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Um com Deus é maioria!

Um com Deus é maioria

A expressão não traz nenhuma informação nova. Talvez, refletir sobre ela, também não trará. Entretanto, pode refrescar a nossa memória e nos dar novo alento, uma nova disposição para continuar.

O cântico diz assim:

Quando tudo diz que não
Sua voz me encoraja a prosseguir
Quando tudo diz que não
Ou parece que o mar não vai se abrir
Sei que não estou só
E o que dizes sobre mim não pode se frustrar
Venha em meu favor
E cumpra em mim teu querer
………………………

(Deus do impossível – Trazendo a Arca)

Às vezes, parece que a vida se apresenta dessa forma para nós – “tudo diz que não”. A impressão é de que estamos sós, numa luta solitária. E não quero me referir aqui à luta de qualquer mortal pela sobrevivência, para ganhar o pão de cada dia enfrentando as desafiantes rotinas da vida ou outra luta qualquer. Quero aproveitar este espaço para refletir sobre as lutas de Deus através de nós e às lutas decorrentes de se professar a fé em Jesus Cristo ou de zelar e praticar a verdade bíblica.

Se há afirmações equivocadas, uma dessas é: “VOX POPULI, VOX DEI”, ou, a voz do povo é a voz de Deus. Ao contrário, a afirmação correta vem do apóstolo João: “Sabemos que somos de Deus e que o mundo inteiro jaz no Maligno.” (1Jo 5.19). Quem abraça a fé cristã tem que se preparar para viver como minoria em qualquer segmento da sociedade secular, que “jaz no maligno”. Ser minoria é pensar, se expressar e agir diferente da maioria e pagar o preço disso. Se há quem enfrente essa situação, eu sou um desses, que desde a infância tenho vivido como minoria, tendo sido muitas vezes criticado e zuado. Ainda bem que, desde cedo, fui ensinado e assimilei bem a ideia de não negociar valores e princípios. Desde então, já vivi o bastante para poder afirmar que isso é viável!

É interessante observar o modus operandi do comportamento humano. Há algum tempo atrás vi um dos episódios de um documentário denominado “Laboratório Humano”. Os experimentos se desenvolveram da seguinte forma. O ambiente era uma sala com várias carteiras de estudante, posicionadas de frente para uma porta fechada que dava acesso para outra sala (ou cozinha). No primeiro experimento, várias pessoas foram colocadas sentadas nas carteiras, preenchendo um formulário. Em certo momento, acima daquela porta fechada disparava um alarme  de incêndio (sonoro e luminoso) e, por baixo da porta, saía fumaça; tudo simulado, é claro. A reação daquelas pessoas (voluntários) foi de imediatamente se levantarem, em bloco, para ver o que estava acontecendo. No segundo experimento, todas as pessoas, exceto uma, foram informadas do incêndio simulado e orientadas a não reagir. Ao disparar o alarme e aparecer a fumaça, estes ficaram indiferentes e aquele que não fora avisado, tentou reagir, mas vendo a passividade dos demais, ficou alternando entre o preenchimento do seu formulário e o olho no “incêndio”. Assim, somente após uns 14 segundos, ele ignorou os demais e foi ver o que estava acontecendo. Esse segundo experimento foi repetido por várias vezes, substituindo-se a cada vez aquela pessoa que não era avisada, e a maioria reagiu da mesma forma. A conclusão é que o ser humano tem medo de esboçar uma reação ou defender uma posição diferente da maioria. De um modo geral ele se sente mais confortável e seguro acompanhando a maioria. Por falar nisso, tenho a impressão de que tem muita gente que se torna torcedor de um time de massa para não ter que se contrapor à maioria, reproduzindo exatamente essa tendência comportamental.

Por que ser igual a maioria? Por que pensar ou fazer o que muitos ou a maioria pensa ou faz (assistir o mesmo canal da TV, encher a cara numa festa, se tatuar, usar piercing, falar palavrões, avançar um sinal vermelho, jogar lixo no chão, debochar da virgindade, tripudiar da instituição do casamento, achar que é normal ter opção sexual etc etc)? Não tenha medo de ser diferente, desde que essa diferença não seja decorrente de um distúrbio ou anomalia da personalidade ou comportamental, o que certamente precisaria de tratamento! Não há aqui qualquer apologia ao isolamento social. Sabemos que o ser humano é um ser social e é muito bom viver em sociedade. Entretanto, quando a sociedade se distancia dos valores e princípios fundamentais, seu destino é a sucumbência e destruição. Em decorrência, ninguém escapa! Por isso, não há espaço para omissão, para o “deixa a vida me levar”. É preciso reagir, resistir e persistir!

Convido você agora a voltar o seu olhar para a história bíblica. É fácil verificar como Deus usou minorias, principalmente pessoas, individualmente. Usou Noé, um contra todos; usou Abraão e os patriarcas, inclusive José; usou Moisés, usou Davi contra o filisteu Golias e contra os “Golias judeus” que não acreditavam nele; usou Samuel e tantos profetas para denunciar o pecado da maioria; usou Neemias, um copeiro do rei, e tantos reis; usou a Pedro e demais apóstolos na formação da igreja e a Paulo, na sistematização das doutrinas bíblicas; etc etc.

Não se pode desprezar o poder das minorias. A história comprova que minorias ou indivíduos, governantes ou não, com pouco ou muito poder, conseguem influenciar as massas, para o bem ou para o mal. Quando olhamos para a história do povo de Israel verificamos que muitos reis fizeram assim. Entretanto, às vezes, a maioria pressionava e prevalecia, como no caso de Arão e o bezerro de ouro requerido pelo povo (Ex 32), ou no caso dos doze espias enviados por Moisés, quando os dez prevaleceram contra os dois fiéis ao Senhor (Nm 13).

O que dizer do que acontece nas igrejas locais? Será que nelas a maioria é fiel ao Senhor ou é a minoria? Pergunta difícil esta, não? Então, tente responder a esta outra pergunta: quem lê a Bíblia diariamente (e a pratica) e ora em sua casa, a maioria ou a minoria? Ou, ainda: quem frequenta a EBD e as reuniões de oração na igreja, a maioria ou a minoria? Felizmente, mesmo quando as coisas não andam muito bem na igreja, sempre tem aquela velha conhecida figura do “remanescente fiel”. As minorias sempre têm um papel importante nas igrejas, pois, com Deus, se tornam maioria. Se lembra da famosa “Confissão de Fé de Westminster” (1643)? Na história da Assembleia que a elaborou, consta que esta era composta de 121 dos mais capazes pastores da Inglaterra. Consta também que os presbiterianos escoceses também puderam enviar representantes à Assembleia de Westminster; quatro pastores e dois presbíteros, que participaram dos trabalhos sem direito a voto. Diz a história que estes escoceses exerceram uma influência desproporcional ao seu número!

Então, se você faz parte da minoria (temente a Deus) da sociedade,  ou da minoria fiel da igreja, não desanime, não desista. Lembre-se da letra do cântico acima “Deus do impossível”. Ao contrário, prepare-se para se surpreender com o que Deus quer e vai fazer através de você! Não se esqueça de que, um com Deus, fiel à sua Palavra e não flexibilizando os ensinos bíblicos neste tempo mau, de crescente corrupção moral e espiritual, é maioria! Mas isso não se aplica a você se você faz parte de uma minoria arrogante e desvairada, guiada pelos seus próprios instintos e ideais e não pelo Espírito Santo de Deus, que não busca a paz, a unidade, a harmonia e o crescimento do corpo de Cristo, a Igreja.

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  1. Dayanna
    22/04/2013 às 17:46

    Achei muito interessante o tema discutido acima. Ainda mais na conjuntura atual, onde o cristão vem sendo coagido em relação a maioria, que busca achar justificativa para satisfazer sua vontades ainda que contrárias à palavra de Deus.

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