As dez máximas do Evangelho

“Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” (João 3.16)

Esta conjunção coordenativa explicativa que inicia o versículo é seguida da: maior resposta à necessidade humana de salvação eterna; maior expressão da graça divina.

O maior e mais poderoso ser eternamente existente, tanto no mundo espiritual como no material, o Supremo Criador, Sustentador e Governante do universo visível e invisível aos olhos humanos. (At 17.24-28)
A maior e mais excelente virtude que há, sendo ela a própria essência de Deus (Deus é amor!). (1Jo 4.7-8; 1Co 13.13)
O maior conjunto de seres humanos, os habitantes do planeta Terra de todas as épocas. (Jo 17.3)
O maior grau de intensidade, inalcançável pela mente humana. (1Jo 4.11; 1Pe 1.18-19)
A maior demonstração e prova do verdadeiro amor, o maior e perfeito sacrifício vicário (substitutivo) pelo pecador condenado pela justiça divina (eu, você e todos os outros humanos). (1Jo 4.10)
O ser mais sublime, o Deus-homem e homem-Deus, único, a expressão máxima do ser de Deus – Jesus Cristo. (Cl 1.15)
O ser humano mais privilegiado e bem-aventurado – aquele que crê no Filho de Deus. (Jo 3.36)
O maior e mais importante livramento que o ser humano pode experimentar – da morte eterna ou da eterna separação do Criador. (Rm 5.12)
O maior desejo e anseio humanos, o de “ter” algo de valor, que muitas vezes se mescla ou se confunde com o de “ser” (Ex.: ter saúde – ser saudável etc.). (Mc 8.36)
O maior e mais precioso tempo de existência, incomensurável. (1Co 2.9)

Diante dessa tão extraordinária e sublime revelação, qual tem sido a sua atitude?

Paulo Raposo Correia

Requisitos do Discipulado

Texto(s) base: Lucas 9.57-62 | Mateus 8.19-22
O discipulado posto à prova – O preço do discipulado

Introdução          

É interessante observar nos Evangelhos que, por três vezes, Jesus usa a expressão “não pode ser meu discípulo” após mencionar uma ou mais condições necessárias e indispensáveis, conforme segue:

“Se alguém vem a mim e não aborrece[1] a seu pai, e mãe, e mulher, e filhos, e irmãos, e irmãs e ainda a sua própria vida, não pode ser meu discípulo.” (Lc 14.26)
“E qualquer que não tomar a sua cruz e vier após mim não pode ser meu discípulo.” (Lc 14.27)
“Assim, pois, todo aquele que dentre vós não renuncia a tudo quanto tem não pode ser meu discípulo.” (Lc 14.33)

Portanto, ser discípulo e seguidor de Jesus não é um tipo de favor que fazemos a ele, ou prestígio que damos a ele, como acontece quando seguimos alguém numa Rede Social. Ao contrário, é uma oportunidade e privilégio que o Mestre nos concede desde que atendamos a determinadas condições ou requisitos.

Na minha adolescência e início de juventude muito me impactou a leitura do livreto “O Discipulado Verdadeiro” de William MacDonald (Ed. Mundo Cristão). Dentre várias exposições ele enumera sete “Termos do Discipulado”, todos com um tom de exigência muito forte:

1º) Supremo amor por Jesus Cristo.
“Se alguém vem a mim e não aborrece a seu pai, e mãe, e mulher, e filhos, e irmãos, e irmãs e ainda a sua própria vida, não pode ser meu discípulo. (Lc 14.26)”

2º) Abnegação.
“Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me.” (Mt 16.24b)

3º) Deliberada escolha da cruz[2].
“Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me.” (Mt 16.24b)

4º) Vida que se passa seguindo a Cristo.
“Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me.” (Mt 16.24b)

5º) Fervente amor por todos os que pertencem a Cristo.
“Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros.” (Jo 13.35)

6º) Perseverança em sua Palavra, sem desvios.
“Disse, pois, Jesus aos judeus que haviam crido nele: Se vós permanecerdes na minha palavra, sois verdadeiramente meus discípulos;” (Jo 8.31)

7º) Abandono de tudo para segui-lo. 
“Assim, pois, todo aquele que dentre vós não renuncia a tudo quanto tem não pode ser meu discípulo.” (Lc 14.33)

O tema dá margem para abordarmos esses e tantos outros requisitos ou condições prévias, entretanto, vamos nos fixar em três deles contidos no texto base deste estudo. Desde sempre a sociedade humana aprendeu a conviver com a exigência de requisitos. Podemos citar alguns exemplos mais recentes: para entrar em uma determinada escola, para ocupar uma vaga numa empresa, para concorrer a um cargo eletivo, para jogar numa equipe de esporte, para ter acesso a determinados benefícios (auxílio governamental, atendimento prioritário, aposentadoria etc.) e assim por diante. Ser discípulo de Jesus não é diferente. A salvação é pela Graça Divina, mas o seguir a Cristo tem um preço a ser pago pelo salvo. Portanto, o propósito deste estudo é apresentar algumas exigências impostas ao discípulo e seguidor de Cristo.  

Desenvolvimento             

Notemos que Mateus e Lucas registram esses incidentes de “quase discípulos”. Sabemos que Mateus não teve a intenção de escrever um “Evangelho cronológico”; antes como seu propósito, compilou um “Evangelho por tópicos”. A narrativa de Lucas parece ser mais completa.

Todo aquele que começa a seguir a Cristo não deve se surpreender com o fato de que irá se deparar com muitos que se desviam, seguindo caminhos que surgem diante deles. Além disso, sempre será tentado a retroceder. Também, não faltarão outras vozes e propostas  tentando induzi-lo a não se envolver muito, a aproveitar a vida e  oferecendo-se para “cortar centímetros da cruz”.

Há uma interessante ilustração disto no registro bíblico desses três candidatos a discípulos que permitiram que outras vozes tivessem precedência à voz de Cristo. Estes três homens estiveram face a face com Jesus. Sentiram-se movidos por uma compulsão interna a segui-lo. Mas permitiram que alguma coisa, interferisse entre suas almas e a completa dedicação a ele.

Então, vejamos o que aconteceu no encontro desses três senhores com Jesus. Seus nomes não são mencionados, então, poderíamos identificá-los com os seguintes  “apelidos”:

1. Sr. PRECIPITADO

57  Indo eles caminho fora, alguém lhe disse: Seguir-te-ei para onde quer que fores. (Lc 9)
58  Mas Jesus lhe respondeu: As raposas têm seus covis, e as aves do céu, ninhos; mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça. (Lc 9)
“19  Então, aproximando-se dele um escriba, disse-lhe: Mestre, seguir-te-ei para onde quer que fores. (Mt 8)
20  Mas Jesus lhe respondeu: As raposas têm seus covis, e as aves do céu, ninhos; mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça. (Mt 8)

Entusiasticamente o Sr. Precipitado, aquele “alguém” ou um “escriba”, se apresentou como voluntário para seguir o Senhor por toda a parte. Será que ele tinha consciência plena das implicações disso? Do preço a ser pago? Precipitado é aquele que se comporta de maneira impulsiva; que age sem reflexão.

A princípio a resposta de Jesus não parece ter sido tão animadora diante de tão espontâneo oferecimento do Sr. Precipitado. Na verdade, a resposta do Senhor foi apropriada e realista. É como se dissesse: “Alegas que estás disposto a seguir-me por toda parte, mas estás disposto a fazer isso sem as comodidades materiais da vida? As raposas têm mais comodidades deste mundo do que eu. As aves têm ninhos que podem dizer que lhes pertencem. Mas eu sou um Peregrino sem lar no mundo que as minhas mãos fizeram. Estás pronto a sacrificar a segurança de um lar para seguir-me? Estás pronto para renunciar às legítimas comodidades da vida a fim de servir-me devotadamente?”

Ao que parece, o homem não estava disposto a isso, porque não ouvimos falar mais dele nas Sagradas Escrituras. Talvez o seu amor pelas conveniências tenha sido maior do que a sua pretensa dedicação a Cristo!

Diferentemente de muitos líderes populistas, Jesus não esconde dos seus pretensos seguidores as dificuldades e sacrifícios exigidos pelo discipulado. Seus seguidores precisam ter consciência das dificuldades, dos desafios, das perdas, da renúncia, do desconforto. Quantas pessoas, de forma irrefletida, num momento de pura emoção, ou na busca de bênçãos e vantagens materiais, ou fuga do inferno e garantia do céu,  agem como o Sr. Precipitado? Os adeptos e defensores da “teologia da prosperidade” não agem como Jesus, ao contrário, enfatizam a prosperidade e escondem as dificuldades.  

Jesus também disse: “No mundo, passais por aflições; mas tende bom ânimo; eu venci o mundo.” (Jo 16.33b). Ele venceu, mas foi morto e ressuscitou. Os seus primeiros seguidores, os apóstolos, foram martirizados, bem como Estêvão. O apóstolo Paulo acrescentou: “Porque vos foi concedida a graça de padecerdes por Cristo e não somente de crerdes nele,” (Fp 1.29); “Ora, todos quantos querem viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos.” (2Ts 3.12)

2. Sr. ATAREFADO

59  A outro disse Jesus: Segue-me! Ele, porém, respondeu: Permite-me ir primeiro sepultar meu pai. (Lc 9)
60  Mas Jesus insistiu: Deixa aos mortos o sepultar os seus próprios mortos. Tu, porém, vai e prega o reino de Deus. (Lc 9)
21  E outro dos discípulos lhe disse: Senhor, permite-me ir primeiro sepultar meu pai. (Mt 8)
22  Replicou-lhe, porém, Jesus: Segue-me, e deixa aos mortos o sepultar os seus próprios mortos. (Mt 8)

Este não foi voluntário como o primeiro; em vez disso o Senhor o chamou para que fosse um seguidor. Sua resposta não foi uma recusa completa. Ele não estava inteiramente desinteressado no Senhor, mas havia algo que ele queria fazer primeiro. Este foi o seu grande erro. Colocou as reivindicações dele acima das de Cristo.

Note-se a sua resposta: “Permite-me ir primeiro sepultar meu pai”. Ora, é perfeitamente legítimo que um filho mostre respeito natural a seus pais. E, se um pai morre, por certo está dentro dos limites da fé cristã que o filho lhe dê um sepultamento decente. À primeira vista a resposta de Jesus pode até causar certa estranheza ou chocar. Entretanto, fica no ar as seguintes questões: (i)Esse pai acabara de morrer e o filho precisava providenciar o seu sepultamento? Ou, (ii) O pai estava vivo e ele quis adiar por algum tempo, o seguir a Jesus, para cuidar do pai até que viesse a morrer e fosse sepultado?  De qualquer forma fica explícito que as exigências do discipulado e do reino têm precedência e prioridade sobre as tarefas e vínculos terrenos.

A questão principal que se coloca aqui diz respeito à sua prioridade pessoal em detrimento à prioridade do Senhor. Ele começou dizendo: “Senhor, permite-me…primeiro…”. As outras palavras que disse eram simples camuflagem para ocultar o seu subjacente desejo de colocar o seu “eu” em primeiro lugar.

O Sr. Atarefado tinha um trabalho para fazer, e deixou que esse trabalho ficasse com o primeiro lugar. Portanto, foi pertinente que Jesus lhe dissesse: “Deixa aos mortos o sepultar os seus próprios mortos. Tu, porém, vai, e prega o reino de Deus”. Podemos parafrasear as suas palavras como segue: “Há certas coisas que os espiritualmente mortos podem fazer tal qual os crentes. Mas há outras coisas na vida que somente o crente pode fazer. Vê que não passes a vida fazendo o que um inconverso poderia fazer igualmente bem. Deixa que os mortos espiritualmente enterrem os fisicamente mortos. Quanto a ti, porém, age como indispensável. Deixa que o impulso dominante da tua vida seja o de promover o progresso da minha causa na terra”.

Parece que o preço era alto demais para o Sr. Atarefado pagar. Saiu do palco do tempo para entrar num anônimo silêncio.

“Se o primeiro ilustra as comodidades materiais como um obstáculo ao discipulado, o segundo pode falar de um serviço ou ocupação tomando precedência sobre a principal razão da existência de um cristão. Não é que haja algo errado num emprego secular; a vontade de Deus é que o homem trabalhe para suprir as suas necessidades e as de sua família. Mas a vida do verdadeiro discípulo exige que o reino de Deus e a sua justiça sejam procurados primeiro; que o crente não passe a vida fazendo o que o não regenerado pode fazer tão bem, se não melhor; e que a função de um trabalho seja simplesmente suprir as necessidades comuns, enquanto a principal vocação do cristão é pregar o reino de Deus.”

Nem todos são chamados por Deus para serem obreiros de tempo integral, mas todos os discípulos são chamados para uma dedicação integral e testemunho seja lá onde estiver (em casa, na escola, no trabalho etc.). Como anda a sua agenda? Quais são as suas prioridades e projetos nesta vida? Qual é a sua escala de valores? O que é mais importante para você? Não perca de vista as advertências de Jesus: “porque, onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração.” (Mt 6.21); e, ainda: “Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?” (Mc 8.36); “Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de aborrecer-se de um e amar ao outro, ou se devotará a um e desprezará ao outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas.” (Mt 6.24)  

3. Sr. SENTIMENTALISTA

61  Outro lhe disse: Seguir-te-ei, Senhor; mas deixa-me primeiro despedir-me dos de casa. (Lc 9)
62  Mas Jesus lhe replicou: Ninguém que, tendo posto a mão no arado, olha para trás é apto para o reino de Deus. (Lc 9)

Este é parecido com o primeiro uma vez que também se apresentou voluntariamente para seguir o Senhor. Mas, também é parecido com o segundo no uso que fez das palavras contraditórias: “…Senhor…deixa-me primeiro…”. Disse ele: “Seguir-te-ei, Senhor; mas deixa-me primeiro despedir-me dos de casa”.

Em princípio, não havia nada de errado com essa solicitação e alguém pode até ter estranhado a resposta de Jesus, afinal, Eliseu pediu a mesma coisa a Elias, quando chamado a segui-lo, e foi atendido (1Rs 19.20 – “Vai e volta”, é o nosso popular “bate e volta”). É mais do que justo mostrar interesse amoroso pelos parentes e dar satisfação à família ao deixá-los. Qual foi, pois, o ponto em que este homem falhou no teste? Este permitiu que os ternos laços naturais, as demandas familiares, usurpassem o lugar de Cristo.

Por isso, o Senhor Jesus disse: “Ninguém que, tendo posto a mão no arado, olha para trás, é apto para o reino de Deus”. “Em outras palavras: Os meus discípulos não são feitos de substância tão egocêntrica e maleável como a que exibes. Quero como discípulos aqueles que estejam dispostos a renunciar aos laços familiares, que não se deixem levar por parentes sentimentais, que me ponham acima de todos os demais em suas vidas.”

Podemos, então, concluir que o Sr. Sentimentalista deixou Jesus e se foi desprezando tão relevante oportunidade. “Suas mais que confiantes aspirações ao discipulado romperam-se nas rochas dos laços da afinidade familiar. Talvez fosse uma chorosa mãe a solução: ‘Você partirá o coração de sua mãe se me deixar para ir para o campo missionário`. Não sabemos. Tudo que sabemos é que a Bíblia generosamente evita dar o nome deste fraco indivíduo que, voltando atrás, perdeu a maior oportunidade da sua vida e ganhou o epitáfio: ´Inepto para o reino de Deus.`”

Conclusão

Resumindo:
Estes três casos, com estes três candidatos a discípulo de Jesus, ilustram três situações de não atendimento aos requisitos do discipulado, a saber:

Sr. Precipitado – O apego às comodidades terrenas; a valorização do conforto e do prazer acima do Senhor.

Sr. Atarefado – A precedência de um emprego ou de uma ocupação terrena.

Sr. Sentimentalista – A prioridade dos ternos laços de família.

O Senhor Jesus Cristo continua chamando, como sempre chamou, homens e mulheres dispostos a segui-lo com compromisso total, submissão incondicional, prioridade inegociável, abnegação, renúncia e sacrifício. Neste caminho, não estão disponíveis atalhos ou rotas de fuga. Não há espaço para impor condições pessoais. A pergunta que não quer calar é: quantos estão dispostos a responder positivamente a esse chamado?

“O Salvador não está procurando homens e mulheres que lhe deem escassas noites – ou os seus fins de semana – ou os anos da sua aposentadoria. Antes, procura os que hão de dar-lhe o primeiro lugar em suas vidas”.

Não podemos encerrar este estudo sem lembrar que não é vã tal dedicação a Cristo, qualquer que seja o preço pago pelo discípulo e seguidor de Jesus; há recompensa aqui e no pós morte: “E todo aquele que tiver deixado casas, ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe ou mulher, ou filhos, ou campos, por causa do meu nome, receberá muitas vezes mais e herdará a vida eterna.” (Mt 19.29)

Que Deus nos ajude!

Bibliografia

1. Bíblia Sagrada (SBB – Versão Revista e Atualizada).
2. Bíblia Online – SBB.
3. Revista Fazei Discípulos (Ed. Didaquê).
4. O Discipulado verdadeiro – William MacDonald (Ed. Mundo Cristão)
5. Internet.


[1] Aborrecer: colocar em 2º plano.

[2] “A cruz não é alguma fraqueza física ou angústia mental; estas coisas são comuns a todos os homens. A cruz é um caminho escolhido deliberadamente. É ´um caminho que segundo o curso deste mundo é alvo de desonra e crítica.` – C. A. Coates.


Veja isso:

VOCÊ TEM TEMPO PARA DEUS?

Ministério Profético em Israel

INTRODUÇÃO

O ministério profético em Israel, cobriu aproximadamente uns 450 anos, 850-400 a.C., surgindo em decorrência das falhas do ministério levítico-sacerdotal.

Os sacerdotes eram os mestres religiosos do povo, regularmente designados. Constituíam o “clero”, uma classe mais culta, hereditária, “profissional” e, muitas vezes os homens mais ímpios da nação. Ainda assim eram mestres religiosos. O povo tinha a obrigação de sustentá-los. Ao invés de bradarem contra os pecados do povo, caíam com ele nas mesmas faltas e tornavam-se líderes na iniquidade. No decorrer do tempo, tornaram-se mais políticos do que espirituais.

Os profetas do Antigo Testamento foram homens chamados por Deus em períodos de declínio e apostasia. Foram, em primeiro lugar, reavivamentalistas e patriotas, falando em nome de Deus ao coração e à consciência da nação.

Antes da destruição de Jerusalém houve um período de intensa atividade profética. Deus enviou uma legião brilhante de profetas, num esforço de salvação. Não conseguindo salvar a Cidade Santa pecadora, os profetas brilham literalmente com explicações e garantias de que o colapso do povo de Deus não significa o aniquilamento dos planos divinos; que, depois de um período de castigo haverá uma restauração e, para o povo de Deus, um futuro glorioso.

“Este cenário serve como séria advertência para a igreja em todos os tempos. Uma estatística do final do século 20 registrou que cerca de 60% dos pastores da América do Sul abandonam o ministério:

10 a 20% – Não foram chamados;
        40% – Frouxidão moral, prostituição, adultério, homossexualismo etc.;
                 – Analfabetismo bíblico;
                 – Amor ao dinheiro (outras propostas mais vantajosas).

A igreja de Deus é um organismo vivo. O excesso de organização é doentio. Se a organização é autossuficiente (captação de recursos através de aluguel de imóveis, por exemplo), ela não cai quando deveria cair. Entretanto, Deus é quem deve sustentar a obra. Há que depender dele.” (Pr. Álvaro Trindade)

1. ORIGEM

Tomando o termo na acepção mais ampla, pode-se dizer que os primeiros profetas foram os patriarcas, desde Adão até Moisés (Gn 20.7). Moisés, mesmo sendo renomado legislador, foi também profeta (Dt 18.15; 34.10). No sentido restrito, é em Samuel que começa o ministério profético. Segundo as próprias palavras de Jesus, João Batista encerra esse período (Mt 11.13), assinalando assim a grande divisão entre a antiga dispensação (da Lei) e a nova (da Graça), isto, após um intervalo de cerca de 400 anos de silêncio (período Interbíblico).

Os profetas canônicos viviam sob a dependência do Espírito de Deus, e a sua mensagem vinha de Yahweh. O Espírito de Deus escolhia os homens de acordo com o seu propósito, e a seguir os usava para o fim desejado (Is 6; Jr 1.5 etc.). Nenhum profeta verdadeiro jamais falou por sua própria autoridade. Eram os porta-vozes de Deus, sempre pregando pela autoridade do Espírito Santo. “Assim diz Yahweh” era a constante afirmativa. Cada profeta é uma individualidade em si. Como tal, a sua mensagem conserva o selo da sua individualidade, tanto quanto a da sua origem divina. A cada qual Deus revelou uma parte da verdade necessária à sua geração. Quando alguém reunir os ensinos mais enfáticos dos diversos livros proféticos, então será mais fácil avaliar o todo do plano divino para o mundo. Então poder-se-á apreciar mais intensamente a sabedoria divina, por ter escolhido o método que adotou.

2. PROFETAS E SACERDOTES

Sacerdote no Antigo Testamento era aquele que levava as transgressões das pessoas diante de Deus e intercedia por elas com vistas ao  perdão divino. Portanto, ele ficava de costas para o povo e de frente para Deus. Além de mediador e intercessor era também um ensinante (ver também Ml 2.6-7).

Profeta no Antigo Testamento era aquele que ouvia a palavra de Deus e a transmitia ao povo. Portanto, ele ficava de costas para Deus e de frente para o povo. Era um mensageiro de Deus em nome de Deus: “Assim diz o SENHOR…”. Os profetas não eram uma classe hereditária. Cada um recebia diretamente de Deus o seu chamado.

Fazendo um paralelo entre o profeta e o sacerdote, podemos dizer que:

– O profeta ficava de costas para Deus e de frente para o povo;
– O sacerdote ficava de costas para o povo e de frente para Deus.

Algumas particularidades:

Os profetas tiveram diversas origens e procederam de diferentes profissões e ofícios.

– Jeremias e Ezequiel foram sacerdotes; e talvez também Zacarias.
– Isaías, Daniel e Sofonias pertenceram à realeza.
– Amós foi pastor.
– Quanto aos demais, não se sabe o que foram.

3. MISSÃO

Devemos banir do nosso pensamento a ideia popular de que o principal serviço do profeta era predizer. É verdade que vários profetas falaram de coisas futuras, mas isso não foi sua mensagem principal. Diz o Dr. George Adam Smith: “No uso comum, o nome profeta tem degenerado para o sentido de um que prediz o futuro. É o dever de cada estudante de profecia livrar-se desse sentido. No grego, profeta (profetês) não significa quem fala anteriormente, mas quem fala por, ou em lugar de outro. É neste sentido que havemos de pensar nos profetas do Velho Testamento. Falaram por Deus. Sendo participantes dos conselhos de Deus, o profeta vem a ser portador ou pregador da palavra divina. A predição do futuro é somente uma parte, e muitas vezes parte subordinada e acidental, de um ofício cuja função era declarar o caráter e a vontade de Deus”.

No Antigo Testamento encontramos profetas que nada escreveram, como Elias, Eliseu etc.; outros que falaram e escreveram (ou, ao menos, cujas palavras foram escritas por outros) e, talvez, algum que escrevesse sem falar.

4. MENSAGEM

Ênfases: MONOTEÍSMO / MORALISMO / MESSIANISMO (3 M’s )

As profecias, no seu sentido mais alto e nobre, eram sermões que conservavam o seu valor para todas as idades, porque o seu conteúdo retém os propósitos de Deus, que jamais poderão falhar. Os profetas estavam mais interessados na vida do que na lógica dos fatos, de maneira que a sua mensagem carecia, muitas vezes, da sequência lógica dos nossos sermões modernos. Por isso mesmo, eram, às vezes, muito mais eficientes.

As mensagens proféticas tinham caráter duplo:

1º) Aquela que era local e para o período de vida do profeta.

Geralmente denunciando os pecados dos líderes e do povo de Deus, a corrupção política, a opressão e podridão moral, exortando-os ao arrependimento.

2º) Aquela que era preditiva do propósito divino no futuro.

Incluía a predição da vinda de Jesus Cristo, o Messias, e outros acontecimentos.

É claro que, para entender qualquer profeta, é preciso tomar muito sentido no tempo em que ele vivia, e discernir se ele tinha uma mensagem de valor para seus contemporâneos, ou se a sua profecia tinha referências apenas a sucessos num futuro distante. Mui frequentemente, as circunstâncias nacionais em que o profeta ministrava fornecem a chave para entendermos a sua profecia.

Geralmente a predição brotava imediatamente das circunstâncias locais (por exemplo, Is 7.1-11 com os vv.12-14).

É preciso manter em mente o caráter israelítico do profeta. Geralmente, seu ministério preditivo, junto com o seu ministério contemporâneo tinha em vista o povo da aliança, seu pecado, fracasso e seu futuro glorioso. O gentio é mencionado como instrumento do castigo de Israel, julgado por isto, mas também participando da graça que ainda será demonstrada para com Israel. Os poderes gentios são mencionados em conexão com Israel. Contudo, a profecia, exceto em Daniel, Obadias, Jonas e Naum, não está principalmente preocupada com a história do mundo gentio. A Igreja corporativamente, não está na visão do profeta do Antigo Testamento (Ef 3.1-6).

A bênção futura de Israel como nação repousa sobre a Aliança Palestiniana da restauração e conversão (Dt 30.3) e sobre a Aliança Davídica do reinado do Messias, o Filho de Davi (2Sm 7.16); e isto concede à profecia preditiva o seu caráter messiânico. A restauração final de Israel está garantida no reino, e a fonte de bênçãos no reino é o Rei, que não é apenas o Filho de Davi, mas também Emanuel.

Mas, assim como o Rei também é Filho de Abraão (Mt 1.1), o Redentor prometido, e considerando que a redenção é apenas através do sacrifício de Cristo, assim também a profecia messiânica apresenta necessariamente o Cristo em um aspecto duplo:

1º) Um Messias sofredor (por exemplo, Is 53);
2º) Um Messias reinante (por exemplo, Is 11).

Esta dualidade – sofrimento e glória, fraqueza e poder – envolvia um mistério que deixava os profetas perplexos (Lc 24 26-27; 1Pe 1.10-12).

A solução deste mistério jaz, como o NT torna claro, nos dois adventos – o primeiro advento para redenção através do sofrimento; o segundo advento para o reino na glória, quando as promessas nacionais, a Israel, serão cumpridas (comp. Mt 1.21-23; Lc 2.28-35; 24.46-48 com Mt 2.2, 6; 19.27-28; Lc 1.31-33, 68-75; At 2.30-32; 15.14-16). Os profetas descrevem o advento em duas formas que não podiam ser contemporâneas (por exemplo, Zc 9.9; contraste 14.1-9); mas a eles não foi revelado que, entre o advento para o sofrimento e o advento para a glória, seriam realizados certos “mistérios do reino” (Mt 13.11-17, 34-35), nem que, após a rejeição do Messias, a Igreja do NT seria chamada. Estes eram, para eles, os “mistérios escondidos de Deus” (Ef 3.1-12).

Falando generalizadamente, então, a profecia preditiva ocupa-se com o cumprimento das Alianças Abraâmicas, Palestiniana e Davídica.

As predições da restauração dos judeus do cativeiro da Babilônia no fim dos setenta anos devem ser diferenciadas daquelas sobre a restauração da nação da dispersão mundial, depois de sua rejeição de Cristo em seu primeiro advento. As Alianças Abraâmica, Palestiniana e Davídica (Gn 12.1-3; Dt 28.1 – 30.9; 2Sm 7.4-17) são o molde da profecia preditiva em seu sentido mais amplo:

– GRANDEZA NACIONAL;
– DESOBEDIÊNCIA NACIONAL;
– DISPERSÃO MUNDIAL;
– BÊNÇÃO MUNDIAL ATRAVÉS DO MESSIAS DE ISRAEL;
– ARREPENDIMENTO;
– A SEGUNDA VINDA DE CRISTO;
– O REAJUNTAMENTO DE ISRAEL E O ESTABELECIMENTO DO REINO;
– A CONVERSÃO E A BÊNÇÃO DE ISRAEL E O JULGAMENTO DOS OPRESSORES DE ISRAEL.

Resumindo:

A Missão e a Mensagem dos profetas foram:

  • Procurar salvar a nação de sua idolatria e impiedade. O que mais incomodava os profetas era a IDOLATRIA do povo; a nação tinha ideias erradas a respeito de Deus. Já está quase que universalmente reconhecido pelos críticos de todos os credos que Judá foi completamente purgada da idolatria depois do cativeiro da Babilônia. Muitos outros males e pecados nacionais são denunciados e tratados nos registros pós-exílio de Esdras, Neemias e Malaquias, tais como: casamentos mistos com mulheres estrangeiras, opressão dos pobres pelos ricos, a violação do sábado e a sonegação dos dízimos. Jamais a idolatria foi mencionada sob qualquer forma ou aspecto, ainda que nos registros pré-exílio fosse muito comentada e severamente denunciada como o pecado número 1 de Israel.
  • Falhando nisso, anunciar que a nação seria destruída.
  • A destruição não seria total. Um remanescente seria salvo.
  • Do meio desse remanescente sairia uma influência que se espalharia pela terra e traria a Deus todas as nações.
  • Essa influência seria um grande homem, que um dia se levantaria na família de Davi. Os profetas chamaram-no de “Rebento”. A árvore da família de Davi, que fora a mais poderosa do mundo, foi cortada nos dias dos profetas, para governar sobre um pequeno reino desprezado que tendia a desaparecer; uma família de reis sem reino: esta família faria uma volta espetacular. Reapareceria. Do seu trono brotaria um renovo, um rebento tão grande que se chamaria o Rebento.

5. QUADRO GERAL

6. LIVROS E ESCRITORES

A partir da divisão do reino encontramos 17 Livros dos profetas, sendo 16 profetas escritores visto que Jeremias escreveu dois livros: Jeremias e Lamentações de Jeremias.

Estes livros são chamados de “profetas maiores” e “profetas menores”, a saber:

– Profetas maiores: Isaías, Jeremias, Lamentações de Jeremias, Ezequiel, Daniel.

– Profetas menores: Oséias, Joel, Amós, Obadias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuque, Sofonias, Ageu, Zacarias e Malaquias.

A divisão em profetas maiores e menores, com base no simples volume dos livros, não é histórica e não é cronológica. Esta designação ou classificação se faz considerando o tamanho dos livros. Por exemplo, cada um dos três livros – Isaías, Jeremias e Ezequiel – é maior do que todos os 12 livros juntos dos profetas menores.

7. CRONOLOGIA DOS PROFETAS

A ordem em que encontramos os livros nas nossas Bíblias não é a ordem cronológica em que profetizaram. Em alguns casos, o lugar cronológico de um profeta é problemático, como por exemplo no de Joel, mas vamos acompanhar aqui a cronologia sugerida por H. H. Halley (Manual Bíblico), que se aproxima muito da cronologia aceita pela maioria dos expositores de confiança.

O reino do Norte (Israel) caiu em 732-722 a.C., cativo da Assíria.

O reino do Sul (Judá) caiu em 605-586 a.C., cativo da Babilônia.

Os livros proféticos podem ser divididos em três grupos:

PRÉ-EXÍLIO:

EXÍLIO:

PÓS-EXÍLIO (Restauração):

8. DESTINATÁRIOS PRINCIPAIS

Os Livros foram dirigidos principalmente aos seguintes destinatários:

– A Israel: Amós, Oséias.
– A Nínive: Jonas, Naum.
– A Babilônia: Daniel.
– Aos cativos na Babilônia: Ezequiel.
– A Edom: Obadias.
– A Judá: Joel, Isaías, Miquéias, Jeremias, Habacuque, Sofonias, Ageu, Zacarias, Malaquias.

9. O ÁPICE DA PROFECIA

“Eruditos modernos inclinam-se a reduzir ao mínimo o elemento profético da Bíblia. Mas esse elemento aí está. A ideia mais persistente de todo o A.T. é esta:

O SENHOR, o Deus da nação hebraica eventualmente vai tornar-se o Deus de todas as nações.

As gerações sucessivas de escritores do A.T. passam do geral ao particular na descrição dos pormenores desse fato e da maneira como se vai realizar. E nos profetas, embora eles mesmos possam não ter compreendido todo o alcance de algumas de suas palavras, e ainda que algumas de suas predições estejam obscurecidas por fatos históricos dos seus dias, mesmo assim toda a história de Cristo e da propagação do cristianismo na terra está descrita antecipadamente, em linhas gerais e em detalhe, numa linguagem que não se pode referir a nenhum outro evento da História.” (Halley, H. H. – Manual Bíblico)

BIBLIOGRAFIA
1. A Bíblia Anotada (MC – Editora Mundo Cristão).
2. Bíblia Online – SBB (ARA).
3. Halley, H. H. – Manual Bíblico.
4. Francisco, Clyde T. – Introdução ao Velho Testamento.
5. Anotações de Aula – Antigo Testamento, Pr. Álvaro Trindade.

Profetas Menores

#O espaço de apoio a Estudantes e Seminaristas

PANORAMA DO ANTIGO TESTAMENTO


OSÉIAS

2023 – Versão 1


JOEL

2023 – Versão 1


AMÓS

2023 – Versão 1


OBADIAS

2023 – Versão 1


JONAS

2023 – Versão 1


MIQUÉIAS

2023 – Versão 1


NAUM

2023 – Versão 1


HABACUQUE

2023 – Versão 1


SOFONIAS

2023 – Versão 1


AGEU

2023 – Versão 1


ZACARIAS

2023 – Versão 1


MALAQUIAS

2023 – Versão 1


Nota: Por gentileza, se perceber algum erro na editoração deste material, não deixe de nos comunicar, para correção. Muito grato! Boa Leitura!

Veja, também:

Profetas Maiores