
Introdução
No Pentecostes a igreja começou a sua trajetória de forma impactante. Jesus foi assunto ao céu, mas o Espírito Santo desceu e inflamou os corações dos primeiros discípulos. E eles saíram por toda a parte cumprindo o IDE de Jesus e “transtornando” o mundo. Cada um dos onze apóstolos já havia dedicado sua vida integralmente ao Mestre e continuaram até o seu martírio. Outros discípulos e irmãos foram agregados, como Estêvão (também martirizado), Felipe, Barnabé e tantos outros. O poder de Deus se manifestou de forma explícita e inconfundível. O evangelho foi propagado de forma irresistível, porque as portas do inferno não podem prevalecer contra a igreja, que cresceu dia após dia.
Saulo de Tarso, o perseguidor da igreja, foi alcançado pela graça de Deus e recebeu a visita de Ananias e o comissionamento divino: “Mas o Senhor lhe disse: Vai, porque este é para mim um instrumento escolhido para levar o meu nome perante os gentios e reis, bem como perante os filhos de Israel; pois eu lhe mostrarei quanto lhe importa sofrer pelo meu nome.” (At 9.15-16). Com extremo zelo por Cristo, Saulo-Paulo e outros preciosos servos de Deus, expandiram os limites da igreja, escreveram o Novo Testamento e sistematizaram a Doutrina Cristã.
Ao longo dos séculos seguintes, apesar dos altos e baixos da igreja, Deus manteve a chama acesa e a igreja ainda hoje segue viva. Mais do que nunca essa igreja se depara agora com os sinais dos últimos tempos. Não importa quanto tempo falte (e é um erro marcar data), o fim está próximo! Jesus nos adverte: “Mas a respeito daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos dos céus, nem o Filho, senão o Pai … Por isso, ficai também vós apercebidos; porque, à hora em que não cuidais, o Filho do Homem virá.” (Mt 24.36, 44). O que fazer no tempo que ainda nos resta?
1. CONTORNANDO A APOSTASIA
“Contudo, quando vier o Filho do Homem, achará, porventura, fé na terra?” (Lc 18.8b)
“E, por se multiplicar a iniquidade, o amor se esfriará de quase todos.” (Mt 24.12)
A apostasia foi predita e já é uma realidade: “Ninguém, de nenhum modo, vos engane, porque isto não acontecerá sem que primeiro venha a apostasia e seja revelado o homem da iniquidade, o filho da perdição,” (2Ts 2.3). A Europa já vive um pós-cristianismo; o secularismo e o progressismo anticristão avançam em todo o mundo. Então, o que o remanescente fiel a Cristo deve fazer?
Nós somos hábeis para detectar “corpo mole” ou lentidão na execução da tarefa; de jogador ou time que não sua a camisa; de atendente que demora a dar a resposta etc. Você já parou para pensar que há um Deus onipresente e onisciente acompanhando o nosso desempenho como seus servos e discípulos? Como será que ele está avaliando o meu e o seu desempenho no Reino? Pense nisso!
Diante dessa triste projeção escatológica da apostasia e abandono de Deus e da fé, a igreja é desafiada a voltar o seu olhar e a reviver o mesmo ardor e primeiro amor da igreja primitiva (neotestamentária)! Entendemos que a advertência de Jesus jamais deve ser interpretada como algo que alcançará a todos e que, portanto, devemos aceitar passivamente, assimilar e cruzar os braços. Não! Definitivamente, não! Somos desafiados a nos empenharmos sempre e cada vez mais, mantendo-nos firmes no Senhor e na defesa da fé evangélica!
2. SERVINDO COM ZELO
“No zelo, não sejais remissos; sede fervorosos de espírito, servindo ao Senhor;” (Rm 12.11)
Os discípulos de Jesus são diferentes em vários aspectos; têm mais ou menos capacidade mental e intelectual, escolaridade e recursos financeiros. Entretanto, todos temos 24h por dia e muitas oportunidades para testemunhar dele. Nenhum seguidor de Jesus será desculpado por sua negligência, apatia e falta de zelo em servir ao Mestre!
O salmo messiânico fala do zelo do Messias vindouro, o que serve de referência e inspiração para os seus seguidores: “Pois o zelo da tua casa me consumiu, e as injúrias dos que te ultrajam caem sobre mim.” (Sl 69.9; comp. Jo 2.17). Zelo este não só pelo Senhor e sua obra, mas que deve alcançar, também, os seus servos: os nossos líderes, liderados, irmãos e necessitados (2Co 7.7; 9.2; 11.2).
Há muitos religiosos que têm zelo por Deus, porém, sem entendimento (Rm 10.2). O próprio apóstolo Paulo se incluiu entre estes que assim procediam, no seu passado sombrio, antes do seu encontro com o Senhor: “quanto ao zelo, perseguidor da igreja; quanto à justiça que há na lei, irrepreensível.” (Fp 3.6). Ele era fariseu e um dedicado religioso. Após a sua conversão, ele também se tornou um servo fiel e extremamente zeloso. “Alguém tentou captar o ardor da sua vida no seguinte esboço:
É homem sem preocupação de fazer amigos, sem esperança ou desejo de bens terrenos, sem apreensão por perdas terrenas, sem preocupação com a vida, sem temor da morte.
É homem livre de classe, país e condição. Homem de um só pensamento – o Evangelho de Cristo. Homem de um só propósito – a Glória de Deus. Louco, e contente por ser considerado louco por amor a Cristo. Que lhe chamem entusiasta, fanático, tagarela, ou qualquer outro grotesco título desclassificado que o mundo possa escolher para aplicar-lhe. Mas, que seja um desclassificado. Tão logo lhe chamem comerciante, chefe de família, cidadão, rico, homem do mundo, douto, ou mesmo homem de bom senso, tudo isto passa por alto sua personalidade. Ele é obrigado a falar, se não morre; e ainda que morra, falará. Não tem descanso, mas se apressa por terra e mar, por rochas e desertos ínvios. Brada alto e bom som, sem se poupar, e nada o deterá. Nas prisões, eleva a voz, e nos temporais do oceano, não fica em silêncio. Perante concílios temíveis e reis coroados, dá testemunho em prol da verdade. Nada pode apagar a sua voz, exceto a morte, e mesmo ao se lhe executar a sentença de morte, antes que a faca lhe separe a cabeça do corpo, ele fala, ora, testifica, confessa, suplica, luta e finalmente abençoa os homens cruéis.”
Ao longo da história da igreja muitos servos e servas de Deus demonstraram o desejo ardente de agradar, obedecer e servir a Deus. Somos desafiados a seguir nesta mesma linha!
3. TURBINANDO A FÉ COM UM ATEU
É isso mesmo, você não entendeu errado. William MacDonald relata que C. T. Studd (1860-1931), missionário britânico, foi estimulado por um artigo escrito por um ateu, a entregar-se à plena dedicação a Cristo. O artigo dizia assim:
“Se eu acreditasse com firmeza, como dizem milhões que acreditam, que o conhecimento e a prática da religião nesta vida influenciam o destino na outra, a religião significaria tudo para mim. Eu jogaria fora os gozos da Terra como refugo, as preocupações terrenas como loucuras, e os pensamentos e sentimentos terrenos como vaidade. A religião seria o meu primeiro pensamento ao despertar, e a última imagem em minha mente antes de dormir e afundar na inconsciência. Eu trabalharia somente por ela. Consideraria que ganhar uma alma para o céu vale uma vida de sofrimento. Consequências terrenas nunca deteriam a minha mão, nem selariam os meus lábios. A Terra, suas alegrias e suas penas não ocupariam um instante dos meus pensamentos. Lutaria para ter em consideração somente a eternidade, e para levar as almas imortais que me rodeiam a serem logo eternamente felizes ou eternamente miseráveis. Eu sairia ao mundo para pregar-lhe a tempo e a fora de tempo, e eis o texto que usaria: QUE APROVEITA AO HOMEM GANHAR O MUNDO INTEIRO E PERDER A SUA ALMA?”
C. T. Studd uma vez escreveu:
“Querem alguns viver dentro do som dos sinos de sua igreja.
Que eu dirija uma agência de resgate bem num pátio do inferno.”
João Wesley foi homem de zelo. Disse ele: “Dê-me cem homens que amem a Deus de todo o coração e não temam nada, exceto o pecado, e abalarei o mundo”.
4. APRENDENDO COM A MILITÂNCIA COMUNISTA
Não tenho dúvida de que o comunismo marxista é incompatível com o cristianismo, com a fé cristã. No artigo publicado no meu blog “Cristão e Comunismo – Como conciliar?” é feita uma ampla exposição sobre o assunto. Portanto, nosso objetivo aqui é chamar a atenção para o empenho de seguidores dessa nefasta ideologia.
“O avanço comunista no mundo é um tema complexo e controverso, que envolve diferentes perspectivas históricas, políticas e econômicas. De acordo com alguns resultados da web, o comunismo é uma ideologia que defende a abolição da propriedade privada e a igualdade social entre as classes. O comunismo foi inspirado pela teoria de Karl Marx e Friedrich Engels, mas nunca foi aplicado na sua forma original em nenhum país. No século XX, o comunismo se expandiu principalmente pela União Soviética e pela China, que lideraram blocos de países aliados contra o capitalismo ocidental. No entanto, o comunismo entrou em crise com a queda do Muro de Berlim em 1989 e o colapso da União Soviética em 1991, que marcaram o fim da Guerra Fria e a emergência dos Estados Unidos como a única superpotência mundial. Atualmente, existem poucos países que se declaram comunistas, como China, Cuba, Vietnã e Coreia do Norte, mas eles apresentam diferenças significativas entre si e têm adotado algumas reformas de mercado e abertura política.”[1]
Há quem tenha declarado que a grande decepção da igreja cristã no século XX está no fato de que se viu mais zelo entre os comunistas do que entre cristãos!
William MacDonald registra que em 1903, Lênin, um homem com 17 seguidores começou o seu ataque comunista ao mundo. Por volta de 1918, o número tinha aumentado para 40 mil e, com estes, ele conseguiu o domínio de 160 milhões de pessoas da Rússia.
Na linha do tempo simplificada dos principais eventos relacionados ao comunismo, a seguir apresentada, pode-se ver como o Brasil está na mira dessa perversa ideologia, desde o seu início (Rússia – 1917 => Brasil – 1922).
- 1848: Publicação do Manifesto Comunista de Marx e Engels, que expõe os princípios fundamentais do comunismo marxista[2] e critica o capitalismo.
- 1917: Revolução Russa, que derrubou o czarismo e instaurou o primeiro Estado socialista do mundo, liderado por Lenin e pelo Partido Bolchevique.
- 1922: Formação da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). A Rússia comunista é formalmente organizada como a URSS, uma união de repúblicas socialistas.
- 1922: Fundação do Partido Comunista do Brasil (PCB), um dos primeiros partidos comunistas da América Latina.
- 1924: Morte de Lênin e ascensão de Stalin. Josef Stalin emerge como o líder dominante da URSS após a morte de Lênin, consolidando seu poder ao longo dos anos.
- 1945: Fim da Segunda Guerra Mundial. A URSS desponta como uma das superpotências após a derrota da Alemanha nazista, dando início à Guerra Fria com os Estados Unidos e seus aliados ocidentais.
- 1949: Estabelecimento da República Popular da China. Liderados por Mao Tsé-tung, os comunistas vencem a Guerra Civil Chinesa e estabelecem o governo comunista na China continental.
- 1959: Revolução Cubana. Liderada por Fidel Castro, a Revolução Cubana resultou na instauração de um governo comunista em Cuba.
- 1960-1980: Disseminação do comunismo. O comunismo se espalhou por várias partes do mundo, como os países do bloco oriental da Europa (Europa Oriental), Vietnã, Laos, Camboja e outros.
- 1989-1991: Queda do comunismo europeu. Eventos como a queda do Muro de Berlim (1989) e o colapso da URSS (1991) marcam o fim do bloco comunista europeu e o enfraquecimento do comunismo globalmente.
- Século XXI: Comunismo Contemporâneo. O comunismo continua a existir em alguns países, embora tenha perdido a influência global que teve durante o século XX.
Engana-se quem ignora e subestima a força e a determinação expansionista e dominadora dos defensores do comunismo! Vale ressaltar que a causa nunca foi pela igualdade ou pelos menos favorecidos, mas sim pela ambição do poder. Eles estão mais vivos do que nunca, com tentáculos nos sindicatos, nas escolas e universidades, nas várias expressões e manifestações culturais (marxismo cultural) etc. É um comunismo travestido de socialismo. Eles podem esconder o rótulo, mudar a embalagem, mas o produto é o mesmo: estado forte e ditador; fim do direito a herança, a propriedade etc. Eles são como o diabo, nunca desistem! Por mais que nós cristãos esclarecidos e atentos repelimos essa ideologia, não podemos deixar de admirar o zelo e determinação que têm em prol da sua causa.
Conta-se que, em certa ocasião, Billy Graham leu uma carta escrita por um estudante universitário americano que se converteu ao comunismo, no México. O propósito da carta era explicar à sua noiva os motivos que o levavam a romper o seu compromisso com ela. Preste bem a atenção ao que ele diz e compare com a sua vida cristã. É bom deixar claro desde já que não há aqui qualquer incitação ao fanatismo cristão, tão somente à necessidade de reflexão sobre a proposta do discipulado cristão e como estamos respondendo a ela. Eis o texto da carta:
“Nós comunistas temos alto índice de baixas. Somos dos que são alvejados, enforcados, linchados, provocados, intimados, detidos, despachados dos empregos, e por todos os outros meios dão-nos tanto desconforto quanto possível. Certa porcentagem de nós é morta ou aprisionada. Vivemos virtualmente na pobreza. Devolvemos ao partido cada centavo além do absolutamente necessário para manter-nos vivos. Nós comunistas não temos tempo para muitos cinemas, concertos, lautas refeições, ou casas decentes e carros novos. Temos sido descritos como fanáticos. Somos fanáticos. As nossas vidas são dominadas por um grande fator que a tudo eclipsa: A LUTA PELO COMUNISMO MUNDIAL.
Nós comunistas temos uma filosofia de vida que nenhuma soma de dinheiro poderia comprar. Temos uma causa pela qual lutar, um propósito definido na vida. Subordinamos o nosso pequenino ´eu` pessoal a um grande movimento da humanidade, e se a nossa vida pessoal parece dura, ou se o nosso ego parece sofrer com a subordinação ao partido, temos adequada recompensa no pensamento de que cada um de nós a seu modesto modo, está contribuindo para algo novo, real e melhor para a espécie humana. Há uma coisa na qual estou empenhado com um intenso zelo, e essa coisa é a causa comunista. É minha vida, meu negócio, minha religião, minha distração, minha namorada, minha esposa, minha amante, meu pão, minha comida. Trabalho por essa causa o dia inteiro, e de noite sonho com ela. Sua posse sobre mim cresce; não diminui com o passar do tempo. Portanto, não posso dar continuidade a uma amizade, a um caso de amor, ou sequer a uma conversação, sem ligar isso a esta força que ao mesmo tempo empurra e guia a minha vida. Avalio as pessoas, os livros, as ideias e as ações segundo a forma como afetam a causa comunista e por sua atitude para com ela. Já estive na prisão por causa das minhas ideias e, se necessário, estou pronto para enfrentar o pelotão de fuzilamento.”
Enfim, se os comunistas podem ser assim tão determinados e dedicados à sua causa, quanto mais nós cristãos deveríamos nos entregar, de corpo e alma, à causa de Cristo? Ou, será que o que Cristo fez por nós não merece que façamos tudo por ele? Ou, será que uma causa como a comunista, terrena e limitada a esta vida, com efeito desastroso para a humanidade, seria mais importante do que a de Cristo, que traz uma nova vida que jorra para a vida eterna?
Conclusão
“Não deixemos de congregar-nos, como é costume de alguns; antes, façamos admoestações e tanto mais quanto vedes que o Dia se aproxima.” (Hb 10.25)
Muitos são os desafios que se apresentam para a igreja à medida que o dia da volta de Cristo se aproxima. Desafios externos e internos à igreja. A sedução do secularismo e dos atrativos efêmeros ofertados tentam nos desviar do foco e da nossa principal missão aqui neste mundo. Muitos que caminham conosco se levantam criticando a igreja e outros, que já desertaram seguindo “carreira solo” incentivam a opção de “desigrejados”. Muitos perderam de vista que foram salvos para servir e se comportam como clientes exigentes a serem servidos. A perseguição à igreja aumenta cada vez mais porque ela ainda incomoda e se opõe às ideologias nefastas e práticas pecaminosas desse sistema mundano.
“Eu de boa vontade me gastarei e ainda me deixarei gastar em prol da vossa alma.” (2Co 12.15)
Portanto, diante de tal contexto e na expectativa da iminente volta de Cristo, não é o caso de se render à apostasia. Ao contrário, vigiemos e oremos. Permitamos que o nosso coração possa arder por Cristo, continuamente. Que, no tempo que se chama hoje, possamos nos empenhar, nos gastar, servindo ao Senhor, à sua igreja, aos irmãos e aos ainda não alcançados pela graça divina!
“exortamos, consolamos e admoestamos, para viverdes por modo digno de Deus, que vos chama para o seu reino e glória.” (1Ts 2.12)
É tempo de nos admoestarmos e encorajarmos uns aos outros!
Que o Senhor nos ajude!
Bibliografia
1. Bíblia Sagrada (SBB – Versão Revista e Atualizada).
2. Bíblia Online – SBB.
3. O Discipulado verdadeiro – William MacDonald (Ed. Mundo Cristão).
4. Enciclopédia Mirador Internacional.
5. Internet.
[1] Internet
[2] “Tendo em vista a situação específica de sua época, Marx fornece em seguida algumas características do comunismo: abolição da propriedade dos meios sociais de produção, o que não significa abolição de toda e qualquer espécie de propriedade privada; supressão da apropriação do trabalho de outrem; supressão da estrutura familiar burguesa, o que não significa supressão da família.”


