Coração ardendo por Cristo!

Introdução

No Pentecostes a igreja começou a sua trajetória de forma impactante. Jesus foi assunto ao céu, mas o Espírito Santo desceu e inflamou os corações dos primeiros discípulos. E eles saíram por toda a parte cumprindo o IDE de Jesus e “transtornando” o mundo. Cada um dos onze apóstolos já havia dedicado sua vida integralmente ao Mestre e continuaram até o seu martírio. Outros discípulos e irmãos foram agregados, como Estêvão (também martirizado), Felipe, Barnabé e tantos outros. O poder de Deus se manifestou de forma explícita e inconfundível. O evangelho foi propagado de forma irresistível, porque as portas do inferno não podem prevalecer contra a igreja, que cresceu dia após dia.

Saulo de Tarso, o perseguidor da igreja, foi alcançado pela graça de Deus e recebeu a visita de Ananias e o comissionamento divino: “Mas o Senhor lhe disse: Vai, porque este é para mim um instrumento escolhido para levar o meu nome perante os gentios e reis, bem como perante os filhos de Israel; pois eu lhe mostrarei quanto lhe importa sofrer pelo meu nome.” (At 9.15-16). Com extremo zelo por Cristo, Saulo-Paulo e outros preciosos servos de Deus, expandiram os limites da igreja, escreveram o Novo Testamento e sistematizaram a Doutrina Cristã.

Ao longo dos séculos seguintes, apesar dos altos e baixos da igreja, Deus manteve a chama acesa e a igreja ainda hoje segue viva. Mais do que nunca essa igreja se depara agora com os sinais dos últimos tempos. Não importa quanto tempo falte (e é um erro marcar data), o fim está próximo! Jesus nos adverte: “Mas a respeito daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos dos céus, nem o Filho, senão o Pai … Por isso, ficai também vós apercebidos; porque, à hora em que não cuidais, o Filho do Homem virá.” (Mt 24.36, 44). O que fazer no tempo que ainda nos resta?

1. CONTORNANDO A APOSTASIA

“Contudo, quando vier o Filho do Homem, achará, porventura, fé na terra?” (Lc 18.8b)
“E, por se multiplicar a iniquidade, o amor se esfriará de quase todos.” (Mt 24.12)

A apostasia foi predita e já é uma realidade: “Ninguém, de nenhum modo, vos engane, porque isto não acontecerá sem que primeiro venha a apostasia e seja revelado o homem da iniquidade, o filho da perdição,” (2Ts 2.3). A Europa já vive um pós-cristianismo; o secularismo e o progressismo anticristão avançam em todo o mundo. Então, o que o remanescente fiel a Cristo deve fazer?

Nós somos hábeis para detectar “corpo mole” ou lentidão na execução da tarefa; de jogador ou time que não sua a camisa; de atendente que demora a dar a resposta etc. Você já parou para pensar que há um Deus onipresente e onisciente acompanhando o nosso desempenho como seus servos e discípulos? Como será que ele está avaliando o meu e o seu desempenho no Reino? Pense nisso!

Diante dessa triste projeção escatológica da apostasia e abandono de Deus e da fé, a igreja é desafiada a voltar o seu olhar e a reviver o mesmo ardor e primeiro amor da igreja primitiva (neotestamentária)! Entendemos que a advertência de Jesus jamais deve ser interpretada como algo que alcançará a todos e que, portanto, devemos aceitar passivamente, assimilar e cruzar os braços. Não! Definitivamente, não! Somos desafiados a nos empenharmos sempre e cada vez mais, mantendo-nos firmes no Senhor e na defesa da fé evangélica!

2. SERVINDO COM ZELO

“No zelo, não sejais remissos; sede fervorosos de espírito, servindo ao Senhor;” (Rm 12.11)

Os discípulos de Jesus são diferentes em vários aspectos; têm mais ou menos capacidade mental e intelectual, escolaridade e recursos financeiros. Entretanto, todos temos 24h por dia e muitas oportunidades para testemunhar dele. Nenhum seguidor de Jesus será desculpado por sua negligência, apatia e falta de zelo em servir ao Mestre!  

O salmo messiânico fala do zelo do Messias vindouro, o que serve de referência e inspiração para os seus seguidores: “Pois o zelo da tua casa me consumiu, e as injúrias dos que te ultrajam caem sobre mim.” (Sl 69.9; comp. Jo 2.17). Zelo este não só pelo Senhor e sua obra, mas que deve alcançar, também, os seus servos: os nossos líderes, liderados, irmãos e necessitados (2Co 7.7; 9.2; 11.2).

Há muitos religiosos que têm zelo por Deus, porém, sem entendimento (Rm 10.2). O próprio apóstolo Paulo se incluiu entre estes que assim procediam, no seu passado sombrio, antes do seu encontro com o Senhor: “quanto ao zelo, perseguidor da igreja; quanto à justiça que há na lei, irrepreensível.” (Fp 3.6). Ele era fariseu e um dedicado religioso. Após a sua conversão, ele também se tornou um servo fiel e extremamente zeloso. “Alguém tentou captar o ardor da sua vida no seguinte esboço:

É homem sem preocupação de fazer amigos, sem esperança ou desejo de bens terrenos, sem apreensão por perdas terrenas, sem preocupação com a vida, sem temor da morte.

É homem livre de classe, país e condição. Homem de um só pensamento – o Evangelho de Cristo. Homem de um só propósito – a Glória de Deus. Louco, e contente por ser considerado louco por amor a Cristo. Que lhe chamem entusiasta, fanático, tagarela, ou qualquer outro grotesco título desclassificado que o mundo possa escolher para aplicar-lhe. Mas, que seja um desclassificado. Tão logo lhe chamem comerciante, chefe de família, cidadão, rico, homem do mundo, douto, ou mesmo homem de bom senso, tudo isto passa por alto sua personalidade. Ele é obrigado a falar, se não morre; e ainda que morra, falará. Não tem descanso, mas se apressa por terra e mar, por rochas e desertos ínvios. Brada alto e bom som, sem se poupar, e nada o deterá. Nas prisões, eleva a voz, e nos temporais do oceano, não fica em silêncio. Perante concílios temíveis e reis coroados, dá testemunho em prol da verdade. Nada pode apagar a sua voz, exceto a morte, e mesmo ao se lhe executar a sentença de morte, antes que a faca lhe separe a cabeça do corpo, ele fala, ora, testifica, confessa, suplica, luta e finalmente abençoa os homens cruéis.

Ao longo da história da igreja muitos servos e servas de Deus demonstraram o desejo ardente de agradar, obedecer e servir a Deus. Somos desafiados a seguir nesta mesma linha!

3. TURBINANDO A FÉ COM UM ATEU

É isso mesmo, você não entendeu errado. William MacDonald relata que C. T. Studd (1860-1931),  missionário britânico, foi estimulado por um artigo escrito por um ateu, a entregar-se à plena dedicação a Cristo. O artigo dizia assim:

“Se eu acreditasse com firmeza, como dizem milhões que acreditam, que o conhecimento e a prática da religião nesta vida influenciam o destino na outra, a religião significaria tudo para mim. Eu jogaria fora os gozos da Terra como refugo, as preocupações terrenas como loucuras, e os pensamentos e sentimentos terrenos como vaidade. A religião seria o meu primeiro pensamento ao despertar, e a última imagem em minha mente antes de dormir e afundar na inconsciência. Eu trabalharia somente por ela. Consideraria que ganhar uma alma para o céu vale uma vida de sofrimento. Consequências terrenas nunca deteriam a minha mão, nem selariam os meus lábios. A Terra, suas alegrias e suas penas não ocupariam um instante dos meus pensamentos. Lutaria para ter em consideração somente a eternidade, e para levar as almas imortais que me rodeiam a serem logo eternamente felizes ou eternamente miseráveis. Eu sairia ao mundo para pregar-lhe a tempo e a fora de tempo, e eis o texto que usaria: QUE APROVEITA AO HOMEM GANHAR O MUNDO INTEIRO E PERDER A SUA ALMA?”

C. T. Studd uma vez escreveu:

“Querem alguns viver dentro do som dos sinos de sua igreja.
Que eu dirija uma agência de resgate bem num pátio do inferno.”

João Wesley foi homem de zelo. Disse ele: “Dê-me cem homens que amem a Deus de todo o coração e não temam nada, exceto o pecado, e abalarei o mundo”.

4. APRENDENDO COM A MILITÂNCIA COMUNISTA

Não tenho dúvida de que o comunismo marxista é incompatível com o cristianismo, com a fé cristã. No artigo publicado no meu blog Cristão e Comunismo – Como conciliar? é feita uma ampla exposição sobre o assunto. Portanto, nosso objetivo aqui é chamar a atenção para o empenho de seguidores dessa nefasta ideologia.

“O avanço comunista no mundo é um tema complexo e controverso, que envolve diferentes perspectivas históricas, políticas e econômicas. De acordo com alguns resultados da web, o comunismo é uma ideologia que defende a abolição da propriedade privada e a igualdade social entre as classes. O comunismo foi inspirado pela teoria de Karl Marx e Friedrich Engels, mas nunca foi aplicado na sua forma original em nenhum país. No século XX, o comunismo se expandiu principalmente pela União Soviética e pela China, que lideraram blocos de países aliados contra o capitalismo ocidental. No entanto, o comunismo entrou em crise com a queda do Muro de Berlim em 1989 e o colapso da União Soviética em 1991, que marcaram o fim da Guerra Fria e a emergência dos Estados Unidos como a única superpotência mundial. Atualmente, existem poucos países que se declaram comunistas, como China, Cuba, Vietnã e Coreia do Norte, mas eles apresentam diferenças significativas entre si e têm adotado algumas reformas de mercado e abertura política.”[1]

Há quem tenha declarado que a grande decepção da igreja cristã no século XX está no fato de que se viu mais zelo entre os comunistas do que entre cristãos!

William MacDonald registra que em 1903, Lênin, um homem com 17 seguidores começou o seu ataque comunista ao mundo. Por volta de 1918, o número tinha aumentado para 40 mil e, com estes, ele conseguiu o domínio de 160 milhões de pessoas da Rússia.

Na linha do tempo simplificada dos principais eventos relacionados ao comunismo, a seguir apresentada, pode-se ver como o Brasil está na mira dessa perversa ideologia, desde o seu início (Rússia – 1917 => Brasil – 1922).

  • 1848: Publicação do Manifesto Comunista de Marx e Engels, que expõe os princípios fundamentais do comunismo marxista[2] e critica o capitalismo.
  • 1917: Revolução Russa, que derrubou o czarismo e instaurou o primeiro Estado socialista do mundo, liderado por Lenin e pelo Partido Bolchevique.
  • 1922: Formação da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). A Rússia comunista é formalmente organizada como a URSS, uma união de repúblicas socialistas.
  • 1922: Fundação do Partido Comunista do Brasil (PCB), um dos primeiros partidos comunistas da América Latina.
  • 1924: Morte de Lênin e ascensão de Stalin. Josef Stalin emerge como o líder dominante da URSS após a morte de Lênin, consolidando seu poder ao longo dos anos.
  • 1945: Fim da Segunda Guerra Mundial. A URSS desponta como uma das superpotências após a derrota da Alemanha nazista, dando início à Guerra Fria com os Estados Unidos e seus aliados ocidentais.
  • 1949: Estabelecimento da República Popular da China. Liderados por Mao Tsé-tung, os comunistas vencem a Guerra Civil Chinesa e estabelecem o governo comunista na China continental.
  • 1959: Revolução Cubana. Liderada por Fidel Castro, a Revolução Cubana resultou na instauração de um governo comunista em Cuba.
  • 1960-1980: Disseminação do comunismo. O comunismo se espalhou por várias partes do mundo, como os países do bloco oriental da Europa (Europa Oriental), Vietnã, Laos, Camboja e outros.
  • 1989-1991: Queda do comunismo europeu. Eventos como a queda do Muro de Berlim (1989) e o colapso da URSS (1991) marcam o fim do bloco comunista europeu e o enfraquecimento do comunismo globalmente.
  • Século XXI: Comunismo Contemporâneo. O comunismo continua a existir em alguns países, embora tenha perdido a influência global que teve durante o século XX.

Engana-se quem ignora e subestima a força e a determinação expansionista e dominadora dos defensores do comunismo! Vale ressaltar que a causa nunca foi pela igualdade ou pelos menos favorecidos, mas sim pela ambição do poder. Eles estão mais vivos do que nunca, com tentáculos nos sindicatos, nas escolas e universidades, nas várias expressões e manifestações culturais (marxismo cultural) etc. É um comunismo travestido de socialismo. Eles podem esconder o rótulo, mudar a embalagem, mas o produto é o mesmo: estado forte e ditador; fim do direito a herança, a propriedade etc. Eles são como o diabo, nunca desistem! Por mais que nós cristãos esclarecidos e atentos repelimos essa ideologia, não podemos deixar de admirar o zelo e determinação que têm em prol da sua causa.

Conta-se que, em certa ocasião, Billy Graham leu uma carta escrita por um estudante universitário americano que se converteu ao comunismo, no México. O propósito da carta era explicar à sua noiva os motivos que o levavam a romper o seu compromisso com ela. Preste bem a atenção ao que ele diz e compare com a sua vida cristã. É bom deixar claro desde já que não há aqui qualquer incitação ao fanatismo cristão, tão somente à necessidade de reflexão sobre a proposta do discipulado cristão e como estamos respondendo a ela. Eis o texto da carta:

“Nós comunistas temos alto índice de baixas. Somos dos que são alvejados, enforcados, linchados, provocados, intimados, detidos, despachados dos empregos, e por todos os outros meios dão-nos tanto desconforto quanto possível. Certa porcentagem de nós é morta ou aprisionada. Vivemos virtualmente na pobreza. Devolvemos ao partido cada centavo além do absolutamente necessário para manter-nos vivos. Nós comunistas não temos tempo para muitos cinemas, concertos, lautas refeições, ou casas decentes e carros novos. Temos sido descritos como fanáticos. Somos fanáticos. As nossas vidas são dominadas por um grande fator que a tudo eclipsa: A LUTA PELO COMUNISMO MUNDIAL.

Nós comunistas temos uma filosofia de vida que nenhuma soma de dinheiro poderia comprar. Temos uma causa pela qual lutar, um propósito definido na vida. Subordinamos o nosso pequenino ´eu` pessoal a um grande movimento da humanidade, e se a nossa vida pessoal parece dura, ou se o nosso ego parece sofrer com a subordinação ao partido, temos adequada recompensa no pensamento de que cada um de nós a seu modesto modo, está contribuindo para algo novo, real e melhor para a espécie humana. Há uma coisa na qual estou empenhado com um intenso zelo, e essa coisa é a causa comunista. É minha vida, meu negócio, minha religião, minha distração, minha namorada, minha esposa, minha amante, meu pão, minha comida. Trabalho por essa causa o dia inteiro, e de noite sonho com ela. Sua posse sobre mim cresce; não diminui com o passar do tempo. Portanto, não posso dar continuidade a uma amizade, a um caso de amor, ou sequer a uma conversação, sem ligar isso a esta força que ao mesmo tempo empurra e guia a minha vida. Avalio as pessoas, os livros, as ideias e as ações segundo a forma como afetam a causa comunista e por sua atitude para com ela. Já estive na prisão por causa das minhas ideias e, se necessário, estou pronto para enfrentar o pelotão de fuzilamento.”

Enfim, se os comunistas podem ser assim tão determinados e dedicados à sua causa, quanto mais nós cristãos deveríamos nos entregar, de corpo e alma, à causa de Cristo? Ou, será que o que Cristo fez por nós não merece que façamos tudo por ele? Ou, será que uma causa como a comunista, terrena e limitada a esta vida, com efeito desastroso para a humanidade, seria mais importante do que a de Cristo, que traz uma nova vida que jorra para a vida eterna?

Conclusão

“Não deixemos de congregar-nos, como é costume de alguns; antes, façamos admoestações e tanto mais quanto vedes que o Dia se aproxima.” (Hb 10.25)

Muitos são os desafios que se apresentam para a igreja à medida que o dia da volta de Cristo se aproxima. Desafios externos e internos à igreja. A sedução do secularismo e dos atrativos efêmeros ofertados tentam nos desviar do foco e da nossa principal missão aqui neste mundo. Muitos que caminham conosco se levantam criticando a igreja e outros, que já desertaram seguindo “carreira solo” incentivam a opção de “desigrejados”. Muitos perderam de vista que foram salvos para servir e se comportam como clientes exigentes a serem servidos. A perseguição à igreja aumenta cada vez mais porque ela ainda incomoda e se opõe às ideologias nefastas e práticas pecaminosas desse sistema mundano.

“Eu de boa vontade me gastarei e ainda me deixarei gastar em prol da vossa alma.” (2Co 12.15)

Portanto, diante de tal contexto e na expectativa da iminente volta de Cristo, não é o caso de se render à apostasia. Ao contrário, vigiemos e oremos. Permitamos que o nosso coração possa arder por Cristo, continuamente. Que, no tempo que se chama hoje, possamos nos empenhar, nos gastar, servindo ao Senhor, à sua igreja, aos irmãos e aos ainda não alcançados pela graça divina!   

“exortamos, consolamos e admoestamos, para viverdes por modo digno de Deus, que vos chama para o seu reino e glória.” (1Ts 2.12)

É tempo de nos admoestarmos e encorajarmos uns aos outros!

Que o Senhor nos ajude!

Bibliografia
1. Bíblia Sagrada (SBB – Versão Revista e Atualizada).
2. Bíblia Online – SBB.
3. O Discipulado verdadeiro – William MacDonald (Ed. Mundo Cristão).
4. Enciclopédia Mirador Internacional.
5. Internet.


[1] Internet

[2] “Tendo em vista a situação específica de sua época, Marx fornece em seguida algumas características do comunismo: abolição da propriedade dos meios sociais de produção, o que não significa abolição de toda e qualquer espécie de propriedade privada; supressão da apropriação do trabalho de outrem; supressão da estrutura familiar burguesa, o que não significa supressão da família.”

A Cronologia de Saulo-Paulo

  1. A vida de Paulo antes da conversão (0 a 30 anos):
  • 5 DC – Provável nascimento e infância em Tarso (judeu da dispersão)(At 22.3)

  • 20/26 DC – Estudos em Jerusalém – Como judeu zeloso, da seita dos fariseus (At 22.3; Gl 1.13,14; Fp 3.5-6; At 26.4, 5)

  • 26/32 DC – Estudos em Tarso

  • 32 DC – Perseguidor dos cristãos (Gl 1.13; 1Co 15.9; At 8.3; 9.1; 22.4-5; Fp 3.6; 1Tm 1.13)

  • 35(?) DC – A conversão de Paulo (Gl 1.15; 1Co 9.1; talvez 2Co 12.1-4; At 9.1- 19; 22.4-16; 26.9-18)

2. A carreira de Paulo como apóstolo (30 a 62 anos):

  • 37/39 DC – Três anos na Arábia e em Damasco (e em outras áreas) (Gl 1.17)

    – Quinze dias de visita a Jerusalém – Paulo viu a Pedro e a Tiago, irmão de Jesus (Gl 1.18-19)

  • 39/43 DC – Prega em Tarso e em outros lugares da Síria e da Cilícia (At 9 e Gl 1.21)

  • 43/44 DC – Prega com Barnabé em Antioquia (At 11.19-26)

  • 44/45 DC – Viagem a Jerusalém durante a fome (At 11.27-30)

  • 45/47 DC – Primeira viagem missionária (At 13 e 14)

  • 49 DC – Faz-se presente ao Concílio de Jerusalém (Gl 2.1; At 15)

  • 49/51 DC – Segunda viagem missionária (At 15 a 18)

  • 51/56 DC – Terceira viagem missionária (At 18 a 21)

  • 56 DC – Aprisionamento em Jerusalém (At 21)

3. Termina a coleta para os pobres de Jerusalém (At 24.17-18; Rm 15.25-27)

4. Planos de visitar a Espanha e Roma (Rm 15.24, 28)

  • 56/58 DC – Aprisionamento em Cesaréia (At 23 a 26)

  • 58/59 DC – Viagem a Roma (At 27 e 28)

  • 59/61 DC – Aprisionamento em Roma – conforme tradição cristã (At 28)

  • 61/64 DC – Viagens à Espanha, Creta, Macedônia e Grécia (não mencionadas em Atos, embora indicadas em outros documentos como o cânon muratoriano e as epístolas de Clemente)

  • 64/67 DC – Segundo aprisionamento e execução em Roma, durante as perseguições movidas por Nero (só tradição cristã, sem qualquer alusão bíblica)  (Obs.: Nero incendiou Roma em 64 DC)


Veja, também:

Breve Cronologia Bíblica

A conversão de Saulo-Paulo (Atos 9.1-19)

Introdução

Paulo, apóstolo enviado aos gentios, é tão proeminente e importante, para que se compreenda a totalidade do movimento cristão, que merece comentários exclusivamente sobre ele. Por conseguinte, torna-se relevante responder aqui a três perguntas: Quem era Saulo-Paulo? O que ele fazia contra a igreja? O que aconteceu na sua conversão?

1. BIOGRAFIA DE SAULO-PAULO (PARCIAL)

Quem era Saulo-Paulo?

1.1 Fontes de Informação

Sabe-se muito mais acerca do apóstolo Paulo do que sobre qualquer outro personagem apostólico. Nosso conhecimento sobre esse apóstolo e o seu ministério é praticamente tudo quanto se sabe acerca do desenvolvimento do Cristianismo, durante aqueles dias. Fora de suas próprias epístolas e do livro de Atos dos Apóstolos, no Novo Testamento temos apenas uma referência adicional a ele, a saber, em 2Pedro 3.15, onde se lê: “…O nosso amado irmão Paulo…”. A fonte primária de informação, portanto, é o livro de Atos, a fonte secundária de informação são as suas epístolas e as alusões incidentais que ele faz a si mesmo e às suas viagens.

1.2 Sua Origem

Nossos conhecimentos sobre os primeiros anos de sua vida são escassos. Desde o seu nascimento (cerca de 5DC) até o seu aparecimento, em Jerusalém (cerca de 32DC), como o perseguidor dos Cristãos, possuímos informações meramente esparsas, parte das quais não passa de conjectura. Sabemos, contudo, que ele era hebreu (2Co 11.22; Rm 9.1-5; Fp 3.5), nasceu em Tarso, “..cidade não insignificante da Cilícia..” (At 21.39; 22.3); foi circuncidado ao oitavo dia (Fp 3.5), tendo sido criado em Jerusalém (At 22.3).

Não se sabe qual o ano do nascimento de Paulo; porém, quando do apedrejamento de Estevão (que ocorreu em cerca de 32 DC), lemos que Saulo era um jovem (At 7.58). É razoável supor, por conseguinte, que ele tenha nascido na primeira década do século I DC, sendo, assim, um contemporâneo mais jovem de Jesus, embora não haja qualquer evidência de que ele tenha visto alguma vez o Senhor. E não é provável que o tenha visto, pois Paulo jamais se refere ao fato.

Ao nascer, o menino recebeu o nome de Saulo. “Saulo é a versão grega do nome Chaul, em português Saul, de origem hebraica”. Significa “aquele que foi muito desejado”, “o que foi pedido insistentemente” ou “aquele que foi conseguido através de orações”. Paulo significa “pequeno”; mas também é possível que ele tenha recebido o nome de Paulo, simplesmente por ter som semelhante ao nome de “Saulo”. A partir de Atos 13.9, no início da sua primeira viagem missionária, ele passa a ser mencionado como Paulo: “Todavia, Saulo, também chamado Paulo,…”. Também é possível que o apóstolo tivesse um nome romano; mas, nesse caso, não deve tê-lo usado com frequência, portanto, não temos qualquer informação sobre qual seria esse nome. A alteração posterior de seu nome, de Saulo para Paulo, mui provavelmente foi apenas a adoção de seu apelido como nome próprio (At 13.9). Saulo é a forma semítica (hebraica); Paulo, a grega. Das muitas razões sugeridas para a introdução do nome grego, a mais aceitável é que Paulo, agora assumindo a posição de líder da missão gentílica, a forma grega de seu nome era mais apropriada e Lucas passa a designá-lo assim.

Paulo nasceu como cidadão romano (At 16.37; 23.27), provavelmente porque o seu pai também era cidadão romano (At 22.25-28). “Nascer livre” significava nascer romano de um pai que tinha a cidadania romana. Como seu pai obtivera a cidadania romana – se ela foi adquirida a dinheiro, por causa de algum serviço prestado ao estado, ou por outro meio qualquer – não sabemos dizê-lo. Porém, a cidadania romana conferia privilégios e uma proteção que serviram muito bem a Paulo durante seus empreendimentos missionários. Não fosse essa cidadania, e, naturalmente a proteção divina, Paulo teria sido morto ainda no começo de seu ministério. Isto ilustra como Deus usa as condições de cada pessoa. Nenhum dos outros apóstolos era capacitado, por formação e características próprias, a fazer o trabalho que Paulo fez (At 16.35-39; 22.25-29; 23.27).

Os progenitores de Paulo eram judeus muito religiosos,  pertencentes à seita dos fariseus, ou, pelo menos, fortemente influenciados por esse grupo (At 23.6) criaram o seu filho segundo o judaísmo mais estrito (At 26.4-5; Fp 3.5; Gl 1.14) e pertenciam à tribo de Benjamim (Fp 3.5-6).

Pouco se sabe sobre a família de Paulo. Por seus conselhos em 1Coríntios  7.7-8 pode se deduzir que ele era solteiro ou viúvo. De conformidade com o livro de Atos, Paulo tinha uma irmã e um sobrinho que viviam em Jerusalém (At 23.16). Em Romanos são ainda mencionados seus parentes Andrônico e Júnias (Rm 16.7) e Herodião (Rm 16.11).

1.3 Formação

O próprio Paulo aprendera uma profissão em Tarso, a de fabricante de tendas (At 18.3), posto que era costume entre os judeus ensinar alguma profissão.

O treinamento de Saulo, quanto à sabedoria secular ou profana, mui provavelmente incluiu a educação filosófica ordinária, a retórica e a matemática, sem falarmos em seus estudos sobre religião judaica (ver At 22.3; 26.4 e diversas referências, em suas epístolas, a questões como “coroas”, jogos atléticos, lutas etc., o que também servia de principais ilustrações entre os filósofos estoicos para ilustrar os princípios éticos). O fato é que o grego utilizado por Paulo, em suas epístolas, é uma excelente variedade do grego literário “koiné”, o que nos mostra quão bem alicerçada fora a sua educação na linguagem, além de ficar demonstrado o fato de que ele falava o grego como seu idioma nativo (At 21.37), provavelmente do mesmo modo que o hebraico (At 22.2; 21.40). Não se há de duvidar que esse apóstolo também conhecia o latim, e, antes do fim de suas viagens missionárias, já teria aprendido mais um ou dois idiomas (1Co 14.18). Em Jerusalém, Paulo estudou sob a orientação do grande Rabban Gamaliel, o velho, que era altamente respeitado como mestre (At 22.3).

O testemunho pessoal de Paulo, mostra que ele era indivíduo intensamente religioso, tendo-se destacado nessas questões acima de outros jovens de sua idade (At 22.3; Fp 3.6; Gl 1.14). Frequentava regularmente as sinagogas judaicas, antes de sua conversão, e, quando já atingira idade suficiente, tornou-se seguidor fiel do farisaísmo.

Sendo indivíduo religioso tão intenso, tinha alta consideração pelas Escrituras, e a sua conversão não alterou a sua atitude, embora talvez ele tenha compreendido que algumas passagens eram alegóricas e outras literais, conforme se vê em 1 Coríntios 10.1-11 e Gálatas 4.22-31. A erudição maior de Paulo fora adquirida em Jerusalém, naquela escola de fariseus, o que também contribui com algo para explicar o caráter geral de sua vida e de suas crenças, alicerçadas firmemente no judaísmo tradicional.

2. A CONVERSÃO DE SAULO-PAULO (At 9.1-19)

A história da conversão de Paulo é narrada em três lugares do livro de Atos (At 9.3-19; 22.6-21 e 26.12-18), havendo variações quanto aos pormenores, ainda que tudo concorde essencialmente entre si. No primeiro texto, Lucas descreve os acontecimentos; no segundo, Paulo testemunha perante os judeus; no terceiro Paulo apresenta sua defesa perante o rei Agripa e o governador Festo. Em suas epístolas Paulo não apresenta qualquer descrição desse acontecimento. Entretanto indica que algo de sobrenatural lhe aconteceu, além disso, ele reivindica revelação direta de sua mensagem, da parte de Cristo (1Co 15.3-8; Gl 1.15-16).

Ele afirma que o seu contato com Cristo não diferiu da experiência dos outros apóstolos, embora não o tenha visto em carne. Paulo assevera ter tido contato real, embora através de visão ou de experiência mística. Essa ocorrência tem todos os sinais de uma experiência mística, tais como o brilhante resplendor, o sentimento de temor, a purificação psicológica e a renovação espiritual, e até mesmo (conforme ocorre algumas vezes, nesses casos) alguma forma de incapacidade física temporal logo em seguida, o que, na experiência de Paulo, foi a cegueira. Portanto, parece lógico entendermos que Paulo teve uma experiência mística real, que o seu contato com algum poder mais alto foi genuíno, poder esse que o próprio Paulo define como Jesus; e grande parte da teologia e da experiência cristãs dependem dessa declaração. Naturalmente que essa não foi a única experiência mística de Paulo, pois ele também menciona algumas outras (tal como a visita ao terceiro céu, em 2Coríntios 12.1-6), e a sua pregação do evangelho e doutrina repousam essencialmente sobre essas diversas revelações recebidas diretamente do alto (Gl 1.11-17).

A condição original para alguém entrar no apostolado, entre outras, era que o candidato tivesse visto ao Senhor (At 1.21). Ora, essa exigência teve cumprimento na experiência de Saulo. Quando já apóstolo, refere-se Paulo por quatro vezes, em suas epístolas, à sua experiência de conversão. Essas passagens mostram que ele estava convicto da realidade objetiva da mesma, considerando-se como equivalente a “ver” a Cristo, o que o qualificava ao ofício apostólico (Gl 1.15-16; 1Co 9.1; 15.8 e 2Co 4.6). Paulo não estabeleceu distinção alguma entre essa forma de ver e aquelas que os demais apóstolos experimentaram, antes da ascensão, porquanto todas essas aparições foram do “Senhor ressurreto”. Paulo se autodenominava “apóstolo” ou “ministro” dos gentios (Rm 11.13; 15.16; 1Co 1.1; 4.10; 9.1-2; 15.9; 2Co 1.1; Gl 1.1 etc.)

As qualificações ou credenciais (ver 2Co 12.12) de um apóstolo incluem:

(i) Ter sido escolhido pessoalmente pelo Senhor ou pelo Espírito Santo (Mt 10.1-2; At 1.26; Gl 1.1);

(ii) Ter visto o Senhor e ser testemunha de sua ressurreição (At 1.21-22; 1Co 9.1);

(iii) Ser investido com dons miraculosos, os “sinais”, “prodígios” e “maravilhas” (At 5.15-16; At 19.11-12; Hb 2.3- 4).

A seguir, vejamos os detalhes da conversão de Saulo-Paulo, colocando lado a lado e comparando as três narrativas bíblicas sobre este assunto.

2.1 Saulo perseguidor (At 9.1-2)

O que ele fazia contra a igreja?

Atos 9.1-19Atos 22.4-21Atos 26.12-18
v.1 Saulo, respirando ainda ameaças e morte contra os discípulos do Senhor, dirigiu-se ao sumo sacerdote
v.2  e lhe pediu cartas para as sinagogas de Damasco, a fim de que, caso achasse alguns que eram do Caminho, assim homens como mulheres, os levasse presos para Jerusalém.
v.4  Persegui este Caminho até à morte, prendendo e metendo em cárceres homens e mulheres,
v.5  de que são testemunhas o sumo sacerdote e todos os anciãos. Destes, recebi cartas para os irmãos; e ia para Damasco, no propósito de trazer manietados para Jerusalém os que também lá estivessem, para serem punidos.
v.12 Com estes intuitos, parti para Damasco, levando autorização dos principais sacerdotes e por eles comissionado.

Antes de sua conversão, sendo ainda jovem, Paulo perseguiu a igreja e munia-se da autorização de cartas oficiais para fazer isso. Portanto, é muito provável que pertencesse a uma família proeminente, ou, pelo menos, que se tenha distinguido extraordinariamente como líder e zeloso religioso, sendo por isso mesmo encarregado do que se pensava ser uma importante missão. Vejamos o que ele diz que fazia contra a igreja antes dessa sua missão em Damasco:

Atos 8.1, 3
1 E Saulo consentia na sua morte (Estevão). Naquele dia, levantou-se grande perseguição contra a igreja em Jerusalém; e todos, exceto os apóstolos, foram dispersos pelas regiões da Judéia e Samaria.
3  Saulo, porém, assolava a igreja, entrando pelas casas; e, arrastando homens e mulheres, encerrava-os no cárcere.

Atos 26.9-11
9  Na verdade, a mim me parecia que muitas coisas devia eu praticar contra o nome de Jesus, o Nazareno;
10  e assim procedi em Jerusalém. Havendo eu recebido autorização dos principais sacerdotes, encerrei muitos dos santos nas prisões; e contra estes dava o meu voto, quando os matavam.
11  Muitas vezes, os castiguei por todas as sinagogas, obrigando-os até a blasfemar. E, demasiadamente enfurecido contra eles, mesmo por cidades estranhas os perseguia.

Gálatas 1.13
13  Porque ouvistes qual foi o meu proceder outrora no judaísmo, como sobremaneira perseguia eu a igreja de Deus e a devastava.

Saulo se tornara um intenso perseguidor de cristãos; entrava pelas casas, arrastando homens e mulheres para o cárcere, obrigava-os a blasfemar, assolava e devastava a igreja, tendo se tornado participante do assassinato dos irmãos, não poupando nem mesmo a mulheres.

Qual teria sido a razão de toda aquela fúria? (At 22.4; 26.9-11). A grande mensagem de Estevão, dada pelo Espírito Santo, onde ele fez toda a lei e os profetas culminarem em Cristo (At 7), o qual eles assassinaram, tornou-se um verdadeiro estopim (At 7.54).

2.2 Saulo atingido por Deus (At 9.3-7)

O que aconteceu na sua conversão?

Atos 9.1-19Atos 22.4-21Atos 26.12-18
v.3a Seguindo ele estrada fora, ao aproximar-se de Damasco,v.6a Ora, aconteceu que, indo de caminho e já perto de Damasco,v.13b indo eu caminho fora,
 v.6b quase ao meio-dia,v.13a  Ao meio-dia, ó rei,
v.3b subitamente uma luz do céu brilhou ao seu redor,v.6c repentinamente, grande luz do céu brilhou ao redor de mim.v.13c vi uma luz no céu, mais resplandecente que o sol, que brilhou ao redor de mim e dos que iam comigo.
v.4a e, caindo por terrav.7a Então, caí por terra,v.14a E, caindo todos nós por terra,
v.4b ouviu uma voz que lhe dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues?v.7b ouvindo uma voz que me dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues?v.14b ouvi uma voz que me falava em língua hebraica: Saulo, Saulo, por que me persegues? Dura coisa é recalcitrares contra os aguilhões.
v.5a Ele perguntou: Quem és tu, Senhor?v.8a  Perguntei: quem és tu, Senhor?v.15a  Então, eu perguntei: Quem és tu, Senhor?
v.5b E a resposta foi: Eu sou Jesus, a quem tu persegues;v.8b Ao que me respondeu: Eu sou Jesus, o Nazareno, a quem tu persegues.v.15b Ao que o Senhor respondeu: Eu sou Jesus, a quem tu persegues.
 v.10a  Então, perguntei: que farei, Senhor? 
v.6 mas levanta-te e entra na cidade, onde te dirão o que te convém fazer.v.10b E o Senhor me disse: Levanta-te, entra em Damasco, pois ali te dirão acerca de tudo o que te é ordenado fazer.v.16  Mas levanta-te e firma-te sobre teus pés, porque por isto te apareci, para te constituir ministro e testemunha, tanto das coisas em que me viste como daquelas pelas quais te aparecerei ainda,
v.17  livrando-te do povo e dos gentios, para os quais eu te envio, v.18  para lhes abrires os olhos e os converteres das trevas para a luz e da potestade de Satanás para Deus, a fim de que recebam eles remissão de pecados e herança entre os que são santificados pela fé em mim.
v.7  Os seus companheiros de viagem pararam emudecidos, ouvindo a voz, não vendo, contudo, ninguém.v.9 Os que estavam comigo viram a luz, sem, contudo, perceberem o sentido da voz de quem falava comigo. 

É interessante observar o método que Deus usa para lapidar uma pedra bruta como Saulo.

2.3 Saulo levantado (At 9.8-15)

Atos 9.1-19Atos 22.4-21Atos 26.12-18
v.8a Então, se levantou Saulo da terra e, abrindo os olhos, nada podia ver.v.11a  Tendo ficado cego por causa do fulgor daquela luz, 
v.8b E, guiando-o pela mão, levaram-no para Damasco.v.11b  guiado pela mão dos que estavam comigo, cheguei a Damasco. 
v.9 Esteve três dias sem ver, durante os quais nada comeu, nem bebeu.  
v.10 Ora, havia em Damasco um discípulo chamado Ananias. Disse-lhe o Senhor numa visão: Ananias! Ao que respondeu: Eis-me aqui, Senhor!
v.11  Então, o Senhor lhe ordenou: Dispõe-te, e vai à rua que se chama Direita, e, na casa de Judas, procura por Saulo, apelidado de Tarso; pois ele está orando
v.12  e viu entrar um homem, chamado Ananias, e impor-lhe as mãos, para que recuperasse a vista.
v.13  Ananias, porém, respondeu: Senhor, de muitos tenho ouvido a respeito desse homem, quantos males tem feito aos teus santos em Jerusalém;
v.14  e para aqui trouxe autorização dos principais sacerdotes para prender a todos os que invocam o teu nome.
v.15  Mas o Senhor lhe disse: Vai, porque este é para mim um instrumento escolhido para levar o meu nome perante os gentios e reis, bem como perante os filhos de Israel; v.16  pois eu lhe mostrarei quanto lhe importa sofrer pelo meu nome.
  

O poder se aperfeiçoa nas fraquezas (2Co 12.10)

2.4 Saulo restaurado (At 9.17-19)

Atos 9.1-19Atos 22.4-21Atos 26.12-18
v.17  Então, Ananias foi e, entrando na casa, impôs sobre ele as mãos, dizendo: Saulo, irmão, o Senhor me enviou, a saber, o próprio Jesus que te apareceu no caminho por onde vinhas, para que recuperes a vista e fiques cheio do Espírito Santo. v.18a  Imediatamente, lhe caíram dos olhos como que umas escamas, e tornou a ver.v.12  Um homem, chamado Ananias, piedoso conforme a lei, tendo bom testemunho de todos os judeus que ali moravam, v.13  veio procurar-me e, pondo-se junto a mim, disse: Saulo, irmão, recebe novamente a vista. Nessa mesma hora, recobrei a vista e olhei para ele.     
v.18b A seguir, levantou-se e foi batizado.v.14  Então, ele disse: O Deus de nossos pais, de antemão, te escolheu para conheceres a sua vontade, veres o Justo e ouvires uma voz da sua própria boca,
v.15  porque terás de ser sua testemunha diante de todos os homens, das coisas que tens visto e ouvido.
v.16  E agora, por que te demoras? Levanta-te, recebe o batismo e lava os teus pecados, invocando o nome dele.
 
v.19  E, depois de ter-se alimentado, sentiu-se fortalecido. Então, permaneceu em Damasco alguns dias com os discípulos.  
 v.17  Tendo eu voltado para Jerusalém, enquanto orava no templo, sobreveio-me um êxtase,
v.18  e vi aquele que falava comigo: Apressa-te e sai logo de Jerusalém, porque não receberão o teu testemunho a meu respeito.
v.19  Eu disse: Senhor, eles bem sabem que eu encerrava em prisão e, nas sinagogas, açoitava os que criam em ti.
v.20  Quando se derramava o sangue de Estêvão, tua testemunha, eu também estava presente, consentia nisso e até guardei as vestes dos que o matavam.
v.21  Mas ele me disse: Vai, porque eu te enviarei para longe, aos gentios.
 

Agora sim ele estava pronto para zelar pela causa divina.