João 3.16 (Evangelho)

Pobreza e Riqueza

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Uma visão bíblica sobre o assunto.

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Igreja e Política – Mídia Tendenciosa

Tudo para chamar a atenção

Imagine-se voltando no tempo há uns 40 anos atrás. Você passa numa banca de jornal e vê estampado num jornal, numa das matérias em destaque da primeira página, o título – “PASTOR FAZ MAL A MOÇA”.  É, ou não é, algo curioso e irresistível, considerando a reputação dos crentes e pastores naquela época! Alguns parariam para ler a matéria. Ao ler, descobria-se a verdade dos fatos: “Aconteceu nesta terça-feira. Um cão da raça pastor alemão atacou uma moça deixando-a gravemente ferida…..”. Um misto de chateação, por ter sido enganado com aquele título apelativo, se misturava com a dor daquela tragédia. E o que aconteceria com quem ficou só no título, foi em frente, não leu a matéria toda? Provavelmente ficaria com uma impressão não muito boa dos crentes, dos pastores evangélicos. Pois bem, o que a mídia não é capaz de fazer para chamar a atenção e alcançar seus objetivos?

Tentando influenciar o cidadão

No último dia 30 de janeiro de 2020 um site publicou uma matéria com o seguinte título: Igreja Presbiteriana condena apoio a partido de Bolsonaro[1]. Imediatamente as redes sociais se agitaram repercutindo a matéria. Por que razão? Qual a primeira impressão que esse título causa ou passa? Não seria algo do tipo: “– É, parece que os evangélicos estão retirando o seu apoio ao presidente Bolsonaro, pois os presbiterianos estão condenando o apoio ao seu partido”. Então, a matéria diz: “A cúpula da Igreja Presbiteriana do Brasil, a décima maior denominação protestante do país, publicou uma nota rechaçando a postura do Pastor e bolsonarista Filipe Barros (PSL-PR), que usou os fiéis para coletar assinaturas para criação do partido de Bolsonaro ‘Aliança pelo Brasil’”. Mais adiante vem a verdade dos fatos: “Em resolução de sua reunião ordinária em 1990, o Supremo Concílio da Igreja Presbiteriana do Brasil orienta seus concílios em geral que evitem apoio ostensivo a partidos políticos e que as igrejas não cedam seus templos ou locais de culto a Deus para debates ou apresentações de cunho político”. O fato é que a IPB tem um posicionamento claro de não apoiar “ostensivamente” partidos políticos, seja ele qual for, o que é correto. Seria algum exagero ou preciosismo essa minha abordagem sobre a referida publicação? Certamente que não! Quem checar a linha ideológica do site “Brasil 247” verá que é de esquerda e em oposição ao governo Bolsonaro. Isso explica tudo!

Na mesma data acima mencionada, outro site se mostra mais cuidadoso ao noticiar o mesmo fato: “Em nota, Igreja Presbiteriana afirma que não apoia partidos[2]”. Na sequência diz: “Denominação contraria pastor de Londrina que usou estrutura da igreja para pedir apoio ao Aliança pelo Brasil.”

A posição da Igreja Presbiteriana do Brasil

Nas Publicações acima mencionadas há uma referência ao posicionamento da IPB em documento datado de 1990. Considerando ser oportuno esclarecer presbiterianos e não presbiterianos sobre o assunto, estamos ajudando a divulgar, abaixo, o inteiro teor do referido documento. Como tantas outras decisões do Supremo Concílio da IPB, vale à pena uma leitura cuidadosa de um documento elaborado com tanto zelo, qualidade e coerência com as Sagradas Escrituras. Numa tentativa de resumir tal documento e posição, sem perder sua essência, diríamos que a IPB se posiciona assim:

1) Tríplice compromisso da IPB:

– Com a democracia.
– Com o bem-estar das pessoas.
– Com a paz, dentro e fora da igreja.

 2) Recomendações para concílios, igrejas, pastores e crentes:

– Oração incessante pela política nacional e pelas autoridades constituídas.

– Participação cidadã, consciente e responsável, no exercício dos seus direitos constitucionais.

– Evitar apoio ostensivo a partidos políticos.

– Apoio, com moderação, a candidatos oriundos de igrejas Evangélicas, de reconhecida idoneidade moral e político-social.

– Distanciamento de candidatos reconhecidamente descompromissados com a ética cristã-social.

– Preservação do templo não o cedendo para eventos e atividades de cunho político.

– Inibição de propaganda política no âmbito interno da igreja.

– Restrição total de apoio e compromisso de voto, em troca de favores de candidatos políticos.

Vale a pena investir um tempo na leitura cuidadosa do inteiro teor do documento acima resumido e transcrito, a seguir:

“…. Do Supremo Concílio da IPB –
A todos os concílios, igrejas, pastores, Oficiais e Membros, irmãos em Cristo Jesus, o Senhor.
Graça a vós e paz da parte de Deus, nosso Pai, e do Filho, nosso Salvador e do Espírito Santo, nosso Consolador, em cujo nome vos exortamos quanto ao comportamento ético-cristão diante das oportunidades, dos desafios, dos dilemas e perigos hoje representados pela atividade e participação na vida política nacional.
Recebei, pois, irmãos no amor de Cristo, este pronunciamento e ponde-o em prática no âmbito da vossa vida e ação.

1) A IPB, consciente da sua herança judaico-cristã-reformada, tem um compromisso histórico e ideológico com a democracia, entendida como a participação direta do povo nos seus destinos através do voto, de apoiá-la e contribuir positivamente para o seu desenvolvimento no Brasil e no mundo.

2) A IPB, da mesma forma, tem um compromisso, fundamentado no amor ao próximo, (Lv 19.18) com a justiça social, com o bem estar do povo, com a eliminação da miséria e da pobreza, (Dt 15.4) com a igualdade dos homens em todos os lugares, níveis, situações, independentemente de sexo, idade, ou condição social individual. (Dt 16).

3) A IPB tem um compromisso com o desenvolvimento e a manutenção da paz entre os homens, a promoção da harmonia e da concórdia, tanto no seio da Igreja, como da comunidade nacional. (Mt 5.9).

4) Assim, a IPB consciente de seu tríplice compromisso e no desejo de contribuir para que eles sejam implementados na vida de seus concílios, igrejas, pastores e crentes, recomenda-lhes:

4.1) Orem incessantemente a Deus pelo processo político nacional, seus projetos e planos, bem como por todos aqueles que estão investidos de autoridade, atendendo desta forma a exortação do apóstolo Paulo em 1Tm 2.1-15.

4.2) Participem, como de direito em geral, da escolha de seus dirigentes, sejam eles nacionais, estaduais ou municipais, fazendo jus à condição de eleitores e cidadãos da pátria, no exercício dos seus direitos constitucionais.

4.3) Aos concílios em geral, que evitem dar apoio ostensivos a Partidos Políticos, ou a candidatos a cargos eletivos exceto, neste caso, aqueles oriundos de igrejas Evangélicas, de reconhecida idoneidade moral e político-social.

4.4) Que se evite todo e qualquer apoio a candidatos reconhecidamente descompromissados com os ideais de democracia, justiça e paz propugnados pela nossa Igreja, que visam apenas o interesse pessoal, pactuam com os injustos e corruptos, aceitam subornos, negam justiça aos pobres (Is 5.18, 22-23), decretam leis injustas (Is 10.1) e se afastam da Palavra de Deus como “regra de fé e prática”.

4.5) Que se evite a cessão do templo, ou santuário, local de culto a Deus, para debates ou apresentações de cunho político, podendo as mesmas serem realizadas em suas dependências.

4.6) Que se evite propaganda política no âmbito interno da Igreja, do seu templo ou por seus órgãos e departamentos, exceto se mantidos democraticamente os direitos, a liberdade e o respeito aos contrários.

4.7) Que, em nenhuma circunstância, a Igreja, o Pastor, os concílios, ou Sociedades Domésticas aceitem favores de candidatos políticos que possam resultar em comprometimento de voto, que deve ser pessoal, direto e secreto” (Constituição Federal Art. 14).

5) A IPB, pois, reconhece como legítima a dignidade dos membros seus, incentiva a assumirem ‘uma cidadania responsável, como testemunhas de Cristo, nos sindicatos, nos partidos políticos, nos diretórios acadêmicos, nas fábricas, nos escritórios, nas cátedras, nas eleições e nos corpos administrativos, legislativos e judiciários do país’ (Pronunciamento de 1962, item X, 2), sempre pautada no respeito às instituições e a ordem legal. Reconhece ao mesmo tempo, que ‘nenhum sistema ideológico de interpretação da realidade social, seja em termos filosóficos, políticos ou econômicos pode ser aceito como infalível ou final (Ibid., item IX), mas que a ética cristã-social vivida no sentido da plenitude do Reino de Deus continua a ser a proposta mais significativa, satisfatória e profunda para o homem do nosso século e de nosso país.’”

(Extraído da decisão do Supremo Concílio da Igreja Presbiteriana do Brasil SC – 1990 – DOC. CLII).

Finalmente, vale dizer que o assunto CRISTÃO, IGREJA e POLÍTICA é muito amplo e requer outras abordagens. Entretanto, entendemos ser imprescindível adiantar desde já que a relação do Cristão com o Estado é diferente da relação da Igreja com o Estado. Sendo o Estado laico não há que se pensar em interferência direta da instituição Igreja na Instituição Estado. O inverso também não é aceito. Por outro lado, sendo o Cristão um cidadão da pátria tem ele a responsabilidade de exercer os seus direitos constitucionais e legais, participando diretamente (ou não) das instituições públicas e da política, também cuidando de cumprir os seus deveres; mas sempre fazendo a diferença, dando um bom testemunho da sua ética cristã.

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Outros temas a serem desenvolvidos:

Igreja e Política – Falar ou silenciar-se?
Igreja e Política – Apoio ou distanciamento?
Cristão e Política – Falar ou silenciar-se?
Cristão e Política – Participação ou distanciamento?
Cristão e Comunismo – Como conciliar?


[1] https://www.brasil247.com/brasil/igreja-presbiteriana-condena-apoio-a-partido-de-bolsonaro

[2] https://www.gospelprime.com.br/em-nota-igreja-presbiteriana-afirma-que-nao-apoia-partidos/

A Verdade que Liberta

“Disse, pois, Jesus aos judeus que haviam crido nele: Se vós permanecerdes na minha palavra, sois verdadeiramente meus discípulos; e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.” (João 8.31-32)

Introdução

Lá pelos idos da década de 1980, com um filho bem pequeno, fui sozinho à uma farmácia comprar remédio pra ele. Estando lá dentro, bem ao fundo, de repente começou um certo tumulto. Percebi, então, que havia um homem na entrada anunciando um assalto. Nunca tinha passado por isso e fiquei um tanto quanto apreensivo. Numa hora como essa a gente sente a total falta de liberdade. Não se pode sair do local para escapar e nem pensar em reagir, enfrentando o meliante. É só contar com a graça e misericórdia de Deus para que nenhuma tragédia aconteça. Felizmente o desfecho foi muito melhor do que se podia imaginar. O sujeito estufava a camisa parecendo estar com uma arma por baixo dela. De algum modo perceberam que era uma simulação, que não era uma arma, mas um toco de madeira e colocaram o homem pra correr. Sem dúvida, quando a verdade veio à tona fomos libertos daquela situação.

Nosso propósito aqui é refletir sobre a Verdade que traz a mais grandiosa liberdade.

1) A necessidade de liberdade

Por que necessitamos de algo? Porque não temos. Porque de alguma forma estamos convencidos de que precisamos. Porque este algo trará um certo equilíbrio ao nosso ser, como um todo. Através do equilíbrio do nosso organismo (metabolismo físico), do nosso intelecto (mente, razão) e do nosso emocional (sentimentos, afetos), teoricamente se consegue um estado de bem estar, de paz e de tranquilidade. Na prática tenho a certeza de que o ser humano, por si só, é incapaz de conseguir isso.  As variáveis são muitas e não temos o controle sobre todas elas.

A natureza que nos cerca busca o estado de equilíbrio em todo o tempo.  A diferença entre o que temos ou somos, e o que queremos ter ou ser, constitui um desequilíbrio que gera a vontade, que por sua vez exige condições mínimas para nos mover. E a vontade é a força motriz da vida!

Supondo que o ser humano natural sempre pudesse exercer a sua vontade no sentido de buscar as coisas verdadeiramente necessárias para trazer equilíbrio ao seu ser, o que seria muito nobre (desde que não infringisse a lei dos homens e a de Deus), ainda assim ele não conseguiria alcançar a plenitude do seu ser, porque além das barreiras naturais (as necessidades humanas são infinitas e insaciáveis) existe a barreira da vontade do outro que não necessariamente é conciliável com a dele e, certamente, em algum momento entrará em choque com a sua.

Parece que numa acepção mais simples da palavra, liberdade é o exercício da vontade, sem restrições internas ou externas ao ser. Se assim é, então, podemos dizer que a liberdade se constitui no alvo mais importante a ser conquistado pelo ser humano natural.

2) A busca da liberdade

Por que buscamos algo? Porque não temos. Quem sabe já tivemos, porém perdemos. Ou, nunca tivemos e sentimos a necessidade de ter.

A busca da liberdade, então, é a busca pela realização da nossa vontade, no sentido da realização completa do nosso ser. Para melhor entender essa situação, precisamos retornar às nossas origens.

Deus criou com todo o esmero todas as coisas necessárias à sobrevivência do homem. Por fim, criou também o ser humano, à sua imagem e semelhança (Gn 1.27 – pessoal, racional e moral). Deus colocou toda a criação sob o domínio de Adão (Gn 1.27-28). Porém, faltava-lhe algo. Adão não se completava naqueles animais ou nas demais coisas criadas (Gn 2.20). Deus, então, lhe fez uma companheira idônea e Adão suspirou aliviado (Gn 2.21-24). Então, Deus propôs ao casal o exercício da sua vontade (Gn 1.28-30), num tempo em que havia perfeita harmonia na natureza. Antes, porém, Deus os submeteu a um teste para provar sua vontade (Gn 2.16-17) e o casal falhou (Gn 3). Surgem aqui algumas perguntas que precisam ser consideradas e esclarecidas à luz da verdade: 1ª) Deus foi o culpado: a)Ele restringiu a liberdade de um ser que foi criado para exercer sua própria vontade. Errado! Adão, ao exercer sua vontade, violou a vontade de outrem que lhe era infinitamente superior. Com isso demonstrou que seria incapaz de respeitar a vontade dos seus semelhantes, muito mais ainda porque estes estariam no mesmo nível humano dele. Com a falta de domínio sobre sua vontade ficou provado que ele não tinha condições para viver harmoniosamente em sociedade. b) Deus não o alertou sobre a tragédia que essa desobediência traria para ele e para o mundo. Errado! É só conferir em Gênesis 2.17 a advertência divina. c) Deus falhou na constituição do ser humano. Errado! Deus criou um ser à sua imagem, com vontade própria e não um robô. Além disso se propunha a orientá-lo diretamente, se esse lhe fosse submisso.  d) Deus deixou tudo pronto para Adão e com isso ele não tinha onde aplicar a sua vontade. Errado! Deus lhe entregou um mundo na “forma bruta”, lhe deu todos os recursos materiais e inteligência para dele cuidar. O grande problema de Adão e Eva é que eles escolheram dar ouvidos a uma outra voz que questionava a ordem de Deus. Esta voz satânica lhe apresentou uma nova versão da ordem divina, mais fácil, mais atraente e ambiciosa, porém mentirosa, “ser como Deus”.

3) A verdadeira liberdade

As consequências da queda do homem no Éden foram devastadoras. Desde a queda se vê a atuação de Deus no mundo controlando gente pecadora e um mundo contaminado pelo pecado. No dilúvio Deus destruiu o mundo de então, promovendo um novo início da humanidade, a partir da família de Noé e dos animais que foram preservados na arca. Porém os pecadores e seus pecados continuaram. Entretanto, em todo o tempo, Deus tinha em mente resgatar e salvar o ser humano caído. Ele pavimentou esse caminho e manifestou seu propósito à humanidade através de uma revelação progressiva: o patriarca Abraão, o povo de Israel e, por fim, Jesus Cristo, seu filho encarnado. Este, além de dar a sua vida para pagar o preço dos nossos pecados e nos reconciliar com Deus, nos deu a sua nova lei, a sua palavra (Mt 22.36-39). Deus, também, no deu o seu Espírito Santo, para habitar em nós e instituiu a sua igreja, para ajuntamento do seu povo (1Co 6.9-11).

Jesus é a Verdade que Liberta; através da sua vida, da sua redenção, da sua palavra e do Espírito Santo que em nós habita!

Conclusão

Estas palavras do apóstolo Paulo expressam bem a missão de Jesus realizada em nosso favor para nos conduzir à verdadeira liberdade.

“Porquanto a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens, educando-nos para que, renegadas a impiedade e as paixões mundanas, vivamos, no presente século, sensata, justa e piedosamente,  aguardando a bendita esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus,  o qual a si mesmo se deu por nós, a fim de remir-nos de toda iniquidade e purificar, para si mesmo, um povo exclusivamente seu, zeloso de boas obras.” (Tt 2.11-14).

Essa verdadeira liberdade pode ser descrita como a nossa vontade pessoal dentro da vontade perfeita de Deus, dirigida e controlada pelo Espírito de Deus que habita em nós, o que foi objeto da oração de Jesus ao Pai Celestial: “Não rogo somente por estes, mas também por aqueles que vierem a crer em mim, por intermédio da sua palavra; a fim de que todos sejam um; e como és tu, ó Pai, em mim e eu em ti, também sejam eles em nós; para que o mundo creia que tu me enviaste.” (Jo 17.20-21)

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Quem sou eu? O que pensamos ser e o que os outros pensam de nós? A Janela de Johari, modelo conceitual elaborado por Joseph Luft e Harry Ingham, nos ajuda a entender um pouco mais essa questão. O termo “Johari” foi obtido a partir da junção dos dois nomes dos autores, Joseph e Harry.

Entendendo a Janela de Johari……

a)   EU ABERTO

A região do “eu aberto”, representa os aspectos da personalidade de que o indivíduo tem conhecimento e aceita compartilhar com os outros. Esta área limita-se àquilo de que nossos parentes e amigos estão cônscios  e ao que nós consideramos óbvio, tais como nossas características, nossa maneira de falar, nossa atitude geral, algumas de nossas habilidades etc.

b)   EU SECRETO

A região do “eu secreto”, representa os aspectos que a pessoa conhece, mas consciente e deliberadamente esconde dos outros por motivos diversos, tais como: insegurança, status, medo da reação, medo do ridículo etc. Essa região constitui a chamada fachada em que o indivíduo se comporta de maneira defensiva. A defesa é inerente a toda pessoa. Mas a questão é saber qual a quantidade de defesa tolerável que não iniba o inter-relacionamento nem impeça seu crescimento.

c)   EU CEGO

A região do “eu cego” representa nossas características de comportamento que são facilmente percebidas pelos outros, mas das quais geralmente não estamos cientes. Por exemplo, alguma manifestação nervosa, nosso comportamento sob tensão, nossas reações agressivas, nosso desprezo por aqueles que discordam de nós etc. Em suas atitudes e comportamentos muita coisa é transmitida, sem que o próprio indivíduo perceba. Podemos especular o porquê destes padrões de comportamento permanecerem desconhecidos para nós e, no entanto, são óbvios para os outros.

Há evidências de que é nessa área que, frequentemente, somos mais críticos com o comportamento dos outros sem percebermos que estamos nos comportando da mesma forma.

d)   EU DESCONHECIDO

Finalmente a região do “eu desconhecido”, é a área desconhecida pelo próprio e pelos outros. Nela estão incluídas as potencialidades, talentos e habilidades ignoradas, os impulsos e sentimentos mais profundos e reprimidos, memórias de infância, a criatividade bloqueada. Como exemplo da área desconhecida, pesquisadores em Criatividade afirmam que, em geral, utilizamos apenas cerca de 15 ou 20 por cento de nosso potencial criativo. Essa região pode tornar-se conhecida à medida que aumenta a eficácia interpessoal dentro de um processo dinâmico.

Conclusão

E daí, o que essa tal Janela de Johari tem a ver com o meu casamento? Veja só. Num relacionamento conjugal é muito comum cada cônjuge ter uma visão ótima a seu respeito e não tão boa do outro. Por que? Porque cada um de nós só tem a percepção de parte do que realmente somos! Uma visão adequada de nós mesmos e a aceitação do que somos (nossas limitações, fraquezas e falhas) são pontos básicos para uma postura de humildade diante de Deus, das pessoas e, principalmente do nosso cônjuge e facilitadora do relacionamento. É claro que nem sempre a visão do outro, isoladamente, reflete toda a verdade do que realmente sou. Entretanto, ninguém melhor para nos ajudar a identificar aqueles maus comportamentos do “eu cego” do que quem vive ao nosso lado.


Veja também:

Comunicar é ……. SABER SE EXPRESSAR!

Comunicar é …………. SABER OUVIR!

Comunicar é ……. SABER OUVIR!

“As grandes pessoas monopolizam a arte de escutar. As pequenas a arte de falar.”

…………………………….

“Responder antes de ouvir é estultícia (estupidez) e vergonha.” (Pv 18.13)

“Todo homem, pois, seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar.” (Tg 1.19.b)

Comunicar é arte dupla: a arte de falar, se expressar; e a arte de ouvir. Para compreender bem é preciso ouvir bem o que está sendo dito. Como, numa conversa entre duas ou mais pessoas o que vai ser dito em seguida depende do que se entendeu daquilo que foi dito antes,  é preciso concentrar-se no que se ouve, e, se necessário for, pedir para esclarecer (-Não entendi bem o que você disse) ou, confirmar o entendimento (-Então, você está dizendo que…).  

“Raríssimas são as pessoas que procuram ouvir exatamente o que a outra está dizendo”,  diz Artur da Távola (1936-2008) em seu artigo “o difícil facilitário do verbo ouvir”.  A partir de uma série de observações sobre o assunto ele cita os 12 pontos, a seguir:

1º) Em geral o receptor não ouve o que o outro fala: ele ouve o que o outro não está dizendo.

2º) O receptor não ouve o que o outro fala: ele ouve o que quer ouvir.

3º) O receptor não ouve o que o outro fala. Ele ouve o que já escutara antes e coloca o que o outro está falando naquilo que se acostumou a ouvir.

4º) O receptor não ouve o que o outro fala. Ele ouve o que imagina que o outro ia falar.

5º) Numa discussão, em geral, os discutidores não ouvem o que o outro está falando. Eles ouvem quase que só o que estão pensando para dizer em seguida.

6º) O receptor não ouve o que o outro fala. Ele ouve o que gostaria ou de ouvir ou que o outro dissesse.

7º) A pessoa não ouve o que a outra fala. Ela ouve o que está sentindo.

8º) A pessoa não ouve o que a outra fala. Ela ouve o que já pensava a respeito daquilo que a outra está falando.

9º) A pessoa não ouve o que a outra está falando. Ela retira da fala da outra apenas as partes que tenham a ver com ela e a emocionem, agradem ou molestem.

10º) A pessoa não ouve o que a outra está falando. Ouve o que confirme ou rejeite o seu próprio pensamento. Vale dizer, ela transforma o que a outra está falando em objeto de concordância ou discordância.

11º) A pessoa não ouve o que a outra está falando: ouve o que possa se adaptar ao impulso de amor, raiva ou ódio que já sentia pela outra.

12º) A pessoa não ouve o que a outra fala. Ouve da fala dela apenas aqueles pontos que possam fazer sentido para as ideias e pontos de vista que no momento a estejam influenciando ou tocando mais diretamente.

Ele mesmo conclui…:

“Esses doze pontos mostram como é raro e difícil conversar. Como é raro e difícil se comunicar! O que há, em geral, são monólogos simultâneos trocados à guisa de conversa, ou são monólogos paralelos, à guisa de diálogo. O próprio diálogo pode haver sem que, necessariamente, haja comunicação. Pode haver até um conhecimento a dois sem que necessariamente haja comunicação. Esta só se dá quando ambos os polos ouvem-se, não, é claro, no sentido material de ´escutar`, mas no sentido de procurar compreender em sua extensão e profundidade o que o outro está dizendo.

Ouvir, portanto, é muito raro. É necessário limpar a mente de todos os ruídos e interferências do próprio pensamento durante a fala alheia.

Ouvir implica uma entrega ao outro, uma diluição nele. Daí a dificuldade de as pessoas inteligentes efetivamente ouvirem. A sua inteligência em funcionamento permanente, o seu hábito de pensar, avaliar, julgar e analisar tudo interferem como um ruído na plena recepção daquilo que o outro está falando.

Não é só a inteligência a atrapalhar a plena audiência. Outros elementos perturbam o ato de ouvir. Um deles é o mecanismo de defesa. Há pessoas que se defendem de ouvir o que as outras estão dizendo, por verdadeiro pavor inconsciente de se perderem a si mesmas. Elas precisam ´não ouvir` porque, `não ouvindo´, livram-se da retificação dos próprios pontos de vista, da aceitação de realidades diferentes das próprias, de verdades idem, e assim por diante. Livra-se do novo, que é saúde, mas as apavora. Não é, pois, um sólido mecanismo de defesa.

Ouvir é um grande desafio. Desafio de abertura interior; de impulso na direção do próximo, de comunhão com ele, de aceitação dele como é e como pensa. Ouvir é proeza, ouvir é raridade. Ouvir é ato de sabedoria.

Depois que a pessoa aprende a ouvir ela passa a fazer descobertas incríveis escondidas ou patentes em tudo aquilo que os outros estão dizendo a propósito de falar.”


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Comunicar é ……. SABER SE EXPRESSAR!

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Comunicar é ……. SABER SE EXPRESSAR!

 “A morte e a vida estão no poder da língua; o que bem a utiliza come do seu fruto.” (Pv 18.21)

    “Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, e sim unicamente a que for boa para edificação, conforme a necessidade, e, assim, transmita graça aos que ouvem.” (Ef 4.29)

   “Por isso, deixando a mentira, fale cada um a verdade com o seu próximo, porque somos membros uns dos outros.” (Ef 4.25)

………………..

Introdução

Se você acha complicado lidar com o terminal de autoatendimento do Banco, ou com um computador, ou com o painel de controle de uma aeronave, saiba que nada disso é comparável ao lidar com outro ser humano. E, por que? Porque nós, seres humanos, somos muito mais complexos do que qualquer máquina. Nós nos “reprogramamos” mentalmente a cada nova informação recebida, temos temperamentos diferentes,  sentimentos, vontade própria, necessidades, interesses, capacidade de mentir, enganar etc. Como se isso não fosse o suficiente, ainda temos a possibilidade de nos relacionarmos com o mundo espiritual, invisível mais real, que certamente, também exerce influência em nosso comportamento. O que realmente é complicado é o relacionamento entre pessoas e não o casamento.  Como o casamento exige um elevado grau de relacionamento e comunicação, acaba se tornando um desafio. Por outro lado, oferece uma excelente oportunidade de exercitar e aprimorar a capacidade de se relacionar e se comunicar, o que é essencial para nós que vivemos em sociedade.

Neste estudo focaremos a comunicação do casal como elemento importante para a harmonia no casamento.

O que é, e como funciona a comunicação?

Uma das mais simples e interessantes conceituações diz que: Comunicação, é a “ação de tornar algo comum”. Por exemplo: o que eu acho, o que eu desejo, o que eu estou sentindo etc. É interessante como cada um dos sentidos que Deus nos deu – visão, audição, olfato, paladar e tato – participa desse processo de comunicação; nossa, com o mundo exterior. É a comunicação verbal e não-verbal. A boca fala, mas também todo o nosso corpo “fala e ouve”, se comunica – é a linguagem silenciosa da comunicação não-verbal. Marido e esposa se comunicam com tanta frequência e intensidade, que depois de um certo tempo de convivência, só em olhar o outro, já sabe o que ele está sentindo, ou escondendo, ou comunicando.

Uma cena simples de escola:

– Bruno senta perto de Rebeca, na sala de aula. No intervalo entre aulas, se demoram um pouco a sair da sala. “Rebeca é uma garota muito legal e linda!” (pensa)

– Sente que deve se aproximar dela e que seria interessante convidá-la para ir ao shopping, no próximo sábado. (objetivo)

– Seu sistema nervoso central (fonte/emissor), agindo como fonte de comunicação, cria a mensagem e aciona seu mecanismo vocal etc, para executar a missão de codificá-la. (codificador)

– Seu mecanismo vocal (codificador) produz a seguinte mensagem: – Quer ir comigo ao shopping no próximo sábado, Rebeca? A mensagem é transmitida em ondas sonoras através das moléculas do ar (canal) até ao mecanismo auditivo de Rebeca (decodificador) que transforma as ondas sonoras em impulso nervoso (decodificação), enviando-o ao sistema nervoso central de Rebeca (receptor/destinatário)

Aspectos facilitadores da comunicação:

Vejamos alguns aspectos facilitadores no processo da comunicação humana; certamente importantes, ainda que pareçam óbvios.

1º) Pense bem antes de falar ou se expressar corporalmente através dos gestos e/ou expressões faciais. Lembre-se de que o que falamos, expressamos e fazemos revela aos outros quem nós somos! “O coração do justo medita o que há de responder, mas a boca dos perversos transborda maldades.” (Pv 15.28)

2º) Tenha consciência do objetivo que está movendo a essa comunicação para que depois você possa verificar se foi ou não alcançado. De um modo geral, usamos a comunicação para: informar (apelo à mente); persuadir (apelo à alma); divertir (divertimento) e influenciar (afetar com intenção). “O coração do homem pode fazer planos, mas a resposta certa dos lábios vem do SENHOR.” (Pv 16.1)

………………..

“Nosso objetivo básico na comunicação é tornarmo-nos agentes influentes e afetarmos outros, nosso ambiente físico e nós próprios, é tornarmo-nos agentes determinantes, é termos opção no andamento das coisas. Em suma, nós nos comunicamos para influenciar – para afetar com intenção.” (David K. Berlo)

………………..

3º) Estruture bem a mensagem a ser transmitida para que ela expresse exatamente aquilo que você quer comunicar. Vale lembrar que o outro não ouve os nossos pensamentos; apenas o que expressamos, de forma verbal e não-verbal. Portanto, uma mensagem deve ter uma quantidade adequada de informações para o bom entendimento pelo outro. Use o “código” adequado, isto é,  o linguajar que o outro entenda e irá usar para “decodificar” a mensagem. Não perca de vista que aquilo que tem um significado para você pode ter outro para a outra pessoa (Estrutura de Significação).

4º) Transmita a mensagem de forma adequada, isto é, com a carga adequada de conteúdo racional e emocional. Afinal, somos seres racionais e emocionais. Coisas certas, ditas do modo errado,  colocam tudo a perder. Module a voz  e use expressões não-verbais, de acordo com a mensagem que está sendo transmitida. É importante impressionar bem o outro. “A resposta branda desvia o furor, mas a palavra dura suscita a ira.” “A língua serena é árvore de vida, mas a perversa quebranta o espírito.” “O sábio de coração é chamado prudente, e a doçura no falar aumenta o saber.” (Pv 15.1, 4; 16.21)

5º) Avalie bem se o momento e o lugar são apropriados; se o seu estado de espírito e o do outro estão favoráveis; se você e o outro estão preparados para emitir e receber essa mensagem etc. “O homem se alegra em dar resposta adequada, e a palavra, a seu tempo, quão boa é!” (Pv 15.23)


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