Arquivo

Archive for maio \25\America/Sao_Paulo 2014

A Família Homem

Família Homem

Família é algo tão singular que se manifesta originalmente, de forma misteriosa, na Trindade; se reproduz na esfera das criaturas humanas; e, também se expressa, de forma mística, na instituição Igreja. O que há de interessante nesses três tipos de família é o que já tratamos no artigo anterior “A Família Deus” e que trataremos neste e no próximo artigos.

O ser humano tem uma profunda necessidade de usufruir do sentimento de pertencimento e de identificação; de fazer parte de uma família e de conhecer sua origem, suas raízes, sua ascendência. Somente aqueles que não têm este privilégio são capazes de avaliar tamanha desventura. Talvez não exista dor maior do que a de não conhecer sua própria família ou de ter sido abandonado por ela ou de perdê-la. Por outro lado, não é menos doloroso, viver e sobreviver numa família caótica, desajustada, opressora e doentia.

Vivendo numa sociedade pós-moderna, que tanto relativiza valores e princípios, que despreza a família nuclear tradicional e ousa impor novos formatos de família, é preciso se firmar nas bases sólidas estabelecidas pelo Criador do Universo e da família, para não perder o rumo, para não se perder na caminhada.

Tomemos como referência a família de terrena de Jesus, para identificar nela o exercício dos princípios da Paternidade, Maternidade e “Filidade” e seus desdobramentos, a saber:

PATERNIDADE (Pai): Provisão, Proteção e Direção.

MATERNIDADE (Mãe): Inspiração, Acolhimento, Consolo e Nutrição.

FILIDADE (Filho): Alinhamento, Obediência e continuidade.

Antes de tudo, é bom que se diga que é necessário e urgente resgatar em muitos pais e maridos o princípio da paternidade e suas funções. Pouco se fala, na Bíblia e nas igrejas, de José, marido de Maria e pai adotivo de Jesus. Entretanto, o resumido relato bíblico é suficiente para revelar que ele exerceu suas funções paternais. Ele foi um pai provedor, protetor e diretor.

No tempo em que a virgem Maria estava apenas comprometida (desposada) com José, o anjo Gabriel a visitou e lhe anunciou o nascimento de Jesus. A partir de então, os anjos do Senhor somente falam com José, pois no papel paterno ele é o sacerdote da sua família. Na primeira vez, o anjo o dissuade a não se afastar de Maria e lhe explica a situação. Então, ele atende ao apelo divino e a recebe por sua mulher (Mt 1.18-25).

Ele é o diretor e provedor, que leva sua esposa grávida para Belém, a fim de atender ao recenseamento decretado por Cesar Augusto. Não havendo onde se hospedarem, ele encontrou e preparou um lugar, para a família, na estrebaria (Lc 2.1-7).

Ele é o diretor e protetor, que orientado pelo anjo (2ª vez), em sonho, leva, imediatamente, à noite, sua família para o Egito, salvando seu filho do infanticídio ordenado por Herodes (Mt 2.13-18). Após a morte de Herodes, orientado pelo anjo outras duas vezes, volta do Egito para Israel e, em vez de ir para a Judeia, vai para Nazaré, na Galileia (Mt 2.19-23).

Ele é um sacerdote obediente, que faz o que Deus lhe diz pra fazer. Ele conduz sua família na direção que Deus o orienta. Se é pra fugir, ele foge; se é pra voltar, ele volta; se é pra ficar, ele fica. Ele não é como muitos crentes hoje que argumentam e discutem com Deus.

José, pai adotivo de Jesus, era um homem muito especial para Deus. Nele convergiu a ascendência de Jesus (Mt 1.1-17; Lc 3.23-38) e se cumpriu a promessa de que o cetro não se apartaria de Judá (Gn 49.10), da casa de Davi (Lc 1.32; 2Sm 7.13, 16; Lc 1.26, 69; Mt 1.20). Além disso, vejam só que interessante: a Noé, Deus confiou a construção da arca, para prover a continuação da humanidade; a Moisés, Deus confiou sua Lei; aos profetas, a sua Palavra; a Davi, um reino; a José, nada mais, nada menos, do que o seu próprio Filho Jesus, que deveria ser preservado até poder cumprir cabalmente a sua missão de Salvador do mundo.

Os pais e maridos precisam entender que sua autoridade provém do correto exercício da paternidade, através das funções de provisão, proteção e direção. Deus, ao longo da história, frequentemente interagiu com a figura paterna, como o cabeça do casal, para mostrar-lhe a direção a seguir. Jesus explicitou, pelo menos, duas dessas funções paternas: provisão“Então, lhes disse: Por isso, todo escriba versado no reino dos céus é semelhante a um pai de família que tira do seu depósito coisas novas e coisas velhas.” (Mt 13.52); proteção“Mas considerai isto: se o pai de família soubesse a que hora viria o ladrão, vigiaria e não deixaria que fosse arrombada a sua casa.” (Mt 24.43). Conforme diz a missionária Ediméia Williams, é significativo e simbólico que o sopro de vida divino somente tenha ocorrido uma vez; na criação do homem Adão (Gn 2.7). A mulher Eva foi o resultado da transformação operada por Deus na costela tomada do homem (Gn 2.22). É claro que isso não faz do homem um ser superior a mulher, apenas foi feito para ocupar um papel de liderança na família. Portanto, ser o cabeça da família é um direito concedido, por Deus, ao marido e pai (1Co 11.3; Ef 5.23), mas essa autoridade de gênero, estabelecida desde o Éden (Gn 3.16; 1Tm 2.12; Tt 2.5; 1Co 14.34), deve ser conquistada, e não imposta pela força. O correto é: “– vem comigo porque eu estou sob a direção de Deus”; e, não: “– me obedece porque eu sou o homem da casa”.

Maria, mãe de Jesus, é um exemplo de maternidade inspiradora, acolhedora, consoladora e nutridora. A maternidade é um grande privilégio concedido, por Deus, à mulher. Afinal, todos precisam de uma fonte de inspiração, de um lugar de aconchego, de consolo, de acolhimento e de uma boa nutrição. Não há como realizar à distância, de forma eficaz e plena, as funções da paternidade e, principalmente, da maternidade. José e Maria eram pais presentes na vida de Jesus: em casa (Lc 2.16), viajando (Mt 2.13; 21), no templo, desde bebê (Lc 2.22) e quando ele já era um adolescente de 12 anos (Lc 2.41). Quando os magos foram visitar o recém-nascido, apenas Maria é mencionada junto a Jesus (Mt 2.11). Seja lá o que for que uma mãe tiver que fazer para prover o seu sustento ou para realizar seus sonhos numa carreira profissional, ela precisa entender que precisa estar perto de seu filho, para poder desempenhar adequadamente as funções da maternidade.

A “filidade” colhe os frutos da paternidade e maternidade. Disse Jesus que, se a árvore for boa, os frutos serão bons (Mt 7.17). Assim, o filho se alinha ao propósito do pai, que reflete o propósito da família; obedece aos valores da família e dá continuidade a missão. Jesus era perfeitamente homem e perfeitamente Deus. Como filho de José, manteve-se alinhado aos propósitos do pai terreno, até assumir os propósitos do pai celestial. Ele era submisso, obediente aos pais humanos (Lc 2.51). Ele dava continuidade a missão do pai humano, trabalhando e ajudando-o no seu ofício de carpinteiro (Mc 6.3).

Veja, também, os seguintes artigos:

A Família Deus (artigo anterior)

A Família Igreja (artigo posterior)

A Família Deus

Família Trindade

Família é algo tão singular que se manifesta originalmente, de forma misteriosa, na Trindade; se reproduz na esfera das criaturas humanas; e, também se expressa, de forma mística, na instituição Igreja. O que há de interessante nesses três tipos de família é o que trataremos neste e nos próximos dois artigos.

Há três princípios ou elementos relevantes na família:

1º) O princípio ou elemento PATERNIDADE.

2º) O princípio ou elemento MATERNIDADE.

3º) O princípio ou elemento “FILIDADE”.

Estes três princípios ou elementos estão presentes na trindade santa, da seguinte forma:

Deus-Pai: princípio ou elemento PATERNIDADE.

Deus-Espírito Santo: princípio ou elemento MATERNIDADE.

Deus-Filho: princípio ou elemento “FILIDADE”.

Entendemos que não há qualquer exagero ou aberração doutrinária nesta forma de ver a trindade santa, especificamente no que diz respeito ao Espírito Santo. A palavra hebraica comumente traduzida no Antigo Testamento para Espírito é “Ruah” ou “Ruach” e no grego do Novo Testamento “Pneuma”, um substantivo feminino. No primeiro versículo da Bíblia está escrito: “No princípio criou Deus os céus e a terra” (Gn 1.1). Este Deus Criador é Elohim (hb). “A forma da palavra é plural (de Eloah), indicando plenitude de poder e majestade e deixando espaço para a revelação neotestamentária da trindade de Deus”. Na sequência bíblica está escrito: “A terra, porém, estava sem forma e vazia; havia trevas sobre a face do abismo, e o Espírito de Deus pairava por sobre as águas.” (Gn 1.2). O que existia naquele momento era uma espécie de caos que estava debaixo do controle e domínio do soberano Deus. Há, então, uma referência ao Espírito de Deus pairando sobre as águas, sobre aquela substância aquosa, que figuradamente nos remete a imagem de uma ave que choca os seus ovos (Dt 32.11 traz esta mesma ideia). O Ruach de Deus estava ali preparando a matéria disforme para receber o sêmen da palavra criativa de Deus-Pai: “Haja…”. E o apóstolo João complementa a ideia da presença trinitária, inserindo a pessoa de Jesus, o Deus-Filho, no cenário da criação: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e, sem ele, nada do que foi feito se fez.” (Jo 1.1-3). Esta presença trina está indelevelmente impressa na criação, inclusive na forma plural: “…Façamos o homem conforme a nossa imagem, conforme a nossa semelhança…” (Gn 1.26)

O Pr. Ariovaldo Ramos desdobra cada um desses três princípios ou elementos nas respectivas funções ou focos:

PATERNIDADE (Deus): Provisão, Proteção e Direção.

MATERNIDADE (Espírito Santo): Inspiração, Acolhimento, Consolo e Nutrição.

“FILIDADE” (Jesus): Alinhamento, Obediência e continuidade.

Ficam evidentes essas funções ou focos da paternidade divina no relacionamento de Deus com o seu povo Israel. Deus elege o Egito para prover (provisão) todas as condições de subsistência e crescimento numérico da nação. Na época certa, ele liberta o seu povo do domínio egípcio e o conduz (direção) à terra de Canaã, debaixo da sua proteção. Então, ali na terra de Canaã, o estabelece como nação.

Particularmente no Pentecostes, as funções da maternidade divina se expressam nitidamente através da atuação do Espírito Santo na formação da Igreja. Jesus havia ressuscitado e depois de 40 dias retornado para o Pai Celeste. Durante dez dias os discípulos ficaram desolados. Aquela cena do princípio da criação parece repetir-se ali. Quase podemos descrever assim: “e o Espírito de Deus pairava sobre o caos da ausência de Jesus”. Ele estava como que “chocando” aquela “massa disforme de discípulos” aguardando o sêmen da ação divina para gerar a igreja. No dia de Pentecostes, dez dias após a ascensão de Jesus, os cerca de 120 discípulos “em estado caótico” estavam reunidos no cenáculo e o Espírito Santo então desce sobre eles, inaugurando o tempo da igreja do Senhor Jesus Cristo.

O Espírito Santo também inspira os mensageiros do Evangelho da Graça de Deus e os escritores do Novo Testamento, como já havia feito com os escritores do Antigo Testamento. O Espírito desce sobre judeus, samaritanos e gentios, acolhendo a todos os remidos, de todas tribos línguas e nações, na Igreja de Cristo. Esse mesmo Espírito também consola os aflitos e perseguidos por causa do Evangelho e os nutre, cotidianamente, com a Palavra de Deus.

A “filidade” divina se manifesta em Jesus, no seu ministério público. Jesus é um filho inteiramente alinhado com os propósitos do Pai celeste: “Eu te glorifiquei na terra, consumando a obra que me confiaste para fazer;” (Jo 17.4; ver tb Jo 4.34; 5.30; 6.38). Jesus foi e continua sendo nosso exemplo de obediência ao Pai: “a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz.” (Fp 2.8; ver tb Hb 5.8). Também se espera de um filho que este dê continuidade a missão do pai e da família. Jesus, assim fez e se expressou: “Mas ele lhes disse: Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também.” (Jo 5.17). No final da sua vida terrena, sua última mensagem, pendurado na cruz do Calvário foi: “– Está consumado!” (Jo 19.30)

A família Deus expressa claramente os três princípios essenciais que norteiam a família, PATERNIDADE, MATERNIDADE e “FILIDADE”, bem como suas respectivas funções ou focos. Desta forma, a família Deus estabelece o modelo e serve de referência para todas as famílias.

 

Veja os próximos artigos:

A Família Homem

A Família Igreja

%d blogueiros gostam disto: