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Os seis ciclos do casamento

Ciclos casamento

A vida é muito dinâmica. Ao longo da caminhada, novos cenários e contextos se apresentam a cada um de nós. Uma pessoa que vive até à velhice experimenta de perto o desafio e a tensão de ter que se adaptar às mudanças inerentes a cada uma das fases da vida. Num linguajar mais técnico os psicólogos chamam essas transições de fase de “crises de passagem”. Entender melhor essas fases e suas demandas, certamente nos ajudará a melhor vivenciá-las e seguir em frente.

Em certo momento ou fase da nossa existência o casamento e a vida conjugal se inserem em nossas vidas. De forma alguma a vida conjugal é algo estático e previsível. Assim como a vida é algo dinâmico, o casamento também tem seu dinamismo, os desafios de cada ciclo e contexto específico. Entender melhor esses ciclos, suas peculiaridades e demandas, contribuirá sobremaneira para o casal se preparar e vinvenciar cada momento, fortalecendo o relacionamento conjugal e familiar. Nosso propósito aqui é identificar, comentar alguns aspectos e apresentar algumas dicas e pontos críticos, inerentes às várias fases do casamento ou ciclos vitais da família. É claro que a duração sugerida para cada ciclo não é tão rígida assim; é somente uma estimativa. É claro que os seis ciclos apresentados abaixo não representam todas as situações possíveis. Um casal que nunca terá filhos é um dos cenários não tratados aqui.

1º CICLO: Casamento LOVE
Ciclo1Período: até 1 ano de casados, sem filhos.
Características dominantes:
• Romantismo / Lua de mel;
• Adaptação ao outro;
• Novo endereço;
• Assumindo responsabilidades (pagamento de contas, supermercado);
• Muita curtição na agenda.

Dificilmente as pessoas param para refletir sobre o contexto da sua vida conjugal em cada ciclo do seu casamento. Veja acima, por exemplo, as características dominantes neste primeiro ciclo. É um misto de encantamento, deslumbramento e paixão; com mudanças radicais e o assumir de responsabilidades, tais como: mudança de endereço; “perda” do convívio da família de origem; perda das mordomias (comida na mesa, roupa lavada, quarto arrumado etc etc); ter que pagar contas, fazer compras no supermercado, lavar louça etc etc. Para quem não participava da rotina doméstica é um grande desafio. E a adaptação à mudança do EU para o NÓS? Dar satisfação ao outro de onde vai, do que vai fazer; negociar a participação de cada um na rotina doméstica, o que fazer no final de semana, quando e onde passar as férias são algumas das novas obrigações dos cônjuges. É dureza avançar de fase quando um ou ambos os cônjuges não se dão conta dessas novas realidades; de que a vida de solteiro morreu!

Dica(s): Se você está vivendo este ciclo e entendeu esse novo contexto, faça a sua parte e ajude o seu cônjuge a entender e cumprir a parte dele. Em sua multiforme sabedoria, Deus, sabendo desses grandes desafios, colocou na vida do casal um ingrediente compensador e motivador: o amor, a paixão, a atração e prazer sexual, o companheirismo, a cumplicidade, um belo projeto de vida a dois a ser desenvolvido!

Pontos críticos: a)Cônjuge não cortar o “cordão umbilical” da família de origem; b)Cônjuge se fixar apenas no lado prazeroso da vida conjugal e não assumir sua responsabilidade. c)Cônjuge não renunciar o EU, a favor do NÓS.

2º CICLO: Casamento BABY
Ciclo2Período: De 2 à 7 anos de casados, com filhos pequenos.
Características dominantes:
• Gente nova no pedaço;
• Restrição da liberdade;
• Mudança da rotina;
• Noites em claro;
• Interferência familiar;
• Da badalação à embolação;

Em cada ciclo do casamento há “perdas” e “ganhos”; aspectos “favoráveis” e “desfavoráveis”. Isso é bom demais porque equilibra as coisas. Com o passar do tempo a vida do casal tende a ficar rotineira e monótona. Para isso não acontecer é preciso ter criatividade e repensar a agenda, planejar passeios, desenvolver hobbies ou atividades etc. Entretanto, há uma coisa que muda radicalmente a vida de um casal, que acaba instantaneamente com toda a monotonia e tédio; o nascimento de um filho. Filho é herança bendita do Senhor, é a continuidade da vida, mas transforma completamente a rotina do casal. As crianças são dependentes em tudo e demandam muito a presença, o trabalho e a dedicação dos pais. A agenda externa, a badalação do ciclo “só love, só love” tem que ceder espaço para a agenda interna, senão embola o meio de campo. A carreira e profissão dos cônjuges passam a disputar espaço e atenção com este pequeno ser. É preciso negociar mais coisas: quem leva para a escola ou ao médico ou ou ou…..Neste ciclo, o casal precisa ter humildade para ouvir os conselhos dos pais e parentes, mas não permitir a interferência familiar no processo de criação dos filhos; a responsabilidade do casal é indelegável.

Dica(s): Se você está vivendo este ciclo e entendeu esse novo contexto, faça os ajustes necessários na sua vida e rotina conjugal para desfrutar desse tão grande privilégio outorgado por Deus. Ele confiou a você um novo ser para você cuidar, educar e orientar. O trabalho adicional e adaptações necessárias não podem ofuscar o privilégio de tamanha bênção divina.

Pontos críticos: a)Cônjuge não assumir sua responsabilidade de pai ou mãe, sobrecarregando o outro cônjuge; b)Cônjuge se fixar apenas nos filhos, colocando o outro cônjuge em segundo plano; c)Cônjuges não renunciarem a badalação e terceirizarem a criação dos filhos. d)Cônjuges que não sabem colocar limites nos filhos e acabam sendo dominados por eles.

3º CICLO: Casamento JUNIOR
Ciclo3Período: De 8 à 15 anos de casados, com filhos pré e adolescentes.
Características dominantes:
• Tratando das influências externas sobre os filhos (amigos, escola etc);
• Respondendo aos porquês e questionamentos dos filhos;
• Lidando com a participação dos filhos na agenda do casal (férias, viagem etc);
• Muitas preocupações;
• Socorro!!! Precisamos de ajuda.

Ainda bem que os maiores desafios acontecem quando o casal está um pouco mais maduro e preparado. Se as crianças demandam muito “esforço físico”, os pré-adolescentes e adolescentes demandam dos pais mais “esforço intelectual”. Uma criança precisa ser bem mandada, já um adolescente quer entender os porquês, discutir, confrontar o que ele ouve lá fora com o que lhe é ensinado em casa, impor sua vontade, ocupar mais espaço na tomada de decisões da família etc etc. Sem perceber o tsunami de transformações internas (hormonais, mentais etc) e externas (físicas) nos filhos adolescentes, muitos pais se veem em aperto. Se no ciclo anterior você fez bem seu dever de casa, com muito amor, diálogo e orientação, este novo ciclo tem tudo para ser menos complicado. Qual o lado motivador deste ciclo? Sem dúvida é ver os filhos adolescentes ensaiando seus primeiros passos de autonomia, começando a esboçar traços de sua personalidade, alcançando suas primeiras vitórias nos novos desafios etc etc.

Dica(s): Se você está vivendo este ciclo e entendeu esse novo contexto, procure perceber o que se passa com seu filho(a). Que ele veja nos pais não pessoas cerceadoras e insensíveis, mas sim, alguém que não corta as asas, mas orienta o voo. Adolescente tem muita energia e muito impulso pelo novo, pelo ainda não experimentado. É necessário demovê-los das loucuras e canalizar tanta energia para fins proveitosos.

Pontos críticos: a)Cônjuge não assumir sua responsabilidade de pai ou mãe, sobrecarregando o outro cônjuge; b)Cônjuge se fixar apenas nos filhos, colocando o outro cônjuge em segundo plano; c)Cônjuges que permitem os filhos assumir o comando da família. d)Cônjuges que se omitem na tarefa de esclarecer os questionamentos dos filhos; não dedicam tempo a eles.

4º CICLO: Casamento JOVEM
Ciclo4Período: De 16 à 25 anos de casados, com filhos jovens.
Características dominantes:
• Lidando com dependentes quase independentes;
• O programa a dois está de volta;
• De olho nos nossos pais;
• E os gastos aumentaram $$$$.

O tempo passa, a vida segue o seu curso, o casal passa a lidar com filhos jovens. O cenário é bem mais favorável para o casal incrementar mais sua agenda a dois. Afinal, os filhos já são quase independentes; sabem se virar sozinhos e têm agenda própria. Por outro lado, os pais do casal estão envelhecendo e é preciso ficar de olho neles, principalmente se já apresentam alguma enfermidade ou limitação. A situação só não é mais tranquila porque as demandas profissionais requerem muita atenção e dedicação. Os gastos familiares podem ainda ser elevados, no caso dos filhos ainda não estarem empregados.

Dica(s): Se você está vivendo este ciclo, não se prenda por causa dos filhos jovens; aproveite a boa fase e incremente o programa a dois.

Pontos críticos: a)Cônjuge se fixar apenas nos filhos, colocando o outro cônjuge em segundo plano; b)Cônjuges que permitem os filhos assumir o comando da família. c)Cônjuges que desaprenderam a curtir e investir no outro cônjuge.

5º CICLO: Casamento SENIOR
Ciclo5Período: De 26 à 35 anos de casados, com filhos trabalhando, casando ou casados.
Características dominantes:
• Dividindo a atenção com pais, filhos e netos;
• Começando de novo;
• Enfim sós;
• Ninho vazio;
• Repensando o futuro;
• Devolvendo o que recebeu (atividade voluntária);
• Cuidando dos netos.

E agora que os filhos saíram de casa? Será que, neste caso, se aplica aquela máxima: “filhos criados, trabalho dobrado!” Creio que em alguns casos sim, em outros, não. Nunca podemos desconsiderar a lei da semeadura, aquela que diz que colhemos hoje o que semeamos no passado. Filhos bem criados normalmente dão mais alegria do que tristeza. Em qualquer dos casos, a preocupação dos pais com os filhos é sempre indelegável e constante. O “ninho vazio” nem sempre significa a liberação total do casal. Nesta fase é comum surgirem demandas como atender pais já idosos, filhos com dificuldades e netos que não têm onde ficar enquanto os pais trabalham.

Dica(s): Se você está vivendo este ciclo, cuide bem daqueles com que você mantém laços familiares, mas não descuide jamais da vida a dois!

Pontos críticos: a)Cônjuge se fixar apenas nos pais ou filhos ou netos, colocando o outro cônjuge em segundo plano; b)Cônjuges que, ao se liberarem de tarefas com os filhos que seguiram seu caminho, não preencherem seu tempo com outras atividades úteis e motivadoras. c)Cônjuges que desaprenderam a curtir e investir no outro cônjuge.

6º CICLO: Casamento CONDOR
Ciclo6Período: Após 36 anos de casados, colhendo o que plantou.
Características dominantes:
• Pendurando as chuteiras;
• Sociedade com a farmácia;
• Viajando (livre para voar);
• Novos projetos;
• Recebendo carinho, cuidado e amparo;
• Recordar é viver.

Nesta fase do casamento é bem capaz da aposentadoria já ter chegado. Agora há mais tempo livre, ainda que a disposição não é a mesma do início do casamento. Por vezes, o cuidado com a saúde quase exige uma sociedade com a farmácia. O tempo livre precisa ser bem aproveitado. Novos projetos podem ser muito estimulantes, ótima terapia ocupacional, úteis a nós mesmos e ao nosso próximo. Se o saldo bancário permitir, viajar é muito revigorante. É tempo de continuar pagando a conta do trabalho que demos aos nossos pais, cuidando deles. Mas, também é tempo de receber o retorno, o carinho e amparo dos filhos e netos aos quais dedicamos parte dos nossos bons dias.

Dica(s): Se você está vivendo este ciclo, aproveite bem cada minuto do seu tempo, pois ele se esvai, escapa por estre os seus dedos. Não entre nessa de adiar para amanhã, sonhos e projetos. Viva o hoje intensamente; aliás, faça isso em cada fase da sua vida individual ou conjugal.

Pontos críticos: a)Cônjuge se fixar apenas nos pais ou filhos ou netos, colocando o outro cônjuge em segundo plano; b)Cônjuges que, ao se liberarem de tarefas com os filhos que seguiram seu caminho, não preenchem seu tempo com outras atividades úteis e motivadoras. c)Cônjuges que desaprenderam a curtir e investir no outro cônjuge.

Conclusão:

Ciclo7Que bênção é poder vivenciar todos os ciclos do casamento. Cada um deles é uma aventura emocionante e necessária à continuidade da vida. Quem prestar bem atenção perceberá que há uma linda alternância e reciprocidade, do dar e do receber, ao longo da caminhada. No início da vida recebemos, no meio da vida doamos e, no final da vida, voltamos a receber. No que depender de você, faça essa viagem completa, percorra todos os ciclos, não se perca pelo caminho. O casamento instituído por Deus é como a vida, tem nascimento, infância, adolescência, juventude, vida adulta, velhice e morte. Seja feliz e faça outros felizes!

“Melhor é serem dois do que um, porque têm melhor paga do seu trabalho. Porque se caírem, um levanta o companheiro; ai, porém, do que estiver só; pois, caindo, não haverá quem o levante. Também, se dois dormirem juntos, eles se aquentarão; mas um só como se aquentará? Se alguém quiser prevalecer contra um, os dois lhe resistirão; o cordão de três dobras (você, seu cônjuge e Deus) não se rebenta com facilidade.” (Ec 4.9-12)

(Inspirado na temática do XIII Reencontro de Casais com Cristo, da Igreja Presbiteriana do Rio de Janeiro – NOV/2009)

Forma e Conteúdo

Forma e Conteúdo

O que é mais importante pra você, forma ou conteúdo? Qual é a sua escolha? Quer saber qual é a minha? Eu fico com os dois, forma e conteúdo, sem titubear. Veja o porquê.

Forma tem a ver com aparência, com beleza exterior.
Conteúdo tem a ver com caráter, com beleza interior.

Forma não é “fôrma” ou molde!  Forma é o jeito de se apresentar, de se mostrar, de ser visto.
Conteúdo é o que está contido em algum recipiente, mas quase sempre transcende a este.

Forma tem tudo a ver com a matéria, com o que é físico e tangível.
Conteúdo tem muito a ver com o que é abstrato, com o que é intangível e, até mesmo espiritual.

A forma esbanja esplendor e riqueza; o conteúdo enobrece a sabedoria e a humildade.
A forma é tão efêmera e transitória quanto a imagem do contorno de uma nuvem levada pelo vento. O conteúdo é tão permanente quanto a fé salvadora em Cristo Jesus que nos conduz firmemente à eternidade. O Jesus da História era uma visão passageira disponibilizada a uns poucos privilegiados da sua época; o Jesus da Fé é uma presença permanente na porção finita da vida física e na porção eterna da vida espiritual, dos salvos. A forma corpórea e visível do Espírito Santo, como pomba, descendo sobre Jesus, no seu batismo (Lc 3.22), ou ainda de línguas como de fogo, no Pentecostes (At 2.3), sobre os apóstolos e discípulos, eram passageiras; mas sua ação na vida de Jesus, dos apóstolos e dos salvos preencheu-os de forma permanente.

Na busca de um futuro cônjuge, forma e conteúdo são aspectos relevantes. A forma desperta a atração e paixão e o conteúdo aperfeiçoa o amor e companheirismo. A paixão não resiste ao tempo, mas o amor eterniza a relação. Nessa busca, tem gente que só valoriza a forma (aparência); outras ou outros, só se interessam mesmo pelo conteúdo, da conta bancária, é claro. Há pessoas que querem entender o que aproxima casais tão diferentes em suas formas individuais de ser (altura, peso, raça e cor etc), formas essas que o coração apaixonado ignora. Afinal, Deus os fez homem e mulher, formas diferentes e complementares que se atraem. Na verdade, o que não é natural é a atração entre as formas iguais ou as relações homoafetivas ou homossexuais.

No mundo tecnológico, hardware e software são parceiros inseparáveis. O hardware expressa a forma material e o software o conteúdo inteligente. A forma atrai pela beleza, conforto e praticidade; o conteúdo pela utilidade e desempenho. Nem dá pra imaginar comprar um smartphone ou automóvel etc sem avaliar hardware e software, forma e conteúdo.

É interessante como a forma ajuda no processo de identificação. Por isso usamos foto no nosso documento de identidade. Como esse recurso ainda é pouco, os setores de identificação colhem também as nossas digitais, que são formas únicas e exclusivas e nos diferenciam dos demais seres humanos. Mas a nossa identidade também tem a ver com o “nosso conteúdo” mais oculto! É através do conteúdo do nosso DNA que, por comparação, se revela de quem fomos gerados e a quem geramos. Mas DNA também tem forma, o que nos remete à extraordinária relação entre forma e conteúdo já na própria essência da vida.

Na sociedade os políticos são imbatíveis na exploração da forma, tudo para vender uma aparência que renda muitos votos. Do outro lado, os tecnocratas são especialistas e fascinados em conteúdo. De certa forma a população humana está segmentada em dois grandes grupos, os que têm mais vocação pela forma e os que se interessam mais em produzir conteúdo; entretanto, todos consumimos tanto forma quanto conteúdo.

A pedagogia é a arte de instruir, ensinar ou educar; a didática, um ramo da ciência pedagógica que se dedica a técnicas e métodos de aprendizagem. Em síntese, ambas se ocupam mais com a forma de ensinar. Já a disciplina ou matéria é o conteúdo a ser ensinado.  Isso é mais uma demonstração de que forma e conteúdo caminham lado a lado.

Na área de Comunicação e Marketing parece que a forma tem precedência ao conteúdo. Mesmo que o conteúdo, isto é, o produto ou serviço, não seja lá grande coisa, o criativo trabalho de marketing pode agregar-lhe uma nova imagem, capaz de impactar o mercado consumidor e alavancar muitas vendas.

Enquanto na Comunicação e Marketing a forma parece afetar o conteúdo, na Psicologia, certamente o conteúdo da psique afeta rigorosamente a forma exterior. É como diz o texto bíblico: “O coração alegre aformoseia o rosto, mas com a tristeza do coração o espírito se abate.” (Pv 15.13)

O Pregador do Evangelho tem que levar muito a sério duas áreas interessantes, duas disciplinas ou matérias que fazem parte do currículo de um curso de teologia: Homilética e Hermenêutica. A Homilética trata da arte de pregar, cuja ênfase está no pregador (sua aparência, sua comunicação, seu uso do idioma, sua voz, seus gestos, sua ética, sua metodologia etc). Isso tem a ver com a forma. A Hermenêutica trata da arte da interpretação do texto, neste caso, do texto sagrado. Isso, é claro, tem a ver com o conteúdo da prédica. Portanto, ambas são importantes e necessárias para se alcançar os objetivos propostos.

A forma também está presente na escrita, no alfabeto que devidamente aplicado produz o texto, que passa o conteúdo, a mensagem.

Símbolo também é forma, capaz de sintetizar uma mensagem ou um conteúdo:

Há conteúdos que eternizam a forma e há formas que eternizam o conteúdo. A cruz é uma velha conhecida da humanidade. No passado era símbolo de vergonha e maldição (Gl 3.13). Entretanto, quando a cruz teve Jesus “como conteúdo” nunca mais foi a mesma. Passou a transmitir duas mensagens de consequências eternas: REDENÇÃO (Jesus na Cruz) e RESSURREIÇÃO (Cruz vazia).

O velho e surrado legalismo até parecia se importar com o conteúdo, mas, na verdade se ocupava e se preocupava mesmo é com a forma, com a manifestação exterior, que é mais facilmente vista pelas pessoas.

Jesus rompeu com essa tradição doentia de nortear e avaliar a conduta humana e trouxe nova perspectiva para a lei mosaica, baseada não na forma, mas no conteúdo, na motivação da mente e coração. Por exemplo:

“Ouvistes que foi dito: Não adulterarás.” (Mt 5.27)
“Eu, porém, vos digo: qualquer que olhar para uma mulher com intenção impura, no coração, já adulterou com ela.” (Mt 5.28)

Os fariseus se importavam e julgavam segundo o ato praticado. Entretanto, Jesus vai muito além, argumentando que o pecado começa e se manifesta na mente, no desejo ilícito e se expressa visível e tangivelmente na cama. A origem é conteúdo, a consumação é forma. Deus é espírito e se importa com o prioritariamente com o conteúdo! O ser humano é matéria, e valoriza muito as aparências, a forma. Não faz muito tempo que as igrejas valorizavam muito mais a forma exterior, no que diz respeito aos usos e costumes de seus membros, e nem tanto o seu ser interior destes.

“A terra, porém, estava sem forma e vazia; havia trevas sobre a face do abismo, e o Espírito de Deus pairava por sobre as águas.” (Gn 1.2)

No princípio, quando tudo começou, havia um porém, a terra estava sem forma e vazia. A fascinante ação do Deus Criador deu forma e conteúdo ao que era caos. Assim, do nada, todas as coisas vieram a existir, ganharam forma e conteúdo. Nesse universo gigantesco e indescritível, até hoje não se encontrou qualquer outro planeta semelhante a Terra, com sua multiplicidade e riqueza de formas e conteúdo. É estupidamente incrível que um ser humano normal, contemple essa realidade incontestável e, mesmo assim, não encontre o Deus Criador.

No final de sua obra criadora, Deus também criou o homem. Primeiramente ele fez a forma, do pó da terra, depois insuflou em suas narinas o conteúdo, o próprio sopro do altíssimo, o fôlego de vida. Com essa forma e conteúdo o homem passou a ser alma vivente (Gn 2.7).

Apesar de todo esse diferencial planetário, apesar de todo o processo civilizatório pelo qual a humanidade tem passado, o olhar divino e dos seres humanos mais atentos, ao se dirigir para a terra, para o mundo dos seres humanos, constata, com pesar, a lamentável repetição do caos, do estado “sem forma e vazia”. Apesar de tantas formas arquitetônicas imponentes, de cidades fantásticas, de empresas sem conta, de produtos e serviços nunca antes vistos, das tecnologias de ponta, de religiosos sem conta e religiões para todos os gostos e intentos; a mente e o coração de um número cada vez maior de pessoas está “sem forma e vazia”. Há falta de forma e vazio do temor a Deus, do amor e respeito ao próximo, de caráter, de valores e princípios, de honestidade, de verdade e justiça, de tolerância, de prioridades consistentes, de solidariedade prática, de fidelidade conjugal, de amor a instituição familiar, enfim, de respeito à própria vida. As consequências da perversidade humana trará, no devido tempo, o juízo divino. Então, o caos que habita a sociedade humana voltará a se estabelecer sobre o planeta, conforme a palavra profética de Jeremias: “Olhei para a terra, e ei-la sem forma e vazia; para os céus, e não tinham luz.” (Jr 4.23)

Jamais perca a esperança! Todo esse cenário caótico sinaliza o fim dos tempos, a consumação dos séculos, a segunda vinda do Senhor Jesus. Ele já veio na forma de Servo (Fp 2.6,7; Is 53), agora virá na forma de Rei (Ap 11.15). Resista até o fim e não se deixe levar pelo que está aí, ao nosso redor. Isso não é forma e nem conteúdo pra você; é tão somente caos. Isso é a ausência da verdadeira forma e do verdadeiro conteúdo que só Jesus pode prover na vida dos que creem nele e o seguem.

Confie nesse Deus que não tem forma visível, conforme as palavras de Jesus: “O Pai, que me enviou, esse mesmo é que tem dado testemunho de mim. Jamais tendes ouvido a sua voz, nem visto a sua forma.” (Jo 5.37). O Senhor Deus se revelou a Moisés como o: “EU SOU O QUE SOU” (Ex 3.14).  Ele não precisa de forma e condena os idólatras, os que lhe querem atribuir forma, ou adoram formas, que são ídolos nulos. Ele é todo conteúdo, que quer estar em nós e mostrar a sua forma invisível através das nossas vidas visíveis!

CUIDADO COM A FORMA:

“E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.” (Rm 12.2)

PRESERVE O CONTEÚDO:

“Mantém o padrão das sãs palavras que de mim ouviste com fé e com o amor que está em Cristo Jesus. Guarda o bom depósito, mediante o Espírito Santo que habita em nós.” (2Tm 1.13-14)

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