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Existe igreja melhor do que a outra?

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“Nós, porém, segundo a sua promessa, esperamos novos céus e nova terra, nos quais habita justiça. Por essa razão, pois, amados, esperando estas coisas, empenhai-vos por serdes achados por ele em paz, sem mácula e irrepreensíveis, e tende por salvação a longanimidade de nosso Senhor, como igualmente o nosso amado irmão Paulo vos escreveu, segundo a sabedoria que lhe foi dada, ao falar acerca destes assuntos, como, de fato, costuma fazer em todas as suas epístolas, nas quais há certas coisas difíceis de entender, que os ignorantes e instáveis deturpam, como também deturpam as demais Escrituras, para a própria destruição deles.” (2Pe 3.13-16)

Introdução:

Nas palavras de Pedro à igreja (2Pe 3.13-16), somos admoestados a:

  1. Esperar por um futuro glorioso.
  2. Agir num presente desafiador:
    a)Empenhando-nos em prol da paz e pureza, contando com a longanimidade do Senhor.
    b)Resistindo os ignorantes e instáveis que deturpam a sã doutrina.

1. UMA VISÃO GERAL DA IGREJA

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a) IGREJA INVISÍVEL ou IGREJA CATÓLICA/UNIVERSAL

Essa é a igreja de Cristo, na sua totalidade, verdadeira e completa, não visível aos olhos humanos, constituída pelos salvos de todas as tribos, línguas e nações, de todos os tempos: daqueles que já morreram, dos que ainda estão vivos e dos que ainda irão nascer.

“Mas tendes chegado ao monte Sião e à cidade do Deus vivo, a Jerusalém celestial, e a incontáveis hostes de anjos, e à universal assembleia e igreja dos primogênitos arrolados nos céus, e a Deus, o Juiz de todos, e aos espíritos dos justos aperfeiçoados,” (Hb 12.22-23)

Segundo a Confissão de Fé de Westminster (Cap. XXV item I): “I. A Igreja Católica ou Universal, que é invisível, consta do número total dos eleitos que já foram, dos que agora são e dos que ainda serão reunidos em um só corpo sob Cristo, seu cabeça; ela é a esposa, o corpo, a plenitude daquele que cumpre tudo em todas as coisas.”

b) IGREJA VISÍVEL OU MILITANTE

Essa é a igreja de Cristo, visível aos olhos humanos, constituída pelos que professaram a Jesus Cristo como seu Salvador, salvos ou ainda perdidos, de todas as tribos, línguas e nações, que ainda estão vivos.

“Porque, embora andando na carne, não militamos segundo a carne.” (2Co 10.3)

“Vivei, acima de tudo, por modo digno do evangelho de Cristo, para que, ou indo ver-vos ou estando ausente, ouça, no tocante a vós outros, que estais firmes em um só espírito, como uma só alma, lutando juntos pela fé evangélica;” (Fp 1.27)

“Amados, quando empregava toda a diligência em escrever-vos acerca da nossa comum salvação, foi que me senti obrigado a corresponder-me convosco, exortando-vos a batalhardes, diligentemente, pela fé que uma vez por todas foi entregue aos santos.” (Jd 1.3)

“Porque vos foi concedida a graça de padecerdes por Cristo e não somente de crerdes nele, pois tendes o mesmo combate que vistes em mim e, ainda agora, ouvis que é o meu.” (Fp 1.29-30)

Vejam que nos quatro versículos mencionados, se destacam quatro verbos, característicos desta igreja militante: MILITAR, LUTAR, BATALHAR e COMBATER, sempre no sentido de guerrear o bom combate da fé (1Tm 6.12; 2Tm 4.7). Não segundo a carne (2Co 10.3-5) ou contra a carne (Ef 6.12). Não sem o devido preparo, mas equipado com os poderosos recursos e armadura de Deus (Ef 6.10-20). Não se deixando envolver ou ser atrapalhado com os negócios desta vida (2Tm 2.3-4).

A igreja militante é convocada para uma guerra santa contra o mal, tendo o cuidado de não gastar suas forças e energias em lutas internas ou fogo amigo que possam conduzir à sua autodestruição. Antes, porém, tem o dever de levar avante uma incessante guerra contra o mundanismo e as heresias, em todas as formas em que estes se revelem, seja na igreja ou fora dela; e contra todos os poderes espirituais das trevas. A igreja não pode passar o tempo todo naquelas práticas que denominamos de meios de graça, em que pese serem tão necessárias e importantes. Ela tem que estar engajada, com todas as suas forças, nas pelejas do seu Senhor, combatendo numa guerra que é tanto ofensiva como defensiva, confiando que “… as portas do inferno não prevalecerão contra ela.” (Mt 16.18).

c) IGREJA TRIUNFANTE

Essa é a igreja de Cristo, não visível aos olhos humanos, constituída pelos salvos por Jesus Cristo, de todas as tribos, línguas e nações, que já morreram.

“Se a igreja na terra é a igreja militante, no céu é a igreja triunfante. Lá a espada é permutada pelos louros da vitória, os brados de guerra se transformam em cânticos triunfais, e a cruz é substituída pela coroa. A luta é finda, a batalha está ganha, e os santos reinam com Cristo para todo o sempre.” (Berkhof, Louis– Teologia Sistemática)

Após esta explicação, eu preciso te perguntar.

1º) Em qual(is) destas igrejas você está?

2º) Em qual(is) destas igrejas você precisa estar?

2. A DIMENSÃO FUTURA DA IGREJA.

É praticamente impossível ao ser humano descolar ou dissociar o seu presente, do seu futuro. As suas ações, no tempo presente, estão intimamente relacionadas ao que ele deseja ou espera, no tempo futuro. Se trabalha, como empregado de uma empresa, no presente, é porque espera receber um salário, no futuro. Se trabalha, como voluntário, no presente, é porque espera que isso tenha um resultado positivo, no futuro, quer na vida de outros, quer na sua própria vida, quer na melhoria da situação dos grupos sociais assistidos. Se um homem, no presente, investe na aproximação e relacionamento com uma mulher, é porque ele espera a concretização de algo, no futuro, quer seja um efêmero e leviano prazer sexual extraconjugal, quer seja um compromisso verdadeiro e duradouro que leve ao casamento, constituição de uma família e geração de filhos. Na verdade, as vivências do passado, as circunstâncias do presente e as perspectivas do futuro conspiram, intensa e mutualmente, para influenciar uma pessoa, nessa engenharia existencial em que estamos circunscritos.

De certa forma, assim também acontece com a igreja que é um coletivo de indivíduos. Por isso, é recorrente nas Escrituras, essa convocação aos cristãos para vislumbrarem as glórias do porvir (1Co 2.9; 1Pe 1.3-5; Tt 2.13-14), ao mesmo tempo em que devem batalhar pela fé e sofrer as perseguições e aflições decorrentes da sua lealdade e fidelidade ao Senhor e sua Palavra. Estes momentos difíceis servem para provar a nossa fé (1Pe 1.6-90; 4.12-14), que deve ser sustentada pelo exemplo do Senhor Jesus que sofreu, por nós, até à morte e morte de cruz (1Pe 3.18).

Portanto, como igreja, somos exortados a esperar e nos alegrar diante da expectativa do futuro glorioso que nos aguarda: “aguardando a bendita esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus,” (Tt 2.13). Por falar em esperança….

a) Em que está baseada a nossa esperança?

  • Na razão? (Estatísticas, evidências etc)
  • Na Emoção? (Eu quero tanto que aconteça que me convenço que vai acontecer)
  • Na Fé? O Espírito de Deus atua em nós, insuflando a certeza de que Deus vai fazer acontecer o que ele prometeu, até mesmo porque nenhuma de suas promessas deixou de se cumprir.

3. A DIMENSÃO PRESENTE DA IGREJA.

Ao mesmo tempo em que a igreja é exortada a contemplar, a bendita esperança da glória que lhe está reservada, também é convocada a viver o presente século, a agir num presente desafiador:

Precisamos buscar e pensar nas coisas lá do alto (Cl 3.1-2), mas viver com santo proceder e sabedoria as coisas aqui debaixo. Como?

a) Cumprindo o IDE de Jesus; pregando o Evangelho a toda a criatura (Mc 16.15).

b) Cumprindo o IDE de Jesus; fazendo discípulos de todas as nações (Mt 28.19-20).

c) Renegando a impiedade e paixões mundanas, para viver de forma sensata, justa e piedosa (Tt 2.12).

d) Seguindo a paz com todos e a santificação. (Hb 12.14)

e) Empenhando-nos em prol da paz e pureza, contando com a longanimidade do Senhor (2Pe 3.14-15).

f) Resistindo os ignorantes e instáveis que deturpam a sã doutrina (2Pe 3.16-17).

4. COMO AVALIAR AS IGREJAS LOCAIS E VISÍVEIS?

a) Há diferenças denominacionais

Cada igreja local é diferente da outra, ainda que se comparem igrejas da mesma denominação evangélica. As denominações evangélicas se distinguem, uma das outras, basicamente por dois fatores:

1º) Sistema de Governo (Episcopal, Presbiteral e Congregacional).

2º) Pelo seu Sistema Doutrinário, que condensa sua visão e interpretação dos ensinos bíblicos.

Assim, quanto mais a igreja se aproxima do modelo bíblico de governo e de doutrina, mais próxima está de agradar a Deus.

b) Há diferenças nas suas liturgias e estruturas organizacionais

Cada igreja local tem características próprias e formas próprias de cultuar a Deus. Também se organiza de forma própria para atender suas demandas e objetivos específicos.

Assim, quanto mais suas formas de cultuar forem santas e agradáveis a Deus, melhor. Quanto mais envolver sua membresia, usando e aprimorando dons e talentos, melhor. Quanto mais leves, eficazes e de baixo custo forem suas estruturas organizacionais, melhor. Quanto mais puderem investir na sua Missão Principal, melhor.

c) Há diferenças no nível espiritual e santidade

Segundo a Confissão de Fé de Westminster (Cap. XXV itens IV e V):

Item IV. Esta Igreja Católica tem sido ora mais, ora menos visível. As igrejas particulares, que são membros dela, são mais ou menos puras conforme neles é, com mais ou menos pureza, ensinado e abraçado o Evangelho, administradas as ordenanças e celebrado o culto público. Ref. Rm 11.3-4; At 2.41-42; 1Co 5.6-7.

Item V. AS igrejas mais puras debaixo do céu estão sujeitas à mistura e ao erro; algumas têm degenerado ao ponto de não serem mais igrejas de Cristo, mas sinagogas de Satanás; não obstante, haverá sempre sobre a terra uma igreja para adorar a Deus segundo a vontade dele mesmo. Ref. 1Co 1.2, e 13.12; Mt 13.24-30, 47; Rm 11.20-22; Ap. 2.9; Mt 16.18.

Conclusão:

1ª) Antes e acima de tudo, uma igreja existe para agradar e servir a Deus e não aos caprichos dos seus membros.

2ª) Uma igreja “boa” não é medida apenas pela quantidade expressiva de seus membros, mas, principalmente, pela qualidade espiritual destes.

3ª) Uma igreja “boa” não é medida pelo seu fervor carnal, mas pelo seu fervor espiritual.

4ª) Uma igreja “boa” precisa ter 5 marcas: ADORAÇÃO, EVANGELIZAÇÃO, EDUCAÇÃO CRISTÃ, COMUNHÃO e SERVIÇO.

Você está fazendo a sua parte, com empenho e dedicação, para ajudar a melhorar a sua igreja?


Nota: esboço pessoal de aula, preparado por mim, para facilitar a ministração da Aula 3 (Existe isso de igreja boa e não tão boa?) – Módulo 5 – EBD Catedral 2016, de modo a atender a temática proposta no material elaborado pelo Pr. Joel Theodoro para os alunos. Foram feitas algumas alterações para divulgação neste blog.

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