Além da Racionalidade

Dia Internacional da Mulher

“No Senhor, todavia, nem a mulher é independente do homem, nem o homem, independente da mulher. Porque, como provém a mulher do homem, assim também o homem é nascido da mulher; e tudo vem de Deus.” (1Co 11.11-12)

Uma rápida pesquisa na internet nos traz a seguinte informação sobre a instituição do Dia Internacional da Mulher, pela ONU, com a data oficial para a comemoração no dia 8 de março.

“A data tem raízes históricas que remontam às lutas das mulheres no início do século XX. Embora o movimento tenha ganhado força ao longo dos anos, foi oficialmente instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1975. Essa decisão formalizou e ampliou as comemorações internacionais que já vinham ocorrendo desde 1909, quando as primeiras manifestações e reivindicações por melhores condições de trabalho e direitos políticos começaram a tomar forma nos Estados Unidos e na Europa.”

É uma data importante no sentido de reconhecer a luta, as conquistas e os desafios que as mulheres enfrentam na sociedade. Essa data deve ser vista como um momento de reflexão sobre a necessidade de políticas públicas que promovam igualdade de oportunidades, respeito e valorização das mulheres em todos os âmbitos da vida – seja na política, na economia ou no cotidiano. É reafirmar o compromisso de construir uma sociedade mais justa e igualitária, onde as diferenças de sexo não limitem o desenvolvimento pessoal e profissional das pessoas. A data serve tanto para lembrar as lutas históricas quanto para inspirar ações concretas que continuem a transformar a realidade das mulheres.

De certa forma, o 8 de março, tem sido frequentemente associado à agenda feminista porque, historicamente, esta data emergiu como um marco para a luta pelos direitos das mulheres e pela igualdade dos sexos. Quanto às intenções e propostas dessa agenda feminista é preciso ter cautela. É importante verificar o que vai além da racionalidade e, principalmente, aquilo que distorce os papéis estabelecidos por Deus para o homem e para a mulher, conforme expresso na bíblia!

1. Reflexões sobre a luta pela igualdade e seus desafios

A busca pela igualdade de oportunidades, respeito e valorização das mulheres foi – e continua sendo – uma conquista histórica e imprescindível para a construção de uma sociedade mais justa e equilibrada. O movimento feminista, em suas diversas correntes, se insurge sobre direitos, igualdade de “gênero” (sexo) e a necessidade de romper com estruturas discriminatórias que, por tanto tempo, limitaram o potencial feminino. No entanto, há quem aponte que, em determinados momentos, algumas vertentes desse movimento passaram a adotar uma agenda que, em vez de promover o diálogo e a equidade, adota posturas de confronto que podem colocar em risco o equilíbrio das relações entre os sexos opostos, com consequências diretas na família e sociedade.

2. O valor inquestionável da Luta pela Igualdade

Historicamente, a mobilização a favor das mulheres desempenhou um papel crucial na conquista de direitos que hoje muitos consideram naturais: o direito ao voto, a igualdade de acesso à educação e ao trabalho, a proteção contra a violência e a ampliação dos espaços de decisão política e econômica. Essas vitórias transformaram a realidade de milhões de mulheres, permitindo que elas contribuíssem de maneira plena para o desenvolvimento social e cultural de seus países. A valorização da mulher e o reconhecimento de suas capacidades foram e são pilares para a promoção de uma sociedade mais justa e equilibrada.

3. Quando a agenda se desvirtua: Confronto versus Igualdade

Contudo, o debate atual mostra que, em algumas ocasiões, a luta pela igualdade tem sido interpretada por certos setores como uma batalha permanente contra o homem. Essa perspectiva parte da ideia de que, para atingir a verdadeira igualdade, seria necessário não apenas eliminar desigualdades, mas também reestruturar as relações de poder de forma que o homem seja subjugado ou até mesmo anulado. Essa abordagem, por sua vez, pode alimentar um clima de antagonismo e polarização. Certamente, isso representa um lamentável afastamento dos padrões estabelecidos na Palavra de Deus!

Ao transformar a luta por igualdade em uma “guerra” de posições, abre-se espaço para atitudes que, em vez de promover a colaboração e o entendimento mútuo, incentivam o confronto direto. Essa retórica de dominância e negação pode contribuir para a deterioração dos laços afetivos e familiares, gerando conflitos que se espalham para além do âmbito individual e impactam negativamente a coesão social.

4. A influência da mídia e da indústria cinematográfica

Em alguns filmes, a agenda de empoderamento feminino é apresentada de forma tão acentuada que, para certos espectadores, ela parece inverter os papéis tradicionais e, inclusive, sugerir uma dominação do homem pela mulher. Essa representação pode ser interpretada como uma distorção da realidade por diversos motivos:

a) Correção de desequilíbrios Históricos:

O empoderamento feminino nasceu da necessidade de corrigir séculos de desigualdade, discriminação e violência institucionalizada contra as mulheres. O movimento não busca inverter a hierarquia de gênero, mas sim nivelar o campo de jogo para que homens e mulheres possam ter oportunidades iguais.

b) Diferenças Biológicas vs. Papéis Sociais:

É inegável que existem diferenças biológicas entre os sexos. No entanto, essas diferenças não devem ser confundidas com a determinação de papéis sociais fixos ou com a ideia de superioridade de um gênero sobre o outro. A biologia pode influenciar, mas não define, as capacidades intelectuais, emocionais ou sociais dos indivíduos. De um modo geral, os homens serão mais eficazes em determinadas funções, as mulheres em outras e, ambos os sexos, serão igualmente eficazes e produtivos em outras funções.

c) Exagero narrativo no cinema:

O cinema muitas vezes utiliza narrativas extremadas para criar conflitos dramáticos e atrair a atenção do público. Quando a mensagem do empoderamento feminino é apresentada como uma guerra ou dominação, isso pode simplificar e distorcer a realidade da luta por igualdade, ignorando a diversidade de experiências e a complexidade das relações de cada sexo.

d) A Busca pela verdadeira igualdade:

A verdadeira essência do empoderamento feminino é a busca por uma sociedade em que homens e mulheres possam coexistir com respeito mútuo, onde as diferenças sejam reconhecidas sem que se torne motivo para hierarquizar ou diminuir qualquer dos lados. Quando essa mensagem é pervertida em discursos de confronto, perde-se o foco no diálogo e na cooperação, essenciais para o progresso social.

5. Impactos na Família e na Sociedade

A família é o primeiro ambiente de socialização e aprendizagem dos valores humanos. Quando a convivência se torna palco de disputas ideológicas exacerbadas, o diálogo e o respeito mútuo podem ser comprometidos. Um ambiente familiar marcado pelo antagonismo e disputa entre os sexos pode gerar insegurança, dificultar a resolução de conflitos e, em última instância, prejudicar a formação de indivíduos capazes de contribuir para uma sociedade harmoniosa.

Do ponto de vista social, uma retórica que privilegia o confronto e a polarização pode dificultar o diálogo construtivo entre homens e mulheres, afastando-os da busca por soluções que beneficiem a todos. Em vez de promover um entendimento que permita a construção conjunta de políticas e práticas que elevem o nível de bem-estar coletivo, esse tipo de postura tende a gerar divisão e intolerância.

6. Buscando o Equilíbrio e a Verdadeira Igualdade

É fundamental lembrar que a verdadeira igualdade não se alcança através da subjugação de um grupo pelo outro, mas pelo reconhecimento mútuo das qualidades, limitações e necessidades de cada indivíduo. Uma abordagem equilibrada envolve o diálogo, a empatia e a cooperação entre homens e mulheres na construção de um ambiente onde as oportunidades sejam realmente iguais.

Para tanto, é necessário que o debate sobre igualdade de sexo se mantenha ancorado em princípios de respeito e justiça, valorizando as contribuições de ambos os lados e buscando sempre o bem comum. Quando a luta se transforma em guerra, corremos o risco de abrir brechas para o extremismo e a intolerância, comprometendo não apenas as relações interpessoais, mas também a própria estrutura familiar e social.

Conclusão

A história da luta feminina é marcada por conquistas inegáveis e transformadoras. No entanto, é crucial que essa luta permaneça focada na construção de uma sociedade justa e igualitária, sem que a busca por igualdade se desvirtue em uma agenda de confronto que possa gerar danos irreparáveis às relações humanas. O desafio está em encontrar o equilíbrio entre reconhecer as desigualdades históricas e construir um diálogo amigável e conciliador, onde homens e mulheres possam, juntos, promover um ambiente de respeito, cooperação e verdadeira valorização mútua – pilares essenciais para a sustentação da família e da sociedade.

Enfim, é preciso ficar atento na hora de comemorar o Dia Internacional da Mulher, pois é bem diferente de outras comemorações, como o Dia das Mães e o Dia dos Pais, por exemplo.

☝O Dia das Mães e o Dia dos Pais celebram o aspecto único, especial, o privilégio e a bênção divina da maternidade e da paternidade, respectivamente. Focados nas figuras materna e paterna, celebram o papel das mães e dos pais na família e na sociedade, destacando amor, cuidado e sacrifício; valorizando a importância e a contribuição de ambos – mãe e pai – principalmente no ambiente familiar.

☝O Dia Internacional da Mulher não é a celebração da pessoa por ter nascido mulher, por ser mulher! Por ter recebido o sublime dom de poder gerar no seu ventre uma nova vida e dar continuidade à raça humana! Na visão secular da sociedade, em geral, é uma data para se ampliar o debate sobre igualdade e os direitos das mulheres em geral. É uma data para enfatizar a luta pelos direitos, igualdade de “gênero” (sexo), e o reconhecimento dos desafios históricos e contemporâneos que as mulheres enfrentam em diversas esferas – política, econômica, social e cultural. É uma data marcada por debates, manifestações e reflexões sobre como a sociedade pode avançar rumo a uma “igualdade plena”. Portanto, é preciso ter cuidado, pois há muita ideologia envolvida aqui que pode não estar de acordo com os preceitos bíblicos que deixam claro o papel do homem e da mulher, na família, na igreja e na sociedade.

Que Deus nos ajude!


Veja, também:

Mulher – Virtudes que Empoderam

Texto base: Provérbios 31.10-31.

Introdução:          

“Mulher virtuosa, quem a achará? O seu valor muito excede o de finas joias.” (Pv 31.10)

O livro de Provérbios é permeado por inúmeros ensinos, instruções e conselhos para um viver piedoso, bem-sucedido e que agrada a Deus. Depois de muitas referências negativas (e alertas) quanto à mulher (adúltera, estrangeira, vil, rixosa, iracunda) e, também, positivas (graciosa, virtuosa, sábia), no seu último capítulo encontramos esse clássico bíblico apreciando e enaltecendo a mulher – esposa e mãe – alguém tão especial no projeto de Deus que recebeu a sublime missão de gestar em seu corpo e ventre a prole humana. Este texto é um “espelho para as mulheres” (Matthew Henry).

O capítulo 31 começa revelando que o texto é do ilustre e desconhecido rei Lemuel (de Massá), cujo nome significa “que pertence a Deus”, reproduzindo o que teria aprendido com sua mãe (Pv 31.1). Esta seção final do livro e do capítulo 31 (versículos 10 a 31) foi escrita na forma literária de acróstico, ou seja, cada um dos 22 versículos se inicia com uma das 22 letras do alfabeto hebraico (alefe, beth, gimel, dalete etc.), sequencialmente.

O tema MULHER nunca foi tão atual, principalmente a partir do momento em que as feministas o elegeram como sua bandeira maior. Vale lembrar que o projeto maior desse movimento não é a promoção da mulher, mas a destruição da família tradicional. E, mais, fazer da mulher um homem, é a maior promoção do machismo. A discussão acontece na sociedade secular, bem como no meio eclesiástico e de forma efervescente: a igualdade entre os sexos, o papel e lugar da mulher, o empoderamento da mulher, o direito sobre o seu corpo (aborto), a violência contra a mulher (feminicídio), a representatividade da mulher nas organizações públicas e privadas, a remuneração igual no mercado de trabalho etc.

O que esse texto, escrito a cerca de três mil anos (982 aC), teria a nos dizer de relevante, hoje? Primeiramente, é preciso entender bem o contexto da época em que foi escrito. Em seguida, projetá-lo no contexto dessa sociedade pós-moderna na qual vivemos. Ou seja, é preciso seguir a regra geral da hermenêutica bíblica.

Ao ler esse texto me vem à mente a imagem de uma sociedade baseada predominantemente na agricultura e pecuária. Nesse contexto, imagino uma fazenda de porte razoável, com um casal; alguns filhos; servos trabalhando na casa, sob a orientação e supervisão da esposa e outros servos e/ou empregados, trabalhando no campo, sob a orientação e supervisão do marido. O foco do texto é posto na esposa e mãe. É bem provável que o autor não teria em mente uma única mulher que reunisse todas as qualidades mencionadas. Acredita-se que a intenção tenha sido a de elaborar um quadro descritivo ideal do que seria uma mulher (esposa e mãe) virtuosa. Portanto, não deve se sentir frustrada aquela mulher que perceber que não desenvolveu todas as qualidades mencionadas no texto.

Então, vejamos o que qualificaria uma mulher como virtuosa, digna de ser “louvada”. Por falar nisso, embora várias versões da bíblia mencionem o termo louvor (“seu marido a louva”– v.28; “essa será louvada” – v.30; “de público a louvarão” – v.31), fica melhor substituir “louvor” por “apreciação” ou “elogio”, reservando o termo louvor para Deus que é digno de todo o nosso louvor e adoração. Já há algum tempo aprendi que, pelo menos no âmbito eclesiástico, não usamos a expressão “voto de louvor” direcionado a pessoas, mas “voto de apreciação”, o que concordo plenamente.  

Há muitas formas de classificar e definir as dimensões de um ser humano. Para efeito deste estudo vamos considerar quatro e perceber como uma mulher virtuosa poderia se enquadrar.

1. DIMENSÃO INTELECTUAL
    Aspectos: Caráter, Personalidade, Valores, Confiabilidade, Bondade, Estética etc.

“O coração do seu marido confia nela, e não haverá falta de ganho.” (Pv 31.11)
“Ela lhe faz bem e não mal, todos os dias da sua vida.” (Pv 31.12)
“A força e a dignidade são os seus vestidos, e, quanto ao dia de amanhã, não tem preocupações.” (Pv 31.25)
“Levantam-se seus filhos e lhe chamam ditosa; seu marido a louva, dizendo: Muitas mulheres procedem virtuosamente, mas tu a todas sobrepujas.” (Pv 31.28-29)

A mulher virtuosa é, sem dúvida, uma pessoa diferenciada. Ela é vista como uma mulher capaz, dotada de nobre caráter e conhecimento das coisas úteis, para o desempenho do seu papel de esposa e mãe:

  • Sua presença é marcante e inspiradora para toda a família.
  • O seu marido confia nela porque ela é uma companheira fiel a ele, o apoiando e o encorajando, na enfermidade, na adversidade e na velhice.
  • Ela demonstra seu nobre caráter por meio das suas ações.
  • Tem a capacidade de administrar a sua casa, não dilapidando os recursos do casal com coisas supérfluas, ao contrário, promovendo prosperidade.
  • Ela edifica a sua casa e é o esteio do seu lar.
  • Ela tem opinião própria, sem ser arrogante; é firme e determinada sem ser autoritária.
  • Ela tem consciência do seu papel e é dedicada no cumprimento da sua missão.
  • Ela é cuidadosa consigo mesma; com sua mente, corpo e aparência.
  • Sua bondade, força e dignidade permeiam os seus atos e adorna o seu caráter e personalidade.
  • Seu zelo pela previdência humana e seu descanso na providência divina a fazem não abrigar preocupações com o dia de amanhã.

Uma mulher virtuosa, adornada de tantas qualidades, resplandece mais do que uma mulher fútil, vaidosa, vazia, enfeitada de finas joias, pois é a formosura interior que dá brilho ao que é exterior. “Não seja o adorno da esposa o que é exterior, como frisado de cabelos, adereços de ouro, aparato de vestuário; seja, porém, o homem interior do coração, unido ao incorruptível trajo de um espírito manso e tranquilo, que é de grande valor diante de Deus.” (1Pe 3.3-4)

Toda essa sua performance não passa despercebida pelos seus que a honram e não lhe poupam palavras e gestos de reconhecimento e apreciação.

2. DIMENSÃO LABORAL
    Aspectos: Habilidades, Desempenho, Disposição, Dedicação, Persistência etc.

“Busca lã e linho e de bom grado trabalha com as mãos.” (Pv 31.13)
“É como o navio mercante: de longe traz o seu pão.” (Pv 31.14)
“É ainda noite, e já se levanta, e dá mantimento à sua casa e a tarefa às suas servas.” (Pv 31.15)
“Examina uma propriedade e adquire-a; planta uma vinha com as rendas do seu trabalho.” (Pv 31.16)
“Cinge os lombos de força e fortalece os braços.” (Pv 31.17)
“Ela percebe que o seu ganho é bom; a sua lâmpada não se apaga de noite.” (Pv 31.18)
“Estende as mãos ao fuso, mãos que pegam na roca.” (Pv 31.19)
“No tocante à sua casa, não teme a neve, pois todos andam vestidos de lã escarlate.” (Pv 31.21)
“Faz para si cobertas, veste-se de linho fino e de púrpura.” (Pv 31.22)
“Ela faz roupas de linho fino, e vende-as, e dá cintas aos mercadores.” (Pv 31.24)
“Atende ao bom andamento da sua casa e não come o pão da preguiça.” (Pv 31.27)

Quem imagina que o ideal bíblico para a mulher (esposa e mãe) é alguém inerte, sem vontade própria, sem iniciativas, totalmente dependente, apenas uma cuidadora e doméstica, se equivoca e vai se surpreender com a dimensão laboral da mulher expressa neste texto. Aliás, das quatro, essa é a dimensão mais rica em detalhes e mais extensa.

Homem e mulher foram criados por Deus com a mesma inteligência, porém com certas diferenças que acabam direcionando-os para a realização de funções diferentes. Há evidências sobradas de que determinadas áreas de trabalho e atividades se ajustam melhor e ganham a preferência do público masculino, enquanto outras, do público feminino. Não é nosso objetivo neste estudo tratar do papel da mulher no âmbito eclesiástico, mas do aspecto laboral da mulher virtuosa no cotidiano da família e da sociedade secular.

Analisando superficialmente os versículos acima, selecionados para este segundo tópico verificamos alguns aspectos dessa mulher:

a) Ela participa efetivamente do provimento e sustento da casa e da família, buscando insumos e tecendo com as mãos. Num tempo em que não havia lojas de departamentos e que era caro contratar profissionais, esperava-se que a esposa fosse uma boa costureira. (vv. 13-14)

b) Ela não tem qualquer acordo com a preguiça. Num tempo em que não havia energia e luz elétrica era preciso aproveitar, ao máximo, a luz do sol. Ela acorda muito cedo, de madrugada, providencia a primeira refeição do dia e já distribui as tarefas com as servas, revelando ser uma boa administradora do lar. Ela encarna o ideal da feminilidade: é ativa, trabalhadora diligente e sábia, sempre presente e produtiva; sabe fazer e sabe delegar. (vv. 15, 27)

c) Ela é uma empreendedora, uma microempresária e investidora, lidando com avaliação e aquisição de propriedade e plantando vinha com a renda do seu trabalho. Também faz roupas e cintos para vender aos comerciantes. (vv. 16, 24)

d) Suas atividades laborais adentram a noite. Sua lamparina acesa fala de esperança de uma vida melhor para a família. O trabalho manual árduo e contínuo fortalece seus braços. Ela fabrica tecidos, faz cobertas para o seu próprio uso  e veste-se de linho e púrpura. “Ela evitava o que debilitaria o seu corpo ou amoleceria a sua mente” (Adam Clarke)(vv. 17,18 e 22)

e) Ela não teme o inverno e as tempestades de neve, pois se prepara para esse tempo de frio com antecedência. (v. 21)

Esse é o perfil laboral dessa mulher virtuosa: uma pessoa proativa, dinâmica, que organiza os serviços da casa e dá conta dos seus negócios e empreendimentos. Sem dúvida, alguém que seria capaz de atender às demandas profissionais do nosso tempo. Ela faz algumas investidas no ambiente externo à sua casa, porém, a predominância da sua ocupação se dá na modalidade de home office, para usar o linguajar da vez. Vivemos num tempo muito diferente, principalmente nas grandes metrópoles, entretanto, a essência não mudou. Ambos os cônjuges têm a responsabilidade do sustento e da administração da casa, bem como da educação, orientação, cuidado e disciplina dos filhos. Ambos podem ter que cuidar da sua carreira e vida profissional no mercado de trabalho, porém, devem prestar muita atenção à seguinte afirmação: “Atende ao bom andamento da sua casa e não come o pão da preguiça.” (Pv 31.27)

3. DIMENSÃO RELACIONAL
    Aspectos: Comunicação, Empatia, Sensibilidade Social, Misericórdia etc.

“Abre a mão ao aflito; e ainda a estende ao necessitado.” (Pv 31.20)
“Seu marido é estimado entre os juízes, quando se assenta com os anciãos da terra.” (Pv 31.23)
“Fala com sabedoria, e a instrução da bondade está na sua língua.” (Pv 31.26)

É fato que as mulheres não são todas iguais e não têm todas o mesmo perfil e vocação. O mesmo se dá com os homens, é claro. Entretanto, de um modo geral e com muitas exceções, quando se trata de relacionamento social a natureza feminina leva vantagem. No lar, ela é a conciliadora, apaziguadora, conselheira, confidente e companheira. No mercado de trabalho ela é predominantemente professora, pedagoga, advogada, enfermeira, assistente social, cuidadora, atendente, secretária, arquiteta, ginecologista etc. Lidar com pessoas é o seu ponto forte. Ela gosta de falar e carrega a pecha de falar muito. Quando sensata e prudente, fala com sabedoria, como Abigail a Davi, pacificando a situação (1Sm 25).

Não há qualquer virtude em se viver uma vida regalada, voltada para o seu próprio umbigo, sem se importar com o próximo. Na sua empatia e sensibilidade, a mulher virtuosa, além de servir e suprir a própria família,  volta o seu olhar para os aflitos e necessitados, para distribuir entre os pobres uma porção da sua generosidade. Ela faz como Rute que deixou tudo para acompanhar e cuidar da sua sogra Noemi (Rt 1.16-18), sendo literalmente reconhecida por Boaz como “mulher virtuosa” (Rt 3.11); ou como a bondosa Dorcas que era notável pelas boas obras que fazia (At 9.36). 

A mulher virtuosa não se presta ao desserviço de falar mal do marido e nem de divulgar as fraquezas e debilidades da sua família. Ao contrário, sua boa atuação projeta uma boa imagem da sua casa, sendo parte do sucesso do seu marido.

4. DIMENSÃO ESPIRITUAL
    Aspectos: Temor a Deus, Fé, Piedade etc.

“Enganosa é a graça, e vã, a formosura, mas a mulher que teme ao SENHOR, essa será louvada.” (Pv 31.30)
“Dai-lhe do fruto das suas mãos, e de público a louvarão as suas obras.” (Pv 31.31)

Chegamos, por fim, à última dimensão, a espiritual. Tudo o que foi dito anteriormente pode ser compartilhado por várias mulheres, independentemente da sua devoção ou não a alguma religião. Entendemos que essa última dimensão, que tem a ver com seu temor a Deus e sua fé, constitui, verdadeiramente, o grande diferencial. “Muitas mulheres procedem virtuosamente, mas tu a todas sobrepujas.” (Pv 31.29). Sem dúvida, a mulher cristã, regenerada e habitada pelo Espírito Santo, manifestará o fruto do Espírito que é a essência da mulher virtuosa. Essa capacitação divina será um tremendo facilitador e impulsionador para a sua atuação nas três dimensões tratadas acima. Este é o verdadeiro e autêntico empoderamento, o que vem do alto, de Deus! 

Na galeria dos heróis e heroínas da fé (Hb 11) não foram esquecidas as mulheres. Entre os grandes personagens bíblicos ali destacados por sua fé, vamos encontrar Sara (Hb 11.11) e Raabe, a meretriz regenerada por Deus (Hb 11.31). Ao longo da história não faltaram mulheres de Deus que fizeram toda a diferença e marcaram sua época; algumas sempre lembradas e outras permaneceram no anonimato.

Conclusão:

Nesse tempo de pós-modernidade, muitas ideias progressistas e narrativas falaciosas têm surgido e provocado certa inquietação, dentro e fora da igreja. Os absolutos de Deus estão sendo bombardeados diariamente. É preciso ter cuidado e buscar o alicerce na bíblia para não ser arrastado por certas novidades. Nem tudo que é antigo é ruim e nem tudo que é moderno é bom, principalmente no campo das ideias.

É preciso tomar cuidado com certas narrativas que estão sendo empurradas goela abaixo e, muitos, inclusive cristãos, não estão percebendo e reagindo:

– “Lugar de mulher é onde ela quiser!”
– “O trabalho feminino é menos valorizado!”
– “A mulher ganha menos do que o homem!”
– “Meu corpo, minhas regras!”

Nem sempre a mulher recebeu o seu devido valor e igualdade de tratamento e oportunidade. Em boa parte do planeta essa situação melhorou, porém, no restante, predominantemente não cristão, ainda não. Vale ressaltar que Jesus e sua igreja têm resgatado a dignidade e o valor da mulher. No plano maior divino, homem e mulher têm papeis bem definidos, dentro e fora da igreja.

O ensino bíblico da subordinação da esposa ao marido não foi revogado, não caducou e não deprecia a mulher. A subordinação da mulher não significa inferioridade. Sobre isto, comenta Augustus Nicodemus Lopes: “Assim como Pai e Filho, que são iguais em poder, honra e glória, desempenham papéis diferentes na economia da salvação (o Filho se submete ao Pai), homem e mulher se complementam no exercício de diferentes funções, sem que haja qualquer desvalorização ou inferiorização da mulher”. Do mesmo modo, portanto, a submissão da mulher ao homem no contexto do lar e da igreja não significa que ela lhe seja inferior. Explicitamente, à ordem de submissão o apóstolo contrapõe: “No Senhor, todavia, nem a mulher é independente do homem, nem o homem, independente da mulher. Porque, como provém a mulher do homem, assim também o homem é nascido da mulher; e tudo vem de Deus.” (1Co 11.11-12).

Que Deus nos ajude!

Bibliografia:
1. Bíblia Sagrada (SBB – Versão Revista e Atualizada).
2. Bíblia Online – SBB.
3. Revista Didaquê – Vida Abundante – VIVENDO E Aprendendo.
4. Champlin, Russell Norman, Ph.D. – O Antigo Testamento Interpretado, versículo por versículo – Hagnos.
5. Internet.


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Autoridade e Submissão