Introdução
A história de Elias e a viúva de Sarepta[1] é uma narrativa bíblica que ilustra a provisão milagrosa de Deus em tempos de fome e escassez, tanto para o profeta Elias quanto para aquela viúva e seu filho. O contexto desta história pode ser assim descrito:
Era um tempo de apostasia, idolatria com o culto a Baal[2] ameaçando o culto a Javé, no reinado de Acabe que tinha como esposa a perversa e idólatra rainha Jezabel, que exterminava os profetas do Senhor (1Rs 18.4, 13). Elias, cujo nome significa “Javé é Deus”, um dos profetas de destaque no Antigo Testamento, foi chamado por Deus para confrontar o rei Acabe e a idolatria em Israel.
“Então, Elias, o tesbita, dos moradores de Gileade, disse a Acabe: Tão certo como vive o SENHOR, Deus de Israel, perante cuja face estou, nem orvalho nem chuva haverá nestes anos, segundo a minha palavra.” (1Rs 17.1)
O contexto também era de seca e fome. A duração desta seca não é explicitada claramente em 1Reis, sendo assim mencionada: “nestes anos” (1Rs 17.1); “muito tempo depois, …no terceiro ano” (1Rs 18.1). Entretanto, referindo-se à viúva e àquele contexto histórico, Jesus diz: “Na verdade vos digo que muitas viúvas havia em Israel no tempo de Elias, quando o céu se fechou por três anos e seis meses, reinando grande fome em toda a terra; e a nenhuma delas foi Elias enviado, senão a uma viúva de Sarepta de Sidom.” (Lc 4.25-26). Portanto, Jesus afirma que foram 3 anos e 6 meses. Nesta mesma linha, Tiago ratifica esta duração e acrescenta uma informação relevante: “Elias era homem semelhante a nós, sujeito aos mesmos sentimentos, e orou, com instância, para que não chovesse sobre a terra, e, por três anos e seis meses, não choveu. E orou, de novo, e o céu deu chuva, e a terra fez germinar seus frutos.” (Tg 5.17-18). Há aqui uma informação adicional. Segundo Tiago, a cessação da chuva e, posteriormente, o retorno da chuva, se deram como resposta à oração de Elias. Podemos deduzir que, por causa da idolatria de Israel, capitaneada por Acabe e Jezabel, Deus trouxe a seca sobre a terra, como julgamento. Considerando que Baal era “o deus da chuva, da fertilidade, que controlava a agricultura e a prosperidade”, não fazer chover era uma afronta do Deus de Elias diretamente a ele! Essa seca causou fome extrema, em Samaria (1Rs 18.2). Assim, fica evidente que maus governantes e maus líderes podem influenciar negativamente o povo, trazendo trágicas consequências e muitas dificuldades para todos.
Vivemos em uma época particularmente estranha e sombria, com muitas narrativas questionáveis e alarmistas, como, por exemplo, a das “mudanças climáticas”. Propagam, incansavelmente: “As mudanças climáticas estão causando eventos climáticos extremos, como ondas de calor, secas, inundações e tempestades mais intensas”. Quem não endossa essa pauta é logo rotulado de negacionista. Até parece que os “desastres naturais” mais relevantes somente estão acontecendo agora. Tudo é atribuído às supostas mudanças climáticas! Experimente fazer uma pesquisa histórica sobre os mais mortíferos terremotos, incêndios florestais, deslizamentos e avalanches, nevascas, enchentes, ondas de calor, tornados, tsunamis, erupções vulcânicas etc. e você poderá se surpreender com a realidade do que vem acontecendo no nosso planeta há muitos séculos. É fato que dispomos atualmente de muito mais tecnologia e facilidade para fazer esses registros de fenômenos e desastres naturais do que havia no passado, mesmo assim, encontraremos inúmeros registros a partir do ano 1dC.
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DESASTRES NATURAIS MAIS MORTÍFEROS.
É claro que reconhecemos que o homem tem interferido no meio ambiente e em certos casos isso pode ou tem afetado o ecossistema. É claro que todo o esforço e, quando for o caso, a implementação de legislação regulatória para conter a ação predatória do homem sobre o meio ambiente, tem lá sua razão de ser. Entretanto, o que temos visto é uma espécie de sequestro da pauta ambiental, seguida de uma avalanche de narrativas, aparentemente em defesa do meio ambiente, sendo propagadas pelos defensores da ideologia esquerdista-marxista e pelos progressistas de plantão, com vistas a tentar fortalecer sua posição ideológica, pois, ao que parece, os discursos em defesa do trabalhador e do pobre já não estariam surtindo o efeito desejado. Além disso, o ímpeto alarmista precisa ser mantido para chamar a atenção da população do planeta para eles e sua ideologia.
A Bíblia menciona vários eventos e sinais de transtornos da natureza em diferentes contextos, frequentemente relacionados a julgamentos divinos, sinais dos tempos ou manifestações do poder de Deus. Esses eventos são usados para demonstrar a soberania de Deus sobre a sua criação, alertar sobre o pecado e a necessidade de arrependimento, e como avisos proféticos sobre o fim dos tempos.
Alguns exemplos significativos são:
No Antigo Testamento:
i) O Dilúvio nos dias de Noé (Gn 6 a 9);
ii) As Pragas do Egito (Êx 7 a 12);
iii) Fenômenos no Monte Sinai (Êx 19.16-19);
iv) O Terremoto no tempo de Uzias (Am 1.1; Zc 14.5).
No Novo Testamento:
i) Os Sinais do Fim dos Tempos (Mt 24.7);
ii) Eventos na Crucificação de Jesus (Mt 27.51; Lc 23.44-45);
iii) Abertura do Sexto Selo (Ap 6.12-14);
iv) As Trombetas e as Taças da Ira de Deus (Ap 8, 9 e 16).
Especificamente, a Bíblia menciona várias ocasiões de escassez e fome, frequentemente como resultado de desastres naturais, julgamentos divinos ou condições adversas. Alguns exemplos principais, são:
No Antigo Testamento:
i) Fome nos dias de Abraão:
“Havia fome naquela terra; desceu, pois, Abrão ao Egito, para aí ficar, porquanto era grande a fome na terra.” (Gn 12.10)
ii) Fome nos dias de Isaque:
“Sobrevindo fome à terra, além da primeira havida nos dias de Abraão, foi Isaque a Gerar, avistar-se com Abimeleque, rei dos filisteus.” (Gn 26.1)
iii) Fome nos dias de José:
Descreve a grande fome que atingiu o Egito e outras terras, conforme interpretado por José a partir dos sonhos do faraó. José administra o armazenamento de alimentos durante os 7 anos de abundância para sobreviver aos 7 anos de fome. (Gn 41.53-57)
iv) Fome nos dias de Noemi/Elimeleque (Rute):
“Nos dias em que julgavam os juízes, houve fome na terra; e um homem de Belém de Judá saiu a habitar na terra de Moabe, com sua mulher e seus dois filhos.” (Rt 1.1)
v) Fome nos dias de Davi:
“Houve, em dias de Davi, uma fome de três anos consecutivos. Davi consultou ao SENHOR, e o SENHOR lhe disse: Há culpa de sangue sobre Saul e sobre a sua casa, porque ele matou os gibeonitas.” (2Sm 21.1)
vi) Fome nos dias de Elias:
Durante o reinado de Acabe, Elias profetiza uma seca que causa uma severa fome na terra. A seca dura três anos e meio. (1Rs 17 e 18)
vii) Fome Profetizada por Jeremias:
Jeremias fala de uma grande seca que resulta em fome e sofrimento. (Jr 14.1-6)
viii) Fome Profetizada por Ezequiel:
Ezequiel profetiza sobre a fome que viria sobre Jerusalém devido aos pecados do povo: “Quando eu despedir as malignas flechas da fome contra eles, flechas destruidoras, que eu enviarei para vos destruir, então, aumentarei a fome sobre vós e vos tirarei o sustento de pão. Enviarei sobre vós a fome e bestas-feras que te desfilharão; a peste e o sangue passarão por ti, e trarei a espada sobre ti. Eu, o SENHOR, falei. (Ez 4.16-17)
No Novo Testamento:
i) A Fome Profetizada por Ágabo:
“Naqueles dias, desceram alguns profetas de Jerusalém para Antioquia, e, apresentando-se um deles, chamado Ágabo, dava a entender, pelo Espírito, que estava para vir grande fome por todo o mundo, a qual sobreveio nos dias de Cláudio. Os discípulos, cada um conforme as suas posses, resolveram enviar socorro aos irmãos que moravam na Judéia;” (At 11.27-29)
Temos, ainda, as passagens proféticas sobre os Sinais do Fim dos Tempos. Jesus menciona que haverá fome, juntamente com guerras, terremotos e pestes, como sinais do fim dos tempos: “Porquanto se levantará nação contra nação, reino contra reino, e haverá fomes e terremotos em vários lugares;” (Mt 24.7)
Enfim, a Bíblia aborda a questão da escassez e fome em diversas narrativas, profecias e ensinamentos. Esses eventos são frequentemente vistos como consequências das ações humanas, testes de fé, ou como parte do plano divino. Em muitos casos, a fome serve como um chamado ao arrependimento, à providência divina, e ao poder de Deus em prover para seu povo em tempos de necessidade.
1. DEUS CUIDA DE ELIAS (1Rs 17.2-9)
Durante o tempo em que Deus chamou o povo ao arrependimento, através de um longo período de estiagem de três anos e meio, ele cuidou do profeta Elias para que este pudesse, por sua vez, estender esse cuidado ao povo. Deus instruiu Elias a ir para junto de um riacho em Querite[3], onde o sustentou milagrosamente com alimento e água, durante um período. Talvez Elias tenha pensado que Deus manteria aquele local como o único riacho com água na Terra, um refúgio seguro e secreto, uma fonte de água particular. No entanto, o riacho secou. À medida que os dias passavam, Elias podia ver a quantidade de água diminuindo. Apesar disso, ele permaneceu ali, pois aprendera a aguardar e obedecer às ordens de Deus.
Às vezes, duvidamos das promessas de Deus porque as circunstâncias parecem contrárias. Permaneça onde Deus o colocou, com a atitude correta. Quando Deus deseja abençoá-lo, ele o encontrará exatamente onde você está. Deus só revelou a Elias o próximo passo quando o riacho secou. Elias foi então conduzido a um lugar chamado Sarepta. Lá, além de experimentar nova provisão, ele pôde ajudar e abençoar uma viúva e seu filho.
As dores, as perdas e as lágrimas fazem parte do caminho da vida, não do destino final. Quando algum recurso terreno se esgotar, precisamos aprender que nossa esperança e socorro vêm do Deus que fez o Céu e a Terra. Junto ao riacho de Querite, Elias viveu pela fé. Se ele tivesse ido diretamente a Sarepta, teria perdido uma experiência que o ajudou a se tornar um profeta mais sábio e um homem melhor. Portanto, obedeça e espere, ali mesmo no seu “Querite”, até que Deus o tire de lá!
A Instrução de Deus a Elias
“Então, lhe veio a palavra do SENHOR, dizendo: Dispõe-te, e vai a Sarepta, que pertence a Sidom, e demora-te ali, onde ordenei a uma mulher viúva que te dê comida.” (1Rs 17.8-9)
Deus cuidava de Elias, também comunicando-se diretamente com ele e dando-lhe instruções. Essa comunicação direta e a dependência obediente de Elias nos deixam fascinados. Se, por um lado, essa conexão direta com Deus é fascinante e tranquilizadora, como nesta ocasião, por outro lado, pode ser surpreendente e desafiadora, como na instrução para ele enfrentar os 450 profetas de Baal e os 450 profetas do poste-ídolo (1Rs 18.19).
Deus ordena a Elias que vá à cidade de Sarepta, perto de Sidom, onde uma mulher viúva cuidará dele, do seu sustento. É confortante e encorajador perceber o controle de Deus sobre todas as coisas e a sua ação a favor dos seus, não somente instruindo, mas, também, preparando as circunstâncias para o próximo passo, na cidade fenícia de Sarepta. A bíblia nos assegura que o justo não será desamparado pelo Senhor (Sl 37.25) e, Jesus, nos adverte a não andarmos ansiosos pelas coisas básicas e essenciais da vida (Mt 6.25).
2. DEUS CUIDA DA VIÚVA (1Rs 17.10-16)
a) O Encontro com a Viúva (vv.10-12)
Num primeiro momento, a abordagem de Elias a viúva fenícia nos lembra a abordagem de Jesus a mulher samaritana (Jo 4): ambos começam a interagir com uma mulher pedindo-lhe água para beber. Elias chega a Sarepta e encontra a viúva apanhando um pouco de lenha (dois cavacos ou duas lascas de madeira) para o seu fogão. Enquanto ela vai buscar a água, ele a chama mais uma vez e, também, lhe pede um pedaço de pão. A viúva responde que só tem um punhado de farinha e um pouco de azeite, suficiente apenas para uma última refeição para ela e seu filho.
Neste primeiro momento do encontro, chamam a atenção alguns aspectos:
- Uma mulher desfavorecida por sua condição de viúva, pobre, lutando por sua sobrevivência e a de seu filho, uma criança.
- Elias, um homem judeu se dirigindo diretamente a uma mulher viúva gentia.
- Sua ousadia ao pedir água e pão a uma viúva pobre, numa época de extrema escassez.
- O desprendimento dela em atendê-lo, quanto ao pedido da água.
- O reconhecimento dela quanto a Elias servir a um Deus vivo, o Deus de Israel.
- Sua sinceridade ao expor ao profeta sua caótica situação de vulnerabilidade alimentar.
b) O desafio profético de Elias (vv.13-14)
Elias diz à viúva para não temer e para fazer primeiro um pequeno bolo para ele, depois preparar para ela e seu filho. Ele promete que a farinha na vasilha não se acabará e o azeite na botija não faltará até o dia em que o Senhor fizer chover outra vez sobre a terra.
A ousadia do profeta se mantém em alta pelo fato dele orientar que ela fizesse o bolo primeiramente para ele. O que faríamos na situação dela? A promessa era humanamente impossível, mas, certamente, fascinante. Às vezes, o ser humano precisa chegar ao fundo do poço, numa situação humanamente sem saída, para se submeter a Deus.
Nessa promessa, chamam a atenção alguns aspectos:
- A intervenção divina acontece diante da impossibilidade humana.
- O sobrenatural de Deus tem hora para terminar. Neste caso, era até voltar a chover. Semelhantemente, o maná cessou, depois de os haver sustentado por 40 anos, quando terminou a peregrinação no deserto e eles puderam comer do fruto da terra (Js 5.12).
c) A Provisão Milagrosa (vv.15-16)
O desafio do sobrenatural estava diante da viúva. Era “pegar ou largar”! Ela precisava crer e obedecer, mesmo que isso parecesse difícil. No entanto, sua situação não era tão complicada se comparada à de outro estrangeiro, Naamã, o comandante da Síria (2Reis 5). Naamã teve que crer, se humilhar, obedecer e se submeter a um processo mais difícil: mergulhar sete vezes no rio Jordão, cujas águas não se comparavam em qualidade às dos rios da sua terra, para ser sobrenaturalmente curado pelo Deus de Israel da sua lepra.
A viúva também creu, obedeceu e se submeteu ao processo estabelecido por Deus e apresentado a ela por Elias. Milagrosamente, a promessa se cumpriu: a farinha e o azeite não se acabaram. Eles passaram a ter alimento suficiente para todo o restante daquele período de seca.
Neste milagre, chamam a atenção alguns aspectos:
- É necessário crer, se humilhar, obedecer e se submeter ao processo estabelecido por Deus!
- Tanto na multiplicação do azeite da viúva, por Eliseu (2Rs 4.1-7), quanto na multiplicação dos pães e peixes, por Jesus, e, também, neste caso, há um ponto em comum, um modus operandi de Deus: Ele usou e multiplicou o pouco que eles possuíam! Qual é o pouco que você tem para que Deus use e multiplique?
- Deus opera conjuntamente conosco, na medida da nossa fé!
3. DEUS CUIDA DE NÓS (1Rs 17.17-24)
No desenrolar da narrativa bíblica, passado algum tempo, o filho da viúva adoece e morre. A viúva questiona Elias sobre a tragédia, talvez como consequência de seus pecados do passado. Elias leva o menino morto ao seu quarto, ora a Deus e deita-se sobre o corpo dele três vezes. Deus ouve a oração de Elias, e o menino volta à vida. A viúva então reconhece Elias como um homem de Deus.
Um aspecto notável neste episódio é que Elias não agiu durante a doença do menino, somente após a sua morte. Isso nos faz pensar na demora de Jesus em atender o chamado das irmãs de Lázaro, quando este ainda estava enfermo, agindo somente após a sua morte. Em ambos os casos, o milagre da ressurreição manifestou de forma mais poderosa e impactante o poder de Deus, para que ele fosse glorificado (1Rs 17.24; Jo 11.4). Este milagre também nos remete e nos conecta a outros dois: a ressurreição do filho único da mulher Sunamita, por Eliseu (2Rs 4.18-37); a ressurreição do filho único da viúva de Naim (Lc 7.11-17).
Do que as pessoas têm necessidade?
Há muito tempo, em um dos treinamentos de desenvolvimento gerencial dos quais participei durante o exercício da minha profissão, tive contato com a pirâmide da HIERARQUIA DAS NECESSIDADES HUMANAS, conforme a figura abaixo:

Neste registro bíblico de 1Reis 17 podemos aprender algumas lições e ensinamentos:
a) Pessoas precisam de COISAS
Aproveitando um pouco da teoria de A. Maslow acima exposta, verificamos que a situação naqueles três anos e meio de seca era tão grave que, tanto Elias quanto a viúva (e toda a população, naturalmente) estavam precisando que suas necessidades básicas fossem supridas: água, alimento moradia etc. Deus cuidou sobrenaturalmente deles e supriu suas necessidades fisiológicas.
b) Pessoas precisam de PESSOAS
No texto em foco, fica também evidente o fato de que as pessoas precisam umas das outras. Maslow classifica isso na categoria das necessidades afetivo-sociais. Elias precisou da viúva; e a viúva e seu filhinho, precisaram de Elias. Deus usou Elias para socorrer a viúva; e a viúva foi usada por Deus para alimentá-lo e hospedá-lo (1Rs 17.19).
Neste aspecto, vale destacar como é importante fazer parte de uma comunidade de fé, da igreja de Cristo. Dentre outros aspectos relevantes, ali podemos encontrar ou desenvolver ou desfrutar de: comunhão e relacionamento, crescimento espiritual, cuidado pastoral, oportunidade de participação ativa e, também, apoio em tempos de crise. Quando membros da igreja enfrentam dificuldades pessoais, como doenças, perdas familiares ou desafios financeiros, a igreja pode se tornar uma fonte valiosa de apoio prático e emocional. É um espaço precioso para o encorajamento e fortalecimento espiritual através da oração, do estudo da Bíblia e da orientação espiritual.
c) Pessoas precisam de DEUS
Na sua teoria da hierarquia das necessidades, Maslow não previu essa necessidade de Deus. Sabemos que o ser humano é frágil, limitado e vulnerável. Com o crescente avanço científico e tecnológico ele tem conseguido vencer muitos desafios e realizar coisas impressionantes. Entretanto, ele continua não sendo autossuficiente, ele continua precisando de Deus em muitas situações:
- Há muitas doenças sem cura, mortes que não se consegue evitar, e manifestações da natureza sobre as quais ele não tem domínio.
- Somente o poder de Deus foi e é capaz de trazer alguém de volta a vida, como aconteceu com o filho daquela viúva.
- Somente Deus, em Cristo, nos pode dar a salvação e a vida eterna, que é incomparavelmente mais valiosa do que esta efêmera vida física.
Conclusão
Este capítulo nos revela que:
i) O pecado humano não passa despercebido aos olhos do soberano Deus e isso sempre traz consequências.
ii) A providência de Deus se faz presente em tempos de necessidade. Deus cuida de Elias, da viúva e do seu filho de maneira milagrosa, provendo sustento durante a seca e fome, e ressuscitando o filho da viúva.
iii) A viúva de Sarepta demonstra fé e obediência ao seguir as instruções de Elias, mesmo quando isso parecia arriscado. Sua fé é recompensada pela provisão contínua de Deus.
iv) A ressurreição do filho da viúva destaca o poder da oração. Elias clama a Deus com fervor, e Deus responde trazendo o menino de volta à vida.
v) A viúva, uma gentia, reconhece o poder de Deus através das ações de Elias, reforçando a mensagem de que Deus está presente e ativo, mesmo fora de Israel.
Não podemos deixar de registrar aqui que este capítulo 17 de 1Reis é, também, muito interessante porque nos remete e nos conecta a outras narrativas bíblicas, como, por exemplo: No Antigo Testamento – o milagre do maná; a multiplicação do azeite da viúva, por Eliseu; a ressurreição do filho único da mulher Sunamita, por Eliseu; a cura de Naamã. No Novo Testamento – o encontro de Jesus com a mulher samaritana; o milagre da multiplicação dos pães; a ressurreição do filho da viúva de Naim; a ressurreição de Lázaro. Em tudo isso vemos o modus operandi sobrenatural de Deus, agindo entre nós, conduzindo e inspirando a escrita da sua Palavra, a Bíblia, usando cerca de 40 pessoas durante um período de aproximadamente 1600 anos.
Enfim, a história de Elias e a viúva de Sarepta é uma bela narrativa de fé, de obediência e da intervenção milagrosa de Deus. Ela encoraja os crentes a confiarem na providência e provisão de Deus em tempos de necessidade e a crer no poder da oração. Esta história também destaca que o cuidado e a compaixão de Deus se estendem a todos, independentemente de sua origem ou status.
[1] Sarepta: Uma cidade fenícia, na costa do Mediterrâneo, entre Tiro e Sidom, situada a 13km ao sul de Sidom.
[2] Baal: É um deus cananeu frequentemente mencionado como um ídolo que os israelitas foram advertidos a não adorar. O nome “Baal” significa “senhor” ou “mestre” e se refere a várias divindades adoradas em diferentes regiões do antigo Oriente Próximo, mais especialmente na Fenícia e em Canaã. Baal era considerado o deus da fertilidade, da chuva e das tempestades. Ele era visto como uma divindade que controlava a agricultura e a prosperidade, sendo crucial para as colheitas.
[3] Querite: Um riacho em Gileade, a leste do rio Jordão.
