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Limpos no meio da lama

Apocalipse 22.10-11; Efésios 5.1-17

Introdução:

Viver com integridade, diante de Deus e dos homens, é um desafio que acompanha o ser humano desde a sua criação. Será que, nos dias atuais, está mais difícil vencer este desafio? Uns acham que sim, outros acham que não e, cada um tem as suas razões para fundamentar o seu ponto de vista. No Salmo 15, Davi descreve, em termos muito práticos, o perfil ou características do cidadão dos céus: “Quem, SENHOR, habitará no teu tabernáculo? Quem há de morar no teu santo monte? O que vive com integridade, e pratica a justiça, e, de coração, fala a verdade; o que não difama com sua língua, não faz mal ao próximo, nem lança injúria contra o seu vizinho; o que, a seus olhos, tem por desprezível ao réprobo, mas honra aos que temem ao SENHOR; o que jura com dano próprio e não se retrata; o que não empresta o seu dinheiro com usura, nem aceita suborno contra o inocente. Quem deste modo procede não será jamais abalado.” O nível de exigência é muito elevado; quem poderá atende-lo, sem vacilar? Ainda bem, que não é por nossos méritos que alcançamos a salvação eterna, mas, mediante a retidão e redenção que há em Cristo Jesus, nosso Salvador!

A lama mais comum é o resultado da mistura de terra com água. Quem vive andando ou transitando sobre o asfalto, já não se dá conta do quão desagradável e complicado é fazê-lo em ruas enlameadas. Para o salmista Davi, o livramento do Senhor é poeticamente descrito assim: “Tirou-me de um poço de perdição, de um tremedal de lama; colocou-me os pés sobre uma rocha e me firmou os passos.” (Sl 40.2). O crente autêntico e consciente tem a mesma sensação de ter sido tirado do lamaçal que é uma vida sem Deus e sem Jesus, a rocha da nossa salvação.  Dali ele jamais sairá. Somente aqueles que nunca foram de Deus retornam e têm prazer em viver na lama (2Pe 2.20-22).

Neste estudo vamos considerar a importância de um viver limpo, no meio de uma geração suja e perversa (Is 57.20), com a indispensável ajuda do Senhor: “O SENHOR firma os passos do homem bom e no seu caminho se compraz; se cair, não ficará prostrado, porque o SENHOR o segura pela mão.” (Sl 37.23-24).

Desenvolvimento:

1. O INJUSTO, CONTINUE NA PRÁTICA DA INJUSTIÇA

“Continue o injusto fazendo injustiça, continue o imundo ainda sendo imundo;” (Ap 22.11a)

O leitor apressado e superficial, quando se depara com um texto como este, no último capítulo da Bíblia, pode até ficar um tanto quanto desconfortável ou, até mesmo, perplexo. Não há no texto bíblico qualquer incentivo ao injusto, quanto a este continuar no seu caminho mau. Porém, se é isso que ele quer fazer, que o faça, sem deixar de considerar as consequências dos seus atos. Não há aqui qualquer contradição bíblica e há de permanecer, até o último dia, a vontade de Deus para o pecador: “Deixe o perverso o seu caminho, o iníquo, os seus pensamentos; converta-se ao SENHOR, que se compadecerá dele, e volte-se para o nosso Deus, porque é rico em perdoar.” (Is 55.7)

Esse texto de Apocalipse foi escrito na perspectiva da consumação dos séculos e dos juízos que antecedem a volta de Cristo. Não há como negar que esse dia está muito próximo. Não é difícil perceber que o contexto de apostasia e impiedade em que vivemos é bem característico dos tempos que precederam os grandes juízos de Deus, no passado. Então, vejamos os seguintes julgamentos registrados na Bíblia e como se vivia, nessas épocas:

1.1 As circunstâncias do juízo do Dilúvio
       (maldade generalizada e desenfreada)

“Viu o SENHOR que a maldade do homem se havia multiplicado na terra e que era continuamente mau todo desígnio do seu coração; (Gn 6.5). A terra estava corrompida à vista de Deus e cheia de violência.” (Gn 6.11). A descrição da conduta humana naquele tempo é impressionante. Nos transmite a ideia de maldade desenfreada, de proporções globais; uma pandemia incontrolável. Uma espécie de metástase social que dizimava qualquer senso de piedade e moralidade de uma civilização com cerca de 1656 anos (3975–2319aC). A solução divina foi destruir a todos (Gn 6.7), pelo Dilúvio, preservando, apenas, uma família, cujo cabeça e líder, Noé, foi descrito como “homem justo e íntegro entre os seus contemporâneos; Noé andava com Deus.” (Gn 6.9). Então, a partir desta família, a terra foi repovoada. E, Jesus, emite o alerta profético: “Pois assim como foi nos dias de Noé, também será a vinda do Filho do Homem.” (Mt 24.37). Quando contemplamos o que acontece, dentro e fora da nossa nação, a sensação que temos também é de maldade generalizada e desenfreada; fora de controle.

1.2 As circunstâncias do juízo da Torre de Babel
(culto ao homem – antropocentrismo)

“Então, desceu o SENHOR para ver a cidade e a torre, que os filhos dos homens edificavam; e o SENHOR disse: Eis que o povo é um, e todos têm a mesma linguagem. Isto é apenas o começo; agora não haverá restrição para tudo que intentam fazer.” (Gn 11.5-6). Havia transcorrido cerca de 175 anos (2319–2144 aC), desde o Dilúvio, e a nova civilização humana já estava outra vez corrompida. Deixando de tributar toda a glória e honra devidas a Deus, deslocaram o seu foco para as realizações humanas (Gn 11.4). A confusão da linguagem e dispersão das pessoas foi o remédio aplicado por Deus para conter o avanço dos maus intentos humanos. Podemos dizer que estamos vivendo o tempo da reversão do fenômeno da Torre de Babel. Os meios de transportes, a tecnologia de comunicação e de informação, e o idioma inglês universal, aproximou os seres humanos de forma surpreendente. Cumpriu-se a profecia de Daniel – a ciência se multiplicou (Dn 12.4). A grande questão agora é a mesma daquela época: “Isto é apenas o começo; agora não haverá restrição para tudo que intentam fazer.”. O que temos visto, então, na civilização atual, é Deus colocado de lado, a Bíblia sendo considerada um livro antiquado e ultrapassado, e o ser humano sendo cultuado pelos seus grandes feitos.

1.3 As circunstâncias do juízo sobre Sodoma e Gomorra
(depravação sexual, soberba, arrogância, descaso e prostituição)

“Disse mais o SENHOR: Com efeito, o clamor de Sodoma e Gomorra tem-se multiplicado, e o seu pecado se tem agravado muito.” (Gn 18.20). O texto deixa claro que os graves pecados dos seres humanos chegam aos céus, em forma de clamor por justiça, exigindo o juízo divino (ver Gn 4.10). Se houvesse ali dez justos, as cidades teriam sido poupadas (Gn 18.32). No registro bíblico da destruição de Sodoma e Gomorra (Gn 18 e 19), não se explicita quais eram os graves pecados deles. Com exceção do episódio em que os homens de Sodoma, rejeitaram as filhas virgens de Ló e preferiram abusar dos dois anjos por ele hospedados (Gn 19.4-9). E esse abuso se traduz em violência e depravação sexual. A palavra sodomia tem origem neste acontecimento e o apóstolo Paulo usa o termo “sodomita” referindo-se à homossexualidade (1Tm 1.10). Foi o profeta Ezequiel quem descreveu a iniquidade de Sodoma: soberba, descaso com o necessitado, arrogância e práticas abomináveis (Ez 16.49-50); e, Judas registra que havia ali prostituição (Jd 1.7). A homossexualidade é considerada uma abominação (Lv 18.22).

2. O JUSTO, CONTINUE NA PRÁTICA DA JUSTIÇA

“o justo continue na prática da justiça, e o santo continue a santificar-se.” (Ap 22.11b)

Por que temer a Deus e perseverar no bom caminho da justiça e da santificação?

2.1 Porque há um Deus que tudo vê

“Os olhos de Deus estão sobre os caminhos do homem e veem todos os seus passos. Não há trevas nem sombra assaz profunda, onde se escondam os que praticam a iniquidade.” (Jó 34.21-22). Ainda que a maldade humana se alastre por toda a terra e a impunidade reine em muitas sociedades, há um Deus que tudo vê, ao qual todos haverão de prestar contas. Nos três juízos divinos acima mencionados, fica claro que nada escapa aos olhos de Deus; que ele ouve o clamor da perversidade humana.

2.2 Porque há um Deus que tudo julga

Em tempos remotos, Jó, no meio do seu sofrimento, olha para a sua integridade e se sente injustamente castigado pelo Altíssimo. Ele, também olha ao seu redor e vê a perversidade dos ímpios e estes aparentemente impunes; se condói com o sofrimento dos pobres e injustiçados, sem que haja quem os socorra. Então faz um desabafo: “Por que o Todo-Poderoso não designa tempos de julgamento? E por que os que o conhecem não veem tais dias?” (Jó 24.1). A história responde a esse questionamento de Jó. São muitos os julgamentos de Deus:

a) Os julgamentos importantes relatados no Antigo Testamento, são: do Dilúvio, da Torre de Babel, de Sodoma e Gomorra, de Faraó e dos egípcios, de Israel no deserto, de Israel no exílio, de várias pessoas, reis e nações.

b) Outros julgamentos, citados no Novo Testamento, são:

– Autojulgamento, pelo qual o crente melhora suas relações tanto com Deus, como com os homens (1Co 11.31)

– Julgamento no seio da igreja, mediante a disciplina de crentes que laboram em erro (1Co 5.1-5; Mt 18.15-17);

– Julgamento das obras dos crentes (Rm 14.10; 1Co 3.11-15; 2Co 5.9-10);

– Julgamento futuro de Israel (Ez 20.33-44; Rm 11.15, 25-29; Ap 7.1-8; ver Sl 50.1-7).

– Julgamento das nações (Mt 25.31-46);

– Julgamento de Satanás (Ap 20.10);

– Julgamento dos anjos que caíram (Jd 1.6; 1Co 6.3; 2Pe 2.4);

– Julgamento dos ímpios, também chamado de Julgamento do Grande Trono Branco (Jo 5.29; Ap 11.18; 20.11-15).

2.3 Porque a intensidade da luz recebida determina o nível de rigor do julgamento divino

Sodoma e Gomorra se tornaram símbolo e referência, de pecado e juízo, na boca dos profetas: Isaías – Is 1.9-10; Jeremias – Jr 23.14; Lm 4.6; Ezequiel – Ez 16.46-48; Amós – Am 4.11; Sofonias – Sf 2.9. No Novo Testamento, isso também não passa em branco para Jesus (Lc 17.29), Paulo (Rm 9.29), Pedro (2Pe 2.6), Judas (Jd 1.7) e João (Ap 11.8). Entretanto, Jesus fez uma declaração surpreendente: “Tu, Cafarnaum, elevar-te-ás, porventura, até ao céu? Descerás até ao inferno; porque, se em Sodoma se tivessem operado os milagres que em ti se fizeram, teria ela permanecido até ao dia de hoje. Digo-vos, porém, que menos rigor haverá, no Dia do Juízo, para com a terra de Sodoma do que para contigo.” (Mt 11.23-24). Jesus mostrou que, nem mesmo Sodoma e Gomorra, mereciam julgamento tão severo, como aqueles que rejeitam o Messias, o seu Reino e os seus discípulos. O ensino de Jesus, neste ponto, inclui ideias de que a rejeição da luz, quanto mais brilhante ela for, trará julgamento mais severo; e que, quanto maior for a luz recebida, maior será a responsabilidade do indivíduo. Sodoma contou apenas com o fraco testemunho de Ló. Mas, as cidades da Galileia, gozaram do testemunho dado pelo próprio Messias. Provavelmente os pecados dos habitantes de Sodoma e Gomorra eram mais graves e numerosos do que os dos habitantes da Galileia. Mas o julgamento dos habitantes da Galileia seria mais severo, em face de terem ouvido a mensagem mais ampla do mensageiro divino. É possível que, nesses ensinos, Jesus tenha incluído a ideia de Julgamentos terrestres, isto é, tipos de juízo como os que foram sofridos por Sodoma e Gomorra, e não somente um juízo vindouro. Alguns intérpretes acham só este último sentido no texto, mas a verdade é que Jesus pode ter indicado mais do que isto.

2.4 Porque precisamos ter uma conduta diferenciada

O texto de Efésios 5.1-17 é autoexplicativo e nos instrui, de forma muito prática, como deve ser o nosso proceder diante do mundo caído e atolado no lamaçal do pecado.

Conclusão:

É preciso ter plena consciência de que estamos, a cada dia que passa, mais próximos da Segunda Vinda de Cristo. É preciso ter plena consciência de que o mundo vai de mal a pior (2Tm 3.13) e que as circunstâncias se tornam cada vez mais parecidas com aquelas que antecederam aqueles três grandes juízos de Deus, no passado, acima mencionados. É preciso ter plena consciência de que toda a perversidade humana, multiplicada nesses últimos tempos, não ficará impune. É preciso ter plena consciência de que, nesses dias difíceis, nos quais vivemos, muitos serão influenciados e levados pela multidão dos que desprezam a Deus, a sua Palavra, a família nos moldes por ele instituída e a sua igreja; mas haverá um remanescente que se conservará fiel ao Senhor.

Tendo plena consciência de tudo isso, vamos nos manter firmes no Senhor, nas suas promessas, alicerçados na sua Palavra, com foco na missão e nas boas práticas, sem perder tempo com questões de menor importância, unidos como igreja para resistirmos no dia mau, enquanto aguardamos a gloriosa manifestação do Senhor Jesus. Amém!

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Liderança Populista e Liderança Cristã

Não são muitas as pessoas que têm sensibilidade suficiente para perceber a existência de um estilo de liderança populista. Porém, certamente todos sofrerão as consequências desastrosas de tal estilo, mesmo que não entendam a causa. Naturalmente que a questão não se limita apenas a “estilos”, mas às implicações ou consequências da prática de um ou outro tipo de estilo. A referência e desafio que se coloca aqui é que os líderes exerçam uma liderança cristã, e não populista. Nos referimos a líderes cristãos, de um modo geral, mas, principalmente, a pastores, missionários e oficiais de igreja (presbíteros e diáconos). Quando alguns desses líderes concorrem em eleições democráticas a cargos e ofícios, a questão se torna mais séria. Isto porque muitos serão tentados a adotarem um estilo populista para obterem votos suficientes para serem eleitos ou reeleitos. Certamente, quem sairá perdendo é a instituição, particularmente aqui, a igreja.

Este artigo tem o propósito de despertar a atenção e o interesse dos cristãos sobre o assunto, de modo a não permitirem prosperar, no meio da igreja de Cristo, esse tipo reprovável de liderança populista. A igreja deve caminhar firme, centrada em Cristo, e não em líderes populistas. Toda a honra e glória sejam dadas a Deus e não a homens ou mulheres que estejam na liderança.

Na tabela abaixo é apresentado um quadro comparativo entre os dois estilos de liderança, acrescentando-se alguma referência bíblica. Não há aqui a pretensão de se apresentar uma obra robusta e acabada sobre o assunto. Preferimos considerar este artigo como uma espécie de ensaio, onde os 30 itens mencionados podem ser reunidos em 4 grupos ou aspectos:
CT – Caráter/Temperamento;
CH – Comportamento/Hábito;
HC – Habilidade/Competência; e,
GP – Gestão de Pessoas.

ITEM

LÍDER POPULISTA

LÍDER CRISTÃO

REFERÊNCIA BÍBLICA
01 CT

Relativiza a moral e a ética.

Pratica e defende os princípios e valores cristãos.

“apegado à palavra fiel, que é segundo a doutrina, de modo que tenha poder tanto para exortar pelo reto ensino como para convencer os que o contradizem.” (Tt 1.9)
02 CT

Omite verdades e deturpa os fatos para favorecer seu ponto de vista.

Tem compromisso com toda a verdade dos fatos.

“Por isso, deixando a mentira, fale cada um a verdade com o seu próximo, porque somos membros uns dos outros.” (Ef 4.25)
03 CT

Vive dando desculpas para se livrar do trabalho.

Vive sobrecarregado de tarefas.

“Portanto, meus amados irmãos, sede firmes, inabaláveis e sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que, no Senhor, o vosso trabalho não é vão.” (1Co 15.58)
04 CT

O importante é “ser” e “ter”, ou, “aparentar ser” e “aparentar ter”.

O importante é ser a imagem de Cristo e se contentar com o que tem, sem se acomodar.

“De fato, grande fonte de lucro é a piedade com o contentamento. Porque nada temos trazido para o mundo, nem coisa alguma podemos levar dele. Tendo sustento e com que nos vestir, estejamos contentes.” (1Tm 6.6-8)
05 CT

É melhor receber, do que dar.

É melhor dar, do que receber.

“Tenho-vos mostrado em tudo que, trabalhando assim, é mister socorrer os necessitados e recordar as palavras do próprio Senhor Jesus: Mais bem-aventurado é dar que receber.” (At 20.35)
06 CT

Julga-se melhor do que os outros.

Pensa de si com moderação, reconhecendo que o seu crescimento é mais resultado da ação de Deus do que mérito pessoal.

“Porque, pela graça que me foi dada, digo a cada um dentre vós que não pense de si mesmo além do que convém; antes, pense com moderação, segundo a medida da fé que Deus repartiu a cada um.” (Rm 12.3)
07 CT

Julga saber mais do que os outros.

Tem consciência de que o que tem aprendido é fruto da sua intimidade com Deus e com a sua Palavra.

“Se alguém julga saber alguma coisa, com efeito, não aprendeu ainda como convém saber.” (1Co 8.2)
08 CH

Gosta de ser o centro das atenções.

Não se importa em fazer trabalho anônimo.

“não servindo à vista, como para agradar a homens, mas como servos de Cristo, fazendo, de coração, a vontade de Deus;” (Ef 6.6)
09 CH

Gosta de ser paparicado e de paparicar pessoas de seu interesse.

Gosta de ver o bom resultado do seu trabalho ou do trabalho dos outros.

“Pois todo o que se exalta será humilhado; e o que se humilha será exaltado.” (Lc 14.11)
“A verdade é que nunca usamos de linguagem de bajulação, como sabeis, nem de intuitos gananciosos. Deus disto é testemunha.” (1Ts 2.5)
10 CH

Gosta de aproximar-se de quem está no poder.

Gosta de estar onde pode ser útil.

“Ora, havia em Damasco um discípulo chamado Ananias. Disse-lhe o Senhor numa visão: Ananias! Ao que respondeu: Eis-me aqui, Senhor!” (At 9.10)
11 CH

Investe para ocupar posições de destaque na instituição. Considera mais importante ocupar cargos do que trabalhar.

Coloca-se à disposição de Deus para servi-lo onde Deus o colocar. Considera mais importante trabalhar do que ocupar cargos.

“Mas Deus dispôs os membros, colocando cada um deles no corpo, como lhe aprouve.” (1Co 12.18)
“Porque não é aprovado quem a si mesmo se louva, e sim aquele a quem o Senhor louva.” (2Co 10.18)
12 CH

Acima de tudo, procura agradar as pessoas.

Acima de tudo, procura agradar a Deus.

“Porventura, procuro eu, agora, o favor dos homens ou o de Deus? Ou procuro agradar a homens? Se agradasse ainda a homens, não seria servo de Cristo.” (Gl 1.10)
13 CH

Gosta de passar a imagem de bonzinho, concedendo benécias com os recursos da instituição.

Faz o que é possível com os recursos da instituição e, quando necessário, acrescenta até os seus próprios recursos.

“Eu de boa vontade me gastarei e ainda me deixarei gastar em prol da vossa alma. Se mais vos amo, serei menos amado?” (2Co 12.15)
14 CH

Sente-se confortável do lado da maioria.

Sente-se em paz defendendo a verdade e a justiça, mesmo, quando necessário, contrariando a maioria.

“Porque Deus não nos tem dado espírito de covardia, mas de poder, de amor e de moderação.” (2Tm 1.7)
15 CH

Fala muito, faz pouco e critica quem faz.

Faz muito, fala o suficiente e incentiva quem faz.

“Tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como para o Senhor e não para homens, cientes de que recebereis do Senhor a recompensa da herança. A Cristo, o Senhor, é que estais servindo;” Cl 3.23)
16 HC

É superficial e raso no conhecimento bíblico.

É fundamentado na Palavra de Deus.

“Respondeu-lhes Jesus: Errais, não conhecendo as Escrituras nem o poder de Deus.” (Mt 22.29)
17 HC

Fundamenta-se na sabedoria humana.

Fundamenta-se na sabedoria de Deus, sem desprezar a sabedoria humana.

“A minha palavra e a minha pregação não consistiram em linguagem persuasiva de sabedoria, mas em demonstração do Espírito e de poder, para que a vossa fé não se apoiasse em sabedoria humana, e sim no poder de Deus.” (1Co 2.4-5)
18 HC

É extremamente relacional e politicamente articulado.

É mais focado em ajudar as pessoas e a melhorar as coisas.

“Porque Deus não é injusto para ficar esquecido do vosso trabalho e do amor que evidenciastes para com o seu nome, pois servistes e ainda servis aos santos.” (Hb 6.10)
19 GP

É liberal: em princípio pode tudo.

É sensato: pode o que é biblicamente certo e convém.

“Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas convêm.” (1Co 6.12a)
20 GP

Seus planos e objetivos são mais importantes do que os de Deus.

O que importa é buscar e viver a vontade de Deus.

“porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade.” (Fp 2.13)
21 GP

Defende os seus próprios interesses.

Defende os interesses da comunidade.

“assim como também eu procuro, em tudo, ser agradável a todos, não buscando o meu próprio interesse, mas o de muitos, para que sejam salvos.” (1Co 10.33)
22 GP

As normas engessam a instituição. Na verdade quer ficar livre para impor sua vontade, conforme as circunstâncias.

As normas são instrumentos balizadores e necessários para a boa ordem.

“Tudo, porém, seja feito com decência e ordem.” (1Co 14.40)
“porque estais inteirados de quantas instruções vos demos da parte do Senhor Jesus.” (1Ts 4.2)
23 GP

Despreza e combate qualquer forma de controle, pois quer ficar mais à vontade.

Investe no controle, até mesmo como uma forma de preservar a integridade da instituição.

“Por esta causa, te deixei em Creta, para que pusesses em ordem as coisas restantes, bem como, em cada cidade, constituísses presbíteros, conforme te prescrevi:” (Tt 1.5)
24 GP

Valoriza apenas as áreas em que atua.

Valoriza todas as áreas, para o bem comum.

“A manifestação do Espírito é concedida a cada um visando a um fim proveitoso.” (1Co 12.7)
25 GP

Gosta de mostrar muitas realizações. Faz muita despesa e obriga a instituição a se virar para pagar. Na sua boca, governança austera é só discurso vazio.

Está interessado em realizar o que é necessário. Planeja as despesas de acordo com as verbas que lhe são destinadas pela instituição.

“Pois qual de vós, pretendendo construir uma torre, não se assenta primeiro para calcular a despesa e verificar se tem os meios para a concluir?” (Lc 14.28)
26 GP

Convive bem com o erro (seu e dos outros).

Procura corrigir o que está errado. Não ignora a má conduta, promovendo ações corretivas com o propósito pedagógico.

“Mas Paulo não achava justo levarem aquele que se afastara desde a Panfília, não os acompanhando no trabalho.” (At 15.38)
27 GP

Disciplinar é demonstrar falta de amor.

Disciplinar e corrigir é demonstrar amor.

“porque o Senhor corrige a quem ama e açoita a todo filho a quem recebe.” (Hb 12.6)
“Toda disciplina, com efeito, no momento não parece ser motivo de alegria, mas de tristeza; ao depois, entretanto, produz fruto pacífico aos que têm sido por ela exercitados, fruto de justiça.” (Hb 12.11)
28 GP

Esquiva-se de tomar ou apoiar medidas impopulares.

Tem coragem de tomar medidas amargas, se forem necessárias e para a preservação da instituição.

“prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e doutrina.” (2Tm 4.2)
29 GP

Gosta de tirar de quem tem para dar a quem não tem. É assistencialista.

Gosta de viabilizar formas de geração de meios e recursos para que cada um possa prover o seu sustento dignamente.

“Ora, aquele que dá semente ao que semeia e pão para alimento também suprirá e aumentará a vossa sementeira e multiplicará os frutos da vossa justiça, enriquecendo-vos, em tudo, para toda generosidade, a qual faz que, por nosso intermédio, sejam tributadas graças a Deus.” (2Co 9.10-11)
30 GP

O importante é a quantidade dos liderados ou seguidores.

O importante é a quantidade e a qualidade dos liderados ou seguidores.

“À vista disso, muitos dos seus discípulos o abandonaram e já não andavam com ele.” (Jo 6.66)

Que Deus nos ajude a prestigiar e apoiar um estilo de liderança cristã!

O Obreiro, a Seara e o Ministério

Texto base: Lucas 10.1-12

Introdução:

A Bíblia registra dois momentos marcantes no ministério de Jesus, quando ele mesmo promoveu esse “vá e ponha em prática o que ensinei”: a “missão dos doze“, relatada em todos os evangelhos sinóticos (Mc 6.6b-13; Mt 9.35-11.1; Lc 9.1-6) e a “missão dos setenta“, mencionada somente por Lucas (Lc 10.1-24). Tomaremos como base esta última missão, para aprendermos um pouco mais com Jesus.

Desenvolvimento:

A “missão dos setenta” se situa no último ano do ministério público de Jesus. Inicialmente, Jesus mesmo ia a toda parte pregando e curando, e os seus discípulos o acompanhavam. Posteriormente, as multidões vinham ao seu encontro e ele as ensinava e as curava. Por último, Jesus já não podia transitar livremente, por causa da oposição crescente e do aperto das multidões. Houve pregação e cura durante todo o seu ministério, porém no último ano Jesus dedicou-se a preparar e enviar aqueles que haveriam de dar prosseguimento à sua obra.

Quais teriam sido as razões para esta grande comissão?

“Para que o precedessem em cada cidade e lugar aonde ele estava para passar”. O grande objetivo era preparar o ambiente, criar expectativa para a chegada do Senhor. Jesus queria obter o máximo proveito nesta viagem.

– Para completar o aviso à nação judaica de estar presente o Messias.

– Para proporcionar aos seus seguidores um treinamento prático, preparando-os para a grande missão de Atos 1.8.

– Para deixar-nos orientação.

Uma particularidade da missão:

Confrontando as duas missões, constatamos que os doze foram designados apenas às ovelhas perdidas da casa de Israel, enquanto os setenta foram enviados “a todas as cidades e lugares aonde ele estava para passar” (Lc 10.1). Tem sido sugerido que isto indica que, enquanto a primeira missão era aos judeus (às doze tribos), a segunda antecipava a abertura da porta da fé a todas as nações.

Concentremos nossa atenção em três aspectos relevantes da obra evangelística e missionária: o obreiro, a seara e o ministério.

1. O OBREIRO

1.1 Sua chamada

O texto mostra claramente que Jesus não delegou a responsabilidade de escolher os setenta. Ele, pessoalmente, escolheu, designou setenta para essa importante missão. “Rogai, pois, ao Senhor da seara que mande…”. Nessa expressão Jesus ratifica que apenas o Senhor da seara tem autoridade para enviar trabalhadores. (ver Jr 1.4-5; At 9.15; 13.2).

1.2 Suas qualificações

A única informação que temos é que eram seguidores de Jesus, discípulos, que acompanhavam Jesus. E, portanto, Jesus pôde separá-los e enviá-los. Ser enviado por Jesus não é privilégio de uma elite, mas sim dos que o seguem de perto. Temos exemplos na Bíblia de que Deus mesmo qualifica os seus enviados como fez com Moisés, Jeremias, Isaías, Paulo e tantos outros.

As características principais dos que produzem frutos na obra de Deus são:

i) Crentes de oração. Tais obreiros passam muito tempo em conversa, em comunhão com o Senhor, expondo-lhe todas as ansiedades e necessidades; confiam nele e dele esperam tudo.

ii) Crentes com conhecimento bíblico. O Senhor Jesus disse aos saduceus: “Não provém o vosso erro de não conhecerdes as Escrituras, nem o poder de Deus!” (Mc 12.24)

iii) Crentes com paixão pelas almas. Como alguém vai sair pelo mundo, pregando ou ensinando, se não sente nenhuma paixão pelas almas perdidas? O Senhor Jesus se compadecia delas; as via como ovelhas que não têm pastor (Mt 9.36-37).

1.3 Seu envio

“De dois em dois”. Jesus não adotou esta forma apenas por um capricho pessoal. Ele já havia enviado os doze do mesmo modo (Mc 6.7). Enviando-os aos pares fortalecia o seu testemunho pessoal e tornava a viagem mais agradável. O envio de missionários, de dois em dois, foi imitado nos primeiros séculos (At 13.1-2), e continua a ser feito por algumas seitas (mórmons etc). Atualmente, a dupla missionária tem sido constituída por marido e mulher. O número dois na Bíblia tem como significado: autoridade (At 13.2; 15.27); conservação (Gn 6.19-20; Ec 4.9-12); confirmação (Mt 18.19); continuação. É claro que se trata de um quantitativo mínimo recomendado.

1.4 Seu destino

“Cada cidade e lugar”. Não é o obreiro que define o seu destino. Ele apenas segue o caminho traçado por aquele que o envia.

2. A SEARA (colheita)

Jesus usou, muitas vezes, a figura de um campo semeado (seara), ao falar sobre a colheita dos crentes (Jo 4.35-36; Mt 13.30, 39).

2.1 Seu tamanho

Inicialmente a seara era a nação de Israel. Mais tarde, porém, incluiu o mundo inteiro (Mt 28.19-20). Em face das dimensões da seara, Jesus adverte que há poucos trabalhadores e, portanto, devemos rogar a Deus pelo envio de mais trabalhadores. É curioso que naquela época não havia falta de autoridades religiosas. Grande parte do povo de Israel se ocupava das questões religiosas; no templo, nas sinagogas, nas casas, nas ruas. Entretanto, na avaliação de Jesus os trabalhadores eram poucos na seara. Desse exemplo se aprende que a organização religiosa e a aparência religiosa do povo não garantem a existência de trabalhadores autênticos do evangelho, ou que haja ceifa. Quem está disposto a orar? Quem está pronto a ir?

2.2 Seu Proprietário

“Senhor da seara…para a sua seara”. Os trabalhadores são representados por aqueles que trabalham diariamente para ganhar certo salário. Não são senhores da seara e nem têm autoridade sobre os que trabalham, mas tão somente são empregados do proprietário do campo. A alusão é ao Pai Celeste, que se interessa especialmente pelo êxito da colheita, porquanto o campo lhe pertence. Nenhum obreiro, nenhuma missão, nenhuma instituição poderá desapropriar o verdadeiro dono da seara (1Co 3.5-10).

“O dia pode ser longo e quente, mas no fim, os trabalhadores recebem, sem falta, o salário que lhes fora prometido pelo dono da seara.”

3. O MINISTÉRIO

Jesus não os enviou de qualquer maneira. Ele fez algumas advertências e recomendações e, ainda, deu-lhes as instruções e a autoridade de que necessitavam para o bom êxito daquela missão.

3.1 Seus riscos

“Ovelhas para o meio de lobos”. Jesus preparou os seus enviados para que enfrentassem duras experiências, que incluíam a perseguição.

“Ovelhas”. Mais uma vez, em seus ensinos, Jesus lança mão do simbolismo das ovelhas. Com esse simbolismo, Jesus indica diversas coisas:

1º) As ovelhas são pessoas sob a direção de um pastor.

2º) O pastor é responsável pela defesa das ovelhas, porque é claro que tais pessoas não sabem defender-se.

3º) Provavelmente também sugere que os discípulos, em comparação aos homens dotados de má intenção, são inocentes, fracos, humildes, mansos, gentis, simples.

“Lobos”. Termo usado no Novo Testamento para indicar os perseguidores e seu temperamento malicioso, por serem homens maus, injustos, destituídos de misericórdia, inclinados à destruição, à voracidade e à crueldade.

Jesus, primeiro mostrou que não deveriam esperar riquezas ou valores, segundo são representadas pelo mundo. Em seguida, mostrou que alguns rejeitariam sua missão e sua mensagem. Finalmente, mostrou que a rejeição pode incluir perseguição e até mesmo a morte. Com estas advertências eles devem ter compreendido que não estavam sendo enviados para uma excursão gratuita.

3.2 Seu Suprimento

i) Bagagem (Lc 10.4)

Jesus os exortou para que não levassem qualquer coisa que os viajantes normalmente pensavam ser indispensáveis para as viagens; mas que aprendessem a depender do suprimento divino. “Não leveis bolsa, nem alforje (porta-níqueis), nem sandálias”.  Estavam proibidos de sobrecarregarem-se com bagagem sobressalente. O sustento deles deveria vir de donativos feitos pelos beneficiários das ministrações. Esse método de subsistência dos obreiros foi confirmado pelas instruções de Paulo (1Co 9.7-11). Em qualquer época vê-se que o sustento do ministério é um problema muito sério. Isto porque as igrejas locais, em muitos casos, se recusam a assumir esta responsabilidade.

NOTA: O texto de Lucas 22.35-36, mostra que as provisões de que fala este versículo 4 eram temporais, e também revela a lição que Jesus queria ensinar por meio de suas proibições: “A seguir Jesus lhes perguntou: Quando vos mandei sem bolsa, sem alforje e sem sandálias, faltou-vos porventura alguma coisa? Nada, disseram eles. Então lhes disse: Agora, porém, quem tem bolsa, tome-a, como também o alforje; e o que não tem espada, venda a sua capa e compre uma”. Situações diversas requerem provisões diferentes, mas as lições dadas por Jesus permanecem.

ii) Habitação e alimentação (Lc 10.5-8)

“Ao entrares numa casa”. As regras sociais no oriente, acerca da hospitalidade, abririam muitas casas aos discípulos, mas Jesus queria que estes procurassem certos indivíduos, que mostrassem simpatia pelo seu ministério e pelos seus propósitos (“Indagai quem neles é digno” – Mt 10.11). Alguns comentaristas explicam simplesmente que eles deveriam procurar pessoas capazes de arcar com as despesas da viagem e da visita; e parece que isto faz parte do sentido da instrução, mas também parece que Jesus indicou que só as pessoas que simpatizassem pelo trabalho dos discípulos – provavelmente conhecidas como pessoas piedosas – seriam dignas de receber as visitas dos enviados de Jesus. Jesus parece indicar que era grande privilégio alguém receber a visita dos seus discípulos. A companhia deles serviria de benefício mútuo, e, sobre tais circunstâncias, a dificuldade do trabalho seria menor.

“Permanecer na mesma casa”. Jesus queria que seus discípulos fossem mensageiros, não mendigos. Não deveriam andar sem destino, à procura dos alojamentos mais confortáveis e da companhia mais agradável.

“Comendo e bebendo do que eles tiverem”. Jesus ensina aqui, claramente, que os obreiros devem receber o sustento físico daqueles que são beneficiados por seu ministério. Há aqui uma recomendação muito importante e que alguns obreiros parecem desconsiderar; eles devem participar do cardápio normal da família e não esperar manjares ou banquetes.

“Digno é o trabalhador do seu salário”.  Isso equivale ao que se diz em Mateus 10.10,“…Digno é o trabalhador do seu alimento”. Lucas diz “salário”, em lugar de “alimento”, mas está em foco a mesma ideia. Essa é uma das poucas declarações de Jesus, que Paulo citou (ver 1Co 9.7, 14; 1Tm 5.18). Naturalmente a ideia já se achava no Antigo Testamento, e Paulo poderia estar fazendo dali um empréstimo, e não diretamente a Jesus (Dt 25.4). É a primeira vez que encontramos a palavra “salário” referindo-se ao trabalho de um servo de Deus. Paulo, entretanto, abriu mão do seu direito e trabalhava com as mãos para não ser pesado a ninguém e para dar o exemplo. Desta forma podia gozar de mais liberdade em seu ministério, além de evitar constrangimentos e falatórios (1Co 9.12).

3.3 Sua Urgência

“E a ninguém saudeis pelo caminho”. O Senhor não pretendia que eles fossem descorteses. As saudações orientais eram cerimoniosas e consumiam tempo, e a necessidade da pressa justificaria a negligência a essas “etiquetas sociais”. As palavras mostram a necessidade de total devoção à missão; e isso concorda com todas as ordens registradas no contexto geral.

3.4 Seu Serviço

“Curai os enfermos…..anunciai…”. Imitando o que Jesus e os doze já haviam feito. Cristo conferiu aos seus discípulos o poder de curar como parte do seu ministério. Não há nenhuma indicação de que todos eles ficassem de posse desse poder, permanentemente. No Pentecostes, o Espírito Santo desceu sobre os discípulos e distribuiu dons aos homens. Ainda hoje os discípulos de Jesus podem ser usados para esses dois serviços (Mc 16.15-18):

1º) Operar os sinais que demonstram a vinda do Reino;

2º) Proclamar a mensagem de Salvação.

3.5 Sua Rejeição

A narrativa de Lucas 10.10-12 apresenta um “ritual de rejeição” mais elaborado. Além de bater o pó proveniente da “cidade dos rejeitadores”, e de fazer uma espécie de pequeno discurso formal, os missionários cristãos deveriam assegurar-lhes que tinham perdido grande oportunidade, pois o “Reino de Deus” chegara perto deles, na forma de seus mensageiros. Desse modo, a mensagem de misericórdia se transmuta em “sentença condenatória”, quando é ignorada ou repelida.

“Haverá menos rigor para Sodoma…”. Para os judeus, “Sodoma e Gomorra” eram símbolos de cidades ou indivíduos especialmente pecaminosos e, ao mesmo tempo, símbolo do juízo de Deus contra tais. Jesus mostrou que nem mesmo Sodoma e Gomorra mereciam julgamento tão severo como aqueles que rejeitam o Messias, o seu Reino e os seus discípulos. O ensino de Jesus, neste ponto, inclui ideias que a rejeição da luz, quanto mais brilhante ela for, trará julgamento mais severo, e que quanto maior for a luz recebida, maior será a responsabilidade do indivíduo.

Sodoma contou apenas com o fraco testemunho de Ló. Mas as cidades da Galiléia gozaram do testemunho dado pelo próprio Messias. Provavelmente os pecados dos habitantes de Sodoma e Gomorra eram mais graves e numerosos do que os dos habitantes da Galiléia. Mas o julgamento dos habitantes da Galiléia seria mais severo, em face de terem ouvido a mensagem mais ampla do mensageiro divino. É possível que nesses ensinos, Jesus tenha incluído a ideia de Julgamentos terrestres, isto é, tipos de juízo como os que foram sofridos por Sodoma e Gomorra, e não somente um juízo vindouro. Alguns intérpretes acham só este último sentido no texto, mas a verdade é que Jesus pode ter indicado mais do que isto.

Conclusão:

É uma bênção e privilégio poder participar da missão de levar o Evangelho à toda a criatura! No relato do regresso dos setenta (Lc 10.17-24), há alguns pontos de alerta a se considerar. Eles retornaram exultantes pelo poder de operar sinais, de submeter demônios. Ser capacitado e usado por Deus pode insuflar nosso ego, fazer-nos pensar de nós mesmos além do que convém. Jesus os adverte quanto ao objeto da verdadeira alegria – a salvação eterna. Nossa alegria consiste em glorificar a Deus, anunciar o Evangelho e contemplar os frutos do penoso trabalho do Servo Sofredor (Jesus): “Ele verá o fruto do penoso trabalho de sua alma e ficará satisfeito;” (Is 53.11). Vidas salvas e transformadas alegram o coração de Deus e deve alegrar o nosso também.

Gerando Discípulos – Crescimento na Fé

Introdução:

Na Grande Comissão (Mt 28.19-20), Jesus deixou para a igreja três importantes instruções: (i) Fazer discípulos; (ii) Batizá-los; e, (iii) Ensiná-los. Nenhuma dessas partes, ou ordens, ou instruções deve ser negligenciada pela igreja. Nessa pós-modernidade em que vivemos, muitas igrejas têm se preocupado mais em manter templos cheios, do que com discípulos que guardam e praticam “todas as coisas que eu (Jesus) vos tenho ordenado”.

“Durante a Idade de Ouro da Grécia, o jovem Platão podia ser visto caminhando pelas ruas de Atenas em busca de seu mestre: o maltrapilho, descalço e brilhante Sócrates. Aqui, provavelmente, estava o início de um discipulado. Sócrates não escreveu livros. Seus alunos escutavam atentamente cada palavra que ele dizia e observavam tudo o que ele fazia, preparando-se para ensinar a outros. Aparentemente, o sistema funcionou. Mais tarde, Platão fundou a Academia, onde Filosofia e Ciência continuaram a ser ensinadas por 900 anos. Jesus usou relacionamento semelhante com os homens que ele treinou para difundir o Reino de Deus. … Discípulo é o aluno que aprende as palavras, os atos e o estilo de vida de seu mestre com a finalidade de ensinar outros.” (Keith Phillips).

Através do discipulado, Deus entretece uma cadeia que começa em Cristo e se desenvolve através dos seus seguidores, alcançando cada geração, até à volta de Cristo: “E o que de minha parte ouviste através de muitas testemunhas, isso mesmo transmite a homens fiéis e também idôneos para instruir a outros.” (2Tm 2.2)

Neste estudo vamos abordar alguns aspectos do crescimento na fé, do discípulo de Cristo.

1. QUAL A CONDIÇÃO ESSENCIAL PARA CRESCER?

Por mais óbvio que possa parecer, vale lembrar que é preciso ter vida para poder crescer. Seres inanimados, coisas mortas, não podem crescer. As coisas mortas podem até aumentar de tamanho, por superposição de outros materiais. Em se tratando de pessoas, quando não se tem a vida que vem do alto, as práticas religiosas são como camadas revestindo coisas mortas. Tais pessoas foram definidas por Jesus como sepulcros caiados (Mt 23.27).

O discipulado começa quando uma pessoa é regenerada pelo Espírito Santo, nascendo de novo – “logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim;” (Gl 2.20). É importante ressaltar em que momento acontece esse início; sem dúvida é quando a pessoa se torna cristã. “Muitíssimas pessoas acham que você se torna cristão vivendo a vida cristã. Absolutamente NÃO! É preciso que primeiro você se torne cristão, antes de poder viver a vida cristã.” (William Mac Donald)

2. POR QUE CRESCER?

2.1 É a lei da natureza

No mundo físico no qual estamos inseridos, as árvores frutíferas seguem o ciclo da germinação, crescimento e produção de frutos. Com os seres vivos não é diferente; é a lei da vida. Nas palavras de Jesus, esse processo natural dita a regra para o processo espiritual: “Todo ramo que, estando em mim, não der fruto, ele o corta; e todo o que dá fruto limpa, para que produza mais fruto ainda.” (Jo 15.2).

2.2 É uma questão de sobrevivência

Há uma expressão, em inglês, Grow up or Blow up (ou você cresce ou desaparece) bastante interessante. Não há como manter-se estagnado, estacionado; ou se está crescendo, ou se está diminuindo, porque as coisas ao nosso redor estão num processo contínuo de desenvolvimento. Quando não há crescimento na vida cristã, individual ou coletivamente, isso gera frustração e reprimenda, por parte da liderança (Hb 5.12) e ameaça o corpo de Cristo, a igreja (1Co 3.1-3; Gl 5.15).

2.3 É a vontade de Deus  

A vontade de Deus é sempre boa, agradável e perfeita (Rm 12.2), e deve ter sempre a primazia em nossa vida. O discípulo de Cristo é convocado e desafiado a crescer: “antes, crescei na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.” (2Pe 3.18a). É um crescimento em várias áreas:

i) Crescimento na graça do Senhor (2Pe 3.18a).
ii) Crescimento no conhecimento do Senhor (2Pe 3.18a).
iii) Crescimento em amor, uns para com os outros (1Ts 3.12).

3. COMO CRESCER?

Como ajudar um irmão a crescer na fé? Para acontecer o crescimento saudável do discípulo de Cristo, há uma confluência de fatores relevantes e determinantes. Como se dá esse crescimento?

3.1 Sobrenaturalmente

Se o discípulo é uma nova criatura em Cristo, habitado pelo Espírito Santo, tem vida espiritual, esse mesmo Espírito age nele e na igreja, com vistas ao crescimento. O apóstolo Paulo assim nos ensina a respeito desse crescimento sobrenatural: “Eu plantei, Apolo regou; mas o crescimento veio de Deus. De modo que nem o que planta é alguma coisa, nem o que rega, mas Deus, que dá o crescimento.” (1Co 3.6-7). “…, da qual todo o corpo, suprido e bem vinculado por suas juntas e ligamentos, cresce o crescimento que procede de Deus.” (Cl 2.19)

3.2 Naturalmente

Os seres vivos crescem e se desenvolvem, naturalmente. Jesus afirmou: “Considerai como crescem os lírios do campo: eles não trabalham, nem fiam.” (Mt 6.28b). Jesus chama a atenção para esse processo natural e espontâneo de crescimento. Mesmo sendo um processo natural estabelecido pelo Criador, esse crescimento também depende de algumas condições ambientais, tais como: solo, sol, água, ar etc. Na Bíblia, o justo ou o cristão é comparado a uma árvore (Sl 1.3). Da mesma forma, havendo vida espiritual, o crescimento do discípulo é natural e espontâneo. Entretanto, há alguns aspectos essenciais para esse crescimento, tais como:

i) Ambiente adequado.

A igreja precisa zelar no sentido de manter um ambiente agradável e favorável ao crescimento do discípulo. Há ambientes que ele será obrigado a frequentar, como o da escola, trabalho etc. Nesses, ele precisa ser forte, não se contaminando e sendo sal da terra e luz do mundo. Entretanto, há outros, que ele pode e deve evitar (Sl 1.1). Finalmente, há aqueles que ele pode e deve tornar adequados (Sl 1.2).

ii) Alimentação saudável

Os seres vivos se alimentam e o tipo de alimento ingerido afeta diretamente o crescimento. Nossa dieta espiritual mais rica é a leitura (e meditação) da Palavra de Deus: “desejai ardentemente, como crianças recém-nascidas, o genuíno leite espiritual, para que, por ele, vos seja dado crescimento para salvação,” (1Pe 2.2). Ela é alimento e agente de purificação: “para que a santificasse, tendo-a purificado por meio da lavagem de água pela palavra,” (Ef 5.26; comp. Jo 15.3).

iii) Respiração

A oração é a respiração da alma. A oração deve ser como a respiração: contínua e natural. Ela nos mantém espiritualmente vivos. Nem sempre precisamos usar palavras; podemos nos quedar na presença de Deus.

iv) Exercício

Nosso corpo se mantém sadio, nossos músculos se desenvolvem, se nos exercitarmos. Uma fé sem obras é morta. O discípulo precisa praticar a adoração a Deus, testemunhar a sua fé e servir o próximo.

v) Descanso

O estresse gerado pelas preocupações e medos, adoece o corpo e a mente. Até mesmo o ativismo cristão é condenável e prejudicial. Assim como o corpo necessita de descanso, do sono restaurador, nosso ser precisa se aquietar e descansar no Senhor e na força do seu poder. A Bíblia diz: “Descansa no SENHOR e espera nele…” (Sl 37.7); “Inútil vos será levantar de madrugada, repousar tarde, comer o pão que penosamente granjeastes; aos seus amados ele o dá enquanto dormem.” (Sl 127.2).

3.3 Sacrificialmente

Embora não se fale muito sobre a chamada “dor do crescimento”, na medicina ela é descrita como “uma sensação dolorosa recorrente, sem causa específica, que recebeu esse nome por se manifestar em uma fase crucial do desenvolvimento físico – especialmente entre 3 e 8 anos. Os médicos acreditam que de 5% a 15% da população infantil enfrente o problema pelo menos uma vez na vida.”

Crescer espiritualmente também acarreta “alguma dor” que é incomparavelmente menor do que as dores de um viver sem Cristo, de uma vida pecaminosa. O verdadeiro discípulo cristão precisa ter um compromisso total com o Senhor Jesus Cristo. Isso implica num modo de vida diferenciado que, ao mesmo tempo que lhe traz crescimento e maturidade na fé, e a bênção de Deus, leva a uma luta espiritual, sem tréguas. Alguns desses aspectos são:

i) Decisão por Cristo

Ter Cristo em primeiro lugar na vida, significa que nada e ninguém é mais importante do que ele. Essa é uma condição estabelecida pelo próprio Senhor, para o discipulado: “Se alguém vem a mim e ama o seu pai, sua mãe, sua mulher, seus filhos, seus irmãos e irmãs, e até sua própria vida mais do que a mim, não pode ser meu discípulo.” (Lc 14.26NVI). Em algum momento, circunstância ou situação essa opção por Cristo pode trazer alguma dor, pois somos humanos. Não são poucos os casos de conflitos familiares, ou desprezo, ou abandono, porque tomou-se a decisão de seguir a Cristo.

ii) Abnegação

“Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue,….” (Mt 16.24). Se Jesus é o Mestre e Senhor, se queremos ser como ele e viver como ele, não há como fazer isso se não renunciarmos a nós mesmos e nos submetermos a ele, à sua vontade, aos seus ensinos, ao seu estilo de ser e agir.

iii) Renúncia aos bens terrenos

“Assim, pois, todo aquele que dentre vós não renuncia a tudo quanto tem não pode ser meu discípulo.” (Lc 14.33). Jesus não está ensinando aqui que para ser seu discípulo é necessário se desfazer de todos os bens materiais. Por outro lado, a pobreza não é passaporte para a eternidade. O fato é que o discípulo de Jesus não pode amar a riqueza ou os prazeres lícitos deste mundo, mais do que a Deus. Somos mordomos de Deus e devemos investir na sua obra segundo o muito ou pouco que ele nos dá.

iv) Pagar o preço

“Se alguém quer vir após mim, …., tome a sua cruz e siga-me.” (Mt 16.24). Quando seguimos a Cristo, passamos a andar na contracultura da sociedade secular. Certamente teremos enfrentamentos frequentes por conta disso e precisamos tomar a decisão deliberada de pagar o preço dessa conta. A cruz aqui não é uma enfermidade física, uma fraqueza de caráter, uma perda irreparável, um fracasso etc, coisas essas que podem acontecer com qualquer pessoa. A cruz é a vergonha da cruz: a perseguição, o desprezo, a indiferença, as críticas sofridas por trilharmos o caminho apertado (Mt 7.14).

Conclusão:

Fazer discípulos e ensiná-los é tarefa indelegável da igreja, na qual todo cristão deve estar engajado. Jesus é o modelo e referencial a ser seguido; nenhuma figura humana, do presente ou do passado, pode ocupar esse lugar.  Para crescer na fé é preciso primeiramente nascer do alto. O crescimento espiritual obedece a uma lei natural, é uma questão de sobrevivência, mas, acima de tudo, é a vontade do nosso Pai Celeste. Qual o pai ou mãe que não deseja que seus filhos cresçam? O crescimento é um processo sobrenatural, natural e sacrificial. Depende de Deus, a família e a igreja participam, mas depende, também, da vontade, do empenho e da dedicação de cada discípulo.

Cada discípulo é desafiado a crescer e a ajudar outros a crescerem. “E sabeis, ainda, de que maneira, como pai a seus filhos, a cada um de vós, exortamos, consolamos e admoestamos, para viverdes por modo digno de Deus, que vos chama para o seu reino e glória.” (1Ts 2.11-12)

Bibliografia:

SWEETING, George. Os primeiros passos na vida cristã. Ed. Mundo Cristão, 1976.
MAC DONALD, William. O discipulado verdadeiro. Ed. Mundo Cristão, 1975.
PHILLIPS, Keith. A formação de um discípulo. Ed. Vida, 1981.

O papel do Espírito Santo na pregação

A IDENTIDADE DO CORPO
         O papel do Espírito Santo na pregação
         Texto Base: Efésios 4.4-6; João 14.17; Mateus 10.20

Introdução:

Todos sabemos que de um só (Adão) Deus fez toda a raça humana, para habitar sobre a face da terra (At 17.26). Entretanto, dentre esses, ele mesmo, em Cristo, separou e reuniu para si um povo: “Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz;  vós, sim, que, antes, não éreis povo, mas, agora, sois povo de Deus, que não tínheis alcançado misericórdia, mas, agora, alcançastes misericórdia.” (1Pe 2.9-10). Este povo, também é conhecido como um corpo, constituído por muitos membros (Rm 12.5), com identidade própria e inconfundível. Ele tem um só Senhor, um só Legislador e Juiz (Tg 4.12) que é Deus e Pai de todos; um só Mestre (Mt 23.8), um só Guia (Mt 23.10), um só esposo, que é Cristo (2Co 11.2); um só Espírito, que nos regenera, faz morada em nós e nos une ao Corpo (Jo 3.6; 14.17); uma só fé; um só batismo e uma só esperança.

É através da pregação e do ensino da Palavra de Deus que este Corpo, a Igreja de Cristo, cresce e preserva a sua identidade: “E, assim, a fé vem pela pregação, e a pregação, pela palavra de Cristo.” (Rm 10.17). E essa pregação é muito mais do que um discurso baseado em estratégias de persuasão humanas: “A minha palavra e a minha pregação não consistiram em linguagem persuasiva de sabedoria, mas em demonstração do Espírito e de poder,” (1Co 2.4). Daí, percebe-se a relevância e essencialidade do papel do Espírito Santo na pregação.

Quando se trata de pregação, não se pode deixar de associar a ideia do tripé: PREGADOR x MENSAGEM x OUVINTE. No estudo da Homilética[1], o PREGADOR pode e deve buscar recursos e se aprimorar na tarefa de expor a mensagem. No estudo da Hermenêutica[2], que, de tão próximo se confunde com o termo Exegese[3], o pregador pode e deve buscar recursos para a correta interpretação e explicação do texto bíblico, no preparo da mensagem. A MENSAGEM não é outra, senão o Evangelho, poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê (Rm 1.16). Também é o ensino bíblico que edifica e molda o caráter de um cristão. Por fim, temos o OUVINTE. Como alcançá-lo? Dispor os elementos da mensagem de forma clara, lógica e racional, sequencial e progressiva, estética e emocional, de modo a persuadir o ouvinte é, de fato, algo importante, mas, não suficiente. Pois, “Um sermão é um bocado de pão para ser comido, e não uma obra de arte para ser apreciada” (Phillips Brooks)

Neste estudo, veremos o papel do Espírito Santo agindo na pregação, nesse tripé acima referido, e produzindo o resultado que transforma vidas e glorifica a Deus.

Desenvolvimento:

Façamos este estudo a partir da “teologia de Jesus” sobre o papel do Espírito Santo, exposta nos Evangelhos, e, também, recorrendo aos ensinos nas epístolas. Não vamos nos limitar a estudar o agir do Espírito apenas numa pregação pública, proferida no púlpito de um templo, mas em qualquer lugar e circunstância em que essa pregação, possa ocorrer, com qualquer número de ouvintes.

1. Como é, o agir do Espírito Santo?

1.1 O Espírito é livre para agir (Jo 3.5-8)

Se o novo nascimento ou regeneração é obra do Espírito Santo; se é este mesmo Espírito que convence e produz transformação e mudança de comportamento nos ouvintes; então, pregadores e testemunhas de Cristo precisam ter sempre em mente que ele é livre para agir; e nós, somos apenas seus instrumentos. Ele jamais estará subordinado e circunscrito à nossa vontade; ao contrário, nós é que devemos nos deixar conduzir pela sua soberana vontade e direção.

1.2 O Espírito habita em nós (Jo 14.17, 23)

Nessas palavras proferidas por Jesus está explícito o relacionamento íntimo que o pregador e testemunha de Cristo tem com o Espírito: “vós o conheceis, porque ele habita convosco e estará em vós.”. Enquanto no Antigo Testamento o Espírito agia pontualmente, usando pessoas para a realização de determinados feitos, depois da ascensão de Cristo, o Consolador, foi enviado aos filhos de Deus, no Pentecostes, para habitação permanente nos remidos, unindo-os ao Corpo de Cristo (sua Igreja) e capacitando-os a serem embaixadores do Reino, proclamadores da sua mensagem de salvação a todos os povos. Nessa relação tão sublime e íntima, com o Espírito, desfrutamos do privilégio de conhecê-lo, ainda que de forma limitada, o que, provavelmente, o apóstolo Paulo se referiu como ter a “mente de Cristo” (1Co 2.16).

1.3 O Espírito fala “em nós” e “por nós” (Mt 10.20; Mc 13.11)

Quando Jesus proferiu essas palavras de instrução aos discípulos, referia-se a situações extremas de perseguição e prisão, ocasiões em que eles seriam assistidos pelo Espírito. Certamente a intenção divina não seria apenas de conceder-lhes uma palavra de sabedoria, adequada à situação. Também havia a intenção de que eles testemunhassem de Cristo diante das autoridades (Mt 10.18). Assim sendo, por que razão este mesmo Espírito também não poderia assistir o pregador ou aquele que testemunha de Cristo, em situações normais de evangelização?

A figura do Espírito falando “em nós”, nos remete àquele direcionamento espiritual, do pregador, para definir o assunto, escolher e entender o texto bíblico e escolher as ilustrações. Quem somos nós para fazer essas escolhas, por conta própria? Apenas o Espírito conhece, antecipadamente, o público que estará presente e o que cada pessoa precisa ouvir, “…porque o Espírito a todas as coisas perscruta, até mesmo as profundezas de Deus.” (1Co 2.10-11).

A figura do Espírito falando “por nós”, nos dá a certeza e segurança de que, usando parte ou todo o material preparado, ou trazendo à nossa memória outras ideias e palavras, nossas limitações quanto à exposição verbal e gestual serão superadas, de modo a alcançar o objetivo determinado pelo Senhor. Ao longo da história muitos têm falado da parte de Deus, movidos pelo Espírito (2Pe 1.21).

1.4 O Espírito nos ensina (Lc 12.12; Jo 14.26)

A Bíblia não é como uma obra literária secular qualquer; é a Palavra de Deus! E é Deus mesmo que, através do seu Espírito, nos dá a compreensão exata do seu sentido e aplicação. É maravilhoso verificar como a iluminação do Espírito, agindo sobre os que pregam e ensinam a Palavra de Deus, faz com que sejam extraídos de cada texto bíblico tantas mensagens, ensinos e aplicações para a conversão de pessoas e edificação do povo de Deus. “O homem se agita, mas Deus o conduz”. Tão importante quanto ser ensinado pelo Espírito é ser por ele lembrado do que Jesus disse; daquilo que a Bíblia nos ensinou um dia. Ele nos faz lembrar das verdades eternas e assim as compartilhamos, a tempo e a fora de tempo.

1.5 O Espírito age nos humildes (Lc 10.21)

Se alguém se julga autossuficiente, sábio e instruído, se bastando a si próprio; não deixa espaço para o agir do Espírito na sua vida, ministério e pregação: “…porque ocultaste estas coisas aos sábios e instruídos e as revelaste aos pequeninos.” Conta-se que um jovem pregador subiu ao púlpito para pregar, com a cabeça erguida, entusiasmado, confiante na sua oratória e sermão cuidadosamente preparado. No desenvolvimento da mensagem, percebeu certa frieza no auditório e uma reação bem diferente daquela que esperava. Terminada a mensagem, desceu do púlpito cabisbaixo e frustrado. Foi quando o velho pastor, ao seu lado, lhe sussurrou aos ouvidos: – Se tivesses subido ao púlpito como desceste, terias descido como subiste! A obra não é nossa, mas de Deus, bem como toda a honra e glória pertencem somente a ele. Somos apenas seus cooperadores.

2. Para que, o agir do Espírito Santo?

Encontramos a resposta a essa pergunta nas palavras de Jesus:

2.1 Guiar a toda a verdade (Jo 16.13)

Desde a queda de Adão e Eva, no Éden, a humanidade tem sido desafiada a discernir entre a verdade de Deus e a mentira de Satanás e de seus seguidores. Felizmente, não estamos sós, pois a promessa de Jesus se cumpriu: “quando vier, porém, o Espírito da verdade, ele vos guiará a toda a verdade; porque não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e vos anunciará as coisas que hão de vir.” (Jo 16.13; ver ainda Jo 12.49-50)

2.2 Dar testemunho de Cristo (Jo 15.26; At 1.8)

Jesus é o Filho de Deus, “o resplendor da glória e a expressão exata do seu Ser” (Hb 1.3), o nosso Salvador e Senhor. O Espírito nos foi dado para que pudéssemos testemunhar dele até aos confins da terra: “Quando, porém, vier o Consolador, que eu vos enviarei da parte do Pai, o Espírito da verdade, que dele procede, esse dará testemunho de mim;” (Jo 15.26); “mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra.” (At 1.8). Na primeira pregação da igreja (At 2.14-41), a pregação do Pentecostes, através de Pedro, encontramos os elementos básicos de uma pregação que agrada a Deus: a) Pregador: um pregador cheio do Espírito Santo. b) Mensagem: tem como conteúdo a citação das Escrituras Sagradas e o testemunho de Cristo: encarnado, crucificado, ressuscitado e glorificado. c) Ouvintes: todos os que estavam ao alcance da sua voz, sendo que, quase três mil, movidos pelo Espírito se arrependeram dos seus pecados, foram batizados, receberam o selo do Espírito e foram agregados à igreja.

2.3 Evangelizar, Proclamar Libertação e Curar (Lc 4.18)

“O Espírito do Senhor está sobre mim, pelo que me ungiu para…”. Assim como o Espírito esteve sobre o Senhor Jesus Cristo para a realização da sua missão que incluía evangelização, libertação e cura, foi concedido a nós para darmos continuidade a essa missão. Nós somos a sua boca para falar da parte dele: “Pois o enviado de Deus fala as palavras dele, porque Deus não dá o Espírito por medida.” (Jo 3.34). Nós somos os seus pés para ir por todo o mundo pregando as boas novas de salvação: “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações,…” (Mt 28.19).

Conclusão:

Que Deus nos ajude a compreender e viver essa unidade orgânica e identidade inconfundível do corpo de Cristo, a Igreja. Que, ao sermos chamados para pregar e testemunhar de Cristo, possamos entender claramente o papel do Espírito Santo e o nosso papel. Que nunca percamos de vista que sem o Espírito de Deus nada somos e nada podemos fazer: Ele nos regenera, habita em nós, produz em nosso caráter o “fruto do Espírito” e nos capacita para a realização da sua obra com os seus dons. “Mas um só e o mesmo Espírito realiza todas estas coisas, distribuindo-as, como lhe apraz, a cada um, individualmente.” (1Co 12.11)

[1] Homilética (bíblica): é a arte de pregar o Evangelho, de como preparar e expor um sermão.

[2] Hermenêutica (bíblica): é a ciência da interpretação do texto bíblico, utilizando um conjunto de regras e/ou preceitos e/ou técnicas.

[3] Exegese (bíblica): do grego exegesis (ex + egese = Tirar de dentro para fora), tem o sentido da investigação e explicação do texto bíblico.

A Família e o Mundo

Família santa num mundo caído!     

Introdução          

Ao abordar um assunto tão importante como este, torna-se necessário dar resposta a perguntas como estas:

O cristianismo favorece, incentiva e fortalece a família tradicional?
Família é importante para o indivíduo e para a Sociedade?
Família é um assunto importante no ensino bíblico?
A família tem sido ameaçada pelo mundo moderno? Está sob ataque?

Aqueles que estão familiarizados com o texto bíblico sabem que foi Deus quem instituiu a família. A família é Projeto de Deus e é por ele sustentada, desde de sua origem e enquanto houver seres humanos na face da terra. Assim sendo, muita orientação e instrução quanto ao funcionamento da família pode ser encontrada na Palavra de Deus.

Neste estudo, de forma bem resumida, procuraremos abordar alguns desses aspectos, bem como as ameaças e desafios com que ela está tendo que lidar.

Desenvolvimento:

Por que Deus instituiu a família?

Diferentemente do que acontece com os animais irracionais, que basicamente são orientados pelos seus instintos ou pela “programação mental” (sinapse) previamente definida pelo Criador, a “cria” do ser humano nasce e durante seus primeiros anos de vida é totalmente dependente dos que a geraram. Daí a importância da família no provimento do sustento, da proteção, da formação do caráter e da orientação para a vida.

O que é uma família cristã saudável?

Por definição: “A saúde é um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não consiste apenas na ausência de doença ou de enfermidade.” (OMS/WHO – 1946)

Uma família cristã saudável pode ser descrita como aquela em que há um casamento sólido, cada membro desempenha o seu papel, está suprida em suas necessidades, há convivência harmônica e, sobretudo, há o temor de Deus e o senhorio de Cristo no seu meio.

1. AMEAÇAS E ATAQUES, À FAMÍLIA

1.1 Ameaças e Ataques explícitos

São do tipo que:

a) Tentam reduzir sua importância e desvirtuam sua estrutura.

b) Promovem a corrupção de padrões morais na área da sexualidade:

Divórcio,  Liberação Sexual, Homossexualidade, Ideologia de gênero,  Poliamor e Poligamia e Pedofilia.

1.2 Ameaças e Ataques sutis (sedução)

a) Atraem e desviam a atenção de membros da família para:

O glamour de uma carreira profissional, produzir avidez por entretenimentos e, para a ilusão de relacionamentos não matrimoniais.

1.3 Ameaças e Ataques quase imperceptíveis (ocupação excessiva)

a) Tiram o foco, a prioridade e o tempo para o investimento na família:

Trabalho, Escola, Cursos, Atividades esportivas e sociais, Igreja (ativismo), Viagens, “Telas” ou Janelas de Tecnologia.

2. PADRÃO BÍBLICO PARA A FAMÍLIA

É preciso assimilar, vivenciar e defender os padrões e princípios bíblicos para a família cristã:

2.1 Casamento no Senhor (ideal)

a) No Antigo Testamento a orientação divina era de não casar com estrangeiros (Ex 34.15-16).

b) No Novo Testamento a instrução bíblica era para se evitar o jugo desigual ou casamento misto (2Co 6.14-15).

Em ambos os testamentos o princípio norteador é o de se preservar a fé, pois o cônjuge de outra fé, ou sem a fé no Deus vivo e verdadeiro, poderia ser agente para desviá-lo do caminho do Senhor.

2.2 Relacionamento Marido e Esposa

a) Instruções aos Maridos:

Relacionamento de amor (incondicional e sacrificial)

“Maridos, amai vossa mulher, como também Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela,” (Ef 5.25)
“Assim também os maridos devem amar a sua mulher como ao próprio corpo. Quem ama a esposa a si mesmo se ama.” (Ef 5.28)
“Não obstante, vós, cada um de per si também ame a própria esposa como a si mesmo, ….” (Ef 5.33a)

Relacionamento respeitoso (não lhe impingindo aflição)

“Maridos, amai vossa esposa e não a trateis com amargura.” (Cl 3.19)

Relacionamento participativo (com bom senso e clareza, com dignidade)

“Maridos, vós, igualmente, vivei a vida comum do lar, com discernimento; e, tendo consideração para com a vossa mulher como parte mais frágil, tratai-a com dignidade, porque sois, juntamente, herdeiros da mesma graça de vida, para que não se interrompam as vossas orações.” (1Pe 3.7)
“Ora, se alguém não tem cuidado dos seus e especialmente dos da própria casa, tem negado a fé e é pior do que o descrente.” (1Tm 5.8)

Relacionamento de líder e sacerdote espiritual

“Quero, entretanto, que saibais ser Cristo o cabeça de todo homem, e o homem, o cabeça da mulher, e Deus, o cabeça de Cristo.” (1Co 11.3)

b) Instruções às Esposas:

Relacionamento de respeito e amor

“… e a esposa respeite ao marido.” (Ef 5.33b)
“a fim de instruírem as jovens recém-casadas a amarem ao marido e a seus filhos,” (Tt 2.4)

Baseados nas instruções de Paulo aos efésios, alguns pregadores chegam a afirmar que o marido deve amar a esposa e esta, apenas respeitá-lo. Entretanto, o mesmo apóstolo dirime todas as dúvidas quando escreve a Tito e deixa claro que a esposa também deve amar ao marido e aos filhos.

Relacionamento de submissão

“As mulheres sejam submissas ao seu próprio marido, como ao Senhor;” (Ef 5.22)
“Como, porém, a igreja está sujeita a Cristo, assim também as mulheres sejam em tudo submissas ao seu marido.” (Ef 5.24)
“Esposas, sede submissas ao próprio marido, como convém no Senhor.” Cl 3.18)
“a serem sensatas, honestas, boas donas de casa, bondosas, sujeitas ao marido, para que a palavra de Deus não seja difamada.” (Tt 2.5)
“Mulheres, sede vós, igualmente, submissas a vosso próprio marido, para que, se ele ainda não obedece à palavra, seja ganho, sem palavra alguma, por meio do procedimento de sua esposa,” (1Pe 3.1)

Não são poucas as citações bíblicas instruindo a esposa a ser submissa ou sujeita ao marido. Pode-se dizer que esta era uma questão pacífica desde o início da família, quando assim Deus estabeleceu a autoridade de gênero (Gn 3.16). Depois de quase 6 milênios e como decorrência da insistente e progressiva expansão do movimento feminista em todo o mundo, as nações estão reformulando suas posições, bem como outros princípios e valores do cristianismo. A pressão e influência da sociedade secular sobre a igreja é tão grande que pode-se prever que, num futuro próximo, apenas um remanescente permanecerá fiel às Escrituras. (Comp. 1Tm 2.8-15)

Entretanto, é preciso ressaltar que:

a) Desde a eternidade, Deus é Pai e o céu é um lar. Ardilosamente tenta-se impor a figura de Maria “mãe de Deus”.

b) Desde a eternidade há uma cadeia de autoridade (1Co 11.3):

DEUS > CRISTO > HOMEM > MULHER

c) Essa cadeia somente funcionará satisfatoriamente se todos os elos forem respeitados.

d) Quando se sujeita ao que vem antes, se legitima o exercício da autoridade sobre os que veem depois. (Ex.: Lc 7.1-10 – centurião)

e) Quando se sujeita ao que vem antes, recebe-se autoridade como se fosse este.

f) Quando a esposa está em submissão ao marido, ela tem a autoridade dele, que é a de Cristo e que é a autoridade de Deus.

g) Quando a cadeia é quebrada em algum ponto, há quebra de autoridade, anarquia, desordem e rebelião.

h) Submissão, não inferioridade. A referência é o relacionamento entre Deus-Pai e Deus-Filho. Quando isso é entendido, o sentimento de inferioridade desaparece.

i) Aparente contradição:

“Eu e o Pai somos um” (Jo 10.30).
“…porque o Pai é maior do que eu” (Jo 14.28; ver tb Fp 2.5).

– Enquanto houver submissão, permanecerá a união.
– No plano divino, o homem e sua mulher são uma só carne.
– A cabeça necessita do apoio do pescoço, assim como o marido precisa do apoio da sua esposa.

j) O Pai sente prazer em honrar o Filho; o Filho, por sua vez, honra e exalta o Pai. Da mesma forma o marido deve ter prazer em honrar sua esposa. Quando a esposa é tratada assim, tem grande chance de corresponder, honrando e exaltando o marido.

k) Cristo é o resplendor da glória do Pai (Hb 1.2-3). Da mesma forma a mulher é a glória do homem (1Co 11.7).

l) Quando a esposa age como a mulher virtuosa (Pv 31), o marido é estimado na sociedade (Pv 31.23).

m) Quando o marido a respeita e reconhece seu valor, o seu trabalho, todos saem ganhando (Pv 31.28).

c) Instruções ao Casal:

“mas, por causa da impureza, cada um tenha a sua própria esposa, e cada uma, o seu próprio marido.” (1Co 7.2)
“O marido conceda à esposa o que lhe é devido, e também, semelhantemente, a esposa, ao seu marido.” (1Co 7.3)

Homem e mulher necessitam do companheirismo, apoio, satisfação sexual e vivência familiar proporcionados pelo casamento instituído por Deus. A perpetuação da espécie humana depende da procriação responsável, como fruto e herança de um casamento abençoado por Deus.

“Porque o marido incrédulo é santificado no convívio da esposa, e a esposa incrédula é santificada no convívio do marido crente.” (1Co 7.14a)

Quando um dos cônjuges se torna cristão e o outro não, isso não é motivo para a separação do casal (1Co 7.12-13). O cristão deve usar de sabedoria e buscar a santificação deste relacionamento.

“Digno de honra entre todos seja o matrimônio, bem como o leito sem mácula; porque Deus julgará os impuros e adúlteros.” (Hb 13.4)

Além dos cônjuges se guardarem exclusivamente um para o outro, o casal deve preservar e guardar os limites da santidade e moralidade cristã neste relacionamento.

2.3 Relacionamento Pais e Filhos (Ef 6.1-4)

a) Instruções aos Filhos:

“Filhos, obedecei a vossos pais no Senhor, pois isto é justo.” (Ef 6.1)
“Filhos, em tudo obedecei a vossos pais; pois fazê-lo é grato diante do Senhor.” (Cl 3.20)

Obedecer: em que situações? até quando?
No Senhor, isto é, quando for para descumprir a Lei de Deus ou a Lei dos Homens, não!

“Honra a teu pai e a tua mãe (que é o primeiro mandamento com promessa, para que te vá bem, e sejas de longa vida sobre a terra.” (Ef 6.2-3)
“Mas, se alguma viúva tem filhos ou netos, que estes aprendam primeiro a exercer piedade para com a própria casa e a recompensar a seus progenitores; pois isto é aceitável diante de Deus.” (1Tm 5.4)

O que significa honrar?
Respeitá-los, admirá-los, manter contato, cuidar deles nas suas necessidades, ampará-los etc.

É interessante o fato de não haver ênfase bíblica quanto aos filhos amarem seus pais. Se equivocam os pais que buscam ser amados pelos filhos mais do que ser por eles honrados.

b) Instruções aos Pais:

“E vós, pais, não provoqueis vossos filhos à ira, mas criai-os na disciplina e na admoestação do Senhor.” (Ef 6.4)
“Pais, não irriteis os vossos filhos, para que não fiquem desanimados.” (Cl 3.21)

O que significa não irritar ou não provocar ira nos filhos?
Não é deixar de impor limites nem deixar de discipliná-los. É não usar de coerência, bom senso. É abuso de autoridade. É usar castigo desproporcional. É humilhá-lo particularmente ou em público. É fazer comparações de conduta ou de desempenho, dele com outros, de forma a depreciá-lo.

c) Instruções ao Pai:

“e que governe bem a própria casa, criando os filhos sob disciplina, com todo o respeito” (1Tm 3.4)
“O diácono seja marido de uma só mulher e governe bem seus filhos e a própria casa.” (1Tm 3.12)

Essas recomendações do apóstolo não se aplicam apenas aos pais que almejam o pastorado, o presbiterado ou o diaconato na igreja. É para todos, pois precisam saber governar bem a sua casa.

Conclusão:

Considerando que o mundo vai de mal a pior, que a cada dia mais se afasta dos princípios e valores cristãos, então o desafio de conduzir nossas famílias nos padrões bíblicos também cresce e se agiganta a cada dia que passa. Assim, precisamos seguir em frente, firmes no Senhor e na sua Palavra, incentivando-nos e ajudando-nos uns aos outros.

Se a família é projeto de Deus, então não há motivo para se render nessa batalha contra o mal e contra o erro, pois Jesus nos prometeu que não estaríamos sozinhos: “…E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século.” (Mt 28.20b); “E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, a fim de que esteja para sempre convosco,” (Jo 14.16). E o apóstolo Paulo acrescenta: “Em todas estas coisas, porém, somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou.” (Rm 8.37)

Por fim, vale lembrar que fomos chamados por Deus para fazermos a diferença no lugar onde estamos, para sermos sal da terra e luz do mundo (Mt 5.13-14). Então, precisamos viver vidas santas, bem como, praticar e difundir o plano de Deus para a família, sem nunca ceder às pressões de um mundo caído.

Como ser íntegro hoje em dia

(O caso Daniel)

Introdução          

“Agora, pois, temei ao SENHOR e servi-o com integridade e com fidelidade;” (Josué 24.14a)
“Então, os presidentes e os sátrapas procuravam ocasião para acusar a Daniel a respeito do reino; mas não puderam achá-la, nem culpa alguma; porque ele era fiel, e não se achava nele nenhum erro nem culpa.” (Daniel 6.4)

Integridade é o estado ou característica de alguém ou algo que está inteiro, que não sofreu qualquer diminuição; aderência firme a um código de valores; plenitude, inteireza, completude, unidade, totalidade. A integridade, ou a falta desta, é relevante, pelas consequências, em qualquer área da nossa existência.

Nos indivíduos, temos, por exemplo, integridade física ou corporal, mental, moral, espiritual, sentimental, profissional etc. Na Tecnologia da Informação (TI) fala-se em integridade dos sistemas, dos processamentos, da segurança da informação (disponibilidade – o tempo máximo que a informação está disponível; autenticidade – quando mais próxima do texto ou situação original mais autêntica se torna a informação prestada; e, confidencialidade – a garantia de que somente pessoas autorizadas terão acesso a determinada informação. No jornalismo responsável, é preciso zelar pela integridade da fonte da informação; do informante e da própria informação. Nas redes sociais, a avalanche de “fake news” (notícias falsas) é um fenômeno preocupante nessa era da hipermodernidade em que vivemos, capaz de influenciar o ambiente social e político de forma a ameaçar o sistema democrático. Não é sem razão que muita energia tem sido dispendida pelos governos no sentido de buscar uma forma adequada de criminalizar os que se utilizam desse ilegítimo expediente.

Integridade é uma questão que nunca sai da pauta divina e nem da pauta humana. Em certas épocas e determinadas sociedades foi mais ou menos levada a sério, tanto no ambiente secular, como no religioso.

Neste artigo procuraremos estudar “o caso Daniel”, extraindo dele conceitos e ensinamentos para o nosso cotidiano, porque precisamos aplicá-los e fazermos a diferença, pois somos sal da terra e luz do mundo.

A pergunta que precisamos responder aqui é: como ser íntegro hoje, ou em qualquer tempo; e em qualquer lugar (sozinhos, na família, na igreja e na sociedade)?

1. Integridade não é uma questão de opção!

Há um bom tempo atrás assisti uma pequena animação produzida para reflexão em cursos de formação gerencial, “The Divided Man” (O Homem Dividido). O homenzinho seguia sozinho, caminhando estrada afora; nas retas, nas curvas e nas muitas subidas e descidas. Depois de muito caminhar, a estrada à sua frente apresentava uma bifurcação. Ele para, fica confuso e indeciso. Ameaça seguir pela esquerda e retorna. Ameaça seguir pela direita e retorna. Então, acontece o imprevisível: ele se divide verticalmente ao meio e cada parte segue por um dos lados do caminho. Mais adiante aparece a metade que seguiu pela direita, caminhando solitária pela estrada, até que se depara com uma nova bifurcação. Ameaça seguir, novamente, pela direita, porém recua. Aí, vem à sua mente a lembrança e saudade da outra metade que havia seguido pela esquerda. Então, resolve seguir pela esquerda. A caminhada solitária continua até que as duas estradas desembocam numa só e, as duas partes se reencontram. Se entreolham, surpresas com o reencontro, e se aproximam rapidamente na tentativa de se fundirem. Qual não foi a surpresa quando descobriram que não mais se encaixavam, pois uma das partes havia crescido muito mais do que a outra. Mesmo assim, resolvem se fundir e prosseguir, caminhando com dificuldade, como uma criatura híbrida. Quantas lições podem ser extraídas desta singela animação? Algumas, mas, talvez, a principal é que quando você “se divide” nas “bifurcações da vida” sofrerá, mais à frente, consequências sérias e danosas. Podemos destacar, pelo menos duas razões básicas para sermos íntegros, diante de Deus e dos homens:

1ª) Integridade é uma questão de demanda divina

Integridade, retidão e perfeição é o que Deus espera e exige do seu povo. A Abrão, disse: “Eu sou o Deus Todo-Poderoso; anda na minha presença e sê perfeito.” (Gn 17.1b) e a Israel “Perfeito serás para com o SENHOR, teu Deus.” (Dt 18.13). E, Jesus, ratifica: “Portanto, sede vós perfeitos como perfeito é o vosso Pai celeste.” (Mt 5.48); “Não podeis servir a Deus e às riquezas.” (Mt 6.24b). Pode se dizer, também, que é uma imposição da fé cristã que professamos, pois foi para isso que Jesus veio ao mundo e deu a sua vida. Para gerar novas criaturas livres da condenação e do poder (domínio) do pecado. É certo que haverá muita luta interior, da carne contra o espírito e vice-versa (Gl 5.17; Rm 7.15-25; Hb 12.4). Porém, somos mais que vencedores, em Cristo.

Vale lembrar o destaque dado, no registro bíblico, a pessoas consideradas íntegras: Noé (Gn 6.9), Jó (Jó 1.1) e Daniel (Ez 14.20). E, ainda, que o Senhor observa e recompensa o íntegro (Sl 18.25).

2ª) Integridade é uma questão de preservação

Jesus ensinou que um reino, uma cidade, uma casa, divididos contra si mesmos não subsistirão (Mt 12.25; Mc 3.24). Por extensão, uma igreja ou uma pessoa, divididos contra si mesmos não subsistirão (1Co 1.13). Não há emprego que resista quando se está dividido entre as tarefas submetidas pelo empregador e as ocupações extra emprego, no horário de expediente. Não há casamento que resista quando se está dividido entre o seu cônjuge e outra pessoa fora da relação. Não há fé que resista quando se está dividido entre o seguir a Cristo e ceder aos prazeres e paixões ilícitos do mundo (1Jo 2.15-17). O cristão não tem opção ou licença para tomar a decisão do tipo: “– Hoje, ou neste caso, vou abrir uma exceção; amanhã eu volto a ser íntegro.”

2. Marcas de uma vida íntegra

Ao passar os olhos no livro de Daniel, algumas marcas de sua integridade saltam aos olhos:

2.1 Não se contamina (Dn 1.5-8)

Na história de vida de Daniel fica patente a inconfundível verdade de que, mais importante do que o lugar onde você precisa estar (no caso de Daniel, na corte babilônica, por imposição do exílio; no nosso caso, na escola, no trabalho etc, por uma condição de vida na sociedade) é a sua conduta ali. Uma determinação do rei fora imposta sobre ele, mas ele resolveu não se contaminar. Percebam que ele não reagiu à aprendizagem da cultura e língua dos caldeus, mas à alimentação imposta. Em vez de abordar aqui a sua motivação, no que tange à alimentos proibidos na lei mosaica ou a sua solidariedade aos demais cativos judeus vivendo em condições precárias, aproveitemos para considerar a questão da adesão de um cristão a usos e costumes de uma sociedade pagã. Há uns 50 anos atrás, muitos crentes defendiam uma diferenciação dos descrentes a partir do estereótipo (uso de roupas, pintura de cabelo e unhas etc). Por outro lado, hoje em dia, chega-se ao outro extremo. O estereótipo, o exterior é o de menos. O mais grave mesmo é o comportamento mundano de muitos “chamados crentes”; vivem completamente dominados por um estilo mundano de vida. Gente bebendo socialmente, promovendo festas de casamento com danceteria de arrepiar e repertório de escandalizar, vivendo fornicação e adultério, com linguajar corrompido, expondo as questões internas da igreja nas redes sociais, proferindo mentiras e calúnias. Gente que não assume sua fé e se lhe perguntar, desconversa. Bem-aventurados aqueles que, como Daniel, tomam a firme decisão de se manterem puros e íntegros no meio de uma geração corrompida e corruptora!

2.2 Desfruta de íntima comunhão com Deus

Ele ora e incentiva outros a orar (Dn 2.17-18; 6.10; 9.3-23; 10.2, 12). Nessa intimidade, o Senhor lhe revela mistérios em visão à noite (Dn 2.19). Ele glorifica o Senhor reconhecendo seus atributos inigualáveis, seu domínio sobre tudo e sobre todos; como aquele que capacita os seus para toda boa obra (Dn 2.20-23).

2.3 Permanente busca da glória de Deus

Longe de querer chamar a atenção para si próprio, se vangloriando e usurpando a glória de Deus, ele faz questão de atribuir todos os créditos a quem de direito, ao Deus eterno, imortal; invisível, mas real (Dn 2.28). Ele faz isso tão naturalmente e de modo tão convincente que até os incrédulos conseguem reconhecer a majestade de Deus: “Disse o rei a Daniel: Certamente, o vosso Deus é o Deus dos deuses, e o Senhor dos reis, e o revelador de mistérios, pois pudeste revelar este mistério.” (Dn 2.47).

2.4 Presta serviço à comunidade

Quando nos afastamos do pecado, podemos buscar e desfrutar de íntima comunhão com o Altíssimo. Quando estamos em íntima comunhão com Deus ele se revela a nós e nos capacita para a realização da sua obra e para servir à comunidade. Daniel tinha plena consciência de todo o mal que os caldeus fizeram ao seu povo. Simplesmente poderia recusar-se a colaborar com os seus algozes. Entretanto, quando constituído pelo rei, como governador e chefe de toda a província de Babilônia (Dn 2.48-49), viu nessa investidura uma imperdível oportunidade de ser útil ao próximo, de servir com eficiência e justiça, inclusive sendo bênção para os cativos do seu povo. Afinal, ele sabia que o cativeiro duraria 70 anos; então, era melhor ser agente do bem do que vítima do mal. E, na hora que ele é honrado, não se esquece daqueles que o ajudaram.

2.5 Testemunha com coragem e intrepidez

Manter-se íntegro, diante de Deus e dos homens, implica em assumir riscos e passar por provações. Tanto os amigos de Daniel (Dn 3.8-12), quanto o próprio Daniel (Dn 6.4-9; 11-13) foram vítimas de inimigos invejosos que tentaram tirar-lhes a vida, promovendo o confronto entre sua posição e sua fé e integridade para com Deus. Entretanto, eles não se deixaram intimidar pelas terríveis ameaças, testemunhando com coragem e intrepidez sua fé inabalável num Deus que tudo pode; livrar da morte ou deixar perecer (Dn 3.16-18; Dn 6.10). Ser íntegro é estar disposto a tudo perder por amor a Cristo: “Porém em nada considero a vida preciosa para mim mesmo, contanto que complete a minha carreira e o ministério que recebi do Senhor Jesus para testemunhar o evangelho da graça de Deus.” (At 20.24).

2.6 Tem confiança em Deus, em qualquer situação

Não somos capazes de compreender a extensão e os desdobramentos, nos céus e na terra, quando verdadeiramente decidimos confiar em Deus, entregando nossa vida aos seus cuidados, em toda e qualquer situação. Os céus se enchem de júbilo e a terra recebe o impacto da intervenção divina: “Falou Nabucodonosor e disse: Bendito seja o Deus de Sadraque, Mesaque e Abede-Nego, que enviou o seu anjo e livrou os seus servos, que confiaram nele, pois não quiseram cumprir a palavra do rei, preferindo entregar o seu corpo, a servirem e adorarem a qualquer outro deus, senão ao seu Deus.” (Dn 3.28, ver ainda o impacto sobre Dario – Dn 6.25-27).

2.7 É muito amado por Deus

É gratificante saber que a integridade de Daniel não foi em vão; não passou despercebida diante de Deus. Jesus, o servo modelo, mesmo antes de começar seu ministério terreno, ouviu dos céus: “…: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo.” (Mt 3.17). E, Daniel, também teve o privilégio de ser fortalecido, no crepúsculo do seu ministério, com a sublime declaração angelical: “…: Daniel, homem muito amado,…” (Dn 10.11, 19).

Conclusão:

Dietrich Bonhoeffer (1906-1945)(teólogo e pastor) assim se refere à “graça barata” no seu livro Discipulado: “A graça barata é a pregação do perdão sem arrependimento do pecador, é o batismo sem disciplina eclesiástica, é a comunhão sem confissão de pecados, é a absolvição sem confissão pessoal. A graça barata é a graça sem discipulado, é a graça sem cruz, é a graça sem Jesus Cristo vivo e encarnado.” A fé que nada custa, nada vale. Integridade tem seu preço. Não é uma opção e tem marcas próprias. Somos desafiados a seguir o exemplo de Daniel e de tantos outros heróis da fé, mantendo-nos íntegros em todo o tempo e o tempo todo: “Tu, porém, segue o teu caminho até ao fim; pois descansarás e, ao fim dos dias, te levantarás para receber a tua herança.” (Dn 12.13)

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