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O jejum bíblico

1 – O que é jejuar?

Da palavra grega “nestis” (“não comendo” ou “ter o estômago vazio”) se derivam outras duas: “nesteuo”, “jejuar” e  “nesteia” “jejum”. O verbo e o substantivo podem ter o significado mais geral de: “não comer”, “abster-se da comida”, ou “ficar sem comida”, “passar fome”. Estas palavras, no entanto, se empregam mais frequentemente no sentido de um ritual religioso.

“Jejuar” é abster-se de qualquer tipo de comida, durante um período limitado.

2 – Quando surgiu o jejum?

Acredita-se que nas religiões pagãs do mundo antigo, era praticado por medo de demônios, e com a ideia de que o jejum era um meio eficaz para se preparar um encontro com a divindade, pois criava o tipo correto de abertura diante da influência divina.

Em Israel, temos o registro no Antigo Testamento de que Moisés esteve com o Senhor quarenta dias e quarenta noites, nos quais não comeu nem bebeu (Ex 34.28). Entretanto, o jejum, como um rito religioso, aparece pela primeira vez, associado ao rito da purificação, quando era requerido do povo o “afligir a sua alma” no dia da expiação (Lv 16.29, 31; 23.27, 32; Nm 29.7; Is 58.3; Sl 35.13).

“Quanto a mim, porém, estando eles enfermos, as minhas vestes eram pano de saco; eu afligia a minha alma com jejum e em oração me reclinava sobre o peito,” (Sl 35.13)

3 – Qual é o verdadeiro motivo do jejum?

As formas e os propósitos do jejum são numerosos. O jejum se praticava em Israel como preparação para uma conversa com Deus (Ex 34.28; Dt 9.9; Dn 9.3).

a) Era praticado pelo indivíduo, quando se sentia oprimido por grandes dificuldades (2Sm 12.16-23; 1Rs 21.27; Sl 35.13; 69.10; 109.21-27).

“Mas tu, SENHOR Deus, age por mim, por amor do teu nome; livra-me, porque é grande a tua misericórdia. Porque estou aflito e necessitado e, dentro de mim, sinto ferido o coração. De tanto jejuar, os joelhos me vacilam, e de magreza vai mirrando a minha carne.” (Sl 109.21-22, 24)

b) Era praticado pela nação em perigos iminentes de guerra e destruição (Jz 20.26; 2Cr 20.3; Et 4.16; Jn 3.4-10); porque o campo estava assolado (Jl 1 e 2); para obter sucesso no retorno dos exilados (Ed 8.21-23); como rito de expiação de pecados (Ne 9.1); e, finalmente, em conexão com o juízo de Deus já determinado e que não seria interrompido  (Jr 14.11-12).

O jejum e a oração estão constantemente juntos (Jr 14.11-12; Ne 1.4; Ed 8.21, 23).

“Tendo eu ouvido estas palavras, assentei-me, e chorei, e lamentei por alguns dias; e estive jejuando e orando perante o Deus dos céus.” (Ne 1.4)

4 – Com que duração e frequência era praticado o jejum?

O jejum judaico era praticado desde a manhã até à tarde (Jz 20.26; 1Sm 14.24; 2Sm 1.12), embora Ester 4.16 mencione um jejum de três dias.

“Então, todos os filhos de Israel, todo o povo, subiram, e vieram a Betel, e choraram, e estiveram ali perante o SENHOR, e jejuaram aquele dia até à tarde; e, perante o SENHOR, ofereceram holocaustos e ofertas pacíficas.” (Jz 20.26)

A lei israelita ordenava o jejum tão-somente no dia da expiação, no sétimo mês (Lv 16.29-31; 23.27-32; Nm 29.7). Depois da destruição de Jerusalém (587aC), foram determinados quatro dias de jejum como dias de lembrança (Zc 7.3-5; 8.19).

No decorrer do tempo, o significado mais profundo do jejum, como expressão do humilhar-se diante de Deus, foi perdido por Israel. Veio a ser considerada uma realização piedosa, com o fim de obter uma justiça à base de obras de auto retidão. A luta dos profetas contra esta descaracterização e esvaziamento do conceito não logrou êxito (Is 58.3-7; Jr 14.12). Até aos tempos de Jesus, os que eram sérios quanto à religião, especialmente os fariseus, receberam a obrigação de observarem dois dias de jejuns a cada semana (Lc 18.12). Os discípulos de João Batista tinham uma regra semelhante (Mc 2.18).

“jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo de tudo quanto ganho.” (Lc 18.12)

5 – Qual a relação de Jesus com o jejum?

a) O exemplo pessoal

O próprio Senhor Jesus jejuou 40 dias e 40 noites antes de iniciar seu ministério público (Mt 4.2).

b) O momento certo de jejuar

Quando questionado sobre a razão dos seus discípulos não estarem praticando o jejum, Jesus respondeu-lhes: “Podem, porventura, jejuar os convidados para o casamento, enquanto o noivo está com eles? Durante o tempo em que estiver presente o noivo, não podem jejuar. Dias virão, contudo, em que lhes será tirado o noivo; e, nesse tempo, jejuarão.” (Mc 2.18-20). Nesta fala Jesus mostra a insensatez da prática do jejum enquanto ele estivesse com os discípulos. A presença do Messias, das boas novas da salvação que independem das boas obras – tudo isso significa alegria, que é algo incompatível com o jejum judaico. Entretanto, o jejum futuro não foi descartado.

c) A condenação do “jejum ostentação”

No sermão do monte, Jesus não condena o jejum propriamente dito, mas, sim, somente o jejuar com ostentação e hipocrisia (Mt 6.16-18). O jejum não deve ser realizado diante dos olhos dos homens, para aparentar uma super espiritualidade e piedade, mas diante de Deus que vive em segredo e vê o que está no lugar secreto.

d) A busca de autoridade e poder espirituais

Conforme as palavras de Jesus em Mateus 17.21, há certas condições de possessão demoníaca das quais o homem só pode ser liberto “por meio da oração e jejuns”. Deve-se observar que este versículo não se encontra em muitos manuscritos e que no seu paralelo, em Marcos 9.29, apenas se menciona a oração.

6 – Qual a relação da igreja com o jejum?

Na igreja primitiva, a oração era apoiada pelo jejum (At 13.2, 3; 14.23).

“E, promovendo-lhes, em cada igreja, a eleição de presbíteros, depois de orar com jejuns, os encomendaram ao Senhor em quem haviam crido.” (At 14.23)

Talvez, a ausência do assunto nas epístolas do Novo Testamento, exceto as autobiografias de Paulo (2Co 6.5 e 11.27), levam alguns a concluir que a ideia de que o jejum tem valor em si mesmo tenha sido abandonada pela igreja cristã, que retinha a prática do jejum a fim de demonstrar que suas orações eram sinceras. Não há dúvida do valor de aplicar-se ao jejum, principalmente associado à oração. Deve-se apenas tomar o cuidado para não deslocar a procedência do poder espiritual de Deus, para o rito do jejum; de Deus, para o homem!

7 – Qual a posição da Igreja Presbiteriana do Brasil em relação ao jejum?

De uma forma bem sintética e objetiva podemos responder a esta pergunta citando dois de seus documentos:

No Catecismo Maior de Westminster, a pergunta 108 diz:

“108. Quais são os deveres exigidos no segundo mandamento?
Os deveres exigidos no segundo mandamento são – o receber, observar e guardar, puros e inalterados, todo o culto e todas as ordenanças religiosas que Deus instituiu na sua Palavra, especialmente a oração e ações de graças em nome de Cristo; a leitura, a prédica, e o ouvir da Palavra; a administração e a recepção dos sacramentos; o governo e a disciplina da igreja; o ministério e a sua manutenção; o jejum religioso, o jurar em nome de Deus e o fazer os votos a Ele; bem como o desaprovar, detestar e opor-nos a todo o culto falso, e, segundo a posição e vocação de um, o remover tal culto e todos os símbolos de idolatria.”

No documento “Princípios de Liturgia” da IPB:

“CAPÍTULO XI – JEJUM E AÇÕES DE GRAÇA
Art.24 – Sem o propósito de santificar de maneira particular qualquer outro dia que não seja o dia do Senhor, em casos muito excepcionais de calamidades públicas, como guerras, epidemias, terremotos, etc., é recomendável a observância de dia de jejum ou, cessadas tais calamidades, de ações de graças.
Art.25 – Os jejuns e ações de graças poderão ser observados pelo indivíduo ou família, Igrejas ou Concílios.”

A exposição é bem clara e, particularmente em momentos como este que o mundo está vivendo nestes primeiros meses do ano de 2020 se aplica perfeitamente o previsto nos artigos 24 e 25 acima transcritos.

8 – Outro “tipo” de jejum.

Jejum sexual

“Não se recusem um ao outro, exceto por mútuo consentimento e durante certo tempo, para se dedicarem à oração. Depois, unam-se de novo, para que Satanás não os tente por não terem domínio próprio. Digo isso como concessão, e não como mandamento.” (1Co 7.5-6 NVI)

Em certos momentos da vida de um casal acontecem situações difíceis e aflitivas, como as de enfermidade na família, de desemprego, de catástrofes, dentre outras, quando não há nem clima nem espaço para um relacionamento conjugal normal. Talvez, pensando nisso, o apóstolo tenha se referido a esse “certo período de privação”, para se dedicar à oração, quando ocorrer o mútuo consentimento. Entretanto, ele orienta claramente a não se fazer privação unilateral e, mesmo quando ocorrer a privação mútua, o bom senso e a sensatez devem prevalecer sempre, para se evitar riscos e tentações.  

Conclusão

Finalmente, feita essa breve abordagem sobre o jejum bíblico, vale lembrar a advertência do profeta Isaías que estabelece o contraste entre a Verdadeira e a Falsa Adoração (Isaías 58). Ele é instado por Deus a clamar a plenos pulmões contra a transgressão do povo de Israel, que não se importando com o seu estado vil, buscava rotineira e mecanicamente a Deus, através das suas práticas religiosas, inclusive observando o jejum de um dia. Talvez, não tendo a exata noção da gravidade do seu estado espiritual decaído e da inutilidade e esterilidade dessas práticas religiosas sem o respaldo de uma vida santa, ainda ousavam reclamar que o Senhor não estava correspondendo e respondendo aos seus atos sacrificiais.

Que o Senhor nos ajude a viver uma vida santa, coerente com os ensinos bíblicos e aderente a vontade de Deus. Vida marcada pela prática da justiça e da misericórdia, jamais ancorada equivocadamente em práticas ritualistas vazias e elementos sacralizados pela religiosidade popular.

Crise e Esperança

Introdução

Comecemos relembrando os conceitos de Crise e Esperança.

Crise (gr. krisis; latim crisis) – Alteração no desenvolvimento normal de algo. Situação de tensão ou aflitiva. Desequilíbrio emocional ou nervoso súbito. Falta ou escassez de algo. Situação difícil, anormal e grave.

Esperança – é o ato de esperar aquilo que se deseja obter. Ter esperança é acreditar que alguma coisa muito desejada vai acontecer. (Antônimo: desespero)

SENSIBILIZAÇÃO

Nesta breve reflexão sobre o tema faremos, inicialmente, uma abordagem existencial, buscando a sensibilização de cada um quanto a aspectos que às vezes passam despercebidos no nosso cotidiano. Assim, sem atentarmos para eles, deixamos de evitar crises; ou, passando por crises, somos sufocados por elas, a ponto de quase sucumbir.

1. A REALIDADE DA CRISE

Imaginem este diálogo entre Adão e Eva: – Adão, meu marido, por que os rapazes ainda não chegaram para o almoço? Eles não costumam demorar tanto. – Minha querida, Abel estava cuidando do rebanho quando vi Caim chegar perto dele e, então os dois saíram em direção ao campo onde Caim estava trabalhando. Depois disso não os vi mais. – O que será que está acontecendo? É melhor você ir lá chamá-los. Algum tempo depois Adão retorna para casa, transtornado. Quando Eva o vê daquele jeito fica aflita. – O que aconteceu de tão grave, meu marido? Onde estão os rapazes? – Minha querida, nem sei como te dizer isso. (choro e suspiros). – Adão, você está me apavorando. Fala logo! Com muita dificuldade ele diz: – Meu amor, eu encontrei o corpo de Abel no chão, ensanguentado e pálido. Ele está morto! Não vi Caim. Desesperada ela sai ao encontro de Abel, gritando: – Meu Deus, isso não! Meu filhinho amado, não!

E, assim, desde as mais remotas épocas, as crises estão presentes nas famílias. Um descendente de Caim falou assim: “E disse Lameque às suas esposas: Ada e Zilá, ouvi-me; vós, mulheres de Lameque, escutai o que passo a dizer-vos: Matei um homem porque ele me feriu; e um rapaz porque me pisou.” (Gn 4.23). Ao longo da história bíblica e da humanidade, de uma forma ou de outra, todas as famílias enfrentaram crises: Noé, Abraão, Isaque, Jacó, Jó, Anrão e Joquebede, Naamã, Elcana e Ana, Davi,…., José e Maria, os apóstolos etc. A crise é uma realidade; não é exclusividade de uma determinada pessoa ou família. Jesus nos preveniu: “Estas coisas vos tenho dito para que tenhais paz em mim. No mundo, passais por aflições; mas tende bom ânimo; eu venci o mundo.” (Jo 16.33; ver Rm 8.31-39).

Entretanto, precisamos refletir sobre algumas questões: Determinadas crises podem ser evitadas?  Por que, aparentemente, alguns passam por mais crises do que outros? É preciso ter uma vida/família estruturada, organizada e equilibrada para estar mais disponível para ajudar outras pessoas e famílias!

2. OS AGENTES DA CRISE

a) As crises têm causas (naturais, humanas e sobrenaturais)

CAUSAS NATURAIS – desastres naturais, tempestades e enchentes, seca prolongada, epidemias e pandemias, doenças congênitas, doenças adquiridas (incuráveis), deficiências orgânicas causadas pelo envelhecimento do corpo, morte na família, dentre outras.

CAUSAS HUMANAS – são aquelas provocadas pelo ser humano; pelo próprio ou pelo outro; por suas ações e omissões; por suas invenções; seus governos ou desgovernos, por acidentes que provocam, dentre outras.

CAUSAS SOBRENATURAIS – são aquelas que acontecem devido à intervenção divina, inclusive os seus juízos; também aquelas provocadas pelo Diabo, com a permissão de Deus.

Vejamos, como exemplo, algumas crises mais relevantes ocorridas.

Nos primeiros meses de 2019:
– Brumadinho (rompimento de barragem – MG)(JAN)
– CT do Flamengo (incêndio)(FEV)
– Ricardo Boechat (queda de helicóptero)(FEV)
– Escola Raul Brasil-Suzano/SP (massacre)(MAR)
– Enchentes (várias cidades)(JAN-MAR)

Nos primeiros meses de 2020:
– Enchentes (várias cidades)(JAN-MAR)
– Pandemia do coronavírus (FEV-???)

Em mais de 6 décadas de vida nunca vivenciei uma crise como esta listada por último. Entretanto, a maior parte das crises que nos afetam tem causa humana. Se investigarmos essas causas humanas, certamente identificaremos alguns fatores comuns, tais como:

– Falta de prevenção/atenção ou descuido/negligência.
– Falta de responsabilidade/respeito.
– Ganância, egoísmo.

E, na base de todas as causas, o pecado!

b) Há situações que podem provocar crises (faltas, perdas)

É a perda ou falta de ente queridos, da saúde, do emprego, de relacionamentos, de bens, de respeito (booling), da consideração, de segurança, de confiança no outro.

Resiliência é uma palavra que se torna cada vez mais conhecida. É um termo que vem da física, como o fenômeno de retorno da mola, quando cessa a pressão sobre ela; é o retorno à posição vertical daquele boneco “João teimoso”. Na psicologia, significa o poder de recuperação do indivíduo após ser submetido a situações estressantes e dolorosas, a perdas, a calamidade. “O equilíbrio humano é semelhante à estrutura de uma construção; se a pressão for superior à resistência, aparecerão rachaduras (doenças e lesões, por exemplo). Dentre as mais diferentes doenças psicossomáticas que se manifestam no indivíduo que não possui resiliência, estão não apenas o estresse, mas doenças graves como a gastrite até a síndrome do pânico, doenças intestinais, hipertensão arterial, entre outros males” (Dr. Alberto D’Auria).

Precisamos ser como bambus e varas verdes, que se dobram sob a pressão do vento, mas não se quebram. A vida é feita de perdas e ganhos, não podemos paralisá-la diante das perdas. Em nome de Jesus é preciso se libertar do passado. Isso é doentio!

c) As crises oferecem a oportunidade de reavaliação da vida, de comportamentos.

Às vezes se vive uma vida mediana, inexpressiva, marcada pelo comodismo. Aí, acontece uma crise, e com ela a reavaliação de tudo, provocando as mudanças necessárias.

Alguns vivem de forma fútil, confortável, porém vazia; focados nos bens, valores e prazeres materiais. Aí surge a crise e a pessoa redireciona o foco da sua vida para o que realmente tem valor.

d) As crises oferecem a oportunidade de um novo começo.

– Após a trágica morte de Abel temos o seguinte registro bíblico; porque é preciso seguir adiante: “Tornou Adão a coabitar com sua mulher; e ela deu à luz um filho, a quem pôs o nome de Sete; porque, disse ela, Deus me concedeu outro descendente em lugar de Abel, que Caim matou.” (Gn 4.25)

– Há “crises” e “perdas” que produzem vida. Jesus afirmou: “se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer, produz muito fruto.” (Jo 12.24)

– Assim respondeu Jó aos seus amigos: “Porque há esperança para a árvore, pois, mesmo cortada, ainda se renovará, e não cessarão os seus rebentos.” (Jó 14.7)

No canteiro abaixo fica fácil ilustrar essa ideia de recomeço.

Relembrando….

a) As crises têm causas (naturais, humanas e sobrenaturais)
b) Há situações que podem provocar crises (faltas, perdas)
c) As crises oferecem a oportunidade de reavaliação da vida, de comportamentos.
d) As crises oferecem a oportunidade de um novo começo.

3. A REALIDADE DA ESPERANÇA

A esperança é um ato desenvolvido por quem está vivo!  “Para aquele que está entre os vivos há esperança; porque mais vale um cão vivo do que um leão morto.” (Ec 9.4)

a) A esperança é invisível aos olhos naturais.

“Porque, na esperança, fomos salvos. Ora, esperança que se vê não é esperança; pois o que alguém vê, como o espera?” (Rm 8.24)

Ainda que invisível, a verdadeira esperança não é fruto do imaginário, não é abstrata, não é ilusória, não é vã, não é baseada em crendices e nem nos discursos fantasiosos dos profissionais de autoajuda. Mas ela pode ser contemplada pelos olhos da fé. De onde ela vem?

b) A esperança tem procedência certa.

“Somente em Deus, ó minha alma, espera silenciosa, porque dele vem a minha esperança.” (Sl 62.5)

“Bendito o homem que confia no SENHOR e cuja esperança é o SENHOR.” (Jr 17.7)

“Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que, segundo a sua muita misericórdia, nos regenerou para uma viva esperança, mediante a ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos,” (1Pe 1.3)

De nada adianta colocar nossa fé e nossa esperança em pessoas e coisas; em falsos deuses e falsas promessas.

c) A esperança se extingue quando Deus é deixado de lado.

“Mas eles dizem: Não há esperança, porque andaremos consoante os nossos projetos, e cada um fará segundo a dureza do seu coração maligno.” (Jr 18.12)

Quando o ser humano decide ser o protagonista exclusivo do seu caminho, do seu destino; cativo da sua própria vontade e rompendo com Deus e sua vontade, fica à deriva ao sabor da própria sorte. Como decorrência do que foi dito no item anterior, isso é o que acontece quando se deixa de lado a fonte da esperança.

d) A esperança transpõe os portais da eternidade

“Se a nossa esperança em Cristo se limita apenas a esta vida, somos os mais infelizes de todos os homens.” (1Co 15.19)

“por causa da esperança que vos está preservada nos céus, da qual antes ouvistes pela palavra da verdade do evangelho,” (Cl 1.5)

A Bíblia se expressa de forma clara e objetiva sobre o assunto. Porém, por vezes, nos envolvemos tão fortemente com as coisas desta vida que nos esquecemos de quanto a existência terrena é curta e transitória. Daí, quando surge uma ameaça efetiva à sua continuidade perdemos o chão.

e) A esperança precisa ser cultivada

“Pois tudo quanto, outrora, foi escrito para o nosso ensino foi escrito, a fim de que, pela paciência e pela consolação das Escrituras, tenhamos esperança.” (Rm 15.4)

“Quero trazer à memória o que me pode dar esperança.” (Lm 3.21)

“E não somente isto, mas também nos gloriamos nas próprias tribulações, sabendo que a tribulação produz perseverança; e a perseverança, experiência; e a experiência, esperança.” (Rm 5.3-4)

Sem dúvida é a palavra de Deus guardada em nossas mentes e corações e o testemunho verdadeiro de como Deus tem sustentado os seus filhos que há de nos suprir e fortalecer o ânimo e prover-nos de força interior para resistir no dia mau.

f) A esperança renova a alegria de viver

“regozijai-vos na esperança, sede pacientes na tribulação, na oração, perseverantes;” (Rm 12.12)

“E o Deus da esperança vos encha de todo o gozo e paz no vosso crer, para que sejais ricos de esperança no poder do Espírito Santo.” (Rm 15.13)

Nem sempre a vida é tão generosa conosco, cristãos ou não. No entanto, a esperança do cristão é real e verdadeira conseguindo produzir nele a renovação da alegria de viver, de seguir adiante.

g) Não desista da esperança!

“Abraão, esperando contra a esperança, creu, para vir a ser pai de muitas nações, segundo lhe fora dito: Assim será a tua descendência.” (Rm 4.18)

“na esperança de que a própria criação será redimida do cativeiro da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus.” (Rm 8.21)

“Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três; porém o maior destes é o amor.” (1Co 13.13)

“E a si mesmo se purifica todo o que nele tem esta esperança, assim como ele é puro.” (1Jo 3.3)

Vale lembrar aquelas máximas populares: “Enquanto há vida, há esperança”; “A esperança é a última que morre”. Portanto, por mais difícil que seja a situação ou mais improvável que seja a realização ou a solução, a mensagem é “não desista, mantenha a esperança!”

h) Somos chamados para sermos agentes da esperança

“Pois quem é a nossa esperança, ou alegria, ou coroa em que exultamos, na presença de nosso Senhor Jesus em sua vinda? Não sois vós?” (1Ts 2.19)

“antes, santificai a Cristo, como Senhor, em vosso coração, estando sempre preparados para responder a todo aquele que vos pedir razão da esperança que há em vós,” (1Pe 3.15)

Por fim, acima e além de ter esperança, o chamamento divino através do apóstolo Paulo é para encarnarmos a esperança cristã. Assim, personificando a esperança, temos a missão de ir e transmiti-la a quem dela necessitar.

Relembrando….

a) A esperança é invisível aos olhos naturais.
b) A esperança tem procedência certa.
c) A esperança se extingue quando Deus é deixado de lado.
d) A esperança transpõe os portais da eternidade.
e) A esperança precisa ser cultivada.
f) A esperança renova a alegria de viver.
g) Não desista da esperança!
h) Somos chamados para sermos agentes da esperança.

Conclusão

É preciso ter uma postura correta no cotidiano para prevenirmos crises e evitarmos ser Agentes da Crise!

É preciso ter uma vida/família estruturada, organizada e equilibrada para estar mais disponível para ajudar outras pessoas e famílias!

Num mundo envolto em tantas crises, sejamos sempre proativos, sejamos Agentes da Esperança!

João 3.16 (Evangelho)

Pobreza e Riqueza

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Uma visão bíblica sobre o assunto.

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Igreja e Política – Mídia Tendenciosa

Tudo para chamar a atenção

Imagine-se voltando no tempo há uns 40 anos atrás. Você passa numa banca de jornal e vê estampado num jornal, numa das matérias em destaque da primeira página, o título – “PASTOR FAZ MAL A MOÇA”.  É, ou não é, algo curioso e irresistível, considerando a reputação dos crentes e pastores naquela época! Alguns parariam para ler a matéria. Ao ler, descobria-se a verdade dos fatos: “Aconteceu nesta terça-feira. Um cão da raça pastor alemão atacou uma moça deixando-a gravemente ferida…..”. Um misto de chateação, por ter sido enganado com aquele título apelativo, se misturava com a dor daquela tragédia. E o que aconteceria com quem ficou só no título, foi em frente, não leu a matéria toda? Provavelmente ficaria com uma impressão não muito boa dos crentes, dos pastores evangélicos. Pois bem, o que a mídia não é capaz de fazer para chamar a atenção e alcançar seus objetivos?

Tentando influenciar o cidadão

No último dia 30 de janeiro de 2020 um site publicou uma matéria com o seguinte título: Igreja Presbiteriana condena apoio a partido de Bolsonaro[1]. Imediatamente as redes sociais se agitaram repercutindo a matéria. Por que razão? Qual a primeira impressão que esse título causa ou passa? Não seria algo do tipo: “– É, parece que os evangélicos estão retirando o seu apoio ao presidente Bolsonaro, pois os presbiterianos estão condenando o apoio ao seu partido”. Então, a matéria diz: “A cúpula da Igreja Presbiteriana do Brasil, a décima maior denominação protestante do país, publicou uma nota rechaçando a postura do Pastor e bolsonarista Filipe Barros (PSL-PR), que usou os fiéis para coletar assinaturas para criação do partido de Bolsonaro ‘Aliança pelo Brasil’”. Mais adiante vem a verdade dos fatos: “Em resolução de sua reunião ordinária em 1990, o Supremo Concílio da Igreja Presbiteriana do Brasil orienta seus concílios em geral que evitem apoio ostensivo a partidos políticos e que as igrejas não cedam seus templos ou locais de culto a Deus para debates ou apresentações de cunho político”. O fato é que a IPB tem um posicionamento claro de não apoiar “ostensivamente” partidos políticos, seja ele qual for, o que é correto. Seria algum exagero ou preciosismo essa minha abordagem sobre a referida publicação? Certamente que não! Quem checar a linha ideológica do site “Brasil 247” verá que é de esquerda e em oposição ao governo Bolsonaro. Isso explica tudo!

Na mesma data acima mencionada, outro site se mostra mais cuidadoso ao noticiar o mesmo fato: “Em nota, Igreja Presbiteriana afirma que não apoia partidos[2]”. Na sequência diz: “Denominação contraria pastor de Londrina que usou estrutura da igreja para pedir apoio ao Aliança pelo Brasil.”

A posição da Igreja Presbiteriana do Brasil

Nas Publicações acima mencionadas há uma referência ao posicionamento da IPB em documento datado de 1990. Considerando ser oportuno esclarecer presbiterianos e não presbiterianos sobre o assunto, estamos ajudando a divulgar, abaixo, o inteiro teor do referido documento. Como tantas outras decisões do Supremo Concílio da IPB, vale à pena uma leitura cuidadosa de um documento elaborado com tanto zelo, qualidade e coerência com as Sagradas Escrituras. Numa tentativa de resumir tal documento e posição, sem perder sua essência, diríamos que a IPB se posiciona assim:

1) Tríplice compromisso da IPB:

– Com a democracia.
– Com o bem-estar das pessoas.
– Com a paz, dentro e fora da igreja.

 2) Recomendações para concílios, igrejas, pastores e crentes:

– Oração incessante pela política nacional e pelas autoridades constituídas.

– Participação cidadã, consciente e responsável, no exercício dos seus direitos constitucionais.

– Evitar apoio ostensivo a partidos políticos.

– Apoio, com moderação, a candidatos oriundos de igrejas Evangélicas, de reconhecida idoneidade moral e político-social.

– Distanciamento de candidatos reconhecidamente descompromissados com a ética cristã-social.

– Preservação do templo não o cedendo para eventos e atividades de cunho político.

– Inibição de propaganda política no âmbito interno da igreja.

– Restrição total de apoio e compromisso de voto, em troca de favores de candidatos políticos.

Vale a pena investir um tempo na leitura cuidadosa do inteiro teor do documento acima resumido e transcrito, a seguir:

“…. Do Supremo Concílio da IPB –
A todos os concílios, igrejas, pastores, Oficiais e Membros, irmãos em Cristo Jesus, o Senhor.
Graça a vós e paz da parte de Deus, nosso Pai, e do Filho, nosso Salvador e do Espírito Santo, nosso Consolador, em cujo nome vos exortamos quanto ao comportamento ético-cristão diante das oportunidades, dos desafios, dos dilemas e perigos hoje representados pela atividade e participação na vida política nacional.
Recebei, pois, irmãos no amor de Cristo, este pronunciamento e ponde-o em prática no âmbito da vossa vida e ação.

1) A IPB, consciente da sua herança judaico-cristã-reformada, tem um compromisso histórico e ideológico com a democracia, entendida como a participação direta do povo nos seus destinos através do voto, de apoiá-la e contribuir positivamente para o seu desenvolvimento no Brasil e no mundo.

2) A IPB, da mesma forma, tem um compromisso, fundamentado no amor ao próximo, (Lv 19.18) com a justiça social, com o bem estar do povo, com a eliminação da miséria e da pobreza, (Dt 15.4) com a igualdade dos homens em todos os lugares, níveis, situações, independentemente de sexo, idade, ou condição social individual. (Dt 16).

3) A IPB tem um compromisso com o desenvolvimento e a manutenção da paz entre os homens, a promoção da harmonia e da concórdia, tanto no seio da Igreja, como da comunidade nacional. (Mt 5.9).

4) Assim, a IPB consciente de seu tríplice compromisso e no desejo de contribuir para que eles sejam implementados na vida de seus concílios, igrejas, pastores e crentes, recomenda-lhes:

4.1) Orem incessantemente a Deus pelo processo político nacional, seus projetos e planos, bem como por todos aqueles que estão investidos de autoridade, atendendo desta forma a exortação do apóstolo Paulo em 1Tm 2.1-15.

4.2) Participem, como de direito em geral, da escolha de seus dirigentes, sejam eles nacionais, estaduais ou municipais, fazendo jus à condição de eleitores e cidadãos da pátria, no exercício dos seus direitos constitucionais.

4.3) Aos concílios em geral, que evitem dar apoio ostensivos a Partidos Políticos, ou a candidatos a cargos eletivos exceto, neste caso, aqueles oriundos de igrejas Evangélicas, de reconhecida idoneidade moral e político-social.

4.4) Que se evite todo e qualquer apoio a candidatos reconhecidamente descompromissados com os ideais de democracia, justiça e paz propugnados pela nossa Igreja, que visam apenas o interesse pessoal, pactuam com os injustos e corruptos, aceitam subornos, negam justiça aos pobres (Is 5.18, 22-23), decretam leis injustas (Is 10.1) e se afastam da Palavra de Deus como “regra de fé e prática”.

4.5) Que se evite a cessão do templo, ou santuário, local de culto a Deus, para debates ou apresentações de cunho político, podendo as mesmas serem realizadas em suas dependências.

4.6) Que se evite propaganda política no âmbito interno da Igreja, do seu templo ou por seus órgãos e departamentos, exceto se mantidos democraticamente os direitos, a liberdade e o respeito aos contrários.

4.7) Que, em nenhuma circunstância, a Igreja, o Pastor, os concílios, ou Sociedades Domésticas aceitem favores de candidatos políticos que possam resultar em comprometimento de voto, que deve ser pessoal, direto e secreto” (Constituição Federal Art. 14).

5) A IPB, pois, reconhece como legítima a dignidade dos membros seus, incentiva a assumirem ‘uma cidadania responsável, como testemunhas de Cristo, nos sindicatos, nos partidos políticos, nos diretórios acadêmicos, nas fábricas, nos escritórios, nas cátedras, nas eleições e nos corpos administrativos, legislativos e judiciários do país’ (Pronunciamento de 1962, item X, 2), sempre pautada no respeito às instituições e a ordem legal. Reconhece ao mesmo tempo, que ‘nenhum sistema ideológico de interpretação da realidade social, seja em termos filosóficos, políticos ou econômicos pode ser aceito como infalível ou final (Ibid., item IX), mas que a ética cristã-social vivida no sentido da plenitude do Reino de Deus continua a ser a proposta mais significativa, satisfatória e profunda para o homem do nosso século e de nosso país.’”

(Extraído da decisão do Supremo Concílio da Igreja Presbiteriana do Brasil SC – 1990 – DOC. CLII).

Finalmente, vale dizer que o assunto CRISTÃO, IGREJA e POLÍTICA é muito amplo e requer outras abordagens. Entretanto, entendemos ser imprescindível adiantar desde já que a relação do Cristão com o Estado é diferente da relação da Igreja com o Estado. Sendo o Estado laico não há que se pensar em interferência direta da instituição Igreja na Instituição Estado. O inverso também não é aceito. Por outro lado, sendo o Cristão um cidadão da pátria tem ele a responsabilidade de exercer os seus direitos constitucionais e legais, participando diretamente (ou não) das instituições públicas e da política, também cuidando de cumprir os seus deveres; mas sempre fazendo a diferença, dando um bom testemunho da sua ética cristã.

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Outros temas a serem desenvolvidos:

Igreja e Política – Falar ou silenciar-se?
Igreja e Política – Apoio ou distanciamento?
Cristão e Política – Falar ou silenciar-se?
Cristão e Política – Participação ou distanciamento?
Cristão e Comunismo – Como conciliar?


[1] https://www.brasil247.com/brasil/igreja-presbiteriana-condena-apoio-a-partido-de-bolsonaro

[2] https://www.gospelprime.com.br/em-nota-igreja-presbiteriana-afirma-que-nao-apoia-partidos/

A Verdade que Liberta

“Disse, pois, Jesus aos judeus que haviam crido nele: Se vós permanecerdes na minha palavra, sois verdadeiramente meus discípulos; e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.” (João 8.31-32)

Introdução

Lá pelos idos da década de 1980, com um filho bem pequeno, fui sozinho à uma farmácia comprar remédio pra ele. Estando lá dentro, bem ao fundo, de repente começou um certo tumulto. Percebi, então, que havia um homem na entrada anunciando um assalto. Nunca tinha passado por isso e fiquei um tanto quanto apreensivo. Numa hora como essa a gente sente a total falta de liberdade. Não se pode sair do local para escapar e nem pensar em reagir, enfrentando o meliante. É só contar com a graça e misericórdia de Deus para que nenhuma tragédia aconteça. Felizmente o desfecho foi muito melhor do que se podia imaginar. O sujeito estufava a camisa parecendo estar com uma arma por baixo dela. De algum modo perceberam que era uma simulação, que não era uma arma, mas um toco de madeira e colocaram o homem pra correr. Sem dúvida, quando a verdade veio à tona fomos libertos daquela situação.

Nosso propósito aqui é refletir sobre a Verdade que traz a mais grandiosa liberdade.

1) A necessidade de liberdade

Por que necessitamos de algo? Porque não temos. Porque de alguma forma estamos convencidos de que precisamos. Porque este algo trará um certo equilíbrio ao nosso ser, como um todo. Através do equilíbrio do nosso organismo (metabolismo físico), do nosso intelecto (mente, razão) e do nosso emocional (sentimentos, afetos), teoricamente se consegue um estado de bem estar, de paz e de tranquilidade. Na prática tenho a certeza de que o ser humano, por si só, é incapaz de conseguir isso.  As variáveis são muitas e não temos o controle sobre todas elas.

A natureza que nos cerca busca o estado de equilíbrio em todo o tempo.  A diferença entre o que temos ou somos, e o que queremos ter ou ser, constitui um desequilíbrio que gera a vontade, que por sua vez exige condições mínimas para nos mover. E a vontade é a força motriz da vida!

Supondo que o ser humano natural sempre pudesse exercer a sua vontade no sentido de buscar as coisas verdadeiramente necessárias para trazer equilíbrio ao seu ser, o que seria muito nobre (desde que não infringisse a lei dos homens e a de Deus), ainda assim ele não conseguiria alcançar a plenitude do seu ser, porque além das barreiras naturais (as necessidades humanas são infinitas e insaciáveis) existe a barreira da vontade do outro que não necessariamente é conciliável com a dele e, certamente, em algum momento entrará em choque com a sua.

Parece que numa acepção mais simples da palavra, liberdade é o exercício da vontade, sem restrições internas ou externas ao ser. Se assim é, então, podemos dizer que a liberdade se constitui no alvo mais importante a ser conquistado pelo ser humano natural.

2) A busca da liberdade

Por que buscamos algo? Porque não temos. Quem sabe já tivemos, porém perdemos. Ou, nunca tivemos e sentimos a necessidade de ter.

A busca da liberdade, então, é a busca pela realização da nossa vontade, no sentido da realização completa do nosso ser. Para melhor entender essa situação, precisamos retornar às nossas origens.

Deus criou com todo o esmero todas as coisas necessárias à sobrevivência do homem. Por fim, criou também o ser humano, à sua imagem e semelhança (Gn 1.27 – pessoal, racional e moral). Deus colocou toda a criação sob o domínio de Adão (Gn 1.27-28). Porém, faltava-lhe algo. Adão não se completava naqueles animais ou nas demais coisas criadas (Gn 2.20). Deus, então, lhe fez uma companheira idônea e Adão suspirou aliviado (Gn 2.21-24). Então, Deus propôs ao casal o exercício da sua vontade (Gn 1.28-30), num tempo em que havia perfeita harmonia na natureza. Antes, porém, Deus os submeteu a um teste para provar sua vontade (Gn 2.16-17) e o casal falhou (Gn 3). Surgem aqui algumas perguntas que precisam ser consideradas e esclarecidas à luz da verdade: 1ª) Deus foi o culpado: a)Ele restringiu a liberdade de um ser que foi criado para exercer sua própria vontade. Errado! Adão, ao exercer sua vontade, violou a vontade de outrem que lhe era infinitamente superior. Com isso demonstrou que seria incapaz de respeitar a vontade dos seus semelhantes, muito mais ainda porque estes estariam no mesmo nível humano dele. Com a falta de domínio sobre sua vontade ficou provado que ele não tinha condições para viver harmoniosamente em sociedade. b) Deus não o alertou sobre a tragédia que essa desobediência traria para ele e para o mundo. Errado! É só conferir em Gênesis 2.17 a advertência divina. c) Deus falhou na constituição do ser humano. Errado! Deus criou um ser à sua imagem, com vontade própria e não um robô. Além disso se propunha a orientá-lo diretamente, se esse lhe fosse submisso.  d) Deus deixou tudo pronto para Adão e com isso ele não tinha onde aplicar a sua vontade. Errado! Deus lhe entregou um mundo na “forma bruta”, lhe deu todos os recursos materiais e inteligência para dele cuidar. O grande problema de Adão e Eva é que eles escolheram dar ouvidos a uma outra voz que questionava a ordem de Deus. Esta voz satânica lhe apresentou uma nova versão da ordem divina, mais fácil, mais atraente e ambiciosa, porém mentirosa, “ser como Deus”.

3) A verdadeira liberdade

As consequências da queda do homem no Éden foram devastadoras. Desde a queda se vê a atuação de Deus no mundo controlando gente pecadora e um mundo contaminado pelo pecado. No dilúvio Deus destruiu o mundo de então, promovendo um novo início da humanidade, a partir da família de Noé e dos animais que foram preservados na arca. Porém os pecadores e seus pecados continuaram. Entretanto, em todo o tempo, Deus tinha em mente resgatar e salvar o ser humano caído. Ele pavimentou esse caminho e manifestou seu propósito à humanidade através de uma revelação progressiva: o patriarca Abraão, o povo de Israel e, por fim, Jesus Cristo, seu filho encarnado. Este, além de dar a sua vida para pagar o preço dos nossos pecados e nos reconciliar com Deus, nos deu a sua nova lei, a sua palavra (Mt 22.36-39). Deus, também, no deu o seu Espírito Santo, para habitar em nós e instituiu a sua igreja, para ajuntamento do seu povo (1Co 6.9-11).

Jesus é a Verdade que Liberta; através da sua vida, da sua redenção, da sua palavra e do Espírito Santo que em nós habita!

Conclusão

Estas palavras do apóstolo Paulo expressam bem a missão de Jesus realizada em nosso favor para nos conduzir à verdadeira liberdade.

“Porquanto a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens, educando-nos para que, renegadas a impiedade e as paixões mundanas, vivamos, no presente século, sensata, justa e piedosamente,  aguardando a bendita esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus,  o qual a si mesmo se deu por nós, a fim de remir-nos de toda iniquidade e purificar, para si mesmo, um povo exclusivamente seu, zeloso de boas obras.” (Tt 2.11-14).

Essa verdadeira liberdade pode ser descrita como a nossa vontade pessoal dentro da vontade perfeita de Deus, dirigida e controlada pelo Espírito de Deus que habita em nós, o que foi objeto da oração de Jesus ao Pai Celestial: “Não rogo somente por estes, mas também por aqueles que vierem a crer em mim, por intermédio da sua palavra; a fim de que todos sejam um; e como és tu, ó Pai, em mim e eu em ti, também sejam eles em nós; para que o mundo creia que tu me enviaste.” (Jo 17.20-21)

Relacionar-se é …..CONHECER-SE MELHOR E O OUTRO

Quem sou eu? O que pensamos ser e o que os outros pensam de nós? A Janela de Johari, modelo conceitual elaborado por Joseph Luft e Harry Ingham, nos ajuda a entender um pouco mais essa questão. O termo “Johari” foi obtido a partir da junção dos dois nomes dos autores, Joseph e Harry.

Entendendo a Janela de Johari……

a)   EU ABERTO

A região do “eu aberto”, representa os aspectos da personalidade de que o indivíduo tem conhecimento e aceita compartilhar com os outros. Esta área limita-se àquilo de que nossos parentes e amigos estão cônscios  e ao que nós consideramos óbvio, tais como nossas características, nossa maneira de falar, nossa atitude geral, algumas de nossas habilidades etc.

b)   EU SECRETO

A região do “eu secreto”, representa os aspectos que a pessoa conhece, mas consciente e deliberadamente esconde dos outros por motivos diversos, tais como: insegurança, status, medo da reação, medo do ridículo etc. Essa região constitui a chamada fachada em que o indivíduo se comporta de maneira defensiva. A defesa é inerente a toda pessoa. Mas a questão é saber qual a quantidade de defesa tolerável que não iniba o inter-relacionamento nem impeça seu crescimento.

c)   EU CEGO

A região do “eu cego” representa nossas características de comportamento que são facilmente percebidas pelos outros, mas das quais geralmente não estamos cientes. Por exemplo, alguma manifestação nervosa, nosso comportamento sob tensão, nossas reações agressivas, nosso desprezo por aqueles que discordam de nós etc. Em suas atitudes e comportamentos muita coisa é transmitida, sem que o próprio indivíduo perceba. Podemos especular o porquê destes padrões de comportamento permanecerem desconhecidos para nós e, no entanto, são óbvios para os outros.

Há evidências de que é nessa área que, frequentemente, somos mais críticos com o comportamento dos outros sem percebermos que estamos nos comportando da mesma forma.

d)   EU DESCONHECIDO

Finalmente a região do “eu desconhecido”, é a área desconhecida pelo próprio e pelos outros. Nela estão incluídas as potencialidades, talentos e habilidades ignoradas, os impulsos e sentimentos mais profundos e reprimidos, memórias de infância, a criatividade bloqueada. Como exemplo da área desconhecida, pesquisadores em Criatividade afirmam que, em geral, utilizamos apenas cerca de 15 ou 20 por cento de nosso potencial criativo. Essa região pode tornar-se conhecida à medida que aumenta a eficácia interpessoal dentro de um processo dinâmico.

Conclusão

E daí, o que essa tal Janela de Johari tem a ver com o meu casamento? Veja só. Num relacionamento conjugal é muito comum cada cônjuge ter uma visão ótima a seu respeito e não tão boa do outro. Por que? Porque cada um de nós só tem a percepção de parte do que realmente somos! Uma visão adequada de nós mesmos e a aceitação do que somos (nossas limitações, fraquezas e falhas) são pontos básicos para uma postura de humildade diante de Deus, das pessoas e, principalmente do nosso cônjuge e facilitadora do relacionamento. É claro que nem sempre a visão do outro, isoladamente, reflete toda a verdade do que realmente sou. Entretanto, ninguém melhor para nos ajudar a identificar aqueles maus comportamentos do “eu cego” do que quem vive ao nosso lado.


Veja também:

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