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Posts Tagged ‘Comunicação’

Comunicar é ……. SABER OUVIR!

“As grandes pessoas monopolizam a arte de escutar. As pequenas a arte de falar.”

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“Responder antes de ouvir é estultícia (estupidez) e vergonha.” (Pv 18.13)

“Todo homem, pois, seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar.” (Tg 1.19.b)

Comunicar é arte dupla: a arte de falar, se expressar; e a arte de ouvir. Para compreender bem é preciso ouvir bem o que está sendo dito. Como, numa conversa entre duas ou mais pessoas o que vai ser dito em seguida depende do que se entendeu daquilo que foi dito antes,  é preciso concentrar-se no que se ouve, e, se necessário for, pedir para esclarecer (-Não entendi bem o que você disse) ou, confirmar o entendimento (-Então, você está dizendo que…).  

“Raríssimas são as pessoas que procuram ouvir exatamente o que a outra está dizendo”,  diz Artur da Távola (1936-2008) em seu artigo “o difícil facilitário do verbo ouvir”.  A partir de uma série de observações sobre o assunto ele cita os 12 pontos, a seguir:

1º) Em geral o receptor não ouve o que o outro fala: ele ouve o que o outro não está dizendo.

2º) O receptor não ouve o que o outro fala: ele ouve o que quer ouvir.

3º) O receptor não ouve o que o outro fala. Ele ouve o que já escutara antes e coloca o que o outro está falando naquilo que se acostumou a ouvir.

4º) O receptor não ouve o que o outro fala. Ele ouve o que imagina que o outro ia falar.

5º) Numa discussão, em geral, os discutidores não ouvem o que o outro está falando. Eles ouvem quase que só o que estão pensando para dizer em seguida.

6º) O receptor não ouve o que o outro fala. Ele ouve o que gostaria ou de ouvir ou que o outro dissesse.

7º) A pessoa não ouve o que a outra fala. Ela ouve o que está sentindo.

8º) A pessoa não ouve o que a outra fala. Ela ouve o que já pensava a respeito daquilo que a outra está falando.

9º) A pessoa não ouve o que a outra está falando. Ela retira da fala da outra apenas as partes que tenham a ver com ela e a emocionem, agradem ou molestem.

10º) A pessoa não ouve o que a outra está falando. Ouve o que confirme ou rejeite o seu próprio pensamento. Vale dizer, ela transforma o que a outra está falando em objeto de concordância ou discordância.

11º) A pessoa não ouve o que a outra está falando: ouve o que possa se adaptar ao impulso de amor, raiva ou ódio que já sentia pela outra.

12º) A pessoa não ouve o que a outra fala. Ouve da fala dela apenas aqueles pontos que possam fazer sentido para as ideias e pontos de vista que no momento a estejam influenciando ou tocando mais diretamente.

Ele mesmo conclui…:

“Esses doze pontos mostram como é raro e difícil conversar. Como é raro e difícil se comunicar! O que há, em geral, são monólogos simultâneos trocados à guisa de conversa, ou são monólogos paralelos, à guisa de diálogo. O próprio diálogo pode haver sem que, necessariamente, haja comunicação. Pode haver até um conhecimento a dois sem que necessariamente haja comunicação. Esta só se dá quando ambos os polos ouvem-se, não, é claro, no sentido material de ´escutar`, mas no sentido de procurar compreender em sua extensão e profundidade o que o outro está dizendo.

Ouvir, portanto, é muito raro. É necessário limpar a mente de todos os ruídos e interferências do próprio pensamento durante a fala alheia.

Ouvir implica uma entrega ao outro, uma diluição nele. Daí a dificuldade de as pessoas inteligentes efetivamente ouvirem. A sua inteligência em funcionamento permanente, o seu hábito de pensar, avaliar, julgar e analisar tudo interferem como um ruído na plena recepção daquilo que o outro está falando.

Não é só a inteligência a atrapalhar a plena audiência. Outros elementos perturbam o ato de ouvir. Um deles é o mecanismo de defesa. Há pessoas que se defendem de ouvir o que as outras estão dizendo, por verdadeiro pavor inconsciente de se perderem a si mesmas. Elas precisam ´não ouvir` porque, `não ouvindo´, livram-se da retificação dos próprios pontos de vista, da aceitação de realidades diferentes das próprias, de verdades idem, e assim por diante. Livra-se do novo, que é saúde, mas as apavora. Não é, pois, um sólido mecanismo de defesa.

Ouvir é um grande desafio. Desafio de abertura interior; de impulso na direção do próximo, de comunhão com ele, de aceitação dele como é e como pensa. Ouvir é proeza, ouvir é raridade. Ouvir é ato de sabedoria.

Depois que a pessoa aprende a ouvir ela passa a fazer descobertas incríveis escondidas ou patentes em tudo aquilo que os outros estão dizendo a propósito de falar.”


Veja também:

Comunicar é ……. SABER SE EXPRESSAR!

Relacionar-se é …..CONHECER-SE MELHOR E O OUTRO

Forma e Conteúdo

Forma e Conteúdo

O que é mais importante pra você, forma ou conteúdo? Qual é a sua escolha? Quer saber qual é a minha? Eu fico com os dois, forma e conteúdo, sem titubear. Veja o porquê.

Forma tem a ver com aparência, com beleza exterior.
Conteúdo tem a ver com caráter, com beleza interior.

Forma não é “fôrma” ou molde!  Forma é o jeito de se apresentar, de se mostrar, de ser visto.
Conteúdo é o que está contido em algum recipiente, mas quase sempre transcende a este.

Forma tem tudo a ver com a matéria, com o que é físico e tangível.
Conteúdo tem muito a ver com o que é abstrato, com o que é intangível e, até mesmo espiritual.

A forma esbanja esplendor e riqueza; o conteúdo enobrece a sabedoria e a humildade.
A forma é tão efêmera e transitória quanto a imagem do contorno de uma nuvem levada pelo vento. O conteúdo é tão permanente quanto a fé salvadora em Cristo Jesus que nos conduz firmemente à eternidade. O Jesus da História era uma visão passageira disponibilizada a uns poucos privilegiados da sua época; o Jesus da Fé é uma presença permanente na porção finita da vida física e na porção eterna da vida espiritual, dos salvos. A forma corpórea e visível do Espírito Santo, como pomba, descendo sobre Jesus, no seu batismo (Lc 3.22), ou ainda de línguas como de fogo, no Pentecostes (At 2.3), sobre os apóstolos e discípulos, eram passageiras; mas sua ação na vida de Jesus, dos apóstolos e dos salvos preencheu-os de forma permanente.

Na busca de um futuro cônjuge, forma e conteúdo são aspectos relevantes. A forma desperta a atração e paixão e o conteúdo aperfeiçoa o amor e companheirismo. A paixão não resiste ao tempo, mas o amor eterniza a relação. Nessa busca, tem gente que só valoriza a forma (aparência); outras ou outros, só se interessam mesmo pelo conteúdo, da conta bancária, é claro. Há pessoas que querem entender o que aproxima casais tão diferentes em suas formas individuais de ser (altura, peso, raça e cor etc), formas essas que o coração apaixonado ignora. Afinal, Deus os fez homem e mulher, formas diferentes e complementares que se atraem. Na verdade, o que não é natural é a atração entre as formas iguais ou as relações homoafetivas ou homossexuais.

No mundo tecnológico, hardware e software são parceiros inseparáveis. O hardware expressa a forma material e o software o conteúdo inteligente. A forma atrai pela beleza, conforto e praticidade; o conteúdo pela utilidade e desempenho. Nem dá pra imaginar comprar um smartphone ou automóvel etc sem avaliar hardware e software, forma e conteúdo.

É interessante como a forma ajuda no processo de identificação. Por isso usamos foto no nosso documento de identidade. Como esse recurso ainda é pouco, os setores de identificação colhem também as nossas digitais, que são formas únicas e exclusivas e nos diferenciam dos demais seres humanos. Mas a nossa identidade também tem a ver com o “nosso conteúdo” mais oculto! É através do conteúdo do nosso DNA que, por comparação, se revela de quem fomos gerados e a quem geramos. Mas DNA também tem forma, o que nos remete à extraordinária relação entre forma e conteúdo já na própria essência da vida.

Na sociedade os políticos são imbatíveis na exploração da forma, tudo para vender uma aparência que renda muitos votos. Do outro lado, os tecnocratas são especialistas e fascinados em conteúdo. De certa forma a população humana está segmentada em dois grandes grupos, os que têm mais vocação pela forma e os que se interessam mais em produzir conteúdo; entretanto, todos consumimos tanto forma quanto conteúdo.

A pedagogia é a arte de instruir, ensinar ou educar; a didática, um ramo da ciência pedagógica que se dedica a técnicas e métodos de aprendizagem. Em síntese, ambas se ocupam mais com a forma de ensinar. Já a disciplina ou matéria é o conteúdo a ser ensinado.  Isso é mais uma demonstração de que forma e conteúdo caminham lado a lado.

Na área de Comunicação e Marketing parece que a forma tem precedência ao conteúdo. Mesmo que o conteúdo, isto é, o produto ou serviço, não seja lá grande coisa, o criativo trabalho de marketing pode agregar-lhe uma nova imagem, capaz de impactar o mercado consumidor e alavancar muitas vendas.

Enquanto na Comunicação e Marketing a forma parece afetar o conteúdo, na Psicologia, certamente o conteúdo da psique afeta rigorosamente a forma exterior. É como diz o texto bíblico: “O coração alegre aformoseia o rosto, mas com a tristeza do coração o espírito se abate.” (Pv 15.13)

O Pregador do Evangelho tem que levar muito a sério duas áreas interessantes, duas disciplinas ou matérias que fazem parte do currículo de um curso de teologia: Homilética e Hermenêutica. A Homilética trata da arte de pregar, cuja ênfase está no pregador (sua aparência, sua comunicação, seu uso do idioma, sua voz, seus gestos, sua ética, sua metodologia etc). Isso tem a ver com a forma. A Hermenêutica trata da arte da interpretação do texto, neste caso, do texto sagrado. Isso, é claro, tem a ver com o conteúdo da prédica. Portanto, ambas são importantes e necessárias para se alcançar os objetivos propostos.

A forma também está presente na escrita, no alfabeto que devidamente aplicado produz o texto, que passa o conteúdo, a mensagem.

Símbolo também é forma, capaz de sintetizar uma mensagem ou um conteúdo:

Há conteúdos que eternizam a forma e há formas que eternizam o conteúdo. A cruz é uma velha conhecida da humanidade. No passado era símbolo de vergonha e maldição (Gl 3.13). Entretanto, quando a cruz teve Jesus “como conteúdo” nunca mais foi a mesma. Passou a transmitir duas mensagens de consequências eternas: REDENÇÃO (Jesus na Cruz) e RESSURREIÇÃO (Cruz vazia).

O velho e surrado legalismo até parecia se importar com o conteúdo, mas, na verdade se ocupava e se preocupava mesmo é com a forma, com a manifestação exterior, que é mais facilmente vista pelas pessoas.

Jesus rompeu com essa tradição doentia de nortear e avaliar a conduta humana e trouxe nova perspectiva para a lei mosaica, baseada não na forma, mas no conteúdo, na motivação da mente e coração. Por exemplo:

“Ouvistes que foi dito: Não adulterarás.” (Mt 5.27)
“Eu, porém, vos digo: qualquer que olhar para uma mulher com intenção impura, no coração, já adulterou com ela.” (Mt 5.28)

Os fariseus se importavam e julgavam segundo o ato praticado. Entretanto, Jesus vai muito além, argumentando que o pecado começa e se manifesta na mente, no desejo ilícito e se expressa visível e tangivelmente na cama. A origem é conteúdo, a consumação é forma. Deus é espírito e se importa com o prioritariamente com o conteúdo! O ser humano é matéria, e valoriza muito as aparências, a forma. Não faz muito tempo que as igrejas valorizavam muito mais a forma exterior, no que diz respeito aos usos e costumes de seus membros, e nem tanto o seu ser interior destes.

“A terra, porém, estava sem forma e vazia; havia trevas sobre a face do abismo, e o Espírito de Deus pairava por sobre as águas.” (Gn 1.2)

No princípio, quando tudo começou, havia um porém, a terra estava sem forma e vazia. A fascinante ação do Deus Criador deu forma e conteúdo ao que era caos. Assim, do nada, todas as coisas vieram a existir, ganharam forma e conteúdo. Nesse universo gigantesco e indescritível, até hoje não se encontrou qualquer outro planeta semelhante a Terra, com sua multiplicidade e riqueza de formas e conteúdo. É estupidamente incrível que um ser humano normal, contemple essa realidade incontestável e, mesmo assim, não encontre o Deus Criador.

No final de sua obra criadora, Deus também criou o homem. Primeiramente ele fez a forma, do pó da terra, depois insuflou em suas narinas o conteúdo, o próprio sopro do altíssimo, o fôlego de vida. Com essa forma e conteúdo o homem passou a ser alma vivente (Gn 2.7).

Apesar de todo esse diferencial planetário, apesar de todo o processo civilizatório pelo qual a humanidade tem passado, o olhar divino e dos seres humanos mais atentos, ao se dirigir para a terra, para o mundo dos seres humanos, constata, com pesar, a lamentável repetição do caos, do estado “sem forma e vazia”. Apesar de tantas formas arquitetônicas imponentes, de cidades fantásticas, de empresas sem conta, de produtos e serviços nunca antes vistos, das tecnologias de ponta, de religiosos sem conta e religiões para todos os gostos e intentos; a mente e o coração de um número cada vez maior de pessoas está “sem forma e vazia”. Há falta de forma e vazio do temor a Deus, do amor e respeito ao próximo, de caráter, de valores e princípios, de honestidade, de verdade e justiça, de tolerância, de prioridades consistentes, de solidariedade prática, de fidelidade conjugal, de amor a instituição familiar, enfim, de respeito à própria vida. As consequências da perversidade humana trará, no devido tempo, o juízo divino. Então, o caos que habita a sociedade humana voltará a se estabelecer sobre o planeta, conforme a palavra profética de Jeremias: “Olhei para a terra, e ei-la sem forma e vazia; para os céus, e não tinham luz.” (Jr 4.23)

Jamais perca a esperança! Todo esse cenário caótico sinaliza o fim dos tempos, a consumação dos séculos, a segunda vinda do Senhor Jesus. Ele já veio na forma de Servo (Fp 2.6,7; Is 53), agora virá na forma de Rei (Ap 11.15). Resista até o fim e não se deixe levar pelo que está aí, ao nosso redor. Isso não é forma e nem conteúdo pra você; é tão somente caos. Isso é a ausência da verdadeira forma e do verdadeiro conteúdo que só Jesus pode prover na vida dos que creem nele e o seguem.

Confie nesse Deus que não tem forma visível, conforme as palavras de Jesus: “O Pai, que me enviou, esse mesmo é que tem dado testemunho de mim. Jamais tendes ouvido a sua voz, nem visto a sua forma.” (Jo 5.37). O Senhor Deus se revelou a Moisés como o: “EU SOU O QUE SOU” (Ex 3.14).  Ele não precisa de forma e condena os idólatras, os que lhe querem atribuir forma, ou adoram formas, que são ídolos nulos. Ele é todo conteúdo, que quer estar em nós e mostrar a sua forma invisível através das nossas vidas visíveis!

CUIDADO COM A FORMA:

“E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.” (Rm 12.2)

PRESERVE O CONTEÚDO:

“Mantém o padrão das sãs palavras que de mim ouviste com fé e com o amor que está em Cristo Jesus. Guarda o bom depósito, mediante o Espírito Santo que habita em nós.” (2Tm 1.13-14)

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