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O ventilador e o casamento

Ventilador soprando sobre um casal de noivos. Véu da noiva esvoaçando e pequenos corações saindo do casal.

As situações que vivenciamos no nosso cotidiano podem ser verdadeiramente pedagógicas e enriquecedoras, na escola da vida. Às vezes precisamos queimar muito fosfato para extrair lições daquilo que nos acontece, outras vezes elas saltam aos nossos olhos e berram aos nossos ouvidos. Um exemplo disso é a história do nosso ventilador que compartilhamos a seguir.

Era uma vez um ventilador de mesa, nem muito grande, nem muito pequeno. Um daqueles facilmente encontrados na casa de pessoas comuns, iguais a você e eu. A marca e a cor? Isso pouco importa, no paralelo que é apresentado aqui. Entretanto, não deixa de ser especial. Por que? Porque podemos chamar de nosso. Porque faz parte do nosso dia a dia. Porque torna a nossa existência melhor. É como o nosso casamento, que é especial, que é nosso, que torna a nossa existência melhor.

Esse ventilador entrou em nossa casa novinho, há muito tempo atrás, quando o ar condicionado nem era tão popular assim. Tão novinho quanto a nova vida que se passa a desfrutar a partir do casamento. Era conectá-lo na tomada, em qualquer cômodo da casa, e ele funcionava muito bem. Nada tínhamos a reclamar, exatamente como no nosso relacionamento nas primeiras semanas ou, quem sabe, primeiros meses de casamento. Tudo em clima de lua de mel. Era ligar e correr para o abraço, ou melhor, para receber um ar fresco.  

E o tempo passou…. E nem tudo funciona bem, o tempo todo e todo o tempo; tanto um ventilador, quanto um relacionamento conjugal. Ao ligar o ventilador, observei que a hélice demorava um pouquinho a girar, mas acabava girando. Depois de um certo tempo é normal acontecer uma pequena travada aqui, outra ali, mas nada tão grave assim. Conversa-se, aparam-se as arestas e a vida segue, o casamento flui.

E o tempo passou…. E agora, nada da hélice girar. Desligar e ligar outra vez, de nada adiantava. Algo tinha que ser feito. Eureka! É claro! Um cuidadoso peteleco na hélice e pronto, ele passava a funcionar. E o peteleco virou rotina ou não teria ar fresco. Você já ouviu falar, ou já viu, ou já vivenciou um casamento que só funciona na base do peteleco? Como assim? A euforia do primeiro amor esvaiu-se. O empenho e dedicação pra fazer as coisas, esmoreceu. As iniciativas positivas, os gestos espontâneos, a demonstração de carinho; desapareceram. Aquela vontade de agradar o cônjuge ficou no passado. O que prevalece agora, nesse relacionamento, é o peteleco da cobrança mútua. E assim, de cobrança em cobrança, o casamento segue adiante, arrastando-se, como pode.

E o tempo passou… E o peteleco se tornou ineficaz, inútil. O ventilador resolveu não funcionar mais. Então, era chegada a hora de ir mais fundo; de arregaçar as mangas e colocar em prática as poucas habilidades técnicas. Desmonta-se a grade de proteção e retira-se a hélice. Aí, evidenciam-se as causas de tal paralisia: fios de cabelo e sujeira em volta do eixo da hélice! Faz-se uma boa limpeza e aplica-se um pouco de lubrificante. Finalmente, terminada a montagem, fica a expectativa: será que vai funcionar? Show! Não é que funcionou igualzinho a quando era novo? Giro imediato, sem engasgo e sem necessidade de peteleco.

Ah, o tempo. Às vezes, tão útil, tão necessário, curando feridas do corpo e da alma, apagando más lembranças de péssimos momentos. Outras vezes, porém, encarnando aquele agente algoz, inimigo cruel, secando a beleza, esfriando o amor, travando os relacionamentos. Quando o relacionamento conjugal trava mesmo é hora de discutir seriamente a relação (DR). Não adianta mais empurrar a sujeira para debaixo do tapete. É hora de limpar a sujeira! É hora de conversar sobre aquilo que aborrece, contraria, gera conflito, causa desgosto e desânimo. É hora de negociar e corrigir o que está errado, resgatar a confiança, o respeito, o carinho e a atenção no lidar com o outro. É hora, também, de “lubrificar o casamento”, para reduzir o atrito e, consequentemente, o desgaste da relação. Como lubrificar um relacionamento conjugal? Não há receita pronta, mas dicas eficazes, interessantes. É necessário investir no cônjuge, no casamento, na família!  É hora de cobrar e reclamar menos e elogiar mais; de promover momentos especiais e românticos, quebrando a rotina; de passear mais, viajar mais, presentear mais; de dedicar mais tempo e atenção ao cônjuge.

E o tempo passou…. Ah, o tempo. Não se cansa, não desiste, não cessa de provocar envelhecimento e desgaste. E assim, aquele mesmo ventilador começou a apresentar os mesmos maus sintomas de antes: demorava um pouco, mas girava. Depois de algum tempo, só girava no peteleco. Passado mais um tempo, travou de vez. Aí, você acha que já sabe como solucionar o problema e resolve desmontar, limpar e lubrificar outra vez. Entretanto, após a montagem e teste de funcionamento acontece a surpresa, o inesperado; o ventilador não funcionou. E agora? O que fazer? Desistir nem pensar! Então, mãos a obra. Desmonta-se tudo, como antes, e mais ainda. Só que falta habilidade e o conhecimento técnico necessários. Então, começam a pular molas e peças, daqui e dali, e a coisa sai do controle. Então, junta-se tudo e leva-se para um profissional da área resolver. E aí, será que resolveu? Não é que o ventilador voltou da manutenção funcionando bem!

Há situações no relacionamento conjugal que escapam ao controle do casal, à sua capacidade de tratar. É nessa hora que o casal precisa admitir que precisa de ajuda externa. Não é fácil perceber quando esse momento chega, nem admitir sua impotência para tratar do assunto. Entretanto, é justamente para isso que pessoas estudam e se preparam: terapeutas de família, pastores, conselheiros matrimoniais.

Ah, o tempo…. Ah, essa nossa mania de culpar o tempo, de culpar o outro. Quem contestará que o vilão não é o tempo, mas os elementos da natureza. É o ar, a oxidação, o calor, a umidade, o atrito mecânico, a reação química, elementos em excesso ou em escassez, dentre outros. Por isso, os objetos e equipamentos se deterioram, com o passar do tempo. Da mesma forma, não é o tempo que destrói os casamentos, os relacionamentos. São as ações e omissões de cada cônjuge; os excessos e a escassez. Não seria o tempo um mero e passivo observador externo? O importante mesmo, enquanto houver fôlego de vida, é acreditar que sempre é tempo de reagir aos desmandos vistos no tempo. Portanto, faça a sua parte e deixe que Deus faça a parte dele. Mesmo sem querer forçar uma analogia, vale lembrar que este ventilador precisava estar ligado na energia da casa para funcionar. De igual forma, um casamento, para funcionar plenamente, precisa estar ligado em Deus, aquele que o instituiu. Que o Senhor Jesus Cristo seja a fonte inesgotável de suprimento para o seu casamento!

Como uma excelente opção para revitalização do casamento, recomendamos a participação do casal no evento de final de semana denominado de “Encontro de Casais com Cristo – ECCC”.

“Porque para todo propósito há tempo e modo; porquanto é grande o mal que pesa sobre o homem.” (Ec 8.6)

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