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A Família Homem

Família Homem

Família é algo tão singular que se manifesta originalmente, de forma misteriosa, na Trindade; se reproduz na esfera das criaturas humanas; e, também se expressa, de forma mística, na instituição Igreja. O que há de interessante nesses três tipos de família é o que já tratamos no artigo anterior “A Família Deus” e que trataremos neste e no próximo artigos.

O ser humano tem uma profunda necessidade de usufruir do sentimento de pertencimento e de identificação; de fazer parte de uma família e de conhecer sua origem, suas raízes, sua ascendência. Somente aqueles que não têm este privilégio são capazes de avaliar tamanha desventura. Talvez não exista dor maior do que a de não conhecer sua própria família ou de ter sido abandonado por ela ou de perdê-la. Por outro lado, não é menos doloroso, viver e sobreviver numa família caótica, desajustada, opressora e doentia.

Vivendo numa sociedade pós-moderna, que tanto relativiza valores e princípios, que despreza a família nuclear tradicional e ousa impor novos formatos de família, é preciso se firmar nas bases sólidas estabelecidas pelo Criador do Universo e da família, para não perder o rumo, para não se perder na caminhada.

Tomemos como referência a família de terrena de Jesus, para identificar nela o exercício dos princípios da Paternidade, Maternidade e “Filidade” e seus desdobramentos, a saber:

PATERNIDADE (Pai): Provisão, Proteção e Direção.

MATERNIDADE (Mãe): Inspiração, Acolhimento, Consolo e Nutrição.

FILIDADE (Filho): Alinhamento, Obediência e continuidade.

Antes de tudo, é bom que se diga que é necessário e urgente resgatar em muitos pais e maridos o princípio da paternidade e suas funções. Pouco se fala, na Bíblia e nas igrejas, de José, marido de Maria e pai adotivo de Jesus. Entretanto, o resumido relato bíblico é suficiente para revelar que ele exerceu suas funções paternais. Ele foi um pai provedor, protetor e diretor.

No tempo em que a virgem Maria estava apenas comprometida (desposada) com José, o anjo Gabriel a visitou e lhe anunciou o nascimento de Jesus. A partir de então, os anjos do Senhor somente falam com José, pois no papel paterno ele é o sacerdote da sua família. Na primeira vez, o anjo o dissuade a não se afastar de Maria e lhe explica a situação. Então, ele atende ao apelo divino e a recebe por sua mulher (Mt 1.18-25).

Ele é o diretor e provedor, que leva sua esposa grávida para Belém, a fim de atender ao recenseamento decretado por Cesar Augusto. Não havendo onde se hospedarem, ele encontrou e preparou um lugar, para a família, na estrebaria (Lc 2.1-7).

Ele é o diretor e protetor, que orientado pelo anjo (2ª vez), em sonho, leva, imediatamente, à noite, sua família para o Egito, salvando seu filho do infanticídio ordenado por Herodes (Mt 2.13-18). Após a morte de Herodes, orientado pelo anjo outras duas vezes, volta do Egito para Israel e, em vez de ir para a Judeia, vai para Nazaré, na Galileia (Mt 2.19-23).

Ele é um sacerdote obediente, que faz o que Deus lhe diz pra fazer. Ele conduz sua família na direção que Deus o orienta. Se é pra fugir, ele foge; se é pra voltar, ele volta; se é pra ficar, ele fica. Ele não é como muitos crentes hoje que argumentam e discutem com Deus.

José, pai adotivo de Jesus, era um homem muito especial para Deus. Nele convergiu a ascendência de Jesus (Mt 1.1-17; Lc 3.23-38) e se cumpriu a promessa de que o cetro não se apartaria de Judá (Gn 49.10), da casa de Davi (Lc 1.32; 2Sm 7.13, 16; Lc 1.26, 69; Mt 1.20). Além disso, vejam só que interessante: a Noé, Deus confiou a construção da arca, para prover a continuação da humanidade; a Moisés, Deus confiou sua Lei; aos profetas, a sua Palavra; a Davi, um reino; a José, nada mais, nada menos, do que o seu próprio Filho Jesus, que deveria ser preservado até poder cumprir cabalmente a sua missão de Salvador do mundo.

Os pais e maridos precisam entender que sua autoridade provém do correto exercício da paternidade, através das funções de provisão, proteção e direção. Deus, ao longo da história, frequentemente interagiu com a figura paterna, como o cabeça do casal, para mostrar-lhe a direção a seguir. Jesus explicitou, pelo menos, duas dessas funções paternas: provisão“Então, lhes disse: Por isso, todo escriba versado no reino dos céus é semelhante a um pai de família que tira do seu depósito coisas novas e coisas velhas.” (Mt 13.52); proteção“Mas considerai isto: se o pai de família soubesse a que hora viria o ladrão, vigiaria e não deixaria que fosse arrombada a sua casa.” (Mt 24.43). Conforme diz a missionária Ediméia Williams, é significativo e simbólico que o sopro de vida divino somente tenha ocorrido uma vez; na criação do homem Adão (Gn 2.7). A mulher Eva foi o resultado da transformação operada por Deus na costela tomada do homem (Gn 2.22). É claro que isso não faz do homem um ser superior a mulher, apenas foi feito para ocupar um papel de liderança na família. Portanto, ser o cabeça da família é um direito concedido, por Deus, ao marido e pai (1Co 11.3; Ef 5.23), mas essa autoridade de gênero, estabelecida desde o Éden (Gn 3.16; 1Tm 2.12; Tt 2.5; 1Co 14.34), deve ser conquistada, e não imposta pela força. O correto é: “– vem comigo porque eu estou sob a direção de Deus”; e, não: “– me obedece porque eu sou o homem da casa”.

Maria, mãe de Jesus, é um exemplo de maternidade inspiradora, acolhedora, consoladora e nutridora. A maternidade é um grande privilégio concedido, por Deus, à mulher. Afinal, todos precisam de uma fonte de inspiração, de um lugar de aconchego, de consolo, de acolhimento e de uma boa nutrição. Não há como realizar à distância, de forma eficaz e plena, as funções da paternidade e, principalmente, da maternidade. José e Maria eram pais presentes na vida de Jesus: em casa (Lc 2.16), viajando (Mt 2.13; 21), no templo, desde bebê (Lc 2.22) e quando ele já era um adolescente de 12 anos (Lc 2.41). Quando os magos foram visitar o recém-nascido, apenas Maria é mencionada junto a Jesus (Mt 2.11). Seja lá o que for que uma mãe tiver que fazer para prover o seu sustento ou para realizar seus sonhos numa carreira profissional, ela precisa entender que precisa estar perto de seu filho, para poder desempenhar adequadamente as funções da maternidade.

A “filidade” colhe os frutos da paternidade e maternidade. Disse Jesus que, se a árvore for boa, os frutos serão bons (Mt 7.17). Assim, o filho se alinha ao propósito do pai, que reflete o propósito da família; obedece aos valores da família e dá continuidade a missão. Jesus era perfeitamente homem e perfeitamente Deus. Como filho de José, manteve-se alinhado aos propósitos do pai terreno, até assumir os propósitos do pai celestial. Ele era submisso, obediente aos pais humanos (Lc 2.51). Ele dava continuidade a missão do pai humano, trabalhando e ajudando-o no seu ofício de carpinteiro (Mc 6.3).

Veja, também, os seguintes artigos:

A Família Deus (artigo anterior)

A Família Igreja (artigo posterior)

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