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Refletindo sobre a adoração

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“Celebrarei as benignidades do SENHOR e os seus atos gloriosos, segundo tudo o que o SENHOR nos concedeu e segundo a grande bondade para com a casa de Israel, bondade que usou para com eles, segundo as suas misericórdias e segundo a multidão das suas benignidades. Porque ele dizia: Certamente, eles são meu povo, filhos que não mentirão; e se lhes tornou o seu Salvador.” (Isaías 63.7-8)

Introdução:

“Adoração” é um, entre tantos outros termos que passam a fazer parte da vida dos cristãos regenerados por Cristo e nem sempre são entendidos de forma correta. Assim, vamos estudar melhor o assunto, com vistas a aprimorarmos nosso relacionamento com Deus. Afinal, nós fomos regenerados para o “louvor da glória de sua graça” (ver Ef 1.3-6 e Pergunta 1 dos Catecismos de Westminster).


1. O QUE É ADORAÇÃO? “QUEM” OU “O QUE” PODE SER ADORADO?

Podemos dizer que adoração é um termo que denomina a forma mais significativa de expressar apreço, homenagem, honra e glória a poderes superiores, sejam eles seres humanos, anjos ou Deus. Desta forma, somente caberia aqui, como alvo e objeto de adoração uma divindade, um ser supremo. Esse também seria objeto de devoção, temor, reverência, veneração etc. No decorrer da história, muitos têm desejado ocupar ou usurpado esse lugar, tais como faraós, monarcas, imperadores, presidentes, líderes populistas, líderes religiosos etc, muitas vezes num contexto de fanatismo idolátrico ou ideológico.

Equivocadamente, pessoas e coisas são efetivamente adoradas por seres humanos. Frequentemente este termo tem sido banalizado no cotidiano como se fosse sinônimo de “gostar muito”: Eu “adoro” essa música; eu “adoro” meu pai(mãe), ou meu filho(a), ou meu marido(esposa), ou outra determinada pessoa; eu “adoro” esse canal de TV, esse filme, meu emprego etc.   Entretanto, esse lugar tão especial está reservado para ser ocupado por apenas um ser, o Deus Criador e Mantenedor do Universo. Isso está claramente definido nos três primeiros mandamentos (Ex 20.1-7; Dt 5.6-11) e foi ratificado por Jesus: “Então, Jesus lhe ordenou: Retira-te, Satanás, porque está escrito: Ao Senhor, teu Deus, adorarás, e só a ele darás culto.” (Mt 4.10; Lc 4.8). E, o Salmo 96 expressa um lindo tributo à glória e majestade de Deus.


2.
COMO ADORAR?

 A adoração requer a expressão, a comunicação do cristão com Deus. Então, vejamos como acontece a comunicação humana, no nível horizontal e no nível vertical, isto é, com os outros seres humanos e com Deus.

a) Comunicação Horizontal (meios):

Como nos comunicamos com os outros?

i.      Com a boca: – Falando
  – Cantando
  – Emitindo sons (risos, choros, assobio etc.)
ii.      Com o corpo: – Através de gestos, de ações, das emoções etc.
iii.      Com a vida: – Pelo conjunto da obra


b) Comunicação Vertical (meios):

Como nos comunicamos com Deus?

i.      Com a boca: – Falando  (Oração)
  – Cantando (Louvores)
  – Emitindo sons (risos, choros etc.)
ii.      Com a mente: – Com pensamentos
iii.      Com o corpo: – Através de gestos, de ações, das emoções etc.
iv.      Com a vida: – Pelo conjunto da obra


3. A ADORAÇÃO NO ANTIGO TESTAMENTO (AT)

a) A primeira vez em que a bíblia registra algo nessa linha é quando Abel toma a iniciativa de apresentar uma oferta ao Senhor (Gn 4.3)

b) A segunda vez é no nascimento de Enos, filho de Sete, filho de adão: “…daí se começou a invocar o nome do SENHOR.” (Gn 4.26b)

c) No recomeço da história humana, após o dilúvio, há o seguinte registro: “Levantou Noé um altar ao SENHOR e, tomando de animais limpos e de aves limpas, ofereceu holocaustos sobre o altar.” (Gn 8.20)

d) Os patriarcas (Abraão, Isaque e Jacó) adoravam construindo altares e oferecendo sacrifícios (Gn 12.7-8; 26.25; 33.20).

e) Com a outorga da Lei[1] veio a adoração no Tabernáculo e, posteriormente, no Templo, com um sistema completo de Sacrifícios. Os sacrifícios do AT eram provisórios (Hb 10.4) e apontavam para o Cordeiro de Deus (Jo 1.29; Hb 9.9-15), cujo sangue (sua morte na cruz) nos limpa de todo pecado (1Jo 1.7). Esse sistema do AT pode ser assim sintetizado:

Sacrifícios de expiação – Oferta pelo pecado
– Oferta pela culpa
Ofertas de Consagração – Ofertas queimadas
– Ofertas de grãos (com ofertas de manjares)
Ofertas de Comunhão – Ofertas pacíficas (ato voluntário de adoração, agradecimento e ação de graças)

f) A adoração nas Sinagogas começou durante o Cativeiro de Israel.

No início, no meio e no final do AT encontramos recados explícitos de Deus aos ofertantes:

i. Tanto o ofertante, quanto a sua oferta precisam agradar a Deus (Abel e Caim – Gn 4.3-5).

ii. Obedecer é melhor do que Sacrificar (Samuel disse a Saul – 1Sm 15.22).

iii. Deus não suporta iniquidade associada ao Culto (Is 1.10-15; Am 5.21-23).

iv. O sacrifício dos perversos é abominável ao SENHOR, mas a oração dos retos é o seu contentamento. (Pv 15.8).


4. A ADORAÇÃO NO NOVO TESTAMENTO (NT) E NA IGREJA

a) A adoração no templo e nas sinagogas continua no NT.

b) Na conversa de Jesus com a mulher samaritana, que estava tão confusa quanto a um lugar específico para adoração, ele esclarece que o Pai procura adoradores que o adorem em espírito e em verdade (Jo 4.19-24).

c) Na epístola aos romanos temos o seguinte apelo: “Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional.” (Rm 12.1)

d) A igreja de Corinto, tinha muitos problemas, que foram tratados pelo apóstolo Paulo. Ele também teve que orientá-la quanto a liturgia do culto, particularmente quanto ao uso dos dons espirituais (1Co 14.26-40).

e) À igreja de Éfeso Paulo instrui: “falando entre vós com salmos, entoando e louvando de coração ao Senhor com hinos e cânticos espirituais,” (Ef 5.19)

f) À igreja de Colossos Paulo recomenda: “Habite, ricamente, em vós a palavra de Cristo; instruí-vos e aconselhai-vos mutuamente em toda a sabedoria, louvando a Deus, com salmos, e hinos, e cânticos espirituais, com gratidão, em vosso coração.” (Cl 3.16)

g) Enfim, da adoração cristã fazem parte a pregação da Palavra (At 20.7), a leitura das Escrituras (1Tm 4.13), a oração (1Tm 2.8), os cânticos de louvor (Ef 5.19) e as ofertas (1Co 16.1-2), além do Batismo (At 2.37-41) e da Ceia do Senhor (1Co 11.23-29).

h) O Cordeiro de Deus que é adorado pela igreja, na terra, no livro de Apocalipse é adorado eternamente (Ap 5.8-14; 15.2-4).


5. A ADORAÇÃO INDIVIDUAL

a) Cultuando a Deus (Nós em Deus).

  • Confessando: para que eu obtenha o perdão dos pecados cometidos (por comissão – pensamentos, palavras e ações; ou, por omissão) e assim possa me aproximar dele.
  • Agradecendo: pelas bênçãos recebidas, desde o alimento até as bênçãos espirituais, mas, também, pelas provações.
  • Louvando: por sua grandeza, pelos seus atributos – Onipotência, Onipresença, Onisciência, Eternidade, Amor, Perfeição, Santidade, Verdade, Justiça, Fidelidade, Misericórdia etc.
  • Adorando: por quem ele é, por seus poderosos feitos e por tudo o que ele tem feito por nós, em Cristo.
    • Só a Deus (Mt 4.10);
    • Fruto de um compromisso de vida (Mt 15.7-9);
    • “Em espírito” (não exatamente com expressões externas) e “em verdade” (com sinceridade) (Jo 4.20-24)

b) Em Comunhão com Deus (Deus em Nós).

  • Falando abertamente com Deus sobre as nossas coisas. “Trazendo” o Senhor para o nosso cotidiano.
  • Esperando por sua resposta: “De manhã, SENHOR, ouves a minha voz; de manhã te apresento a minha oração e fico esperando.” (Sl 5.3)

c) Intercedendo.

  • Pelo Reino de Deus:

Para que sejam instrumentos da realização da vontade de Deus na terra.

  • Pelo nosso Próximo:

Na Família, na Vizinhança, na Igreja, na Escola, no Trabalho etc.

  • Pelas Autoridades constituídas:

Para que exerçam com sabedoria e competência as suas respectivas funções.

d) Com Petições e Súplicas (Por mim).

“Invoca-me, e te responderei; anunciar-te-ei coisas grandes e ocultas, que não sabes.”(Jr 33.3)

“com toda oração e súplica, orando em todo tempo no Espírito e para isto vigiando com toda perseverança e súplica por todos os santos” (Ef 6.18)

Conclusão:

Precisamos ter sempre em mente a grandeza de Deus e de sua graça e tributar-lhe a verdadeira adoração. Precisamos estar atentos ao fato de nossos cultos serem realizados para adorar e agradar a Deus, ou a homens e seus modismos de última hora. Por mais belos que sejam os templos, os cenários, as músicas, as coreografias etc, nada disso pode nos afastar do foco de glorificar e adorar a Deus. Finalmente, precisamos assegurar que a nossa adoração, individual ou coletiva, encontra lastro numa vida santificada.

Você tem adorado a Deus em espírito e em verdade?
……………………………….

[1] As três dimensões da lei mosaica:
– Lei Moral (os dez mandamentos) – A que manda fazer o bem e evitar o mal;
– Lei Civil ou Social – A que regula as mútuas relações entre os cidadãos;
– Lei Cerimonial ou Religiosa – A que determina as regras de culto a Deus.


Nota: esboço pessoal de aula, preparado por mim, para facilitar a ministração da Aula 5 (A adoração no corpo) – Módulo 5 – EBD Catedral 2016, de modo a atender a temática proposta no material elaborado pelo Pr. Joel Theodoro para os alunos. Foram feitas algumas alterações para divulgação neste blog.

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