Ao longo de toda a Escritura, tanto no Antigo quanto no Novo Testamento, a “direita” e a “mão direita” surgem como imagens recorrentes simbólicas e teológicas. Esses termos, embora simples em sua forma, se manifestam em narrativas, poesias, profecias e discursos apostólicos, revelando aspectos fundamentais do caráter de Deus, da relação entre o Criador e seu povo, e da identidade e missão do Messias.
A Bíblia não utiliza a linguagem corporal de maneira acidental ou meramente descritiva; ao contrário, ela transforma gestos, posições e direções em veículos de revelação. Assim, a “direita” torna-se um símbolo que evolui progressivamente ao longo da história da salvação, assumindo significados que vão desde a escolha soberana e a primazia até o poder, a proteção, a consagração e a exaltação real.
Logo nas primeiras páginas das Escrituras, a mão direita aparece como instrumento de bênção e eleição. Mais adiante, os salmos e os profetas ampliam essa simbologia, apresentando a mão direita de Deus como expressão de força, vitória, cuidado e presença constante. Nos ritos sacerdotais, ela se torna marca de consagração integral ao serviço divino. Nos textos escatológicos, especialmente no Novo Testamento, a direita passa a representar também o lugar de honra, autoridade e julgamento, culminando na entronização de Cristo à direita do Pai.
Compreender esses significados não apenas enriquece a leitura e conhecimento bíblicos, mas também ilumina a maneira como Deus age na história e como o seu povo é chamado a responder a esse agir. A simbologia da direita revela um Deus que escolhe soberanamente, que sustenta poderosamente, que consagra para o serviço, que protege com fidelidade e que reina com autoridade absoluta por meio de seu Filho.
Este estudo, portanto, busca explorar de forma sistemática e progressiva o significado bíblico da “direita” e da “mão direita”, respeitando o desenvolvimento da revelação e destacando como esses símbolos convergem na pessoa e na obra de Jesus Cristo, o exaltado à direita de Deus.
A “direita”… “mão direita”… é:
1. Lugar de primazia, honra e escolha soberana
Desde o Antigo Testamento, a direita aparece como o lado da preferência, da honra e da escolha divina, ainda que isso contrarie expectativas humanas. Em Gênesis 48.13-18, Jacó cruza deliberadamente as mãos, colocando a mão direita sobre Efraim, o mais novo, e não sobre Manassés, o primogênito. José tenta corrigir o gesto, mas Jacó insiste, mostrando que a bênção não segue meramente a ordem natural, mas o propósito soberano de Deus.
🫱Esse episódio estabelece um princípio teológico importante: a direita simboliza a eleição graciosa de Deus, não condicionada à tradição, mérito ou hierarquia humana. Esse mesmo padrão reaparece no Novo Testamento quando Jesus separa ovelhas à direita e cabritos à esquerda, associando a direita ao favor escatológico e à herança do Reino (Mt 25.33-34), bem como a esquerda a maldição e castigo eterno (Mt 25.41).
2. Símbolo de poder, força e vitória divina
A mão direita é recorrentemente associada ao poder ativo de Deus em favor do seu povo.
Jó reconhece que é a mão direita que concede vitória – “Então, também eu confessarei a teu respeito que a tua mão direita te dá vitória.” (Jó 40.14). Os Salmos aprofundam essa ideia, apresentando a direita de Deus como aquela que sustenta, protege, planta, guarda e defende (Sl 16.8; 18.35; 73.23; 80.15, 25).
Isaías amplia essa teologia ao mostrar Deus tomando o seu servo pela mão direita, transmitindo segurança, auxílio e capacitação para cumprir sua missão – “Porque eu, o SENHOR, teu Deus, te tomo pela tua mão direita e te digo: Não temas, que eu te ajudo.” (Is 41.13). No caso de Ciro, a mão direita de Deus legitima sua autoridade histórica e política como instrumento do plano divino – “Assim diz o SENHOR ao seu ungido, a Ciro, a quem tomo pela mão direita, para abater as nações ante a sua face, e para descingir os lombos dos reis, e para abrir diante dele as portas, que não se fecharão.” (Is 45.1).
🫱Assim, a mão direita representa a eficácia do agir de Deus na história, seja para libertar, governar ou julgar.
3. Consagração total ao serviço de Deus
Nos ritos de consagração sacerdotal (Êxodo 29.20 e Levítico 8.23-24), o sangue do animal imolado é aplicado na orelha direita, no polegar da mão direita e no polegar do pé direito dos sacerdotes.
Esse gesto ritual e consagratório indica que: ⊳ A orelha direita simboliza ouvir a Deus. ⊳ A mão direita, agir segundo a vontade divina. ⊳ O pé direito, andar nos caminhos do Senhor.
🫱A direita, portanto, expressa integridade, dedicação e submissão total a Deus. Não se trata apenas de poder, mas de serviço consagrado.
4. Lugar de proteção, auxílio e intercessão
Diversos textos mostram Deus ou seu representante colocando-se à direita do necessitado, do justo ou do fiel.
Nos Salmos e em Isaías, Deus segura o seu povo pela mão direita, garantindo proteção, estabilidade e livramento – “O SENHOR é quem te guarda; o SENHOR é a tua sombra à tua direita.” (Sl 121.5; ver tb Sl 109.31; Is 62.8, 12). Em contraste, Zacarias mostra Satanás à direita do sumo sacerdote para acusá-lo, o que revela que a direita também é o lugar estratégico de influência – seja para defender, seja para acusar (Zc 3.1).
🫱Esse pano de fundo ajuda a compreender, mais tarde, o significado de Cristo à direita de Deus como nosso defensor e intercessor supremo.
5. Lugar messiânico e real: entronização e autoridade
O Salmo 110 ocupa papel central na teologia bíblica da direita. O convite divino: “Assenta-te à minha direita” estabelece o Messias como Rei entronizado, participante da autoridade divina (Sl 110.1, 5).
Jesus aplica esse texto diretamente a si mesmo nos Evangelhos, declarando que o Filho do Homem estaria assentado à direita do Todo-Poderoso (Mt 22.44; Mc 12.36; Lc 20.42; Mt 26.64; Mc 14.62; Lc 22.69). Os apóstolos confirmam essa leitura, afirmando que Cristo ressuscitado foi exaltado à direita de Deus nos lugares celestiais – “o qual exerceu ele em Cristo, ressuscitando-o dentre os mortos e fazendo-o sentar à sua direita nos lugares celestiais,” (Ef 1.20; ver tb At 2.25, 34; 7.55; Cl 3.1; Hb 1.3, 13).
🫱A direita, aqui, não é apenas posição espacial, mas status de soberania, autoridade e governo.
6. Cristo no Apocalipse: domínio, cuidado e juízo
No Apocalipse, a mão direita de Cristo assume um caráter ao mesmo tempo pastoral e soberano. Cristo segura na mão direita as sete estrelas, símbolo dos anjos das igrejas, indicando controle, autoridade e cuidado (Ap 1.16-20; 2.1). Com essa mesma mão, ele toca João e lhe diz: “Não temas”, revelando proximidade e segurança.
Além disso, o livro selado, que contém o plano da história, está na mão direita daquele que está no trono, e somente o Cordeiro pode tomá-lo (Ap 5.1, 7).
🫱A mão direita, portanto, simboliza o domínio legítimo sobre o curso da história e o juízo final.
7. Síntese teológica
À luz dos textos analisados, a teologia bíblica da direita e da mão direita pode ser sintetizada em cinco grandes eixos:
1º) Eleição e primazia – Deus escolhe soberanamente (Gn 48; Mt 25). 2º) Poder e vitória – A direita executa a ação salvadora de Deus (Sl; Is). 3º) Consagração e serviço – A direita marca a dedicação total ao Senhor (Êx; Lv). 4º) Proteção e intercessão – A direita é lugar de defesa e auxílio (Sl; Zc). 5º) Realeza e exaltação messiânica – Cristo reina à direita de Deus (Sl 110; NT).
Conclusão
Na teologia bíblica, “direita” e “mão direita” não são meras referências corporais, mas símbolos carregados de significado espiritual, relacional e escatológico. Elas apontam para o agir poderoso de Deus, sua escolha graciosa, sua proteção fiel e, culminantemente, para a exaltação de Jesus Cristo como Senhor soberano da história.
A expressão “entrar com o pé direito” tem origem muito antiga, ligada a crenças religiosas, simbólicas e culturais do mundo antigo, e não nasce propriamente da Bíblia, embora dialogue fortemente com o simbolismo bíblico da direita.
1. ORIGEM DA EXPRESSÃO
a) Origem no mundo antigo (grego e romano)
Na Antiguidade clássica, especialmente entre gregos e romanos, havia a crença de que: ⊳ O lado direito era favorável, promissor e benéfico. ⊳ O lado esquerdo era associado ao azar, mau presságio ou perigo.
Os romanos usavam o termo dexter (direito) para indicar habilidade, sorte e bom presságio, enquanto sinister (esquerdo) passou a carregar o sentido de ameaçador ou negativo – origem direta da palavra “sinistro”.
✅Assim, começar algo com o pé direito significava iniciar sob bons presságios.
b) Práticas rituais e supersticiosas
Era comum, em rituais pagãos e costumes sociais: ⊳ Entrar em casas, templos ou ambientes importantes com o pé direito primeiro. ⊳ Levantar-se da cama com o pé direito. ⊳ Iniciar viagens ou cerimônias com gestos à direita.
🍀Essas práticas tinham o objetivo de invocar sorte, proteção e sucesso.
c) Diálogo com o simbolismo bíblico
Embora a expressão seja cultural, ela se harmoniza com a exposição bíblica, na qual: ⊳ A direita simboliza força, honra, autoridade e bênção. ⊳ A mão direita de Deus é o instrumento do agir salvador. ⊳ Estar à direita indica aprovação e favor divino (Sl 110.1; Mt 25.34).
Assim, mesmo sem origem bíblica direta, o uso popular foi facilmente assimilado em sociedades de tradição cristã, pois a Bíblia reforça o valor simbólico da direita como lugar de bênção.
d) Chegada ao português
A expressão chegou ao idioma português por influência do latim vulgar e das culturas europeias, especialmente ibéricas, mantendo o sentido original:
🍀 “Entrar com o pé direito” significa: começar bem, com sorte, sucesso ou boa expectativa.
e) Síntese da expressão
Aspecto
Explicação
Origem
Mundo greco-romano
Base cultural
Superstição e simbolismo
Direita
Sorte, honra, favor
Esquerda
Mau presságio
Relação bíblica
Convergência simbólica, não origem
Sentido atual
Bom começo, êxito inicial
Enfim, é claro que o cristão verdadeiro não segue superstições e crendices humanas, mas se orienta pela Palavra de Deus: “Senhores, por que fazeis isto? Nós também somos homens como vós, sujeitos aos mesmos sentimentos, e vos anunciamos o evangelho para que destas coisas vãs vos convertais ao Deus vivo, que fez o céu, a terra, o mar e tudo o que há neles;” (At 14.15)
E, como e quando surgiram as designações político-ideológicas de DIREITA e ESQUERDA, no mundo?
2. DESIGNAÇÃO POLÍTICO-IDEOLÓGICA
As designações político-ideológicas “Direita” e “Esquerda” surgiram de forma histórica, concreta e relativamente recente, ligadas a um evento específico: a Revolução Francesa, no final do século XVIII.
Os termos “Esquerda” e “Direita” são termos que originalmente identificaram posicionamentos diferentes. “Os termos ´esquerda` e ´direita` apareceram durante a Revolução Francesa, de 1789, e o subsequente Império de Napoleão Bonaparte, quando os membros da Assembleia Nacional se dividiam em partidários do rei à direita do presidente e simpatizantes da revolução à sua esquerda.”[1]
a) A divisão espacial no plenário no salão da Assembleia
🔵 À direita do presidente da Assembleia:
⊳ Sentavam-se os defensores da monarquia, ainda que constitucional. ⊳ Apoiadores da Igreja, da tradição e da ordem social herdada. ⊳ Favoráveis à manutenção de hierarquias sociais.
Esse grupo passou a ser chamado de Direita.
🔴 À esquerda do presidente:
⊳ Sentavam-se os revolucionários mais radicais. ⊳ Defensores de reformas profundas. ⊳ Críticos da monarquia, dos privilégios e do poder da Igreja.
Esse grupo passou a ser chamado de Esquerda.
⚠️ Importante: não foi uma teoria, mas um arranjo físico casual que gerou os dois termos.
Portanto, os que estavam à direita apoiavam a autoridade real (o imperador) e os que estavam à esquerda, defendiam os representantes do povo. Assim, na teoria, a direita passou identificar aqueles que defendem o status quo (ordem socioeconômica vigente), conservando as supostas desigualdades e privilégios sociais; enquanto a esquerda os que questionam o status quo e supostamente defendem uma sociedade mais justa e igualitária.
Com o tempo, os termos deixaram de ser apenas espaciais e passaram a designar posições políticas e ideológicas estáveis.
b) Consolidação e expansão para o mundo
Direita (sentido clássico) ⊳ Defesa da tradição. ⊳ Valorização da ordem, da autoridade e das instituições históricas. ⊳ Ceticismo quanto a mudanças rápidas. ⊳ Proteção da propriedade privada.
Esquerda (sentido clássico) ⊳ Defesa da igualdade social. ⊳ Crítica a hierarquias tradicionais. ⊳ Promoção de reformas ou rupturas. ⊳ Valorização do papel do Estado como agente de justiça social.
Durante o século XIX: ⊳ Os termos se espalharam pela Europa. ⊳ Foram incorporados aos debates sobre liberalismo, socialismo e conservadorismo.
No século XX: ⊳ Passaram a identificar blocos ideológicos globais:
Capitalismo × Socialismo.
Liberalismo econômico × Estatismo.
Conservadorismo × Progressismo.
Cada país adaptou os termos à sua própria realidade.
Na prática, atualmente, esses termos servem apenas de um rótulo, de uma forma reduzida e facilitadora para designar duas ideologias antagônicas e imperfeitas – capitalismo e socialismo – que de alguma forma pressionam-se mutuamente e, talvez, favoreçam a busca do equilíbrio social. Os extremos, isto é, tanto a tirania do capital quanto a ditadura do proletariado são danosas e não contribuem para uma sociedade justa e igualitária.
Na verdade, esse assunto é demasiadamente complexo, pois tem como pivô o ser humano falível, imperfeito, egoísta e pecador. Como alcançar uma sociedade ideal se a sua base – o ser humano – tem uma natureza má e corrompida pelo pecado? Numa sociedade plural e diversa, como conciliar tantos interesses, sensos (individuais e dos seus grupos de afinidade) de certo e errado tão variados, princípios e conceitos éticos lastreados em tantas religiões e filosofias de vida? O desafio é permanente e, provavelmente, insuperável.
É profundamente lamentável o cenário no qual vivemos atualmente, especialmente no Brasil. Sob o discurso recorrente de uma suposta defesa da democracia e do Estado Democrático de Direito, certas autoridades vêm adotando, de forma reiterada, práticas que se aproximam perigosamente da tirania e da imposição de um pensamento único. Aqueles que ousam divergir são frequentemente perseguidos, censurados ou silenciados. Paradoxalmente, quanto mais se invoca a palavra “democracia”, mais se observa o distanciamento da Constituição Federal, a criação arbitrária de regras e a perseguição sistemática de opositores políticos.
A esse quadro sombrio soma-se uma imprensa maculada que, para muitos, perdeu credibilidade e independência. Movida por interesses oportunistas e por benefícios concedidos pelo poder estatal, deixa de cumprir seu papel essencial de informar com responsabilidade, expor os fatos com isenção e defender a verdade; passando a atuar, não raras vezes, como instrumento de narrativas convenientes ao poder ou ao sistema dominante.
Não se pode ignorar, ainda, a atuação de políticos marcados pela corrupção, pela mentira e pelo apego a privilégios sustentados pelo sacrifício do contribuinte. Alguns defendem abertamente regimes autoritários, ao mesmo tempo em que manipulam a população com programas assistencialistas e discursos que se dizem voltados aos pobres e às minorias, quando, na realidade, buscam apenas comprar apoio político e perpetuar-se no poder. Outros negociam seus votos e suas convicções de forma inescrupulosa, em troca de vantagens pessoais, demonstrando total desprezo pelo bem comum, pela ética pública e pela responsabilidade que lhes foi confiada pelo povo.
Diante de tudo isso, resta-nos clamar para que Deus nos conceda discernimento na escolha de nossos representantes e nos fortaleça para resistir a um sistema dominante, opressor e desalinhado com os valores da justiça, da liberdade e da verdade – um sistema que penaliza cidadãos honestos, empreendedores, trabalhadores e geradores de empregos, os quais, com seus impostos e esforços, sustentam a nação.
Especialmente em ano eleitoral, é necessário lembrar alguns princípios importantes:
🏛️A Igreja não faz nem promove militância político-partidária. Sua missão é espiritual, pastoral e formadora de consciência; não eleitoral.
🏛️A Igreja não idolatra candidatos ou partidos, mas pode – e deve – apoiar aqueles com princípios, valores e propostas que mais se aproximem daqueles que a norteiam à luz da fé cristã.
🏛️A Igreja defende a liberdade de opinião, com responsabilidade; a vida em todas as suas fases; a família segundo os valores bíblicos; e, a obediência às autoridades constituídas, desde que tal obediência não viole a fé, a consciência e a Palavra de Deus.
🏛️A Igreja ora pelas autoridades constituídas, para que Deus transforme corações endurecidos em corações sensíveis à justiça, à verdade e ao compromisso com o bem comum; ou, para que, segundo a sua soberana vontade, sejam removidos da vida pública.
✝️O cristão não pode ser um “isentão”, nem um alienado político, pois é no campo da política que se definem os rumos da sociedade, as leis que regulam a vida em comum e os limites do que é permitido ou proibido.
✝️O cristão não vota nem apoia candidatos corruptos, mentirosos ou desonestos, pois isso contradiz os valores do Evangelho.
✝️O cristão não se deixa seduzir por discursos fantasiosos, por promessas fáceis ou por candidatos que encantam com palavras (“encantadores de serpentes”), mas entregam destruição, injustiça e frustração.
✝️O Cristão não flerta com o socialismo-comunismo, mas rejeita ideologias nefastas que atentam contra a fé e a liberdade religiosa, incluindo sistemas que historicamente perseguem, censuram e matam cristãos, suprimindo direitos fundamentais e a dignidade humana.
O Brasil, os Estados Unidos e tantos outros países “ainda democráticos” amargam uma luta diária e sem tréguas por conta da divisão de pensamentos e ideologias da sua gente. São tempos difíceis e sombrios, e a palavra “democracia” está demasiadamente desgastada, usada fora de contexto e cedendo cada vez mais espaço para uma estranha “democracia relativa”. Para uns – “DEMOCRACIA é quando eu governo e mando em você; e, DITADURA, é quando você governa e manda em mim”. Não faltam investidas, estratégias e narrativas dos lados que se opõem. Sim, as divergências de opinião fazem parte da vida, porém, há muito mais em questão. Além disso, desde o início da vida humana na terra, a humanidade vivencia, cotidianamente, uma incansável luta do bem contra o mal. Isto tende a se agravar progressivamente na medida da aproximação da segunda vinda de Cristo.
O que temos vivido, principalmente nessas últimas décadas, seria tão somente uma questão de organização social e política do Estado ou a situação é muito mais complexa? Essa luta estaria inserida naquela luta mais ampla entre o bem e o mal? Os cristãos mais lastreados e fundamentados na Bíblia Sagrada diriam que sim. É pena que alguns chamados cristãos ainda não se deram conta das astutas ciladas do Diabo. Continuam sendo influenciados e defendendo os modernos encantadores de serpentes; que não se cansam de promover a divisão entre pobres e ricos, brancos e negros, maiorias e minorias, naquela velha tática de dividir para conquistar; que estão sempre repaginando e replicando aquele velho, desgastado e falso discursinho populista e eleitoreiro da igualdade e inclusão social, do combate a fome, quando não conseguem esconder de ninguém seu apego ao luxo, ao deleite dos mais pomposos imóveis, espaços e ambientes, bem como às finas iguarias da gastronomia e das bebidas.
Jesus e seus discípulos enfrentaram essa luta, sendo perseguidos pelo sistema dominante de sua época. Os crentes e a igreja de todos os tempos nunca deixaram de enfrentar essa luta. Essa não é apenas uma luta na esfera humana e material; ela tem sua fonte e impulsionamento na esfera espiritual – “porque a nossa luta não é contra o sangue e a carne, e sim contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes.” (Ef 6.12)
Para sua análise e reflexão listamos abaixo algumas denúncias ou acusações comuns feitas por boa parte da direita à esquerda, especialmente no contexto político-cultural brasileiro e latino-americano, mas também com ecos em outras democracias ocidentais.
Organizando essa lista por categorias temáticas, agrupando as denúncias ou acusações comuns que a direita faz à esquerda, temos:
🟥 1. Corrupção e Má Gestão Pública:
Cleptocracia / Gestão fraudulenta.
Saque à nação: Mensalão / Petrolão / Aposentão.
Apoio a ditaduras comunistas (Cuba, Venezuela, Nicarágua etc.).
Infiltração em ONGs e movimentos sociais com viés revolucionário.
Patrocínio ($)da Mídia Televisiva e Impressa para a promoção do governo.
⚖️ 2. Controle, Censura e Autoritarismo Ideológico:
Censura / Regulação das Redes Sociais.
Perseguição aos que pensam diferente.
Assassinato de reputação.
Ditadura do pensamento único.
Doutrinação ideológica nas universidades e escolas públicas.
Militância judicial / Ativismo de toga.
Criminalização da liberdade religiosa.
Controle cultural por meio da mídia e do entretenimento.
👨👩👧 3. Valores Morais, Família e Religião:
Legalização do aborto.
Kit gay / Erotização da Infância.
Adoção da ideologia de gênero nas escolas.
Destruição dos valores cristãos e da família tradicional.
📚 4. Sociedade, Cultura e Educação
Doutrinação ideológica nas universidades e escolas públicas.
Relativização do furto.
Incentivo ao ódio de classe e luta de classes.
Desprezo pela soberania nacional em favor do globalismo.
💰 5. Economia e Política Estatal:
Aumento de impostos e do tamanho do Estado.
Militância ambiental como desculpa para limitar desenvolvimento e propriedade privada.
Desprezo pela soberania nacional em favor do globalismo.
Alinhamento e favorecimento a potências comunistas.
🔫 6. Segurança Pública e Liberdades Individuais:
Descriminalização e legalização das drogas.
Assassinato da reputação das forças policiais.
Relativização do furto.
Vitimização do infrator e transferência da culpa para a sociedade.
Desarmamento da população de bem.
Conclusão
É importante ressaltar que Deus está no governo e controle de todas as coisas, em todo o tempo e em todos os lugares e nações. Tudo o que acontece está na esfera da sua vontade ativa ou permissiva. É preciso ter cuidado para não ficar aquém e nem ir além diante daquelas situações e circunstâncias que estão se desenrolando de acordo com o plano soberano e inquestionável de Deus. O nosso tempo – “chronos”(gr) (o tempo do relógio e do calendário, o tempo para todo o propósito) – de perder a paciência com o status quo em curso pode não ser o tempo de Deus – “kairós”(gr) (o tempo oportuno, o momento certo, o tempo determinado). A história é mestra em nos ensinar isso, em nos revelar o modus operandi de Deus!
O cristão consciente, sensato e iluminado pelo Espírito Santo não se apega cegamente a pessoas ou líderes políticos populares e influentes, porém a princípios e valores cristãos. Quando algum líder mais se alinha, defende e promove, sincera e verdadeiramente, tais princípios e valores também comuns ao ensino bíblico, passam a merecer sua atenção, respeito, apoio e voto, enquanto permanecer nessa linha.
O cristão não tem um chamado para a militância político-ideológica (de esquerda, de centro ou de direita), mas não deve se alienar, pensar que não é com ele, que sua pátria está nos céus e como cidadão dos céus não deve se envolver nas coisas terrenas. Se os que governam, se os que fazem as leis, se os que julgam as questões e transgressões das leis, afetam forte e diretamente a nós, a nossa família, a igreja, as instituições, enfim, a sociedade onde vivemos, não podemos deixar de exercer conscientemente a nossa cidadania e lutar, dentro das regras estabelecidas na Constituição e nas leis, para a manutenção da ordem, da harmonia, da paz, da segurança e do bem-estar social. Vale lembrar a exceção que se dá quando governantes e leis nos impõem e obrigam a renunciar a adoração a Deus e a obediência à sua palavra.
Vivemos, mais do que nunca, na era da informação. Se antes ela vinha essencialmente de veículos oficiais, hoje ela vem de toda a parte alcançando as pessoas, em todos os lugares. Não é mais possível ficar indiferente aos fatos, às narrativas sobre os fatos e às fake News que tão tenazmente nos assediam diariamente. A polarização de ideias e ideologias ganha total relevância nas sociedades pós-modernas. Temas como Direita e Esquerda; Conservador e Progressista; Liberalismo econômico e Keynesianismo[1]; Capitalismo e Socialismo (sendo que o comunismo é geralmente considerado como o ápice do socialismo); dentre outros, ganham fôlego, ocupam as agendas de debates da sociedade e estimulam a polarização que separa os cidadãos. O que está acontecendo no cenário nacional e mundial? Existe uma nova ordem mundial por trás de tudo isso, trabalhando em prol de algum objetivo específico? Como o cristão deve lidar e se posicionar? Quem é o adversário a ser enfrentado – pessoas ou ideias? Isso é o que procuraremos tratar neste artigo.
Desde já é preciso deixar claro que não há espaço para o confronto de pessoas, porém, o confronto de ideias é sempre válido e necessário, e isso precisa acontecer sempre com muita tranquilidade e respeito!
1. Os termos “Esquerda” e “Direita”
São termos que originalmente (há cerca de 231 anos) identificaram posicionamentos diferentes. “Os termos “esquerda” e “direita” apareceram durante a Revolução Francesa, de 1789, e o subsequente Império de Napoleão Bonaparte, quando os membros da Assembleia Nacional se dividiam em partidários do rei à direita do presidente e simpatizantes da revolução à sua esquerda.”[2] Portanto, os que estavam à direita apoiavam a autoridade real (o imperador) e os que estavam à esquerda, defendiam os representantes do povo. Assim, a direita passou identificar aqueles que defendem o statusquo (ordem socioeconômica vigente), conservando as supostas desigualdades e privilégios sociais; enquanto a esquerda os que questionam o statusquo e supostamente defendem uma sociedade mais justa e igualitária.
Na prática, atualmente, esses termos servem apenas de um rótulo, de uma forma reduzida e facilitadora para designar duas ideologias antagônicas e imperfeitas – capitalismo e socialismo – que de alguma forma pressionam-se mutuamente e, talvez, favoreçam a busca do equilíbrio social. Os extremos, isto é, tanto a tirania do capital quanto a ditadura do proletariado são danosas e não contribuem para uma sociedade justa e igualitária. Na verdade, esse assunto é demasiadamente complexo, pois tem como pivô o ser humano falível, imperfeito, egoísta e pecador. Como alcançar uma sociedade ideal se a sua base – o ser humano – tem uma natureza má e corrompida pelo pecado? Numa sociedade plural e diversa como conciliar tantos interesses, sensos (individuais e dos seus grupos de afinidade) de certo e errado tão variados, princípios e conceitos éticos lastreados em tantas religiões e filosofias de vida? O desafio é permanente e, provavelmente, insuperável.
2. O fiasco da Esquerda
Vale prestar atenção ao que diz o historiador e doutor em história da igreja Alderi Souza de Matos: “Mais de um século depois (da Revolução Francesa), graças a outra revolução, desta vez na Rússia, a esquerda veio a ser identificada com o comunismo ou socialismo, em sua luta contra o capital e em defesa dos trabalhadores. Essa ideologia tinha algumas características distintivas:
– otimismo quanto ao ser humano, ou seja , o homem como um ser naturalmente bom;
– racionalismo utópico – crença na capacidade da razão para construir uma sociedade ideal;
– determinismo histórico – a história é condicionada por forças econômicas e evolui inexoravelmente para um fim;
– igualitarismo e socialismo – luta pela eliminação das distinções sociais e da propriedade privada, almejando uma sociedade sem classes.
O século 20 testemunhou o fracasso do ´sinistro` experimento socialista, gerador que foi de um grande número de mazelas: ditaduras cruéis e opressoras, novas formas de elitismo e concentração de riquezas, estatismo, burocracia e corrupção, ineficiência administrativa, violação extensiva dos direitos humanos, práticas antidemocráticas (partido único, ausência de eleições, supressão de liberdades públicas). Isso sem contar os horrendos crimes contra a vida praticados na União Soviética, na China, no Camboja, na Coreia do Norte, em Cuba e outros países. Apesar dessas distorções em fracassos clamorosos , muitas pessoas continuam fascinadas pela esquerda com suas propostas socializantes .”[3]
Por outro lado, uma direita que esteja focada na defesa intransigente do capital e dos empresários, insensível às necessidades do povo e à redução das desigualdades sociais, acomodada com o desfrute de privilégios adquiridos de forma ilícita e a exploração dos desfavorecidos, em nada contribui para a melhoria da sociedade.
3. Cristianismo versus Socialismo/Comunismo
Muitos intelectuais, acadêmicos e artistas em todo o mundo parecem se identificar e defender a ideologia de esquerda, associada a uma linha progressista de usos e costumes. São estes formadores de opinião que têm investido maciçamente para mudar a educação e a cultura vigentes, pois assim conseguiriam mudar os valores da sociedade e por extensão a política. É o que se conhece como marxismo cultural, segundo a visão do filósofo, Antonio Gramsci (1891-1937), que fez uma releitura das ideias de Karl Marx e formulou um marxismo diferente do “original”. É preciso interromper essa escalada de desconstrução da herança judaico-cristã nos países de maioria cristã. Os cristãos precisam estar vigilantes, entendendo que Cristianismo ou Fé Cristã é inconciliável com a Esquerda/Socialismo/Comunismo. Por exemplo:
A cosmovisão cristã tem uma forma própria e autêntica de amar o próximo e compartilhar bens espirituais e materiais, baseada na síntese que Jesus fez da Lei – Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo.
O comunismo defende o ateísmo, é materialista e persegue os cristãos bem como aqueles que dele discordam.
O compartilhamento de bens na igreja primitiva (Atos 4 e 5) nada tem a ver com a ideologia socialista/comunista. O que ali aconteceu foi tão somente o exercício prático e voluntário do amor fraternal num contexto muito específico de perseguições e dificuldades. Aquela experiência não se transformou em doutrina para a igreja nas epístolas do Novo Testamento.
O comunismo ignora o direito de propriedade individual, cerceia a liberdade e dita suas próprias regras decorrentes de um autoritarismo de raiz.
A Fé Cristã crê que o homem é pecador por natureza e somente o novo nascimento gerado pelo Espírito Santo pode transformar o seu ser e, em decorrência, o seu entorno.
O comunismo difunde a falsa crença de um ser humano bom e atribui todo o mal às estruturas econômicas capitalistas. Pretende impor a ideia de uma sociedade melhor pela coerção governamental, sem a transformação interior
4. Um exemplo real das consequências das duas ideologias
A comparação é interessante e oferece certo respaldo lógico considerando tratar-se de uma mesma região e de um mesmo povo dividido e separado geograficamente e ideologicamente. Se fosse usado como exemplo a Alemanha Ocidental e a Oriental, antes da reunificação, os resultados não seriam muito diferentes. Enfim, as informações e os números abaixo falam por si mesmos.
COREIA
História: Em 1910, a Coreia foi anexada pelo Império do Japão. Em 1945, após a rendição japonesa no final da Segunda Guerra Mundial, a Coreia foi dividida em duas zonas, com o norte ocupado pela União Soviética e o sul ocupado pelos Estados Unidos.
COREIA DO NORTE
COREIA DO SUL
Ocupação (1945): União Soviética (comunismo)
Ocupação (1945): Estados Unidos (capitalismo)
Governo: República popular totalitária socialista (Ditadura Stalinista Totalitária)
Governo: República presidencialista (Democracia Multipartidária)
O Partido dos Trabalhadores da Coreia (PTC), liderado por um membro da família governante, detém o poder e lidera a Frente Democrática para a Reunificação da Pátria, da qual todos os oficiais políticos são obrigados a ser membros.
Desde o estabelecimento da república moderna em 1948, a Coreia do Sul debateu-se com sequelas de conflitos bélicos, como a Guerra da Coreia (1950-1953), e décadas de governos autoritários. Apesar de ser oficialmente uma democracia de estilo ocidental desde a fundação da república, as eleições presidenciais sofreram grandes irregularidades que só terminaram em 1987, quando ocorreram as primeiras eleições diretas e o país passou a ser considerado como uma democracia multipartidária.
Os meios de produção são de propriedade do Estado através de empresas estatais e fazendas coletivizadas.
Sua economia tem crescido rapidamente desde a década de 1950. Hoje em dia, é a 13ª maior economia do mundo (por PIB PPA).
A maioria dos serviços, como saúde, educação, habitação e produção de alimentos, também é subsidiada ou financiada pelo Estado.
Se encontra entre os países mais avançados tecnologicamente e um dos melhores em comunicações; é o terceiro país com o maior número de usuários de Internet de banda larga entre os países-membros da OCDE.
O país segue a política Songun, ou “militares em primeiro lugar”, com um total de 9.495.000 de pessoas entre soldados ativos, na reserva e paramilitares.
Um dos líderes globais na produção de aparelhos eletrônicos, como dispositivos semicondutores e telefones celulares.
Várias organizações internacionais avaliam que graves violações de direitos humanos na Coreia do Norte são comuns e tão severas que não têm paralelo no mundo contemporâneo.
Conta com uma das infraestruturas mais avançadas do mundo.
De 1994 a 1998, a Coreia do Norte sofreu uma crise de fome que resultou na morte de milhares de pessoas (entre 240 mil e 420 mil norte-coreanos), sendo que a população continua a sofrer de desnutrição.
É o líder da indústria de construção naval, encabeçada por companhias proeminentes, entre elas a Hyundai Heavy Industries.
Fonte: Wikipédia
5. O que fazer diante do cenário político? Como votar?
Cada vez se torna mais difícil escolher candidatos ao legislativo e ao executivo. Torna-se mandatório conhecer um pouco sobre a competência, a ética e a ideologia dos candidatos. Também não basta analisar o candidato, há que se conhecer um pouco do seu partido; da sua ideologia e das suas bandeiras partidárias.
a) Quanto ao candidato, o cristão não tem muitas opções:
Os melhores: são aqueles com alta, média ou baixa competência para o bem.
OPÇÃO
COMPETÊNCIA PESSOAL
ÉTICA
IDEOLOGIA
1ª
Alta
Confiável
Conservadora
2ª
Média
Confiável
Conservadora
3ª
Baixa
Confiável
Conservadora
Os piores: são aqueles com alta, média ou baixa competência para o mal.
OPÇÃO
COMPETÊNCIA PESSOAL
ÉTICA
IDEOLOGIA
–
Alta
Não Confiável
Progressista
–
Média
Não Confiável
Progressista
–
Baixa
Não Confiável
Progressista
Vejam que no raciocínio aqui exposto sugere-se que, por exemplo, é extremamente melhor eleger um governante com inteligência mediana (que pode se cercar de auxiliares competentes), porém confiável (honesto) e de princípios conservadores, do que um governante superdotado intelectualmente, não confiável (ou corrupto) e de princípios progressistas, pois este último desviará os recursos públicos e investirá no desmonte dos valores judaico-cristãos. Entenda-se aqui como conservador aquele que defende princípios e valores éticos, morais e sociais legados por incontáveis gerações, tais como o direito à vida, a liberdade, às crenças religiosas e a propriedade individual; a preservação da família tradicional. Apoia o progresso tecnológico e da ciência, com a modernização, desde que não conflita com seus princípios e valores. Jamais se abale quando os progressistas rotularem tudo isso de “retrocesso”!
b) Quanto ao partido, o cristão precisa ficar atento às suas bandeiras falaciosas/oportunistas/populistas e às de cunho progressistas, como por exemplo:
– Falsa defesa dos pobres, dos trabalhadores e da redução das desigualdades, apenas como pretexto para receber voto (chavão populista). – Desconstrução da família e do direito de propriedade. – Falsa preocupação com a preservação do meio ambiente (chavão populista). – Defesa irracional das minorias (sem a consistente argumentação lógica e humana). – Legalização do aborto. – Descriminalização das drogas. – Defesa irracional da igualdade de gênero (sem a consistente argumentação lógica e humana). – Desconstrução da heteronormatividade. – Defesa da ideologia de gênero, agênero, gênero não-binário etc.
Conclusão
Mais importante do que identificar-se ou designar-se como sendo de esquerda, ou de centro, ou de direita é conhecer, apoiar e votar em candidatos e partidos que mais se aproximem dos princípios e da ética cristã e bíblica. Que a função e papel do Estado deve ser de regulação e não de produção de bens e serviços.
Vale trazer para reflexão aqui o que efetivamente tem valor para o desenvolvimento de uma sociedade. Sem dúvida, para nós cristãos, o temor a Deus vem em primeiro lugar. O segundo aspecto relevante é a manutenção de famílias estruturadas e saudáveis. Daí nossa permanente defesa da família tradicional e repúdio à desconstrução da heteronormatividade. Podemos citar como terceiro aspecto a educação. Muito precisa ser feito nesta área e não estamos falando necessariamente de investimento financeiro, principalmente aqui no Brasil. Cremos que é através da educação de qualidade, desde o início da infância, que podemos mudar a situação de uma pessoa, da sua família e de toda a nação. É a educação que irá preparar o cidadão para a vida; abrir oportunidade para bons empregos, com melhores salários, reduzindo as desigualdades. Na década de 1970 o Estado oferecia um ensino público básico de boa qualidade, melhor do que a maioria das escolas particulares daquele tempo. Não se trata de algo que ouvi falar, mas de experiência vivida. Pertencendo a uma família de imigrantes de poucas posses, recém chegada ao Brasil trazendo apenas uma vaga de emprego na bagagem, frequentei estabelecimento público no antigo primário, ginásio e escola técnica (hoje denominados de ensino fundamental e médio). Depois, trabalhando de dia e estudando à noite, paguei meu curso superior em escola particular e, assim, pude ter acesso a melhores condições no mercado de trabalho. Infelizmente, no decorrer do tempo essa qualidade da escola pública caiu muito e as consequências estão aí. É preciso reverter essa situação se quisermos um país melhor, mais justo e mais igual. É preciso investir na formação do cidadão para o trabalho e parar de ficar enchendo a cabeça dele de ideologias marxistas e ligadas à sexualidade. Isso não só melhorará o nível funcional de todos os setores de produção e serviço, bem como o nível dos nossos representantes, principalmente no executivo e legislativo. É preciso romper com essa cultura do assistencialismo permanente e paternalismo do governo, promovendo a dignidade cidadã.
Que Deus nos ajude, pois a perseguição aos cristãos evangélicos vai aumentar em todo o mundo! “Então, sereis atribulados, e vos matarão. Sereis odiados de todas as nações, por causa do meu nome.” (Mt 24.9)
[1] Keynesianismo: conjunto das teorias e medidas propostas pelo economista britânico John Maynard Keynes (1883-1946) e seus seguidores, que defendiam, dentro dos parâmetros do mercado livre capitalista, a necessidade de uma forte intervenção econômica do Estado com o objetivo principal de garantir o pleno emprego e manter o controle da inflação.
[3] Revista Ultimato – Nº 338 – Setembro-Outubro/2012
LEITURA ADICIONAL
“Para um entendimento mais aprofundado do significado do conceito ‘ser de direita’, proponho um raciocínio inicial para definir o polo oposto, isto é, ‘ser de esquerda’ ou ser comunista. Gostaria de fazer uma firme declaração de princípio político, que julgo fundamental para evitar quaisquer mal-entendidos quanto às minhas argumentações. Me declaro um anticomunista convicto, não somente em função da sua fundamentação filosófica ou ideológica, mas sobretudo por suas ações práticas. Poderia apenas dizer que é um regime que não apenas oprime e persegue os cristãos, mas que proíbe a prática religiosa. Isto seria o suficiente para o meu posicionamento, mas como estamos em Grupo, onde pretende-se aprofundar a discussão sobre temas políticos, gostaria de enumerar, de forma sintética, pelo menos dez motivos que fundamentam esta minha declaração: (i) Liberdade Religiosa – regime que não somente proíbe a prática, mas que persegue e oprime. (ii) Direito de Propriedade – não reconhece o direito individual de propriedade e ao governo pertencem todas as propriedades da nação. (iii) Iniciativa Privada – concentra no estado todos os serviços e meios de produção, não permitindo a livre iniciativa na condução da economia, matando a competitividade, a competência, o mérito e a produtividade. (iv) Controle Comunitário – exerce o controle absoluto sobre toda a vida comunitária, como distribuição de residências, de terras, de empregos, de cargos e tudo o mais, a seu critério, gerando uma casta de privilegiados e corrupção. (v) Ditadura – exerce o controle do país através do parlamento controlado pelo poder central, com decisões centradas em um governo ditatorial, mantendo o poder de forma autoritária, com base no medo e tortura. (vi) Partido Único – monopoliza o pensamento através da centralidade do partido único, controlado pelo poder dominante; (vii) Liberdade de Expressão – controla todas os meios de comunicação, divulgando apenas o que interessa ao regime. (viii) Liberdades Individuais – são abolidas e os indivíduos são tratados em função dos interesses do Estado e não de uma justiça verdadeira. (ix) Manipulação da Justiça – elaboração de leis, visando a concentração da justiça na mão do governo, sem independência dos poderes e sem julgamentos justos; (x) Internacionalização do Modelo – exportação do modelo para outras nações, levando grandes instabilidades para os povos e a paz do mundo. Por isto e muito mais, é que reafirmo minha declaração de, racionalmente, me declarar um anticomunista.” (Guaraci Sathler)