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A Liderança e a Glória de Deus

“Se alguém fala, fale de acordo com os oráculos de Deus; se alguém serve, faça-o na força que Deus supre, para que, em todas as coisas, seja Deus glorificado, por meio de Jesus Cristo, a quem pertence a glória e o domínio pelos séculos dos séculos. Amém!” (1Pe 4.11)

Introdução:

No ano de 2007 foi pedido a um grupo de estudantes que elegessem as 7 novas maravilhas do mundo. Foi aí que um deles deu uma resposta destoante dos demais, a saber: Ver, Ouvir, Tocar, Provar, Sentir, Rir e Amar. Num tempo de superproduções humanas, em todas as áreas; num tempo de avalanche de produtos tecnológicos, onde o mundo cabe dentro de uma tela, pequena como de um celular ou grande como de um televisor de 103 polegadas ou mais, que atenção estamos dando ao nosso Deus criador e aos seus feitos? Será que as realizações humanas estão ofuscando a glória de Deus, tal qual o céu de uma grande metrópole à noite é tão insignificante quando comparado ao céu estrelado de uma localidade no interior?

O Catecismo de Westminster inicia com uma significativa pergunta: “Qual é o fim supremo e principal do homem?” Ele mesmo responde, sabiamente: “O fim supremo e principal do homem é glorificar a Deus e gozá-lo para sempre.” E isso não é projeto pós-morte. Deve começar aqui e agora e continuar lá e então, na eternidade. Como é bom louvar a Deus assim…

Quão formoso és, Rei do Universo.
Tua glória enche a terra e enche os céus.
Tua glória enche a terra. (Sl 19.1)
Tua glória enche os céus.
Tua glória enche a minha vida Senhor.

Maravilhoso é estar em tua presença.
Maravilhoso é poder te adorar.
Maravilhoso é tocar as tuas vestes.
Maravilhoso é te contemplar Senhor.

três palavras que marcaram três momentos importantes na vida do povo de Israel. São três palavras que sintetizam o sucesso ou insucesso de três líderes na nobre e difícil tarefa de promover a glória de Deus no meio do povo. Estas palavras podem ser usadas para designar épocas ou tempos que se alternam e permeiam a história da humanidade. Essas épocas ou tempos trazem uma mensagem muito significativa para pastores, pais, professores, líderes e liderados na igreja.

1) Tempos de SHEKINAH

“A glória de Deus entre nós”

Esse termo – Shekinah – que não aparece na bíblia, diz respeito à manifestação visível da glória de Deus, isto é, Deus habitando no meio do seu povo. Creio que a humanidade foi presenteada pelo Deus Soberano com dois “Tempos de Shekinah inigualáveis”. Tempos para marcar indelevelmente a história humana.

Primeiro Tempo de Shekinah:

No livro de Gênesis há registro de que Deus se comunicou verbalmente, por sonhos e por anjos (Teofania[1]), com algumas pessoas. Entretanto, é a partir do livro de Êxodo, no período da liderança de Moisés, por cerca de 40 anos, que a Shekinah atinge o seu clímax no AT. A sarça que ardia e não se consumia era apenas o prenúncio do que viria pela frente. Após a partida do povo de Israel do Egito, sob a liderança de Moisés, a presença de Deus se manifestou de forma visível, através de uma coluna de nuvem (durante o dia) e de uma coluna de fogo (durante a noite). “O SENHOR ia adiante deles, durante o dia, numa coluna de nuvem, para os guiar pelo caminho; durante a noite, numa coluna de fogo, para os alumiar, a fim de que caminhassem de dia e de noite. Nunca se apartou do povo a coluna de nuvem durante o dia, nem a coluna de fogo durante a noite. (Êx 13.21-22). É impressionante a manifestação e movimentação da Shekinah, nessa forma (nuvem e fogo), até a morte de Moisés, para:

  • Proteção e Orientação do povo durante a viagem (Êx 13.21; 14.20);
  • Provisão de alimentos para o povo (Êx 16.10);
  • Atestar a liderança de Moisés diante do povo (Êx 19.9);
  • Atestar a Lei de Deus (Êx 19.16);
  • Falar com Moisés, na Tenda da Congregação (provisória) (Êx 33.9-11);
  • Habitação no Tabernáculo concluído (Ex 40.34-38; comp. Lv 16.2; Nm 9.16-22);
  • Unção dos 70 anciãos e superintendentes do povo (Nm 11.25);
  • Defesa da liderança de Moisés diante da crítica de Miriã (Nm 12.5);
  • Defesa da liderança de Moisés diante da rebelião de Coré, Datã e Abirão (Nm 16.42);
  • Falar pela última vez a Moisés, antes da sua morte (Dt 31.5).

Segundo Tempo de Shekinah:

O NT começa com um anjo aparecendo, pessoalmente, a Zacarias e a Maria; e a José, em sonho. Mas, finalmente nasce o Emanuel, Deus conosco (Mt 1.23). João assim se expressa: “E o Verbo se fez carne e habitou (tabernaculou) entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai.” (Jo 1.14). E, em Hebreus lemos: “Quando, porém, veio Cristo como sumo sacerdote dos bens já realizados, mediante o maior e mais perfeito tabernáculo, não feito por mãos, quer dizer, não desta criação,” (Hb 9.11).

A Shekinah encheu o Tabernáculo de Moisés (Êx 40.34), encheu o Templo de Salomão (2Cr 5.13b-14), encheu o Santuário do Tabernáculo Celestial (Ap 15.5, 8) e, quer encher a nossa vida: “…. Porque nós somos santuário do Deus vivente, como ele próprio disse: Habitarei e andarei entre eles; serei o seu Deus, e eles serão o meu povo.” (2Co 6.16). Também, cobriu o monte da transfiguração (Mt 17.5) e Jesus, na sua ascensão (At 1.9).

Qual a razão desses dois tempos especiais de Shekinah e o que eles têm em comum? Sem dúvida foram janelas de luz, clarões (Lei e Graça).

Aprouve a Deus realizar dois projetos especiais, envolvendo dois povos escolhidos, Israel e a Igreja, envolvendo propósitos soberanos de Deus de libertar e conduzir esses grupos do Egito (figura do mundo) para Canaã (figura do Céu). Na segunda Shekinah, somos chamados para fora do mundo (ou mundanismo) e para tirar o mundanismo de dentro de nós e, em seguida, somos enviados ao mundo, para pregar o Evangelho. Sem dúvida esses dois tempos de Shekinah se constituem em providências divinas para dar fundamento à nossa fé. Como foi o desempenho de cada líder?

Moisés não era um líder perfeito; mas, era especial para Deus: (Nm 12.6-9; Dt 14.10-12). Ele não admitia dar um só passo, sem a presença do Senhor com ele (Êx 33.15). Não se contentava apenas em falar com Deus face a face; ele queria vê-lo face a face (Êx 3318-23).

Jesus era e é o Filho de Deus, perfeito em todos os seus caminhos, que cumpriu cabalmente o seu ministério terreno. Em Apocalipse temos as 3 fases do seu ministério: “e da parte de Jesus Cristo, a Fiel Testemunha (SOFREDOR), o Primogênito dos mortos (GLORIFICADO) e o Soberano dos reis da terra (REI). Àquele que nos ama, e, pelo seu sangue, nos libertou dos nossos pecados, e nos constituiu reino, sacerdotes para o seu Deus e Pai, a ele a glória e o domínio pelos séculos dos séculos. Amém!” (Ap 1.5-6)

Há ainda um Terceiro Tempo de Shekinah profetizado:

Eis que vem com as nuvens, e todo olho o verá, até quantos o traspassaram. E todas as tribos da terra se lamentarão sobre ele. Certamente. Amém!” (Ap 1.7). É a Segunda Vinda do Senhor Jesus Cristo!

Esse tempo é poeticamente descrito no cântico dos Vencedores por Cristo:

Quando a glória do Senhor for vista,
por toda vista, em todo lugar,
quando a glória se perder de vista
como as águas cobrem todo o mar,
então de vida se encherá a terra,
de alegria e paz pra nunca mais faltar.
Cessado o pranto, a morte, a dor e a guerra,
o Rei, que é Cristo, sempre vai reinar.

 

2) Tempos de ICABÔ ou ICABODE

“Foi-se a glória de Deus”
“Mas chamou ao menino Icabô, dizendo: Foi-se a glória de Israel, porquanto a arca de Deus foi levada presa e por causa de seu sogro e de seu marido. E disse mais: De Israel a glória é levada presa, pois é tomada a arca de Deus.” (1Sm 4.21-22)

Depois de um período de glória, Tempo de Shekinah, que durou cerca de 40 anos, sob a liderança de Moisés, Israel permaneceu iluminado e fiel ao Senhor por algumas décadas, sob a liderança de Josué e dos anciãos superintendentes (Jz 2.6-9). Com a morte desses últimos, se levantaram gerações que não viveram aquele Tempo de Shekinah,  gerações más e idólatras, que desprezaram a aliança do Senhor. Durante o período dos juízes, de cerca de 325 anos, Israel viveu dias caóticos. Nesse período, o povo experimentou os sucessivos ciclos do fracasso humano e da graça divina: Pecado – Opressão/Servidão – Clamor/Arrependimento – Libertação – Paz temporária – Pecado ….. Essa repetição continuada se caracteriza por um verdadeiro apagão espiritual, no tempo do juiz e sacerdote Eli – sintetizado no nome Icabô ou Icabode dado ao menino que nascera, neto de Eli.

Vejamos alguns aspectos desse apagão espiritual: (serve de alerta a pais e líderes)

a) Abandono da lei de Deus, da Palavra de Deus, da Aliança com Deus;
b) Associação com pessoas de povos que não temiam a Deus; assimilação e prática dos seus maus costumes;
c) Liderança (Eli) que não conseguia distinguir fervor espiritual, de embriaguez etílica (1Sm 1.12-16);
d) Sacerdotes (filhos de Eli) que não se importavam com o Senhor e se apropriavam das ofertas dos sacrifícios trazidos pelo povo além do que a lei determinava (1Sm 2.12-17);
e) Sacerdotes (filhos de Eli) que se deitavam com as mulheres que serviam à porta da tenda da congregação (1Sm 2.22); (promiscuidade)
f) Liderança (Eli) que honrava os filhos mais do que a Deus e junto com eles se regalava com as melhores ofertas trazidas pelo povo (1Sm 2.29);
g) Liderança (Eli) que havia perdido o controle sobre seus filhos. Não estabeleceu limites na época certa. Seus filhos se tornaram execráveis e ele não os repreendeu (1Sm 3.13). Há pais com tamanho sentimento de culpa pela ausência na vida dos filhos, que quando presentes preferem deixar o barco correr, mesmo percebendo a necessidade e oportunidade de corrigir algum mau comportamento;
h) Tempo em que a palavra e as visões do Senhor eram raras (1Sm 3.1);
i)Povo que, quando em desvantagem na batalha contra os filisteus, achava que podia alcançar a vitória tão somente introduzindo no meio deles a Arca do Senhor (1Sm 4.3-4).

Os tempos de Icabô se caracterizam por completa falta de temor a Deus e banalização do sagrado. Culminou na derrota dos exércitos de Israel, morte dos execráveis sacerdotes Hofni e Finéias, filhos de Eli, perda da Arca e morte de Eli.

Apagão Espiritual => Apagão Ético e Moral => Corrupção em toda a parte => Destruição de um grupo, de uma organização, de uma sociedade, de uma nação. O exemplo maior ocorreu no dilúvio. Outros exemplos vêm acontecendo na história dos povos e sociedades (Sodoma e Gomorra / etc).

 

3) Tempos de EBENÉZER (Reavivamento)

“Até aqui nos ajudou o Senhor” (1Sm 7.12)
“A glória do Senhor outra vez entre nós”

Se os Tempos de Shekinah foram magníficos, não foram suficientes para evitar os Tempos de Icabô ou Icabode que vêm pontilhando a história do chamado povo de Deus. Tornou-se necessário contrabalançar esses tempos SEM GLÓRIA e SEM GRAÇA com os Tempos de Ebenézer.

Num tempo de apagão espiritual um homem temente a Deus, Elcana, conduzia continuamente sua família para o lugar de adoração ao Senhor em Silo, onde ficava o Tabernáculo (Js 18.1). Nesse mesmo tempo, Ana, sua mulher estéril, faz um voto a Deus de consagrar ao Senhor o fruto do seu ventre. E, assim, nasce Samuel, o 15º e último juíz (1Sm 7.6; At 13.20), o primeiro de uma ordem regular de profetas (1Sm 3.20; At 3.24; 13.20) e o elo entre a Teocracia e a Monarquia. Começa, então, mais um Tempo de Ebenézer, ou Tempo de Reavivamento (Santificação e Busca), ou Tempo de trazer de volta a glória do Senhor, ou Tempo de alcançar vitória sobre os inimigos, ou Tempo de fazer resplandecer a luz, sobre as trevas.

Desta forma, Deus tem usado os Tempos de Ebenézer para contrabalançar os Tempos de Icabô ou Icabode!

Período (aC) Duração (anos) Obs
1375 – 1050 325 15 juízes, de Otoniel à Samuel
1050 – 930 120 Reino Unido – 3 reis: Saul (M) / Davi (B) / Salomão (B=>M)
930 – 722 208 Reino do Norte – 19 Reis Maus
930 – 586 344 Reino do Sul – 20 Reis (12 Maus e 8 Bons)
605 – 430 175 Exílio e Retorno, até Malaquias, último profeta
430 – 6 aC 424 Período Interbíblico ou Intertestamentário (Silêncio profético)

Final do Império Persa, Império Grego, Independência Judaica e Início do Império Romano

No contexto da Reforma[2], quando a igreja oficial também ameaçava destruir o verdadeiro culto a Deus, aparecem em cena homens como: João Wyclif (1324-1384), Martinho Lutero (1483-1546), João Calvino (1509-1564) e João Knox (1515-1572).

Nos séculos 18 e 19, marcados por grandes avivamentos e expansão missionária, destacam-se: Jônatas Edwards (1703-1758), João Wesley (1703-1791), Guilherme Carey (1761-1834), Carlos Finney (1792-1875), Jorge Müller (1805-98), Davi Livingstone (1813-73), Hudson Taylor (1832-1905); Carlos Spurgeon (1834-92) e Dwight L. Moody (1837-1899).

 

Conclusão:

Finalmente, mais conscientes da importância da liderança e da sua influência sobre os liderados, no sucesso ou insucesso da promoção da glória de Deus, precisamos todos, líderes e liderados, seguir os sete conselhos do apóstolo Pedro em 1Pedro 4.7-11:

1º) Ter consciência de que o fim de todas as coisas está próximo;
2º) Ser criteriosos e sóbrios;
3º) Ter amor intenso uns para com os outros;
4º) Ser, mutuamente, hospitaleiro;
5º) Servir uns aos outros conforme o dom que recebeu;
6º) Falar de acordo com os oráculos de Deus;
7º) Servir na força e poder de Deus, procedendo, em todo o tempo, “para que em todas as coisas seja Deus glorificado, por meio de Jesus Cristo, a quem pertence a glória e o domínio pelos séculos dos séculos. Amém!”

Soli Deo Gloria!
……………………………..

[1] Teofania: Manifestação visível de Deus: a)com mensagem direta {Êx 19.9-25};  b)em SONHO com mensagem {Gn 28.12-17};  c)em visão com mensagem {Is 6.1-13}; d)com mensagem por um anjo {Êx 3.2-4.17}. O “ANJO do Senhor” é uma teofania que se enquadra nas características da segunda pessoa da Trindade {Gn 16.7-13; Êx 3.2-6; Jz 6}.

[2] Reforma: Lutero afixou as 95 teses na porta da igreja castelo em Wittenberg, Alemanha, em 31 de Outubro de 1517.


Catedral Presbiteriana do Rio
12/08/2007 – Culto Matutino (10h 15min) – Dia do Pastor e Dia dos Pais
Esboço da Mensagem pregada pelo Presbítero Paulo Raposo Correia

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A revolta de Coré

Revolta Coré2

Quem foi Coré ou Corá? Quais os motivos da sua rebelião? E o desfecho?

Coré não é muito citado na Bíblia. No Antigo Testamento, há algumas referências aos seus ascendentes e descendentes (os coreítas). Ele era da tribo de Levi, seu bisavô. Seu avô era Coate e seu pai Jizar (ou Isar ou Aminadabe) (Ex 6.21; 1Cr 6.22; Nm 16.1). Seus filhos foram Assir, Elcana, Abiasafe (ou Ebiasafe) (Ex 6.24; 1Cr 6.22. 37; 1Cr 9.9). A história de sua rebeldia encontra-se em Números 16. Há mais duas referências a ele em Números 26.9-11 e 27.3. No Novo Testamento há apenas uma referência a ele, em Judas 11.

1. Quem eram os rebeldes?

Levi

 

O líder dos rebeldes era Coré, bisneto de Levi e primo de Moisés. Portanto, estes eram levitas. Coré se associou a dois irmãos, Datã e Abirão (Nm 16.1, 12, 24, 25, 27; 26.9; Dt 11.6; Sl 106.17), e também a Om, sendo todos eles da tribo de Ruben. Contou ainda com o apoio de duzentos e cinquenta homens, príncipes da congregação, eleitos por ela, homens de renome (Nm 16.2). Todos eles se ajuntaram contra Moisés e Arão, para dar um basta à sua liderança sobre o povo.

 

 2. As causas da rebelião

“Porque a rebelião é como o pecado de feitiçaria, ….” (1Sm 15.23)

1ª) Uma visão equivocada

“e se ajuntaram contra Moisés e contra Arão e lhes disseram: Basta! Pois que toda a congregação é santa, cada um deles é santo, e o SENHOR está no meio deles; …” (Nm 16.3a)

Uma coisa é ser chamado para ser santo, outra coisa é ser santo, separado. O verdadeiro líder enfatiza a necessidade dos irmãos viverem em santidade de vida, para desfrutarem da comunhão com um Deus que é Santo. Os falsos líderes promovem a libertinagem e fazem vista grossa para o pecado. Banalizam a Graça Divina e promovem a falta de temor à Santidade de Deus. As condições estabelecidas por Deus a este respeito são muito claras: “Agora, pois, se diligentemente ouvirdes a minha voz e guardardes a minha aliança, então, sereis a minha propriedade peculiar dentre todos os povos; porque toda a terra é minha; vós me sereis reino de sacerdotes e nação santa. São estas as palavras que falarás aos filhos de Israel.” (Ex 19.5-6). Santidade não é rótulo, mas um “estilo” de vida.

2ª) Ambição pelo poder

“…. por que, pois, vos exaltais sobre a congregação do SENHOR?” (Nm 16.3)

“…. senão que também queres fazer-te príncipe sobre nós?” (Nm 16.13)

A alegação ou acusação dos rebeldes era a suposta usurpação do poder por parte de Moisés e Arão. É espantoso verificar que, mesmo depois de tantas manifestações milagrosas e incontestáveis do poder de Deus pela intermediação de Moisés (pragas, mar se abrindo etc), essa gente pudesse ainda questionar a liderança e autoridade de Moisés e Arão. Percebe-se, da parte deles, uma inveja incontrolável de Moisés. Afinal, por que esse tal Moisés deveria ser o protagonista de tudo isso? Quem era ele? Foi criado na corte de Faraó. Depois de adulto, com quarenta anos de idade, fugiu para uma terra distante, ficando ali outros quarenta anos. Enquanto isso eles habitaram e sofreram junto ao povo cativo. Agora, depois de todo esse tempo, ele vem de fora para se fazer príncipe sobre o povo? Acontece sempre aquela velha e recorrente situação: “antiguidade é posto, temos que respeitar!”, “chegou agora e já quer se sentar à janela?”. O ser humano, inclusive o cristão, precisa entender que, não importa se o líder é de perto ou é de longe. O que realmente importa é se ele é o melhor para a função e, no caso da igreja, se ele é o designado pelo Soberano Senhor dos céus e da terra para exercer aquela liderança!

3ª) Ambição pelo sacerdócio

“acaso, é para vós outros coisa de somenos que o Deus de Israel vos separou da congregação de Israel, para vos fazer chegar a si, a fim de cumprirdes o serviço do tabernáculo do SENHOR e estardes perante a congregação para ministrar-lhe; e te fez chegar, Coré, e todos os teus irmãos, os filhos de Levi, contigo? Ainda também procurais o sacerdócio?” (Nm 16.9-10)

Na matança dos primogênitos dos egípcios, os primogênitos de Israel foram poupados. Assim, os primogênitos de Israel passaram a pertencer ao Senhor. Então, Deus fez uma troca, desses primogênitos (inclusive dos animais), por todos os homens da tribo de Levi (Nm 3.12-13). Quando Deus separou a tribo de Levi das demais tribos de Israel, não lhe deu herança de terra, mas eles deveriam receber cidades no meio das possessões das demais tribos (Nm 35.2ss). Também os consagrou para o serviço de Deus, primeiramente no Tabernáculo, depois, no Templo. Todos os levitas foram designados para exercer algum encargo na tenda da congregação. Eles deveriam atuar sob a liderança de Arão e seus filhos (Nm 3.9). Em Números 3 e 4 as tarefas relativas ao Tabernáculo são distribuídas pelas famílias dos três filhos de Levi: Gerson, Coate e Merari. Basicamente, coube aos filhos de Gerson cuidar da infraestrutura externa (montagem, desmontagem e transporte) (Nm 3.21-26; 4.21-28); aos filhos de Merari cuidar da infraestrutura interna (montagem, desmontagem e transporte) (Nm 3.33-37; 4.29-33); e, aos filhos de Coate cuidar do mobiliário e utensílios sagrados do santuário (montagem, desmontagem e transporte) (Nm 3.27-32; 4.1-20). É importante observar que coube à família de Coate a parte mais delicada, cuidar das “coisas santíssimas” (Nm 4.4), como a arca, com risco de morte: “Isto, porém, lhe fareis, para que vivam e não morram, quando se aproximarem das coisas santíssimas: Arão e seus filhos entrarão e lhes designarão a cada um o seu serviço e a sua carga. Porém os coatitas não entrarão, nem por um instante, para ver as coisas santas, para que não morram.” (Nm 4.19-20). Tudo isso foi estabelecido por Deus, por intermédio de Moisés, inclusive o tão cobiçado sacerdócio: “Mas a Arão e a seus filhos ordenarás que se dediquem só ao seu sacerdócio, e o estranho que se aproximar morrerá.” (Nm 3.10).

A igreja é o corpo de Cristo, onde cada membro tem a sua função. É o próprio Senhor quem vocaciona, chama e elege aqueles que devem ser reconhecidos como líderes do rebanho. É danoso para o Corpo de Cristo, quando alguém ambiciona posições e cargos, para os quais o Senhor não o designou, ou quando queremos impor, pela força, aqueles que o Senhor não escolheu para determinada missão. Cada um tem uma missão importante e específica a realizar no reino de Deus e deve se deixar conduzir pelo Espírito Santo de Deus!

3. O desenrolar da rebelião

  •  A prova do líder e dos santos (Nm 16.4-7; 16-19; 27-30)

“E falou a Coré e a todo o seu grupo, dizendo: Amanhã pela manhã, o SENHOR fará saber quem é dele e quem é o santo que ele fará chegar a si; aquele a quem escolher fará chegar a si.” (Nm 16.5)

Diante da inesperada rebelião, Moisés não teve outra alternativa senão submeter ao Senhor o arbítrio daquela questão. Moisés estabeleceu dia e hora para o confronto entre a liderança espiritual divinamente instituída e a liderança rebelde. A resposta seria dada pelo próprio Deus! Duas situações haveriam de ser julgadas ali: 1ª) Quem é dele; 2ª) Quem é o santo autorizado a aproximar-se do Senhor. As instruções da prova foram passadas. Ambos os lados deveriam comparecer diante de Deus com os seus incensários acesos; Moisés com o fogo tirado do altar e os rebeldes com o fogo estranho (Nm 16.16-19). Na sua fala final, Moisés esclarece que se algo fora do comum, se coisa inaudita acontecesse ali, levando os rebeldes à morte, ficaria provado que ele era um enviado do Senhor e os seus opositores aqueles que desprezaram ao Senhor (Nm 16.27.30)

  • A intransigência dos rebeldes e a ira de Moisés (Nm 16.12-15)

Os rebeldes não demonstraram qualquer interesse em dialogar. Eles fizeram o que é característico dos rebeldes: 1º) Acusar os líderes de não dar ao povo uma boa qualidade de vida; 2º) Acusar os líderes de usurpação de poder, de poder não legitimado pelo povo; 3º) Acusar os líderes de enganar os mais simples. É interessante como Moisés, o homem mais manso da terra (“Era o varão Moisés mui manso, mais do que todos os homens que havia sobre a terra.” Nm 12.3) perde a paciência e desabafa com Deus. Aí, quem perde a paciência é Deus e Moisés tenta aplacar sua ira.

  •  A ira divina e a intercessão de Moisés (Nm 16.20-27)

Diante de tanto atrevimento e rebeldia, a vontade de Deus era de exterminar toda a congregação, imediatamente. Essa era já a terceira vez que Deus manifestou este desejo e foi contido por Moisés (Ver as outras duas: Ex 32.10; Nm 14.11). Mais uma vez o Senhor cedeu e aguardou a separação física entre os rebeldes e o restante da congregação (Nm 16.23-26).

 4. As consequências da rebelião

1º castigo: A Coré, Datã e Abirão (Nm 16.31-34)

A terra se abriu e engoliu os três líderes, seus homens e seus bens. E o povo fugiu. Em Números 26.11 há o seguinte registro: “Mas os filhos de Corá (Coré) não morreram.”

2º castigo: Aos 250 príncipes da congregação (Nm 16.35)

Fogo procedente do Senhor consumiu os duzentos e cinquenta homens que se apresentaram diante do Senhor com fogo estranho.

3º castigo: Aos 14.700 murmuradores da congregação (Nm 16.41-50)

Como se as tragédias ocorridas não fossem suficientes para convencer aquela congregação também rebelde, eles tiveram a ousadia de murmurar contra Moisés e Arão, culpando-os de tamanha matança. Mais uma vez a ira divina se manifesta, agora pela 4ª vez (Nm 16.45), para exterminar toda a congregação. A praga dizimou 14.700 murmuradores. Não fora a expiação do povo, providenciada por Arão, sob a ordem de Moisés, toda a congregação teria sido dizimada. Na verdade, desde que a sentença divina fora pronunciada, por ocasião do relatório negativo dos 10 espias, isto é, que os de vinte anos para cima (exceto Josué e Calebe), não entrariam na terra prometida (Nm 14.20-30), a congregação se tornou propensa a rebeldia.

De tudo o que foi exposto anteriormente, fica claro o alto preço que é pago pelos rebeldes e seus seguidores!!!


Este é o terceiro artigo baseado no versículo abaixo:

“Ai deles! Porque prosseguiram pelo caminho de Caim, e, movidos de ganância, se precipitaram no erro de Balaão, e pereceram na revolta de Coré. (Judas 11)

Veja, também, os seguintes artigos:

  • O caminho de Caim
  • Balaão e o Jogo dos 7 Erros

Há alarido no arraial

Bezerro de Ouro

“Ouvindo Josué a voz do povo que gritava, disse a Moisés: Há alarido de guerra no arraial. Respondeu-lhe Moisés: Não é alarido dos vencedores nem alarido dos vencidos, mas alarido dos que cantam é o que ouço.” (Ex 32.17-18)

O capítulo 32 de Êxodo descreve um episódio desastroso na história do povo de Israel, ocorrido após uns três meses da saída do Egito. Foram 430 anos plantados no meio de um povo pagão e idólatra. Ao serem libertados dali tiveram o privilégio de presenciar manifestações extraordinárias – sinais, prodígios e maravilhas –  da parte do Deus único e verdadeiro, sob a mediação de Moisés e Arão: as dez pragas enviadas sobre os egípcios, enquanto eles foram poupados; a travessia, a pé enxuto, do Mar Vermelho que se abriu; a destruição dos exércitos egípcios no mesmo mar; a condução de Deus através da nuvem, durante o dia, e da coluna de fogo, durante a noite; a restauração das águas amargas de Mara; o pão que “chovia” diariamente do céu (maná e codornizes);  a vitória na guerra contra Amaleque etc etc. Entretanto, bastou que Moisés se demorasse um pouco no monte para que a descrença e a insensatez dominassem os corações. Desta narrativa podemos extrair alguns ensinamentos:

1º) A cumplicidade da liderança (Ex 32.1-4a)

O povo de Israel estava sendo guiado por dois líderes, Moisés, o principal, e Arão, seu auxiliar. Estes dois líderes tipificam e representam dois tipos de liderança, duas posturas bem distintas. Moisés, tipifica aquele líder de igreja chamado por Deus para cumprir uma missão, que investe tempo na presença de Deus, para conhecer a sua vontade e para receber do Senhor a mensagem que deve transmitir para o povo. Arão, tipifica aquele líder de igreja que, de alguma forma, chegou àquela posição, mas está longe de agradar a Deus. É o tipo de líder que prefere ceder às pressões dos liderados a defender o Senhor e a sua Palavra: “Respondeu-lhe Arão: Não se acenda a ira do meu senhor; tu sabes que o povo é propenso para o mal. Pois me disseram: Faze-nos deuses que vão adiante de nós; pois, quanto a este Moisés, o homem que nos tirou da terra do Egito, não sabemos o que lhe terá acontecido. Então, eu lhes disse: quem tem ouro, tire-o. Deram-mo; e eu o lancei no fogo, e saiu este bezerro.” (Ex 32.22-24). O rei Saul também era desta mesma escola: “Então, disse Saul a Samuel: Pequei, pois transgredi o mandamento do SENHOR e as tuas palavras; porque temi o povo e dei ouvidos à sua voz.” (1Sm 15.24).  Também é do estilo desse tipo de líder ceder às pressões das circunstâncias: “…. e, forçado pelas circunstâncias, ofereci holocaustos.” (1Sm 13.12b – Saul). E, ainda, prefere ceder às pressões do seu bom senso, desobedecendo deliberadamente às ordens de Deus (1Sm 15.3, 9, 15, 22 – Saul). É assim que agem os líderes progressistas de ontem e de hoje. Eles têm mais temor às pressões dos liderados, às circunstâncias e ao seu bom senso, do que a Deus e sua Palavra. Se consideram pequenos deuses aqui na terra. E mais, são capazes de rotular as lideranças do estilo de Moisés de fundamentalistas! Se buscar a direção do Senhor e obedecer à sua Palavra é ser fundamentalista, então eu sou um deles.

2º) A vulnerabilidade da natureza humana (Ex 32.4b-6)

Deus elegeu a Israel e Israel é chamado de povo de Deus. Até aí nenhuma novidade. Entretanto, é bom lembrar que esta eleição está circunscrita ao plano terreno. Deus tinha um plano, uma missão a ser cumprida através deste povo. O ápice desta missão era trazer Jesus Cristo ao mundo. Portanto, nascer judeu não significava receber passaporte com visto de entrada no céu ou direito à salvação eterna. Muitos israelitas saíram do Egito, mas não entraram em Canaã, tendo sido condenados e mortos pelos seus pecados. Somente neste episódio foram mortos uns 3000 homens (Ex 32.28). Deus também elegeu a igreja, mas muitos da igreja militante não entrarão na Canaã Celestial. Pois, “o Céu tem muitas almas que a igreja não tem e a igreja tem muitas almas que o Céu não tem.” (Sto. Agostinho). A vulnerabilidade da natureza humana pode ser vista nas constantes recaídas do povo: a) murmuravam a cada dificuldade (Ex 14.11-12; 15.24 etc); b) tiveram saudade das comidas do Egito, apesar de toda a opressão e sofrimento (Ex 16.2-3). No episódio em análise, verifica-se que eles também tiveram saudade dos ídolos egípcios e das festas idólatras. O povo não apenas sacrificou ao bezerro fundido por Arão, como assentou-se para comer e beber e “levantou-se para divertir-se” (v.6).  O que aconteceu ali foi muita bebedice e orgia sexual, como nos velhos tempos. De fato, os israelitas saíram do Egito, mas o Egito não saiu do coração de muitos deles.

O Egito representa simbolicamente o mundo; Faraó, Satanás; Canaã, a Pátria Celestial do cristão; e a peregrinação até Canaã, a nossa caminhada neste mundo. O fenômeno ali ocorrido é recorrente na igreja atual. Como tem gente que viveu intensamente neste mundo sem Deus e, mesmo estando na igreja vez por outra tem “saudade do Egito”, de alguma coisa da sua vidinha de outrora. E, então, querem trazer algumas práticas ou festejos para dentro da igreja, muitas vezes alegando tratar-se de manifestação cultural ou folclórica. “- Que mal tem isso? Deixa de ser retrógrado!” É o discurso pronto destes. E o pior é que os líderes progressistas cedem às pressões! Não conseguem enxergar o fenômeno do efeito dominó: o mundo influencia o crente, o crente tenta influenciar a igreja. Mas, há também aqueles que efetivamente não cortaram o cordão umbilical com o “mundo pagão”; participam efetivamente de boa parte da agenda oferecida pelo mundão, pois temem assumir uma postura diferenciada diante de seu círculo de amigos incrédulos. Isso é típico do “crente equilibrista”: um pé no mundo e o outro na igreja; ou do “crente morno” ou “crente bolo alimentar”, aquele que Deus está a ponto de vomitar (Ap 3.15).

3º) Que alaridos se ouvem da sua igreja? (Ex 32.15-18)

Alertado por Deus da corrupção do povo, Moisés desceu do monte acompanhado por Josué. Este fala para Moisés de um alarido de guerra no arraial de Israel. Moisés, então, responde-lhe, citando outros três tipos de alarido. Temos aqui, portanto, quatro tipos de alarido:

a) Alarido de guerra

É o alarido ouvido de uma igreja que sai das quatro paredes e impacta o mundo: “Estes que têm transtornado o mundo chegaram também aqui,” (At 17.6b). A proposta de Deus para sua igreja é de guerra espiritual: “Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela.” (Mt 16.18). O texto deixa claro que a posição da igreja é ofensiva, de ataque. E, mais: “porque a nossa luta não é contra o sangue e a carne, e sim contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes.” (Ef 6.12). O mundo clama por socorro, a situação é caótica (corrupção generalizada, violência, delinquência juvenil, bebedices e alcoolismo, uso de drogas, imposição do homossexualismo, imoralidade, banalização do sagrado, secularismo, ataque a instituição familiar etc etc) e a igreja não pode ser omissa. Precisa ser o braço do agir de Deus: orando, evangelizando, educando, fazendo ação social, protestando, denunciando, agindo e interferindo na sociedade, de todas as formas e meios legítimos disponíveis.

b) Alarido dos vencedores

Quando essa igreja combativa impacta eficazmente a sociedade, os intentos de Satanás são frustrados, os perdidos são alcançados, vidas são transformadas e assistidas, casamentos são restaurados etc. Então, o povo de Deus entrará no templo para glorificar e cultuar ao Senhor, louvá-lo e adorá-lo, com cânticos espirituais, um “alarido” de vitória que chega aos céus e agrada a Deus. É o alarido de vigílias de oração “bombando” e classes de Escola Bíblica Dominical repletas de alunos. Mas, a comunidade dos remidos não ficará estacionada no templo, sairá novamente para guerrear contra as trevas; entrará e sairá continuamente até Jesus Cristo voltar.

c) Alarido dos vencidos

Quando a igreja não está no foco da sua missão, no centro da vontade de Deus, o que se ouve ali é o alarido dos vencidos. De pastores se queixando das ovelhas, de ovelhas se queixando dos seus pastores e líderes, e das ovelhas se queixando das outras ovelhas. Do clamor das almas sedentas por mensagens ungidas, sem aquele ”teologuês” vazio e entediante que quase não chega à mente e muito menos desce ao coração. Do eco e reverberação de um templo esvaziado; do “bronze que soa, ou do címbalo que retine”; de lata vazia.

d) Alarido dos que cantam.

Não se engane, esse alarido não é aquele dos que louvam ao Senhor. É o alarido dos que promovem ou participam de shows golpel com muito fervor carnal e pouco fervor espiritual. É o alarido dos que promovem shows da fé, com farta propaganda de milagres e muito apelo financeiro. É o alarido dos que insistem em homenagens e honrarias aos homens quando deveriam focar a glória de Deus. Há líderes cristãos que estão vivendo a “Síndrome do Titanic”, isto é, estão confortavelmente curtindo a “primeira classe eclesiástica” enquanto a sociedade vai a pique e a terceira classe não tem acesso ao “bote da salvação”. É o alarido de igrejas superlotadas nos seus cultos-espetáculos, mas tolerantes a toda sorte de vícios e pecados. Já dizia o profeta Samuel: “o obedecer é melhor do que o sacrificar” (1Sm 15.22). É o alarido de igrejas tipo “casa de festas” que só pensam em festas, festividades e festejos. Oferecem muita brincadeira e entretenimento, como se a igreja fosse um parque de diversões e não um centro de recuperação.

Finalizando, deixamos uma palavra de advertência: “Deus está vendo e não deixará impune o pecado!”. Também deixamos uma palavra que vem direto do Senhor para você que é líder: “Vai, pois, agora, e conduze o povo para onde te disse; eis que o meu Anjo irá adiante de ti; porém, no dia da minha visitação, vingarei, neles, o seu pecado.” (Ex 32.34)

Propostas capciosas

“Os céus e a terra tomo, hoje, por testemunhas contra ti, que te propus a vida e a morte, a bênção e a maldição; escolhe, pois, a vida, para que vivas, tu e a tua descendência, amando o SENHOR, teu Deus, dando ouvidos à sua voz e apegando-te a ele; pois disto depende a tua vida e a tua longevidade; para que habites na terra que o SENHOR, sob juramento, prometeu dar a teus pais, Abraão, Isaque e Jacó.” (Dt 30.19-20)

Introdução

Negociação é uma prática muito comum em regimes democráticos. É uma espécie de troca. É o exercício do livre arbítrio. A negociação se desenvolve na base de “propostas” e “contrapropostas”. Vivemos num mundo de propostas, qualquer que seja a área considerada: afetiva, profissional, comercial, religiosa, etc..

De quem recebemos propostas?

Dos homens: Os homens fazem propostas entre si, cada um visando os seus próprios interesses. Precisamos de muita prudência neste sentido;

De Deus: A grande “proposta” de Deus em Cristo está Mateus 11.28-30. A trágica consequência da rejeição em Marcos 16.16. A necessidade de uma decisão pessoal em Deuteronômio 30.19- 20. Lembre-se que cada salvo é um porta-voz da proposta divina;

De Satanás: Usando diferentes meios e métodos, o diabo tenta destruir o relacionamento do homem com Deus (Eva – Gn 3.4,5 / Cristo – Mt 4.8,9; Mc 15.31,32). É muito perigoso negociar com ele, pois ele é sutil, astuto e mentiroso. Sua estratégia consiste em seduzir com propostas atraentes e perigosas.

Segundo o texto de Hebreus 3.1-2, devemos atentar para os exemplos de fidelidade a Deus e à sua palavra, encontrados no Senhor Jesus e em Moisés. Para tanto, faz-se necessário resistir a todas as propostas capciosas (que induzem ao erro) e comprometedoras, do mundo e de Satanás (Tg 4.7).

A título de alerta, consideremos a situação vivida por Moisés. Vejam só a sutileza das propostas feitas a ele, por Faraó:

1. NÃO É NECESSÁRIO SAIR

 “Ide, oferecei sacrifícios ao vosso Deus nesta terra..” (Ex 8.25b) (Após 4ª praga).

Moisés fora chamado por Deus para liderar a libertação do povo de Israel do Egito e da escravidão penosa a que estava submetido (Ex 3.7-8). A fala de Moisés a Faraó não era tão explícita; reivindicava a saída do povo ao deserto (caminho de três dias) com o fim de celebrarem uma festa ao Senhor (Ex 3.18; 5.1). Naturalmente que Faraó não concordava com tal pleito, o que já havia sido previsto, tudo fazendo para desarticular a liderança de Moisés. Entretanto, após a 4ª praga enviada por Deus, Faraó se vê forçado a negociar e, então, faz sua primeira contraproposta capciosa. Ao longo da história e ainda hoje, ele continua fazendo esta mesma proposta aos seres humanos, através de muitas seitas, falsas igrejas e filosofias humanas: sirva a Deus como você é, e onde você está. É puro engano; é cilada conhecida (Sl 50.16-17; 2Co 6.15-18; Gl 1.3-4).

EVANGELHO SEM CONVERSÃO é a sutileza desta 1ª proposta:

Cuidado! Egito é figura do “mundo sem Deus”, do mundanismo. Faraó é figura de Satanás, que se apresenta aos humanos de várias formas. Não existe salvação eterna e libertação da escravidão do pecado sem o Evangelho de Jesus Cristo e sem o Salvador Jesus Cristo do Evangelho! Evangelho sem conversão, sem transformação, sem novo nascimento, sem rompimento com o passado e com o pecado é qualquer coisa, menos o Evangelho de Cristo! É preciso sair sim, “caminho de 3 dias” – “da paixão e morte de Cristo à sua ressurreição”!!!

2. NÃO É NECESSÁRIO IR MUITO LONGE

“..saindo, não vades muito longe..” (Ex 8.28) (Após 4ª praga).

Moisés não aceita a contraproposta, nem está disposto a negociar o que foi estabelecido pela palavra de Deus. A palavra de Deus não é negociável! Faraó, então, aparenta ceder, mas sutilmente saca outra das suas propostas capciosas. Esta, também, foi e continua sendo muito usada.

EVANGELHO SEM CONSAGRAÇÃO é a sutileza desta 2ª proposta:

Esse é o perigo da “pequena distância” entre o cristão e o mundo (mundanismo). Trata-se da sutil “doutrina do equilibrismo”: um pé na igreja e o outro no mundo. Em outras palavras, a voz de Satanás continua ressoando: “não sejam muito diferentes do mundo”. Satanás tem conseguido incutir nos incrédulos a ideia de que não vale a pena “perder as coisas do mundo”; e em muitos crentes, a ideia de que é perfeitamente possível aproveitar os dois lados. Entretanto, o Senhor Deus jamais aceitará obediência pela metade (Tg 4.4-5; 1Jo 2.15; Rm 8.9,11). É preciso ir longe sim! É preciso buscar consagração e santificação, “sem a qual ninguém verá o Senhor”!

3. NÃO É NECESSÁRIO INCLUIR A FAMÍLIA

“..ide somente vós os homens, e servi ao Senhor..” (Ex 10.11) (Após 7ª praga).

Faraó mudou sua decisão de deixar o povo ir e o Egito teve que passar por mais três pragas. Após a sétima praga ocorre mais um embate entre Moisés e Faraó, quando este apresenta sua terceira proposta capciosa.

EVANGELHO SEM COERÊNCIA é a sutileza desta 3ª proposta:

Evangelho sem coerência é o evangelho que se vive solitário, sem testemunho, sem compartilhar com o próximo o amor de Deus, principalmente quando esse próximo é a própria família de sangue. Manter parte da família no mundo é o grande trunfo do inimigo. É uma espécie de garantia de retorno daqueles que “saíram para servir ao Senhor”. Quantos têm caído nesta cilada? Em seu egoísmo espiritual têm abandonado a família. A salvação é individual, mas Deus quer ver cada família salva e servindo-o. Nossas prioridades precisam ser: 1º) Deus, 2º) A Família e 3º) A Igreja. É preciso incluir a família sim, não por força, nem por violência, mas pela operação do Espírito Santo nos corações! Não queremos, nem podemos aceitar a ideia de deixar parte da família fora do projeto salvador de Deus!

4. NÃO É NECESSÁRIO ENVOLVER OS BENS

“Fiquem somente os vossos rebanhos e o vosso gado..” (Ex 10.24) (Após 9ª praga).

Faraó não aceitou a recusa de Moisés e o Egito teve que passar por mais duas pragas. Após a nona praga Faraó tenta sua última e igualmente astuta investida.

EVANGELHO SEM COMPROMISSO é a sutileza desta 4ª proposta:

Quando o tentador não consegue reter o homem, procura reter a sua família. Quando não consegue reter nem o homem e nem a sua família, procura, então, reter os seus bens. Com que finalidade? Para que os seus bens não sejam investidos no desenvolvimento da Obra de Deus ou, para subjugá-lo através desses bens, deixando-o inoperante no serviço do reino. Quando nos convertemos a Deus, passamos a pertencer a ele, juntamente com os nossos bens. Ele passa a ser o Senhor de tudo e nós seus servos. Deus não precisa dos nossos recursos financeiros, mas sua igreja sim. É claro que vamos colocar esses recursos nos lugares certos, para não cometer a ingenuidade de enriquecer determinados “donos de igreja” que existem por aí. É preciso compromisso sim na obra de Deus; compromisso de vida, serviço e bens!

Conclusão

Moisés não se deixou enganar (Ex 12.31,32,36). E nós, o que faremos?

Vamos dizer sempre um firme e sonoro não ao:

  • EVANGELHO SEM CONVERSÃO
  • EVANGELHO SEM CONSAGRAÇÃO
  • EVANGELHO SEM COERÊNCIA
  • EVANGELHO SEM COMPROMISSO
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