Pecado, Salvação e Vida Eterna

Efésios 2.1-5

Introdução

Dentre as muitas demandas da vida, há três verdades fundamentais nas quais todo ser humano precisa crer: o problema do pecado, a solução em Cristo e a promessa da vida eterna. Essas três realidades formam o eixo central da mensagem do evangelho e revelam o propósito de Deus para a humanidade.

Vivemos em um mundo que valoriza o sucesso, o prazer e o conhecimento, mas que frequentemente ignora a dimensão espiritual da existência. Muitos buscam respostas para o vazio interior em conquistas materiais, relacionamentos ou filosofias humanas, mas continuam sem paz. A Bíblia, porém, nos mostra que a raiz desse vazio está no afastamento de Deus causado pelo pecado. Sem compreender essa verdade, não há como entender a necessidade da salvação nem o significado da vida eterna.

Efésios 2.1-5 nos apresenta um retrato profundo da condição humana e da graça divina: “Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados.” Esse texto nos lembra que, antes de qualquer esforço humano, é Deus quem toma a iniciativa de nos dar vida. O evangelho não é apenas uma mensagem de consolo, mas uma revelação de transformação – ele nos mostra quem somos sem Cristo e quem podemos ser nele.

1. O PROBLEMA DO PECADO

Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados, (Ef 2.1)

A primeira verdade fundamental é a triste realidade do pecado, isto é, que o pecado é uma constante na humanidade. O fato é que não podemos falar em salvação sem falar em pecado. Pecado e salvação são duas coisas interligadas.

O que é pecado? É preciso, antes de tudo, tornar claro um ponto sobre o pecado. Pecado não são apenas atos como roubar, trapacear, matar, embora cada um deles seja pecado.  Precisamos tratar do pecado básico que leva todo homem a cometer pecados. Devemos olhar para a causa e não só para o efeito do pecado.

Então, o que é pecado?

Em primeiro lugar, pecado é a incapacidade de alcançarmos o padrão estabelecido por Deus para os homens. A Bíblia diz: “pois todos pecaram e carecem da glória de Deus,” (Rm 3.23). Isto quer dizer que, em vista de todos os homens terem pecado, estão, pois, todos impossibilitados de, por suas próprias forças e meios, alcançar o ideal glorioso que Deus tem proposto para o homem, isto é, “ser a glória de Deus”. Essa expressão significa “perfeição absoluta”.

Deus estabeleceu um padrão perfeito para os nossos pensamentos, palavras,  ações, e para a nossa vida em si mesma. Todos os nossos pensamentos, palavras  e ações, que não estejam de acordo com o padrão divino, são pecados.

Em segundo lugar, pecado é a transgressão da lei divina. Essa é a definição que encontramos na bíblia em 1João 3.4 e a que encontramos nos dicionários. Não só somos incapazes de alcançar esse padrão de vida estabelecido por Deus como constantemente estamos quebrando, transgredindo sua lei santa.

Deus estabeleceu certas regras para que nós as obedecêssemos e, assim, vivêssemos felizes. Portanto, o próprio fato de sermos infelizes é o resultado direto da quebra de sua lei.

Em terceiro lugar, todos os pensamentos e ações más são pecados: “Ouvistes que foi dito: Não adulterarás. Eu, porém, vos digo: qualquer que olhar para uma mulher com intenção impura, no coração, já adulterou com ela.” (Mt 5.27-28).

Em quarto lugar, quando sabemos que devemos fazer o bem, mas não o fazemos, pecamos por omissão. Geralmente se acredita que deixar de praticar determinados atos (matar, roubar, adulterar etc.) e não frequentar certos ambientes com eventos e programações mundanos, não se comete pecados. O cristianismo, entretanto, não é uma religião de “não faça”, mas de “faça”! O evangelho não é negativo, mas positivo. Nele encontramos motivos e razões que nos levam a fazer o bem.

A Bíblia declara que não é suficiente evitarmos o mal: “Portanto, aquele que sabe que deve fazer o bem e não o faz nisso está pecando.” (Tg 4.17)

Podemos resumir pecado, de acordo com a palavra de Deus, como sendo:
⊳ Nossa falha em alcançar o padrão divino.
⊳ A quebra da lei divina.
⊳ Todos os pensamentos, palavras e ações más.
⊳ Não fazer o bem quando se sabe que devemos fazê-lo.

E, ainda mais, a Bíblia diz, e lembremo-nos de que ela é a autoridade final: “Pois qualquer que guarda toda a lei, mas tropeça em um só ponto, se torna culpado de todos.” (Tg 2.10). Em outras palavras, se alcançássemos o padrão de Deus, jamais quebrando a sua lei, não guardando qualquer pensamento mau em nossa mente, nem tampouco cometendo ações más, porém, se não fizéssemos o bem, quebramos toda a lei!

A esta altura, cabe aqui a seguinte pergunta: – Há alguém que não seja pecador? A bíblia nos responde: “pois todos pecaram e carecem da glória de Deus,” (Rm 3.23). E, ainda: “como está escrito: Não há justo, nem um sequer,” (Rm 3.10).

Independentemente do nosso nível cultural, da nossa classe social, das habilidades e talentos, experiências de vida, rigidez de disciplina e de tudo quanto temos conseguido alcançar na vida, nada disso nos torna diferentes diante de Deus, pois todos somos pecadores. É triste pensarmos que os nossos amigos, familiares e as pessoas mais generosas que conhecemos, todos estão seriamente comprometidos com o pecado, mas é realidade.

Portanto, todos os seres humanos, sem exceção, são pecadores diante de Deus, pesando sobre eles a sentença de morte, ou seja, separação de Deus para todo o sempre!

“nos quais andastes outrora, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe da potestade do ar, do espírito que agora atua nos filhos da desobediência;  entre os quais também todos nós andamos outrora, segundo as inclinações da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos, por natureza, filhos da ira, como também os demais.” (Ef 2.2-3)

O nosso primeiro pai Adão foi criado à imagem e semelhança de Deus, mas não demorou muito e desobedeceu a Deus, caindo em pecado: “Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram.” (Rm 5.12). Desde que os nossos primeiros pais quebraram a lei de Deus, no Jardim do Éden, os seres humanos vêm andando segundo o curso deste mundo, sendo levados por Satanás e vivendo em concupiscências carnais, entregues aos prazeres do corpo e da mente.

Até aqui temos refletido sobre este quadro tão negativo da humanidade, do estado pecaminoso em que o ser humano se encontra. Será que há esperança para o homem?

“Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou,” (Ef 2.4)

Poderia Deus olhar para o ser humano neste estado de morte espiritual e indiferença para com o seu Criador, sem tomar alguma providência? Certamente que não! As Escrituras nos revelam o sublime e imenso amor divino: “Acaso, pode uma mulher esquecer-se do filho que ainda mama, de sorte que não se compadeça do filho do seu ventre? Mas ainda que esta viesse a se esquecer dele, eu, todavia, não me esquecerei de ti.” (Is 49.15)

2. A ÚNICA SOLUÇÃO

A segunda verdade fundamental é que Cristo é a única solução para o problema do pecado. Já vimos o quão desesperançosa e trágica é a condição humana por causa do pecado. O homem, por si só, está impossibilitado de sair dessa situação.

“e estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo, – pela graça sois salvos,” (Ef 2.5)

Pela graça, isto é, pelo favor imerecido de Deus, sois salvos. Isto quer dizer que Deus providenciou um meio para livrar o homem dessa condição desesperançosa. Fez isso, independentemente do homem, do seu merecimento. O seu grande amor chega a tal ponto que a mente ou a razão humana não pode compreender. Deus providenciou um caminho para a criatura humana, através da maior demonstração de amor para com o homem, cada um de nós: “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” (Jo 3.16)

Jesus Cristo não foi o fundador de uma nova religião. Não foi apenas um grande reformador moral ou um filósofo notável. Não foi meramente um grande homem, tal como outros grandes personagens da história. Jesus Cristo é o Filho de Deus. Ele é Deus! Ele tem origem divina, porém veio ao mundo como homem. Ele nasceu de Maria, por obra do Espírito Santo, há cerca de 2000 anos, em uma cidadezinha chamada Belém.

Nos primeiros 30 anos de sua vida terrena ele trabalhou como filho de carpinteiro que foi. Nos últimos 3 anos de sua vida terrena viajou por toda a palestina, ensinando e proclamando a mensagem da salvação. Realizou muitos milagres, inclusive ressuscitando mortos. Seu ensino era novo, poderoso e com autoridade. Ele curou os enfermos, confortou os aflitos, comeu com pecadores, auxiliou os fracos, levou ânimo e esperança aos desanimados e sem esperança, e perdoou os pecados de todos que se arrependeram. Ele nunca proferiu uma palavra menos digna de ser ouvida e o pecado nunca manchou sua alma.

Após três anos de ministério público entre os homens, apesar de ter sido tão bom, seus cruéis inimigos o crucificaram. Por que morreu Jesus? Para isso ele veio ao mundo. O preço do pecado do homem – do nosso pecado – precisava ser pago; não havia outro meio de salvar os homens, senão o caminho da cruz.

Conforme vimos Deus desejava ardentemente salvar as criaturas, as quais ele tanto amava. Porém, a bíblia diz: “porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor.” (Rm 6.23). Jesus morreu pelos nossos pecados, pagando o preço em nosso lugar. A morte de Cristo foi “…, para aniquilar, pelo sacrifício de si mesmo, o pecado.” (Hb 9.26). Portanto, na morte de Cristo, o único sem pecado, nós encontramos o meio para nos livrar da consequência do pecado, ou seja, a morte.

A morte de Cristo não foi o fim! A sepultura não podia reter o Filho de Deus. Ao terceiro dia ele ressuscitou dentre os mortos, triunfando sobre a morte. Sua ressurreição é um fato, real e certo, registrado em vários trechos da Bíblia. A ressurreição de Cristo não é uma fábula, nem tampouco uma lenda; é fato historicamente comprovado. Os homens que escreveram os evangelhos viveram no tempo de Jesus e testemunharam esse fato. Após sua ressurreição Cristo apareceu aos seus discípulos por 40 dias. E, então, finalmente ele regressou para junto de Deus, o Pai, de onde havia vindo.

Atualmente, Jesus Cristo, o Filho de Deus está com Deus, o Pai, porém permanece espiritualmente com todos os que humildemente o recebem como Salvador – “… E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século.” (Mt 28.20b). Em razão de Jesus ser o Filho de Deus, não há nele pecado algum. Só um justo poderia pagar o preço do nosso pecado e nos salvar. Por causa disso, Jesus, o justo, ele e somente ele pode nos perdoar. E, para aqueles que recebem o perdão oferecido por Cristo, já não há ou haverá condenação. Além disso, há o fato dele ter vivido neste mundo, se alimentando, trabalhando e dormindo, como qualquer um de nós. Ele conhece os nossos sofrimentos e alegrias, as dores e esperanças, as dificuldades e a felicidade humana. Ele ajuda e cuida de todos os que o amam, mesmo nas mínimas coisas.

O ser humano só pode ser feliz quando encontra o caminho para Deus. O pecado é a barreira que impede o livre acesso do homem a Deus. Mas, em Cristo, temos o livre acesso a Deus, conforme ele mesmo disse: “Respondeu-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim.” (Jo 14.6)

3. EM CRISTO TEMOS VIDA ETERNA

Temos visto que somente por meio de Jesus Cristo podem ser perdoados os nossos pecados e nele temos a salvação. Portanto, a pergunta que imediatamente vem à nossa mente é: “…Senhores, que devo fazer para que seja salvo?” (At 16.30b)

De fato, esta não é uma pergunta nova. A criatura humana tem feito esta mesma pergunta através dos tempos e em todas as gerações, pois todos precisam enfrentar esta questão enquanto estiverem de passagem por este mundo. Inevitavelmente, todo o ser humano tem formulado esta pergunta, embora consiga ou não a obter a resposta certa. Qual será a resposta de Deus a esta pergunta? (isso porque homem algum poderá responder a pergunta referente à sua própria salvação) – “Responderam-lhe: Crê no Senhor Jesus e serás salvo, tu e tua casa.” (At 16.31)

O que significa crer em Jesus Cristo?
A verdadeira fé em Cristo conduz ao arrependimento dos pecados.

Há três condições básicas e indispensáveis, sem as quais é impossível haver arrependimento. Elas são provas da nossa crença em Cristo.

1ª) Certeza da triste realidade, de que somos pecadores, responsáveis diante de Deus por todos os pecados cometidos, quer sejam por pensamentos, palavras e obras.

2ª) Confessar todos os nossos pecados diante de Deus, pois contra a santidade de Deus temos pecado, logo somente ele poderá nos perdoar. De nada adianta se confessar diante de um sacerdote ou outro homem qualquer.

Em segundo lugar, é necessário receber Jesus no coração como Senhor e Salvador pessoal, em resposta à obra do Espírito Santo no mais profundo do nosso ser. Essa decisão não deve ser tomada por pressão dos pais, amigos, professores ou colegas de trabalho, nem apenas para agradar outras pessoas. Trata-se de uma decisão consciente, voluntária e profundamente pessoal.

A salvação não é herdada nem transferida de uma pessoa para outra. Cada indivíduo é chamado a responder, por si mesmo, ao convite de Cristo. Por isso, ninguém pode crer ou decidir em lugar de outra pessoa.

Receber a Jesus como Salvador pessoal é a decisão mais importante e a mais grandiosa que podemos fazer. Deixamos de ser pecadores condenados à morte eterna e passamos a desfrutar da mais rica comunhão com Deus, que é a base da felicidade.

Em terceiro lugar, consideraremos o que acontece a uma pessoa que se arrepende de seus pecados e recebe a Cristo como Salvador Pessoal. O resultado é tão glorioso e magnífico que não há expressões humanas para explicá-lo de modo apropriado. Vejamos as relevantes promessas bíblicas:

Filhos de Deus“Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que creem no seu nome;” (Jo 1.12).

Estar junto com Cristo – Jesus disse ao malfeitor que se arrependeu na cruz, ao seu lado: “Jesus lhe respondeu: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso.” (Lc 23.43)

Salvos da condenação“no qual temos a redenção, pelo seu sangue, a remissão dos pecados, segundo a riqueza da sua graça,” (Ef 1.7)

Perdão e purificação“Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça.” (1Jo 1.9)

Vida para sempre, com Cristo“E esta é a promessa que ele mesmo nos fez, a vida eterna.” (1Jo 2.25)

A vida eterna por Jesus nosso Senhor é um dom gratuito de Deus e a expressão do seu amor infinito.

Conclusão

A fé cristã não se baseia em sentimentos passageiros ou em tradições religiosas, mas em fatos espirituais eternos. O pecado é real, a salvação é possível, e a vida eterna é uma promessa segura para todos os que creem. Por isso, compreender essas três verdades é essencial para viver com propósito e esperança. Elas não apenas moldam nossa visão de mundo, mas também determinam nosso destino eterno.

Creia nessas três verdades, receba a Cristo agora mesmo com um coração arrependido e humilde, depositando nele toda a sua confiança e, então, você será uma nova criatura em Cristo.

“Ora, se somos filhos, somos também herdeiros, herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo; se com ele sofremos, também com ele seremos glorificados.” (Rm 8.17)

Autor: Paulo Raposo Correia

Um servo de Deus empenhado em fazer a sua vontade.

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