Propostas capciosas

“Os céus e a terra tomo, hoje, por testemunhas contra ti, que te propus a vida e a morte, a bênção e a maldição; escolhe, pois, a vida, para que vivas, tu e a tua descendência, amando o SENHOR, teu Deus, dando ouvidos à sua voz e apegando-te a ele; pois disto depende a tua vida e a tua longevidade; para que habites na terra que o SENHOR, sob juramento, prometeu dar a teus pais, Abraão, Isaque e Jacó.” (Dt 30.19-20)

Introdução

Negociação é uma prática muito comum em regimes democráticos. É uma espécie de troca. É o exercício do livre arbítrio. A negociação se desenvolve na base de “propostas” e “contrapropostas”. Vivemos num mundo de propostas, qualquer que seja a área considerada: afetiva, profissional, comercial, religiosa, etc..

De quem recebemos propostas?

Dos homens: Os homens fazem propostas entre si, cada um visando os seus próprios interesses. Precisamos de muita prudência neste sentido;

De Deus: A grande “proposta” de Deus em Cristo está Mateus 11.28-30. A trágica consequência da rejeição em Marcos 16.16. A necessidade de uma decisão pessoal em Deuteronômio 30.19- 20. Lembre-se que cada salvo é um porta-voz da proposta divina;

De Satanás: Usando diferentes meios e métodos, o diabo tenta destruir o relacionamento do homem com Deus (Eva – Gn 3.4,5 / Cristo – Mt 4.8,9; Mc 15.31,32). É muito perigoso negociar com ele, pois ele é sutil, astuto e mentiroso. Sua estratégia consiste em seduzir com propostas atraentes e perigosas.

Segundo o texto de Hebreus 3.1-2, devemos atentar para os exemplos de fidelidade a Deus e à sua palavra, encontrados no Senhor Jesus e em Moisés. Para tanto, faz-se necessário resistir a todas as propostas capciosas (que induzem ao erro) e comprometedoras, do mundo e de Satanás (Tg 4.7).

A título de alerta, consideremos a situação vivida por Moisés. Vejam só a sutileza das propostas feitas a ele, por Faraó:

1. NÃO É NECESSÁRIO SAIR

 “Ide, oferecei sacrifícios ao vosso Deus nesta terra..” (Ex 8.25b) (Após 4ª praga).

Moisés fora chamado por Deus para liderar a libertação do povo de Israel do Egito e da escravidão penosa a que estava submetido (Êx 3.7-8). A fala de Moisés a Faraó não era tão explícita; reivindicava a saída do povo ao deserto (caminho de três dias) com o fim de celebrarem uma festa ao Senhor (Êx 3.18; 5.1). Naturalmente que Faraó não concordava com tal pleito, o que já havia sido previsto, tudo fazendo para desarticular a liderança de Moisés. Entretanto, após a 4ª praga enviada por Deus, Faraó se vê forçado a negociar e, então, faz sua primeira contraproposta capciosa. Ao longo da história e ainda hoje, ele continua fazendo esta mesma proposta aos seres humanos, através de muitas seitas, falsas igrejas e filosofias humanas: sirva a Deus como você é, e onde você está. É puro engano; é cilada conhecida (Sl 50.16-17; 2Co 6.15-18; Gl 1.3-4).

EVANGELHO SEM CONVERSÃO é a sutileza desta 1ª proposta:

Cuidado! Egito é figura do “mundo sem Deus”, do mundanismo. Faraó é figura de Satanás, que se apresenta aos humanos de várias formas. Não existe salvação eterna e libertação da escravidão do pecado sem o Evangelho de Jesus Cristo e sem o Salvador Jesus Cristo do Evangelho! Evangelho sem conversão, sem transformação, sem novo nascimento, sem rompimento com o passado e com o pecado é qualquer coisa, menos o Evangelho de Cristo! É preciso sair sim, “caminho de 3 dias” – “da paixão e morte de Cristo à sua ressurreição”!!!

2. NÃO É NECESSÁRIO IR MUITO LONGE

“..saindo, não vades muito longe..” (Êx 8.28) (Após 4ª praga).

Moisés não aceita a contraproposta, nem está disposto a negociar o que foi estabelecido pela palavra de Deus. A palavra de Deus não é negociável! Faraó, então, aparenta ceder, mas sutilmente saca outra das suas propostas capciosas. Esta, também, foi e continua sendo muito usada.

EVANGELHO SEM CONSAGRAÇÃO é a sutileza desta 2ª proposta:

Esse é o perigo da “pequena distância” entre o cristão e o mundo (mundanismo). Trata-se da sutil “doutrina do equilibrismo”: um pé na igreja e o outro no mundo. Em outras palavras, a voz de Satanás continua ressoando: “não sejam muito diferentes do mundo”. Satanás tem conseguido incutir nos incrédulos a ideia de que não vale a pena “perder as coisas do mundo”; e em muitos crentes, a ideia de que é perfeitamente possível aproveitar os dois lados. Entretanto, o Senhor Deus jamais aceitará obediência pela metade (Tg 4.4-5; 1Jo 2.15; Rm 8.9,11). É preciso ir longe sim! É preciso buscar consagração e santificação, “sem a qual ninguém verá o Senhor”!

3. NÃO É NECESSÁRIO INCLUIR A FAMÍLIA

“..ide somente vós os homens, e servi ao Senhor..” (Ex 10.11) (Após 7ª praga).

Faraó mudou sua decisão de deixar o povo ir e o Egito teve que passar por mais três pragas. Após a sétima praga ocorre mais um embate entre Moisés e Faraó, quando este apresenta sua terceira proposta capciosa.

EVANGELHO SEM COERÊNCIA é a sutileza desta 3ª proposta:

Evangelho sem coerência é o evangelho que se vive solitário, sem testemunho, sem compartilhar com o próximo o amor de Deus, principalmente quando esse próximo é a própria família de sangue. Manter parte da família no mundo é o grande trunfo do inimigo. É uma espécie de garantia de retorno daqueles que “saíram para servir ao Senhor”. Quantos têm caído nesta cilada? Em seu egoísmo espiritual têm abandonado a família. A salvação é individual, mas Deus quer ver cada família salva e servindo-o. Nossas prioridades precisam ser: 1º) Deus, 2º) A Família e 3º) A Igreja. É preciso incluir a família sim, não por força, nem por violência, mas pela operação do Espírito Santo nos corações! Não queremos, nem podemos aceitar a ideia de deixar parte da família fora do projeto salvador de Deus!

4. NÃO É NECESSÁRIO ENVOLVER OS BENS

“Fiquem somente os vossos rebanhos e o vosso gado..” (Ex 10.24) (Após 9ª praga).

Faraó não aceitou a recusa de Moisés e o Egito teve que passar por mais duas pragas. Após a nona praga Faraó tenta sua última e igualmente astuta investida.

EVANGELHO SEM COMPROMISSO é a sutileza desta 4ª proposta:

Quando o tentador não consegue reter o homem, procura reter a sua família. Quando não consegue reter nem o homem e nem a sua família, procura, então, reter os seus bens. Com que finalidade? Para que os seus bens não sejam investidos no desenvolvimento da Obra de Deus ou, para subjugá-lo através desses bens, deixando-o inoperante no serviço do reino. Quando nos convertemos a Deus, passamos a pertencer a ele, juntamente com os nossos bens. Ele passa a ser o Senhor de tudo e nós seus servos. Deus não precisa dos nossos recursos financeiros, mas sua igreja sim. É claro que vamos colocar esses recursos nos lugares certos, para não cometer a ingenuidade de enriquecer determinados “donos de igreja” que existem por aí. É preciso compromisso sim na obra de Deus; compromisso de vida, serviço e bens!

Conclusão

Moisés não se deixou enganar (Ex 12.31,32,36). E nós, o que faremos?

Vamos dizer sempre um firme e sonoro não ao:

  • EVANGELHO SEM CONVERSÃO
  • EVANGELHO SEM CONSAGRAÇÃO
  • EVANGELHO SEM COERÊNCIA
  • EVANGELHO SEM COMPROMISSO

Crônica do Calvário

Parecia ser uma sexta-feira como qualquer outra. Entretanto, a cidade estava agitada com os últimos acontecimentos. Eram 9 horas da manhã (Mc 15.23). Três homens foram dolorosamente pregados, cada um em uma cruz. As três cruzes foram erguidas e fincadas bem no alto daquele monte, perto de Jerusalém, porém fora dos muros da cidade (Jo 19.20; Hb 13.12). Jesus, o personagem principal, foi colocado ao centro, ficando um malfeitor de cada lado. Os que iam passando pela estrada, meneavam a cabeça. As autoridades religiosas também zombavam. Os soldados cobiçosos assentaram-se diante da cruz e jogaram um jogo sórdido, sorteando a sua túnica (Jo 19.23-24). Até mesmo um dos malfeitores ousava blasfemar, desafiando o seu poder; o outro via naquele homem ao centro a sua última esperança. Mais adiante e ao redor estava o povo, a tudo observando. Dentre os do povo havia alguns com o semblante descaído, olhos regados por lágrimas, mentes aflitas e confusas tentando entender o significado daquela terrível visão. Eram aqueles que durante algum tempo partilharam da convivência amiga e benéfica daquele homem simples de Nazaré.

Um simples monte se torna, naquele momento, o centro das atenções, o palco do Universo. Os céus e a terra pararam diante daquela cena incomum.

Já se passaram agora três horas, horas de agonia e sofrimento. A natureza não pode mais continuar passiva. O sol, no auge do seu esplendor, cessa de dar a sua luz, como que se recusando a aumentar ainda mais os sofrimentos do seu Criador. Em meio à escuridão exterior, Jesus, aquele que veio para ser a luz do mundo, era a única luz presente, iluminando os corações obscurecidos pelo pecado.

Eram agora três horas da tarde. O sacrifício estava chegando ao fim. “Está consumado”(Jo 19.30); “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito”(Lc 23.46). Era o brado final de vitória que ecoava daquela cruz do meio. Mais uma vez a natureza se manifesta: A terra se revolve em terremotos, como que não suportando absorver aquele sangue inocente, redentor. Um último testemunho emana do meio da multidão: “Verdadeiramente este homem era o Filho de Deus”, exclamou o centurião (Mt 27.45-54).

Por certo não faltariam patrocinadores interessados em investir alto, pelo direito de fazer a cobertura, com exclusividade, desse acontecimento, caso ele ocorresse em nossos dias. Entretanto, bem poucos são aqueles que se entregam, pela fé, às verdades que dele emanam.

Obrigado Senhor! A tua morte produziu vida em mim: vida abundante! vida eterna!

Caro amigo, nunca troque o Cordeiro pelo Coelho (da Páscoa ou pelo chocolate). Jesus é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Ele é a nossa páscoa! Curta o clipe no link abaixo e reflita na letra desse clássico sacro.


Rude Cruz

Rude cruz se erigiu
Dela o dia fugiu
Como emblema de vergonha e dor
Mas contemplo essa cruz
Porque nela Jesus
Deu a vida por mim pecador

      Sim, eu amo a mensagem da cruz
     ´Té morrer eu a vou proclamar
      Levarei eu também minha cruz
     ´Té por uma coroa trocar

Desde a glória dos céus
O Cordeiro de Deus
Ao calvário humilhante baixou
Essa cruz tem pra mim atrativos sem fim
Porque nela Jesus me salvou

Nessa cruz padeceu e por mim já morreu
Meu Jesus para dar-me o perdão
Mas me alegro na cruz dela vem graça e luz
Para minha santificação

Eu aqui com Jesus, a vergonha da cruz
Quero sempre levar e sofrer
Cristo vem me buscar
E com ele no lar
Uma parte da glória hei de ter


Veja, também:

As 7 “palavras” da cruz

As 4 Representações Bíblicas da Expiação

A oração move a mão de Deus?

Deus é um ser perfeito, supremo, soberano, que age quando, onde e como quer. Não depende de ninguém e a ninguém deve satisfação dos seus atos, mas é fiel às suas alianças com os homens. A questão que se coloca na pergunta-tema é se este ser tão maravilhosamente poderoso e autossuficiente admite realizar algo a pedido do ser humano através da oração. A este fenômeno da ação pontual de Deus em resposta a oração é que chamamos de “mover a mão de Deus”. Não confundir com “mudar a vontade de Deus”.

Há crentes, inclusive pastores, que acreditam e ensinam que a oração não move a mão de Deus, ela simplesmente prepara o homem para agir ou para aceitar o que já está determinado pela soberana vontade de Deus. Soren Kierkegaard, filósofo e teólogo dinamarquês (1813-1855), geralmente considerado como o pai do existencialismo teria dito: “A função da oração não é influenciar Deus, mas especialmente mudar a natureza daquele que ora.” Será que é isso mesmo? Existiria um determinismo divino onde a Soberania de Deus já traçou todos os caminhos do homem e da história e nada mais resta a este senão ocupar seus dias de vida num faz de conta que ora e Deus muda as circunstâncias?

O leitor apressado e espiritualmente raso poderia concluir que a experiência de Neemias retrata exatamente essa ideia do determinismo divino. Diria ainda: “– Não há intervenção sobrenatural! Neemias orou por quatro meses, período em que se preparou para agir e fazer acontecer aquilo que já estava determinado por Deus! A oração de Neemias não moveu a mão de Deus; simplesmente moveu o espírito e a mão do homem!” E, acrescentaria: “..Deus é quem efetua em nós tanto o querer quanto o realizar, segundo a sua boa vontade.” (Fp 2.13). Ainda que alguém pudesse provar que toda a oração é “inoculada” por Deus no coração do homem para que ele (Deus) possa cumprir os seus propósitos, outros poderiam argumentar dizendo que, em certo sentido, Deus requer, em princípio, a participação humana, através da oração, para agir. Não queremos tratar aqui do que leva o crente a orar: se é a vontade ou a necessidade humanas ou se é a influência divina. Essa é outra questão por demais complexa para nós, simples mortais. A ressurreição da filha de Jairo por Jesus (Mc 5.21-43), por exemplo, ocorreu como conseqüência de Jairo ter ido a Jesus e suplicado sua intervenção, motivado: a)pelo seu desespero e pelo seu conhecimento do poder de Jesus? b) por influência direta de Deus no seu coração, para que Jesus fosse glorificado através do milagre realizado? c) por ambos os motivos? De fato, não sabemos exatamente o que dizer. Entretanto, o que importa é que ele foi a Jesus (oração) e Jesus “se moveu” e atendeu à sua súplica.

Cyril J. Barber afirma que “a oração não apenas auxilia a colocar nossas vidas em conformidade com a vontade de Deus, como também nos prepara para receber a resposta. Na medida em que nos conscientizamos do propósito de Deus, frequentemente passamos a ver a parte que nos cabe dentro de seu plano.” É fato que a oração persistente afeta e influencia aquele que ora. Aumenta a comunhão com Deus, fortalece a alma e os propósitos de Deus gerados em nós. Entretanto, seu efeito não para por aí, mas transpõe os limites do ser humano e chega à presença do Deus dos céus, mobilizando todo o mundo espiritual: “Orou Eliseu e disse: SENHOR, peço-te que lhe abras os olhos para que veja. O SENHOR abriu os olhos do moço, e ele viu que o monte estava cheio de cavalos e carros de fogo, em redor de Eliseu. E, como desceram contra ele, orou Eliseu ao SENHOR e disse: Fere, peço-te, esta gente de cegueira. Feriu-a de cegueira, conforme a palavra de Eliseu.” (2Rs 6.17-18).

Não podemos aceitar qualquer tentativa de desqualificação da oração que só pode ser estratégia maligna para desmobilizar o povo de Deus. Quem sabe é fruto de um existencialismo filosófico que anda de mãos dadas com o ateísmo. O inferno vai continuar tremendo porque o povo de Deus vai continuar dobrando o seu joelho em oração a Deus, crendo nas infinitas possibilidades desse recurso disponibilizado por Deus. “A força da oração é maior do que qualquer possível combinação de poderes controlados pelo homem, pois a oração é o maior meio que o homem tem de recorrer aos recursos infinitos de Deus.” (J. Edgar Hoover).

Quem não vê a mão de Deus agindo em cada ponto da narrativa do livro de Neemias é desprovido de qualquer visão espiritual. Também não verá a intervenção de Deus nos acontecimentos narrados no livro de Ester, no qual o nome de Deus não é mencionado uma só vez. Tal pessoa será capaz de se deparar com a narrativa do milagre da multiplicação dos pães (Mt 14.13-21) e dizer que Jesus, com sua capacidade de influenciar pessoas, agiu na psiquê daquela multidão e, assim, criou um estado mental de saciedade. Dirá, então, que não houve ali qualquer milagre. Não é sem motivo que as Escrituras mencionam: “Todos comeram e se fartaram; e dos pedaços que sobejaram recolheram ainda doze cestos cheios. E os que comeram foram cerca de cinco mil homens, além de mulheres e crianças.” (vv.20-21). Neemias não tinha dúvida da ação do Senhor a seu favor e da sua causa (Ne 2.8b, 18a).

O que dizer de Ana, quando na amargura da esterilidade do seu ventre e no desprezo da sua rival orou ao Senhor por um filho. O texto bíblico apresenta o resultado da sua oração: “Elcana coabitou com Ana, sua mulher, e, lembrando-se dela o SENHOR, ela concebeu e, passado o devido tempo, teve um filho, a que chamou Samuel, pois dizia: Do SENHOR o pedi.” (1 Sm 1.19b-20). Quem pode negar a ação poderosa da mão de Deus em resposta à oração de Ana? Não apenas nesse relato, mas ao longo de toda a Bíblia, na história da humanidade e na vida daqueles que creem, vemos como a oração verdadeiramente move a mão de Deus. Ela traz à existência a intervenção do sobrenatural no natural. A participação de Elcana na concepção de Ana em nada diminui a grandeza do milagre operado por Deus como resposta de oração. Antes, reafirma o propósito de Deus de trabalhar em parceria com o homem, unindo o natural ao sobrenatural. Foi assim que o jovem que cedeu os cinco pães e dois peixes também participou do milagre da multiplicação dos pães. Quem acha que a participação humana, pregando ou orando, é irrelevante deve ler sobre o Atalaia em Ezequiel 33.1-9.

A Bíblia tem registros lindos desse mover da mão de Deus. No caso do rei Ezequias: “Volta e dize a Ezequias, príncipe do meu povo: Assim diz o SENHOR, o Deus de Davi, teu pai: Ouvi a tua oração e vi as tuas lágrimas; eis que eu te curarei; ao terceiro dia, subirás à Casa do SENHOR.” (2Rs 20.5). No caso de Daniel: “No princípio das tuas súplicas, saiu a ordem, e eu vim, para to declarar, porque és mui amado; considera, pois, a coisa e entende a visão.” (Dn 9.23). “Então, me disse: Não temas, Daniel, porque, desde o primeiro dia em que aplicaste o coração a compreender e a humilhar-te perante o teu Deus, foram ouvidas as tuas palavras; e, por causa das tuas palavras, é que eu vim.” (Dn 10.12)

A oração é recurso de Deus para provimento do homem, com sua garantia de eficácia (Antigo Testamento – 2Cr 7.14; Novo Testamento – Mt 7.7-11).

O poder e a eficácia da oração são realidades inegáveis: “Está alguém entre vós doente? Chame os presbíteros da igreja, e estes façam oração sobre ele, ungindo-o com óleo, em nome do Senhor. E a oração da fé salvará o enfermo, e o Senhor o levantará; e, se houver cometido pecados, ser-lhe-ão perdoados.” (Tg 5.14-15).

A oração é recomendada: “Orai sem cessar.” (1Ts 5.17)

A oração que produz resultados tem seus requisitos e condicionantes (Jo 15.7; 1Jo 3.21-22; 5.14-15).

A oração é o instrumento mais poderoso que existe sobre a terra. Deve ser usado permanentemente e de acordo com a vontade de Deus, que é “boa, agradável e perfeita” (Rm 12.2). Orações feitas apenas para satisfazer a nossa própria vontade são perigosas. Ex.: Rei Ezequias (2Rs 20).

A oração eficaz é a oração feita segundo a vontade de Deus e que satisfaz à premissa da parceria de sucesso: “EU QUERO e DEUS QUER!!”

“Devemos orar como se tudo dependesse de Deus e agir como se tudo dependesse de nós. Só orar não! Só agir não!”

 “A oração é a fusão do desejo finito com a vontade infinita de Deus.”

“A oração é a chave nas mãos da fé que pode abrir o celeiro do Céu, onde estão os inesgotáveis recursos divinos para as nossas vidas.”

Para sua reflexão:


Veja, também:

Honrarias e Memoriais na igreja local

Sou filho e neto de cristãos. Frequento igrejas evangélicas desde o ventre da minha querida mãe. Desde muito cedo tenho ouvido e lido as histórias bíblicas. Dentre elas uma sempre me impressionou muito; é a de Jesus entrando no templo, fazendo um pequeno chicote e expulsando pessoas e animais dali, porque os homens profanavam o lugar santificado fazendo negócios (Jo 2.12-17). Isso sempre nos causa grande impacto. Afinal, Jesus passou a maior parte do seu tempo aqui na terra curando, fazendo o bem, recebendo e restaurando pecadores. Os discípulos não se atreveram a fazer qualquer censura, apenas se lembraram de que estava escrito: “O zelo da tua casa me consumirá”.

Meu caráter cristão evangélico foi moldado num ambiente cristão que reforçava a todo instante que Deus é AMOROSO E MISERICORDIOSO e ao mesmo tempo SANTO e JUSTO. Como santo que é, ele requer dos seus filhos santidade de vida e de culto. Ele disse a Abraão “Anda na minha presença e sê perfeito”(Gn 17.1) e repetiu através de Jesus “Portanto, sede vós perfeitos como perfeito é o vosso Pai celeste”(Mt 5.48). Aprendi desde cedo que há dois lugares santificados que merecem constante vigilância de nossa parte para que sejam guardados imaculados: o nosso corpo e a  igreja, ambos Templos do Espírito Santo. Por extensão, a nossa residência e o edifício – lugar que consagramos para a adoração coletiva ao Senhor – devem ser preservados de toda a contaminação do mundo. Até aqui, nenhuma novidade, certo? A difícil tarefa com a qual todo crente sincero se depara continuamente é a de discernir, a cada momento, se ainda está tão puro diante do Senhor ou se já cedeu às pressões e influências do ambiente pagão que nos cerca. Muitas vezes e com as melhores intenções acabamos cedendo espaço a coisas que hoje parecem ser tão mínimas e inofensivas, porém, com o passar do tempo, se transformam em problemas graves que impedem o crescimento da igreja e cortam a nossa comunhão com Deus.

É com temor e tremor e em oração, com a consciência clamando por uma atitude, sentindo a responsabilidade de atalaia e com muita simplicidade e desejo de ajudar que abordo a questão de memoriais e seu uso em qualquer igreja local, tendo como pano de fundo o ponto de vista bíblico.

Seria uma boa prática erigir monumentos a cristãos que se destacaram na história? Será que as pessoas que ajudaram a igreja, de um modo mais especial, não merecem ser homenageadas pelo que fizeram em uma placa memorial? Não tenho dúvida de que o reconhecimento e a gratidão para com aqueles que fazem, são deveres da igreja, sempre visando a glória de Deus que a todos capacita (1 Co 16.18; Fp 2.29; Hb 11 etc.). Entretanto, erigir um memorial ou uma escultura a homens parece ser algo que vai muito além do reconhecimento e honra.

O que a Bíblia tem a dizer sobre o assunto? Que exemplos temos?

O sábio Salomão diz: “A memória do justo é abençoada” (Pv 10.7). Jesus acrescenta que contar o que alguém fez de bom, para sua memória, é boa prática (Mt 26.13). Nenhum respaldo temos aqui e em outra parte das Escrituras para se erigir esculturas ou confeccionar memoriais ou placas dedicados aos homens. Senão vejamos:

I) MEMORIAIS NO ANTIGO TESTAMENTO:

a) Para a lembrança daquilo que Deus fez – Acontecimentos importantes:

  • Páscoa, o grande memorial da libertação (Ex 12.14; 13.9 etc).
  • Passagem pelo Jordão – coluna de pedras (Js 4.7).

b) Para a lembrança daquilo que Deus quer que o seu povo faça – Os mandamentos do Senhor:

  • Lei dada a Moisés (Ex 24.4; 24.12 etc)
  • Os dez mandamentos (Dt 6.6-9). Deveriam estar como sinal no próprio corpo e nas partes da casa.

c) Para testemunho diante do Senhor – Colunas erigidas como sinal de pacto ou gratidão:

  • Pedra erigida por coluna (Jacó) (Gn 28.18, 22).
  • Pedra erigida por coluna (Josué) (Js 24.26).
  • Pedra erigida por coluna (Samuel) – “Ebenézer, … até aqui nos ajudou o Senhor” (1 Sm 7.12);

d) Para adoração ao Senhor, para prestar-lhe culto – Altar erigido por:

  • Noé (Gn 8.20);
  • Abraão (Gn 12.7; etc);
  • Jacó, “Deus, o Deus de Israel” (Gn 33.20);
  • Jacó, “El-Betel, porque ali Deus se lhe revelou” (Gn 35.7);
  • Moisés, “O Senhor é a minha Bandeira” (Ex 17.15)
  • Moisés (Ex 24.4);
  • Gideão, “O Senhor é paz” (Jz 6.24).

e) Para habitação do Senhor e serviço – Tabernáculo e vestes sacerdotais:

  • Todos os utensílios do Tabernáculo e do Templo são sublimes tipos de Jesus. Nada ali servia de memorial humano, quer dos patriarcas, quer de qualquer outro grande vulto do passado do povo judeu.
  • É somente nas vestes sacerdotais que vamos encontrar memoriais, não a uma pessoa, mas à coletividade do povo, ali representado nas doze tribos (Ex 28.12, 29). a)nas ombreiras, para lembrá-lo de que ele deveria “carregar” o povo; b)no peitoral (sobre o coração, lugar de afeição), para lembrá-lo de que isto deveria ser feito com muito amor e compaixão.

f) Para perpetuar a memória de homens!?!? – Mau exemplo:

  • Coluna erigida por Absalão para sua própria memória (2Sm 18.18).

II) MEMORIAIS NO NOVO TESTAMENTO:

O mais importante memorial do NT é a Ceia do Senhor – o memorial da redenção, cuja páscoa era o antitipo:

“E, tomando um pão, tendo dado graças, o partiu e lhes deu, dizendo: Isto é o meu corpo oferecido por vós; fazei isto em memória de mim.” – (Lc 22.19)

“… e, tendo dado graças, o partiu e disse: Isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de mim. Por semelhante modo, depois de haver ceado, tomou também o cálice, dizendo: Este cálice é a nova aliança no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que o beberdes, em memória de mim.” – (1Co 11.24, 25)

É significativo que a igreja primitiva não tenha sido instruída a carregar num cordão, ou fixar num ponto qualquer, uma cruz, para memorial da morte de Cristo. Em lugar disso somos chamados à comunhão do pão e do cálice, elementos tão simples, mas com simbolismo tão profundo.

III) CONCLUSÃO:

Portanto, a Bíblia nos ensina que:

  • Só o SENHOR, a SUA PALAVRA e o que ELE FEZ merece um memorial:

“Tu, porém, SENHOR, permaneces  para sempre, e a MEMÓRIA do teu nome, de geração em geração.” (Sl 102.12)

“O teu nome, SENHOR, subsiste para sempre; a tua MEMÓRIA, SENHOR, passará de geração em geração.”  (Sl 135.13)

“Divulgarão a MEMÓRIA de tua muita bondade e com júbilo celebrarão a tua justiça.” (Sl 145.7)

  • A bênção do Senhor está condicionada a um correto tratamento desse assunto:

“…em todo lugar onde eu fizer celebrar a MEMÓRIA DO MEU NOME, virei a ti e te abençoarei.” (ÊX 20.24)

  • A contribuição dos remidos do Senhor deve formar um fundo anônimo para uso na Casa do Senhor e no seu Reino.

“Tomarás o dinheiro das expiações dos filhos de Israel e o darás ao serviço da tenda da congregação; e será para memória aos filhos de Israel diante do SENHOR, para fazerdes expiação pela vossa alma.” (Êx 30.16).

“Tu, porém, ao dares a esmola, ignore a tua mão esquerda o que faz a tua mão direita”  (Mt 6.3)

  • Imagens de escultura? Nem pensar (Ex 20.2)!!!!!!

Quanto à questão de memoriais na igreja local gostaria de compartilhar o seguinte:

Quando vou a um enterro no Cemitério São João Batista, por exemplo, sinto-me incomodado o tempo inteiro com o que vejo. Suntuosos jazigos, revestidos de mármore, com placas bem trabalhadas mostrando nomes de pessoas ou da família. No mesmo cemitério, vê-se também sepulturas simples. O lugar dos mortos retrata fielmente o mundo dos vivos. Reflete a ótica da sociedade em que vivemos. Nada contra os legitimamente ricos e abastados!!!! Entretanto, enquanto uns jogam dinheiro fora, na sua luxúria, nos seus hobbies extravagantes, outros catam comida no lixo para não morrerem de fome.

Por outro lado quando vou a um cemitério do tipo Jardim da Saudade, sinto que aquele ambiente condiz com o que deveria ser a ótica e a prática cristã. Todos ali têm o mesmo tipo de sepultura simbolizando que são iguais perante Deus, pó que volta ao pó. Fico confortado com aquele memorial à Biblia, bem no meio do jardim, num nível mais elevado do que as sepulturas, com aquela magnífica promessa de ressurreição, proferida pelo Senhor Jesus: “Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá; e todo o que vive e crê em mim não morrerá, eternamente. Crês isto?” (Jo 11.25, 26).

Comparar igreja com cemitério é uma péssima idéia, desculpe-me por isso. Igreja é lugar de vida e cemitério de morte! Porém, aproveitando, com ressalvas, as duas imagens acima, termino dizendo que nós cristãos temos que parar com esse negócio de placas, memoriais e honrarias a homens e mulheres cristãos, sejam estes ricos ou pobres, famosos ou não, mártires ou não etc. O melhor que fazemos é nos orientar pela Bíblia, a Palavra de Deus e tomar muito cuidado com a flexibilização dos princípios claramente estabelecidos por Deus. Toda honra e glória devem ser tributadas apenas a Deus! Aos homens e mulheres de valor, basta o reconhecimento e gratidão, de forma verbal e, no máximo, o registro em carta ou livro de atas.

“Eu sou o SENHOR, este é o meu nome; a minha glória, pois, não a darei a outrem, nem a minha honra, às imagens de escultura.” (Isaías 42.8)

Soli Deo Gloria!

O Brado Retumbante x Cordel Encantado

No meu post de 22/08/2011 fiz uma breve análise de conteúdo da novela Cordel Encantado sugerindo que, pelas mensagens sutis e explícitas passadas para a família brasileira, esta poderia ser melhor intitulada de “Bordel Encantado”, daí o trocadilho. Então, o que esta minissérie tem em comum com a novela Cordel Encantado além do ator Domingos Montagner, e com outras tantas produções da Rede Globo? É claro que tecnicamente não se pode negar que são produções bem elaboradas. Porém, nosso foco aqui é conteúdo passado para o público….

É uma história fictícia que aborda política em qualquer lugar do mundo“, explicou o ator Domingos Montagner que vive Paulo Ventura, o protagonista de “O Brado Retumbante”.

Lá em Cordel Encantado ele foi o Rei do Cangaço, aqui, o presidente do Congresso Nacional de um Brasil fictício que inesperadamente assume a Presidência da República depois do acidente e morte do Presidente e seu Vice. A trama gravita em torno do combate à herança corrupta comandada pelos ministros nomeados pelo seu antecessor e a outros ferrenhos opositores pertencentes à banda podre da política. Sem dúvida este é um excelente ingrediente para aliviar tensões e encantar cidadãos que suspiram e clamam por medidas concretas, eficazes e definitivas de limpeza ética nos poderes legislativo, executivo e judiciário de um Brasil real! Até aqui, tudo bem… Entretanto, apenas a costumeira exploração da luta do bem contra o mal não seria suficiente. Era preciso, como sempre, apimentar, acrescentar o tempero forte do apelo sexual, que não pode faltar na telinha! Se fosse o tempero do amor romântico, legítimo e decente entre homem e mulher, nada contra! Considerando que ninguém é perfeito, o Sr. Paulo Ventura, apesar de idealista ético, era um mulherengo, adúltero e pegador, no linguajar de hoje. Ele poderia ter qualquer outra fraqueza a ser explorada, mas precisava ser essa. Devido a esse seu desvio de caráter estava separado da sua esposa Antonia (Maria Fernanda Candido).  Afinal, adultério é quebra da aliança do casamento. Devido a essa nova situação de Presidente, ele pede à sua ex-esposa Antonia para voltar a morar com ele e ela Ela “aceita voltar com ele porque, apesar de tudo, ela é muito parceira e existe um amor muito profundo entre a Antonia e o Paulo” (comenta a atriz Maria Fernanda Candido). Para encurtar esta análise, vejam como uma minissérie pode ser usada:

1. Desserviço à instituição do casamento e a família.

Tal qual na novela Cordel Encantado, temos aqui um desserviço prestado a instituição do casamento e a família. O Sr. Paulo Ventura tinha tudo para restaurar seu casamento e, ao lado da sua esposa e parceira, desenvolver um belo trabalho na presidência. Entretanto, enquanto combatia corajosamente os corruptos do Congresso não conseguia dominar sua libido, traindo e desrespeitando sua esposa e mãe de seus filhos, contando sempre com a tolerância e cumplicidade de seus aliados mais próximos e assessores que, por exemplo, deram cobertura a um encontro dele com uma amante, num cenário de alta produção que fracassou, pois a jovem passou mal. Nem hospitalizado o sujeito se aquietou; teve que de assediar uma enfermeira no exercício do seu digno trabalho. Depois da alta teve um caso com sua médica particular que, de igual forma, sem escrúpulos, traiu seu marido e família. Diante de tanta mentira e traição sua esposa Antonia volta a se afastar e tem um caso com um escritor argentino. Finalmente, o Presidente pegador também tem um caso com Fernanda (Mariana Lima), a responsável pela comunicação entre a Presidência e o Congresso que há muito tempo escondia sua paixão por ele. Outro casamento destruído é o da filha de Paulo Ventura que não resiste à traição política do seu marido, que armou contra seu próprio sogro e presidente.

Algumas mensagens sutis e perigosas são passadas nessa minissérie:

A primeira é a da “aparente inviabilidade” de um casamento duradouro e feliz. O casamento é frequentemente apresentado na telinha como problema e como cerceador da liberdade e felicidade do indivíduo.

A segunda é a da “aparente viabilidade” de uma conduta ética irrepreensível de um governante, que é capaz de resistir ao nepotismo ou deixar sua filha dormir na prisão para dar o exemplo de não fazer valer sua posição para resolver problemas particulares de seus familiares etc e, ao mesmo tempo, não é capaz de ser fiel e de falar a verdade com a sua esposa. A pergunta que não quer calar é: Pode, de fato, existir esse tipo de caráter ético capaz de ser fiel, justo e verdadeiro com a nação, com o povo e não o ser com a pessoa amada que vive debaixo do mesmo teto? Certamente que não! Isso é enganação! Acreditem que, no início cheguei até a pensar em “votar” no Paulo Ventura, mas mudei de idéia quando percebi que o seu caráter, tal qual a estória, também é ficção.

2. Prestação de Serviço à causa LGBT.

É impressionante a estratégia das emissoras de passar mensagens e conceitos através de novelas e minisséries. Dia após dia, em horário nobre ou fora dele, é empurrado goela abaixo do telespectador os desvios da sexualidade como sendo algo normal. Normal não é, mas, infelizmente, é cada vez mais comum. Aparentemente um episódio foi cuidadosamente inserido para colaborar com a causa LGBT. O Sr. Paulo Ventura teve a desventura de ter um filho efeminado e transexual. Então é mostrado como um pai de “caráter tão nobre”, mas “ultrapassado”, após várias sessões com seu analista, passou a “aceitar” a opção sexual do filho. Não tenho dúvida de que pais, familiares e a sociedade devem respeitar as pessoas como elas são, mas não necessariamente são obrigados a aceitar e concordar com o que fazem! Também fizeram questão de mostrar uma cena de um transexual (o tal filho do presidente) apanhando de um heterossexual para não deixar apagar na consciência coletiva a chama da “lei da homofobia”, a partir da qual uma minoria barulhenta quer impor à maioria a aceitação da sua causa, instituir privilégios e calar os contrários. Mais uma vez é preciso deixar claro que somos totalmente intolerantes a qualquer forma e prática de violência contra pessoas. Entretanto, para punir tais crimes já temos as devidas leis.

Um país próspero para todos com ética e libertinagem sexual só existe na ficção. Porém, um país sustentável se faz com famílias bem estruturadas, éticas e saudáveis, que temem ao Senhor Deus e praticam a sua vontade.

É isso aí! Fique alerta e resista firmemente! Não deixe que a mídia faça a sua cabeça!

Um bilhete debaixo da porta

Certa igreja cristã tinha um órgão de tubos, um sistema de som sem defeito, o mais sofisticado “datashow” e duas telas grandes, uma à direita do púlpito e outra à esquerda, além de uma tela pequena voltada para o ministro oficiante. Para os membros e visitantes falantes de outras línguas havia fones de ouvido com tradução simultânea do inglês para seis diferentes idiomas (português, francês, alemão, russo, chinês e coreano). Os deficientes auditivos tinham como captar a liturgia e o sermão, graças a um simpático e jovem casal que se comunicava com eles por meio da linguagem de sinais. O coro era formado de mais ou menos cem pessoas, todas de beca, em quatro cores diferentes (branco para os sopranos, azul celeste para os contraltos, vermelho para os tenores e marrom para os baixos). Uma mulher bonita e elegante era a regente. Eles conheciam e cantavam quase todas as cantatas de Johann Sebastian Bach. Uma orquestra de câmara tocava o prelúdio, acompanhava os hinos congregacionais e, às vezes, acompanhava também o coro. O regente da orquestra era um senhor de meia-idade que usava um rabicho que combinava com as longas abas de seu fraque. Os bancos eram almofadados e espaçosos, com um confortável estrado para os pés.

O pastor titular era culto, falava com eloquência, citava de cor palavras e frases do grego e do aramaico e trechos dos mais notáveis teólogos da Europa. Usava vestes talares de cores diferentes, uma para cada ocasião do calendário litúrgico. Para evitar a mania do pecado, ele quase não pregava sobre o assunto. Como consequência natural desse escrúpulo, o reverendo omitia também qualquer referência à expiação e ao perdão de Deus, mediante Jesus.

A membresia era formada de homens e mulheres da alta sociedade. Todos estavam “bem de vida” e possuíam tudo de que precisavam e também o supérfluo. A aparência não podia ser melhor. Porém, no íntimo e aos olhos de Deus, eles, o pastor titular e os outros onze pastores (o número nunca era menor nem maior, para coincidir com os doze patriarcas e os doze apóstolos), eram todos miseráveis, infelizes, pobres, cegos e nus. De vez em quando, um ou outro membro da liderança sentia um forte arrepio e estremecia com a formalidade ostensiva da igreja e com o seu distanciamento cada vez maior do evangelho e da própria pessoa de Jesus.

Certa manhã, quase na hora do culto matutino, quando os diáconos foram abrir as portas do templo, encontraram debaixo da porta principal um bilhete no qual estava escrito:

“Eu estou [aqui do lado de fora] batendo à porta constantemente. Se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, eu entrarei e farei companhia a ele, e ele a mim”.

Era um recado endereçado ao pastor titular, da parte “daquele por meio de quem Deus criou todas as coisas!” (Ap 3.14-22).

Parece que a igreja não reagiu à altura e veio a morrer. Ela não existe mais. No quarteirão onde ficava o seu templo, hoje há um “shopping center”!

Extraído da Revista Ultimato – Nº 334 – Janeiro-Fevereiro 2012

Amigo, que ser é este?

Do pó da terra Deus fez o homem,
Da costela do homem, a mulher,
Da sublime e misteriosa fusão destes dois,
Os filhos, a raça humana.

E o amigo, como se fez?

As riquezas multiplicam os amigos,
Mas esses não são amigos verdadeiros,
São interesseiros travestidos de amigos.
Nas vitórias, meus amigos me conhecem;
Nas derrotas (ou nas dificuldades), eu conheço os meus amigos.

As redes sociais multiplicam os amigos,
Mas esses são amigos virtuais,
Alguns são amigos reais, outros, eventuais,
Muitos são apenas conhecidos,
Outros, até desconhecidos.

E o amigo, como se fez?

Será que foi o destino? Não!
O destino faz os parentes, a escolha os amigos.
E há amigo mais chegado do que irmão.
Porque um irmão pode não ser um amigo,
Mas um amigo será sempre um irmão.

Os laços de sangue fazem os parentes,
O amigo é resultado da junção de alguns atributos e qualidades:
A paciência, a compreensão, o carinho e o amor que são típicos da mãe.
A determinação, a força, a decisão e a razão tirados do pai.
A pureza, a espontaneidade, a alegria e a sinceridade das crianças.
A ternura, a experiência e a moderação dos avôs e das avós.
Da mistura de tantas qualidades surgiu alguém tão especial nas nossas vidas:
– O amigo!

amigos de vários matizes,
Cada um com seu jeito próprio de ser.
Há aqueles, com matizes mais claros,
Que nos despertam para a beleza da vida, para a esperança.
Há aqueles, com matizes mais escuros,
Que revelam a obscuridade de nossos atos e comportamentos.
Há aqueles, com matizes mais vívidos,
Que nos motivam e energizam para as realizações e desafios da vida.
Há aqueles, com matizes mais suaves,
Que nos ensinam o silêncio, a internalização e o autoconhecimento.

Amigo é alguém que sabe quase tudo a nosso respeito e gosta de nós assim mesmo.
Isto não é incrível?
Porque amigo é uma pessoa com quem você ousa ser você mesmo.

Amigo não é aquele que diz tudo o que você quer ouvir;
Nem aquele que concorda com todas as tuas opiniões.
Amigo é aquele que diz tudo o que você precisa ouvir;
Até mesmo contrariando tua opinião.
Porque amigo não é a duplicação egocêntrica do nosso ser,
Mas uma referência independente e distinta,
Capaz de gerar em nós elementos para uma sadia reflexão!

Você tem amigos?
A única forma de ter um amigo é ser um.
Lembre-se de que mais importante do que fazer novos amigos é conservar os antigos.

Você tem inimigos?
Acredite que a única forma segura e certa de destruir um inimigo é torná-lo um amigo.

E, quem é o melhor amigo?
Jesus é o melhor amigo! Por que?
Porque ele é o amigo de todas as horas!
Porque ele jamais te decepcionará ou abandonará!
Porque ele é perfeito em todos os seus caminhos!
Porque ele é o Caminho, a Verdade e a Vida!
Porque ele é o Salvador Eterno!

Quem é amigo de Jesus? Ele mesmo responde:
“Vós sois meus amigos, se fazeis o que eu vos mando.” (Jo 15.14)

Reflita e louve a Deus com a letra deste cântico:

Não existe nada melhor
Do que ser amigo de Deus
Caminhar seguro na luz
Desfrutar do seu amor
Ter a paz no coração
Viver sempre em comunhão
E assim perceber
A grandeza do poder
De Jesus meu bom pastor.

Cristo permanece fiel?

“Fiel é esta palavra: Se já morremos com ele, também viveremos com ele; se perseveramos, também com ele reinaremos; se o negamos, ele, por sua vez, nos negará; se somos infiéis, ele permanece fiel, pois de maneira nenhuma pode negar-se a si mesmo.” (2Tm 2.11-13)

Há versículos na Bíblia, ou parte deles, que certamente ficam mais marcados em nossa memória do que outros.  Um destes, ou a parte inicial dele, é “se somos infiéis, ele permanece fiel” (2 Tm 2.13). É muito comum que pessoas ligadas a uma igreja e que se consideram salvas por Cristo retenham em suas mentes essa afirmação e, associada a ela, a interpretação apressada de que “ainda que eu seja infiel, Deus ou Cristo continuará fiel a mim”. Alguns elementos corroboram para tal interpretação do texto bíblico: a) O racionalismo existencial e as máximas: “– Pecar é humano;” “– Deus é todo amor;” b) A sublimação e a automisericórdia; c) A pressa que conduz à desconsideração dos princípios básicos da exegese, sendo um deles o que aponta para a necessidade de observar o texto no seu contexto. Então, qual é a interpretação correta desta afirmação?

É interessante, inicialmente, conceituar o adjetivo “fiel”. Alguns dos significados apresentados pelo dicionário são: (1) Que guarda fidelidade. (2) Que cumpre aquilo a que se obriga. (3) Que tem afeição constante. (4) Leal. (5) Honrado, probo. (6) Exato, pontual. (7) Verídico. Portanto, ser fiel a Cristo é ser leal, verdadeiro, cumpridor dos seus ensinamentos e do compromisso de segui-lo tão de perto e tão integralmente até que se forme em nós a sua própria imagem, ao ponto dos outros verem Cristo em nós! (Gl 2.19-20; Rm 8.29; 2Co 3.18; Cl 3.10). É ser alguém que procede segundo o que está no coração e na mente de Deus: “Então, suscitarei para mim um sacerdote fiel, que procederá segundo o que tenho no coração e na mente;” (1 Sm 2.35). Aí você dirá: “e qual é o ser humano capaz de cumprir tão elevado padrão sem nunca falhar?” Boa pergunta! Isso me faz lembrar dos clássicos “3P” da Salvação em Cristo:

1º) Somos salvos da PENA do pecado (Rm 8.1);

2º) Somos salvos do PODER do pecado (Rm 6.14);

3º) Seremos salvos da PRESENÇA do pecado, quando deixarmos este corpo terrestre (Rm 13.11).

Portanto, ainda estamos sujeitos a pecar, eventualmente. É bom lembrar o que diz João: “Todo aquele que é nascido de Deus não vive na prática de pecado; pois o que permanece nele é a divina semente; ora, esse não pode viver pecando, porque é nascido de Deus.” (1Jo 3.9). Viver na graça não é viver sem pecar, porém, está longe de ser um viver uma vida de libertinagem! O grande problema de muitos cristãos, hoje e sempre, é a perda da sensibilidade e da capacidade de discernir o que desagrada a Deus. Algumas das causas são: não dar lugar ao Espírito Santo, abandono da Bíblia, falta de orientação dos líderes ou de interesse dos próprios etc. Não nos esqueçamos do que Jesus disse: “Por que me chamais Senhor, Senhor, e não fazeis o que vos mando?” (Lc 6.46) e, ainda: “Vós sois meus amigos, se fazeis o que eu vos mando.” (Jo 15.14)

O que acontece quando pecamos, quando somos infiéis a Cristo?

1º) Perdemos a comunhão com ele (1Jo 1.6)!

Isto é básico no ensinamento bíblico: “Mas as vossas iniquidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que vos não ouça.” (Is 59.2). Ninguém se iluda; enquanto não nos arrependermos e não confessarmos os nossos pecados, permaneceremos nesse estado de afastamento de Deus! Estaremos entregues à nossa própria sorte, pois Deus não tem compromisso com infiéis. Entretanto, a sua vontade é de que voltemos para ele, como o pai do filho pródigo: “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça.” (1Jo 1.9)

2º) Cristo permanece fiel! A quem ou a que?

Certamente que não é aos infiéis, pois a comunhão estará cortada até que estes se arrependam e confessem os seus pecados!

Ele permanece fiel a si mesmo, conforme a parte final do versículo: “pois de maneira nenhuma pode negar-se a si mesmo.” (2Tm 2.13). Fiel ao seu caráter de pureza e santidade que repudia o pecado. Fiel a si mesmo como o Remidor enviado pelo Pai para pagar o preço do resgate do pecador arrependido que pela fé se chegue ao trono da graça divina.

Ele permanece fiel à suas promessas e afirmações, conforme diz o versículo 12: “se perseveramos, também com ele reinaremos; se o negamos, ele, por sua vez, nos negará;”. Na bíblia há uma infinidade de afirmações, promessas e bem-aventuranças para os que estão em Cristo; e, também há outras tantas afirmações e maldições para aqueles que permanecerem longe dele, trilhando o caminho da impiedade e infidelidade. A todas essas bênçãos e maldições Cristo permanece fiel.

Então, encerramos esta reflexão, reescrevendo e transferindo a você a proposta que Josué fez ao povo de Israel em Josué 24.14-15:

“Agora, pois, temei ao SENHOR e servi-o com integridade e com fidelidade; deixai de lado aqueles prazeres pecaminosos e efêmeros da carne e o caminho dos ímpios ao teu redor e servi ao SENHOR. Porém, se vos parece mal servir ao SENHOR, escolhei, hoje, a quem sirvais: se ao maligno e príncipe das trevas, ou aos ímpios e errantes em cuja terra habitais. Eu e a minha casa serviremos ao SENHOR.” (Js 24.14-15 adaptado)

Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida.” (Ap 2.10b)

O câncer de Lula – lições e aprendizados

Considerando o momento, aproveito para disponibilizar aqui um material interessante que recebi de uma amiga médica sobre o câncer de Lula.

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Disse ela:

Tenho sido abordada para dar minha opinião sobre o triste caso do ex-presidente Lula e sua enfermidade. Estes casos fazem parte do meu dia a dia como endoscopista respiratória. Optei por enviar uma cópia da opinião de um amigo e colega de profissão com o qual mantenho contato através de um fórum sobre tabaco e doenças relacionadas. Esta é uma opinião valiosa e faço minhas as palavras e explicações do colega. Creio que é momento de exercermos a intercessão por este cidadão que enfrentará luta difícil daqui para frente.

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 O câncer de Lula – lições e aprendizados

A notícia que pegou de “surpresa” o ex-presidente Lula, a mídia, políticos e a sociedade, de modo geral, a nós, profissionais de saúde, já não nos causa tanta perplexidade, pois o câncer de laringe tem como principais autores o fumo e o álcool, dos quais o ex-presidente e agora cidadão-paciente Lula era dependente como, aliás, uma parcela significativa da população brasileira.

Quando uma pessoa pública do porte e da história do ex-presidente Lula é atingida por uma doença que poderia ser evitada – como o câncer de laringe atribuído ao fumo e ao álcool (seus principais fatores de risco) – há toda sorte de manifestações, especulações, preocupações e outras ações, nem todas decerto, dentro de um patamar que condiga com o respeito e os princípios ético-valorativos que devem reger o trato com uma questão tão grave para um paciente, quanto o diagnóstico de um câncer.

E não importa se este paciente é o Lula, nem que ele tenha dito o que disse em 2008 sobre o “suposto direito a fumar” em sua sala de trabalho. O tabaco prova mais uma vez que ninguém é passível, independente da função ou classe social, de estar imune aos seus efeitos devastadores.

“Não se pode criar experiência. É preciso passar por ela.” (Albert Camus, escritor franco-argelino)

Estive lendo atentamente várias matérias na mídia e postadas nos espaços da grande rede, algumas de solidariedade e força para este momento, outras simplesmente com uma retórica de expiação, como disse Gilberto Dimenstein, jornalista da Folha de SP ontem:

“Senti um misto de vergonha e enjôo ao receber centenas de comentários de leitores para a minha coluna sobre o câncer de Lula. Fossem apenas algumas dezenas, não me daria o trabalho de comentar. O fato é que foi uma enxurrada de ataques desrespeitosos, desumanos, raivosos, mostrando prazer com a tragédia de um ser humano. Pode sinalizar algo mais profundo.”   

Também concordo com o Dimenstein em matéria postada no mesmo jornal, no dia 29/10/2011:

http://www1.folha.uol.com.br/colunas/gilbertodimenstein/998896-cancer-de-lula-vai-servir-de-licao.shtml

Penso que nós, ativistas pelo controle do tabaco e em defesa da vida poderíamos aproveitar – no estrito bom sentido – este fato: que nem o ex-presidente Lula foi poupado dos efeitos cancerígenos do fumo e do álcool.

Cora Coralina, grande poetisa de Goiás dizia:

“Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina.”

Entre as lições que toda a sociedade pode tirar deste episódio:

1º – O câncer atribuído ao fumo e ao álcool NÃO POUPA ninguém. Todas as pessoas que fumam – qualquer derivado do tabaco – ou fazem uso abusivo de álcool TEM RISCO ELEVADO para desenvolver Câncer ao longo da vida.

2º – A MELHOR PREVENÇÃO DO CÂNCER, particularmente este tipo de câncer – laringe – é evitar o consumo do Fumo e do Álcool.

3º – Além do temível Câncer, o tabaco pode levar ao desenvolvimento e/ou agravar 55 doenças.

4º – O tabagismo e o alcoolismo são causas evitáveis de adoecimento e morte na população.

5º – O diagnóstico do câncer de laringe no ex-presidente Lula poderá representar uma grande janela de oportunidade para a conscientização da população, particularmente as camadas de menor ingresso sócio-econômico (mais atingidas pela epidemia) na Campanha do Dia Nacional de Combate ao Câncer – Dia 21 de Novembro; Veja o link Boa Saúde do UOL com informações sobre:

http://boasaude.uol.com.br/especiais/cancer/

6º – No dia 21 de Novembro poderíamos fazer uma grande manifestação nacional sobre os riscos de fumar ativa e passivamente e o câncer, aproveitando, de forma positiva o fato ocorrido com o Lula, a favor de uma ampla conscientização da sociedade, quem sabe obtendo um Depoimento do Lula em prol da campanha.

7º – Também sugiro que encaminhemos informações baseadas em evidências sobre o câncer e outras doenças atribuíveis ao tabaco aos senadores, reforçadas com o destaque que a mídia vem dando ao tema, para barrarmos no Senado Federal, todas as mudanças feitas na Medida Provisória 540/2011 que favorecem a indústria da morte – as tabageiras.

Vou ficando por aqui, em luto por ter perdido ontem um  irmão muito querido – vítima de câncer por provável exposição ocupacional ao benzeno (trabalhou em uma Companhia Siderúrgica e nunca havia fumado ou bebido) que é liberado quando da combustão do carvão de coque que alimenta os altos-fornos – lembrando que é da mesma composição os alcalóides do alcatrão e o benzopireno liberados quando da combustão incompleta da folha do tabaco, às quais estão expostas, sejam fumantes passivos ou ativos.

Para o ex-presidente Lula – que já havia parado de fumar a alguns meses, segundo informações – devemos desejar que o tratamento seja exitoso e que possa recuperar-se plenamente para usar o dom e a grande capacidade de oratória que tem, para juntar-se a todos nós para defender o direito à VOZ que não se cale diante das injustiças sociais promovidas pelos escusos interesses da indústria do tabaco e seus interlocutores.

“Somos o que fazemos, mas somos principalmente o que fazemos para mudar o que somos.” (Eduardo Galeano, escritor uruguaio)

Como outros ex-fumantes ilustres, Dr Dráuzio Varella e Oscar Niemeyer, por exemplo, um posicionamento a favor da luta antitabágica no Brasil, vinda do presidente Lula, agora ou mais adiante, seria uma grande demonstração de compromisso com saúde, e mais que isso, contra o império explorador e avassalador de uma INDÚSTRIA DO TABACO SEM LIMITES. Claro, que seja extensivo à indústria do álcool.

Será um sonho? Acreditar nos permite sonhar e lutar por nossas utopias (ou aquilo que para outros pareça utópico). (AjAraujo)

Saudações primaveris,
Alberto José de Araújo
Presidente da Comissão de Tabagismo – SBPT

Se você partir primeiro

Se você partir primeiro

A. K. Rowswell

Se você partir primeiro, e eu ficar
Para prosseguir na estrada, sozinho,
Viverei, querida minha, no jardim das lembranças,
Com a felicidade dos dias que juntos vivemos.
Na primavera esperarei por rosas vermelhas,
Quando desvanece-se o lilás azul,
No início do outono, ao cair das folhas amareladas
Lembrarei de você, ainda que num vislumbre.

Se você partir primeiro, e eu ficar
Para as batalhas ainda a serem travadas,
Cada coisa que você tocou ao longo da caminhada
Será, para mim, um lugar inviolável.
Ouvirei sempre sua voz e verei seu sorriso,
Embora cegamente eu possa tatear,
As lembranças da sua mão auxiliadora
Me amparam nesta esperança.

Se você partir primeiro, e eu ficar
Para terminar aquilo que começamos,
Nenhuma sombra espessa surgirá
Que faça esta vida parecer estranha
Nós vivemos tanta felicidade,
Nós bebemos nossa taça de alegria,
E a lembrança é um dom de Deus
Que a morte jamais pode destruir.

Se você partir primeiro, e eu ficar
Uma só coisa quero que você faça:
Ande vagarosamente por esse longo, longo caminho
Pois em breve também irei trilhá-lo.
Quero saber cada passo que você dá
Para que eu siga o mesmo caminho,
Porque um dia nesta longa, longa estrada
Você me ouvirá chamar seu nome.

(Tradução de Paulo Raposo Correia)