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A oração que Deus não quer ouvir

“Tu, pois, não intercedas por este povo, nem levantes por ele clamor ou oração, nem me importunes, porque eu não te ouvirei.” (Jr 7.16)

Introdução

Certamente este é um tema pouco comum. O mais comum, didático, lógico e apropriado é abordar os assuntos de uma forma positiva, e não negativa. Entretanto, eventualmente, tratar de um assunto, explorando aquilo que não deve ser feito, tem grande proveito, pois nos manterá mais atentos e vigilantes, inibindo ações e hábitos equivocados.

Algumas pessoas, novas convertidas ou mesmo cristãos mais antigos, sentem alguma dificuldade em orar. Acham que não sabem orar e que orar seria uma espécie de arte dominada por poucos. Entretanto, orar tem a simplicidade do ato de uma criança se dirigir aos pais e expressar alguma coisa; pedindo, agradecendo, ou simplesmente conversando. Em certa ocasião, Jesus, falando a respeito da oração, exemplificou usando a relação pais e filhos: “Ora, se vós, que sois maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais vosso Pai, que está nos céus, dará boas coisas aos que lhe pedirem?” (Mt 7.11). Da mesma forma que, muitas vezes, um filho não tem noção do que está pedindo aos pais, nós cristãos, filhos de Deus, também não oramos convenientemente. Felizmente, o Espírito Santo que em nós habita, entra em cena e faz aquilo que somente ele é capaz de fazer: “Também o Espírito, semelhantemente, nos assiste em nossa fraqueza; porque não sabemos orar como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós sobremaneira, com gemidos inexprimíveis. E aquele que sonda os corações sabe qual é a mente do Espírito, porque segundo a vontade de Deus é que ele intercede pelos santos.” (Rm 8.26-27; comp. Rm 8.34)

Se, por um lado, orar é tão simples, por outro tem lá suas condicionantes e especificidades. Não foi sem razão que um dos seus discípulos pediu a Jesus que lhes ensinasse a orar, a exemplo de João Batista que havia ensinado aos seus discípulos (Lc 11.1). E, este, é o tipo de aprendizado que leva toda a vida. A cada dia precisamos melhorar nosso conhecimento e prática da oração, através de uma maior intimidade com Deus e com sua Palavra.

Neste estudo, desenvolveremos o tema proposto, destacando alguns aspectos negativos que dizem respeito à pessoa que ora e, outros, à forma ou conteúdo da oração que Deus não quer ouvir.

Quem somos nós, simples mortais, para saber a oração que Deus quer ou não quer ouvir? Partindo da premissa de que Deus se revelou através do seu Filho Unigênito – Jesus Cristo – e da sua Palavra Escrita – a Bíblia – podemos, então, examinar as Escrituras Sagradas e buscar ali tais respostas. Seguindo esta linha, veremos, a seguir, de que tipos de pessoas Deus não quer ouvir a oração e quais orações ele rejeita. O assunto é vasto e fascinante; assim sendo, nos limitaremos a apenas alguns casos.

A) Orações que Deus não quer ouvir, por causa de QUEM ora:

1. Quando procede de um coração em rebeldia contra Deus (Jr 14.12)

“Quando jejuarem, não ouvirei o seu clamor e, quando trouxerem holocaustos e ofertas de manjares, não me agradarei deles; antes, eu os consumirei pela espada, pela fome e pela peste.”

Imagine você ouvir de Deus algo do tipo: – Não ore por fulano de tal porque eu não te ouvirei! Ou, – Não ore pela igreja tal porque eu não te ouvirei! Em certo momento da história do povo de Israel, o povo de Deus, Jeremias ouviu, da parte de Deus, algo assim, sem dúvida assustador (Jr 7.16). A razão da rejeição divina está claramente exposta: “Que é isso? Furtais e matais, cometeis adultério e jurais falsamente, queimais incenso a Baal e andais após outros deuses que não conheceis, e depois vindes, e vos pondes diante de mim nesta casa que se chama pelo meu nome, e dizeis: Estamos salvos; sim, só para continuardes a praticar estas abominações!” (Jr 7.9-10). Além de rejeitar a oração daquele povo rebelde, Deus proibiu Jeremias de interceder por ele.

Tem membro de igreja evangélica vivendo uma vida dupla; praticando toda a sorte de pecado e achando que pode cultuar e orar a Deus, confiando na suposta proteção de um templo ou de uma igreja. “O que desvia os ouvidos de ouvir a lei, até a sua oração será abominável” (Pv 28.9). Nosso Deus está com os ouvidos abertos para ouvir a confissão do mais vil pecador arrependido, como no caso do rei Acabe (1Rs 21.28-29), mas rejeita a oração e culto daqueles que banalizam e profanam o sagrado, andando de braços dados com o mundo e o pecado.

2. Quando procede de um coração soberbo e orgulhoso (Lc 18.9-14)

“O fariseu, posto em pé, orava de si para si mesmo, desta forma: Ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros, nem ainda como este publicano;”

O jeito de ser de quem ora nunca está desatrelado daquilo que ele profere na sua oração. Deus sempre considera as duas coisas. Nesta parábola do fariseu e do publicano que subiram ao templo para orar, Jesus quis ensinar que aqueles que confiam no seu senso de justiça própria e nas suas obras, não são ouvidos por Deus. Aquele fariseu, zeloso da lei, orava de si para si mesmo (um círculo vicioso), como que para massagear o seu ego, exibindo suas qualidades e vangloriando-se das suas práticas religiosas (comp. Pv 27.2). Sua auto bajulação chega ao ponto de tributar gratidão a Deus por ser melhor do que os outros. Dizem que naquela época era comum se orar assim: “Bendito és tu, ó Senhor nosso Deus, rei do universo, que não me fizeste um gentio, …., um escravo, …., uma mulher, ….”. Certamente Deus não está disposto a ouvir orações de pessoas como esse fariseu. São orações que não chegam nem ao teto, quanto mais passar dele.

3. Quando procede de um coração hipócrita (Mt 6.5)

“E, quando orardes, não sereis como os hipócritas;…”

O que Jesus diz sobre os hipócritas (aqueles que manifestam fingidas virtudes, sentimentos bons, devoção religiosa, compaixão) parece ótimo à primeira vista: “gostam de orar”. Mas, infelizmente, não é da oração que eles gostam, nem do Deus a quem supostamente estão orando. Não, eles gostam de si mesmos e da oportunidade que a oração pública lhes dá de se exibirem, de fazerem seu marketing pessoal. O farisaísmo religioso não está morto. É possível ir à igreja pelos mesmos motivos errados que levavam o fariseu à sinagoga: não para adorar a Deus, mas para obter uma reputação de piedade (alguns políticos seguem essa linha). A hipocrisia nas igrejas prejudica a imagem dos crentes na sociedade. Quanto aos hipócritas, eles podem até enganar e confundir a muitos, mas não a Deus.

B) Orações que Deus não quer ouvir, por causa da SUA FORMA ou CONTEÚDO:

1. Quando há vãs repetições (Mt 6.7-8)

“E, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios; porque presumem que pelo seu muito falar serão ouvidos.”

As “vãs repetições”, a falta de significado, a repetição mecânica são erros a serem evitados nas orações. A repetição mecânica é um abuso da própria natureza da oração, rebaixando-a de um real e pessoal acesso a Deus a uma mera recitação de palavras. Jesus não podia estar proibindo toda repetição, pois ele mesmo repetiu sua oração, notavelmente no Getsêmani, quando “foi orar pela terceira vez, repetindo as mesmas palavras” (Mt 26.39, 42 e 44). O conteúdo da oração é espontâneo, livre de qualquer formalidade e expressões decoradas. Deve nascer, emergir de um coração sincero, que deseja expressar diante de Deus suas próprias necessidades, as de outros, bem como agradecer pelas dádivas recebidas e, ainda, adorar ao Pai, na beleza da sua santidade.

Entenda-se como “vãs repetições” as repetições autômatas de palavras que só venham dos lábios e não do pensamento ou do coração, com a intenção de se fazer ouvir pela quantidade. Dependendo da forma como é usada até a chamada oração do “Pai Nosso”, ensinada por Jesus, pode se tornar uma vã repetição. Muitas rezas não têm mais valor do que as rodas usadas na Índia, sobre as quais estão escritas as orações e depois são giradas, horas a fio, para apresentá-las sem cessar a Deus! O mencionar de um assunto diante de Deus por repetidas vezes, em virtude da grande aflição que o problema tem trazido à nossa alma, não se constitui, de forma alguma, em vã repetição. Mas, também, é igualmente possível usar “palavras vazias” quando se escorrega para o “jargão religioso” enquanto a mente vagueia.

2. Quando o propósito é equivocado (Tg 4.3)

“pedis e não recebeis, porque pedis mal, para esbanjardes em vossos prazeres.”

Se o Filho de Deus se esvaziou da sua glória para viver como servo e para dar a sua vida para salvar o pecador, este pecador agora salvo, irá orar a Deus pedindo determinadas coisas e recursos para esbanjar nos prazeres efêmeros desta vida? Como pode uma nova criatura em Cristo fomentar sua ganância e investir na carnalidade? Não é pecado ser rico, nem buscar a prosperidade, o bem-estar e a boa saúde (3Jo 2). O que não se pode é colocar nisso o coração, tirando o foco da nossa verdadeira missão e propósito neste mundo. Sigamos a recomendação do nosso Mestre: “buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.” (Mt 6.33)

3. Quando Deus já tenha determinado algo diferente (2Co 12.7-9)

“Por causa disto, três vezes pedi ao Senhor que o afastasse de mim. Então, ele me disse: A minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza….”

Quando Deus determinou, pela boca dos seus profetas, que Israel seria levado cativo para a Babilônia e ali ficaria por setenta anos (Jr 29.10; 2Cr 36.20-21), não havia mais abertura para Deus ouvir qualquer oração que alterasse essa sua soberana e explícita vontade. Quando o apóstolo Paulo rogou ao Senhor três vezes, para que Deus afastasse dele o espinho na carne e o Senhor não o quis atender, também não havia mais abertura para Deus ouvir qualquer oração que alterasse essa sua soberana e explícita vontade.

Deus declarou que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que o amam, daqueles que são chamados segundo o seu propósito (Rm 8.28). Quando estamos enfrentando determinadas adversidades, somos levados a rogar a Deus que abrevie esse tempo difícil, o que é natural. Entretanto, mais importante do que multiplicar as orações ou não entrar em desespero é ter paciência e aprender a descansar em Deus e em sua soberana vontade, que é boa, agradável e perfeita (Rm 12.2). Certamente isso não é tarefa fácil! Precisamos entender que, muitas vezes, Deus usa determinadas situações para nos aperfeiçoar, nos fazer amadurecer na fé, e, isso leva algum tempo. O vaso precisa estar nas mãos do oleiro até que esteja pronto.

4. Quando visa o mal do outro (Lc 9.51-56)

“… Senhor, queres que mandemos descer fogo do céu para os consumir?”

A oração imprecatória – aquela que suplica o castigo divino para o outro – não soa bem aos ouvidos cristãos. Entretanto, em muitos Salmos e textos do Antigo Testamento (AT) há um tom de imprecação. Diante da maldade, da opressão, da violência ou da injustiça, eles não só clamavam ao Senhor por suas vidas, mas também pediam a Deus que fizesse cair sobre os seus inimigos os piores males. Assim, se unem numa mesma oração, as súplicas mais ardentes e as mais violentas imprecações (Sl 58.6-11; 83.9-18; 109.6-19; 137.7-9). De fato, na época do AT, naquele contexto, prevalecia no âmbito do povo de Israel o conceito de que a obediência a Deus e aos seus mandamentos, deveria ser recompensada na vida presente, com longevidade e prosperidade; enquanto os transgressores da lei mosaica (judeus) e os ímpios (pagãos) deveriam receber o seu justo castigo o quanto antes, para que ficasse evidente que há um Deus vivo e presente, retribuindo a cada um conforme as suas ações (Sl 7.9; 37.28; 75.10; 58.11).

Diante da recusa dos samaritanos em hospedar a Jesus e sua comitiva em sua aldeia, Tiago e João concluíram, apressadamente, que era o caso de destruir a todos esses indivíduos insensíveis. A resposta de Jesus revela e reafirma a vontade divina de salvar, e não de destruir, as almas humanas. Diante de determinadas situações perversas, protagonizadas por pessoas de índole maligna, da sociedade ou até mesmo participantes dos arraiais evangélicos, podem até passar pela mente de alguém pensamentos semelhantes aos destes apóstolos. A oração que pede a Deus para “pesar sua mão” sobre alguém é do tipo que Deus não quer ouvir. Por maior que seja o mal praticado contra nós (ou contra outros), como cristãos, o que nos resta a fazer, em termos de oração, é entregar nossa causa nas mãos de Deus. É claro que, dependendo do caso, a justiça dos homens precisa ser envolvida.

Conclusão

Enfim, poderíamos mencionar tantos outros casos, como, por exemplo, aquelas orações que dão ordens a Deus, ou que usam expressões desrespeitosas ou que não se submetem à sua vontade etc. O importante é que estejamos atentos a todos os aspectos que envolvem nosso ser, isto é, o que somos e o que sentimos quando buscamos a Deus em oração. Além disso, precisamos ter cuidado com o que proferimos em oração, para não cometermos os erros acima expostos.

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  1. jose augusto da ponte
    18/05/2017 às 17:53

    caro primo ..vos desejo as maiores bencaos de DEUS…agradeco tudo o que me tem enviado pela internet…sao mensagens maravilhosas …vou usa -las no ensino da escola dominical …espero que receba esta mensagem..pois na verdade eu tenho dificuldade em operar estas novas tecnologias…nao sei se recebeu quando agradeci o envio da mensagem que entreguei quando da minha visita ai em 1987,,,,e um grande prazer
    omunicar com os primos ai mas eu nao uso o facebook para comunicar com ninguem so uso o email systema ….as bencaos de DEUS para todos os primos com muito amor cristao do primo jose augusto (Canada)

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