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Sincronizando o “Chronos” com o “Kairós”

Chronos&Kairós

Calma, por que toda essa pressa? Você sabe a razão de Deus ter criado os céus e a terra em 6 dias e não em alguns segundos? Eu não tenho essa  resposta. Só sei que aprouve ao Deus Soberano usar esse tempo.

O ser humano moderno não tem muita paciência para esperar. Estamos adquirindo o hábito de apertar botões, teclas ou telas (touch screen) e as coisas acontecem imediatamente. Porém, quando Deus lida conosco é como aquele artífice que trabalha lenta e habilmente com suas mãos, na realização da obra. Enquanto uma mulher grávida aguarda longos nove meses pelo parto, para ter em suas mãos aquele novo ser tão querido e desejado, encontra tempo para planejar seu futuro, tomar todas as providências para o parto, preparar o ambiente que acolherá o bebê etc etc. Sem ter a intenção de igualar o desconforto de uma gestação e a dor do parto com as provações da vida, podemos considerar que, neste segundo caso, enquanto a bênção final não chega, o Senhor opera em nossas vidas, nas pessoas e circunstâncias ao nosso redor e, também, nos concede um tempo para exercitarmos a mais íntima comunhão com ele e para reavaliarmos nossa conduta.

Você já parou para pensar quanto tempo alguns conhecidos personagens bíblicos tiveram que esperar até verem as promessas ou propósitos de Deus realizados em suas vidas?

Noé, com mais de 500 anos de idade começou a construção da Arca, por ordem de Deus (Gn 6.14-22). Noé e sua família entraram na Arca quando ele tinha 600 anos (Gn 7.6). Pelas dimensões da Arca (C=137m, L=23m e A=14m) imaginem quanto tempo levou a construção e quanto ele sofreu de deboche do povo por conta “daquela loucura”. Se isso não bastasse, sua família passou um ano confinada naquele cruzeiro-zoológico, cuidando de animais, enquanto o Dilúvio destruía seus parentes, os demais seres humanos e todos os seres vivos não aquáticos, do lado de fora da Arca.

Abraão, já casado com Sara, recebeu o chamado de Deus ainda em Ur dos Caldeus (Gn 12.1; At 7.3) e, partindo dali, chegou até Harã (Gn 11.31). Em Harã, com 75 anos (Gn 12.4), teve seu chamado renovado para sair da sua terra e parentela, e recebeu promessas grandiosas, inclusive de que dele Deus faria uma grande nação; mas ele ainda não tinha filhos porque Sara era estéril. Algum tempo depois, já em Canaã, quando Ló se apartou dele, Deus vai até ele e renova as promessas (Gn 13.14-18). O tempo não para e as promessas não se concretizam. Agora, com 85 anos, Deus faz uma Aliança com Abraão e ele, impaciente, questiona o Senhor que ainda não lhe havia dado filhos (Gn 15). Sara, mais impaciente ainda, põe em execução o seu próprio plano e, através de Hagar, sua serva, Abraão torna-se pai de Ismael, com 86 anos (Gn 16). Quando o ser humano toma a frente de Deus, as consequências podem ser devastadoras. Até hoje judeus (descendentes de Sara, mãe de Isaque) e árabes (descendentes de Hagar, mãe de Ismael) vivem em constante conflito. E a bênção prometida não chega. Abraão está agora com 99 anos e Sara com 89 anos, quando Deus renova a Aliança e anuncia a gravidez de Sara (Gn 17). Eles riem, porém, um ano depois, finalmente nasceu Isaque (Gn 21), quando Abraão já estava com 100 anos. Foram 25 longos anos de muita espera e expectativa, mas Deus cumpriu sua promessa. É claro que ele não viu a grande nação, mas, pela fé, creu que ela viria a existir.

Isaque,  filho de Abraão e herdeiro das promessas do patriarca, se casou com Rebeca aos 40 anos (Gn 25.20). Diz o texto bíblico que Isaque orou por sua mulher, que era estéril e Deus ouviu suas orações e ela concebeu (Gn 25.21). Considerando que Isaque tinha 60 anos quando lhe nasceu Esaú e Jacó (Gn 25.26), não é improvável que ele tenha orado por quase 20 anos até receber a bênção já prometida.

José, bisneto de Abraão, teve sonhos proféticos aos 17 anos (Gn 37.6-9). Entretanto, precisou percorrer uma longa e sofrida trajetória, sendo exaltado por Faraó aos 30 anos (Gn 41) e tendo os seus sonhos cumpridos com 38 anos (1º sonho – Gn 42.6) e com 39 anos (2º sonho – Gn 47.11-12). Foram mais de 20 anos de espera!

Moisés nasceu num tempo de dura escravidão e infanticídio hebreu, mas foi cuidadosamente preservado por Deus para ser seu instrumento na libertação de Israel. Ele passou os primeiros 40 anos de sua vida no palácio de Faraó. Achando que ele era tudo, tentou agir por conta própria e nada conseguiu, tendo que fugir para o deserto (Ex 2.1-15). Passou outros 40 anos na terra de Midiã para aprender que ele nada era (Ex 2.15-25). Com 80 anos ele foi, finalmente, chamado por Deus para a grande missão (Gn 3 e 4). Nesses 40 anos que se seguiram, ele teve a certeza de que Deus era tudo. Ele libertou o seu povo das mãos de Faraó e o conduziu no deserto a caminho da terra prometida. Assim, ele teve que esperar 80 anos pelo chamado de Deus e somente com 120 anos chegou à entrada da terra prometida, mas não teve o privilégio de entrar, nem aquela geração incrédula e pecadora (Dt 34). Israel, o povo de Deus, teve que esperar 400 (ou 430) anos para se tornar uma nação, após o êxodo (Ex 12.40; Gn 15.13; At 7.6).

Calebe, um dos espias que confiou em Deus, aos 40 anos recebeu a promessa, por sua coragem e fidelidade ao Senhor. Apenas 45 anos depois, já com 85 anos de idade, alcançou a bênção prometida (Js 14.6-15).

Transportando-nos para o Novo Testamento….

Jesus foi prometido como o Salvador, o Messias, desde a queda dos nossos primeiros pais (Gn 3.15 – Proto-Evangelho). O mundo teve que esperar 4000 anos pelo seu nascimento.

Maria, recebeu o anúncio do anjo e não teve que esperar muito para engravidar do Espírito Santo e nem para dar a luz a Jesus. Porém, Simeão era um homem que a vida toda esperou pelo Messias e tinha a revelação do Espírito Santo de que não morreria sem antes ver o Cristo do Senhor e assim aconteceu (Lc 2.25). Ana, a profetisa, viveu uma vida inteira em adoração e jejuns e, na sua velhice, com 84 anos, teve como recompensa o privilégio de ver e testemunhar a respeito do menino Jesus, o Redentor de Israel (Lc 2.36-38).

E, assim, quantas pessoas passaram algum tempo, ou muitos anos, ou a vida toda à espera de um milagre, de uma cura, até que cruzaram o caminho de Jesus ou dos apóstolos, para enfim receberem a esperada bênção de Deus. A mulher com hemorragia há 12 anos (Lc 8.43); o enfermo à beira do Tanque de Siloé, 38 anos (Jo 5.5-9); Enéias, paralítico, há 8 anos de cama (At 9.33); o cego de nascença (Jo 9) e o coxo de nascença (At 3), a vida toda.

E nos dias atuais? De um modo geral as pessoas não têm paciência para esperar, querem respostas rápidas, influenciadas pela cultura do imediato. Entretanto, Deus não age no “chronos” humano (o tempo do relógio e do calendário), e, sim, no “Kairós” divino (o tempo oportuno, o momento certo), o tempo de Deus. Nossa atitude durante esse tempo de espera não é a de dar ordens a Deus, mas de descansar no poder e misericórdia do Senhor. É claro que precisamos sempre fazer a nossa parte, remover as pedras, mas só Deus pode trazer de volta a vida, como fez a Lázaro. Nesse tempo de espera é importante buscar e sentir sua presença, confiar nele de todo o coração, perceber o momento de agir e o momento de parar de agir, esperar com paciência. Conheço o caso de duas pacientes esposas que esperaram longos 18 e 21 anos, respectivamente, pela conversão e transformação total de seus maridos. Ainda hoje existe e sempre haverá inúmeros casos para testemunhar que o nosso Deus é vivo e no seu tempo nos dará a bênção. Às vezes será preciso viver com o espinho na carne, como o apóstolo Paulo. Em outras, a morte é o melhor presente de Deus. É a cessação de toda a dor e sofrimento para desfrutar da gloriosa presença do Pai Eterno. Para o crente a morte não é sinônimo de derrota; é o fim de um ciclo e o início de um novo tempo.

Console a sua alma e fortaleça sua fé com essas promessas de Deus, dentre tantas outras:

“Porque desde a antiguidade não se ouviu, nem com ouvidos se percebeu, nem com os olhos se viu Deus além de ti, que trabalha para aquele que nele espera.” (Is 64.4)

“Espera pelo SENHOR, tem bom ânimo, e fortifique-se o teu coração; espera, pois, pelo SENHOR.” (Sl 27.14)

“Jó, ainda que dizes que não o vês, a tua causa está diante dele; por isso, espera nele.” (Jó 35.14)

“Por que estás abatida, ó minha alma? Por que te perturbas dentro de mim? Espera em Deus, pois ainda o louvarei, a ele, meu auxílio e Deus meu.” (Sl 42.5)

“Somente em Deus, ó minha alma, espera silenciosa; dele vem a minha salvação. Somente em Deus, ó minha alma, espera silenciosa, porque dele vem a minha esperança.” (Sl 62.1, 5)

Fique na Paz!

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  1. Luiz carlos a. andrade
    07/06/2016 às 16:22

    Olá Paz do Senhor Pastor! Muito boa essa sua reflexão, peço permissão para comenta-la em algum momento em alguma Igreja, se o Sr. não permitir, por gentileza me informe, grato.

    Luiz de Vit. da Conquista, Ba.

    • 07/06/2016 às 17:10

      Fique à vontade, meu irmão; bênção é para compartilhar mesmo. Não deixe de mencionar a fonte. Abs.

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