Arquivo

Posts Tagged ‘Democracia’

Governo Eclesiástico

Formas de Governo

E-PUB GRATUITA.

CLIQUE NO LINK AO LADO PARA ABRIR O ARQUIVO: Governo Eclesiástico.pdf

Anúncios

Manifestação SIM! Ofensa NÃO!

Manifestações

“Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus.”

Nestes últimos dias temos assistido a uma espécie de levante popular, pipocando por toda a parte desta imensa nação chamada Brasil e em várias partes do mundo onde há brasileiros residindo. O termo “pipocando” cai como uma luva. O cidadão brasileiro é a “pipoca” e o “óleo da pipoqueira” é o contexto político e social onde a comunidade está inserida. Ao longo de muitos anos o fogo da corrupção, da irresponsabilidade, da insensatez, da insensibilidade, do egoísmo de muitos governantes e representantes do povo, mas também de alguns empresários e cidadãos inescrupulosos, vem elevando a temperatura emocional até chegar ao ponto de arrebentar com a paciência até do cidadão mais pacato ou conformado.  Ninguém aguenta mais ficar passivo diante de tantas circunstâncias aflitivas e comportamentos lastimáveis e execráveis(*). Assim, o povo saiu do mundo virtual das redes sociais e foi para as ruas do mundo real para exigir as mudanças.

Diante dessa nova e surpreendente realidade das ruas, quase difusa e apartidária, os políticos e governantes ficaram perplexos. E, a liderança e liderados cristãos, ficaram divididos. Uns foram para as ruas e se uniram ao clamor popular e outros condenaram as manifestações. Quem está com a razão? O cristão deve ou não deve se manifestar contra o sistema dominante?

Nesses dias de manifestações nas ruas, também as redes sociais receberam uma avalanche de manifestações através de mensagens e imagens, umas criativas e bem humoradas e, outras, até ofensivas. Dentre estas a própria Bíblia foi citada, como Provérbios 29.2, 4 e o exemplo de Jesus expulsando os comerciantes do templo de Jerusalém.

Quero chamar sua atenção para a resposta de Jesus aos fariseus e herodianos da sua época: “Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus.” (Mt 22.21b).  Desta resposta podemos depreender que nós cristãos temos responsabilidades para com César, que representa o governo humano e, para com Deus e seu reino. Ou seja, nós, cristãos, somos cidadãos da terra e cidadãos dos céus. Como cidadãos dos céus, temos inúmeras responsabilidades e privilégios, no âmbito interno da igreja e também fora dela, na sociedade em que vivemos. Devemos, por exemplo orar pela paz da cidade e temos o privilégio de pregar o evangelho, porque é através de vidas transformadas e restauradas pelo Evangelho da Cruz é que podemos esperar por uma sociedade melhor. Como cidadãos da terra, temos que trabalhar, participar e ser útil à sociedade, pagar impostos e usufruir do retorno dos impostos pagos. Sabemos que não dá para esperar uma sociedade justa e próspera quando os seus governantes e representantes não têm o temor de Deus. Entretanto, quando o momento é de reagir e se manifestar pacificamente contra tanta corrupção e injustiça social, não podemos ser omissos. Também não podemos aderir a qualquer pauta ou bandeira, sem uma prévia análise dos fatos, das contestações e das proposições. Jamais devemos dar nosso apoio a proposições equivocadas ou nos deixar enredar por delírios anarquistas. Também, não podemos perder de vista, que não se muda todo um sistema torto e emperrado somente porque se fez um protesto. É importante fazer um pouco de barulho nas ruas que, obviamente não é o barulho da depredação ou destruição do patrimônio público ou privado. Entretanto, o que pode produzir resultados mais eficazes, profundos e duradouros são as mudanças estruturais e de modelos, como, por exemplo, o aumento da liberdade econômica e a redução do poder e tamanho do Estado defendido por alguns. Certamente a mudança de cultura e de atitude também precisam acontecer. Para tanto, é necessário investir positivamente nas crianças de hoje, na esperança de que se tornem os cidadãos diferenciados de amanhã.

Um aspecto que não podemos deixar de mencionar aqui é que a igreja, sendo laica, não pode se comprometer com partidos políticos ou governos, devendo-lhes favores.  É sábio e inteligente manter um relacionamento cordial e respeitoso com as autoridades, mas, em hipótese alguma pedir favores que impliquem em compromisso de ceder espaço para palanque eleitoral ou ficar em silêncio diante dos seus atos injustos ou inescrupulosos. A igreja precisa ter total independência para defender a ética, a moral e os princípios, questionando, quando necessário, as autoridades que deles se desviarem.

Portanto, manifestação sim, ordeira e pacífica, pois é um importante direito democrático do cidadão. Porém, feita de forma correta e sensata, no momento certo e local adequado. Interromper vias importantes aqui e ali, todo o dia, é coisa insana, é radicalismo, é querer aumentar o caos social, é atentar contra o direito de ir e vir das pessoas, é prejudicar empresas e empregados etc etc. Não podemos perder de vista que a manifestação na rua é apenas e simbolicamente um “cartão amarelo” para os governantes e representantes do povo; o “cartão vermelho” é o voto consciente nas urnas. Este sim, o voto, é a maior e mais poderosa arma do cidadão, numa democracia.

Por que não devemos ofender os governantes e as autoridades superiores?

Porque é assim que nos ensina a Bíblia, particularmente os “códigos de conduta do cristão” escritos pelos apóstolos Paulo e Pedro. Vejamos o que dizem com relação aos governantes e autoridades:

“Todo homem esteja sujeito às autoridades superiores; porque não há autoridade que não proceda de Deus; e as autoridades que existem foram por ele instituídas. De modo que aquele que se opõe à autoridade resiste à ordenação de Deus; e os que resistem trarão sobre si mesmos condenação.  Porque os magistrados não são para temor, quando se faz o bem, e sim quando se faz o mal. Queres tu não temer a autoridade? Faze o bem e terás louvor dela, visto que a autoridade é ministro de Deus para teu bem. Entretanto, se fizeres o mal, teme; porque não é sem motivo que ela traz a espada; pois é ministro de Deus, vingador, para castigar o que pratica o mal. É necessário que lhe estejais sujeitos, não somente por causa do temor da punição, mas também por dever de consciência. Por esse motivo, também pagais tributos, porque são ministros de Deus, atendendo, constantemente, a este serviço. Pagai a todos o que lhes é devido: a quem tributo, tributo; a quem imposto, imposto; a quem respeito, respeito; a quem honra, honra.” (Rm 13.1-8)

“Lembra-lhes que se sujeitem aos que governam, às autoridades; sejam obedientes, estejam prontos para toda boa obra,” (Tt 3.1)

“Sujeitai-vos a toda instituição humana por causa do Senhor, quer seja ao rei, como soberano, quer às autoridades, como enviadas por ele, tanto para castigo dos malfeitores como para louvor dos que praticam o bem. (1 Pe 2.13-14)

“Antes de tudo, pois, exorto que se use a prática de súplicas, orações, intercessões, ações de graças, em favor de todos os homens, em favor dos reis e de todos os que se acham investidos de autoridade, para que vivamos vida tranquila e mansa, com toda piedade e respeito.” (1Tm 2.1-2)

Em síntese, esses textos nos ensinam que:

1º) Toda a autoridade procede de Deus.

2º) Devemos nos sujeitar, isto é, respeitar e obedecer as autoridades superiores. Vale lembrar que também devemos cumprir as leis estabelecidas, enquanto vigentes, o que não nos impede de lutar, democraticamente, para que sejam melhoradas.

3º) É errado falar mal das autoridades, ou difamar (caluniar, infamar).

4º) Os erros dessas autoridades não justificam os nossos erros. Pelo contrário, o nosso proceder precisa ser tal que engrandeça o nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.

5º) Devemos orar pelas autoridades.

Num próximo artigo procurarei desenvolver este assunto do relacionamento do cristão com as autoridades superiores.

(*) Veja no meu artigo “Apesar de você….”, de 07/12/2012, alguns dos motivos que fizeram e fazem elevar a “temperatura emocional” do cidadão brasileiro.

%d blogueiros gostam disto: