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Tipos de Oração

 

Introdução

Ninguém desconhece o fato de que a oração é um instrumento através do qual nos comunicamos com Deus. Nós, seres humanos, temos essa capacidade de comunicação vertical – com Deus, e horizontal – com os seres humanos e animais.

Como podemos nos comunicamos com Deus?

i.      Com a boca: – Falando (Oração)
  – Cantando (Hinos)
  – Emitindo sons (riso, choro etc.)
ii.      Com a mente: – Com pensamentos
iii.      Com o corpo: – Através de gestos, de ações, das emoções etc.
iv.      Com a vida: – Pelo conjunto da obra

Quando se fala em “tipo”, a intenção é se referir a “categoria de coisas agrupadas segundo algumas características”. Quando a temática é “tipos de oração”, pode-se abordar o assunto considerando-se o agrupamento das várias características, conforme o foco, a saber:

a) Local

A oração pode ser: dentro do quarto, no monte, no templo, na escola, no trabalho etc.

b) Postura física

A oração pode ser: prostrado sobre o rosto, ajoelhado, erguendo os olhos ao céu, em pé, sentado, parado, se movendo.

c) Participação

A oração pode ser: em particular (individual), em conjunto (pequeno grupo) ou em público (com toda a igreja).

d) Duração

A oração pode ser: “relâmpago”, de curta, de média, de longa etc, duração (neste caso, o foco é o tempo que ela leva orando).

e) Forma de comunicação

Podemos orar: com a boca (falando, cantando, emitindo sons), com a mente (pensamentos), com o corpo (gestos, ações, emoções) e com a vida (conjunto da obra).

f) Estilo

A oração pode ser: informal ou formal, simples ou sofisticada, com pausas ou contínua, repetitiva ou criativa etc.

g) Direcionamento e intenção

A oração pode ser: dirigida a Deus (que é a verdadeira) ou dirigida aos outros (usada como pretexto para pregar, ensinar, se exibir, contar vantagem, fofocar, mandar recado, criticar, contar história, pedir ajuda ao outro etc).

h) Conteúdo

 

A oração pode ser de: Confissão, Adoração, Agradecimento, Intercessão, Petição e Imprecação (descartada, a partir do Novo Testamento)

 

Neste estudo, vamos analisar os tipos de oração, focando o seu conteúdo, o que é expresso em palavras:

1. Oração de Confissão:

O verbo confessar, quando usado no contexto da fé cristã, tem dupla conotação: 1ª)Reconhecendo e admitindo ações e condutas erradas -> contar, declarar espontaneamente, os pecados a Deus, a fim de obter dele o perdão. 2ª)Recebendo a mensagem do Evangelho, sendo regenerado pelo Espírito Santo -> declarar sua fé em Deus e na obra redentora de Cristo. Ambas as confissões podem ser feitas diante de Deus e dos homens.

A oração de confissão de pecados acontece quando nos chegamos para Deus, no início da caminhada cristã, e precisa acontecer ao longo dessa caminhada, pois estamos sujeitos a pecar, embora não vivamos mais na prática contumaz do pecado (1Jo 3.9).  É como diz as Escrituras: “Confessei-te o meu pecado e a minha iniquidade não mais ocultei. Disse: confessarei ao SENHOR as minhas transgressões; e tu perdoaste a iniquidade do meu pecado.” (Sl 32.5). “O que encobre as suas transgressões jamais prosperará; mas o que as confessa e deixa alcançará misericórdia.” (Pv 28.13). “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça.” (1Jo 1.9). Confessamos a Deus os pecados cometidos (por comissão – pensamentos, palavras e ações; ou, por omissão), para que obtenhamos o seu perdão e, assim, possamos nos aproximar dele.

A oração de confissão de fé acontece quando nos dirigimos a Deus e afirmamos ou declaramos nossa crença e fé nele como único Deus poderoso, vivo e verdadeiro e em Jesus Cristo, Salvador e Senhor das nossas vidas. “Se, com a tua boca, confessares Jesus como Senhor e, em teu coração, creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo. Porque com o coração se crê para justiça e com a boca se confessa a respeito da salvação.” (Rm 10.9-10)

2. Oração de Adoração (Exaltação, Louvor, Glorificação):

Num sentido geral, adoração é a forma mais significativa de expressar apreço, homenagem, honra e glória a poderes superiores; sejam eles seres humanos, anjos ou Deus. Numa visão cristã, somente caberia aqui, como alvo e objeto de adoração, uma divindade, um ser supremo, no caso, Deus – “… Ao Senhor, teu Deus, adorarás, e só a ele darás culto.” (Mt 4.10). Esse também seria objeto de devoção, temor, reverência, veneração e culto. Os patriarcas adoravam construindo altares e oferecendo sacrifícios (Gn 12.7-8; 13.4).

Adorar a Deus é prostrar-se submisso diante dele, cultuá-lo, dedicar-lhe amor extremo, devoção e veneração como o ser mais sublime do universo (Gn 24.26; Ex 34.8; 1 Sm 1.3; Mt 8.2; 9.18; 15.25).

Exaltar a Deus é colocá-lo em lugar alto, elevá-lo, erguê-lo, exalçar e levantar seu ser acima de qualquer outro.

Louvar a Deus é expressar o reconhecimento da sua grandeza, dos seus méritos, dos seus atributos incomparáveis e inigualáveis: Onipotência, Onipresença, Onisciência, Eternidade, Amor, Perfeição, Santidade, Verdade, Justiça, Fidelidade, Misericórdia etc. (1Cr 16.4; Dt 10.21; 26.16).

Glorificar a Deus é atribuir-lhe glória eterna e celestial e a ninguém mais (Sl 18.49; 22.23; Jo 21.19; Rm 1.21).

Nós adoramos, exaltamos, louvamos e glorificamos a Deus por quem ele é e por seu poder de fazer: “Disse-lhe mais: Eu sou o Deus Todo-Poderoso;…” (Gn 35.11). O ser e o fazer estão intimamente relacionados e são inseparáveis. Definir é indicar o significado preciso de; estabelecer com precisão; determinar; fixar os limites, delimitar, demarcar; interpretar claramente; dar as qualidades distintivas de; retratar. Conceituar é avaliar, atribuir qualidade ou juízo de valor. Não podemos definir quem é Deus, apenas conceitua-lo. Na verdade ele é o que é independentemente do que se pensa dele: “Disse Deus a Moisés: EU SOU O QUE SOU. Disse mais: Assim dirás aos filhos de Israel: EU SOU me enviou a vós outros.” (Ex 3.14). Entretanto, para nós simples mortais podermos conhecer, pelo menos um pouco de quem ele é, ele precisou se manifestar a nós através de seus grandes e incomparáveis feitos. Faraó não acreditava que o Deus dos hebreus fosse superior aos seus deuses; por isso Deus precisou usar o seu “poder de fazer” e enviou as dez pragas como sentença de juízo contra os deuses do Egito (Ex 12.12). Então, Moisés pôde expressar o sentimento de todos: “Ó SENHOR, quem é como tu entre os deuses? Quem é como tu, glorificado em santidade, terrível em feitos gloriosos, que operas maravilhas?” (Ex 15.11); assim como também Jetro, seu sogro: “agora, sei que o SENHOR é maior que todos os deuses, porque livrou este povo de debaixo da mão dos egípcios,” (Ex 18.11). Da mesma forma, nós seres humanos, temos nosso caráter, isto é, aquele conjunto de traços psicológicos e morais que caracterizam cada indivíduo; porém, no nosso agir e fazer cotidianos, manifestamos aos outros o que realmente somos, o que se convencionou denominar de reputação, isto é, conceito que os outros formam a nosso respeito.

Portanto, na oração de adoração, nós adoramos, exaltamos, louvamos e glorificamos a Deus por quem ele é: “Tributai ao SENHOR a glória devida ao seu nome; ….; adorai o SENHOR na beleza da sua santidade.” (1Cr 16.29; ver tb Sl 96.9); e, pelos seus poderosos feitos: “Louvai-o pelos seus poderosos feitos; louvai-o consoante a sua muita grandeza.” (Sl 150.2; ver tb Sl 59.16; 138.2; Is 25.1)

3. Oração de Agradecimento (Ações de Graças):

Agradecimento ou ações de graças são palavras ou outras manifestações que denotam gratidão. O apóstolo Paulo recomenda: “Em tudo, dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco.” (1Ts 5.18). Ele não diz “por tudo”, mas “em tudo”, isto é, em todas as situações; tanto em tempos de tranquilidade, como em tempos de provações e dificuldades. Não com hipocrisia ou fazendo por fazer; mas crendo firmemente e reconhecendo que Deus tem um propósito abençoador em tudo o que nos acontece: “Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito.” (Rm 8.28).

Na oração de agradecimento ou ações de graças, nós demonstramos nosso apreço e reconhecimento a Deus pelo que ele fez por nós. Não devemos engrossar as estatísticas dos que recebem bênçãos de Deus, como aqueles nove dos dez leprosos, que não voltaram para agradecer (Lc 17.17). Precisamos ser zelosos e cuidadosos, reconhecendo que as bênçãos recebidas não foram por mero acaso, nem devido aos nossos méritos pessoais ou, tão somente, seriam o resultado das nossas habilidades e competência. Não sejamos filhos ingratos! Antes, porém, sejamos obedientes à instrução bíblica: “Seja a paz de Cristo o árbitro em vosso coração, à qual, também, fostes chamados em um só corpo; e sede agradecidos.” (Cl 3.15). Enfim, sejamos agradecidos a Deus pelas bênçãos recebidas, como o ar que respiramos, o alimento, as vestes e, principalmente, pelas bênçãos espirituais, mas, também, pelas provações.

4. Oração de Intercessão:

Interceder é pedir, rogar por outrem ou por alguma coisa. A oração a favor de outros, pelas suas necessidades, deve ter precedência sobre a oração por nós mesmos, mostrando assim nossa maturidade cristã. Crianças mostram sua imaturidade quando querem todos os brinquedos para si. Crentes imaturos demonstram essa mesma falta de crescimento espiritual quando somente pensam em si e nos seus. Não orar por outros pode ser considerado até um pecado contra Deus: “Quanto a mim, longe de mim que eu peque contra o SENHOR, deixando de orar por vós; antes, vos ensinarei o caminho bom e direito.” (1Sm 12.23). Vale lembrar que Jó foi abençoado quando orava pelos seus amigos (e que amigos?!): “Mudou o SENHOR a sorte de Jó, quando este orava pelos seus amigos; e o SENHOR deu-lhe o dobro de tudo o que antes possuíra.” (Jó 42.10).  E, Jesus lança um desafio ainda maior: “Eu, porém, vos digo: amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem;” (Mt 5.44).

Portanto, somos instruídos a interceder por todos, inclusive pelas autoridades e governantes: “Antes de tudo, pois, exorto que se use a prática de súplicas, orações, intercessões, ações de graças, em favor de todos os homens, em favor dos reis e de todos os que se acham investidos de autoridade, para que vivamos vida tranquila e mansa, com toda piedade e respeito.” (2Tm 2.1-2).

Para sermos mais práticos e eficazes no cumprimento da instrução bíblica, é interessante manter uma lista ou caderneta de oração que nos ajude a lembrar daquilo e daqueles por quem devemos orar. No caso da intercessão, podemos organizar nossas anotações da seguinte forma:

 Pelo Reino de Deus:

Para que sejam instrumentos da realização da vontade de Deus na terra.

  • Pelas Igrejas Locais e Congregações (Liderança, Membros e Atuação).
  • Pelos Obreiros / Missionários.
  • Pelas Instituições Paraeclesiásticas (Missionárias, Assistência Social etc.).
  • Pelos Projetos / Programas Especiais.

– Pelo nosso Próximo:

     (na Família, na Vizinhança, na Igreja, na Escola, no Trabalho etc):

  • Salvação: para que recebam a Jesus como Salvador e Senhor de suas vidas.
  • Proteção: para que sejam guardados do mal (acidental ou intencional).
  • Santificação: para que vivam uma vida santa diante de Deus e dos homens.
  • Cura: para que sejam curados do corpo ou da mente.

– Pelas Autoridades constituídas:

Para que exerçam com sabedoria e competência as suas respectivas funções.

  • Familiares: Pais, Responsáveis.
  • Eclesiásticas: Pastores, Presbíteros, Diáconos.
  • Empresariais: Lideranças.
  • Governamentais: Civis e Militares.

– Executivo: Presidente, Ministros, Governadores, Prefeitos, Secretários etc.
– Legislativo: Senadores, Deputados Federais e Estaduais, Vereadores etc.
– Judiciário: Ministros, Desembargadores, Juízes etc.
– Forças Armadas, Polícias.

5. Oração de Petição (Súplica, Clamor, Invocação):

A oração de petição ou súplica ou clamor ou invocação consiste em cada um apresentar a Deus as suas próprias necessidades. A súplica caracteriza-se por uma forma de pedir com humildade e insistência. Clamar é uma forma mais intensa de pedir: com veemência, implorar, rogar. A invocação é o ato de chamar, pedindo socorro. “Ouve, SENHOR, a minha súplica, e cheguem a ti os meus clamores. Não me ocultes o rosto no dia da minha angústia; inclina-me os ouvidos; no dia em que eu clamar, dá-te pressa em acudir-me.” (Sl 102.1-2). Às vezes, a petição tem o propósito de obter o esclarecimento divino quanto a determinada situação (Jr 32.16-25), ou para se conhecer a sua vontade (1Sm 23.10-12), ou, até mesmo, para se questionar a atitude de Deus (Jn 4.1-3).

É através da oração de petição que rogamos a Deus que os seus infinitos recursos sejam canalizados para a nossa vida, suprindo-nos nas nossas fraquezas e limitações naturais e dotando-nos de força e capacidade superiores. Somos instruídos biblicamente a compartilhar e transferir para Deus as nossas preocupações e ansiedades: “lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós.” (1Pe 5.7); “Não andeis ansiosos de coisa alguma; em tudo, porém, sejam conhecidas, diante de Deus, as vossas petições, pela oração e pela súplica, com ações de graças.” (Fp 4.6).

Somos desafiados por Deus a invoca-lo: “Invoca-me, e te responderei; anunciar-te-ei coisas grandes e ocultas, que não sabes.” (Jr 33.3). Também somos incentivados por Jesus a recorrer ao nosso Pai Celeste, na certeza de que seremos ouvidos: “Pedi, e dar-se-vos-á; buscai e achareis; batei, e abrir-se-vos-á. Pois todo o que pede recebe; o que busca encontra; e, a quem bate, abrir-se-lhe-á.” (Mt 7.7-8).

Em termos práticos, o que devemos pedir a Deus (entre outras coisas)?

  • Vitória Espiritual: para que eu alcance vitória sobre as tentações e sobre as investidas do maligno.
  • Santificação: para que eu viva uma vida santa diante de Deus e dos homens.
  • Testemunho Cristão: para que eu seja um instrumento nas mãos de Deus levando a mensagem de salvação a outras pessoas.
  • Necessidades Fisiológicas: para que eu obtenha todas as coisas necessárias à manutenção da vida do corpo e da mente (saúde, moradia, roupa, alimento, água, ar etc.).
  • Necessidade de Proteção: para que eu seja guardado do mal (acidental ou intencional).
  • Necessidade de Cura: para que eu seja curado do corpo ou da mente.
  • Necessidades Profissionais e Financeiras: bom emprego, bom ambiente de trabalho, realização profissional, independência financeira etc.
  • Necessidades Familiares e Sociais: cônjuge segundo a vontade de Deus, harmonia conjugal, família ajustada, parentes amigáveis, amigos verdadeiros, vizinhos tranquilos etc.
  • Necessidades Pessoais: Sabedoria, Paz, Equilíbrio, Realização, Sentimento de Utilidade etc.

6. Oração de Imprecação:

A oração imprecatória – aquela que suplica o castigo divino para o outro – não soa bem aos ouvidos cristãos. Entretanto, em muitos Salmos e textos do Antigo Testamento (AT) há um tom de imprecação. Diante da maldade, da opressão, da violência, ou da injustiça, eles não só clamavam ao Senhor por suas vidas, mas também pediam a Deus que fizesse cair sobre os seus inimigos os piores males. Assim, se unem numa mesma oração, as súplicas mais ardentes e as mais violentas imprecações (Sl 58.6-11; 83.9-18; 109.6-19; 137.7-9). De fato, na época do AT, naquele contexto, prevalecia no âmbito do povo de Israel o conceito de que a obediência a Deus e aos seus mandamentos, deveria ser recompensada na vida presente, com longevidade e prosperidade; enquanto os transgressores da lei mosaica (judeus) e os ímpios (pagãos) deveriam receber o seu justo castigo o quanto antes, para que ficasse evidente que há um Deus vivo e presente, retribuindo a cada um conforme as suas ações (Sl 7.9; 37.28; 75.10; 58.11).

Diante de determinadas situações perversas, protagonizadas por pessoas de índole maligna, da sociedade ou até mesmo participantes dos arraiais evangélicos, podem até passar pela mente, pensamentos de imprecação. Entretanto, a oração que pede a Deus para “pesar sua mão” sobre alguém é estranha ao cristão e indevida. Por maior que seja o mal praticado contra nós (ou contra outros), como cristãos, o que nos resta a fazer, em termos de oração, é entregar nossa causa nas mãos de Deus: “Eu, porém, vos digo: amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem;” (Mt 5.44)

 

Orações transcritas na bíblia:

Há registro na bíblia de muitas pessoas que oraram, mas não “o que” oraram. Apresentamos, abaixo, algumas dentre as orações que foram “transcritas” na bíblia:

 

Descrição Texto bíblico Tipo
Oração de Jacó Gênesis 32.9-12 Petição
Oração de Moisés Deuteronômio 9.25-29 Petição
Oração de Manoá Juízes 13.8 Petição
Oração e voto de Ana 1Samuel 1.10-13 Petição
Oração e cântico de Ana 1Samuel 2.1-10 Agradecimento e Adoração
Oração e consulta de Davi (em Queila) 1Samuel 23.10-12 Petição
A oração de Davi
(na Casa do Senhor)
2Samuel 7.18-29 1Crônicas 17.16-27 Agradecimento, Adoração e Petição
Oração de Salomão (particular) 1Reis 3.3-9 Petição (sonho)
Oração de Salomão (pública) 1Reis 8.22-61
2Cr 6.12-42
Adoração, Petição e Intercessão
Orações de Eliseu 2Reis 6.17, 18 Petição
Oração de Ezequias (livramento) 2Reis 19.15-19
Isaías 37.15-20
Adoração e Petição
Oração de Ezequias (cura) 2Reis 20.2-3
Isaías 38.2-3
Petição
Oração de Jabez
1Crônicas 4.10 Petição
Oração de Josafá (livramento) 2Crônicas 20.5-12 Adoração e Petição
Oração de Ezequias (perdão) 2Crônicas 30.18-19 Intercessão
Oração de Neemias
(em Susã)
Neemias 2.4-11 Adoração, Confissão, Intercessão, Petição
Oração de Neemias
(em Jerusalém)
Neemias 4.4-5 Imprecação
Oração de Jó Jó 42.1-6 Adoração, Confissão e Petição
Oração de Jeremias Jeremias 32.16-25 Adoração e Petição
Oração de Daniel Daniel 9.3-19 Confissão, Intercessão, Petição, Adoração
Oração de Jonas
(no peixe)
Jonas 2.1-9 Petição, Confissão e Agradecimento
Oração de Jonas (questionamento) Jonas 4.1-3) Petição (questionamento)
Oração Modelo
(Pai Nosso)
Mateus 6.9-13 Adoração e Petição
Oração de Jesus (Sacerdotal) João 17 Intercessão
Oração de Jesus
(no Getsêmani)
Mateus 26.42 Petição
Oração de Jesus
(na cruz – 1ª)
Lucas 23.34 Intercessão
Oração de Jesus
(na cruz – 2ª)
Mateus 27.46
Marcos 15.34
Petição
Oração de Jesus
(na cruz – 2ª)
Lucas 23.46 Petição
Oração dos irmãos (igreja) Atos 4.23-31 Adoração, Petição e Intercessão

Conclusão

Tendo sido esclarecidos ou relembrados quanto a esses tipos de oração, podemos exercitar-nos a cada dia, na busca de orarmos como convém, na certeza de que o Espírito Santo de Deus há de suprir nossas limitações e imperfeições (Rm 8.26-27).


Nota: esboço pessoal de aula, preparado por mim, para facilitar a ministração da Aula 8 (Tipos de Oração) – Módulo 2 – Classe de Casais – EBD Catedral 2017, de modo a atender a temática proposta no material elaborado por colaboradores para os alunos.

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O Espírito Santo e a Oração

Introdução:

Já não é fácil entender a nós mesmos, nem tampouco entender o outro; quanto mais entender o mover do Espírito Santo, o mover do mundo espiritual e o que acontece quando oramos. Nesse nosso relacionamento com Deus, através da oração, há que se levar em conta sempre três aspectos relevantes:

a) Como se chega à presença do Soberano Rei do Universo, para lhe falar algo?

Ao contrário do que acontece com o acesso às pessoas muito importantes ou famosas do planeta, temos um Deus acessível para escutar o clamor das suas criaturas quando o fazem com humildade e contrição:

“Porque assim diz o Alto, o Sublime, que habita a eternidade, o qual tem o nome de Santo: Habito no alto e santo lugar, mas habito também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos e vivificar o coração dos contritos.” (Is 57.15). “Deus, porém, ouviu a voz do menino (Ismael); e o Anjo de Deus chamou do céu a Agar e lhe disse: Que tens, Agar? Não temas, porque Deus ouviu a voz do menino, daí onde está.” (Gn 21.17)

Entretanto, a intimidade como o Senhor não é um privilégio de todos: “A intimidade do SENHOR é para os que o temem, aos quais ele dará a conhecer a sua aliança.” (Sl 25.14; ver tb. Pv 3.32). Certamente isso não acontece por nosso mérito: “Mas, agora, em Cristo Jesus, vós, que antes estáveis longe, fostes aproximados pelo sangue de Cristo.” (Ef 2.13)

b) Tendo o acesso franqueado a Deus, o que lhe dizer?

Aqueles que foram feitos filhos de Deus (Jo 1.12-13), os regenerados pelo Espírito Santo, chegam à sua presença divina, diante do seu trono de graça, como um filho chega à presença do seu pai terreno. Com intimidade, simplicidade e reverência, abrimos o nosso coração diante do Pai Celestial. Confessamos nossos pecados, exaltamos o seu nome, agradecemos pelos seus feitos, suplicamos por nossas necessidades e intercedemos por outros e por outras causas. Simples assim!

c) Tendo chegado à sua presença santa, tendo lhe dito algo, o que acontecerá?

Às vezes acontece assim: “O SENHOR atendeu à voz de Elias; e a alma do menino tornou a entrar nele, e reviveu.” (1Rs 17.22), “SENHOR, meu Deus, clamei a ti por socorro, e tu me saraste.” (Sl 30.2); outras, assim: “Visto que eu clamei, e eles não me ouviram, eles também clamaram, e eu não os ouvi, diz o SENHOR dos Exércitos.” (Zc 7.13). Ao longo da história humana Deus tem respondido orações com: SIM, NÃO e ESPERA. Independentemente do que irá acontecer, o apóstolo Paulo nos ensina: “Orai sem cessar.” (1Ts 5.17). Tiago acrescenta: “Confessai, pois, os vossos pecados uns aos outros e orai uns pelos outros, para serdes curados. Muito pode, por sua eficácia, a súplica do justo.” (Tg 5.16)

Considerando que estaremos tratando aqui daquilo que acontece no mundo espiritual, enquanto ou quando oramos, principalmente do mover do Espírito Santo, vale relembrar algumas coisas a respeito da pessoa e da obra e ministério do Espírito Santo:

Quanto à sua obra na salvação:

– Convencimento (Jo 16.8-11)
– Regeneração (Tt 3.5)
– Habitação (1Co 6.19)
– Batismo (1Co 12.13)
– Selo (2Co 1.22; Ef 1.13; 4.30)

Quanto à sua pessoa e ministério:

– Ele fala (Mc 13.11; Jo 15.26; 16.13; 2Pe 1.21)
– Ele tem mente, intelecto (Rm 8.27)
– Ele tem emoções, pode ser entristecido (Ef 4.30)
– Ele ensina (Lc 12.12; Jo 14.26; 16.12-15)
– Ele guia, orienta (Rm 8.14)
– Ele constitui líderes (At 20.28)
– Ele comissiona (At 13.4)
– Ele ordena, comanda (At 8.29; 10.19-20)
– Ele sonda as profundezas de Deus e faz revelações aos homens (1Co 2.10-11)
– Ele realiza coisas, conforme sua vontade (1Co 12.11)
– Ele age no homem (Gn 6.3)
– Ele pode ser resistido (At 7.51)
– Ele intercede (Rm 8.26; Ef 6.18)

Portanto, o Espírito Santo não é simplesmente uma força ativa de Deus ou uma influência que vem sobre a alma humana, como muitos pensam a isso o reduzem. Ele é um ser pessoal; ele é Deus (At 5.3-4)! Como tal, vejamos o seu mover na oração.

1. A intercessão do Espírito (Rm 8.26-27)

“Também o Espírito, semelhantemente, nos assiste em nossa fraqueza; porque não sabemos orar como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós sobremaneira, com gemidos inexprimíveis. E aquele que sonda os corações sabe qual é a mente do Espírito, porque segundo a vontade de Deus é que ele intercede pelos santos (crentes).” (Rm 8.26-27)

Qual o crente que não almeja ter uma vida de oração eficaz? Por conta desse legítimo anseio cristão, não são poucos os livros escritos e os textos elaborados com a intenção de mostrar o caminho da oração eficaz. Qual o meu papel e qual o papel do Espírito Santo nisso? O texto bíblico acima nos revela duas importantes verdades a esse respeito. No que concerne a nós, crentes, o que há são limitações: fraqueza e não saber orar como convém. Felizmente, no lado divino, temos a ação intercessora do Espírito Santo, que habita em nós, nos assistindo, suprindo e compensando nossas limitações, pois ainda habitamos esse corpo corruptível, sujeito a debilidades morais e espirituais, enquanto ele vai nos moldando à imagem de Cristo. Nas nossas limitações, focamos quase sempre o livramento de males que nos afligem ou a obtenção de bens terrenos, porém o Espírito nos auxilia na direção de objetivos mais elevados e duradouros, bem como na concretização da vontade de Deus em nossas vidas. Isso nos assegura que Deus Pai, aquele que sonda os corações, reconhece o sentido da palavra não articulada (gemido ou suspiro) e realiza o que é melhor para os crentes (“santos”), segundo a sua vontade.

Temos que admitir que há muitas situações e circunstâncias que nos envolvem, ou opções que se apresentam para nós que nos deixam atordoados e confusos, sem saber o que fazer ou o caminho a seguir. Nesses casos, primeiramente precisamos descansar no Senhor: “…porque Deus, o vosso Pai, sabe o de que tendes necessidade, antes que lho peçais.” (Mt 6.8). Em segundo lugar, precisamos levar tudo diante de Deus, pois podemos contar com a intercessão do Espírito e confiar que ele “é poderoso para fazer infinitamente mais” (Ef 3.20).

Então, podemos contar com a intercessão do Espírito Santo e com a de Jesus: “Por isso, também pode salvar totalmente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles.” (Hb 7.25). O que não podemos admitir, em hipótese alguma, é o equívoco de muitos ao buscar e confiar na intercessão da “Virgem Maria e inumeráveis Santos (pessoas canonizadas pela igreja católica romana por uma obra admirável)”. Não há qualquer sustentação bíblica para a busca de intermediários entre o homem e Deus: “Porquanto há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem,” (1Tm 2.5). Essa foi mais uma razão da reforma protestante que completa 500 anos no dia 31 de outubro de 2017.

2. O Espírito Santo como Mestre e Guia na oração (Jo 14.26; Jo 16.13)

“mas o Consolador, o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo o que vos tenho dito.” (Jo 14.26)
“quando vier, porém, o Espírito da verdade, ele vos guiará a toda a verdade; porque não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e vos anunciará as coisas que hão de vir.” (Jo 16.13)

Jesus mesmo declarou que o Espírito Santo realiza, nos santos, uma obra especial de ensiná-los, todas as coisas, e guia-los à toda a verdade. Além de contar com sua intercessão, devemos recorrer a ele como Mestre e Guia na oração. Sabemos que podemos e devemos orar a Palavra de Deus, isto é, usando as próprias verdades expressas na Bíblia. Com certeza nossa oração será enriquecida com tão excelentes palavras que, agradarão a Deus, porém, não devem se transformar em meras frases feitas, repetidas de forma mecânica. Antes, porém, tais expressões devem circular pelo nosso ser, passando pela nossa mente e coração, reforçando nosso entendimento e aquecendo nossas emoções e, só então, subir ao Pai Celestial. Além de orar as Escrituras, antes de tudo, é necessário orar em conformidade com as Escrituras, em conformidade com o ensino bíblico. Neste ponto, é o Espírito quem nos capacitará a orar. É ele quem nos conduzirá a assimilar e viver os ensinos bíblicos de modo a agradar a Deus, por meio de Cristo. É ele quem nos fará aprender com cada oração registrada na bíblia e com os seus ensinos. Quem não conhece bem a bíblia, corre o risco de se equivocar na oração.

3. A oração no Espírito Santo (Jd 20; Ef 6.18)

“Vós, porém, amados, edificando-vos na vossa fé santíssima, orando no Espírito Santo, guardai-vos no amor de Deus, esperando a misericórdia de nosso Senhor Jesus Cristo, para a vida eterna.” (Jd 20)
“com toda oração e súplica, orando em todo tempo no Espírito e para isto vigiando com toda perseverança e súplica por todos os santos” (Ef 6.18)

Orar no Espírito é orar em plena comunhão com ele, é orar segundo a sua direção e unção. Tal oração não pode ser tão egoísta, focando apenas os próprios interesses, mas há de ser intercessória, buscando o bem do outro. Não se trata de algo que aconteça eventualmente, mas se desenvolve de forma contínua, em todo o tempo.

Orar no Espírito é orar segundo a vontade de Deus e ela será feita. Há vários textos bíblicos que nos enchem de esperança quanto à eficácia da oração. Certamente há aspectos condicionantes a serem observados.

“E esta é a confiança que temos para com ele: que, se pedirmos alguma coisa segundo a sua vontade, ele nos ouve. E, se sabemos que ele nos ouve quanto ao que lhe pedimos, estamos certos de que obtemos os pedidos que lhe temos feito.” (1Jo 5.14, 15)

Se permanecerdes em mim, e as minhas palavras permanecerem em vós, pedireis o que quiserdes, e vos será feito.” (Jo 15.7)

“Não fostes vós que me escolhestes a mim; pelo contrário, eu vos escolhi a vós outros e vos designei para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça; a fim de que tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome, ele vo-lo conceda.” (Jo 15.16)

“Pedi, e dar-se-vos-á; buscai e achareis; batei, e abrir-se-vos-á. Pois todo o que pede recebe; o que busca encontra; e, a quem bate, abrir-se-lhe-á.” (Mt 7.7-8)

“Em verdade também vos digo que, se dois dentre vós, sobre a terra, concordarem a respeito de qualquer coisa que, porventura, pedirem, ser-lhes-á concedida por meu Pai, que está nos céus.” (Mt 18.19)

“E tudo quanto pedirdes em meu nome, isso farei, a fim de que o Pai seja glorificado no Filho. Se me pedirdes alguma coisa em meu nome, eu o farei.” (Jo 14.13-14)

“Amados, se o coração não nos acusar, temos confiança diante de Deus; e aquilo que pedimos dele recebemos, porque guardamos os seus mandamentos e fazemos diante dele o que lhe é agradável.” (1Jo 3.21-22)

Conclusão:

Neste estudo, temos visto como chegar à presença de Deus, o que lhe dizer e o que acontecerá. Pensando na ação do Espírito Santo, aproveitamos para relembrar a sua obra na salvação e aspectos relativos à sua pessoa e ministério. Finalmente, tratamos da intercessão do Espírito, da sua obra especial como Mestre e Guia na Oração e, o que significa orar no Espírito.

Então, pelo conjunto da obra, pode-se perceber a relevância do Espírito Santo na oração. Ele é nosso intercessor, nosso mestre e guia; protagonista indispensável quando se trata de oração eficaz. Essas são verdades confortadoras e motivadoras para o caminhar na fé cristã.

Ora, vem, Espírito Santo e ajuda-nos a orar, como convém!


Nota: esboço pessoal de aula, preparado por mim, para facilitar a ministração da Aula 5 (O que acontece na oração – O mover do Espírito Santo) – Módulo 2 – EBD Catedral 2017, de modo a atender a temática proposta no material elaborado por colaboradores para os alunos.

A oração que Deus não quer ouvir

“Tu, pois, não intercedas por este povo, nem levantes por ele clamor ou oração, nem me importunes, porque eu não te ouvirei.” (Jr 7.16)

Introdução

Certamente este é um tema pouco comum. O mais comum, didático, lógico e apropriado é abordar os assuntos de uma forma positiva, e não negativa. Entretanto, eventualmente, tratar de um assunto, explorando aquilo que não deve ser feito, tem grande proveito, pois nos manterá mais atentos e vigilantes, inibindo ações e hábitos equivocados.

Algumas pessoas, novas convertidas ou mesmo cristãos mais antigos, sentem alguma dificuldade em orar. Acham que não sabem orar e que orar seria uma espécie de arte dominada por poucos. Entretanto, orar tem a simplicidade do ato de uma criança se dirigir aos pais e expressar alguma coisa; pedindo, agradecendo, ou simplesmente conversando. Em certa ocasião, Jesus, falando a respeito da oração, exemplificou usando a relação pais e filhos: “Ora, se vós, que sois maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais vosso Pai, que está nos céus, dará boas coisas aos que lhe pedirem?” (Mt 7.11). Da mesma forma que, muitas vezes, um filho não tem noção do que está pedindo aos pais, nós cristãos, filhos de Deus, também não oramos convenientemente. Felizmente, o Espírito Santo que em nós habita, entra em cena e faz aquilo que somente ele é capaz de fazer: “Também o Espírito, semelhantemente, nos assiste em nossa fraqueza; porque não sabemos orar como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós sobremaneira, com gemidos inexprimíveis. E aquele que sonda os corações sabe qual é a mente do Espírito, porque segundo a vontade de Deus é que ele intercede pelos santos.” (Rm 8.26-27; comp. Rm 8.34)

Se, por um lado, orar é tão simples, por outro tem lá suas condicionantes e especificidades. Não foi sem razão que um dos seus discípulos pediu a Jesus que lhes ensinasse a orar, a exemplo de João Batista que havia ensinado aos seus discípulos (Lc 11.1). E, este, é o tipo de aprendizado que leva toda a vida. A cada dia precisamos melhorar nosso conhecimento e prática da oração, através de uma maior intimidade com Deus e com sua Palavra.

Neste estudo, desenvolveremos o tema proposto, destacando alguns aspectos negativos que dizem respeito à pessoa que ora e, outros, à forma ou conteúdo da oração que Deus não quer ouvir.

Quem somos nós, simples mortais, para saber a oração que Deus quer ou não quer ouvir? Partindo da premissa de que Deus se revelou através do seu Filho Unigênito – Jesus Cristo – e da sua Palavra Escrita – a Bíblia – podemos, então, examinar as Escrituras Sagradas e buscar ali tais respostas. Seguindo esta linha, veremos, a seguir, de que tipos de pessoas Deus não quer ouvir a oração e quais orações ele rejeita. O assunto é vasto e fascinante; assim sendo, nos limitaremos a apenas alguns casos.

A) Orações que Deus não quer ouvir, por causa de QUEM ora:

1. Quando procede de um coração em rebeldia contra Deus (Jr 14.12)

“Quando jejuarem, não ouvirei o seu clamor e, quando trouxerem holocaustos e ofertas de manjares, não me agradarei deles; antes, eu os consumirei pela espada, pela fome e pela peste.”

Imagine você ouvir de Deus algo do tipo: – Não ore por fulano de tal porque eu não te ouvirei! Ou, – Não ore pela igreja tal porque eu não te ouvirei! Em certo momento da história do povo de Israel, o povo de Deus, Jeremias ouviu, da parte de Deus, algo assim, sem dúvida assustador (Jr 7.16). A razão da rejeição divina está claramente exposta: “Que é isso? Furtais e matais, cometeis adultério e jurais falsamente, queimais incenso a Baal e andais após outros deuses que não conheceis, e depois vindes, e vos pondes diante de mim nesta casa que se chama pelo meu nome, e dizeis: Estamos salvos; sim, só para continuardes a praticar estas abominações!” (Jr 7.9-10). Além de rejeitar a oração daquele povo rebelde, Deus proibiu Jeremias de interceder por ele.

Tem membro de igreja evangélica vivendo uma vida dupla; praticando toda a sorte de pecado e achando que pode cultuar e orar a Deus, confiando na suposta proteção de um templo ou de uma igreja. “O que desvia os ouvidos de ouvir a lei, até a sua oração será abominável” (Pv 28.9). Nosso Deus está com os ouvidos abertos para ouvir a confissão do mais vil pecador arrependido, como no caso do rei Acabe (1Rs 21.28-29), mas rejeita a oração e culto daqueles que banalizam e profanam o sagrado, andando de braços dados com o mundo e o pecado.

2. Quando procede de um coração soberbo e orgulhoso (Lc 18.9-14)

“O fariseu, posto em pé, orava de si para si mesmo, desta forma: Ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros, nem ainda como este publicano;”

O jeito de ser de quem ora nunca está desatrelado daquilo que ele profere na sua oração. Deus sempre considera as duas coisas. Nesta parábola do fariseu e do publicano que subiram ao templo para orar, Jesus quis ensinar que aqueles que confiam no seu senso de justiça própria e nas suas obras, não são ouvidos por Deus. Aquele fariseu, zeloso da lei, orava de si para si mesmo (um círculo vicioso), como que para massagear o seu ego, exibindo suas qualidades e vangloriando-se das suas práticas religiosas (comp. Pv 27.2). Sua auto bajulação chega ao ponto de tributar gratidão a Deus por ser melhor do que os outros. Dizem que naquela época era comum se orar assim: “Bendito és tu, ó Senhor nosso Deus, rei do universo, que não me fizeste um gentio, …., um escravo, …., uma mulher, ….”. Certamente Deus não está disposto a ouvir orações de pessoas como esse fariseu. São orações que não chegam nem ao teto, quanto mais passar dele.

3. Quando procede de um coração hipócrita (Mt 6.5)

“E, quando orardes, não sereis como os hipócritas;…”

O que Jesus diz sobre os hipócritas (aqueles que manifestam fingidas virtudes, sentimentos bons, devoção religiosa, compaixão) parece ótimo à primeira vista: “gostam de orar”. Mas, infelizmente, não é da oração que eles gostam, nem do Deus a quem supostamente estão orando. Não, eles gostam de si mesmos e da oportunidade que a oração pública lhes dá de se exibirem, de fazerem seu marketing pessoal. O farisaísmo religioso não está morto. É possível ir à igreja pelos mesmos motivos errados que levavam o fariseu à sinagoga: não para adorar a Deus, mas para obter uma reputação de piedade (alguns políticos seguem essa linha). A hipocrisia nas igrejas prejudica a imagem dos crentes na sociedade. Quanto aos hipócritas, eles podem até enganar e confundir a muitos, mas não a Deus.

B) Orações que Deus não quer ouvir, por causa da SUA FORMA ou CONTEÚDO:

1. Quando há vãs repetições (Mt 6.7-8)

“E, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios; porque presumem que pelo seu muito falar serão ouvidos.”

As “vãs repetições”, a falta de significado, a repetição mecânica são erros a serem evitados nas orações. A repetição mecânica é um abuso da própria natureza da oração, rebaixando-a de um real e pessoal acesso a Deus a uma mera recitação de palavras. Jesus não podia estar proibindo toda repetição, pois ele mesmo repetiu sua oração, notavelmente no Getsêmani, quando “foi orar pela terceira vez, repetindo as mesmas palavras” (Mt 26.39, 42 e 44). O conteúdo da oração é espontâneo, livre de qualquer formalidade e expressões decoradas. Deve nascer, emergir de um coração sincero, que deseja expressar diante de Deus suas próprias necessidades, as de outros, bem como agradecer pelas dádivas recebidas e, ainda, adorar ao Pai, na beleza da sua santidade.

Entenda-se como “vãs repetições” as repetições autômatas de palavras que só venham dos lábios e não do pensamento ou do coração, com a intenção de se fazer ouvir pela quantidade. Dependendo da forma como é usada até a chamada oração do “Pai Nosso”, ensinada por Jesus, pode se tornar uma vã repetição. Muitas rezas não têm mais valor do que as rodas usadas na Índia, sobre as quais estão escritas as orações e depois são giradas, horas a fio, para apresentá-las sem cessar a Deus! O mencionar de um assunto diante de Deus por repetidas vezes, em virtude da grande aflição que o problema tem trazido à nossa alma, não se constitui, de forma alguma, em vã repetição. Mas, também, é igualmente possível usar “palavras vazias” quando se escorrega para o “jargão religioso” enquanto a mente vagueia.

2. Quando o propósito é equivocado (Tg 4.3)

“pedis e não recebeis, porque pedis mal, para esbanjardes em vossos prazeres.”

Se o Filho de Deus se esvaziou da sua glória para viver como servo e para dar a sua vida para salvar o pecador, este pecador agora salvo, irá orar a Deus pedindo determinadas coisas e recursos para esbanjar nos prazeres efêmeros desta vida? Como pode uma nova criatura em Cristo fomentar sua ganância e investir na carnalidade? Não é pecado ser rico, nem buscar a prosperidade, o bem-estar e a boa saúde (3Jo 2). O que não se pode é colocar nisso o coração, tirando o foco da nossa verdadeira missão e propósito neste mundo. Sigamos a recomendação do nosso Mestre: “buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.” (Mt 6.33)

3. Quando Deus já tenha determinado algo diferente (2Co 12.7-9)

“Por causa disto, três vezes pedi ao Senhor que o afastasse de mim. Então, ele me disse: A minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza….”

Quando Deus determinou, pela boca dos seus profetas, que Israel seria levado cativo para a Babilônia e ali ficaria por setenta anos (Jr 29.10; 2Cr 36.20-21), não havia mais abertura para Deus ouvir qualquer oração que alterasse essa sua soberana e explícita vontade. Quando o apóstolo Paulo rogou ao Senhor três vezes, para que Deus afastasse dele o espinho na carne e o Senhor não o quis atender, também não havia mais abertura para Deus ouvir qualquer oração que alterasse essa sua soberana e explícita vontade.

Deus declarou que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que o amam, daqueles que são chamados segundo o seu propósito (Rm 8.28). Quando estamos enfrentando determinadas adversidades, somos levados a rogar a Deus que abrevie esse tempo difícil, o que é natural. Entretanto, mais importante do que multiplicar as orações ou não entrar em desespero é ter paciência e aprender a descansar em Deus e em sua soberana vontade, que é boa, agradável e perfeita (Rm 12.2). Certamente isso não é tarefa fácil! Precisamos entender que, muitas vezes, Deus usa determinadas situações para nos aperfeiçoar, nos fazer amadurecer na fé, e, isso leva algum tempo. O vaso precisa estar nas mãos do oleiro até que esteja pronto.

4. Quando visa o mal do outro (Lc 9.51-56)

“… Senhor, queres que mandemos descer fogo do céu para os consumir?”

A oração imprecatória – aquela que suplica o castigo divino para o outro – não soa bem aos ouvidos cristãos. Entretanto, em muitos Salmos e textos do Antigo Testamento (AT) há um tom de imprecação. Diante da maldade, da opressão, da violência ou da injustiça, eles não só clamavam ao Senhor por suas vidas, mas também pediam a Deus que fizesse cair sobre os seus inimigos os piores males. Assim, se unem numa mesma oração, as súplicas mais ardentes e as mais violentas imprecações (Sl 58.6-11; 83.9-18; 109.6-19; 137.7-9). De fato, na época do AT, naquele contexto, prevalecia no âmbito do povo de Israel o conceito de que a obediência a Deus e aos seus mandamentos, deveria ser recompensada na vida presente, com longevidade e prosperidade; enquanto os transgressores da lei mosaica (judeus) e os ímpios (pagãos) deveriam receber o seu justo castigo o quanto antes, para que ficasse evidente que há um Deus vivo e presente, retribuindo a cada um conforme as suas ações (Sl 7.9; 37.28; 75.10; 58.11).

Diante da recusa dos samaritanos em hospedar a Jesus e sua comitiva em sua aldeia, Tiago e João concluíram, apressadamente, que era o caso de destruir a todos esses indivíduos insensíveis. A resposta de Jesus revela e reafirma a vontade divina de salvar, e não de destruir, as almas humanas. Diante de determinadas situações perversas, protagonizadas por pessoas de índole maligna, da sociedade ou até mesmo participantes dos arraiais evangélicos, podem até passar pela mente de alguém pensamentos semelhantes aos destes apóstolos. A oração que pede a Deus para “pesar sua mão” sobre alguém é do tipo que Deus não quer ouvir. Por maior que seja o mal praticado contra nós (ou contra outros), como cristãos, o que nos resta a fazer, em termos de oração, é entregar nossa causa nas mãos de Deus. É claro que, dependendo do caso, a justiça dos homens precisa ser envolvida.

Conclusão

Enfim, poderíamos mencionar tantos outros casos, como, por exemplo, aquelas orações que dão ordens a Deus, ou que usam expressões desrespeitosas ou que não se submetem à sua vontade etc. O importante é que estejamos atentos a todos os aspectos que envolvem nosso ser, isto é, o que somos e o que sentimos quando buscamos a Deus em oração. Além disso, precisamos ter cuidado com o que proferimos em oração, para não cometermos os erros acima expostos.

O volver do rosto de Daniel

Daniel

“Voltei o rosto ao Senhor Deus, para o buscar com oração e súplicas, com jejum, pano de saco e cinza.” (Dn 9.3)(ARA)

“E eu dirigi o meu rosto ao Senhor Deus, para o buscar com oração, e rogos, e jejum, e pano de saco, e cinza.” (Dn 9.3)(ARC)

“Por isso me voltei para o Senhor Deus com orações e súplicas, em jejum, em pano de saco e coberto de cinza.” (Dn 9.3)(NVI)

O personagem bíblico Daniel não passa despercebido nas muitas páginas do Antigo Testamento. As histórias contidas no livro de Daniel, um dos profetas maiores (não em importância, mas em quantidade de escritos) são muito contadas pelos professores de crianças, que, ao ouvi-las, vibram com cada cena. Ao lê-las ou ouvi-las, quando criança, eu era (e ainda continuo sendo) impactado por alguns aspectos:

  • Pela determinação de Daniel e seus três amigos, ainda jovens, de não se contaminarem naquela terra estrangeira onde estavam cativos. Um santo e radical compromisso de viver uma vida diferenciada, de obediência a Deus e a seus mandamentos.
  • Pela coragem inabalável de Daniel e seus três amigos, de arriscarem suas próprias vidas ao não se submeterem à idolatria ou à veneração de homens.
  • Pelo livramento milagroso de Daniel, da cova dos leões, e de seus três amigos, da fornalha ardente.
  • Pela capacitação dada por Deus a Daniel para interpretar sonhos e situações.
  • Por sua projeção na corte dos impérios Babilônico e Medo-Persa, mesmo sendo ele um estrangeiro, um judeu exilado. Ele foi e sempre será lembrado também como um estadista bem sucedido.

Passados, agora, muitos anos na minha vida, numa fase de mais maturidade, além daquilo que sempre me impactou, posso ir além e encontrar em Daniel mais alguns aspectos relevantes. O texto de Daniel 9.3 registra que este servo do “Deus do céu” (Dn 2.18-19; 2.37, 44), voltou seu rosto para o Senhor (ARA).  O verbo sugere a ação de “dirigir o rosto para” (ARC). Gosto, também, da expressão “volver o rosto para”, que tem tudo a ver com mobilidade, palavra tão popular nesta sociedade pós-moderna. Esse “volver o rosto” é muito mais do que um ato físico comandado pelo cérebro e articulado pelo pescoço. É direcionar o ser para alguém ou para alguma coisa. Com esta ideia em mente, passei os olhos no livro de Daniel com a intenção de descobrir para onde ele, Daniel, volvia seu rosto e, para onde ele não volvia seu rosto, e, assim, procurar extrair algumas lições de vida.

1. O rosto de Daniel se volvia para:

 a) O TEMPO

(O passado, o presente e o futuro)

Daniel era uma pessoa “antenada” no tempo. Talvez você ache isso uma característica corriqueira e justifique: “– qualquer ser humano normal é “ligado” no tempo; no passado-presente-futuro. Até certo ponto isso é verdade. Entretanto, vivemos numa época em que a maioria das pessoas está extremamente focada no presente, sendo seu principal interesse, aproveitar a vida. “Porém é só gozo e alegria que se vêem; matam-se bois, degolam-se ovelhas, come-se carne, bebe-se vinho e se diz: Comamos e bebamos, que amanhã morreremos.” (Is 22.13). Em se tratando de tempo, Daniel é uma pessoa diferenciada. Ele estudava e conhecia o passado, não somente através da tradição oral, como também pelos livros (Dn 9.2). Afinal, “a história é a mestra da vida”.  Estuda-se o passado, para se entender o presente e se evitar erros futuros. Ele não se contentava em simplesmente deixar o presente acontecer; ele o fazia acontecer. É como diz a letra da música: “Quem sabe faz a hora, não espera acontecer”. Ele investia suas energias para que o presente fosse melhor do que o passado. A época desta oração de Daniel é cerca de 538 aC. O período de setenta anos de cativeiro estava terminando (605 a 535 aC) (Jr 25.8-11). Assim, ainda segundo a palavra profética era chegado o tempo da restauração, do retorno do povo de Israel à sua terra (Jr 29.10). O 1º retorno aconteceu sob a liderança de Zorobabel, em 538-537 aC (Ed 2.1-2). Em relação ao futuro, efetivamente Daniel foi um privilegiado. Deus lhe fez extensas e detalhadas revelações sobre o futuro próximo e o futuro distante, tanto de alguns impérios, como da humanidade. Isso é tão vasto e interessante que precisa ser estudado à parte.

Então, concluímos dizendo:

O passado alicerça e sedimenta o nosso chão; o futuro motiva e direciona a nossa energia; no presente se edifica e se preenche cada etapa entre ambos.

b) O QUE ELE DEVIA SER

(Íntegro de caráter, Confiante em Deus e Firme em seus propósitos)

Daniel era um homem de Deus, irrepreensível, um dos três presidentes do império Medo-Persa. Tomados por inveja, os outros presidentes e os sátrapas (governadores de províncias) tentaram desqualifica-lo para tirá-lo do poder, porém não encontravam falhas no seu caráter e proceder (Dn 6.4). Foi então que decidiram apelar para o seu modo diferenciado de cultuar a seu Deus e prepararam uma armadilha que o fizesse quebrar a lei do seu Deus, para não ser morto. Conseguiram que o rei editasse um decreto estabelecendo que durante 30 dias ninguém poderia fazer petição a qualquer deus ou homem, senão ao rei. Daniel tinha uma confiança tão firme e forte em Deus que tomou conhecimento, porém transgrediu o decreto. Abria as janelas de sua casa, se punha de joelhos e orava três vezes no dia. Como castigo foi lançado na cova dos leões, porém Deus o livrou (Dn 6).

Daniel era uma pessoa destemida, ousada, firme em suas atitudes e propósitos, porque sua vida estava alicerçada em Deus, que lhe dava forças e discernimento para agir retamente e jamais vacilar. Desde cedo ele ousou adotar uma dieta diferente na corte babilônica e foi bem sucedido. No seu primeiro desafio de revelar o sonho do rei e sua interpretação, coisa humanamente impossível, mesmo antes de obter de Deus a revelação, se apresentou ao rei, pediu mais um tempo e comprometeu-se a dar-lhe as respostas. A firmeza de propósitos de Daniel, incluía não apenas servir a Deus de todo o seu coração, como também buscar o bem-estar do seu povo de Israel.

c) O QUE ELE DEVIA FAZER

(Orar, buscar a Palavra de Deus e cumprir a sua Missão)

Daniel era um servo de Deus com total foco e compromisso nessas três áreas. Destaca-se por ter sido um homem de oração. Isso lhe proporcionou uma íntima comunhão com Deus. O Espírito de Deus estava sobre ele. O rei Nabucodonosor reconhecia isso e testemunhou, se expressando do seu jeito: “pois há em ti o espírito dos deuses santos” (Dn 4.18; ver tb Dn 5.11). Ele falava com Deus e Deus lhe respondia em visões (Dn 2.19; 7.1; 8.1; 10.1) ou enviando anjos (Dn 9.21) e, até mesmo antes dele se expressar diante de Deus (“No princípio das tuas súplicas, saiu a ordem, e eu vim, para to declarar, porque és mui amado;” – Dn 9.23a). Na aflição ele buscava a Deus em oração (Dn 2.17-23; 6.10-11; 9.3-19).

Daniel tinha um apreço especial pelas Escrituras (Dn 9.2). Era nelas que se baseava para conhecer os mandamentos do Senhor e como viver uma vida que lhe agradasse. As Escrituras não eram mera teoria; ele buscava aplica-las ao seu dia a dia. Foi assim que encontrou “nos livros” o que Deus falara a Jeremias sobre aquele tempo.

Finalmente, pode-se observar que Daniel era totalmente comprometido com sua missão. Deus o chamou e o capacitou para a sua obra e Daniel, em todo o tempo, procurava corresponder a este chamado.

 2. O rosto de Daniel não se volvia para:

Já vimos os principais focos da atenção de Daniel. Agora veremos algumas coisas que não lhe atraiam a atenção, para as quais não volvia o seu rosto nem colocava nelas o seu coração.

a) Sua “bagagem pessoal”

Daniel tinha atributos físicos e intelectuais diferenciados. Ele estava entre os que foram selecionados e que atendiam os requisitos do rei: “Disse o rei a Aspenaz, chefe dos seus eunucos, que trouxesse alguns dos filhos de Israel, tanto da linhagem real como dos nobres, jovens sem nenhum defeito, de boa aparência, instruídos em toda a sabedoria, doutos em ciência, versados no conhecimento e que fossem competentes para assistirem no palácio do rei e lhes ensinasse a cultura e a língua dos caldeus.” (Dn 1-3-4). E, como se isso fosse pouco, Deus ainda acrescentou: “Ora, a estes quatro jovens Deus deu o conhecimento e a inteligência em toda cultura e sabedoria; mas a Daniel deu inteligência de todas as visões e sonhos.” (Dn 1.17). Apesar de toda essa “bagagem pessoal” não encontramos em todo o livro de Daniel qualquer indício de orgulho, vaidade, altivez e soberba por parte dele. Pelo contrário, ele direcionava para Deus toda a honra e glória (Dn 2.27-28, 30) e, em decorrência, Deus era exaltado também por outros (Dn 2.47).  

b) Regalias e bens materiais

Daniel foi levado para a corte e podia simplesmente se alienar da miséria do seu povo e aproveitar a vida. Entretanto, não trilhou esse caminho. Logo rejeitou participar das iguarias oferecidas pelo rei, e não quis se contaminar (Dn 1.5, 8). Em outra ocasião, já idoso, rejeitou presentes e prêmios oferecidos pelo rei Belsazar (Dn 5.17), tal qual o profeta Eliseu (2Rs 5.15-16). Teve uma vida inteira de desapego às coisas materiais.

c) Projeção e poder

Tal qual José no Egito, Daniel ocupou lugar de destaque na corte. Logo no início, foi promovido a governador da província de Babilônia e a chefe supremo de todos os sábios (Dn 2.49). Mesmo idoso, provavelmente com mais de 80 anos, já no império Medo-Persa, foi constituído um dos três presidentes sobre os 120 sátrapas ou assistentes do rei Dario (Dn 6.1-3). Nada disso lhe subiu à cabeça ou mudou seu jeito simples e humilde de ser.

Conclusão:

Temos na vida deste homem de Deus inúmeros e proveitosos exemplos de “para onde volver ou não volver nosso rosto”, isto é, direcionar nossa vida. Se, assim fazendo ele foi vitorioso, assim o imitando, também poderemos ser. Que o Senhor nos ajude e ilumine!

A sós com Deus

Como passar um momento a sós com Deus?

“E, despedidas as multidões, subiu (Jesus) ao monte, a fim de orar sozinho. Em caindo a tarde, lá estava ele, só.” (Mt 14.23)

 “Tu, porém, quando orares, entra no teu quarto e, fechada a porta, orarás a teu Pai, que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará.” (Mt 6.6)

 1) Cultuando a Deus (Nós em Deus).

  • Confessando: para que eu obtenha o perdão dos pecados cometidos (por comissão –pensamentos, palavras e ações; ou, por omissão) e assim possa me aproximar dele.
  • Agradecendo: pelas bênçãos recebidas, desde o alimento até as bênçãos espirituais, mas, também, pelas provações.
  • Adorando, Exaltando, Louvando e Glorificando:
    Adorar a Deus é prostrar-se submisso diante dele, cultuá-lo, dedicar-lhe amor extremo, devoção e veneração como o ser mais sublime do universo (Gn 24.26; Ex 34.8; 1 Sm 1.3; Mt 8.2; 9.18; 15.25).

    Exaltar a Deus é colocá-lo em lugar alto, elevá-lo, erguê-lo, exalçar e levantar seu ser acima de qualquer outro.

    Louvar a Deus é expressar o reconhecimento da sua grandeza, dos seus méritos, dos seus atributos incomparáveis e inigualáveis: Onipotência, Onipresença, Onisciência, Eternidade, Amor, Perfeição, Santidade, Verdade, Justiça, Fidelidade, Misericórdia etc. (1Cr 16.4; Dt 10.21; 26.16).

    Glorificar a Deus é atribuir-lhe glória eterna e celestial e a ninguém mais (Sl 18.49; 22.23; Jo 21.19; Rm 1.21).

    Portanto, nós adoramos, exaltamos, louvamos e glorificamos a Deus por quem ele é: “Tributai ao SENHOR a glória devida ao seu nome; ….; adorai o SENHOR na beleza da sua santidade.” (1Cr 16.29; ver tb Sl 96.9); e, pelos seus poderosos feitos: “Louvai-o pelos seus poderosos feitos; louvai-o consoante a sua muita grandeza.” (Sl 150.2; ver tb Sl 59.16; 138.2; Is 25.1).

    Adoração: a) Só a Deus (Mt 4.10); b) Fruto de um compromisso de vida (Mt 15.7-9); c) “Em espírito” (não exatamente com expressões externas) e “em verdade” (com sinceridade) (Jo 4.20-24)

2) Em Comunhão com Deus (Deus em Nós).

  • Falando abertamente com Deus sobre as nossas coisas.
  • Esperando por sua resposta: “De manhã, SENHOR, ouves a minha voz; de manhã te apresento a minha oração e fico esperando.” (Sl 5.3)

3) Intercedendo.

Pelo Reino de Deus:

Para que sejam instrumentos da realização da vontade de Deus na terra.

  • Pelas Igrejas Locais e Congregações (Liderança, Membros e Atuação).
  • Pelos Obreiros / Missionários.
  • Pelas Instituições Paraeclesiásticas (Missionárias, Assistência Social etc.).
  • Pelos Projetos / Programas Especiais.

Pelo nosso Próximo:

     (na Família, na Vizinhança, na Igreja, na Escola, no Trabalho etc):

  • Salvação: para que recebam a Jesus como Salvador e Senhor de suas vidas.
  • Proteção: para que sejam guardados do mal (acidental ou intencional).
  • Santificação: para que vivam uma vida santa diante de Deus e dos homens.
  • Cura: para que sejam curados do corpo ou da mente.

Pelas Autoridades constituídas:

Para que exerçam com sabedoria e competência as suas respectivas funções.

  • Familiares: Pais, Responsáveis.
  • Eclesiásticas: Pastores, Presbíteros, Diáconos.
  • Empresariais: Lideranças.
  • Governamentais: Civis e Militares.
    • Executivo: Presidente, Ministros, Governadores, Prefeitos, Secretários etc.
    • Legislativo: Senadores, Deputados Federais e Estaduais, Vereadores etc.
    • Judiciário: Ministros, Desembargadores, Juízes etc.
    • Forças Armadas, Polícias.

4) Com Petições e Súplicas (Por mim).

“Invoca-me, e te responderei; anunciar-te-ei coisas grandes e ocultas, que não sabes.”(Jr 33.3)

  • Vitória Espiritual: para que eu alcance vitória sobre as tentações e sobre as investidas do maligno.
  • Santificação: para que eu viva uma vida santa diante de Deus e dos homens.
  • Testemunho Cristão: para que eu seja um instrumento nas mãos de Deus levando a mensagem de salvação a outras pessoas.
  • Necessidades Fisiológicas: para que eu obtenha todas as coisas necessárias à manutenção da vida do corpo e da mente (saúde, moradia, roupa, alimento, água, ar etc.).
  • Necessidade de Proteção: para que eu seja guardado do mal (acidental ou intencional).
  • Necessidade de Cura: para que eu seja curado do corpo ou da mente.
  • Necessidades Profissionais e Financeiras: bom emprego, bom ambiente de trabalho, realização profissional, independência financeira etc.
  • Necessidades Familiares e Sociais: cônjuge segundo a vontade de Deus, harmonia conjugal, família ajustada, parentes amigáveis, amigos verdadeiros, vizinhos tranquilos etc.
  • Necessidades Pessoais: Sabedoria, Paz, Equilíbrio, Realização, Sentimento de Utilidade etc.

“com toda oração e súplica, orando em todo tempo no Espírito e para isto vigiando com toda perseverança e súplica por todos os santos” (Ef 6.18)

A oração move a mão de Deus?

Deus é um ser perfeito, supremo, soberano, que age quando, onde e como quer. Não depende de ninguém e a ninguém deve satisfação dos seus atos, mas é fiel às suas alianças com os homens. A questão que se coloca na pergunta-tema é se este ser tão maravilhosamente poderoso e autossuficiente admite realizar algo a pedido do ser humano através da oração. A este fenômeno da ação pontual de Deus em resposta a oração é que chamamos de “mover a mão de Deus”. Não confundir com “mudar a vontade de Deus”.

Há crentes, inclusive pastores, que acreditam e ensinam que a oração não move a mão de Deus, ela simplesmente prepara o homem para agir ou para aceitar o que já está determinado pela soberana vontade de Deus. Soren Kierkegaard, filósofo e teólogo dinamarquês (1813-1855), geralmente considerado como o pai do existencialismo teria dito: “A função da oração não é influenciar Deus, mas especialmente mudar a natureza daquele que ora.” Será que é isso mesmo? Existiria um determinismo divino onde a Soberania de Deus já traçou todos os caminhos do homem e da história e nada mais resta a este senão ocupar seus dias de vida num faz de conta que ora e Deus muda as circunstâncias?

O leitor apressado e espiritualmente raso poderia concluir que a experiência de Neemias retrata exatamente essa idéia do determinismo divino. Diria ainda: “– Não há intervenção sobrenatural! Neemias orou por quatro meses, período em que se preparou para agir e fazer acontecer aquilo que já estava determinado por Deus! A oração de Neemias não moveu a mão de Deus; simplesmente moveu o espírito e a mão do homem!” E, acrescentaria: “..Deus é quem efetua em nós tanto o querer quanto o realizar, segundo a sua boa vontade.” (Fp 2.13). Ainda que alguém pudesse provar que toda a oração é “inoculada” por Deus no coração do homem para que ele (Deus) possa cumprir os seus propósitos, outros poderiam argumentar dizendo que, em certo sentido, Deus requer, em princípio, a participação humana, através da oração, para agir. Não queremos tratar aqui do que leva o crente a orar: se é a vontade ou a necessidade humanas ou se é a influência divina. Essa é outra questão por demais complexa para nós, simples mortais. A ressurreição da filha de Jairo por Jesus (Mc 5.21-43), por exemplo, ocorreu como conseqüência de Jairo ter ido a Jesus e suplicado sua intervenção, motivado: a)pelo seu desespero e pelo seu conhecimento do poder de Jesus? b) por influência direta de Deus no seu coração, para que Jesus fosse glorificado através do milagre realizado? c) por ambos os motivos? De fato não sabemos exatamente o que dizer. Entretanto, o que importa é que ele foi a Jesus (oração) e Jesus “se moveu” e atendeu à sua súplica.

Cyril J. Barber afirma que “a oração não apenas auxilia a colocar nossas vidas em conformidade com a vontade de Deus, como também nos prepara para receber a resposta. Na medida em que nos conscientizamos do propósito de Deus, frequentemente passamos a ver a parte que nos cabe dentro de seu plano.” É fato que a oração persistente afeta e influencia aquele que ora. Aumenta a comunhão com Deus, fortalece a alma e os propósitos de Deus gerados em nós. Entretanto, seu efeito não para por aí, mas transpõe os limites do ser humano e chega à presença do Deus dos céus, mobilizando todo o mundo espiritual: “Orou Eliseu e disse: SENHOR, peço-te que lhe abras os olhos para que veja. O SENHOR abriu os olhos do moço, e ele viu que o monte estava cheio de cavalos e carros de fogo, em redor de Eliseu. E, como desceram contra ele, orou Eliseu ao SENHOR e disse: Fere, peço-te, esta gente de cegueira. Feriu-a de cegueira, conforme a palavra de Eliseu.” (2Rs 6.17-18).

Não podemos aceitar qualquer tentativa de desqualificação da oração que só pode ser estratégia maligna para desmobilizar o povo de Deus. Quem sabe é fruto de um existencialismo filosófico que anda de mãos dadas com o ateísmo. O inferno vai continuar tremendo porque o povo de Deus vai continuar dobrando o seu joelho em oração a Deus, crendo nas infinitas possibilidades desse recurso disponibilizado por Deus. “A força da oração é maior do que qualquer possível combinação de poderes controlados pelo homem, pois a oração é o maior meio que o homem tem de recorrer aos recursos infinitos de Deus.” (J. Edgar Hoover).

Quem não vê a mão de Deus agindo em cada ponto da narrativa do livro de Neemias é desprovido de qualquer visão espiritual. Também não verá a intervenção de Deus nos acontecimentos narrados no livro de Ester, no qual o nome de Deus não é mencionado uma só vez. Tal pessoa será capaz de se deparar com a narrativa do milagre da multiplicação dos pães (Mt 14.13-21) e dizer que Jesus, com sua capacidade de influenciar pessoas, agiu na psiquê daquela multidão e, assim, criou um estado mental de saciedade. Dirá, então, que não houve ali qualquer milagre. Não é sem motivo que as Escrituras mencionam: “Todos comeram e se fartaram; e dos pedaços que sobejaram recolheram ainda doze cestos cheios. E os que comeram foram cerca de cinco mil homens, além de mulheres e crianças.” (vv.20-21). Neemias não tinha dúvida da ação do Senhor a seu favor e da sua causa (Ne 2.8b, 18a).

O que dizer de Ana, quando na amargura da esterilidade do seu ventre e no desprezo da sua rival orou ao Senhor por um filho. O texto bíblico apresenta o resultado da sua oração: “Elcana coabitou com Ana, sua mulher, e, lembrando-se dela o SENHOR, ela concebeu e, passado o devido tempo, teve um filho, a que chamou Samuel, pois dizia: Do SENHOR o pedi.” (1 Sm 1.19b-20) Quem é que não vê a mão de Deus operando aqui em resposta a oração de Ana? Não apenas aqui, mas em toda a Bíblia, na história humana e na vida daquele que crê que a oração tem movido sim a mão de Deus. Tem feito que o sobrenatural intervenha no natural. A participação de Elcana na concepção de Ana em nada diminui a grandeza do milagre operado por Deus como resposta de oração. Antes, reafirma o propósito de Deus de trabalhar em parceria com o homem, unindo o natural ao sobrenatural. Foi assim que o jovem que cedeu os cinco pães e dois peixes também participou do milagre da multiplicação dos pães. Quem acha que a participação humana, pregando ou orando, é irrelevante deve ler sobre o Atalaia em Ezequiel 33.1-9.

A Bíblia tem registros lindos desse mover da mão de Deus. No caso do rei Ezequias: “Volta e dize a Ezequias, príncipe do meu povo: Assim diz o SENHOR, o Deus de Davi, teu pai: Ouvi a tua oração e vi as tuas lágrimas; eis que eu te curarei; ao terceiro dia, subirás à Casa do SENHOR.” (2Rs 20.5). No caso de Daniel: “No princípio das tuas súplicas, saiu a ordem, e eu vim, para to declarar, porque és mui amado; considera, pois, a coisa e entende a visão.” (Dn 9.23). “Então, me disse: Não temas, Daniel, porque, desde o primeiro dia em que aplicaste o coração a compreender e a humilhar-te perante o teu Deus, foram ouvidas as tuas palavras; e, por causa das tuas palavras, é que eu vim.” (Dn 10.12)

A oração é recurso de Deus para provimento do homem, com sua garantia de eficácia (AT – 2Cr 7.14; NT–Mt 7.7-11).

O poder e eficácia da oração são realidades inegáveis: “Está alguém entre vós doente? Chame os presbíteros da igreja, e estes façam oração sobre ele, ungindo-o com óleo, em nome do Senhor. E a oração da fé salvará o enfermo, e o Senhor o levantará; e, se houver cometido pecados, ser-lhe-ão perdoados.” (Tg 5.14-15).

A oração é recomendada: “Orai sem cessar.” (1Ts 5.17)

A oração que produz resultados tem seus requisitos e condicionantes (Jo 15.7; 1Jo 3.21-22; 5.14-15).

A oração é o instrumento mais poderoso que existe sobre a terra. Deve ser usado permanentemente e de acordo com a vontade de Deus, que é “boa, agradável e perfeita” (Rm 12.2). Orações feitas apenas para satisfazer a nossa própria vontade são perigosas. Ex.: Rei Ezequias (2Rs 20).

A oração eficaz é a oração feita segundo a vontade de Deus e que satisfaz à premissa da parceria de sucesso: “EU QUERO e DEUS QUER!!”

“Devemos orar como se tudo dependesse de Deus e agir como se tudo dependesse de nós. Só orar não! Só agir não!”

 “A oração é a fusão do desejo finito com a vontade infinita de Deus.”

“A oração é a chave nas mãos da fé que pode abrir o celeiro do Céu, onde estão os inesgotáveis recursos divinos para as nossas vidas.”

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