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Filipe, Pedro e Simão, o mágico (Atos 8.4-25)

1) A dispersão (vv. 4-5)

4   Entrementes, os que foram dispersos iam por toda parte pregando a palavra.

A perseguição seguida da dispersão ajudou a espalhar a semente do evangelho que ia produzir uma colheita abundante. E, sempre tem sido assim. “O sopro do diabo ativa as chamas do evangelho”. O Senhor Jesus fizera a seus seguidores imediatos uma promessa (At 1.8), a qual não somente garantia o sucesso de sua missão, como também a extensão universal dela. O Evangelho já fora abundantemente apresentado em Jerusalém. A perseguição encabeçada por Saulo de Tarso, com a sanção das autoridades religiosas dos judeus, havia espalhado os cristãos por toda a Judéia, e, de fato, por toda a Palestina. Agora, a mensagem Cristã atingia Samaria, de conformidade com os termos expressos na Grande Comissão. Portanto, o resultado da perseguição foi o oposto daquilo que desejavam os perseguidores.

5  Filipe, descendo à cidade de Samaria, anunciava-lhes a Cristo.

Filipe era outro “diácono” (At 6.5) e “evangelista” (At 21.8), como Estevão, e não o apóstolo.

O território de Samaria atuou como uma espécie de primeiro degrau para um ministério em território puramente gentio e pagão. Os samaritanos eram descendentes de uma mistura do remanescente de Israel com estrangeiros que foram introduzidos na Samaria pelos conquistadores assírios quando as classes superiores foram levadas para o exílio (2Rs 17 – miscigenação). Sua religião era essencialmente judaica, porquanto observavam as mesmas festividades religiosas e professavam adorar ao mesmo Deus dos judeus, “Yahweh”; porém haviam feito seu centro de adoração na cidade e no monte Gerizim. O seu “cânon” das Escrituras, tal como no caso dos saduceus, consistia exclusivamente no Pentateuco, isto é, nos cinco livros de Moisés, os cinco primeiros da nossa Bíblia. A associação com os samaritanos era evitada pelos judeus (Jo 4.9). Considerando os judeus que os samaritanos eram mestiços raciais e religiosos, violentos preconceitos tiveram que ser vencidos antes da igreja poder se tornar realmente universal.

2) O poder do Evangelho (vv. 6-8)

6  As multidões atendiam, unânimes, às coisas que Filipe dizia, ouvindo-as e vendo os sinais que ele operava.

7  Pois os espíritos imundos de muitos possessos saíam gritando em alta voz; e muitos paralíticos e coxos foram curados.

8  E houve grande alegria naquela cidade.

Filipe, tal como Estevão, era homem dotado de grande poder espiritual, tendo recebido um ministério de confiança, dificilmente inferior ao dos próprios apóstolos. É mesmo possível que tanto Estevão como Filipe tenham realizado obras maravilhosas que ultrapassaram mesmo as de muitos dos doze. Filipe foi o missionário que abriu a trilha para o mundo exterior, libertando a Igreja Cristã de territórios estritamente judaicos. E essa trilha, mais tarde, foi transformada em uma grande estrada. Vemos em Samaria, como a mensagem genuína do Evangelho (“anunciava-lhes a Cristo”), pregada por Filipe, no poder do Espírito Santo, atraia os pecadores. Deus autenticou a mensagem de Filipe com milagres e estes sinais eram a prova de que Filipe era um mensageiro de Deus.

3) Os efeitos do Evangelho (vv. 9-13)

9  Ora, havia certo homem, chamado Simão, que ali praticava a mágica, iludindo o povo de Samaria, insinuando ser ele grande vulto;

10  ao qual todos davam ouvidos, do menor ao maior, dizendo: Este homem é o poder de Deus, chamado o Grande Poder.

11  Aderiam a ele porque havia muito os iludira com mágicas.

12  Quando, porém, deram crédito a Filipe, que os evangelizava a respeito do reino de Deus e do nome de Jesus Cristo, iam sendo batizados, assim homens como mulheres.

13  O próprio Simão abraçou a fé; e, tendo sido batizado, acompanhava a Filipe de perto, observando extasiado os sinais e grandes milagres praticados.

Antes que Filipe chegasse a Samaria, um mágico chamado Simão fazia aquela gente crer que ele era alguma emanação divina. As pessoas, enganadas por seus truques, lhe atribuíam o Grande Poder. Parece, então, que o poder obviamente superior de Filipe, bem como os muitos milagres por ele praticados, eclipsaram a glória de Simão, e então, o próprio Simão “abraçou a fé” ou “creu” e foi batizado. Os samaritanos foram suficientemente sábios para reconhecer a diferença vital entre Simão e Filipe, milagre autêntico e ilusionismo, por isso mesmo, vinham em grande número receber a mensagem messiânica de salvação, que Filipe pregava.

Qual a diferença entre Milagre,  Mágica e Fraude?

O milagre é um fato acontecido, humana e naturalmente impossível de ser realizado. A mágica ou ilusionismo ou prestidigitação é a falsa impressão da ocorrência de algo, humana e naturalmente impossível, realizado através de técnicas e truques. A fraude ou falso milagre é a simulação de algo, humana e naturalmente impossível, previamente engendrado, com ou sem o auxílio de outrem, realizado com o fim de enganar. Os magos e encantadores de Faraó, com suas ciências ocultas ou por influência demoníaca, conseguiram reproduzir os três primeiros milagres de Moisés. Logo tiveram que admitir sua inferioridade e reconhecer que o poder que agia em Moisés era insuperável: “E fizeram os magos o mesmo com suas ciências ocultas para produzirem piolhos, porém não o puderam; e havia piolhos nos homens e no gado. Então, disseram os magos a Faraó: Isto é o dedo de Deus.” (Ex 8.18-19a).

Os samaritanos que creram foram batizados com água como sinal visível e público de que haviam abraçado a nova fé. Quão notáveis e poderosos devem ter sido os milagres operados por Filipe, ao ponto do próprio Simão ficar perplexo, embora ele mesmo já houvesse realizado muitos sinais prodigiosos. Todo esse episódio ilustra o extraordinário poder da igreja primitiva, em meio às massas do mundo antigo; e isso nos ajuda a entender melhor o tremendo impacto que o cristianismo exerceu sobre todas as culturas humanas de então. “Os milagres são joias das mãos de Deus, que lampejam com extraordinário brilho, a fim de atrair as mentes dos homens para longe deste mundo material, e as interpretações materialistas sobre a natureza da vida e da existência, desse modo, não os atraem mais”.

4) Visita apostólica confirmatória (vv. 14-17)

14   Ouvindo os apóstolos, que estavam em Jerusalém, que Samaria recebera a palavra de Deus, enviaram-lhe Pedro e João;

15  os quais, descendo para lá, oraram por eles para que recebessem o Espírito Santo;

16  porquanto não havia ainda descido sobre nenhum deles, mas somente haviam sido batizados em o nome do Senhor Jesus.

17  Então, lhes impunham as mãos, e recebiam estes o Espírito Santo.

Parece indiscutível que alguma forma de autoridade central era mantida pelos apóstolos, os quais, tanto dirigiam, como confirmavam os resultados dos trabalhos missionários, e que, de modo geral, eram os supervisores das atividades de toda a Igreja Cristã. Isso não subentende, necessariamente, que Filipe tenha sido mandado para Samaria, porquanto, apesar de tudo, implicava a liberdade individual de ação, que dependia exclusivamente da orientação dada pelo Espírito Santo. Porém, uma vez que se firmasse qualquer trabalho evangelístico, os apóstolos, como é evidente, tinham a responsabilidade de investigá-lo, de fortalecê-lo. Note-se como Barnabé, em ocasião posterior, embora não fosse apóstolo, realizou esse mesmo tipo de função (At 11.22).

Pedro e João foram enviados de Jerusalém com uma missão e um propósito específicos, definidos como a necessidade de proporcionar àqueles convertidos samaritanos o dom do Espírito Santo. João, filho de Zebedeu, que antes desejava pedir que caísse fogo do céu sobre os rebeldes samaritanos (Lc 9.54), foi a Samaria, a fim de ministrar uma bênção, numa benigna visitação celestial, e não de destruição. Esse é o Espírito de Cristo.  Havia necessidade de um “Pentecoste Samaritano”, não apenas para que aquela gente contasse com a sua própria plenitude da mensagem da graça, por meio de Cristo, mas também, para que houvesse uma clara demonstração, perante todos, de que os cristãos samaritanos eram crentes verdadeiros, não sendo inferiores, em qualquer sentido, aos crentes de Jerusalém. Talvez a nós pareça estranho que tal comprovação fosse necessária; porém, relembrando-nos das noções judaicas de superioridade espiritual, isso convence qualquer um da necessidade dessa medida.

Deve-se observar que o batismo com água não havia conferido, àqueles crentes samaritanos, o dom do Espírito Santo. Os apóstolos achavam óbvio que a fé daquelas pessoas era genuína. Portanto, impuseram-lhes as mãos e o Espírito Santo veio sobre eles. O significado desse acontecimento tem sido assunto de controvérsia.

No que diz respeito à outorga do dom do Espírito Santo, encontramos na história do Livro de Atos uma situação variada. Em primeiro lugar, ordinariamente o Espírito Santo era propiciado de modo inteiramente desligado do batismo. Não se pode estabelecer qualquer elo entre o batismo com água e a outorga do Espírito Santo, conforme algumas denominações evangélicas procuram fazer em nossos dias, senão vejamos:

(i) No trecho de Atos 2.4, vemos que o Espírito Santo não foi dado através de qualquer agência humana.

(ii) Atos 2.33 mostra-nos que o Cristo exaltado nos lugares celestiais é quem derramou de seu Espírito Santo.

(iii) Em Atos 9.17, Ananias, um discípulo ordinário, mediante a imposição de mãos, concedeu o Espírito Santo a Saulo de Tarso.

(iv) Em Atos 10.44, o Espírito Santo é visto a cair sobre gentios, espontaneamente, também sem qualquer intervenção humana.

Portanto, torna-se arbitrário selecionar este acontecimento para transformá-lo em norma de experiência cristã, e insistir que existe um batismo especial com o Espírito Santo que é concedido, após a fé salvadora, pela imposição de mãos, daqueles que já passaram por essa experiência. O significado desse acontecimento está no fato dessa gente ser samaritana. Eis aí o primeiro passo através do qual a igreja rompeu suas cadeias judias, indo na direção de uma comunhão realmente universal. A imposição de mãos não foi necessariamente para os samaritanos; mas foi necessária para os apóstolos, para que se convencessem completamente de que Deus estava realmente rompendo as barreiras do preconceito racial e incluindo essa gente mestiça dentro da comunidade da igreja. Não foi um novo Pentecostes, mas uma extensão do Pentecostes ao povo samaritano. “O Livro de Atos não descreve o batismo como algo que é completado pela imposição de mãos; o batismo não estava invalidado, os convertidos samaritanos, mediante a sua administração, tornaram-se membros da Igreja Cristã; a imposição de mãos não tinha por intuito completar supostamente o batismo, mas foi um acréscimo ao mesmo. E o trecho de Hebreus 6.2 certamente indica que essa adição já deveria ser conhecida em um período bem remoto.” (R. J. Knowling).

Muito se tem debatido com respeito ao motivo pelo qual Filipe não pôde realizar a imposição de mãos em seus próprios convertidos. O mais provável é que essa doação do Espírito Santo, ou de dons espirituais especiais, estivesse ordinariamente reservada ao ministério apostólico, embora houvesse exceções a essa regra, segundo se verifica no caso de Ananias e Saulo de Tarso (At 9.17).

5) O “sacrilégio” de Simão (vv. 18-25)

18  Vendo, porém, Simão que, pelo fato de imporem os apóstolos as mãos, era concedido o Espírito Santo , ofereceu-lhes dinheiro,

19  propondo: Concedei-me também a mim este poder, para que aquele sobre quem eu impuser as mãos receba o Espírito Santo.

20  Pedro, porém, lhe respondeu: O teu dinheiro seja contigo para perdição, pois julgaste adquirir, por meio dele, o dom de Deus.

21  Não tens parte nem sorte neste ministério, porque o teu coração não é reto diante de Deus.

22  Arrepende-te, pois, da tua maldade e roga ao Senhor; talvez te seja perdoado o intento do coração;

23  pois vejo que estás em fel de amargura e laço de iniquidade.

24  Respondendo, porém, Simão lhes pediu: Rogai vós por mim ao Senhor, para que nada do que dissestes sobrevenha a mim.

25  Eles, porém, havendo testificado e falado a palavra do Senhor, voltaram para Jerusalém e evangelizavam muitas aldeias dos samaritanos.

É com base nessa circunstância da tentativa de Simão de adquirir, a dinheiro, o poder do Espírito Santo e os seus dons, que temos o moderno vocábulo “simonia”, palavra essa que assumiu, na passagem dos séculos, uma significação mais lata do que isso, indicando a compra ou venda de coisas sagradas ou espirituais, como perdão eclesiástico, ofícios eclesiásticos, posições ou prestígio nos círculos religiosos. Em Simão temos o exemplo de como é possível alguém ser “crente” porque percebe que o Evangelho é a verdade (ver Jo 2.23), porém, sem ser convertido pelo poder dessa verdade na própria vida.

É importante ressaltar que o “crer”, ou “abraçar a fé ou uma crença”, não significa necessariamente possuir a fé verdadeira e salvadora. Pode não passar de acreditar, de um assentimento ou aceitação mental de algo que se tomou conhecimento. É como Tiago diz: “Crês, tu, que Deus é um só? Fazes bem. Até os demônios creem e tremem”(Tg 2.19). Tudo leva a crer que esse foi o caso de Simão; ele acreditou no que estava vendo, que era algo fascinante e superior ao que fazia, porém não havia nascido de novo, não se convertera a Cristo, não havia internalizado de forma visceral a fé autêntica e salvadora. A fé autêntica e salvadora não é mera aceitação mental de sinais e prodígios, ou de uma crença ou credo ou religião. Porém, é transformadora e revitalizadora de vidas e comportamentos.

Nem todos os que são batizados e entram para o rol de membros de uma igreja evangélica são verdadeiramente regenerados pelo Espírito Santo. Muitas podem ser as razões para alguém querer “abraçar a fé cristã”, inclusive, com motivação financeira, como, por exemplo, expandir sua clientela e negócio.

Com respeito a este texto bíblico podemos fazer as seguintes considerações finais:

1ª) Que Simão, o mágico, creu (v. 13) em alguma coisa, mas, pelo visto, não era renascido. Contudo foi batizado e incluído no rol dos discípulos.

2ª) Que Simão pensava ser o Cristianismo mais uma forma de magia, e que poderia obter, por dinheiro, o conhecimento dos seus mistérios ou um poder sobrenatural. Considerando que ele era um homem vivido e acostumado a manipular pessoas e situações, bem como pela reação do apóstolo Pedro, não nos parece que ele tenha incorrido num ato falho de infantilidade ou ingenuidade espiritual, típicos de um neófito na fé. Antes, porém, tudo leva a crer ter sido sua atitude algo premeditado e intencional, cujo o objetivo real não nos é revelado.

3ª) Que Pedro discerniu estar Simão, o mágico, ainda no caminho da perdição (v. 20), e o denunciou como quem não tinha parte nem sorte em Cristo.

4ª) Que Deus toma conhecimento dos pensamentos do coração (vv. 21-22; 1Sm 16.7).

5ª) Que um tal “crente”, professo, batizado, mas perdido, pode arrepender-se e orar a Deus implorando perdão.

6ª) Que podemos interceder pelos iníquos arrependidos.

Pedro e João ficaram, logo a seguir, ocupados em um vigoroso programa evangelístico que os levou por muitas aldeias da Samaria. Depois, tendo completado sua missão, retornaram a Jerusalém.

A oração move a mão de Deus?

Deus é um ser perfeito, supremo, soberano, que age quando, onde e como quer. Não depende de ninguém e a ninguém deve satisfação dos seus atos, mas é fiel às suas alianças com os homens. A questão que se coloca na pergunta-tema é se este ser tão maravilhosamente poderoso e autossuficiente admite realizar algo a pedido do ser humano através da oração. A este fenômeno da ação pontual de Deus em resposta a oração é que chamamos de “mover a mão de Deus”. Não confundir com “mudar a vontade de Deus”.

Há crentes, inclusive pastores, que acreditam e ensinam que a oração não move a mão de Deus, ela simplesmente prepara o homem para agir ou para aceitar o que já está determinado pela soberana vontade de Deus. Soren Kierkegaard, filósofo e teólogo dinamarquês (1813-1855), geralmente considerado como o pai do existencialismo teria dito: “A função da oração não é influenciar Deus, mas especialmente mudar a natureza daquele que ora.” Será que é isso mesmo? Existiria um determinismo divino onde a Soberania de Deus já traçou todos os caminhos do homem e da história e nada mais resta a este senão ocupar seus dias de vida num faz de conta que ora e Deus muda as circunstâncias?

O leitor apressado e espiritualmente raso poderia concluir que a experiência de Neemias retrata exatamente essa idéia do determinismo divino. Diria ainda: “– Não há intervenção sobrenatural! Neemias orou por quatro meses, período em que se preparou para agir e fazer acontecer aquilo que já estava determinado por Deus! A oração de Neemias não moveu a mão de Deus; simplesmente moveu o espírito e a mão do homem!” E, acrescentaria: “..Deus é quem efetua em nós tanto o querer quanto o realizar, segundo a sua boa vontade.” (Fp 2.13). Ainda que alguém pudesse provar que toda a oração é “inoculada” por Deus no coração do homem para que ele (Deus) possa cumprir os seus propósitos, outros poderiam argumentar dizendo que, em certo sentido, Deus requer, em princípio, a participação humana, através da oração, para agir. Não queremos tratar aqui do que leva o crente a orar: se é a vontade ou a necessidade humanas ou se é a influência divina. Essa é outra questão por demais complexa para nós, simples mortais. A ressurreição da filha de Jairo por Jesus (Mc 5.21-43), por exemplo, ocorreu como conseqüência de Jairo ter ido a Jesus e suplicado sua intervenção, motivado: a)pelo seu desespero e pelo seu conhecimento do poder de Jesus? b) por influência direta de Deus no seu coração, para que Jesus fosse glorificado através do milagre realizado? c) por ambos os motivos? De fato não sabemos exatamente o que dizer. Entretanto, o que importa é que ele foi a Jesus (oração) e Jesus “se moveu” e atendeu à sua súplica.

Cyril J. Barber afirma que “a oração não apenas auxilia a colocar nossas vidas em conformidade com a vontade de Deus, como também nos prepara para receber a resposta. Na medida em que nos conscientizamos do propósito de Deus, frequentemente passamos a ver a parte que nos cabe dentro de seu plano.” É fato que a oração persistente afeta e influencia aquele que ora. Aumenta a comunhão com Deus, fortalece a alma e os propósitos de Deus gerados em nós. Entretanto, seu efeito não para por aí, mas transpõe os limites do ser humano e chega à presença do Deus dos céus, mobilizando todo o mundo espiritual: “Orou Eliseu e disse: SENHOR, peço-te que lhe abras os olhos para que veja. O SENHOR abriu os olhos do moço, e ele viu que o monte estava cheio de cavalos e carros de fogo, em redor de Eliseu. E, como desceram contra ele, orou Eliseu ao SENHOR e disse: Fere, peço-te, esta gente de cegueira. Feriu-a de cegueira, conforme a palavra de Eliseu.” (2Rs 6.17-18).

Não podemos aceitar qualquer tentativa de desqualificação da oração que só pode ser estratégia maligna para desmobilizar o povo de Deus. Quem sabe é fruto de um existencialismo filosófico que anda de mãos dadas com o ateísmo. O inferno vai continuar tremendo porque o povo de Deus vai continuar dobrando o seu joelho em oração a Deus, crendo nas infinitas possibilidades desse recurso disponibilizado por Deus. “A força da oração é maior do que qualquer possível combinação de poderes controlados pelo homem, pois a oração é o maior meio que o homem tem de recorrer aos recursos infinitos de Deus.” (J. Edgar Hoover).

Quem não vê a mão de Deus agindo em cada ponto da narrativa do livro de Neemias é desprovido de qualquer visão espiritual. Também não verá a intervenção de Deus nos acontecimentos narrados no livro de Ester, no qual o nome de Deus não é mencionado uma só vez. Tal pessoa será capaz de se deparar com a narrativa do milagre da multiplicação dos pães (Mt 14.13-21) e dizer que Jesus, com sua capacidade de influenciar pessoas, agiu na psiquê daquela multidão e, assim, criou um estado mental de saciedade. Dirá, então, que não houve ali qualquer milagre. Não é sem motivo que as Escrituras mencionam: “Todos comeram e se fartaram; e dos pedaços que sobejaram recolheram ainda doze cestos cheios. E os que comeram foram cerca de cinco mil homens, além de mulheres e crianças.” (vv.20-21). Neemias não tinha dúvida da ação do Senhor a seu favor e da sua causa (Ne 2.8b, 18a).

O que dizer de Ana, quando na amargura da esterilidade do seu ventre e no desprezo da sua rival orou ao Senhor por um filho. O texto bíblico apresenta o resultado da sua oração: “Elcana coabitou com Ana, sua mulher, e, lembrando-se dela o SENHOR, ela concebeu e, passado o devido tempo, teve um filho, a que chamou Samuel, pois dizia: Do SENHOR o pedi.” (1 Sm 1.19b-20) Quem é que não vê a mão de Deus operando aqui em resposta a oração de Ana? Não apenas aqui, mas em toda a Bíblia, na história humana e na vida daquele que crê que a oração tem movido sim a mão de Deus. Tem feito que o sobrenatural intervenha no natural. A participação de Elcana na concepção de Ana em nada diminui a grandeza do milagre operado por Deus como resposta de oração. Antes, reafirma o propósito de Deus de trabalhar em parceria com o homem, unindo o natural ao sobrenatural. Foi assim que o jovem que cedeu os cinco pães e dois peixes também participou do milagre da multiplicação dos pães. Quem acha que a participação humana, pregando ou orando, é irrelevante deve ler sobre o Atalaia em Ezequiel 33.1-9.

A Bíblia tem registros lindos desse mover da mão de Deus. No caso do rei Ezequias: “Volta e dize a Ezequias, príncipe do meu povo: Assim diz o SENHOR, o Deus de Davi, teu pai: Ouvi a tua oração e vi as tuas lágrimas; eis que eu te curarei; ao terceiro dia, subirás à Casa do SENHOR.” (2Rs 20.5). No caso de Daniel: “No princípio das tuas súplicas, saiu a ordem, e eu vim, para to declarar, porque és mui amado; considera, pois, a coisa e entende a visão.” (Dn 9.23). “Então, me disse: Não temas, Daniel, porque, desde o primeiro dia em que aplicaste o coração a compreender e a humilhar-te perante o teu Deus, foram ouvidas as tuas palavras; e, por causa das tuas palavras, é que eu vim.” (Dn 10.12)

A oração é recurso de Deus para provimento do homem, com sua garantia de eficácia (AT – 2Cr 7.14; NT–Mt 7.7-11).

O poder e eficácia da oração são realidades inegáveis: “Está alguém entre vós doente? Chame os presbíteros da igreja, e estes façam oração sobre ele, ungindo-o com óleo, em nome do Senhor. E a oração da fé salvará o enfermo, e o Senhor o levantará; e, se houver cometido pecados, ser-lhe-ão perdoados.” (Tg 5.14-15).

A oração é recomendada: “Orai sem cessar.” (1Ts 5.17)

A oração que produz resultados tem seus requisitos e condicionantes (Jo 15.7; 1Jo 3.21-22; 5.14-15).

A oração é o instrumento mais poderoso que existe sobre a terra. Deve ser usado permanentemente e de acordo com a vontade de Deus, que é “boa, agradável e perfeita” (Rm 12.2). Orações feitas apenas para satisfazer a nossa própria vontade são perigosas. Ex.: Rei Ezequias (2Rs 20).

A oração eficaz é a oração feita segundo a vontade de Deus e que satisfaz à premissa da parceria de sucesso: “EU QUERO e DEUS QUER!!”

“Devemos orar como se tudo dependesse de Deus e agir como se tudo dependesse de nós. Só orar não! Só agir não!”

 “A oração é a fusão do desejo finito com a vontade infinita de Deus.”

“A oração é a chave nas mãos da fé que pode abrir o celeiro do Céu, onde estão os inesgotáveis recursos divinos para as nossas vidas.”

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