“Venho sem demora. Conserva o que tens, para que ninguém tome a tua coroa.” (Ap 3.11)
Introdução
A crítica de que evangélicos são “conservadores” geralmente parte da ideia de que conservar é algo negativo ou retrógrado. No entanto, biblicamente e filosoficamente, conservar é preservar aquilo que se considera verdadeiro, bom e valioso. Abaixo seguem alguns argumentos.
1) O ENSINO BÍBLICO
Há vários textos bíblicos que orientam a guardar, conservar, manter. A Bíblia usa repetidamente a linguagem de guardar, reter, permanecer, conservar:
Antigo Testamento:
“SENHOR, Deus de nossos pais Abraão, Isaque e Israel, conserva para sempre no coração do teu povo estas disposições e pensamentos, inclina-lhe o coração para contigo;” (1Cr 29.18)
“Perguntou o SENHOR a Satanás: Observaste o meu servo Jó? Porque ninguém há na terra semelhante a ele, homem íntegro e reto, temente a Deus e que se desvia do mal. Ele conserva a sua integridade, embora me incitasses contra ele, para o consumir sem causa.” (Jó 2.3)
“guarda as veredas do juízo e conserva o caminho dos seus santos.” (Pv 2.8)
“Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o coração, porque dele procedem as fontes da vida.” (Pv 4.23)
“Filho meu, guarda as minhas palavras e conserva dentro de ti os meus mandamentos.” (Pv 7.1)
“O que adquire entendimento ama a sua alma; o que conserva a inteligência acha o bem.” (Pv 19.8)
Novo Testamento
“Se me amais, guardareis os meus mandamentos.” (Jo 14.15)
“por ele também sois salvos, se retiverdes a palavra tal como vo-la preguei, a menos que tenhais crido em vão.” (1Co 15.2)
“julgai todas as coisas, retende o que é bom;” (1Ts 5.21)
“… Não te tornes cúmplice de pecados de outrem. Conserva-te a ti mesmo puro.” (1Tm 5.22)
“Mantém o padrão das sãs palavras que de mim ouviste com fé e com o amor que está em Cristo Jesus. Guarda o bom depósito, mediante o Espírito Santo que habita em nós.” (2Tm 4.13-14)
“Venho sem demora. Conserva o que tens, para que ninguém tome a tua coroa.” (Ap 3.11)
A Bíblia não trata esses princípios como provisórios, mas como ordenanças e ensinos a serem observados. Portanto, para o cristão, conservar esses valores é questão de fidelidade a Deus.
2) SÓ SE CONSERVA AQUILO QUE TEM VALOR!
Na vida cotidiana, conservar é um ato de reconhecimento de valor:
Conserva-se alimento, para que não apodreça.
Conserva-se dinheiro e bens, para não perder patrimônio.
Conserva-se a saúde, com disciplina e prevenção.
Conserva-se a amizade, cultivando-a.
Conserva-se a memória histórica, para não repetir erros.
Conserva-se a fé, como o maior tesouro espiritual.
Ninguém chama de “retrógrado” alguém que conserva a própria saúde ou protege seus filhos. Conservar é um ato racional.
Assim, quando evangélicos defendem a família monogâmica heterossexual, estão dizendo: “Consideramos isso valioso” – não por capricho cultural, mas por convicção teológica e antropológica.
3) TODOS SÃO CONSERVADORES DE ALGO
A crítica ao “conservadorismo” muitas vezes é seletiva. Toda pessoa conserva aquilo que considera essencial.
O progressista é conservador de seu progressismo.
O marxista conserva os princípios de Karl Marx.
Regimes inspirados no comunismo histórico preservaram com rigor os escritos de Vladimir Lenin.
Movimentos ideológicos preservam seus manifestos, slogans e símbolos.
Militantes defendem com firmeza suas pautas morais e políticas.
Eleitores frequentemente mantêm apoio a políticos alinhados à sua ideologia; inclusive os idiotizados a seus políticos de estimação – mentirosos e corruptos.
Ou seja, a diferença não está entre “conservadores” e “não conservadores”, mas no objeto da conservação!!!
Se alguém considera a revolução moral um valor, irá conservá-la! Se o cristão considera o ensino bíblico um valor, irá preservá-lo!
4) SEM PRINCÍPIOS SÓLIDOS NÃO HÁ SUSTENTAÇÃO
Historicamente e sociologicamente, nenhuma sociedade se mantém sem fundamentos estáveis:
Sem compromisso com a verdade, a comunicação se dissolve.
Sem fidelidade conjugal, a estrutura familiar enfraquece, se rompe.
Sem responsabilidade moral, cresce a desordem.
Sem valores compartilhados, a coesão social se fragmenta.
O próprio Senhor Jesus usa a metáfora estrutural:
Mateus 7.24-27 – A casa construída sobre a rocha permanece; sobre a areia, cai. Princípios funcionam como alicerces. Uma família, uma igreja ou uma nação não se sustentam apenas em emoções ou tendências culturais mutáveis.
Conclusão
Ser conservador, do ponto de vista cristão, não significa rejeitar toda mudança.
Significa:
Preservar o que é essencial.
Distinguir entre avanço legítimo e ruptura destrutiva.
Manter fidelidade ao que se crê ser revelação divina.
A pergunta central não é: “Você é conservador?” Mas: “O que você considera valioso o suficiente para conservar?”
Podemos concluir com uma pergunta simples:
Se a sua casa estivesse pegando fogo, o que você salvaria primeiro? Os álbuns de família? Os documentos importantes? Os filhos? Ou você correria para salvar uma lata vazia, amassada, que um dia teve algum conteúdo?
Ninguém em sã consciência preserva lixo e abandona tesouro!
E, no entanto, vivemos um tempo curioso:
🟥 Chama-se de “retrógrado” quem deseja conservar valores, mas aplaude-se quem descarta fundamentos.
🟥 A palavra “conservador” virou quase um insulto.
🟩 Mas, conservar significa apenas uma coisa: proteger aquilo que se considera valioso.
Nós conservamos:
A saúde, porque é necessária.
A família, porque é preciosa.
O dinheiro, porque tem valor.
A memória, porque tem significado.
A fé, porque sustenta a alma.
A verdadeira questão não é se alguém é conservador – Todos somos!
A pergunta objetiva é:
O que você considera valioso o suficiente para conservar?
Porque uma sociedade que joga fora seus fundamentos não está avançando – está se desfazendo.
Que Deus nos ajude!
Bibliografia
1. Bíblia Sagrada (SBB – Versão Revista e Atualizada). 2. Bíblia Online – SBB. 3. Internet.
Quando um cristão evangélico se vê diante da palavra ou evento carnaval naturalmente lhe vem à mente a ideia de “festa da carne”, no sentido de uma ocasião em que se dá vazão, sem limites, aos desejos e prazeres da carne (ou carnais). Entretanto, é muito curioso e, até certo ponto surpreendente, verificar sua etimologia.
O termo carnaval deriva do latim medieval carnem levare – “abstenção de carne” – relacionado ao início da Quaresma. O latim carnem levare designava a véspera da quarta-feira de cinzas, isto é, o dia em que se iniciava a abstinência de carne como alimento animal exigida pela Quaresma. Portanto, o significado primário era dietético e litúrgico, não moral-sexual. O carnaval marcava, assim, o último momento antes dessa restrição. Durante a Quaresma, especialmente na tradição católica medieval, evitava-se: Carne, Festas, Casamentos e Celebrações públicas.
Portanto, a associação com “desejos carnais” é posterior e interpretativa, não etimológica. Na teologia bíblica, especialmente no Novo Testamento, “carne” (sarx, no grego) frequentemente significa: (i) Natureza pecaminosa; (ii) Inclinações desordenadas; (iii) Desejos contrários ao Espírito (cf. Gálatas 5.16-21). Contudo, essa não é a origem linguística da palavra “carnaval”.
Origem do carnaval
O carnaval possui uma origem pouco definida. É apenas provável que suas raízes estejam ligadas a antigas festividades de caráter religioso, celebradas em honra ao renascimento da natureza com a chegada da primavera. Em um horizonte histórico mais próximo – e certamente mais concreto – sua origem pode ser associada às celebrações da Antiguidade de cunho orgiástico[1], como as bacanais e as saturnais romanas.
Na conceituação secular e histórica, o carnaval corresponde a um conjunto de folguedos populares tradicionalmente realizados nos três dias que antecedem o início da Quaresma – do domingo da quinquagésima[2] à terça‑feira gorda. Registros históricos indicam que seu modelo mais célebre teve origem na Itália, especialmente em Roma, acompanhada por cidades como Veneza, Florença, Turim, Ivrea e Nápoles. Fora da Itália, diversas cidades europeias também prestaram – ou ainda prestam – culto ao espírito carnavalesco, entre elas Munique e Colônia, na Alemanha, e Paris e Nice, na França. Nos Estados Unidos, destacam‑se os festejos de New Orleans.
A posição da Igreja Católica Romana.
“Nem sempre foram cordiais as relações entre as autoridades eclesiásticas e os carnavalescos, cujas atitudes desregradas mereceram censura de alguns papas e doutores da Igreja. O que prevaleceu, contudo, por parte da Igreja, no tocante à festa popular, foi uma atitude geral de tolerância, tanto mais quanto a fixação cronológica dos períodos momescos gira em torno de datas determinadas pela própria Igreja. O carnaval antecede a Quaresma. É uma festa de características pagãs, mas que termina em penitência, na tristeza das cinzas.”[3]
A Quaresma tem início na quarta-feira de cinzas e se estende por 40 dias (não contando os domingos), terminando na Semana Santa. Ela começa imediatamente após o carnaval. Sequência tradicional no calendário cristão histórico: 1º)Carnaval – últimos dias antes da Quaresma (domingo, segunda e terça-feira); 2º)Quarta-feira de Cinzas – início da Quaresma; 3º) 40 dias de penitência; 4º) Semana Santa; 5º) Páscoa.
É provável que em algum momento da história alguns “fiéis católicos” tenham acreditado que, a cada ano, podiam dar vazão aos desejos carnais, no carnaval, e depois participariam de uma purificação espiritual, na Quaresma, e ficaria tudo bem. Historicamente, essa não é a finalidade oficial da Quaresma – mas, sociologicamente, essa percepção muitas vezes acabou se formando. Entretanto, na teologia cristã histórica (católica), preferimos acreditar que a Quaresma nunca foi apresentada como: “Peque à vontade no carnaval e depois compense com penitência.”. Mas, que a proposta sempre foi: Arrependimento sincero, Exame de consciência, Jejum, Oração e Preparação para a Páscoa.
Rei momo e licenciosidade
A figura do Rei Momo no carnaval é simbólica e tem raízes na mitologia grega, sendo posteriormente incorporada às tradições carnavalescas europeias e, depois, brasileiras.
➡️📜 Origem mitológica
O nome Momo vem do grego Momus, que na mitologia era: O deus da zombaria; Da sátira; Da crítica; Da ironia. Ele representava o espírito da irreverência, da crítica às autoridades e da liberdade de expressão através do riso.
➡️🎭 Simbolismo no carnaval
No contexto carnavalesco, o Rei Momo simboliza:
👑 a) A inversão da ordem
Durante o carnaval, ocorre simbolicamente uma “suspensão” das normas sociais rígidas. O Momo é coroado como rei temporário, representando: ⊳ A troca simbólica de papéis. ⊳ A quebra de hierarquias. ⊳ A liberdade momentânea
Isso remete às antigas festas medievais de inversão social.
🍷 b) A celebração do excesso
Tradicionalmente, o Rei Momo é representado como: Figura alegre, Corpulenta, Exuberante, Festiva.
Ele encarna: A fartura, A liberdade, A indulgência, A despreocupação.
🎉 c) O espírito da festa
Quando recebe simbolicamente a “chave da cidade”, ele declara aberto o carnaval. Isso representa: ⊳ Autorização para festejar. ⊳ Início da folia. ⊳ Entrega ao clima carnavalesco.
Ao final do período, sua “realeza” termina – marcando o fim da festa.
➡️🏛 Dimensão histórica-cultural
O Rei Momo foi incorporado ao carnaval brasileiro no início do século XX, inspirado nos carnavais europeus (principalmente o francês). No Brasil, tornou-se: ⊳ Figura oficial das aberturas de carnaval. ⊳ Personagem simbólico das prefeituras. ⊳ Representação midiática do evento.
➡️🔎 Análise simbólica mais profunda
Sob uma perspectiva sociológica, Momo representa: ⊳ A legitimação temporária da desordem! ⊳ A institucionalização da irreverência! ⊳ A permissão simbólica do exagero!
Sob uma perspectiva cristã crítica, alguns veem nessa figura: ⊳ A exaltação da zombaria! ⊳ A celebração da carne! ⊳ A substituição da sobriedade pela euforia irresponsável!
Para o cristão evangélico, a avaliação de qualquer prática cultural deve ser feita à luz das Escrituras. Embora o carnaval seja apresentado socialmente como expressão cultural, lazer e entretenimento, a Bíblia nos chama a discernir os valores espirituais que permeiam nossas escolhas – “julgai todas as coisas, retende o que é bom;” (1Ts 5.21). Sob essa perspectiva, o carnaval apresenta diversos aspectos que entram em conflito com os princípios do Reino de Deus, da Fé Cristã.
1. Estímulo à bebedeira e à perda do domínio próprio
O consumo excessivo de álcool é amplamente associado ao carnaval. A embriaguez compromete o discernimento, enfraquece o autocontrole e abre espaço para outros pecados.
📖 “E não vos embriagueis com vinho, no qual há dissolução, mas enchei-vos do Espírito,” (Ef 5.18) 📖 “Ora, as obras da carne são conhecidas e são: … bebedices, glutonarias e coisas semelhantes a estas, …” (Gl 5.19-21)
📝 A vida cristã é marcada pelo domínio próprio, fruto do Espírito (Gl 5.22-23), não pela entrega aos excessos.
2. Promoção da sensualidade e da imoralidade sexual
O carnaval frequentemente exalta o corpo de forma erotizada, banalizando a nudez e incentivando desejos carnais desordenados.
📖 “Pois esta é a vontade de Deus: a vossa santificação, que vos abstenhais da prostituição;” (1Ts 4.3) 📖 “Fugi da impureza. Qualquer outro pecado que uma pessoa cometer é fora do corpo; mas aquele que pratica a imoralidade peca contra o próprio corpo.” (1Co 6.18)
📝 A Bíblia ensina que o corpo do crente é templo do Espírito Santo (1Co 6.19-20), devendo ser tratado com honra e pureza, não como objeto de exibição e desejo.
3. Incentivo à idolatria e a práticas espirituais contrárias à fé cristã
Historicamente, muitos elementos do carnaval dialogam com crenças religiosas não cristãs, cultos a entidades espirituais e práticas simbólicas incompatíveis com a fé bíblica.
📖 “Não terás outros deuses diante de mim.” (Êx 20.3) 📖 “… Ou que comunhão, da luz com as trevas?….” (2Co 6.14-17)
Muitos sambas de carnaval exploram temas relacionados a religiões de matriz africana, como o Candomblé e a Umbanda. Esses conteúdos são muitas vezes retratados nas letras de samba, onde referências a orixás, rituais, e elementos dessas religiões aparecem travestidos de expressão cultural e simbólica. De fato, o Carnaval brasileiro tem sido um espaço privilegiado para a celebração e o reconhecimento das contribuições culturais e espirituais oriundas da África. Respeitamos as crenças das pessoas, mas não concordamos com aquelas que conflitam com a fé cristã.
Diversas escolas de samba já incorporaram em seus enredos elementos das religiões de matriz africana, exaltando a ancestralidade, os orixás e os rituais. Alguns exemplos incluem:
Mangueira (1998) – “A Namíbia, eu vou” > “Que valeram os abismais, Oxum, Xangô, Iemanjá /Sementes de cor, os filhos de Zumbi.”
Portela (1964) – “Canta, Canta, Minha Gente” > “A força dos orixás, a coroa de Ogum, Ogum guerreiro / A brisa, Oxum, e a batida de seus filhos!”
Salgueiro (1993) – “É de Azeite, É de Jurema” > “Oxum, sua lágrima de ouro / Acorda Iemanjá, Deus mãe dos mares / Acende a vela do candomblé e joga a onda do pai Xangô.”
Império Serrano (1982) – “Ο Canto do Rio” > “Vem, Iemanjá, filha do céu, senhora do mar, / O teu mando/ O seu culto é tradição do Império Serrano.”
Esses trechos são reflexos das influências das religiões africanas que, ao lado das expressões culturais tradicionais brasileiras, permeiam os enredos do carnaval e deixam claro o vínculo espiritual e cultural com os orixás e divindades afro-brasileiras.
📝 O cristão é chamado à exclusividade espiritual, adorando somente ao Senhor e rejeitando práticas que relativizem essa devoção.
4. Incentivo ao sexo sem compromisso e à banalização do matrimônio
A atmosfera do carnaval frequentemente normaliza relações sexuais passageiras, sem responsabilidade emocional, moral ou espiritual.
📖 “Digno de honra entre todos seja o matrimônio, bem como o leito sem mácula; porque Deus julgará os impuros e adúlteros.” (Hb 13.4) 📖 “mas, por causa da impureza, cada um tenha a sua própria esposa, e cada uma, o seu próprio marido.” (1Co 7.2)
📝 A Bíblia apresenta a sexualidade como uma dádiva divina a ser vivida com responsabilidade, compromisso e aliança.
5. Disseminação de doenças e desprezo pelo cuidado com o corpo
O comportamento desregrado associado ao carnaval contribui para a propagação de doenças, especialmente as sexualmente transmissíveis, revelando desprezo pela saúde física.
📖 “Acaso, não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que está em vós, o qual tendes da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos?” (1Co 6.19) 📖 “Porque fostes comprados por preço. Agora, pois, glorificai a Deus no vosso corpo.” (1Co 6.20)
📝 O cuidado com o corpo também é um ato de mordomia cristã.
6. Falsa sensação de felicidade e fuga momentânea da realidade
O carnaval promete alegria, mas oferece (quando oferece) apenas uma satisfação passageira, frequentemente seguida de imenso vazio, culpa e frustração.
📖 “Há caminho que ao homem parece direito, mas ao cabo dá em caminhos de morte.” (Pv 14.12) 📖 “Até no riso tem dor o coração, e o fim da alegria é tristeza.” (Pv 14.13)
📝 A verdadeira alegria não está na euforia momentânea, mas em um relacionamento vivo e pessoal com Deus – “… porque a alegria do SENHOR é a vossa força.” (Ne 8.10)
7. Promoção do pecado e afastamento da comunhão com Deus
De modo geral, o carnaval cria um ambiente favorável à prática do pecado e ao enfraquecimento da vida espiritual.
📖 “Não ameis o mundo nem as coisas que há no mundo.” (1Jo 2.15-17) 📖 “Sede santos, porque eu sou santo.” (1Pe 1.15-16)
📝 O cristão é chamado a viver de forma contracultural, refletindo os valores do Reino de Deus mesmo em meio a uma sociedade que segue em direção oposta.
Considerações finais
O carnaval é uma festa mundial que vem de há muito tempo. O carnaval brasileiro, nos últimos 50 anos, não deixou de ser popular, mas mudou de forma.
Ele passou: ⊳ De festa comunitária para evento institucional. ⊳ De brincadeira espontânea para espetáculo coreografado. ⊳ De expressão local para produto “cultural” global.
Hoje, convivem dois carnavais: ⊳ Um organizado, caro e espetacular. ⊳ Outro livre, popular e imprevisível.
Na década de 2000 o carnaval passou a ser visto como espetáculo global. Nesse período se consolidou como:
Produto turístico internacional.
Evento televisivo de alta audiência.
Fantasias caríssimas.
Camarotes VIP.
Distanciamento entre quem assiste e quem desfila.
Forte controle institucional (ligas, regulamentos, julgadores).
➡️ Muitos críticos passaram a falar em “desfile para jurados e câmeras”, não mais para o povo. Como resposta à espetacularização, surge um movimento de retorno ao carnaval orgânico, sobretudo nos blocos de rua.
Enfim, com o Crescimento na mídia (TV), Interesse turístico, Apoio do poder público e Patrocinadores, pode-se dizer que o cristão terá que conviver com a realidade do carnaval por muito tempo, mantendo-se distante.
Ressaltamos que a posição bíblica para esse distanciamento não se fundamenta em moralismo vazio, mas em um chamado ao discernimento espiritual, à santidade e à vida abundante em Cristo (Jo 10.10). Diante disso, muitos cristãos optam conscientemente por não participar e não assistir o carnaval (nem na TV e nem numa arquibancada ou camarote de Sambódromo), não por desprezo às pessoas, mas por fidelidade ao Senhor.
📖 “Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus.” (1Co 10.31)
A pergunta final não é apenas “posso participar?”, mas: “Isso glorifica a Deus e edifica minha vida espiritual?”
Se, por um lado o carnaval é uma realidade, por outro lado sempre será possível construir um contraponto. Vamos imaginar que as lideranças de todas as igrejas cristãs evangélicas se unissem e ressignificassem para si esse “feriadão de carnaval” e o denominassem de “Dedicatio Tempus” (Tempo de Dedicação), um tempo de recolhimento (pessoal ou coletivo) e dedicação especial a Deus. Fica aí a dica!!!
Bibliografia
1. Bíblia Sagrada (SBB – Versão Revista e Atualizada). 2. Bíblia Online – SBB. 3. Encyclopaedia Britannica do Brasil Publicações Ltda – 1982. 4. Internet.
[1] Orgiástico: Em linguagem histórica, antropológica ou literária, orgiástico refere-se a rituais ou festividades da Antiguidade marcados por: exaltação coletiva, liberdade de costumes, danças frenéticas, bebidas, e uma atmosfera de descontrole ritualizado. Não significa necessariamente “orgias” no sentido moderno e sexualizado, mas sim festas intensas, exuberantes e catárticas, como as bacanais dedicadas a Baco / Dioniso.
[2] Designa o domingo que ocorre cinquenta dias antes da Páscoa.
[3] Encyclopaedia Britannica do Brasil Publicações Ltda – 1982.
Adorar, louvar e agradecer a Deus não são exatamente a mesma coisa, embora estejam relacionados entre si e muitas vezes aconteçam juntos em nossas expressões de fé. Veja a diferença entre esses três termos à luz da Bíblia:
1. Adorar a Deus
Sem dúvida, o termo “adorar” encontra-se hoje profundamente desgastado, pois passou a ser usado de forma corriqueira para expressar simples apreço ou preferência por coisas, lugares ou pessoas: “adoro esse filme”, “adoro esse perfume”, “adoro viajar”, “adoro conversar com fulano”. Contudo, à luz de seu significado bíblico e teológico – que envolve reverência, submissão e reconhecimento da absoluta supremacia de Deus –, tal uso banal esvazia a profundidade do termo. Aqueles que já compreenderam o caráter sublime da adoração deveriam, conscientemente, reservar essa palavra para aquilo que lhe é próprio, evitando seu emprego no uso comum e cotidiano.
A Bíblia ensina que adoração (proskynéō / latréuō) é um ato direcionado exclusivamente a Deus. Nenhum ser criado – anjos, “santos”, líderes, pessoas famosas ou imagens – pode ser alvo de adoração, muito menos aquilo com o qual interagimos neste mundo. Prestar adoração a outro que não seja Deus é chamado de idolatria.
A Bíblia é inequívoca ao ensinar que somente Deus – Pai, Filho e Espírito Santo – deve ser adorado. Esse princípio não é cultural, mas doutrinário, ético e espiritual, atravessando toda a Escritura. Jesus afirma: “Então, Jesus lhe ordenou: Retira-te, Satanás, porque está escrito: Ao Senhor, teu Deus, adorarás, e só a ele darás culto.” (Mt 4.10). O apóstolo Paulo denuncia: “pois eles mudaram a verdade de Deus em mentira, adorando e servindo a criatura em lugar do Criador, o qual é bendito eternamente. Amém!” (Rm 1.25).
Adorar a Deus significa reconhecer quem Deus é, sua grandeza, santidade, majestade e soberania. Envolve reverência profunda, submissão, temor e amor absoluto.
A ênfase ou foco é o ser e caráter de Deus.
Adorar a Deus é prostrar-se submisso diante dele, cultuá-lo, dedicar-lhe amor extremo, devoção e veneração como o ser mais sublime do universo (Gn 24.26; Êx 34.8; 1Sm 1.3; Mt 8.2; 9.18; 15.25).
A palavra grega[1]προσκυνέω (proskynéō) indica “prostrar-se”, “render homenagem”. Já o termo λατρεύω (latréuō) expressa o serviço religioso (prestar culto).
A palavra hebraica[2]shachah tem sentido semelhante de “curvar-se”, “se prostrar”.
Adora-se a Deus como fruto de um compromisso de vida (Mt 15.7-9).
Adora-se a Deus “em espírito” (não exatamente com expressões externas) e “em verdade” (com sinceridade) (Jo 4.20-24).
Exemplos bíblicos:
📖“Ao Senhor, teu Deus, adorarás, e só a ele darás culto.” (Mt 4.10, cf. Dt 6.13) 📖 “Vinde, adoremos e prostremo-nos; ajoelhemos diante do SENHOR, que nos criou.” (Sl 95.6)
Portanto, nós adoramos a Deus por quem ele é, por seus atributos divinos:
📖“Tributai ao SENHOR a glória devida ao seu nome; trazei oferendas e entrai nos seus átrios; adorai o SENHOR na beleza da sua santidade.” (1Cr 16.29) 📖 “Adorai o SENHOR na beleza da sua santidade; tremei diante dele, todas as terras.” (Sl 96.9)
⚠️Atenção! Ao orarmos, não é recomendável nos expressarmos da seguinte maneira: 🙏– Senhor, eu te adoro por mais um ano de vida que tu me concedeste. 🙏– Senhor, eu te adoro por ter passado no vestibular. 🙏– Senhor, eu te adoro pelo novo emprego que consegui. 🙏– Senhor, eu te adoro pela esposa (ou pelo marido, ou pelos filhos) que tu me deste. 🙏– Senhor, eu te adoro por …. (bênçãos materiais recebidas).
2. Louvar a Deus
Louvar a Deus significa exaltar, elogiar e proclamar os seus feitos, atributos e obras, geralmente por meio de palavras, cânticos e orações.
Louvar a Deus é expressar o reconhecimento da sua grandeza, dos seus méritos, dos seus atributos incomparáveis e inigualáveis: Onipotência, Onipresença, Onisciência, Eternidade, Amor, Perfeição, Santidade, Verdade, Justiça, Fidelidade, Misericórdia etc.
A ênfase no louvor é o que Deus faz como manifestação da sua grandeza e poder: salva, cura, age com justiça etc.).
A palavra grega αἰνέω (aineō) ou ἔπαινος (epainos), tem o sentido de “elogiar, glorificar”.
A palavra hebraica halal, de onde vem “Aleluia” (hallelu-Yah = louvem ao Senhor ou Deus seja louvado).
Exemplos bíblicos:
📖“Designou dentre os levitas os que haviam de ministrar diante da arca do SENHOR, e celebrar, e louvar, e exaltar o SENHOR, Deus de Israel, a saber,” (1Cr 16.4) 📖 “Ele é o teu louvor e o teu Deus, que te fez estas grandes e temíveis coisas que os teus olhos têm visto.” (Dt 10.21) 📖 “Louvai-o pelos seus poderosos feitos; louvai-o consoante a sua muita grandeza. ⁶ Todo ser que respira louve ao Senhor. Aleluia!”(Sl 150.2, 6)
➡️Atenção! Quando oramos ou cantamos, podemos louvar e exaltar a Deus por suas obras grandiosas:
– Seu amor, misericórdia, fidelidade e justiça, renovados diariamente. – A criação, essa maravilhosa obra das suas mãos! – Sua preciosa obra de salvação em Cristo. – O milagre da transformação de um pecador. – Seus milagres e cuidado dispensados aos seus filhos a cada dia.
3. Agradecer a Deus
Agradecer é reconhecer com gratidão o que Deus nos deu ou fez por nós. É uma resposta a bênçãos recebidas, desde o alimento até as bênçãos espirituais, mas, também, nas e pelas provações – “dando sempre graças por tudo a nosso Deus e Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo,” (Ef 5.20).
A ênfase é tudo o que Deus nos dá ou nos proporciona.
A palavra grega εὐχαριστέω (eucharistéō)tem o sentido de “agradecer”, “dar graças”.
A palavra hebraica é yadáh, que também pode significar “confessar”, “dar graças”.
Exemplos bíblicos:
📖“Em tudo, dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco.” (1Ts 5.18) 📖 “Entrai por suas portas com ações de graças e nos seus átrios, com hinos de louvor; rendei-lhe graças e bendizei-lhe o nome.” (Sl 100.4)
➡️Atenção! Ao orarmos, podemos nos expressar assim:
🙏 – Senhor, eu te agradeço por mais um ano de vida que tu me concedeste. 🙏 – Senhor, eu te agradeço por ter passado no vestibular. 🙏 – Senhor, eu te agradeço pelo novo emprego que consegui. 🙏 – Senhor, eu te agradeço pela esposa (ou pelo marido, ou pelos filhos) que tu me deste. 🙏 – Senhor, eu te agradeço por …. (bênçãos materiais recebidas).
Conclusão
Resumindo:
Ação
Ênfase principal
Como expressar
Adorar
Quem Deus é.
Prostração, oração, silêncio reverente.
Louvar
O que Deus é e faz. (atributos e obras divinos)
Cânticos, palavras de exaltação.
Agradecer
O que Deus nos dá ou fez.
Palavras, orações de gratidão.
Glorificar
Sua majestade, santidade e valor supremo.
Atitudes, obediência, caráter e testemunho.
A adoração e o louvor também implicam a glorificação de Deus. Glorificar a Deus é manifestar, reconhecer e honrar a sua glória não apenas por meio de palavras ou cânticos, mas por uma vida inteira marcada por atitudes, obediência, caráter e testemunho. Trata-se de evidenciar quem Deus é – sua majestade, santidade e valor supremo.
No hebraico, o termo kabéd expressa a ideia de “peso”, “valor” e “importância”, indicando a dignidade e a relevância incomparáveis de Deus. Já no grego, δοξάζω (doxazō) significa “tornar evidente” ou “manifestar a glória”, apontando para uma vida que reflete visivelmente a grandeza de Deus.
Glorificar a Deus é atribuir-lhe glória eterna e celestial e a ninguém mais:
📖 “Glorificar-te-ei, pois, entre os gentios, ó SENHOR, e cantarei louvores ao teu nome.” (Sl 18.49) 📖 “vós que temeis o SENHOR, louvai-o; glorificai-o, vós todos, descendência de Jacó; reverenciai-o, vós todos, posteridade de Israel.” (Sl 22.23) 📖 “Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus.” (Mt 5.16) 📖 “Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus.” (1Co 10.31)
🧠A glorificação envolve conduta, escolhas e estilo de vida.
Bibliografia
1. Bíblia Sagrada (SBB – Versão Revista e Atualizada). 2. Bíblia Online – SBB. 3. Internet / ChatGPT / Copilot.
Que Deus nos conduza a nos dirigirmos a ele de maneira sábia e apropriada!
[1] Novo Testamento: grego. [2] Antigo Testamento: hebraico.