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ARREPENDIMENTO, a ponta do iceberg

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Uma visão bíblica sobre o assunto.

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A família do profeta Samuel

Texto(s) base: 1Sm 1.1-28; 2.1-10

Introdução

O estudo de hoje focaliza uma família poligâmica constituída, inicialmente. assim: Elcana; suas duas esposas, Ana e Penina; e os filhos de Elcana com Penina. Apesar de ser uma família religiosa, que buscava cumprir as ordenanças da Lei Cerimonial ou Religiosa – a que determina as regras de culto a Deus – na realidade, eles não viviam em paz e harmonia; o que nos leva a pensar que se trata de uma família infeliz. Cada membro dessa família vivia a sua frustação e angústia pessoais. Penina, apesar de ter dado filhos e filhas ao seu marido, por se considerar como “a outra”; menos amada e menos agraciada no recebimento de porções para o sacrifício anual (1Sm 1.4-5). Ana, por ser estéril e por ser provocada contínua e excessivamente pela rival Penina (1Sm 1.2, 5-8). Elcana, por ter que administrar as frustrações e angústias das suas esposas. Certamente os filhos e filhas de Penina, por terem que viver num ambiente familiar tão desagradável como esse. Não é razoável que uma família que serve a Deus viva num ambiente assim!

“As ostras são animais pertencentes ao filo Mollusca e classe Bivalvia, cuja concha é dividida em duas valvas que se unem através de um ligamento. São os únicos animais capazes de produzirem as pérolas, objetos tão apreciados por joalheiros. Não são todas as espécies de ostras que conseguem produzir a pérola, sendo que as que produzem são chamadas de perlíferas, e fazem parte da família Pteriidae (de água salgada) e Unionidae (de água doce). A produção da pérola pela ostra nada mais é do que um mecanismo de defesa do animal, quando ocorre a penetração de corpos estranhos, como grãos de areia, parasitas, pedaços de coral ou rocha, entre a concha e o manto. Quando esse corpo estranho está no interior da ostra, o manto do animal envolve essa partícula em uma camada de células epidérmicas, que produzem sobre ela várias camadas de nácar, originando a pérola. O processo de fabricação de uma pérola pela ostra demora em média três anos, e geralmente elas são retiradas com 12 mm de diâmetro.” [1]

Assim como nem todas as ostras produzem pérolas, nem todas as pessoas são capazes de tirar proveito, se enriquecer e amadurecer espiritualmente quando passam por provações.

 

1. Poligamia e Esterilidade feminina.

Diante de uma narrativa como esta, não se pode deixar de analisar, inicialmente, os temas “poligamia” e “esterilidade feminina” no contexto do Antigo Testamento.

1.1 Poligamia

O termo se refere a casamento com múltiplos cônjuges. É um equívoco afirmar que a poligamia de Elcana era sinal da iniquidade daquela época. Na antiguidade a prática da poligamia era quase universal. O Antigo Testamento (AT) não fundamenta esse tipo de juízo moral. No AT, a poligamia era tolerada, porém não recomendada (Dt 21.15; 25.5-10, lei do levirato). A primeira menção de poligamia na bíblia é a de Lameque (Gn 4.19). Foram polígamos os patriarcas Abraão (Sara, Hagar e Quetura) e Jacó (Lia, Raquel, Bila e Zilpa); os reis Davi e Salomão (várias esposas e concubinas); dentre muitos outros.

Algumas informações interessantes sobre as sociedades que reconhecem, legal e religiosamente, a instituição da poligamia:

a) O ciúme maior entre as esposas não é por questões sexuais, mas pela posição social, número de filhos e favores recebidos do marido.

b) Elas preferem essa forma porque uma co-esposa provê companhia e ajuda no trabalho doméstico.

c) O número maior de esposas indica mais prosperidade financeira e prestígio social, e supre maior força de trabalho.

Outro aspecto a se levar em conta era que, na antiguidade, as inúmeras e constantes guerras dizimavam milhares de homens e desequilibrava o quadro estatístico populacional homens x mulheres.

Nas sociedades ocidentais predomina a monogamia como regime legal. Mas não se pode descartar a “poligamia informal” através de amantes e casos extraconjugais, que caracterizam o pecado do adultério.  

“Nos dias de Jesus, ainda havia a poligamia em Israel, e o divórcio era tão fácil que casamentos plurais, em sucessão, tornaram-se extremamente comuns”[2]. Poligamia e divórcios e novos casamentos fogem do ideal estabelecido por Deus e são prejudiciais à família.

A monogamia é sim o modelo instituído por Deus, desde o princípio (Gn 2.24) e ratificado por Jesus e nas epístolas do Novo Testamento (Mt 19.3-9; Mc 10.1-12; 1Co 6.16; 7.1-2; Ef 5.22-33 e 1Tm 3.2).

1.2 Esterilidade feminina

No oriente e na antiguidade a esterilidade era uma questão muito séria. A mulher estéril sofria de vergonha diante de si mesma e do povo. Na visão teológica popular daquela época uma mulher estéril estava sob juízo divino (Gn 16.2; 30.1-23; 1Sm 1.6, 19-20. Assim, a reversão da esterilidade era considerada um ato de misericórdia através da intervenção divina, como resposta à oração: “Faz que a mulher estéril viva em família e seja alegre mãe de filhos. Aleluia!” (Sl 113.9). Havia outros dois aspectos relevantes que agravavam a problemática da esterilidade, a tal ponto de fomentar, de alguma forma a poligamia. O primeiro era a questão da “imortalidade” através da continuação da linhagem física. Um israelita temia “morrer”, se sua linhagem física fosse descontinuada, devido à ausência de filhos. O segundo era a questão da herança de terras e a perpetuação do patrimônio e do nome da família.

 

2. O cenário dos acontecimentos

Os acontecimentos aqui narrados ocorreram por volta de 1126 a 1115 aC, tendo Samuel nascido em cerca de 1115 aC[3]. Na ocasião o tipo de governo de Israel era Teocrático.

Deus ->

Sacerdotes ->

Juízes ->

Povo

O cenário espiritual da época era caótico. A liderança espiritual, corrompida. Eli, o sacerdote, muito velho, inerte, acomodado, incapaz de pôr limites e de corrigir as prevaricações dos filhos (1Sm 2.22-26; 3.13), incapaz de fazer a diferença entre uma expressão de comunhão íntima com Deus e uma embriaguez (1Sm 1.12-18). Seus filhos, Hofini e Finéias, perversos, chamados de “filhos de Belial” (2.12-17), avaliados pelo Senhor como execráveis (1Sm 3.13).

Apesar desse cenário caótico, de uma liderança acomodada e corrompida, o Tabernáculo estava erguido em Silo (ou Siló), na região central de Israel, na tribo de Efraim. De Gilgal o Tabernáculo foi transferido para Silo, ali permanecendo durante todo o período dos juízes (Js 18.1). O texto bíblico descreve sua posição geográfica: “Então, disseram: Eis que, de ano em ano, há solenidade do SENHOR em Siló, que se celebra para o norte de Betel, do lado do nascente do sol, pelo caminho alto que sobe de Betel a Siquém e para o sul de Lebona” (Jz 21.19). A família de Elcana morava em Ramataim-Zofim (1Sm 1.1), cujo nome reduzido é Ramá (1Sm 1.19), região montanhosa de Efraim e não muito distante de Silo. Estava localizada a uns 15Km de Betel e 32 Km de Jerusalém.

O Tabernáculo erguido ali em Silo era o centro da adoração nacional do povo judeu, antes da construção do Templo por Salomão, algum tempo depois. A “arca da aliança”, símbolo da presença de Deus estava ali. O povo não tinha a liberdade de cultuar em qualquer lugar. A ordenança da lei é que todos deveriam celebrar festa ao Senhor três vezes no ano (Ex 23.14-19; 34.23; Dt 16.16; Lv 23): no 1º mês – Páscoa / Pães Asmos / Primícia; no 3º mês – Pentecostes; e, no 7º mês – Trombetas / Expiação / Tabernáculos.

 

3. Os personagens dessa história

3.1 Penina – Uma mulher rixosa

Pode-se deduzir da narrativa bíblica que Penina, cujo nome no hebraico significa “pedra preciosa”, “pérola” ou “coral”, o que no grego e no latim, é Margaret[4],   tinha uma religiosidade nominal. Parece que ela não fazia jus ao nome que tinha. Era do tipo que apenas acompanhava a família na ida ao Tabernáculo. Suas atitudes de provocação e zombaria para com Ana, a ponto de irritá-la e deixá-la transtornada de modo a perder o apetite, denunciava a sua falta de amor a Deus e ao próximo, pontos basilares da lei mosaica. Pode ser considerada uma mulher rixosa – aquela que tende a causar rixas, brigas; briguenta, brigona[5]. Os quatro textos sobre mulher rixosa encontrados em Provérbios parecem inspirados nesse tipo de gente. Em resumo, pode-se dizer que é melhor morar no canto do eirado, ou em terra deserta, do que junto a ela na mesma casa; pois ela é como o gotejar contínuo no dia de grande chuva (Pv 21.9, 19; 25.24; 27.15).

3.2 Elcana – Um marido pacificador

Samuel foi um personagem importante na história do povo hebreu, pois atuou como juiz, profeta e sacerdote. Na sua época ocorreu a transição do tipo de governo em Israel, de juízes, para a monarquia. Portanto, o escritor bíblico, que é o próprio Samuel, nos deixou esse importante legado biográfico de suas origens, através de seu pai Elcana e de sua mãe Ana. Elcana, que no hebraico significa “Deus se apossou”, ou “Deus criou”[6] era levita, descendente de Coate, mas não da linhagem araônica, conforme descrito na genealogia bíblica, como segue:  Samuel, filho de Elcana, filho de Jeroão, filho de Eliel, filho de Toá, filho de Zufe, filho de Elcana, filho de Maate, filho de Amasai, filho de Elcana, filho de Joel, filho de Azarias, filho de Sofonias, filho de Taate, filho de Assir, filho de Ebiasafe, filho de Coré, filho de Isar, filho de Coate, filho de Levi (Ver 1Cr 6.33-38). Elcana, morava em Ramataim-Zofim ou Ramá, no território da tribo de Efraim, já que os levitas não herdaram terras e habitavam entre os seus irmãos, mas pertencia à tribo de Levi. Era, portanto, levita por descendência e efraimita, por residência. Foi por esse motivo que o seu filho Samuel pôde envolver-se nas atividades do tabernáculo.

Elcana tinha algumas virtudes, a saber:

a) Ele era um homem piedoso.

A narrativa bíblica diz que anualmente, ele reunia toda a família e peregrinava até Silo, para oferecer os sacrifícios ao Senhor, em obediência às ordenanças da lei.

b) Ele era um marido e pai cuidadoso.

Como sacerdote da sua casa, ele não apenas levava as esposas e os filhos. Ele oferecia o seu sacrifício e dava porções para cada membro da família. O exemplo pessoal é fundamental para a edificação da família.

c) Ele era um marido amoroso e compensador.

Como sua esposa Ana era estéril ele procurava compensar sua angústia e frustração dando-lhe porção dupla para o sacrifício, porque a amava (1Sm 1.5). Não sabemos se ele repreendia Penina por sua má conduta em relação a Ana. Nem ao menos sabemos se ele tinha conhecimento dessa provocação. Mas quando viu Ana chorando e sem querer comer, mostrou-se sensível e atencioso, e procurou oferecer-lhe apoio e consolo (1Sm 1.8). Na sua fala “– Não te sou eu melhor do que dez filhos?” fica evidenciado o quanto ele a prestigiava.

d) Ele era um marido sexualmente ativo.

Naturalmente, ele coabitou com Ana, na volta de Silo, com o propósito da procriação, mas não podemos descartar o aspecto da busca do prazer e afeto (1Sm 1.19). Este é outro aspecto que o casal não deve descuidar, para não gerar frustrações conjugais e tentações extraconjugais.

e) Ele era um marido que respeitava sua esposa.

Ele respeitou a vontade de Ana de não subir ao sacrifício anual após o nascimento de Samuel. Ele respeitou a vontade de Ana de só subir quando pudesse apresentá-lo e deixá-lo lá. Também respeitou seu voto de entregar Samuel para ficar no tabernáculo, consagrado ao serviço do Senhor (1Sm 1.21-23). Agindo assim, ele atendia plenamente à recomendação de Pedro aos maridos, quanto a ter consideração para com a sua esposa (1Pe 3.7).

3.3 Ana – Uma mulher de fé

O nome Ana significa, no hebraico, “graça”, “favor”. Ana faz parte da galeria das sete mulheres estéreis que receberam destaque na bíblia, por terem sua situação revertida, a saber: Sara, Rebeca, Raquel, a mãe de Sansão, Ana, a mulher sunamita (2Rs 4.14-16) e Isabel (a mãe de João Batista).

Alguns aspectos relevantes sobre Ana:

a) Ela era uma mulher compreensiva.

É provável que ela tenha sido a primeira esposa de Elcana. Por ser estéril e não dar filhos ao marido deve ter concordado que o marido tomasse outra esposa para lhe dar herdeiros e lhe perpetuar o nome. Não há registro bíblico sobre isso, mas é provável que tenha acontecido desta forma.

b) Ela era uma mulher atribulada de espírito (1Sm 1.15).

Primeiramente porque sua condição de esterilidade era vista naquela época como um castigo divino (1Sm 1.5). Aliado a isso havia a questão da vergonha e humilhação social, por não poder prover descendência ao marido. Por fim, para tornar as coisas insuportáveis, o desprezo e provocações da rival Penina.

c) Ela era uma mulher amada e respeitada.

Certamente, essa atitude de amor e respeito por parte do seu marido foi fundamental para ela conseguir suportar as adversidades e aflições decorrentes da sua situação de esterilidade e provocação doméstica. 

d) Ela era uma mulher de oração.

Acima de tudo, porém, ela colocou sua confiança e fé em Deus. Num tempo de apagão espiritual, ela resolveu não olhar para a liderança espiritual apóstata e corrompida do Tabernáculo. Antes, porém, na sua ansiedade e aflição (1Sm 1.16) buscou a Deus em fervente oração, derramando a sua alma perante o Senhor (1Sm 1.15). Somos orientados pelos apóstolos Paulo e Pedro a agir como Ana: “Não andeis ansiosos de coisa alguma; em tudo, porém, sejam conhecidas, diante de Deus, as vossas petições, pela oração e pela súplica, com ações de graças.” (Fp 4.6); “lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós.” (1Pe 5.7).

e) Ela era uma mulher fiel.

Na sua angústia e aflição Ana foi além, não apenas orou e chorou, mas fez um voto ao Senhor. Se o Senhor lhe desse um filho varão ela o entregaria a ele como “nazireu”, isto é, separado e consagrado a Deus (1Sm 1.10-11). O Senhor ouviu o seu clamor e atendeu à sua oração. E, no tempo certo ela cumpriu o seu voto (1Sm 1.24-28). Quantas pessoas, em momentos de aflição e angústia, fazem tantas promessas a Deus. Porém, quando passa a tempestade existencial, se esquecem completamente dessas promessas e compromissos. Assim, continuam a viver vidas vazias de propósito, cheias de problemas.

f) Ela era uma mulher de louvor.

Depois de entregar seu filho, Ana mostra que além de ser uma mulher de fé, temente a Deus, era grata. Anteriormente ela havia derramado o seu coração diante de Deus, silenciosamente, agora, ela ora, provavelmente de forma audível, diante da congregação, expressando seu louvor a Deus: por sua santidade e unicidade (ou singularidade)(1Sm 2.2); por sua sabedoria (1Sm 2.3); por sua soberania e poder, sobre pessoas e circunstâncias (1Sm 2.4-8); e, pelo seu juízo (1Sm 2.9-10). Aqueles que desfrutam de plena comunhão com Deus, são por ele ouvidos e sustentados, vivendo para a glória do seu nome.

g) Ela era uma mulher recompensada.

A sua fidelidade, no cumprimento do seu voto, bem como a sua atitude de louvor e exaltação a Deus não passaram despercebidos. O Senhor a abençoou e a recompensou com a concepção e nascimento de mais três filhos e duas filhas. Sem dúvida, ela deixa um exemplo de mulher vitoriosa!

Conclusão:

a) Havia convergência de interesses:

Ana precisava de um filho e Deus de um líder (Fp 2.13). A vida só tem sentido se estiver repleta de “Propósitos Divinos”. Deus “precisa” de pessoas para executarem o que está no seu coração e na sua mente (1Sm 2.35). Às vezes, nossas orações não são atendidas porque são egoístas: “..pedis e não recebeis porque pedis mal, para esbanjardes em vossos prazeres” (Tg 4.3)

b) Havia uma parceria de sucesso:

– Ana fez a sua parte – coabitou com seu marido (1Sm 1.19)

– Deus fez a parte dele – liberou o seu ventre (1Sm 1.19)


[1] Mundo educação: https://mundoeducacao.bol.uol.com.br/biologia/formacao-uma-perola.htm

[2] R. N. Champlin, Ph. D. – O Antigo Testamento Interpretado, versículo por versículo.

[3] Reese, Edward; Klassen, Frank – A Bíblia em Ordem Cronológica. Ed. Vida, 2003

[4] R. N. Champlin, Ph. D. – O Antigo Testamento Interpretado, versículo por versículo.

[5] Wikipédia.

[6] R. N. Champlin, Ph. D. – O Antigo Testamento Interpretado, versículo por versículo.

O DNA da Verdadeira Amizade

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Autoridade e Submissão

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Caminhos Maravilhosos e Incompreensíveis

“Há três coisas que são maravilhosas demais para mim, sim, há quatro que não entendo: o caminho da águia no céu, o caminho da cobra na penha, o caminho do navio no meio do mar e o caminho do homem com uma donzela. (Pv 30.18-19)

Introdução:

O que há de tão maravilhoso e incompreensível aqui nessas palavras de Agur? O que há de tão especial nesses quatro caminhos?

1) O caminho da águia no céu

A águia voa veloz e impetuosamente no céu, o seu habitat natural.

Ela vive nos lugares mais altos, mas desce e se alimenta do que está em lugares baixos, sobre a terra.

O céu é vasto; ainda assim, a águia nunca perde o seu ninho.

Tenham um “casamento águia”!

Voem alto! Sonhem alto! Usem seus talentos, imaginação e criatividade. Entretanto, sustentem-se na terra, com os pés firmes no chão da realidade de cada dia.

Voem para longe! Conquistem os céus e a terra; mas nunca percam de vista o lugar do seu ninho, o valor da sua família.

Acima de tudo considerem que o ponto mais alto da existência humana é a proximidade e o aconchego da presença de Deus, daquele que habita num alto e sublime trono (Êx 19.4; Is 57.15), e não a riqueza, o poder, ou o aplauso humano.

2) O caminho da cobra na penha (pedra)

A cobra rasteja sobre a terra, o que não deixa de ser uma limitação natural da sua espécie.

A cobra vive nos lugares mais ocultos, mas se alimenta daquilo que está à vista.

A terra é vasta; ainda assim, há momentos em que a cobra precisa expor-se sobre as rochas.

Tenham um “casamento cobra”!

Tenham consciência das limitações e fragilidades, individuais e das do seu cônjuge. “Eis que eu vos envio como ovelhas para o meio de lobos; sede, portanto, prudentes como as serpentes e símplices como as pombas.” (Mt 10.16). Sejam prudentes. Protejam-se das tentações. Tirem proveito das próprias limitações. Complementem-se. Quando estiverem muito expostos, até mesmo pelas circunstâncias ou oportunidades da vida profissional, social ou eclesiástica, redobrem a atenção.

3) O caminho do navio no meio do mar

O navio flutua e desliza sobre as águas do mar.

O navio transita no mar, mas se ancora em terra firme.

O mar é vasto; ainda assim, o navio chega ao destino certo.

Tenham um “casamento navio”!

O mar da vida conjugal é muito vasto e rico, porém cheio de imprevistos. Ora há bonança, ora há tempestade. A cada novo desafio de vida, isto é, a cada nova saída do porto, tenham certeza de qual é o porto de destino. Planejem bem a viagem da vida familiar e usem todos os instrumentos e recursos para uma boa navegação. Lembrem-se de que a Bíblia é o “Mapa do Viajante” e a “Bússola do Piloto”. Então, corajosamente, soltem o cabo da nau, tomem os remos nas mãos e naveguem com fé em Jesus. Nunca se esqueçam de que Jesus é o comandante e a âncora de um casamento bem-sucedido.

4) O caminho do homem com uma donzela

Homem e mulher caminham juntos sobre o chão do amor.

O casamento vive e sobrevive pelo amor, mas se sustenta em Jesus Cristo.

O caminho do amor pode ser mais vasto do que o céu, do que a terra e do que o mar; desde que, homem e mulher, construam juntos e a cada dia, um pedaço do chão do amor, até o final dos seus dias.

Tenham um “casamento a dois e a três”!

“Casamento a um” é quando a pessoa se casa e continua pensando apenas em si mesma, nos seus interesses pessoais e no seu próprio bem-estar. É preciso renunciar o EU e assumir o NÓS!

“Casamento a dois” é o casamento em que cada cônjuge vive para o outro. O que acontecia no namoro, deve continuar a ser cultivado por toda a vida: o respeito à individualidade do outro; a busca de estar perto do outro; a vontade de tudo fazer para agradar ao outro; o cuidado com o corpo, isto é, com o que se veste, com a forma de falar, para se apresentar sempre atraente para o outro. Enfim, o “tudo ser” e “tudo fazer” para o bem e para conquistar o outro a cada dia. Não permitam que a atenção aos filhos ou a algum parente ou a outra pessoa qualquer, subtraia a atenção devida ao cônjuge. Não permitam que qualquer atividade humana: profissional, social, recreativa ou eclesiástica, extinga essa atenção de um pelo outro. Não permitam que o tempo, a rotina da vida, o desvanecimento da beleza física, reduzam essa atenção de um pelo outro.

“Casamento a três” é o casamento em que, além de cada cônjuge viver para o outro e para a família, acima de tudo, ambos vivem para Deus e Deus habita e caminha no meio deles. “Se alguém quiser prevalecer contra um, os dois lhe resistirão; o cordão de três dobras não se rebenta com facilidade.” (Ec 4.12)

Considerações:

Dedico essa mensagem a todos os recém casados e casados a mais tempo, mas em especial ao meu filho Adolfo e a minha nora Silvana, que se casaram em 04/06/2019. Que sejam uma família bendita do Senhor!

TRABALHO versus SERVIÇO RELIGIOSO

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Uma visão bíblica e jurídica sobre o assunto.

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O ventilador e o casamento

Ventilador soprando sobre um casal de noivos. Véu da noiva esvoaçando e pequenos corações saindo do casal.

As situações que vivenciamos no nosso cotidiano podem ser verdadeiramente pedagógicas e enriquecedoras, na escola da vida. Às vezes precisamos queimar muito fosfato para extrair lições daquilo que nos acontece, outras vezes elas saltam aos nossos olhos e berram aos nossos ouvidos. Um exemplo disso é a história do nosso ventilador que compartilhamos a seguir.

Era uma vez um ventilador de mesa, nem muito grande, nem muito pequeno. Um daqueles facilmente encontrados na casa de pessoas comuns, iguais a você e eu. A marca e a cor? Isso pouco importa, no paralelo que é apresentado aqui. Entretanto, não deixa de ser especial. Por que? Porque podemos chamar de nosso. Porque faz parte do nosso dia a dia. Porque torna a nossa existência melhor. É como o nosso casamento, que é especial, que é nosso, que torna a nossa existência melhor.

Esse ventilador entrou em nossa casa novinho, há muito tempo atrás, quando o ar condicionado nem era tão popular assim. Tão novinho quanto a nova vida que se passa a desfrutar a partir do casamento. Era conectá-lo na tomada, em qualquer cômodo da casa, e ele funcionava muito bem. Nada tínhamos a reclamar, exatamente como no nosso relacionamento nas primeiras semanas ou, quem sabe, primeiros meses de casamento. Tudo em clima de lua de mel. Era ligar e correr para o abraço, ou melhor, para receber um ar fresco.  

E o tempo passou…. E nem tudo funciona bem, o tempo todo e todo o tempo; tanto um ventilador, quanto um relacionamento conjugal. Ao ligar o ventilador, observei que a hélice demorava um pouquinho a girar, mas acabava girando. Depois de um certo tempo é normal acontecer uma pequena travada aqui, outra ali, mas nada tão grave assim. Conversa-se, aparam-se as arestas e a vida segue, o casamento flui.

E o tempo passou…. E agora, nada da hélice girar. Desligar e ligar outra vez, de nada adiantava. Algo tinha que ser feito. Eureka! É claro! Um cuidadoso peteleco na hélice e pronto, ele passava a funcionar. E o peteleco virou rotina ou não teria ar fresco. Você já ouviu falar, ou já viu, ou já vivenciou um casamento que só funciona na base do peteleco? Como assim? A euforia do primeiro amor esvaiu-se. O empenho e dedicação pra fazer as coisas, esmoreceu. As iniciativas positivas, os gestos espontâneos, a demonstração de carinho; desapareceram. Aquela vontade de agradar o cônjuge ficou no passado. O que prevalece agora, nesse relacionamento, é o peteleco da cobrança mútua. E assim, de cobrança em cobrança, o casamento segue adiante, arrastando-se, como pode.

E o tempo passou… E o peteleco se tornou ineficaz, inútil. O ventilador resolveu não funcionar mais. Então, era chegada a hora de ir mais fundo; de arregaçar as mangas e colocar em prática as poucas habilidades técnicas. Desmonta-se a grade de proteção e retira-se a hélice. Aí, evidenciam-se as causas de tal paralisia: fios de cabelo e sujeira em volta do eixo da hélice! Faz-se uma boa limpeza e aplica-se um pouco de lubrificante. Finalmente, terminada a montagem, fica a expectativa: será que vai funcionar? Show! Não é que funcionou igualzinho a quando era novo? Giro imediato, sem engasgo e sem necessidade de peteleco.

Ah, o tempo. Às vezes, tão útil, tão necessário, curando feridas do corpo e da alma, apagando más lembranças de péssimos momentos. Outras vezes, porém, encarnando aquele agente algoz, inimigo cruel, secando a beleza, esfriando o amor, travando os relacionamentos. Quando o relacionamento conjugal trava mesmo é hora de discutir seriamente a relação (DR). Não adianta mais empurrar a sujeira para debaixo do tapete. É hora de limpar a sujeira! É hora de conversar sobre aquilo que aborrece, contraria, gera conflito, causa desgosto e desânimo. É hora de negociar e corrigir o que está errado, resgatar a confiança, o respeito, o carinho e a atenção no lidar com o outro. É hora, também, de “lubrificar o casamento”, para reduzir o atrito e, consequentemente, o desgaste da relação. Como lubrificar um relacionamento conjugal? Não há receita pronta, mas dicas eficazes, interessantes. É necessário investir no cônjuge, no casamento, na família!  É hora de cobrar e reclamar menos e elogiar mais; de promover momentos especiais e românticos, quebrando a rotina; de passear mais, viajar mais, presentear mais; de dedicar mais tempo e atenção ao cônjuge.

E o tempo passou…. Ah, o tempo. Não se cansa, não desiste, não cessa de provocar envelhecimento e desgaste. E assim, aquele mesmo ventilador começou a apresentar os mesmos maus sintomas de antes: demorava um pouco, mas girava. Depois de algum tempo, só girava no peteleco. Passado mais um tempo, travou de vez. Aí, você acha que já sabe como solucionar o problema e resolve desmontar, limpar e lubrificar outra vez. Entretanto, após a montagem e teste de funcionamento acontece a surpresa, o inesperado; o ventilador não funcionou. E agora? O que fazer? Desistir nem pensar! Então, mãos a obra. Desmonta-se tudo, como antes, e mais ainda. Só que falta habilidade e o conhecimento técnico necessários. Então, começam a pular molas e peças, daqui e dali, e a coisa sai do controle. Então, junta-se tudo e leva-se para um profissional da área resolver. E aí, será que resolveu? Não é que o ventilador voltou da manutenção funcionando bem!

Há situações no relacionamento conjugal que escapam ao controle do casal, à sua capacidade de tratar. É nessa hora que o casal precisa admitir que precisa de ajuda externa. Não é fácil perceber quando esse momento chega, nem admitir sua impotência para tratar do assunto. Entretanto, é justamente para isso que pessoas estudam e se preparam: terapeutas de família, pastores, conselheiros matrimoniais.

Ah, o tempo…. Ah, essa nossa mania de culpar o tempo, de culpar o outro. Quem contestará que o vilão não é o tempo, mas os elementos da natureza. É o ar, a oxidação, o calor, a umidade, o atrito mecânico, a reação química, elementos em excesso ou em escassez, dentre outros. Por isso, os objetos e equipamentos se deterioram, com o passar do tempo. Da mesma forma, não é o tempo que destrói os casamentos, os relacionamentos. São as ações e omissões de cada cônjuge; os excessos e a escassez. Não seria o tempo um mero e passivo observador externo? O importante mesmo, enquanto houver fôlego de vida, é acreditar que sempre é tempo de reagir aos desmandos vistos no tempo. Portanto, faça a sua parte e deixe que Deus faça a parte dele. Mesmo sem querer forçar uma analogia, vale lembrar que este ventilador precisava estar ligado na energia da casa para funcionar. De igual forma, um casamento, para funcionar plenamente, precisa estar ligado em Deus, aquele que o instituiu. Que o Senhor Jesus Cristo seja a fonte inesgotável de suprimento para o seu casamento!

Como uma excelente opção para revitalização do casamento, recomendamos a participação do casal no evento de final de semana denominado de “Encontro de Casais com Cristo – ECCC”.

“Porque para todo propósito há tempo e modo; porquanto é grande o mal que pesa sobre o homem.” (Ec 8.6)

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