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A família do profeta Samuel

Texto(s) base: 1Sm 1.1-28; 2.1-10

Introdução

O estudo de hoje focaliza uma família poligâmica constituída, inicialmente. assim: Elcana; suas duas esposas, Ana e Penina; e os filhos de Elcana com Penina. Apesar de ser uma família religiosa, que buscava cumprir as ordenanças da Lei Cerimonial ou Religiosa – a que determina as regras de culto a Deus – na realidade, eles não viviam em paz e harmonia; o que nos leva a pensar que se trata de uma família infeliz. Cada membro dessa família vivia a sua frustação e angústia pessoais. Penina, apesar de ter dado filhos e filhas ao seu marido, por se considerar como “a outra”; menos amada e menos agraciada no recebimento de porções para o sacrifício anual (1Sm 1.4-5). Ana, por ser estéril e por ser provocada contínua e excessivamente pela rival Penina (1Sm 1.2, 5-8). Elcana, por ter que administrar as frustrações e angústias das suas esposas. Certamente os filhos e filhas de Penina, por terem que viver num ambiente familiar tão desagradável como esse. Não é razoável que uma família que serve a Deus viva num ambiente assim!

“As ostras são animais pertencentes ao filo Mollusca e classe Bivalvia, cuja concha é dividida em duas valvas que se unem através de um ligamento. São os únicos animais capazes de produzirem as pérolas, objetos tão apreciados por joalheiros. Não são todas as espécies de ostras que conseguem produzir a pérola, sendo que as que produzem são chamadas de perlíferas, e fazem parte da família Pteriidae (de água salgada) e Unionidae (de água doce). A produção da pérola pela ostra nada mais é do que um mecanismo de defesa do animal, quando ocorre a penetração de corpos estranhos, como grãos de areia, parasitas, pedaços de coral ou rocha, entre a concha e o manto. Quando esse corpo estranho está no interior da ostra, o manto do animal envolve essa partícula em uma camada de células epidérmicas, que produzem sobre ela várias camadas de nácar, originando a pérola. O processo de fabricação de uma pérola pela ostra demora em média três anos, e geralmente elas são retiradas com 12 mm de diâmetro.” [1]

Assim como nem todas as ostras produzem pérolas, nem todas as pessoas são capazes de tirar proveito, se enriquecer e amadurecer espiritualmente quando passam por provações.

 

1. Poligamia e Esterilidade feminina.

Diante de uma narrativa como esta, não se pode deixar de analisar, inicialmente, os temas “poligamia” e “esterilidade feminina” no contexto do Antigo Testamento.

1.1 Poligamia

O termo se refere a casamento com múltiplos cônjuges. É um equívoco afirmar que a poligamia de Elcana era sinal da iniquidade daquela época. Na antiguidade a prática da poligamia era quase universal. O Antigo Testamento (AT) não fundamenta esse tipo de juízo moral. No AT, a poligamia era tolerada, porém não recomendada (Dt 21.15; 25.5-10, lei do levirato). A primeira menção de poligamia na bíblia é a de Lameque (Gn 4.19). Foram polígamos os patriarcas Abraão (Sara, Hagar e Quetura) e Jacó (Lia, Raquel, Bila e Zilpa); os reis Davi e Salomão (várias esposas e concubinas); dentre muitos outros.

Algumas informações interessantes sobre as sociedades que reconhecem, legal e religiosamente, a instituição da poligamia:

a) O ciúme maior entre as esposas não é por questões sexuais, mas pela posição social, número de filhos e favores recebidos do marido.

b) Elas preferem essa forma porque uma co-esposa provê companhia e ajuda no trabalho doméstico.

c) O número maior de esposas indica mais prosperidade financeira e prestígio social, e supre maior força de trabalho.

Outro aspecto a se levar em conta era que, na antiguidade, as inúmeras e constantes guerras dizimavam milhares de homens e desequilibrava o quadro estatístico populacional homens x mulheres.

Nas sociedades ocidentais predomina a monogamia como regime legal. Mas não se pode descartar a “poligamia informal” através de amantes e casos extraconjugais, que caracterizam o pecado do adultério.  

“Nos dias de Jesus, ainda havia a poligamia em Israel, e o divórcio era tão fácil que casamentos plurais, em sucessão, tornaram-se extremamente comuns”[2]. Poligamia e divórcios e novos casamentos fogem do ideal estabelecido por Deus e são prejudiciais à família.

A monogamia é sim o modelo instituído por Deus, desde o princípio (Gn 2.24) e ratificado por Jesus e nas epístolas do Novo Testamento (Mt 19.3-9; Mc 10.1-12; 1Co 6.16; 7.1-2; Ef 5.22-33 e 1Tm 3.2).

1.2 Esterilidade feminina

No oriente e na antiguidade a esterilidade era uma questão muito séria. A mulher estéril sofria de vergonha diante de si mesma e do povo. Na visão teológica popular daquela época uma mulher estéril estava sob juízo divino (Gn 16.2; 30.1-23; 1Sm 1.6, 19-20. Assim, a reversão da esterilidade era considerada um ato de misericórdia através da intervenção divina, como resposta à oração: “Faz que a mulher estéril viva em família e seja alegre mãe de filhos. Aleluia!” (Sl 113.9). Havia outros dois aspectos relevantes que agravavam a problemática da esterilidade, a tal ponto de fomentar, de alguma forma a poligamia. O primeiro era a questão da “imortalidade” através da continuação da linhagem física. Um israelita temia “morrer”, se sua linhagem física fosse descontinuada, devido à ausência de filhos. O segundo era a questão da herança de terras e a perpetuação do patrimônio e do nome da família.

 

2. O cenário dos acontecimentos

Os acontecimentos aqui narrados ocorreram por volta de 1126 a 1115 aC, tendo Samuel nascido em cerca de 1115 aC[3]. Na ocasião o tipo de governo de Israel era Teocrático.

Deus ->

Sacerdotes ->

Juízes ->

Povo

O cenário espiritual da época era caótico. A liderança espiritual, corrompida. Eli, o sacerdote, muito velho, inerte, acomodado, incapaz de pôr limites e de corrigir as prevaricações dos filhos (1Sm 2.22-26; 3.13), incapaz de fazer a diferença entre uma expressão de comunhão íntima com Deus e uma embriaguez (1Sm 1.12-18). Seus filhos, Hofini e Finéias, perversos, chamados de “filhos de Belial” (2.12-17), avaliados pelo Senhor como execráveis (1Sm 3.13).

Apesar desse cenário caótico, de uma liderança acomodada e corrompida, o Tabernáculo estava erguido em Silo (ou Siló), na região central de Israel, na tribo de Efraim. De Gilgal o Tabernáculo foi transferido para Silo, ali permanecendo durante todo o período dos juízes (Js 18.1). O texto bíblico descreve sua posição geográfica: “Então, disseram: Eis que, de ano em ano, há solenidade do SENHOR em Siló, que se celebra para o norte de Betel, do lado do nascente do sol, pelo caminho alto que sobe de Betel a Siquém e para o sul de Lebona” (Jz 21.19). A família de Elcana morava em Ramataim-Zofim (1Sm 1.1), cujo nome reduzido é Ramá (1Sm 1.19), região montanhosa de Efraim e não muito distante de Silo. Estava localizada a uns 15Km de Betel e 32 Km de Jerusalém.

O Tabernáculo erguido ali em Silo era o centro da adoração nacional do povo judeu, antes da construção do Templo por Salomão, algum tempo depois. A “arca da aliança”, símbolo da presença de Deus estava ali. O povo não tinha a liberdade de cultuar em qualquer lugar. A ordenança da lei é que todos deveriam celebrar festa ao Senhor três vezes no ano (Ex 23.14-19; 34.23; Dt 16.16; Lv 23): no 1º mês – Páscoa / Pães Asmos / Primícia; no 3º mês – Pentecostes; e, no 7º mês – Trombetas / Expiação / Tabernáculos.

 

3. Os personagens dessa história

3.1 Penina – Uma mulher rixosa

Pode-se deduzir da narrativa bíblica que Penina, cujo nome no hebraico significa “pedra preciosa”, “pérola” ou “coral”, o que no grego e no latim, é Margaret[4],   tinha uma religiosidade nominal. Parece que ela não fazia jus ao nome que tinha. Era do tipo que apenas acompanhava a família na ida ao Tabernáculo. Suas atitudes de provocação e zombaria para com Ana, a ponto de irritá-la e deixá-la transtornada de modo a perder o apetite, denunciava a sua falta de amor a Deus e ao próximo, pontos basilares da lei mosaica. Pode ser considerada uma mulher rixosa – aquela que tende a causar rixas, brigas; briguenta, brigona[5]. Os quatro textos sobre mulher rixosa encontrados em Provérbios parecem inspirados nesse tipo de gente. Em resumo, pode-se dizer que é melhor morar no canto do eirado, ou em terra deserta, do que junto a ela na mesma casa; pois ela é como o gotejar contínuo no dia de grande chuva (Pv 21.9, 19; 25.24; 27.15).

3.2 Elcana – Um marido pacificador

Samuel foi um personagem importante na história do povo hebreu, pois atuou como juiz, profeta e sacerdote. Na sua época ocorreu a transição do tipo de governo em Israel, de juízes, para a monarquia. Portanto, o escritor bíblico, que é o próprio Samuel, nos deixou esse importante legado biográfico de suas origens, através de seu pai Elcana e de sua mãe Ana. Elcana, que no hebraico significa “Deus se apossou”, ou “Deus criou”[6] era levita, descendente de Coate, mas não da linhagem araônica, conforme descrito na genealogia bíblica, como segue:  Samuel, filho de Elcana, filho de Jeroão, filho de Eliel, filho de Toá, filho de Zufe, filho de Elcana, filho de Maate, filho de Amasai, filho de Elcana, filho de Joel, filho de Azarias, filho de Sofonias, filho de Taate, filho de Assir, filho de Ebiasafe, filho de Coré, filho de Isar, filho de Coate, filho de Levi (Ver 1Cr 6.33-38). Elcana, morava em Ramataim-Zofim ou Ramá, no território da tribo de Efraim, já que os levitas não herdaram terras e habitavam entre os seus irmãos, mas pertencia à tribo de Levi. Era, portanto, levita por descendência e efraimita, por residência. Foi por esse motivo que o seu filho Samuel pôde envolver-se nas atividades do tabernáculo.

Elcana tinha algumas virtudes, a saber:

a) Ele era um homem piedoso.

A narrativa bíblica diz que anualmente, ele reunia toda a família e peregrinava até Silo, para oferecer os sacrifícios ao Senhor, em obediência às ordenanças da lei.

b) Ele era um marido e pai cuidadoso.

Como sacerdote da sua casa, ele não apenas levava as esposas e os filhos. Ele oferecia o seu sacrifício e dava porções para cada membro da família. O exemplo pessoal é fundamental para a edificação da família.

c) Ele era um marido amoroso e compensador.

Como sua esposa Ana era estéril ele procurava compensar sua angústia e frustração dando-lhe porção dupla para o sacrifício, porque a amava (1Sm 1.5). Não sabemos se ele repreendia Penina por sua má conduta em relação a Ana. Nem ao menos sabemos se ele tinha conhecimento dessa provocação. Mas quando viu Ana chorando e sem querer comer, mostrou-se sensível e atencioso, e procurou oferecer-lhe apoio e consolo (1Sm 1.8). Na sua fala “– Não te sou eu melhor do que dez filhos?” fica evidenciado o quanto ele a prestigiava.

d) Ele era um marido sexualmente ativo.

Naturalmente, ele coabitou com Ana, na volta de Silo, com o propósito da procriação, mas não podemos descartar o aspecto da busca do prazer e afeto (1Sm 1.19). Este é outro aspecto que o casal não deve descuidar, para não gerar frustrações conjugais e tentações extraconjugais.

e) Ele era um marido que respeitava sua esposa.

Ele respeitou a vontade de Ana de não subir ao sacrifício anual após o nascimento de Samuel. Ele respeitou a vontade de Ana de só subir quando pudesse apresentá-lo e deixá-lo lá. Também respeitou seu voto de entregar Samuel para ficar no tabernáculo, consagrado ao serviço do Senhor (1Sm 1.21-23). Agindo assim, ele atendia plenamente à recomendação de Pedro aos maridos, quanto a ter consideração para com a sua esposa (1Pe 3.7).

3.3 Ana – Uma mulher de fé

O nome Ana significa, no hebraico, “graça”, “favor”. Ana faz parte da galeria das sete mulheres estéreis que receberam destaque na bíblia, por terem sua situação revertida, a saber: Sara, Rebeca, Raquel, a mãe de Sansão, Ana, a mulher sunamita (2Rs 4.14-16) e Isabel (a mãe de João Batista).

Alguns aspectos relevantes sobre Ana:

a) Ela era uma mulher compreensiva.

É provável que ela tenha sido a primeira esposa de Elcana. Por ser estéril e não dar filhos ao marido deve ter concordado que o marido tomasse outra esposa para lhe dar herdeiros e lhe perpetuar o nome. Não há registro bíblico sobre isso, mas é provável que tenha acontecido desta forma.

b) Ela era uma mulher atribulada de espírito (1Sm 1.15).

Primeiramente porque sua condição de esterilidade era vista naquela época como um castigo divino (1Sm 1.5). Aliado a isso havia a questão da vergonha e humilhação social, por não poder prover descendência ao marido. Por fim, para tornar as coisas insuportáveis, o desprezo e provocações da rival Penina.

c) Ela era uma mulher amada e respeitada.

Certamente, essa atitude de amor e respeito por parte do seu marido foi fundamental para ela conseguir suportar as adversidades e aflições decorrentes da sua situação de esterilidade e provocação doméstica. 

d) Ela era uma mulher de oração.

Acima de tudo, porém, ela colocou sua confiança e fé em Deus. Num tempo de apagão espiritual, ela resolveu não olhar para a liderança espiritual apóstata e corrompida do Tabernáculo. Antes, porém, na sua ansiedade e aflição (1Sm 1.16) buscou a Deus em fervente oração, derramando a sua alma perante o Senhor (1Sm 1.15). Somos orientados pelos apóstolos Paulo e Pedro a agir como Ana: “Não andeis ansiosos de coisa alguma; em tudo, porém, sejam conhecidas, diante de Deus, as vossas petições, pela oração e pela súplica, com ações de graças.” (Fp 4.6); “lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós.” (1Pe 5.7).

e) Ela era uma mulher fiel.

Na sua angústia e aflição Ana foi além, não apenas orou e chorou, mas fez um voto ao Senhor. Se o Senhor lhe desse um filho varão ela o entregaria a ele como “nazireu”, isto é, separado e consagrado a Deus (1Sm 1.10-11). O Senhor ouviu o seu clamor e atendeu à sua oração. E, no tempo certo ela cumpriu o seu voto (1Sm 1.24-28). Quantas pessoas, em momentos de aflição e angústia, fazem tantas promessas a Deus. Porém, quando passa a tempestade existencial, se esquecem completamente dessas promessas e compromissos. Assim, continuam a viver vidas vazias de propósito, cheias de problemas.

f) Ela era uma mulher de louvor.

Depois de entregar seu filho, Ana mostra que além de ser uma mulher de fé, temente a Deus, era grata. Anteriormente ela havia derramado o seu coração diante de Deus, silenciosamente, agora, ela ora, provavelmente de forma audível, diante da congregação, expressando seu louvor a Deus: por sua santidade e unicidade (ou singularidade)(1Sm 2.2); por sua sabedoria (1Sm 2.3); por sua soberania e poder, sobre pessoas e circunstâncias (1Sm 2.4-8); e, pelo seu juízo (1Sm 2.9-10). Aqueles que desfrutam de plena comunhão com Deus, são por ele ouvidos e sustentados, vivendo para a glória do seu nome.

g) Ela era uma mulher recompensada.

A sua fidelidade, no cumprimento do seu voto, bem como a sua atitude de louvor e exaltação a Deus não passaram despercebidos. O Senhor a abençoou e a recompensou com a concepção e nascimento de mais três filhos e duas filhas. Sem dúvida, ela deixa um exemplo de mulher vitoriosa!

Conclusão:

a) Havia convergência de interesses:

Ana precisava de um filho e Deus de um líder (Fp 2.13). A vida só tem sentido se estiver repleta de “Propósitos Divinos”. Deus “precisa” de pessoas para executarem o que está no seu coração e na sua mente (1Sm 2.35). Às vezes, nossas orações não são atendidas porque são egoístas: “..pedis e não recebeis porque pedis mal, para esbanjardes em vossos prazeres” (Tg 4.3)

b) Havia uma parceria de sucesso:

– Ana fez a sua parte – coabitou com seu marido (1Sm 1.19)

– Deus fez a parte dele – liberou o seu ventre (1Sm 1.19)


[1] Mundo educação: https://mundoeducacao.bol.uol.com.br/biologia/formacao-uma-perola.htm

[2] R. N. Champlin, Ph. D. – O Antigo Testamento Interpretado, versículo por versículo.

[3] Reese, Edward; Klassen, Frank – A Bíblia em Ordem Cronológica. Ed. Vida, 2003

[4] R. N. Champlin, Ph. D. – O Antigo Testamento Interpretado, versículo por versículo.

[5] Wikipédia.

[6] R. N. Champlin, Ph. D. – O Antigo Testamento Interpretado, versículo por versículo.

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Caminhos Maravilhosos e Incompreensíveis

“Há três coisas que são maravilhosas demais para mim, sim, há quatro que não entendo: o caminho da águia no céu, o caminho da cobra na penha, o caminho do navio no meio do mar e o caminho do homem com uma donzela. (Pv 30.18-19)

Introdução:

O que há de tão maravilhoso e incompreensível aqui nessas palavras de Agur? O que há de tão especial nesses quatro caminhos?

1) O caminho da águia no céu

A águia voa veloz e impetuosamente no céu, o seu habitat natural.

Ela vive nos lugares mais altos, mas desce e se alimenta do que está em lugares baixos, sobre a terra.

O céu é vasto; ainda assim, a águia nunca perde o seu ninho.

Tenham um “casamento águia”!

Voem alto! Sonhem alto! Usem seus talentos, imaginação e criatividade. Entretanto, sustentem-se na terra, com os pés firmes no chão da realidade de cada dia.

Voem para longe! Conquistem os céus e a terra; mas nunca percam de vista o lugar do seu ninho, o valor da sua família.

Acima de tudo considerem que o ponto mais alto da existência humana é a proximidade e o aconchego da presença de Deus, daquele que habita num alto e sublime trono (Êx 19.4; Is 57.15), e não a riqueza, o poder, ou o aplauso humano.

2) O caminho da cobra na penha (pedra)

A cobra rasteja sobre a terra, o que não deixa de ser uma limitação natural da sua espécie.

A cobra vive nos lugares mais ocultos, mas se alimenta daquilo que está à vista.

A terra é vasta; ainda assim, há momentos em que a cobra precisa expor-se sobre as rochas.

Tenham um “casamento cobra”!

Tenham consciência das limitações e fragilidades, individuais e das do seu cônjuge. “Eis que eu vos envio como ovelhas para o meio de lobos; sede, portanto, prudentes como as serpentes e símplices como as pombas.” (Mt 10.16). Sejam prudentes. Protejam-se das tentações. Tirem proveito das próprias limitações. Complementem-se. Quando estiverem muito expostos, até mesmo pelas circunstâncias ou oportunidades da vida profissional, social ou eclesiástica, redobrem a atenção.

3) O caminho do navio no meio do mar

O navio flutua e desliza sobre as águas do mar.

O navio transita no mar, mas se ancora em terra firme.

O mar é vasto; ainda assim, o navio chega ao destino certo.

Tenham um “casamento navio”!

O mar da vida conjugal é muito vasto e rico, porém cheio de imprevistos. Ora há bonança, ora há tempestade. A cada novo desafio de vida, isto é, a cada nova saída do porto, tenham certeza de qual é o porto de destino. Planejem bem a viagem da vida familiar e usem todos os instrumentos e recursos para uma boa navegação. Lembrem-se de que a Bíblia é o “Mapa do Viajante” e a “Bússola do Piloto”. Então, corajosamente, soltem o cabo da nau, tomem os remos nas mãos e naveguem com fé em Jesus. Nunca se esqueçam de que Jesus é o comandante e a âncora de um casamento bem-sucedido.

4) O caminho do homem com uma donzela

Homem e mulher caminham juntos sobre o chão do amor.

O casamento vive e sobrevive pelo amor, mas se sustenta em Jesus Cristo.

O caminho do amor pode ser mais vasto do que o céu, do que a terra e do que o mar; desde que, homem e mulher, construam juntos e a cada dia, um pedaço do chão do amor, até o final dos seus dias.

Tenham um “casamento a dois e a três”!

“Casamento a um” é quando a pessoa se casa e continua pensando apenas em si mesma, nos seus interesses pessoais e no seu próprio bem-estar. É preciso renunciar o EU e assumir o NÓS!

“Casamento a dois” é o casamento em que cada cônjuge vive para o outro. O que acontecia no namoro, deve continuar a ser cultivado por toda a vida: o respeito à individualidade do outro; a busca de estar perto do outro; a vontade de tudo fazer para agradar ao outro; o cuidado com o corpo, isto é, com o que se veste, com a forma de falar, para se apresentar sempre atraente para o outro. Enfim, o “tudo ser” e “tudo fazer” para o bem e para conquistar o outro a cada dia. Não permitam que a atenção aos filhos ou a algum parente ou a outra pessoa qualquer, subtraia a atenção devida ao cônjuge. Não permitam que qualquer atividade humana: profissional, social, recreativa ou eclesiástica, extinga essa atenção de um pelo outro. Não permitam que o tempo, a rotina da vida, o desvanecimento da beleza física, reduzam essa atenção de um pelo outro.

“Casamento a três” é o casamento em que, além de cada cônjuge viver para o outro e para a família, acima de tudo, ambos vivem para Deus e Deus habita e caminha no meio deles. “Se alguém quiser prevalecer contra um, os dois lhe resistirão; o cordão de três dobras não se rebenta com facilidade.” (Ec 4.12)

Considerações:

Dedico essa mensagem a todos os recém casados e casados a mais tempo, mas em especial ao meu filho Adolfo e a minha nora Silvana, que se casaram em 04/06/2019. Que sejam uma família bendita do Senhor!

O ventilador e o casamento

Ventilador soprando sobre um casal de noivos. Véu da noiva esvoaçando e pequenos corações saindo do casal.

As situações que vivenciamos no nosso cotidiano podem ser verdadeiramente pedagógicas e enriquecedoras, na escola da vida. Às vezes precisamos queimar muito fosfato para extrair lições daquilo que nos acontece, outras vezes elas saltam aos nossos olhos e berram aos nossos ouvidos. Um exemplo disso é a história do nosso ventilador que compartilhamos a seguir.

Era uma vez um ventilador de mesa, nem muito grande, nem muito pequeno. Um daqueles facilmente encontrados na casa de pessoas comuns, iguais a você e eu. A marca e a cor? Isso pouco importa, no paralelo que é apresentado aqui. Entretanto, não deixa de ser especial. Por que? Porque podemos chamar de nosso. Porque faz parte do nosso dia a dia. Porque torna a nossa existência melhor. É como o nosso casamento, que é especial, que é nosso, que torna a nossa existência melhor.

Esse ventilador entrou em nossa casa novinho, há muito tempo atrás, quando o ar condicionado nem era tão popular assim. Tão novinho quanto a nova vida que se passa a desfrutar a partir do casamento. Era conectá-lo na tomada, em qualquer cômodo da casa, e ele funcionava muito bem. Nada tínhamos a reclamar, exatamente como no nosso relacionamento nas primeiras semanas ou, quem sabe, primeiros meses de casamento. Tudo em clima de lua de mel. Era ligar e correr para o abraço, ou melhor, para receber um ar fresco.  

E o tempo passou…. E nem tudo funciona bem, o tempo todo e todo o tempo; tanto um ventilador, quanto um relacionamento conjugal. Ao ligar o ventilador, observei que a hélice demorava um pouquinho a girar, mas acabava girando. Depois de um certo tempo é normal acontecer uma pequena travada aqui, outra ali, mas nada tão grave assim. Conversa-se, aparam-se as arestas e a vida segue, o casamento flui.

E o tempo passou…. E agora, nada da hélice girar. Desligar e ligar outra vez, de nada adiantava. Algo tinha que ser feito. Eureka! É claro! Um cuidadoso peteleco na hélice e pronto, ele passava a funcionar. E o peteleco virou rotina ou não teria ar fresco. Você já ouviu falar, ou já viu, ou já vivenciou um casamento que só funciona na base do peteleco? Como assim? A euforia do primeiro amor esvaiu-se. O empenho e dedicação pra fazer as coisas, esmoreceu. As iniciativas positivas, os gestos espontâneos, a demonstração de carinho; desapareceram. Aquela vontade de agradar o cônjuge ficou no passado. O que prevalece agora, nesse relacionamento, é o peteleco da cobrança mútua. E assim, de cobrança em cobrança, o casamento segue adiante, arrastando-se, como pode.

E o tempo passou… E o peteleco se tornou ineficaz, inútil. O ventilador resolveu não funcionar mais. Então, era chegada a hora de ir mais fundo; de arregaçar as mangas e colocar em prática as poucas habilidades técnicas. Desmonta-se a grade de proteção e retira-se a hélice. Aí, evidenciam-se as causas de tal paralisia: fios de cabelo e sujeira em volta do eixo da hélice! Faz-se uma boa limpeza e aplica-se um pouco de lubrificante. Finalmente, terminada a montagem, fica a expectativa: será que vai funcionar? Show! Não é que funcionou igualzinho a quando era novo? Giro imediato, sem engasgo e sem necessidade de peteleco.

Ah, o tempo. Às vezes, tão útil, tão necessário, curando feridas do corpo e da alma, apagando más lembranças de péssimos momentos. Outras vezes, porém, encarnando aquele agente algoz, inimigo cruel, secando a beleza, esfriando o amor, travando os relacionamentos. Quando o relacionamento conjugal trava mesmo é hora de discutir seriamente a relação (DR). Não adianta mais empurrar a sujeira para debaixo do tapete. É hora de limpar a sujeira! É hora de conversar sobre aquilo que aborrece, contraria, gera conflito, causa desgosto e desânimo. É hora de negociar e corrigir o que está errado, resgatar a confiança, o respeito, o carinho e a atenção no lidar com o outro. É hora, também, de “lubrificar o casamento”, para reduzir o atrito e, consequentemente, o desgaste da relação. Como lubrificar um relacionamento conjugal? Não há receita pronta, mas dicas eficazes, interessantes. É necessário investir no cônjuge, no casamento, na família!  É hora de cobrar e reclamar menos e elogiar mais; de promover momentos especiais e românticos, quebrando a rotina; de passear mais, viajar mais, presentear mais; de dedicar mais tempo e atenção ao cônjuge.

E o tempo passou…. Ah, o tempo. Não se cansa, não desiste, não cessa de provocar envelhecimento e desgaste. E assim, aquele mesmo ventilador começou a apresentar os mesmos maus sintomas de antes: demorava um pouco, mas girava. Depois de algum tempo, só girava no peteleco. Passado mais um tempo, travou de vez. Aí, você acha que já sabe como solucionar o problema e resolve desmontar, limpar e lubrificar outra vez. Entretanto, após a montagem e teste de funcionamento acontece a surpresa, o inesperado; o ventilador não funcionou. E agora? O que fazer? Desistir nem pensar! Então, mãos a obra. Desmonta-se tudo, como antes, e mais ainda. Só que falta habilidade e o conhecimento técnico necessários. Então, começam a pular molas e peças, daqui e dali, e a coisa sai do controle. Então, junta-se tudo e leva-se para um profissional da área resolver. E aí, será que resolveu? Não é que o ventilador voltou da manutenção funcionando bem!

Há situações no relacionamento conjugal que escapam ao controle do casal, à sua capacidade de tratar. É nessa hora que o casal precisa admitir que precisa de ajuda externa. Não é fácil perceber quando esse momento chega, nem admitir sua impotência para tratar do assunto. Entretanto, é justamente para isso que pessoas estudam e se preparam: terapeutas de família, pastores, conselheiros matrimoniais.

Ah, o tempo…. Ah, essa nossa mania de culpar o tempo, de culpar o outro. Quem contestará que o vilão não é o tempo, mas os elementos da natureza. É o ar, a oxidação, o calor, a umidade, o atrito mecânico, a reação química, elementos em excesso ou em escassez, dentre outros. Por isso, os objetos e equipamentos se deterioram, com o passar do tempo. Da mesma forma, não é o tempo que destrói os casamentos, os relacionamentos. São as ações e omissões de cada cônjuge; os excessos e a escassez. Não seria o tempo um mero e passivo observador externo? O importante mesmo, enquanto houver fôlego de vida, é acreditar que sempre é tempo de reagir aos desmandos vistos no tempo. Portanto, faça a sua parte e deixe que Deus faça a parte dele. Mesmo sem querer forçar uma analogia, vale lembrar que este ventilador precisava estar ligado na energia da casa para funcionar. De igual forma, um casamento, para funcionar plenamente, precisa estar ligado em Deus, aquele que o instituiu. Que o Senhor Jesus Cristo seja a fonte inesgotável de suprimento para o seu casamento!

Como uma excelente opção para revitalização do casamento, recomendamos a participação do casal no evento de final de semana denominado de “Encontro de Casais com Cristo – ECCC”.

“Porque para todo propósito há tempo e modo; porquanto é grande o mal que pesa sobre o homem.” (Ec 8.6)

A Família e o Mundo

Família santa num mundo caído!     

Introdução          

Ao abordar um assunto tão importante como este, torna-se necessário dar resposta a perguntas como estas:

O cristianismo favorece, incentiva e fortalece a família tradicional?
Família é importante para o indivíduo e para a Sociedade?
Família é um assunto importante no ensino bíblico?
A família tem sido ameaçada pelo mundo moderno? Está sob ataque?

Aqueles que estão familiarizados com o texto bíblico sabem que foi Deus quem instituiu a família. A família é Projeto de Deus e é por ele sustentada, desde de sua origem e enquanto houver seres humanos na face da terra. Assim sendo, muita orientação e instrução quanto ao funcionamento da família pode ser encontrada na Palavra de Deus.

Neste estudo, de forma bem resumida, procuraremos abordar alguns desses aspectos, bem como as ameaças e desafios com que ela está tendo que lidar.

Desenvolvimento:

Por que Deus instituiu a família?

Diferentemente do que acontece com os animais irracionais, que basicamente são orientados pelos seus instintos ou pela “programação mental” (sinapse) previamente definida pelo Criador, a “cria” do ser humano nasce e durante seus primeiros anos de vida é totalmente dependente dos que a geraram. Daí a importância da família no provimento do sustento, da proteção, da formação do caráter e da orientação para a vida.

O que é uma família cristã saudável?

Por definição: “A saúde é um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não consiste apenas na ausência de doença ou de enfermidade.” (OMS/WHO – 1946)

Uma família cristã saudável pode ser descrita como aquela em que há um casamento sólido, cada membro desempenha o seu papel, está suprida em suas necessidades, há convivência harmônica e, sobretudo, há o temor de Deus e o senhorio de Cristo no seu meio.

1. AMEAÇAS E ATAQUES, À FAMÍLIA

1.1 Ameaças e Ataques explícitos

São do tipo que:

a) Tentam reduzir sua importância e desvirtuam sua estrutura.

b) Promovem a corrupção de padrões morais na área da sexualidade:

Divórcio,  Liberação Sexual, Homossexualidade, Ideologia de gênero,  Poliamor e Poligamia e Pedofilia.

1.2 Ameaças e Ataques sutis (sedução)

a) Atraem e desviam a atenção de membros da família para:

O glamour de uma carreira profissional, produzir avidez por entretenimentos e, para a ilusão de relacionamentos não matrimoniais.

1.3 Ameaças e Ataques quase imperceptíveis (ocupação excessiva)

a) Tiram o foco, a prioridade e o tempo para o investimento na família:

Trabalho, Escola, Cursos, Atividades esportivas e sociais, Igreja (ativismo), Viagens, “Telas” ou Janelas de Tecnologia.

2. PADRÃO BÍBLICO PARA A FAMÍLIA

É preciso assimilar, vivenciar e defender os padrões e princípios bíblicos para a família cristã:

2.1 Casamento no Senhor (ideal)

a) No Antigo Testamento a orientação divina era de não casar com estrangeiros (Ex 34.15-16).

b) No Novo Testamento a instrução bíblica era para se evitar o jugo desigual ou casamento misto (2Co 6.14-15).

Em ambos os testamentos o princípio norteador é o de se preservar a fé, pois o cônjuge de outra fé, ou sem a fé no Deus vivo e verdadeiro, poderia ser agente para desviá-lo do caminho do Senhor.

2.2 Relacionamento Marido e Esposa

a) Instruções aos Maridos:

Relacionamento de amor (incondicional e sacrificial)

“Maridos, amai vossa mulher, como também Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela,” (Ef 5.25)
“Assim também os maridos devem amar a sua mulher como ao próprio corpo. Quem ama a esposa a si mesmo se ama.” (Ef 5.28)
“Não obstante, vós, cada um de per si também ame a própria esposa como a si mesmo, ….” (Ef 5.33a)

Relacionamento respeitoso (não lhe impingindo aflição)

“Maridos, amai vossa esposa e não a trateis com amargura.” (Cl 3.19)

Relacionamento participativo (com bom senso e clareza, com dignidade)

“Maridos, vós, igualmente, vivei a vida comum do lar, com discernimento; e, tendo consideração para com a vossa mulher como parte mais frágil, tratai-a com dignidade, porque sois, juntamente, herdeiros da mesma graça de vida, para que não se interrompam as vossas orações.” (1Pe 3.7)
“Ora, se alguém não tem cuidado dos seus e especialmente dos da própria casa, tem negado a fé e é pior do que o descrente.” (1Tm 5.8)

Relacionamento de líder e sacerdote espiritual

“Quero, entretanto, que saibais ser Cristo o cabeça de todo homem, e o homem, o cabeça da mulher, e Deus, o cabeça de Cristo.” (1Co 11.3)

b) Instruções às Esposas:

Relacionamento de respeito e amor

“… e a esposa respeite ao marido.” (Ef 5.33b)
“a fim de instruírem as jovens recém-casadas a amarem ao marido e a seus filhos,” (Tt 2.4)

Baseados nas instruções de Paulo aos efésios, alguns pregadores chegam a afirmar que o marido deve amar a esposa e esta, apenas respeitá-lo. Entretanto, o mesmo apóstolo dirime todas as dúvidas quando escreve a Tito e deixa claro que a esposa também deve amar ao marido e aos filhos.

Relacionamento de submissão

“As mulheres sejam submissas ao seu próprio marido, como ao Senhor;” (Ef 5.22)
“Como, porém, a igreja está sujeita a Cristo, assim também as mulheres sejam em tudo submissas ao seu marido.” (Ef 5.24)
“Esposas, sede submissas ao próprio marido, como convém no Senhor.” Cl 3.18)
“a serem sensatas, honestas, boas donas de casa, bondosas, sujeitas ao marido, para que a palavra de Deus não seja difamada.” (Tt 2.5)
“Mulheres, sede vós, igualmente, submissas a vosso próprio marido, para que, se ele ainda não obedece à palavra, seja ganho, sem palavra alguma, por meio do procedimento de sua esposa,” (1Pe 3.1)

Não são poucas as citações bíblicas instruindo a esposa a ser submissa ou sujeita ao marido. Pode-se dizer que esta era uma questão pacífica desde o início da família, quando assim Deus estabeleceu a autoridade de gênero (Gn 3.16). Depois de quase 6 milênios e como decorrência da insistente e progressiva expansão do movimento feminista em todo o mundo, as nações estão reformulando suas posições, bem como outros princípios e valores do cristianismo. A pressão e influência da sociedade secular sobre a igreja é tão grande que pode-se prever que, num futuro próximo, apenas um remanescente permanecerá fiel às Escrituras. (Comp. 1Tm 2.8-15)

Entretanto, é preciso ressaltar que:

a) Desde a eternidade, Deus é Pai e o céu é um lar. Ardilosamente tenta-se impor a figura de Maria “mãe de Deus”.

b) Desde a eternidade há uma cadeia de autoridade (1Co 11.3):

DEUS > CRISTO > HOMEM > MULHER

c) Essa cadeia somente funcionará satisfatoriamente se todos os elos forem respeitados.

d) Quando se sujeita ao que vem antes, se legitima o exercício da autoridade sobre os que veem depois. (Ex.: Lc 7.1-10 – centurião)

e) Quando se sujeita ao que vem antes, recebe-se autoridade como se fosse este.

f) Quando a esposa está em submissão ao marido, ela tem a autoridade dele, que é a de Cristo e que é a autoridade de Deus.

g) Quando a cadeia é quebrada em algum ponto, há quebra de autoridade, anarquia, desordem e rebelião.

h) Submissão, não inferioridade. A referência é o relacionamento entre Deus-Pai e Deus-Filho. Quando isso é entendido, o sentimento de inferioridade desaparece.

i) Aparente contradição:

“Eu e o Pai somos um” (Jo 10.30).
“…porque o Pai é maior do que eu” (Jo 14.28; ver tb Fp 2.5).

– Enquanto houver submissão, permanecerá a união.
– No plano divino, o homem e sua mulher são uma só carne.
– A cabeça necessita do apoio do pescoço, assim como o marido precisa do apoio da sua esposa.

j) O Pai sente prazer em honrar o Filho; o Filho, por sua vez, honra e exalta o Pai. Da mesma forma o marido deve ter prazer em honrar sua esposa. Quando a esposa é tratada assim, tem grande chance de corresponder, honrando e exaltando o marido.

k) Cristo é o resplendor da glória do Pai (Hb 1.2-3). Da mesma forma a mulher é a glória do homem (1Co 11.7).

l) Quando a esposa age como a mulher virtuosa (Pv 31), o marido é estimado na sociedade (Pv 31.23).

m) Quando o marido a respeita e reconhece seu valor, o seu trabalho, todos saem ganhando (Pv 31.28).

c) Instruções ao Casal:

“mas, por causa da impureza, cada um tenha a sua própria esposa, e cada uma, o seu próprio marido.” (1Co 7.2)
“O marido conceda à esposa o que lhe é devido, e também, semelhantemente, a esposa, ao seu marido.” (1Co 7.3)

Homem e mulher necessitam do companheirismo, apoio, satisfação sexual e vivência familiar proporcionados pelo casamento instituído por Deus. A perpetuação da espécie humana depende da procriação responsável, como fruto e herança de um casamento abençoado por Deus.

“Porque o marido incrédulo é santificado no convívio da esposa, e a esposa incrédula é santificada no convívio do marido crente.” (1Co 7.14a)

Quando um dos cônjuges se torna cristão e o outro não, isso não é motivo para a separação do casal (1Co 7.12-13). O cristão deve usar de sabedoria e buscar a santificação deste relacionamento.

“Digno de honra entre todos seja o matrimônio, bem como o leito sem mácula; porque Deus julgará os impuros e adúlteros.” (Hb 13.4)

Além dos cônjuges se guardarem exclusivamente um para o outro, o casal deve preservar e guardar os limites da santidade e moralidade cristã neste relacionamento.

2.3 Relacionamento Pais e Filhos (Ef 6.1-4)

a) Instruções aos Filhos:

“Filhos, obedecei a vossos pais no Senhor, pois isto é justo.” (Ef 6.1)
“Filhos, em tudo obedecei a vossos pais; pois fazê-lo é grato diante do Senhor.” (Cl 3.20)

Obedecer: em que situações? até quando?
No Senhor, isto é, quando for para descumprir a Lei de Deus ou a Lei dos Homens, não!

“Honra a teu pai e a tua mãe (que é o primeiro mandamento com promessa, para que te vá bem, e sejas de longa vida sobre a terra.” (Ef 6.2-3)
“Mas, se alguma viúva tem filhos ou netos, que estes aprendam primeiro a exercer piedade para com a própria casa e a recompensar a seus progenitores; pois isto é aceitável diante de Deus.” (1Tm 5.4)

O que significa honrar?
Respeitá-los, admirá-los, manter contato, cuidar deles nas suas necessidades, ampará-los etc.

É interessante o fato de não haver ênfase bíblica quanto aos filhos amarem seus pais. Se equivocam os pais que buscam ser amados pelos filhos mais do que ser por eles honrados.

b) Instruções aos Pais:

“E vós, pais, não provoqueis vossos filhos à ira, mas criai-os na disciplina e na admoestação do Senhor.” (Ef 6.4)
“Pais, não irriteis os vossos filhos, para que não fiquem desanimados.” (Cl 3.21)

O que significa não irritar ou não provocar ira nos filhos?
Não é deixar de impor limites nem deixar de discipliná-los. É não usar de coerência, bom senso. É abuso de autoridade. É usar castigo desproporcional. É humilhá-lo particularmente ou em público. É fazer comparações de conduta ou de desempenho, dele com outros, de forma a depreciá-lo.

c) Instruções ao Pai:

“e que governe bem a própria casa, criando os filhos sob disciplina, com todo o respeito” (1Tm 3.4)
“O diácono seja marido de uma só mulher e governe bem seus filhos e a própria casa.” (1Tm 3.12)

Essas recomendações do apóstolo não se aplicam apenas aos pais que almejam o pastorado, o presbiterado ou o diaconato na igreja. É para todos, pois precisam saber governar bem a sua casa.

Conclusão:

Considerando que o mundo vai de mal a pior, que a cada dia mais se afasta dos princípios e valores cristãos, então o desafio de conduzir nossas famílias nos padrões bíblicos também cresce e se agiganta a cada dia que passa. Assim, precisamos seguir em frente, firmes no Senhor e na sua Palavra, incentivando-nos e ajudando-nos uns aos outros.

Se a família é projeto de Deus, então não há motivo para se render nessa batalha contra o mal e contra o erro, pois Jesus nos prometeu que não estaríamos sozinhos: “…E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século.” (Mt 28.20b); “E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, a fim de que esteja para sempre convosco,” (Jo 14.16). E o apóstolo Paulo acrescenta: “Em todas estas coisas, porém, somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou.” (Rm 8.37)

Por fim, vale lembrar que fomos chamados por Deus para fazermos a diferença no lugar onde estamos, para sermos sal da terra e luz do mundo (Mt 5.13-14). Então, precisamos viver vidas santas, bem como, praticar e difundir o plano de Deus para a família, sem nunca ceder às pressões de um mundo caído.

Família e Igreja


Relação entre a família humana e a família da fé

“Portanto, vós orareis assim: Pai nosso, que estás nos céus,….” (Mt 6.9)

“Assim, já não sois estrangeiros e peregrinos, mas concidadãos dos santos, e sois da família de Deus,” (Ef 2.19)

“Por isso, enquanto tivermos oportunidade, façamos o bem a todos, mas principalmente aos da família da fé.” (Gl 6.10)

Introdução          

Família é algo tão singular que se manifesta originalmente, de forma misteriosa, na Trindade; se reproduz na esfera dos seres humanos; e, também se expressa, de forma mística, na instituição Igreja: “Por esta causa, me ponho de joelhos diante do Pai, de quem toma o nome toda família, tanto no céu como sobre a terra,” (Ef 3.14-15).

No sentido humano, não é qualquer agrupamento de pessoas que caracteriza uma família tradicional ou consanguínea, nos moldes instituídos por Deus. Ela começa com uma união (casamento, aliança) heterossexual, pois sem o concurso de um homem e de uma mulher, como se daria a reprodução e consequente preservação da espécie humana?

A própria Constituição Federal, no seu Artigo 226, estabelece a família como base da sociedade:

“§3º Para efeito da proteção do Estado, é reconhecida a união estável entre o homem e a mulher como entidade familiar, devendo a lei facilitar sua conversão em casamento. §4º Entende-se, também, como entidade familiar a comunidade formada por qualquer dos pais e seus descendentes.”

A confissão de Fé de Westminster estabelece (Cap. XXIV):

“I. O casamento deve ser entre um homem e uma mulher; ao homem não é licito ter mais de uma mulher nem à mulher mais de um marido, ao mesmo tempo. (Ref. Gen. 2:24; Mat. 19:4-6; Rom. 7:3).  II. O matrimônio foi ordenado para o mútuo auxílio de marido e mulher, para a propagação da raça humana por uma sucessão legítima e da Igreja por uma semente santa, e para impedir a impureza. (Ref. Gen. 2:18, e 9:1; Mal.2:15; I Cor. 7:2,9).”

É no convívio familiar do lar que se realiza a primeira socialização do ser humano. Além da família desfrutar do abrigo físico da casa, é no exercício dos seus papéis que os pais providenciam o suprimento das necessidades de todos os seus membros, provendo, ainda, para os filhos, proteção e educação para a vida, por meio da transmissão de valores éticos, morais e espirituais: “Ponde, pois, estas minhas palavras no vosso coração e na vossa alma; atai-as por sinal na vossa mão, para que estejam por frontal entre os olhos. Ensinai-as a vossos filhos, falando delas assentados em vossa casa, e andando pelo caminho, e deitando-vos, e levantando-vos.” (Dt 11.18-19). Essa é a tarefa primeira e indelegável dos pais ou responsáveis. É certo que a igreja pode e deve contribuir na formação espiritual dos membros da família, bem como as instituições escolares na sua formação geral e profissional para a carreira.

A Trindade Santa nos provê o modelo e referência de pessoas relacionadas, não isoladas, que mantém comunhão e harmonia. Na oração do “Pai Nosso” Jesus estende o conceito de família, ampliando os seus limites, quando nos ensina que há um Pai Celestial comum e todos somos irmãos (Mt 6.9; 23.8). Em outra ocasião ele acrescenta: “Porque qualquer que fizer a vontade de meu Pai celeste, esse é meu irmão, irmã e mãe.” (Mt 12.50). Nesta mesma linha, o apóstolo Paulo denomina a igreja como a “família da fé” (Gl 6.10) ou “família de Deus” (Ef 2.19).

Desenvolvimento              

Neste estudo, desenvolveremos o tema proposto, identificando e explicitando o que há de comum, ou a relação entre família humana e família da fé – a igreja. Vejamos, então, alguns desses elementos comuns:

1. Constituição (Formação)

Em se tratando de constituição ou formação, família e igreja tem muitos elementos comuns, sendo que mencionaremos apenas alguns:

1.1 Origem divina

A família origina-se na vontade soberana de Deus que percebeu que não era bom para o homem viver só (Gn 2.18; Mt 19.4). A igreja, também, origina-se na vontade soberana de Deus que se dispõe a entrar em aliança com o homem (2Co 5.19).

1.2 Separação efetiva

Tanto para a família quanto para a igreja se requer separação e renúncia. No caso da família é preciso cortar o “cordão umbilical” que nos liga à “placenta familiar”, para permitir a formação de uma nova “placenta familiar”. “Por isso, deixa o homem pai e mãe e se une à sua mulher, tornando-se os dois uma só carne.” (Gn 2.24). Igreja é ECCLESIA (lat.) ou EKKLESIA (gr.). “EK”, que significa “movimento para fora” e “KLESIA”, do verbo KALEO (gr.), chamar. Logo, “ekklesia” é a assembleia dos “chamados para fora” do sistema mundano que aí está, para viverem como filhos de Deus, na casa do Pai Celeste (Mt 10.37; 16.24).

1.3 União com exclusividade

A nova família se consuma na união do casal, pelo casamento: “Por isso, deixa o homem pai e mãe e se une à sua mulher, tornando-se os dois uma só carne.” (Gn 2.24); “De modo que já não são mais dois, porém uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem.” (Mt 19.6). Tendo Cristo por cabeça, a igreja constitui-se um só corpo: “Há somente um corpo e um Espírito, como também fostes chamados numa só esperança da vossa vocação; há um só Senhor, uma só fé, um só batismo; um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, age por meio de todos e está em todos.” (Ef 4.4-6). A amizade do mundo constitui-se uma quebra dessa união com exclusividade e, consequentemente, provoca a inimizade de Deus (Tg 4.4).

1.4 Declarações e Promessas

Uma nova família se inicia com declarações e promessas feitas entre os cônjuges. Na cerimônia de casamento são feitas declarações de amor e promessas de companheirismo, apoio e cuidado: “– Prometes amá-la(lo), honrá-la(lo), consolá-la(lo) e cuidar dela(e), tanto na saúde como na enfermidade, na prosperidade e na escassez, e te conservares exclusivamente para ela(e)?”; “– SIM PROMETO!” Isso demanda fé e confiança de que a outra parte honrará as promessas feitas.

Em se tratando da igreja, há expressas manifestações de amor e promessas preciosas da parte de Deus que abrangem o tempo presente e o porvir. “Tornou Jesus: Em verdade vos digo que ninguém há que tenha deixado casa, ou irmãos, ou irmãs, ou mãe, ou pai, ou filhos, ou campos por amor de mim e por amor do evangelho, que não receba, já no presente, o cêntuplo de casas, irmãos, irmãs, mães, filhos e campos, com perseguições; e, no mundo por vir, a vida eterna.” (Mc 10.29-30); “..Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que o amam.”  (1Co 2.9). Ainda que possamos falhar, ele permanecerá fiel ao que prometeu e disposto a nos restaurar, se arrependidos, confessarmos os nossos pecados: “se somos infiéis, ele permanece fiel, pois de maneira nenhuma pode negar-se a si mesmo.” (2Tm 2.13).

1.5 Mudança de vida

Com o casamento e a formação de uma nova família muita coisa tem que mudar na vida dos cônjuges:

a) Nova identidade: além da mudança do estado civil dos cônjuges, normalmente, a nova família passa a ser identificada por um sobrenome comum.

b) Nova agenda: os cônjuges deixam de lado a “vida de solteiro” para dedicarem-se prioritariamente, um ao outro e à família. A declaração de Rute à sua sogra exemplifica bem o tipo de compromisso que deve haver entre marido e esposa no casamento (Rt 1.16-17).

c) Novo compromisso: o compromisso de caminhar juntos, em plena comunhão, sem segredos entre si, provendo o sustento e bem-estar um do outro, dedicando-se totalmente a fazer o outro feliz.

d) Novo sinal externo: o anel (aliança) no dedo anelar esquerdo torna visível, para memória dos pactuantes e para a sociedade, o compromisso assumido: “– Com este anel eu selo a minha aliança contigo, unindo a ti meu coração e minha vida, e te faço participante de todos os meus bens.”

Ao nos tornarmos seguidores de Cristo e membros da sua igreja, muita coisa tem que mudar em nosso estilo de vida:

a) Nova identidade: passamos a ser identificados com um nome comum, derivado do nome daquele a quem seguimos: cristão (At 11.26)

b) Nova agenda: que consiste em buscar, em primeiro lugar, o reino de Deus e a sua justiça (Mt 6.33), deixando para trás a “vida antiga” (2Co 5.17), para nos dedicarmos, prioritariamente, a Deus, à família sanguínea e à igreja, na sua missão.

c) Novo compromisso: o compromisso de caminharmos juntos, em plena comunhão com os irmãos na fé, provendo o sustento da igreja, dedicando-nos totalmente a fazer a vontade de Deus.

d) Novo sinal externo: A pública profissão de fé e o batismo são sinais externos iniciais de uma fé interna. Entretanto, o sinal externo permanente e relevante é o testemunho cristão, para os de dentro e os de fora da igreja. O exemplo de Jesus: “contudo, assim procedo para que o mundo saiba que eu amo o Pai e que faço como o Pai me ordenou.” (Jo 14.31a)

1.6 Celebração da Comunhão

Não há momento mais íntimo do que aquele da família reunida à mesa para a sua refeição cotidiana, trocando olhares e compartilhando suas vivências. No início da igreja os cristãos se reuniam para celebrar a comunhão com a festa do amor (ágape), juntamente com a Ceia do Senhor. Esse segundo rito observado pela igreja – A Ceia do Senhor – será sempre um momento de celebração da Nova Aliança, em memória do Senhor e da sua redenção no Calvário, até que ele volte, e de celebração da comunhão da família da fé.

1.7 Duração

Todo pacto ou aliança estabelece não só os benefícios decorrentes de seu cumprimento, como também as consequências negativas para a parte que não se mantiver fiel. O casamento que dá origem à família é para toda a vida – “Até que a morte os separe”: “Ora, aos casados, ordeno, não eu, mas o Senhor, que a mulher não se separe do marido (se, porém, ela vier a separar-se, que não se case ou que se reconcilie com seu marido); e que o marido não se aparte de sua mulher.” (1Co 7.10-11). Os membros da família e a sociedade têm colhido frutos amargos devido à quebra da aliança conjugal e consequente desestruturação familiar. A igreja está inserida num pacto ou aliança de Deus com seus remidos de duração eterna: “Ora, o Deus da paz, que tornou a trazer dentre os mortos a Jesus, nosso Senhor, o grande Pastor das ovelhas, pelo sangue da eterna aliança, vos aperfeiçoe em todo o bem, para cumprirdes a sua vontade, operando em vós o que é agradável diante dele, por Jesus Cristo, a quem seja a glória para todo o sempre. Amém!” (Hb 13.20-21).

Vale lembrar que a família consanguínea está limitada e restrita a este mundo terreno e transitório: “Porque, na ressurreição, nem casam, nem se dão em casamento; são, porém, como os anjos no céu.” (Mt 22.30). Já a família da fé, a igreja militante, transpõe essa dimensão terrena e se transforma na igreja triunfante, no outro lado da eternidade.

2. Reprodução (Crescimento)

“E Deus os abençoou e lhes disse: Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todo animal que rasteja pela terra.” (Gn 1.28)

Sem reprodução a família humana se extingue na face da terra. Então, pode-se afirmar que esta é a missão primeira e básica da família. É fato que, por uma questão biológica de infertilidade e de esterilidade, nem todo casal consegue cumprir essa missão familiar. Obviamente, há outras razões e motivações que levam um casal a não gerar filhos; não cabe aqui apresentá-las ou discuti-las.

“Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo;” (Mt 28.19)

Sem reprodução espiritual, sem novos discípulos, a igreja se extingue na face da terra. Então, por analogia, pode-se afirmar que esta é a missão primeira e básica da igreja. É o que se denomina de Evangelismo e Missões. É fato que, por razões diversas, tais como – apostasia, conformismo com o mundo, pecado encoberto, falta de compromisso e empenho com sua missão – uma igreja não cresce ou não cresce, quantitativamente, como deveria.

3. Organização (Funcionamento)

Para uma família funcionar bem, há que ter governança e seus membros precisam desempenhar seus respectivos papéis. A bíblia não se omite e fornece muitos ensinamentos sobre o assunto. O Pr. Ariovaldo Ramos desdobra esses papéis pelos três princípios ou elementos basilares da família: Paternidade, Maternidade e “Filidade”, a saber:

PATERNIDADE (Pai): Provisão, Proteção e Direção.
MATERNIDADE (Mãe): Inspiração, Acolhimento, Consolo e Nutrição.
FILIDADE (Filho): Alinhamento, Obediência e Continuidade.

A sociedade secular pode até ter outra visão sobre o papel do homem e da mulher na liderança da família, o que não é de se estranhar porque ela não está alinhada com os padrões divinos expressos na bíblia: “porque o marido é o cabeça da mulher, como também Cristo é o cabeça da igreja, sendo este mesmo o salvador do corpo.” (Ef 5.23). Não importa que pensem que esse princípio bíblico seja machista, retrógrado e ultrapassado.

A paternidade na Família Igreja emerge, espiritualmente, de Deus-Pai; e flui, efetivamente, através dos seus líderes. Essa liderança visível da Igreja foi instituída por Deus para exercer as funções de provisão, proteção e direção; através de homens segundo o coração de Deus que, naturalmente, precisam contar com o auxílio indispensável das mulheres.

A maternidade na Família Igreja emerge, espiritualmente, de Deus-Espírito Santo; e flui, efetivamente, através do mesmo Espírito, derramado sobre todos os remidos do Senhor, pertencentes à Nova Aliança. Portanto, o Espírito Santo e a Palavra de Deus, além da regeneração e crescimento, produzem inspiração, acolhimento, consolo e nutrição.

A “filidade” na Família Igreja emerge, espiritualmente, através de Deus-Filho; e flui, efetivamente, pelos filhos de Deus, membros do corpo de Cristo. Jesus é o nosso exemplo e modelo de “filidade”, isto é, de alinhamento com o propósito e a vontade do Pai, obediência aos valores do Pai e continuidade da missão (1Pe 2.21).

4. Preservação (Sobrevivência)

Por último, vale lembrar que é tarefa dos pais cuidar e zelar, por eles mesmos e pelos filhos, no que diz respeito ao sustento e desenvolvimento intelectual, social e espiritual. Nesse estilo de vida pós-moderno, homem e mulher, precisam ser mais do que pais provedores. Quer pela necessidade de buscar recursos financeiros, quer pelo glamour de uma carreira tentadora, eles podem sonegar o precioso tempo e dedicação, tão necessários ao investimento na família, de modo a preservá-la. Esse estar junto, cuidando e zelando, inclui também o estabelecer limites e exercer a disciplina preventiva e corretiva.

“ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século.” (Mt 28.20)

Assim como na família dinheiro não é tudo e não há a figura de cliente ou expectador, na igreja, o que se espera é o compromisso e participação de todos. O sacerdócio universal dos crentes não pode ser apenas retórica, um discurso vazio e utópico. A liderança da igreja jamais dará conta sozinha de tudo o que precisa ser feito e não pode descuidar da disciplina preventiva e corretiva (1Co 11.32). Somos um organismo vivo, constituído por muitos membros, sendo cada um chamado a desempenhar a sua função. É o Espírito Santo quem capacita a cada um, mas cabe à liderança espiritual da igreja ser instrumento facilitador para que toda essa engrenagem funcione bem (Ef 4.15-16). E, assim, cada um desempenhando o seu papel, como crente-servo e não como crente-cliente, estaremos contribuindo para a preservação e crescimento da igreja, sustentados, sobretudo, pelo Senhor da Igreja, “até à consumação do século”.

Conclusão:

Que Deus nos ajude a compreender essas semelhanças entre família e igreja, duas instituições que nasceram no coração de Deus. Que, entendendo o papel de cada parte, possamos ser bênção e receber as bênçãos, ao participar de ambas.

 

Relacionamento sexual tem sequência e consequência

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Introdução

Chris é um ex-jogador de tênis irlandês, “pobre”, mas ligado nas artes, música e literatura, que deixa as turnês, muda-se para Londres e agora dá aulas do esporte em um clube de elite, frequentado pela alta sociedade britânica. Lá ele começa a dar aulas para Tom, de família muito rica, que logo se torna seu amigo. Conversando com Chris, Tom descobre que ele gosta de ópera e o convida para assistir a uma apresentação, no camarote da família. Na noite dessa apresentação, Tom o apresenta para seus pais e para a sua irmã solteira, Chloe (Emily Mortimer). Ela se interessa por Chris e vai ao treino do irmão, com a intenção de se aproximar do rapaz. Tom passa a vez para a irmã e os dois jogam tênis. Terminado o treino, eles vão beber algo, para se refrescar, e conversam buscando se conhecerem melhor. Mais achegado à família da moça é convidado para ir à casa de campo deles, no domingo, quando haverá uma festa. Ali ele conhece a sensual noiva americana de Tom, Nola (Scarlett Johansson)(Tom e Nola estão morando juntos há 6 meses, mas ainda não se casaram) e começa a fazer um jogo duplo, dando em cima das duas: uma, simpática, boazinha e rica; a outra, linda, sensual e pobre. Cada uma tem parte do que ele deseja. Chloe leva Chris para conhecer alguns pontos da cidade. Numa dessas tardes, no cinema, ela declara seu amor por ele, se beijam e ela pergunta: “­– Vamos para a sua casa ou para a minha?”  Daí, foram para a casa dela e passaram a ter um relacionamento sexual ativo. Depois de algum tempo juntos, decidiram se “casar”. Já o outro casal, depois de algum tempo de relacionamento sexual ativo se separam, não “casaram”. Isso é somente uma breve sinopse do início do filme “Ponto Final” (Match Point) – 2005.

Já faz algum tempo que eu estava querendo escrever algo sobre inversão de sequência no relacionamento sexual. Fico muito à vontade para falar sobre o assunto e o faço com a autoridade das Escrituras Sagradas (Bíblia) e a autoridade da minha vivência pessoal. Pela graça de Deus fui fiel ao meu Senhor, me guardando puro para o casamento. O que se vê no relacionamento dos dois casais do filme acima referido, de um tempo para cá passou a ser extremamente comum nas produções da indústria cinematográfica, nas telenovelas e, na vida real. Sem dúvida demonstra uma mudança comportamental de grande parte da sociedade que perdeu a noção do que é, e da importância que tem, a instituição divina chamada casamento. Diante do apagão moral, de uma sociedade que abortou Deus do seu cotidiano, alguns diriam que isso é quase irrelevante diante da podridão moral, que cheira a enxofre, que se vê por aí. Não importa se há coisa pior. Deus sempre levanta uma voz profética para denunciar o pecado e alertar quanto às suas consequências.

Comum e Normal

Inicialmente, é importante destacar a diferença entre o que é comum e o que é normal. Há muitos costumes pecaminosos enraizados na sociedade e que se tornaram algo “comum”. Comum, por conta da sua alta incidência. É muito comum o relacionamento retratado no filme, como também é comum acontecerem furtos, assaltos, desrespeito no trânsito, atos de corrupção etc, na sociedade brasileira. Tudo isso é “comum”, mas não é “normal”! O que seria, então, normal? Numa visão conceitual mais ampla, seria normal tudo aquilo que, primeiramente, agrade a Deus, e, depois, promova o bem estar da sociedade.

A vida é feita de sequências

É sempre importante olhar para o mundo natural que nos cerca e perceber que a vida é feita de sequências. Planta-se uma árvore frutífera. No tempo certo ela dá o seu fruto. A fruta cresce, amadurece, é colhida e está no ponto para ser saboreada. Tem crente comendo fruta verde, fora de época, se remoendo com aquele sentimento de culpa. E, se não há sentimento de culpa, essa pessoa está com a consciência petrificada; o Espírito de Deus não tem liberdade em sua vida. Há uma história que ouvi contar bastante interessante. Um menino foi mexer na pereira do quintal da sua casa. Ao pegar uma pera quase madura, que vinha sendo acompanhada pelo pai, a fruta desprendeu-se em sua mão. Temeroso de ser castigado por isso, a criança prendeu a fruta no galho onde estava, com um barbante. O tempo foi passando e o pai estranhou que aquela pera começou a se estragar rapidamente. Ao verificar in loco o que estava acontecendo, descobriu a estratégia engenhosa e enganadora do filho. Tem crente fazendo aquilo que sabe que não deveria fazer e escondendo dos outros. Ainda que possa enganar as pessoas por algum tempo, não conseguirá fazê-lo por todo o tempo. Não demorará a “apodrecer rapidamente no pé”. Também não conseguirá esconder o seu pecado do onisciente e soberano Deus.

Namoro, Noivado, Casamento e Sexo

Não podemos esperar que pessoas não cristãs atendam à sequência natural e normal estabelecida por Deus (para crentes e não crentes) e expressa na bíblia: namoro, noivado, casamento e sexo! Entretanto, de cristãos, esperamos sim! Namoro é uma etapa importante e necessária de conhecimento mútuo, de relacionamento apenas afetivo. O casal precisa conversar muito para saber o que o outro pensa da vida e do futuro, para conhecer seu temperamento, já que o casamento é para toda a vida. A chamada PEGAÇÃO ou FICAR, infelizmente tornou-se muito comum entre os jovens solteiros, inclusive dentro das igrejas, que em vez disso, deveriam buscar e focar apenas aquela pessoa que Deus já separou para si. Isso é coisa desses tempos modernos e está fora dos propósitos de Deus. Noivado é a extensão do namoro, que expressa uma declaração de compromisso; um tempo normalmente curto para se planejar o casamento e a vida futura, a dois. Cuidado, noivado não é sinal verde para avançar para o relacionamento sexual! Lamentavelmente tem crente desprezando os absolutos de Deus! Estou me referindo a adolescentes, jovens e adultos. Desde o início dos tempos terrenos, a vontade de Deus foi declarada por ele mesmo e ratificada por Jesus, quatro mil anos depois, bem como pelos apóstolos: “Por isso, deixa o homem pai e mãe e se une à sua mulher, tornando-se os dois uma só carne.” (Gn 2.24; comp. Mt 19.5; Ef 5.31). É fácil perceber que está tudo claramente explicitado aqui, neste versículo: a) O casamento implica numa relação heterossexual (pai e mãe, homem e mulher); b) O casamento é monogâmico e exclusivo (os dois); c) O casamento implica no deixar uma família para formar uma nova família (“deixa…” É um deixar geográfico, financeiro e emocional); d) O casamento torna homem e mulher uma só carne, o que se dá pelo ato sexual (não significa que cada cônjuge perca sua identidade). Na concepção divina e bíblica, não existe a possibilidade de se desvincular o ato sexual do casamento. Se o casal está mantendo relação sexual (morando juntos ou não), já consumou o casamento, mesmo que não tenha assinado qualquer papel. É bizarro esse negócio de dizer que vai se casar se já estão vivendo juntos. É como regar a grama debaixo de chuva. Na prática, vão apenas assumir publicamente ou legalmente (se houver registro em cartório) o casamento que já se consumou há algum tempo. Essa questão do ato sexual é tão séria, no que se refere a se tornar uma só carne, que o apóstolo Paulo acrescenta: “Não sabeis que os vossos corpos são membros de Cristo? E eu, porventura, tomaria os membros de Cristo e os faria membros de meretriz? Absolutamente, não. Ou não sabeis que o homem que se une à prostituta forma um só corpo com ela? Porque, como se diz, serão os dois uma só carne.” (1Co 6.15-16).

Relações sexuais ilícitas

Quem mantém relação sexual, fora do casamento, está em pecado! Sexo entre não casados é o pecado da FORNICAÇÃO, palavra que parece só existir nos dicionários e em algumas traduções da bíblia (At 15.29 – ARC) e significa “relações sexuais ilícitas” (At 15.20, 29; 21.25). Na Lei Mosaica, instituída por Deus para o povo de Israel, em casos de traição, a fornicação era punida com a morte, por apedrejamento, da traidora que não foi fiel ao seu compromisso, e do seu amante (Dt 22.23-24); em outros casos, o casamento era obrigatório e imediato (Dt 22.28-29). Falar em sexo pré-conjugal, extraconjugal e conjugal incomoda muita gente. Para estes, isso é coisa do passado, um tabu há muito ultrapassado, coisa chata e inconveniente. Eles argumentam que, sexo é sexo, independentemente das convenções da bíblia e da igreja, e é uma necessidade a ser satisfeita, como qualquer outra necessidade biológica, no momento em que surge. Ledo engano! Quem está em pecado quebrou a comunhão com Deus e perdeu sua proteção, pois Deus não tem compromisso com ímpios. Não está em condições de participar da Ceia do Senhor ou exercer qualquer cargo na igreja ou função na liturgia do culto, nem mesmo de orar, até que se arrependa, confesse e deixe o seu pecado. “Mas as vossas iniquidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que vos não ouça.” (Is 59.2)

Quando a consciência acusa e bate aquele sentimento de culpa, não adianta querer racionalizar:

“– Vai ser meu marido/esposa mesmo, que mal tem?”
“– Antigamente era diferente, hoje os tempos são outros. Tem gente fazendo coisa muito pior.”
“– Test drive é válido sim! É melhor ver como é pra depois não se decepcionar e ter que se divorciar.”
“– Relacionamento sexual não precisa de papel assinado. Eu me sinto como se estivesse casado(a);” portanto, não estou em pecado.”

Não importa as desculpas que se elabore para tentar calar uma consciência de pecado. O fato é que casamento é uma aliança feita entre um homem e uma mulher, na presença da família e amigos, de preferência dando ciência à sociedade e, especialmente, diante de Deus, rogando as suas bênçãos, quando se lhe tem temor.

Conclusão

Finalmente, é importante que se acrescente:

  1. Quem cede, antes do casamento, está dando provas de que não tem caráter, nem fibra, para se manter fiel ao cônjuge após o casamento.
  2. Tudo o que é feito sob a aprovação de Deus é muito melhor!
  3. Vale a pena manter o compromisso diante de Deus de guardar-se para o casamento! É como diz o lema da Campanha para cristãos solteiros sobre sexualidade, relacionamentos e vida sentimental – “EU ESCOLHI ESPERAR”, cuja página oficial no Facebook tem mais de 3 milhões de curtidas. https://www.facebook.com/euescolhiesperar/

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Relacionamentos Afetivos, Conjugais e Sexuais

Entendendo a cabeça de homem

Cabeça de homem

Será que toda a mulher sabe como um homem se sente ou reage às suas ações e atitudes? Veja, a seguir, apenas dez situações de reações dos homens às ações ou atitudes das mulheres dirigidas a eles! Será que é isso mesmo? Uma coisa é certa, cabeça de homem é diferente de cabeça de mulher. Então, ela precisa ter em mente como as coisas são processadas na cabeça dele quando fizer algo e vice-versa. É claro que estamos levando em conta mulheres e homens normais, minimamente educados e equilibrados.

[Mulher]: Joga charme, exibe sua sensualidade.
[Homem]: Sente-se seduzido, ou que ela está interessada nele, mesmo quando ela o faz apenas para testar sua sensualidade.

[Mulher]: Sorri para ele.
[Homem]: Percebe que ela é uma pessoa educada ou está interessada nele.

[Mulher]: Se ri dele.
[Homem]: Sente-se incomodado, desprezado, agredido.

[Mulher]: Chora numa discussão com ele.
[Homem]: Sente-se covarde ou sendo chantageado emocionalmente.

[Mulher]: Mostra-se muito amável, atenciosa e o elogia.
[Homem]: Sente-se valorizado, ou desconfiado, ou que ela vai lhe pedir algo, ou que ela fez algo errado e está tentando camuflar ou compensar.

[Mulher]: Fica quieta, emburrada.
[Homem]: Desconfia que fez algo errado.

[Mulher]: Questiona com calma, argumenta com sabedoria e bom senso.
[Homem]: Tende a ouvi-la, predispõe-se a refletir sobre o que ela falou.

[Mulher]: Reclama frequentemente, argumenta gritando com ele.
[Homem]: Sente-se irritado, agredido, fecha-se, não a ouve, revida. Ouvi um psicólogo dizer que nestas circunstâncias, quando o homem silencia-se, emburrado, por um tempo, é para aplacar seu imenso desejo de esmagá-la. Os covardes e desequilibrados partem mesmo para a agressão física, o que é lamentável e criminoso. Gritar é como partir para o litígio judicial, sem tentar antes a conciliação. A consequência pode ser semelhante, na “tramitação desse processo mental e emocional”: desgaste desnecessário e maior demora na retomada do relacionamento.

[Mulher]: Vive falando bem de outro homem, amigo da família ou com quem a família se relaciona.
[Homem]: Sente-se diminuído, desvalorizado ou que ela está interessada nesse outro homem, ainda que não tenha se dado conta disso.

[Mulher]: Nunca toma a iniciativa para o relacionamento sexual com o cônjuge.
[Homem]: Considera-a fria ou frígida, desinteressada, que não sente prazer nisso. (Será facilmente atraído por mulheres que se mostrem sensuais.)

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