A expressão “entrar com o pé direito” tem origem muito antiga, ligada a crenças religiosas, simbólicas e culturais do mundo antigo, e não nasce propriamente da Bíblia, embora dialogue fortemente com o simbolismo bíblico da direita.
1. ORIGEM DA EXPRESSÃO
a) Origem no mundo antigo (grego e romano)
Na Antiguidade clássica, especialmente entre gregos e romanos, havia a crença de que:
⊳ O lado direito era favorável, promissor e benéfico.
⊳ O lado esquerdo era associado ao azar, mau presságio ou perigo.
Os romanos usavam o termo dexter (direito) para indicar habilidade, sorte e bom presságio, enquanto sinister (esquerdo) passou a carregar o sentido de ameaçador ou negativo – origem direta da palavra “sinistro”.
✅Assim, começar algo com o pé direito significava iniciar sob bons presságios.
b) Práticas rituais e supersticiosas
Era comum, em rituais pagãos e costumes sociais:
⊳ Entrar em casas, templos ou ambientes importantes com o pé direito primeiro.
⊳ Levantar-se da cama com o pé direito.
⊳ Iniciar viagens ou cerimônias com gestos à direita.
🍀Essas práticas tinham o objetivo de invocar sorte, proteção e sucesso.
c) Diálogo com o simbolismo bíblico
Embora a expressão seja cultural, ela se harmoniza com a exposição bíblica, na qual:
⊳ A direita simboliza força, honra, autoridade e bênção.
⊳ A mão direita de Deus é o instrumento do agir salvador.
⊳ Estar à direita indica aprovação e favor divino (Sl 110.1; Mt 25.34).
Assim, mesmo sem origem bíblica direta, o uso popular foi facilmente assimilado em sociedades de tradição cristã, pois a Bíblia reforça o valor simbólico da direita como lugar de bênção.
d) Chegada ao português
A expressão chegou ao idioma português por influência do latim vulgar e das culturas europeias, especialmente ibéricas, mantendo o sentido original:
🍀 “Entrar com o pé direito” significa: começar bem, com sorte, sucesso ou boa expectativa.
e) Síntese da expressão
| Aspecto | Explicação |
| Origem | Mundo greco-romano |
| Base cultural | Superstição e simbolismo |
| Direita | Sorte, honra, favor |
| Esquerda | Mau presságio |
| Relação bíblica | Convergência simbólica, não origem |
| Sentido atual | Bom começo, êxito inicial |
Enfim, é claro que o cristão verdadeiro não segue superstições e crendices humanas, mas se orienta pela Palavra de Deus: “Senhores, por que fazeis isto? Nós também somos homens como vós, sujeitos aos mesmos sentimentos, e vos anunciamos o evangelho para que destas coisas vãs vos convertais ao Deus vivo, que fez o céu, a terra, o mar e tudo o que há neles;” (At 14.15)
E, como e quando surgiram as designações político-ideológicas de DIREITA e ESQUERDA, no mundo?
2. DESIGNAÇÃO POLÍTICO-IDEOLÓGICA
As designações político-ideológicas “Direita” e “Esquerda” surgiram de forma histórica, concreta e relativamente recente, ligadas a um evento específico: a Revolução Francesa, no final do século XVIII.
Os termos “Esquerda” e “Direita” são termos que originalmente identificaram posicionamentos diferentes. “Os termos ´esquerda` e ´direita` apareceram durante a Revolução Francesa, de 1789, e o subsequente Império de Napoleão Bonaparte, quando os membros da Assembleia Nacional se dividiam em partidários do rei à direita do presidente e simpatizantes da revolução à sua esquerda.”[1]
a) A divisão espacial no plenário no salão da Assembleia
🔵 À direita do presidente da Assembleia:
⊳ Sentavam-se os defensores da monarquia, ainda que constitucional.
⊳ Apoiadores da Igreja, da tradição e da ordem social herdada.
⊳ Favoráveis à manutenção de hierarquias sociais.
Esse grupo passou a ser chamado de Direita.
🔴 À esquerda do presidente:
⊳ Sentavam-se os revolucionários mais radicais.
⊳ Defensores de reformas profundas.
⊳ Críticos da monarquia, dos privilégios e do poder da Igreja.
Esse grupo passou a ser chamado de Esquerda.
⚠️ Importante: não foi uma teoria, mas um arranjo físico casual que gerou os dois termos.
Portanto, os que estavam à direita apoiavam a autoridade real (o imperador) e os que estavam à esquerda, defendiam os representantes do povo. Assim, na teoria, a direita passou identificar aqueles que defendem o status quo (ordem socioeconômica vigente), conservando as supostas desigualdades e privilégios sociais; enquanto a esquerda os que questionam o status quo e supostamente defendem uma sociedade mais justa e igualitária.
Com o tempo, os termos deixaram de ser apenas espaciais e passaram a designar posições políticas e ideológicas estáveis.
b) Consolidação e expansão para o mundo
Direita (sentido clássico)
⊳ Defesa da tradição.
⊳ Valorização da ordem, da autoridade e das instituições históricas.
⊳ Ceticismo quanto a mudanças rápidas.
⊳ Proteção da propriedade privada.
Esquerda (sentido clássico)
⊳ Defesa da igualdade social.
⊳ Crítica a hierarquias tradicionais.
⊳ Promoção de reformas ou rupturas.
⊳ Valorização do papel do Estado como agente de justiça social.
Durante o século XIX:
⊳ Os termos se espalharam pela Europa.
⊳ Foram incorporados aos debates sobre liberalismo, socialismo e conservadorismo.
No século XX:
⊳ Passaram a identificar blocos ideológicos globais:
- Capitalismo × Socialismo.
- Liberalismo econômico × Estatismo.
- Conservadorismo × Progressismo.
Cada país adaptou os termos à sua própria realidade.
Na prática, atualmente, esses termos servem apenas de um rótulo, de uma forma reduzida e facilitadora para designar duas ideologias antagônicas e imperfeitas – capitalismo e socialismo – que de alguma forma pressionam-se mutuamente e, talvez, favoreçam a busca do equilíbrio social. Os extremos, isto é, tanto a tirania do capital quanto a ditadura do proletariado são danosas e não contribuem para uma sociedade justa e igualitária.
Na verdade, esse assunto é demasiadamente complexo, pois tem como pivô o ser humano falível, imperfeito, egoísta e pecador. Como alcançar uma sociedade ideal se a sua base – o ser humano – tem uma natureza má e corrompida pelo pecado? Numa sociedade plural e diversa, como conciliar tantos interesses, sensos (individuais e dos seus grupos de afinidade) de certo e errado tão variados, princípios e conceitos éticos lastreados em tantas religiões e filosofias de vida? O desafio é permanente e, provavelmente, insuperável.
É profundamente lamentável o cenário no qual vivemos atualmente, especialmente no Brasil. Sob o discurso recorrente de uma suposta defesa da democracia e do Estado Democrático de Direito, certas autoridades vêm adotando, de forma reiterada, práticas que se aproximam perigosamente da tirania e da imposição de um pensamento único. Aqueles que ousam divergir são frequentemente perseguidos, censurados ou silenciados. Paradoxalmente, quanto mais se invoca a palavra “democracia”, mais se observa o distanciamento da Constituição Federal, a criação arbitrária de regras e a perseguição sistemática de opositores políticos.
A esse quadro sombrio soma-se uma imprensa maculada que, para muitos, perdeu credibilidade e independência. Movida por interesses oportunistas e por benefícios concedidos pelo poder estatal, deixa de cumprir seu papel essencial de informar com responsabilidade, expor os fatos com isenção e defender a verdade; passando a atuar, não raras vezes, como instrumento de narrativas convenientes ao poder ou ao sistema dominante.
Não se pode ignorar, ainda, a atuação de políticos marcados pela corrupção, pela mentira e pelo apego a privilégios sustentados pelo sacrifício do contribuinte. Alguns defendem abertamente regimes autoritários, ao mesmo tempo em que manipulam a população com programas assistencialistas e discursos que se dizem voltados aos pobres e às minorias, quando, na realidade, buscam apenas comprar apoio político e perpetuar-se no poder. Outros negociam seus votos e suas convicções de forma inescrupulosa, em troca de vantagens pessoais, demonstrando total desprezo pelo bem comum, pela ética pública e pela responsabilidade que lhes foi confiada pelo povo.
Diante de tudo isso, resta-nos clamar para que Deus nos conceda discernimento na escolha de nossos representantes e nos fortaleça para resistir a um sistema dominante, opressor e desalinhado com os valores da justiça, da liberdade e da verdade – um sistema que penaliza cidadãos honestos, empreendedores, trabalhadores e geradores de empregos, os quais, com seus impostos e esforços, sustentam a nação.
Especialmente em ano eleitoral, é necessário lembrar alguns princípios importantes:
🏛️A Igreja não faz nem promove militância político-partidária. Sua missão é espiritual, pastoral e formadora de consciência; não eleitoral.
🏛️A Igreja não idolatra candidatos ou partidos, mas pode – e deve – apoiar aqueles com princípios, valores e propostas que mais se aproximem daqueles que a norteiam à luz da fé cristã.
🏛️A Igreja defende a liberdade de opinião, com responsabilidade; a vida em todas as suas fases; a família segundo os valores bíblicos; e, a obediência às autoridades constituídas, desde que tal obediência não viole a fé, a consciência e a Palavra de Deus.
🏛️A Igreja ora pelas autoridades constituídas, para que Deus transforme corações endurecidos em corações sensíveis à justiça, à verdade e ao compromisso com o bem comum; ou, para que, segundo a sua soberana vontade, sejam removidos da vida pública.
✝️O cristão não pode ser um “isentão”, nem um alienado político, pois é no campo da política que se definem os rumos da sociedade, as leis que regulam a vida em comum e os limites do que é permitido ou proibido.
✝️O cristão não vota nem apoia candidatos corruptos, mentirosos ou desonestos, pois isso contradiz os valores do Evangelho.
✝️O cristão não se deixa seduzir por discursos fantasiosos, por promessas fáceis ou por candidatos que encantam com palavras (“encantadores de serpentes”), mas entregam destruição, injustiça e frustração.
✝️O Cristão não flerta com o socialismo-comunismo, mas rejeita ideologias nefastas que atentam contra a fé e a liberdade religiosa, incluindo sistemas que historicamente perseguem, censuram e matam cristãos, suprimindo direitos fundamentais e a dignidade humana.
Que Deus nos ajude!
[1] Wikipédia


Bom dia! Muito boa explicação e oportuna nesse ano de eleição. Precisamos estar atento e ser responsável na hora do voto. Que Deus tire essa corrupção que nos tem afligidos de varias formas , um saco furado que nunca se enche(impostos). A igreja deve se afastar da politica, para não ficar nas mãos deles.