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O Espírito Santo e a Oração

Introdução:

Já não é fácil entender a nós mesmos, nem tampouco entender o outro; quanto mais entender o mover do Espírito Santo, o mover do mundo espiritual e o que acontece quando oramos. Nesse nosso relacionamento com Deus, através da oração, há que se levar em conta sempre três aspectos relevantes:

a) Como se chega à presença do Soberano Rei do Universo, para lhe falar algo?

Ao contrário do que acontece com o acesso às pessoas muito importantes ou famosas do planeta, temos um Deus acessível para escutar o clamor das suas criaturas quando o fazem com humildade e contrição:

“Porque assim diz o Alto, o Sublime, que habita a eternidade, o qual tem o nome de Santo: Habito no alto e santo lugar, mas habito também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos e vivificar o coração dos contritos.” (Is 57.15). “Deus, porém, ouviu a voz do menino (Ismael); e o Anjo de Deus chamou do céu a Agar e lhe disse: Que tens, Agar? Não temas, porque Deus ouviu a voz do menino, daí onde está.” (Gn 21.17)

Entretanto, a intimidade como o Senhor não é um privilégio de todos: “A intimidade do SENHOR é para os que o temem, aos quais ele dará a conhecer a sua aliança.” (Sl 25.14; ver tb. Pv 3.32). Certamente isso não acontece por nosso mérito: “Mas, agora, em Cristo Jesus, vós, que antes estáveis longe, fostes aproximados pelo sangue de Cristo.” (Ef 2.13)

b) Tendo o acesso franqueado a Deus, o que lhe dizer?

Aqueles que foram feitos filhos de Deus (Jo 1.12-13), os regenerados pelo Espírito Santo, chegam à sua presença divina, diante do seu trono de graça, como um filho chega à presença do seu pai terreno. Com intimidade, simplicidade e reverência, abrimos o nosso coração diante do Pai Celestial. Confessamos nossos pecados, exaltamos o seu nome, agradecemos pelos seus feitos, suplicamos por nossas necessidades e intercedemos por outros e por outras causas. Simples assim!

c) Tendo chegado à sua presença santa, tendo lhe dito algo, o que acontecerá?

Às vezes acontece assim: “O SENHOR atendeu à voz de Elias; e a alma do menino tornou a entrar nele, e reviveu.” (1Rs 17.22), “SENHOR, meu Deus, clamei a ti por socorro, e tu me saraste.” (Sl 30.2); outras, assim: “Visto que eu clamei, e eles não me ouviram, eles também clamaram, e eu não os ouvi, diz o SENHOR dos Exércitos.” (Zc 7.13). Ao longo da história humana Deus tem respondido orações com: SIM, NÃO e ESPERA. Independentemente do que irá acontecer, o apóstolo Paulo nos ensina: “Orai sem cessar.” (1Ts 5.17). Tiago acrescenta: “Confessai, pois, os vossos pecados uns aos outros e orai uns pelos outros, para serdes curados. Muito pode, por sua eficácia, a súplica do justo.” (Tg 5.16)

Considerando que estaremos tratando aqui daquilo que acontece no mundo espiritual, enquanto ou quando oramos, principalmente do mover do Espírito Santo, vale relembrar algumas coisas a respeito da pessoa e da obra e ministério do Espírito Santo:

Quanto à sua obra na salvação:

– Convencimento (Jo 16.8-11)
– Regeneração (Tt 3.5)
– Habitação (1Co 6.19)
– Batismo (1Co 12.13)
– Selo (2Co 1.22; Ef 1.13; 4.30)

Quanto à sua pessoa e ministério:

– Ele fala (Mc 13.11; Jo 15.26; 16.13; 2Pe 1.21)
– Ele tem mente, intelecto (Rm 8.27)
– Ele tem emoções, pode ser entristecido (Ef 4.30)
– Ele ensina (Lc 12.12; Jo 14.26; 16.12-15)
– Ele guia, orienta (Rm 8.14)
– Ele constitui líderes (At 20.28)
– Ele comissiona (At 13.4)
– Ele ordena, comanda (At 8.29; 10.19-20)
– Ele sonda as profundezas de Deus e faz revelações aos homens (1Co 2.10-11)
– Ele realiza coisas, conforme sua vontade (1Co 12.11)
– Ele age no homem (Gn 6.3)
– Ele pode ser resistido (At 7.51)
– Ele intercede (Rm 8.26; Ef 6.18)

Portanto, o Espírito Santo não é simplesmente uma força ativa de Deus ou uma influência que vem sobre a alma humana, como muitos pensam a isso o reduzem. Ele é um ser pessoal; ele é Deus (At 5.3-4)! Como tal, vejamos o seu mover na oração.

1. A intercessão do Espírito (Rm 8.26-27)

“Também o Espírito, semelhantemente, nos assiste em nossa fraqueza; porque não sabemos orar como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós sobremaneira, com gemidos inexprimíveis. E aquele que sonda os corações sabe qual é a mente do Espírito, porque segundo a vontade de Deus é que ele intercede pelos santos (crentes).” (Rm 8.26-27)

Qual o crente que não almeja ter uma vida de oração eficaz? Por conta desse legítimo anseio cristão, não são poucos os livros escritos e os textos elaborados com a intenção de mostrar o caminho da oração eficaz. Qual o meu papel e qual o papel do Espírito Santo nisso? O texto bíblico acima nos revela duas importantes verdades a esse respeito. No que concerne a nós, crentes, o que há são limitações: fraqueza e não saber orar como convém. Felizmente, no lado divino, temos a ação intercessora do Espírito Santo, que habita em nós, nos assistindo, suprindo e compensando nossas limitações, pois ainda habitamos esse corpo corruptível, sujeito a debilidades morais e espirituais, enquanto ele vai nos moldando à imagem de Cristo. Nas nossas limitações, focamos quase sempre o livramento de males que nos afligem ou a obtenção de bens terrenos, porém o Espírito nos auxilia na direção de objetivos mais elevados e duradouros, bem como na concretização da vontade de Deus em nossas vidas. Isso nos assegura que Deus Pai, aquele que sonda os corações, reconhece o sentido da palavra não articulada (gemido ou suspiro) e realiza o que é melhor para os crentes (“santos”), segundo a sua vontade.

Temos que admitir que há muitas situações e circunstâncias que nos envolvem, ou opções que se apresentam para nós que nos deixam atordoados e confusos, sem saber o que fazer ou o caminho a seguir. Nesses casos, primeiramente precisamos descansar no Senhor: “…porque Deus, o vosso Pai, sabe o de que tendes necessidade, antes que lho peçais.” (Mt 6.8). Em segundo lugar, precisamos levar tudo diante de Deus, pois podemos contar com a intercessão do Espírito e confiar que ele “é poderoso para fazer infinitamente mais” (Ef 3.20).

Então, podemos contar com a intercessão do Espírito Santo e com a de Jesus: “Por isso, também pode salvar totalmente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles.” (Hb 7.25). O que não podemos admitir, em hipótese alguma, é o equívoco de muitos ao buscar e confiar na intercessão da “Virgem Maria e inumeráveis Santos (pessoas canonizadas pela igreja católica romana por uma obra admirável)”. Não há qualquer sustentação bíblica para a busca de intermediários entre o homem e Deus: “Porquanto há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem,” (1Tm 2.5). Essa foi mais uma razão da reforma protestante que completa 500 anos no dia 31 de outubro de 2017.

2. O Espírito Santo como Mestre e Guia na oração (Jo 14.26; Jo 16.13)

“mas o Consolador, o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo o que vos tenho dito.” (Jo 14.26)
“quando vier, porém, o Espírito da verdade, ele vos guiará a toda a verdade; porque não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e vos anunciará as coisas que hão de vir.” (Jo 16.13)

Jesus mesmo declarou que o Espírito Santo realiza, nos santos, uma obra especial de ensiná-los, todas as coisas, e guia-los à toda a verdade. Além de contar com sua intercessão, devemos recorrer a ele como Mestre e Guia na oração. Sabemos que podemos e devemos orar a Palavra de Deus, isto é, usando as próprias verdades expressas na Bíblia. Com certeza nossa oração será enriquecida com tão excelentes palavras que, agradarão a Deus, porém, não devem se transformar em meras frases feitas, repetidas de forma mecânica. Antes, porém, tais expressões devem circular pelo nosso ser, passando pela nossa mente e coração, reforçando nosso entendimento e aquecendo nossas emoções e, só então, subir ao Pai Celestial. Além de orar as Escrituras, antes de tudo, é necessário orar em conformidade com as Escrituras, em conformidade com o ensino bíblico. Neste ponto, é o Espírito quem nos capacitará a orar. É ele quem nos conduzirá a assimilar e viver os ensinos bíblicos de modo a agradar a Deus, por meio de Cristo. É ele quem nos fará aprender com cada oração registrada na bíblia e com os seus ensinos. Quem não conhece bem a bíblia, corre o risco de se equivocar na oração.

3. A oração no Espírito Santo (Jd 20; Ef 6.18)

“Vós, porém, amados, edificando-vos na vossa fé santíssima, orando no Espírito Santo, guardai-vos no amor de Deus, esperando a misericórdia de nosso Senhor Jesus Cristo, para a vida eterna.” (Jd 20)
“com toda oração e súplica, orando em todo tempo no Espírito e para isto vigiando com toda perseverança e súplica por todos os santos” (Ef 6.18)

Orar no Espírito é orar em plena comunhão com ele, é orar segundo a sua direção e unção. Tal oração não pode ser tão egoísta, focando apenas os próprios interesses, mas há de ser intercessória, buscando o bem do outro. Não se trata de algo que aconteça eventualmente, mas se desenvolve de forma contínua, em todo o tempo.

Orar no Espírito é orar segundo a vontade de Deus e ela será feita. Há vários textos bíblicos que nos enchem de esperança quanto à eficácia da oração. Certamente há aspectos condicionantes a serem observados.

“E esta é a confiança que temos para com ele: que, se pedirmos alguma coisa segundo a sua vontade, ele nos ouve. E, se sabemos que ele nos ouve quanto ao que lhe pedimos, estamos certos de que obtemos os pedidos que lhe temos feito.” (1Jo 5.14, 15)

Se permanecerdes em mim, e as minhas palavras permanecerem em vós, pedireis o que quiserdes, e vos será feito.” (Jo 15.7)

“Não fostes vós que me escolhestes a mim; pelo contrário, eu vos escolhi a vós outros e vos designei para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça; a fim de que tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome, ele vo-lo conceda.” (Jo 15.16)

“Pedi, e dar-se-vos-á; buscai e achareis; batei, e abrir-se-vos-á. Pois todo o que pede recebe; o que busca encontra; e, a quem bate, abrir-se-lhe-á.” (Mt 7.7-8)

“Em verdade também vos digo que, se dois dentre vós, sobre a terra, concordarem a respeito de qualquer coisa que, porventura, pedirem, ser-lhes-á concedida por meu Pai, que está nos céus.” (Mt 18.19)

“E tudo quanto pedirdes em meu nome, isso farei, a fim de que o Pai seja glorificado no Filho. Se me pedirdes alguma coisa em meu nome, eu o farei.” (Jo 14.13-14)

“Amados, se o coração não nos acusar, temos confiança diante de Deus; e aquilo que pedimos dele recebemos, porque guardamos os seus mandamentos e fazemos diante dele o que lhe é agradável.” (1Jo 3.21-22)

Conclusão:

Neste estudo, temos visto como chegar à presença de Deus, o que lhe dizer e o que acontecerá. Pensando na ação do Espírito Santo, aproveitamos para relembrar a sua obra na salvação e aspectos relativos à sua pessoa e ministério. Finalmente, tratamos da intercessão do Espírito, da sua obra especial como Mestre e Guia na Oração e, o que significa orar no Espírito.

Então, pelo conjunto da obra, pode-se perceber a relevância do Espírito Santo na oração. Ele é nosso intercessor, nosso mestre e guia; protagonista indispensável quando se trata de oração eficaz. Essas são verdades confortadoras e motivadoras para o caminhar na fé cristã.

Ora, vem, Espírito Santo e ajuda-nos a orar, como convém!


Nota: esboço pessoal de aula, preparado por mim, para facilitar a ministração da Aula 5 (O que acontece na oração – O mover do Espírito Santo) – Módulo 2 – EBD Catedral 2017, de modo a atender a temática proposta no material elaborado por colaboradores para os alunos.

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