da porta da fé a todas as nações.

Concentremos nossa atenção em três aspectos relevantes da obra evangelística e missionária: o obreiro, a seara e o ministério.

1. O OBREIRO

1.1 Sua chamada

O texto mostra claramente que Jesus não delegou a responsabilidade de escolher os setenta. Ele, pessoalmente, escolheu, designou setenta para essa importante missão. “Rogai, pois, ao Senhor da seara que mande…”. Nessa expressão Jesus ratifica que apenas o Senhor da seara tem autoridade para enviar trabalhadores. (ver Jr 1.4-5; At 9.15; 13.2).

1.2 Suas qualificações

A única informação que temos é que eram seguidores de Jesus, discípulos, que acompanhavam Jesus. E, portanto, Jesus pôde separá-los e enviá-los. Ser enviado por Jesus não é privilégio de uma elite, mas sim dos que o seguem de perto. Temos exemplos na Bíblia de que Deus mesmo qualifica os seus enviados como fez com Moisés, Jeremias, Isaías, Paulo e tantos outros.

As características principais dos que produzem frutos na obra de Deus são:

i) Crentes de oração. Tais obreiros passam muito tempo em conversa, em comunhão com o Senhor, expondo-lhe todas as ansiedades e necessidades; confiam nele e dele esperam tudo.

ii) Crentes com conhecimento bíblico. O Senhor Jesus disse aos saduceus: “Não provém o vosso erro de não conhecerdes as Escrituras, nem o poder de Deus!” (Mc 12.24)

iii) Crentes com paixão pelas almas. Como alguém vai sair pelo mundo, pregando ou ensinando, se não sente nenhuma paixão pelas almas perdidas? O Senhor Jesus se compadecia delas; as via como ovelhas que não têm pastor (Mt 9.36-37).

1.3 Seu envio

“De dois em dois”. Jesus não adotou esta forma apenas por um capricho pessoal. Ele já havia enviado os doze do mesmo modo (Mc 6.7). Enviando-os aos pares fortalecia o seu testemunho pessoal e tornava a viagem mais agradável. O envio de missionários, de dois em dois, foi imitado nos primeiros séculos (At 13.1-2), e continua a ser feito por algumas seitas (mórmons etc). Atualmente, a dupla missionária tem sido constituída por marido e mulher. O número dois na Bíblia tem como significado: autoridade (At 13.2; 15.27); conservação (Gn 6.19-20; Ec 4.9-12); confirmação (Mt 18.19); continuação. É claro que se trata de um quantitativo mínimo recomendado.

1.4 Seu destino

“Cada cidade e lugar”. Não é o obreiro que define o seu destino. Ele apenas segue o caminho traçado por aquele que o envia.

2. A SEARA (colheita)

Jesus usou, muitas vezes, a figura de um campo semeado (seara), ao falar sobre a colheita dos crentes (Jo 4.35-36; Mt 13.30, 39).

2.1 Seu tamanho

Inicialmente a seara era a nação de Israel. Mais tarde, porém, incluiu o mundo inteiro (Mt 28.19-20). Em face das dimensões da seara, Jesus adverte que há poucos trabalhadores e, portanto, devemos rogar a Deus pelo envio de mais trabalhadores. É curioso que naquela época não havia falta de autoridades religiosas. Grande parte do povo de Israel se ocupava das questões religiosas; no templo, nas sinagogas, nas casas, nas ruas. Entretanto, na avaliação de Jesus os trabalhadores eram poucos na seara. Desse exemplo se aprende que a organização religiosa e a aparência religiosa do povo não garantem a existência de trabalhadores autênticos do evangelho, ou que haja ceifa. Quem está disposto a orar? Quem está pronto a ir?

2.2 Seu Proprietário

“Senhor da seara…para a sua seara”. Os trabalhadores são representados por aqueles que trabalham diariamente para ganhar certo salário. Não são senhores da seara e nem têm autoridade sobre os que trabalham, mas tão somente são empregados do proprietário do campo. A alusão é ao Pai Celeste, que se interessa especialmente pelo êxito da colheita, porquanto o campo lhe pertence. Nenhum obreiro, nenhuma missão, nenhuma instituição poderá desapropriar o verdadeiro dono da seara (1Co 3.5-10).

“O dia pode ser longo e quente, mas no fim, os trabalhadores recebem, sem falta, o salário que lhes fora prometido pelo dono da seara.”

3. O MINISTÉRIO

Jesus não os enviou de qualquer maneira. Ele fez algumas advertências e recomendações e, ainda, deu-lhes as instruções e a autoridade de que necessitavam para o bom êxito daquela missão.

3.1 Seus riscos

“Ovelhas para o meio de lobos”. Jesus preparou os seus enviados para que enfrentassem duras experiências, que incluíam a perseguição.

“Ovelhas”. Mais uma vez, em seus ensinos, Jesus lança mão do simbolismo das ovelhas. Com esse simbolismo, Jesus indica diversas coisas:

1º) As ovelhas são pessoas sob a direção de um pastor.

2º) O pastor é responsável pela defesa das ovelhas, porque é claro que tais pessoas não sabem defender-se.

3º) Provavelmente também sugere que os discípulos, em comparação aos homens dotados de má intenção, são inocentes, fracos, humildes, mansos, gentis, simples.

“Lobos”. Termo usado no Novo Testamento para indicar os perseguidores e seu temperamento malicioso, por serem homens maus, injustos, destituídos de misericórdia, inclinados à destruição, à voracidade e à crueldade.

Jesus, primeiro mostrou que não deveriam esperar riquezas ou valores, segundo são representadas pelo mundo. Em seguida, mostrou que alguns rejeitariam sua missão e sua mensagem. Finalmente, mostrou que a rejeição pode incluir perseguição e até mesmo a morte. Com estas advertências eles devem ter compreendido que não estavam sendo enviados para uma excursão gratuita.

3.2 Seu Suprimento

i) Bagagem (Lc 10.4)

Jesus os exortou para que não levassem qualquer coisa que os viajantes normalmente pensavam ser indispensáveis para as viagens; mas que aprendessem a depender do suprimento divino. “Não leveis bolsa, nem alforje (porta-níqueis), nem sandálias”.  Estavam proibidos de sobrecarregarem-se com bagagem sobressalente. O sustento deles deveria vir de donativos feitos pelos beneficiários das ministrações. Esse método de subsistência dos obreiros foi confirmado pelas instruções de Paulo (1Co 9.7-11). Em qualquer época vê-se que o sustento do ministério é um problema muito sério. Isto porque as igrejas locais, em muitos casos, se recusam a assumir esta responsabilidade.

NOTA: O texto de Lucas 22.35-36, mostra que as provisões de que fala este versículo 4 eram temporais, e também revela a lição que Jesus queria ensinar por meio de suas proibições: “A seguir Jesus lhes perguntou: Quando vos mandei sem bolsa, sem alforje e sem sandálias, faltou-vos porventura alguma coisa? Nada, disseram eles. Então lhes disse: Agora, porém, quem tem bolsa, tome-a, como também o alforje; e o que não tem espada, venda a sua capa e compre uma”. Situações diversas requerem provisões diferentes, mas as lições dadas por Jesus permanecem.

ii) Habitação e alimentação (Lc 10.5-8)

“Ao entrares numa casa”. As regras sociais no oriente, acerca da hospitalidade, abririam muitas casas aos discípulos, mas Jesus queria que estes procurassem certos indivíduos, que mostrassem simpatia pelo seu ministério e pelos seus propósitos (“Indagai quem neles é digno” – Mt 10.11). Alguns comentaristas explicam simplesmente que eles deveriam procurar pessoas capazes de arcar com as despesas da viagem e da visita; e parece que isto faz parte do sentido da instrução, mas também parece que Jesus indicou que só as pessoas que simpatizassem pelo trabalho dos discípulos – provavelmente conhecidas como pessoas piedosas – seriam dignas de receber as visitas dos enviados de Jesus. Jesus parece indicar que era grande privilégio alguém receber a visita dos seus discípulos. A companhia deles serviria de benefício mútuo, e, sobre tais circunstâncias, a dificuldade do trabalho seria menor.

“Permanecer na mesma casa”. Jesus queria que seus discípulos fossem mensageiros, não mendigos. Não deveriam andar sem destino, à procura dos alojamentos mais confortáveis e da companhia mais agradável.

“Comendo e bebendo do que eles tiverem”. Jesus ensina aqui, claramente, que os obreiros devem receber o sustento físico daqueles que são beneficiados por seu ministério. Há aqui uma recomendação muito importante e que alguns obreiros parecem desconsiderar; eles devem participar do cardápio normal da família e não esperar manjares ou banquetes.

“Digno é o trabalhador do seu salário”.  Isso equivale ao que se diz em Mateus 10.10,“…Digno é o trabalhador do seu alimento”. Lucas diz “salário”, em lugar de “alimento”, mas está em foco a mesma ideia. Essa é uma das poucas declarações de Jesus, que Paulo citou (ver 1Co 9.7, 14; 1Tm 5.18). Naturalmente a ideia já se achava no Antigo Testamento, e Paulo poderia estar fazendo dali um empréstimo, e não diretamente a Jesus (Dt 25.4). É a primeira vez que encontramos a palavra “salário” referindo-se ao trabalho de um servo de Deus. Paulo, entretanto, abriu mão do seu direito e trabalhava com as mãos para não ser pesado a ninguém e para dar o exemplo. Desta forma podia gozar de mais liberdade em seu ministério, além de evitar constrangimentos e falatórios (1Co 9.12).

3.3 Sua Urgência

“E a ninguém saudeis pelo caminho”. O Senhor não pretendia que eles fossem descorteses. As saudações orientais eram cerimoniosas e consumiam tempo, e a necessidade da pressa justificaria a negligência a essas “etiquetas sociais”. As palavras mostram a necessidade de total devoção à missão; e isso concorda com todas as ordens registradas no contexto geral.

3.4 Seu Serviço

“Curai os enfermos…..anunciai…”. Imitando o que Jesus e os doze já haviam feito. Cristo conferiu aos seus discípulos o poder de curar como parte do seu ministério. Não há nenhuma indicação de que todos eles ficassem de posse desse poder, permanentemente. No Pentecostes, o Espírito Santo desceu sobre os discípulos e distribuiu dons aos homens. Ainda hoje os discípulos de Jesus podem ser usados para esses dois serviços (Mc 16.15-18):

1º) Operar os sinais que demonstram a vinda do Reino;

2º) Proclamar a mensagem de Salvação.

3.5 Sua Rejeição

A narrativa de Lucas 10.10-12 apresenta um “ritual de rejeição” mais elaborado. Além de bater o pó proveniente da “cidade dos rejeitadores”, e de fazer uma espécie de pequeno discurso formal, os missionários cristãos deveriam assegurar-lhes que tinham perdido grande oportunidade, pois o “Reino de Deus” chegara perto deles, na forma de seus mensageiros. Desse modo, a mensagem de misericórdia se transmuta em “sentença condenatória”, quando é ignorada ou repelida.

“Haverá menos rigor para Sodoma…”. Para os judeus, “Sodoma e Gomorra” eram símbolos de cidades ou indivíduos especialmente pecaminosos e, ao mesmo tempo, símbolo do juízo de Deus contra tais. Jesus mostrou que nem mesmo Sodoma e Gomorra mereciam julgamento tão severo como aqueles que rejeitam o Messias, o seu Reino e os seus discípulos. O ensino de Jesus, neste ponto, inclui ideias que a rejeição da luz, quanto mais brilhante ela for, trará julgamento mais severo, e que quanto maior for a luz recebida, maior será a responsabilidade do indivíduo.

Sodoma contou apenas com o fraco testemunho de Ló. Mas as cidades da Galiléia gozaram do testemunho dado pelo próprio Messias. Provavelmente os pecados dos habitantes de Sodoma e Gomorra eram mais graves e numerosos do que os dos habitantes da Galiléia. Mas o julgamento dos habitantes da Galiléia seria mais severo, em face de terem ouvido a mensagem mais ampla do mensageiro divino. É possível que nesses ensinos, Jesus tenha incluído a ideia de Julgamentos terrestres, isto é, tipos de juízo como os que foram sofridos por Sodoma e Gomorra, e não somente um juízo vindouro. Alguns intérpretes acham só este último sentido no texto, mas a verdade é que Jesus pode ter indicado mais do que isto.

Conclusão:

É uma bênção e privilégio poder participar da missão de levar o Evangelho à toda a criatura! No relato do regresso dos setenta (Lc 10.17-24), há alguns pontos de alerta a se considerar. Eles retornaram exultantes pelo poder de operar sinais, de submeter demônios. Ser capacitado e usado por Deus pode insuflar nosso ego, fazer-nos pensar de nós mesmos além do que convém. Jesus os adverte quanto ao objeto da verdadeira alegria – a salvação eterna. Nossa alegria consiste em glorificar a Deus, anunciar o Evangelho e contemplar os frutos do penoso trabalho do Servo Sofredor (Jesus): “Ele verá o fruto do penoso trabalho de sua alma e ficará satisfeito;” (Is 53.11). Vidas salvas e transformadas alegram o coração de Deus e deve alegrar o nosso também.

Gerando Discípulos – Crescimento na Fé

Introdução:

Na Grande Comissão (Mt 28.19-20), Jesus deixou para a igreja três importantes instruções: (i) Fazer discípulos; (ii) Batizá-los; e, (iii) Ensiná-los. Nenhuma dessas partes, ou ordens, ou instruções deve ser negligenciada pela igreja. Nessa pós-modernidade em que vivemos, muitas igrejas têm se preocupado mais em manter templos cheios, do que com discípulos que guardam e praticam “todas as coisas que eu (Jesus) vos tenho ordenado”.

“Durante a Idade de Ouro da Grécia, o jovem Platão podia ser visto caminhando pelas ruas de Atenas em busca de seu mestre: o maltrapilho, descalço e brilhante Sócrates. Aqui, provavelmente, estava o início de um discipulado. Sócrates não escreveu livros. Seus alunos escutavam atentamente cada palavra que ele dizia e observavam tudo o que ele fazia, preparando-se para ensinar a outros. Aparentemente, o sistema funcionou. Mais tarde, Platão fundou a Academia, onde Filosofia e Ciência continuaram a ser ensinadas por 900 anos. Jesus usou relacionamento semelhante com os homens que ele treinou para difundir o Reino de Deus. … Discípulo é o aluno que aprende as palavras, os atos e o estilo de vida de seu mestre com a finalidade de ensinar outros.” (Keith Phillips).

Através do discipulado, Deus entretece uma cadeia que começa em Cristo e se desenvolve através dos seus seguidores, alcançando cada geração, até à volta de Cristo: “E o que de minha parte ouviste através de muitas testemunhas, isso mesmo transmite a homens fiéis e também idôneos para instruir a outros.” (2Tm 2.2)

Neste estudo vamos abordar alguns aspectos do crescimento na fé, do discípulo de Cristo.

1. QUAL A CONDIÇÃO ESSENCIAL PARA CRESCER?

Por mais óbvio que possa parecer, vale lembrar que é preciso ter vida para poder crescer. Seres inanimados, coisas mortas, não podem crescer. As coisas mortas podem até aumentar de tamanho, por superposição de outros materiais. Em se tratando de pessoas, quando não se tem a vida que vem do alto, as práticas religiosas são como camadas revestindo coisas mortas. Tais pessoas foram definidas por Jesus como sepulcros caiados (Mt 23.27).

O discipulado começa quando uma pessoa é regenerada pelo Espírito Santo, nascendo de novo – “logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim;” (Gl 2.20). É importante ressaltar em que momento acontece esse início; sem dúvida é quando a pessoa se torna cristã. “Muitíssimas pessoas acham que você se torna cristão vivendo a vida cristã. Absolutamente NÃO! É preciso que primeiro você se torne cristão, antes de poder viver a vida cristã.” (William Mac Donald)

2. POR QUE CRESCER?

2.1 É a lei da natureza

No mundo físico no qual estamos inseridos, as árvores frutíferas seguem o ciclo da germinação, crescimento e produção de frutos. Com os seres vivos não é diferente; é a lei da vida. Nas palavras de Jesus, esse processo natural dita a regra para o processo espiritual: “Todo ramo que, estando em mim, não der fruto, ele o corta; e todo o que dá fruto limpa, para que produza mais fruto ainda.” (Jo 15.2).

2.2 É uma questão de sobrevivência

Há uma expressão, em inglês, Grow up or Blow up (ou você cresce ou desaparece) bastante interessante. Não há como manter-se estagnado, estacionado; ou se está crescendo, ou se está diminuindo, porque as coisas ao nosso redor estão num processo contínuo de desenvolvimento. Quando não há crescimento na vida cristã, individual ou coletivamente, isso gera frustração e reprimenda, por parte da liderança (Hb 5.12) e ameaça o corpo de Cristo, a igreja (1Co 3.1-3; Gl 5.15).

2.3 É a vontade de Deus  

A vontade de Deus é sempre boa, agradável e perfeita (Rm 12.2), e deve ter sempre a primazia em nossa vida. O discípulo de Cristo é convocado e desafiado a crescer: “antes, crescei na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.” (2Pe 3.18a). É um crescimento em várias áreas:

i) Crescimento na graça do Senhor (2Pe 3.18a).
ii) Crescimento no conhecimento do Senhor (2Pe 3.18a).
iii) Crescimento em amor, uns para com os outros (1Ts 3.12).

3. COMO CRESCER?

Como ajudar um irmão a crescer na fé? Para acontecer o crescimento saudável do discípulo de Cristo, há uma confluência de fatores relevantes e determinantes. Como se dá esse crescimento?

3.1 Sobrenaturalmente

Se o discípulo é uma nova criatura em Cristo, habitado pelo Espírito Santo, tem vida espiritual, esse mesmo Espírito age nele e na igreja, com vistas ao crescimento. O apóstolo Paulo assim nos ensina a respeito desse crescimento sobrenatural: “Eu plantei, Apolo regou; mas o crescimento veio de Deus. De modo que nem o que planta é alguma coisa, nem o que rega, mas Deus, que dá o crescimento.” (1Co 3.6-7). “…, da qual todo o corpo, suprido e bem vinculado por suas juntas e ligamentos, cresce o crescimento que procede de Deus.” (Cl 2.19)

3.2 Naturalmente

Os seres vivos crescem e se desenvolvem, naturalmente. Jesus afirmou: “Considerai como crescem os lírios do campo: eles não trabalham, nem fiam.” (Mt 6.28b). Jesus chama a atenção para esse processo natural e espontâneo de crescimento. Mesmo sendo um processo natural estabelecido pelo Criador, esse crescimento também depende de algumas condições ambientais, tais como: solo, sol, água, ar etc. Na Bíblia, o justo ou o cristão é comparado a uma árvore (Sl 1.3). Da mesma forma, havendo vida espiritual, o crescimento do discípulo é natural e espontâneo. Entretanto, há alguns aspectos essenciais para esse crescimento, tais como:

i) Ambiente adequado.

A igreja precisa zelar no sentido de manter um ambiente agradável e favorável ao crescimento do discípulo. Há ambientes que ele será obrigado a frequentar, como o da escola, trabalho etc. Nesses, ele precisa ser forte, não se contaminando e sendo sal da terra e luz do mundo. Entretanto, há outros, que ele pode e deve evitar (Sl 1.1). Finalmente, há aqueles que ele pode e deve tornar adequados (Sl 1.2).

ii) Alimentação saudável

Os seres vivos se alimentam e o tipo de alimento ingerido afeta diretamente o crescimento. Nossa dieta espiritual mais rica é a leitura (e meditação) da Palavra de Deus: “desejai ardentemente, como crianças recém-nascidas, o genuíno leite espiritual, para que, por ele, vos seja dado crescimento para salvação,” (1Pe 2.2). Ela é alimento e agente de purificação: “para que a santificasse, tendo-a purificado por meio da lavagem de água pela palavra,” (Ef 5.26; comp. Jo 15.3).

iii) Respiração

A oração é a respiração da alma. A oração deve ser como a respiração: contínua e natural. Ela nos mantém espiritualmente vivos. Nem sempre precisamos usar palavras; podemos nos quedar na presença de Deus.

iv) Exercício

Nosso corpo se mantém sadio, nossos músculos se desenvolvem, se nos exercitarmos. Uma fé sem obras é morta. O discípulo precisa praticar a adoração a Deus, testemunhar a sua fé e servir o próximo.

v) Descanso

O estresse gerado pelas preocupações e medos, adoece o corpo e a mente. Até mesmo o ativismo cristão é condenável e prejudicial. Assim como o corpo necessita de descanso, do sono restaurador, nosso ser precisa se aquietar e descansar no Senhor e na força do seu poder. A Bíblia diz: “Descansa no SENHOR e espera nele…” (Sl 37.7); “Inútil vos será levantar de madrugada, repousar tarde, comer o pão que penosamente granjeastes; aos seus amados ele o dá enquanto dormem.” (Sl 127.2).

3.3 Sacrificialmente

Embora não se fale muito sobre a chamada “dor do crescimento”, na medicina ela é descrita como “uma sensação dolorosa recorrente, sem causa específica, que recebeu esse nome por se manifestar em uma fase crucial do desenvolvimento físico – especialmente entre 3 e 8 anos. Os médicos acreditam que de 5% a 15% da população infantil enfrente o problema pelo menos uma vez na vida.”

Crescer espiritualmente também acarreta “alguma dor” que é incomparavelmente menor do que as dores de um viver sem Cristo, de uma vida pecaminosa. O verdadeiro discípulo cristão precisa ter um compromisso total com o Senhor Jesus Cristo. Isso implica num modo de vida diferenciado que, ao mesmo tempo que lhe traz crescimento e maturidade na fé, e a bênção de Deus, leva a uma luta espiritual, sem tréguas. Alguns desses aspectos são:

i) Decisão por Cristo

Ter Cristo em primeiro lugar na vida, significa que nada e ninguém é mais importante do que ele. Essa é uma condição estabelecida pelo próprio Senhor, para o discipulado: “Se alguém vem a mim e ama o seu pai, sua mãe, sua mulher, seus filhos, seus irmãos e irmãs, e até sua própria vida mais do que a mim, não pode ser meu discípulo.” (Lc 14.26NVI). Em algum momento, circunstância ou situação essa opção por Cristo pode trazer alguma dor, pois somos humanos. Não são poucos os casos de conflitos familiares, ou desprezo, ou abandono, porque tomou-se a decisão de seguir a Cristo.

ii) Abnegação

“Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue,….” (Mt 16.24). Se Jesus é o Mestre e Senhor, se queremos ser como ele e viver como ele, não há como fazer isso se não renunciarmos a nós mesmos e nos submetermos a ele, à sua vontade, aos seus ensinos, ao seu estilo de ser e agir.

iii) Renúncia aos bens terrenos

“Assim, pois, todo aquele que dentre vós não renuncia a tudo quanto tem não pode ser meu discípulo.” (Lc 14.33). Jesus não está ensinando aqui que para ser seu discípulo é necessário se desfazer de todos os bens materiais. Por outro lado, a pobreza não é passaporte para a eternidade. O fato é que o discípulo de Jesus não pode amar a riqueza ou os prazeres lícitos deste mundo, mais do que a Deus. Somos mordomos de Deus e devemos investir na sua obra segundo o muito ou pouco que ele nos dá.

iv) Pagar o preço

“Se alguém quer vir após mim, …., tome a sua cruz e siga-me.” (Mt 16.24). Quando seguimos a Cristo, passamos a andar na contracultura da sociedade secular. Certamente teremos enfrentamentos frequentes por conta disso e precisamos tomar a decisão deliberada de pagar o preço dessa conta. A cruz aqui não é uma enfermidade física, uma fraqueza de caráter, uma perda irreparável, um fracasso etc, coisas essas que podem acontecer com qualquer pessoa. A cruz é a vergonha da cruz: a perseguição, o desprezo, a indiferença, as críticas sofridas por trilharmos o caminho apertado (Mt 7.14).

Conclusão:

Fazer discípulos e ensiná-los é tarefa indelegável da igreja, na qual todo cristão deve estar engajado. Jesus é o modelo e referencial a ser seguido; nenhuma figura humana, do presente ou do passado, pode ocupar esse lugar.  Para crescer na fé é preciso primeiramente nascer do alto. O crescimento espiritual obedece a uma lei natural, é uma questão de sobrevivência, mas, acima de tudo, é a vontade do nosso Pai Celeste. Qual o pai ou mãe que não deseja que seus filhos cresçam? O crescimento é um processo sobrenatural, natural e sacrificial. Depende de Deus, a família e a igreja participam, mas depende, também, da vontade, do empenho e da dedicação de cada discípulo.

Cada discípulo é desafiado a crescer e a ajudar outros a crescerem. “E sabeis, ainda, de que maneira, como pai a seus filhos, a cada um de vós, exortamos, consolamos e admoestamos, para viverdes por modo digno de Deus, que vos chama para o seu reino e glória.” (1Ts 2.11-12)

Bibliografia:

SWEETING, George. Os primeiros passos na vida cristã. Ed. Mundo Cristão, 1976.
MAC DONALD, William. O discipulado verdadeiro. Ed. Mundo Cristão, 1975.
PHILLIPS, Keith. A formação de um discípulo. Ed. Vida, 1981.

O papel do Espírito Santo na pregação

A IDENTIDADE DO CORPO
         O papel do Espírito Santo na pregação
         Texto Base: Efésios 4.4-6; João 14.17; Mateus 10.20

Introdução:

Todos sabemos que de um só (Adão) Deus fez toda a raça humana, para habitar sobre a face da terra (At 17.26). Entretanto, dentre esses, ele mesmo, em Cristo, separou e reuniu para si um povo: “Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz;  vós, sim, que, antes, não éreis povo, mas, agora, sois povo de Deus, que não tínheis alcançado misericórdia, mas, agora, alcançastes misericórdia.” (1Pe 2.9-10). Este povo, também é conhecido como um corpo, constituído por muitos membros (Rm 12.5), com identidade própria e inconfundível. Ele tem um só Senhor, um só Legislador e Juiz (Tg 4.12) que é Deus e Pai de todos; um só Mestre (Mt 23.8), um só Guia (Mt 23.10), um só esposo, que é Cristo (2Co 11.2); um só Espírito, que nos regenera, faz morada em nós e nos une ao Corpo (Jo 3.6; 14.17); uma só fé; um só batismo e uma só esperança.

É através da pregação e do ensino da Palavra de Deus que este Corpo, a Igreja de Cristo, cresce e preserva a sua identidade: “E, assim, a fé vem pela pregação, e a pregação, pela palavra de Cristo.” (Rm 10.17). E essa pregação é muito mais do que um discurso baseado em estratégias de persuasão humanas: “A minha palavra e a minha pregação não consistiram em linguagem persuasiva de sabedoria, mas em demonstração do Espírito e de poder,” (1Co 2.4). Daí, percebe-se a relevância e essencialidade do papel do Espírito Santo na pregação.

Quando se trata de pregação, não se pode deixar de associar a ideia do tripé: PREGADOR x MENSAGEM x OUVINTE. No estudo da Homilética[1], o PREGADOR pode e deve buscar recursos e se aprimorar na tarefa de expor a mensagem. No estudo da Hermenêutica[2], que, de tão próximo se confunde com o termo Exegese[3], o pregador pode e deve buscar recursos para a correta interpretação e explicação do texto bíblico, no preparo da mensagem. A MENSAGEM não é outra, senão o Evangelho, poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê (Rm 1.16). Também é o ensino bíblico que edifica e molda o caráter de um cristão. Por fim, temos o OUVINTE. Como alcançá-lo? Dispor os elementos da mensagem de forma clara, lógica e racional, sequencial e progressiva, estética e emocional, de modo a persuadir o ouvinte é, de fato, algo importante, mas, não suficiente. Pois, “Um sermão é um bocado de pão para ser comido, e não uma obra de arte para ser apreciada” (Phillips Brooks)

Neste estudo, veremos o papel do Espírito Santo agindo na pregação, nesse tripé acima referido, e produzindo o resultado que transforma vidas e glorifica a Deus.

Desenvolvimento:

Façamos este estudo a partir da “teologia de Jesus” sobre o papel do Espírito Santo, exposta nos Evangelhos, e, também, recorrendo aos ensinos nas epístolas. Não vamos nos limitar a estudar o agir do Espírito apenas numa pregação pública, proferida no púlpito de um templo, mas em qualquer lugar e circunstância em que essa pregação, possa ocorrer, com qualquer número de ouvintes.

1. Como é, o agir do Espírito Santo?

1.1 O Espírito é livre para agir (Jo 3.5-8)

Se o novo nascimento ou regeneração é obra do Espírito Santo; se é este mesmo Espírito que convence e produz transformação e mudança de comportamento nos ouvintes; então, pregadores e testemunhas de Cristo precisam ter sempre em mente que ele é livre para agir; e nós, somos apenas seus instrumentos. Ele jamais estará subordinado e circunscrito à nossa vontade; ao contrário, nós é que devemos nos deixar conduzir pela sua soberana vontade e direção.

1.2 O Espírito habita em nós (Jo 14.17, 23)

Nessas palavras proferidas por Jesus está explícito o relacionamento íntimo que o pregador e testemunha de Cristo tem com o Espírito: “vós o conheceis, porque ele habita convosco e estará em vós.”. Enquanto no Antigo Testamento o Espírito agia pontualmente, usando pessoas para a realização de determinados feitos, depois da ascensão de Cristo, o Consolador, foi enviado aos filhos de Deus, no Pentecostes, para habitação permanente nos remidos, unindo-os ao Corpo de Cristo (sua Igreja) e capacitando-os a serem embaixadores do Reino, proclamadores da sua mensagem de salvação a todos os povos. Nessa relação tão sublime e íntima, com o Espírito, desfrutamos do privilégio de conhecê-lo, ainda que de forma limitada, o que, provavelmente, o apóstolo Paulo se referiu como ter a “mente de Cristo” (1Co 2.16).

1.3 O Espírito fala “em nós” e “por nós” (Mt 10.20; Mc 13.11)

Quando Jesus proferiu essas palavras de instrução aos discípulos, referia-se a situações extremas de perseguição e prisão, ocasiões em que eles seriam assistidos pelo Espírito. Certamente a intenção divina não seria apenas de conceder-lhes uma palavra de sabedoria, adequada à situação. Também havia a intenção de que eles testemunhassem de Cristo diante das autoridades (Mt 10.18). Assim sendo, por que razão este mesmo Espírito também não poderia assistir o pregador ou aquele que testemunha de Cristo, em situações normais de evangelização?

A figura do Espírito falando “em nós”, nos remete àquele direcionamento espiritual, do pregador, para definir o assunto, escolher e entender o texto bíblico e escolher as ilustrações. Quem somos nós para fazer essas escolhas, por conta própria? Apenas o Espírito conhece, antecipadamente, o público que estará presente e o que cada pessoa precisa ouvir, “…porque o Espírito a todas as coisas perscruta, até mesmo as profundezas de Deus.” (1Co 2.10-11).

A figura do Espírito falando “por nós”, nos dá a certeza e segurança de que, usando parte ou todo o material preparado, ou trazendo à nossa memória outras ideias e palavras, nossas limitações quanto à exposição verbal e gestual serão superadas, de modo a alcançar o objetivo determinado pelo Senhor. Ao longo da história muitos têm falado da parte de Deus, movidos pelo Espírito (2Pe 1.21).

1.4 O Espírito nos ensina (Lc 12.12; Jo 14.26)

A Bíblia não é como uma obra literária secular qualquer; é a Palavra de Deus! E é Deus mesmo que, através do seu Espírito, nos dá a compreensão exata do seu sentido e aplicação. É maravilhoso verificar como a iluminação do Espírito, agindo sobre os que pregam e ensinam a Palavra de Deus, faz com que sejam extraídos de cada texto bíblico tantas mensagens, ensinos e aplicações para a conversão de pessoas e edificação do povo de Deus. “O homem se agita, mas Deus o conduz”. Tão importante quanto ser ensinado pelo Espírito é ser por ele lembrado do que Jesus disse; daquilo que a Bíblia nos ensinou um dia. Ele nos faz lembrar das verdades eternas e assim as compartilhamos, a tempo e a fora de tempo.

1.5 O Espírito age nos humildes (Lc 10.21)

Se alguém se julga autossuficiente, sábio e instruído, se bastando a si próprio; não deixa espaço para o agir do Espírito na sua vida, ministério e pregação: “…porque ocultaste estas coisas aos sábios e instruídos e as revelaste aos pequeninos.” Conta-se que um jovem pregador subiu ao púlpito para pregar, com a cabeça erguida, entusiasmado, confiante na sua oratória e sermão cuidadosamente preparado. No desenvolvimento da mensagem, percebeu certa frieza no auditório e uma reação bem diferente daquela que esperava. Terminada a mensagem, desceu do púlpito cabisbaixo e frustrado. Foi quando o velho pastor, ao seu lado, lhe sussurrou aos ouvidos: – Se tivesses subido ao púlpito como desceste, terias descido como subiste! A obra não é nossa, mas de Deus, bem como toda a honra e glória pertencem somente a ele. Somos apenas seus cooperadores.

2. Para que, o agir do Espírito Santo?

Encontramos a resposta a essa pergunta nas palavras de Jesus:

2.1 Guiar a toda a verdade (Jo 16.13)

Desde a queda de Adão e Eva, no Éden, a humanidade tem sido desafiada a discernir entre a verdade de Deus e a mentira de Satanás e de seus seguidores. Felizmente, não estamos sós, pois a promessa de Jesus se cumpriu: “quando vier, porém, o Espírito da verdade, ele vos guiará a toda a verdade; porque não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e vos anunciará as coisas que hão de vir.” (Jo 16.13; ver ainda Jo 12.49-50)

2.2 Dar testemunho de Cristo (Jo 15.26; At 1.8)

Jesus é o Filho de Deus, “o resplendor da glória e a expressão exata do seu Ser” (Hb 1.3), o nosso Salvador e Senhor. O Espírito nos foi dado para que pudéssemos testemunhar dele até aos confins da terra: “Quando, porém, vier o Consolador, que eu vos enviarei da parte do Pai, o Espírito da verdade, que dele procede, esse dará testemunho de mim;” (Jo 15.26); “mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra.” (At 1.8). Na primeira pregação da igreja (At 2.14-41), a pregação do Pentecostes, através de Pedro, encontramos os elementos básicos de uma pregação que agrada a Deus: a) Pregador: um pregador cheio do Espírito Santo. b) Mensagem: tem como conteúdo a citação das Escrituras Sagradas e o testemunho de Cristo: encarnado, crucificado, ressuscitado e glorificado. c) Ouvintes: todos os que estavam ao alcance da sua voz, sendo que, quase três mil, movidos pelo Espírito se arrependeram dos seus pecados, foram batizados, receberam o selo do Espírito e foram agregados à igreja.

2.3 Evangelizar, Proclamar Libertação e Curar (Lc 4.18)

“O Espírito do Senhor está sobre mim, pelo que me ungiu para…”. Assim como o Espírito esteve sobre o Senhor Jesus Cristo para a realização da sua missão que incluía evangelização, libertação e cura, foi concedido a nós para darmos continuidade a essa missão. Nós somos a sua boca para falar da parte dele: “Pois o enviado de Deus fala as palavras dele, porque Deus não dá o Espírito por medida.” (Jo 3.34). Nós somos os seus pés para ir por todo o mundo pregando as boas novas de salvação: “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações,…” (Mt 28.19).

Conclusão:

Que Deus nos ajude a compreender e viver essa unidade orgânica e identidade inconfundível do corpo de Cristo, a Igreja. Que, ao sermos chamados para pregar e testemunhar de Cristo, possamos entender claramente o papel do Espírito Santo e o nosso papel. Que nunca percamos de vista que sem o Espírito de Deus nada somos e nada podemos fazer: Ele nos regenera, habita em nós, produz em nosso caráter o “fruto do Espírito” e nos capacita para a realização da sua obra com os seus dons. “Mas um só e o mesmo Espírito realiza todas estas coisas, distribuindo-as, como lhe apraz, a cada um, individualmente.” (1Co 12.11)

[1] Homilética (bíblica): é a arte de pregar o Evangelho, de como preparar e expor um sermão.

[2] Hermenêutica (bíblica): é a ciência da interpretação do texto bíblico, utilizando um conjunto de regras e/ou preceitos e/ou técnicas.

[3] Exegese (bíblica): do grego exegesis (ex + egese = Tirar de dentro para fora), tem o sentido da investigação e explicação do texto bíblico.

Mas o fruto do Espírito é….ALEGRIA

“Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio. Contra estas coisas não há lei.” (Gl 5.22-23)

Introdução

Não podemos confundir “FRUTO DO ESPÍRITO”, com seus 9 gomos (Gl 5.22-23), que são manifestações do caráter do crente regenerado pelo Espírito Santo, com os “DONS DO ESPÍRITO” que são capacitações do Espírito para as realizações na igreja. Também é necessário distinguir “dom natural ou talento”, de “dom sobrenatural ou espiritual”, em que pese o valor e utilidade de ambos a serviço da igreja. Podemos dizer que há 20 dons espirituais, os quais são mencionados nas Escrituras Sagradas em Romanos 12.6-8, 1Coríntios 12.8-10, 1Coríntios 12.28 e Efésios 4.11.

Duas palavras estarão aqui em foco: Fruto e Alegria.

A) FRUTO

O Fruto, na biologia vegetal ou botânica e humana:

O fruto tem origem na fecundação da flor através da polinização. Suas funções são de proteção e disseminação das sementes que ficam dentro dele, perpetuando sua espécie. Os frutos geralmente são carnosos, são suculentos, bastante hidratados e geralmente comestíveis. Exemplos: mamão, abacate, manga, etc. O fruto, além desse significado atrelado à biologia vegetal, na biologia humana refere-se a filho e prole.

O Fruto, numa visão mais geral:

O fruto também tem outros significados no cotidiano, tais como: 1)Lucro, resultado, produto. 2) Proveito, utilidade. 3)Vantagem. 4)Rendimento, renda de um capital, de uma fazenda. 5)Consequência, resultado.

O Fruto, numa visão Espiritual:

O fruto do Espírito corresponde a essas mesmas ideias. No processo da regeneração e novo nascimento, o Espírito Santo fecunda em nós a natureza divina. O fruto ou resultado ou consequência disso é um novo caráter que expressa esses 9 aspectos mencionados e revela a nossa nova identidade de filhos de Deus: “Assim, pois, pelos seus frutos os conhecereis.” (Mt 7.20). Da mesma forma que no reino vegetal, esse fruto protege a semente do evangelho e a dissemina. “Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros.” (Jo 13.35)

B) ALEGRIA:

1. O QUE É ALEGRIA?

Imaginem que a ALEGRIA resolvesse fazer uma selfie em grupo. Quem você acha que faria questão de aparecer na foto? Certamente a FELICIDADE, a SATISFAÇÃO, o CONTENTAMENTO, o REGOZIJO, o JÚBILO, o PRAZER etc. Até que ponto estas palavras são distintas ou expressam a mesma coisa, são sinônimas, pelo menos algumas delas? Nos dicionários é muito comum encontrar algumas sendo usadas como sinônimos da outra ou como definição da outra. Sou inclinado a pensar que algumas expressam melhor as reações ou respostas pontuais e momentâneas aos acontecimentos, enquanto outras expressam melhor o estado geral da pessoa.

  • Alguns dizem que não existe felicidade neste mundo.
  • Outros pensam que o ser humano é infeliz, mas com alguns momentos de alegria. Assim, quanto mais ele puder promover momentos de alegria, maior será o sentimento de um estado de bem-estar e felicidade.
  • Outros dizem que são felizes, mas com alguns momentos de tristeza.

O que nos gera alegria? Como obter alegria?

2. O ESTADO DE FELICIDADE

O estado de felicidade parece ter muito mais a ver com o TER do que com o SER e com a ESCALA DE VALORES que se estabelece para a vida, cedendo ou não a pressões da sociedade.

Imaginem que a nossa vida fosse uma conta bancária, aberta no momento do nosso nascimento, com um determinado e modesto valor de depósito. Assim, ao longo dos dias, os motivos geradores de alegria ou de tristeza atuariam como se fossem créditos e débitos, respectivamente, nessa conta. Desta forma, enquanto o saldo fosse positivo, caracterizaria um estado de felicidade; e, enquanto permanecesse negativo, um estado de infelicidade. A questão a se considerar é: qual seria o motivo de alegria ou de tristeza, correspondente a um crédito ou débito tão expressivo, que fosse incapaz de possibilitar a reversão de um saldo tão positivo ou tão negativo decorrente de tal crédito ou débito? Ou seja, algo que acarretaria um estado permanente de felicidade ou de infelicidade.

Quando o salmista Davi diz, “O SENHOR é o meu pastor; nada me faltará.” (Sl 23.1), você pode chegar a duas conclusões: 1) Nada me faltará, porque ele providenciará tudo aquilo que eu precisar para viver bem. 2) Ele é o meu pastor e isso me basta. A primeira interpretação se inclina para uma visão de Deus consumista e utilitarista: ele me dará todas as coisas!  A segunda se inclina para uma visão de Deus quanto à sua essência: ele é tudo, ele é o meu bem mais precioso, ele me basta! Vale lembrar as parábolas do tesouro (Mt 13.44) e da pérola (Mt 13.45-46) quando se desfaz de tudo por elas.

A reconciliação com Deus, por meio da obra redentora do Senhor Jesus Cristo, assegura que nós, os salvos, somos de Deus e ele é nosso, que estamos nele e ele está em nós, que recebemos de Deus tudo o que há de mais precioso e duradouro. Portanto, não há tristeza capaz de “negativar nosso saldo existencial”, mudar nosso estado de felicidade para infelicidade: nem a perda da saúde, de familiares ou amigos próximos, do emprego, de bens, da liberdade etc.

3. EM BUSCA DA ALEGRIA

Para tentar gerar um estado de felicidade, as pessoas correm atrás do vento, buscando motivos efêmeros de geração de alegria, através do TER, SER E FAZER.

A experiência de Salomão, narrada em Eclesiastes 2, expressa claramente a desilusão de quem busca a felicidade nas coisas materiais.

DIVERSÃO, BEBIDAS E PRAZERES:

1  Então resolvi me divertir e gozar os prazeres da vida. Mas descobri que isso também é ilusão.
2  Cheguei à conclusão de que o riso é tolice e de que o prazer não serve para nada.
3  Procurei ainda descobrir qual a melhor maneira de viver e então resolvi me alegrar com vinho e me divertir. Pensei que talvez fosse essa a melhor coisa que uma pessoa pode fazer durante a sua curta vida aqui na terra.

EMPREENDIMENTOS PROFISSIONAIS:

4  Realizei grandes coisas. Construí casas para mim e fiz plantações de uvas.
5  Plantei jardins e pomares, com todos os tipos de árvores frutíferas.
6  Também construí açudes para regar as plantações.
7  Comprei muitos escravos e além desses tive outros, nascidos na minha casa. Tive mais gado e mais ovelhas do que todas as pessoas que moraram em Jerusalém antes de mim.

RIQUEZA, ENTRETENIMENTO E PRAZER SEXUAL:

8  Também ajuntei para mim prata e ouro dos tesouros dos reis e das terras que governei. Homens e mulheres cantaram para me divertir, e tive todas as mulheres que um homem pode desejar.

PODER, FAMA, PROJEÇÃO HUMANA:

9  Sim! Fui grande. Fui mais rico do que todos os que viveram em Jerusalém antes de mim, e nunca me faltou sabedoria.
10  Consegui tudo o que desejei. Não neguei a mim mesmo nenhum tipo de prazer. Eu me sentia feliz com o meu trabalho, e essa era a minha recompensa.

DESILUSÃO, INUTILIDADE E FUTILIDADE:

11  Mas, quando pensei em todas as coisas que havia feito e no trabalho que tinha tido para conseguir fazê-las, compreendi que tudo aquilo era ilusão, não tinha nenhum proveito. Era como se eu estivesse correndo atrás do vento.

A Linha de Plimsoll.
LIMITES DE CARGA (Cultivando o contentamento ­– Gary Inrig)

Samuel Plimsoll carregava um fardo. Envolvido no comércio de carvão, no século 19, na Inglaterra, ele conscientizou-se dos terríveis perigos que os navegadores tinham que enfrentar. A cada ano, centenas de marinheiros perdiam suas vidas em navios perigosamente sobrecarregados. Os proprietários inescrupulosos desses navios, buscando lucros cada vez maiores, não se importavam em colocar a vida dos outros em risco. Navios carregados até quase a altura do convés deixavam o porto e afundavam no mar, fato bem recebido pelos proprietários, que recebiam grandes lucros das seguradoras. Em 1873, um número impressionante de navios, 411, afundaram levando consigo centenas de homens, para o sepultamento nas águas. Para piorar ainda mais as coisas, se um homem se alistasse para uma viagem, ele não podia desistir, por mais inseguro que considerasse o navio. A lei defendia com firmeza os proprietários e trocar de navio era um crime, não importava quão perigosa fosse a embarcação. No início dos anos de 1870, um de cada três prisioneiros do sudoeste da Inglaterra era um marinheiro que se havia recusado a servir nesses navios, que ficaram conhecidos como “caixões”.

Esse problema tornou-se uma missão para Plimsoll. Sua ideia era simples. Cada navio deveria ter uma linha limite de carga, que indicasse quando estaria sobrecarregado. Com isso em mente, Plimsoll concorreu às eleições do Parlamento, em 1868, e foi eleito (deputado). Ele começou imediatamente uma campanha intensiva para salvar as vidas dos marinheiros britânicos. Fez discursos veementes na Câmara dos Comuns e escreveu um livro que chocou o público diante da exposição daquelas terríveis condições. Gradualmente, conseguiu a aprovação da opinião pública e constrangeu o governo a tomar providências. Em 1875 foi aprovada a Lei dos Navios Inapropriados para o Mar. No ano seguinte, uma lei escrita por Plimsoll foi aprovada, que exigia uma linha para limite de carga. Porém, sob pressão de interesses comerciais, o Parlamento afrouxou a lei. Permitiu que o proprietário de um navio colocasse a linha onde desejasse.

Plimsoll seguiu lutando por mais 14 anos, até serem aprovadas leis que assegurassem que a linha seria colocada num nível que desse segurança para o navio. Com o tempo, a sua linha de carga tornou-se um padrão internacional. Hoje, em todos os portos do mundo você pode ver os resultados do trabalho de Plimsoll, o que fez com que ele fosse chamado de “O Amigo dos Marinheiros”. No corpo (casco) de cada navio de carga você verá a linha Plimsoll, indicando a profundidade máxima até onde um navio pode ser carregado legalmente e de forma segura.

A vida seria muito mais fácil se existisse uma marca Plimsoll para as pessoas. Navegar pela vida exige meios de segurança. … Não chegaremos a salvo ao nosso destino, a não ser que compreendamos a linha Plimsoll divina.”

Numa sociedade fundada sobre o consumismo crônico e compulsivo, como vamos estipular limites de carga? Quanto é suficiente, na mesa da cozinha? Quanto dinheiro, para compensá-lo pelo seu trabalho? Quanto tempo, deve dedicar à sua família? Quanta glória pública, para satisfazer o seu ego? Quantos títulos, para aprofundar o seu entendimento? Quantas coisas são suficientes para você? E, sem considerar quantas coisas já tem, como você encontra — e define — satisfação?

4. VIVENDO COM ALEGRIA

Nós, os salvos, precisamos estar atentos para não cair nessa cilada de passar a vida correndo atrás do que não se tem, esquecendo-se de desfrutar do que sem tem.

“Far-me-ás ver a vereda da vida; na tua presença há abundância de alegrias; à tua mão direita há delícias perpetuamente.” (Sl 16.11)
“porque o Reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo” (Rm 14.17).

Conta-se a história de uma menina cujo pai era um resmungão crônico. Certa noite, à mesa do jantar, ela anunciou com orgulho: “Eu sei o que todos na nossa família gostam!” Ela não precisou de nenhuma persuasão para revelar a sua informação: “João gosta de hambúrgueres; Cristina adora sorvete; Jaime ama pizza; e mamãe gosta de frango.” O pai esperava pela sua vez, mas não veio nenhuma informação. Ele perguntou: “Bem, e eu? Do que o papai gosta?” Com a inocência e a dolorosa perspicácia de uma criança, a menininha respondeu: “Papai, você gosta de tudo o que nós não temos!”

Alguém descreveu a nossa sociedade como “a sociedade do inextinguível descontentamento”. Somos incentivados a pensar que precisamos adquirir, consumir, melhorar e aumentar. Nesse contexto, é raro o conceito de “suficiente”. Ninguém está fazendo propaganda das virtudes do contentamento. Mas o Espírito Santo usa justamente essa palavra para colocar o dedo numa das questões mais significativas e sensíveis nas nossas vidas: “Porque nada temos trazido para o mundo, nem coisa alguma podemos levar dele. Tendo sustento e com que nos vestir, estejamos contentes.” (1Tm 6.7-8). “Seja a vossa vida sem avareza. Contentai-vos com as coisas que tendes; porque ele tem dito: De maneira alguma te deixarei, nunca jamais te abandonarei.” (Hb 13.5). No AT encontramos as palavras de Agur: “Duas coisas te peço; não mas negues, antes que eu morra: afasta de mim a falsidade e a mentira; não me dês nem a pobreza nem a riqueza; dá-me o pão que me for necessário; para não suceder que, estando eu farto, te negue e diga: Quem é o SENHOR? Ou que, empobrecido, venha a furtar e profane o nome de Deus.” (Pv 30.7-9). Estes versículos nos apontam para a necessidade de uma linha de Plimsoll nas nossas vidas, se esperamos navegar por uma cultura materialista, com sucesso.

Conclusão:

  1. Não confunda alegria com felicidade.
  2. Desenvolva um estilo de vida com limites.
  3. Cultive a generosidade e não a avareza.
  4. Valorize o que você tem, não o que poderia ter.
  5. Invista no que é eterno, não apenas no temporário.

 


Algumas definições:

ALEGRIA: Contentamento, júbilo, prazer moral. Regozijo. Divertimento, festa. Acontecimento feliz.

Antônimos: tristeza, desgosto.

FELICIDADE: Estado de quem é feliz. Ventura. Bem-estar. Contentamento. Bom resultado, bom êxito.

SATISFAÇÃO: Ato ou efeito de satisfazer ou de satisfazer-se. Qualidade ou estado de satisfeito; contentamento, prazer. Sensação agradável que sentimos quando as coisas correm à nossa vontade ou se cumprem a nosso contento. Ação de satisfazer o que se deve a outrem; pagamento. Prestar contas a outrem de uma incumbência; desempenho. Reparação de uma ofensa. Explicação, justificação, desculpa: Não deu satisfação dos seus atos a quem quer que seja. Alegria produzida pelo cumprimento de ação meritória que se praticou.

CONTENTAMENTO: Ação ou efeito de contentar. Estado de quem está contente. Alegria, satisfação.

 

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