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Posts Tagged ‘Adoração’

Refletindo sobre a adoração

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“Celebrarei as benignidades do SENHOR e os seus atos gloriosos, segundo tudo o que o SENHOR nos concedeu e segundo a grande bondade para com a casa de Israel, bondade que usou para com eles, segundo as suas misericórdias e segundo a multidão das suas benignidades. Porque ele dizia: Certamente, eles são meu povo, filhos que não mentirão; e se lhes tornou o seu Salvador.” (Isaías 63.7-8)

Introdução:

“Adoração” é um, entre tantos outros termos que passam a fazer parte da vida dos cristãos regenerados por Cristo e nem sempre são entendidos de forma correta. Assim, vamos estudar melhor o assunto, com vistas a aprimorarmos nosso relacionamento com Deus. Afinal, nós fomos regenerados para o “louvor da glória de sua graça” (ver Ef 1.3-6 e Pergunta 1 dos Catecismos de Westminster).


1. O QUE É ADORAÇÃO? “QUEM” OU “O QUE” PODE SER ADORADO?

Podemos dizer que adoração é um termo que denomina a forma mais significativa de expressar apreço, homenagem, honra e glória a poderes superiores, sejam eles seres humanos, anjos ou Deus. Desta forma, somente caberia aqui, como alvo e objeto de adoração uma divindade, um ser supremo. Esse também seria objeto de devoção, temor, reverência, veneração etc. No decorrer da história, muitos têm desejado ocupar ou usurpado esse lugar, tais como faraós, monarcas, imperadores, presidentes, líderes populistas, líderes religiosos etc, muitas vezes num contexto de fanatismo idolátrico ou ideológico.

Equivocadamente, pessoas e coisas são efetivamente adoradas por seres humanos. Frequentemente este termo tem sido banalizado no cotidiano como se fosse sinônimo de “gostar muito”: Eu “adoro” essa música; eu “adoro” meu pai(mãe), ou meu filho(a), ou meu marido(esposa), ou outra determinada pessoa; eu “adoro” esse canal de TV, esse filme, meu emprego etc.   Entretanto, esse lugar tão especial está reservado para ser ocupado por apenas um ser, o Deus Criador e Mantenedor do Universo. Isso está claramente definido nos três primeiros mandamentos (Ex 20.1-7; Dt 5.6-11) e foi ratificado por Jesus: “Então, Jesus lhe ordenou: Retira-te, Satanás, porque está escrito: Ao Senhor, teu Deus, adorarás, e só a ele darás culto.” (Mt 4.10; Lc 4.8). E, o Salmo 96 expressa um lindo tributo à glória e majestade de Deus.


2.
COMO ADORAR?

 A adoração requer a expressão, a comunicação do cristão com Deus. Então, vejamos como acontece a comunicação humana, no nível horizontal e no nível vertical, isto é, com os outros seres humanos e com Deus.

a) Comunicação Horizontal (meios):

Como nos comunicamos com os outros?

i.      Com a boca: – Falando
  – Cantando
  – Emitindo sons (risos, choros, assobio etc.)
ii.      Com o corpo: – Através de gestos, de ações, das emoções etc.
iii.      Com a vida: – Pelo conjunto da obra


b) Comunicação Vertical (meios):

Como nos comunicamos com Deus?

i.      Com a boca: – Falando  (Oração)
  – Cantando (Louvores)
  – Emitindo sons (risos, choros etc.)
ii.      Com a mente: – Com pensamentos
iii.      Com o corpo: – Através de gestos, de ações, das emoções etc.
iv.      Com a vida: – Pelo conjunto da obra


3. A ADORAÇÃO NO ANTIGO TESTAMENTO (AT)

a) A primeira vez em que a bíblia registra algo nessa linha é quando Abel toma a iniciativa de apresentar uma oferta ao Senhor (Gn 4.3)

b) A segunda vez é no nascimento de Enos, filho de Sete, filho de adão: “…daí se começou a invocar o nome do SENHOR.” (Gn 4.26b)

c) No recomeço da história humana, após o dilúvio, há o seguinte registro: “Levantou Noé um altar ao SENHOR e, tomando de animais limpos e de aves limpas, ofereceu holocaustos sobre o altar.” (Gn 8.20)

d) Os patriarcas (Abraão, Isaque e Jacó) adoravam construindo altares e oferecendo sacrifícios (Gn 12.7-8; 26.25; 33.20).

e) Com a outorga da Lei[1] veio a adoração no Tabernáculo e, posteriormente, no Templo, com um sistema completo de Sacrifícios. Os sacrifícios do AT eram provisórios (Hb 10.4) e apontavam para o Cordeiro de Deus (Jo 1.29; Hb 9.9-15), cujo sangue (sua morte na cruz) nos limpa de todo pecado (1Jo 1.7). Esse sistema do AT pode ser assim sintetizado:

Sacrifícios de expiação – Oferta pelo pecado
– Oferta pela culpa
Ofertas de Consagração – Ofertas queimadas
– Ofertas de grãos (com ofertas de manjares)
Ofertas de Comunhão – Ofertas pacíficas (ato voluntário de adoração, agradecimento e ação de graças)

f) A adoração nas Sinagogas começou durante o Cativeiro de Israel.

No início, no meio e no final do AT encontramos recados explícitos de Deus aos ofertantes:

i. Tanto o ofertante, quanto a sua oferta precisam agradar a Deus (Abel e Caim – Gn 4.3-5).

ii. Obedecer é melhor do que Sacrificar (Samuel disse a Saul – 1Sm 15.22).

iii. Deus não suporta iniquidade associada ao Culto (Is 1.10-15; Am 5.21-23).

iv. O sacrifício dos perversos é abominável ao SENHOR, mas a oração dos retos é o seu contentamento. (Pv 15.8).


4. A ADORAÇÃO NO NOVO TESTAMENTO (NT) E NA IGREJA

a) A adoração no templo e nas sinagogas continua no NT.

b) Na conversa de Jesus com a mulher samaritana, que estava tão confusa quanto a um lugar específico para adoração, ele esclarece que o Pai procura adoradores que o adorem em espírito e em verdade (Jo 4.19-24).

c) Na epístola aos romanos temos o seguinte apelo: “Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional.” (Rm 12.1)

d) A igreja de Corinto, tinha muitos problemas, que foram tratados pelo apóstolo Paulo. Ele também teve que orientá-la quanto a liturgia do culto, particularmente quanto ao uso dos dons espirituais (1Co 14.26-40).

e) À igreja de Éfeso Paulo instrui: “falando entre vós com salmos, entoando e louvando de coração ao Senhor com hinos e cânticos espirituais,” (Ef 5.19)

f) À igreja de Colossos Paulo recomenda: “Habite, ricamente, em vós a palavra de Cristo; instruí-vos e aconselhai-vos mutuamente em toda a sabedoria, louvando a Deus, com salmos, e hinos, e cânticos espirituais, com gratidão, em vosso coração.” (Cl 3.16)

g) Enfim, da adoração cristã fazem parte a pregação da Palavra (At 20.7), a leitura das Escrituras (1Tm 4.13), a oração (1Tm 2.8), os cânticos de louvor (Ef 5.19) e as ofertas (1Co 16.1-2), além do Batismo (At 2.37-41) e da Ceia do Senhor (1Co 11.23-29).

h) O Cordeiro de Deus que é adorado pela igreja, na terra, no livro de Apocalipse é adorado eternamente (Ap 5.8-14; 15.2-4).


5. A ADORAÇÃO INDIVIDUAL

a) Cultuando a Deus (Nós em Deus).

  • Confessando: para que eu obtenha o perdão dos pecados cometidos (por comissão – pensamentos, palavras e ações; ou, por omissão) e assim possa me aproximar dele.
  • Agradecendo: pelas bênçãos recebidas, desde o alimento até as bênçãos espirituais, mas, também, pelas provações.
  • Louvando: por sua grandeza, pelos seus atributos – Onipotência, Onipresença, Onisciência, Eternidade, Amor, Perfeição, Santidade, Verdade, Justiça, Fidelidade, Misericórdia etc.
  • Adorando: por quem ele é, por seus poderosos feitos e por tudo o que ele tem feito por nós, em Cristo.
    • Só a Deus (Mt 4.10);
    • Fruto de um compromisso de vida (Mt 15.7-9);
    • “Em espírito” (não exatamente com expressões externas) e “em verdade” (com sinceridade) (Jo 4.20-24)

b) Em Comunhão com Deus (Deus em Nós).

  • Falando abertamente com Deus sobre as nossas coisas. “Trazendo” o Senhor para o nosso cotidiano.
  • Esperando por sua resposta: “De manhã, SENHOR, ouves a minha voz; de manhã te apresento a minha oração e fico esperando.” (Sl 5.3)

c) Intercedendo.

  • Pelo Reino de Deus:

Para que sejam instrumentos da realização da vontade de Deus na terra.

  • Pelo nosso Próximo:

Na Família, na Vizinhança, na Igreja, na Escola, no Trabalho etc.

  • Pelas Autoridades constituídas:

Para que exerçam com sabedoria e competência as suas respectivas funções.

d) Com Petições e Súplicas (Por mim).

“Invoca-me, e te responderei; anunciar-te-ei coisas grandes e ocultas, que não sabes.”(Jr 33.3)

“com toda oração e súplica, orando em todo tempo no Espírito e para isto vigiando com toda perseverança e súplica por todos os santos” (Ef 6.18)

Conclusão:

Precisamos ter sempre em mente a grandeza de Deus e de sua graça e tributar-lhe a verdadeira adoração. Precisamos estar atentos ao fato de nossos cultos serem realizados para adorar e agradar a Deus, ou a homens e seus modismos de última hora. Por mais belos que sejam os templos, os cenários, as músicas, as coreografias etc, nada disso pode nos afastar do foco de glorificar e adorar a Deus. Finalmente, precisamos assegurar que a nossa adoração, individual ou coletiva, encontra lastro numa vida santificada.

Você tem adorado a Deus em espírito e em verdade?
……………………………….

[1] As três dimensões da lei mosaica:
– Lei Moral (os dez mandamentos) – A que manda fazer o bem e evitar o mal;
– Lei Civil ou Social – A que regula as mútuas relações entre os cidadãos;
– Lei Cerimonial ou Religiosa – A que determina as regras de culto a Deus.


Nota: esboço pessoal de aula, preparado por mim, para facilitar a ministração da Aula 5 (A adoração no corpo) – Módulo 5 – EBD Catedral 2016, de modo a atender a temática proposta no material elaborado pelo Pr. Joel Theodoro para os alunos. Foram feitas algumas alterações para divulgação neste blog.

O cristão e a idolatria

Idolatria

Creio que o mais grave pecado que o ser humano pode cometer é aquele contra o Deus único e verdadeiro, contra a Trindade Santa: Deus-Pai, Deus-Filho e Deus-Espírito Santo. O segundo é aquele pecado cometido contra outro ser humano (e contra si mesmo, também). Não é sem razão que Jesus resumiu toda a lei mosaica da seguinte forma: “Mestre, qual é o grande mandamento na Lei? Respondeu-lhe Jesus: Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento.  Este é o grande e primeiro mandamento. O segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo.” (Mt 22.36-39).

Não crer na existência de Deus é ateísmo; não prestar adoração exclusivamente a Deus, mas voltar-se para outros “objetos” de culto, isto é “coisas ou astros ou animais ou pessoas etc” é idolatria. Idolatria é o ato de adorar, que tem os seguintes significados no dicionário:

Adorar: (lat adorare) vtd 1 Reverenciar, venerar. 2 Amar extremamente, idolatrar. 3 Gostar muito de. 4 Prestar culto a; cultuar. (Dicionário de Português Online – Michaelis)

Idolatria é o ato de adorar, ou reverenciar, ou cultuar, ou amar extremamente, a esses objetos,  ou “ídolos”, ou “imagens”, ou “seres”, ou “pessoas”, ou a algum elemento da natureza como se estes fossem deuses, e, não exclusivamente ao Deus único e verdadeiro, criador dos céus e da terra.

1)  Há quanto tempo há idolatria?

Desde os tempos mais remotos, há notícias de que os povos se curvavam diante de algo que consideravam ser deus. A Bíblia menciona o pai de Abraão (Terá) como alguém que servia a outros deuses (Js 24.2). Abraão foi tirado do meio dessa idolatria que era praticada não só pelos seus antecessores mas também pelos povos antigos, para servir a um Deus único e verdadeiro e ser o pai de uma grande nação, depositária da revelação divina – Israel. Os descendentes do seu tio Naor continuaram nessa prática pecaminosa, o que é revelado no incidente do furto dos “ídolos do lar”, por Raquel, filha de Labão, filho de Betuel, filho de Naor (Gn 31. 19, 30, 32-35).

Desde de sua origem, na chamada de Abraão (cerca de 2000 aC), o povo de Israel deveria ser diferente, isto é, monoteísta, enquanto os demais povos eram politeístas. Deus travou permanente batalha com o povo judeu, desde sua formação efetiva, após a saída do Egito, até o exílio (586 aC), para demovê-lo da prática do pecado da idolatria. Para que não houvesse dúvida, deixou registrado na Lei máxima, nos Dez Mandamentos, os dois primeiros mandamentos, nestes termos:

1º) “Não terás outros deuses diante de mim.” (Ex 20.3)

2º) “Não farás para ti imagem de escultura, nem semelhança alguma do que há em cima nos céus, nem embaixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não as adorarás, nem lhes darás culto; porque eu sou o SENHOR, teu Deus, Deus zeloso, ….. (Ex 20.4-5)

A história do Antigo Testamento (AT) é a história da luta de Deus, através dos seus profetas, contra a idolatria.

2)  O que Deus pensa dos deuses e dos ídolos?

−  Os deuses dos povos não passam de ídolos, objetos sem qualquer valor (1Cr 16.26; Sl 96.5);

−  São apenas prata e ouro, obra das mãos dos homens (Sl 115.4; 135.15; Os 13.2);

−  São cargas mortas que só fazem cansar os animais de carga (Is 46.1-2);

−  Não podem livrar o homem, pois são tão frágeis que até o vento os carrega  (Is 57.13);

−  Os ídolos, seus artífices e os seus seguidores formam a “comunidade da nulidade” (Jr 2.5; Is 44.9; Hc 2.18-19).

3)  A quem Deus pode ser comparado?

Alguns profetas apresentaram uma comparação entre os ídolos e Deus para que o povo caísse em si e visse o quão insensata e ridícula é a adoração de ídolos (Is 40; 46; Jr 10, etc).

ÍDOLOS

DEUS

“Um homem corta para si cedros, toma um cipreste ou um carvalho, fazendo escolha entre as árvores do bosque; planta um pinheiro, e a chuva o faz crescer. Tais árvores servem ao homem para queimar; com parte de sua madeira se aquenta, e coze o pão, e também faz um deus e se prostra diante dele, esculpe uma imagem e se ajoelha diante dela…Nada sabem, nem entendem; porque se lhes grudaram os olhos, para que não vejam, e os seus corações já não podem entender” (Is 44.14,15,18)“Os que gastam o ouro da bolsa, e pesam a prata nas balanças, assalariam os ourives para que façam um deus, e diante deste se prostram e se inclinam. Sobre os ombros o tomam, levam-no e o põem no seu lugar, e aí ele fica; do seu lugar não se move; recorrem a ele, mas nenhuma resposta ele dá, e a ninguém livra da sua tribulação” (Is 46.5-7)“Os ídolos são como um espantalho em pepinal, e não podem falar; necessitam de quem os leve, porquanto não podem andar. Não tenhais receio deles, pois não podem fazer mal, e não está neles o fazer o bem “ (Jr 10.5). “Ó Senhor, quem é como tu entre os deuses? Quem é como tu glorificado em santidade, terrível em feitos gloriosos, que operas maravilhas?” (Ex 15.11)“A quem me comparareis para que eu lhe seja igual? E que coisa semelhante confrontareis comigo?…Lembrai-vos das coisas passadas da antiguidade; que eu sou Deus e não há outro semelhante a mim; que desde o princípio anuncio o que há de acontecer, e desde a antiguidade as coisas que ainda não sucederam..” (Is 46.5, 9,10a)“Ninguém há semelhante a ti, ó Senhor; tu és grande e grande é o  poder do teu nome. Quem te não temeria a ti, ó Rei das nações? Pois isto é a ti devido; porquanto entre todos os sábios das nações, em todo o seu reino, ninguém há semelhante a ti…Mas o Senhor é verdadeiramente Deus; ele é o Deus vivo e o rei eterno; do seu furor treme a terra, e as nações não podem suportar a sua indignação…O Senhor fez a terra pelo seu poder; estabeleceu o mundo por sua sabedoria, e com a sua inteligência estendeu os céus. Fazendo ele ribombar o trovão, logo há tumulto de águas no céu, e sobem os vapores da terra; ele cria os relâmpagos para a chuva, e dos seus depósitos faz sair o vento.” (Jr 10.6,7,10,12,13)

 −  Adorar a ídolos é trocar Deus por algo ridículo e desprezível (Sl 106.19-20).

 −  Os que carregam ídolos em procissões são ignorantes (Is 45.20).

 −  Os idólatras serão envergonhados (Is 45. 16).

 −  O ídolo do deus Dagom (filisteus) caiu duas vezes diante da arca (1Sm 5.1-5).

−  As vezes os ídolos “servem para alguma coisa” (1Sm 19.12-17).

−  As predições foram feitas por Deus para que o povo não atribuísse determinadas situações aos ídolos (Is 48.1-5).

−  Só o Criador tem poder sobre a criação (Jr 14.22).

4)  O que Deus ordenou a respeito de outros deuses e imagens?

A fabricação de qualquer escultura era proibida (Ex 20.23; 34.17; Lv 19.4; 26.1).  Apesar dessa proibição Deus mandou que se fizesse querubins de ouro (Ex 25.17-22; 1Rs 6.23-26) e uma serpente de bronze, para teste de obediência (Nm 21.8-9; comp. Jo 3.14-15) e não para adoração como o povo acabou fazendo (2Rs 18.4 – Neustã).

Nenhuma aparência de Deus foi vista quando o Senhor falou ao povo no monte Horebe, para que não se corrompessem, fazendo imagem na forma de ídolo (Dt 4.15-19).

Diante do segundo mandamento (Ex 20.4-6), como determinar a fronteira entre a Arte e a Idolatria?

5)  Como a idolatria era tratada no Antigo Testamento?

− Os reis idólatras foram avaliados como maus reis (1Rs 16.13 – Baasa, Elá; 16.26 – Onri; 1Rs 21.25-26 – Acabe; 2Rs 21.10-18 – Manassés; 2Rs 21.21; 2Cr 33.21-25 – Amon).

− A idolatria era considerada prostituição (espiritual) (Ez 16.35-52; 23.5-48; 36.16-21).

− O perigo dos ídolos levantados dentro do coração (Ez 14.1-11).

− Os ídolos profanavam o templo (Jr 7.30; Ez 8.10).

− O cativeiro de Israel teve como causa a quebra da Aliança, principalmente a idolatria (2Rs 17.7-23).

− Os idólatras são amaldiçoados por Deus (Sl 97.7).

− Os profetas denunciaram veementemente a idolatria e anunciaram a  consequente destruição da nação de Israel  e  de outras nações  por causa deste grave pecado contra a glória de Deus (Is 2.5-21; 10.10-11; Jr 9.13-16; 18.15-17; Ez 6.1-14; 7.20-21; 8.17-18; 20.1-32; 22.1-31; Os 13.1-3; Am 8.14; Mq 1.7; Sf 1.2-18 – Israel e Judá;  Is 19.1-3; Jr 43.12; Ez 30.13 – Egito;  Jr 50.2 – Babilônia).

− A renovação da Aliança exigia a remoção dos ídolos (Gn 35. 1-15;  1Rs 15.12-13 – A reforma de Asa; 2Rs 23.24  – A reforma de Josias; 2Cr 33.1-20 – Profanação e restauração por Manassés).

− Predição de uma reforma após o cativeiro (Ez 11.17-21; Ez 37.23; Zc 13.2). Pode-se dizer que após o cativeiro o povo de Israel abandonou os ídolos.

6)  Como Deus reagiu diante da idolatria?

− Os ídolos provocam a ira de Deus (Dt 32.16-21; Jr 8.19; 16.18).

− Deus executou juízo sobre os deuses do Egito (Ex 12.12).

− É tido por justo o matador de idólatras (Nm 25.1-18; comp. Sl 106.28-31).

− Deus mandou derrubar os altares dos povos dominados por Israel (Ex 34. 12-16; Nm 33.51-52; Dt 7.5; Jz 2.2).

− Deus mandou e Gideão derrubou o altar de Baal, do seu próprio pai, o que colocou em risco a sua vida (Jz 6.25-32).

− O Espírito do Senhor incitou Zacarias a reagir contra a idolatria. Este obedeceu e acabou sendo morto por mandado do rei Joás (2Cr 24.17-22).

7)  Como a Igreja primitiva se relacionou com as comunidades idólatras?

Paulo, em Atenas, se revoltava intimamente com a idolatria reinante na cidade (At 17.16). Ele não pregava diretamente contra os deuses gregos, mas a Jesus e a ressurreição (At 17.18). Teve a ousadia de dizer que o Deus que ele anunciava não era como o deles (At 17.24-28); nem era um ídolo fabricado pelos homens (At 17.29).

A mensagem de Paulo, em toda parte, era a respeito de um Deus vivo em contraste com a nulidade dos deuses feitos por mãos humanas. A repercussão disso era que muitos se convertiam e deixavam os ídolos. Isto chegou a provocar a reação violenta do ourives Demétrio, em Éfeso, e dos demais fabricantes de nichos de Diana. (At 19.23-40).

Uma questão que preocupava a igreja primitiva era a comida sacrificada aos ídolos (At 15.20; Rm 14.15-21; 1Co 8; 10.25-33).

Falando aos crentes de Corinto ele afirma que os ídolos nada são (1Co 8.4). Entretanto, a carne sacrificada a ídolos deveria ser evitada por causa da consciência dos irmãos mais fracos (1Co 8.10-13).

8)  Há idolatria na Igreja Cristã?

Depois de Constantino (323dC), o cristianismo passou a assimilar práticas pagãs; isso porque muitos pagãos entraram na igreja sem conversão, passando a exercer grande influência no culto. O culto aos santos e a veneração aos mártires e a outros homens e mulheres famosos, passaram a ter plena aceitação. Foram criados rituais que eram um misto de cerimônias pagãs, herdadas de diversas religiões, com as cerimônias sacerdotais do Antigo Testamento. Os santos passaram a ser considerados como pequenas divindades, cuja intercessão era valiosa diante de Deus. Surgiu a veneração de relíquias e até mesmo de lugares. Antes do ano 500dC o culto da virgem Maria já estava vitorioso. O paganismo romano teve grande influência na formação do culto católico; daí dizer-se católico-romano.” (Religiões, Seitas e Heresias – J. Cabral)

Ainda que a igreja católica romana não queira admitir que os(as) santos(as) por ela canonizados(as), bem como as suas imagens, sejam ídolos, na realidade são assim tratados pelos seus fiéis. Os líderes católicos se tornam cúmplices desta idolatria na medida que promovem procissões e romarias para veneração e adoração aos(as)  santos(as)  e ainda incentivam as intercessões a estas “pequenas divindades”.

A Bíblia deixa muito claro que Jesus é o único mediador entre Deus e os homens (1Tm 2.5). Nenhum ser humano, já morto, poderá interceder por nós, os vivos, diante de Deus. Os que morreram estão simplesmente aguardando a ressurreição. É total insensatez e pecado gravíssimo recorrer a qualquer ser humano já morto, inclusive a Maria, a mãe humana de Jesus Cristo. Esta doutrina é básica e elementar na Bíblia. O único que pode interceder por nós é o Espírito Santo, conforme diz o apóstolo Paulo: “Também o Espírito, semelhantemente, nos assiste em nossa fraqueza; porque não sabemos orar como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós sobremaneira, com gemidos inexprimíveis.” (Rm 8.26)

9)  O que está acontecendo hoje?

Na antiguidade, os povos pagãos se apegavam intensamente aos ídolos, inclusive confiando e creditando a eles o sucesso de suas vitórias nas batalhas, o que por vezes influenciava o povo escolhido de Deus, Israel.

Hoje em dia, muitas pessoas não cristãs ainda continuam se apegando a todo tipo de amuleto, crendice e idolatria; outras, porém, preferem seguir seu caminho de descrença total no mundo espiritual, apegando-se ao materialismo. Nada disso nos surpreende, em se tratando de não cristãos.

E, quanto aos cristãos? O que se percebe na chamada igreja cristã de hoje é aquela forma de idolatria que se expressa no culto, veneração, apego excessivo a pessoas, a personalidades humanas. Podemos nos referir a isso como antropolatria. Na igreja católica romana isso começa com a “virgem Maria”, e continua com “os apóstolos”, “os santos canonizados”, “os papas” etc etc. Na igreja evangélica, também há uma tendência de quase idolatria de ícones do passado e do presente, tais como Martinho Lutero, João Calvino, John Knox etc etc.

Os cristãos precisam entender e atender à voz de Deus quando diz: “Eu sou o SENHOR, este é o meu nome; a minha glória, pois, não a darei a outrem, nem a minha honra, às imagens de escultura.” (Is 42.8). Deus jamais dividirá com outro a honra e glória que lhe são devidas! O Senhor Jesus Cristo é a expressão máxima da glória de Deus entre os homens! Quando ele falou em retornar ao Pai, jamais disse aos seus discípulos que deixaria em seu lugar, para conduzir a sua igreja e operar milagres, determinadas celebridades humanas que deveriam ser veneradas e buscadas como mediadores entre sua igreja e o Pai Celestial. Simplesmente ele anunciou a vinda do Espírito Santo, que habitaria em cada remido, para, desta forma, habilitá-los ao sacerdócio universal ­– sacerdócio santo e sacerdócio real (Jo 14.16-18).

Finalmente, vale enfatizar o ensino bíblico de que nenhuma figura humana morta, canonizada ou não, tem qualquer influência neste mundo a partir do mundo espiritual. Neste mundo físico, atuam somente duas forças provenientes do mundo espiritual: 1ª) Deus e seus anjos; e, 2ª) Satanás e seus demônios, que atuam sob a permissão de Deus (Jó 1.12). Portanto, se alguém recorrer, em oração, a essas figuras do passado, canonizadas ou não, e algo efetivamente milagroso e sobrenatural acontecer, fique certo de que isso teve origem em uma dessas duas forças do mundo espiritual!

Diga não a qualquer tipo de idolatria ou antropolatria! Curve-se apenas diante de Jesus Cristo, o nosso Senhor e Salvador!

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