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Nosso papel na Santificação

“Assim, pois, amados meus, como sempre obedecestes, não só na minha presença, porém, muito mais agora, na minha ausência, desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor; porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade. Fazei tudo sem murmurações nem contendas, para que vos torneis irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis no meio de uma geração pervertida e corrupta, na qual resplandeceis como luzeiros no mundo, preservando a palavra da vida, para que, no Dia de Cristo, eu me glorie de que não corri em vão, nem me esforcei inutilmente.” (Fp 2.12-16)

No texto introdutório de Filipenses 2.12-16, há alguns elementos interessantes:

1) A salvação precisa ser desenvolvida

“… desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor;”(Fp 2.12)

Antes de tudo, é importante ressaltar que a salvação é um estado, proporcionado por uma obra realizada exclusivamente por Deus, em Cristo, na cruz do Calvário. Ou o ser humano está salvo ou está perdido. Se está perdido, enquanto estiver vivo poderá ser alcançado por essa obra redentora de Cristo e tornar-se um salvo. Uma vez salvo, salvo para sempre, na visão da teologia reformada calvinista.

Na bíblia, a pessoa salva por Cristo é considerada nascida de novo, regenerada. Então, tal qual um novo ser experimenta um processo biológico de desenvolvimento (físico, mental, emocional, social etc), o novo filho de Deus precisa desenvolver-se nesse novo estado. Caso contrário, será um eterno recém-nascido (1Co 3.1-2).  No texto, está explicito que os salvos devem realizar essa importante tarefa – “desenvolvei”.

2) Deus tem um papel relevante nesse processo

“porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade.”(Fp 2.13)

Se, no versículo anterior, parecia que a tarefa seria realizada exclusivamente pelo crente salvo; agora, o apóstolo revela que Deus participa efetivamente nesse processo. Ele age, tanto no infundir no salvo, o querer fazer, quanto na execução. Afinal, não poderia ser diferente. Se o Espírito de Deus habita nele, este mesmo Espírito irá sempre impulsioná-lo a agradar a Deus e a fazer a sua vontade.

Portanto, esse desenvolvimento da salvação, que inclui, ou até mesmo se confunde com o processo de santificação, é realizado através de uma bela parceria entre Deus e o salvo!

Santificação – Não agir ou agir, eis a questão!

“O quietismo é uma doutrina e prática espiritual cujas origens remontam ao século XVII e a figura mais representativa desta controvertida corrente da mística cristã, o sacerdote espanhol Miguel de Molinos. O quietismo se difundiu na Europa, especialmente na França, Itália e Espanha. Segundo a doutrina quietista, o fiel alcançaria a Deus mediante a oração contemplativa e a passividade da alma. No estado de quietude, a mente humana se torna inativa, já não apresenta vontade própria, mas permanece passiva, sendo Deus mesmo quem opera nela. Para os críticos do quietismo, ele reduz ou elimina por completo toda responsabilidade moral do ser humano.” (Wikipédia)

Se, por um lado, o quietismo leva a pessoa a um estado de reclusão e passividade, deixando tudo por conta de Deus, o pietismo se coloca no sentido do outro extremo. “O pietismo é um movimento oriundo do luteranismo que valoriza as experiências individuais do crente. Tal movimento surgiu no final do século XVII, como oposição à negligência da ortodoxia luterana para com a dimensão pessoal da religião, e teve seu auge entre 1650-1800.” (Wikipédia)

Nada acontece por acaso. No ápice da Idade Média (séculos 13 a 15), a Igreja Católica já havia acolhido e institucionalizado muitas crenças e práticas oriundas do paganismo e, muitas outras, estranhas à bíblia. A igreja estava deteriorada na sua essência. Então, a reforma aconteceu (século 16). Como era de se esperar, no período pós-reforma, principalmente no século 17, houve grande preocupação e interesse pelo rigor doutrinário – ortodoxia protestante. Era necessário produzir material contendo um novo posicionamento teológico para a igreja que emergia da reforma, lastreado na revelação bíblica. Certamente a ênfase e foco acentuados numa teologia que deveria se distinguir da teologia e tradição da igreja romana deixou alguma lacuna na prática da fé cristã. A ênfase na fidelidade doutrinária tirou um pouco o foco da piedade cristã. Surge, então, o movimento pietista alemão, também visto como “a fuga da ortodoxia morta”, cujo mentor e pioneiro é Philip Jacob Spener (1635-1705), de Confissão Luterana, conhecido pela sua obra Pia desideria (1676). “Em suas obras e comportamento Spener revela estar preocupado com a piedade prática dos cristãos, resgatando o sentido de uma experiência viva com Deus. Deste princípio fundamental, outros pontos parecem ser decorrentes:[1]

a) Sacerdócio universal dos crentes Todos os crentes devem participar dos serviços religiosos, ensinando e ajudando uns aos outros, sendo assíduos nos estudos bíblicos etc.
b) Cultivo da vida espiritual Leitura sistemática da bíblia, oração e abstinência – combate ao jogo, bebedeira, bailes e teatro, enfatizando a moderação nas vestes, na bebida e nos alimentos, bem como um comportamento cristão nos negócios, tendo o amor como parâmetro visível da piedade cristã.
c) Rigor na disciplina da igreja Santidade de vida: “Um comportamento santo contribui em muito para a conversão das pessoas, conforme o ensinamento de 1Pedro 3.12.”
d) Teologia com ênfase na vida prática Em detrimento da especulação.
e) A bíblia tem autoridade superior às Confissões Contudo, estas são relevantes, devendo ser ensinadas.
f) A experiência é o fundamento de toda certeza Por isso, apenas um cristão regenerado pode ser um verdadeiro teólogo e possuir um conhecimento real da verdade revelada. Entretanto, Deus fala a sua Palavra mesmo através dos ímpios.

O movimento pietista começou em 1670, quando Spener, a pedido de alguns irmãos, estabeleceu em sua casa, aos domingos e às quartas-feiras, um grupo de estudo da bíblia, oração e discussão do sermão do domingo anterior. Este trabalho, aparentemente despretensioso, proliferou grandemente, recebendo o nome de Collegia Pietatis, de onde proveio a denominação “Pietismo”. Parece que, com o passar do tempo, os Collegia Pietatis ganharam para os seus participantes o status de “igrejas dentro da igreja” (Ecclesiolae in ecclesia), tornando-se exclusivistas e cismáticos[2], fugindo ao propósito de sua criação. Por fim, o pietismo teria se esfacelado em seitas, dentro e fora da Alemanha. Entretanto, o pietismo deixou um legado interessante. Foi responsável pela fundação da Universidade de Halle, na Alemanha, que tornou-se um centro missionário, arrecadando fundos para as missões, bem como preparando missionários para enviá-los a diversas partes do mundo.

As ambivalências da fé cristã

“Um dos grandes desafios da igreja é viver de forma plena a integralidade da fé cristã: profundidade e simplicidade; erudição e piedade.” É preciso conhecer a doutrina que abraçamos, mas também praticá-la: “Paulo, servo de Deus e apóstolo de Jesus Cristo, para promover a fé que é dos eleitos de Deus e o pleno conhecimento da verdade segundo a piedade, na esperança da vida eterna que o Deus que não pode mentir prometeu antes dos tempos eternos.” (Tt 1.1-2). Na vida cristã, na eclesiologia e na teologia temos alguns permanentes confrontos:

Teoria x Prática

Saber x Fazer

Razão x Emoção (emocionalismo exagerado)

Bíblia x Experiência (mística individual)

Fidelidade doutrinária x Piedade cristã

Assentimento intelectual x Fé

Intelectualismo x Misticismo

Ortodoxia x Ortopraxia

Ascetismo[3] x Materialismo

Monasticismo[4] x Mundanismo

Por falar em monasticismo, outro aspecto a se considerar é a diferença entre separar-se e isolar-se. Santificação tem a ver com separação ou com isolamento? Qual o exemplo que Jesus nos deixou? O que a bíblia nos ensina?

Inicialmente é preciso deixar claro que o monasticismo não tem base bíblica. Como ser sal da terra e luz do mundo se nos isolarmos dele? No seu viver diário, no meio do povo, Jesus nos deu o exemplo do que significa estar no mundo sem ser do mundo.

Houve uma época, nem tão distante assim, em que o verdadeiro cristão deveria se distinguir do não cristão – principalmente as mulheres – em suas vestimentas, não usando de pinturas (unhas, lábios, cabelos etc), no linguajar, não frequentando determinados lugares, não participando de determinadas festas (carnaval, festa junina etc), não fumando, não consumindo bebida alcoólica etc. Era uma santidade exteriorizada e estereotipada (clichê), para ser vista. A bíblia não se omite em relação a como se deve trajar e se portar em público. O recomendado sempre foi a decência e moderação, evitando-se a ostentação: “Quero, portanto, que os varões orem em todo lugar, levantando mãos santas, sem ira e sem animosidade. Da mesma sorte, que as mulheres, em traje decente, se ataviem com modéstia e bom senso, não com cabeleira frisada e com ouro, ou pérolas, ou vestuário dispendioso, porém com boas obras (como é próprio às mulheres que professam ser piedosas).”(1Tm 2.8-10). Sem dúvida, o ensino bíblico traz orientação quanto a aspectos exteriores, porém destaca a santidade interior, a que é do coração: “Não seja o adorno da esposa o que é exterior, como frisado de cabelos, adereços de ouro, aparato de vestuário; seja, porém, o homem interior do coração, unido ao incorruptível trajo de um espírito manso e tranquilo, que é de grande valor diante de Deus.” (1Pe 3.3-4). Tudo o que a igreja não precisa e não deve ser é um povo esquisito e alienado, isolado da sociedade em que vive.

Entretanto, há muito que aprender no que diz respeito a viver separado do mundanismo que nos cerca. Tem muito “agente secreto de Deus” por aí. Você convive com ele na escola ou no trabalho durante anos e não percebe que se trata de um crente. Não difere em nada dos demais. Tem muito chamado crente com um pé na igreja e o outro no mundo. Estão muito mais empenhados em curtir as trevas do que ser sal da terra e luz do mundo! Os outros estão vendo Cristo em você? O Espírito Santo tem encontrado espaço para agir em e através de você? Ele é o Senhor da tua vida ou um hóspede incômodo, vivendo num cantinho reservado?

Em termos de educação familiar, mais importante do que proibir os filhos de fazer ou participar de determinadas coisas é ensiná-los a fazer boas escolhas e a tomar boas decisões. Quando você chega a um bar há inúmeros itens que você pode pedir. Você pode pedir um maço de cigarro, uma dose de cachaça; mas, também, um cafezinho, um copo de leite ou um salgado. Quando você liga uma TV, ou pretende ir ao cinema ou teatro, não é muito diferente; encontrará boas e más opções. Na vida temos muitas opções de escolha, o importante é saber tomar boas decisões, que possam ser bênção e não maldição. Jesus disse, em certa ocasião: “Entrai pela porta estreita (larga é a porta, e espaçoso, o caminho que conduz para a perdição, e são muitos os que entram por ela), porque estreita é a porta, e apertado, o caminho que conduz para a vida, e são poucos os que acertam com ela.” (Mt 7.13-14)

Consideremos, agora, quatro aspectos quanto ao nosso papel na santificação.

1º) Santidade e Crescimento Espiritual

Todos sabemos como se percebe o crescimento de um ser humano. Então, como perceber o crescimento espiritual de uma pessoa? Jesus disse, referindo-se aos falsos profetas, mas é válido para avaliar qualquer pessoa: “Assim, pois, pelos seus frutos os conhecereis.” (Mt 7.20). Aquilo que somos é revelado aos outros através daquilo que falamos e fazemos. Quando o apóstolo Paulo se dirige aos crentes de Corinto (1Co 3.1-2) deixa claro que aquele que cresce espiritualmente torna-se um crente espiritual, amadurecido ou adulto na fé. Quem não cresce espiritualmente, continua uma criança na fé, um crente carnal, isto é, focado nas coisas materiais. É como alguém vivendo uma espécie de Síndrome de Peter Pan[5]:

“A Síndrome de Peter Pan foi aceita em psicologia desde a publicação de um livro escrito em 1983 The Peter Pan Syndrome: Men Who Have Never Grown Up ou “síndrome do homem que nunca cresce”, escrito pelo Dr. Dan Kiley.

No entanto não há evidências de que esta síndrome seja uma doença psicológica real, e por isso não está referenciada nos manuais de transtornos mentais. Não consta, por exemplo, no DSM IV (Diagnostic and Statistical Manual). Esta síndrome caracteriza-se por determinados comportamentos imaturos em aspectos comportamentais, psicológicos, sexuais ou sociais. Segundo Kiley, o indivíduo tende a apresentar rasgos de irresponsabilidade, rebeldia, cólera, narcisismo, dependência e negação ao envelhecimento. Geralmente crianças superprotegidas adquirem este distúrbio que podem levar para vida toda.” (Wikipédia)

2º) Santidade e Missão

Outra forma de perceber o progresso na santificação é através do engajamento do crente na missão a ele confiada por Deus. Somos parte do corpo de Cristo, temos todos um comissionamento geral (Ide por todo o mundo e pregai o evangelho), somos embaixadores de Cristo neste mundo (2Co 5.20). Além disso, como membros deste corpo, precisamos encontrar, aceitar e desempenhar a nossa função e missão específicas (Ef 4.15-16; comp. Rm 12.4-5; 1Co 12.18). Isso, certamente nos fará crescer em santidade.

3º) Santidade e Imitação a Cristo

No texto de Filipenses 2.5-8 o apóstolo Paulo descreve alguns elementos importantes vivenciados por Jesus, no cumprimento da sua missão, que nos servem de exemplo, no cumprimento da nossa missão e crescimento espiritual. É claro que há outras tantas virtudes recomendadas ao cristão.

a) Amor

“Tende em vós o mesmo sentimento que também houve em Cristo Jesus,” (v.5)

O carro chefe, o elemento primeiro e mais forte é o amor a Deus e ao próximo: “…tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até ao fim.” (Jo 13.1)

b) Humildade

“a si mesmo se humilhou” (v.8a)

Se Jesus, sendo Deus, tomou a forma humana, por que não podemos esvaziar-nos de nós mesmos e assumirmos a forma de servo?

c) Obediência

“tornando-se obediente até à morte” (v.8b; comp. Hb 5.8)

Na posição de Deus-encarnado, como ser humano, ele experimentou a prática da obediência. No caso, obediência extrema que lhe custaria a entrega da própria vida (Jo 10.18).

d) Sofrimento

“e morte de cruz.” (v.8c)

Não quer dizer, necessariamente, que tenhamos que enfrentar sofrimento e martírio. Entretanto, o ápice da santificação pode ser demonstrado quando nos dispomos a abrir mãos da própria vida por amor a Deus e à salvação dos perdidos: “Porém em nada considero a vida preciosa para mim mesmo, contanto que complete a minha carreira e o ministério que recebi do Senhor Jesus para testemunhar o evangelho da graça de Deus.” (At 20.24)

4º) Santidade e dedicação

Quanto de nossa energia e de nosso tempo estamos dispostos a empregar no desenvolvimento da nossa salvação ou santificação? Em termos práticos isso implica em dedicação (dentre outros):

a) Na leitura diária da Bíblia.
b)Na prática diária e contínua da oração (orai sem cessar).
c) Na adoração e culto a Deus: com a vida, palavra e ações.
d) Na participação das atividades da igreja e do Reino.
e) No testemunho de Cristo e evangelização dos perdidos.
f) Na assistência aos necessitados (Tg 1.27 – a verdadeira religião).

Conclusão

Em que pese todas as circunstâncias desfavoráveis que possam surgir, inclusive o fato de vivermos na contracultura desse mundo, com o auxílio de Deus e do Espírito Santo que em nós habita, continuemos na nossa caminhada, fazendo como o apóstolo: “prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus.” (Fp 3.14)
…………………………………………..

[1] Revista Expressão – Lições da História da Igreja – Editora Cultura Cristã – pg 8.

[2] O cisma é uma separação de uma pessoa ou grupo de pessoas do seio de uma organização ou movimento, geralmente religioso.

[3] Ascetismo é uma doutrina filosófica que defende a abstenção dos prazeres físicos e psicológicos, acreditando ser o caminho para atingir a perfeição e equilíbrio moral e espiritual.

[4] Monasticismo (do grego monachos, uma pessoa solitária) é a prática da abdicação dos objetivos comuns dos homens em prol da prática religiosa. Várias religiões têm elementos monásticos, embora usando expressões diferentes: budismo, cristianismo, hinduísmo e islamismo. Assim, os indivíduos que praticam o monasticismo são classificados como monges (no caso dos homens) e monjas (no caso das mulheres). Ambos podem ser referidos como monásticos e, por norma, vivem na chamada clausura monástica. É uma forma de ascetismo organizado.

[5] Peter Pan é um personagem criado por J. M. Barrie para sua notória peça de teatro intitulada Peter and Wendy, que originou um livro homônimo para crianças publicado em 1911, e de várias adaptações destes para o cinema. O personagem é um pequeno rapaz que se recusa a crescer e que passa a vida a ter aventuras mágicas. James Matthew Barrie, mais conhecido simplesmente como J. M. Barrie, inventou Peter Pan quando contava histórias aos filhos da sua amiga Sylvia Liewelyn Davies, os Liewelyn Davies boys, com quem mantinha uma relação de amizade muito especial. O nome provém de duas fontes: Peter Liewelyn Davies, o mais novo dos rapazes naquela época e de Pan, o deus grego das florestas. (Wikipédia)


Nota: esboço pessoal de aula, preparado por mim, para facilitar a ministração da Aula 4 (Nosso papel na santificação) – Módulo 1 – EBD Catedral 2017, de modo a atender a temática proposta no material elaborado por colaboradores para os alunos.

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  1. Washington Maciel
    15/05/2017 às 9:12

    Muito bom

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