O Socialismo-Comunismo e o Câncer

Ainda que socialismo e comunismo tenham conceitos um pouco diferentes, o socialismo pode ser considerado o embrião do comunismo, especialmente no contexto da teoria marxista. Karl Marx e Friedrich Engels, os principais teóricos do comunismo, delinearam uma trajetória em que o socialismo é uma fase intermediária antes da realização completa do comunismo. Portanto, na teoria marxista, o socialismo é de fato o embrião do comunismo, e é assim que precisamos abordar este assunto – um visceralmente ligado ao outro.

O socialismo-comunismo, uma ideologia política e econômica que propõe a abolição da propriedade privada e a criação de uma sociedade sem classes, pode ser comparado a um câncer. Ambos começam de maneira sorrateira e insidiosa, muitas vezes sem serem percebidos ou com a aceitação inicial de parte da população, mas culminam em uma metástase que pode levar à destruição e à morte de uma sociedade.

Início Sorrateiro

Assim como o câncer muitas vezes começa com uma única célula anormal que se multiplica sem controle, o socialismo-comunismo frequentemente se inicia com ideias que parecem inofensivas ou até benéficas. As promessas de igualdade, justiça social e o fim da exploração podem parecer atraentes, especialmente em sociedades onde há grandes disparidades econômicas e sociais. No início, o socialismo-comunismo pode apresentar-se como um remédio para as injustiças e desigualdades percebidas, ganhando apoio entre os desfavorecidos e os idealistas.

Multiplicação e Expansão

À medida que o câncer se multiplica, ele começa a invadir tecidos saudáveis, comprometendo a função dos órgãos. Da mesma forma, à medida que o socialismo-comunismo ganha terreno, ele começa a infiltrar-se em diversas esferas da sociedade. As instituições governamentais, educativas e culturais são lentamente tomadas, e as liberdades individuais começam a ser restringidas em nome do suposto bem comum. A centralização do poder torna-se necessária para implementar as mudanças desejadas, e o controle sobre a vida dos cidadãos aumenta. A família e a igreja são atacadas e anuladas, para que não exerçam sua influência sobre as pessoas, já que isso passa a ser uma prerrogativa do Estado Totalitário.

Metástase

Com o avanço do câncer, as células malignas se espalham para outras partes do corpo, causando metástases que são difíceis de tratar e frequentemente fatais. No caso do socialismo-comunismo, a metástase ocorre quando o controle totalitário se torna absoluto, e a repressão se intensifica. As economias são centralmente planejadas, a propriedade privada é abolida e a dissidência é severamente punida. As liberdades de expressão, imprensa e religião são suprimidas, e o Estado se torna onipresente e opressor.

Morte da Sociedade

Eventualmente, o câncer leva à falência múltipla dos órgãos e à morte do organismo. De forma análoga, o socialismo-comunismo pode levar à morte de uma sociedade, tanto no sentido literal quanto figurado. Economias planejadas centralmente muitas vezes resultam em ineficiências, escassez e estagnação econômica. A falta de incentivos para a inovação e o empreendedorismo suprime o crescimento econômico e a prosperidade. A repressão política e a falta de liberdades básicas criam um ambiente de medo e desespero.

Conclusão

Assim como a cura do câncer requer a identificação precoce e o tratamento agressivo, a prevenção dos efeitos nocivos do socialismo-comunismo exige a vigilância constante e a defesa das liberdades individuais e do estado de direito. Reconhecer os sinais iniciais e resistir às promessas ilusórias de soluções fáceis para problemas complexos é crucial. Apenas através da proteção das instituições democráticas e da promoção de uma economia de mercado saudável, baseada na inovação e na liberdade, é que uma sociedade pode evitar a metástase e a destruição que o socialismo-comunismo, como um câncer, pode causar.

Elaborado com o auxílio da IA


Veja, também:

Nicodemos em entrevista com Jesus

João 3.1-8

Introdução

Durante a passagem de Jesus por este mundo, muitas pessoas foram ao seu encontro, principalmente em busca de um benefício pessoal, de uma cura, de um milagre. A fama de Jesus como mestre e “milagreiro” já havia se espalhado, atraindo multidões por onde passava. É provável que Zaqueu tivesse ouvido falar dos ensinamentos e milagres de Jesus e estivesse curioso para vê-lo pessoalmente. Nicodemos foi além; ele queria conhecer melhor a pessoa de Jesus.

Nicodemos é frequentemente visto como um símbolo da busca sincera por compreensão espiritual e verdade. Sua disposição para se encontrar com Jesus, defendê-lo e participar no sepultamento de Jesus mostra uma evolução em sua fé e compreensão.

A conversa entre Jesus e Nicodemos é importante fundamento para a teologia cristã, especialmente em relação ao conceito de “nascer de novo” ou “nascer do Espírito,” que é central para a doutrina da salvação.

1. Sua identidade e posição

“Havia, entre os fariseus, um homem chamado Nicodemos, um dos principais dos judeus..” (v.1)

Nicodemos era um fariseu, provavelmente membro do Sinédrio (Jo 7.50), o mais alto tribunal eclesiástico e civil de Israel. Isso indica que ele era um homem de grande influência e conhecimento das escrituras e tradições judaicas.

Nicodemos não é mencionado em qualquer outra parte da Bíblia, senão no Evangelho de João: 

– Ele foi ao encontro de Jesus, à noite (João 3.1-21).

– Ele defendeu Jesus perante outros líderes judeus, questionando se era justo condenar alguém sem primeiro ouvi-lo e saber o que ele está fazendo. Isso mostra que Nicodemos estava disposto a desafiar a opinião pública entre os líderes judeus e sugerir um julgamento justo para Jesus (João 7.50-53).

– Nicodemos aparece novamente após a crucificação de Jesus, ajudando José de Arimatéia a preparar o corpo de Jesus para o sepultamento. Ele trouxe uma mistura de mirra e aloés, um gesto que demonstra grande respeito e reverência (Jo 19.38-40).

2. Sua atitude

“Este, de noite, foi ter com Jesus….” (v.2)

Foi ao encontro de Jesus na calada da noite. Com que intenção? Obter informações de Jesus. Conhecê-lo melhor. Sondá-lo pessoalmente. Jesus era o tema do momento. Suas palavras e seus milagres suscitavam muitas controvérsias. Por que à noite? Esta circunstância pouco comum acabou servindo para melhor identificá-lo (Jo 19.39). Embora alguns o reputem por hipócrita, cheio de más intenções, é melhor entender que ele tinha em mente o propósito de evitar qualquer comentário por parte dos seus pares, os demais membros do Sinédrio, posto que não sabia exatamente quem era Jesus e nem de que tipo de autoridade estava ele investido. Desta forma estaria sendo meramente cauteloso. (comp. Jo 19.38 e 12.42).

Reflexões:

1ª) Há aqueles que procuram se informar acerca de Jesus (Jo 3.1-21);

2ª) Há outros que são capazes de defendê-lo (Jo 7.50-53);

3ª) Há ainda outros que despenderiam muito dinheiro por Jesus (Jo 19.39).

Pergunta-se, porém: onde estão aqueles que dariam a vida por Jesus?

Nicodemos nos ensina que devemos ir diretamente à fonte. Não devemos nos contentar com a experiência de terceiros.

3. Sua declaração

“Rabi, sabemos que és Mestre vindo da parte de Deus; porque ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não estiver com ele.” (v.2)

O título empregado, “Rabi”, é uma palavra aramaica que quer dizer “mestre” (Jo 1.38). Na sua declaração havia sinceridade e verdade. Caso contrário, Jesus a teria refutado. Nicodemos se dirige a Jesus motivado pelo poder de seus sinais (ver Jo 2.23), que atestavam sua missão divina e a presença de Deus com ele (At 2.22). Quantos há que seguem Jesus motivados pelos seus sinais e não por sua obra redentora na cruz?

4. Sua necessidade: Novo Nascimento (ou regeneração)

“A isto, respondeu Jesus: Em verdade, em verdade te digo que, se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus.” (v.3)

A resposta de Jesus a Nicodemos parece, à primeira vista, desconexa com a declaração inicial de Nicodemos. É como se houvesse uma ruptura na sequência da conversa, faltando um elo. No entanto, a resposta de Jesus, em essência, pode ser entendida como: “Essa sua convicção de que sou enviado por Deus é significativa, mas, se você não nascer de novo, essa crença por si só não lhe servirá de nada. Sem o novo nascimento, você não poderá ver o Reino de Deus.”

Do novo nascimento Jesus afirma que:

1º) É individual.:

      “se alguém”

2º) É indispensável:

“não pode ver o reino de Deus”.

A necessidade do novo nascimento surge da incapacidade do homem natural de alcançar o reino de Deus. Por mais talentoso, ético ou refinado que seja, o homem natural é completamente cego à verdade espiritual e impotente para entrar no reino de Deus. Ele não pode obedecer, entender ou agradar a Deus. (Sl 51.5; Jr 17.9; Mc 7.21-23; 1Co 2.14; Rm 8.7-8 e Ef 2.3).

3º) É “de cima”, “do alto”.

Nascer de novo (literalmente, “do alto”). João tinha o costume de descrever a obra de regeneração espiritual como nascimento vindo de Deus (Jo 1.13; 1Jo 3.9; 4.7; 5.1, 4, 18). O que vem “de cima” é superior (Jo 3.31).

4º) É “da água”.

Aqueles que argumentam que o batismo com água foi ordenado por Cristo como um mandamento necessário para a regeneração tentam encontrar suporte bíblico nessa afirmação de Jesus. No entanto, os ensinos de Paulo sobre salvação e regeneração não vinculam a regeneração ao batismo com água. A água do batismo, em si, não regenera, nem a mera submissão a este ato confere regeneração. Contudo, a água simboliza a regeneração tanto no Antigo quanto no Novo Testamento. (Ez 36.25; Hb 10.22), e, Nicodemos teria podido compreender essa referência. Consultando os outros textos que descrevem o novo nascimento (Tg 1.18 e 1Pe 1.23), vemos que a geração de um novo ser espiritual é atribuída à Palavra de Deus, aplicada, sem dúvida, à consciência e ao coração, pelo Espírito de Deus (Ef 5.26; Jo 15.3).

5º) É “do Espírito”.

Na regeneração, a iniciativa é atribuída a Deus (Jo 1.13), proveniente do alto (Jo 3.3, 7) e efetuada pelo Espírito Santo (Jo 3.5-6; Tt 3.5-6). A atuação da trindade: Deus Pai é o Salvador que nos propicia a sua misericórdia; Jesus Cristo é o agente e alvo da salvação, já que a salvação se baseia em sua expiação no Calvário; e o Espírito Santo é aquele que faz isso tornar-se real na experiência humana, devido ao seu poder espiritual. É tão profunda a transformação que o Espírito opera na pessoa que se converte que nosso Salvador chama isso de novo nascimento. Isto nada tem a ver com uma reforma da velha natureza (Rm 6.6), mas um ato criativo do Espírito Santo (Ef 2.10; 4.24).

Observe bem: a conversão é um ato voluntário do homem, envolvendo arrependimento e fé (Mc 1.15); já o novo nascimento é uma obra exclusiva de Deus, que sempre a realiza quando o homem se converte.

Nascido na família de Deus, o pecador salvo desfruta de:

    – uma nova vida espiritual, que é a vida eterna, e
    – a adoção como filho de Deus.

6º) Forma contraste com o nascimento natural da carne.

O agente do nascimento físico é a geração natural de macho e fêmea. O agente do nascimento espiritual é o Espírito Santo, o qual, de maneira não menos real, dá nascimento a um novo tipo de homem. “O violento contraste entre carne e espírito, que já fora observado em João 1.13, serve para lembrar a Nicodemos da crueza de sua pergunta, em João 3.4, acerca  de um segundo nascimento físico” (Robertson). “Entrar pela segunda vez, no ventre materno, e nascer, não se aproximaria mais do novo nascimento que da primeira vez” (Brown).

7º) É inescrutável, como o movimento do vento (Jo 3.8)

Ainda que o mesmo vocábulo grego “pneuma” possa ser traduzido por “espírito”  ou “vento”, a ilustração aqui diz respeito a “vento”, elemento muito próprio para ilustrar as operações do Espírito, assim como a água fora usada para ilustrar a Palavra de Deus.

“Existem três pontos de comparação entre o vento e o Espírito Santo, na obra da regeneração: 1) Liberdade e independência; 2) Efeito irresistível; 3) Incompreensibilidade, tanto quanto ao seu começo como ao seu término.” (Philip Schaff)

Assim como a ciência, a despeito de seu gigantesco progresso, ainda não foi capaz de desvendar o mistério da origem da vida física, muito mais misteriosa é a regeneração operada pelo Espírito Santo.

Conclusão

Enfim, Nicodemos é uma figura fascinante no Novo Testamento, representando alguém que, apesar de sua posição elevada e conhecimento, estava disposto a buscar a verdade e defender a justiça. Sua interação com Jesus proporciona profundas lições teológicas e espirituais sobre a necessidade de renovação espiritual e a coragem de seguir a verdade, mesmo quando isso significa ir contra a opinião popular.

Bibliografia

1. Bíblia Sagrada (SBB – Versão Revista e Atualizada).
2. Bíblia Online – SBB.
3. O Novo Testamento Interpretado, versículo por versículo.
(Russel Norman Champlin, Ph D. – 1982).
4. Internet / ChatGPT.


Veja, também:

Quem são os FILHOS DE DEUS? (Gn 6.2)

“vendo os filhos de Deus que as filhas dos homens eram formosas, tomaram para si mulheres, as que, entre todas, mais lhes agradaram.” (Gn 6.2)

Introdução

Em certa ocasião participei, juntamente com um grupo, de uma dinâmica simples, porém, que nos leva a uma interessante reflexão. O apresentador estendeu as mãos com uma folha de papel branca, com um pequeno ponto preto no centro e perguntou: – O que vocês estão vendo aqui? A maioria disse: – Um ponto preto! Alguns também disseram: – Uma folha branca!   E, outros: – Uma folha branca, com um ponto preto no centro. É natural que, de certa forma, essa dinâmica induza as pessoas a irem além do óbvio, isto é, “a folha branca”. Entretanto, a tendência da natureza humana é essa, de se apegar a certos pontos na Bíblia um pouco mais obscuros enquanto há outros 99% muito claros e evidentes.

Há certos textos na Bíblia que têm gerado variadas interpretações e não pouca discussão. Também há pessoas que gostam de dispender muito tempo e energia em questões polêmicas e secundárias, em “discutir o sexo dos anjos…”. Nem sempre nos será possível entender tudo o que está registrado na Bíblia; porém, em alguns casos, é razoável tentarmos.

Estamos diante de um texto de difícil interpretação, porém é necessário e legítimo lançar alguma luz sobre o assunto.

O capítulo 6 do livro de Gênesis descreve a multiplicação dos seres humanos e, também, a multiplicação do pecado, no mundo. Tem sido dado a este capítulo o título de “A corrupção do gênero humano” e, assim, introduz e esclarece a situação caótica que levou ao dilúvio anunciado na segunda metade do capítulo. “Viu o SENHOR que a maldade do homem se havia multiplicado na terra e que era continuamente mau todo desígnio do seu coração;” (Gn 6.5). Nem tudo estava perdido e Deus decidiu recomeçar a raça humana a partir de Noé e sua família.

O que tem a ver com tudo isso esses misteriosos “filhos de Deus” tomarem para si (casamento) as formosas “filhas dos homens”? Quem são esses “filhos de Deus” e essas “filhas dos homens”? É o que procuraremos tratar e entender neste breve estudo.

1. A mistura dos filhos de Deus com as filhas dos homens

“… tomaram para si mulheres, as que, entre todas, mais lhes agradaram.”

Independentemente de qual seja a origem destes homens e destas mulheres, o registro de suas qualificações “de Deus” e “dos homens” nos levam a crer em matrimônio misto. Então, naquele contexto de degeneração e corrupção espiritual, esse seria um ingrediente a mais como causa da multiplicação do pecado. Mais tarde, o povo de Israel e Salomão servirão de exemplos de que o casamento misto provoca um relaxamento no compromisso com Deus. Os cônjuges têm visão de vida diferente e estão trilhando caminhos diferentes.

A Bíblia menciona várias vezes que o povo judeu foi instruído a não se misturar, pelo casamento, com os povos pagãos. Essas instruções são encontradas principalmente no Antigo Testamento e o motivo é explicitado. Por exemplo: “nem contrairás matrimônio com os filhos dessas nações; não darás tuas filhas a seus filhos, nem tomarás suas filhas para teus filhos; pois elas fariam desviar teus filhos de mim, para que servissem a outros deuses; e a ira do SENHOR se acenderia contra vós outros e depressa vos destruiria.” (Dt 7.3-4; ver também, Êx 34.15-16; Ed 9.1-2; Ne 13:23-27).

Fica evidente aqui que Satanás procurou corromper a raça humana, na tentativa de frustrar o plano da redenção do homem, com a vinda do Messias. Mas Deus salvou um remanescente e uma linhagem piedosa foi preservada.

“Ora, naquele tempo havia gigantes na terra; e também depois, quando os filhos de Deus possuíram as filhas dos homens, as quais lhes deram filhos; estes foram valentes, varões de renome, na antiguidade.” (Gn 6.4)

No contexto dessa narrativa da multiplicação do pecado que antecedeu o dilúvio, surge, de forma surpreendente e pela primeira vez, a menção de gigantes. No hebraico, nephilim  seria uma das formas de identificá-los (nefilins). Sem dúvida, trata-se de uma raça distinta de seres humanos. Quanto a gigantes, o versículo 4 é bem claro ao narrar que “naquele tempo havia gigantes na terra; e também depois, quando os filhos de Deus possuíram as filhas dos homens…”. Portanto, gigantes ou nefilins (hb.) já existiam na terra e não são fruto de qualquer união angelical e humana. Os frutos dessas uniões foram simplesmente “varões valentes”. Mesmo após o dilúvio encontramos o registro da existência de gigantes ou nefilins (Nm 13.33, ver tb Dt 2.10-11; Js 11.22; 14.15; 1Cr 20.6). Em Deuteronômio 3.11 encontramos a menção das medidas do leito do rei Ogue, o último dos refains, uma raça de gigantes: 9 côvados de comprimento por 4 côvados de largura, isto é, cerca de 4 metros por 1,8 metros. Golias, o gigante guerreiro morto por Davi, tinha a altura de 6 côvados e 1 palmo, ou cerca de 2,90m. No Guinness World Records há o registro do homem mais alto do mundo, o turco Sultan Kosen, com 2,51 metros de altura.

2. Os filhos de Deus

R. N. Champlin[1] nos diz que há muitas interpretações sobre essa menção a “filhos de Deus”, a saber:

“1. A linhagem piedosa de Sete (ver a genealogia em Gn 5.3 ss).

2. Semideuses ou heróis, como aqueles do folclore grego ou latino.

3. Anjos caídos, mas considerados seres materiais. Talvez nessa ocasião, a teologia dos hebreus ainda não concebesse seres imateriais. Para eles, os anjos eram uma classe diferente e mais alta de seres, mas não imateriais, como se vê na teologia posterior.

4. Anjos bons, mas não seres imateriais.

5. Anjos bons ou maus, mas seres imateriais.

6. Homens incomuns , como uma raça especial de gigantes.

7. Homens proeminentes, como juízes, governantes, sacerdotes etc.

8. Seres estranhos que não podem ser definidos.

9. Os críticos dizem que o relato é mitológico, pelo que não há como dar uma interpretação correta.

10. Homens comuns, mas controlados por forças sinistras, como anjos caídos.”

A crença na união entre deuses, semideuses e figuras angelicais com mulheres humanas era uma parte fundamental do folclore de muitos povos antigos. Algumas culturas antigas, como os egípcios, gregos e latinos, acreditavam que seus monarcas eram divinos ou semidivinos, refletindo práticas comuns nas fases iniciais da história humana.

Muitos intérpretes defendem a ideia de envolvimento angelical, enquanto outros enfatizam que os anjos são descritos como seres assexuados, que não se casam (Mt 22.30). Até que ponto a mitologia grega[2] tem influenciado certas interpretações?

“e a anjos, os que não guardaram o seu estado original, mas abandonaram o seu próprio domicílio, ele tem guardado sob trevas, em algemas eternas, para o juízo do grande Dia;” (Jd 6)

Alguns entendem que este texto de Judas 6 é uma referência ao registro de Gênesis 6.1-4, antes do dilúvio, quando suspostamente um grupo de anjos (filhos de Deus) se envolveram com mulheres formosas (as filhas dos homens) e geraram criaturas híbridas (meio homem, meio anjo), os gigantes (hb. nephilim ver tb Nm 13.33). Assim, o pecado deles estava relacionado à concupiscência e abandono do seu estado original. Segundo esses comentaristas, tal ação teria sido orquestrada por Satanás, na tentativa de desumanizar a raça humana e, assim, impossibilitar a encarnação de Jesus (Gn 3.15) e, subsequentemente, sua obra de redenção na cruz. Dizem, ainda, tais intérpretes que a resposta de Deus foi o dilúvio, enviado para aniquilar essa raça híbrida de seres e restaurar a situação da humanidade. Completam o cenário argumentando que foi a esses espíritos em prisão que Jesus pregou, após a sua morte e antes da sua ressurreição, conforme 1Pedro 3.19-20.

Embora tudo isso possa fazer algum sentido para essas pessoas, provavelmente não passa de uma interpretação fantasiosa. É certo que os anjos são “espíritos” ministradores (Hb 1.14), não visíveis, que têm a capacidade de mudar sua aparência e, em missões especiais, apareceram em forma humana e até comeram (Gn 18.8). Jesus ressuscitado atravessava paredes e, também comia (Lc 24.42-43). Para nós seres humanos é difícil entender a estrutura desse corpo de Jesus pós-ressurreição e do corpo dos anjos. Esses seres criados por Deus (Cl 1.16), citados na bíblia cerca de 277 vezes (“anjo” e “anjos”), segundo Jesus, são seres assexuados, que não se casam e não procriam (Mt 22.30; Mc 12.25). Portanto, sobre Gênesis 6.1-4, temos os seguintes entendimentos:

a) Trata-se da descrição do contexto humano corrompido no período que antecedeu ao dilúvio. Diante da disseminação da maldade humana (Gn 6.5) o veredito de Deus foi dado: “Então, disse o SENHOR: O meu Espírito não agirá para sempre no homem, pois este é carnal; ….” (Gn 6.3). Note-se que o cerne do problema ali em foco é o pecado do homem e não de anjos.

b) A intenção de Deus no dilúvio foi: “Farei desaparecer da face da terra o homem que criei, o homem e o animal, os répteis e as aves dos céus; …” (Gn 6.7). Não há na narrativa qualquer menção a seres híbridos esquisitos, semi-humanos ou semiangelicais na mira do extermínio divino.

No Antigo Testamento há outros registros da expressão “filhos de Deus” que apontam para seres angelicais, como: Jó 1.6; 2.1; 38.7; Sl 29.1. Entretanto, em Isaías 43.6 fica evidenciado que tal expressão não se aplica apenas a esses seres celestiais.

Portanto, de todo o exposto, entendemos que os “filhos de Deus” muito provavelmente são uma referência à descendência abençoada de Sete, filho de Adão (Gn 4.25). Vale lembrar que o capítulo 5 de Gênesis descreve sua genealogia, culminando em Noé, um homem diferenciado dos seus contemporâneos – homem justo e íntegro (Gn 6.9), na qual se insere a ascendência de Jesus (Lc 3.36-38).

3. As filhas dos homens

As principais interpretações da expressão “filhas dos homens”, segundo R. N. Champlin[3], são duas:

“1. Mulheres em geral, não estabelecendo nenhuma distinção entre a linhagem de Caim (cuja genealogia começa em Gn 4.17) e a linhagem de Sete (genealogia a partir de Gn 5.3).

2. Ou a linhagem de Caim. Nesse caso, o texto nos estaria dizendo que uma maior corrupção caiu sobre a terra quando os filhos de Deus (sem importar quem fossem eles) começaram a casar-se com as mulheres da ímpia linhagem de Caim. Isso foi o rompimento da separação estabelecida por Deus, apressando o julgamento da queda. Houve um “ultrapassar dos limites impostos por Deus. Os filhos de Deus formavam “um grupo sensual, que buscava fama e fertilidade” (Allen P. Ross, in loc.).”

Portanto, entendemos que a expressão “filhas dos homens” é uma referência à descendência amaldiçoada de Caim (Gn 4.11-16).

Conclusão

Não há necessidade de estender ainda mais as explicações. É importante apenas ressaltar aqui algumas verdades:

1º) Em lugar algum das Escrituras, nem mesmo em Gênesis 6, é dito que seres angelicais (anjos) se casaram com seres humanos (mulheres). Ao contrário, Jesus disse: “Porque, na ressurreição, nem casam, nem se dão em casamento; são, porém, como os anjos no céu.” (Mt 22.30)

2º) Em lugar algum das Escrituras, nem mesmo em Gênesis 6, é dito que os gigantes são o resultado da concepção de mulheres por seres angelicais.

Finalmente, considerando a complexidade do assunto e as várias interpretações, é importante manter a humildade e reconhecer nossas limitações.

Bibliografia

1. Bíblia Sagrada (SBB – Versão Revista e Atualizada).
2. Bíblia Online – SBB.
3. Bíblia de Estudo da Fé Reformada (R. C. Sproul – Editor geral)(Ed. Fiel – 2020).
4. R. N. Champlin, Ph. D. – O Antigo Testamento Interpretado – Versículo por versículo (Ed. Hagnos – 2001).
5. R. N. Champlin, Ph. D. – O Novo Testamento Interpretado – Versículo por versículo (Ed. Hagnos – 1982).
6. Internet / ChatGPT.


[1] R. N. Champlin, Ph. D. – O Antigo Testamento Interpretado – Versículo por versículo (Ed. Hagnos).

[2] “A mitologia grega, uma coleção rica de histórias e lendas sobre deuses, heróis e criaturas mitológicas, surgiu ao longo de muitos séculos, se desenvolvendo e sendo transmitida principalmente por via oral antes de ser escrita. As origens da mitologia grega remontam ao período minoico (c. 3000-1450 a.C.) e micênico (c. 1600-1100 a.C.). Muitos dos mitos gregos têm raízes nas religiões e mitologias das civilizações minoica e micênica, que influenciaram a cultura grega posterior.” (ChatGPT)

[3] R. N. Champlin, Ph. D. – O Antigo Testamento Interpretado – Versículo por versículo (Ed. Hagnos).

Jesus e a mulher samaritana (Jo 4.4-29)

Introdução

O rio Ganges é o maior rio da Índia e é uma importante fonte de água para milhões de pessoas. Nasce no Himalaia e suas águas são formadas pela fusão das geleiras e das chuvas; percorre aproximadamente 2.525 quilômetros até desaguar no Golfo de Bengala. Anualmente se dá a peregrinação de milhares de hindus, que por o considerarem sagrado, buscam as suas águas para nelas se banharem e se purificarem. Nenhum dos inúmeros contratempos da viagem os fazem desistir (frio, fome, morte de outros peregrinos etc.). Permanecem firmes em seu propósito movidos por uma grande “sede espiritual”. Estes devotos não sabem o que adoram. Se ao menos a sua devoção e o seu esforço pudessem ser dirigidos à fonte da verdadeira “água viva”, que vida nova não teria a Índia. A mulher samaritana partiu em busca da água parada de um poço, mas levou de volta a “água viva”!

1. JESUS SENTADO JUNTO A FONTE (Jo 4.4-6)

(3  deixou a Judéia, retirando-se outra vez para a Galiléia.)
4  E era-lhe necessário atravessar a província de Samaria.
5  Chegou, pois, a uma cidade samaritana, chamada Sicar, perto das terras que Jacó dera a seu filho José.
6  Estava ali a fonte de Jacó. Cansado da viagem, assentara-se Jesus junto à fonte, por volta da hora sexta.

Jesus deixa a Judeia e segue o seu caminho em direção a Galileia (verso 3). “E era-lhe necessário….” (v.4). Se dermos uma olhada no mapa do mundo do novo testamento, aquele que se encontra no final de algumas bíblias, veremos que Samaria ficava exatamente entre a Galileia e a Judéia. Portanto, estava aí a necessidade geográfica de atravessá-la; provavelmente o caminho mais curto e a rota usual dos viajantes. Certamente havia outro motivo bastante forte, que era o de anunciar as boas novas àquele povo de Samaria.

Jesus tinha uma razão mais forte para não ficar muito tempo no mesmo lugar. Ele tinha pouco tempo pela frente e muito a fazer: pessoas a quem mostrar o poder de Deus, e muitas revelações e ensinamentos da parte de Deus. Entretanto sua condição humana o obrigava a parar para descansar.

Enquanto seus discípulos vão procurar alimentos (versos 5, 6 e 8), Jesus senta-se junto à fonte, por volta das 12 horas (meio-dia), pois estava cansado da viagem. Quão esgotado devia estar, na sua condição humana. Mas, será que ele não poderia operar um milagre em benefício próprio? Aí estava a chave do valor de sua missão neste mundo. Se ele não quisesse ser afetado ou incomodado pelas fraquezas humanas, ele teria vindo a este mundo como Deus e não como homem. Porém, que valor teriam as suas palavras e ações para os humanos se ele não tivesse a nossa mesma constituição física? Assim, Jesus Cristo se identifica perfeitamente com o homem, assumindo uma condição de humilhação, para em tudo nos dar o exemplo. O apóstolo Paulo descreve isso em Filipenses 2.6-11.

É notório que Jesus não se sentaria ali apenas para descansar, nem tampouco para tomar um pouco d’água. Essa sua postura era uma postura de espera, não apenas dos discípulos que haviam ido à cidade para comprar alimentos (v.8), mas de alguém carente, necessitado de uma palavra de esperança, de esclarecimento, de salvação. Era costume de as mulheres realizarem essa tarefa de buscar água, normalmente em grupos, bem cedo ou no final do dia. Alguns interpretam que o fato dela ter ido ao meio-dia e sozinha evidenciaria sua vergonha devido à sua conduta moral. Entretanto, não há qualquer prova nesse  sentido.

Jesus estava sentado junto a um poço, poço que fornecia água para sustentar muita gente. Isso nos leva a pensar na grande misericórdia e paciência de Cristo para com os impenitentes, insubmissos. Jesus continua, por enquanto, assentado à destra do Pai, aguardando pacientemente o fruto do seu penoso trabalho de redenção. Sim, a Fonte continua jorrando: de cima para baixo, de Cristo para os homens.

2. UM DIÁLOGO FRANCO (Jo 4.7-26)

JESUSMULHER SAMARITANA
1- Assentado esperando. (v.6)1- Chega para tirar água. (v.7a)
2- Pede-lhe água. (v.7b)
#Jesus, sendo homem e judeu, quebra os protocolos sociais ao falar publicamente com uma mulher de reputação duvidosa.
2- Espanta-se por Jesus dirigir-lhe a palavra, sendo ela samaritana e ele judeu. (v.9)
Nota: Não há barreiras, nacionais ou políticas, de cor, de bondade, de maldade. O Senhor transpõe qualquer obstáculo para nos abençoar. Veja, no final, o apêndice histórico.
3- Replica que não é apenas um judeu comum e que tem algo para lhe dar, “água viva”. (v.10)
#O pedido inicial foi apenas para servir de ponto de contato.  
3- Interpreta materialmente e, questiona a possibilidade de Jesus poder cumprir o que estava oferecendo, por: (vv.11-12)
– Falta de recursos;
– Falta de capacidade própria.
#Ainda hoje muitos duvidam do poder de Jesus (Cl 1.15, 19-20)!
4- Jesus não se defende. Ele não desejava entrar em atrito para não bloquear o acesso ao seu coração e insiste: (vv.13-14)
– A água dada por Jacó não eliminaria de vez a sua sede;
– A sua água era superior, logo ele era superior a Jacó.
#Uma resposta sutil!  
4- Continuava a entender por um prisma  material, como se ele se referisse a  um líquido dotado do poder mágico de  satisfazer a sede física. Sem entender ainda e, talvez com um tom irônico, ela pede dessa água para simplesmente satisfazer o comodismo de não mais ter o trabalho de ir ao poço. (v.15)
# Visão material.
# Comodismo religioso (A fé que nada  custa, nada vale).
5- Jesus não insiste e muda o rumo da conversa apelando para a vida sórdida (suja, pecaminosa) que ela levava pedindo-lhe para chamar o seu marido. (v.16)  5- Ela responde que não tem marido. (v.17a)  
6- Jesus a elogia pela sua sinceridade e revela algo mais sobre a sua vida. (v.17b-18)
#Era preciso fazê-la reconhecer que estava diante de alguém especial e, também, da necessidade de libertar-se dos seus pecados.  
6- Nesse ponto ela começa a entender que havia algo de especial naquele personagem desconhecido que apareceu no seu caminho. Supõe tratar-se de um profeta, ela apela para os seus conhecimentos religiosos e levanta uma questão antiga sobre o local da adoração. (vv.19-20)
7- Jesus então, a partir do assunto que ela levantou, expõe-lhe algumas verdades: (vv.21-24)
– Vós adorais o que não conheceis;
– Nós adoramos o que conhecemos;
– A salvação vem dos judeus;
–  Já chegou a hora de prestar um verdadeiro culto de adoração a Deus. Basta de formalidades e hipocrisia.
– O Pai procura adoradores que o adorem em espírito e em verdade. Isso nada tem a ver com sinceridade e boas intenções. Era uma forma de dizer que os homens podem aproximar-se de Deus através do próprio Jesus, o doador do Espírito (o que é simbolizado pela água transmissora de vida (comp. Jo 7.37-39).
7- A mulher mostra que conhecia alguma  coisa de religião e fala da sua esperança na vinda do Messias, chamado Cristo, que lhes havia de ensinar todas as coisas ainda obscuras.
#Sem qualquer pressão da parte de Jesus a conversa encaminhava-se para o ponto  desejado: naturalmente ela menciona a  vinda do Messias, o Salvador do mundo. (v.25)                
8- Quando Jesus sentiu haver um desbloqueio total na sua mente, em seu coração, ele se dá a conhecer de maneira maravilhosa: “Eu o sou, eu que falo contigo”. (v26)8- Ela não teve mais o que questionar. O  seu coração que naturalmente ardia durante a conversa, não hesitou em acolher entusiasticamente aquela nova e surpreendente revelação.

3. UMA DECISÃO ACERTADA (Jo 4.28-29)

28  Quanto à mulher, deixou o seu cântaro, foi à cidade e disse àqueles homens:
29  Vinde comigo e vede um homem que me disse tudo quanto tenho feito. Será este, porventura, o Cristo?!
(30  Saíram, pois, da cidade e vieram ter com ele.)

A mulher havia tomado conhecimento de uma verdade grande demais para guardar apenas para si. Resolveu então compartilhar com o seu povo (vinde e vede). O versículo 39 diz que muitos samaritanos creram nele em virtude do testemunho dela. Aquele encontro marcou profundamente a sua vida trazendo luz às suas fracas convicções religiosas.

O que muito nos impressiona é a expressão: “..deixou o seu cântaro, foi..”. Como ela pôde fazer isso? Afinal de contas ela foi até ali para encher o seu cântaro de água!

O mundo se divide em duas classes de pessoas:

1ª) Os que carregam cântaros de águas paradas e mortas. Estão mortos para Deus e voltados apenas para essa vida terrena e passageira.

2ª) Os que “deixaram seus cântaros aos pés de Jesus”, recebendo em troca a “água viva” que jorra para a vida eterna, o “dom de Deus”, a salvação eterna (Tt 3.3-7; Jo 4.13-14).

O cântaro representava para aquela mulher toda a razão dela estar ali. A finalidade da sua vida, naquele momento, se restringia simplesmente a levar água no seu cântaro!

Ela chegou a Jesus trazendo: (i) o espanto daquele judeu lhe dirigir a palavra, lhe dar atenção; (ii) a incredulidade quanto aquele personagem ser maior do que Jacó e ter uma água melhor para lhe dar; (iii) a sua limitação quanto ao entendimento das coisas espirituais; (iv) a sua vida sórdida e marcada pelo adultério e outras formas de pecado; (v) suas pobres convicções religiosas; (vi) mas, também, uma mente aberta para reconhecer a triste vida que levava, “carregando águas mortas”. Ali mesmo ela decidiu trocar tudo isso pela “água viva” da salvação em Cristo. Houve ali uma verdadeira conversão de vida. Ela chegou ali com um propósito em seu coração e saiu com outro totalmente diferente. Ficou eufórica pelo encontro que teve com o Messias.

Quantas pessoas andam por aí carregando pesados “cântaros” cheios de aflições, vícios, medo, intranquilidade, enfermidade, incerteza, infidelidade conjugal, desesperança etc. Jesus ainda está junto a fonte para fornecer a “água viva” a quem se chegar até ele com fé, disposto a fazer a troca.

Por outro lado, vale lembrar que aquele que se diz cristão deve vigiar para não ser encontrado enchendo seu velho cântaro com “águas mortas”, isto é, deixando-se envolver ou ser dominado pelas coisas desta vida. É melhor deixar esse cântaro aos pés de Cristo e prosseguir testemunhando aos outros que “a fonte da água viva ainda está jorrando”; remindo o tempo, pois a qualquer momento ela se fechará.

Conclusão

É preciso ressaltar que, neste encontro de Jesus com a mulher samaritana, são evidenciadas algumas verdades relevantes:

– A perfeita humanidade e divindade de Jesus, o Messias, o Filho de Deus.

– O amor e interesse de Jesus pelas pessoas, não conhecendo fronteiras étnicas, culturais ou condição social.

– O valor e importância que ele dá a uma mulher, num tempo em que elas tinham pouco valor e, principalmente esta mulher com uma vida nada recomendável. Jesus Cristo e o cristianismo veio resgatar o valor da mulher!

– Jesus usa um ponto de interesse comum – a água, a sede física – como ponte para expor verdades espirituais mais profundas. Verdadeiramente ele dá uma aula sobre evangelismo pessoal!

– Jesus revela o conceito da verdadeira adoração a Deus – em espírito e em verdade – que nada tem a ver com a participação em rituais religiosos vazios e não está restrita a montes ou templos, pois Deus é espírito.


Assista ao vídeo: Jesus e a mulher samaritana.


Apêndice histórico

Samaria:

A província de Samaria compreendia, primeiramente, todo o território ocupado pelas dez tribos revoltadas que seguiram a Jeroboão, por ocasião da divisão das doze tribos de Israel. A cidade de Samaria, capital das dez tribos, foi edificada por Onri, rei de Israel (1Rs 16.23-24), sobre o monte de Samaria. Ficou bastante conhecida pela sua idolatria, principalmente no tempo de Acabe, rei de Israel.

Desentendimento entre judeus e samaritanos: 

Quando as dez tribos foram transportadas para o cativeiro na Assíria, no reinado de Oséias, milhares de pobres permaneceram na terra. Sargom II, rei da Assíria, trouxe gente da Babilônia, de Cuta, de Ava, de Hamate e de Sefarvaim, para colonizar o país (2Rs 17.21-41). Isso resultou numa raça mestiça. Com o retorno do cativeiro, criou-se grande confusão. Na mesma área havia o judaísmo e uma imitação do judaísmo; os samaritanos, sacrificando “neste monte” (v.21) (Gerizim), e os judeus fiéis, em Jerusalém. Daí a razão do conflito entre judeus legítimos e samaritanos.

Os samaritanos baseavam sua religião somente no pentateuco, rejeitando o restante do Antigo Testamento. Observavam o sábado, as festas, a circuncisão etc. Esperavam a vinda do Messias para converter as nações ao samaritanismo.

Reflexão complementar:

Em se tratando de evangelização, vale lembrar os sete princípios de ação sugeridos por Gavin Levi Aitken, extraídos do encontro de Jesus com a mulher samaritana, no Evangelho de João, capítulo 4 .

1º) Entrar em contato com as pessoas (aspecto social).
2º) Estabelecer um interesse comum (uma ponte, neste caso a “água”).
3º) Despertar o interesse (“água viva”), quebrando barreiras (social, racial, religiosa etc.).
4º) Não dar tudo de uma só vez.
5º) Não condenar.
6º) Não desviar do assunto.
7º) Confrontar a pessoa diretamente com Jesus, levando-a a uma definição.

Que Deus nos ajude!