A Família Igreja

Família Igreja

Família é algo tão singular que se manifesta originalmente, de forma misteriosa, na Trindade; se reproduz na esfera das criaturas humanas; e, também se expressa, de forma mística, na instituição Igreja. O que há de interessante nesses três tipos de família é o que já tratamos nos artigos anteriores, “A Família Deus” e “A Família Homem” e o que trataremos neste artigo.

“Assim, já não sois estrangeiros e peregrinos, mas concidadãos dos santos, e sois da família de Deus,” (Ef 2.19)

Várias metáforas são aplicadas à igreja, tais como: Corpo de Cristo (1Co 12.27; Ef 1.23), Rebanho (Jo 10.16; At 20.28), Lavoura de Deus (1Co 3.9), Casa Espiritual (1Pe 2.5), Edifício de Deus (1Co 3.9), Santuário de Deus (1Co 3.16-17; Ef 2.21) etc. Dentre tantas figuras, a da igreja como Corpo de Cristo e como Família, a Família de Deus são muito significativas, porque envolvem as ideias de corpo e de pessoas, respectivamente. Se para a sociedade pós-moderna, a família tradicional ou família nuclear, composta de pai, mãe e filhos, a cada dia que passa se torna menos importante, o mesmo não ocorre na visão divina. Na bíblia e na visão de Deus, o Criador de todas as coisas, a família sempre ocupou e sempre ocupará um lugar de destaque.

A Família Deus (Deus-Pai, Deus-Filho e Deus-Espírito Santo) sempre existiu em perfeita harmonia, unidade e gozo. Ao criar a Família Homem ou Família Adâmica, seu propósito era reproduzir, no habitat terrestre, este seu modelo de família e que esta vivesse em perfeita comunhão e harmonia com ela, a Família Deus. Porém, logo a Família Homem fracassou e, pela desobediência, quebrou a comunhão com a Família Deus. O pecado gerou a maldição, o caos se instalou desde então e separou a Família Homem, da Família Deus.

A Família Deus não desistiu do seu propósito e anunciou a vinda de uma criança que inauguraria um novo tempo, que iria possibilitar a geração de uma nova família, a Família Igreja, a Igreja de Jesus Cristo. Na sua oração ao Pai, também conhecida como oração sacerdotal, Jesus expressa claramente esse anseio de comunhão da Família Deus: “Não rogo somente por estes, mas também por aqueles que vierem a crer em mim, por intermédio da sua palavra; a fim de que todos sejam um; e como és tu, ó Pai, em mim e eu em ti, também sejam eles em nós; para que o mundo creia que tu me enviaste.” (Jo 17.20-21). Seu propósito se estende para além dessa vida. Após uma breve passagem por este mundo terreno, ele deseja que todos os seus sejam reunidos a ele na sua glória celestial e eterna (Jo 17.24).

Portanto, é em Cristo, que efetivamente acontece a “fusão”, a reconciliação, entre a Família Deus e a Família Homem, gerando a Família da Fé, a Família Igreja! É claro que não é a Igreja quem salva, mas Jesus Cristo! E essa salvação é individual, pessoal e não familiar.

Como se manifesta a paternidade, a maternidade e a “filidade” na Família Igreja?

O tema da epístola de Paulo aos Efésios é: A IGREJA, O CORPO DE CRISTO. Na “fusão” da Família Deus com a Família Homem, a Família Deus ocupa o lugar de cabeça e a Família Homem Regenerada ou Família Igreja, ocupa o lugar de corpo. É o cérebro (Família Deus), que com “impulsos invisíveis” aos olhos humanos, comanda todo o corpo visível (Família Igreja) (1Co 11.3; Ef 5.23).

A paternidade na Família Igreja emerge, espiritualmente, de Deus-Pai; e flui, efetivamente, através dos seus líderes. Essa liderança visível da Família Igreja foi instituída por Deus para exercer as funções de provisão, proteção e direção; através de homens segundo o coração de Deus, designados na Bíblia por presbíteros (ou bispos ou anciãos) (1 Tm 3.1-7 e Tt 1.5-9) e diáconos (At 6.1-6 e 1Tm 3.8-13). A sociedade secular pode até ter outra visão sobre o papel do homem e da mulher na liderança da família, o que não é de se estranhar porque ela não está alinhada com os padrões divinos; e, assim agindo, acaba influenciando fortemente a Família Homem e a Família Igreja, a tal ponto de muitos crentes passarem a achar que esse princípio bíblico é machista, retrógrado e ultrapassado. Entretanto, isso não deve nos surpreender, nem tampouco as tentativas mirabolantes que estes fazem com os textos bíblicos para conciliar o inconciliável – Sociedade Secular e Igreja. Nenhuma suposta modernidade deve mudar nossa visão e posição sobre este assunto, pois a nossa bússola existencial e espiritual deve apontar sempre para o norte divino da Santa e Eterna Palavra de Deus – a Bíblia. Quando Deus fala pela boca do profeta Jeremias: “Dar-vos-ei pastores segundo o meu coração, que vos apascentem com conhecimento e com inteligência.” (Jr 3.15), podemos assegurar que Deus não está se referindo exclusivamente àqueles que chamamos hoje de pastor de igreja. A referência divina é a homens maduros e experientes na fé, chamados e capacitados por ele mesmo para liderar o seu povo, que hoje é a sua igreja (1Pe 5.1-2). Naturalmente, quando não estiver em foco a Família Igreja como um todo, porém um segmento menor desta, outros líderes, de ambos os sexos, são extremamente úteis e importantes.

A maternidade na Família Igreja emerge, espiritualmente, de Deus-Espírito Santo; e flui, efetivamente, através do mesmo Espírito Santo, derramado sobre todos os remidos do Senhor, pertencentes à Nova Aliança; diferentemente do que acontecia na Antiga Aliança, quando este mesmo Espírito tomava pontual e temporariamente apenas algumas pessoas visando determinado fim. O Espírito Santo se manifesta: pela regeneração ou novo nascimento da criatura humana, através da Palavra de Deus, a Bíblia, (Jo 3.5; Ef 5.26; Tt 3.5; 1Pe 1.23); pela sua habitação no crente (Jo 14.17, 23); pelo fruto do Espírito (caráter – Gl 5.22-23); e, pelos dons do Espírito (Serviço – Ef 4.12), nos regenerados. A Palavra pregada e ensinada produz a fé para a salvação (Rm 10.17) e crescimento espiritual (Ef 4.15-16). Portanto, o Espírito e a Palavra de Deus, além da regeneração e crescimento, produzem inspiração, acolhimento, consolo e nutrição. Não é Maria, mãe de Jesus, ou o segmento feminino da igreja, que vão exercer as funções da maternidade na Família Igreja! Absolutamente Não!!! Idolatrar a “Virgem Maria”, como a mãe de Deus ou mãe da igreja é cometer o grave erro de anular a verdadeira expressão da maternidade na Igreja, que acontece pelo ESPÍRITO SANTO!!!

O Espírito Santo é a parte divina que possibilita a união mística da Família Deus com a Família Homem, dando origem à Família Igreja. É esse diferencial, da ação do Espírito Santo, que faz a igreja ser igreja e não uma Associação Social, ou um Clube, ou uma ONG. É através da sua presença efetiva e real na Família Igreja que o princípio da maternidade se expressa. É esta ação do Espírito Santo que capacita, com dons, cada crente sacerdote (homem e mulher) para exercer a sua função no corpo de Cristo, na Família Igreja. É como diz o apostolo Paulo: “E ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres, com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo, até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo,” (Ef 4.11-13).

A “filidade” na Família Igreja emerge, espiritualmente, através de Deus-Filho; e flui, efetivamente, pelos filhos de Deus, membros do corpo de Cristo. A “filidade” de Jesus é o exemplo a ser seguido por nós crentes, seus irmãos: “Porquanto para isto mesmo fostes chamados, pois que também Cristo sofreu em vosso lugar, deixando-vos exemplo para seguirdes os seus passos,” (1Pe 2.21). O grande propósito de Deus para a igreja é que cada remido reproduza em seu viver a imagem do seu Filho Jesus: “Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos.” (Rm 8.29; ver tb Gl 4.19; Ef 4.13). Jesus é o nosso exemplo e modelo de “filidade”, isto é, de alinhamento com o propósito e a vontade do Pai, obediência aos valores do Pai e continuidade da missão.

 

Em resumo, na Família Igreja temos:

PATERNIDADE (Líderes): Provisão, Proteção e Direção.

MATERNIDADE (Espírito Santo e a Palavra de Deus): Inspiração, Acolhimento, Consolo e Nutrição.

“FILIDADE” (Crentes): Alinhamento, Obediência e continuidade.

 

Conclusão:

“Não há nada que se faça fora da família que não tenha nascido na família”. Todos nós nascemos em alguma família. Mas, nenhum de nós escolheu a família em que nasceu.

Talvez você tenha sido agraciado com uma família que só te dá alegria, que provê tudo o que você precisa: teto, conforto, alimentação, saúde, educação, proteção, diversão, apoio, incentivo etc etc. Não se esqueça, entretanto, que tudo isso é passageiro; o máximo que tua família e amigos poderão fazer por você é, no final da tua vida terrena, segurar a alça do caixão e levar o teu corpo até a sepultura.

Quem sabe você teve a desventura de nascer numa família, rica ou pobre, mas que somente trouxe amargura e sofrimento à tua vida. O que mais importa agora não é o que fizeram com a tua vida e sim o que você vai fazer com o que fizeram da tua vida.

Deus tem uma excelente notícia para todos nós. Em Cristo ele nos deu acesso a uma nova família, a Família Igreja, a Família de Deus, uma Família Eterna. O que você precisa fazer agora é levar até aos pés de Cristo toda a tua dor e frustrações; confessar a ele todos os teus pecados e recebê-lo como Senhor e Salvador da tua vida. É como diz a letra deste cântico:

Se caminhas na vida sempre na contramão    

E se andas sem rumo, sem achar a razão,

Meu amigo é fácil encontrar solução:

Precisas fazer parte da família de DEUS.

 

Vem entrar agora na família de DEUS.

Precisas fazer parte da família de DEUS.

             

Veja, também, os seguintes artigos:

A Família Deus (anterior)

A Família Homem (anterior)

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