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Descartando a ansiedade

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“Humilhai-vos, portanto, sob a poderosa mão de Deus, para que ele, em tempo oportuno, vos exalte, lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós.” (1Pe 5.6-7)

Uma mulher que trabalhava num banco havia muitos anos, caiu em desespero.
Estava depressiva, com esgotamento nervoso.
Seu médico, buscando um diagnóstico, lhe perguntou:
– Como se chama a jovem que trabalha ao seu lado no banco?
– Cíntia, respondeu ela, sem entender.
– Cíntia do quê?
– Eu não sei.
– Sabe onde ela mora?
– Não.
– O que ela faz?
– Também não sei.
O médico entendeu que o egoísmo estava roubando a alegria daquela pobre mulher.
– Posso ajudá-la, mas você tem que prometer que fará o que eu lhe pedir.
– Farei qualquer coisa! Afirmou ela.
– Em primeiro lugar, faça amizade com Cíntia.
Convide-a para jantar em sua casa. Descubra o que ela está almejando na vida, e faça alguma coisa para ajudá-la.
– Em segundo lugar, faça amizade com seu jornaleiro e a família dele, e veja se pode fazer alguma coisa para ajudá-los.
– Em terceiro, faça amizade com o zelador de seu prédio e descubra qual é o sonho da vida dele.
– Em dois meses, volte para me ver.
Ao fim de dois meses, ela não voltou, mas escreveu uma carta sem sinal de melancolia ou tristeza.
Era só alegria!
Havia ajudado Cíntia a passar no vestibular.
Ajudou a cuidar de uma filha doente do jornaleiro.
Ensinou o zelador a ler e escrever, pois era analfabeto.
“Nunca imaginei que pudesse sentir alegria desta maneira!”, escreveu ela.
Os que vivem apenas para si mesmos, nunca encontrarão a paz e a alegria, pois somos chamados por Deus para ser bênção na vida dos outros.
Você já conhecia este segredo?
Pense nisso!!

Introdução

A ansiedade é irmã gêmea da preocupação. Ambas são parentes próximos do medo (muitas vezes a diferenciação não é possível), sendo distinguidas dele pelo fato de o medo ter um fator desencadeante real e palpável, enquanto na ansiedade e na preocupação o fator de estímulo teria características mais subjetivas. Definições:

Ansiedade (sf): [1] Sofrimento físico e psíquico; aflição, agonia, angústia, ânsia, nervosismo. [2 Psicol] Estado emocional frente a um futuro incerto e perigoso no qual um indivíduo se sente impotente e indefeso. [3 Fig] Desejo ardente ou veemente; anelo. 4 Sentimento e sensação de intranquilidade, medo ou receio.

Preocupação (sf): [1] Ato ou efeito de preocupar (-se). [2] Estado de quem se encontra absorvido por uma ideia; ideia fixa; pensamento dominante. [3] Inquietação resultante dessa ideia.

É preciso considerar que ter um pouco de preocupação ou ansiedade é um fato normal e natural no ser humano, muitas vezes agindo em prol da sua preservação.

Exemplos:

a) Encontrar estacionamento (Falta de informação cria a tensão)
b) Bula de remédio. (Excesso de informação cria a tensão)
c) Viagem para um lugar desconhecido. (Planejar bem diminui a tensão)
d) Trafegar em áreas de risco.

Quando se torna exagerada, fora de controle, causando transtorno comportamental, desequilíbrio, disfunção, sofrimento e estresse, a ansiedade não é mais normal e precisa ser tratada. Por exemplo, a pessoa que não anda sozinha no elevador.

A ansiedade é um estado mental, psíquico, com desdobramentos físicos, tais como: taquicardia, sudorese, tremores, tensão muscular, cefaleia (dor de cabeça) etc. Quando recorrente e intensa também é chamada de Síndrome do Pânico (crise ansiosa aguda). “O nosso sistema nervoso central e a nossa mente necessitam de uma situação de conforto e de segurança para usufruir da sensação de repouso e de bem-estar. Quando a nossa percepção nos alerta para uma situação de perigo a este estado, acontece o estado ansioso.”[1] Com certeza, isso é prejudicial ao ser humano e precisa ser superado: “A ansiedade no coração do homem o abate, mas a boa palavra o alegra.” (Pv 12.25)

“Este movimento mental, na maioria das vezes, acaba causando uma certa confusão, uma ineficiência da ação, um aumento da sensação de perigo e de incapacidade de se livrar dele, o que configura um círculo vicioso, pois esta sensação só faz aumentar ainda mais o estado ansioso. ‘Mente acelerada é mente desequilibrada’. Este movimento impulsivo de a mente se acelerar, de precisar ter tudo sob controle, para poder usufruir da sensação de repouso e conforto faz com que ela se excite, e se o problema não tiver uma solução mental imediata, como o que acontece na maioria dos casos, teremos a chamada ansiedade patológica, que tende a se cronificar e piorar com os anos.”[2]

“A principal característica psíquica do estado ansioso é uma excitação, uma aceleração do pensamento, como se estivéssemos elaborando, planejando uma maneira de nos livrar do perigo e da maneira mais rápida possível.”[3]

Esse perigo pode se apresentar como ameaça de perdas de elementos essenciais e indispensáveis à sobrevivência, tais como, alimento, moradia, saúde, segurança, liberdade; mas, também, perda de status, de conforto, de poder econômico, de afetos, de amizades, de privilégios, de vantagens, de possibilidade de concretizar interesses, de vaidade etc. Esses são fatores mais do que suficientes, em muitos casos para disparar o estado ansioso. Jesus nos ensina a não dar lugar à ansiedade em nossa vida, seja qual for a situação: “Por isso, vos digo: não andeis ansiosos pela vossa vida, quanto ao que haveis de comer ou beber; nem pelo vosso corpo, quanto ao que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o alimento, e o corpo, mais do que as vestes?” (Mt 6.25), “E por que andais ansiosos quanto ao vestuário? Considerai como crescem os lírios do campo: eles não trabalham, nem fiam.” (Mt 6.28)

A ansiedade pode ter várias origens, segundo alguns estudiosos:

1ª) A primeira é que pode ter uma origem genética, ou seja, a pessoa herda de seus ascendentes uma pré-disposição para ter estes sintomas. Nestes casos, as manifestações podem ser bastante precoces, sendo a pessoa desde cedo, uma criança agitada, às vezes hiperativa, que chora com facilidade e às vezes até com dificuldade de dormir.

2ª) A segunda é uma infância carente e problemática, na qual as dificuldades dos pais, mas principalmente da mãe, de passar afeto e suprir as carências afetivas da criança fazem com que ela se sinta insegura e exposta, e agrave e condicione um sentimento de que coisas ruins e sensações negativas podem acontecer a qualquer momento.

3ª) A terceira é a dificuldade de incorporar fatos e intercorrências novas ou desconhecidas. O velho ou conhecido sempre traz a sensação de segurança e controle. O novo, por sua vez, tem a capacidade de potencializar a sensação de medo no sentido de que algo ruim ou perigoso pode vir a acontecer. É mais ou menos assim: “Tudo que vem de mim é seguro e tudo que vem de fora e não está sob controle é perigoso”.

Existem alguns tipos de remédios que podem ajudar a controlar e diminuir a ansiedade. Os chamados ansiolíticos (dissolução da ansiedade) ou tranquilizantes. Numa graduação mais forte estão os antidepressivos. E, os prescritos para os casos mais graves, os chamados tranquilizantes maiores ou anti psicóticos, onde a ansiedade atinge picos altíssimos e estão associados a doenças mentais.

Sem querer anular ou dispensar a ajuda da ciência humana e a intervenção com medicamentos, para os casos específicos em que estes se fazem necessários, ou por um período específico pós-traumático, nunca podemos deixar de contar com o auxílio divino: “Não andeis ansiosos de coisa alguma; em tudo, porém, sejam conhecidas, diante de Deus, as vossas petições, pela oração e pela súplica, com ações de graças.” (Fp 4.6)

Vejamos o que o texto abaixo nos ensina:

Humilhai-vos, portanto, sob a poderosa mão de Deus, para que ele, em tempo oportuno, vos exalte, lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós.” (1Pe 5-6-7)

1.Uma condição precedente – submissão: humilhai-vos….

“Humilhai-vos, portanto, sob a poderosa mão de Deus,…”

Muitas vezes, para nos sentirmos confortáveis e seguros, queremos ter tudo sob o nosso controle. Queremos ter o domínio de todas as situações, mas isso não é possível o tempo todo. Somos gente, humanos, vivendo num mundo dominado pelo pecado, numa sociedade corrompida. Certamente enfrentaremos situações que fogem ao nosso controle. Porém, nunca qualquer situação deixará de estar sob o controle do nosso Deus. Então, mais importante do que as coisas estarem debaixo do nosso controle, como se fôssemos pequenos deuses, é nos submetermos humildemente ao Senhor. Alguma coisa estar debaixo das nossas mãos, é nada; mas nós estarmos debaixo das mãos poderosas de Deus, é tudo. Isso não deve acontecer apenas quando achamos que não vamos dar conta da situação, mas sempre, em todo o tempo, devemos permanecer na sua dependência.

2.Um agente poderoso – Deus: para que ele…

“… para que ele,…..

Estar submisso a Deus não significa cruzar os braços e achar que ele vai fazer tudo por nós. Sem dúvida é ele quem deve estar no comando da nossa vida. Não é o nosso braço que proverá a vitória, mas o braço do Senhor. Entretanto, é ele quem opera em nós, tanto o querer como o realizar. É ele quem realiza, mas somos instrumentos seus para muitas dessas realizações. Tudo isso, para que a glória seja dele, e não nossa; e, para que o benefício seja nosso, e não dele, porque ele não precisa de nada.

3. Um tempo de espera – paciência e perseverança: em tempo oportuno…

“… em tempo oportuno, vos exalte,…”

O grande problema do ser humano é saber lidar com o tempo. Quando ele quer alguma coisa, tem que ser aqui e agora. Há um tempo certo para acontecer cada coisa debaixo do céu e esse tempo não é o chronos do homem, mas o kairós de Deus. Muitas vezes Deus faz uso do tempo de forma pedagógica, porque ele está trabalhando algo em nós. O grande problema do ansioso é que, em vez de viver o presente, o mal de cada dia, ele insiste em trazer para o presente várias supostas situações negativas do futuro. Coisas que, em sua maioria não irão ocorrer, mas que sobrecarregam suas mentes, no presente, de tal forma que ele não consegue suportar. Além de fazer a nossa parte, é preciso aprender a confiar em Deus, ter paciência e perseverança até chegar o tempo oportuno.

4. Uma ação necessária – coragem: lançando sobre ele toda…

“… lançando sobre ele toda a vossa ansiedade,….”

Nesta curta existência humana, há fardos que são nossos: “Porque cada um levará o seu próprio fardo.” (Gl 6.5). Há fardos resultantes de situações adversas, devido a decisões erradas ou certas: de nossos pais, de algum membro da nossa família ou de nós mesmos. Às vezes não foram por culpa deles ou nossa, mas incidentes os acidentes dos quais fomos apenas vítimas. Porém, o certo é que não precisamos carregar fardos que não são nossos. É como diz o salmista:  “Na tua presença, Senhor, estão os meus desejos todos, e a minha ansiedade não te é oculta.” (Sl 38.9). E, Jesus acrescenta: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma. Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve.” (Mt 11.28-30). Quando nós lançamos algo, nossas mãos ficam vazias. Tudo, é tudo mesmo! É preciso ter coragem pra fazer isso e colher os resultados.

5. Uma garantia confortadora – fé: ele tem cuidado de vós

“… porque ele tem cuidado de vós.”

Que motivação, segurança e garantia nos são dadas para tomarmos tão corajosa decisão?

a) Na Bíblia e na história humana temos inúmeros exemplos de que Deus cuida daqueles que o temem e estão submissos a ele e sua soberana vontade.
b) Certamente que nós mesmos e pessoas do nosso relacionamento direto já temos experimentado de perto o cuidado de Deus.
c) Jesus declarou enfaticamente que, se Deus cuida da sua criação não humana, muito mais cuidará de nós, os seus filhos, redimidos pelo seu sangue:

26  Observai as aves do céu: não semeiam, não colhem, nem ajuntam em celeiros; contudo, vosso Pai celeste as sustenta. Porventura, não valeis vós muito mais do que as aves?

27  Qual de vós, por ansioso que esteja, pode acrescentar um côvado ao curso da sua vida?

28  E por que andais ansiosos quanto ao vestuário? Considerai como crescem os lírios do campo: eles não trabalham, nem fiam.

29  Eu, contudo, vos afirmo que nem Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles.

30  Ora, se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada no forno, quanto mais a vós outros, homens de pequena fé?

31  Portanto, não vos inquieteis, dizendo: Que comeremos? Que beberemos? Ou: Com que nos vestiremos?

32  Porque os gentios é que procuram todas estas coisas; pois vosso Pai celeste sabe que necessitais de todas elas;

33  buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.” (Mt 6.26-33)

Conclusão:

Vamos levar a sério essa proposta que nos é oferecida pelo Senhor! Vamos ocupar as nossas mentes, com pensamentos que nos tragam força interior e esperança! “Quero trazer à memória o que me pode dar esperança.” (Lm 3.21). Vamos ocupar nosso tempo e nossas mãos, realizando ações que agradem a Deus e contribuam para melhorar o mundo à nossa volta! Que assim Deus nos ajude e abençoe!

[1] Dr Isaac Efraim (Internet)

[2] Dr Isaac Efraim (Internet)

[3] Dr Isaac Efraim (Internet)

 

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Sincronizando o “Chronos” com o “Kairós”

Chronos&Kairós

Calma, por que toda essa pressa? Você sabe a razão de Deus ter criado os céus e a terra em 6 dias e não em alguns segundos? Eu não tenho essa  resposta. Só sei que aprouve ao Deus Soberano usar esse tempo.

O ser humano moderno não tem muita paciência para esperar. Estamos adquirindo o hábito de apertar botões, teclas ou telas (touch screen) e as coisas acontecem imediatamente. Porém, quando Deus lida conosco é como aquele artífice que trabalha lenta e habilmente com suas mãos, na realização da obra. Enquanto uma mulher grávida aguarda longos nove meses pelo parto, para ter em suas mãos aquele novo ser tão querido e desejado, encontra tempo para planejar seu futuro, tomar todas as providências para o parto, preparar o ambiente que acolherá o bebê etc etc. Sem ter a intenção de igualar o desconforto de uma gestação e a dor do parto com as provações da vida, podemos considerar que, neste segundo caso, enquanto a bênção final não chega, o Senhor opera em nossas vidas, nas pessoas e circunstâncias ao nosso redor e, também, nos concede um tempo para exercitarmos a mais íntima comunhão com ele e para reavaliarmos nossa conduta.

Você já parou para pensar quanto tempo alguns conhecidos personagens bíblicos tiveram que esperar até verem as promessas ou propósitos de Deus realizados em suas vidas?

Noé, com mais de 500 anos de idade começou a construção da Arca, por ordem de Deus (Gn 6.14-22). Noé e sua família entraram na Arca quando ele tinha 600 anos (Gn 7.6). Pelas dimensões da Arca (C=137m, L=23m e A=14m) imaginem quanto tempo levou a construção e quanto ele sofreu de deboche do povo por conta “daquela loucura”. Se isso não bastasse, sua família passou um ano confinada naquele cruzeiro-zoológico, cuidando de animais, enquanto o Dilúvio destruía seus parentes, os demais seres humanos e todos os seres vivos não aquáticos, do lado de fora da Arca.

Abraão, já casado com Sara, recebeu o chamado de Deus ainda em Ur dos Caldeus (Gn 12.1; At 7.3) e, partindo dali, chegou até Harã (Gn 11.31). Em Harã, com 75 anos (Gn 12.4), teve seu chamado renovado para sair da sua terra e parentela, e recebeu promessas grandiosas, inclusive de que dele Deus faria uma grande nação; mas ele ainda não tinha filhos porque Sara era estéril. Algum tempo depois, já em Canaã, quando Ló se apartou dele, Deus vai até ele e renova as promessas (Gn 13.14-18). O tempo não para e as promessas não se concretizam. Agora, com 85 anos, Deus faz uma Aliança com Abraão e ele, impaciente, questiona o Senhor que ainda não lhe havia dado filhos (Gn 15). Sara, mais impaciente ainda, põe em execução o seu próprio plano e, através de Hagar, sua serva, Abraão torna-se pai de Ismael, com 86 anos (Gn 16). Quando o ser humano toma a frente de Deus, as consequências podem ser devastadoras. Até hoje judeus (descendentes de Sara, mãe de Isaque) e árabes (descendentes de Hagar, mãe de Ismael) vivem em constante conflito. E a bênção prometida não chega. Abraão está agora com 99 anos e Sara com 89 anos, quando Deus renova a Aliança e anuncia a gravidez de Sara (Gn 17). Eles riem, porém, um ano depois, finalmente nasceu Isaque (Gn 21), quando Abraão já estava com 100 anos. Foram 25 longos anos de muita espera e expectativa, mas Deus cumpriu sua promessa. É claro que ele não viu a grande nação, mas, pela fé, creu que ela viria a existir.

Isaque,  filho de Abraão e herdeiro das promessas do patriarca, se casou com Rebeca aos 40 anos (Gn 25.20). Diz o texto bíblico que Isaque orou por sua mulher, que era estéril e Deus ouviu suas orações e ela concebeu (Gn 25.21). Considerando que Isaque tinha 60 anos quando lhe nasceu Esaú e Jacó (Gn 25.26), não é improvável que ele tenha orado por quase 20 anos até receber a bênção já prometida.

José, bisneto de Abraão, teve sonhos proféticos aos 17 anos (Gn 37.6-9). Entretanto, precisou percorrer uma longa e sofrida trajetória, sendo exaltado por Faraó aos 30 anos (Gn 41) e tendo os seus sonhos cumpridos com 38 anos (1º sonho – Gn 42.6) e com 39 anos (2º sonho – Gn 47.11-12). Foram mais de 20 anos de espera!

Moisés nasceu num tempo de dura escravidão e infanticídio hebreu, mas foi cuidadosamente preservado por Deus para ser seu instrumento na libertação de Israel. Ele passou os primeiros 40 anos de sua vida no palácio de Faraó. Achando que ele era tudo, tentou agir por conta própria e nada conseguiu, tendo que fugir para o deserto (Ex 2.1-15). Passou outros 40 anos na terra de Midiã para aprender que ele nada era (Ex 2.15-25). Com 80 anos ele foi, finalmente, chamado por Deus para a grande missão (Gn 3 e 4). Nesses 40 anos que se seguiram, ele teve a certeza de que Deus era tudo. Ele libertou o seu povo das mãos de Faraó e o conduziu no deserto a caminho da terra prometida. Assim, ele teve que esperar 80 anos pelo chamado de Deus e somente com 120 anos chegou à entrada da terra prometida, mas não teve o privilégio de entrar, nem aquela geração incrédula e pecadora (Dt 34). Israel, o povo de Deus, teve que esperar 400 (ou 430) anos para se tornar uma nação, após o êxodo (Ex 12.40; Gn 15.13; At 7.6).

Calebe, um dos espias que confiou em Deus, aos 40 anos recebeu a promessa, por sua coragem e fidelidade ao Senhor. Apenas 45 anos depois, já com 85 anos de idade, alcançou a bênção prometida (Js 14.6-15).

Transportando-nos para o Novo Testamento….

Jesus foi prometido como o Salvador, o Messias, desde a queda dos nossos primeiros pais (Gn 3.15 – Proto-Evangelho). O mundo teve que esperar 4000 anos pelo seu nascimento.

Maria, recebeu o anúncio do anjo e não teve que esperar muito para engravidar do Espírito Santo e nem para dar a luz a Jesus. Porém, Simeão era um homem que a vida toda esperou pelo Messias e tinha a revelação do Espírito Santo de que não morreria sem antes ver o Cristo do Senhor e assim aconteceu (Lc 2.25). Ana, a profetisa, viveu uma vida inteira em adoração e jejuns e, na sua velhice, com 84 anos, teve como recompensa o privilégio de ver e testemunhar a respeito do menino Jesus, o Redentor de Israel (Lc 2.36-38).

E, assim, quantas pessoas passaram algum tempo, ou muitos anos, ou a vida toda à espera de um milagre, de uma cura, até que cruzaram o caminho de Jesus ou dos apóstolos, para enfim receberem a esperada bênção de Deus. A mulher com hemorragia há 12 anos (Lc 8.43); o enfermo à beira do Tanque de Siloé, 38 anos (Jo 5.5-9); Enéias, paralítico, há 8 anos de cama (At 9.33); o cego de nascença (Jo 9) e o coxo de nascença (At 3), a vida toda.

E nos dias atuais? De um modo geral as pessoas não têm paciência para esperar, querem respostas rápidas, influenciadas pela cultura do imediato. Entretanto, Deus não age no “chronos” humano (o tempo do relógio e do calendário), e, sim, no “Kairós” divino (o tempo oportuno, o momento certo), o tempo de Deus. Nossa atitude durante esse tempo de espera não é a de dar ordens a Deus, mas de descansar no poder e misericórdia do Senhor. É claro que precisamos sempre fazer a nossa parte, remover as pedras, mas só Deus pode trazer de volta a vida, como fez a Lázaro. Nesse tempo de espera é importante buscar e sentir sua presença, confiar nele de todo o coração, perceber o momento de agir e o momento de parar de agir, esperar com paciência. Conheço o caso de duas pacientes esposas que esperaram longos 18 e 21 anos, respectivamente, pela conversão e transformação total de seus maridos. Ainda hoje existe e sempre haverá inúmeros casos para testemunhar que o nosso Deus é vivo e no seu tempo nos dará a bênção. Às vezes será preciso viver com o espinho na carne, como o apóstolo Paulo. Em outras, a morte é o melhor presente de Deus. É a cessação de toda a dor e sofrimento para desfrutar da gloriosa presença do Pai Eterno. Para o crente a morte não é sinônimo de derrota; é o fim de um ciclo e o início de um novo tempo.

Console a sua alma e fortaleça sua fé com essas promessas de Deus, dentre tantas outras:

“Porque desde a antiguidade não se ouviu, nem com ouvidos se percebeu, nem com os olhos se viu Deus além de ti, que trabalha para aquele que nele espera.” (Is 64.4)

“Espera pelo SENHOR, tem bom ânimo, e fortifique-se o teu coração; espera, pois, pelo SENHOR.” (Sl 27.14)

“Jó, ainda que dizes que não o vês, a tua causa está diante dele; por isso, espera nele.” (Jó 35.14)

“Por que estás abatida, ó minha alma? Por que te perturbas dentro de mim? Espera em Deus, pois ainda o louvarei, a ele, meu auxílio e Deus meu.” (Sl 42.5)

“Somente em Deus, ó minha alma, espera silenciosa; dele vem a minha salvação. Somente em Deus, ó minha alma, espera silenciosa, porque dele vem a minha esperança.” (Sl 62.1, 5)

Fique na Paz!

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