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Prioridades na Liderança

O Exemplo de Timóteo

Introdução          

A temática deste estudo é LIDERANÇA. Mas, a quem interessa ou diz respeito este assunto? A todos nós, pois, no mínimo, somos líderes de nós mesmos, da nossa missão, das nossas tarefas. Augusto Cury publicou um livro intitulado “Seja líder de si mesmo”. Está aí uma primeira dica para quem desejar se aprofundar no assunto. Mas, também, podemos ser líderes em nossa casa, no trabalho, em alguma área na igreja etc. Um líder, ainda que famoso, é gente como a gente. Líderes cristãos mundialmente conhecidos não surgem num estalar de dedos. Eles são forjados, pelo ferreiro divino, no calor do atrito das limitações humanas com os desafios da vida. Antes de analisar o “caso Timóteo”, vejamos como foi forjado um grande líder cristão do nosso tempo. Na sua autobiografia[1], que relata os acontecimentos da sua juventude, ele diz que alguém o descreve, e ele mesmo se vê, assim: “Um rapaz do campo, alto e magro, dotado de muita energia, com nível acadêmico medíocre e um enorme zelo para servir ao Senhor que excedia meus conhecimentos e habilidades.” (pg. 46). Como foi sua infância e juventude?

Resumindo:

– Muito trabalho, ordenhando vacas e limpando as baias, na fazenda do pai, em Charlotte – Carolina do Norte – USA.

– Trabalhou como vendedor de escovas, nas férias, para ajudar a custear seus estudos.

– Teve forte influência da mãe que o incentivava a ler livros, principalmente o Catecismo de Westminster e a Bíblia.

– Teve forte influência dos metodistas (por parte de pai) e dos presbiterianos (por parte de mãe).

– Teve forte influência de Evangelistas de Cruzadas. Eram montadas grandes tendas (algumas para 5000 pessoas sentadas) e eles pregavam diariamente, o Evangelho, por semanas.

– Teve forte influência de Evangelistas, Pregadores e Professores no Instituto Bíblico da Flórida.

Foi batizado na infância, na igreja presbiteriana (pg.53). Frequentava a igreja regularmente com a família, mas, somente aos 16 anos teve um encontro com Cristo, nascendo de novo, após a pregação de um daqueles evangelistas de tendas, um pastor batista (Dr. Mordecai Fowler Ham). Quando estava no Instituto, na Flórida, pediu para o deão batizá-lo por imersão, discretamente.

Seu chamado para pregar se deu no Instituto Bíblico da Flórida, aos 19 anos de idade. Durante os 18 meses anteriores, no Instituto, quando convidado a pregar, tinha uma atuação pífia; ficava inseguro, inibido, batia os joelhos, usava sermões emprestados. Numa dessas ocasiões, pregou em uma pequena igreja, 4 sermões em 8 minutos. Treinava suas pregações no quarto e no campo aberto. Um pouco antes do seu chamado, começou a pregar em um estacionamento de trailers para um público que variava de 200 a 1000 pessoas. Sentia uma enorme satisfação em transmitir para as pessoas as boas-novas da Salvação. No final de 1938, com 20 anos, aceitou ser batizado pela terceira vez, desta feita, por imersão e com algumas testemunhas, para evitar problemas nas igrejas batistas onde pregava. Afinal, ele era um jovem presbiteriano que aderira à igreja batista. No início de 1939, com vinte anos, foi ordenado pastor batista, na Igreja Batista de Peniel, antes de completar o curso no Instituto.

Estamos nos referindo a William Franklin Graham Jr (Billy[2] Graham)(07/11/1918 – 21/02/2018). Seu pai era de origem metodista e sua mãe de origem presbiteriana. Foi casado, por 64 anos, com Ruth Graham (1943–2007) e teve 5 filhos, 19 netos e 28 bisnetos. Seu sogro era um missionário e cirurgião presbiteriano que exerceu forte influência sobre ele. A partir de 1948, com cerca de 30 anos, começou suas Cruzadas Evangelísticas, alcançando 185 países e 210 milhões de pessoas. No Brasil: Rio de Janeiro -1960 e 1974; Recife-2000; São Paulo-2008 e Belo Horizonte-2010. Terminou seus 99 anos de vida com várias doenças: Parkinson, quadril quebrado, pélvis quebrada e câncer de próstata. (Fonte: Wikipédia)

Timóteo é um líder particularmente interessante no contexto da Igreja Primitiva. No NT, muito se diz “a” Timóteo ou “de” Timóteo, entretanto, ele mesmo nada diz. Ele não aparece na dianteira da história, mas realiza uma espécie de ministério âncora na equipe do apóstolo Paulo.

Que informações encontramos do jovem Timóteo no NT?

a) Primeiras referências:

i) Um discípulo com bom testemunho nas igrejas de Listra e Icônio (At 16.1-2).

ii) Filho de uma judia crente, mas de pai grego; por isso, foi circuncidado para poder acompanhar o apóstolo Paulo (At 16.1-3). Sua fé era sem fingimento, tal qual a da sua avó Lóide e da sua mãe Eunice (2Tm 1.5). Foi ensinado na Palavra desde a sua infância (2Tm 3.14-15).

iii) Passou a ter um contato direto com o apóstolo Paulo, a partir da sua Segunda Viagem Missionária (50-54 dC), acompanhando-o no seu ministério (At 16.3). É interessante ressaltar que, na introdução e saudação, de várias cartas do apóstolo, ele é citado, ora como servo de Cristo, ora como irmão em Cristo: “… e o irmão Timóteo“ (2Co 1.1; Fp 1.1; Cl 1.1; 1Ts 1.1; 2Ts 1.1).

b) Na Segunda Viagem Missionária:

Quando Paulo partiu para Atenas, Timóteo ficou em Beréia, na companhia de Silas (At 17.14-15).

Silas e Timóteo se encontraram com Paulo em Corinto, liberando Paulo para a pregação (At 18.5).

c) Na Terceira Viagem Missionária:

Timóteo, juntamente com Erasto, ministravam na equipe de Paulo e foram enviados à Macedônia (At 19.22).

Timóteo, juntamente com outros, acompanharam Paulo até a Ásia (At 20.4).

d) Outras referências:

Escrevendo aos crentes de Roma, Paulo menciona Timóteo como seu cooperador (Rm 16.21). Alguém que trabalhava na obra do Senhor, como também Paulo (1Co 16.10).

Timóteo foi enviado por Paulo à igreja de Corinto, para lembrá-los e confirmar os ensinos a eles pregados (1Co 4.17; comp. 2Co 1.19). O testemunho de Paulo a seu respeito é “meu filho amado e fiel no Senhor”. O cuidado que o apóstolo tinha para com Timóteo, recomendando-o às igrejas e zelando pelo seu bom acolhimento, fica evidente em vários textos bíblicos (1Co 16.10-11).

Timóteo também foi enviado à igreja de Tessalônica, como ministro (doulos – servo) de Deus no evangelho de Cristo (1Ts 3.1-8). Ao ser enviado, fazia parte, também, da sua missão, trazer notícias daquela igreja a Paulo (Fp 2.19; 1Ts 3.6). O prestígio de Timóteo, da parte de Paulo, para essa missão era imenso; não havia outro que se equiparasse a ele (Fp 2.20-21).

1. A IMPORTÂNCIA DA LIDERANÇA

Está mais do que provada e comprovada a realidade da influência dos líderes sobre as pessoas, principalmente em formação (crianças, adolescentes e jovens). E, essa influência da liderança, positiva e proativa, precisa começar em casa e continuar na igreja. No âmbito secular e social, é preciso ter muito cuidado com a escolha daquelas instituições (creche, escola etc.) onde nossos filhos serão matriculados. Pessoas em formação precisam estar em contato com lideranças diferenciadas, como os jovens Timóteo e Billy Graham. Desta forma, elas estarão sendo forjadas e motivadas para viver uma vida que faça a diferença em seu tempo e estarão preparadas para resistir aos descaminhos propostos em ambientes sociais anticristãos.

2. PRIORIDADES NA LIDERANÇA

A partir das orientações do apóstolo Paulo a Timóteo, nas duas epístolas pastorais a ele dirigidas, podemos identificar algumas prioridades a serem observadas:

2.1 Prioridades no âmbito pessoal e familiar

“– No caso de despressurização de uma aeronave, coloque primeiro sua máscara de oxigênio antes de ajudar os outros a colocarem as suas.” O líder não deve desconsiderar esta recomendação, mesmo não estando viajando de avião. Assim sendo, é preciso:

a) Cuidar do corpo

Esse cuidado inclui uma alimentação equilibrada e saudável. O que Deus criou é muito bem-vindo (1Tm 4.4-5), mas há que se tomar cuidado com aquilo que o ser humano cria. Também é preciso tratar das enfermidades, ingerindo ou aplicando o que é recomendável (1Tm 5.23). Nas palavras de Paulo, “o exercício físico para pouco é proveitoso” (1Tm 4.8), quando comparado à piedade, pois ele tem efeito limitado a esta vida terrena, enquanto aquela, tem desdobramentos para a eternidade. Entretanto, todos sabemos que o exercício físico é importante para uma vida saudável.

b) Cuidar da vida espiritual

Essa vida espiritual não é algo etéreo, abstrato, intangível e intocável. Antes, porém, tem tudo a ver com relacionamento conosco mesmo (consciência pura), com Deus e com o próximo. O apóstolo fala a Timóteo do dever de combater o bom combate, mantendo fé e boa consciência (1Tm 1.18-20; ver tb 1Tm 1.5; 3.9). A comunhão com Deus se estreita através das orações (1Tm 2.1-2) e do alimento espiritual, a Palavra de Deus: “…alimentado com as palavras da fé e da boa doutrina que tens seguido.” (1Tm 4.6; ver tb 4.13, 15-16). E, essa vida espiritual, só tem significado se for gasta no serviço a Deus e ao nosso próximo.

c) Cuidar da família

Não se tem notícia de que Timóteo fosse casado e tivesse uma família para cuidar. Talvez, por conta disso, o Apóstolo Paulo não lhe tenha dirigido uma palavra específica sobre o assunto. Entretanto, isso é tão relevante para o apóstolo que, nas qualificações dos líderes e oficiais da igreja (1Tm 3), ele menciona alguns aspectos sobre família:

i) esposo de uma só mulher;
ii) e que governe bem a própria casa, criando os filhos sob disciplina, com todo o respeito (pois, se alguém não sabe governar a própria casa, como cuidará da igreja de Deus?);

2.2 Prioridades no âmbito ministerial

Para o bom exercício do ministério eclesiástico, algumas prioridades podem ser identificadas nas orientações do apóstolo Paulo a Timóteo.

a) O testemunho pessoal (1Tm 1.12-17)

Reconhecendo o chamado de Deus para o ministério, o líder humildemente percebe sua fragilidade, demérito e inutilidade. Entretanto, está convicto de que, pela graça e misericórdia divinas, foi transformado em nova criatura, em Cristo Jesus. Assim, na força do Espírito Santo, se lança ao ministério, tendo como prioridade inadiável apresentar um bom testemunho, aos de dentro e aos de fora da igreja, sendo “modelo a quantos hão de crer” (1Tm 1.12-17) e “padrão dos fiéis”, na palavra, no procedimento, no amor, na fé e na pureza (1Tm 4.12; 2Tm 1.13-14). Um obreiro aprovado (2Tm 2.15)

b) Estimular a prática de orações (1Tm 2.1-8)

c) Zelar pela adequada participação da mulher na igreja (1Tm 2.9-15)

d) Zelar pela qualificação de oficiais na igreja (presbíteros e diáconos) (1Tm 3.1-16)

e) Combater os falsos mestres e seus falsos ensinos (1Tm 1.3-11; 4.1-5, 7, 16)

f) Lidar adequadamente com vários tipos de pessoas e situações:

  • Idosos e Jovens (1Tm 5.1-2)
  • Viúvas (1Tm 5.3-16)
  • Presbíteros (1Tm 5.17-22)
  • Senhores e Escravos (1Tm 6.1-2)
  • Falsos Mestres (1Tm 6.3-5)
  • Riquezas e Ricos (1Tm 6.6-19)
  • Discussões inúteis (1Tm 6.20-21; 2Tm 2.14-19)

g) Manter caráter e conduta irrepreensíveis

  • Fortalecendo-se e testemunhando de Cristo (2Tm 2.1-2)
  • Sofrendo, por amor a Cristo, e participando do sofrimento dos irmãos (2Tm 2.3)
  • Não perdendo o foco da missão (2Tm 2.4)
  • Sendo disciplinado e ético (2Tm 2.5-10)
  • Sendo fiel a Deus e perseverante (2Tm 2.11-13)
  • Fugindo das paixões infames (2Tm 2.20-23)
  • Sendo brando e manso (2Tm 2.24-26)

h) Resistir nos tempos difíceis (2Tm 3.1-17)

i) Perseverar firme na missão, até o fim (2Tm 4.1-8)

j) Nunca abandonar os companheiros de missão (2Tm 4.9-22)

Conclusão:

Igrejas precisam de líderes chamados e vocacionados por Deus, competentes e dedicados, que cuidem de si e das suas respectivas famílias, que além de fazer a obra, influenciem positivamente todos os que os cercam.


[1] Fonte: Billy Graham – Uma autobiografia – Ed. United Press – 1998
[2] Billy é o apelido ou abreviação de William

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