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Mas o fruto do Espírito é….ALEGRIA

“Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio. Contra estas coisas não há lei.” (Gl 5.22-23)

Introdução

Não podemos confundir “FRUTO DO ESPÍRITO”, com seus 9 gomos (Gl 5.22-23), que são manifestações do caráter do crente regenerado pelo Espírito Santo, com os “DONS DO ESPÍRITO” que são capacitações do Espírito para as realizações na igreja. Também é necessário distinguir “dom natural ou talento”, de “dom sobrenatural ou espiritual”, em que pese o valor e utilidade de ambos a serviço da igreja. Podemos dizer que há 20 dons espirituais, os quais são mencionados nas Escrituras Sagradas em Romanos 12.6-8, 1Coríntios 12.8-10, 1Coríntios 12.28 e Efésios 4.11.

Duas palavras estarão aqui em foco: Fruto e Alegria.

A) FRUTO

O Fruto, na biologia vegetal ou botânica e humana:

O fruto tem origem na fecundação da flor através da polinização. Suas funções são de proteção e disseminação das sementes que ficam dentro dele, perpetuando sua espécie. Os frutos geralmente são carnosos, são suculentos, bastante hidratados e geralmente comestíveis. Exemplos: mamão, abacate, manga, etc. O fruto, além desse significado atrelado à biologia vegetal, na biologia humana refere-se a filho e prole.

O Fruto, numa visão mais geral:

O fruto também tem outros significados no cotidiano, tais como: 1)Lucro, resultado, produto. 2) Proveito, utilidade. 3)Vantagem. 4)Rendimento, renda de um capital, de uma fazenda. 5)Consequência, resultado.

O Fruto, numa visão Espiritual:

O fruto do Espírito corresponde a essas mesmas ideias. No processo da regeneração e novo nascimento, o Espírito Santo fecunda em nós a natureza divina. O fruto ou resultado ou consequência disso é um novo caráter que expressa esses 9 aspectos mencionados e revela a nossa nova identidade de filhos de Deus: “Assim, pois, pelos seus frutos os conhecereis.” (Mt 7.20). Da mesma forma que no reino vegetal, esse fruto protege a semente do evangelho e a dissemina. “Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros.” (Jo 13.35)

B) ALEGRIA:

1. O QUE É ALEGRIA?

Imaginem que a ALEGRIA resolvesse fazer uma selfie em grupo. Quem você acha que faria questão de aparecer na foto? Certamente a FELICIDADE, a SATISFAÇÃO, o CONTENTAMENTO, o REGOZIJO, o JÚBILO, o PRAZER etc. Até que ponto estas palavras são distintas ou expressam a mesma coisa, são sinônimas, pelo menos algumas delas? Nos dicionários é muito comum encontrar algumas sendo usadas como sinônimos da outra ou como definição da outra. Sou inclinado a pensar que algumas expressam melhor as reações ou respostas pontuais e momentâneas aos acontecimentos, enquanto outras expressam melhor o estado geral da pessoa.

  • Alguns dizem que não existe felicidade neste mundo.
  • Outros pensam que o ser humano é infeliz, mas com alguns momentos de alegria. Assim, quanto mais ele puder promover momentos de alegria, maior será o sentimento de um estado de bem-estar e felicidade.
  • Outros dizem que são felizes, mas com alguns momentos de tristeza.

O que nos gera alegria? Como obter alegria?

2. O ESTADO DE FELICIDADE

O estado de felicidade parece ter muito mais a ver com o TER do que com o SER e com a ESCALA DE VALORES que se estabelece para a vida, cedendo ou não a pressões da sociedade.

Imaginem que a nossa vida fosse uma conta bancária, aberta no momento do nosso nascimento, com um determinado e modesto valor de depósito. Assim, ao longo dos dias, os motivos geradores de alegria ou de tristeza atuariam como se fossem créditos e débitos, respectivamente, nessa conta. Desta forma, enquanto o saldo fosse positivo, caracterizaria um estado de felicidade; e, enquanto permanecesse negativo, um estado de infelicidade. A questão a se considerar é: qual seria o motivo de alegria ou de tristeza, correspondente a um crédito ou débito tão expressivo, que fosse incapaz de possibilitar a reversão de um saldo tão positivo ou tão negativo decorrente de tal crédito ou débito? Ou seja, algo que acarretaria um estado permanente de felicidade ou de infelicidade.

Quando o salmista Davi diz, “O SENHOR é o meu pastor; nada me faltará.” (Sl 23.1), você pode chegar a duas conclusões: 1) Nada me faltará, porque ele providenciará tudo aquilo que eu precisar para viver bem. 2) Ele é o meu pastor e isso me basta. A primeira interpretação se inclina para uma visão de Deus consumista e utilitarista: ele me dará todas as coisas!  A segunda se inclina para uma visão de Deus quanto à sua essência: ele é tudo, ele é o meu bem mais precioso, ele me basta! Vale lembrar as parábolas do tesouro (Mt 13.44) e da pérola (Mt 13.45-46) quando se desfaz de tudo por elas.

A reconciliação com Deus, por meio da obra redentora do Senhor Jesus Cristo, assegura que nós, os salvos, somos de Deus e ele é nosso, que estamos nele e ele está em nós, que recebemos de Deus tudo o que há de mais precioso e duradouro. Portanto, não há tristeza capaz de “negativar nosso saldo existencial”, mudar nosso estado de felicidade para infelicidade: nem a perda da saúde, de familiares ou amigos próximos, do emprego, de bens, da liberdade etc.

3. EM BUSCA DA ALEGRIA

Para tentar gerar um estado de felicidade, as pessoas correm atrás do vento, buscando motivos efêmeros de geração de alegria, através do TER, SER E FAZER.

A experiência de Salomão, narrada em Eclesiastes 2, expressa claramente a desilusão de quem busca a felicidade nas coisas materiais.

DIVERSÃO, BEBIDAS E PRAZERES:

1  Então resolvi me divertir e gozar os prazeres da vida. Mas descobri que isso também é ilusão.
2  Cheguei à conclusão de que o riso é tolice e de que o prazer não serve para nada.
3  Procurei ainda descobrir qual a melhor maneira de viver e então resolvi me alegrar com vinho e me divertir. Pensei que talvez fosse essa a melhor coisa que uma pessoa pode fazer durante a sua curta vida aqui na terra.

EMPREENDIMENTOS PROFISSIONAIS:

4  Realizei grandes coisas. Construí casas para mim e fiz plantações de uvas.
5  Plantei jardins e pomares, com todos os tipos de árvores frutíferas.
6  Também construí açudes para regar as plantações.
7  Comprei muitos escravos e além desses tive outros, nascidos na minha casa. Tive mais gado e mais ovelhas do que todas as pessoas que moraram em Jerusalém antes de mim.

RIQUEZA, ENTRETENIMENTO E PRAZER SEXUAL:

8  Também ajuntei para mim prata e ouro dos tesouros dos reis e das terras que governei. Homens e mulheres cantaram para me divertir, e tive todas as mulheres que um homem pode desejar.

PODER, FAMA, PROJEÇÃO HUMANA:

9  Sim! Fui grande. Fui mais rico do que todos os que viveram em Jerusalém antes de mim, e nunca me faltou sabedoria.
10  Consegui tudo o que desejei. Não neguei a mim mesmo nenhum tipo de prazer. Eu me sentia feliz com o meu trabalho, e essa era a minha recompensa.

DESILUSÃO, INUTILIDADE E FUTILIDADE:

11  Mas, quando pensei em todas as coisas que havia feito e no trabalho que tinha tido para conseguir fazê-las, compreendi que tudo aquilo era ilusão, não tinha nenhum proveito. Era como se eu estivesse correndo atrás do vento.

A Linha de Plimsoll.
LIMITES DE CARGA (Cultivando o contentamento ­– Gary Inrig)

Samuel Plimsoll carregava um fardo. Envolvido no comércio de carvão, no século 19, na Inglaterra, ele conscientizou-se dos terríveis perigos que os navegadores tinham que enfrentar. A cada ano, centenas de marinheiros perdiam suas vidas em navios perigosamente sobrecarregados. Os proprietários inescrupulosos desses navios, buscando lucros cada vez maiores, não se importavam em colocar a vida dos outros em risco. Navios carregados até quase a altura do convés deixavam o porto e afundavam no mar, fato bem recebido pelos proprietários, que recebiam grandes lucros das seguradoras. Em 1873, um número impressionante de navios, 411, afundaram levando consigo centenas de homens, para o sepultamento nas águas. Para piorar ainda mais as coisas, se um homem se alistasse para uma viagem, ele não podia desistir, por mais inseguro que considerasse o navio. A lei defendia com firmeza os proprietários e trocar de navio era um crime, não importava quão perigosa fosse a embarcação. No início dos anos de 1870, um de cada três prisioneiros do sudoeste da Inglaterra era um marinheiro que se havia recusado a servir nesses navios, que ficaram conhecidos como “caixões”.

Esse problema tornou-se uma missão para Plimsoll. Sua ideia era simples. Cada navio deveria ter uma linha limite de carga, que indicasse quando estaria sobrecarregado. Com isso em mente, Plimsoll concorreu às eleições do Parlamento, em 1868, e foi eleito (deputado). Ele começou imediatamente uma campanha intensiva para salvar as vidas dos marinheiros britânicos. Fez discursos veementes na Câmara dos Comuns e escreveu um livro que chocou o público diante da exposição daquelas terríveis condições. Gradualmente, conseguiu a aprovação da opinião pública e constrangeu o governo a tomar providências. Em 1875 foi aprovada a Lei dos Navios Inapropriados para o Mar. No ano seguinte, uma lei escrita por Plimsoll foi aprovada, que exigia uma linha para limite de carga. Porém, sob pressão de interesses comerciais, o Parlamento afrouxou a lei. Permitiu que o proprietário de um navio colocasse a linha onde desejasse.

Plimsoll seguiu lutando por mais 14 anos, até serem aprovadas leis que assegurassem que a linha seria colocada num nível que desse segurança para o navio. Com o tempo, a sua linha de carga tornou-se um padrão internacional. Hoje, em todos os portos do mundo você pode ver os resultados do trabalho de Plimsoll, o que fez com que ele fosse chamado de “O Amigo dos Marinheiros”. No corpo (casco) de cada navio de carga você verá a linha Plimsoll, indicando a profundidade máxima até onde um navio pode ser carregado legalmente e de forma segura.

A vida seria muito mais fácil se existisse uma marca Plimsoll para as pessoas. Navegar pela vida exige meios de segurança. … Não chegaremos a salvo ao nosso destino, a não ser que compreendamos a linha Plimsoll divina.”

Numa sociedade fundada sobre o consumismo crônico e compulsivo, como vamos estipular limites de carga? Quanto é suficiente, na mesa da cozinha? Quanto dinheiro, para compensá-lo pelo seu trabalho? Quanto tempo, deve dedicar à sua família? Quanta glória pública, para satisfazer o seu ego? Quantos títulos, para aprofundar o seu entendimento? Quantas coisas são suficientes para você? E, sem considerar quantas coisas já tem, como você encontra — e define — satisfação?

4. VIVENDO COM ALEGRIA

Nós, os salvos, precisamos estar atentos para não cair nessa cilada de passar a vida correndo atrás do que não se tem, esquecendo-se de desfrutar do que sem tem.

“Far-me-ás ver a vereda da vida; na tua presença há abundância de alegrias; à tua mão direita há delícias perpetuamente.” (Sl 16.11)
“porque o Reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo” (Rm 14.17).

Conta-se a história de uma menina cujo pai era um resmungão crônico. Certa noite, à mesa do jantar, ela anunciou com orgulho: “Eu sei o que todos na nossa família gostam!” Ela não precisou de nenhuma persuasão para revelar a sua informação: “João gosta de hambúrgueres; Cristina adora sorvete; Jaime ama pizza; e mamãe gosta de frango.” O pai esperava pela sua vez, mas não veio nenhuma informação. Ele perguntou: “Bem, e eu? Do que o papai gosta?” Com a inocência e a dolorosa perspicácia de uma criança, a menininha respondeu: “Papai, você gosta de tudo o que nós não temos!”

Alguém descreveu a nossa sociedade como “a sociedade do inextinguível descontentamento”. Somos incentivados a pensar que precisamos adquirir, consumir, melhorar e aumentar. Nesse contexto, é raro o conceito de “suficiente”. Ninguém está fazendo propaganda das virtudes do contentamento. Mas o Espírito Santo usa justamente essa palavra para colocar o dedo numa das questões mais significativas e sensíveis nas nossas vidas: “Porque nada temos trazido para o mundo, nem coisa alguma podemos levar dele. Tendo sustento e com que nos vestir, estejamos contentes.” (1Tm 6.7-8). “Seja a vossa vida sem avareza. Contentai-vos com as coisas que tendes; porque ele tem dito: De maneira alguma te deixarei, nunca jamais te abandonarei.” (Hb 13.5). No AT encontramos as palavras de Agur: “Duas coisas te peço; não mas negues, antes que eu morra: afasta de mim a falsidade e a mentira; não me dês nem a pobreza nem a riqueza; dá-me o pão que me for necessário; para não suceder que, estando eu farto, te negue e diga: Quem é o SENHOR? Ou que, empobrecido, venha a furtar e profane o nome de Deus.” (Pv 30.7-9). Estes versículos nos apontam para a necessidade de uma linha de Plimsoll nas nossas vidas, se esperamos navegar por uma cultura materialista, com sucesso.

Conclusão:

  1. Não confunda alegria com felicidade.
  2. Desenvolva um estilo de vida com limites.
  3. Cultive a generosidade e não a avareza.
  4. Valorize o que você tem, não o que poderia ter.
  5. Invista no que é eterno, não apenas no temporário.

 


Algumas definições:

ALEGRIA: Contentamento, júbilo, prazer moral. Regozijo. Divertimento, festa. Acontecimento feliz.

Antônimos: tristeza, desgosto.

FELICIDADE: Estado de quem é feliz. Ventura. Bem-estar. Contentamento. Bom resultado, bom êxito.

SATISFAÇÃO: Ato ou efeito de satisfazer ou de satisfazer-se. Qualidade ou estado de satisfeito; contentamento, prazer. Sensação agradável que sentimos quando as coisas correm à nossa vontade ou se cumprem a nosso contento. Ação de satisfazer o que se deve a outrem; pagamento. Prestar contas a outrem de uma incumbência; desempenho. Reparação de uma ofensa. Explicação, justificação, desculpa: Não deu satisfação dos seus atos a quem quer que seja. Alegria produzida pelo cumprimento de ação meritória que se praticou.

CONTENTAMENTO: Ação ou efeito de contentar. Estado de quem está contente. Alegria, satisfação.

 

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O presente de Deus para você

Presente de Deus

O natal vai se aproximando e parece que crianças, adolescentes, jovens e adultos não conseguem deixar de pensar numa coisa, ou melhor, num pacote ou embrulho chamado de PRESENTE. Uns, ficam ansiosos para ganhar; outros, preocupados em comprar para dar. Quanta correria, atropelo e irritação desnecessários nas ruas e lojas da cidade! Quando criança, duas datas em particular me fascinavam mais: o dia do meu aniversário e o natal. O motivo é óbvio, os presentes que ganhava nessas ocasiões. Já que a maioria está focada em presente, vamos refletir um pouco sobre o presente de Deus para você.

Cada tópico que estamos desenvolvendo aqui daria assunto para se escrever um livro, se abordado em suas vertentes teológicas. Entretanto, nosso objetivo é ser claro, simples, objetivo e criativo nessa abordagem. Então, vejamos:

1. A motivação

Por que presentear? Em alguns casos e para algumas pessoas é mais porque a maioria faz, está na moda ou é politicamente correto. Felizmente, para tantos outros, dar presente é uma forma de demonstrar apreço pelo outro, porque o outro é importante para nós, porque queremos agradá-lo. Conta-se que para iniciar o contato com uma tribo indígena desconhecida, talvez hostil, a estratégia é você se aproximar um pouco, deixar alguns presentes num lugar visível e voltar depois. Se encontrar ali os presentes deles, isso é o sinal de que você é bem-vindo.

Como você bem sabe, muitas são as motivações para se presentear. Entretanto, motivação não é tudo. O presente precisa agradar; se for útil é melhor ainda!

Deus teria alguma razão ou motivação para nos dar algum presente especial? Assim como os pais estão cotidianamente dando alguma coisa para os seus filhos e, em ocasiões especiais, dão presentes especiais, Deus também age conosco. Em toda a Bíblia, Deus-Pai se revela como um Deus que dá! Nos dá a vida, nos dá um planeta singular para habitar e cultivar, nos dá o domínio sobre as demais criaturas, nos dá os suprimentos para subsistência, sol, chuva etc. Tudo isso, entretanto, não era o suficiente. O pecado, a rebeldia do homem contra Deus, desde o Éden, desde de Adão, havia colocado todo ser humano numa condição de vida física temporária e morte eterna, isto é, eterna separação de Deus. Viu Deus que não havia humano capaz de reverter esse trágico quadro, reconciliando Deus com a raça humana, então, ele mesmo tomou a iniciativa: “Viu que não havia ajudador algum e maravilhou-se de que não houvesse um intercessor; pelo que o seu próprio braço lhe trouxe a salvação, e a sua própria justiça o susteve.” (Is 59.16)

2. O presente

O presente especial de Deus e o seu bem maior é o seu Filho Unigênito – Jesus Cristo. Ele é a expressão máxima do amor de Deus: “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” (Jo 3.16). Jesus é o “presente” mais valioso, útil e necessário que um ser humano pode receber: “….a saber, que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões, e nos confiou a palavra da reconciliação.” (2Co 5.19).

No livro surpreendente, cheio de lances emocionantes, “O totem da paz”, Don Richardson narra com realismo a incrível transformação que o Filho da Paz, Jesus, trouxe ao coração dos Sawis. Entre os Sawis, uma tribo de canibais caçadores de cabeças, a traição era mais que uma filosofia de vida, era a maior virtude. Em 1962, Don Richardson e sua esposa Carol foram à terra dos Sawis levando a história de um herói diferente, cuja mensagem era amor, e não traição; perdão, e não vingança, a história do Filho da Paz, enviado por Deus. Entretanto, estava difícil comunicar a eles esta mensagem. Ocorreu ali uma cerimônia solene entre tribos em conflito para selarem um pacto de paz. O chefe guerreiro de uma tribo ofereceu o seu único filho, um bebê, ao chefe guerreiro da outra tribo. Enquanto a criança vivesse haveria paz entre eles. Assim, a tribo que cedeu a criança não poderia atacar a tribo que recebeu a criança, pois esta a mataria. Por outro lado, a tribo que recebeu a criança tinha que se esforçar para mantê-la viva, para não cessar o período de paz. Deus, então, inspirou aqueles missionários para apresentarem Jesus como o “totem da paz”, sendo que este jamais morrerá. Assim, estabeleceu uma paz permanente entre Deus e os homens.

3. A ocasião especial

Há, em cada sociedade, algumas datas mais significativas e mais comemoradas. A sociedade atual, inclinada ao consumismo, cada vez mais tem transformado essas datas em ocasiões para a troca de presentes. Assim, algumas datas têm sido cuidadosamente trabalhadas pelos marqueteiros para alavancar muitas vendas.

Que ocasião Deus escolheu para dar o seu valioso presente à raça humana? Tal intenção de Deus já havia sido manifestada há cerca de seis mil anos (Gn 3.15). Entretanto, diz a Bíblia: “vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei,” (Gl 4.4). No “Kairós” divino (o tempo oportuno, o momento certo), o tempo de Deus, esse presente foi dado aos homens, cumprindo as profecias. Então, há cerca de dois mil anos atrás, se deu o “primeiro natal”.  Este era o momento certo, porque apresentava muitas condições favoráveis à propagação das boas novas do Evangelhos ao mundo conhecido de então.

4. A “embalagem”

Com a devida licença poética, podemos identificar nesse presente de Deus duas “embalagens”. A VIRGEM MARIA e a ENCARNAÇÃO. Ambas temporárias pois “revestiram” Jesus por breve tempo.

Primeiramente Deus escolheu Maria; seu útero e corpo. Sem dúvida, uma jovem simples, mas encontrada digna para tal missão e privilégio, que sempre soube muito bem o seu lugar e papel: “Então, disse Maria: A minha alma engrandece ao Senhor, e o meu espírito se alegrou em Deus, meu Salvador, porque contemplou na humildade da sua serva. Pois, desde agora, todas as gerações me considerarão bem-aventurada, porque o Poderoso me fez grandes coisas.” (Lc 1.46-49). Irônica e lamentavelmente tem muita gente por aí equivocada, atribuindo um valor a essa “embalagem” que ela não tem; chegando ao extremo de valorizar e cultuar mais a “embalagem” do que ao próprio presente!!!

A segunda “embalagem”, a encarnação, era a única forma de tornar visível e acessível o valioso presente de Deus. “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai.” (Jo 1.14). Foi por obra e graça do Espírito Santo que esse presente de Deus, Jesus, foi gerado e cuidadosamente “embrulhado” no útero de Maria: “Respondeu-lhe o anjo: Descerá sobre ti o Espírito Santo, e o poder do Altíssimo te envolverá com a sua sombra; por isso, também o ente santo que há de nascer será chamado Filho de Deus.” (Lc 1.35).

5. O preço

Você conhece bem aquela expressão publicitária “… não tem preço”. Pois bem, jamais teremos condições de avaliar ou quantificar o preço desse presente de Deus. Nessa breve abordagem, basta lembrar que esse preço passa pela doação de Deus do seu Filho único (Jo 3.16); que Jesus deixou a glória celestial para viver as limitações da vida humana (Jo 17.4-5), porém sem pecado (Hb 4.15); sofreu, foi humilhado e morto, fazendo-se maldição em nosso lugar (Gl 3.13). Sinta toda a força dessa expressão de Jesus, na sua oração: “Eu te glorifiquei na terra, consumando a obra que me confiaste para fazer; e, agora, glorifica-me, ó Pai, contigo mesmo, com a glória que eu tive junto de ti, antes que houvesse mundo.” (Jo 17.4-5). Mas todo esse esvaziamento e entrega não foram em vão: “vemos, todavia, aquele que, por um pouco, tendo sido feito menor que os anjos, Jesus, por causa do sofrimento da morte, foi coroado de glória e de honra, para que, pela graça de Deus, provasse a morte por todo homem.” (Hb 2.9)

Por falar em preço, a quem foi pago? Alguns pensam que foi a Satanás. Certamente que não! Tal preço foi pago à santidade e justiça de Deus. A santidade de Deus impede a comunhão do homem pecador com ele; a justiça de Deus condena o pecador e exige a punição do pecado cometido. Só Jesus foi encontrado capaz de satisfazer a justiça de Deus, morrendo em lugar do pecador, possibilitando o homem caído de se aproximar de Deus, pela fé na obra redentora efetuada por Jesus, na cruz do calvário! “sabendo que não foi mediante coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados do vosso fútil procedimento que vossos pais vos legaram, mas pelo precioso sangue, como de cordeiro sem defeito e sem mácula, o sangue de Cristo, conhecido, com efeito, antes da fundação do mundo, porém manifestado no fim dos tempos, por amor de vós” (1Pe 1.18-20)

6. A entrega

Um presente especial não pode ser entregue de qualquer maneira. Isso não significa que a entrega tenha que ser feita com luxo, pompa e sofisticação. A entrega desse presente de Deus tem confundido e desapontado muita gente, principalmente os judeus religiosos do tempo de Jesus, que aguardavam a chegada de um Messias Rei e Libertador. Para estes o Messias nasceria num palácio, por isso uns magos foram procurá-lo no palácio de Herodes, em Jerusalém.

Então, por que essa entrega foi especial? A resposta a essa pergunta nos revela mais uma das muitas belas mensagens e lições desse primeiro Natal, que deve ser lembrada em todos os outros natais. Vejam essas cenas da entrega:

  1. Os céus baixaram até a terra. O anjo se manifestou em glória e anunciou o ocorrido aos pastores no campo. As milícias celestiais louvaram a Deus (Lc 2.8-14). Uma estrela diferente brilhou no céu de Belém.
  2. O menino Jesus nasceu de gente simples, num lugar simples e incomum, numa estrebaria de Belém (Lc 2.7). Seu nascimento foi anunciado a simples pastores, no campo, que não tardaram a ir ao seu encontro e sendo os primeiros a divulgar a outros as boas novas.

Percebam a mensagem:

Natal é a mais extraordinária conexão entre: o eterno de Deus e o finito do homem; entre a grandeza e glória celestiais e a simplicidade e humildade do coração humano; entre o Príncipe da Paz e Salvador do mundo, Jesus, e o ser humano que se desnuda de todo e qualquer mérito próprio e autossuficiência para recebê-lo, amá-lo, obedecê-lo e servi-lo.

7. A recepção

Como as pessoas reagem quando recebem presentes? As vezes com muita alegria, outras vezes com o sorriso desconcertado da frustração velada. O nascimento de Jesus foi anunciado pelos anjos, aos pastores, como “boa-nova de grande alegria, que o será para todo o povo:” (Lc 2.10). Naquele primeiro natal, Jesus foi recebido com muita alegria e glorificação a Deus, pelos seus pais terrenos, pelos pastores no campo, por Simeão, por Ana, por uns magos do oriente e por todos aqueles que creram no quanto aquele presente de Deus era especial. Ao longo do seu ministério terreno essa alegria se repetia aonde Jesus chegava: “Ao regressar Jesus, a multidão o recebeu com alegria, porque todos o estavam esperando.” (Lc 8.40). Desde então, essa alegria tem se repetido na vida daqueles que o recebem.

8. Seus efeitos

Jesus dividiu a história humana em dois momentos, antes (aC) e depois da sua vinda (dC). Jesus também dividiu a minha vida e a de muitas pessoas em dois momentos: antes, criatura de Deus, pecador e perdido eternamente; depois, filho de Deus por adoção, salvo eternamente.

Jesus veio trazer paz e esperança a terra, no presente; e, vida eterna, que começa aqui e agora. Penso que o melhor presente que alguém pode receber é um futuro eterno e glorioso junto a Deus!

9. Nossa retribuição

Quando se ganha um presente é natural querer retribuir, se possível no mesmo nível de valor do presente recebido. Como você pode retribuir esse presente de Deus, que não tem preço? Aí vão algumas dicas:

  1. Entregue a Deus o que você tem de mais precioso: seu coração, sua vida por inteiro. Receba essa palavra vinda de Deus para você: “Dá-me, filho meu, o teu coração, e os teus olhos se agradem dos meus caminhos.” (Pv 23.26).
  2. Conheça melhor a Deus e o seu plano para tua vida, através da leitura da Bíblia e oração: “Conheçamos e prossigamos em conhecer ao SENHOR; como a alva, a sua vinda é certa; e ele descerá sobre nós como a chuva, como chuva serôdia que rega a terra.” (Os 6.3)
  3. Celebre e louve a Deus diariamente através da tua vida e das tuas ações.
  4. No natal, enfeite o ambiente, mas não sofistique, nem discrimine pessoas! Lembre-se que natal é a conexão da glória divina com a simplicidade e humildade humanas. Deixe fluir o que há de mais puro e verdadeiro – o amor. Que o amor de Deus por nós humanos, promova e incentive o nosso amor pelo nosso próximo.

10. Mensagem Final

Neste natal e por toda a tua vida, não cometa o desatino de valorizar mais: a data do que o aniversariante, Jesus, o precioso presente de Deus; a “embalagem”, Maria, do que o presente, Jesus; a preparação, a decoração, a alimentação do que a celebração e louvor a Deus; o gasto desenfreado com a compra de presentes do que a alegre e abençoadora oportunidade de confraternização entre as pessoas.

Que Deus tenha misericórdia daqueles que ainda não entenderam o sentido do natal!

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