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O volver do rosto de Daniel

Daniel

“Voltei o rosto ao Senhor Deus, para o buscar com oração e súplicas, com jejum, pano de saco e cinza.” (Dn 9.3)(ARA)

“E eu dirigi o meu rosto ao Senhor Deus, para o buscar com oração, e rogos, e jejum, e pano de saco, e cinza.” (Dn 9.3)(ARC)

“Por isso me voltei para o Senhor Deus com orações e súplicas, em jejum, em pano de saco e coberto de cinza.” (Dn 9.3)(NVI)

O personagem bíblico Daniel não passa despercebido nas muitas páginas do Antigo Testamento. As histórias contidas no livro de Daniel, um dos profetas maiores (não em importância, mas em quantidade de escritos) são muito contadas pelos professores de crianças, que, ao ouvi-las, vibram com cada cena. Ao lê-las ou ouvi-las, quando criança, eu era (e ainda continuo sendo) impactado por alguns aspectos:

  • Pela determinação de Daniel e seus três amigos, ainda jovens, de não se contaminarem naquela terra estrangeira onde estavam cativos. Um santo e radical compromisso de viver uma vida diferenciada, de obediência a Deus e a seus mandamentos.
  • Pela coragem inabalável de Daniel e seus três amigos, de arriscarem suas próprias vidas ao não se submeterem à idolatria ou à veneração de homens.
  • Pelo livramento milagroso de Daniel, da cova dos leões, e de seus três amigos, da fornalha ardente.
  • Pela capacitação dada por Deus a Daniel para interpretar sonhos e situações.
  • Por sua projeção na corte dos impérios Babilônico e Medo-Persa, mesmo sendo ele um estrangeiro, um judeu exilado. Ele foi e sempre será lembrado também como um estadista bem sucedido.

Passados, agora, muitos anos na minha vida, numa fase de mais maturidade, além daquilo que sempre me impactou, posso ir além e encontrar em Daniel mais alguns aspectos relevantes. O texto de Daniel 9.3 registra que este servo do “Deus do céu” (Dn 2.18-19; 2.37, 44), voltou seu rosto para o Senhor (ARA).  O verbo sugere a ação de “dirigir o rosto para” (ARC). Gosto, também, da expressão “volver o rosto para”, que tem tudo a ver com mobilidade, palavra tão popular nesta sociedade pós-moderna. Esse “volver o rosto” é muito mais do que um ato físico comandado pelo cérebro e articulado pelo pescoço. É direcionar o ser para alguém ou para alguma coisa. Com esta ideia em mente, passei os olhos no livro de Daniel com a intenção de descobrir para onde ele, Daniel, volvia seu rosto e, para onde ele não volvia seu rosto, e, assim, procurar extrair algumas lições de vida.

1. O rosto de Daniel se volvia para:

 a) O TEMPO

(O passado, o presente e o futuro)

Daniel era uma pessoa “antenada” no tempo. Talvez você ache isso uma característica corriqueira e justifique: “– qualquer ser humano normal é “ligado” no tempo; no passado-presente-futuro. Até certo ponto isso é verdade. Entretanto, vivemos numa época em que a maioria das pessoas está extremamente focada no presente, sendo seu principal interesse, aproveitar a vida. “Porém é só gozo e alegria que se vêem; matam-se bois, degolam-se ovelhas, come-se carne, bebe-se vinho e se diz: Comamos e bebamos, que amanhã morreremos.” (Is 22.13). Em se tratando de tempo, Daniel é uma pessoa diferenciada. Ele estudava e conhecia o passado, não somente através da tradição oral, como também pelos livros (Dn 9.2). Afinal, “a história é a mestra da vida”.  Estuda-se o passado, para se entender o presente e se evitar erros futuros. Ele não se contentava em simplesmente deixar o presente acontecer; ele o fazia acontecer. É como diz a letra da música: “Quem sabe faz a hora, não espera acontecer”. Ele investia suas energias para que o presente fosse melhor do que o passado. A época desta oração de Daniel é cerca de 538 aC. O período de setenta anos de cativeiro estava terminando (605 a 535 aC) (Jr 25.8-11). Assim, ainda segundo a palavra profética era chegado o tempo da restauração, do retorno do povo de Israel à sua terra (Jr 29.10). O 1º retorno aconteceu sob a liderança de Zorobabel, em 538-537 aC (Ed 2.1-2). Em relação ao futuro, efetivamente Daniel foi um privilegiado. Deus lhe fez extensas e detalhadas revelações sobre o futuro próximo e o futuro distante, tanto de alguns impérios, como da humanidade. Isso é tão vasto e interessante que precisa ser estudado à parte.

Então, concluímos dizendo:

O passado alicerça e sedimenta o nosso chão; o futuro motiva e direciona a nossa energia; no presente se edifica e se preenche cada etapa entre ambos.

b) O QUE ELE DEVIA SER

(Íntegro de caráter, Confiante em Deus e Firme em seus propósitos)

Daniel era um homem de Deus, irrepreensível, um dos três presidentes do império Medo-Persa. Tomados por inveja, os outros presidentes e os sátrapas (governadores de províncias) tentaram desqualifica-lo para tirá-lo do poder, porém não encontravam falhas no seu caráter e proceder (Dn 6.4). Foi então que decidiram apelar para o seu modo diferenciado de cultuar a seu Deus e prepararam uma armadilha que o fizesse quebrar a lei do seu Deus, para não ser morto. Conseguiram que o rei editasse um decreto estabelecendo que durante 30 dias ninguém poderia fazer petição a qualquer deus ou homem, senão ao rei. Daniel tinha uma confiança tão firme e forte em Deus que tomou conhecimento, porém transgrediu o decreto. Abria as janelas de sua casa, se punha de joelhos e orava três vezes no dia. Como castigo foi lançado na cova dos leões, porém Deus o livrou (Dn 6).

Daniel era uma pessoa destemida, ousada, firme em suas atitudes e propósitos, porque sua vida estava alicerçada em Deus, que lhe dava forças e discernimento para agir retamente e jamais vacilar. Desde cedo ele ousou adotar uma dieta diferente na corte babilônica e foi bem sucedido. No seu primeiro desafio de revelar o sonho do rei e sua interpretação, coisa humanamente impossível, mesmo antes de obter de Deus a revelação, se apresentou ao rei, pediu mais um tempo e comprometeu-se a dar-lhe as respostas. A firmeza de propósitos de Daniel, incluía não apenas servir a Deus de todo o seu coração, como também buscar o bem-estar do seu povo de Israel.

c) O QUE ELE DEVIA FAZER

(Orar, buscar a Palavra de Deus e cumprir a sua Missão)

Daniel era um servo de Deus com total foco e compromisso nessas três áreas. Destaca-se por ter sido um homem de oração. Isso lhe proporcionou uma íntima comunhão com Deus. O Espírito de Deus estava sobre ele. O rei Nabucodonosor reconhecia isso e testemunhou, se expressando do seu jeito: “pois há em ti o espírito dos deuses santos” (Dn 4.18; ver tb Dn 5.11). Ele falava com Deus e Deus lhe respondia em visões (Dn 2.19; 7.1; 8.1; 10.1) ou enviando anjos (Dn 9.21) e, até mesmo antes dele se expressar diante de Deus (“No princípio das tuas súplicas, saiu a ordem, e eu vim, para to declarar, porque és mui amado;” – Dn 9.23a). Na aflição ele buscava a Deus em oração (Dn 2.17-23; 6.10-11; 9.3-19).

Daniel tinha um apreço especial pelas Escrituras (Dn 9.2). Era nelas que se baseava para conhecer os mandamentos do Senhor e como viver uma vida que lhe agradasse. As Escrituras não eram mera teoria; ele buscava aplica-las ao seu dia a dia. Foi assim que encontrou “nos livros” o que Deus falara a Jeremias sobre aquele tempo.

Finalmente, pode-se observar que Daniel era totalmente comprometido com sua missão. Deus o chamou e o capacitou para a sua obra e Daniel, em todo o tempo, procurava corresponder a este chamado.

 2. O rosto de Daniel não se volvia para:

Já vimos os principais focos da atenção de Daniel. Agora veremos algumas coisas que não lhe atraiam a atenção, para as quais não volvia o seu rosto nem colocava nelas o seu coração.

a) Sua “bagagem pessoal”

Daniel tinha atributos físicos e intelectuais diferenciados. Ele estava entre os que foram selecionados e que atendiam os requisitos do rei: “Disse o rei a Aspenaz, chefe dos seus eunucos, que trouxesse alguns dos filhos de Israel, tanto da linhagem real como dos nobres, jovens sem nenhum defeito, de boa aparência, instruídos em toda a sabedoria, doutos em ciência, versados no conhecimento e que fossem competentes para assistirem no palácio do rei e lhes ensinasse a cultura e a língua dos caldeus.” (Dn 1-3-4). E, como se isso fosse pouco, Deus ainda acrescentou: “Ora, a estes quatro jovens Deus deu o conhecimento e a inteligência em toda cultura e sabedoria; mas a Daniel deu inteligência de todas as visões e sonhos.” (Dn 1.17). Apesar de toda essa “bagagem pessoal” não encontramos em todo o livro de Daniel qualquer indício de orgulho, vaidade, altivez e soberba por parte dele. Pelo contrário, ele direcionava para Deus toda a honra e glória (Dn 2.27-28, 30) e, em decorrência, Deus era exaltado também por outros (Dn 2.47).  

b) Regalias e bens materiais

Daniel foi levado para a corte e podia simplesmente se alienar da miséria do seu povo e aproveitar a vida. Entretanto, não trilhou esse caminho. Logo rejeitou participar das iguarias oferecidas pelo rei, e não quis se contaminar (Dn 1.5, 8). Em outra ocasião, já idoso, rejeitou presentes e prêmios oferecidos pelo rei Belsazar (Dn 5.17), tal qual o profeta Eliseu (2Rs 5.15-16). Teve uma vida inteira de desapego às coisas materiais.

c) Projeção e poder

Tal qual José no Egito, Daniel ocupou lugar de destaque na corte. Logo no início, foi promovido a governador da província de Babilônia e a chefe supremo de todos os sábios (Dn 2.49). Mesmo idoso, provavelmente com mais de 80 anos, já no império Medo-Persa, foi constituído um dos três presidentes sobre os 120 sátrapas ou assistentes do rei Dario (Dn 6.1-3). Nada disso lhe subiu à cabeça ou mudou seu jeito simples e humilde de ser.

Conclusão:

Temos na vida deste homem de Deus inúmeros e proveitosos exemplos de “para onde volver ou não volver nosso rosto”, isto é, direcionar nossa vida. Se, assim fazendo ele foi vitorioso, assim o imitando, também poderemos ser. Que o Senhor nos ajude e ilumine!

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  1. Freitas Oliveira
    02/11/2016 às 11:23

    Estava refletido em Judas hoje e acredite da forma como esta organizado nesta pagina. Então fiz uma pesquisa e Gloria a Deus essa foi a primeira pagina a aparecer, obrigado Senhor e grato também Pr. Paulo pelo entendimento.

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