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Elias, no divã de Deus

Elias no divã de Deus

“Eis que Deus é o meu ajudador, o SENHOR é quem me sustenta a vida.” (Sl 54.4)

Introdução:

O Salmo 54 traduz a expressão de agonia de Davi, em tempos muito difíceis, quando se tem a convicção de que o único socorro possível é o que vem de cima, do Deus altíssimo: “Ó Deus, salva-me, pelo teu nome, e faze-me justiça, pelo teu poder. Escuta, ó Deus, a minha oração, dá ouvidos às palavras da minha boca.” (Sl 54.1-2).

Por mais tenebroso que possa parecer, não se pode deixar de afirmar que, cada ser humano, em algum momento de sua vida deverá vivenciar um ou vários desses tempos difíceis, quando parece ou se tem a certeza de que nenhuma ajuda humana poderá socorrê-lo. Há situações que são complicadas, porém não tão aterradoras, como: a perda de um emprego, a desagregação ou abandono familiar, um imbróglio, que é aquele mal-entendido ou situação confusa em que nos envolveram, um acidente com pequenas sequelas ou uma doença temporária. Entretanto, há outras situações que parecem, ou mesmo, tem-se a certeza de que fogem ao nosso controle, como: estar na mira de uma arma em um assalto, uma doença degenerativa incurável, uma sequela grave de um acidente, uma catástrofe ambiental, a perda repentina (ou não) de alguém muito querido, uma cirurgia de altíssimo risco ou quando estamos diante da nossa própria morte.

Como diz o hino (Onde tudo é feliz) de William Edwin Entzminger: “É de provação a nossa vida aqui? Vamo-la deixar um dia;”. Entretanto, enquanto esse dia não chega é confortador pensar que Deus é o nosso ajudador de todas as horas. Deixando Davi de lado, será edificante refletir sobre outro personagem bíblico – Elias  (1Rs 19). Esse extraordinário profeta de Deus, instrumento do Senhor para a realização de tantos milagres, também vivenciou momentos amargos, pois nenhum ser humano está isento destes. Ele, também, precisou contar com o ajudador divino. As circunstâncias, suas ações e reações e a ação terapêutica de Deus, nos oferecem boa oportunidade de aprendizado.

Revisitando e refletindo sobre os acontecimentos vivenciados pelo profeta chegamos às seguintes lições de vida:

1. QUANDO O CENÁRIO SE APRESENTAR CAÓTICO, PERMANEÇA FIRME NO SENHOR E FAÇA A TUA PARTE!

Durante o ministério do profeta Elias, o cenário nacional se apresentava assim:

CENÁRIO POLÍTICO:

  • O reinado de Acabe e Jezabel, por 22 anos, com um péssimo governo (1Rs 16.29-30; 1Rs 21.25).
  • Prevalecia, na corte: injustiça, falsidade ideológica, associação para o crime, suborno, mentiras e assassinato de inocentes (1Rs 21.1-16).

CENÁRIO ECONÔMICO:

  • Momentos críticos, tempos de escassez e fome, resultado do castigo divino pela rebeldia do povo (1Rs 17; 18.5).

CENÁRIO RELIGIOSO:

  • Abandono de Deus, idolatria (1Rs 16.31-33; 21.26).
  • Perseguição religiosa (1Rs 18.4).
  • Apostasia geral (1Rs 19.10, 14).

Qualquer semelhança com o que está acontecendo em nossa nação pode não ser mera coincidência. Diante de um cenário como esse, há, pelos menos, três situações a se considerar; três papéis a desempenhar:

1ª) Ser protagonista ou responsável por ele, o que sem dúvida é o pior dos casos.

2ª) Ser omisso, quer por alienação da realidade ou por decisão consciente, deixando de ser uma agente de transformação, o que também é reprovável e inaceitável.

3º) Ser instrumento de Deus para lutar contra a injustiça e desordem, lutar para restabelecer a obediência à vontade de Deus aqui na terra. Sem dúvida, esse foi o papel desempenhado por Elias e que deve ser seguido pelos servos de Deus.

O cenário que se observa atualmente, principalmente em nosso país, não é muito diferente daquele, ou seja:

a) O descrédito com a classe política alcançou níveis alarmantes que colocam em dúvida a manutenção da ordem democrática. Além de muitos políticos buscarem seus próprios interesses pessoais e não os da sociedade, muitos deles estão fortemente engajados em desconstruir a ética Cristã. Discursam em favor de minorias, mas investem contra a família e os valores cristãos.

b) A quebra da confiança no governo e nas instituições; a falta de idoneidade, de princípios e de valores desestabiliza toda a economia e gera desemprego.

c) A prevaricação de líderes religiosos, neste início de século 21, muitos deles mercadejadores da Palavra de Deus, bem como o alinhamento com uma teologia liberal, desassociada das exigências de santidade apregoadas na Bíblia, tem gerado uma população evangélica que:

  • Não sabe no que crê, nem se interessa por estudar a Bíblia;
  • É descomprometida com Deus, com o evangelho, com a igreja e com o próximo;
  • Está mais disposta a receber do que em dar, em servir; portanto, consumista e individualista;
  • Está sempre tentando impor a sua vontade, pois não admite se submeter à liderança eclesiástica;
  • Está altamente comprometida com os usos e costumes mundanos que desagradam a Deus; focada em aproveitar, ao máximo, o aqui e agora.

2. QUANDO FAZEMOS A NOSSA PARTE, OS ADVERSÁRIOS SE LEVANTAM!

Elias não se acovardou; enfrentou e provocou a matança dos 450 profetas de Baal, no monte Carmelo (1Rs 18.17-40). Porém, após ser confrontado com a ameaça de morte decretada por Jezabel, temeu e fugiu. O que houve com Elias? Enfrentou 450 profetas idólatras e parece ter se desestabilizado psicológica e emocionalmente com uma mulher. Elias não era muito diferente de nós: “Elias era homem semelhante a nós, sujeito aos mesmos sentimentos,…” (Tg 5.17a). As vezes cansa combater o bom combate da fé, principalmente quando achamos que estamos sozinhos nesta empreitada de trabalhar em prol de uma igreja pura e sem mácula, quando nossos esforços não são compreendidos, nem aceitos.

2.1 Quando os adversários se levantam:

a) O instinto de preservação da vida aflora.

Diante do temor provocado pela ameaça de morte, Elias fugiu. Alguns textos bíblicos nos dão conta de que, nesta fuga, Elias se deslocou bastante:

1º) Do monte Carmelo à entrada de Jezreel.

Ele correu cerca de 27 Km, quase uma meia maratona, provavelmente para confirmar a boa notícia ao rei Acabe, de que os três anos e seis meses de seca se findaram (1Rs 18.44-46); Tg 5.17). Talvez ele achasse que com essa boa notícia poderia impressionar o rei, isto é, o morticínio dos profetas idólatras teria sido necessário para aplacar a ira divina e fazer cessar os tempos de seca. Entretanto, quando soube do ocorrido, a rainha Jezabel, uma mulher infernal, não entendeu dessa forma e decretou sua vingança (1Rs 19.1-2).

2º) De Jezreel à Berseba, cerca de 160Km (1Rs 19.3).

3º) De Berseba ao Monte Horebe (Sinai), o monte de Deus, cerca de 250Km (1Rs 19.8).

b) O estresse se estabelece.

Certamente Elias ficou estressado com o episódio do enfrentamento dos profetas de Baal (1Rs 18) e com a ameaça de Jezabel (1Rs 19.3). Estresse, segundo o Dr. Hans Selye, se traduz pela seguinte fórmula:

Estresse

O estresse conduz ao medo, à fuga, ao isolamento, à entrega, à depressão!

Geograficamente e psicologicamente, Elias desceu ao “fundo do poço”. Nesses 160 Km, (depois mais 250 Km), ele se dirigiu para o sul. Ali, no fundo do poço da sua depressão, ele pediu para si a morte (1Rs 19.4 – comp. Moisés: Nm 11.15; Jó: 6.9; 7.15). A depressão retira o ânimo de vida. Foi assim que ele chegou ao divã de Deus.

c) O toque de Deus se faz sentir.

“Deitou-se e dormiu debaixo do zimbro; eis que um anjo o tocou e lhe disse: Levanta-te e come.” (1Rs 19.5)

Em algum momento difícil da vida, você já foi tocado por um anjo? Que seres são esses anjos? A Bíblia diz: “Não são todos eles espíritos ministradores, enviados para serviço a favor dos que hão de herdar a salvação?” (Hb 1.14). Nessas horas, Deus pode até usar um ser angelical, literalmente falando, porém, muitas vezes, usa um anjo humano mesmo.

As quatro áreas que foram alvo do tratamento divino, são as seguintes:

1ª) Física

A primeira área a ser preservada ou restaurada é a física. O esgotamento emocional provoca a perda do apetite e, consequentemente a debilidade física. A primeira etapa do tratamento divino constituiu-se numa espécie de “coma induzido”: “Olhou ele e viu, junto à cabeceira, um pão cozido sobre pedras em brasa e uma botija de água. Comeu, bebeu e tornou a dormir.” (1Rs 19.6). Quando a etapa física é restaurada, Deus avança para a segunda etapa, a restauração mental e emocional.

2ª) Mental

“Voltou segunda vez o anjo do SENHOR, tocou-o e lhe disse: Levanta-te e come, porque o caminho te será sobremodo longo.  Levantou-se, pois, comeu e bebeu; e, com a força daquela comida, caminhou quarenta dias e quarenta noites até Horebe, o monte de Deus.” (1Rs 19.7-8)

A cura, da alma e da mente, é mais demorada. Elias estava passando por uma terrível crise existencial. Então, o psicólogo por excelência o levou para o seu monte e o deitou no seu divã para um tratamento intensivo. Iniciada a terapia, o questionamento divino convoca o profeta a uma reflexão interior quanto a Missão e Ação: “– Que fazes aqui, Elias?”. Elias abre seu coração diante do Senhor: “Ele respondeu: Tenho sido zeloso pelo SENHOR, Deus dos Exércitos, porque os filhos de Israel deixaram a tua aliança, derribaram os teus altares e mataram os teus profetas à espada; e eu fiquei só, e procuram tirar-me a vida.” (1Rs 19.10).  Sua resposta revela uma autoimagem muito generosa e uma imagem do outro muito rigorosa. Deus não lhe responde de pronto, mas avança para a próxima etapa do tratamento.

3ª) Espiritual

O psicólogo divino não refuta, imediatamente, a resposta do seu paciente. Ainda não era o momento. Ele sabia que Elias necessitava de uma nova visão do seu Deus. Jó também vivenciou essa experiência: “Eu te conhecia só de ouvir, mas agora os meus olhos te veem.”(Jó 42.5). Uma nova visão divina que o transportasse daquele cenário violento, destruidor e traumático da morte dos profetas idólatras (ventania, terremoto e fogo), para o cicio tranquilo e suave que revela um Deus amoroso e misericordioso, “o qual deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade.” (1Tm 2.4, comp. Lc 9.56). Após essa teofania – a visão de um Deus que tranquiliza o interior – o questionamento divino é renovado: “– Que fazes aqui, Elias?”. A resposta de Elias não se altera, então, o psicólogo divino avança para a próxima etapa; a reinserção social do profeta.

4ª) Social

A reinserção social começa com a ordem de retomada da missão: “vai, volta….” (1Rs 19.15). Elias era um homem solitário, lutando as lutas de Deus. Restaurado física, mental e espiritualmente era hora de prosseguir, ungindo dois reis, Hazael, rei sobre a Síria e Jeú, rei sobre Israel, bem como um profeta, Eliseu, para sucede-lo. Além disso, ele foi confrontado com a verdade de que não era o único instrumento nas mãos de Deus aqui na terra. Havia, ainda, 7000 em Israel que não se dobraram para cultuar a Baal (1Rs 19.18).

3. QUANDO DEUS SE LEVANTA, SUA OBRA CONTINUA!

Elias, que significa “Jeová é Deus”, foi usado por Deus para realizar cerca de 9 milagres. Agora Deus levanta Eliseu que significa “Deus é salvação” para sucedê-lo e realizar cerca de 11 milagres. A obra não para porque Deus levanta a quem quer, quando quer, pelo tempo que quer e para fazer o que ele quer.

Além de usá-lo para preparar o futuro, Deus quis e quer agregar à sua obra colaboradores com o perfil de Eliseu (1Rs 19.19-21):

Ocupados, mas dispostos a trocar ocupações menos nobres, por outras mais nobres.

Responsáveis e obedientes o suficiente para colocar a família no seu devido lugar.

Comprometidos com a sua nova missão, ao ponto de transformar recursos pessoais em benefício coletivo.

Conclusão:

Seja qual for o cenário, sejam quais forem as circunstâncias, “Sede fortes, e revigore-se o vosso coração, vós todos que esperais no SENHOR.” (Sl 31.24).

“Eis que Deus é o meu ajudador, o SENHOR é quem me sustenta a vida.” (Sl 54.4)

Pastores e Estrelas

Pastores e Estrelas

Os seres humanos têm alguns comportamentos interessantes. Um deles é o exibicionismo, aquela necessidade de se mostrar para os outros. Acho que todos têm um pouco disso, uns mais, outros menos. Isso se manifesta das formas mais variadas possíveis e você sabe muito bem como é, ou como isso acontece. Pode ser aquele sobrenome diferenciado, imponente, ou o bairro nobre onde mora. Pode ser aquela faculdade de renome, os títulos que possui ou os idiomas que fala. Pode ser aquele parente importante que tem, ou aquele vestuário de grife. Podem ser aquelas viagens internacionais ou aquele carrão, no qual desfila. Pode ser o luxo da festa de 15 anos da filha ou do casamento ou das bodas e, até mesmo, o cemitério e jazigo onde a família sepulta seus mortos. Enfim, pode ser tanta coisa… E, onde isso acontece? Antigamente era no mundo real, mas hoje, com a tecnologia disponível, até virtualmente, nas redes sociais e aplicativos. Aliás, antes de postar alguma coisa no facebook deveríamos nos fazer as seguintes perguntas: 1) Isso vai glorificar a Deus? 2) Isso é útil e vai abençoar as pessoas? 3) Estou apenas expressando aqui o meu contentamento ou estou querendo me exibir? “Desvia os meus olhos, para que não vejam a vaidade, e vivifica-me no teu caminho.” (Sl 119.37)

Alguém já te fez aquelas solenes perguntas: De que igreja você é? Quem é o teu pastor? Pois é, para se sair bem nessas horas, tem gente que faz questão de fazer parte de uma igreja com templo majestoso, com pastor famoso. Tudo isso tem a mesma origem: a necessidade de ser visto pelo outro como alguém muito importante, especial.

Não há nenhum mal em buscar o melhor para as nossas vidas, porém não podemos perder de vista aquilo que realmente tem valor, agora e eternamente. Não devemos nos encantar apenas com aquelas coisas que impactam a visão, mas, principalmente, com as que trazem significado profundo à existência.

Como Jesus reagiu ao que era o motivo de orgulho dos judeus, o Templo de Jerusalém? “Tendo Jesus saído do templo, ia-se retirando, quando se aproximaram dele os seus discípulos para lhe mostrar as construções do templo. Ele, porém, lhes disse: Não vedes tudo isto? Em verdade vos digo que não ficará aqui pedra sobre pedra que não seja derribada.” (Mt 24.1-2). Certamente não foi com o mesmo entusiasmo dos discípulos. Muitos, ainda hoje, não entenderam o que o Filho e o Pai pensam sobre templos bonitos: “Entretanto, não habita o Altíssimo em casas feitas por mãos humanas; como diz o profeta: O céu é o meu trono, e a terra, o estrado dos meus pés; que casa me edificareis, diz o Senhor, ou qual é o lugar do meu repouso? Não foi, porventura, a minha mão que fez todas estas coisas?” (At 7.48-50). Os discípulos estavam diante do Deus encarnado que “tabernaculou” (habitou) entre eles (Jo 1.14), varão aprovado por Deus diante deles com milagres, prodígios e sinais (At 2.22) e estavam tão impressionados com construções humanas. Poucos entendem que nesse tempo da Graça, nós é que somos templo de Deus (Jo 14.23), morada do Espírito Santo (Jo 14.17), ou conforme disse o apóstolo Paulo: “logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim;” (Gl 2.20a).

E, o que dizer de Pastores e Estrelas?

 1. Os pastores de Belém e a Estrela

Quando você leu o título, talvez tenha vindo, imediatamente, à sua mente a história do nascimento de Jesus. A narrativa bíblica fala de uma estrela diferente que brilhou no céu e de pastores no campo. O curioso disso é que, segundo essas narrativas, os pastores de Belém nada têm a ver com essa estrela! Se você prestar bastante atenção verá que: a) Essa estrela diferente é citada apenas por Mateus (quatro vezes), servindo de guia para conduzir os magos do oriente até Jesus (Mt 2.1-12). Esses magos eram estudiosos dos astros. b) Já os pastores de Belém foram citados apenas por Lucas (Lc 2.8-20). Em parte alguma da narrativa bíblica é mencionado que esses pastores viram ou foram guiados ao menino nascido, por essa estrela. Os anjos lhes anunciaram o nascimento de Jesus e lhes deram todas as dicas de como encontrá-lo. c) Ambos os grupos, magos e pastores, foram até Jesus (a verdadeira Estrela) e o encontraram.

Vamos refletir um pouco sobre Estrela.

a) Por definição, estrela é um astro que tem luz própria. O apóstolo Paulo, escrevendo sobre o corpo ressurreto, ilustra a diferença de esplendor, assim: “Uma é a glória do sol, outra, a glória da lua, e outra, a das estrelas; porque até entre estrela e estrela há diferenças de esplendor.” (1Co 15.41). É claro que a lua não é uma estrela, pois reflete a luz do sol.

b) Estrelas e astros não devem ser adorados, como muitos povos faziam, pois não são deuses, mas criação do único Deus vivo e verdadeiro: “Guarda-te não levantes os olhos para os céus e, vendo o sol, a lua e as estrelas, a saber, todo o exército dos céus, sejas seduzido a inclinar-te perante eles e dês culto àqueles, coisas que o SENHOR, teu Deus, repartiu a todos os povos debaixo de todos os céus.” (Dt 4.19)

c) Na simbologia bíblica, estrela pode ser interpretada como:

  • Sinal ou aviso, como a estrela vista pelos magos (Mt 2.1-12).
  • As doze tribos de Israel (Ap 12.1).
  • Pessoas importantes, como os onze irmãos, no sonho de José (Gn 37.9).
  • Pessoas sábias, iluminadas: “Os que forem sábios, pois, resplandecerão como o fulgor do firmamento; e os que a muitos conduzirem à justiça, como as estrelas, sempre e eternamente.” (Dn 12.3).
  • Uma referência aos anjos caídos na rebelião de Lúcifer (Ap 12.4, 9). Por extensão, os falsos líderes que agem na mesma linha (Jd 13).
  • Uma referência a Jesus Cristo, o Messias prometido: “Vê-lo-ei, mas não agora; contemplá-lo-ei, mas não de perto; uma estrela procederá de Jacó, de Israel subirá um cetro que ferirá as têmporas de Moabe e destruirá todos os filhos de Sete.” (Nm 24.17)

d) Estrela da alva ou da manhã:

  • Uma referência a Vênus, o segundo planeta do Sistema Solar, a partir do Sol. Depois da Lua, é o objeto mais brilhante do céu noturno. Como Vênus se encontra mais próximo do Sol do que a Terra, ele pode ser visto aproximadamente na mesma direção do Sol. Vênus atinge seu brilho máximo algumas horas antes da alvorada ou depois do ocaso, sendo por isso conhecido como a estrela da manhã (Estrela d’Alva) ou estrela da tarde (Vésper) (Wikipédia).
  • Uma referência a Satanás, o “luminoso”: “Como caíste do céu, ó estrela da manhã, filho da alva! Como foste lançado por terra, tu que debilitavas as nações! Tu dizias no teu coração: Eu subirei ao céu; acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono e no monte da congregação me assentarei, nas extremidades do Norte; subirei acima das mais altas nuvens e serei semelhante ao Altíssimo.” (Is 14.12-14). Endossada por Cristo: “Mas ele lhes disse: Eu via Satanás caindo do céu como um relâmpago.” (Lc 10.18; ver tb Ap 20.3 e 1Tm 3.6). E, como diz Paulo: “E não é de admirar, porque o próprio Satanás se transforma em anjo de luz.” (2Co 11.14).
  • Uma referência a Jesus, a brilhante Estrela, com “E” maiúsculo: “Eu, Jesus, enviei o meu anjo para vos testificar estas coisas às igrejas. Eu sou a Raiz e a Geração de Davi, a brilhante Estrela da manhã.” (Ap 22.16).
  • Uma dádiva de Jesus “ao vencedor”, referindo-se, talvez, a poder real ou autoridade: “assim como também eu recebi de meu Pai, dar-lhe-ei ainda a estrela da manhã.” (Ap 2.28).
  • Uma referência aos vários estágios de luz da revelação divina: “Temos, assim, tanto mais confirmada a palavra profética, e fazeis bem em atendê-la, como a uma candeia que brilha em lugar tenebroso, até que o dia clareie e a estrela da alva nasça em vosso coração,” (2Pe 1.19). As profecias do Antigo Testamento simbolizando a candeia; o cumprimento da profecias na primeira vinda de Cristo, simbolizando a estrela da alva; por fim, a segunda vinda de Cristo, nosso Sol da Justiça (Ml 4.2), trazendo toda a claridade.

Retornando aos pastores de Belém (Lc 2.8-20), temos de admitir que algumas coisas nos impressionam na narrativa:

1ª) O fato de Deus ter se importado com aqueles humildes e simples pastores, homens do campo, enviando-lhes o seu anjo (acompanhado de uma multidão da milícia celestial) para anunciar o nascimento do Deus-homem, do Salvador, do Bom Pastor (Jo 10.11), do Supremo Pastor (1Pe 5.4), do descendente de Davi (Mt 1.1) o pastor de ovelhas que se tornou o pastor de Israel; na cidade de Davi.

2ª) O fato desses pastores terem ido, apressadamente a Belém, para terem um encontro com aquele que é o Pastor dos pastores.

3ª) O fato desses pastores, depois do encontro com Jesus, proclamarem a todos a revelação que receberam a respeito de Jesus.

4ª) O fato desses pastores glorificarem e louvarem a Deus pelo que ouviram e viram de Jesus.

Que belo exemplo para todos aqueles líderes de igreja, pastores e presbíteros, seguirem!!! Centralidade total em Jesus! Satisfação completa em Jesus!

2. Estrelas na mão direita de Jesus

 7 estrelas

“Tinha na mão direita sete estrelas, e da boca saía-lhe uma afiada espada de dois gumes. O seu rosto brilhava como o sol na sua força.” (Ap 1.16)

“Quanto ao mistério das sete estrelas que viste na minha mão direita e aos sete candeeiros de ouro, as sete estrelas são os anjos das sete igrejas, e os sete candeeiros são as sete igrejas.” (Ap 1.20)

A primeira grande revelação do Apocalipse refere-se à visão que João teve do Senhor, ressurreto, no meio dos sete candeeiros de ouro, isto é, as sete igrejas da Ásia Menor, interpretação essa declarada no próprio texto. A igreja sofredora carecia de uma nova visão do Senhor, uma esplendorosa visão do Jesus Glorificado, para seu alento. Na visão tudo tem significado. Os elementos vistos e a posição de Jesus transmitem a mensagem de um Jesus presente, soberano, governante e protetor da sua igreja. A descrição do “Filho do Homem” e suas vestes, entretecem uma imagem de inigualável resplendor e majestade que deveria causar nos leitores uma sensação de confiança e segurança, restaurando-lhes a esperança e encorajando-os na luta pela causa da fé.

Entre as interpretações sugeridas pelos comentaristas bíblicos para essas “sete estrelas” ou “sete anjos” na mão direita de Jesus, citamos duas:

1ª) É uma referência a anjos literais. A palavra grega (aggeloi), traduzida por anjos, ocorre, pelo menos, 23 vezes no Novo Testamento. Em todas as outras 22 ocorrências fica claro tratar-se de referências literais a seres angelicais, por que aqui seria diferente? Assim como na Bíblia há a ideia de anjos guardando crianças (Mt 18.10) e outras pessoas (Sl 91.11; At 12.15); anjos e arcanjos guardando nações (Dn 12.1); não seria um absurdo considerar anjos guardiões de igrejas locais, aqui figuradamente citados.

2ª) É uma referência a pastores, líderes das referidas igrejas locais. Afinal, não faria sentido o apóstolo João ser orientado a escrever cartas para anjos literais.

Vale ressaltar que naquela ocasião, ainda não existia a figura de pastor de igreja, como temos hoje. Cada igreja local era liderada por presbíteros. Temos que tomar cuidado com teologia reversa. Mas, admitamos, por hipótese, que a referência seja a pastores de igreja. Então, consideremos esses pastores, não como estrelas, astros que têm luz própria, mas autoridades constituídas para pastorearem igrejas locais. Assim, podemos identificar através da visão que, na perspectiva divina, o lugar de um pastor é na mão direita de Jesus. Certamente, isso fala de um lugar de honra, mas também de dependência e submissão ao Senhorio de Cristo. Ele não está livre e solto para fazer o que quer!

 

3. Pastores-estrela

Concluindo esta abordagem, sem perder de vista as colocações iniciais sobre exibicionismo, na minha singela opinião, considero que nenhuma igreja local deveria se encantar com Pastores-estrela. Pastores-estrela são aqueles líderes de igreja famosos que querem brilhar mais do que Jesus, que querem ter luz própria. Apresento, a seguir, pelo menos sete razões para isso:

1ª) Eles apascentam a si mesmos e não as ovelhas do Senhor.

2ª) Eles estão mais interessados nos seus projetos pessoais, do que nos projetos de Deus para a igreja.

3ª) Eles custam muito caro para a igreja, quer pelas elevadas côngruas ou remunerações que recebem, quer pelos recursos que demandam e drenam da organização (humanos, materiais e financeiros).

4ª) Eles não têm tempo para pastorear o rebanho, para estar junto com as ovelhas, pois sua agenda de compromissos externos à igreja é imensa.

5ª) O foco deles não é pastorear ovelhas, cuidar delas, mas se apresentar em público.

6ª) Eles não têm cheiro de ovelha, mas podem até ter cheiro de enxofre, quando intentam subtrair a Glória que somente a Deus é devida.

7ª) Eles podem até manter a igreja cheia de gente e de religiosidade, mas zelar pela santidade dos membros não é o forte deles.

Finalmente, vale ressaltar:

– Jesus é o nosso Verdadeiro e Supremo Pastor. Não perca Jesus na caminhada! Somente ele é “O” Cabeça (relação hierárquica) e “A” Cabeça (relação de dependência) da Igreja!

– Não se anule, idolatrando líderes eclesiásticos. Idolatria é pecado! O Espírito Santo foi derramado sobre toda a igreja, distribuindo dons aos remidos do Senhor. Líderes e liderados, todos somos membros e parte do Corpo de Cristo – a Igreja.

– Além de ser parte do Corpo de Cristo, a igreja local também é uma instituição, com CNPJ, Estatutos etc. Como tal, requer de todos nós respeito e obediência às autoridades ali legalmente instituídas.

– Precisamos sim, de pastores de almas, vocacionados, chamados e capacitados por Deus para tão nobre missão: apascentar as ovelhas do Senhor Jesus Cristo.

“Lembrai-vos dos vossos guias, os quais vos pregaram a palavra de Deus; e, considerando atentamente o fim da sua vida, imitai a fé que tiveram. Obedecei aos vossos guias e sede submissos para com eles; pois velam por vossa alma, como quem deve prestar contas, para que façam isto com alegria e não gemendo; porque isto não aproveita a vós outros.” (Hb 13.7, 17)

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