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Comunicar é ……. SABER SE EXPRESSAR!

 “A morte e a vida estão no poder da língua; o que bem a utiliza come do seu fruto.” (Pv 18.21)

    “Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, e sim unicamente a que for boa para edificação, conforme a necessidade, e, assim, transmita graça aos que ouvem.” (Ef 4.29)

   “Por isso, deixando a mentira, fale cada um a verdade com o seu próximo, porque somos membros uns dos outros.” (Ef 4.25)

………………..

Introdução

Se você acha complicado lidar com o terminal de autoatendimento do Banco, ou com um computador, ou com o painel de controle de uma aeronave, saiba que nada disso é comparável ao lidar com outro ser humano. E, por que? Porque nós, seres humanos, somos muito mais complexos do que qualquer máquina. Nós nos “reprogramamos” mentalmente a cada nova informação recebida, temos temperamentos diferentes,  sentimentos, vontade própria, necessidades, interesses, capacidade de mentir, enganar etc. Como se isso não fosse o suficiente, ainda temos a possibilidade de nos relacionarmos com o mundo espiritual, invisível mais real, que certamente, também exerce influência em nosso comportamento. O que realmente é complicado é o relacionamento entre pessoas e não o casamento.  Como o casamento exige um elevado grau de relacionamento e comunicação, acaba se tornando um desafio. Por outro lado, oferece uma excelente oportunidade de exercitar e aprimorar a capacidade de se relacionar e se comunicar, o que é essencial para nós que vivemos em sociedade.

Neste estudo focaremos a comunicação do casal como elemento importante para a harmonia no casamento.

O que é, e como funciona a comunicação?

Uma das mais simples e interessantes conceituações diz que: Comunicação, é a “ação de tornar algo comum”. Por exemplo: o que eu acho, o que eu desejo, o que eu estou sentindo etc. É interessante como cada um dos sentidos que Deus nos deu – visão, audição, olfato, paladar e tato – participa desse processo de comunicação; nossa, com o mundo exterior. É a comunicação verbal e não-verbal. A boca fala, mas também todo o nosso corpo “fala e ouve”, se comunica – é a linguagem silenciosa da comunicação não-verbal. Marido e esposa se comunicam com tanta frequência e intensidade, que depois de um certo tempo de convivência, só em olhar o outro, já sabe o que ele está sentindo, ou escondendo, ou comunicando.

Uma cena simples de escola:

– Bruno senta perto de Rebeca, na sala de aula. No intervalo entre aulas, se demoram um pouco a sair da sala. “Rebeca é uma garota muito legal e linda!” (pensa)

– Sente que deve se aproximar dela e que seria interessante convidá-la para ir ao shopping, no próximo sábado. (objetivo)

– Seu sistema nervoso central (fonte/emissor), agindo como fonte de comunicação, cria a mensagem e aciona seu mecanismo vocal etc, para executar a missão de codificá-la. (codificador)

– Seu mecanismo vocal (codificador) produz a seguinte mensagem: – Quer ir comigo ao shopping no próximo sábado, Rebeca? A mensagem é transmitida em ondas sonoras através das moléculas do ar (canal) até ao mecanismo auditivo de Rebeca (decodificador) que transforma as ondas sonoras em impulso nervoso (decodificação), enviando-o ao sistema nervoso central de Rebeca (receptor/destinatário)

Aspectos facilitadores da comunicação:

Vejamos alguns aspectos facilitadores no processo da comunicação humana; certamente importantes, ainda que pareçam óbvios.

1º) Pense bem antes de falar ou se expressar corporalmente através dos gestos e/ou expressões faciais. Lembre-se de que o que falamos, expressamos e fazemos revela aos outros quem nós somos! “O coração do justo medita o que há de responder, mas a boca dos perversos transborda maldades.” (Pv 15.28)

2º) Tenha consciência do objetivo que está movendo a essa comunicação para que depois você possa verificar se foi ou não alcançado. De um modo geral, usamos a comunicação para: informar (apelo à mente); persuadir (apelo à alma); divertir (divertimento) e influenciar (afetar com intenção). “O coração do homem pode fazer planos, mas a resposta certa dos lábios vem do SENHOR.” (Pv 16.1)

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“Nosso objetivo básico na comunicação é tornarmo-nos agentes influentes e afetarmos outros, nosso ambiente físico e nós próprios, é tornarmo-nos agentes determinantes, é termos opção no andamento das coisas. Em suma, nós nos comunicamos para influenciar – para afetar com intenção.” (David K. Berlo)

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3º) Estruture bem a mensagem a ser transmitida para que ela expresse exatamente aquilo que você quer comunicar. Vale lembrar que o outro não ouve os nossos pensamentos; apenas o que expressamos, de forma verbal e não-verbal. Portanto, uma mensagem deve ter uma quantidade adequada de informações para o bom entendimento pelo outro. Use o “código” adequado, isto é,  o linguajar que o outro entenda e irá usar para “decodificar” a mensagem. Não perca de vista que aquilo que tem um significado para você pode ter outro para a outra pessoa (Estrutura de Significação).

4º) Transmita a mensagem de forma adequada, isto é, com a carga adequada de conteúdo racional e emocional. Afinal, somos seres racionais e emocionais. Coisas certas, ditas do modo errado,  colocam tudo a perder. Module a voz  e use expressões não-verbais, de acordo com a mensagem que está sendo transmitida. É importante impressionar bem o outro. “A resposta branda desvia o furor, mas a palavra dura suscita a ira.” “A língua serena é árvore de vida, mas a perversa quebranta o espírito.” “O sábio de coração é chamado prudente, e a doçura no falar aumenta o saber.” (Pv 15.1, 4; 16.21)

5º) Avalie bem se o momento e o lugar são apropriados; se o seu estado de espírito e o do outro estão favoráveis; se você e o outro estão preparados para emitir e receber essa mensagem etc. “O homem se alegra em dar resposta adequada, e a palavra, a seu tempo, quão boa é!” (Pv 15.23)


Em breve: Comunicar é …………. SABER OUVIR!

Áquila e Priscila

Introdução:

A Bíblia está repleta de narrativas de personagens dos quais podemos dizer que vivenciaram uma espécie de “carreira solo”, isto é, eles aparecem em primeiro plano, recebendo maior foco, como protagonistas; tanto no Antigo como no Novo Testamentos. Quando o foco é o casal, o Antigo Testamento registra a história de alguns deles, desde Adão e Eva, passando por Abraão e Sara, Isaque e Rebeca, Salmon e Raabe, Sansão e Dalila, Boaz e Rute, Elcana e Ana, Davi e Bate-Seba, Acabe e Jezabel etc. Ao chegar no Novo Testamento nos deparamos com dois casais que se destacam nas narrativas dos Evangelhos: Zacarias e Isabel, por terem trazido ao mundo João Batista, aquele que veio preparar o caminho de Jesus; e, José e Maria, que cuidaram do Jesus menino, gerado em Maria, pelo Espírito Santo, como o Messias Salvador. Entretanto, a partir da ascensão de Cristo e da inauguração da igreja, um casal se destaca negativamente dos demais, Ananias e Safira e outro, positivamente, Áquila e Priscila. Abordaremos aqui este último e veremos que não é sem razão ou por acaso que ele é lembrado pelos cristãos.

1. Um casal que é uma carta aberta  (At 18.1-2)

“Vós sois a nossa carta, escrita em nosso coração, conhecida e lida por todos os homens,” (2Co 3.2)

A vida deste casal é, sem dúvida, uma carta aberta, conhecida e lida por todos os que têm alguma intimidade com o livro sagrado – a bíblia. Ao refletir sobre a história de vida deles muito podemos enriquecer a nossa própria história e certamente seremos desafiados a seguir o seu exemplo.

Para quem imaginava que na antiguidade só havia machismo, inclusive na igreja nascente, vai se surpreender com o equilíbrio de tratamento, de valor e de desempenho de papéis no que se refere a este casal. Nas seis citações sempre aparece, no registro bíblico, os dois nomes, sendo que duas vezes na ordem “Áquila e Priscila” (1Co 16.19 e At 18.2) e, quatro vezes, “Priscila (ou Prisca) e Áquila” (At 18.18, 26; Rm 16.3 e 2Tm 4.19). O fato do nome da esposa ter aparecido tantas vezes na frente do nome do marido tem levado alguns comentaristas bíblicos a deduzirem que Priscila tinha uma personalidade mais forte ou que ela descendia de uma família romana proeminente, mas que não se tem como provar.

Por falar em nome, Áquila significa “águia” e Priscila significa “que pertence a Prisco” ou “da natureza de Prisco”, “familiar de alguém venerável”. “Prisco”, por sua vez, do latim Priscus tem o sentido de “o antigo”, “o velho” ou “o venerável”, de modo que Priscila significa “familiar de alguém venerável”1.

Áquila era judeu, natural do Ponto, uma província da Ásia Menor, no norte da atual Turquia. Naquela região morava um certo número de judeus, que estiveram em Jerusalém no dia de Pentecostes (At 2.9) e, posteriormente, é mencionada por Pedro como local onde se encontravam eleitos, forasteiros da dispersão (1Pe 1.1). Não temos mais informações sobre a origem de sua esposa Priscila.

Este distinto casal é citado no NT, sempre pelo apóstolo Paulo, seis vezes. A primeira informação que temos do casal é que havia chegado recentemente em Corinto, quando Paulo se aproximou deles, tendo sido expulsos de Roma, pelo imperador Claudio2  (41 a 54 dC), que decretou que os judeus se retirassem da capital do Império, por volta de 49 dC.

Segundo o historiador Suetônio, ele teria expulsado os judeus de Roma por estarem envolvidos em agitações devido a um certo “Cresto” (Chrestus), um termo que poderia referir-se a Cristo (Christus). Se isso é verdade, então é provável que o Evangelho estava chegando às Sinagogas Romanas e encontrando resistência e reações fortes por parte dos judeus mais arraigados à lei mosaica. É o que acontecia em toda a parte e deu ensejo a uma acusação como a de Tessalônica: “…Estes que têm transtornado o mundo chegaram também aqui,” (At 17.6b).

Segue um quadro resumo dessas seis citações do casal:

Texto Bíblico Data Local onde Áquila e Priscila estavam ou residiram
Atos 18.1-3 52-53 dC Em Corinto, juntos com Paulo (2ª viagem missionária)
Atos 18.18-19 54 dC Em Éfeso, juntos com Paulo (2ª viagem missionária)
Atos 18.24-27 54 dC Em Éfeso, sem Paulo (3ª viagem missionária)
1Coríntios 16.19 57 dC Em Éfeso, com Paulo quando ele escreveu 1Coríntios (1Co 16.8)
Romanos 16.3-5 57-58 dC Em Roma, sem Paulo quando ele escreveu Romanos, de Corinto.
2Timóteo 4.19 67 dC Em local ignorado, sem Paulo quando ele escreveu 2Timóteo, de Roma.

2. Um casal de mente e coração abertos (At 18.2b)

Não está claro no texto bíblico se o casal foi evangelizado por Paulo ou se já eram convertidos quando o apóstolo se aproximou deles (At 18.2b). O fato é que em algum momento das suas vidas, provavelmente em Roma, eles abriram a mente e o coração para o Evangelho de Cristo e sua obra. Pelo que é dito deles foi uma entrega por inteiro!

3. Um casal de mãos abertas  (At 18.3-5)

Áquila e Priscila, marido e esposa, tinham a profissão de fazer tendas (At 18.3). Ambos estavam juntos no mercado de trabalho buscando o sustento da família. Expulsos de Roma, chegaram a Corinto e estabeleceram o seu negócio. Foi ali que se encontraram com o apóstolo Paulo, na sua segunda viagem missionária. Em terra estrangeira era comum os judeus se aproximarem de seus compatriotas e Paulo tinha um motivo a mais, que era a sua identificação com o mesmo ofício deles. Assim, Paulo passou a morar e a trabalhar com eles. Durante a semana o apóstolo trabalhava e aos sábados discorria na sinagoga. Isso mostra que a cobertura financeira para a viagem missionária de Paulo também dependia do seu trabalho. Assim, seu trabalho evangelístico maior se desenvolvia aos sábados, quando os judeus e gregos se reuniam nas sinagogas (At 18.4). O texto bíblico relata que apenas quando Silas e Timóteo chegaram ali é que Paulo pôde se dedicar em tempo integral à Evangelização e Ensino da Palavra (At 18.5).

Fica evidente que esse casal trabalhador logo apoiou e ajudou a sustentar a obra missionária da Igreja, através de Paulo, concedendo-lhe moradia e oportunidade de trabalho.

4. Um casal de olhos abertos (At 18.18)

Quando Paulo parte para Éfeso ele se despede de alguns irmãos, o que evidencia a existência de uma igreja nascente ali em Corinto (At 18.18). Entretanto, é significativo que ele leva em sua companhia o casal Priscila e Áquila. Por um lado, certamente ele via no casal uma vocação para apoio à obra missionária, não somente no sentido material, mas também no sentido espiritual, no que se refere à consistência e maturidade da sua fé. Por outro lado, chama a atenção o desprendimento do casal de acompanhar o apóstolo. Não temos a informação se Paulo os convidou ou se eles se ofereceram. Entretanto, a expressão “levando em sua companhia” (At 18.18) transmite a impressão de que o casal já fazia parte da equipe de Paulo. Ter os olhos abertos significa ter visão de vida e visão ministerial. Ter o foco em Deus e na sua obra. Dispor-se a deixar a sua zona de conforto e avançar na missão, no “IDE” de Jesus. Buscar o Reino de Deus como prioridade de vida, na certeza que as demais coisas nos serão acrescentadas.

5. Um casal de boca aberta (At 18.19, 23-28)

“Chegados a Éfeso, deixou-os ali; ele, porém, entrando na sinagoga, pregava aos judeus.” (At 18.19).

O casal amigo de Paulo, Áquila e Priscila, chega à cidade de Éfeso onde parece haver a intenção do apóstolo de estabelecer ali na casa deles uma base de apoio missionário para toda aquela região da Ásia. Eles se estabelecem ali e Paulo prossegue no seu avanço missionário, já concluindo sua segunda viagem e retornando à Antioquia (54 dC).

Passado algum tempo, ainda no ano de 54 dC, enquanto o apóstolo Paulo empreendia a sua terceira viagem missionária, surge um fato relevante ali em Éfeso que mereceu o registro bíblico, por Lucas. Um judeu, chamado Apolo, homem bastante eloquente e conhecedor das Escrituras, passa  discorrer ali na sinagoga de Éfeso. Apesar do seu poder de persuasão ele tinha um conhecimento limitado ao batismo de João. Naquela ocasião, Priscila e Áquila também frequentavam a sinagoga de Éfeso. Usando de grande sabedoria, prudência e discrição, conhecedores da fé cristã, em vez de colocar o vibrante pregador em dificuldade diante dos seus ouvintes, tomam-no à parte e lhe expõe “o caminho de Deus” com mais exatidão (At 18.23-26). O casal nos ensina que não basta conhecer alguma coisa da fé cristã; é preciso buscar a integridade doutrinária e ajudar os outros neste sentido.

Portanto, a estratégia de Paulo começa a surtir efeito e serve de exemplo para os pastores e líderes do povo de Deus. A liderança não é capaz de dar conta de toda a obra, sozinha. É preciso multiplicar pontos de apoio onde haja pessoas preparadas para ensinar, instruir, orientar e aconselhar, inclusive os novos pregadores. Por outro lado, todo o crente é desafiado a se preparar para os embates da vida cristã: “antes, santificai a Cristo, como Senhor, em vosso coração, estando sempre preparados para responder a todo aquele que vos pedir razão da esperança que há em vós,” (1Pe 3.15).

Apolo era um pregador valoroso e entusiasmado com o que fazia. Tendo sido devidamente instruído e desejando prosseguir nesta obra, percorrendo a Acaia, encontra no casal de “boca aberta” e nos outros irmãos de Éfeso, palavras e atitudes de encorajamento (At 18.27-28).

6. Um casal de portas abertas (1Co 16.19; Rm 16.3-5)

“As igrejas da Ásia vos saúdam. No Senhor, muito vos saúdam Áquila e Priscila e, bem assim, a igreja que está na casa deles.” (1Co 16.19)

“Saudai Priscila e Áquila, meus cooperadores em Cristo Jesus,…. saudai igualmente a igreja que se reúne na casa deles.” (Rm 16.3, 5a)

Vale lembrar que o casal residiu (ou permaneceu algum tempo) em várias cidades: Roma, Corinto, Éfeso, Roma e, depois, em local ignorado (talvez Éfeso). Quando Paulo escreveu a Primeira Epístola aos Coríntios, em 57 dC, ele estava em Éfeso, onde Áquila e Priscila residiam.  Fica evidente na saudação de 1Coríntios 16.19 que o casal acolhia em sua casa a igreja de Cristo. Quando Paulo escreveu a Epístola aos Romanos, em 57-58 dC, ele estava em Corinto, sendo que Áquila e Priscila residiam em Roma, onde também se reunia uma igreja na casa deles. Entretanto, há estudiosos que consideram o capítulo 16 de Romanos como um apêndice de uma outra epístola escrita para Éfeso. Neste caso, o casal não estaria em Roma, mas permanecia em Éfeso.

Naquela ocasião era muito comum as igrejas locais estarem sediadas em casas e não em templos, como se vê hoje. Isso demonstra desprendimento e compromisso total do casal com o reino; com o Deus da obra e com a obra de Deus.  Colocar a nossa vida, nossa casa e nossos bens a serviço de Deus é o grande desafio do cristão. Tem tudo a ver com o renunciar qualquer coisa por amor a Cristo.

7. Um casal de espírito aberto (Rm 16.3-4)

“Saudai Priscila e Áquila, meus cooperadores em Cristo Jesus, os quais pela minha vida arriscaram a sua própria cabeça; e isto lhes agradeço, não somente eu, mas também todas as igrejas dos gentios;” (Rm 16.3-4)

a) Espírito aberto a cooperar.

Cooperação é uma ação conjunta para uma finalidade ou objetivo em comum. Fica evidente naquilo que se diz a respeito deles, o quanto viviam em sintonia e cooperação, um com o outro, o casal com o apóstolo Paulo e demais irmãos, e todos os crentes com Deus, pois fomos chamados de “cooperadores de Deus” (1Co 3.9). A igreja é chamada de “corpo de Cristo” e individualmente, membros desse corpo (1Co 12.27), para agirmos da forma como acontece no corpo humano, onde cada membro ou parte do corpo, com sua função específica, contribui para o funcionamento do todo (Ef 4.15-16). Áquila e Priscila entenderam bem essa questão e fizeram parte do rol dos cooperadores de Paulo.

b) Espírito aberto a se sacrificar.

Naquela época ser cristão era correr o risco de ser perseguido e de perder a vida. O casal Priscila e Áquila deixaram um testemunho para nós e para a história da igreja que foi muito além do risco pessoal. Tal era o comprometimento deles com Deus e com a igreja de Cristo que eles arriscaram suas vidas pelo apóstolo Paulo, gerando gratidão no coração de Paulo e em todas as igrejas que amavam, zelavam e oravam pela vida e integridade física do apóstolo dos gentios. Não sabemos exatamente como isso aconteceu.

Servir e cooperar na obra de Deus é muito bom; entretanto ser encontrado digno de sofrer ou morrer por amor a Cristo (não por ser uma pessoa inconveniente ou insuportável) e em defesa do Evangelho é galgar um nível mais elevado (At 5.41).

Conclusão:

“Saúda Prisca, e Áquila, e a casa de Onesíforo.” (2Tm 4.19)

Esta última menção de Paulo ao casal de amigos, se deu dez anos depois (67 dC). Paulo, prisioneiro em Roma (2Tm 1.8, 17) como resultado da perseguição de Nero aos cristãos, estava próximo da sua execução e morte (2Tm 4.6) quando escreveu a segunda Epístola ao seu filho na fé Timóteo. Mesmo naquelas circunstâncias ele não deixou de enviar suas saudações a Áquila e Priscila (ou Prisca), por intermédio de Timóteo. Pessoas da estatura desse casal jamais são esquecidas e ficam como exemplo a ser seguido.

Se quiséssemos encontrar frases para sintetizar o que foi esse casal na história da igreja, diríamos assim:

– Juntos, em Cristo e por Cristo.

– Trabalho e cooperação, sem murmuração.

– Conhecimento e prática a serviço da igreja de Cristo.

– Instrumentos escolhidos e capacitados por Deus para dar apoio à sua obra.

– Coragem para enfrentar sofrimento e perseguição.

– Desprendimento e disposição para ir ou para ficar, segundo a vontade de Deus.

– Resiliência e adaptação às situações da vida.

– Vida e bens à disposição do Senhor.

– Cristãos relevantes e dedicados à expansão e fortalecimento do Reino de Deus.

Finalmente, não podemos deixar de ressaltar que, ao contrário de muitos cristãos ou obreiros de hoje, que são movidos por cargos ou gratificações financeiras, não se menciona que Áquila e Priscila tivessem algum cargo eclesiástico ou recebessem alguma remuneração. Simplesmente se contentavam com o privilégio de serem servos de Deus. Estavam mais preocupados em fazer do que em serem elevados, engrandecidos; em dar, do que em receber. Que isto nos sirva de exemplo e motivação!

Bibliografia:

  1. Bíblia Sagrada (SBB – Versão Revista e Atualizada).
  2. Bíblia Online – SBB.
  3. Reese, Edward; Klassen, Frank – A Bíblia em ordem cronológica.
  4. Champlin, Russell Norman, Ph.D. – O Novo Testamento Interpretado, versículo por versículo – Melenium.
  5. Pfeiffer, Charles F. ; Harrison, Everett F. – Os Evangelhos e Atos – Comentário Bíblico Moody.
  6. Dicionário de Nomes Próprios (Internet).
  7. Wikipédia (Internet).

[1] Dicionário de Nomes Próprios (Internet).

[2] Claudio: Tibério Cláudio César Augusto Germânico (em latim Tiberius Claudius Caesar Augustus Germanicus), o quarto imperador romano, sucessor de Calígula e antecessor de Nero. (Wikipédia)

A família do profeta Samuel

Texto(s) base: 1Sm 1.1-28; 2.1-10

Introdução

O estudo de hoje focaliza uma família poligâmica constituída, inicialmente. assim: Elcana; suas duas esposas, Ana e Penina; e os filhos de Elcana com Penina. Apesar de ser uma família religiosa, que buscava cumprir as ordenanças da Lei Cerimonial ou Religiosa – a que determina as regras de culto a Deus – na realidade, eles não viviam em paz e harmonia; o que nos leva a pensar que se trata de uma família infeliz. Cada membro dessa família vivia a sua frustação e angústia pessoais. Penina, apesar de ter dado filhos e filhas ao seu marido, por se considerar como “a outra”; menos amada e menos agraciada no recebimento de porções para o sacrifício anual (1Sm 1.4-5). Ana, por ser estéril e por ser provocada contínua e excessivamente pela rival Penina (1Sm 1.2, 5-8). Elcana, por ter que administrar as frustrações e angústias das suas esposas. Certamente os filhos e filhas de Penina, por terem que viver num ambiente familiar tão desagradável como esse. Não é razoável que uma família que serve a Deus viva num ambiente assim!

“As ostras são animais pertencentes ao filo Mollusca e classe Bivalvia, cuja concha é dividida em duas valvas que se unem através de um ligamento. São os únicos animais capazes de produzirem as pérolas, objetos tão apreciados por joalheiros. Não são todas as espécies de ostras que conseguem produzir a pérola, sendo que as que produzem são chamadas de perlíferas, e fazem parte da família Pteriidae (de água salgada) e Unionidae (de água doce). A produção da pérola pela ostra nada mais é do que um mecanismo de defesa do animal, quando ocorre a penetração de corpos estranhos, como grãos de areia, parasitas, pedaços de coral ou rocha, entre a concha e o manto. Quando esse corpo estranho está no interior da ostra, o manto do animal envolve essa partícula em uma camada de células epidérmicas, que produzem sobre ela várias camadas de nácar, originando a pérola. O processo de fabricação de uma pérola pela ostra demora em média três anos, e geralmente elas são retiradas com 12 mm de diâmetro.” [1]

Assim como nem todas as ostras produzem pérolas, nem todas as pessoas são capazes de tirar proveito, se enriquecer e amadurecer espiritualmente quando passam por provações.

 

1. Poligamia e Esterilidade feminina.

Diante de uma narrativa como esta, não se pode deixar de analisar, inicialmente, os temas “poligamia” e “esterilidade feminina” no contexto do Antigo Testamento.

1.1 Poligamia

O termo se refere a casamento com múltiplos cônjuges. É um equívoco afirmar que a poligamia de Elcana era sinal da iniquidade daquela época. Na antiguidade a prática da poligamia era quase universal. O Antigo Testamento (AT) não fundamenta esse tipo de juízo moral. No AT, a poligamia era tolerada, porém não recomendada (Dt 21.15; 25.5-10, lei do levirato). A primeira menção de poligamia na bíblia é a de Lameque (Gn 4.19). Foram polígamos os patriarcas Abraão (Sara, Hagar e Quetura) e Jacó (Lia, Raquel, Bila e Zilpa); os reis Davi e Salomão (várias esposas e concubinas); dentre muitos outros.

Algumas informações interessantes sobre as sociedades que reconhecem, legal e religiosamente, a instituição da poligamia:

a) O ciúme maior entre as esposas não é por questões sexuais, mas pela posição social, número de filhos e favores recebidos do marido.

b) Elas preferem essa forma porque uma co-esposa provê companhia e ajuda no trabalho doméstico.

c) O número maior de esposas indica mais prosperidade financeira e prestígio social, e supre maior força de trabalho.

Outro aspecto a se levar em conta era que, na antiguidade, as inúmeras e constantes guerras dizimavam milhares de homens e desequilibrava o quadro estatístico populacional homens x mulheres.

Nas sociedades ocidentais predomina a monogamia como regime legal. Mas não se pode descartar a “poligamia informal” através de amantes e casos extraconjugais, que caracterizam o pecado do adultério.  

“Nos dias de Jesus, ainda havia a poligamia em Israel, e o divórcio era tão fácil que casamentos plurais, em sucessão, tornaram-se extremamente comuns”[2]. Poligamia e divórcios e novos casamentos fogem do ideal estabelecido por Deus e são prejudiciais à família.

A monogamia é sim o modelo instituído por Deus, desde o princípio (Gn 2.24) e ratificado por Jesus e nas epístolas do Novo Testamento (Mt 19.3-9; Mc 10.1-12; 1Co 6.16; 7.1-2; Ef 5.22-33 e 1Tm 3.2).

1.2 Esterilidade feminina

No oriente e na antiguidade a esterilidade era uma questão muito séria. A mulher estéril sofria de vergonha diante de si mesma e do povo. Na visão teológica popular daquela época uma mulher estéril estava sob juízo divino (Gn 16.2; 30.1-23; 1Sm 1.6, 19-20. Assim, a reversão da esterilidade era considerada um ato de misericórdia através da intervenção divina, como resposta à oração: “Faz que a mulher estéril viva em família e seja alegre mãe de filhos. Aleluia!” (Sl 113.9). Havia outros dois aspectos relevantes que agravavam a problemática da esterilidade, a tal ponto de fomentar, de alguma forma a poligamia. O primeiro era a questão da “imortalidade” através da continuação da linhagem física. Um israelita temia “morrer”, se sua linhagem física fosse descontinuada, devido à ausência de filhos. O segundo era a questão da herança de terras e a perpetuação do patrimônio e do nome da família.

 

2. O cenário dos acontecimentos

Os acontecimentos aqui narrados ocorreram por volta de 1126 a 1115 aC, tendo Samuel nascido em cerca de 1115 aC[3]. Na ocasião o tipo de governo de Israel era Teocrático.

Deus ->

Sacerdotes ->

Juízes ->

Povo

O cenário espiritual da época era caótico. A liderança espiritual, corrompida. Eli, o sacerdote, muito velho, inerte, acomodado, incapaz de pôr limites e de corrigir as prevaricações dos filhos (1Sm 2.22-26; 3.13), incapaz de fazer a diferença entre uma expressão de comunhão íntima com Deus e uma embriaguez (1Sm 1.12-18). Seus filhos, Hofini e Finéias, perversos, chamados de “filhos de Belial” (2.12-17), avaliados pelo Senhor como execráveis (1Sm 3.13).

Apesar desse cenário caótico, de uma liderança acomodada e corrompida, o Tabernáculo estava erguido em Silo (ou Siló), na região central de Israel, na tribo de Efraim. De Gilgal o Tabernáculo foi transferido para Silo, ali permanecendo durante todo o período dos juízes (Js 18.1). O texto bíblico descreve sua posição geográfica: “Então, disseram: Eis que, de ano em ano, há solenidade do SENHOR em Siló, que se celebra para o norte de Betel, do lado do nascente do sol, pelo caminho alto que sobe de Betel a Siquém e para o sul de Lebona” (Jz 21.19). A família de Elcana morava em Ramataim-Zofim (1Sm 1.1), cujo nome reduzido é Ramá (1Sm 1.19), região montanhosa de Efraim e não muito distante de Silo. Estava localizada a uns 15Km de Betel e 32 Km de Jerusalém.

O Tabernáculo erguido ali em Silo era o centro da adoração nacional do povo judeu, antes da construção do Templo por Salomão, algum tempo depois. A “arca da aliança”, símbolo da presença de Deus estava ali. O povo não tinha a liberdade de cultuar em qualquer lugar. A ordenança da lei é que todos deveriam celebrar festa ao Senhor três vezes no ano (Ex 23.14-19; 34.23; Dt 16.16; Lv 23): no 1º mês – Páscoa / Pães Asmos / Primícia; no 3º mês – Pentecostes; e, no 7º mês – Trombetas / Expiação / Tabernáculos.

 

3. Os personagens dessa história

3.1 Penina – Uma mulher rixosa

Pode-se deduzir da narrativa bíblica que Penina, cujo nome no hebraico significa “pedra preciosa”, “pérola” ou “coral”, o que no grego e no latim, é Margaret[4],   tinha uma religiosidade nominal. Parece que ela não fazia jus ao nome que tinha. Era do tipo que apenas acompanhava a família na ida ao Tabernáculo. Suas atitudes de provocação e zombaria para com Ana, a ponto de irritá-la e deixá-la transtornada de modo a perder o apetite, denunciava a sua falta de amor a Deus e ao próximo, pontos basilares da lei mosaica. Pode ser considerada uma mulher rixosa – aquela que tende a causar rixas, brigas; briguenta, brigona[5]. Os quatro textos sobre mulher rixosa encontrados em Provérbios parecem inspirados nesse tipo de gente. Em resumo, pode-se dizer que é melhor morar no canto do eirado, ou em terra deserta, do que junto a ela na mesma casa; pois ela é como o gotejar contínuo no dia de grande chuva (Pv 21.9, 19; 25.24; 27.15).

3.2 Elcana – Um marido pacificador

Samuel foi um personagem importante na história do povo hebreu, pois atuou como juiz, profeta e sacerdote. Na sua época ocorreu a transição do tipo de governo em Israel, de juízes, para a monarquia. Portanto, o escritor bíblico, que é o próprio Samuel, nos deixou esse importante legado biográfico de suas origens, através de seu pai Elcana e de sua mãe Ana. Elcana, que no hebraico significa “Deus se apossou”, ou “Deus criou”[6] era levita, descendente de Coate, mas não da linhagem araônica, conforme descrito na genealogia bíblica, como segue:  Samuel, filho de Elcana, filho de Jeroão, filho de Eliel, filho de Toá, filho de Zufe, filho de Elcana, filho de Maate, filho de Amasai, filho de Elcana, filho de Joel, filho de Azarias, filho de Sofonias, filho de Taate, filho de Assir, filho de Ebiasafe, filho de Coré, filho de Isar, filho de Coate, filho de Levi (Ver 1Cr 6.33-38). Elcana, morava em Ramataim-Zofim ou Ramá, no território da tribo de Efraim, já que os levitas não herdaram terras e habitavam entre os seus irmãos, mas pertencia à tribo de Levi. Era, portanto, levita por descendência e efraimita, por residência. Foi por esse motivo que o seu filho Samuel pôde envolver-se nas atividades do tabernáculo.

Elcana tinha algumas virtudes, a saber:

a) Ele era um homem piedoso.

A narrativa bíblica diz que anualmente, ele reunia toda a família e peregrinava até Silo, para oferecer os sacrifícios ao Senhor, em obediência às ordenanças da lei.

b) Ele era um marido e pai cuidadoso.

Como sacerdote da sua casa, ele não apenas levava as esposas e os filhos. Ele oferecia o seu sacrifício e dava porções para cada membro da família. O exemplo pessoal é fundamental para a edificação da família.

c) Ele era um marido amoroso e compensador.

Como sua esposa Ana era estéril ele procurava compensar sua angústia e frustração dando-lhe porção dupla para o sacrifício, porque a amava (1Sm 1.5). Não sabemos se ele repreendia Penina por sua má conduta em relação a Ana. Nem ao menos sabemos se ele tinha conhecimento dessa provocação. Mas quando viu Ana chorando e sem querer comer, mostrou-se sensível e atencioso, e procurou oferecer-lhe apoio e consolo (1Sm 1.8). Na sua fala “– Não te sou eu melhor do que dez filhos?” fica evidenciado o quanto ele a prestigiava.

d) Ele era um marido sexualmente ativo.

Naturalmente, ele coabitou com Ana, na volta de Silo, com o propósito da procriação, mas não podemos descartar o aspecto da busca do prazer e afeto (1Sm 1.19). Este é outro aspecto que o casal não deve descuidar, para não gerar frustrações conjugais e tentações extraconjugais.

e) Ele era um marido que respeitava sua esposa.

Ele respeitou a vontade de Ana de não subir ao sacrifício anual após o nascimento de Samuel. Ele respeitou a vontade de Ana de só subir quando pudesse apresentá-lo e deixá-lo lá. Também respeitou seu voto de entregar Samuel para ficar no tabernáculo, consagrado ao serviço do Senhor (1Sm 1.21-23). Agindo assim, ele atendia plenamente à recomendação de Pedro aos maridos, quanto a ter consideração para com a sua esposa (1Pe 3.7).

3.3 Ana – Uma mulher de fé

O nome Ana significa, no hebraico, “graça”, “favor”. Ana faz parte da galeria das sete mulheres estéreis que receberam destaque na bíblia, por terem sua situação revertida, a saber: Sara, Rebeca, Raquel, a mãe de Sansão, Ana, a mulher sunamita (2Rs 4.14-16) e Isabel (a mãe de João Batista).

Alguns aspectos relevantes sobre Ana:

a) Ela era uma mulher compreensiva.

É provável que ela tenha sido a primeira esposa de Elcana. Por ser estéril e não dar filhos ao marido deve ter concordado que o marido tomasse outra esposa para lhe dar herdeiros e lhe perpetuar o nome. Não há registro bíblico sobre isso, mas é provável que tenha acontecido desta forma.

b) Ela era uma mulher atribulada de espírito (1Sm 1.15).

Primeiramente porque sua condição de esterilidade era vista naquela época como um castigo divino (1Sm 1.5). Aliado a isso havia a questão da vergonha e humilhação social, por não poder prover descendência ao marido. Por fim, para tornar as coisas insuportáveis, o desprezo e provocações da rival Penina.

c) Ela era uma mulher amada e respeitada.

Certamente, essa atitude de amor e respeito por parte do seu marido foi fundamental para ela conseguir suportar as adversidades e aflições decorrentes da sua situação de esterilidade e provocação doméstica. 

d) Ela era uma mulher de oração.

Acima de tudo, porém, ela colocou sua confiança e fé em Deus. Num tempo de apagão espiritual, ela resolveu não olhar para a liderança espiritual apóstata e corrompida do Tabernáculo. Antes, porém, na sua ansiedade e aflição (1Sm 1.16) buscou a Deus em fervente oração, derramando a sua alma perante o Senhor (1Sm 1.15). Somos orientados pelos apóstolos Paulo e Pedro a agir como Ana: “Não andeis ansiosos de coisa alguma; em tudo, porém, sejam conhecidas, diante de Deus, as vossas petições, pela oração e pela súplica, com ações de graças.” (Fp 4.6); “lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós.” (1Pe 5.7).

e) Ela era uma mulher fiel.

Na sua angústia e aflição Ana foi além, não apenas orou e chorou, mas fez um voto ao Senhor. Se o Senhor lhe desse um filho varão ela o entregaria a ele como “nazireu”, isto é, separado e consagrado a Deus (1Sm 1.10-11). O Senhor ouviu o seu clamor e atendeu à sua oração. E, no tempo certo ela cumpriu o seu voto (1Sm 1.24-28). Quantas pessoas, em momentos de aflição e angústia, fazem tantas promessas a Deus. Porém, quando passa a tempestade existencial, se esquecem completamente dessas promessas e compromissos. Assim, continuam a viver vidas vazias de propósito, cheias de problemas.

f) Ela era uma mulher de louvor.

Depois de entregar seu filho, Ana mostra que além de ser uma mulher de fé, temente a Deus, era grata. Anteriormente ela havia derramado o seu coração diante de Deus, silenciosamente, agora, ela ora, provavelmente de forma audível, diante da congregação, expressando seu louvor a Deus: por sua santidade e unicidade (ou singularidade)(1Sm 2.2); por sua sabedoria (1Sm 2.3); por sua soberania e poder, sobre pessoas e circunstâncias (1Sm 2.4-8); e, pelo seu juízo (1Sm 2.9-10). Aqueles que desfrutam de plena comunhão com Deus, são por ele ouvidos e sustentados, vivendo para a glória do seu nome.

g) Ela era uma mulher recompensada.

A sua fidelidade, no cumprimento do seu voto, bem como a sua atitude de louvor e exaltação a Deus não passaram despercebidos. O Senhor a abençoou e a recompensou com a concepção e nascimento de mais três filhos e duas filhas. Sem dúvida, ela deixa um exemplo de mulher vitoriosa!

Conclusão:

a) Havia convergência de interesses:

Ana precisava de um filho e Deus de um líder (Fp 2.13). A vida só tem sentido se estiver repleta de “Propósitos Divinos”. Deus “precisa” de pessoas para executarem o que está no seu coração e na sua mente (1Sm 2.35). Às vezes, nossas orações não são atendidas porque são egoístas: “..pedis e não recebeis porque pedis mal, para esbanjardes em vossos prazeres” (Tg 4.3)

b) Havia uma parceria de sucesso:

– Ana fez a sua parte – coabitou com seu marido (1Sm 1.19)

– Deus fez a parte dele – liberou o seu ventre (1Sm 1.19)


[1] Mundo educação: https://mundoeducacao.bol.uol.com.br/biologia/formacao-uma-perola.htm

[2] R. N. Champlin, Ph. D. – O Antigo Testamento Interpretado, versículo por versículo.

[3] Reese, Edward; Klassen, Frank – A Bíblia em Ordem Cronológica. Ed. Vida, 2003

[4] R. N. Champlin, Ph. D. – O Antigo Testamento Interpretado, versículo por versículo.

[5] Wikipédia.

[6] R. N. Champlin, Ph. D. – O Antigo Testamento Interpretado, versículo por versículo.

Caminhos Maravilhosos e Incompreensíveis

“Há três coisas que são maravilhosas demais para mim, sim, há quatro que não entendo: o caminho da águia no céu, o caminho da cobra na penha, o caminho do navio no meio do mar e o caminho do homem com uma donzela. (Pv 30.18-19)

Introdução:

O que há de tão maravilhoso e incompreensível aqui nessas palavras de Agur? O que há de tão especial nesses quatro caminhos?

1) O caminho da águia no céu

A águia voa veloz e impetuosamente no céu, o seu habitat natural.

Ela vive nos lugares mais altos, mas desce e se alimenta do que está em lugares baixos, sobre a terra.

O céu é vasto; ainda assim, a águia nunca perde o seu ninho.

Tenham um “casamento águia”!

Voem alto! Sonhem alto! Usem seus talentos, imaginação e criatividade. Entretanto, sustentem-se na terra, com os pés firmes no chão da realidade de cada dia.

Voem para longe! Conquistem os céus e a terra; mas nunca percam de vista o lugar do seu ninho, o valor da sua família.

Acima de tudo considerem que o ponto mais alto da existência humana é a proximidade e o aconchego da presença de Deus, daquele que habita num alto e sublime trono (Êx 19.4; Is 57.15), e não a riqueza, o poder, ou o aplauso humano.

2) O caminho da cobra na penha (pedra)

A cobra rasteja sobre a terra, o que não deixa de ser uma limitação natural da sua espécie.

A cobra vive nos lugares mais ocultos, mas se alimenta daquilo que está à vista.

A terra é vasta; ainda assim, há momentos em que a cobra precisa expor-se sobre as rochas.

Tenham um “casamento cobra”!

Tenham consciência das limitações e fragilidades, individuais e das do seu cônjuge. “Eis que eu vos envio como ovelhas para o meio de lobos; sede, portanto, prudentes como as serpentes e símplices como as pombas.” (Mt 10.16). Sejam prudentes. Protejam-se das tentações. Tirem proveito das próprias limitações. Complementem-se. Quando estiverem muito expostos, até mesmo pelas circunstâncias ou oportunidades da vida profissional, social ou eclesiástica, redobrem a atenção.

3) O caminho do navio no meio do mar

O navio flutua e desliza sobre as águas do mar.

O navio transita no mar, mas se ancora em terra firme.

O mar é vasto; ainda assim, o navio chega ao destino certo.

Tenham um “casamento navio”!

O mar da vida conjugal é muito vasto e rico, porém cheio de imprevistos. Ora há bonança, ora há tempestade. A cada novo desafio de vida, isto é, a cada nova saída do porto, tenham certeza de qual é o porto de destino. Planejem bem a viagem da vida familiar e usem todos os instrumentos e recursos para uma boa navegação. Lembrem-se de que a Bíblia é o “Mapa do Viajante” e a “Bússola do Piloto”. Então, corajosamente, soltem o cabo da nau, tomem os remos nas mãos e naveguem com fé em Jesus. Nunca se esqueçam de que Jesus é o comandante e a âncora de um casamento bem-sucedido.

4) O caminho do homem com uma donzela

Homem e mulher caminham juntos sobre o chão do amor.

O casamento vive e sobrevive pelo amor, mas se sustenta em Jesus Cristo.

O caminho do amor pode ser mais vasto do que o céu, do que a terra e do que o mar; desde que, homem e mulher, construam juntos e a cada dia, um pedaço do chão do amor, até o final dos seus dias.

Tenham um “casamento a dois e a três”!

“Casamento a um” é quando a pessoa se casa e continua pensando apenas em si mesma, nos seus interesses pessoais e no seu próprio bem-estar. É preciso renunciar o EU e assumir o NÓS!

“Casamento a dois” é o casamento em que cada cônjuge vive para o outro. O que acontecia no namoro, deve continuar a ser cultivado por toda a vida: o respeito à individualidade do outro; a busca de estar perto do outro; a vontade de tudo fazer para agradar ao outro; o cuidado com o corpo, isto é, com o que se veste, com a forma de falar, para se apresentar sempre atraente para o outro. Enfim, o “tudo ser” e “tudo fazer” para o bem e para conquistar o outro a cada dia. Não permitam que a atenção aos filhos ou a algum parente ou a outra pessoa qualquer, subtraia a atenção devida ao cônjuge. Não permitam que qualquer atividade humana: profissional, social, recreativa ou eclesiástica, extinga essa atenção de um pelo outro. Não permitam que o tempo, a rotina da vida, o desvanecimento da beleza física, reduzam essa atenção de um pelo outro.

“Casamento a três” é o casamento em que, além de cada cônjuge viver para o outro e para a família, acima de tudo, ambos vivem para Deus e Deus habita e caminha no meio deles. “Se alguém quiser prevalecer contra um, os dois lhe resistirão; o cordão de três dobras não se rebenta com facilidade.” (Ec 4.12)

Considerações:

Dedico essa mensagem a todos os recém casados e casados a mais tempo, mas em especial ao meu filho Adolfo e a minha nora Silvana, que se casaram em 04/06/2019. Que sejam uma família bendita do Senhor!

O ventilador e o casamento

Ventilador soprando sobre um casal de noivos. Véu da noiva esvoaçando e pequenos corações saindo do casal.

As situações que vivenciamos no nosso cotidiano podem ser verdadeiramente pedagógicas e enriquecedoras, na escola da vida. Às vezes precisamos queimar muito fosfato para extrair lições daquilo que nos acontece, outras vezes elas saltam aos nossos olhos e berram aos nossos ouvidos. Um exemplo disso é a história do nosso ventilador que compartilhamos a seguir.

Era uma vez um ventilador de mesa, nem muito grande, nem muito pequeno. Um daqueles facilmente encontrados na casa de pessoas comuns, iguais a você e eu. A marca e a cor? Isso pouco importa, no paralelo que é apresentado aqui. Entretanto, não deixa de ser especial. Por que? Porque podemos chamar de nosso. Porque faz parte do nosso dia a dia. Porque torna a nossa existência melhor. É como o nosso casamento, que é especial, que é nosso, que torna a nossa existência melhor.

Esse ventilador entrou em nossa casa novinho, há muito tempo atrás, quando o ar condicionado nem era tão popular assim. Tão novinho quanto a nova vida que se passa a desfrutar a partir do casamento. Era conectá-lo na tomada, em qualquer cômodo da casa, e ele funcionava muito bem. Nada tínhamos a reclamar, exatamente como no nosso relacionamento nas primeiras semanas ou, quem sabe, primeiros meses de casamento. Tudo em clima de lua de mel. Era ligar e correr para o abraço, ou melhor, para receber um ar fresco.  

E o tempo passou…. E nem tudo funciona bem, o tempo todo e todo o tempo; tanto um ventilador, quanto um relacionamento conjugal. Ao ligar o ventilador, observei que a hélice demorava um pouquinho a girar, mas acabava girando. Depois de um certo tempo é normal acontecer uma pequena travada aqui, outra ali, mas nada tão grave assim. Conversa-se, aparam-se as arestas e a vida segue, o casamento flui.

E o tempo passou…. E agora, nada da hélice girar. Desligar e ligar outra vez, de nada adiantava. Algo tinha que ser feito. Eureka! É claro! Um cuidadoso peteleco na hélice e pronto, ele passava a funcionar. E o peteleco virou rotina ou não teria ar fresco. Você já ouviu falar, ou já viu, ou já vivenciou um casamento que só funciona na base do peteleco? Como assim? A euforia do primeiro amor esvaiu-se. O empenho e dedicação pra fazer as coisas, esmoreceu. As iniciativas positivas, os gestos espontâneos, a demonstração de carinho; desapareceram. Aquela vontade de agradar o cônjuge ficou no passado. O que prevalece agora, nesse relacionamento, é o peteleco da cobrança mútua. E assim, de cobrança em cobrança, o casamento segue adiante, arrastando-se, como pode.

E o tempo passou… E o peteleco se tornou ineficaz, inútil. O ventilador resolveu não funcionar mais. Então, era chegada a hora de ir mais fundo; de arregaçar as mangas e colocar em prática as poucas habilidades técnicas. Desmonta-se a grade de proteção e retira-se a hélice. Aí, evidenciam-se as causas de tal paralisia: fios de cabelo e sujeira em volta do eixo da hélice! Faz-se uma boa limpeza e aplica-se um pouco de lubrificante. Finalmente, terminada a montagem, fica a expectativa: será que vai funcionar? Show! Não é que funcionou igualzinho a quando era novo? Giro imediato, sem engasgo e sem necessidade de peteleco.

Ah, o tempo. Às vezes, tão útil, tão necessário, curando feridas do corpo e da alma, apagando más lembranças de péssimos momentos. Outras vezes, porém, encarnando aquele agente algoz, inimigo cruel, secando a beleza, esfriando o amor, travando os relacionamentos. Quando o relacionamento conjugal trava mesmo é hora de discutir seriamente a relação (DR). Não adianta mais empurrar a sujeira para debaixo do tapete. É hora de limpar a sujeira! É hora de conversar sobre aquilo que aborrece, contraria, gera conflito, causa desgosto e desânimo. É hora de negociar e corrigir o que está errado, resgatar a confiança, o respeito, o carinho e a atenção no lidar com o outro. É hora, também, de “lubrificar o casamento”, para reduzir o atrito e, consequentemente, o desgaste da relação. Como lubrificar um relacionamento conjugal? Não há receita pronta, mas dicas eficazes, interessantes. É necessário investir no cônjuge, no casamento, na família!  É hora de cobrar e reclamar menos e elogiar mais; de promover momentos especiais e românticos, quebrando a rotina; de passear mais, viajar mais, presentear mais; de dedicar mais tempo e atenção ao cônjuge.

E o tempo passou…. Ah, o tempo. Não se cansa, não desiste, não cessa de provocar envelhecimento e desgaste. E assim, aquele mesmo ventilador começou a apresentar os mesmos maus sintomas de antes: demorava um pouco, mas girava. Depois de algum tempo, só girava no peteleco. Passado mais um tempo, travou de vez. Aí, você acha que já sabe como solucionar o problema e resolve desmontar, limpar e lubrificar outra vez. Entretanto, após a montagem e teste de funcionamento acontece a surpresa, o inesperado; o ventilador não funcionou. E agora? O que fazer? Desistir nem pensar! Então, mãos a obra. Desmonta-se tudo, como antes, e mais ainda. Só que falta habilidade e o conhecimento técnico necessários. Então, começam a pular molas e peças, daqui e dali, e a coisa sai do controle. Então, junta-se tudo e leva-se para um profissional da área resolver. E aí, será que resolveu? Não é que o ventilador voltou da manutenção funcionando bem!

Há situações no relacionamento conjugal que escapam ao controle do casal, à sua capacidade de tratar. É nessa hora que o casal precisa admitir que precisa de ajuda externa. Não é fácil perceber quando esse momento chega, nem admitir sua impotência para tratar do assunto. Entretanto, é justamente para isso que pessoas estudam e se preparam: terapeutas de família, pastores, conselheiros matrimoniais.

Ah, o tempo…. Ah, essa nossa mania de culpar o tempo, de culpar o outro. Quem contestará que o vilão não é o tempo, mas os elementos da natureza. É o ar, a oxidação, o calor, a umidade, o atrito mecânico, a reação química, elementos em excesso ou em escassez, dentre outros. Por isso, os objetos e equipamentos se deterioram, com o passar do tempo. Da mesma forma, não é o tempo que destrói os casamentos, os relacionamentos. São as ações e omissões de cada cônjuge; os excessos e a escassez. Não seria o tempo um mero e passivo observador externo? O importante mesmo, enquanto houver fôlego de vida, é acreditar que sempre é tempo de reagir aos desmandos vistos no tempo. Portanto, faça a sua parte e deixe que Deus faça a parte dele. Mesmo sem querer forçar uma analogia, vale lembrar que este ventilador precisava estar ligado na energia da casa para funcionar. De igual forma, um casamento, para funcionar plenamente, precisa estar ligado em Deus, aquele que o instituiu. Que o Senhor Jesus Cristo seja a fonte inesgotável de suprimento para o seu casamento!

Como uma excelente opção para revitalização do casamento, recomendamos a participação do casal no evento de final de semana denominado de “Encontro de Casais com Cristo – ECCC”.

“Porque para todo propósito há tempo e modo; porquanto é grande o mal que pesa sobre o homem.” (Ec 8.6)

Menos é Mais, Um é Tudo!

Introdução

Quem nunca ouviu ou fez um comentário do tipo “menos é mais”, principalmente quando se não gosta do que está vendo ou do que viu? O objeto da avaliação pode ser muito variado. Por exemplo: a decoração de um ambiente muito carregada; um vestuário com muita mistura de padrões de tecido e cores (“com muita informação”); a maquilagem muito pesada e extravagante; um prato de comida com muita quantidade de itens nada saudáveis e pouca qualidade de nutrientes; e, até mesmo, na questão da comunicação, quando o sujeito fala demais e acaba sendo inconveniente, falando o que não devia e passando a imagem errada.

Em qualquer área da nossa existência é possível identificar casos ou situações onde é perfeitamente aplicável o comentário “menos é mais”, inclusive quando se trata de crença ou religião. Que fique claro aqui que não estou me referindo ao caso de “ter menos fé” como sendo algo mais adequado do que “ter muita fé”.  Porém, cabe aqui uma reflexão sobre o(s) objeto(s) da fé da pessoa. Desde a antiguidade a humanidade cultiva uma falsa ideia de que quanto mais deuses se cultua ou adora, mais seguro, protegido e feliz será. O politeísmo (do grego: polis, muitos, théos, deus: muitos deuses), por definição, é a crença e subsequente adoração a mais de uma divindade, sendo que cada uma é considerada uma entidade individual e independente com uma personalidade e vontade próprias, governando ou atuando sobre diversas atividades, áreas, objetos, instituições, elementos naturais e mesmo relações humanas. Nem sempre estas se encontram claramente diferenciadas, podendo naturalmente haver uma sobreposição de funções de várias divindades (Dt 17.3).

A própria bíblia menciona e condena o culto a inúmeros deuses pelos povos antigos, sendo que não é nosso objetivo avançar nesta área. A Bíblia, desde o seu primeiro capítulo e versículo (Gn 1.1), apresenta o Deus Único, Vivo e Verdadeiro, Criador e Sustentador dos Céus e da Terra! Quando Deus inicia o processo de formar um povo de sua propriedade exclusiva, ele chama a Abrão, da terra de Ur dos Caudeus – um rico, populoso e avançado centro pagão da Mesopotâmia, um lugar onde se praticava a idolatria. A primeira menção, na Bíblia, a ídolos (do lar) encontra-se em Gênesis 31.19; e a deuses, referindo-se a esses mesmos ídolos, em Gênesis 31.30, furtados por Raquel, esposa de Jacó. Já na base da formação do povo de Deus, Israel, havia a influência idólatra do ambiente interno e externo. Depois de conviver com os egípcios, por cerca de 430 anos (Ex 12.40), o povo de Israel se deixou influenciar pela idolatria. Com a saída do Egito, um novo tempo começou, e o combate divino à adoração idólatra continuou com força total, já no primeiro dos dez mandamentos: “Eu sou o SENHOR, teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão. Não terás outros deuses diante de mim.” (Ex 20.2-3). Pode-se dizer, então, que, nesta área de crença e religião, adoração e culto à divindade, não cabe a ideia do MENOS É MAIS, porém, a ideia e conceito de que UM (DEUS) É TUDO! “O SENHOR é o meu pastor; nada me faltará.” (Sl 23.1).

Ao longo dos tempos, essa foi a grande luta de Deus com seu povo Israel e tem sido a grande luta da igreja de Cristo, ao evangelizar as pessoas. Satanás jamais desistiu e desistirá de investir para fazer com que o ser humano não foque sua adoração e intercessão somente em Deus. Se uma pessoa não teve um encontro pessoal e verdadeiro com Deus, em momentos de dificuldade e de crise, estará muito mais susceptível a buscar ajuda sobrenatural e espiritual em qualquer lugar.

É preciso esclarecer que Deus é Soberano, é Todo Poderoso, mas recebe a todos, diretamente, sem intermediários humanos: “Porque assim diz o Alto, o Sublime, que habita a eternidade, o qual tem o nome de Santo: Habito no alto e santo lugar, mas habito também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos e vivificar o coração dos contritos.” (Is 57.15). Em momentos difíceis, podemos e devemos buscar apoio nos parentes e amigos mais chegados, para juntos buscarmos a ajuda do Alto, do Pai Celeste, se é que já fomos feitos filhos de Deus, pela regeneração e novo nascimento, em Cristo.

Deus jamais estabeleceu intermediários como Maria, ou santos, ou padres, ou papas, ou pastores, ou gurus, ou orixás, ou pais de santo, avatares ou monges, para fazerem esta intermediação: “Porquanto há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem,” (1Tm 2.5). Vejamos o que diz a Bíblia sobre algumas “coisas” únicas:

a) O Deus único

“todavia, para nós há um só Deus, o Pai, de quem são todas as coisas e para quem existimos; e um só Senhor, Jesus Cristo, pelo qual são todas as coisas, e nós também, por ele.” (1Co 8.6)

“A ninguém sobre a terra chameis vosso pai; porque só um é vosso Pai, aquele que está nos céus.” (Mt 23.9)

“Um só é Legislador e Juiz, aquele que pode salvar e fazer perecer; tu, porém, quem és, que julgas o próximo?” (Tg 4.12)

“Mas Jesus lhe respondeu: Está escrito: Ao Senhor, teu Deus, adorarás e só a ele darás culto.” (Lc 4.8)

b) Jesus, o Filho unigênito de Deus

“Porquanto há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem,” (1Tm 2.5)

“Vós, porém, não sereis chamados mestres, porque um só é vosso Mestre, e vós todos sois irmãos.” (Mt 23.8)

“Nem sereis chamados guias, porque um só é vosso Guia, o Cristo.” (Mt 23.10)

“Porque zelo por vós com zelo de Deus; visto que vos tenho preparado para vos apresentar como virgem pura a um só esposo, que é Cristo.” (2Co 11.2)

c) Um só Espírito

“Pois, em um só Espírito, todos nós fomos batizados em um corpo, quer judeus, quer gregos, quer escravos, quer livres. E a todos nós foi dado beber de um só Espírito.” (1Co 12.13)

d) Uma só igreja, a Igreja de Cristo

“assim também nós, conquanto muitos, somos um só corpo em Cristo e membros uns dos outros,” (Rm 12.5)

“Vivei, acima de tudo, por modo digno do evangelho de Cristo, para que, ou indo ver-vos ou estando ausente, ouça, no tocante a vós outros, que estais firmes em um só espírito, como uma só alma, lutando juntos pela fé evangélica;” (Fp 1.27)

e) Nossa escolha: – Uma só opção correta!

“Entretanto, pouco é necessário ou mesmo uma só coisa; Maria, pois, escolheu a boa parte, e esta não lhe será tirada.” (Lc 10.42)

Finalmente,

“há um só Senhor, uma só fé, um só batismo; um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, age por meio de todos e está em todos.” (Ef 4.5-6)

“Crês, tu, que Deus é um só? Fazes bem. Até os demônios crêem e tremem.” (Tg 2.19)

Num ambiente tão secularizado e materialista, como o desse mundo pós-moderno em que vivemos, crer na existência de Deus já é grande coisa. Porém, nossa crença precisa ir muito além da crença que até os demônios têm! É preciso que Deus viva em nós e que nós cumpramos plenamente os seus propósitos durante essa curta caminhada terrena.

Se uma doença é humanamente incurável, de que adianta tomar um ou todos os medicamentos existentes? O pecado é uma doença espiritual e humanamente incurável. De que adianta apelar para uma ou todas as religiões existentes? Somente Deus proveu a cura para o pecado – o sacrifício de seu Filho na cruz do Calvário!

Lembre-se que, na terra, é possível que vários caminhos nos levem a determinado lugar; entretanto, há um só caminho que nos conduz a Deus e ao céu – Jesus Cristo!

Lembre-se que, muitas vezes, menos é mais; porém, em assuntos espirituais, UM (DEUS) É TUDO!

Deve o cristão fazer o pacto de Jacó?

“Fez também Jacó um voto, dizendo: Se Deus for comigo, e me guardar nesta jornada que empreendo, e me der pão para comer e roupa que me vista, de maneira que eu volte em paz para a casa de meu pai, então, o SENHOR será o meu Deus; e a pedra, que erigi por coluna, será a Casa de Deus; e, de tudo quanto me concederes, certamente eu te darei o dízimo.” (Gn 28.20-22)

Introdução

Há muito tempo atrás, conversando com um casal que eu estava evangelizando, eles contaram algo inusitado. Disseram que tanto eles, como algumas pessoas de suas relações (não cristãos), estavam trabalhando como taxistas e fizeram uma espécie de voto a Deus de dar o dízimo, se tivessem sucesso na profissão. Logo me veio à mente o pacto ou voto de Jacó. Sem dúvida, trata-se de uma visão estranha do dízimo, já que Deus quer que, antes de tudo, entreguemos as nossas vidas a ele; sendo, nossos dízimos e ofertas, consequência natural daquele que é o passo mais importante.

De certa forma é comum e normalmente oportuno, nós mesmos ou os pregadores e professores da Palavra de Deus, trazermos exemplos de personagens bíblicos ou de situações por eles vividas, para aplicação na igreja, ou no cotidiano dos cristãos. Por vezes, nós cristãos, nascidos de novo, podemos ser desafiados, quando enfrentando dificuldades financeiras, desemprego, dentre outras, emocionalmente abalados, a seguir o exemplo de Jacó e fazermos, com Deus, este mesmo pacto.  Entretanto, é preciso tomar certo cuidado com esse pacto ou voto de Jacó, como veremos adiante.

1. As circunstâncias do pacto

Em que circunstâncias Jacó disse isso? No momento em que o patriarca fez esse pacto ou voto ou promessa, ele vivenciava uma crise existencial inimaginável. Ameaçado de morte, pelo seu irmão Esaú a quem enganara. Estava fugindo e deixando pra trás tudo o que tinha: sua casa, sua parentela, seus amigos, seu povo e tudo aquilo a que havia se apegado e que fazia parte integrante de sua vida até aquele momento. Olhando para frente, sua situação não era nem um pouco confortável. A viagem seria extremamente longa (Gn 28.6, 10): de Berseba a Betel, cerca de 120Km (26 horas de caminhada); e, de Betel a Padã-Arã (Harã), cerca de 860 Km (175 horas de caminhada). Os perigos da viagem, o desconforto e os desafios de sobreviver eram bem reais, e o futuro incerto. Assim, saindo de Berseba no auge da sua aflição, ele chegou à cidade de Luz. Ali ele teve um sonho e o Senhor falou com ele e lhe fez promessas (Gn 28.12-17). Tão forte foi o impacto daquele momento, que ele deu o nome de Betel (que significa “casa de Deus”), àquela cidade. Foi nestas circunstâncias que Jacó, então, fez o seu voto.

2. Alguns aspectos do pacto

a) O estabelecimento de condições (Se……, então…..)

Na gramática portuguesa:

Se – conjunção subordinativa condicional: exprime sentido de condição.
Então – Conjunção coordenativa conclusiva: indica relação de conclusão.

Na matemática:

Conectivos Lógicos:   Se -> Então

Que poderia ilustrar o pacto, como abaixo:

b) A petulância de Jacó

Jacó nasceu quando seu pai Isaque tinha 60 anos (Gn 25.26) e seu avô Abraão 160 anos (Gn 21.5). Abraão viveu 175 anos (Gn 25.7), sendo os seus últimos 15 anos, os 15 primeiros da vida de Jacó.

Embora muito idoso, Abraão foi contemporâneo de Jacó, e o seu impactante legado deve ter influenciado sua vida. Afinal, Abraão creu no Senhor (Gn 15.6), fez uma aliança com Deus e dele recebeu promessas (Gn 15.7-21), que foi renovada e incluiu a mudança do seu nome e a sua descendência (Gn 17). Apesar de alguns tropeços, Abraão desfrutou de comunhão com Deus, foi um profeta (Gn 20.7), foi um intercessor (Gn 20.17), foi um dizimista (Gn 14.20), foi fiel ao Senhor (Gn 26.5), foi chamado o pai da fé (Rm 4.11; Gl 3.6-7), tendo recebido grande destaque na “Galeria dos Heróis da Fé” (Hb 11.8-19).

Isaque, pai de Jacó, não teve um currículo tão extenso quanto o de seu pai Abraão. Também teve lá os seus tropeços, como qualquer outro ser humano. Mas, por 20 anos orou por sua esposa Rebeca e esta concebeu (Gn 25.19-21, 26); o Senhor aparecia e falava com ele (Gn 26.2-5; 26.24); o Senhor o abençoava e o fazia prosperar (Gn 26.12-14); foi um pacificador, sempre indo adiante, ao invés de ficar e lutar por seus direitos (Gn 15.16-22); foi um cavador de poços (Gn 26.18-22) e foi um edificador de altares ao Senhor (Gn 26.25).

Apesar de Jacó ter recebido um legado tão especial quanto esse, ficamos um tanto quanto chocados com o registro de suas palavras: “então, o SENHOR será o meu Deus;”. Se poderia vir a ser seu Deus é porque ainda não era! Ele não escondia de ninguém que o Deus era do seu pai e não dele (Gn 27.20; 32.9). O que dizer da vida pregressa de Jacó, além dessa triste nota? Certa vez ouvi falar de algo como a Síndrome da Terceira Geração. Não é que eu acredite nela ou que ela seja verdadeira e regra geral. Faço aqui apenas uma menção despretensiosa. Se não me falha a memória é mais ou menos assim: a primeira geração é totalmente comprometida com Deus e sua igreja; a segunda geração, nem tanto; e, então, a terceira geração tende a se desviar dos caminhos do Senhor. Estaria Jacó vivendo essa síndrome?

Sua vida e vivência familiar havia sido um tanto quanto complicada. Já no ventre materno “lutava” com seu irmão gêmeo Esaú (Gn 25.22). Era um homem pacato e caseiro, protegido da mãe, já que seu irmão Esaú era o preferido do pai (Gn 25.27-28). Quão prejudicial para a formação de filhos é essa predileção paternal e maternal! Seu primeiro ato, no teatro da vida, foi a sua “artimanha” para comprar o direito de primogenitura do seu irmão (Gn 25.29-34; ver Hb 12.16-17). No segundo ato ardiloso, para enganar o pai Isaque, a roteirista foi a sua mãe Rebeca e ele o protagonista (Gn 27). Isso porque Isaque não escondia sua predileção por Esaú e pretendia dar-lhe a bênção do primogênito (Gn 27.2-4), desconsiderando o episódio da venda daquele direito. Por outro lado, a mãe poderia estar se valendo da resposta que recebera do Senhor, antes do nascimento dos gêmeos: “Respondeu-lhe o SENHOR: Duas nações há no teu ventre, dois povos, nascidos de ti, se dividirão: um povo será mais forte que o outro, e o mais velho servirá ao mais moço.” (Gn 25.23; Ml 1.2-3). Ela permanecia de prontidão, quando um dia ouviu o seu marido passar as instruções para Esaú (Gn 27.5) e tratou de colocar seu plano em ação. Plano esse que já deveria estar pronto há algum tempo. Quanta astúcia, imaginação e criatividade de Rebeca para fazer Jacó se passar por Esaú e apropriar-se da bênção da primogenitura! Quanto cuidado com os detalhes! Quanta tensão e emoção no desenrolar do ato (Gn 27.18-40); mentalmente, quase dá para ouvir aquela música de suspense, de fundo. E, foi assim que a crise familiar se instalou (Gn 27.41). Entretanto, não faltava criatividade a Rebeca para traçar planos (Gn 27.42-45) e enrolar seu marido (Gn 27.46).

Esta é a síntese da desastrosa vida pregressa de Jacó. Agora, fora da tutela da mãe, um tanto quanto despreparado para conduzir sua vida, ele mostra sua petulância e atrevimento ao impor condições a Deus, em vez de se submeter ao Senhor. Ele entristece o Senhor ao mostrar-se ser do tipo que quer ver, para crer: “Disse-lhe Jesus: Porque me viste, creste? Bem-aventurados os que não viram e creram.” (Jo 20.29). Mas Deus tinha um propósito específico na vida de Jacó (Gn 25.23; Rm 9.11-13). Não é o caso aqui de entrarmos em detalhes sobre sua vida posterior. Basta lembrar que ele passará por muitas provações e aflições, será sustentado por Deus e acabará tendo um encontro pessoal com Deus e seu nome será mudado de Jacó, para Israel (Gn 32.22-30).

As alianças do Antigo Testamento eram condicionais e estabelecidas por Deus (Dt 11.26-28). Numa época assim, o homem propor um pacto com Deus era sinal de petulância.

3. O pacto do cristão

Se, como cristãos, tivéssemos que aproveitar alguma coisa do pacto de Jacó, para formularmos o pacto do cristão, creio que poderíamos expressá-lo reestruturando as frases, trocando condição por causa, mais ou menos nesses termos:

“Porque tu, Senhor, és o meu Deus, que me compraste com o precioso sangue do teu Filho Jesus.
E, creio que tu, Senhor, me conduzirás em paz e segurança.
E, serei por ti sustentado, com pão para comer e roupa que me vista.
Pois tu, Senhor, estarás comigo durante toda a minha peregrinação neste mundo.
Então, eu te darei o dízimo de tudo o que me concederes, incondicionalmente.
Pois é de minha responsabilidade que a Casa do Senhor seja edificada e sustentada.”

Na gramática portuguesa:

Porque – conjunção subordinativa causal: exprime sentido de causa.
Então – Conjunção coordenativa conclusiva: indica relação de conclusão.

Então, vejamos:

Porque tu, Senhor, és o meu Deus, que me compraste com o precioso sangue do teu Filho Jesus.

A certeza de que o Senhor é o meu Deus, é sim o fator preponderante para todo o meu agir. Ele sempre será Deus, independentemente do que eu pense ou faça. Ele não precisa provar para quem quer que seja ou fazer algo mais, para que alguém o possa chamar de “meu Deus”. Ele já fez tudo! Ele entregou seu Filho, nos comprando por precioso preço.

E, creio que tu, Senhor, me conduzirás em paz e segurança.

Os desafios da vida cotidiana são muitos e, por vezes, imprevisíveis. Há muitos elementos e situações que fogem ao nosso controle, pois dependem de terceiros. Porém, isso não pode ser motivo de intranquilidade e de apreensão. Deus está no controle de tudo! Basta a nós, seus filhos, confiarmos nele; descansarmos nele e na força do seu poder!

E, serei por ti sustentado, com pão para comer e roupa que me vista.

A presença do Senhor junto aos seus remidos é a garantia do seu cuidado e sustento: “Portanto, não vos inquieteis, dizendo: Que comeremos? Que beberemos? Ou: Com que nos vestiremos? buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.” (Mt 6.31, 33)

Pois tu, Senhor, estarás comigo durante toda a minha peregrinação neste mundo.

Aquele que pertence ao Senhor pode tranquilizar seu coração, pois Jesus prometeu estar conosco: “E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século.” (Mt 28.20b)

Então, eu te darei o dízimo de tudo o que me concederes, incondicionalmente.

A questão relevante aqui é que a pessoa salva por Cristo não tem o direito de estabelecer qualquer condição prévia para só, e então, responder graciosamente, após ter recebido a “bênção pactuada com Deus”. Na verdade, a pessoa remida por Cristo já recebeu o que há de mais precioso – a Vida Eterna. Desta forma, a vida presente não é mais sua. Assim, tudo o que tem, por Deus concedido, deve ser usado com sabedoria. Este não dará quando receber, porém dará na medida das suas posses, porque já recebeu uma tão grande salvação.

Pois é de minha responsabilidade que a Casa do Senhor seja edificada e sustentada.

Ainda que o dízimo não seja uma doutrina explícita para a igreja, o povo da Nova Aliança, fica claro nas epístolas do NT que os membros da igreja devem sustentá-la com os seus recursos. E, como fazer isso? Em termos práticos, há pelo menos duas formas: 1ª)Calcula-se o custo total de operação, manutenção e investimento da igreja e se faz um rateio do valor por todos os seus membros, proporcional: “…na medida de suas posses e mesmo acima delas,” (2Co 8.3).  2ª)A partir do valor total arrecadado com dízimos e ofertas, são estabelecidas as  condições de operação, manutenção e investimento da igreja. Essa segunda opção parece ser a mais usada pelas igrejas. Não é o caso aqui de tratarmos da doutrina neotestamentária da contribuição, mas, apenas lembrar que é nossa responsabilidade e privilégio sustentar financeiramente e moralmente a igreja de Cristo, sem estabelecer qualquer condição.

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