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Ofícios, Encargos e Ministérios

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Introdução:

O termo “ofício” pode ser definido como a atividade específica que se exerce em instituições, que pode ser ou não temporária; “trabalho”, “ocupação”, “cargo”, “função”. Enquanto “cargo” diz respeito a posição da pessoa na organização, o termo “encargo” tem mais a ver com a “tarefa”, o “dever”: “Pois pareceu bem ao Espírito Santo e a nós não vos impor maior encargo além destas coisas essenciais:” (At 15.28). Nesta mesma linha temos os termos “incumbência”, “missão”: “Barnabé e Saulo, cumprida a sua missão, voltaram de Jerusalém, levando também consigo a João, apelidado Marcos.” (At 12.25). E, de certa forma, o termo “obrigação”: “Se anuncio o evangelho, não tenho de que me gloriar, pois sobre mim pesa essa obrigação; porque ai de mim se não pregar o evangelho!” (1Co 9.16). Outro termo muito familiar no meio eclesiástico é “ministério”, frequentemente usado como tradução do grego “diakonia” (diaconia). Trata-se do desempenho de um serviço, neste caso, um serviço religioso, como, por exemplo, o do apóstolo Paulo: “Sou grato para com aquele que me fortaleceu, Cristo Jesus, nosso Senhor, que me considerou fiel, designando-me para o ministério,” (1Tm 1.12). De fato, Deus tem um ministério ou serviço para cada crente, na igreja local e fora dela.

Na igreja presbiteriana, “o Ministro do Evangelho é o oficial consagrado pela Igreja, representada no Presbitério, para dedicar-se especialmente à pregação da Palavra de Deus, administrar os sacramentos, edificar os crentes e participar, com os presbíteros regentes, do governo e disciplina da comunidade.” (CI/IPB, Art. 30). Há que se falar, também, em designações ou títulos atribuídos aos que servem a Cristo na igreja, encontrados no Novo Testamento: apóstolo, presbítero ou ancião ou bispo, pastor, diácono, embaixador de Cristo, evangelista, pregador, mestre, despenseiro dos mistérios de Deus etc.

1. Presbíteros ou anciãos (pastores / bispos)

Além dos apóstolos, havia dois outros ofícios importantes na igreja primitiva: o de presbítero e o de diácono.

a) Havia três títulos, mas um só ofício: i) Presbítero ou ancião: termo que expressava dignidade e maturidade na fé; ii) Bispo(1): termo que expressava direção, superintendência; e, iii) Pastor: termo que expressava ternura, cuidado do rebanho.

b) A pluralidade de presbíteros era o padrão do NT (At 14.23; 20.7; Tt 1.5; Tg 5.14; 1Pe 5.1-2). Na epístola aos Hebreus estes são chamados de Guias (Hb 13.17). Não importava quão pequena fosse a igreja, esse era o padrão.

c) Esses presbíteros tinham a responsabilidade de dirigir / governar e ensinar a igreja, pastorear e zelar por ela (At 20.28; Tt 1.9; 1Tm 5.17; Hb 13.17; 1Pe 5.2-5).

d) Para poderem desempenhar bem o seu ofício, os presbíteros precisam ter algumas qualificações. São listados cerca de 21 requisitos, sendo cinco apenas em 1 Timóteo 3.1-7, sete em Tito 1.5-9 e, nove comuns aos dois textos.

e) Embora o NT não especifique um processo de seleção de presbíteros, pode-se dizer que Deus constitui os presbíteros (At 20.28), a igreja os reconhece e elege (At 14.23) e os mesmos desempenham o ofício.

2. Diáconos

a) A palavra “diácono” é a transliteração da palavra grega diákonos, que significa “servo”. Se considerarmos que Jesus enalteceu o servir, temos aqui um ofício efetivamente nobre (Mt 20.28; Jo 12.26).

b) A pluralidade de diáconos era o padrão do NT (Fp 1.1; 1Tm 3.8). Na comunidade de Jerusalém foram escolhidos 7 homens para “servir às mesas” (At 6.5). Ainda que ali não estivesse plenamente caracterizado o ofício de diácono, certamente foi o seu embrião.

c) No NT não há uma clara especificação de sua função na igreja, exceto que sua função é diferente da do presbítero. Inicialmente eles absorveram, por delegação dos apóstolos, algumas responsabilidades administrativas ou materiais (At 6.2), enquanto aqueles se consagrariam à oração e ao ministério da palavra (At 6.4). Estariam mais voltados a atender às necessidades físicas da comunidade cristã, a algum tipo de visitação e ação social, juntamente com suas esposas, daí terem sido estabelecidas algumas qualificações para as esposas destes (1Tm 3.11). Portanto, os diáconos não têm autoridade de liderança e governança sobre a igreja, como tem os presbíteros e devem atuar sob sua orientação e direção.

d) Para poderem desempenhar bem o seu ofício, os diáconos precisam ter algumas qualificações. Cremos que os ofícios de diácono e de presbítero, devem ser exercidos por homens, cujas qualificações são descritas na Bíblia em duas únicas listas: 1Timóteo 3.1-13 e Tito 1.5-9. E não é por acaso que tais instruções aparecem na Bíblia, lado a lado: “Semelhantemente…” (1Tm 3.8). Vale observar que não há que se exigir que os diáconos sejam aptos a ensinar a Bíblia ou a sã doutrina. Se o forem, tanto melhor!

3. A escolha de oficiais

Existem duas práticas principais sendo utilizadas para a seleção dos oficiais da igreja: por uma autoridade superior, ou pela igreja reunida em assembleia. No NT há diversas ocasiões em que os oficiais foram, aparentemente, escolhidos por toda a congregação. Embora o NT não especifique um processo de seleção de oficiais, pode-se dizer que Deus constitui os presbíteros e diáconos (At 20.28), a igreja os reconhece e elege (At 6.3; 14.23) e os mesmos desempenham os seus respectivos ofícios. Não deve haver precipitação nas indicações de oficiais (1Tm 5.22) e a igreja deve cumprir o seu papel, observando o exemplo de vida e as qualificações(2) dos candidatos.

Conclusão:

Cremos na diaconia universal dos crentes, homens e mulheres, ao lado do sacerdócio universal dos crentes. Todos os remidos foram chamados pelo Senhor para servir, para realizar as boas obras: “Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas.” (Ef 2.10). Servo, no grego, “doulos” (escravo, aquele que deve cumprir a vontade do seu Senhor, sem se importar com sua própria vontade) ou “diakonos” (aquele que realiza tarefas para ajudar os outros) é a nobre missão de cada crente, pois o Senhor Jesus é o exemplo maior. “Pois o próprio Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos.” (Mc 10.45). Para servir não é necessário ter um cargo ou um ofício. Assim é que o termo servir é empregado em todo o NT no sentido não-técnico, referindo-se a homens e mulheres que serviam a essa ou àquela igreja local.

Referências:

(1)  “Embora em algumas partes da igreja, do segundo século em diante, a palavra bispo tenha sido usada para referir-se a um indivíduo com autoridade sobre diversas igrejas, este é um desdobramento do termo e não é encontrado no Novo Testamento.” (Wayne Grudem)

(2)  “Aqueles que escolhem presbíteros nas igrejas de hoje fariam bem se analisassem os candidatos à luz dessas qualificações e procurassem esses traços de caráter e padrões de vida piedosa e não realizações terrenas, fama ou sucesso.” (Wayne Grudem). Cremos que o mesmo se aplica na escolha de diáconos.

Bibliografia:

. Constituição da Igreja Presbiteriana do Brasil (CI/IPB).
. GRUDEM, Wayne. Teologia Sistemática. Vida Nova, 1999.


Veja também: As qualificações dos presbíteros

Veja também: As qualificações dos diáconos

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