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Os dons espirituais – Continuísmo ou Cessacionismo?

 

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“A respeito dos dons espirituais, não quero, irmãos, que sejais ignorantes. Sabeis que, outrora, quando éreis gentios, deixáveis conduzir-vos aos ídolos mudos, segundo éreis guiados. Por isso, vos faço compreender que ninguém que fala pelo Espírito de Deus afirma: Anátema, Jesus! Por outro lado, ninguém pode dizer: Senhor Jesus!, senão pelo Espírito Santo. Ora, os dons são diversos, mas o Espírito é o mesmo.” (1Co 12.1-4)

Introdução:

Imagine a cena. Um teólogo moderno chega para um novo convertido indígena, e pergunta:
– Você é Calvinista ou Arminiano? Você é Continuísta ou Cessacionista? Você é Amilenista, Pré-Milenista ou Pós-Milenista? Imagine a reação de perplexidade dele? Está cada vez mais sofisticada a identidade de um cristão, concorda? Tudo começou assim: “…Em Antioquia, foram os discípulos, pela primeira vez, chamados cristãos.” (At 11.26). Os apóstolos tinham a maior honra de se identificarem, nas epístolas que escreveram, como “servo de Jesus Cristo”. Então, não devemos nos preocupar com “sobrenome eclesiástico ou teológico”; o nome “cristão”, que designa um seguidor de Cristo, nos basta.

“A respeito dos dons espirituais, não quero, irmãos, que sejais ignorantes.” (1Co 12.1). Não há dúvida de que precisamos conhecer as doutrinas bíblicas, como: da Redenção, da forma de atuação do Espírito Santo na igreja, a questão da atualidade dos dons espirituais e a Escatologia Bíblica ou Doutrina das Últimas Coisas etc. Entretanto, deixando de lado os rótulos que nos separam, vamos focar aqui tão somente a questão da atualidade dos dons espirituais na igreja.

1. A INTERVENÇÃO DE DEUS NA HISTÓRIA

A intervenção de Deus na história humana é contínua, mas não é linear; é pontual, oportuna e impactante.

No dizer de Philip Schaff, “Há uma tríplice revelação de Deus:

1- A revelação interna da razão e da consciência, em cada indivíduo (Rm 2.15; Jo 1.9);

2- Há uma revelação externa, na criação, a qual proclama o poder, a sabedoria e a bondade de Deus (Rm 1.20; Sl 19);

3- Há uma revelação especial, através das Santas Escrituras, como também na pessoa e na obra de Cristo, que confirma e completa as outras duas revelações, exibindo a justiça, a santidade e o amor de Deus”.

Milagres, intervenções e revelações são manifestações sobrenaturais de Deus. Se acontece todo o dia, reduz seu impacto, como no caso da revelação externa, através da natureza.

No contexto da história bíblica, podem ser facilmente identificados três períodos de grande intervenção divina. Cada um desses períodos durou menos de um século e foi marcado por milagres, que são acontecimentos que não têm uma explicação natural. São eles:

– Quando da formação da nação de Israel, sob Moisés e Josué.

– Quando o culto a Baal ameaçava destruir toda a adoração a Deus, sob Elias e Eliseu.

– Quando do estabelecimento da igreja, sob Cristo e os apóstolos (predominantemente).

Depois da maior e mais intensa manifestação de Deus, da mais intensa luz da revelação divina, em Jesus, o registro bíblico traz indicações de um provável desvanecimento ainda na era apostólica. O desvanecimento continua, ao ponto da história registrar um extenso período conhecido como “Idade das Trevas” que coincide com a Idade Média (476 a 1453 dC).

No contexto da Reforma (séculos 14 a 16), quando a igreja oficial também ameaçava destruir o verdadeiro culto a Deus, aparecem em cena, homens como: João Wyclif (1324-84), Martinho Lutero (1483-1546), João Calvino (1509-64) e João Knox (1515-72).

Nos séculos 18 e 19, marcados por grandes avivamentos e expansão missionária destacam-se: Jônatas Edwards (1703-58), João Wesley (1703-91), Guilherme Carey (1761-1834), Carlos Finney (1792-1875), Jorge Müller (1805-98), Davi Livingstone (1813-73), Hudson Taylor (1832-1905); Carlos Spurgeon (1834-92) e Dwight L. Moody (1837-99).

O século 20 foi marcado pelo Movimento Pentecostal, que é visto com muita desconfiança pelos cristãos das igrejas históricas e tradicionais. Na prática, isso produziu uma macro divisão na igreja, entre pentecostais e não pentecostais.

Leia, neste blog, o artigo “Tempos de Milagres”, onde há uma abordagem ampliada deste assunto.

2. OS DONS DO ESPÍRITO SANTO

Antes de tratar de dons que continuam ou que cessaram é necessário responder duas perguntas:

a) Quantos e quais são esses dons?

Não podemos confundir “FRUTO DO ESPÍRITO”, com seus “9 gomos” (Gl 5.22-23), que são manifestações do caráter do crente regenerado pelo Espírito, com os “DONS DO ESPÍRITO” que são capacitações do Espírito para as realizações na igreja. Também é necessário distinguir “dom natural ou talento”, de “dom sobrenatural ou espiritual”, em que pese o valor e utilidade de ambos a serviço da igreja.

Podemos dizer que há 20 dons espirituais, os quais são mencionados nas Escrituras Sagradas em Romanos 12.6-8, 1Coríntios 12.8-10, 1Coríntios 12.28 e Efésios 4.11.

Veja, no link ao lado, uma visão geral desses 20 dons: Os 20 dons espirituais.pdf

b) Para que servem esses dons?

“Se tem música e não tem Evangelho, é SHOW, não é igreja. Se tem ação social e não tem Evangelho, é ONG, não é igreja. Se tem um ambiente agradável e não tem Evangelho, é CLUBE, não é igreja.” (Pr. Ricardo Agreste). Nesta mesma linha, podemos acrescentar: Se é um grupo organizado, mas não tem o Espírito Santo e os Dons Espirituais, é ORGANIZAÇÃO, não é igreja, não é o corpo vivo de Cristo.

O apóstolo Paulo responde a essa pergunta, da seguinte forma:

“A manifestação do Espírito é concedida a cada um visando a um fim proveitoso.” (1Co 12.7)

“com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo, até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo,” (Ef 4.12-13)

Não é difícil entender a importância desses dons para o funcionamento pleno e crescimento desse organismo vivo – a igreja – em que Cristo é “a cabeça” e “o cabeça”. Ao estudarmos os dons espirituais precisamos ter em mente os seguintes aspectos quanto a essas “manifestações do Espírito”:

  • Todos os dons são parciais.
  • Todos os dons são circunstanciais.
  • Todos os dons têm uma função limitada.

3. CONTINUÍSMO E CESSACIONISMO?

De forma resumida e objetiva, podemos destacar:

  • Essa discussão é antiga, mas foi intensificada com o surgimento do movimento pentecostal, no início do século 20.
  • “O Cessacionismo é a forma de pensar teológica que crê que alguns dons do Espírito Santo estavam restritos à era da Igreja Primitiva e que após esse tempo cessaram em grande parte”[1]. Os reformados tendem a se alinhar com esta posição (Exemplo: A profecia preditiva; O dom de Apóstolo).
  • “O Continuísmo é a forma de pensar teológica que entende que tudo aquilo que Atos e o Novo Testamento apresentam como dons, em quaisquer espectros, continuam sendo aplicados por Deus para todo o decurso da história da Igreja. Para eles, os dons não teriam cessado, e os mesmos seriam, até hoje, a comprovação do poder de Deus e da autoridade concedida à Igreja e aos membros do Corpo de Cristo”[1]. Os pentecostais e neopentecostais defendem essa posição. (Exemplo: Línguas, Visões e Revelações, Curas e Milagres extraordinários, Profecia Preditiva).
  • Os Cessacionistas moderados creem que, os dons que Deus ainda opera, não necessariamente são operados da mesma forma que antes.
  • “Cremos que Deus continua a manifestar seus dons no meio da Igreja, mas a Escritura nos indica e a história nos confirma que os mesmos não precisam se aplicar da mesma forma ou intensidade com que se viam no Novo Testamento. É tão temerário dizer que Deus nada mais opera, quase limitando o poder de Deus, quanto dizer que ele tudo opera, quase limitando a soberania de Deus. Assim, nossa posição como reformados é extremamente salutar à luz da Escritura Sagrada, o que é confirmado também por nossos credos e símbolos de fé.”[1]

Finalmente, não podemos deixar de manifestar nossa tristeza e repulsa aos que, se dizendo cristãos evangélicos, distorcem e exploram os dons espirituais, iludindo e enganando os neófitos e rasos na fé.

Conclusão:

Verdadeiramente não podemos ser ignorantes quanto aos dons espirituais, nem aos princípios básicos da fé cristã. É preciso conhecer bem e praticar a Palavra de Deus, não se deixando levar por ventos de doutrinas e modismos de última hora.

Você já identificou seus dons naturais e espirituais e está utilizando-os na obra de Deus?
…………………………………..

[1] EBD – Módulo 5 – Aula 4 – Os dons espirituais continuam na igreja? – Pr. Joel Theodoro


Nota: esboço pessoal de aula, preparado por mim, para facilitar a ministração da Aula 4 (Os dons espirituais continuam na igreja?) – Módulo 5 – EBD Catedral 2016, de modo a atender a temática proposta no material elaborado pelo Pr. Joel Theodoro para os alunos. Foram feitas algumas alterações para divulgação neste blog.

O vídeo desta aula está disponível abaixo:

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  1. 12/04/2017 às 13:07

    Excelente texto!

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