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A Ceia do Senhor (1Co 11.23-26)

23  Porque eu recebi do Senhor o que também vos entreguei: que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão; (1Co 11)

24  e, tendo dado graças, o partiu e disse: Isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de mim. (1Co 11)

25  Por semelhante modo, depois de haver ceado, tomou também o cálice, dizendo: Este cálice é a nova aliança no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que o beberdes, em memória de mim. (1Co 11)

26  Porque, todas as vezes que comerdes este pão e beberdes o cálice, anunciais a morte do Senhor, até que ele venha. (1Co 11)


1. A SUBLIMIDADE DA COMUNHÃO

É muito significativa esta fala de Jesus aos seus discípulos: “E disse-lhes: Tenho desejado ansiosamente comer convosco esta Páscoa, antes do meu sofrimento.” (Lc 22.15). Em contagem regressiva para enfrentar terrível sofrimento e, por fim, a morte, Jesus, o Filho de Deus encarnado, encontra um rasgo de luz, um vislumbre de consolo na presença e comunhão com os seus amados: “Ora, antes da Festa da Páscoa, sabendo Jesus que era chegada a sua hora de passar deste mundo para o Pai, tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até ao fim.” (Jo 13.1). E, nós igreja, estamos inseridos neste amor e desejo do Senhor em estar conosco, em todos os dias da nossa vida e, em especial, na celebração da Ceia do Senhor. Este mesmo sentimento espraia-se sobre nós, povo de Deus, chamados para viver em unidade e comunhão com o Senhor e uns com os outros. É na Ceia do Senhor que vivenciamos e desfrutamos do ápice desse sentimento de aconchego espiritual e de pertencimento – povo santo e de propriedade exclusiva do Senhor. Tudo isso nos faz lembrar daquele cântico antigo, mas sempre atual:

Como é doce a comunhão
Dos remidos do Senhor.
Como é doce a comunhão
Dos remidos em amor.

Comunhão contigo, sim
Da Igreja, ó Senhor.
Expressão da tua graça
E teu amor
.

Vale, então lembrar e destacar alguns conceitos e verdades sobre a Ceia do Senhor, instituída por ele mesmo na noite em que foi traído:

a)Uma ordenança: “Fazei isto”.

Trata-se de uma ordenança já que o verbo está no imperativo. A Ceia do Senhor e o Batismo constituem os dois únicos ritos da igreja. Estes ritos não são meios auxiliares da salvação, mas ordenanças estabelecidas pelo Senhor da igreja!

b) Um memorial: ”Em memória de mim”.

A finalidade era manter acesa a lembrança de Cristo e não somente de sua morte. Não era apenas uma retrospecção, mas também uma celebração. Era um momento de contrição, mas não de velório; um momento de alegria pela vitória do Mestre e não de tristeza.

c) A utilização de símbolos visíveis e sinais.

Grandes homens deixaram memoriais esplendorosos, mas que não existem mais. Os símbolos utilizados são duradouros: enquanto existir vida existirá o pão (alimento) e o vinho (produto da terra).

d) O primeiro símbolo – pão.

Um pão, comum, inteiro, fala do corpo de Cristo oferecido por nós – “Por isso, o Pai me ama, porque eu dou a minha vida para a reassumir. Ninguém a tira de mim; pelo contrário, eu espontaneamente a dou. Tenho autoridade para a entregar e também para reavê-la. Este mandato recebi de meu Pai” (Jo 10.17-18). Após as ações de graças é partido e distribuído para “cada um”, para que cada um se identifique, se una a Cristo. O seu corpo dado por nós fala-nos da sua “humanidade”, “o verbo se fez carne e habitou entre nós”.

e) O segundo símbolo – vinho.

O cálice, o vinho comum, representa o sangue de Cristo derramado por nós. No velho pacto o sangue aspergido na verga das portas livrou-os do juízo de Deus. No novo pacto, o sangue de Cristo “derramado sobre nós” tem a mesma função – “Este é o cálice da nova aliança no meu sangue derramado em favor de vós.” (Lc 22.20). O sangue só tem poder para purificar pecado e não para curar enfermidades ou expulsar demônios; para isso é o nome de Jesus! O seu sangue fala-nos da sua divindade (invisível aos nossos olhos, porém presente no seu corpo mortal). 

f) As falsas doutrinas.

Um memorial é um símbolo, não é aquilo que é simbolizado. As falsas doutrinas da TRANSUBSTANCIAÇÃO (os elementos se transformam no próprio corpo de Cristo) e da CONSUBSTANCIAÇÃO (Cristo está presente corporalmente junto com os elementos) não encontram base na Bíblia. O pão continua pão e o vinho continua vinho, em substância e natureza.

g) Uma celebração.

A Ceia do Senhor não é apenas uma questão de retrospecção, mas um ato de celebração onde ocorre o exercício da vontade, do coração, da fé, do espírito, do amor fraternal, da esperança e da consciência!

h) A nutrição espiritual.

Na travessia do deserto o povo de Israel, a caminho da Terra Prometida, foi milagrosamente sustentando pelo maná, o pão do céu (Jo 6.31-32). Jesus é o pão do céu, o maná escondido (Ap 2.17) dos que se perdem, mas revelado aos salvos, mais do que suficiente para suprir todas as suas necessidades: “Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém dele comer, viverá eternamente; e o pão que eu darei pela vida do mundo é a minha carne” (Jo 6.51; ver tb Jo 6.54, 55 e 56).

2. A RELAÇÃO DO CRENTE COM A CEIA

A relação do crente com a Ceia do Senhor pode ser assim resumida:

1º) Um ato de submissão.

Nossa vontade é exercitada em resposta à sua autoridade e o resultado é o gozo da obediência – “fazei isto”.

2º) Um ato de devoção.

Nosso coração é exercitado em resposta ao seu amor e o resultado é o gozo da afeição mútua – “em favor de vós”.

3º) Um ato de apropriação.

Nossa fé é exercitada em resposta à sua graça e o resultado é o gozo da participação – “tomai, bebei”.

4º) Um ato de adoração.

Nosso espírito é exercitado em resposta à sua deidade e o resultado é adoração.

5º) Um ato de comunhão.

Nosso amor fraternal é exercitado em resposta ao seu acolhimento e o resultado é o gozo da intimidade.

6º) Um ato de esperança.

Nossa esperança é exercitada em resposta à sua promessa e o resultado é o gozo da antecipação – “até que volte”.

7º) Um ato de exame próprio.

Nossa consciência é exercitada em resposta à sua santidade e o resultado é o gozo da restauração – “examine-se pois”.

3. OS QUATRO OLHARES DA CEIA

A celebração da Ceia do Senhor nos remete a quatro olhares:

1º) Olhar para trás (Para o Calvário)

“Porque, todas as vezes que comerdes este pão e beberdes o cálice, anunciais a morte do Senhor, …..” (1Co 11.26)

2º) Olhar para frente (Para a Segunda Vinda)

“Porque, todas as vezes que comerdes este pão e beberdes o cálice, anunciais a morte do Senhor, até que ele venha.” (1Co 11.26)

3º) Olhar para dentro (Para a nossa consciência)

Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e, assim, coma do pão, e beba do cálice;”(1Co 11.28)

4º) Olhar ao redor (Para os irmãos)

“Porventura, o cálice da bênção que abençoamos não é a comunhão do sangue de Cristo? O pão que partimos não é a comunhão do corpo de Cristo?” (1Co 10.16)

Finalmente, vale a pena investir um tempo para ouvir o hino EM MEMÓRIA DE MIM, cantado pelo Coral Canuto Regis.

Honrarias e Memoriais na igreja local

Sou filho e neto de cristãos. Freqüento igrejas evangélicas desde o ventre da minha querida mãe. Desde muito cedo tenho ouvido e lido as histórias bíblicas. Dentre elas uma sempre me impressionou muito; é a de Jesus entrando no templo, fazendo um pequeno chicote e expulsando pessoas e animais dali, porque os homens profanavam o lugar santificado fazendo negócios (Jo 2.12-17). Isso sempre nos causa grande impacto. Afinal, Jesus passou a maior parte do seu tempo aqui na terra curando, fazendo o bem, recebendo e restaurando pecadores. Os discípulos não se atreveram a fazer qualquer censura, apenas se lembraram de que estava escrito: “O zelo da tua casa me consumirá”.

Meu caráter cristão evangélico foi moldado num ambiente cristão que reforçava a todo instante que Deus é AMOROSO E MISERICORDIOSO e ao mesmo tempo SANTO e JUSTO. Como santo que é, ele requer dos seus filhos santidade de vida e de culto. Ele disse a Abraão “Anda na minha presença e sê perfeito”(Gn 17.1) e repetiu através de Jesus “Portanto, sede vós perfeitos como perfeito é o vosso Pai celeste”(Mt 5.48). Aprendi desde cedo que há dois lugares santificados que merecem constante vigilância de nossa parte para que sejam guardados imaculados: o nosso corpo e a  igreja, ambos Templos do Espírito Santo. Por extensão, a nossa residência e o edifício – lugar que consagramos para a adoração coletiva ao Senhor – devem ser preservados de toda a contaminação do mundo. Até aqui, nenhuma novidade, certo? A difícil tarefa com a qual todo crente sincero se depara continuamente é a de discernir, a cada momento, se ainda está tão puro diante do Senhor ou se já cedeu às pressões e influências do ambiente pagão que nos cerca. Muitas vezes e com as melhores intenções acabamos cedendo espaço a coisas que hoje parecem ser tão mínimas e inofensivas, porém, com o passar do tempo, se transformam em problemas graves que impedem o crescimento da igreja e cortam a nossa comunhão com Deus.

É com temor e tremor e em oração, com a consciência clamando por uma atitude, sentindo a responsabilidade de atalaia e com muita simplicidade e desejo de ajudar que abordo a questão de memoriais e seu uso em qualquer igreja local, tendo como pano de fundo o ponto de vista bíblico.

Seria uma boa prática erigir monumentos a cristãos que se destacaram na história? Será que as pessoas que ajudaram a igreja, de um modo mais especial, não merecem ser homenageadas pelo que fizeram em uma placa memorial? Não tenho dúvida de que o reconhecimento e a gratidão para com aqueles que fazem, são deveres da igreja, sempre visando a glória de Deus que a todos capacita (1 Co 16.18; Fp 2.29; Hb 11 etc.). Entretanto, erigir um memorial ou uma escultura a homens parece ser algo que vai muito além do reconhecimento e honra.

O que a Bíblia tem a dizer sobre o assunto? Que exemplos temos?

O sábio Salomão diz: “A memória do justo é abençoada” (Pv 10.7). Jesus acrescenta que contar o que alguém fez de bom, para sua memória, é boa prática (Mt 26.13). Nenhum respaldo temos aqui e em outra parte das Escrituras para se erigir esculturas ou confeccionar memoriais ou placas dedicados aos homens. Senão vejamos:

I) MEMORIAIS NO ANTIGO TESTAMENTO:

a) Para a lembrança daquilo que Deus fez – Acontecimentos importantes:

  • Páscoa, o grande memorial da libertação (Ex 12.14; 13.9 etc).
  • Passagem pelo Jordão – coluna de pedras (Js 4.7).

b) Para a lembrança daquilo que Deus quer que o seu povo faça – Os mandamentos do Senhor:

  • Lei dada a Moisés (Ex 24.4; 24.12 etc)
  • Os dez mandamentos (Dt 6.6-9). Deveriam estar como sinal no próprio corpo e nas partes da casa.

c) Para testemunho diante do Senhor – Colunas erigidas como sinal de pacto ou gratidão:

  • Pedra erigida por coluna (Jacó) (Gn 28.18, 22).
  • Pedra erigida por coluna (Josué) (Js 24.26).
  • Pedra erigida por coluna (Samuel) – “Ebenézer, … até aqui nos ajudou o Senhor” (1 Sm 7.12);

d) Para adoração ao Senhor, para prestar-lhe culto – Altar erigido por:

  • Noé (Gn 8.20);
  • Abraão (Gn 12.7; etc);
  • Jacó, “Deus, o Deus de Israel” (Gn 33.20);
  • Jacó, “El-Betel, porque ali Deus se lhe revelou” (Gn 35.7);
  • Moisés, “O Senhor é a minha Bandeira” (Ex 17.15)
  • Moisés (Ex 24.4);
  • Gideão, “O Senhor é paz” (Jz 6.24).

e) Para habitação do Senhor e serviço – Tabernáculo e vestes sacerdotais:

  • Todos os utensílios do Tabernáculo e do Templo são sublimes tipos de Jesus. Nada ali servia de memorial humano, quer dos patriarcas, quer de qualquer outro grande vulto do passado do povo judeu.
  • É somente nas vestes sacerdotais que vamos encontrar memoriais, não a uma pessoa, mas à coletividade do povo, ali representado nas doze tribos (Ex 28.12, 29). a)nas ombreiras, para lembrá-lo de que ele deveria “carregar” o povo; b)no peitoral (sobre o coração, lugar de afeição), para lembrá-lo de que isto deveria ser feito com muito amor e compaixão.

f) Para perpetuar a memória de homens!?!? – Mau exemplo:

  • Coluna erigida por Absalão para sua própria memória (2Sm 18.18).

II) MEMORIAIS NO NOVO TESTAMENTO:

O mais importante memorial do NT é a Ceia do Senhor – o memorial da redenção, cuja páscoa era o antitipo:

“E, tomando um pão, tendo dado graças, o partiu e lhes deu, dizendo: Isto é o meu corpo oferecido por vós; fazei isto em memória de mim. – (Lc 22.19)

“… e, tendo dado graças, o partiu e disse: Isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de mim. Por semelhante modo, depois de haver ceado, tomou também o cálice, dizendo: Este cálice é a nova aliança no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que o beberdes, em memória de mim.” – (1Co 11.24, 25)

É significativo que a igreja primitiva não tenha sido instruída a carregar num cordão, ou fixar num ponto qualquer, uma cruz, para memorial da morte de Cristo. Em lugar disso somos chamados à comunhão do pão e do cálice, elementos tão simples, mas com simbolismo tão profundo.

III) CONCLUSÃO:

Portanto, a Bíblia nos ensina que:

  • Só o SENHOR, a SUA PALAVRA e o que ELE FEZ merece um memorial:

“Tu, porém, SENHOR, permaneces  para sempre, e a MEMÓRIA do teu nome, de geração em geração.” (Sl 102.12)

“O teu nome, SENHOR, subsiste para sempre; a tua MEMÓRIA, SENHOR, passará de geração em geração.”  (Sl 135.13)

“Divulgarão a MEMÓRIA de tua muita bondade e com júbilo celebrarão a tua justiça.” (Sl 145.7)

  • A bênção do Senhor está condicionada a um correto tratamento desse assunto:

“…em todo lugar onde eu fizer celebrar a MEMÓRIA DO MEU NOME, virei a ti e te abençoarei.” (ÊX 20.24)

  • A contribuição dos remidos do Senhor deve formar um fundo anônimo para uso na Casa do Senhor e no seu Reino.

“Tomarás o dinheiro das expiações dos filhos de Israel e o darás ao serviço da tenda da congregação; e será para memória aos filhos de Israel diante do SENHOR, para fazerdes expiação pela vossa alma.” (Êx 30.16).

“Tu, porém, ao dares a esmola, ignore a tua mão esquerda o que faz a tua mão direita”  (Mt 6.3)

  • Imagens de escultura? Nem pensar (Ex 20.2)!!!!!!

 

Quanto à questão de memoriais na igreja local gostaria de compartilhar o seguinte:

Quando vou a um enterro no Cemitério São João Batista, por exemplo, sinto-me incomodado o tempo inteiro com o que vejo. Suntuosos jazigos, revestidos de mármore, com placas bem trabalhadas mostrando nomes de pessoas ou da família. No mesmo cemitério, vê-se também sepulturas simples. O lugar dos mortos retrata fielmente o mundo dos vivos. Reflete a ótica da sociedade em que vivemos. Nada contra os legitimamente ricos e abastados!!!! Entretanto, enquanto uns jogam dinheiro fora, na sua luxúria, nos seus hobbies extravagantes, outros catam comida no lixo para não morrerem de fome.

Por outro lado quando vou a um cemitério do tipo Jardim da Saudade, sinto que aquele ambiente condiz com o que deveria ser a ótica e a prática cristã. Todos ali têm o mesmo tipo de sepultura simbolizando que são iguais perante Deus, pó que volta ao pó. Fico confortado com aquele memorial à Biblia, bem no meio do jardim, num nível mais elevado do que as sepulturas, com aquela magnífica promessa de ressurreição, proferida pelo Senhor Jesus: “Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá; e todo o que vive e crê em mim não morrerá, eternamente. Crês isto?” (Jo 11.25, 26).

Comparar igreja com cemitério é uma péssima idéia, desculpe-me por isso. Igreja é lugar de vida e cemitério de morte! Porém, aproveitando, com ressalvas, as duas imagens acima, termino dizendo que nós cristãos temos que parar com esse negócio de placas, memoriais e honrarias a homens e mulheres cristãos, sejam estes ricos ou pobres, famosos ou não, mártires ou não etc. O melhor que fazemos é nos orientar pela Bíblia, a Palavra de Deus e tomar muito cuidado com a flexibilização dos princípios claramente estabelecidos por Deus. Toda honra e glória devem ser tributadas apenas a Deus! Aos homens e mulheres de valor, basta o reconhecimento e gratidão, de forma verbal e, no máximo, o registro em carta ou livro de atas.

“Eu sou o SENHOR, este é o meu nome; a minha glória, pois, não a darei a outrem, nem a minha honra, às imagens de escultura.” (Isaías 42.8)

Soli Deo Gloria!

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